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Revisada por Aurora Boreal 💫
Última atualização em 27/02/26

1998.

A sala escura tinha apenas uma luz vermelha e fraca que deixava aquele pequeno ambiente iluminado, ela não sabia bem o que estava acontecendo... Ela nem sequer se lembrava de nada; era como se tudo fosse novo para ela.

“Olhei ao meu redor calmamente procurando algo que eu poderia reconhecer, ou lembrar de algo, minha cabeça doía, meus olhos também, como se tivesse passado por vários exercícios físicos e lido mais que o suficiente, forçando meus olhos mais do que devia”.

Suas palavras saíram como se estivesse no pensamento, como se a mesma estivesse ali, presente naquele momento. Novamente. A garotinha começou a sentir a respiração falhar ao perceber que a porta estava sendo aberta, automaticamente, não reconheceu o rosto das duas pessoas que entraram naquela sala gelada.
— Vemos que você acordou. — Um homem, com um sobretudo preto, parou ao lado da cama, onde a garota estava deitada. — Está bem acomodada?
— Acho que sim, quem são vocês? — a garota falou, quase em um sussurro.
— Você está na base da Hydra, você sofreu um acidente, onde seu irmão e seus pais morreram — o homem falou calmamente. — Então trouxemos você para cá, já que queremos cuidar de você.
— E quem os matou? O que mataram eles? — A garota falou com a voz trêmula.
O homem parou para pensar, sabia como argumentar aquela linda mentira, mas aqueles pequenos olhos castanhos da garota o deixou intrigado. Mesmo tendo apenas sete anos, já tinha passado por grandes experimentos, e por um único motivo: ser aliada da H.Y.D.R.A. O homem respirou calmamente e esperou que a lavagem cerebral não tivesse afetado a memória falsa que implantaram na garota.
— Um acidente que teve atrás da sua casa, uma explosão, para ser mais preciso — O homem falou calmamente.
— E por que apenas eu estou viva?
— Tentamos salvar seu irmão, mas infelizmente não conseguimos, você consegue se lembrar dele?
— Sim, vagamente, dos meus pais também.
— Daniel, seu irmão se chamava Daniel. — O homem encheu o peito, já que a única lembrança que ela tinha era de seus pais. — Você estava no carro, brincando com suas bonecas, e foi lá que achamos você.
— Eu... Eu me lembro, quanto tempo isso aconteceu? Dói minha cabeça quando tento fazer pequenos esforços para me lembrar.
— Consequência do gás e da fumaça do incêndio. — Uma cientista loira, com as pontas rosas, falou, sem tirar o olhar da prancheta.
— Conseguimos salvar apenas uma foto, onde está você, seus pais e seu irmão.
Suspirou por se sentir sozinha. Pensou em perguntar se estavam com a foto ou então, quando ela poderia ter o cobertorzinho consigo e sua boneca de pelúcia da Sakura Cards e claro, os wafers que sempre fazia quando mamãe estava trabalhando. Claro que toda criança agia por impulso, e não foi diferente quando ela disparou a pergunta.
— Quando é que vou poder comer wafer junto com a Sakura?
— Como? — O homem fez uma cara de que tentou compreender a pergunta de .
— Eu me lembro muito pouco que estava com a Sakura, uma boneca de pelúcia, e tinha o wafer que meu pai fez escondido de minha mãe.
— Sakura Cards? — a cientista perguntou.
— Sim — falou alegre.
— Nós trouxemos para cá, guardei em uma caixa, trago logo em seguida com seu café.
— Está bem. — Sorriu.
A cientista se retirou daquela sala gelada e o homem de sobretudo preto saiu logo atrás dela, em passos largos e calmos, como se estivesse pensativo; ele parou na porta e falou alguma coisa para cientista que logo fez um gesto com a cabeça simbolizando com “Sim Senhor”, ele olhou para trás e fez uma pergunta, na qual não entendeu muito bem o porquê.
— Você se lembra de mais alguma coisa?
— Não — garotinha falou, confusa.
— Ok. — Ele se retirou.

••

Cogitando que Johann Schmidt e a cientista, Reven Kiyoko, estavam mais que contentes pelo o Projeto ter dado certo, eles teriam que mantê-la dormindo por mais tempo ou procurar uma alternativa para continuar mantendo todas as mentiras que foram implantadas na mente da garota. Agora, o que mais restava, e dava mais ansiedade, era colocar os outros por cento em prática, coisa que não foi impossível de se fazer naquele momento, mesmo ela tendo apenas sete anos de idade.
Depois daquela noite, a cientista Kiyoko levou uma janta leve para que o corpo da garota recebesse toda proteína, vitamina e carboidrato para começar a receber os protótipos do Projeto GF 96, e torcer para que dessa vez desse certo e não falhasse. Junto com a janta, Kiyoko levou a boneca Sakura para a garotinha; bateu na porta sutilmente e apenas escutou um leve e abafado “Entre”, e foi isso que ela fez, colocou a bandeja e a boneca em uma poltrona preta de couro, ajudou Nicolina a sentar na cama e logo entregou a bandeja. Ficou o tempo todo lá, conversando, até que terminasse toda a janta, fora que serviria como avaliação para saber se a lavagem deu cem por cento.
— Aqui sua Sakura — a cientista falou, entregando para .
— Obrigada — falou com um sorriso gigante nos lábios.
— Amanhã cedo volto aqui para podermos fazer mais alguns exames, ok?
— Sim, boa noite.
— Boa noite e descanse.

••

Na semana seguinte, o senhor Johann Schmidt, ao lado da cientista Reven Kiyoko, se reuniram na sala de reuniões, junto com outros homens que carregavam o mesmo símbolo de uma caveira com seis tentáculos em seus ternos pretos. Todos se ajeitaram em suas cadeiras em volta de uma mesa grande, oval, e esperaram que o Johann Schmidt se pronunciasse, onde o mesmo estava lendo algumas papeladas sobre o Projeto GF 96.
— Reuni todos vocês aqui por um único motivo, o Projeto GF 96, e sem delongas, dessa vez, vamos testar com uma garota. Hoje vamos dar mais um passo para acabar com a S.H.I.E.L.D. e o Capitão América!
— HEIL H.Y.D.R.A.! — todos gritaram.
Um homem levantou a mão, esperando autorização do Schmidt.
— Sim? — Schmidt falou seco.
— Mas o protótipo não tinha sido cancelado depois que aquele garoto não resistiu ao mesmo? Ficamos de reaver o que tinha de errado com ambos, mas o senhor não nos deu autorização.
— Bem observado, senhor Adam, mas a cientista Kiyoko refez todo o protótipo e consertou todas as falhas e, dessa vez, nossa cobaia tem um índice de vida mais saudável que nossa antiga cobaia.
— Quantos anos mais nova? — uma mulher ruiva perguntou.
— Atualmente, sete anos — Kiyoko respondeu, lendo a ficha de .
— Muito nova, não acha? Ela pode não suportar, ela nem hormônios direito têm formalizado.
— Eu tenho a certeza que o protótipo irá funcionar nela! — Schmidt falou fitando os olhos verdes da ruiva.
— Não contem comigo para esse Projeto, a garota é muito nova para isso — a ruiva falou, cuspindo as palavras e se levantando bruscamente de sua cadeira. Saiu da sala de reuniões batendo firmemente o salto de sua bota contra aquele chão de porcelanato preto.
— O senhor quer que eu tente convencer ela a fazer parte do Projeto? — Kiyoko falou baixo.
— Sim, por favor, deixe a ficha dela aqui, vou passar as informações da senhorita Müller para os demais.
Kiyoko entregou a pasta do Projeto GF 96 para Schmidt e saiu em direção ao quarto onde, com toda a certeza, a ruiva estava depois de ter discordado com Schmidt.

— Com licença.
— Entre. Eu não sei como você está apoiando ele, Kiyoko! ELA É APENAS UMA CRIANÇA! — a ruiva gritou.
— Você sabe o principal motivo para isso ter acontecido!
— Eu sei, do mesmo jeito que você sabe que você não passa de uma cientista qualquer para ele.
— Romanoff, se contenha! Você vai ajudar, ou as consequências serão severas.
— Eu já estou com missão dada mesmo, só mais dois anos e eu saio para executá-la — Romanoff falou, verificando o pente da arma. — Vai querer sair da minha frente para eu ir treinar ou quer que eu treine em você?
Kiyoko deu um passo para o lado e deixou que Romanoff passasse, na qual ela passou furiosamente; treinou tirando toda sua raiva do Projeto com a nova “cobaia”, inadmissível o que queriam fazer com uma garota de sete anos, mas ela não podia fazer nada, só se afastar do Projeto, coisa que Schmidt não ia permitir, já que quem dava a última palavra, literalmente, era ele.

Romanoff, depois de ter sido capturada pela H.Y.D.R.A., teve suas memórias apagadas com base de uma sequência — números —, claro que todos da S.H.I.E.L.D. ainda estavam na busca por ela, algo que não tinha muito sucesso, já que os sequestradores não deixaram nenhum rastro para poder segui-los, mas mesmo assim, eles não deixaram de procurá-la, até em outros países eles já foram em busca dela, mas a H.Y.D.R.A. conseguia sumir até com algo fútil ao olhar dos outros.
Um mês se passou e por conta de uma leve ameaça, Romanoff resolveu ajudar no Projeto GF 96, mas com coisas completamente básicas e leves, como treinamento com armas e, em troca, ela poderia fazer a missão dela em um ano, e claro que depois de conseguir concluir, ela seria “entregue” para a S.H.I.E.L.D.

••

Depois de fortalecer o corpo de com tudo que precisava para começar com o Projeto e que teria que começar com uma linda sequência de bateria de exames completamente puxados — desde o exame de sangue até o teste de resistência fizeram em . Mas não ache que foi algo completamente tranquilo para uma criança de sete anos, foi com certeza um dos piores dias que ela já passou em sua vida.
E ela nem sequer sabia o que estava acontecendo para eles estarem fazendo aquilo com ela.
No auge da madrugada, foi liberada para voltar ao seu quarto, que voltou se escorando nas paredes cinzas e frias da base secreta. Liberada depois de um mês sem descanso, quase que não suportando tudo o que estava se passando naquele lugar frio, e claro, se rendendo para toda a sequência de tortura — denominado assim por ela — que estava passando. Ao entrar em seu quarto, viu uma mulher sentada em uma das poltronas brancas, acendeu a luz e assim pôde ver melhor o rosto da mulher. Romanoff.
— Quem é você? — perguntou.
— Romanoff, uma “agente da Hydra”. — Romanoff fez aspas com os dedos disfarçadamente, já que ela não podia relatar que se lembrava da S.H.I.E.L.D., pois claramente colocaram escuta na mesma.
— Você tam... também faz part... — Respirou fundo, odiava quando sua voz falhava. — Parte do treinamento? — falou com a voz completamente falhada.
— Também, mas não vou treinar, nem fazer o mesmo que eles estão fazendo com você.
— E o qu... que você vai me ajudar a treinar?
— Com armas.
— Agora?! — falou mais desapontada e assustada.
— Não, uma hora da tarde te encontro na sala de tiro três, esteja lá pontualmente! — Romanoff disse indo na direção de .
— Ok.
— Relaxe, respire fundo e calmamente assim. — Romanoff mostrou como controlar. — Desse jeito você consegue ter mais controle para poder ganhar dos grandões e fazer com que você possa ir melhor aos treinamentos da Hydra.
, que continuava apoiada na parede, relaxou e começou a respirar fundo igual à Romanoff, automaticamente, ela sentiu uma recarga leve de energia para poder manter seus músculos firmes e poder desencostar da parede. Claro que ia precisar de uma boa noite de sono para poder ter mais energia que aquele controle de respiração estava lhe dando. Claro que tinha percebido que tinha algo de “estranho”, já que ninguém naquele lugar tinha sido tão amigável com ela.
— Isso, agora descanse, e quero você amanhã com mais energia que o normal — Romanoff falou.
— Só para um treinamento de armas? Eu tenho apenas sete anos!
— Com sua idade, eu já sabia fazer coisas piores — Romanoff falou saindo do quarto. — Boa noite.
— Boa noite.
Ainda mais cansada do que outra coisa, apenas tirou a roupa de treino e colocou uma qualquer, deitou-se em sua cama e caiu no sono em questão de segundos — segundos que se passou rápido. acordou assustada e ainda cansada, puxou sua boneca de pelúcia para seus braços, virou-se na cama, encostando suas costas na parede e ficou observando aquele quarto cinza, claro que só tinha a iluminação da lua. Ela ficou tentando se lembrar de alguma canção de ninar que sua mãe cantava para ela, mas foi apenas uma tentativa em vão. O que fizeram com ela tinha até apagado a memória mais simples de todas.
se perguntava o porquê que eles estavam fazendo isso com ela, todos aqueles exames de resistências, todos aqueles treinamentos e o porquê de aprender utilizar uma arma; sem saber que com tudo isso, ia ser colocado uma pequena coisa dentro dela chamada vingança, sem saber que era apenas um teste para torná-la em uma das maiores armas que a H.Y.D.R.A. já conseguiu fazer.

