Após o fim das aulas, encontrei Lydia perto dos armários, mas ela não estava sozinha:
- Oi, ! – Cumprimentou-me sorrindo, e recebeu um sorriso amarelo de volta – Esta é Malia, minha amiga. – apontou para a garota de cabelos curtos ao seu lado.
- Então você é a moça dos boatos... – Malia comentou, me fazendo abaixar a cabeça. Estava cansada desta situação. – Tenho certeza que vamos ser amigas! Você é das minhas.
- Mas não sei se você sabe, não aconteceu nada daquilo. É só um boato. – Respondi.
- Eu imagino, mas você tem estilo e não se deixa abater – Falou, me animando – Eu vi você metendo um belo dedo do meio na cara do Nathan. Mandou bem. – Completou e demos um high five.
- Vocês se parecem mesmo... – Lydia comentou – Malia vai acompanhar a gente ao shopping. Tudo bem?
- Tudo certo!
Fomos, então, para o carro da Lydia. Colocamos a música nova da Little Mix, Power, no som – volume máximo, é claro – e fomos cantando a plenos pulmões até chegarmos ao shopping.
Entramos em uma das lojas, e fui diretamente pra ala “ROUPAS CINZA, PRETAS E MONOCROMÁTICAS QUE NINGUÉM EM SÃ CONSCIENCIA USA... SÓ A ”. Escolhi algumas blusas, umas calças, um coturno novo...
- NEM PENSA! – Lydia gritou do outro lado da loja, fazendo Malia e eu pularmos – Esquece o cinza, . – Disse se aproximando e tirando as roupas das minhas mãos.
- Lydia, deixa ela escolher as roupas dela! – Malia me defendeu.
- Eu deixo – Lydia respondeu – Mas só se ela experimentar algumas roupas que eu escolher. – Completou.
- Tudo bem, eu experimento. – Concordei, e Malia me lançou um olhar de “Boa sorte nessa jornada” – Mas não garanto que vou comprar nada. – Completei e Lydia concordou.
A ruivinha saiu sorridente pela loja, pegando algumas roupas aqui e ali, enquanto eu pegava as roupas de meu interesse, e Malia as do dela. Encontramo-nos na ala de provadores:
- Olha, escolhi estas aqui pra você – Lydia disse me entregando uma pilha de roupas, tão coloridas que pareciam um arco-íris. – Pode experimentar. – Falou me empurrando pra dentro de uma das cabines.
Vesti as roupas que ela me dera: um vestido de alcinhas, curto e florido; uma sandália rasteirinha; e um cinto, preto, fino. Quando me olhei no espelho, tive um choque.
- , já tá pronta? – Lydia chamou-me do lado de fora e eu saí – Você tá linda!
- Tá bonitona mesmo – Malia concordou.
- Estou me sentindo desconfortável com essa roupa... – comentei.
- Sério? – Lydia perguntou chateada e eu assenti – É uma pena, , porque você está muito bonita.
- Por que não coloca uma calça? – Malia sugeriu – Coloca... Sei lá... Uma blusa estampada.
- Boa ideia, Malia! – Lydia concordou e pegou uma blusa vermelha, que estava no monte que ela havia feito – Coloca essa e uma das calças que você pegou, daí coloca essa sapatilha – disse me entregando as coisas – Pode ir colocar – falou me empurrando pro provador outra vez.
Vesti, então, uma calça preta justa, a blusa vermelha, estilo cigana, com alcinhas, que Lydia havia me entregado, e a sapatilha nude, que ela também havia me dado. Ainda achava estranho usar vermelho, mas estava melhor que antes.
Saí do provador e Malia me recebeu com um “joinha” de aprovação. Me olhei no espelho e comecei a me acostumar com o resultado.
- Gostou mais desse? – Lydia perguntou e eu assenti – Vamos ajeitar mais um pouquinho – Ela disse, colocou-se à minha frente e começou a mexer nos meus cabelos – Esse seu cabelo é lindo, mas tá escondendo seu rosto... – Ela tirou um grampo do bolso e conseguiu fazer um mini topete em mim – Agora sim! Olha esses olhos maravilhosos! – Disse saindo da minha frente e me apresentando a Malia.
