Capítulo 1
O som dos instrumentos atravessava a porta grossa do estúdio de maneira abafada, vibrando contra o vídeo. parou diante dela, respirando fundo uma, duas vezes, enquanto ajeitava a pasta de anotações junto ao peito. Sentia que havia algo indecifrável no ar – talvez fosse o nervosismo ou o medo de lidar com uma nova fase que estava para iniciar. Sabia que as coisas eram tudo, menos simples.
Conseguia ouvi-los do outro lado.
— Não, cara, o tom cai no meio do refrão! — reclamou, enquanto largava os fones sobre a mesa.
— Vocês querem gravar de novo? — Harry perguntou, girando as baquetas entre os dedos, suspirando. — Já é a quinta vez hoje.
— É a quinta vez errada. — respondeu, exausto. Olhava para a tela do computador onde as ondas de som pareciam mais caóticas do que musicais.
— Claro que tá errado, e a culpa é tua, Dougie!
O loiro ergueu uma sobrancelha, incrédulo, e se virou para o amigo bruscamente.
— Minha? Eu nem sou o vocalista principal, porra! No máximo, eu sou o eco do eco do refrão, .
— “Eco do eco” coisa nenhuma! — O guitarrista rebateu, usando o indicador enquanto apontava para o amigo. — Você entra na hora errada e eu fico parecendo um gato sendo atropelado!
Harry ajeitou-se no banco atrás dos amigos e soltou uma risada abafada.
— Você é tecnicamente o gato, . O Poynter só toca baixo e tenta acompanhar a sua afinação. Que, convenhamos, é impossível.
— Obrigado pelo apoio, Judd — murmurou, revirando os olhos. — Isso vindo de quem bate em coisas com pedaço de pau não conta muito.
— É, mas pelo menos eu bato no ritmo certo. — O baterista riu alto da atitude do amigo.
apenas ria enquanto observava o desenrolar do conflito.
— Mano, sério, eu não entendo por que a gente sempre tem que discutir quando o refrão não funciona. — Dougie bufou, passando a mão nos cabelos.
— Porque é sempre o refrão que não funciona. E adivinha quem fez o backing no refrão? — argumentou, retrucando com o baixista.
— Quer que eu cante o lead também, já que você tá tão perdido? — Ele perguntou, rindo sem humor enquanto se endireitava em seu banco.
jurou que o culpado fosse Dougie, mas os garotos não queriam acusá-lo sem as devidas provas. Então olharam em direção a , responsável por ser engenheiro de som e técnico de gravação. O francês estava se divertindo com toda aquela discussão, segurando o riso para não gargalhar na frente dos garotos, que o olhavam em expectativa. Ele apertou o botão de play e a música começou a tocar; os quatro foram pegos de surpresa quando a voz de subiu meio tom além do planejado durante o refrão.
Harry riu tanto que quase caiu do banco de tanto rir.
— Caramba, parece um galo às seis da manhã, cara. Isso aí parece o despertador do inferno!
O vocalista lançou uma almofada em direção ao amigo, mas acabou rindo, se rendendo ao conflito.
— Tá bom, tá bom. Talvez eu tenha me empolgado um pouco.
Dougie sorriu, satisfeito, e cruzou os braços.
— “Empolgado”? Eu chamo isso de assassinato melódico.
— Eu sempre soube que o culpado seria você, cara. — afirmou rindo baixo e balançando a cabeça.
ainda não tinha entrado. Observava a cena através da janela os quatro homens, cada um em seu próprio universo; nem tentavam disfarçar o cansaço que estampavam os rostos bem-humorados. A gravadora havia avisado: o cronograma estava apertado, e eles precisavam de alguém para "colocar as vozes em ordem". E esse alguém, no caso, era ela.
Ao abrir a porta, foi recebida pelo cheiro de café requentado, uma mistura de perfume masculino e madeira. foi o primeiro a notá-la, levantando-se em um reflexo educado.
— ?
Ela assentiu com um sorriso profissional e se aproximou do cantor, que a cumprimentou em um breve aperto de mão.
— Vim ajudar vocês com o arranjo de voz.
— Ah, ótimo. Mais uma mulher pra querer mandar na gente. — murmurou próximo de Harry, que lhe deu um tapa na cabeça.
— Não seja machista, idiota. — Ele repreendeu o amigo, que encolheu os ombros e permaneceu quieto.
O vocalista suspirou e tentou parecer amigável.
— Vai nos dizer que estamos fazendo tudo errado? — Ele perguntou.
— Eu não costumo dizer que está errado. Só mostro como pode soar melhor.
Dougie estava encostado na parede com o baixo pendurado no corpo, observava em silêncio, apesar do olhar curioso e um pouco desconfiado.
— A gente já soa bem. Só pra constar. — Ele disse isso sem arrogância, mas com aquela autoconfiança que beirava a provocação.
colocou a pasta sobre a mesa de som e sorriu.
— Então vai ser fácil. Porque se já soa bem, imagina quando estiver afinado.
