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Revisada por: Júpiter

Última Atualização: 08/08/2025

belle

nossa vida é marcada por sentimentos que te destroem e lhe alimentam




a lagarta

a criança que criou a minha pele
não conseguiu desviar a lâmina que perfurou a nossa asa a nossa parte delicada

hoje as cicatrizes se formaram em borboletas, para fazer do casulo os nossos sonhos, e as asas a nossa realidade

é impossível deixar de sonhar



2006

Eu vivia sozinha. Meu irmão mais velho estava ocupado com a faculdade em Los Angeles e meu irmão do meio morava no internato. Era só eu, minha mãe e meu pai.
Era a Rosa, a Bela, e o Monstro.
Disse sozinha porque eu fui criada calada. Enquanto a Bela sofria com as garras do Monstro, enquanto ele destruía cada parte dela, o coração, a alma, o espírito e o corpo; eu assistia e guardava em meu receptáculo.
Cansada de tanta tortura e sofrimento, minha mãe decidiu trabalhar até tarde em seu escritório. De repente, era eu e o Monstro.
Eu chegava da escola e o Monstro olhava com orgulho para mim, até perder uma peça essencial para a sua vaidade e sangrar minha pele.
A Bela não estava lá para ser machucada, mas o Monstro precisava atacar e se alimentar. Pobre Rosa, suas pétalas foram cortadas, manchadas com teu sangue e marcadas pela lâmina cortante.
Meus irmãos o odiavam; minha mãe o temia; e eu o evitava o máximo que eu pudesse.

₊˚ˑ༄ؘ 🌸 ₊˚.༄

Minha mãe trabalhava dia após noite e noite após dia. Tudo para evitar meu pai. Meus irmãos haviam fugido da forma deles, mas prometeram voltar depois que conseguissem, o que consideravam suficiente para dar um fim no pesadelo.
Em momentos que meu pai se fazia ausente — não eram poucos — eu ficava na casa de minha vó.
Minha guia. Minha princesa. Minha borboleta.
Borboleta essa que ensinava à Rosa o amor de um Cravo, o amor de amar, porque, afinal...
O que é amar?
Através do amor de sua vida; da sua história de amor, minha avó me mostrou que eu só aprenderei a amar quando meu futuro amor chegar para ensinar. Não há aula específica, não é como abc ou 2+2.
É uma equação que vai além das palavras.
Pense em uma história de amor tão calorosa. Tão emocionante que constroi sonhos. Meu desejo era virar uma estilista dona de uma marca luxuosa, mas depois de escutar as histórias da vovó Borboleta, eu vou partir em busca do meu amor.
Porque saber que existe alguém por aí que vai te proteger o tempo todo, que não vai largar sua mão e saber exatamente o que você sente, mesmo sem trocar uma palavra, se transformou em um sonho grande.
Pena que o príncipe da vovó se foi tão cedo, ela passou por outros rapazes, mas na vez que perguntei quem era o seu verdadeiro amor, ela disse que ele nunca a tinha marcado tanto quanto os outros.
Eu também queria viver isso. Se ela diz que eu vou encontrar alguém que seja a luz quando estiver tudo escuro em minha vida, eu acredito. Vou acreditar, esperar e procurar.

₊˚ˑ༄ؘ 🌸 ₊˚.༄

2010

Meu pai comprou empresas falidas; Hyunlee era um neurocirurgião e diretor de pesquisas; Chanlee era advogado de acusação criminalista; e minha mãe cuidava de mentes.
De todas as profissões mencionadas, a mais delicada era a de minha mãe. Tudo bem que meus irmãos salvaram vidas e meu pai era um comprador que bajulava o governo, mas pensar que alguém com a mente tão machucada cuidava de pessoas que também estavam com o psicológico ferido era admirável.
Minha mãe, mesmo doente, cuidava de pessoas doentes como ela e fazia isso brilhantemente.
Eu percebi que ela descobriu que meu pai não estava presente em casa e quando estava me agredia. Ela passou a me levar ao trabalho dela para se certificar de que eu estava bem.
Eu pedi para que me deixasse na casa de vovó, mas a sua preocupação de mãe era maior. Eu só entenderia se fosse um dia, e, quando eu encontrar meu amor, eu serei.
Em uma das consultas, eu conheci uma garota muito legal e admirável. O nome dela era Kim Naeyin.
Ela foi acompanhar a mãe, que estava sofrendo de depressão porque havia perdido o marido. Fiquei feliz que, o que era para ser apenas sessões de terapia, se transformou em uma amizade eterna. Aquela amizade escrita pelas estrelas e guardada no coração do infinito.
Nossas mães viraram grandes amigas. Eu e ela também, mas o amor da nossa amizade era diferente. Ela me ensinava várias coisas: brincadeiras, livros, filmes, tudo.
E eu queria ser como ela. Eu queria ser igual a ela. Cada passo que ela dava, eu queria seguir. Foi minha primeira ídola depois da vovó. Idola mais forte que Rihanna e Britney Spears.
Era minha melhor amiga.
Quando mamãe descobriu que Naeyin e sua mãe estavam se mudando para Seul, ela insistiu para que eu fosse também.
— Mas mamãe, eu gosto de Busan. Gosto daqui. Gosto de estar com você, com a vovó e gosto de esperar por meus irmãos.
— Mas seu pai lhe machuca sempre que estou fora, filha. Sua vó está fraca, eu trabalho demais e seus irmãos estão muito distantes para te proteger. Eu ficarei mais tranquila se souber que você está fora do alcance daquele monstro com quem me casei.
Dava para ver em seus olhos que ele a havia machucado de novo, que havia deitado acima dela sem seu consentimento.
Eu não queria, mas, se era o que deixava minha mãe mais tranquila, eu fui. Me despedi da vovó e liguei para meus irmãos, e, sem meu pai saber, eu estava partindo para Seul.