- Gostei. – Malia aprovou.
Quando me vi no espelho, eu aprovei o resultado, não era algo que eu usaria todos os dias, mas poderia usar em... Sei lá, algum lugar.
- Você gostou! – Lydia exclamou.
- É... Gostei um pouco – Admiti.
- Vai comprar? – Malia perguntou e eu fiquei pensando – Se eu fosse você eu levava...
- Então... Eu vou levar. – Decidi.
Passamos o resto da tarde no shopping, acompanhamos Lydia em mais lojas, paramos na praça de alimentação, conversamos, atualizamos Malia sobre minha situação e nos divertimos bastante. Foi uma tarde bem proveitosa. Eu estava precisando daquilo.
Depois disso, as meninas me deixaram em “casa” e foram embora. Fui para o meu quarto, tomei um banho e me deitei. Pela primeira vez, desde que cheguei a Beacon Hills, consegui dormir calmamente, sem nada me tirando o sono.
Acordei bem no outro dia, sem dor, sem desconforto e sem culpa. Me arrumei e fui pro colégio. Resolvi que iria seguir o conselho que Malia me dera: ignorar todos que me enchessem a paciência, não me esconder dos olhares e dos cochichos e passar pelos corredores de nariz em pé, afinal de contas, tudo o que diziam sobre mim era mentira.
Encontrei Lydia, Malia e Stiles no estacionamento:
- Que bom que chegou. – Lydia disse – Temos notícias sobre os desaparecimentos.
- Sério? O que é? – Perguntei.
- Um garoto de 12 anos desapareceu ontem. – Stiles disse cabisbaixo.
- Nossa... 12 anos? – Perguntei e eles assentiram.
- Vamos até a floresta procurar por pistas, acho que lá é um local bem propicio. – Stiles falou.
- Eu vou com vocês então. – Falei – Quero ajudar.
- Só estamos esperando o... – Stiles parou de falar
- O Scott. Pode falar, Stiles. Ele não tentou matar meus irmãos ou coisa do tipo. – Respondi um pouco rude.
- É que... – Tentou se explicar.
- Tá tudo bem, eu entendo.
- Climão... – Malia soltou.
Logo depois, Scott e aquele outro garoto chegaram:
- E aí, galera? – O garoto cumprimentou – Descobriram algo sobre o garoto que sumiu?
- Não. Estávamos esperando vocês chegarem para irmos até a floresta procurar pistas – Stiles comentou.
O stress entre Scott e eu, era claro e palpável. Nós evitávamos trocar olhares ou ter qualquer contato. Agora sim estava um climão.
- , esse é o Liam. – Lydia disse.
Então esse era o Liam. O tal Liam que iria garantir que a aposta daquele garoto fodido fosse ganha. Bom saber... Senti que meus molares iriam trincar, caso os apertasse mais. Meu rosto estava quente, então, provavelmente, eu estava vermelha de raiva. Por mim, teria tirado o facão da mochila e partido esse menino ao meio. Mas eu não podia.
- Prazer. – Disse seca. – Acho que já podemos ir.
- Você e Malia vêm comigo. – Lydia disse – Scott vai na moto dele, e o Liam vai com o Stiles. – Organizou. – Nos vemos lá. – Completou e saiu, comigo e Malia em seu encalço.
Atravessamos o estacionamento até chegarmos ao carro da Lydia. Malia e Lydia sentaram-se à frente, e eu me sentei no banco traseiro. Assim que todas as portas se fecharam a ruiva se virou e me perguntou:
- O que foi?
- O que foi, o que? – Perguntei.
- Além da tensão com o Scott, que é mais do que compreensível, por que ficou vermelha quando te apresentei ao Liam? – Lydia indagou.
- Eu estava me segurando pra não partir ele no meio... – Soltei.
