Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 06/09/2025.Enquanto encarava mais um dia cansativo nas docas, tentava imaginar uma saída, qualquer alternativa que aliviasse a vida em casa. Procurava uma nova maneira de ganhar dinheiro, mas a sorte parecia tê-lo abandonado há tempos. A cada minuto, a sensação de inutilidade corroía seu peito, como se o mundo insistisse em lembrá-lo de que ele não tinha escolha. Ainda assim, no meio da angústia, havia uma certeza: por , ele encontraria uma forma, por ela lutaria até o último fôlego.
— Hey, . — O colega de trabalho se aproximou, largando um suspiro cansado.
— Fala aí, como tá?
— Pior impossível… o sindicato acabou de anunciar a greve. — Encostou-se na coluna de madeira, cruzando os braços.
— Merda. — arremessou a ferramenta no chão, o som metálico ecoando. — Disseram alguma coisa sobre nossos empregos?
— Nada. E você acha mesmo que eles ligam pra isso?
— A gente devia fazer alguma coisa, protestar, parar de pagar imposto, sei lá.
— Pensa, cara… lá no restaurante tem uma mulher que se mata por vocês todo santo dia.
— É… tem razão. Então o quê? Continuamos na labuta?
— Só se quiser. Eles já avisaram que não vão pagar mesmo. Melhor ir pra casa, tomar um banho, esfriar a cabeça. Vai se resolver… de um jeito ou de outro. Eu tô no mesmo barco que você.
— Valeu pelo toque.
Alec se despediu e foi embora, deixando mergulhado em uma aflição ainda maior. Sem a renda do trabalho, como as coisas ficariam? A pergunta martelava em sua mente, cada batida do coração soava como um aviso de que o tempo estava contra eles.
Em casa, ele tentava disfarçar o peso daquela incerteza. Preparou o jantar para sua noiva, quase em silêncio, mexendo as panelas como se o movimento pudesse organizar também os pensamentos. Mas sabia que a cozinha não bastava para afastar a angústia; por isso, encostado na cadeira, o violão descansava, pronto para ser sua última válvula de escape naquela noite. A música era o único jeito de se lembrar de quem era, de não se sentir apenas um homem esmagado pelas dívidas.
, como de costume, trabalhava no restaurante até tarde. Ela sempre entrava depois do meio-dia, conciliando o tempo da manhã ao lado do noivo e também o estágio que fazia com dedicação. Mas, naquele dia, ao voltar para casa, havia algo diferente em seu sorriso. O brilho nos olhos denunciava a ansiedade de compartilhar a novidade com : o processo sobre o presente secreto de seu avô estava quase no fim. Em três dias, finalmente conseguiria retirá-lo.
Não que aquilo fosse para o pai dela — o homem jamais aceitaria algo que viesse de quem havia protegido o relacionamento da filha com um mero trabalhador das docas. O orgulho dele não permitia. Mas não ligava. Para ela, aquela herança não era só dinheiro; era um pedaço de história, um símbolo da liberdade de viver ao lado de quem realmente amava.
— Até amanhã, — a colega de trabalho se despediu.
— Até — respondeu, com um sorriso discreto.
Colocou o casaco, tentando se proteger do vento gélido que anunciava o começo do outono. As ruas estavam quase desertas, mas nada conseguia apagar a felicidade estampada em seu rosto. Cada passo parecia levá-la mais perto de casa, do cheiro do jantar que prepararia e da calma que encontraria entre aquelas paredes. Pensava no que cozinhar, nos temperos, nas receitas que ambos gostavam, e já imaginava folhear alguns livros da antiga faculdade, lembranças de um passado que ainda carregava com carinho.
Ao destrancar a porta, estranhou: a casa inteira estava arrumada, o jantar pronto. sempre ajudava, mas ali era evidente que ele havia se esforçado além do normal. Algo naquele cuidado transbordava preocupação e carinho. Passou pela cozinha e percebeu a mesa posta, cada detalhe pensado para eles. Subiu as pequenas escadas, tirando o salto a cada degrau, até que, quase em frente à porta do quarto, ouviu o som aprazível do violão que ele tanto amava.
Encostou-se no batente, o admirando sentado à beira da cama, de frente para a janela.
— Vai ficar aí apenas encostada no batente? — ele perguntou, deixando o violão de lado.
— Não, claro que não. — Jogou o salto em direção ao closet. — Como foi seu dia? — Parou diante dele.