2011

Quando cheguei em Seul, fiquei assustada com o tamanho daquela cidade. Era gigantesca e Naeyin garantiu não sair do meu lado.
Por lá, encontramos um antigo amigo dela, seu vizinho, Jungkook. Era um garotinho tímido, 3 anos mais velho que eu. Gostava de chamá-lo de coelhinho, porque sempre que sorria seus dentinhos e olhos grandes me lembravam um pequeno coelho branco. E eu sentia algo diferente quando estava perto dele.
Tanto ele como Naeyin estavam naquela cidade a fim de virarem cantores. Não sabia o porquê e nem como tomaram aquela decisão, mas eu iria acompanhá-los como a boa amiga que eu era.
No dia que Naeyin foi fazer a audição, eu fiquei impressionada, porque, pelo tempo que eu a conhecia, não sabia que ela fazia rap — e tão veloz. Aquela garota era incrível.
Quando a equipe que estava avaliando olhou para mim, parecia que eu tinha pegado algo escondido de minha mãe e ela havia me pegado no flagra, mas eles apenas perguntaram:
— E você? Não vai cantar?
Mais vermelha que o batom da Jessica Rabbit, eu respondi que estava ali apenas para acompanhar minha amiga, mas eles insistiram, me perguntando o porquê de pelo menos não tentar. Só pela sugestão, eu pedi que me entregassem um violão, instrumento além de bateria, baixo, guitarra e piano — esse último eu provavelmente esqueci completamente como funcionava — que aprendi a tocar com meus irmãos.
Tínhamos uma banda: Os Lee.
Me sentei, toquei e cantei minha música favorita do momento: Complicated, da diva do pop rock Avril Lavigne. Eu não me identificava com a letra e nem com a vibe da música, mas usei-a para treinar o inglês que estava aprendendo com meu irmão através do telefone e algumas visitas à Busan.
Quando terminei, o diretor simplesmente disse que eu e Naeyin estávamos aprovadas. Eu não sei o que aconteceu, eu não sabia cantar, fazer rap e muito menos dançar. Não sei se foi o fato de eu saber tocar violão, falar inglês ou a minha aparência que já era cobiçada desde que entrei na escola.
Liguei para minha mãe e meus irmãos. Eles ficaram evidentemente orgulhosos e aproveitei para pedir o mesmo conselho aos três: se eu deveria aceitar.
E, sábia como a mãe dela, minha mãe me respondeu:
— Filha, quem sabe esse seja o ponto de partida para a realização de seus sonhos? Você não quer ser modelo antes de ser estilista? É uma empresa que está te convidando. Uma empresa que pode lhe proporcionar isso. Muitas cantoras atualmente seguem carreira de modelo também e muito sucesso. Talvez você não cante, mas nada que algumas aulas não ajudem. Eu sei que você aprende rápido e é determinada. Aceite! Mas independentemente de sua escolha, eu lhe apoio e confio em você.
É, eu concordava. E se esse fosse o primeiro passo para minha profissão de estilista? Eu aceitei. Eu simplesmente estava prestes a me tornar uma estrela do kpop e a arruinar minha vida aos 11 anos de idade.
Talvez eu estivesse exagerando, mas não era mentira que as coisas não estavam sendo fáceis. Eu sei que ninguém me avisou que seria fácil e mesmo se avisasse eu não deveria duvidar. Era como tentar segurar areia. Por mais que eu tentasse mantê-la em minhas mãos, ela sempre escapava.
Na aula de canto, meu problema eram high notes. Tive aulas de rapping com o melhor rapper do BTS — grupo do coelhinho que debutaria brevemente, ele aproveitava meu gosto por livros e fazia eu ler alguns parágrafos o mais rápido possível e com clareza enquanto segurava um cronômetro.
Ele era rígido e a situação em um todo era desafiante, mas o dono da empresa exigiu que o novo grupo feminino ocupasse todas as posições igualmente.
E adivinha? Eu era ruim em todas igualmente.
Menos em visual. Sempre que andava pela empresa, alguns funcionários e trainees me paravam para dizer o quanto eu era bela, confesso que ficava tímida com esses comentários, mas não me deixavam feliz. Na escola, algumas meninas me olhavam feio apenas porque os garotos não tiravam os olhos de mim.
Resumindo: Eu estava excluída por ser bonita. Absurdo, não?
Eu não achava minha beleza exuberante. Meus olhos lembravam os de um felino, meus lábios eram levemente carnudos e meu nariz era naturalmente fino. Sinceramente, eu achava que existiam outras garotas e mulheres mais bonitas que eu e não havia motivo para ódio ou excesso de elogios.
A Wyuji, por exemplo, era a mais velha do quarto que dividia com Naeyin e Jiyang. Ela tinha o rosto delicado como pêssego e aparência de princesa, além de ter uma personalidade maravilhosa de irmã mais velha quando todas estavam no quarto. Gostávamos das mesmas coisas e tínhamos um humor bem quebrado. Eu gostava dela.
Já a Jiyang, ela chegou depois. Tínhamos a mesma idade, mas não éramos tão próximas, só um pouco na escola. Eu a achava uma pessoa bem legal e talentosa pelo seu carisma e notas altas nos testes semanais da empresa. Ela era filha de um guitarrista, então já sabia mais ou menos como funcionava o ramo da música. Na maioria das vezes, era ela quem ajudava eu e as unnies a estudarmos para os testes.
A Naeyin... vocês já sabem o que pensava sobre ela.
Nós quatro nos dávamos super bem, e era engraçado porque era como se tivesse uma irmã mais nova para cada unnie. Mesmo assim, quando nos juntávamos, era super divertido. Eu gostaria que o novo grupo fosse formado por nós quatro.
Ok, perdão pelo exagero novamente, eu não era tão ruim como vocalista e estava sempre avançado em rapping.
Porém, o terror era a dança. O terror... era a dança...
A situação era tão crítica que, ao lado do coelhinho, passei o período de agosto em Los Angeles aprendendo várias técnicas de dança.
É que tínhamos atividades em dupla, e como eu e Jungkook éramos os menos experientes, ficamos juntos. Fiquei feliz por treinar ao lado de alguém que conhecia.
Além das aulas, nos fins de semana, eu e Jungkookie saíamos para a praia e comíamos comida coreana, ficamos surpresos ao descobrir que vendia por lá. Tiramos muitas fotos também, estávamos impressionados, já que era a primeira vez que viajávamos para fora da Coreia.
Meilee, tira uma foto para mim?
Ele estava fofuramente tão empolgado quanto eu. Era ele o mais velho, mas o pedido foi tão doce que parecia uma criança de quatro aninhos.
Mas aquele garoto... o que ele tinha que parecia tirar meu coração pela boca?
Provavelmente não era nada. Ele só tinha uma energia boa, uma áurea, uma luz.
Talvez eu estivesse enlouquecendo com as aulas, entretanto, evoluí bastante, não estava tão desajeitada quanto antes.
Jungkook me ajudava no necessário também, nós dois nos ajudávamos e foi graças a isso que nos tornamos bons amigos. Uma simples e doce amizade.



nervo cardíaco

quatro garotas que formam quatro letras e uma palavra. 6 em coreano, 5 em francês, 2 em chinês e 4 em inglês. a palavra universal que une o número 4 em diversas letras e línguas é a ponte para sua concretização; 4 letras, 3 amores, 2 decepções, 1 destino e milhões de corações.



2015

A todos que duvidaram de mim e do meu potencial como cantora, rapper e dançarina, eu lhes apresento May: a garota que vai conquistar o coração de todos.
Escolhi esse nome porque meus amigos me chamavam de "Mei" e eu só queria deixar mais legal trocando o "ei" pelo "ay". Além de que maio — may em inglês — é o mês em que minha vovózinha nasceu.
Também não é assim; eu ainda tinha muito que aprender, mas, depois de a empresa ter adiado um ano graças ao MV de Danger do BTS — a culpa não é deles, a empresa que estava falida e queria mais projetos que envolviam mais dinheiro —, finalmente havia chegado o dia de nosso debut, 16 de fevereiro.
Felizmente, o grupo era formado por mim, pela Nay unnie, Wyuji unnie e Jiyang, que agora possui o nome artístico de Crystal. Nosso grupo tinha o conceito de amor, íamos contar histórias de amor e mostrar ao mundo o porquê de ser o sentimento mais lindo do universo.
Assim como prometido, todas nós ocupamos as mesmas posições, mas nos destacamos em diferentes: Nay e eu em rapping, Wyuji e Jiyang em vocal e, por incrível que pareça, eu e Jiyang ocupamos a posição de dançarinas principais. Ela era bem melhor que eu, mas o professor de dança resolveu me dar esse desafio, que, segundo ele, era um presente por todo o meu esforço.
Quando o álbum começou a vender, minha mãe, minha vó e meus irmãos foram os primeiros a receberem as primeiras cópias. O chefe disse que poderíamos presentear nossos familiares com o nosso trabalho.
Enfim, estava empolgada. Era um novo ciclo na vida da rosa que nem sonhava em ser cantora, mas não levava desaforo para casa e mostrava para todos que era capaz de superar os "você não consegue" e "você deveria desistir".
Falar que eu deveria desistir só me dava mais força de vontade para continuar.
Estávamos trabalhando bastante. Ainda não tínhamos ganhado nada, mas éramos bem treinadas e o BTS nos ajudava muito com composições e técnicas.
Era assustador e tranquilo ao mesmo tempo.
Mas me recusei a deixar de estudar, então eu e Jiyang íamos à escola e depois para a empresa ensaiar.
Não éramos famosas, mas já haviam pessoas que ficavam na nossa cola querendo saber como era a vida de idol e eu sempre respondia dizendo que ainda há muito por vir.
Só que nem tudo mudou, eu e Jiyang passávamos o intervalo juntas e às vezes com duas garotas que fizemos amizade, já que as outras não queriam nossa presença.
— Não podemos andar com gente mais bonita que a gente. Isso pode ofuscar o nosso brilho e os garotos não olharão para nós — disse uma delas.
Tudo bem, eu já estava acostumada e a amizade da Jiyang e das duas meninas próximas a gente era suficiente. Elas eram legais e estudiosas.
Até o garoto mais lindo da sala chamar minha atenção.
Eu não costumava gostar de gente popular, mas ele era bonito, muito bonito. E, para piorar minha situação, era o crush da valentona que afirmou que eu ofuscaria o brilho dela.
Estava mais para luz agonizante, e estava tudo bem até ele chegar até mim.
— Meilee, certo? Soube que você vai participar do clube de leitura.
— É... sim, eu gosto de ler, mas não posso participar de nenhum clube, já que eu não tenho tempo para isso.
— Que pena, mas espero que tenha para este aqui.
Ele me entregou A Volta ao Mundo em 80 Dias e saiu. Eu nunca tinha lido, mas sabia que não era um romance e sim uma ficção de aventura. Não sabia se era o livro ideal para dar a alguém que você estava interessado, mas mesmo assim agradeci.
E com certeza aquele livro era da biblioteca.
Jiyang ficou sem entender, mas começou a me zoar, dizendo que ele gostava de mim. Eu preferiria acreditar que não.
— Ei, garota! — a valentona e suas amigas de estimação me chamaram atenção. — Se afaste dele o mais rápido possível ou sofrerá consequências.
— Mas foi ele quem me deu o livro!
— E aceitou por que, princesinha? Se afaste do Sunghan imediatamente! Não quer se envolver em polêmicas no início da sua carreira, não é? Ele é meu! Somente meu!
Só que em torno de 2 meses já estávamos namorando.
Depois que ele me deu aquele livro, começamos a nos encontrar com frequência e conversar sobre vários gêneros literários de nosso interesse, então as conversas foram avançando e, quanto mais estávamos juntos, mais o sentimento de amizade mudava.
Sunghan me pediu em namoro em uma sala de aula vazia, com flores e O Pequeno Príncipe, meu livro preferido que perdi durante a mudança.
Ele queria revelar para a escola toda, mas eu debutara há 2 meses, então ainda não tinha permissão para namorar publicamente.
Mas ele me respeitou, e muito. Muitas gostavam dele, mas só tinha olhos para mim. Sempre que possível, passava na minha sala para me dar flores ou levar eu e a Jiyang ao dormitório. Quando eu tinha os fins de semana livres, íamos ao cinema e comer topokki na volta.
Eu o amava feito uma idiota. Escrevia cartas sobre o quanto ele me fazia feliz e como meus dias eram diferentes e leves ao seu lado. Eu perfumava as cartas com minha fragrância preferida e anexava com seu doce preferido. Ele me respondia essas cartas com encontros e momentos românticos, os quais me inspiraram para escrever mais cartas. Era como compor música.
Porque ele me prometeu a lua, as galáxias e o universo.
Eu cheguei a escrever minha primeira música, nomeada de Roller Coaster para o LUV inspirada no nosso romance, mas ela ainda estava sendo avaliada.
Enfim, eu realmente o amei como uma idiota. Uma grande idiota.
Depois de um ano e oito meses de relacionamento, ele começou a ficar estranho, a me tratar mal. Ele não respondia mais minhas cartas e nem saía mais comigo. Eu andava muito ocupada por conta do comeback, então deduzi que fosse aquilo.
Até que a boba aqui decidiu fazer uma surpresa.
Primeiro, fui até a casa dele e a mãe dele disse que ele estava na biblioteca, quando cheguei lá, ele simplesmente não estava. Quando pensei em desistir, fui até a sorveteria que sempre íamos depois da aula. E lá estava ele aos beijos com uma mulher, uma mulher que não era eu.
Ele a beijava de uma forma que nunca tinha me beijado antes: com desejo, toques percorrendo suas curvas e amassando seus cabelos naturalmente loiros. Ela parecia estrangeira.
Mas foda-se! Foda-se que ela fosse estrangeira! E as nossas promessas? As cartas? O cinema? As galáxias? O beijo? Dava para acreditar que meu primeiro beijo fora com aquele garoto?!
Estática, eu olhava para os dois e deixava minhas lágrimas escorrerem, porque a pessoa que jurava ser meu primeiro e grande amor estava aos amassos com uma mulher de 20 anos que tinha tudo o que eu queria ser para ele.
Ele me gritou e disse que poderia se explicar, mas eu saí correndo e chorando feito uma criança e liguei para Naeyin me buscar.
Ele me fez voar na fé, porque, independentemente do que eu fizesse, ele nunca iria voltar, já que estava encantado com a garota loira.