O silêncio que veio depois foi quase audível. abafou um riso. virou os olhos. Harry balançou a cabeça, divertido. Os garotos se entreolharam em um misto de apreensão e curiosidade. Já haviam começado o dia com um toque de constrangimento. , e Poynter se ajeitaram em seus respectivos bancos e limparam a garganta quando viram que ela abriu o caderno; estavam tentando ignorar a tensão.
pediu para eles começarem pela faixa principal e ajustou o microfone. Eles tentavam disfarçar as trocas de olhares, meio nervosos, antes de voltarem a cantar. A garota percebeu que, a base estava perdida no meio da pressa, apesar de estar boa o suficiente. Esperou o refrão para poder comentar.
— As harmonias estão se atropelando, acho que estão cantando sem ouvir uns aos outros.
rolou os olhos, e mordeu a língua antes de fazer algum comentário babaca.
— A gente não precisa de coral de igreja, senhorita , isso aqui é rock.
— Rock também precisa de respiração, . — Ela cruzou os braços. — Não é só barulho.
Dougie deixou escapar um riso quase inaudível, mas que chamou atenção de . Ela virou a cabeça em sua direção e arqueou uma sobrancelha.
— O que foi? — Perguntou.
— Nada. — Ele deu de ombros. — Só achei engraçado o “rock precisa respirar”. Nunca ouvi ninguém dizer isso.
— Talvez vocês não tenham parado para ouvir um ao outro.
O olhar dos dois se manteve firme, enquanto o estúdio parecia menor e mais tenso. Se encaravam como se estivessem esperando qual dos dois iria recuar primeiro, mas quebrou o silêncio ao pigarrear.
— , você pode nos orientar nessa parte?
Ela se aproximou dos microfones e assentiu. Estava segura do que estava fazendo, mas se sentia intimidada pelos rapazes, porque percebeu que eles não seguravam as respostas atravessadas e as brincadeiras bestas. Principalmente quando se tratava de .
— Podem cantar o refrão separado primeiro? Preciso ouvir o timbre e o ponto de respiração de vocês. Depois a gente monta o arranjo.
— Isso vai demorar. — ergueu as mãos, um sorriso meio desconfortável plantado em seus lábios.
Estavam a um mês de começarem a turnê, e precisavam treinar as vozes; não só pelos shows, mas para o próximo álbum em que estavam trabalhando. Não era por pouco que estavam tão cansados e estressados com toda a correria da agenda.
— Vai soar melhor. E vocês têm um mês. Então, sim, vai demorar um pouco.
Harry sussurrou algo para Dougie, que riu sem discrição, mas não quis se intrometer. Estava focada no trabalho que teria com eles. Colocou os fones e a música começou de novo. A atmosfera se transformou nos minutos seguintes e o lugar foi substituído por um silêncio atento. Embora Poynter estivesse se sentindo resistente à ideia de precisar de ajuda, esforçou-se para cantar diferente e ela percebeu cada detalhe.
Fez uma anotação sem olhar para eles, mas sabia que eles a encaravam com certa expectativa.
— Melhor. — Afirmou, apenas. O comentário simples chamou a atenção até de , mas ele preferiu não retrucar.
— Só “melhor”? — Dougie perguntou e arqueou uma sobrancelha, deu de ombros.
— Ainda não é o ideal, mas é um começo.
Ele sorriu de canto, aceitando o desafio.
— Então tá. Vamos ver até onde você aguenta.
— Até o som ficar perfeito. — Ela o encarou firme.
— Você é mais exigente do que imaginei. — falou com um sorriso de canto, dedilhando algum trecho em seu instrumento.
bufou, mas tentou se manter calma.
— É meu trabalho, precisa ser perfeito.
Mesmo que ninguém dissesse em voz alta, naquele instante todos souberam que a gravação do álbum seria um campo de batalha. E a preparação para a turnê seria uma tortura sem volta.
As horas seguintes correram em momentos confusos entre uma mistura de fones, som, pausas e anotações; enquanto sentava-se em frente a mesa de som e alternava o olhar entre os quatro homens adiante dela e o notebook. Percebeu como cada um tinha um ritmo e um temperamento diferente, era quase estressante.
era ansioso e queria gravar tudo de uma vez; , mais meticuloso, analisava cada linha das passagens; Harry aproveitava o posto de baterista e fazia piadas no meio das pausas, enquanto Dougie ficava entre a concentração e o tédio. Os dedos do garoto brincavam com a corda do instrumento mesmo quando não era seu momento de tocar. Após um intervalo – considerado curto pelos quatro –, eles voltaram ao ensaio.
— Certo, vamos voltar à ponte. Agora quero ouvir e juntos. — disse, enquanto anotava algo na folha à sua frente.
bufou, já estava impaciente, e apenas assentiu. Quando cantaram, ergueu a mão discretamente, pedindo que parassem. derrubou a cabeça e bateu a testa ao microfone, causando um barulho quase estridente dentro da sala.
— , você entra um compasso antes. É por isso que o final parece atropelado. — Ela se aproximou, sem levantar o tom. — Tenta contar dois tempos antes de começar.
Ele imitou a contagem, sorrindo de lado, e a garota concordou. Ele tentou mais uma vez, e o refrão se encaixou perfeitamente com a melodia do amigo, causando um sorriso de satisfação em .