— Bem. — Omitiu temporariamente o peso do dia. — E no restaurante? Como foi? — Ele segurou sua cintura, a trazendo um pouco mais perto.
— Foi tranquilo… um pouco movimentado, alguns pedidos feitos, mas acho que amanhã tudo volta ao normal.
— Pode ser o frio. — E, de fato, não estava enganada.
— Pensamos igual. Eu vi que você fez o jantar.
— Pois é. — Ele sorriu timidamente. — Espero que esteja bom, mas sei que não vai chegar aos pés do que você prepara. — Puxou-a para um beijo rápido. — Vamos jantar.
Desceram as escadas de mãos dadas e se sentaram à mesa para jantar. ainda estava estranho, e não conseguia entender o que se passava. Ele sempre fora um homem sério, fechado, mas fácil de ser lido por ela. Naquele dia, porém, parecia indecifrável.
— . — Ela tomou um gole do refrigerante. — Está tudo bem? Você está muito quieto.
— Aconteceu uma coisa hoje… — Ele buscava força para contar. — Essa manhã, Alec passou na doca, avisou que… — Jogou as costas na cadeira, pesado. — O sindicato entrou em greve. Eu não vou mais trabalhar e, mesmo se fosse, não vou receber nada.
ficou paralisada com a notícia.
— Como assim o sindicato entrou em greve? Não faz o menor sentido.
— Eu sei, eu sei… — Ele respirou fundo, tentando controlar a frustração.
— E eles não pensaram nos trabalhadores? Nas famílias? — A voz dela tremia de indignação. — Justo agora, que as coisas estavam começando a se ajeitar para nós…
— Calma, . — Ele puxou a cadeira mais perto dela. — Vamos sair dessa, acredite.
— Como?
— Tentando, um passo de cada vez. Nos agarrando ao que temos… principalmente ao nosso amor.
— Oh, … — Ela suspirou, sentindo o peso e o carinho dele. — Você consegue me ajudar até mesmo quando eu perco as esperanças.
— Tenha calma. — Ele deu um beijo no topo da testa dela. Voltaram a jantar, agora em silêncio, sentindo juntos o peso e a força daquele momento.
Uma manhã preguiçosa começava. passou algum tempo deitada sobre , mas a conversa da noite anterior não a deixara dormir direito. Levantou-se e tomou um banho, enquanto seu noivo preparava o café da manhã. Ela ainda não podia acreditar que estava prestes a tomar aquela decisão; se quisesse que as coisas em casa melhorassem, nem que fosse dois por cento, precisaria agir.
— Está tudo pronto. — Ele serviu o café para ela. — Tem até bolo de ontem.
— Bolo de laranja. — Ela escondeu a tristeza com um sorriso leve. — Obrigada, amor.
— Hoje vou arrumar a casa toda de novo, algum problema? — Ele sabia que ela gostava de dar uma ajeitada no lar.
— Não, pode à vontade… só não afogue minhas plantas, algumas não precisam de tanta água.
— Você faz isso? — Ele sorriu ao vê-la cuidar das pequenas vidas verdes. — Tenho certeza de que vou acabar com elas.
— Claro, amor. Eu coloco água nas que precisam, ok? — Ela se levantou. — Estou indo, volto à noite.
— Estarei te esperando. — Selaram os lábios em um beijo rápido.
Ela cuidou das plantas e partiu para o trabalho.
No restaurante, passou o tempo arrumando e limpando as mesas, se preparando para conversar com Davison, o dono e chefe. Esperou até ser chamada para o escritório. Davison tinha cerca de quarenta e cinco anos, e a expressão cansada e preocupada dominava seu rosto. A foto da família sobre a mesa mostrava que era ali que ele buscava forças.
A greve do sindicato afetava até mesmo o restaurante. Apesar do movimento de almoço ainda ser forte, sabia que não poderiam se apoiar apenas nisso.
— Você queria falar comigo? — perguntou Davison.
— Ainda quero. — Sentou-se em frente a ele, firme. — Queria saber se aquela proposta de trabalhar nos dois turnos ainda está de pé.
— É claro. — Ele ajeitou-se na cadeira. — Você pode começar na semana que vem.
— Não. Quero começar amanhã mesmo. — A determinação na voz dela não deixava dúvidas.
— Muito bem. Entregarei seus papéis amanhã.
— Fico muito agradecida.
