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Revisada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 20/07/2025

As coisas começaram a ficar conturbadas em minha casa após a última discussão dos meus pais. Eles não sabiam, mas eu estava escondida atrás do guarda-corpo da escada, os vendo naquela briga que parecia interminável.

— Então é isso? Essa é a sua decisão final? — disse meu pai, tentando ponderar o tom grave de sua voz. — Abandonar sua família para seguir algo banal?
— Meu sonho não é banal. — A voz da minha mãe estava mais alterada.


De onde estava, conseguia ver as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

— E não estou abandonando vocês. — Continuou ela. — Você mais do que qualquer outra pessoa deveria me apoiar, ficar ao meu lado e me dar forças. Por Deus, James, sabe que ser cantora profissional sempre foi meu sonho.
— E como nós ficamos, Charlot? Nossas filhas?! — questionou ele.
— Vocês ainda serão o que tenho de mais importante — disse ela.
— Você tem certeza disso?! — Meu pai se aproximou da porta e a abriu. — Essas malas mostram que você tem outra prioridade em sua vida.


Sem dizer mais nenhuma palavra, minha mãe pegou suas duas malas e saiu. Notei que meu pai virou o rosto para o lado quando ela passou por ele. Naquela época, eu tinha apenas dez anos, e Jullie, minha irmã caçula, dois. Eu era uma criança inocente, que não imaginava as consequências daquela briga.

— Papai — disse, ao descer as escadas. — Para onde a mamãe foi?!
— A mamãe precisa… — Ele tentou segurar as lágrimas e me abraçou forte. — Mas o papai está aqui e não vai te deixar, minha querida.

Aquela foi a última vez que vi minha mãe. Desde então, não falamos mais no assunto. Jullie e eu crescemos sabendo de toda a verdade sobre o divórcio deles, o motivo de não a ver nas datas comemorativas, ou falar ao telefone. E, por mais que nosso pai ainda fosse magoado, nunca permitiu que pensássemos que ela não nos amava. Porém havia somente uma restrição nisso tudo, ou melhor, duas: primeiro, o nome Charlot era proibido, e segundo, nada de sonhos semelhantes aos da mamãe.

Mas é claro que eu iria me apaixonar por algo relacionado a isso!
Mas em vez do canto, foi pela dança.

-x-

— Hum… — Me espreguicei ao sair do banheiro e voltar para o meu quarto. — Que tédio.

Era férias escolares e minha única ocupação ao longo dos dias era meu emprego de meio período na lanchonete da senhora Moore, além de cuidar de Jullie no período da manhã. E aquele era o dia mais cansativo, dia de acompanhar as mini escoteiras a vender biscoitos pelo bairro.

, vamos logo — gritou Jullie, do corredor, me apressando mais uma vez.
— Já estou indo — gritei, pegando minha bolsa transversal.

Peguei as chaves em cima da escrivaninha e coloquei no bolso, então saí do quarto, remexendo minha bolsa para certificar se o celular estava lá dentro.

— Você demora demais pra se arrumar — reclamou Margareth, a amiguinha de minha irmã.
— O quê? — sussurrei.
— Vamos logo. — Jullie segurou na alça do carrinho, já abrindo a porta. — Não quero perder para a dupla das Abelhas.
— Ok, ok, Joaninhas, vamos vender biscoitos.

Eu saí rindo de casa.
As acompanhei por um longo tempo, até que olhei para o relógio e percebi que já estava quase na hora do almoço.

— Só temos tempo para mais uma casa — disse a elas.
— Vamos naquela — sugeriu Marg, apontando para uma casa de fachada verde água com ornamentos brancos.

Assenti com a face. Enquanto elas se dirigiram para a porta, eu comecei a ouvir uma música vindo da casa ao lado, atiçando minha curiosidade. Observei minha irmã e sua amiga oferecendo os biscoitos à senhorinha de cabelos brancos que atendeu a porta, parecia interessada na apresentação delas. Então me esquivei para a casa ao lado, de onde vinha a música, e caminhei pela lateral do jardim.

Me posicionei escondida atrás da parede, enquanto meus olhos percorriam o quintal pequeno da casa. Havia quatro garotos e duas garotas dançando em perfeita sincronia. Seus rostos eram familiares, já havia os visto apresentando em festivais da escola. Eram o grupo de dança mais descolado da cidade, e olha que Denver era uma cidade cheia de grupos de dança. Fiquei tão fascinada com o que via que até perdi a noção do tempo e espaço.

