Revisada por: Júpiter
Última Atualização: 14/07/2025Eu não conseguia assimilar o que exatamente estava acontecendo comigo.
Em um momento, eu estava no melhor quarto do Palace Moonlight, em um bairro nobre de Berlim e, agora, estava recobrando meus sentidos, sentindo que algo de errado estava acontecendo com meu corpo. Não sentia direito minhas pernas e meus pulsos pareciam amarrados a algo, além da sensação de estar inteiramente pendurada.
— Onde está? — Ouvi uma voz grossa masculina gritar com fúria, seguido de um pequeno barulho, parecia o impacto de estar socando alguém.
Aquilo me fez voltar no tempo mentalmente, assim, aos poucos, fui reconhecendo aquela voz em fúria.
— Diga de uma vez, onde está meu diamante? — gritou novamente.
Sim, aquela voz...
Pertencia a Niklaus, filho de Godric Scholz, um dos homens mais temidos da máfia alemã, e, claro, nossa última vítima. Confesso que foi um plano ousado roubá-lo em sua própria casa, mas não havia outra opção, tínhamos outra dívida a ser paga e era preciso correr todos os riscos. A conta chegou, com o momento de arcar com as consequências. Finalmente consegui mover suavemente os dedos dos meus pés, significava que meu corpo estava acordando. Mexi minhas pálpebras, abrindo meus olhos.
— — um breve sussurro vindo do homem que eu amava me fez sentir culpa por não o ter impedido de seguir com o roubo do diamante.
Voltei meu olhar para o rosto ensanguentado de , senti um aperto no meu coração. Aparentemente, estávamos em um galpão abandonado, reconhecia aquele lugar de algumas festas que participei na época em que estudava sobre os negócios aleatórios de Niklaus. Mesmo com a má iluminação, conseguia notar as marcas de furos de balas nas paredes, algumas teias de aranha nos cantos e caixas suspeitas aos fundos, juntamente com a umidade e um leve soar de goteira.
O cheiro de mofo era incontestável.
— , você está bem? — parecia ter uma certa dificuldade em manter seus olhos abertos, devido ao sangue em seu rosto.
O olho direito estava visivelmente inchado, assim como os hematomas no braço.
— Estou… — sussurrei de volta, tentando mexer meus pulsos que começavam a latejar de dor pelas cordas.
— Olha só quem acordou. — Niklaus voltou seu olhar para mim e sorriu de canto. — A bela dama que me seduziu e roubou meu tesouro.
— Por que não nos matou de uma vez? — O olhei com raiva.
— Seria fácil demais. — Manteve aquele sorriso superior, dando alguns passos até mim, então acariciou minha face, deslizando sua mão por meu rosto. Segurou em meus cabelos, os puxando fortemente, movendo minha cabeça para trás.
— Ahhhh — soltei um grito de dor. — O que você quer?!
— Não toque nela — gritou , se debatendo na cadeira. — Eu juro que vou matar você.
Quanto mais gritava para que me soltasse, mais Niklaus ansiava em me machucar com aquele olhar sádico e sorriso de um psicopata genuíno. Era um homem perverso e grotesco, ao contrário de seu pai, cavalheiro e um tanto quanto ponderado em torturar seus inimigos.
— Fala de uma vez o que você quer. — Mantive meu olhar para o teto, sentindo-o soltar meu cabelo.
— Sabia que você fica ainda mais linda quando está assim? Indefesa. — Uma risada baixa e sarcástica veio em seguida.
Ergui a minha face, o olhando com seriedade, e, sem o menor pudor, cuspi em sua cara.
— Sua vadia. — Ele ergueu a mão e bateu em minha cara.
— Filho da mãe… — gritou novamente, se remexendo da cadeira.
— É só isso que sabe fazer, Niklaus? — Comecei a rir, era louca o suficiente para desafiá-lo.
— Vou te mostrar do que sou capaz. — Ele sacou a arma e engatilhou.
— Pare, Niklaus. — A voz vinda de trás de mim só significava uma coisa: o verdadeiro dono da situação havia chegado.
começou a rir de sua cadeira, agora sim meu amado estava voltando ao normal, seu jeito debochado de ser me encantava a cada dia mais.
— Veio limpar a bagunça da sua criança? — disse , ironicamente.