— Muito melhor, garotos! O timbre de vocês combina bem, mas precisa respirar junto.
Harry bateu as baquetas no joelho, animado, e apontou para .
— Tá vendo? Falei que o problema era o .
— O problema é todo mundo. — respondeu com naturalidade, arrancando uma risada coletiva.
— Até eu? — O baterista perguntou, na defensiva. Sua cara demonstrava insatisfação, o que arrancou gargalhadas dos amigos.
— Você não canta, mas faz piadas demais, Judd.
— É meu papel pra quebrar o climão. — Ele deu de ombros.
sorriu de lado e tombou a cabeça, sentindo pena da expressão do baterista.
— Tudo tem sua hora, Harry.
Até Dougie riu. Um riso curto, surpreso, mas sincero. percebeu, sem comentar.
O momento durou pouco, já que logo em seguida ela o chamou para testar uma linha de um vocal mais baixo que ajudaria a sustentar o refrão.
— Quero que experimente segurar a nota aqui em “but you chose to let me down, down, down”. Mantém o ar e pensa como se fosse um baixo de voz, não de instrumento. — Disse ela, apontando para o papel.
O garoto inclinou a cabeça e coçou o queixo.
— Nunca pensei em cantar como se tocasse.
— Então é hora de tentar.
Ele obedeceu, e a sala se encheu daquele som grave e aveludado. sorriu sem disfarçar.
— É isso. É exatamente esse o som que faltava.
Ele deu um sorriso meio envergonhado, ganhando uns acenos dos amigos.
— Tá vendo? Às vezes eu acerto.
— Quase sempre, pelo que ouvi até agora.
Foi a primeira troca leve entre eles que não fosse carregada de ironia, nem disputa. Só a música. O sol do fim de tarde atravessava o vidro do estúdio, marcando o chão com uma cor dourada. Os artistas já estavam com as vozes roucas, mas o clima já havia mudado completamente – estavam rindo mais e a pressão pareceu menor.
— A boa notícia é que vocês têm potencial. A má é que precisam dormir e beber água antes de tentar de novo.
— Dormir é overrated. — Harry disse, esticando-se na cadeira.
— Então pelo menos água. Não dá pra desmaiar na turnê.
ainda dedilhava a guitarra, inquieto.
— Posso tentar uma última coisa?
riu baixo.
— Uma. Prometo que se for boa, deixo você quebrar o cronograma amanhã.
Ele se animou com a provocação e começou a tocar. e Dougie acompanharam, improvisando. observava, anotando pequenas ideias no caderno. Reparou que as harmonias que poderiam encaixar, frases melódicas que surgiam espontaneamente. Eles tinham muito potencial como uma banda, principalmente depois de terem se tornado independentes.
O improviso acabou terminando com risadas e aplausos.
— Não sei o que você tanto anota aí. — Harry comentou, curioso, o queixo apontado para o bloco de .
— Segredo de profissional. — Ela sorriu de maneira nociva e ele ergueu as sobrancelhas. — Relaxa, é só o que tem funcionado. E o que não funciona também. Mas, de modo geral, é mais sobre elogio. Então, aproveitem.
Quando o estúdio ficou quase vazio, mais tarde, ela aproveitou para ficar e revisar os áudios. A sala vazia foi tomada pelo zumbido dos alto-falantes apenas. Viu passar pela porta antes de ir embora, e ele sorriu.
— Obrigado por hoje. Acho que eles precisavam de alguém que os fizesse ouvir. Literalmente.
Ela sorriu de volta, mas sem tirar os olhos da tela do computador.
— Vocês têm talento de sobra, só precisam de uma direção melhor.
— E paciência. — Ele piscou. — Boa sorte com isso.
Esperou o rapaz sair e soltou um suspiro leve; estava satisfeita, apesar de bastante cansada. Já tinha ciência do tanto que seria puxado trabalhar e lidar com quatro personalidades tão intensas, jamais seria simples. Mas tinha algo ali que a desafiava de uma boa maneira. Ela aumentou o volume do som e ouviu as vozes individualmente, preenchendo o ambiente. Todas soavam firmes, e ela sorriu sozinha pela primeira vez desde que tinha começado o novo projeto.
A casa de Harry estava tomada por uma energia caótica, como sempre. Os garotos faziam bagunça quando estavam juntos. Estavam jogados em sofás diferentes, comidas espalhadas pela mesa de centro. A risada alta de ecoava pelo ambiente, e as garrafas de cerveja quase chegavam ao fim antes mesmo de terminarem a partida de futebol no videogame. O assunto principal, naquela noite, era obviamente a respeito do treinamento com a coach. Dougie segurava uma garrafa de cerveja na mão enquanto se reclinava no sofá, bagunçando os cabelos.
— Cara… eu juro que nunca vi alguém olhar pra gente daquele jeito — Começou ele, balançando a cabeça devagar. — Aquela mulher tem o olhar de quem poderia te demitir de uma turnê com uma única sobrancelha arqueada.
Harry riu alto, estalando os dedos e se jogando de lado no sofá.