••

Na manhã seguinte, acordou mais disposta e já treinando a respiração que Romanoff havia lhe ensinado. Passou no refeitório, pegou apenas uma maçã e foi comendo a caminho da sala de tiro três. Durante o trajeto, ela passava olhando para dentro de cada sala, cada lugar tinha uma cena estranha e completamente complicada de decifrar, algumas salas haviam soldados que lutavam sem nenhum descanso e isso era nítido pelo modo que cada um mantinha seu corpo fora de postura para um combate corpo a corpo. Em outras salas, outras pessoas se sentiam angustiadas por conta da sequência de falas, e outra sala, que foi a que mais chamou atenção de . Escura com algumas luzes brancas, dentro dela estava um soldado com um braço de aço, que claro, era o que aparentava ser aos olhos de . Ele com certeza lutava melhor que qualquer um que estava dentro daquela sala, e até mesmo melhor que qualquer outro que ela viu lutando.
Ela ficou analisando o soldado e seus movimentos e pensou que até pudesse passar com ele para poder aprender a lutar, já que era isso que ela vinha fazendo desde que fizeram os exames de rotina. , em um estalo, lembrou-se do treinamento e foi correndo direto para a sala. Romanoff treinava com algumas armas de fogo e alternava para algumas armas brancas, não demorou muito para a ruiva perceber a presença de ali.
— Chegou cedo — Romanoff falou normalmente.
— Você falou para não me atrasar, e eu não me atrasei, acho que só fiz o que você pediu — disse e logo deu uma mordida em sua maçã.
— Você tem mais meia hora antes que o treino comece, pode ficar aí enquanto eu descanso — Romanoff falou saindo do local.
— Ok. Tudo bem se eu der mais uma volta pelos corredores? — falou em seu encalço.
— Sim, desde que esteja aqui às uma em ponto.
— Estarei!
saiu às pressas e foi novamente para aquela mesma sala, onde viu o tal soldado de braço de aço. Ao chegar ao local, ela viu que a sala já estava vazia. Tinha algo naquele local e naquele soldado que despertou a vontade de aprender a lutar. Decepcionada em não ter mais ninguém lá, especificamente o Soldado, voltou para a sala de tiro. Ao se virar, levou um grande susto que até deixou o resto da sua maçã cair. Só pela expressão de , poderia decifrar que ela estava congelada em se deparar com aquele Soldado atrás dela.
— Está tudo bem? — ele falou calmo.
— Sim, só estava esperando a hora do meu treinamento.
— Comigo? — o Soldado falou confuso e arqueou a sobrancelha.
— Não, com uma mulher ruiva, se eu não me engano, o nome dela é... Romanoff.
— Ah, sim, eu sei quem é. Qual é seu nome, soldada? — ele perguntou fazendo sinal para eles poderem andar.
Müller, mas pode chamar de , e não sou nenhuma soldada.
— Bucky Barnes, então por que você vai ser treinada?
— Bom, até onde eu sei, não sei. — deu os ombros.
— A Hydra não lhe passou o relatório?
— Não, nem mesmo o porquê de uma garota com sete anos precisa saber como manusear uma arma.
— Quantos anos? — Barnes disse pasmo e parado algum passo atrás de .
— Sete — ela falou normalmente.
— Você é aquela garotinha que eles acharam? — Barnes voltou a andar.
— Você se refere à explosão que teve atrás da minha casa e que meu irmão e meus pais morreram?
— Isso.
— Então sou eu, a sala é aquela ali. — apontou para a última sala do corredor.
Ele poderia estar completamente errado, mas ela era o Projeto GF 96 que Schmidt tanto falava naqueles últimos meses para o Soldado, que ele sabia que o próprio Projeto poderia mudar de nome. Ao chegar à sala, depois de uma conversa bem aleatória com , na qual estava cinco minutos adiantada, Barnes chamou Romanoff para uma conversa rápida, para não atrapalhar o treinamento de .
— Ela é o Projeto GF 96? — Barnes perguntou em um tom de voz baixo.
— Sim, Schmidt que quer o Projeto saia completamente perfeito, por isso está treinando ela desde cedo.
— Você quer dizer aos sete anos.
— Correto, você leu a ficha dela?
— Não, ela que me contou, na verdade, só me contou o que eu já sabia também.
— Mais nada?
— E você acha que depois que fizeram com ela, ela poderia lembrar-se de algo que eles apagaram? — Barnes perguntou desconfiado.
— Não, impossível.
— Vou deixar você treiná-la.
, durante a conversa, ficou olhando algumas armas que estavam em cima de uma mesa metálica. Nenhuma ali chamou atenção tanto quanto o modo de luta. Fazer o quê? Isso já estava em seu sangue, já que seu pai lutava boxe. O som do salto de Romanoff fez com que virasse e arrumasse a sua postura para poder começar o treinamento.
Romanoff pegou algumas armas e pentes, e colocou em seu coldre, depois pegou outro coldre e entregou para . Separou as mesmas armas que pegou para si e deixou tudo em fileira para que pudesse analisá-las.
— Aqui, pegue. — Romanoff entregou o coldre. — Você coloca o coldre em sua cintura, igual está em mim, e esse na sua coxa, entendeu?
— Sim.
observou por um tempo o coldre que Romanoff tinha em seu corpo e logo depois tentou copiar o da ruiva. Nada como complicado colocar um coldre em sua cintura e outro em sua coxa, tudo muito simples, só não poderia ser menos complicado se tivesse um coldre feito para corpo de uma garota de sete anos e mais nada. Mesmo tendo prendido do modo correto, eles caíram. levantou a cabeça e olhou para Romanoff, a primeira coisa que passou em seu pensamento era que Romanoff iria brigar com ela ou algo do tipo, como os outros instrutores fizeram com ela; só não esperava a reação que Romanoff esboçou.
— Está tudo bem. — Romanoff riu. — Você aprendeu do jeito certo, o único problema é que você não tem corpo de uma agente ou de uma soldada.
— Ufa, achei que você ia acabar gritando comigo — falou mais calma.
— Não, me deixa arrumar aqui para você. — Romanoff ajustou os coldres de . — Pronto.
— Obrigada.
— Agora, essas são as pistolas que você vai aprender a utilizar, uma .38, Glock 17L e uma 9MM, pegue-as. — Romanoff falou apontando para cada uma.
pegou as três armas que Romanoff apresentou para a garota junto com o pente de cada arma. Elas andaram até uma outra salinha que ficava dentro daquele mesmo ambiente. Romanoff apertou uma sequência de alvo para iniciantes e voltou para uma das cabines onde tinha deixado .
— Ok, esses são os cartuchos, certo? Basta você travar eles aqui. — Romanoff mostrou colocando no cabo. — E apertar o gatilho, a arma trava no momento que não tiver mais nenhuma para poder ser disparada, ok?
— Ok! Isso em todas?
— Sim, coloque esses fones no seu pescoço — Romanoff falou entregando.
— Pronto.
— Vamos começar, recarregue a 9MM e estique os braços, mantenha firme os braços e tente mirar no centro do alvo.
— Assim?
— Isso, apenas levante um pouco mais assim. — Romanoff mostrou a altura correta.
— Posso atirar? — falou animada.
— Pode, tente ter uma mira certeira.
— Tentarei.
colocou o fone e respirou fundo. Mirou bem no centro do alvo e atirou, um lindo tiro certeiro para uma iniciante, Romanoff e Müller ficaram surpresas, apesar de que o tiro certeiro foi apenas uma mera coincidência de acerto, nunca tinha manuseado uma arma, nem sequer uma 9MM.
Romanoff sabia que era nada mais que pura sorte, já que tinha tremido mais que qualquer outra coisa antes de apertar o gatilho; e foi assim por três horas consecutivas, e a cada trinta minutos do treinamento, Romanoff aumentava os objetivos e o limite de tempo. não estava tão exausta, já que sua única tarefa era carregar e atirar, e algumas vezes se movimentar entre as cabines. O que mais ajudava a manter energia e carga de ar em seus pulmões era a técnica que a ruiva havia lhe ensinado. Mesmo em um treinamento para uma iniciante e com apenas sete anos. Ela tinha uma boa movimentação e uma mira precisa, coisa que poucos só adquirem com o passar do tempo.
Saindo do treinamento com Romanoff, foi direto para seu quarto, tomou um banho rápido e colocou outra roupa de treinamento, ou melhor, de resistência. E mais uma vez, ia começar as piores horas do dia para aquela pequena garota de sete anos.
Em seu desenvolvimento durante as baterias de resistência, conseguiu superar muito mais que as outras vezes, estavam sendo melhores que do dia anterior, já que aplicava a técnica de respiração, ao que ela já começava a fazer sozinha sem precisar muito de se esforçar para lembrar-se de manter aquele controle de respiração. foi terminar as baterias quase cinco horas da manhã, isso se já não passava das cinco da manhã. Ao término, ela recebeu uma folha com o relatório do fim daquele mês de Junho, onde mostrava todo seu desempenho em todos os treinamentos e baterias de resistências.
Nele continha um gráfico onde mostrava muito bem que o potencial de em ambas as provas estava saindo mais do que o esperado, e que, em questão de um mês e meio, ela já poderia avançar em alguns treinamentos e entrar em outros, mas suas baterias de resistências iria continuar até que os cientistas, disfarçados de médicos, achassem que ela já estava pronta para poder dar o passo avançado. O que não sabia era que esse passo avançado seria o teste do Projeto GF 96.