Enquanto trabalhava, pensava em como contaria a sobre sua decisão. Por outro lado, ter mais dinheiro para sustentar a casa não era ruim; só precisaria reorganizar as aulas que queria retomar e deixar o estágio não remunerado de lado.
estava cansado. Passara o dia arrumando a casa, cuidando do quintal e recolhendo as folhas de outono. Não restava mais nada a fazer além de se sentar de frente para a lareira e tocar seu violão, alternando entre melodias do Bon Jovi e composições próprias. Quando percebeu que o horário se aproximava, começou a preparar o jantar.
chegou, o cumprimentou com um selinho breve e subiu para trocar de roupa e tomar um banho rápido. Enquanto jantavam — saboreando o fabuloso prato de — procurava uma forma de revelar a nova carga horária de trabalho.
— Sabe… — Cutucava o purê, evitando o olhar dele. — Preciso te contar uma coisa.
— Diga, meu amor.
— Pedi ao meu chefe para mudar meu itinerário.
— Como assim?
— A partir de amanhã, vou trabalhar o dia todo.
— Pra quê? E sua faculdade?
— Não tem como conciliar agora, . Estamos passando por um momento difícil, não percebe?
Ele permaneceu em silêncio no meio da discussão. Ela estava certa, de certo modo, mas ele não concordava totalmente com a decisão. Ainda assim, não era ele quem definiria o que ela deveria ou não fazer.
— Pelo menos é um dinheiro a mais, , até tudo voltar ao normal.
— Ok, … — Ele suspirou, mas deu um pequeno sorriso. — Juro que um dia você terá um restaurante só seu. — E, ao ver os olhos dela se encherem de lágrimas, se aproximou.
— Assim eu vou chorar. — Selaram os lábios em um beijo. — Só espero não ter que competir com meu marido. — Riram juntos.
Um mês se passou desde as mudanças e da greve do sindicato.
No entanto, tudo parecia piorar. O sindicato ainda não retomara as atividades, as docas estavam mais vazias que o normal, e , vez ou outra, aceitava trabalhos ocasionais para alguns senhores de idade, conseguindo ganhar algum dinheiro extra. passava o dia todo no restaurante, e somente quando fechavam ela voltava para casa, sabendo que esperava por ela. Ele entendia que, apesar do cansaço, ela fazia tudo por amor.
Durante a noite, quando tudo estava em silêncio, controlava as lágrimas. Não queria que percebesse o medo que sentia — medo de não conseguirem sair daquela situação.
Ainda assim, naquela noite, ele acordou com ela chorando.
— , querida… — ele a chamou suavemente. Aqueles olhos azuis a conduziam em suas imaginações, mesmo quando tudo parecia desmoronar. — Não chore, vai ficar tudo bem.
— Tudo bem como, ? — Ela o encarou, a voz embargada. — Já se passou um mês e as coisas só pioraram.
— Vamos conseguir… — Ele segurou a mão dela. — Sei que estamos por um fio, mas nós vamos.
— Como me fala isso? Me dá um pequeno suspiro de esperança.
— Vou dar um jeito, como sempre faço. — Enxugou a lágrima que insistia em escorrer. — Só não podemos deixar tudo se perder. Vamos nos agarrar à única coisa que temos… e, acredite, é a melhor.
— O que seria?
— O nosso amor.
— Ah, claro. — Ela riu, levantando o queixo. — Você e seu lado músico.
Ele a beijou. O beijo começou calmo, mas logo se tornou fervoroso. Amanhã custaria acordar cedo, mas aquele instante era único e irrecusável.
No dia seguinte, ela apareceu na cozinha.
— Sabe que eu amo o cheiro do café que você faz?
— Eu também… sou bom no que faço.
— E é muito convencido. — Passou os braços ao redor do pescoço dele. — Vai me acompanhar hoje até o restaurante?
— Com todo o prazer.
Depois do café da manhã, a levou até o restaurante, se despediu com um beijo apaixonado e voltou para casa. Assim como escolhera uma forma de ajudar, agora era a vez dele. Entre tudo que havia naquela pequena casa, ele pegou o que sabia ser mais valioso: seu violão.
Sentou-se no chão, sentindo o ar frio entrar pela janela, dedilhando as cordas afinadas. Preferia sentir falta daquelas curvas do que as curvas de sua sob seu corpo.
O lugar onde ele iria penhorar o violão não ficava tão longe, mas cada passo até a loja era uma pontada no coração.
— Bom dia — o senhor de cabelos grisalhos cumprimentou ao vê-lo entrar.