— “Respirem pelo diafragma, meninos.” — Imitou ele, cruzando as pernas e fazendo uma pose debochada, o sotaque de saindo arrastado e quase teatral. — Ainda bem que eu sou só o baterista.
Os amigos o vaiaram e ele foi atingido por diversos salgadinhos no rosto e na cabeça, rindo ainda mais alto da cara que fazia, mesmo que o vocalista estivesse tentando segurar o riso.
— Sorte a sua, seu idiota. Eu tava esperando o momento em que ela ia mandar a gente fazer ioga no meio do estúdio. Aquela calma dela é assustadora. Parece que sabe o que a gente tá fazendo de errado antes mesmo da gente abrir a boca.
— E sabe mesmo — Dougie interrompeu, com um meio sorriso. Segurou o controle para inicar outra partida. — Ela me corrigiu antes de eu começar a cantar. Tipo, antes. Como é possível isso?
Eles estavam se divertindo, mas Poynter sabia que teria um período difícil com ela. Logo de cara, já a achava chata e exigente demais. Não parecia ter senso de humor e, se duvidasse, não sabia nem o que era sorrir.
ergueu uma sobrancelha.
— É, mas você mereceu. Você fez aquela cara de “não preciso de aquecimento vocal”, e ela percebeu.
— Eu não fiz cara nenhuma. — Ele retrucou, tentando parecer ofendido. — Só tava… pensando.
— Pensando em como fugir da aula — Harry completou, fazendo os outros dois amigos rirem.
Dougie bufou, mas o canto da boca traiu um sorriso.
— Tá, admito, ela é boa. Só… é intimidadora pra cacete.
concordou, apoiando o queixo na mão.
— É o tipo de pessoa que entra numa sala e muda o ar, sabe? Você sente que tem que se endireitar, cantar direito, respirar direito… até pensar direito.
— E o pior. É que ela nem precisa levantar a voz pra te deixar desconfortável. É só aquele olhar. Aquele olhar tipo “ou você faz direito, ou arranco seu fígado”. — completou, fazendo as aspas com as mãos enquanto segurava a garrafa.
— E o pior é que é bonito, né? — Harry soltou em um tom nada sutil, com um sorrisinho nos outros e os outros três olharam pra ele em silêncio. — O quê? Só tô dizendo o óbvio! — Ele se defendeu, erguendo as mãos.
Dougie jogou uma almofada nele, rolando os olhos.
— Cala a boca, Judd.
— Vocês também acharam, só não têm coragem de falar. — Ele provocou dando de ombros, enquanto tentava desviar da segunda almofada.
— Ela me corrigiu no primeiro verso e eu fiquei tão envergonhado que nem consegui olhar pra cara dela depois. — suspirou e ouviu dar uma risadinha ao seu lado.
Dougie desviou a atenção da televisão e olhou para os amigos, balançando a cabeça, concordando.
— É… acho que a moral da história é: ninguém tá a salvo.
Judd estalou a língua na boca e soltou um riso bastante irônico, sabendo que levaria almofadadas se continuasse provocando os amigos.
— Falem por vocês, eu não preciso dessa frescura toda.
— Ainda bem, né? Imagina ter que ouvir você cantar como se fosse uma galinha botando ovo. — provocou e viu quando o amigo lhe mandou o dedo do meio.
— Mas pelo menos ela não jogou nada em ninguém. Isso já é um bom começo.
O grupo caiu na risada novamente. O clima leve contrastava com o nervosismo que todos sentiram no estúdio horas antes. tinha deixado uma impressão marcante, não só pela postura, mas pela forma como parecia entender cada um deles com uma precisão quase desconcertante.
Mesmo assim, eles sabiam que ela não seria uma coach qualquer. Precisavam ser disciplinados e respeitá-la, por mais que fosse insuportável aos olhos deles. E talvez isso mudasse com o tempo.
Ou talvez, não fossem se acostumar tão logo quanto imaginavam.
ajustava alguns trechos em seu tablet, enquanto ouvia uma música baixa no celular. Estava sentada no pequeno escritório em seu quarto, imersa nos detalhes dos próximos dias de trabalho com o McFLY. Não sabia muito o que esperar deles; claro que já viu falarem bastante do grupo, e não nega que costumava ouvi-los em sua playlist. Mas lidar com os rapazes pessoalmente era totalmente diferente, precisava ser criteriosa e atenciosa. Ainda mais já sabendo como era a personalidade de cada um.
Difícil. Eles eram bastante difíceis. Pelo menos no que se diz respeito a prestar atenção e corresponder com as exigências dela.
Largou o tablet para responder às mensagens da amiga, , e fez uma pausa para que pudesse respirar. Em seu tempo livre, gostava de compartilhar memes engraçados com a garota. Percorreu pelos apps das redes sociais e ficou surpresa ao reparar que Harry e seguiram ela. Não esperava que fosse tão rápido, sabia que eles se assustaram e se sentiram intimidados com ela. Então, a resposta mais evidente seria que eles não se aproximassem com tanta rapidez e facilidade.
