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Codificada por Lua ☾
Finalizada em: 30/12/25

O som dos instrumentos atravessava a porta grossa do estúdio de maneira abafada, vibrando contra o vídeo. parou diante dela, respirando fundo uma, duas vezes, enquanto ajeitava a pasta de anotações junto ao peito. Sentia que havia algo indecifrável no ar – talvez fosse o nervosismo ou o medo de lidar com uma nova fase que estava para iniciar. Sabia que as coisas eram tudo, menos simples.
Conseguia ouvi-los do outro lado.
— Não, cara, o tom cai no meio do refrão! — reclamou, enquanto largava os fones sobre a mesa.
— Vocês querem gravar de novo? — Harry perguntou, girando as baquetas entre os dedos, suspirando. — Já é a quinta vez hoje.
— É a quinta vez errada. — respondeu, exausto. Olhava para a tela do computador onde as ondas de som pareciam mais caóticas do que musicais.
— Claro que tá errado, e a culpa é tua, Dougie!
O loiro ergueu uma sobrancelha, incrédulo, e se virou para o amigo bruscamente.
— Minha? Eu nem sou o vocalista principal, porra! No máximo, eu sou o eco do eco do refrão, .
— “Eco do eco” coisa nenhuma! — O guitarrista rebateu, usando o indicador enquanto apontava para o amigo. — Você entra na hora errada e eu fico parecendo um gato sendo atropelado!
Harry ajeitou-se no banco atrás dos amigos e soltou uma risada abafada.
— Você é tecnicamente o gato, . O Poynter só toca baixo e tenta acompanhar a sua afinação. Que, convenhamos, é impossível.
— Obrigado pelo apoio, Judd — murmurou, revirando os olhos. — Isso vindo de quem bate em coisas com pedaço de pau não conta muito.
— É, mas pelo menos eu bato no ritmo certo. — O baterista riu alto da atitude do amigo.
apenas ria enquanto observava o desenrolar do conflito.
— Mano, sério, eu não entendo por que a gente sempre tem que discutir quando o refrão não funciona. — Dougie bufou, passando a mão nos cabelos.
— Porque é sempre o refrão que não funciona. E adivinha quem fez o backing no refrão? — argumentou, retrucando com o baixista.
— Quer que eu cante o lead também, já que você tá tão perdido? — Ele perguntou, rindo sem humor enquanto se endireitava em seu banco.
jurou que o culpado fosse Dougie, mas os garotos não queriam acusá-lo sem as devidas provas. Então olharam em direção a , responsável por ser engenheiro de som e técnico de gravação. O francês estava se divertindo com toda aquela discussão, segurando o riso para não gargalhar na frente dos garotos, que o olhavam em expectativa. Ele apertou o botão de play e a música começou a tocar; os quatro foram pegos de surpresa quando a voz de subiu meio tom além do planejado durante o refrão.
Harry riu tanto que quase caiu do banco de tanto rir.
— Caramba, parece um galo às seis da manhã, cara. Isso aí parece o despertador do inferno!
O vocalista lançou uma almofada em direção ao amigo, mas acabou rindo, se rendendo ao conflito.
— Tá bom, tá bom. Talvez eu tenha me empolgado um pouco.
Dougie sorriu, satisfeito, e cruzou os braços.
— “Empolgado”? Eu chamo isso de assassinato melódico.
— Eu sempre soube que o culpado seria você, cara. — afirmou rindo baixo e balançando a cabeça.
ainda não tinha entrado. Observava a cena através da janela os quatro homens, cada um em seu próprio universo; nem tentavam disfarçar o cansaço que estampavam os rostos bem-humorados. A gravadora havia avisado: o cronograma estava apertado, e eles precisavam de alguém para "colocar as vozes em ordem". E esse alguém, no caso, era ela.
Ao abrir a porta, foi recebida pelo cheiro de café requentado, uma mistura de perfume masculino e madeira. foi o primeiro a notá-la, levantando-se em um reflexo educado.
?
Ela assentiu com um sorriso profissional e se aproximou do cantor, que a cumprimentou em um breve aperto de mão.
— Vim ajudar vocês com o arranjo de voz.
— Ah, ótimo. Mais uma mulher pra querer mandar na gente. — murmurou próximo de Harry, que lhe deu um tapa na cabeça.
— Não seja machista, idiota. — Ele repreendeu o amigo, que encolheu os ombros e permaneceu quieto.
O vocalista suspirou e tentou parecer amigável.
— Vai nos dizer que estamos fazendo tudo errado? — Ele perguntou.
— Eu não costumo dizer que está errado. Só mostro como pode soar melhor.
Dougie estava encostado na parede com o baixo pendurado no corpo, observava em silêncio, apesar do olhar curioso e um pouco desconfiado.
— A gente já soa bem. Só pra constar. — Ele disse isso sem arrogância, mas com aquela autoconfiança que beirava a provocação.
colocou a pasta sobre a mesa de som e sorriu.