••

Seis meses depois, já estava familiarizada com todos, principalmente com Romanoff, que fora as aulas com as armas, também ensinava coisas aleatórias para a menina, fora as conversas delas. Era desse modo que Romanoff e tiveram um elo forte. Romanoff, por si só, cuidava da garotinha como sua irmã, e o amor que sentia pela pequena não era diferente, e Müller? Bom, não era diferente, amava escutar tudo o que Romanoff tinha a dizer, coisas de mulheres e da vida, principalmente da vida.
— Quando você vai para a tal missão? — perguntou recolhendo as armas brancas.
— Daqui menos de um ano talvez, por quê?
— Para saber. Até onde eu sei, você está me treinando e eu preciso saber até onde vai o treinamento com minha amiga.
— Pode ter certeza que, até lá, vou ensinar tudo que eu sei e até mesmo um pouco mais, confie em mim — Romanoff falou completamente sincera.
— E eu confio, e eu sei que você vai ensinar tudo, eu só não estou preparada para receber a notícia que perdi mais uma pessoa que eu amo.
Ao escutar aquelas palavras acompanhada pelos olhos castanhos de marejados, Natasha sentiu um aperto no coração. Abraçou a garota, um abraço apertado de irmã para irmã. Por alguns minutos, Romanoff cogitou seu plano de voltar para a sede dos Vingadores e deixar dentro daquele lugar frio, mas ela sabia que, se fizesse isso, eles poderiam matá-la logo depois de conseguir o Tesseract. Mesmo com essa dor apertando friamente seu coração, Romanoff já tinha feito sua escolha e naquele abraço, prometeu para si mesma que voltaria com ou sem os Vingadores para conseguir salvar da H.Y.D.R.A.
— Eu vou voltar, você vai ver. — Romanoff se soltou do abraço.
— É bom mesmo, Nat, não quero ter que ir salvar você — brincou.
— Seria uma boa oportunidade de ver se o treinamento que te passei serviu para alguma coisa. — Romanoff riu.
— Você sabe que eu sei tudo e que aprendi rapidinho e decorei tudo.
— Convencida. Vai, o Barnes deve estar esperando você, não se atrase, já que é o primeiro treino dele com você.
— Ok, eu estou indo, Nat, até. — deu um abraço rápido em Romanoff.
— Até, .
foi correndo para a sala onde treinaria com Barnes, já que faltavam cinco minutos para começar seu treino. Por dois minutos, ela chegaria atrasada.
— Quer descansar um pouco? — o Soldado falou ironicamente.
— Não, eu tenho fôlego.
— Desde quando uma garotinha de sete anos tem tanto fôlego?
— Desde o dia que eu entrei para a H.Y.D.R.A. — deu um sorriso.
Ela tinha entrado para a H.Y.D.R.A., já que ela percebeu que aquele era seu mais novo lugar para chamar de lar.
— Vamos começar isso logo, fique ali. — Barnes apontou para uma linha branca no chão.
— Está bem. Pronto. E agora?
— O que você sabe de luta?
— Ah, muita coisa, como... Nada. É sério que você me fez essa pergunta? Nem parece que leu a minha grade de treinamento.
— Ok, vou te ensinar o básico de defesa.
— Está bem — ela repetiu.
— Vamos começar com o Krav Maga, O Krav Maga incorpora o boxe ocidental, chutes e joelhadas do karate, golpes da luta greco-Romana, luta no solo do Jiu-jitsu brasileiro, arremessos e agarramentos do Jiu Jitsu, e o mais importante, golpes explosivos adaptados do Wing Chun. Ele é, ao mesmo tempo, defesa e ataque, em vez de bloquear um ataque e então responder com outro, você bloqueia e ataca ao mesmo tempo. Por exemplo — Barnes falou, chegando mais perto de . — Não vou te machucar, calma, com o braço esquerdo é feito o bloqueio e o avanço, enquanto o defensor ataca com o punho direito na garganta do oponente, entendeu? — Barnes demonstrou em .
— Sim, sim, entendi.
— Poderia repetir?
— Claro, mas você é alto, não vai ajudar muito.
estava certa, mesmo o Soldado não sendo muito alto, não ia conseguir repetir a defesa nele, já que ela era menor por conta de sua idade.
— Bom... — Barnes deu um sorriso de leve. — Temos um problema então.
— Sim, o que posso fazer é repetir no ar, e se tiver errado você pode falar e me corrigir.
— Inteligente você, faça isso e eu vou analisar.
— Ok, primeiro com o meu braço esquerdo, eu faço o bloqueio e o avanço, depois eu coloco meu punho direito na garganta, está certo? — falou depois de fazer os movimentos no ar.
— Até que você não foi nada mal. Vamos fazer assim, vou lhe ensinar como manter a mão bem fechada e depois você dá um soco em um desses sacos de areia.
Barnes estava se irritando de ter que ir moderadamente com o treinamento, não sabia porque ele tinha que ser o instrutor de luta de .
— Ok.
— Dobre os dedos na altura da segunda articulação, onde a falange proximal encontra a falange média — Barnes falou demonstrando em sua mão. — Dobre novamente os dedos, de forma que a ponta de cada um fique protegida no meio da palma da mão, posicione e mantenha os polegares sobre os dedos indicador e médio de cada lado.
foi repetindo atentamente o que o Soldado falava e demonstrava.
— Não, não deixe o polegar debaixo dos outros dedos, ele tem que ficar em cima desse jeito!
— Ok, calma, senhor braço de metal! — riu e Barnes revirou os olhos.
— Desse jeito, você consegue quebrá-lo quando for lutar.
— Eu entendi, você pode prosseguir?
— Por último, você deve manter os punhos retos, sempre retos!
concordou com a cabeça.
O Soldado fez um sinal de espere com a mão e voltou com um boneco, colocou no centro do tatame, chamou a para mais perto e falou que ele seria o local para poder treinar, até ela tiver uma altura razoável para poder lutar com ele, mesmo ele achando aquilo algo bem fora do padrão de treino que ele sempre aplicava para os outros soldados. Barnes ensinou vários outros golpes de autodefesa, como escapar por um agarramento por trás, interromper um ataque lateral, de escapar de estrangulamento por trás, entre outras formas de defesa.
Durante o tempo de treinamento e os meses ao lado de , fez com que Barnes deixasse seu lado mais amoroso surgir bem sutilmente, tão sutilmente que nem mesmo o próprio Barnes percebeu. E, mais uma vez, conseguiu alguém dentro da H.Y.D.R.A. que pudesse cuidar e amparar nas piores horas, algo que ela mal sabia que estava mais perto do que ela pudesse imaginar.
Com o tempo, conseguiu aperfeiçoar alguns golpes de defesa e de ataque, nada muito elaborado, já que ele quis começar com coisas mais suaves por conta da idade e do porte físico de , e claro, com isso, só fazia com que Schmidt percebesse que ela era a pessoa certa para fazer parte do Projeto GF 96.

••

1999.

Fazia quase um ano que — ela estava com oito anos — estava lúcida e fazendo os treinamentos e os testes pela H.Y.D.R.A. Romanoff já tinha dado o relatório final dos treinamentos com Müller para Schmidt. Depois disso, ele chamou todos os tutores e cientistas que acompanhavam Müller de perto para uma reunião, fazendo assim com que só tivesse meio período de treinamento, e a partir daquele momento, ela recebesse relatórios de como algumas missões da H.Y.D.R.A. foram concluídas. Ao término da reunião, Romanoff recebeu a ordem para ir conversar e chamar a cobaia para uma pequena e curta reunião entre eles.
Romanoff deu duas batidas na porta e escutou um “Pode entrar” abafado.
— Oi! — falou alegre.
— Oi, estou atrapalhando?
— Não, estava apenas descansando e ouvindo um pouco de música, por quê?
— Schmidt quer falar com você junto com a Kiyoko.
— Algo aconteceu?
— Não, mas independente do que acontecer, você sabe, tem que se manter forte. — Natasha disse, com ar de tristeza em seu tom de voz.
— Você está me deixando assustada.
— É apenas uma forma de dizer que eu fico preocupada com você e que vou ficar preocupada com você durante a missão. Você sabe, eu não... — interrompeu Romanoff.
— Você não é bom em demonstrar amor, tudo bem. — riu. — Vamos?
Romanoff e saíram do quarto e foram para o laboratório; ao chegarem ao local, Schmidt e Kiyoko pararam de conversar e foram até as garotas, que estavam a poucos centímetros da porta.
Schmidt caminhava com um largo sorriso maligno e de satisfação nos lábios, o que ele mais desejava desde que conseguiu capturar , ia acontecer naquele fim de tarde. Kiyoko começou a falar a desculpa, que teria que fazer novos exames só para apenas poder fazer o Projeto GF 96 nela. Durante toda a explicação que Kiyoko passou para , e como já esperado, a garota bufou e soltou um “Sério que vocês não podem deixar isso para mais tarde?”, Kiyoko e Schmidt ignoraram e a levaram mais a fundo do laboratório.
Os quatros desceram uma escadinha de ferro, onde dava para uma sala branca, estranhou a sala nova, pois ela nunca havia entrado naquele ambiente, afinal, toda vez que precisava fazer os exames de rotina a cada três meses, era em uma sala que literalmente tinha aparência de ambulatório. Mas aquela era diferente, tinha um quarto revestido de vidro Policarbonato Compacto, lá dentro uma maca com cintos de couro branco, na qual ficava acoplado o caminho do soro até uma agulha mecânica, aos lados estavam o monitor de batimento cardíaco e respiratório, e do outro, o ganchinho onde pendurava os soros.
Na frente, ficavam os computadores que ajudavam os cientistas no monitoramento do paciente — no caso, a — e mais para a direita, uma pequena escada com mármore dava acesso a uma cabine onde as pessoas assistiam todo o processo dos cobaias.
Quando terminaram de descer as escadas, Romanoff viu que tudo estava pronto para o Projeto ser colocado em prática.
, eu já volto, ok? Tenho que fazer algumas coisas antes de ir — Romanoff falou do lado de e deu um leve aperto de mãos, já que ela não queria mostrar o afeto de ambas.
— Ok, volte logo, viu.
— Pode deixar.
Romanoff deixou sob os cuidados de Kiyoko e foi à procura do Soldado Invernal. Seria mais lógico ir direto ao centro de treinamento dele, já que era o maior passatempo do homem dentro daquele lugar, mas Romanoff optou por ir até o dormitório do Soldado Invernal. Durante o trajeto pelos corredores, era fácil de perceber a desconfiança dos outros agentes e soldados da H.Y.D.R.A. só pela visão periférica. Romanoff percebia que ninguém ali confiava nela, mesmo que Schmidt tenha dado a total certeza que Natasha Romanoff não estava mais “conectada” com a S.H.I.E.L.D.
Ao chegar ao dormitório de Barnes, Romanoff viu a porta entreaberta, com todo cuidado e com desconfiança que algo tinha dado errado, Natasha abriu a porta e se deparou com o Soldado olhando para o teto deitado em sua cama.
— Atrapalho? — Romanoff perguntou.
— Não. — Ele sentou. — Schmidt está me chamando?
— Na verdade, não. Só vim avisar que a Müller está em processo do Projeto — Romanoff falou desanimada.
— Já? Mas não era para ser amanhã, no fim do dia? — Barnes se levantou bruscamente de sua cama e foi em direção ao laboratório.
— Você conhece o Schmidt, ele está obcecado por esse Projeto — Romanoff falou, no encalço do Soldado Invernal.
— Ele nem a preparou?
— Não, e você acha que ele faria isso com a cobaia dele?
— Sim, já que ela vem sendo o único foco dele nesses últimos anos.
— Acho que você pode evitar que isso seja hoje.
— Eu espero, precisa, pelo menos, saber o que vão fazer com ela.
— Então corra, Soldado, ou pode ser tarde demais.
Romanoff mal tinha terminado sua frase e o Soldado Invernal já tinha se distanciado o suficiente da ruiva para que ela pudesse dar mais um aviso para ele. O que ele pensava e desejava, era proteger Müller do Projeto antes que fosse tarde demais, mesmo sabendo que ela estava sendo preparada para o Projeto. Por ele e por todos.
Não que ele queria parar o projeto e cuidar dela como se fosse apenas uma garotinha que encontrou, ele sabia, de alguma forma, que tinha a conhecido, que no fundo, tinha um sentimento sutil por ela nesse momento — claro, depois de tudo, ele poderia estar com um percentual de suas lembranças voltando, ou era apenas momentânea essa sensação.
Barnes correu o máximo que pôde, mas não foi o suficiente para poder impedir que o Projeto fosse injetado em Müller. Ele desceu as escadas o mais rápido, e mesmo antes de falar algo para Schmidt, ele já tinha um sinal para não fazer nenhum barulho que pudesse fazer se distrair e desconfiar. Ele apenas viu deitada e amarrada na maca com cintos de couro, com roupas brancas e o braço direito esticado de uma forma que nenhum dos cintos pudesse atrapalhar a agulha
Kiyoko pegou um saquinho com um líquido azul, pendurou em um dos ferrinhos que ficava ao lado, depois em uma das mesinhas de ferro — móvel — pegou uma seringa, onde continha um líquido roxo, deu três batidinhas na seringa e furou o topo do saquinho do líquido azul sem deixar que ambos os líquidos vazassem. Antes de aplicar o Projeto GF 96 em , ela deu uma anestesia fraca para que ela não sentisse nenhuma dor do líquido entrando em sua veia.
Schmidt subiu para uma salinha de vidro onde tinha uma visão panorâmica da sala abaixo. Depois de um sinal positivo de Kiyoko, Schmidt apertou o botão para abrir o áudio do microfone em um som razoável, para todos que estavam presentes na sala pudesse escutar. Ele anunciou o Projeto com tanto orgulho, que parecia que era seu filho que estava nascendo.
Hoje, dia dezoito de junho de mil novecentos e noventa e nove, estamos dando início ao Projeto GF 96, com a nossa mais jovem soldada Müller — Schmidt falou com o peito completamente estufado de satisfação e orgulho.
se assustou ao escutar o anúncio do Projeto, ela procurou em sua volta Romanoff ou Barnes para pedir ajuda a eles ou uma explicação do porquê eles fizeram aquilo com ela, e mesmo só passando os olhos em sua volta, ela não os encontrou. gritava desesperada para que eles parassem, se debatia na maca com tentativas de se soltar, mas mesmo usando todas suas forças, não teve sucesso. Kiyoko abriu a válvula para o soro Projeto GF 96 começasse a entrar em sua veia, aquele líquido gelado entrava rasgando em sua veia lentamente, a dor era insuportável. Ela gritava a ponto de suas cordas vocais não terem mais capacidade de emitir nenhum som. fechava suas mãos em formato de punho com uma extrema força que as deixava branca de tanto apertá-las, seus músculos começaram a se contrair e ficarem rígidos ao mesmo tempo.
não entendia mais nada, sua mente estava uma confusão. A cada gota do Projeto que entrava em sua corrente sanguínea, era um efeito completamente diferente, em alguns momentos, ela sentia que seu corpo ia se desmaterializar de tanta dor que ela sentia, em outro momento, ela sentia que poderia congelar ali em questão de segundos — por conta do gelado que estava dominado cada canto de seu corpo e, em outros momentos, ela sentia que o primeiro que ela olhasse nos olhos, era aquele que ela iria matar só pra descontar toda raiva, na qual ela não sabia o porquê estava sentindo.
Ao término do líquido azul meia noite, os batimentos de caíram, o desespero de todos na sala se transformou em silêncio total, só se escutava a respiração ofegante da cientista Kiyoko, por medo do Projeto ter falhado mais uma vez. Schmidt desceu da sala e foi logo em direção da cientista, cochichou um “O que aconteceu? Você falou que ia funcionar nesta garotinha!”. E foi mais que um disparo de medo, algo naquela sala tinha acontecido, que aparentava ter saído do esperado.