— Acho que não está em uma boa situação para agir desta forma, meu jovem. — Ouvi seus passos até que seu corpo passou por mim. — Vocês dois não deveriam ter me roubado, mas devo confessar que fiquei admirado por terem conseguido.
— Agradeço o reconhecimento. — manteve seu rosto erguido, não demonstrando medo.
— Olha só como está seu rosto. — Godric retirou seu lenço branco do bolso e limpou de leve a face dele. — Devo lhe pedir desculpas por meu filho?
— O que quer de nós? — perguntou meu marido.
— Soube o motivo pelo qual vocês se aventuraram a me roubar. — Ele riu, jogando o lenço ensanguentado no chão. — Estou impressionado, preferiram morrer por minhas mãos do que pelas de Pierre.
— Vamos dizer que vivemos assim, adiando nossa morte — disse, de forma debochada, entrando na conversa. — Não que tenhamos escolhido morrer agora.
— Bem, não há como negar que são habilidosos, então…
— Então?! — fez uma expressão estranha de desconfiança.
— Farão o mesmo para mim. — Godric voltou seu olhar para ele.
— Mas, pai…
— Silêncio, Niklaus. — Godric olhou para o filho com certa superioridade, sua voz áspera indicava ainda irritação pelos atos do filho.
— O que quer de nós? — perguntei, receosa, que pudesse ser mais uma missão suicida.
— Existe um microchip com informações valiosas demais... me pertencia, até que foi roubado de mim, quero de volta…
— Quer que roubemos para você? — perguntei.
— Não, quero que recuperem o que é meu — corrigiu ele.
— E onde se encontra este microchip? — o olhou.
— Em um carro apreendido pelo departamento de trânsito de Berlim — respondeu com tranquilidade.
— Invadir a polícia? É isso que quer de nós? — Estava chocada, não sabia se teria coragem de correr mais aquele risco.
— Aceitamos o acordo — disse , com segurança.
— O quê? — O olhei.
— Não temos outra escolha — reforçou . Seu olhar estava cansado, porém havia muita coragem ali.
— Temos sim… — Eu movi minhas pernas para trás e balancei meu corpo.
Com o impulso, consegui ficar de cabeça para baixo.
Agarrando minhas pernas às correntes que desciam do teto e apoiavam meu corpo, terminei de desatar as cordas que estavam no meu pulso. Assim que caí no chão, os seguranças de Godric vieram em minha direção. Respirei fundo e peguei umas das correntes que havia caído. Aquele era o momento em que agradecia ao meu pai por ter me colocado em agressivas aulas de defesa pessoal. Enfrentar dois homens não era fácil, mas consegui me locomover de forma em que usava sua força contra eles mesmos. Assim que Niklaus se aproximou e segurou em meu pulso sem que eu percebesse sua aproximação, voltei meu corpo para trás e dei uma cabeçada nele, o deixando um pouco zonzo. Rodei meu corpo, lançando minha perna na sua para que caísse, e me joguei em cima dele, pegando sua arma.
Me levantei no impulso e apontei para Godric.
— Então, vamos negociar?! — disse, retomando meu fôlego.
— Miller… — Godric deu um sorriso presunçoso. — Filha de John Miller, estou impressionado pela bela mulher que se tornou…
— Como conhece meu pai?! — Por aquilo eu não esperava.
Porém não poderia me deixar abalar.
— Acha mesmo que seu querido pai, o John, era um honesto dono de padaria no subúrbio de Berlim? — Godric riu, brevemente voltando seu olhar para o filho que se levantava do chão. — Acho que existem coisas sobre sua família das quais não sabe.
— O que eu não sei?! — Me senti paralisada.
— Você poderia abaixar esta arma, assim conversamos melhor — sugeriu ele.
— Solte e posso pensar em ser civilizada com o senhor. — Engatilhei a arma.
— Solte ele, Niklaus.
— Mas pai?!
— Solte-o agora — reforçou em um tom de ordenança.
Eu me afastei para que Niklaus passasse, mantendo a mira nele.
— , abaixe essa arma, lhe dou minha palavra que não irei matá-los — garantiu Godric. — Para ser sincero, nunca quis, sinto-me envergonhado pelos atos do meu filho, a ordem era trazê-los para uma conversa amigável.
— Pode abaixar, querida… — se aproximou de mim, pousando suas mãos sobre a arma, me fazendo entregar a ele. — Confie em mim.