— Bom dia… eu gostaria de penhorar este violão. — Cada palavra parecia uma facada. tirou o instrumento das costas e o colocou sobre o balcão.
— Um instrumento muito belo. — O homem abriu a capa e analisou cada detalhe. — Quanto você acha que vale?
— Quinhentos dólares.
Ele respirou fundo. Não queria, mas era necessário.
— Pode ser, jovem?
— Claro.
— Aqui está. — O senhor pegou o dinheiro no caixa. — Fica aqui até alguém comprar.
— Obrigado, senhor.
saiu da loja de penhores quase chorando, mas com um alívio leve. Não era muito, mas já ajudaria. Em casa, cuidou do básico, guardou o dinheiro e se preparou para mostrar a , fazendo uma lista do que era mais urgente pagar.
— Você penhorou seu violão? — perguntou, indignada.
— Precisamos de dinheiro, eu precisei fazer alguma coisa.
— Aquele violão… você pegou no leilão dos pertences do Elvis, ! Onde estava com a cabeça?
— Na gente, ! — Ele segurou as mãos dela. — Estou pensando em nós!
Ela tentou conter as lágrimas e a pequena raiva. Sabia o quanto aquele violão era especial e o quanto ele havia se esforçado para tê-lo.
— Eu vou subir… não estou com fome.
— Você vai ficar brava agora? Por causa de um violão? — ele falou, com um misto de dor e preocupação.
— Não estou brava — mentiu, mas a voz denunciava seu descontentamento. — E não é só um violão… era do rei do rock, do Elvis, e você se matou para conquistá-lo. — Desceu as escadas devagar. — Você praticamente deu essa casa para consegui-lo! E agora penhora por quanto?
— Quinhentos dólares.
Ela suspirou, resignada, mas ainda incomodada. Conhecia pelo violão, pelas notas que revelavam quem ele realmente era. Mas já estava feito, não dava para voltar atrás. De madrugada, ela desceu para comer alguma coisa, odiava dormir sem comer nada.
, na manhã seguinte, a levou até o restaurante e depois foi pagar algumas contas e também comprar algumas coisas que já estavam em falta na dispensa.
Dias passaram, estava mais calma depois da loucura de .
Naquela noite, quando chegaram em casa, abriram a garrafa de vinho que ainda tinham e se sentaram diante da lareira, o calor e a luz envolvendo-os.
— E se a gente fugir? — Ela olhou para ele, os olhos brilhando em uma mistura de medo e desejo.
— Você não está falando sério, .
— Claro que estou. — Levantou um pouco o corpo para encará-lo. — E se fossemos para a França?
— E deixar nossas dívidas aqui?
— Voltamos e pagamos. — Ela sorriu, servindo mais vinho. — Lá podemos abrir uma loja de instrumentos… e eu poderia estudar na Le Cordon Bleu, ter meu restaurante… podemos ter nossos sonhos lado a lado.
— Você sonha demais… e eu amo isso. Sempre foi a inspiração das minhas melodias.
— As mesmas que você está reprimindo desde que vendeu o violão.
— Mas antes aquelas curvas longe de mim do que essas. — Segurou ela pela cintura e a colocou em seu colo. — Essas curvas não sei viver sem. Eu quero. — Beijava o pescoço dela. — Passear. — Descia para o colo dela. — Por elas todas as noites. — Desceu a alça fina e depositou um beijo sob o ombro. — Sem esses tecidos.
Subiu a blusa dela, tirando bruscamente. Os lábios quentes dele em sua pele a fazia arrepiar a cada toque. mordiscava seus lábios para conter seus gemidos, os mais altos principalmente. Sentia os lábios úmidos brincando com o bico de seu seio rígido, a provocando cada vez mais.
tirou a blusa dele e o empurrou para trás, se ajeitando no colo dele. Ela beijou cada parte do tórax até chegar ao cós do moletom escuro. A mulher então desceu do colo dele, já o conhecendo bem. Enquanto ela amarrava seus cabelos, ele tirava as duas últimas peças que a atrapalhavam. Passava as unhas de leve pelo oblíquo, o deixando ainda mais louco de sentir os lábios dela em seu membro. Aos poucos ela se aproximava, passava a língua amorosamente, gostava de vê-lo arfar, dizer o seu nome com necessidade. E subitamente ela deu todo o prazer para ele, o ouvindo gemer bem alto o xingamento.
As suas transas eram melhores quando ainda estavam brigados, e aquela estava ainda nessa categoria.