₊˚ˑ༄ؘ 🌸 ₊˚.༄

2017

Depois de dois anos desde o debut, o LUV finalmente tinha ganhado seu primeiro prêmio com Playing with Fire, música escrita por minha melhor amiga que estava há 2 anos namorando com Kim Taehyung e eu não sabia.
Ela sempre foi desconfiada com os homens depois do episódio mais doloroso de sua vida e de repente me apareceu com um relacionamento seríssimo de 2 anos, 2 anos!
Como eu não percebi? Estava sofrendo o suficiente o meu chifre para deixar passar? Lembrava que em 2015 eu não estava namorando.
Enfim, ficava feliz pelos dois, eles eram incríveis. E, depois de tudo que Naeyin passou, ela merecia muito.
Eu e Tae nos aproximamos só por causa dela, na verdade. Eu andava para cima e para baixo com a Naeyin e ele havia se encantado por ela. Segundo ele, foi amor à primeira vista — eu não acredito nisso, mas acredito no amor e que Nay é encantadora mesmo.
Então, ele tomou coragem para me perguntar coisas que ela gostava e que poderiam conquistá-la. Fiquei feliz em ver alguém se dedicando pela Nay, esperava que ele não fosse um idiota como meu ex.
Fiquei chateada por não saber, mas eles compensaram convidando-me e o Jungkook para sairmos. Havíamos nos afastado por conta da correria de comeback e sessões de fotos, mas estávamos todos os dias nos falando.
Falando em sessão de fotos, pela primeira vez eu e as meninas saímos na capa de uma revista. Fiquei muito empolgada ao saber que o diretor da revista já trabalhou na Vogue Korea e chegando na Vogue eu tinha metade dos meus sonhos realizados.
Foram sessões tranquilas. Depois, eu e Naeyin fomos tomar um café com os meninos, quer dizer, só a Naeyin e o Jungkook, porque o Tae não gostava de café e eu pedi um chá gelado. Quando percebi que o casal queria ficar sozinho, chamei meu amigo para passear.
— Você está bem?
— Tô, claro.
Quando pedi para a Naeyin me buscar, ela estava muito ocupada em reunião com os produtores e não podia sair dali, então pediu para que Jungkook fosse em seu lugar, já que eu também era próxima dele.
Ele me deu um abraço tão caloroso, dizendo que estava tudo bem, que eu não errei em nada e que ele era um simples idiota. Nem aquele babaca tinha me dado um abraço tão acolhedor como aquele.
— Eu fiquei com muita raiva dele.
— Sério? Não precisa sentir minhas dores, está tudo bem.
— Mas eu realmente fiquei chateado porque ele te machucou. Ele vai se arrepender de ter perdido um cristal tão precioso como você.
— Nossa... obrigada, Jeon.
Eu me recusava a gostar dele, então toda vez que eu sentia minhas bochechas queimando, o chamava de Jeon para cortar o encanto. Achava que tudo aquilo era medo de a experiência se repetir.
— Mei... eu acho que-
Tae o interrompeu, dizendo que tinham que gravar as músicas novas. Lhe perguntei o que era no caminho até a empresa e ele disse deixa pra lá. Por um lado, fiquei curiosa, por outro, pensei que não fosse importante.
Apesar de ficar decepcionada toda vez que via meu ex com a loira — que mais tarde eu descobri que era ex dele antes de mim —, eu não me abalava por homem e nem desistia de meus objetivos por causa deles.
Felizmente, não sei como a empresa e nem a escola ficou sabendo do relacionamento, só as pessoas mais próximas sabiam. Talvez ele não se importasse mesmo comigo porque realmente não expôs nada.
Há algumas semanas, o professor de física passou uma atividade em grupo e no meu tinha um garoto da minha idade que eu nunca havia notado. Eu estava cega pelo meu ex, então não reparava em ninguém além dele.
Era fofo, tímido e muito inteligente. Eu era melhor nas disciplinas que envolviam escrita e leitura. Nunca fui muito boa em raciocínio, então era péssima em qualquer tipo de cálculo, mas eu sempre dava o meu melhor.
Quando ele me viu perdida na realização do trabalho, ignorou todos que estavam pedindo sua ajuda e veio até mim.
— Acho que, se você tentar começar pela multiplicação, tudo ficará mais claro.
Com o sorriso mais lindo que já vi, achava que eu finalmente superara meu ex.

₊˚ˑ༄ؘ 🌸 ₊˚.༄

Jungkook havia me convidado para assistir à uma sessão de fotos. Fazia algumas semanas que ele tinha voltado dos Estados Unidos, então queria me ver.
Acho que eu nunca tinha reparado o quão atraente ele era, quando posava para as fotos, suas expressões eram neutras e singelas. Havia galáxia no seu olhar, uma cor doce em seus lábios, um brilho dourado na ponta de seu nariz e sua pele era fresca feito pêssego.
E ele por completo tinha uma luz fascinante...
Quando as sessões acabaram, tive a oportunidade de conversar um pouco com ele.
— Como foi nos EUA?
— Foi legal, a comida lá é boa e eu não entendia nada do que falavam.
Eu ri porque ele realmente tinha experiência zero em inglês, mas eu o ajudava quando tínhamos tempo livre.
— Senti falta da minha tradutora.
I missed you too, little bunny.
Rimos porque ele não sabia nem o básico. As coisas entre mim e Jungkook mudaram desde que terminei meu relacionamento, nos olhávamos diferente.
— Vamos à praia? — sugeri
— Agora? Claro!
Do estúdio de fotos, fomos caminhar na praia, estava quase vazia. Enquanto caminhávamos, íamos conversando sobre a viagem dele, o que fiz por aqui na Coreia e algumas coisas de nosso interesse.
— A propósito, o que queria dizer naquele dia que estávamos com a Nay e o Tae? Não posso mentir dizendo que não fiquei curiosa.
— Tem certeza de que quer saber? Não quero que isso estrague nossa amizade.
— Tenho certeza que não vai.
Ele respirou fundo, olhou fixamente nos meus olhos e disse:
— Eu acho que gosto de você, Mei — ele disse, pegando minha mão e olhando para ela enquanto balançava o pé timidamente.
Meu coração disparou, disparou muito. Olhei em seus olhos e vi verdade, vi paixão, vi o brilho que tinha enquanto olhava para mim. Eu não sabia se saía pulando por Jungkook gostar de mim ou se me escondia em um buraco por Jungkook gostar de mim.
É que eu não sabia ao certo o que eu, Yoon Meilee, sentia por ele. Eu não queria machucá-lo, mas queria ser honesta comigo mesma. Então eu fiz um teste.
— Posso tentar uma coisa?
Sem hesitar ou me perguntar, não importava o que fosse, ele simplesmente aceitou, então eu o beijei.
Um selinho rápido, nada suficiente para saber o que eu sentia, mas necessário para fazer meu coração bater ainda mais forte.
— Posso tentar outra coisa?
Balancei a cabeça e ele me puxou para um beijo com língua, esse sim me trouxe sentimento e a sensação maior de que meu coração voou da minha boca, se juntaria ao coração dele e nunca mais se separariam. Ele tinha as mãos em meu pescoço e um de seus dedos em minha bochecha. Eu o abraçava para evitar nos afastarmos.
Ele me beijava com muito carinho e eu, sem perceber, retribuía de maneira apaixonante. Quando estávamos prestes a perder o ar, nos olhamos fixamente por alguns segundos.
— Podemos tentar...
— Mais uma vez?
Falamos juntos e concordamos em repetir o que tinha acontecido. E era bom. Muito bom. Eu nunca tinha beijado daquela maneira antes, por mais que eu não soubesse o que era um beijo bom ou ruim, já que ele era a segunda pessoa que eu estava beijando na vida.
Se tivesse mil pessoas em nossa volta, elas não existiam.
Se houvesse um tsunami, ele seria ilusão.
Se houvesse um terremoto, a areia nos manteria ali.
Se houvesse um único som em todo o mundo naquele momento... seriam nossos corações.
E depois de três semanas não nos vimos mais.



