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Revisada por Aurora Boreal 💫
Atualizada em: 20/07/2025

Ele nunca considerou que se mudar para o outro lado do país seria algo fácil. tinha lido e ouvido falar muito bem dos arredores dessa nova vizinhança, estava satisfeito com a localização em relação à distância para o estádio e o clima ainda era gostoso. Não se deparou com vizinhos quando fez a mudança, o que devia ser normal naquele tipo de lugar. Pessoas com casas desse tamanho deviam ter o costume de se isolar ou passar mais tempo longe de lá. No entanto, um dia após o treino, encontrou um envelope escrito “, casa 8”, o qual continha orientações sobre a vizinhança, detalhes de horários extras e outras dicas de sobrevivência naquele condomínio.


“Não tente ser agradável com as pessoas das casas três e cinco, há uma razão pela qual sua casa foi liberada. Não se preocupe em ser um bom vizinho para eles, só ignore e siga com a vida.”

“O lixo é recolhido a cada dois dias pela empresa que cuida do condomínio, mas caso não consiga, por alguma razão, pode falar com o Henry da casa dez. O cara é muito tranquilo e vai te ajudar a manter as coisas nos conformes.”

“Acho que você deveria fazer uma verificação de invasão de parasitas no porão. Mês passado foi um inferno aqui por causa do último inquilino da sua casa, mas temo que tenha tido algo a ver com a rixa deles com as casas ao lado. Sério, não chega perto deles, tá?”

“Se precisar de bons contatos de decoração e limpeza, abaixo estão as recomendações que eu faço pessoalmente e com a ajuda de pessoas que eu gosto aqui no condomínio. Espero que ajude.”

“Torcendo para que não demore para ficar confortável. Sei como é cansativo o processo de mudança.”

Após um longo dia de treino de defesa e ataque, descansou um pouco e decidiu cozinhar um pouco mais para o jantar. Não tinha ideia de quantas pessoas moravam com , então preparou o suficiente para si mesmo e mais três pessoas. Duas semanas depois, ainda tinha cômodos da casa que precisavam de decoração, mas não sentia o mínimo de pressa. Seu foco estava em curtir o novo time, o estádio, o carinho da torcida — que estava lá até nos dias mais tranquilos. Alguns colegas de time já eram seus amigos de longa data, mas se sentia tão bem-vindo que a dinâmica além de simples colegas parecia mais simples de conquistar.
Quando abriu a porta, não conseguiu evitar a mudança positiva em sua expressão. Ela usava um pijama em que a camisa não combinava com a calça, seu cabelo estava bagunçado e o suor em sua testa indicava que estava ocupada com algo muito importante.
— Tudo bem?
— Ah, oi. Eu sou , moro na casa quatro, bem aqui na frente — ele iniciou, apontando com a mão livre. — Você é ? Queria te agradecer pelas dicas.
Ela concordou, imediatamente olhando para a marmita que ele carregava. Não podia negar que o cheiro era maravilhoso.
— Não precisava se incomodar. Depois do que minha família passou nesse condomínio, senti que era minha missão cuidar de quem chegasse depois de nós — admitiu. — Você é a primeira pessoa que agradece dessa forma.
deu de ombros e ofereceu a marmita.
— Fiz sancocho, é um guisado de carnes e legumes que aprendi diretamente da minha família. Também fiz tostones, que servem como uma opção vegana, se for o caso.
Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa pelo cuidado nos detalhes.
— Obrigada, . É um prazer te conhecer. — sorriu, pegando o embrulho. — Isso aqui tá com um cheiro maravilhoso. Você é chef de cozinha?
— Sou jogador de beisebol, na verdade. Cozinhar é só um lazer pra me mimar de vez em quando.
— Ah, então torna isso aqui muito mais especial.
segurou um sorriso que denunciaria o quão encantado ele estava.
— Espero que goste da comida. Pensei que, se não for um problema, gostaria de te levar pra jantar. Seus toques de sobrevivência me livraram de muitos problemas por aqui.
Uma expressão pensativa surgiu no rosto dela. Estava longe de sua melhor aparência, ainda assim, um cara bonito, educado e atencioso como estava lhe chamando para sair. Por gratidão pelas dicas, é claro.
O silêncio de chegou a como uma negativa, fazendo com que ele logo imaginasse o mais óbvio.
— Quer dizer, se você for comprometida, não quis ofender. Não quero causar problemas, só te agradecer mesmo.
— Não! Olha, eu sou solteira e aceito seu convite, tá bem? — disse ela, com um ar de riso. — Só achei engraçado que você me convidou pra sair enquanto estou nessa situação.
Ele sentiu que ganhou permissão para olhá-la de cima a baixo com mais atenção, então o fez.
— Algum problema em estar confortável? — questionou, genuinamente confuso. — Quando cheguei, achei que tinha interrompido algo importante.
sorriu, negando com a cabeça.
— Lembra dos parasitas que mencionei? É, até hoje tenho trauma daquilo, então qualquer sinal aqui em casa acaba se tornando um caos — confessou, não segurando a risada.
— Isso é ótimo! Você acabou de me deixar super preocupado com minha própria casa — disse ele, um sorriso tão grande quanto o dela.
— Maravilhoso, né? Bom que temos isso em comum.
O contato visual se estendeu por alguns segundos, ambos se perdendo em seus próprios pensamentos. Então, alguém chamou de dentro da casa, a voz soou distante e levemente apreensiva.
— Sábado à noite funciona pra você? — sugeriu.
— Estarei pronta às sete, nem um minuto a mais.
Ele sorriu, acenando com a cabeça. Não se importava de parecer empolgado demais, nunca foi o tipo de cara que usa uma máscara misteriosa na frente de uma mulher.
— Por favor, avalie minha comida com carinho. — Deu uma piscadinha e um passo para trás. — Te vejo no sábado. Boa sorte com os parasitas.
abriu a boca para rebater, mas ficou chocada demais, então só negou e foi para dentro. Os dois passaram o dia inteiro com um sorriso bobo no rosto que aparecia desavisado, mas sempre bem-vindo.