- Por quê? – Malia perguntou curiosa.
- Lembram que eu disse que ouvi um garoto apostar que ficaria comigo até o fim da semana que vem? - Perguntei e elas assentiram – Aquele cara disse que um tal de “Liam” – Sinalizei com as mãos – Iria ajuda-lo.
- Sério? – Lydia perguntou e eu assenti – Que merda... – eu assenti novamente.
- Entendi porque você queria partir ele ao meio – Malia disse com uma naturalidade impressionante – Se fosse comigo, não sei se teria me segurado. – Lydia a repreendeu com um olhar – Que foi?
- Não joga lenha na fogueira.
- Desculpa, eu só comentei. – Malia a respondeu calmamente.
- Será que podemos ir? – Perguntei – Chega dessa história.
Lydia então ligou o carro e nós seguimos nosso caminho. Pegamos a estrada e, em poucos minutos, vimos o Jeep de Stiles parado no acostamento, ao lado da moto do Scott. Ela, então, estacionou atrás do carro do namorado e nós saímos. Encontramos os garotos pouco adentro da floresta, que, por estarmos no outono, tinha um ar mórbido. As árvores já estavam perdendo as folhas, e o chão estava coberto pela folhagem seca e marrom, que estalava a cada passo que dávamos.
- Então, sobrenaturais, agucem seus sentidos – Stiles disse, me deixando um pouco confusa, mas relevei.
Começamos, então, a entranhar na floresta mórbida. Scott, Liam e Malia iam na frente, extremamente concentrados e focados. Stiles e Lydia iam lado a lado à minha frente, trocando sorrisos e comentários de vez em quando. Eu estava atrás, observando o local e tentando encontrar algo suspeito, mas não vi nada além de plástico velho e árvores semimortas.
Já estávamos caminhando há uns 10 minutos, quando ouvimos um barulho por trás de uns arbustos, como se algo estivesse correndo. Rápido. Muito rápido. Em um primeiro momento, não ligamos muito para o barulho, afinal de contas, estávamos em uma floresta e existem animais selvagens em florestas. Entretanto, pouco tempo depois, ouvimos o barulho outra vez, o mesmo barulho. Todos então assumiram posturas defensivas, fazendo um círculo em torno de mim e de Lydia. Silêncio.
- O que estão fazendo? – Perguntei, entre os dentes, ao Stiles.
- O que quer que seja, pode atacar. – Ele respondeu.
- Mas por que nos isolaram? – Perguntei novamente.
- Pra proteger vocês. – Ele disse. Eu não precisava de proteção.
Coloquei minha mochila no chão, abri e retirei meu facão de lá.
- Eu não preciso de proteção. – Falei e ele me olhou com os olhos tão arregalados que achei que fossem saltar das órbitas – Abre um espacinho aí – Ele arredou pro lado e eu me incluí no círculo.
Estávamos atentos a todos os movimentos ali, mas tudo parecia morto. Nem um som, nem um vento, nem um farfalhar de folhas. Nada. Só silêncio. Aquilo não era bom. Olhei para os lados e pude perceber os maxilares tensionados e os punhos fechados do pessoal. Ouvimos, então, o barulho outra vez. O que quer que estivesse lá, se movia rápido.
Do nada, ouvimos um sibilar. Um sibilar alto.
- Droga! – Soltei por entre os dentes. Eu já ouvira aquele sibilar antes.
- O que foi? – Malia perguntou baixo.
- Equidna.
Assim que pronunciei o nome, o monstro apareceu por entre as árvores, vindo rapidamente em nossa direção. Em minha direção.
- Que merda é essa? – Pude ouvir Liam dizendo atrás de mim.
- Achei você... – A criatura sibilou pra mim e atacou.
Malia foi em sua direção e conseguiu atingi-la no peitoral, mas o ataque não foi efetivo. A Equidna, então, retirou duas lâminas curvadas das bainhas, e, com um golpe, arremessou Malia pro lado. Scott e Liam partiram pra cima do bicho, mas ela conseguiu se defender, derrubando-os com a cauda. A coisa veio em minha direção e deferiu alguns golpes com as laminas, mas consegui desviar, por pouco.