— Está tão concentrada. Só há duas razões, ou não sabe dançar, ou é espiã — disse uma voz grossa vindo de trás de mim.
— O quê? — Eu dei um pulo no susto, voltando para a pessoa dona da voz.

Meus olhos encontraram um olhar curioso vindo dele, acompanhado de um sorriso sugestivo. Eu me esquivei, não conseguindo pensar numa reação melhor, e saí correndo em direção à rua para me juntar às meninas. Estranhamente, não encontrei minhas mini escoteiras, então corri para casa.

— Onde você estava, ? — perguntou Jullie, assim que entrei porta adentro.
— Ah, que bom que já voltaram. — Soltei um suspiro forte de alívio.
— Onde estava? — Marg perguntou, enquanto saboreava um biscoito de chocolate.
— Eu… Não importa, eu vou para meu trabalho e as duas vão ficar na casa da senhora Muriel — avisei. — Ela disse que poderiam almoçar lá hoje também.
— E você não vai comer? — perguntou Jullie.
— Estou atrasada, não posso — respondi, indo para a escada. — Agora vão. Te vejo à noite, Ju.

Subi as escadas correndo para meu quarto, revirei meus armários em busca do meu uniforme que tinha certeza que havia lavado no domingo passado. Assim que o encontrei, joguei dentro da bolsa e parti para meu trabalho. Pensei que a tarde seria tediosa, mas, com as férias, a lanchonete foi ficando cada dia mais cheia e movimentada. Para minha surpresa, o grupo de dança que eu estava “espionando” hoje de manhã, apareceu bem ao final da tarde.

Meu corpo gelou assim que meus olhos cruzaram novamente os do garoto do corredor. Ele estava usando uma blusa do Queen, combinada aos jeans surrados e all star branco encardido. Uma parte do seu cabelo estava preso em um coque samurai. Ele sorriu disfarçadamente e manteve seu olhar fixo em mim por um longo tempo.

— Kim, por favor, atende aquela mesa. — Quase implorei à minha amiga. — Eu não posso ir lá.
— Por quê? É só um grupo qualquer de dança. — Ela me olhou sem entender.
— Please, eu fico no seu turno de lavar a louça suja — propus. — O que me diz?
— Hum… Por uma semana?
— Kim?! Sua mercenária. — Me fiz de ofendida.
— Você sabe que eu odeio lavar vasilha.
— Tudo bem. — Assenti.

Ela riu de mim e, após uma piscadela, foi em direção à mesa deles. Me mantive no balcão a maior parte do tempo, até que a senhora Moore voltou do seu compromisso e eu fui para a cozinha. Não imaginava que um lugar tão pequeno pudesse acumular tanta coisa suja, o bojo da pia já transbordava de copos sujos de milkshake, misturados aos pratos e talheres.

— Ai… Não aguentava mais aquela cozinha — sussurrei, reclamando ao sair pelos fundos da lanchonete.

Retirei meu avental e abri a bolsa, só então me dei conta que não havia mexido em meu celular hora nenhuma.

— Ah céus, onde coloquei esse aparelho?! — me perguntei, revirando a bolsa toda.
— Procurando por isso?!

Eu reconhecia aquela voz. Ergui minha cabeça e lá estava meu celular diante de mim, na mão dele.

— O que faz com meu celular?! — Peguei o aparelho e joguei dentro da bolsa.
— Você deixou cair hoje de manhã — explicou ele. — Seu pai te ligou.
— Você atendeu meu celular?
— Depois de cinco chamadas consecutivas, tive que atender e explicar que encontrei no chão — respondeu de forma tranquila e um olhar sereno. — Ele pediu para te devolver, me dando o endereço do seu trabalho.
— Então é por isso que…
— Em tese, sim…, mas…
— Mas?!
— Estava curioso para saber quem é a garota que espionava meu grupo. — Ele sorriu de canto. — Você é nova na cidade?
— Não, eu estudo na mesma escola que você — respondi confusa por sua pergunta.
— Hum… Engraçado, não me lembro do seu rosto.
— Não sou de sair de casa e não vou às festas da escola — expliquei.
— Agora está explicado. — Ele colocou as mãos nos bolsos. — Então, não vai dizer o que estava fazendo espionando a gente?
— Não estava espionando ninguém — o corrigi. — Eu ouvi a música e fiquei curiosa para saber o que acontecia.
— Se não é espiã, então não sabe dançar.
— Que teoria mais estranha. — Dei de ombros, me desviando dele para seguir em direção à rua. — Eu sei dançar e não sou espiã.
— Interessante — disse ele, me seguindo. — E está em qual grupo?
— Uma pessoa não pode simplesmente gostar de dançar sem ter que estar em algum grupo?
— Não em Denver — respondeu.
— Prazer, eu sou essa pessoa.
— E qual o nome da dançarina solitária?
. — Parei em frente à lanchonete e o olhei. — E qual o nome do acusador insistente?
.