***

O encontro de sábado à noite aconteceu perfeitamente bem. tirou o carro da garagem e estacionou na frente da casa de só para que ela não precisasse cruzar a rua. Os cumprimentos foram breves, totalmente oposto às conversas que renderam a viagem até o lugar que ele havia escolhido — uma área da praia com restaurantes cinco estrelas alinhados na orla. As luzes noturnas proporcionavam um clima aconchegante junto ao som das ondas à distância.
— Acabei fazendo reserva em vários porque pensei que seria melhor te deixar escolher — explicou ele, mostrando a lista no celular assim que parou o carro. — Eu tô disposto a marcar presença em todos esses, pra ser sincero.
— Esse é seu jeito de dizer que quer passar muito tempo comigo hoje? — ela inclinou a cabeça, cerrando os olhos.
não desviou o olhar.
— Pego no flagra.
riu, então voltou a observar a rua movimentada.
— Vamos começar por aqui. — Apontou para um restaurante italiano à esquerda. — Temos que pensar numa estratégia para não encher o estômago muito cedo.
— Tô amando sua linha de raciocínio.
As horas passaram com muita facilidade. Internamente, reservou um único momento para agradecer mentalmente pelas boas indicações de seus amigos. Depois disso, sua atenção voltou a ficar totalmente em , no quão linda ela estava, no quão linda ela era. Por outro lado, estava positivamente intrigada com sua primeira interação com um atleta. Embora seus amigos fossem imersos na torcida pelos times da cidade, eram poucos os dias de jogo que ela conseguia participar. Tinha ciência de muitas informações negativas sobre certos jogadores, seja de beisebol, hóquei, basquete ou futebol americano, mas tinha a impressão de que seria sua exceção. Não custava nada sonhar.
Mais tarde, quando finalmente voltaram para o condomínio, ele estacionou e abriu a porta para ela, como fez a noite inteira.
— Quer entrar e jogar um pouquinho de “Cara a Cara?” — convidou ela. — Meu irmão trouxe quando visitou, foi muito legal.
enfiou as mãos nos bolsos da calça e suspirou.
— O problema é que eu sou muito bom em “Cara a Cara”, então talvez você precise repensar esse convite. Não quero te causar isso na volta do nosso primeiro encontro.
arqueou as sobrancelhas, uma risada incrédula saiu de seus lábios. Ele não conseguiu evitar sorrir junto.
— Não acha que duvidar da minha competitividade pode afetar nosso próximo encontro, senhor atleta?
— Não quis te desmerecer, longe de mim. — levou as mãos ao alto. — Espera, já está pensando no próximo encontro?
Ela inclinou a cabeça, então se aproximou dele.
— Vai querer entrar ou não? — perguntou baixinho.
A expressão de ficou neutra por um momento, em seguida, um pequeno sorriso lateral surgiu no rosto dele.
— Me mostre o caminho.
Para a infelicidade dela, era realmente bom naquele jogo. Não que fosse capaz de descrever como infelicidade o tempo inteiro, já que em algum momento as risadas preencheram o ambiente a cada pergunta absurda que ele fazia para descobrir quem era o personagem. O barulho não era um problema, pois estavam sozinhos naquela casa enorme. havia reservado o final de semana num hotel para seus pais, que não perderam a oportunidade de gargalhar e provocar até irem embora.
As taças de vinho demoraram para fazer efeito, mas aos poucos foram deixando os músculos mais relaxados, o riso mais frouxo, o desejo pelo toque mais forte. levantou de sua cadeira e foi até o outro lado da mesa, onde um receptivo estava pronto para o que ela pedisse.
— Acho que a gente poderia dar uns amassos, mas depois você vai pra sua casa.
Ele sorriu.
— Por mim tudo bem.
Ela sentou no colo dele e cruzou os braços ao redor dos ombros largos, sentindo as costas definidas se contraírem. Os beijos começaram suaves, sem pressa, então foram aumentando em intensidade, mas não em velocidade. precisou se controlar muito para não rebolar contra ele, mas as mãos firmes de acariciando seu quadril e suas costas tornavam tudo mais difícil.




Continua...


Nota da autora: Sem nota!

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