tinha apenas desmaiado de tanta dor, a anestesia que Kiyoko deu em Müller não foi o suficiente para ela não desmaiar. Ao receber o som do monitor dos batimentos cardíacos de , Soldado Invernal e Viúva Negra respiraram profundamente aliviados, Barnes escorou na parede e agradeceu em silêncio que estava viva ainda e que ainda não tinha acontecido nada de errado.
Romanoff foi a primeira que se aproximou de Müller depois de receber o Projeto GF 96; se aproximou com cautela e calma, pronta para ter que barrar a garota caso alguma coisa acontecesse ou algo tenha acontecido com ela durante a transição do projeto. Romanoff, depois de uns dois minutos ao lado de Müller, soltou os cintos de couro onde segurava: a cabeça, abdômen, cintura, braços, pernas, mãos e pés. Tudo com muita calma, sem nenhuma rapidez. Kiyoko se aproximou de Müller e começou a fazer um check up rápido na garota.
Aquela luz branca em cima de seus olhos não a incomodava tanto quanto aquela primeira luz vermelha quando acordou há quase um ano. Ela olhou calmamente pela sala, passando seus olhos em todos os cantos, logo de começo, da direita para a esquerda, pôde ver a ruiva que nunca se esqueceria, um pouco mais ao fundo, pôde ver Schmidt junto com outros cientistas e alguns homens com um sobretudo preto com o símbolo da H.Y.D.R.A.; antes que seus olhos chegasse ao rosto da cientista, ela pôde encontrar Bucky em uma distância razoavelmente longe, e, com um olhar completamente distante e decepcionado pelo fato ocorrido, Müller pôde entender tudo o que se passava com ele naquele momento, sem medir esforços de pergunta-lo, só não sabia desde quando ela poderia fazer aquilo. Por fim, pôde ver a cientista ao seu lado com um estetoscópio em sua mão, ela estava mais branca que o jaleco que usava.
respirava calmamente e era a mesma respiração que Romanoff tinha a ensinado. Schmidt, por sua vez, queria saber como sua jovem e linda cobaia tinha mudado com o projeto, e foi ele que quebrou o gelo daquela sala, fazendo uma pergunta de alto e bom som.
— Kiyoko, quais os índices dela? — Schmidt perguntou entusiasmado, com os olhos repletos de vontade para colocá-la em prática.
— Temos que fazer alguns exames, mas antes podemos fazer o básico do básico — Kiyoko respondeu, olhando para Schmidt. — Qual o seu nome? — a cientista perguntou, virando-se para Müller.
Müller — Müller disse, com toda certeza.
— Quantos anos você tem? Que ano você nasceu?
— Tenho oito anos, nasci em mil novecentos e noventa e um, por que a pergunta, Kiyoko? — Müller falou, sentando na maca com a ajuda de Romanoff.
— Quem é ela? — Kiyoko apontou para Romanoff.
— Natasha Romanoff. Kiyoko, você está bem?
— Schmidt, nada foi alterado nas lembranças do passado e do presente.
— Podemos dizer, então, que o projeto está dez por cento concluído? — Ele disse, andando de um lado para o outro dentro da sala.
— De uma escala de cem por cento, dez por cento está bem concluído. Romanoff e Barnes, vocês poderiam levá-la para o laboratório superior? — Kiyoko pediu, indo em direção à escada.
— Sim — Os dois falaram ao mesmo tempo.
A pedido de Kiyoko, Romanoff e Barnes ajudaram a subir para o laboratório superior; não conseguia andar ela sentia seu corpo completamente fraco e ainda sentia algumas dores terríveis em cada parte de seu corpo. Como não conseguia aguentar o peso de seu corpo, dificultava para que ambos pudessem levá-la para cima. Barnes pediu para que Romanoff soltasse o lado esquerdo de Müller, que fez sem hesitar o pedido. Barnes, em um movimento rápido, para evitar que caísse, passou seu braço por trás das costas e com o braço direito segurou as pernas dela.
O Soldado subiu as escadas com ela no colo e passou direto pelo laboratório superior, mesmo escutando uma advertência de Kiyoko, ele continuou levando-a para o dormitório, Romanoff apenas acompanhava sem esboçar nenhuma reação, mas por dentro comemorava o ato. Ao chegar ao dormitório de , Barnes a deixou na cama, na companhia de Romanoff, e foi falar com Kiyoko sobre o local que ela ia ficar e sobre os cuidados dele e de Romanoff.
Mesmo Kiyoko tendo acesso a todas as informações do Projeto GF 96, ela não fazia a menor ideia que antes de ter deitado naquela maca, Schmidt já tinha passado uma tarefa: — ou uma missão, como queria — manter Müller dentro de seu dormitório no período que Romanoff executa sua missão.
— Você sabe que se eu falar para Schmidt, ele pode muito bem... — Barnes cortou a cientista.
— Eu sei. — O Soldado puxou a cientista para fora. — Não precisa recitar as regras, eu as conheço muito bem, Schmidt não vai se importar, já que a partir de agora, eu e Romanoff vamos ficar aqui vigiando a garota.
— E por que você? Eu que estou no comando desse projeto, foi eu que renovei as fórmulas e achei a solução! — Kiyoko alterou o tom de sua voz.
— Você não precisa se preocupar, Schmidt pediu para que eu a mantivesse aqui, isso quer dizer que você terá que fazer todos os exames e o que for necessário aqui dentro deste dormitório. — Barnes apontou para a porta do dormitório. — Caso contrário, os cuidados dela podem ser pass…
— Eu entendi, me deixe entrar então. – Kiyoko esbarrou bruscamente no Soldado e ele relevou, já que ele não queria perder a cabeça naquele exato momento.
A cientista fez todos os exames e, pelo seu comunicador, pediu para que um de seus assistentes trouxesse o restante do equipamento para poder instalar no quarto de . Não demorou muito para que tudo já estivesse montado e conectados em . Romanoff ajudou Kiyoko a ligar tudo e monitorar os exames enquanto o Soldado Invernal ia de encontro com Schmidt, já que ele tinha sido chamado pelo seu comunicador, que se encontrava em sua sala no subsolo.
Barnes se despediu das garotas e foi até o elevador, apertou o botão "SS" e esperou o elevador sair do quinto andar, que ia lentamente e parando para embarcar mais pessoas, até chegar ao SS, SubSolo. Durante o tempo de espera para o próximo andar, Barnes teve leves flashes de seu passado, algo relacionado com um soldado magro e baixo, Barnes não conseguia identificar quem era só por essa mera lembrança rápida. Uma cientista, que estava no elevador com Bucky, o ajudou a restabelecer depois da tontura que ele sentiu, claro que Bucky não comentou com a cientista que ele mal sabia o nome, só sabia que era gostosa, e guardou aquela lembrança consigo mesmo. Ambas lembranças.
Ele saiu do elevador e agradeceu a cientista olhando de cima a baixo, sem ser discreto, e foi direto para a sala do Schmidt. O subsolo parecia ser mais frio e mais aterrorizador, sendo assim, mais escuro que os outros andares, já que era debaixo da terra e não tinha uma ótima iluminação; e a cor das paredes, preto acinzentado, não ajudava muito a clarear o ambiente.
Sabe como é, Caveira Vermelha sempre se empenhando e utilizando para poder se vingar de um de seus maiores inimigos e, para isso, ele faria de tudo, até fingir a própria morte e sequestrar uma criança para torná-la em uma arma letal. Johann Schmidt estava analisando os relatórios e os desempenhos de , ele queria porque queria que o projeto evoluísse logo no corpo da garota, claro que ele faria Kiyoko achar uma solução o mais breve possível, já que ela era mesmo apaixonada por ele, ia achar um jeito só para agradá-lo e vê-lo satisfeito, como sempre.
— Com licença — Barnes falou antes de entrar.
— Entre, Soldado Invernal, sente-se. — Schmidt apontou para a cadeira em frente da sua mesa. – Como Müller está?
— Bem, está se recuperando muito bem, a cientista Kiyoko ficou lá junto de Romanoff fazendo todos os exames após o projeto.
— Você acha que ela seria capaz de ter uma evolução avançada durante seis meses?
Barnes ficou espantado ao escutar a pergunta de Johann.
— Não, quer dizer, tem que ver, pois ela ainda está com o corpo de uma garota de oito anos.
— Veja isso com Kiyoko e me dê o retorno, eu tenho muito o que fazer aqui, e antes que eu me esqueça, você vai continuar como tutor dela tanto na luta quando na área de armas e o principal: não saia do lado dela durante o tempo que Romanoff tiver na missão dela... É bem capaz que aqueles... Tentem procurar a ruiva na nossa base e a última coisa que eles devem achar é a Müller. Entendeu? — Caveira Vermelha reforçou a "missão" do Soldado Invernal.
— Sim, senhor, e o senhor? Vai ser escoltado por quem?
— Eu vejo isso depois, o importante é a Müller.
— Ok, o senhor precisa de mais alguma coisa?
— Não, pode se retirar — Johann falou voltando a ler alguns relatórios.
Barnes saiu da sala de Schmidt, mais pensativo que antes, apesar que, o que mais dominava seu pensamento era aquela maldita lembrança. Durante o trajeto para o dormitório de , Barnes se cruzou com Romanoff, ambos precisavam conversar sobre o tempo que Romanoff ia passar fora, algo que ia acontecer daqui a cinco meses. Viúva Negra e o Soldado Invernal mudaram o caminho e foram para o dormitório de Romanoff, o local não fugia do padrão dos outros dormitórios, a única coisa que diferenciava era a posição dos móveis e alguns objetos pessoais.
— Fale. — Barnes encarou a ruiva encostando-se à porta.
Natasha tirou o ponto e deixou debaixo do seu travesseiro.
— Você sabe que... Podem me manter lá com eles... Eu queria lhe fazer um pedido, cuide muito bem da na minha ausência, depois do projeto ter sido injetado nela, é bem capaz que muita coisa nela altere de modo bem evoluído, por favor, não dei...
— Ninguém vai tocar nela Romanoff, eu não vou sair do lado dela de jeito nenhum, não ache que vou deixá-la sozinha, acho que você já sabe muito bem disso — O Soldado falou sério e dando ênfase na palavra. — Você vai voltar? Schmidt precisa que você termine algumas coisas com e ensine algumas coisas para ela.
— Eu não terminei — Romanoff falou, irritada. Ela chegou perto do soldado, tirou o ponto que estava no ouvido dele e jogou no chão de tanta raiva.
— O que você está fazendo? — O Soldado perguntou, confuso.
— Acho que você já sabe que se der certo, Schmidt vai querer algo dela... Não deixe fazer isso, estou deixando isso em suas mãos, não sei quanto tempo vou ficar nessa missão e o que ele vai fazer comigo — Romanoff falou, chegando mais perto do Soldado, faltando milímetros para que eles se encostassem. — Mas independentemente do que aconteça, se eu souber que algo aconteceu com a minha , eu mato você com minhas próprias mãos!
— Eu não vou deixar isso acontecer, nem nos sonhos de Schmidt — Barnes falou, segurando com força o braço de Romanoff.
— Não sei se devo confiar em você.
— A confia, e isso é o bastante!
Está certo que nessas horas uma leve troca de clima seria algo desnecessário, mas aquela aproximação dos dois daquela forma só fez com que juntasse a necessidade de ambos e a vontade de ambos. Barnes não pensou duas vezes em sua atitude e logo passou seu braço esquerdo com cuidado em volta de sua cintura, puxando mais ainda para perto de seu corpo. Eles se beijaram simultaneamente sem hesitação de ambas as partes, já que eles já haviam trocado olhares antes de acordasse definitivamente, não quebraram nenhuma regra, muito menos fizeram algo que não queriam, só juntaram o útil ao agradável; apenas da preocupação que eles tinham com , eles esqueceram por um longo tempo que ela precisava do amparo deles e passaram aquele final da noite até a madrugada do dia seguinte juntos. Longo tempo que garantiu algumas marcas na região do pescoço do Soldado.