Voltei meu olhar para o lado e avistei o carro do meu pai virando a esquina, certamente preocupado comigo.

— Obrigada por devolver meu celular. — Eu me virei para a rua.
— Vou te ver dançando algum dia?
— Vai sonhando. — Me afastei dele e segui até o meio fio. Atravessei a rua para chegar até o carro do papai.

Assim que sentei no banco de trás do carro, senti no olhar do papai pelo retrovisor que ele não estava muito feliz.

— Antes que o senhor me repreenda por perder o celular, não foi de propósito, eu estava acompanhando nossa escoteira nas vendas de hoje e aconteceu.
— Está tudo bem, querida, o sumiço do seu celular não é o problema. — Sua voz estava áspera e parecia frustrada.
— O que houve então, pai? — perguntei, me preocupando com ele.
— Logo agora, depois de sete anos, justo agora que estamos bem e felizes…
— Do que está falando pai? — insisti.
— Sua mãe quer ver você e sua irmã.
— O quê?! — Por essa eu não esperava.

Mesmo papai não impedindo a aproximação da mamãe, durante aqueles sete anos longe, nem mesmo uma carta recebemos dela. Tínhamos notícias por causa da internet que anunciava sobre sua carreira. Ou melhor, apenas conseguíamos saber sobre ela quando papai não estava em casa ou perto de nós.

Claro que aquela notícia gerou uma pequena discussão no jantar, principalmente sobre a parte em que eu não deveria alimentar meu gosto pela dança, o que levou ele a nos lembrar que mamãe havia nos deixado pela música e me perguntar se eu iria deixar nossa família pela dança.

— Porque ele acha que farei como... — murmurei, ao me jogar na cama.
— Não fala assim. — Jullie sentou ao meu lado e suspirou. — Papai está zangado porque acha que vamos deixá-lo pra ficar com a mamãe.
— Jullie, como você pode ser tão mais madura que eu?! — A olhei admirada. — Você é um anjinho, sabia?!

Ela se deitou ao meu lado, rindo de mim.

— Promete que não vai brigar mais com o papai?
— Prometo.

As horas se passaram e, no meio da madrugada, eu acordei com sede. Deixei Jullie dormindo em minha cama e desci até a cozinha. Quando cheguei, papai estava sentado na cadeira, debruçado sobre a mesa, aparentemente chorando.

— Pai — sussurrei, o chamando.
— Ah. — Ele disfarçou um pouco, passando a mão no rosto. — Deseja alguma coisa, querida?!
— Eu vim beber água. — Caminhei até a geladeira e retirei uma garrafinha, então abri e tomei um gole.

Um breve silêncio pairou sobre a cozinha, então eu me sentei na cadeira ao lado da dele.

— Pai, está tudo bem?

Ele assentiu com a face.

— Não, não está — retruquei. — Sei que o senhor está chateado com o pedido da mamãe, mas vê-la não significa que… Eu sei que tem medo de perder a gente também.
… — Ele me olhou.
— Mesmo que o senhor não goste, eu amo dançar e quero ser uma dançarina profissional, mas isso não significa que eu vou embora — expliquei a ele, então peguei em sua mão. — O senhor nunca deixou que eu e Jullie ficássemos com raiva da mamãe, não acha que está no tempo de perdoá-la?

— Você é uma boa filha. — Ele sorriu de leve. — Me desculpe por ter gritado com você e por minhas palavras duras. Sei que devo ser mais tolerante com tudo…
— Isso quer dizer que finalmente vou poder entrar em algum grupo de dança amador? — perguntei ansiosa.
— Isso quer dizer que respeito seu sonho e não vou implicar com você dançando pela casa. — Ele acariciou meu cabelo. — Mas volte os móveis para o lugar.
— E o grupo?
— Que tal depois dos 18 anos? Da formatura e da vaga em Princeton?!
— Pai?! — reclamei, o fazendo rir.
— Tenha paciência, cada coisa ao seu tempo. — Ele se levantou da cadeira. — O garoto perto de você, na frente da lanchonete, era o mesmo que achou seu celular?
— Sim — respondi, o observando se afastar, indo para a porta. — Pai?!
— Oi. — Ele voltou seu olhar para mim.
— E a mamãe?!
— Eu decidi que vou perdoá-la. — Ele sorriu. — Agora vai dormir.