Como já seguia os garotos de volta, apenas sorriu e voltou a conversar com a amiga, que surtou com a novidade. era tão fã da banda quanto era boa em ser arquiteta, e estava feliz por estar trabalhando com algo que ela faria se soubesse pelo menos acertar uma nota alta.
Conseguia ouvi-los do outro lado.
— Não, cara, o tom cai no meio do refrão! — reclamou, enquanto largava os fones sobre a mesa.
— Vocês querem gravar de novo? — Harry perguntou, girando as baquetas entre os dedos, suspirando. — Já é a quinta vez hoje.
— É a quinta vez errada. — respondeu, exausto. Olhava para a tela do computador onde as ondas de som pareciam mais caóticas do que musicais.
— Claro que tá errado, e a culpa é tua, Dougie!
O loiro ergueu uma sobrancelha, incrédulo, e se virou para o amigo bruscamente.
— Minha? Eu nem sou o vocalista principal, porra! No máximo, eu sou o eco do eco do refrão, .
— “Eco do eco” coisa nenhuma! — O guitarrista rebateu, usando o indicador enquanto apontava para o amigo. — Você entra na hora errada e eu fico parecendo um gato sendo atropelado!
Harry ajeitou-se no banco atrás dos amigos e soltou uma risada abafada.
— Você é tecnicamente o gato, . O Poynter só toca baixo e tenta acompanhar a sua afinação. Que, convenhamos, é impossível.
— Obrigado pelo apoio, Judd — murmurou, revirando os olhos. — Isso vindo de quem bate em coisas com pedaço de pau não conta muito.
— É, mas pelo menos eu bato no ritmo certo. — O baterista riu alto da atitude do amigo.
apenas ria enquanto observava o desenrolar do conflito.
— Mano, sério, eu não entendo por que a gente sempre tem que discutir quando o refrão não funciona. — Dougie bufou, passando a mão nos cabelos.
— Porque é sempre o refrão que não funciona. E adivinha quem fez o backing no refrão? — argumentou, retrucando com o baixista.
— Quer que eu cante o lead também, já que você tá tão perdido? — Ele perguntou, rindo sem humor enquanto se endireitava em seu banco.
jurou que o culpado fosse Dougie, mas os garotos não queriam acusá-lo sem as devidas provas. Então olharam em direção a , responsável por ser engenheiro de som e técnico de gravação. O francês estava se divertindo com toda aquela discussão, segurando o riso para não gargalhar na frente dos garotos, que o olhavam em expectativa. Ele apertou o botão de play e a música começou a tocar; os quatro foram pegos de surpresa quando a voz de subiu meio tom além do planejado durante o refrão.
Harry riu tanto que quase caiu do banco de tanto rir.
— Caramba, parece um galo às seis da manhã, cara. Isso aí parece o despertador do inferno!
O vocalista lançou uma almofada em direção ao amigo, mas acabou rindo, se rendendo ao conflito.
— Tá bom, tá bom. Talvez eu tenha me empolgado um pouco.
Dougie sorriu, satisfeito, e cruzou os braços.
— “Empolgado”? Eu chamo isso de assassinato melódico.
— Eu sempre soube que o culpado seria você, cara. — afirmou rindo baixo e balançando a cabeça.
ainda não tinha entrado. Observava a cena através da janela os quatro homens, cada um em seu próprio universo; nem tentavam disfarçar o cansaço que estampavam os rostos bem-humorados. A gravadora havia avisado: o cronograma estava apertado, e eles precisavam de alguém para "colocar as vozes em ordem". E esse alguém, no caso, era ela.
Ao abrir a porta, foi recebida pelo cheiro de café requentado, uma mistura de perfume masculino e madeira. foi o primeiro a notá-la, levantando-se em um reflexo educado.
— ?
Ela assentiu com um sorriso profissional e se aproximou do cantor, que a cumprimentou em um breve aperto de mão.
— Vim ajudar vocês com o arranjo de voz.
— Ah, ótimo. Mais uma mulher pra querer mandar na gente. — murmurou próximo de Harry, que lhe deu um tapa na cabeça.
— Não seja machista, idiota. — Ele repreendeu o amigo, que encolheu os ombros e permaneceu quieto.
O vocalista suspirou e tentou parecer amigável.
— Vai nos dizer que estamos fazendo tudo errado? — Ele perguntou.
— Eu não costumo dizer que está errado. Só mostro como pode soar melhor.
Dougie estava encostado na parede com o baixo pendurado no corpo, observava em silêncio, apesar do olhar curioso e um pouco desconfiado.
— A gente já soa bem. Só pra constar. — Ele disse isso sem arrogância, mas com aquela autoconfiança que beirava a provocação.
colocou a pasta sobre a mesa de som e sorriu.
— Então vai ser fácil. Porque se já soa bem, imagina quando estiver afinado.