Assenti, respirando fundo.
— Pronto, agora a responda — disse , segurando firme na arma, porém a mantendo abaixada.
— Que tal um café, em outro lugar mais apropriado? — Ele se moveu em direção à porta. — Limpe essa bagunça, Niklaus.
Tanto eu como seguramos o riso.
Ao passar pelo filhote de psicopata, percebemos que permanecia enfurecido pela passividade do pai. Entramos em sua limusine e seguimos, não demorou muito até que reconheci os grandes portões da entrada de sua propriedade. Logo mais à frente, a mansão surgiu diante dos meus olhos. Assim que saímos do carro, seguimos pela lateral até o pequeno coreto que compunha seu grande e impecável jardim oriental, havia me esquecido que a família Scholz era fascinada pela arquitetura japonesa.
— Estamos aqui — disse , assim que secou seu rosto. Uma das empregadas havia trazido uma bacia com água para que pudesse lavar o rosto ainda com vestígios de sangue. Com a face limpa, dava para ver suas cicatrizes. — Agora sem rodeios.
— Digamos que há muita história para contar e que não convém ao momento. — Ele se sentou em uma das confortáveis poltronas de jardim e focou o olhar em mim. — Apenas saiba que tenho uma dívida com seu pai, isso explica estarem vivos ainda, mas é claro que não posso perdoar a afronta que fizeram em minha casa…
Ele parecia ponderar suas palavras.
— Aquele diamante era valioso demais — completou.
— Nós fazemos… — assenti, concordando com a decisão de .
— Fazem?! — O olhar interessado de Godric fez um sorriso discreto aparecer em sua face.
— Com uma condição — disse , com firmeza.
— ?! — O olhei, surpresa.
— Qual?
— Que conte a ela como conheceu o seu pai, e sobre essa dívida — explicou ele.
realmente me conhecia o suficiente para saber que, se ele não propusesse essa condição, eu me atreveria a propor. Godric assentiu sem receio do que estava fazendo, me deixando ainda mais curiosa para saber de onde e como ele havia contraído uma dívida com meu pai. O senhor Scholz nos hospedou em um dos quartos de hóspedes, assim como também disponibilizou as informações que precisávamos para cumprir nossa parte no acordo.
— Uahhh… — se jogou na cama, dando uma gargalhada louca. — Quem diria que começamos o dia sendo torturados por aquele maníaco e terminamos como convidados de honra nessa mansão.
— Acho que devemos agradecer ao meu pai e ao seu misterioso passado. — Ri de leve, olhando para o jardim da porta da sacada do quarto.
— Muito louca essa história. — Ele ergueu seu corpo. — Seu pai sempre me pareceu uma pessoa tão certinha, quem diria, ele nunca gostou de mim porque eu fazia rachas.
— Não quero falar sobre isso agora… — O olhei. — Levante daí, precisamos cuidar dos seus machucados.
— Hum… — Ele se levantou, dando um sorriso malicioso, e se aproximou de mim, segurando minha cintura. — Que tal um banho juntos?
— Seu pervertido. — Ri da careta que fez.
— Pelo que sei, ainda estamos em lua de mel.
— Você chama isso de lua de mel?! — Cruzei os braços, o olhando séria. — Olha por tudo o que passamos, desde que o nosso casamento, que deveria ser secreto, foi invadido.
— Você ainda está brava comigo, não é?! — Ele me olhou com cara de arrependimento. — Eu juro que não sabia que aquele esquema do meu primo era encrenca, menos ainda que iriam nos ameaçar por isso.
— Não estou mais brava com você, só um pouco chateada… ainda. — Mantive minha cara emburrada. — Era o nosso casamento.
— Minha linda. — segurou em meu queixo de leve, me fazendo olhar para ele. — Prometo que vamos para um lugar bem legal depois que pegarmos esse microchip.
— Não quero ir para nenhum lugar… , estou cansada dessa vida, das dívidas… — Estava sentindo um certo peso em minhas costas. — Não podemos ter uma vida normal?
— Você quer? Podemos começar do zero.
— Onde? Aqui em Berlim?
— Talvez.
— , você está se ouvindo? Vamos roubar da polícia agora — tentei fazê-lo notar a realidade.