— Amor!
— Minha raposinha!
Era a primeira vez que eu encontrava meu namorado depois dos ensaios, o LUV estava em época de comeback. Inclusive, o nosso segundo prêmio, LOCO, foi escrito por mim; lançamos o álbum há duas semanas e, desde então, muitos programas de TV estavam nos chamando e eu não o tinha visto. Finalmente, depois de tanto ensaiar, ganhamos a tarde livre e eu aproveitei para passar com ele.
— Ontem eu e o hyung te vimos dançado na TV. Você estava linda! A mais bonita e talentosa das quatro.
— Obrigada, meu amor! Você também tem seus talentos.
Rimos, seguido de um beijo. Eu estava na casa dele, já que era perto da empresa. Ele era mais caseiro porque não queria mídia sobre nós dois. Foi a melhor decisão que ele tomou, porque eu ainda não podia revelar meus relacionamentos nem para a empresa.
— Vamos sair para tomar sorvete?
— Não, Mei. Está tão gostosinho aqui, só eu e você.
Ele me abraçou de forma bem aconchegante, mas aquele relacionamento precisava de luz solar. Quando implorei, ele finalmente aceitou.
— Eu quero morango!
— E eu de coco.
Eu olhei para ele e fiquei confusa, pensei que ele ia pedir nossos sorvetes. Mas ele só me perguntou se eu não ia pagar
— É que eu esqueci minha carteira.
— Ah... claro...
Eu estava apaixonada demais, então deixei passar, mas confesso que me fazer pagar o sorvete me deixou incomodada.
— Na próxima você paga, né? Na verdade, você está me devendo essa.
— Se eu tiver dinheiro, certo? — Que decepção...
— Mei?
Quando olho para trás a fim de ver quem está me chamando, meu coração acelera.
— Jeon... já faz um tempo, é... o que faz aqui?
— Vim comprar ramyeon na loja de conveniência aqui do lado.
— Ah...
— Se não se importa, eu e a estrela aqui estamos tentando conversar.
— Relaxa, cara, não vim incomodar. Bom te ver, Lili.
— Igualmente...
Quando ele saiu, dei uma baixa no meu namorado, ele não precisava falar daquele jeito com o Jungkook.
Desde que nos beijamos, nunca mais nos vimos. Quando fui jantar com as meninas, o vi saindo de uma boate com uma garota agarrada em seu pescoço. A partir dali, acredito que o encanto se quebrou.
Mas não posso negar que o beijo dele foi o melhor da minha vida e toda vez que o vejo meu coração reage.
O garoto bom em cálculos confessou estar interessado em mim e pensou que não tinha chances por eu ser uma subcelebridade, mas eu quis dar uma chance porque me encanto fácil por quem cuida de mim.
E ele cuidou muito de mim quando eu chorei pela nota baixa em matemática.
Estamos há um mês juntos e até agora está tudo perfeito. Menos o fato de ele ser um pouco ciumento, mas quem não é?
Na semana seguinte, tivemos prova de física. Minhas notas deram um boom graças a ele e com certeza fui bem nesse teste. Mesmo sem muito tempo para estudar, nossas ligações deram certo.
Meu amorzinho ciumento achou melhor voltarmos para casa depois do sorvete. Segundo ele, se o Jungkook nos encontrou, nada impedia a empresa de descobrir nosso relacionamento.
— Que tal comemorar com um jantar? — ele disse, fechando a porta do meu apartamento.
— Mas a nota nem saiu ainda.
— Mesmo assim, tenho certeza de que você foi bem.
Ele estava me abraçando pela cintura e me puxou para um beijo apaixonado. Brincávamos com nossas línguas enquanto eu cruzava meus dedos com os dele a fim de mais contato. Me afastei rapidamente quando a imagem de Jungkook me veio à cabeça.
— O que foi?!
Olhei fixamente para ele. Não eram parecidos, nadinha, então por quê?
Ele ignorou e começou a beijar meu pescoço, subindo lentamente as mãos que estavam em minha cintura. Eu o afastei quando estava perto de meus seios.
— Não, Kangwoo, eu não tô preparada para isso, você sabe.
— Pare de ser chata.
— Não! Olha, eu acho melhor a gente deixar o jantar para depois.
— O que foi agora? Foi o beijo? Você adora!
Ele continuou me beijando e explorando meu corpo.
— Eu preciso que me respeite!
— O que está acontecendo aqui?
Ufa! A Naeyin e o Taehyung chegaram bem a tempo.
— Tae! Eu sei que acabou de chegar, mas pode acompanhar o Kangwoo até a portaria?
— Não precisa, eu sei o caminho. Te vejo amanhã.
Contei aos dois tudo o que tinha acontecido, inclusive que eu tinha beijado o Jungkook há 2 meses. Eles me aconselharam a tomar uma decisão: Jungkook ou Kangwoo.
O problema é que Tae não conhecia a suposta mulher que estava com Jeon, mas tinha certeza quase absoluta de que ele estava solteiro.
De qualquer forma, estou comprometida, não posso pensar em outro homem.
Os dias, as semanas e os meses seguintes não foram muito diferentes do ocorrido, mas eu sempre tentava perdoar.
— Vamos estudar lá em casa hoje?
— Não vai dar, tenho um compromisso com as meninas hoje.
— Aff! É sempre assim!
— Amor, é um compromisso importante, ano que vem começa a nossa... — ele me interrompeu.
— Não me interessa, Meilee! Você sempre dá essas desculpas para furar comigo!
— Você poderia uma vez na vida ser compreensível e pensar em outra pessoa que não seja você mesmo?! É o meu trabalho!
— Quando viajar com certeza se jogará para outros homens e curtir com suas amiguinhas. Você devia notar, elas têm inveja de você. As quatro!
— Inveja? Por quê?
— Porque é a única que namora e tira notas altas, a mais bonita e talentosa.
— Agradeço aos elogios, mas tenho certeza de que não é bem assim.
— É lógico que é!
— Sendo ou não, é com elas que eu garanto meu futuro, Kangwoo! É com esse trabalho que eu garanto que meu pai não está machucando minha mãe! É com esse trabalho que eu pago as contas da casa de minha vó!
— Não me importo de você gastar seu dinheiro com eles, contanto que não atrapalhem nossos planos!
Nesse exato momento, eu estava vermelha de raiva.
— É com esse trabalho que eu garanto paz à minha família. Se minhas amigas têm inveja de mim, isso é um problema meu! Você não deveria se intrometer, e, se você não consegue conviver em um ambiente familiar como eu, então eu não vejo motivos para continuar com você!
— Está cogitando terminar comigo? Como você pode? Por que eu não gostaria de viver em família?
— Pelo amor de Deus! Você é sonso ou se faz?!
— Agora me magoou!
— Chega! Por favor, chega! Eu não aguento mais!
Eu desabei, desabei legal. Aquilo era um inferno. Todos os dias estávamos brigando e quando as coisas estavam boas, ficavam ruins de novo.
Seus beijos estavam me dando nojo e um arrepio agonizante. Eu queria fugir dali, mas eu não conseguia.
— Desculpa, a culpa é toda minha. É por causa dos meus traumas, você sabe, aqueles que eu te falei. Sou traumatizado com a possibilidade de ser abandonado.
— Tudo bem, meu amor, mas você não pode apontar isso para mim. Se você tem seus problemas, eu te ajudo a superá-los, mas não desconte em mim como se eu fosse um saco de pancadas! Isso dói! Machuca!
— Eu vou parar, eu vou mudar, vou fazer terapia e vamos viver felizes. Vamos nos casar e ter uma vida só nossa, eu prometo!
Era isso que me mantinha presa, a manipulação. Ele fazia eu me sentir culpada por todas as discussões que tínhamos e me sentir grata por toda a ajuda em coisas que eu tinha dificuldade. Eu estava presa naquele relacionamento e não sabia como sair.
— Olha, que lindo. Eu serei o primeiro e único a tirar sua virgindade. Ninguém estará entre a gente. Só nós dois e futuramente nossos filhos. Viveremos juntos para sempre e seremos felizes como você sempre sonhou.
Se ele me falasse essas coisas a 3 meses atrás, talvez eu acreditasse e achasse lindo. No momento, só me davam nojo e vontade de chorar quando parava para pensar que, se eu não conseguisse sair desse relacionamento, eu realmente passaria o resto da minha vida ao lado de um homem que me trazia dor e ódio.
Ele me abraçou e eu desesperadamente queria sair daquela energia mais pesada que meus pesadelos, que, por sinal, havia acabado de começar e estavam longe de terminar.