••

No dia seguinte, Barnes saiu do dormitório de Romanoff e foi a caminho do dormitório de para ver como sua amiga estava. Ele bateu na porta esperando ouvir a autorização para poder entrar, com ele não ouviu, Barnes abriu a porta devagar e viu dormindo abraçando sua boneca de pelúcia. Tranquilizou-se ao vê-la dormindo, sim... Barnes tinha um medo grande de entrar no quarto da garota e perceber que o projeto havia tirado a vida dela. Ele sentou na poltrona e esperou ela acordar para poder ajudá-la caso ela estivesse ainda fraca.
— Parece que você teve uma noite boa, Soldado Invernal — falou, sem se mexer na cama.
— Já acordou? — Barnes desencostou do encosto e deu um sorriso de lado.
— Sim, não vou conseguir dormir por mais tempo, essa sua aparência de quem dormiu muito bem e obrigado se refere à algo que devo saber ou não? — perguntou, curiosa.
— Você está viva, o que mais seria? — disse o que era verdade.
— Não sei, algo tipo ruiva, magra, linda e com um corpo perfeito.
— Você está insinuando que eu e Romanoff passamos a noite juntos, criança? — Arqueou a sobrancelha.
— Não, só dei descrição dela, você que se entregou ainda mais com essas bochechas coradas. — sentou em sua cama.
— Eu... Depois falamos sobre isso. Vai precisar de ajuda? — Bucky mudou de assunto, completamente envergonhado.
— Não sei, vamos ver.
tentou se levantar sem ajuda de Bucky para poder fazer suas higienes matinais, com muito medo de cair. Ela levantou devagar e com todo cuidado, aquela sensação de fraqueza e todas as outras coisas sumiram depois que ela acordou; era como se não tivesse feito nenhum esforço, muito menos participado do projeto, ela conseguiu ficar de pé mantendo sua estabilidade normal sem muitos esforços. Mesmo conseguindo, Bucky ficava perto dela para qualquer eventualidade.
Enquanto fazia sua rotina matinal, Barnes ficou esperando encostado em uma das paredes. Romanoff entrou no quarto de Müller sem bater, por conta da intimidade que elas tinham. Ao entrar, ela levou um leve susto por ver Bucky encostado.
— Oi — Romanoff falou, um pouco tímida.
— Oi, bom dia — Barnes, disse normalmente.
está melhor?
— Sim.
— É, Bucky...
— Tudo bem, eu sei, ninguém vai saber. — Bucky chegou mais perto de Romanoff. — Nem de ontem nem de hoje.
Bucky deu um beijo calmo e suave em Romanoff, que a mesma respondeu do mesmo modo, um beijo calmo, suave e com pegada, nada mais que isso sem demonstrar amor ou outro tipo de sentimento, afinal, o único motivo para eles passarem uma noite juntos era apenas satisfazer a vontade de ambos. Bom, talvez.
O beijo não durou muito, foi mais um beijo de despedida daquele momento, aquele momento que deixou várias marcas em ambos os sentidos e em cada um. Não podiam negar que aquele momento iria deixar lembranças.
— Desculpe — falou, saindo do toalete. — Estou atrapalhando algo?
— Não, só estamos esperando você para poder ir tomar café juntos — Romanoff se pronunciou e deu graças a Deus que eles tinham parado o beijo uns segundos antes.
— Vamos? — Bucky perguntou.
— Ah, claro, eu vou de pijama enquanto ele está com a mesma roupa de ontem — deu uma indireta. — Me deixe me trocar primeiro, a Nat fica aqui comigo, caso algo aconteça — Müller falou, indo em direção ao guarda roupa.
— Está bem, estou esperando vocês lá fora.
— Ok — As amigas falaram juntas. — Para uma garota da sua idade, você é muito inteligente.
— É, eu sei. — deu um sorriso e riu.

••

Bucky? — Schmidt falou no comunicador.
Senhor, estou na escuta.
Você poderia fazer as honras e dar a introdução sobre o Projeto GF 96 para a senhorita Müller?
Claro, o senhor quer que eu faça isso na presença da senhorita Romanoff?
Tanto faz, só fale para ela do projeto.
Ok.