Assenti ao me levantar da cadeira e voltei para meu quarto, levando a garrafinha de água comigo.

Alguns dias passaram.
Na manhã de sábado, acordei pouco antes do papai ir trabalhar e fui logo preparar o café da manhã para a comilona da Jullie. Felizmente, naquele dia tinha reunião do clube de escoteiras, o que significava que não teria que sair vendendo biscoitos com ela.

— Bom dia, ! — disse ela, ao aparecer na cozinha, já com seu impecável uniforme de escoteira no corpo.

Ela sentia orgulho de todos os bótons que conseguiu até o momento.

— Bom dia, Ju. — Sorri para ela, ao colocar a caixa de cereais em cima da mesa. — Dormiu bem?
— Sim, misteriosamente a sua cama é melhor que a minha.
— Cara de pau. — Ri dela, me sentando na cadeira. — Vem, vamos tomar café, mini escoteira.

Nós rimos um pouco de seus comentários sobre estar ansiosa para saber quem estava ganhando na competição de vender mais biscoitos. A dupla joaninha queria mesmo vencer a rival proclamada abelha. Assim que terminamos o café, ela foi escovar os dentes, iria ficar na sala depois, vendo tv até a mãe de Marg vir buscá-la.

Enquanto isso, permaneci na cozinha lavando a louça do café.
Liguei o player do celular e comecei a dançar por aquele pequeno espaço para ajudar a tornar mais divertida aquela chata tarefa doméstica. Já na metade da minha playlist exclusiva para louças sujas de vinte músicas, dei um giro pela cozinha e parei de frente para a porta. Meu corpo gelou.

— Você! — sussurrei, ao ver encostado na porta da cozinha, de braços cruzados, me olhando com um sorriso de canto disfarçado. — O que faz aqui? Ou melhor, como encontrou minha casa? Não, como você entrou aqui?
— Você precisa decidir que pergunta vai fazer. — Ele riu.
— Responde.
— Margareth é minha irmã, minha mãe ficou de levar ela na reunião do clube de escoteiras, mas foi chamada para um plantão, sabe como é vida de médico — respondeu ele, tranquilamente. — Então isso já responde a primeira, e a segunda pergunta, eu vim buscar sua irmã.
— Como conseguiu entrar? Ela não te deixaria entrar sem me chamar — perguntei.
— Eu me lembrei que vi você junto às meninas antes de espionar meu grupo…
— Eu não espiei — o interrompi.
— Então perguntei para Jullie, que me disse que eram irmãs. Pedi para entrar, mas ela não deixou, então disse que era irmão da amiga dela, mas também não rolou. — Ele riu novamente. — Tentei com o argumento de também ser seu namorado, mas ela disse que você não tinha namorado.
— É, eu não tenho namorado — confirmei as palavras de minha irmã, cruzando os braços
— Bem, digamos que esse lance de namorado foi por curiosidade. — Seu olhar ficou um pouco intenso.
— Então, como conseguiu entrar?
— Disse que compraria dois pacotes de biscoitos — respondeu. — Mas ela falou que por isso não me deixaria entrar para ver sua irmã dançando no meio da cozinha, então fez uma contra oferta de cinco pacotes dos mais caros.
— Que mercenária. — Estava indignada com a Jullie. — E você aceitou?!
— Claro, eu queria te ver dançando no meio da cozinha.
— Mercenário — sussurrei, fazendo careta.
— Você fica mais bonita assim, irritada — comentou ele. — Acredita que depois de me deixar entrar, sua irmã disse que se eu comprasse dez biscoitos, ela me deixaria namorar você.
— O quê?! — O olhei ainda mais boquiaberta.
— Mentira. — Jullie apareceu da porta junto a Marg. — Eu disse que poderia pensar se você podia namorar a minha irmã.
— Sua escoteira mercenária, eu não sou algo que você possa trocar por vendas de biscoitos. — Eu voltei meu olhar para . — E você não deveria participar disso.
— Me desculpe — disse ele, segurando o riso — Vamos, escoteiras, temos uma reunião para participar.
— Para o clube, ganhar das abelhas — exclamou Margareth seguindo para sala, sendo apoiada por Jullie.
! — se virou para mim.
— Qual o acordo da vez?! — perguntei ironicamente.
— Calma… Não sei se você sabe, mas está rolando a semana dos desafios.
— Semana dos desafios? O que seria isso?