— Então vai ser fácil. Porque se já soa bem, imagina quando estiver afinado.
O silêncio que veio depois foi quase audível. abafou um riso. virou os olhos. Harry balançou a cabeça, divertido. Os garotos se entreolharam em um misto de apreensão e curiosidade. Já haviam começado o dia com um toque de constrangimento. , e Poynter se ajeitaram em seus respectivos bancos e limparam a garganta quando viram que ela abriu o caderno; estavam tentando ignorar a tensão.
pediu para eles começarem pela faixa principal e ajustou o microfone. Eles tentavam disfarçar as trocas de olhares, meio nervosos, antes de voltarem a cantar. A garota percebeu que, a base estava perdida no meio da pressa, apesar de estar boa o suficiente. Esperou o refrão para poder comentar.
— As harmonias estão se atropelando, acho que estão cantando sem ouvir uns aos outros.
rolou os olhos, e mordeu a língua antes de fazer algum comentário babaca.
— A gente não precisa de coral de igreja, senhorita , isso aqui é rock.
— Rock também precisa de respiração, . — Ela cruzou os braços. — Não é só barulho.
Dougie deixou escapar um riso quase inaudível, mas que chamou atenção de . Ela virou a cabeça em sua direção e arqueou uma sobrancelha.
— O que foi? — Perguntou.
— Nada. — Ele deu de ombros. — Só achei engraçado o “rock precisa respirar”. Nunca ouvi ninguém dizer isso.
— Talvez vocês não tenham parado para ouvir um ao outro.
O olhar dos dois se manteve firme, enquanto o estúdio parecia menor e mais tenso. Se encaravam como se estivessem esperando qual dos dois iria recuar primeiro, mas quebrou o silêncio ao pigarrear.
, você pode nos orientar nessa parte?
Ela se aproximou dos microfones e assentiu. Estava segura do que estava fazendo, mas se sentia intimidada pelos rapazes, porque percebeu que eles não seguravam as respostas atravessadas e as brincadeiras bestas. Principalmente quando se tratava de .
— Podem cantar o refrão separado primeiro? Preciso ouvir o timbre e o ponto de respiração de vocês. Depois a gente monta o arranjo.
— Isso vai demorar. — ergueu as mãos, um sorriso meio desconfortável plantado em seus lábios.
Estavam a um mês de começarem a turnê, e precisavam treinar as vozes; não só pelos shows, mas para o próximo álbum em que estavam trabalhando. Não era por pouco que estavam tão cansados e estressados com toda a correria da agenda.
— Vai soar melhor. E vocês têm um mês. Então, sim, vai demorar um pouco.
Harry sussurrou algo para Dougie, que riu sem discrição, mas não quis se intrometer. Estava focada no trabalho que teria com eles. Colocou os fones e a música começou de novo. A atmosfera se transformou nos minutos seguintes e o lugar foi substituído por um silêncio atento. Embora Poynter estivesse se sentindo resistente à ideia de precisar de ajuda, esforçou-se para cantar diferente e ela percebeu cada detalhe.
Fez uma anotação sem olhar para eles, mas sabia que eles a encaravam com certa expectativa.
— Melhor. — Afirmou, apenas. O comentário simples chamou a atenção até de , mas ele preferiu não retrucar.
— Só “melhor”? — Dougie perguntou e arqueou uma sobrancelha, deu de ombros.
— Ainda não é o ideal, mas é um começo.
Ele sorriu de canto, aceitando o desafio.
— Então tá. Vamos ver até onde você aguenta.
— Até o som ficar perfeito. — Ela o encarou firme.
— Você é mais exigente do que imaginei. — falou com um sorriso de canto, dedilhando algum trecho em seu instrumento.
bufou, mas tentou se manter calma.
— É meu trabalho, precisa ser perfeito.
Mesmo que ninguém dissesse em voz alta, naquele instante todos souberam que a gravação do álbum seria um campo de batalha. E a preparação para a turnê seria uma tortura sem volta.
As horas seguintes correram em momentos confusos entre uma mistura de fones, som, pausas e anotações; enquanto sentava-se em frente a mesa de som e alternava o olhar entre os quatro homens adiante dela e o notebook. Percebeu como cada um tinha um ritmo e um temperamento diferente, era quase estressante.
era ansioso e queria gravar tudo de uma vez; , mais meticuloso, analisava cada linha das passagens; Harry aproveitava o posto de baterista e fazia piadas no meio das pausas, enquanto Dougie ficava entre a concentração e o tédio. Os dedos do garoto brincavam com a corda do instrumento mesmo quando não era seu momento de tocar. Após um intervalo – considerado curto pelos quatro –, eles voltaram ao ensaio.
— Certo, vamos voltar à ponte. Agora quero ouvir e juntos. — disse, enquanto anotava algo na folha à sua frente.
bufou, já estava impaciente, e apenas assentiu. Quando cantaram, ergueu a mão discretamente, pedindo que parassem. derrubou a cabeça e bateu a testa ao microfone, causando um barulho quase estridente dentro da sala.