₊˚ˑ༄ؘ 🌸 ₊˚.༄


Mais dois meses de discussões foram suficientes para eu juntar coragem. Desabafei com todos em minha volta e até com gente que não deveria expor minha vida pessoal.
Todos diziam que eu devia terminar com ele imediatamente, mas na minha cabeça isso era errado porque eu tinha prometido ajudá-lo com seus problemas.
A questão era que ele estava me agradecendo a ajuda com outros problemas bem maiores que estavam custando minha saúde mental.
Sem falar que estava sem tempo para terapia. No mês seguinte começava a primeira turnê mundial do LUV e felizmente estaria bem longe do Kangwoo.
Por acaso, me esbarrei com o último conselheiro. Aquele que eu estava magoada, mas não me negaria ajuda.
— Jungkook! Oi, podemos conversar?
— Claro, Mei. Sobre o que quiser.
— Se você tivesse uma namorada, odiaria vê-la com outros homens?
— Isso me incomodaria, mas nada que uma boa conversa não resolvesse.
— E se ela saísse todas as noites com as amigas, mesmo que fosse a trabalho ou por diversão?
— Tá acontecendo alguma coisa, Mei?
— Não! Claro que não!
— Tem certeza? Tudo bem com seu relacionamento?
— Tá, tá... tá tudo ótimo!
— Vou ser sincero com você. Quando lhe vi comprando sorvete com ele há uns meses, eu o achei bem ciumento e possessivo, tinha certeza de que isso era um problema. Mas já que você me disse que está tudo bem...
— Sim... está... está tudo...
Eu não aguentei, não consegui disfarçar, não estava nada bem. Eu não aguentava mais chorar todas as noites antes de dormir, nem as discussões e nem aqueles papos dizendo que iria mudar e se casar comigo. Além de que seus toques eram extremamente nojentos. Ele não sabia tocar meu corpo. Era só os seios e a bunda, literalmente as primeiras e únicas partes do meu corpo que ele se disponibilizava a conhecer.
Eu desabafei legal com o Jungkook na sala de ensaio, e por um momento fiquei feliz que aquele abraço que eu senti tanta falta estava de volta.
— Está disposta a dar um fim nessa situação tão dolorosa?
— Sim.
— Com certeza ou não eu lhe apoiarei em qualquer decisão que você tomar e independentemente do que aconteça, meu ombro estará sempre a disposição para você.
— Obrigada, Goo. Eu vou dar um jeito nisso.
Eu disse isso enxugando minhas lágrimas, era a primeira vez em anos que eu não o chamava de "Jeon"
— Sendo assim, se você quiser eu te acompanho.
— Claro, eu aceito. Não sei do que ele é capaz.
Quando os outros do BTS e as meninas chegaram à sala, eu enxuguei minhas lágrimas e fingi que estávamos tendo uma conversa normal entre amigos. O Bangtan com frequência assistia nossos ensaios para ver o quanto evoluímos. Em um dos intervalos enviei uma mensagem para o Kangwoo avisando que queria me encontrar com ele, ele recusou o convite, tentei pela segunda vez no dia seguinte e só foi aceito 2 dias depois.
— Estava ansiosa para me ver?
— Estava. Eu estava ansiosa para dar um fim nisso.
— Como assim? Um fim nisso?
— Sim, Kangwoo, vamos terminar.
— Não, amor, se for pelas últimas semanas...
— Não insista! Eu não vou cair nessa de novo! Você sabe muito bem o que fez, o que não fez e o que deveria ter feito. Eu não consigo dormir em paz por sua causa! Você não me respeita, não respeita meus amigos, minha família e nem meu trabalho! Não foi isso que eu escolhi para mim.
— Por favor, Mei, me escute. Eu vou mudar, vou fazer a terapia que você tanto disse para eu fazer. Eu estava te ajudando um dia desses e hoje pede para terminar comigo?
— Eu não estou pedindo, eu estou terminando com você.
— Mei. — O interrompi.
— Mei nada! Escutei o que tinha a me dizer e conselhos de muitos amigos. Fiquei muito confusa durante esses seis meses e descobri que o melhor para mim não é você.
Parei para respirar. Eu precisava respirar. Toda aquela situação estava me causando dor de cabeça, a mesma dor que ele vinha causando em seis meses.
— Podemos começar do zero. As coisas vão melhorar, Mei, eu te prometo! Eu sei que fui um idiota e estou disposto a mudar por você. Por favor, eu não quero perder você.
— Nem se começássemos do menos cem, Kangwoo. Como posso confiar em você, se nem me tratar direito você sabe? Você sabe amar de verdade uma mulher? Ou só consegue pensar com a outra cabeça?
Dei uma pausa para olhar em seus olhos novamente. Ele parecia arrependido, porém com raiva.
— Você me perdeu faz tempo, Kangwoo... faz muito tempo...
Ele ficou alguns minutos em silêncio. Passou a mão no rosto, contraiu sua mandíbula, me olhou da maneira mais feia e finalmente decidiu falar alguma coisa.
— Então é isso? Estamos terminando?
— Sim, é isso... Se cuide, se trate e, por favor, fica longe de mim.
— Ok — disse secamente. — Fique bem, Mei. Já eu espero que não se esqueça tão cedo de mim.
— Garanto que esquecerei.
Ele afastou a cadeira, se levantou e saiu. Pareceu ser fácil e rápido, mas foi uma decisão extremamente difícil, eu gostava mesmo dele. Pelo menos não fez nada comigo, e, se fizesse, Jungkook estava ali, sentado em outra mesa, pronto para me proteger.
Depois de terminar com o Kangwoo, eu e Jungkook começamos a caminhar silenciosamente pela praça, até ele quebrar o silêncio.
— Quer comer pajeon?
— Quero.
— Tá pegando a carteira por quê?
— É que eu achei que eu fosse pagar.
— Tá brincando, né? Aquele idiota deixava você pagar?!
— Sim...
— Acabou, Lili, guarde seu dinheiro para você. Enquanto estiver comigo, sou eu quem me responsabilizo por isso.
— Você é tão fofo! Obrigada, kookie.
— Eu estava sentindo falta desse apelido.
Pegamos nossas panquecas e fomos nos sentar.
— Aliás, parabéns pela Billboard. E feliz aniversário atrasado.
— Obrigado. Também estou orgulhoso de você. Segundo win certo? LOCO é uma música viciante.
— Para ser sincera... eu escrevi essa música para você.
— Sério?!
— Depois daquele beijo, eu fiquei inspirada e escrevi. Se quer saber o que senti, está na letra.
— Nossa... obrigado! Vou ler depois; aliás, o que aconteceu com a gente? Depois daquele dia, a gente se afastou por meses.
— Eu estava esperando por você, mas no dia o vi saindo de uma boate com uma mulher agarrada em seu pescoço...
— Quando?
— Duas semanas depois do nosso beijo.
— Mei!
— O quê?!
— Não acredito que adiou nossa história de amor por isso!
— Como assim? Me explica!
— A mulher que estava comigo era minha cunhada! Meu irmão disse que ela veio passar três dias aqui em Seul. Quando descobriu que ela estava bêbada, pediu para que eu fosse buscá-la. Foi tudo um mal-entendido.
— Ah... meu Deus, que vergonha!
Disse, cobrindo meu rosto. A parte ruim de ser "branca feito a neve" é que se eu ficasse com raiva, vergonha ou nervosa eu ficava muito vermelha, então não conseguia esconder sem cobrir o rosto.
— Tudo bem, Lili. Acredita em destino? Eu acho que tudo estava escrito para acontecer por agora, não antes.
— Mas então... durante esse tempo que estávamos afastados... você ficou com alguém?
— Na verdade, sim. Foi meio doloroso ver você com outra pessoa, então tentei te esquecer, mas não rolou nada sério entre mim e ela.
— Você ainda gosta de mim?
— Nunca deixei de gostar de você.
As palavras dele fizeram meu coração reagir. Fiquei sem palavras. Se ele nunca deixou de gostar de mim, então isso significava que ele sempre teve uma queda por mim? Sorte a minha começar um novo romance depois de um conturbado.
— Como começou a gostar de mim?
— Acho que lá em LA, seu jeito meigo e fofo de ser me encantou. Você é uma pessoa muito atenciosa, carismática e com um coração gigantesco.
— É a primeira vez que alguém me elogia sem mencionar minha aparência física.
— Não discordo que você seja uma mulher surpreendentemente linda. Mas se as pessoas pararem para enxergar quem você é por dentro, vão ver que sua beleza externa não chega nem perto da interior. Você é brilhante, Mei. É como uma rosa linda e delicada, mas que tem garra para se proteger e conseguir o que quer. Você transforma o preto e branco em colorido, transforma minutos em momentos preciosos, transforma o ar em aromas doces. Eu não sei explicar exatamente o que me encantou em você, só sei que me encantou e eu me tornei loucamente apaixonado por você, porque o tempo com você é perfeito.
Meu Deus... essas palavras...
— Ora, não me faça chorar!
Rimos, mas deixei uma lágrima escapar, porque ouvir aquilo, aquelas palavras feitas somente para mim... foi como ouvir um anjo dizer que o céu é azul por minha causa, que a paz tem o meu nome e que as estrelas brilham pela minha presença. Nem Kangwoo, nem Sunghan nem ninguém me diria algo tão lindo assim. Jungkook realmente gostava de mim e eu queria sentir o mesmo.
— Bem... não vai me perguntar se gosto de você também?
— Você parece não querer me machucar, então mesmo que eu goste de você sozinho, eu vou aceitar.
— Perdão, é que eu ainda não sei o que quero da minha vida.
— Você é jovem e tem decisões importantes para tomar, tenha o tempo que precisar para se descobrir.
— Obrigada. Você é um anjo.