— Ei… — ele me abraçou, envolvendo mais seus braços em minha cintura. — Calma, vai dar tudo certo, vamos conseguir e eles não saberão que somos nós desta vez.
— Eu só não quero continuar com essa sensação de insegurança. — Suspirei fraco.
Senti a respiração profunda vindo dele, então logo meu coração aflito foi acalmado por um doce beijo vindo dele. Estar nos braços de fazia eu me sentir mais segura, seu amor me dava forças e me deixava ainda mais aquecida. Foi com sua ajuda que superei a morte estranha de meu pai, algo que agora estava me fazendo ficar ainda mais intrigada.
Principalmente por saber que possuía um passado de segredos.
— Hum… — Me espreguicei ao acordar, não havia dormido tão bem há dias.
— Bom dia. — moveu seus braços, fazendo eu me aninhar em seu corpo. — Dormiu bem?
— Sim. — Me aconcheguei um pouco mais. — Com você, sempre estou bem.
— Que bom. — Com doçura, beijou meu pescoço, me fazendo cócegas. — Temos que levantar.
— Ah, não, Godric nos deu dois dias para executar o trabalho, podemos aproveitar um pouco mais esta manhã — reclamei.
— Garota manhosa. — Riu, continuando com as cócegas.
— Para. — Comecei a rir, me remexendo na cama. — Seu malvado.
— Me decidi. — Parou de repente.
— Sobre o quê?
— Para onde vamos — respondeu.
— Hum… E para onde? — Sorri, animada.
— Surpresa.
— Como assim? — Ergui meu corpo e me joguei em cima dele, permanecendo sentada sobre seu abdômen. — Não vai me contar?
— Não vou, não agora. — Ele sorriu de canto, e, envolvendo seus braços em minha cintura, me puxou para mais perto. — Eu te amo, sabia?!
— Claro que eu sabia. — Sorri de imediato, aquele seu olhar intenso me deixava meio zonza.
Ele me beijou com mais intensidade.
— Ok, , a hora é agora — disse, acalmando meu coração, então joguei o carro para a esquerda, o fazendo bater em uma mureta de proteção.
Não era o plano perfeito, mas era o necessário.
precisava da minha distração para entrar e sair no departamento de trânsito sem ser notado, então eu teria que ser uma perfeita atriz. Demorou ainda minutos para que a polícia chegasse, me fiz de bêbada enquanto estava sendo levada totalmente sem documentação.
— Senhorita, sabe que causou uma grande confusão após sua batida — disse o delegado com um tom de repreensão.
— Me desculpe. — Deixei minha voz com os traços de embriaguez, como havia treinado com , e ri de leve. Mantive minha face abaixada, estava totalmente disfarçada e usando uma peruca estranha. — Eu só estava me divertindo.
— Senhor, não encontramos nenhum documento com ela — disse o policial loiro que me trouxe, seu parceiro gordinho se colocou ao seu lado, confirmando com a cabeça.
— Então, o que faremos com você? — O delegado se levantou da cadeira. — Qual o seu nome?
— Ra...ra...ra… — eu ri de novo. — Sabe que eu não sei, o que é nome?
Desviei meu olhar para o relógio.
Ainda tinha que manter a atenção de todos por mais dez minutos. Então, aproveitei a breve distração dele, enquanto discutiam sobre o que fariam comigo, já que a delegacia estava cheia e não havia uma cela especial para mulheres naquele distrito. Me levantei lentamente e me aproximei da parede ao lado. Quando menos esperavam, apertei o alarme de incêndio. Em segundos, as válvulas que ficavam no teto começaram a jorrar água, e o barulho do alarme começou a ecoar por todo o prédio.
— O que você fez? — o delegado gritou, zangado, me pegando pelo braço.
— Me desculpa, eu pensei que fosse o telefone. — Cambaleei um pouco e desabei meu corpo sobre o dele, fingindo um desmaio.
Fui amparada de imediato por ele.
Mesmo de olhos fechados e sem reação, conseguia perceber as movimentações ao meu redor, aquele lugar havia se tornado um caos por minha causa, até o som do carro do corpo de bombeiros ouvi ao longe. Logo eles me colocaram em uma cela vazia, deitando meu corpo sobre o colchão duro da cama.
— O que faremos com ela? — Aquela voz era do policial loiro.
— Vamos esperar até que acorde — respondeu o delegado.