, você entra um compasso antes. É por isso que o final parece atropelado. — Ela se aproximou, sem levantar o tom. — Tenta contar dois tempos antes de começar.
Ele imitou a contagem, sorrindo de lado, e a garota concordou. Ele tentou mais uma vez, e o refrão se encaixou perfeitamente com a melodia do amigo, causando um sorriso de satisfação em .
— Muito melhor, garotos! O timbre de vocês combina bem, mas precisa respirar junto.
Harry bateu as baquetas no joelho, animado, e apontou para .
— Tá vendo? Falei que o problema era o .
— O problema é todo mundo. — respondeu com naturalidade, arrancando uma risada coletiva.
— Até eu? — O baterista perguntou, na defensiva. Sua cara demonstrava insatisfação, o que arrancou gargalhadas dos amigos.
— Você não canta, mas faz piadas demais, Judd.
— É meu papel pra quebrar o climão. — Ele deu de ombros.
sorriu de lado e tombou a cabeça, sentindo pena da expressão do baterista.
— Tudo tem sua hora, Harry.
Até Dougie riu. Um riso curto, surpreso, mas sincero. percebeu, sem comentar.
O momento durou pouco, já que logo em seguida ela o chamou para testar uma linha de um vocal mais baixo que ajudaria a sustentar o refrão.
— Quero que experimente segurar a nota aqui em “but you chose to let me down, down, down”. Mantém o ar e pensa como se fosse um baixo de voz, não de instrumento. — Disse ela, apontando para o papel.
O garoto inclinou a cabeça e coçou o queixo.
— Nunca pensei em cantar como se tocasse.
— Então é hora de tentar.
Ele obedeceu, e a sala se encheu daquele som grave e aveludado. sorriu sem disfarçar.
— É isso. É exatamente esse o som que faltava.
Ele deu um sorriso meio envergonhado, ganhando uns acenos dos amigos.
— Tá vendo? Às vezes eu acerto.
— Quase sempre, pelo que ouvi até agora.
Foi a primeira troca leve entre eles que não fosse carregada de ironia, nem disputa. Só a música. O sol do fim de tarde atravessava o vidro do estúdio, marcando o chão com uma cor dourada. Os artistas já estavam com as vozes roucas, mas o clima já havia mudado completamente – estavam rindo mais e a pressão pareceu menor.
— A boa notícia é que vocês têm potencial. A má é que precisam dormir e beber água antes de tentar de novo.
— Dormir é overrated. — Harry disse, esticando-se na cadeira.
— Então pelo menos água. Não dá pra desmaiar na turnê.
ainda dedilhava a guitarra, inquieto.
— Posso tentar uma última coisa?
riu baixo.
— Uma. Prometo que se for boa, deixo você quebrar o cronograma amanhã.
Ele se animou com a provocação e começou a tocar. e Dougie acompanharam, improvisando. observava, anotando pequenas ideias no caderno. Reparou que as harmonias que poderiam encaixar, frases melódicas que surgiam espontaneamente. Eles tinham muito potencial como uma banda, principalmente depois de terem se tornado independentes.
O improviso acabou terminando com risadas e aplausos.
— Não sei o que você tanto anota aí. — Harry comentou, curioso, o queixo apontado para o bloco de .
— Segredo de profissional. — Ela sorriu de maneira nociva e ele ergueu as sobrancelhas. — Relaxa, é só o que tem funcionado. E o que não funciona também. Mas, de modo geral, é mais sobre elogio. Então, aproveitem.
Quando o estúdio ficou quase vazio, mais tarde, ela aproveitou para ficar e revisar os áudios. A sala vazia foi tomada pelo zumbido dos alto-falantes apenas. Viu passar pela porta antes de ir embora, e ele sorriu.
— Obrigado por hoje. Acho que eles precisavam de alguém que os fizesse ouvir. Literalmente.
Ela sorriu de volta, mas sem tirar os olhos da tela do computador.
— Vocês têm talento de sobra, só precisam de uma direção melhor.
— E paciência. — Ele piscou. — Boa sorte com isso.
Esperou o rapaz sair e soltou um suspiro leve; estava satisfeita, apesar de bastante cansada. Já tinha ciência do tanto que seria puxado trabalhar e lidar com quatro personalidades tão intensas, jamais seria simples. Mas tinha algo ali que a desafiava de uma boa maneira. Ela aumentou o volume do som e ouviu as vozes individualmente, preenchendo o ambiente. Todas soavam firmes, e ela sorriu sozinha pela primeira vez desde que tinha começado o novo projeto.

A casa de Harry estava tomada por uma energia caótica, como sempre. Os garotos faziam bagunça quando estavam juntos. Estavam jogados em sofás diferentes, comidas espalhadas pela mesa de centro. A risada alta de ecoava pelo ambiente, e as garrafas de cerveja quase chegavam ao fim antes mesmo de terminarem a partida de futebol no videogame. O assunto principal, naquela noite, era obviamente a respeito do treinamento com a coach. Dougie segurava uma garrafa de cerveja na mão enquanto se reclinava no sofá, bagunçando os cabelos.