Tentei golpeá-la, mas ela me deu uma rasteira com a cauda, me fazendo bater a cabeça no chão e perder, momentaneamente, minha visão. Assim que pude ver novamente, vi Scott se lançando sobre o monstro, retirando-a de perto de mim, o que me deu tempo o suficiente para me levantar e me armar novamente.
Corri até onde Scott lutava com a Equidna, para tentar ajudar, mas ela o arremessou longe com um golpe e veio em minha direção outra vez.
- Podemos terminar aqui o nosso último encontro – Ela sibilou pra mim – Desta vez eu não vou ter pena de você. – Disse se aproximando.
Ela me golpeou, com sua pesada cauda, no peito, fazendo com que eu tivesse dificuldade para respirar e perdesse o equilíbrio. Eu consegui dar-lhe um soco na região das costelas, mas ela não pareceu se abalar muito, só que ficou com raiva. Muita raiva. A Equidna mostrou-me as presas afiadas e passou a língua bifurcada nos lábios reptilianos e então avançou. Em reflexo, deferi um soco em seu rosto, provocando um corte sobre os lábios dela.
O monstro sibilou com raiva. Liam e Scott vieram correndo e conseguiram derrubá-la no chão, começaram então a desferir socos nela. Mas ela ria. Gargalhava.
- O que... – Pensei alto.
Scott e Liam se afastaram da coisa com corpo de cobra, assustados. Ela se levantou, com o rosto completamente cortado, e lançou-me um sorriso cruel, exibindo as presas afiadas.
- Lobinhos não me machucam, peste. – Sibilou pra mim.
Ela correu, ou melhor, rastejou em minha direção e agarrou meu pescoço.
- Não vai funcionar... – Disse e passou a língua bifurcada no meu rosto – Eles não me machucam. – Completou empurrando-me até me bater em uma árvore.
Ela me enforcava e batia minha cabeça no tronco da árvore, e eu não conseguia revidar. Tentei chutá-la, mas já estava sem forças e desarmada. Minha visão periférica começava a falhar.
Vi, então, por trás da Equidna, outro monstro aparecer. Tinha presas afiadas, olhos vermelhos brilhantes e feições assustadoras... A coisa conseguiu, com sua força descomunal, retirar a Equidna de cima de mim.
Eu caí no chão, arfando. Lydia e Stiles vieram me ajudar, mas eu não podia perder tempo, precisava acabar com aquela coisa. Levantei-me e fui, com dificuldade, em direção ao meu facão, que estava caído no chão. A criatura de olhos vermelhos lutava com a criatura reptiliana, ferozmente.
Olhei para os lados e vi meu pior pesadelo se realizar. Agora, outros dois... monstros, iguais ao que havia “me salvado” apareceram, mas um tinha olhos amarelos, e o outro olhos azuis brilhantes. Talvez fosse coisa da minha cabeça... Mas a Equidna era real. Muito real.
Os monstros lutavam contra aquele réptil asqueroso, mas não tinham sucesso. A mulher-cobra os derrubou e veio em minha direção novamente. Abaixei-me, peguei o facão cuidadosamente e o segurei com força. Quando aquilo se aproximou, ela estava tão certa da vitória, que nem se preocupou com o fato de eu estar armada. Um erro. Desferi um golpe preciso com a lâmina e a decapitei. Ela gritou e se transformou em pó.
Segurei o facão com força. Ainda faltavam 3. Caminhei como pude até onde o lobo de olhos vermelhos estava abaixado, de costas para mim, e preparei-me para cravar a lâmina em suas costas, mas alguém gritou:
- , NÃO! – Stiles exclamou, tirando a arma das minhas mãos – É o Scott.
Quando olhei novamente, era o Scott. Eu estava confusa.
- Mas... O que...