O silêncio que veio depois foi quase audível. abafou um riso. virou os olhos. Harry balançou a cabeça, divertido. Os garotos se entreolharam em um misto de apreensão e curiosidade. Já haviam começado o dia com um toque de constrangimento. , e Poynter se ajeitaram em seus respectivos bancos e limparam a garganta quando viram que ela abriu o caderno; estavam tentando ignorar a tensão.
pediu para eles começarem pela faixa principal e ajustou o microfone. Eles tentavam disfarçar as trocas de olhares, meio nervosos, antes de voltarem a cantar. A garota percebeu que, a base estava perdida no meio da pressa, apesar de estar boa o suficiente. Esperou o refrão para poder comentar.
— As harmonias estão se atropelando, acho que estão cantando sem ouvir uns aos outros.
rolou os olhos, e mordeu a língua antes de fazer algum comentário babaca.
— A gente não precisa de coral de igreja, senhorita , isso aqui é rock.
— Rock também precisa de respiração, . — Ela cruzou os braços. — Não é só barulho.
Dougie deixou escapar um riso quase inaudível, mas que chamou atenção de . Ela virou a cabeça em sua direção e arqueou uma sobrancelha.
— O que foi? — Perguntou.
— Nada. — Ele deu de ombros. — Só achei engraçado o “rock precisa respirar”. Nunca ouvi ninguém dizer isso.
— Talvez vocês não tenham parado para ouvir um ao outro.
O olhar dos dois se manteve firme, enquanto o estúdio parecia menor e mais tenso. Se encaravam como se estivessem esperando qual dos dois iria recuar primeiro, mas quebrou o silêncio ao pigarrear.
— , você pode nos orientar nessa parte?
Ela se aproximou dos microfones e assentiu. Estava segura do que estava fazendo, mas se sentia intimidada pelos rapazes, porque percebeu que eles não seguravam as respostas atravessadas e as brincadeiras bestas. Principalmente quando se tratava de .
— Podem cantar o refrão separado primeiro? Preciso ouvir o timbre e o ponto de respiração de vocês. Depois a gente monta o arranjo.
— Isso vai demorar. — ergueu as mãos, um sorriso meio desconfortável plantado em seus lábios.
Estavam a um mês de começarem a turnê, e precisavam treinar as vozes; não só pelos shows, mas para o próximo álbum em que estavam trabalhando. Não era por pouco que estavam tão cansados e estressados com toda a correria da agenda.
— Vai soar melhor. E vocês têm um mês. Então, sim, vai demorar um pouco.
Harry sussurrou algo para Dougie, que riu sem discrição, mas não quis se intrometer. Estava focada no trabalho que teria com eles. Colocou os fones e a música começou de novo. A atmosfera se transformou nos minutos seguintes e o lugar foi substituído por um silêncio atento. Embora Poynter estivesse se sentindo resistente à ideia de precisar de ajuda, esforçou-se para cantar diferente e ela percebeu cada detalhe.
Fez uma anotação sem olhar para eles, mas sabia que eles a encaravam com certa expectativa.
— Melhor. — Afirmou, apenas. O comentário simples chamou a atenção até de , mas ele preferiu não retrucar.
— Só “melhor”? — Dougie perguntou e arqueou uma sobrancelha, deu de ombros.
— Ainda não é o ideal, mas é um começo.
Ele sorriu de canto, aceitando o desafio.
— Então tá. Vamos ver até onde você aguenta.
— Até o som ficar perfeito. — Ela o encarou firme.
— Você é mais exigente do que imaginei. — falou com um sorriso de canto, dedilhando algum trecho em seu instrumento.
bufou, mas tentou se manter calma.
— É meu trabalho, precisa ser perfeito.
Mesmo que ninguém dissesse em voz alta, naquele instante todos souberam que a gravação do álbum seria um campo de batalha. E a preparação para a turnê seria uma tortura sem volta.
As horas seguintes correram em momentos confusos entre uma mistura de fones, som, pausas e anotações; enquanto sentava-se em frente a mesa de som e alternava o olhar entre os quatro homens adiante dela e o notebook. Percebeu como cada um tinha um ritmo e um temperamento diferente, era quase estressante.
era ansioso e queria gravar tudo de uma vez; , mais meticuloso, analisava cada linha das passagens; Harry aproveitava o posto de baterista e fazia piadas no meio das pausas, enquanto Dougie ficava entre a concentração e o tédio. Os dedos do garoto brincavam com a corda do instrumento mesmo quando não era seu momento de tocar. Após um intervalo – considerado curto pelos quatro –, eles voltaram ao ensaio.
— Certo, vamos voltar à ponte. Agora quero ouvir e juntos. — disse, enquanto anotava algo na folha à sua frente.
bufou, já estava impaciente, e apenas assentiu. Quando cantaram, ergueu a mão discretamente, pedindo que parassem. derrubou a cabeça e bateu a testa ao microfone, causando um barulho quase estridente dentro da sala.
— , você entra um compasso antes. É por isso que o final parece atropelado. — Ela se aproximou, sem levantar o tom. — Tenta contar dois tempos antes de começar.
Ele imitou a contagem, sorrindo de lado, e a garota concordou. Ele tentou mais uma vez, e o refrão se encaixou perfeitamente com a melodia do amigo, causando um sorriso de satisfação em .
— Muito melhor, garotos! O timbre de vocês combina bem, mas precisa respirar junto.
Harry bateu as baquetas no joelho, animado, e apontou para .