Soltou o membro dele para poder tomar mais fôlego, mas foi mais rápido, ele a deitou no chão em cima do tapete e tirou o short que ela usava junto da calcinha. Distribuiu beijos por toda intimidade dela. Brincou primeiramente com seus dedos, apenas para começar, depois alternou entre os dedos e a língua, e pôde ouvir seu nome sendo suplicado pela a voz falha de . A cada segundo, ela apertava mais o edredom que eles tinham usado para se cobrir, porém ele não foi o suficiente quando sentiu o membro de por inteiro.
Agora aqueles olhos azuis banhados pela malícia de tê-la nua apenas para si estavam olhando para . Os movimentos rápidos, as estocadas precisas, os gemidos deles ecoando pela casa toda, deixavam com mais prazer e com pouca vontade de parar. Ela mudou de posição, tendo o controle dele, dos movimentos, da intensidade.
Os fios soltos dela estavam grudando em seus seios, os mesmos que tirava para beijar com tesão. Sentada em cima de seu membro, ele sentiu que ela já estava chegando ao seu clímax. Sem nenhum aviso prévio, ele a segurou pelas suas nádegas, a apertando, segurando e fazendo o trabalho por ela o mais rápido que ele podia.
Ginna apoiou sua cabeça no ombro dele, mordendo o local e gemendo bem perto do seu ouvido. O corpo dela estremeceu, entregando que ali ela chegava ao seu orgasmo, a melhor melodia para deixá-lo mais excitado ainda. sentiu seu corpo amolecer junto ao dela. Os dois haviam gozado quase juntos.
Devagar, ele deitou-se no chão e, com a pouca força que ainda tinha, puxou o edredom para mais perto. Iam ficar ali até terem forças para subir e irem ao banho.
— Desde quando não ficamos assim juntos? — Ela se ajeitou ao lado dele, com um sorriso travesso.
— Faz dois dias — ele respondeu, e ela riu baixinho.
— Bom… ainda estou brava com você.
— Achei que já tinha passado, dois dias atrás.
— Não, claro que não. — Ela segurou o riso, sentindo o carinho dele nas costas. — Vamos pro banho, amor?
— Vem. — Ele a puxou suavemente, e os dois se levantaram juntos, rindo e se olhando, a proximidade carregada de desejo e ternura.
De banho tomado, os dois se encontraram na cozinha para tomar um café e esquentar ainda mais os corpos. aquecia a bebida, enquanto mexia na correspondência que pertencia à noiva.
— Amor, você não vai abrir? — Ele segurou o envelope com um sorriso curioso.
— Deve ser mais uma dívida… — Ela entregou a caneca para ele. — Deixa eu ver.
Abriu o envelope devagar, como se cada segundo importasse, e leu.
— Eu não acredito… — Um sorriso iluminou seus lábios rosados.
— O que foi? — Ele se inclinou para ver, curioso.
— A herança do meu avô. — O brilho nos olhos dela era contagiante.
— Herança? Que… o que tem?
— É o presente dele. Posso retirar! — Pulou no colo dele, o abraçando com força. — Podemos pagar as dívidas, recuperar seu violão e… ir para Paris!
— Você tem certeza? — Ele acariciou seu rosto, com um misto de alegria e incredulidade.
— Mas tudo que conquistamos nesses seis anos é nosso. Desde sempre, lembra? Então vou fazer isso, e o restante do dinheiro monto meu restaurante em Paris.
— Então vamos fazer. — Ele a beijou, profundo, sentindo o coração disparar.
No dia seguinte, pediu as contas, retirou o dinheiro da herança, pagou todas as dívidas e entregou a o suficiente para recuperar seu amado violão. Cada gesto carregava esperança, liberdade e o começo de uma nova vida.
Algum tempo depois, eles se mudaram para Paris. ingressou na Le Cordon Bleu, dando vida ao sonho de se tornar chef, enquanto abriu sua própria loja de música, o lugar onde suas melodias finalmente encontravam liberdade.
O casamento deles aconteceu no cenário mais romântico que poderiam imaginar: de frente para a Torre Eiffel, ao entardecer. Selaram seus votos de amor eterno, rodeados por sorrisos, luzes douradas e a certeza de que juntos eram invencíveis.
E, naquela cidade mágica, entre risadas, música e aromas de cozinha, e descobriram que o melhor presente não era herança ou dinheiro, mas o amor que cultivaram, e que agora poderia florescer sem limites.