Eu e as meninas estávamos nos preparativos para a nossa primeira turnê mundial. Estávamos ansiosas para passear por várias partes do mundo e conhecer nossos fãs, então queríamos dar o nosso melhor.
Depois dos ensaios, eu chamava Jungkook para comer ou fazer literalmente qualquer coisa, porque estava ficando cada vez mais divertido passar o tempo com ele. Ele me fazia rir, me fazia chorar de emoção, me fazia o querer só para mim.
Às vezes, ensaiávamos juntos e criávamos coreografias, já que fomos conectados pela dança. Eu gostaria que o mundo visse a nossa sincronia em cada passo, parecíamos uma pessoa só que foi duplicada. O nosso professor de dança ficava impressionado.
Recentemente, eu fiquei chateada com a Naeyin, porque ela não me avisou que o Tae estaria em nosso apartamento e nada mais desconfortável que ouvir gemidos do quarto ao lado depois de um mês de término. Eu, graças a Deus, nunca tive nada com o Kangwoo, mas ainda assim era desconfortável. Então mandei uma mensagem para meu amigo.

𝗘𝘂: 𝗠𝗲 𝘁𝗶𝗿𝗮 𝗱𝗮𝗾𝘂𝗶 𝗽𝗼𝗿 𝗳𝗮𝘃𝗼𝗿.

Ele me respondeu no mesmo segundo.

𝗝𝘂𝗻𝗴𝗸𝗼𝗼𝗸𝗶𝗲: 𝗢 𝗾𝘂𝗲 𝗮𝗰𝗼𝗻𝘁𝗲𝗰𝗲𝘂, 𝗰𝗼𝗲𝗹𝗵𝗶𝗻𝗵𝗮?

Eu não era dele e nem ele era meu, mas ele me conquistava até nos mínimos detalhes. Chegamos àquela fase de que não nos assumimos, mas também não escondemos nada um para o outro.

𝗘𝘂: 𝗦𝗲 𝗡𝗮𝘆 𝗴𝗿𝗶𝘁𝗮𝗿 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗮𝗹𝘁𝗼, 𝗲𝘂 𝘃𝗼𝘂 𝗰𝗵𝗮𝗺𝗮𝗿 𝗮 𝗽𝗼𝗹𝗶́𝗰𝗶𝗮 𝗽𝗼𝗿 𝗺𝗮𝘂𝘀 𝘁𝗿𝗮𝘁𝗼𝘀.

𝗝𝘂𝗻𝗴𝗸𝗼𝗼𝗸𝗶𝗲: 𝗢 𝗧𝗮𝗲 𝗲𝘀𝘁𝗮́ 𝗮𝗶́?
𝗝𝘂𝗻𝗴𝗸𝗼𝗼𝗸𝗶𝗲: 𝗦𝗲 𝗮𝗿𝗿𝘂𝗺𝗮, 𝘃𝗼𝘂 𝘁𝗲 𝗯𝘂𝘀𝗰𝗮𝗿.

Jungkook me levou para uma lanchonete. Comemos meu lanche preferido, corn dog com batata, e depois fomos observar o mar. A praia também nos conectava.
— Esse clima é tão bom.
— O quão bom é esse clima?
— Esse de caminhar na areia, a água indo e voltando em nossos pés, e principalmente com você.
— Desse jeito, vou achar que gosta de mim.
— Não, somos apenas amigos.
— Tem certeza?
Esse "tem certeza" soou meio revoltado, pareceu que ele não gostou do que falei.
— Mei, não quero obrigá-la a gostar de mim, mas não quero que se engane ou se recuse a seguir seu coração. Você pode achar que não, mas eu sei que alguma coisa você sente por mim e vai além da amizade.
— Como... como pode ter tanta certeza?
— Mei, você escreveu uma música sobre como se sentiu depois do nosso beijo. Quem faz isso para um 'amigo'?
— Tá! Mas e se eu não souber o que sinto?
— Eu te mostro o que você sente.
No impulso de sua indignação, Jungkook me puxou para um beijo cheio de amor e desejo. Acho que minhas dúvidas acabaram por ali. A sensação era a mesma de antes, mas agora eu tinha certeza do que estava sentindo. Eu era apaixonada por Jeon Jungkook.
Coloquei meus braços em volta de seu pescoço e misturei meus dedos em seus cabelos. O vento influenciado pelo ambiente e pelo horário nos deixavam mais conectados, pele a pele. Queríamos mais, eu queria mais. Pena que nosso corpo não suportava tanto tempo sem ar.
— E então? Ainda tem dúvidas sobre o que sente? Que eu saiba, amigos não se beijam assim.
Ele sussurrou ainda com o nariz colado ao meu e os olhos fechados. Também de olhos fechados, eu respondi:
— Não. Eu gosto de você, Jungkook. — Então, nos beijamos novamente, só que com muito mais amor e desejo.
Era como se a noite estivesse pronta para nos esconder com o escuro do céu e nos iluminar com a lua e as estrelas.
Não havia ninguém ali além de nós dois e nossos sentimentos. Era definitivamente mágico.
Quando Naeyin me ligou perguntando onde eu estava, Jungkook achou melhor me levar logo para casa. Chegando lá, eu contei para minha amiga o porquê de eu ter saído e voltado por agora. Ela me pediu perdão e disse que aquilo não iria se repetir.
Ela me comprou um livro. Disse que leu e achou a história tão fascinante que pensou que eu fosse gostar: Os 7 Maridos de Evelyn Hugo. Apenas pelo título, vi o quanto parecia interessante.
Mas só uma coisa passava na minha cabeça naquele momento: meu beijo com o homem que confessei estar apaixonada.
— Eu beijei o Jungkook.
— De novo??!
— E de novo.
— Ok, agora se assumam.
— Não é tão simples assim...
— Por quê?
— O que você faz depois que descobre que gosta da pessoa?
— Caralho, Mei, você passou por dois relacionamentos e não sabe?
— É porque, da última vez que eu beijei o Jungkook, a gente ficou quase 7 meses sem se falar.
— Vocês precisam deixar a vergonha de lado. O que vai fazer quando perder a virgindade? Desligar a luz?
— ... sim?
— Ai, Mei, é muito mais gostoso olhando nos olhos.
— No escuro, não é?
Eu e Naeyin tínhamos muita liberdade uma com a outra para conversarmos sobre assuntos sexuais. Isso acontecia desde o meu primeiro namorado.
— É... mas você não pode se mostrar insegura. Ainda mais para Jungkook, que é todo tímido.
— Calma, nem oficializamos namoro ainda.
— Gostei desse "ainda". Ai, amiga! Tô tão feliz que você e o Goo estão se gostando! Sempre soube que formariam um ótimo casal!
— Para de onda! E você e o Tae?
— Ai, amiga, nunca estive tão apaixonada! — Eu ri.
— Fico feliz.
— Depois daqueles idiotas me comerem feito urubu na carniça, eu precisava de um beija-flor para beijar minha flor.
— Isso soou estranho.
— Eu tenho tanta sorte em ter você também, irmãzinha!
Dei um abraço apertado nela. Eu amava ter Naeyin como minha amiga e minha irmã mais velha. Levando em consideração que eu e minha mãe éramos as únicas mulheres da casa, eu me divertia bastante com meus irmãos, mas era com Naeyin que conseguia desabafar e falar sobre assuntos femininos. Não que minha mãe não ajudasse, mas ela trabalhava demais, então não passávamos muito tempo juntas.
— E esse livro? É sobre o quê?
— Uma estrela de Hollywood que se casa 7 vezes, mas possui um amor secreto. Acho que em algum momento de nossas vidas vamos nos identificar.
— Com o fato dela se casar 7 vezes?
— Não. Com os sacrifícios que ela faz para esconder o relacionamento e manter a fama.
— Parece interessante, vou tomar um banho e começar a ler.
— Ok, mande uma mensagem pra ele. Não faça ele pensar que o trocou por outro de novo.
De novo. Jungkook desabafou com ela. Eu não devia sentir ciúmes, devia?