- Eu posso explicar... – Scott disse vindo em minha direção com as mãos em sinal de paz – Não queria que tivesse sido assim – Continuou, caminhando para mais perto de mim.
A cada passo que ele dava, eu recuava dois. Eu estava confusa e com medo. Ele continuava caminhando cautelosamente em minha direção, tentando me acalmar. Ao nosso redor, todos observavam a cena, afastados.
- , não precisa ter medo. – Scott disse – Eu não vou machucar você.
- O... O que... Você é? – Perguntei assustada. Eu estava indefesa, sem minha arma, e quase sem forças.
- Eu sou Scott, seu amigo. – Ele disse colocando, suavemente, as mãos nos meus braços – Está tudo bem.
Não estava tudo bem. O que aquilo significava? Eu estava louca? Outra vez?
- Eu posso explicar tudo, mas você precisa se acalmar – Scott dizia – Seu coração está batendo muito rápido. Acalme-se – ela falava suavemente.
Olhei para Lydia, e ela apenas fez um sinal afirmativo com a cabeça e veio em minha direção, ficou ao meu lado e segurou minha mão. Eu estava estática, lembranças ruins me açoitavam.
FLASHBACK ON
- Nós iremos pagar sim, todos os anos, até ela ser maior de idade. – Meu avô dizia ao homem da recepção – Qualquer coisa serve.
Eu esperava sentada nas cadeiras da sala de espera, com minha avó ao meu lado. Ela não olhava pra mim.
- Vó, por que estamos aqui? – Perguntei inocentemente.
- Porque você é maluca. – Respondeu secamente.
- Eu não sou maluca...
- Oh claro! – Debochou – E mulheres-cobra, homens-bode, e espíritos de grãos existem...
- Mas eles existem – Disse baixinho, para que ela não pudesse ouvir.
- Isso é culpa do seu pai, eu aposto. – Ela comentou.
Meu avô veio em nossa direção, com diversos papéis na mão e acompanhado de um homem alto, vestido de branco. O homem se agachou à minha frente e disse docemente:
- Olá, o meu nome é Frank. Como você se chama?
- ... Eu me chamo .
- E quantos anos você tem, ? – Foi aí que surgiu o apelido.
- 13.
- Seus avós te trouxeram pra cá para que você pudesse passar um tempinho com a gente.
- Por que eu sou maluca?
- Oh não! Você não é maluca. – Ele disse segurando minhas mãos com carinho – Você é especial. Você vê coisas que os outros não podem ver. Só isso.
- Só isso? – Perguntei e ele assentiu.
- E isso é muito legal – Sussurrou pra mim – Agora vamos entrar? Vou te mostrar onde você vai ficar nos próximos... tempos.
- Tudo bem. – Falei, e ele me conduziu até uma porta branca que ficava na extremidade do cômodo.
Ao passar pela porta, virei-me para ver meus avós, mas eles não estavam mais lá. Tinham me abandonado. Me largado em um manicômio e me abandonado. Pra sempre.
FLASHBACK OFF
- Isso... você... você virou aquilo? – Perguntei ao sair de meus devaneios.
- Sim... – Scott afirmou.
- Você... eu... – Minha cabeça doía, era muita informação.
- , olha pra mim. – Lydia disse virando-me para ela – É o mesmo Scott de sempre, mas... bem, esse tem poderes.
-Poderes...
- , olha, eu não queria que você tivesse descoberto, mas já que aconteceu, preciso que saiba que não vou lhe fazer mal. – Scott dizia com a voz calma.
Virei-me para ele e analisei seu rosto. Flashes do rosto da criatura de olhos vermelhos piscavam na minha mente.
- Pode fazer de novo? – Precisava me certificar de que aquilo era real. – Preciso ver de novo. – Ele assentiu e se transformou.
Meu coração acelerou outra vez, minhas mãos gelaram e meus instintos pediam-me para matá-lo, mas era o Scott. Ele voltou ao normal e olhou para mim:
- Sou eu. – Disse, e eu assenti.
- O que é você?
- Lobisomem.