Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 20/07/2025Os jogadores sentam na mesa como se estivessem em um restaurante chique; já o ambiente escolhido sempre deve ajudar a manter o clima: um quarto de hotel que custa cinco mil a noite, música clássica, bebidas caras, uma barwoman que prepara os melhores drinks da cidade (com um toque de originalidade, receitas diretas de Cuba, eles não estão aqui para tomar algo que poderiam comprar em qualquer lugar), fichas personalizadas para inflar a sensação da exclusividade e, é claro, as garotas — sempre bonitas, de preferência forasteiras para atiçar a vontade de algo novo em homens entediados com a vida, acostumados a pagar por qualquer necessidade ou querer.
Aqui, os clientes não podem comprar as meninas e nem a vitória no poker. O que deixa a conquista ainda mais atrativa.
Os jogadores têm que achar que são a atração principal, mas não são. As funcionárias devem parecer ser o show, mas não são. Os ganhos, as perdas, são apenas perspectivas do jogo. O objetivo é fazer com que eles apostem a noite toda e voltem na próxima semana. O poker tem que ser autossuficiente, a dona disse uma vez, o dinheiro tem que rodar e o lucro tem que ser da anfitriã. Afinal, a casa sempre ganha.
Vencedores e perdedores são títulos descartáveis a cada rodada. Você pode ganhar o carro do Andrew Garfield hoje e perder a sua mansão em Miami para um dos Yankees quando a dealer lhe der as novas cartas. O jogo não liga para quem ganha ou quem perde, mas para quem continua colocando dinheiro na mesa.
Molly Bloom era uma boa gestora, ela organizava os jogos e conseguia gente que mantivesse o negócio ativo. Talvez por vir do esporte, talvez por ter sido criada como campeã. achava que era por ela ser uma mulher enfiada em um mundo feito para homens e por homens. Quando não se tem um amiguinho no meio das pernas, você precisa sempre estar um passo à frente dos babacas.
Molly era ruiva, esperta e gentil. Ela tinha um bom olho para alvos e para funcionárias.
Os caras variavam de idade, mas tinham uma coisa em comum: narizes em pé, uma presunção que só podia ser adquirida com ternos de linho e carros caros demais para andar pelas ruas sujas de New York. As mesas das noites de apostas eram repletas de pessoas que não ligavam para gastar dinheiro e que se alimentavam da emoção do poker em uma rotina que já estava segura demais em qualquer outro aspecto. No jogo, todos eram iguais, as chances eram as mesmas.
Já as garotas, eram a sua família, a sua equipe colhida como flores selvagens, uma a uma em bares, clubs e eventos da high society. Molly dava um cartão black e ensinava em que lojas comprar, quais tipos de roupas prendiam a atenção dos clientes, o que dizer para deixá-los mais abertos a dar gorjetas e se distraírem. Ela mostrava como dar corda apenas o suficiente para fazer com que eles confiassem em você, mas sem saber quem você era.
As meninas tinham que ser uma extensão do jogo: intocáveis, passageiras e, ainda assim, convidativas como uma viagem de primeira classe. Elas precisavam ser engraçadas e ouvir as reclamações ou exaltações que os jogadores teriam sobre si mesmos, assentir e oferecer uma dose da bebida mais cara do bar milimetricamente montado no quarto. Elas deviam ser sagazes, entretanto, sempre observando um limite imaginário para não furar o balão megalomaníaco que eles carregavam. Dar espaço para o ar de superioridade sem nunca se rebaixar por isso, apenas na medida certa para deixar que eles sufocassem com a auto confiança exagerada na mesa. Elas eram instruídas a dar corda para as conversas entediantes, dizer o suficiente para que os clientes baixassem a guarda e, de preferência, manter um braço de distância, evitando que eles se apagassem — mesmo que a carência dos ricaços fosse maior do que as colunas de fofoca diziam. Molly já havia recebido diversos emails e ligações pedindo para fugir com ela, oferecendo ilhas particulares e milhões, todavia, acima de tudo, a dona do jogo era profissional. E sempre cuidava da sua equipe.
As garotas estavam no controle. Os jogadores acreditavam que tinham o poder, mas isso era coisa do mundo exterior. Assim que entravam por aquelas portas, eles eram delas.
Jesse era uma porto riquenha de cair o queixo, que cresceu trabalhando em salas de jogos e também era uma boa jogadora. Molly patrocinou ela, conseguiu se infiltrar em outros jogos e conquistou (ou melhor, furtou) alguns jogadores ricos para as suas noites de poker.
Sofia entendia de programação e sabia investigar antecedentes melhor do que o FBI. Ela lidava, principalmente, com as contas do jogo. Ela era uma das Coelhinhas da Playboy.
Winston era filha de um diplomata americano, morou em 9 países diferentes e tinha o email de metade da família real da Arábia Saudita. Perfeita para infiltrar a equipe em festas de gala e para ceder informações sobre os jogos que já aconteciam em Manhattan.
B era a dealer, ela trabalhava em salas cafonas do Leste e virou amiga de Molly em algum momento durante sua caça por integrantes da equipe.
E tinha . Ela havia deixado seu país natal, Brasil, pelo sonho de ser atriz em Los Angeles. Entretanto, devido ao alto custo de vida na cidade de Hollywood, ela acabou se mudando para um apartamento compartilhado em New York. Ela não tinha influência, dinheiro ou as habilidades aprendidas das outras meninas, mas ela tinha lábia e um bom sorriso. Além disso, conhecia o poker, havia aprendido a jogar de brincadeira quando era criança, na mesa de vidro da sua madrasta.
A brasileira conheceu Molly Bloom em um bar local. Ela acabou fazendo amizade com a ruiva no banheiro e, quando a dona do jogo começou a reunir suas garotas, ela também chamou .
Todas elas eram escolhidas a dedo. Todas eram iscas para atrair jogadores e desempenhavam seus papéis com perfeição.
As regras eram simples: seja educada, entupa eles de garrafas velhas e caras, ria das suas piadas idiotas da maneira que riria se estivesse flertando com um cara em um bar, os incentive a comprarem mais fichas e tenha cuidado, sua segurança vem em primeiro lugar sempre. Se algo sair do controle, avise a dona do jogo. Seja a situação física ou emocional.
Molly não tinha uma cláusula sobre não ir para casa com os jogadores, mas sempre deixava uma coisa clara:
— Tomem conta de si mesmas. Eu entendo que isso tudo, sentir que é parte do mundo deles, pode ser deslumbrante. — Ela sorriu como alguém que sabia mais do que estava dizendo. As luzes cintilantes da cidade transformavam pessoas em mariposas ingênuas, e o conto de fadas, de repente, se tornava algo real entre fichas e apostas milionárias, era fácil se perder em meio a tantas portas abertas de repente. Era ainda mais corriqueiro entrar na errada e querer voltar. Molly parecia compreender isso. — Mas esses homens descartam pessoas todos os dias.
concordava com aquilo. Em seu breve tempo na West Hollywood, havia percebido o modo como as estrelas eram movidas pelo ego, um escândalo abafado em cada história de set, um olhar que demorava demais pelos motivos errados em cada teste de elenco.
A brasileira tinha tudo sob controle. Até conhecer .