₊˚ˑ༄ؘ 🌸 ₊˚.༄


Para garantir que a gente não se afastasse e eu não me apaixonasse por mais ninguém, Jungkook e eu nos encontrávamos com mais frequência. Ele me buscava na escola e até me ligava no intervalo. Eu sumia enquanto Jiyang ficava distraída conversando com Hyunjin e Félix, trainees de outra empresa que estudavam na mesma sala que a gente.
Quando eles chegaram e outros trainees de outras empresas foram se aproximando, formamos um grupo chamado “00 line”. Era só de pessoas que nasceram no ano 2000, estudavam com a gente e estavam se preparando para serem idols. Até trainees da Big Hit estavam no grupo.
Mas, voltando a mim e a Jungkook, queríamos passar a maior parte do tempo nos beijando. Nos beijávamos no carro, entre os armários da empresa e principalmente no meu apartamento e da Naeyin, especificamente quando estávamos sozinhos.
Eu definitivamente estava apaixonada, nos beijos dele, no toque dele, nos olhos dele, nos lábios dele e por ele!
O fato de o BTS sempre assistir nossos ensaios me deixava cada vez mais envergonhada, porque Jungkook não tirava os olhos de mim um segundo, só se levantava depois que meu ensaio terminava e ainda aproveitava para me dar um selinho quando ninguém estava olhando.
Quando era a vez dele de ensaiar suas músicas, eu ficava atenta a todo movimento de seu corpo e arrepiada com algumas partes dele. Quando eu me tocava de que estava olhando muito para uma parte específica e ele estava me encarando, eu ficava vermelha e desviava o olhar. Ele também tinha essa mania de me encarar enquanto dançava, como se estivesse dançando só para mim.
Eu queria mesmo era dançar com ele na frente de uma plateia, mas isso não me parecia uma boa ideia.
A única que sabia do nosso compromisso era a Nay e talvez o Tae, Jungkook provavelmente comentou com ele, apesar de ele ser bem próximo do Jimin também. Inclusive, gostava muito dele, era atencioso e carinhoso com seus amigos e passou a ser assim comigo e as meninas também, principalmente com a Nay, que é namorada do seu melhor amigo.
Aliás, eu comecei a ler o livro que Naeyin me deu, a história era tão impressionante que já estava na metade dele. Logo eu que demoro tanto para terminar de ler um livro, ainda mais agora que trabalho tanto e tenho coisas da escola para resolver.
Ouvi a campainha tocar, larguei o livro na cama e fui correndo atender. Era meu ficante.
— Oi, princesa.
— Para, tá parecendo aqueles meninos da escola que me lançam cantadas e tentam me atrair de qualquer jeito.
— E conseguem?
— Só você conseguiu até agora.
— Isso é bom.
Ele me deu um beijo.
— Estamos sozinhos?
— Sim, Naeyin comentou que vai passar a noite fora com o Taehyung.
— Eu sei disso, só queria ter certeza.
— Só mora eu e ela aqui.
— Sério? Pensei que morasse com as meninas ou com a mãe de vocês, o apartamento parece grande.
— Nem tanto, é só a sala mesmo. Wyuji unnie e Jiyang moram com suas famílias, a mãe da Nay se mudou de volta para Busan e minha mãe continua por lá. Eu vim sozinha com a Nay e a mãe dela para cá.
— Você foi muito corajosa.
— Nem sei, viu? Quer conhecer meu quarto?
Ele me olhou com a cara mais pervertida que ele tinha e senti minhas bochechas arderem.
— Não nesse sentido! Vem, deixa eu te mostrar a casa.
Mostrei todos os cômodos e ele finalmente percebeu que só a sala dava a impressão de que o apartamento era gigante, quando, na verdade, até meu quarto era minúsculo. Ele me contou como era o dormitório dele com seus hyungs e disse que teve a sorte de ter seu próprio quarto esse ano, mas, às vezes, quando se sentia sozinho, dormia com o Jimin. Agora estávamos na sala assistindo um filme, mas estávamos muito distraídos com nossa conversa.
— Mas eu pretendo comprar meu próprio apartamento ano que vem.
— Isso é ótimo.
— Lógico que é, principalmente para nós dois.
Ele começou um beijo carinhoso que depois se tornou intenso. Mesmo que tivéssemos comido pizza para assistir ao filme, seus lábios tinham gosto de frutas vermelhas com mel. Sua língua macia percorria pelos cantos da minha boca e se cruzava com a minha língua. O beijo me deixava arrepiada e com muito mais desejo.
Jungkook me deitou no sofá e tirou meu cabelo do meu rosto. Suas mãos subiam e desciam pela minha cintura, mas eu sem querer coloquei-as sobre meus pequenos seios. Era nojento quando o Kangwoo tocava, mas com Jungkook era prazeroso.
O beijo foi ficando mais intenso e eu senti a coxa de Jungkook roçar na minha. Suas mãos já estavam por dentro da minha camisa — que eu roubei do meu irmão — e minhas mãos bagunçaram seu cabelo por completo.
Eu estava nas nuvens e nas estrelas. Estava em todo lugar menos na Terra e com minha cabeça no lugar. Eu me afundava no beijo que Jungkook me dera e com certeza passaria o resto da noite pensando nele e nesse beijo.
Ele permanecia beijando meu pescoço e eu com minhas pernas envolvidas em sua cintura, estávamos tão concentrados em nós mesmos que tomamos um susto com o barulho da senha.
Senha? Merda! Naeyin chegou.
Me afastei rapidamente de Jungkook e ajeitei minha camisa e meus cabelos, ele só veio entender o que aconteceu quando a porta bateu, então fez o mesmo.
— Irmãozinho, o que faz aqui uma hora dessa?
— Não preciso esconder de você, certo, hyung?
— Humm... atrapalhamos?
— Não! Não, estávamos apenas assistindo o filme.
— Que legal, sobre o que é? — indagou Taehyung, ciente de que não iríamos saber responder.
— É sobre...
— Um homem que monta um circo, é legal. — Lembrei da sinopse.
— Ai, Tae, pare de deixar os meninos envergonhados! Pouco importa o que estavam fazendo, agora vão, antes que fique tarde.
— Te vejo amanhã, amor.
Tae deu um beijo em Naeyin enquanto descansava seu braço nas costas largas de Jungkook. O coelhinho me olhava com aqueles grandes olhos dizendo “queria ficar mais um pouco”. Eu joguei meu cabelo atrás da orelha e sorri para ele. Logo se foram.
— Ok... não me esconda nada!
Naeyin me abordou querendo saber de tudo.
— Você também tem muita coisa para me contar.
— Mas o meu amor pelo Taehyung você já conhece, você foi nossa cupido, lembra? Agora quero conhecer o seu amor pelo Jungkook e tentar ajudar no necessário.
— Você fala com esses olhos brilhando, mas não se esqueça que eu ainda tô chateada de, depois de tanto trabalho para juntar vocês, eu não fui a primeira a saber!
— Na verdade, foi. Isso significa que escondemos bem. Mas deixa para lá, vai! Agora você já sabe e eu quero saber sobre você e o Goo! E aí? Transou?
— Não, mas talvez acontecesse, se vocês não tivessem chegado.
Poxa! Então da próxima vez me avisa para a gente não chegar!
— Mas veja! Vai tomar banho, vai! Está fedendo a... camarão? Por quê?
— Tae sem querer derramou um pouco da sopa em mim quando foi me beijar, olha o estado do meu vestido!
— Vocês já estão assim? Se beijando em público?
— Não exatamente. Foi rápido e discreto.
— Tome cuidado, unnie. Se forem pegos, podem pôr tudo a perder.
— Relaxa, vai entender a adrenalina do momento quando você e Jungkook intensificarem as coisas!
— Beleza. Então vai tomar logo banho que eu vou lavar seu vestido
E assim fizemos. Enquanto colocava o vestido dela na máquina, eu me perguntava se meus ex-namorados me deixavam tão bagunçada como Jungkook deixava. Era surreal, ele me tinha na palma de sua mão.
Antes, eu tinha medo de me entregar para ele, porque tinha e ainda tenho receio de sofrer o que sofri nos meus últimos relacionamentos. — Não podia negar que gostei de verdade do Kangwoo e a ausência dele ainda era estranha para mim, mas, de algum jeito, Jungkook me fez esquecer que ele existiu em minha vida. — Sem falar que somos dois éramos artistas e, se fôssemos pegos, as coisas não seriam boas. Mas agora tudo o que eu queria fazer era simplesmente me jogar com tudo!
Eu não apenas gostava dele, eu o amava feito louca!

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Depois de mais 3 beijos como aquele que demos lá em casa, eu e Jungkook tivemos que nos afastar por causa de nossos ensaios, mas sempre nos encontrávamos na cafeteria ao lado da empresa.
Acabou que não pudemos passar o Natal com nossa família, mas minha mãe e a mãe da Nay conseguiram arranjar uma forma de nos visitar. Então só nós quatro passamos a festa juntas, já que Jiyang e Wyuji estavam com a família delas.
Jungkook, nada satisfeito com nossa distância, me chamou para nos vermos.

Eu: Ótimo, preciso que conheça alguém.

Aquele que dispara meu coração: Quem?