— Cara… eu juro que nunca vi alguém olhar pra gente daquele jeito — Começou ele, balançando a cabeça devagar. — Aquela mulher tem o olhar de quem poderia te demitir de uma turnê com uma única sobrancelha arqueada.
Harry riu alto, estalando os dedos e se jogando de lado no sofá.
— “Respirem pelo diafragma, meninos.” — Imitou ele, cruzando as pernas e fazendo uma pose debochada, o sotaque de saindo arrastado e quase teatral. — Ainda bem que eu sou só o baterista.
Os amigos o vaiaram e ele foi atingido por diversos salgadinhos no rosto e na cabeça, rindo ainda mais alto da cara que fazia, mesmo que o vocalista estivesse tentando segurar o riso.
— Sorte a sua, seu idiota. Eu tava esperando o momento em que ela ia mandar a gente fazer ioga no meio do estúdio. Aquela calma dela é assustadora. Parece que sabe o que a gente tá fazendo de errado antes mesmo da gente abrir a boca.
— E sabe mesmo — Dougie interrompeu, com um meio sorriso. Segurou o controle para inicar outra partida. — Ela me corrigiu antes de eu começar a cantar. Tipo, antes. Como é possível isso?
Eles estavam se divertindo, mas Poynter sabia que teria um período difícil com ela. Logo de cara, já a achava chata e exigente demais. Não parecia ter senso de humor e, se duvidasse, não sabia nem o que era sorrir.
ergueu uma sobrancelha.
— É, mas você mereceu. Você fez aquela cara de “não preciso de aquecimento vocal”, e ela percebeu.
— Eu não fiz cara nenhuma. — Ele retrucou, tentando parecer ofendido. — Só tava… pensando.
— Pensando em como fugir da aula — Harry completou, fazendo os outros dois amigos rirem.
Dougie bufou, mas o canto da boca traiu um sorriso.
— Tá, admito, ela é boa. Só… é intimidadora pra cacete.
concordou, apoiando o queixo na mão.
— É o tipo de pessoa que entra numa sala e muda o ar, sabe? Você sente que tem que se endireitar, cantar direito, respirar direito… até pensar direito.
— E o pior. É que ela nem precisa levantar a voz pra te deixar desconfortável. É só aquele olhar. Aquele olhar tipo “ou você faz direito, ou arranco seu fígado”. — completou, fazendo as aspas com as mãos enquanto segurava a garrafa.
— E o pior é que é bonito, né? — Harry soltou em um tom nada sutil, com um sorrisinho nos outros e os outros três olharam pra ele em silêncio. — O quê? Só tô dizendo o óbvio! — Ele se defendeu, erguendo as mãos.
Dougie jogou uma almofada nele, rolando os olhos.
— Cala a boca, Judd.
— Vocês também acharam, só não têm coragem de falar. — Ele provocou dando de ombros, enquanto tentava desviar da segunda almofada.
— Ela me corrigiu no primeiro verso e eu fiquei tão envergonhado que nem consegui olhar pra cara dela depois. — suspirou e ouviu dar uma risadinha ao seu lado.
Dougie desviou a atenção da televisão e olhou para os amigos, balançando a cabeça, concordando.
— É… acho que a moral da história é: ninguém tá a salvo.
Judd estalou a língua na boca e soltou um riso bastante irônico, sabendo que levaria almofadadas se continuasse provocando os amigos.
— Falem por vocês, eu não preciso dessa frescura toda.
— Ainda bem, né? Imagina ter que ouvir você cantar como se fosse uma galinha botando ovo. — provocou e viu quando o amigo lhe mandou o dedo do meio.
— Mas pelo menos ela não jogou nada em ninguém. Isso já é um bom começo.
O grupo caiu na risada novamente. O clima leve contrastava com o nervosismo que todos sentiram no estúdio horas antes. tinha deixado uma impressão marcante, não só pela postura, mas pela forma como parecia entender cada um deles com uma precisão quase desconcertante.
Mesmo assim, eles sabiam que ela não seria uma coach qualquer. Precisavam ser disciplinados e respeitá-la, por mais que fosse insuportável aos olhos deles. E talvez isso mudasse com o tempo.
Ou talvez, não fossem se acostumar tão logo quanto imaginavam.
ajustava alguns trechos em seu tablet, enquanto ouvia uma música baixa no celular. Estava sentada no pequeno escritório em seu quarto, imersa nos detalhes dos próximos dias de trabalho com o McFLY. Não sabia muito o que esperar deles; claro que já viu falarem bastante do grupo, e não nega que costumava ouvi-los em sua playlist. Mas lidar com os rapazes pessoalmente era totalmente diferente, precisava ser criteriosa e atenciosa. Ainda mais já sabendo como era a personalidade de cada um.