Fiquei curiosa.

— Todo ano, os grupos de dança se juntam para recrutar novos membros, mas precisamos de pessoas ousadas e originais, então lançamos a semana dos desafios — explicou ele. — Se você quer entrar em algum grupo, precisa desafiar um dos integrantes em um local público e vencer. Se for aprovada, está dentro.
— Posso desafiar qualquer pessoa?
— Sim, qualquer pessoa, mas só pode desafiar essa semana. Basta dizer Game Over e o nome da pessoa que quer desafiar. — Ele piscou de leve para mim e saiu.

Eu fiquei com aquilo na cabeça.
Será que queria que eu desafiasse alguém do seu grupo?

Passei o restante do dia no meu quarto, vendo alguns mv’s do BTS no youtube, sempre fui fascinada pelas coreografias impecáveis do grupo. Jullie passaria a tarde na casa da supervisora do clube das escoteiras com Margareth, então, após o almoço, fui tranquilamente para a lanchonete trabalhar. Ao final da tarde, apareceu com seu grupo e se sentou em uma mesa bem ao centro ao lado da vidraça principal.

Seu olhar era sugestivo para mim, parecia que ele esperava alguma reação de minha parte.

— Boa tarde, o que vão querer?! — perguntei, ao me aproximar deles.
— O mesmo de sempre — respondeu Britany, desviando seu olhar para , enquanto todos seguravam o riso.
— Ok. — Eu me afastei da mesa, voltando ao balcão.

Já havia decorado o pedido deles, já que estavam indo com frequência à lanchonete. Eu levei o pedido deles, achei muito estranho todos continuarem me observando e fazendo comentários em sussurros. Bufei de leve, me afastando, e percebi que veio atrás de mim.

— Ei, está tudo bem? — perguntou .
— Eu que pergunto. O que deu nos seus amigos hoje? — retruquei. — Por que estão me olhando de forma estranha e rindo escondido?
— Eles estão apostando se você vai ou não me desafiar — respondeu.
— O quê? — Voltei meu olhar para seu grupo, impressionada.
— Eles acham que não, eu apostei que sim. — Ele sorriu, e então se afastou, voltando para a mesa.
— Uau… — Kim se colocou ao meu lado. — Amiga, essa é a sua chance.
— Chance de quê? — A olhei.
— De entrar em algum grupo. Você dança muito bem.
— Meu pai não aceitaria — argumentei.
— Seu pai já disse que respeita seu sonho — retrucou ela. — Vai lá, amiga, desafia ele. Hoje é o último dia da semana dos desafios, estamos em um lugar público.
— Você me ajuda com a trilha sonora?
— Com certeza. — Ela piscou de leve.

Eu respirei fundo e segui até a mesa dele.

— Game Over, — disse, em alto e bom tom, arrancando alguns gritos do pessoal em volta.
— Desafio aceito. — Ele se levantou, abrindo um largo sorriso. — Escolhe a música, estou apostando em você.

Sorri de volta, então caminhei até o balcão e acenei para Kim.
Sua escolha foi Black on Black. Assim que a música começou, eu subi em cima do balcão e comecei a fazer alguns movimentos sincronizados com a música. me olhou surpreso, mas logo entrou no ritmo e me acompanhou do chão. A cada movimento meu, ele rebatia de forma precisa e impressionante.

Então era essa a sensação de estar dançando em público, com o líder do melhor grupo de dança da cidade. Meu coração estava acelerado e, mesmo que minhas pernas quisessem bambear, cada músculo do meu corpo seguia as batidas da música com precisão. Próximo ao final, dei um giro no balcão e pulei, apoiando de leve minha mão na banqueta, parei na frente dele.

Ficamos nos olhando nos segundos finais da batida, respirando fundo e retomando o fôlego.

— Game Over, . — Ele sorriu de forma fofa e singela, podia ver um olhar orgulhoso dele. — Bem-vinda ao NCT.

Meu coração acelerado tinha motivos para pulsar mais forte ainda, não somente por entrar naquele grupo, mas pelo olhar de para mim.

“Nossas luzes nunca dormem
Não nos coloque para baixo
Ou tente limitar quem nós somos
Tente acumular uma estatura mais brilhante
Do que todos os NCT juntos (e aí?)”

— Black on Black / NCT


Sonhos: Mesmo que haja obstáculos, não desista dos seus sonhos.” — by: Pâms.


FIM


Nota da autora: Bem-vindos ao Pâms' Fictionverse!!!

🪐



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