Do jeito que combinamos, Jungkook se encontrava em frente ao prédio com um envelope e uma caixinha em mãos.
— Jungkookie! Feliz Natal!
Não pude evitar de dar um abraço bem apertado e saudoso nele.
— Feliz Natal, Lili...
Ele falou bem tímido, olhando para minha mãe, talvez fosse a presença dela.
— Essa é minha mãe, Yoo LeeMi
— Pode me chamar de senhorita Lee. Carregar o nome do meu marido foi um erro adolescente.
Minha mãe disse que se casou com meu pai aos 15 anos quando descobriu que estava grávida do Hyunlee. Eles se casaram fora, pois quando descobriram que no exterior as mulheres trocavam o sobrenome pelo do marido, ela decidiu fazer o mesmo. Com certeza estava na sua lista de “coisas para fazer antes de morrer” voltar com o seu sobrenome Choi.
— É um prazer, sou Jungkook. — Ele lhe deu, delicadamente, um aperto de mão.
— Senhorita? Mamãe, a senhora já foi casada e tem filhos!
— Mas não sou velha, Meilee! Ele é seu namorado?
— Não.
— Sim.
Jungkook disse que sim no mesmo segundo que eu disse não. Aquilo me deixou vermelha, não sei se foi porque minha mãe não sabia de nada ou porque ele já me considerava sua namorada sem ao menos ter feito um pedido.
— Bom, quase, estamos nos conhecendo.
Jungkook respondeu, vendo meu nervosismo. Pelo menos não era um não, mas também não era um sim.
— Interessante, quando se conheceram?
— Ele era vizinho da Nay, mãe. Às vezes brincávamos juntos, mas viemos nos aproximar mesmo na viagem de Los Angeles programada pela empresa.
— Aquela para você aprender a dançar, certo?
— Isso! Éramos uma dupla.
— Se depender de mim... a-ainda somos.
Jungkook me provocou, mas deu para ver que, pelo jeito que gaguejou, estava com vergonha.
— Independentemente do que você seja da minha filha, espero que realmente se torne meu genro. Você é um garoto muito educado, Jungkook.
— Obrigado, fico feliz em ter a aprovação da senhorita.
— Faço de tudo para ver minha filha feliz. Ela merece, depois de tanta coisa que nos aconteceu...
Senti uma dose de melancolia no tom de minha mãe, mas ela estava certa, precisávamos seguir em frente e arranjar uma nova forma de ser feliz. Esperava que o papai não estivesse incomodando-a lá em Busan. Mesmo que ela tentasse me convencer de que ele não estava, eu não conseguia acreditar nela, por isso sempre estive dando o meu melhor ali em Seul.
— Pode ter certeza de que comigo ela nunca mais saberá o significado da palavra tristeza.
Fiquei tão envergonhada com seu comentário que desviei o olhar para a caixinha em suas mãos.
— O que é isso?
— Ah, é para você.
Ele me entregou a caixa e, quando abri, havia um colar de ouro com um pingente em formato de onda.
— Bom, vou deixar vocês sozinhos e ajudar as meninas com as coisas lá em cima. Não demore muito para subir, querida.
— Tá... — respondi sem ter compreendido uma palavra dita, pois estava encantada com o colar. Era simples, porém bem simbólico.
— Foi um prazer conhecê-lo, Jungkook.
— Igualmente, senhorita Lee — ele cumprimentou minha mãe e ela se retirou.
— É lindo, Goo!
— Nossos primeiros beijos foram na praia, então eu queria algo que te lembrasse das ondas daqueles dias.
— Coloca pra mim?
Ele pegou o ouro de minhas mãos, colocou o envelope entre as pernas e fechou o colar em meu pescoço.
— Você merece algo mais caro que isso, mas era tudo o que meu salário dava. O BTS está fazendo sucesso, mas-
— Jungkook! Não precisava! Odeio quando gastam caro comigo!
— Eu não poderia chegar aqui de mãos vazias, Lili...
— Poxa, mas nem eu preparei nada para você...
— Sua presença já é suficiente. — Sorri e ele apertou o envelope que estava em suas pernas.
— Isso também é para mim?
— Era.
— Era?!
— Parando para pensar... é melhor eu te dizer as coisas que estão aqui dentro pessoalmente...
— Tudo bem, pode falar.
— Se importa se eu... tiver uns dias para ensaiar?
— Ensaiar? — ri.
— Para. Quero que seja num momento especial. Só isso. — Ele me puxou pela cintura e eu o abracei.
— Mas todo momento com você é especial.
— É mesmo?
Balancei a cabeça afirmando, então ele finalmente me deu o beijo de feliz Natal. Sorri durante o beijo, porque aquele era o melhor Natal da minha vida.

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> 2018

Eu passei o Ano Novo com as meninas. Enquanto Wyuji e Naeyin unnie aproveitaram um bom champanhe, eu e Jiyang desfrutamos de um suco de maçã, porque não podíamos beber.
Eu e Naeyin fizemos uma chamada de vídeo com Jungkook e Taehyung que não estavam na Coreia por causa do trabalho, mas voltaram no dia 5. No dia seguinte, Jungkookie quis me encontrar no início do anoitecer no mesmo parque que já fomos uma vez.
Corn dog? Topokki? O que quer?
— Eu sei que estou de dieta por causa da turnê mês que vem, mas eu tô morrendo de vontade de comer um hambúrguer.
— Ninguém precisa saber, vamos comer hambúrguer.
Fomos em um restaurante luxuoso ali perto que servia hambúrgueres. Fiquei envergonhada, porque, como uma amante da moda, eu sabia que não estava com os trajes apropriados para aquele local. Quando que o BTS ficou milionário? Aquele lugar custava caro!
— Eu não me importaria se fôssemos em um lugar mais simples, Jeon...
"Jeon" porque ele precisava sentir a reprovação.
— Eu sei, mas, quanto mais luxuoso o lugar, menos chances de algum fã nos pegar no flagra. Assim podemos comer em paz.
— Entendi...
Desconfiada, porém entendi. Eu usava um vestido curto e rodado de manga curta com um all star vermelho e o colar que Jungkook me dera de Natal.
— Relaxa, a comida aqui também é boa.
Pedimos meu preferido: hambúrguer com queijo cheddar. Para não exagerar, eu substituí o refrigerante pelo chá de pêssego. Jungkook pediu o mesmo hambúrguer, mas com refrigerante.
Quando terminamos de comer e falar sobre nossas comidas preferidas, Jungkook pagou a conta e saímos para passear. Ele não me deixou ver quanto custou, pois sabia que eu iria querer devolver o valor mais tarde, ele odiava quando eu fazia isso.
— A vibe de hoje é a mesma daquelas vezes que fomos à praia.
— Eu sinto a mesma coisa...
Ele parecia tentar me dizer algo, mas também estava inseguro.
— Se viesse aqui com sua namorada, o que gostaria que ela usasse?
— Por que isso do nada, Mei?
— Só responde, vai!
— Um vestido já era suficiente, sei que estaria linda de qualquer jeito
— Ao menos estou de vestido... — sussurrei. — Eu gosto de homens que usam jaqueta de couro, é atraente.
— Sério? Vou comprar algumas, então.
Rimos, mas logo o nervosismo invadiu o seu sorriso.
— Está tudo bem, Goo?
— Mei... É... eu sei que você percebeu que... essa é uma noite diferente...
— Sim.
Ele respirou fundo, estava gago, era engraçado às vezes, mas naquele momento parecia sério.
— É que eu realmente quero que essa seja uma noite diferente e inesquecível. Doía demais te ver com outros garotos. Garotos de sua idade, alguns da minha, mas nunca comigo. Quando eu me pegava olhando para você na escola, muitos me diziam que seria impossível eu ter alguma coisa com você, porque você é uma pessoa cobiçada e que gostava de homens com atitude, quando eu não tinha nenhuma.
— Poxa-
— Deixa eu continuar, por favor. Doeu te ver entrar em dois relacionamentos, e um deles enquanto você sabia que eu gostava de você. Doeu beijar outras garotas que não eram você. Doeu ver aqueles dois garotos te machucarem... mas quando você correspondeu ao meu beijo, eu senti um pingo de esperança.
— Eu sabia que sentia algo por você, mas estava com medo de me machucar como meus ex-namorados fizeram. De que você me machucasse como o papai machucou a mamãe. Me desculpa por te fazer sentir assim, Goo, não era minha intenção.
— Eu sei que não era, e não vamos estragar essa noite. Eu sei que tudo aconteceu no momento certo. Não era para ficarmos juntos em 2015 ou 2016. Muito menos em 2012, mas podemos escrever nossa história pelo resto dos anos, certo?
Eu o olhava prestando atenção em cada palavra e movimento corporal que fizesse. Então ele pegou minhas mãos.
— O que eu quero dizer, Mei, é que eu não quero mais enrolar. Não quero ter a chance de te perder de novo. Não quero dar a ousadia para as pessoas dizerem que não tenho chances com você, porque eu tenho certeza de que tenho. Quero garantir que não se machuque nunca mais. Eu quero te beijar todos os dias, Lili. Então, por favor, seja minha namorada.
Eu escutei atenciosamente cada palavra, mas meu coração pulou quando ele disse "namorada". Céus, se ele disse coisas tão lindas em um pedido de namoro, imagine em um pedido de casamento?
Mas isso ainda tinha muito tempo para acontecer, não pensei duas vezes na minha resposta, porque eu também estava apaixonada; eu também queria. Eu queria ser namorada de Jeon Jungkook.
— Sim! Eu sei que a nossa vida de artistas pode complicar, mas eu não me importo, eu aceito ser sua namorada, Goo!
Ele abriu um sorriso gigantesco e me beijou. Me pegou no colo e começou a girar. Era como uma cena de novela, pois as gotas d'água começaram a cair, então tomamos um belo banho de chuva e lua.
Mas era exatamente assim que eu me sentia. Tomando um delicioso banho lunar com o meu namorado.


Continua...


Nota da autora: Sem nota.

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