Difícil. Eles eram bastante difíceis. Pelo menos no que se diz respeito a prestar atenção e corresponder com as exigências dela.
Largou o tablet para responder às mensagens da amiga, , e fez uma pausa para que pudesse respirar. Em seu tempo livre, gostava de compartilhar memes engraçados com a garota. Percorreu pelos apps das redes sociais e ficou surpresa ao reparar que Harry e seguiram ela. Não esperava que fosse tão rápido, sabia que eles se assustaram e se sentiram intimidados com ela. Então, a resposta mais evidente seria que eles não se aproximassem com tanta rapidez e facilidade.
Como já seguia os garotos de volta, apenas sorriu e voltou a conversar com a amiga, que surtou com a novidade. era tão fã da banda quanto era boa em ser arquiteta, e estava feliz por estar trabalhando com algo que ela faria se soubesse pelo menos acertar uma nota alta.

que ficava próximo ao centro de Londres. Tinham decidido não usar o fim de semana para ensaiarem, apesar de estarem trocando ideias a respeito das novas músicas para o álbum. olhava o celular, rolando os vídeos do aplicativo. Os outros três conversavam sobre o trecho do refrão de “Sorry’s Not Good Enough” e, mesmo que Harry não fosse cantar, gostava de colaborar com a construção das faixas e era sempre mais do que bem-vindo.
— Por que tem um vídeo nosso no clipe de Lies viralizando no TikTok? — questionou com a sobrancelha franzida, chamando atenção dos amigos.
As três cabeças se viraram para ele, olhando o celular do vocalista. Era um vídeo editado, que mostrava cada um deles em momentos diferentes do clipe. A publicação tinha inúmeros comentários e mais de 20 mil curtidas.
— Deve ser uma thirst trap. — Dougie respondeu com certa naturalidade, dando de ombros e ficou com cara de tonto.
— Uma tirst–o quê? — Perguntou com um tom cômico, que fez os garotos rirem dele.
— Tipo uma “armadilha” pra caçar atenção dos fãs. — Poynter explicou de maneira breve, mas ainda assim, os três rapazes continuavam sem entender nada.
— Eu não entendi nada, cara. — Harry resmungou. — Como você sabe disso, afinal?
— Eu vi alguém comentando isso em uma publicação minha, e não me pergunte como eu ainda me lembro disso.
— Huh. Galera é doida. — voltou a atenção à tela, dando de ombros. Mas curtiu o vídeo de qualquer maneira.
— É que não chegou pra você as fanpages com legendas bastante explícitas. — acrescentou, arrumando o óculos no rosto. — Eu quase não dormi depois que descobri que existem infinitas histórias fictícias sobre a gente e que elas são bastante inapropriadas.
Dougie e Harry gargalharam do semblante de , mas já tinham ouvido falar sobre as histórias fictícias. achava tudo aquilo bastante fora do normal e não entendia nada do que se tratava todo esse “sex appeal” que causavam no público.
— Por isso eu prefiro ficar fora da internet. — Dougie completou, enquanto bebericava seu café.
— E mesmo assim, você tá bem por dentro das gírias das redes sociais, né? — apontou, rindo. Deixou o celular de lado e puxou o caderno de anotações de , olhando os trechos rabiscados.
— Não tenho culpa que tenho tempo de sobra. — Poynter levantou as mãos em rendição em riu com o amigo.
Os quatro voltaram a olhar para o papel nas mãos de e conversaram sobre as próximas estrofes e o ritmo da música. Gostavam de sair e escrever de maneira mais liberal, apesar de acabarem chamando atenção de algumas pessoas vez ou outra, principalmente com a risada alta de . Ele sempre levava uma bronca ou olhares mais apertados dos amigos, porque não sabia se controlar. O lugar normalmente recebia clientes mais velhos e que não conheciam os rapazes, mas tinham muitos fãs que sempre acabavam descobrindo onde eles estavam.
Tinham fãs que se comportavam com educação, mas também tinham fãs que os perseguiam por qualquer lugar que fossem – e aquilo se tornava um pouco desconfortável.
Harry estava voltando para casa, quando passou por , que andava pela calçada em direção ao bar que havia combinado de encontrar . O baterista parou o carro perto do meio-fio e buzinou para chamar atenção da garota, que o olhou um pouco distraída, se assustando com o barulho do veículo.
— Sério, Judd? Você quer me matar do coração? — Perguntou, aproximando-se do carro.
Harry abaixou o vidro, apoiando o cotovelo na janela.
— Ah, desculpa, achei que fosse um ladrão de microfones. — Brincou, piscando pra ela. — Tá indo pra onde sozinha a essa hora?
— Encontrar uma amiga. Num barzinho aqui perto. — Ela respondeu sorrindo.
Harry batucou os dedos contra o volante, antes de inclinar o corpo para frente e abrir a porta do passageiro num gesto automático.
— Entra aí, eu te deixo lá.
— Ah, não precisa, obrigada. Posso ir andando…É pertinho.