— Tá vendo? Falei que o problema era o .
— O problema é todo mundo. — respondeu com naturalidade, arrancando uma risada coletiva.
— Até eu? — O baterista perguntou, na defensiva. Sua cara demonstrava insatisfação, o que arrancou gargalhadas dos amigos.
— Você não canta, mas faz piadas demais, Judd.
— É meu papel pra quebrar o climão. — Ele deu de ombros.
sorriu de lado e tombou a cabeça, sentindo pena da expressão do baterista.
— Tudo tem sua hora, Harry.
Até Dougie riu. Um riso curto, surpreso, mas sincero. percebeu, sem comentar.
O momento durou pouco, já que logo em seguida ela o chamou para testar uma linha de um vocal mais baixo que ajudaria a sustentar o refrão.
— Quero que experimente segurar a nota aqui em “but you chose to let me down, down, down”. Mantém o ar e pensa como se fosse um baixo de voz, não de instrumento. — Disse ela, apontando para o papel.
O garoto inclinou a cabeça e coçou o queixo.
— Nunca pensei em cantar como se tocasse.
— Então é hora de tentar.
Ele obedeceu, e a sala se encheu daquele som grave e aveludado. sorriu sem disfarçar.
— É isso. É exatamente esse o som que faltava.
Ele deu um sorriso meio envergonhado, ganhando uns acenos dos amigos.
— Tá vendo? Às vezes eu acerto.
— Quase sempre, pelo que ouvi até agora.
Foi a primeira troca leve entre eles que não fosse carregada de ironia, nem disputa. Só a música. O sol do fim de tarde atravessava o vidro do estúdio, marcando o chão com uma cor dourada. Os artistas já estavam com as vozes roucas, mas o clima já havia mudado completamente – estavam rindo mais e a pressão pareceu menor.
— A boa notícia é que vocês têm potencial. A má é que precisam dormir e beber água antes de tentar de novo.
— Dormir é overrated. — Harry disse, esticando-se na cadeira.
— Então pelo menos água. Não dá pra desmaiar na turnê.
ainda dedilhava a guitarra, inquieto.
— Posso tentar uma última coisa?
riu baixo.
— Uma. Prometo que se for boa, deixo você quebrar o cronograma amanhã.
Ele se animou com a provocação e começou a tocar. e Dougie acompanharam, improvisando. observava, anotando pequenas ideias no caderno. Reparou que as harmonias que poderiam encaixar, frases melódicas que surgiam espontaneamente. Eles tinham muito potencial como uma banda, principalmente depois de terem se tornado independentes.
O improviso acabou terminando com risadas e aplausos.
— Não sei o que você tanto anota aí. — Harry comentou, curioso, o queixo apontado para o bloco de .
— Segredo de profissional. — Ela sorriu de maneira nociva e ele ergueu as sobrancelhas. — Relaxa, é só o que tem funcionado. E o que não funciona também. Mas, de modo geral, é mais sobre elogio. Então, aproveitem.
Quando o estúdio ficou quase vazio, mais tarde, ela aproveitou para ficar e revisar os áudios. A sala vazia foi tomada pelo zumbido dos alto-falantes apenas. Viu passar pela porta antes de ir embora, e ele sorriu.
— Obrigado por hoje. Acho que eles precisavam de alguém que os fizesse ouvir. Literalmente.
Ela sorriu de volta, mas sem tirar os olhos da tela do computador.
— Vocês têm talento de sobra, só precisam de uma direção melhor.
— E paciência. — Ele piscou. — Boa sorte com isso.
Esperou o rapaz sair e soltou um suspiro leve; estava satisfeita, apesar de bastante cansada. Já tinha ciência do tanto que seria puxado trabalhar e lidar com quatro personalidades tão intensas, jamais seria simples. Mas tinha algo ali que a desafiava de uma boa maneira. Ela aumentou o volume do som e ouviu as vozes individualmente, preenchendo o ambiente. Todas soavam firmes, e ela sorriu sozinha pela primeira vez desde que tinha começado o novo projeto.
A casa de Harry estava tomada por uma energia caótica, como sempre. Os garotos faziam bagunça quando estavam juntos. Estavam jogados em sofás diferentes, comidas espalhadas pela mesa de centro. A risada alta de ecoava pelo ambiente, e as garrafas de cerveja quase chegavam ao fim antes mesmo de terminarem a partida de futebol no videogame. O assunto principal, naquela noite, era obviamente a respeito do treinamento com a coach. Dougie segurava uma garrafa de cerveja na mão enquanto se reclinava no sofá, bagunçando os cabelos.
— Cara… eu juro que nunca vi alguém olhar pra gente daquele jeito — Começou ele, balançando a cabeça devagar. — Aquela mulher tem o olhar de quem poderia te demitir de uma turnê com uma única sobrancelha arqueada.
Harry riu alto, estalando os dedos e se jogando de lado no sofá.
— “Respirem pelo diafragma, meninos.” — Imitou ele, cruzando as pernas e fazendo uma pose debochada, o sotaque de saindo arrastado e quase teatral. — Ainda bem que eu sou só o baterista.