••

colocou a mesma sequência de roupa de treinamento, sem nenhuma recaída, isso seria bom, pois o Projeto GF 96 poderia ter dado certo ou o projeto poderia não ter dado em nada no DNA de Müller.
Ao sair do quarto, os três foram em direção ao refeitório; Bucky fez pegar um café da manhã bem reforçado, já que ela precisava de mais força, mesmo não querendo comer tanta coisa, pois estava realmente sem fome, ela foi obrigada a comer um café da manhã. Durante o café, Romanoff e Barnes explicaram sobre o Projeto GF 96 e o porquê dele estar sendo executado nela, claro que quem tomou a frente da explicação foi Romanoff, já que ela sabia utilizar palavras mais sutil com Müller.
, eu preciso lhe contar uma coisa importante.
— Pode dizer.
— Você consegue se lembrar do que aconteceu ontem?
— Se você diz sobre eu estar em uma maca, amarrada por cintos de couro e sentir dores inexplicáveis, sim.
falou do mesmo modo que ela tinha se "apresentado" para Bucky, e ele lembrou na hora a fala dela; "Você se refere à explosão que teve atrás da minha casa e que meu irmão e meu pai morreram?".
— Então, Schmidt designou você para o projeto pelo fato que... — Romanoff o interrompeu.
, você é uma garota incrível, e Schmidt sabia que você ia ser maravilhosa, mas quando ele descobriu que a explosão poderia ter afetado algo em você... — Romanoff mentiu com o coração apertado. — Então ele desenvolveu o Projeto GF 96, ele e a Kiyoko.
— E o que esse projeto favorece para mim? — falou, séria.
— Ele irá fornecer inúmeros benefícios, não posso dizer quais, pois quem sabe mais é a cientista Kiyoko, e saindo daqui, vamos lá vê-lá — Barnes justificou a falta de saber o que o projeto provocava.
— Ok, mas isso está muito confuso — falou, afundando sua cabeça em suas mãos.
— Calma, daqui a pouco Schmidt irá explicar tudo. — Romanoff colocou sua mão no ombro de .
— Estou calma, só não entendo por que vocês não podem explicar em forma de desenho. — Müller riu.
Os três terminaram o café e foram para a sala do Caveira Vermelha. Durante o trajeto, Viúva Negra passou em seu dormitório e pegou suas armas e seus coldres, tomou um banho rápido e foi em encontro ao Soldado Invernal e ao Projeto GF 96. Entraram no elevador e ficaram esperando o mesmo chegar ao subsolo e, como sempre, o elevador parava em alguns andares para poder pegar outras pessoas, uma delas a cientista Reven.
Os quatros chegaram à sala do Schmidt, sentaram nas poltronas. Esperaram que Schmidt pronunciasse e dissesse que o projeto tinha de ter efeito em contato ao DNA de Müller. Reven arrumou alguns papéis e entregou para Müller ler, lá continha toda informação falsa sobre o estado de saúde dela quando a encontraram. , mais uma vez, acreditou nas mentiras.
— Müller, não sabemos o que o projeto pode causar em você, só sabemos que sua imunidade está mais alta do que qualquer outro, suas forças estão mais elevadas, seus sentidos mais aguçados e claro que você pode ter outras alterações.
— Isso não vai alterar em nada o meu desenvolvimento?
— Não — Reven respondeu, sincera. — Você vai continuar normalmente, só que com grandes partes do sentido e saúde.
— Só? — Romanoff perguntou incrédula.
— Sim, o que você esperava, senhorita Romanoff? — Schmidt a encarou.
— Nada. – Ela se encostou na poltrona. — Achou que poderia ser outra coisa, Romanoff? — perguntou.
— Na verdade, achei que você iria ficar menos chata.
sorriu.
— Ela só queria fazer uma piada comigo, Senhor. — logo disparou ao ver o olhar do Caveira Vermelha para Romanoff.
— Tudo bem — Schmidt falou e saiu da sala. Ele não ia culpar as duas por terem criado um elo. E ainda era uma criança.
— Se tiver alguma dúvida ou sentir algo sem ser nos horários que você faz o check up, me chame. — Kiyoko entregou um ponto a . — Ou chame alguém como a Romanoff e o Barnes.
— Pode deixar. — Müller colocou o ponto. — Treinamento e teste de resistência tranquilamente? — se levantou.
— Sim, sem restrições.
— Obrigada.
saiu da sala de Schmidt com Romanoff e Barnes em seu encalço; saíram do elevador e foram para sala de treinamento, apenas Romanoff e Müller. Treinaram tiro com armas de precisão, tiro e corrida, e até mesmo treinamento com arma branca; sim, todas executadas com um nível de perfeição elevado, Kiyoko estava certa quando falou que até os sentidos de estariam aguçados, a garota conseguiu acertar todos os alvos, mas mesmo assim, Romanoff continuou com os treinamentos de Müller.
Passaram-se três meses, a cada dia que se passava provava que o projeto tinha dado completamente certo, que suas habilidades de luta só se aperfeiçoaram por conta da sua força extrema e de seu tutor, o Soldado Invernal, suas provas de arma branca e de fogo também tiveram ótimos resultados, além das provas de resistências que foram tiradas do seu roteiro e outras atividades foram incluídas com outros tutores, como uma delas o treinamento diário para manter a forma com um personal trainer.

••

20 de Setembro de 1999.

Romanoff se aprontava para sua missão, eram duas da madrugada, ela tinha certeza em deixar para trás e futuramente junto com os Vingadores, voltar para buscá-la; Viúva Negra escutou duas batidas na porta, ela caminhou calmamente até a porta e abriu. Uma garota pequena a abraçou, só pelo abraço, Romanoff sabia que era Müller, a ruiva deixou entrar, as amigas sentaram na cama e começaram a conversar.
A Ruiva tinha tentado passar mais algum tempo fingindo que o treinamento ainda não tinha terminado, mas nem tudo era do jeito que ela desejava. Mesmo sendo uma despedida para sempre, Natasha não queria esboçar nenhuma reação que denunciasse sua escolha pessoal. Mesmo não sabendo o porquê, Müller sentia uma diferença no comportamento da ruiva.
— Está calma para poder ir até lá e executar sua missão? — perguntou com os olhos marejados.
— Sim — Romanoff falou, colocando seu uniforme da H.Y.D.R.A. — Vai ser rápido, você vai ver, volto em questão de semanas.
— Quantas semanas?
— Quatro ou cinco semanas, mas eu volto, para podermos continuar juntas.
— Você é a Viúva Negra, certeza que vai se dar bem na missão.
— Não muito, acredite. — Ela riu pelo nariz.
Romanoff abraçou , que desabou em lágrimas, eram apenas muitos anos de diferença, apenas sessenta e três anos, mas Romanoff não tinha revelado sua idade para garota não se assustar. Foi um longo abraço de despedida, Romanoff soltou-se do abraço e enxugou as lágrimas de ; segurou na mão dela e disse que tudo iria ficar bem e assim deixá-la tranquila. Ela não queria voltar atrás ou falar que se lembrava de tudo.
Projeto GF 96 e Viúva Negra saíram de dentro do dormitório e foram para o local de embarque da Viúva Negra, Bucky estava lá, por qual motivo, não sabia, mas ela percebeu que ele estava com um comportamento estranho, como se estivesse sendo controlado. parou ao lado de Bucky e se despediu de Romanoff, esperou o avião fechar a porta e receber a ordem do Soldado Invernal para ela entrar na base da H.Y.D.R.A.
O Soldado continuava com aquele comportamento estranho, tentava puxar algum sorriso de Barnes, mas era em vão, as mesmas gracinhas que ela fazia nos intervalos dos treinamentos não o fizeram rir. Ela não sabia que ele estava sob o controle de Schmidt e que ia sair para poder fazer uma missão, que nem mesmo o Bucky que ela conheceu tinha esse conhecimento.
— Barnes?! — o chamou.
— Fale — O Soldado falou, arrogante e frio.
— Nada.
A garota saiu a passos rápidos, nunca e nenhuma vez, Barnes havia falado daquela maneira com ela, muito menos olhado com aqueles olhos, onde podia decifrar claramente que ele estava possuído por algo. Müller chegou ao seu quarto, trancou a porta e deitou em sua cama, esperando dar seis horas como sempre, para poder fazer o que fazia todas as manhãs, e esperava que Bucky só tivesse passado por algo difícil com Schmidt, sem querer descontar nela.
Na manhã seguinte, fez sua higiene matinal, colocou uma roupa qualquer e foi para o refeitório. Ela estranhou que Bucky não a esperava no corredor, como ele sempre fazia e ela sentiu falta do "Bom dia, " de Natasha pelo seu ponto. Ao chegar no refeitório, ela pegou quatro potinhos de frutas vermelhas, café com leite e um misto quente, que a essas alturas já estava frio, procurou por uma mesa livre com os olhos e sem precisar de muitos esforços, achou Barnes em uma mesa vazia com sua bandeja intocável e cabisbaixo, ele apoiava sua cabeça e sua mão biônica e seus cabelos cobriam seus olhos negros.
— Bucky? — disse, chamando atenção dele e com um pouco de medo por conta daquela madrugada.
.
Barnes levantou a cabeça, seu rosto estava um pouco avermelhado como se tivesse apanhado de alguém com a mesma força que ele, seu olho esquerdo estava um pouco inchado e sua voz demonstrava cansaço e muito sono.
— Posso? — apontou para o lugar vazio.
— Sim, por favor.
— Está tudo bem? — Müller deu um gole em seu café.
— Um pouco, acho que você pode até imaginar o porquê.
— Sim, é fácil de saber, já passou na enfermaria?
— Ainda não, mas nem vai precisar.
— Certeza?
— Sim.
— Então come para o senhor melhorar logo, senhor Soldado Invernal.
e Bucky sorriram e continuaram a tomar seu café da manhã, o clima estava pesado demais, frases curtas e pouco assunto, não era uma típica conversa que eles tinham; não tocou sobre o assunto daquela madrugada com Bucky ,nem sequer quis fazer Bucky falar o porquê ele estava daquele jeito. A garota fez questão de acompanhá-lo até a enfermaria e perder alguns minutos do seu treinamento com Adam.
Saíram da enfermaria com um clima de tensão entre os dois, Barnes lembrava–se de como ele havia falado e olhando para Müller, só não sabia como explicar para ela o que tinha acontecido e de um modo que nem os outros membros da H.Y.D.R.A. percebesse o assunto, principalmente o ponto dos dois estarem em off. Bucky seguiu em direção do elevador e se despediu de Müller, que continuou no andar do refeitório.
Novamente, o Soldado Invernal estava ao lado de Schmidt no subsolo.
— Você fez do jeito que eu mandei?
— Sim, Romanoff não vai se lembrar de nada, fiz do jeito que você mandou. Coloquei a Müller para dentro da base, despistei a garota e voltei para o avião...

••

Ele começou a relatar.
— Bucky, o que você está fazendo aqui? — Romanoff perguntou, vendo o Soldado Invernal entrando no avião.
— Sente-se — Bucky falou, completamente sério e frio, e apontando para uma das cadeiras.
— Bucky? — Romanoff colocou a mão em sua arma, mas os outros soldados a seguraram mais rápido.
— Por favor, sente-se — Bucky falou mais uma vez.
Os soldados tiraram todas as armas da Viúva Negra e a colocaram sentada, amarrando seus braços e pernas. Romanoff já sabia que eles iam falar a sequência para poder monitorar ela, o que eles não sabiam era que durante todo o preparo que eles faziam com ela, Viúva Negra já tinha achado um jeito de barrar e fingir completamente bem o que eles conseguiam causar nela. Angústia e dor.
Bucky terminou de ler a sequência e pediu para que a soltasse.
— Viúva Negra?
— Sim, senhor — Romanoff mentiu em estar completamente sob o comando deles.
— Qual a sua missão? — Bucky perguntou, para se certificar que ela estava lembrando apenas dela.
— Capturar o tesseract e trazer intacto.
— Correto, faça isso e voltei em menos de um mês, caso contrário, terei que ir até você e a matá-la.
— Sim, senhor.
Bucky, ao sair da cabine onde estava ele e Romanoff, passou por um dos locais onde estava um carro esperando. Iria executar uma missão simples, mas que lhe custou alguns hematomas.


••

Quando Bucky terminou de relatar, Caveira Vermelha colocava um sorriso nos lábios, tudo por saber que seu plano estava dando certo.
— Muito bem, Soldado Invernal, a próxima missão você já sabe.
— Sim, senhor.
— Pode se retirar.
As semanas iam passando e ia lidando com as saudades que sentia de Romanoff; como seus treinamentos estavam muito bem elevados, ela saía em missão local com alguns soldados e às vezes com o Bucky, que mantinha sempre aquela mesma postura, frio, arrogante e sério. Para uma garota de oito anos, conseguia fazer todas as missões bem feitas, e utilizava seus novos poderes que, aos poucos, ela e os outros iam descobrindo.
Em uma das missões de campo, Müller, ao lado do soldado Adam, descobriu que conseguia voar. Claro que isso foi em um momento meio atormentado para descobrir isso, já que todas suas balas tinham acabado, não tinha como outro soldado ou até mesmo o Soldado Invernal lhe entregar alguma munição, e como ela precisava sair de um fogo cruzado, ela apenas pensou e foi como vontade, ela conseguiu voar, algo meio que até a não conseguia explicar, mas que deixou Caveira Vermelha com mais vontade de descobrir o que mais ela podia fazer.
Em uma das conversas com Kiyoko, ela havia alertado que ela — — poderia acabar descobrindo algo que fizeram com ela e alertou que deveria colocar congelada novamente, mas de uma forma que ela iria crescendo sem afetar seu desenvolvimento, Schmidt negou e queria saber mais muito mais do que um simples voar.
— Olá — falou, parando ao lado do Soldado.
— Oi — ele falou, calmo e tranquilo, bem diferente de começar uma missão.
— Pronto para ir?
— Eu não vou, Schmidt quer que eu faça algumas coisas aqui.
— Eu vou sozinha? — falou, assustada.
— Sim, e se precisar de alguma coisa, só me chamar no ponto que eu ajudo.
— É sério isso? Eu tenho oito anos, Bucky!
— Sim. Você vai se sair bem, como nas outras.
— Nas outras, eu tinha você.
— Nas outras, você foi treinada por mim, e nunca precisou de uma mãozinha.
— Mas eu sabia que você estava lá.
— Fazemos assim, se você precisar de mim, eu estarei lá.
— Está bem. — Müller estendeu a mão para um "acordo" e Bucky estendeu a mão, selando o acordo.
— Vai lá, o helicóptero já está saindo.
— Até, Soldado.
— Até.
Sabe quando você está indo para um local e sente que algo de ruim pode acontecer por que você não consegue controlar algo dentro de você? Então, era isso que ela sentia quando entrou dentro daquele helicóptero.