Harry chacoalhou a cabeça, ainda encostando no banco do passageiro.
— Pertinho, nada. É uns dez minutos andando. E vai esfriar.
Ela se deu por vencida com um suspiro, mas sorriu e entrou no carro. Sentiu o perfume dele emanando dentro do veículo, com um misto de aromatizador de ambiente. Quase quis rir – nunca conheceu um homem que gostasse desses tipos de coisa, ainda mais dentro de um carro. Mas afastou os pensamentos.
— Você é bastante insistente, né? — Ela disse, cruzando os braços com um meio sorriso.
— Faz parte do pacote de baterista e motorista ocasional. — Harry deu de ombros, divertido, arrancando um riso da garota.
— Tá bom. Mas se você começar a fazer perguntas, eu saio do carro andando.
— Fechado. Cinto, por favor. Não quero ser processado.
Os dois seguiram o caminho ao som do rádio do automóvel, que tocava alguma música da playlist de Harry, mas não quis prolongar o assunto porque ainda se sentia um pouco desconcertada. Mal havia conhecido os garotos, não se sentia tão próxima deles assim, apesar de ter ficado grata pela carona do baterista. O silêncio talvez fosse um pouco desconfortável, mas ainda assim parecia tranquilo. Quando chegaram ao bar, desatou o cinto e se inclinou um pouco em direção a ele.
— Obrigada pela carona, Harry. Não precisava se incomodar.
O músico sorriu, e lhe deu um breve aceno com a cabeça. Harry era bastante calmo, amigável e atencioso. Era assim com todo mundo, sem exceção. Costumava ser, ao lado de , o mais responsável do grupo e quem eles iam atrás quando precisavam conversar. sabia que ele era solteiro, mas se fosse pensar muito, se perguntava por que esse cara ainda estava sozinho.
— Não foi um incômodo. Fica tranquila. — O garoto sorriu pra ela de novo, e ponderou por um momento antes de deixá-la sair do carro. — E desculpa as palhaçadas, é meu jeito de lidar com as situações de vez em quando. Gosto de fazer piada e aliviar o clima tenso.
ergueu o lábio. Talvez tenha sido dura com eles nos dois dias que passou com a banda na última semana.
— Tudo bem, Judd. Acho que também fui um pouco grosseira com vocês, mas estou tentando fazer o meu trabalho.
— Vai ter que se acostumar com a gente, principalmente com o . E o Dougie. — Ele pontuou.
riu, sabendo que lidar com seria o seu maior desafio. Ele era extremamente inquieto, não cala a boca, faz piada demais. Às vezes é meio machista, o que a incomoda, mas também sabe que ele pode ser carinhoso.
Rolou os olhos ao mesmo tempo em que riu.
— Deus, vou precisar de ansiolítico!
Harry gargalhou com a resposta dela.
— Vai dar tudo certo.
Eles trocaram um sorriso amigável antes da garota sair do carro e descer. Hesitou por um segundo, observando-o com um olhar mais suave.
— Boa noite, Judd.
— Boa noite, . — Ele respondeu, observando enquanto ela entrava no bar, antes de arrancar com o carro.

se aproximou da mesa em que a amiga estava sentada. bebericava vinho, enquanto lia um livro e subiu o olhar quando viu a amiga chegando.
! — exclamou, fechando o livro. — Sentia sua falta!
se sentou na cadeira, sorrindo para a arquiteta. Estava dando graças a Deus que escolheu tirar o fim de semana para descansar.
— Como está sendo no estúdio?
— Mais intenso do que eu esperava. Eles são talentosos, mas tem dias em que parece que nada agrada.
assentiu, sorrindo.
— Normalmente músicos costumam ter uma postura meio rebelde, né? E e Dougie Poynter não são exatamente certinhos pelo que eu vejo nas redes sociais.
— Você sabe bastante deles, né? — viu o brilho nos olhos dela e riu. — Você é fanática, esqueço disso.
— Amiga, claro que sim! Me conta alguma fofoca de bastidor?
A coach riu mais ainda com o pedido da amiga, dando um gole em seu Moscow Mule antes de suspirar de novo e procurar na memória momentos com os rapazes. Rolou os olhos antes de contar.
, por exemplo, decidiu testar minha paciência com comentários… digamos, antiquados. Dougie parece sempre entediado e é um grosso quando quer.
— Dougie não aparenta ser mal-educado. Ele é sempre muito bonzinho com os fãs.
— Primeiro: Não sou fã, amiga. Quer dizer… — Ela parou para pensar por alguns segundos. — É, não diria que sou fã. Pelo menos, não fanática. E segundo: não parece nem um pouco que ele é bonzinho.
— Ah, eu sempre gostei dele. Acho meio misterioso, gostoso demais.
estreitou os olhos e chacoalhou a cabeça com o comentário. Gargalhou um pouco alto, porque diferente dela, a amiga não sabia se portar. E ela era profissional, tinha que ter respeito com quem trabalhava, então sabia se policiar melhor.