Os amigos o vaiaram e ele foi atingido por diversos salgadinhos no rosto e na cabeça, rindo ainda mais alto da cara que fazia, mesmo que o vocalista estivesse tentando segurar o riso.
— Sorte a sua, seu idiota. Eu tava esperando o momento em que ela ia mandar a gente fazer ioga no meio do estúdio. Aquela calma dela é assustadora. Parece que sabe o que a gente tá fazendo de errado antes mesmo da gente abrir a boca.
— E sabe mesmo — Dougie interrompeu, com um meio sorriso. Segurou o controle para inicar outra partida. — Ela me corrigiu antes de eu começar a cantar. Tipo, antes. Como é possível isso?
Eles estavam se divertindo, mas Poynter sabia que teria um período difícil com ela. Logo de cara, já a achava chata e exigente demais. Não parecia ter senso de humor e, se duvidasse, não sabia nem o que era sorrir.
ergueu uma sobrancelha.
— É, mas você mereceu. Você fez aquela cara de “não preciso de aquecimento vocal”, e ela percebeu.
— Eu não fiz cara nenhuma. — Ele retrucou, tentando parecer ofendido. — Só tava… pensando.
— Pensando em como fugir da aula — Harry completou, fazendo os outros dois amigos rirem.
Dougie bufou, mas o canto da boca traiu um sorriso.
— Tá, admito, ela é boa. Só… é intimidadora pra cacete.
concordou, apoiando o queixo na mão.
— É o tipo de pessoa que entra numa sala e muda o ar, sabe? Você sente que tem que se endireitar, cantar direito, respirar direito… até pensar direito.
— E o pior. É que ela nem precisa levantar a voz pra te deixar desconfortável. É só aquele olhar. Aquele olhar tipo “ou você faz direito, ou arranco seu fígado”. — completou, fazendo as aspas com as mãos enquanto segurava a garrafa.
— E o pior é que é bonito, né? — Harry soltou em um tom nada sutil, com um sorrisinho nos outros e os outros três olharam pra ele em silêncio. — O quê? Só tô dizendo o óbvio! — Ele se defendeu, erguendo as mãos.
Dougie jogou uma almofada nele, rolando os olhos.
— Cala a boca, Judd.
— Vocês também acharam, só não têm coragem de falar. — Ele provocou dando de ombros, enquanto tentava desviar da segunda almofada.
— Ela me corrigiu no primeiro verso e eu fiquei tão envergonhado que nem consegui olhar pra cara dela depois. — suspirou e ouviu dar uma risadinha ao seu lado.
Dougie desviou a atenção da televisão e olhou para os amigos, balançando a cabeça, concordando.
— É… acho que a moral da história é: ninguém tá a salvo.
Judd estalou a língua na boca e soltou um riso bastante irônico, sabendo que levaria almofadadas se continuasse provocando os amigos.
— Falem por vocês, eu não preciso dessa frescura toda.
— Ainda bem, né? Imagina ter que ouvir você cantar como se fosse uma galinha botando ovo. — provocou e viu quando o amigo lhe mandou o dedo do meio.
— Mas pelo menos ela não jogou nada em ninguém. Isso já é um bom começo.
O grupo caiu na risada novamente. O clima leve contrastava com o nervosismo que todos sentiram no estúdio horas antes. tinha deixado uma impressão marcante, não só pela postura, mas pela forma como parecia entender cada um deles com uma precisão quase desconcertante.
Mesmo assim, eles sabiam que ela não seria uma coach qualquer. Precisavam ser disciplinados e respeitá-la, por mais que fosse insuportável aos olhos deles. E talvez isso mudasse com o tempo.
Ou talvez, não fossem se acostumar tão logo quanto imaginavam.
ajustava alguns trechos em seu tablet, enquanto ouvia uma música baixa no celular. Estava sentada no pequeno escritório em seu quarto, imersa nos detalhes dos próximos dias de trabalho com o McFLY. Não sabia muito o que esperar deles; claro que já viu falarem bastante do grupo, e não nega que costumava ouvi-los em sua playlist. Mas lidar com os rapazes pessoalmente era totalmente diferente, precisava ser criteriosa e atenciosa. Ainda mais já sabendo como era a personalidade de cada um.
Difícil. Eles eram bastante difíceis. Pelo menos no que se diz respeito a prestar atenção e corresponder com as exigências dela.
Largou o tablet para responder às mensagens da amiga, , e fez uma pausa para que pudesse respirar. Em seu tempo livre, gostava de compartilhar memes engraçados com a garota. Percorreu pelos apps das redes sociais e ficou surpresa ao reparar que Harry e seguiram ela. Não esperava que fosse tão rápido, sabia que eles se assustaram e se sentiram intimidados com ela. Então, a resposta mais evidente seria que eles não se aproximassem com tanta rapidez e facilidade.
Como já seguia os garotos de volta, apenas sorriu e voltou a conversar com a amiga, que surtou com a novidade. era tão fã da banda quanto era boa em ser arquiteta, e estava feliz por estar trabalhando com algo que ela faria se soubesse pelo menos acertar uma nota alta.