••

saiu do helicóptero e sacou sua arma do coldre — feito especialmente para si — de sua coxa e carregou o gatilho, andou calmamente pelas ruas da Rússia em busca do que Caveira Vermelha falava que era algo como um dos metais mais forte que ele tinha descoberto que umas das gangues locais tinham achado e guardado em seu galpão.
— Acho que seria melhor você colocar o sobretudo para não dar nenhuma suspeita.
— Eu não pareço suspeita nem nada, só porque estou com meu uniforme, ele não vai da bandeira.
Ok, ela poderia não estar levantando suspeitas, mas seu uniforme completamente preto poderia chamar atenção, já que nele tinham várias armas "penduradas", não que seu uniforme fosse colado, mas era um tanto pouco justo. Müller deu um aviso em seu ponto que tinha achado o galpão e deu as coordenadas de como chegar ao local. entrou calmamente com sua arma em punho, olhou sobre uma coluna e analisou o ambiente e os elementos que tinham lá dentro. Havia um que estava analisando o tal metal com uma arma em cima da mesa, outro estava dormindo em uma espécie de colchão improvisado, havia outros dois em uma cozinha miúda, preparando algo instantâneo para comerem e mais outros capangas, que ficavam de tocaia na área superior do galpão, todos aparentavam um comportamento calmo e sempre em alerta.
Estamos apostos. — um dos soldados falou no comunicador.
Ok, se escutarem o primeiro tiro podem entrar, todos estão armados e o armamento é pesado. Tem quatros capangas na área superior do galpão. — falou baixo pelo comunicador.
Ok, estamos na espera.
tinha duas opções, ou fazia uma invasão furtivamente ou poderia entrar e apontar as duas armas e sair atirando em todos, mas como ela já tinha aprendido, Müller entrou furtivamente, mas continuou com sua arma em punho, passou rapidamente pela luz e foi em direção da escada que dava acesso a área superior. Logo no primeiro, ela deu uma coronhada e deitou ele no chão, ela fez esse mesmo processo nos outros quatros e desceu do andar superior.
Ela pensou rapidamente e viu que seria mais fácil ir direto ao que estava com o metal e depois deixar os outros três para trás. E foi isso que ela fez, no período que ela andava silenciosamente, ela deixou uma de suas facas caírem no chão, que por sinal, fez um barulho que alertou todos que estavam ali, Müller deslizou para trás de um barril de ferro, manteve sua respiração em intervalos grande para um momento de adrenalina, ela poderia precisar de todas as suas facas e, principalmente, ela não podia deixar nada para trás, ficou fitando sua faca e a prestando atenção nos capangas.
Müller estendeu a mão e sentiu uma energia dentro de si tomando conta de seu corpo, passando por toda a extensão e indo até a ponta de seus dedos, e como se fosse algo fantasiado de sua mente, um poder ainda transparente saiu de sua mão foi tranquilamente até a faca e pegou o objeto com seu poder. Ela se assustou e ficou surpresa de não ter que utilizar suas armas, mesmo sendo boa em tiro ela preferia sempre fazer as missões na furtividade.
O que mais a deixou intrigada foi como ela adquiriu aqueles poderes.
— Será que eu nasci com eles? — olhava para suas mãos. — Será que meus pais também tinham?
pegou a faca que permanecia em sua mão e acertou a nuca de um dos homens, ela sacou mais duas armas e mirou nos outros, que acertou com sucesso. andou até eles e chutou a arma para longe; agachou para verificar a pulsação deles, que estavam imperceptíveis de sentir, ela recolheu as facas, a limpou e colocou em seu cinto.
Objeto capturado. Não precisam ficar mais a postos para entrar, só observem o movimento externo.Ok. — Todos falaram em um coro.
Nada comum uma garota de oito anos comandando uma equipe de missão, mas quando ela tinha alguns poderes avançados, isso acabava sendo algo relevante para colocar como Capitã da missão. empunhou sua arma novamente e saiu calmamente, junto com os demais soldados da H.Y.D.R.A., ela entrou no helicóptero e seguiu voo para a base. colocou o metal grudado em seu corpo e manteve-se acordada durante a viagem toda.
Soldado Invernal a recebeu com um café quente e um casaco de couro, pegou o metal e segurou pela , ambos foram para a sala de Armamentos e Cia, e deixaram lá, como o Caveira Vermelha havia pedido; escutou pelo ponto que ela poderia descansar por quatro horas e depois seguir com sua rotina dentro da base. E claro que foi o que ela fez, o que ela mais queria era tirar aquela roupa e tomar um banho relaxante e dormir por horas seguidas, apesar dela não se cansar fácil, mas dormir também era algo que nunca ia mudar nela, dormir é seu maior amor e se ela não fazer isso, ela acabaria ficando mais arrogante do que era normalmente.
— Faz um favor? — parou na porta de seu dormitório.
— Sim.
— Poderia descarregar para mim? Não posso guardá-la engatilhada.
— Claro. — Bucky pegou a arma.
— Te vejo mais tarde no treinamento?
— Sim, espere por mim.
— Bom descanso.
— Obrigada.
E foi assim a semana de , fazendo missões ao lado de Bucky e outras não; mesmo estando em alguns treinamentos, ela já estava em um nível avançado para saber de algumas coisas. também recebeu a informação de que o nome do projeto que ela fez parte tinha apenas alterado o nome para Projeto 96 por motivos estéticos. Os únicos treinamentos que ela e Schmidt optaram por mais tempo eram de artes marciais e da análise comportamental, algo que priorizava muito; Bucky achava besteira continuar tendo treinamento com ela, já que ela estava cem por cento incríveis nos golpes e nas defesas. Já Adam insistia em ter por perto, mesmo com os altos níveis dela, era fundamental manter o treino. O que parcialmente ele não estava errado.
Desde o dia que deitou naquela maca e teve o Projeto 96 injetado nela, seu corpo teve o metabolismo avançado, que era perceptível ao tempo, não foi uma mudança de perceber imediatamente, mas era mais fácil perceber, já que fazia quase três semanas. Além da mudança física, a cor de seus cabelos, que eram castanhos claros, passou a serem pretos, literalmente pretos, e também seus olhos escureceram para castanho escuro, que quem olhasse, acharia que a cor era exatamente pretos.
Todos estavam percebendo essa mudança, alguns falavam que ela não tinha mais o corpo de uma criança de oito anos, já outros não repararam essa mudança e apenas via como uma garota treinada pela H.Y.D.R.A.

••

Em uma manhã fria, Projeto 96 acordou com fortes batidas em sua porta, que ainda estava de pijama gritou um "Já vai!" , ela se enrolou em seu cobertor preto e com uma cara de poucos amigos, abriu a porta.
— Bucky, é sério, a essa hora? É treinamento de invasão?
— Não... — Bucky falou, sério. — Posso entrar?
— Claro.
— Preciso que você mantenha calma e, por favor, se controle, ok? — Bucky sentou, e puxou para sentar ao seu lado.
— Você está me assustando.
— Você promete, ?
— Sim, é claro, fala logo, o que aconteceu?
— Acabamos de receber o relatório do Tesseract e você tem duas opções: ler ou ouvir o relatório.
— A Nat chegou? — falou, completamente alegre, sua expressão de sono e vontade de socar a cara de Bucky por tê-la acordado tinha sumido.
— Na verdade...
— Bucky, não trava, fale onde está e para de fingir que ela não está aqui, não tem mais graça, eu descobri tudo. — Müller levantou da cama.
poderia usar seus poderes e aprendizagem para saber que Barnes não estava mentindo, mas a felicidade tinha domado o coração de , que ela tinha esquecido-se disso tudo.
... — Bucky estava realmente com os olhos marejados. — Aqui está o relatório. — Bucky entregou uma pasta nas mãos de Müller.