— Mas eu quero saber… no final, eles te respeitam?
— É, no começo estavam todos relutantes. Mas pelo que parece, percebo que estão começando a ouvir. Pequenas mudanças, nada dramático, mas progresso.
— Isso é ótimo! Olha, prometo que vou tentar não falar de projetos de arquitetura, mas preciso te contar: o GP da semana passada foi incrível! O duelo entre Verstappen e Leclerc… aquele ritmo, as ultrapassagens, a estratégia da equipe!
Do nada, a arquiteta mudou de assunto, o que fez rir mais uma vez. Adorava as aleatoriedades da amiga, e se divertia com as conversas.
— Você realmente ama Fórmula 1, né?
— Ah, como você adivinhou? — brincou e deu um longo suspiro. — Charles é uma gracinha.
— Você sempre consegue transformar a conversa sobre um garoto bonitinho, né? — sorriu, achando engraçado como a amiga balanceava a vida de fã e de profissional.
— Você também acha ele lindo, ! Tá querendo dizer o quê?
Não podia negar, também costumava ter momentos assim. E ainda se perguntava como conseguia ser tão séria a ponto de ser profissional o suficiente para não comentar sobre os músicos nesse sentido.
As duas passaram boa parte da noite conversando, fofocando e rindo. conseguiu se distrair do trabalho e esqueceu do McFLY naquele momento, mesmo que estivesse no grupo de mensagens dos garotos; ela teve que silenciá-lo por estar recebendo dezenas de mensagens, como se eles não passassem tempos juntos o suficiente para ficarem enchendo o chat.
Depois que chegou em casa e já estava deitada em sua cama, decidiu abrir o celular e ver o que tanto eles falavam. Ela deu uma risada.
: Alguém viu o vídeo do gato que toca piano? Haha
: Vi! O meu cachorro tentou imitar e quase quebrou a mesa hahahaha
Harry: Vocês dois e seus animais… Dougie, me diga que você não está ficando de fora disso.
Dougie: Claro que não! Só estou esperando o meu peixe aprender a fazer solo de baixo.
: Hahaha, imagina se os vizinhos escutam isso… vão achar que a gente enlouqueceu de vez hahahahaha
: Falando em enlouquecer, alguém lembra da nossa última pizza de madrugada? Isso sim foi caos total.
Harry: Eu ainda lembro do molho voando na parede… nunca mais consegui olhar pra cozinha do mesmo jeito.
Dougie: Se alguém gravou aquilo, por favor, me envia. Preciso rever a obra-prima hahahaha
: Tá bom, vou enviar, mas silêncio… nunca pode ver hehehe
: Perfeito. Silêncio garantido. O grupo virou só nosso arquivo secreto de piadas internas. Shhhh.
Percebeu como estava se sentindo mais leve, menos intimidada. Mesmo que eles não tivessem a incluído naquela conversa em si.
— Não é à toa que silenciei isso…

A luz da manhã entrava baixo pelas janelas altas do estúdio silencioso, iluminando os papéis espalhados pela mesa de som e os instrumentos. Ela aguardava os rapazes chegarem, enquanto ajudava o notebook para deixá-lo pronto para o ensaio. sentava confortavelmente em sua cadeira. Estava quieto e ainda tinha vergonha de puxar assunto com a coach, apesar de já terem trocado alguns olhares cúmplices na última semana.
e chegaram juntos, murmurando apenas um “bom dia” preguiçosamente, enquanto se arrumam em seus respectivos bancos com os instrumentos. Harry não demorou muito para chegar logo em seguida, cumprimentando , e os amigos. Estavam todos descansados, mas aparentemente ainda era difícil de funcionar durante a manhã. ainda estava tentando acordar, enquanto fazia alguns aquecimentos vocais. Esperaram Dougie, que estava atrasado quinze minutos.
Quando chegou, o baixista entrou pela sala meio envergonhado, dando um “bom dia” mais quieto e reservado. Sentou-se no banco e ajustou o baixo em seu corpo.
— Podemos começar com “Nothing”? — perguntou, ainda meio sonolento, e assentiu com um sorriso.
Os três estavam alinhados à frente de Harry, e tocaram algumas linhas da música recém-escrita. ajustava a mixagem de som conforme os acordes mudavam, enquanto observava os garotos cantarem. Ela interrompia para fazer pequenas correções, o que fazia com que eles voltassem desde o início da música. Quando Dougie recebeu a primeira sugestão, já estava zangado.
— Dougie, segura um pouco mais o final da nota. Tenta soltar mais o ar em “putting me through, oh”.
Ele suspirou pesadamente, enquanto mantinha o rosto inexpressivo.
— Sério… nada que a gente faça parece agradar você, não é?
manteve o olhar firme, sem se assustar com o tom exasperado. Já imaginava que fosse receber uma resposta atravessada hora ou outra; e que provavelmente seria Dougie o responsável pelo conflito.