Assim que a porta foi fechada e trancada, esperei até que o som dos seus passos sumisse. Abri os olhos e me vi em um lugar úmido e fechado. Felizmente, eu não tinha fobia de lugares assim, mas já sentia repulsa. Me espreguicei um pouco e subi na cama, parecia que eu estava em uma das celas que certamente usavam como solitária, como previsto.
Então, usaria o duto de ar para escapar dali.
Nesta altura do campeonato, já teria pegado todos os microchips possíveis, já que minha pequena distração tinha deixado todo o departamento alagado e brevemente vazio pelo desespero dos funcionários que não sabiam da minha travessura. Analisei brevemente o forro do teto até encontrar a placa que estava solta, informação cortesia de um dos informantes de Godric. Puxei a cama com certa dificuldade e, subindo novamente, consegui chegar ao duto de ar do teto. Retirei minhas roupas do disfarce ali mesmo. Segui pelo caminho que memorizei da planta do prédio e, ao chegar próximo à saída para a rua que ficava nos fundos do prédio, minha roupa estava lá me esperando. Assim que me vesti, peguei o celular, enviando uma mensagem de confirmação para o senhor Scholz. Em poucos minutos, a grade de proteção foi aberta e pude, enfim, sair dali.
— Niklaus. — Soltei um suspiro de alívio. — Que ironia, estou feliz em te ver.
— Onde está ele? Conseguiram pegar? — perguntou.
— Eu não sei, ainda não o encontrei. — Desviei o olhar para rua. — Podemos sair daqui?
— Claro, venha comigo.
Usamos o prédio ao lado para sair daquele lugar sem sermos notados. Assim que cheguei à mansão do senhor Scholz, já estava em seu escritório, entregando o tão esperado microchip.
— . — Ele veio ao meu encontro. — Você está bem?!
— Sim. — Sorri de leve para ele, estava ainda mais aliviada por vê-lo bem.
— Então, minha jovem, acho que devo cumprir minha parte no acordo — disse Godric, permanecendo sentado em sua cadeira luxuosa.
— Eu pensei sobre isso e… — respirei fundo para tomar coragem e seguir com minha decisão. — Eu não quero saber.
— ?! — me olhou, surpreso.
— Isso mesmo, não quero mais saber o passado do meu pai, para ser honesta, o que mais quero agora é sair deste mundo sombrio e esquecer que ele existe. — Voltei meu olhar para . — Começar de novo.
— Se quer assim... — sorriu de leve para mim.
— Tem certeza? — Godric abriu uma gaveta e a remexeu, retirando um envelope. — Então, pelo menos fique com isso.
— Senhor?!
— Ande , pegue — insistiu ele.
se afastou de mim e foi até ele pegar o envelope em meu lugar.
— O que seria isso? — perguntou.
— Para o recomeço de vocês. — Godric se levantou da cadeira. — Espero que cuide bem desta linda dama.
— Eu vou. — segurou em minha mão e sorriu para mim.
Me despedi cordialmente do senhor Scholz e segui com para o aeroporto, estava curiosa para saber nosso destino final.
— Vai mesmo ficar com esse mistério e não me contar para onde vamos? — Mantive segurando em sua mão, entrelaçando nossos dedos.
— Hum… Estava pensando, não tivemos uma lua de mel decente. — Ele sorriu. — Minha esposa merece se divertir antes de termos uma vida calma.
— E o que está planejando?
— Que tal uma breve passada em Vegas?
— Vegas?
— Sim, quero te apresentar uma pessoa. — Ele retirou as passagens do bolso.
— Que pessoa?!
— Quando chegarmos, você verá. — Ele se aproximou de mim e me beijou com suavidade. — Pronta para uma nova vida?
Assenti com um sorriso e logo confirmei lhe dando outro beijo, mais intenso e sem preocupações. Se Vegas fosse nosso destino, aproveitaria ao máximo daquele início de uma nova vida.
Desde que estivesse comigo, tudo estaria bem.
“A luz me persegue, uma sombra paira embaixo de mim
Meu verdadeiro eu estava coberto por um véu
Se você quer saber, segure minha mão, como o destino
Nosso momento começa agora.”
- Black Suit / Super Junior
“Recomeço: Você só vive uma vez. É sua obrigação aproveitar a vida da melhor forma possível. [ Como Eu Era Antes de Você ]” - Pâms