— Não se trata de agradar, Dougie. É sobre fazer com que a música funcione. É por isso que estamos ensaiando.
— Tá, mesmo assim. Você fica toda hora interrompendo, parece que estamos regredindo em vez de melhorar.
Os dois vocalistas olharam para ele, com os olhos arregalados. Poynter sempre foi o mais quieto, o que chamou atenção deles foi a atitude inesperada. O silêncio que veio logo em seguida pareceu assustador, e nem mesmo se dispôs a falar qualquer tiração enquanto isso. Ela respirou fundo, não queria começar com o pé direito logo na segunda semana trabalhando com a banda.
— Olha, Poynter, sendo chata ou não, eu exijo respeito. — Ela quebrou o silêncio, e o rapaz a encarou ainda com uma expressão fechada. — Ou fazemos isso, ou eu pego minhas coisas e vou embora.
— Foi mal. — Ele murmurou, desviando o olhar dela para o próprio instrumento.
limpou a garganta, um pouco incomodado com o climão, e olhou para .
— Podemos começar de novo? Eu garanto que o Dougie não vai mais abrir a boca, não é? — O guitarrista olhou para o amigo com uma expressão totalmente dura, mas Dougie apenas deu de ombros.
Ainda estava um pouco embaraçado com a situação, mesmo que tivesse se desculpado. Só queria acabar logo com aquela porra daquele ensaio e ir para casa logo. A coach chacoalhou a cabeça, olhando para trás em direção a , que esperou para que ela lhe desse o sinal certo.
O músico ajustou o microfone, concentrando-se no timing, e os quatro voltaram a tocar a faixa desde o começo. começou a conduzi-los com cuidado, apontando apenas algumas correções durante o ensaio.
, segura um pouco mais o final da nota, senão o refrão perde sustentação. , respira antes de começar a frase, assim não vai tropeçar na letra.
A garota mantinha sua postura firme, com o tom de voz mais encorajador, mesmo que tivesse acabado de dar uma bronca em Dougie Poynter. As notas começaram a se encaixar e o silêncio foi se tornando menor aos poucos. Um pouco afastado, o garoto parecia meio deslocado e ela percebeu que ele se mantinha mais atento, mesmo que estivesse irritado ainda.
Ele ainda acompanhava as pausas e as retomadas, com um olhar quase absorvendo as instruções sem reclamar.
— Isso mesmo, garotos. Estão começando a se ouvir melhor, amanhã vamos fazer mais algumas tentativas dessa música; seria legal tentar manter esse foco.
Os rapazes deixaram o estúdio não muito tempo depois, deixando o ambiente silencioso apenas com os instrumentos desligados e alguns papéis espalhados sobre a mesa de som. se sentia cansada. Estava sentada e anotando observações sobre os ensaios do dia. Elas pontuavam harmonias, ajustes da respiração de cada um, além dos destaques de cada membro.
aproximou-se devagar, segurando uma pasta, e sentou-se ao lado da colega.
— Como acha que foi hoje? — Ele perguntou, tentando interpretar a expressão dela, sem invadir seu espaço pessoal.
— Difícil. — Ela suspirou. — Você viu que é complicado, nunca pensei que tivesse que lidar com músicos que agem como adolescentes.
— Sim, o clima estava meio pesado de manhã. — concordou cautelosamente e viu que a coach estava realmente exausta.
Os dois ficaram em silêncio por um momento enquanto ela olhava para os papéis a sua frente.
— Você acha que eles vão reagir bem ao longo do processo? — perguntou, curioso.
— Eu espero que sim. — admitiu, sorrindo fraco para ele. — Eu sei que é só questão de tempo, hoje foi bem complicado, mas senti que algumas mudanças já começaram a tomar forma. O problema mesmo é o Dougie.
Ele riu baixinho.
— Esse vai ser difícil.
— Nem me fale. E bastante desafiador. Se ele brincar demais, vai ouvir de novo. Já aprendeu hoje que não pode ser grosso e mal-educado.
Ela sentiu uma mistura estranha de satisfação e cansaço quando olhou ao redor do estúdio. Fechou o notebook, organizando as folhas bagunçadas.
— Amanhã será outro dia, acho que eles vão acabar te respeitando. Sabem que precisam.
Naquele dia, ofereceu carona para levá-la embora e, mesmo relutante, aceitou a oferta. Foram conversando durante o caminho e percebeu que o rapaz também parecia um pouco tímido, como se estar fora da própria zona de conforto fosse mais desafiador do que realmente pensasse. Ela ficou mais aliviada de saber que não era a única que se sentia daquela maneira. E mais feliz por fazer amizade em meio a todo aquele caos. Tinha alguém com quem conversar e desabafar, se precisasse. E principalmente xingar.
Céus, queria muito poder ser desbocada com alguém que lidava com os músicos e foi o escolhido. O francês sorriu consigo mesmo, precisava de alguém com quem desabafar também. O trabalho não era fácil.



CONTINUA...


Nota da autora: Sem nota!


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