abriu a pasta cor de creme com o nome Viúva Negra: Tesseract em negrito. O relatório da missão estava escrito em partes, primeiro o relatório em áudio de Romanoff e segundo por um dos soldados, que caso algo acontecesse — ele assumiria como líder da equipe — era digitado e relatado diretamente do avião. O relatório da Romanoff foi transcrevido pelo mecanismo artificial, sem colocar mais nenhuma vírgula. Romanoff relatava por áudio; no começo do áudio, a respiração de Romanoff estava estável e passando cada passo corretamente de acordo com o que acontecia.
••
Início do relatório, vinte e dois de setembro de mil novecentos e noventa e oito, quatro horas e quinze da manhã, indo em busca do Tesseract. Separação da equipe para não levantar suspeita, indo direto para o lugar de encontro, alguns agentes e soldados da S.H.I.E.L.D., espere...
••
O som do áudio começou a chiar e a falhar, era como se o ponto de Viúva Negra estivesse fora de seu corpo e caído de uma maneira que acabou fazendo com que algumas partes falassem, sendo assim não estavam detalhadas. Alguns sons de luta foram capazes de se escutar ao fundo, e também, podia escutar som de tiros. Romanoff colocou suas armas em seus coldres e levantou as mãos em forma de redenção, e logo depois fez um sinal para não a questionarem. Gavião Arqueiro e Capitão América não entenderam nada, desde o motivo de ela estar lutando com os agentes e com eles e, principalmente, de ela ter se rendido daquela forma sem mais sem menos, até porque ela usava o uniforme da H.Y.D.R.A.
Capitão América levantou a mão em sinal para os agentes cessarem fogo. Gavião Arqueiro chegou perto dela, falou algumas palavras baixa em seu ouvido e a única resposta que Clint teve foi:
— Espere, não faça nenhum som, só ao meu sinal.
Romanoff pegou seu ponto que estava em seu bolso enquanto Clint repetia as palavras da ruiva para o Capitão.
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Estou sendo atacada, pe... Sons de tiros. Capitão... Man... Sons de tiros. Mande reforços...
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Natasha Romanoff deu o sinal para Clint e Rogers a seguiram correndo, clara e novamente sem entender o porquê.
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É tarde demais, todos estão perto, não há reforços! Sons de tiros e explosões. O Tesseract... Missão fracassada.
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Natasha parou de correr e virou-se para os heróis, um pouco ofegante sabia que tudo estava dando certo. Olhou para Clint e, com algumas palavras que ele conseguiu compreender, o deixou perplexo, por que ela pediria para atirar nela? O receio foi grande, e sabia que não conseguiria errar, mas tentou. A sorte é que passou de raspão no braço. O olhar de desculpas junto de reprovação seria engraçado se não fosse naquele momento.
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Atingida, região do tórax... Me desculpe.
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Viúva Negra — Natasha Romanoff, faleceu na missão ”Tesseract”, após receber um tiro no tórax (Relatório Concluído).
leu todo o relatório em lágrimas. Barnes tentou acalmá-la, mas não conseguiu.
Sua dor de perda era tão grande que caiu de joelhos no chão, deixando toda a pasta cair junto a si, espalhando todas as folhas. Os poderes de começaram a se manifestar, movendo, flutuando todos os móveis e objetos que estavam dentro do quarto. Barnes se retirou do local, imediatamente com receio de que algo o acertasse, independente do que fosse, ele não sabia o que Müller tinha guardado dentro daquele quarto.
Soldado Invernal ficou do lado de fora, esperando escutar se tudo tinha se acalmado e se ela já tinha parado de chorar. Claro que ele não ficou perto da porta, mas ficou encostado na parede que ficava de frente para o dormitório sem deixar que nenhum outro soldado da H.Y.D.R.A. se aproximasse daquela porta que ele tanto fitava. Sua mão suava de tanto desespero de ela não aguentar e algo grave acabar acontecendo.
Um bom tempo depois, respirou fundo do mesmo jeitinho que havia aprendido com ela. Deitada no chão ao lado dos papéis do relatório, ela enxugava seu rosto; a dor da perda foi tão grande que passou quase trinta minutos chorando, e nem este tempo todo pôde tirar a tristeza e angústia de seu coração.
Entretanto, o seu olhar carregava algo que gostaria de saborear, a vingança. Queria fazê-lo sentir o mesmo que sentiu e o mesmo que ela sentiu, Capitão América seria o único que ela mataria, não importaria se não estivesse em sua missão.
Bucky entrou no quarto ao notar o silêncio. O cômodo estava revirado, não havia um móvel que havia ficado no lugar, o cenário era um dos piores que ele ficou imaginando que seria. Sutilmente ele se aproximou e a chamou, tirou o cabelo do rosto dela e procurou pelo olhar dela, olhos que estavam vagos e avermelhados; seus olhares se encontraram e os castanhos estavam diferentes, o roxo estava tão presente que jurou sentir um arrepio assustador passar por si.
? , você está bem?
Müller não respondeu na primeira vez, muito menos na segunda vez.
— É sério, pare com isso! Você está bem?
fechou os olhos e, ainda deitada, apenas virou a cabeça.
— Bucky, você acha mesmo que eu estou bem?
— Eu sei, mas além disso, quero saber como você está? — A pergunta a parou fisicamente. — E seus olhos. — Tentou falar, calmo, para não assustá-la.
— O que tem meus olhos? — levantou rapidamente, olhou em volta do quarto e viu um pedaço de espelho quebrado. — Mas que porr- que coisa é essa?! — Estava tão assustada com o que via.
— Talvez seja seu poder com as emoções, você precisa aprender a controlar.
— Mas isso não justifica.
— Compreendo, mas, por agora, tenta se recordar de boas memórias, ok?
Reconheceu a atitude dele e não deixaria de atender ao pedido dele, tentou puxar algumas memórias felizes.
Pegou um chocolate que ali tinha e entregou a ela, quem sabe poderia fazer um pequeno bem a ela. Ele esperou se acalmar mais e a envolveu em seu abraço. Passou todo o tempo sentado ao lado dela, a envolvendo em seus braços, com conversas que faziam se distrair e melhorar. E, durante toda a conversa, puxando as melhores lembranças de ambos, e assim os olhos roxos escuros de foram sumindo e voltando àqueles lindos olhos castanhos de Müller.
— Está mais calma?
— Acho que sim.
— Não queira se vingar, ele vai ficar com o peso na consciência, Schmidt vai fazer isso acontecer.
— Espero que sim, espero que Schmidt faça-o sentir tudo, pois se depender de mim...
Não precisou de meia palavra para saber que ela iria se vingar.
— Caso isso não aconteça nós dois cuidamos, pode ser? — Bucky sugeriu para a garota se sentir melhor.
— Pode ser. Você me ajuda a arrumar esse lugar?
— É claro, vamos levantar.
Barnes levantou e estendeu a mão para ajudar Müller. Os dois arrumaram o quarto, conversando entre poucas risadas. Ao terminar de arrumar, pegou as folhas da missão, desde o acordo até as folhas do relatório da missão, e colocou dentro da pasta com o símbolo deles, Müller fechou e entregou para Barnes.
Como tinha perdido o controle de seus poderes, seu ponto havia sido levemente estourado, já que estava em cima do criado mudo, então pelo ponto de Barnes, Müller ficou sabendo que Schmidt pediu para que eles comparecessem na sala dele.
Ele se lamentou por ter perdido uma de suas melhores “agentes”, na verdade, ele se lamentava mais por não ter conseguido o que ele queria. Ele não estava nem aí para Romanoff, a única coisa que ele queria era o Tesseract para apenas poder concluir um de seus planos que passou a ser sua obsessão depois que ele entrou no seu caminho.
Johann fez uma pequena cena para ver o quão havia sido atingida pela morte de Viúva Negra, e claro, logo de imediato ela já disse:
— Eu me vingaria com minhas próprias mãos!
Aquela frase soou como música para seus ouvidos, ele amou, já que pelo relatório da missão, era óbvio e compressivo que havia sido Capitão América que havia matado Romanoff; e estava mais que perceptível que ele havia gostado que ela estava obcecada para se vingar, afinal, foi para isso que Müller havia sido criada, para poder matar Capitão América, sem que alguém duvidasse que fosse o Caveira Vermelha que estava por trás disso, ter sua vingança de volta e o Cubo para si novamente. Era a melhor melodia que poderia presenciar.
Daquela madrugada em diante, teve que se acostumar e compreender que nunca mais iria ver Natasha Romanoff e que tinha que controlar sua raiva, e a melhor coisa para controlar era as missões em campo e treinamentos, em outras palavras, Boxe. Demorou muito tempo para ela tomar a postura de uma garota simpática, alegre e, entre outras qualidades, o que ela era e sempre foi, mas claro que não era impossível de ver como ela tinha amadurecido depois da perda de sua amiga; Müller estava mais fria e mais formal, suas formas de comportamento estavam mais para uma mulher adulta do que uma agente de sete anos que sempre falava algumas piadas durante a missão ou quando a missão era dada.
Os treinamentos por si haviam acabado, mas ela sempre treinava com Soldado Invernal e tiro por conta própria, já que era assim que ela mantinha sua forma.
servia fielmente a H.Y.D.R.A. ao lado de Soldado Invernal, os dois eram mais que um exemplo para todos dentro daquela base e para toda H.Y.D.R.A. ao mundo fora.
••

— Você é louca ou o quê? — Gavião Arqueiro disse, incrédulo. — O que deu em você para me induzir e atirar em sua direção?
— Despistando. Vamos, vocês precisam sair daqui e eu também, e o tiro só passou de raspão.
— Você está com alguma escuta? — Capitão América perguntou.
— A única. — Romanoff apontou para o chão onde tinha um pequeno ponto todo esmagado.
— Vamos, sentimos sua falta — Clint disse, estendo a mão para Romanoff.
— Eu também. — Sorriu de canto.
— A equipe toda achou que não íamos mais achar você — Rogers falou, dando uma verificada no local para saírem do beco. — Seu desaparecimento prolongou por muito tempo.
— Até cogitamos em dar como... — Clint não conseguiu completar a frase.
— Tudo bem, eu não poderia colocar vocês em risco, nem...
Romanoff se lembrou de Müller e o quanto aquela jogada dela tinha uma grande importância para poder salvá-la. Se tocasse no nome dela, Capitão e todos os outros poderiam querer ir até o local da base e capturar a menina, fazer vários testes, novamente ela passaria pelos testes, e por fim, poderiam declará-la como uma ameaça para a humanidade ou algo desse tipo.
— Nem? — Rogers olhou desconfiado.
— Nem mesmo o Cubo, eu explico melhor, só vamos chegar a um solo seguro, por favor.
Capitão América e Gavião Arqueiro concordaram com a Viúva Negra e foram até o local onde estava um carro estacionado; com eles, foram até o ponto estratégico para ir até a base da S.H.I.E.L.D. Durante o percurso, Romanoff contou o que viu dentro da H.Y.D.R.A.: a forma como eles conseguiram manipulá-la e também como ela conseguiu manter tudo discretamente além de comentar sobre as missões que realizou para eles.
Os dois únicos fatos que Romanoff não comentou foram Müller e Barnes. Müller para apenas proteger, já Barnes, por motivos à parte, só quando Nick Fury pedisse um relatório de todo o tempo que ela estava desaparecida, algo que fazia sentido em contar. Romanoff sentou em um dos bancos que tinha dentro da aeronave e ali descansava calmamente, algo que não fazia há muito tempo; despertou ao chegar à base, quando Clint a acordou. Fury estava à espera dela quando a aeronave pousou. O reencontro de Viúva Negra com Fury não foi muito amigável, mesmo ela tendo voltado para a S.H.I.E.L.D., ele estava desconfiado de Romanoff.
— Romanoff, que bom revê-la — Fury falou, parando na frente.
— Fury, digo o mesmo. Bom rever todos vocês.
— Vamos? Temos que conversar e pegar seu relatório — Fury disse em direção de um grande portão com os heróis em seu encalço.
— E matar a saudades — Clint disse em um sussurro perto de Romanoff.
— Essa é a parte que eu quero que chegue logo. — Natasha deu um sorriso doce.
Durante o caminho para a sala de Fury, Natasha ia cumprimentando alguns agentes que estavam pelos corredores. Para alguns, era como se estivessem vendo um fantasma e não conseguiam acreditar que por todo esse tempo ela estava viva. Aquela parte que não a julgava e não questionava o motivo de ela ter sumido apenas dava boas-vindas.
Ao entrar na sala de Fury, Viúva Negra viu uma mulher com um uniforme azul marinho com o brasão da S.H.I.E.L.D. no braço, cabelos completamente soltos e loiros. Natasha não reconhecia aquele rosto, mas sabia que era uma das agentes que tratava dos assuntos mais diretamente com Fury.
— Romanoff, se incomoda em fazer seu relatório aqui? — Fury sentava-se ao lado da loira.
— Não.
— Todos podem se retirar — Fury ordenou.
— Não! Eu quero que eles fiquem — Natasha falou mais sincera que em qualquer outro momento.
Nick faz um movimento sutil com a mão para que todos se acomodarem em suas cadeiras.
Com o semblante calmo e as palavras firmes, contou como foi o dia do acontecimento, há sete anos atrás.
••
1992. Dois anos atrás.

— Eu e Barton tínhamos acabado de chegar a Marrocos. A missão era mais que clara e objetiva: tínhamos que verificar se não tinha índices de um início da nova Hydra, não faria diferença se eu continuasse com o disfarce e deixasse Barton a sós ali, afinal, esse já tinha sido o combinado e nós íamos nos comunicando com o tempo e, principalmente, se tivéssemos alguma informação valiosa... Não era para ter sido tão diferente, mas acabei entrando em um dos becos para poder dar a continuação no trajeto que eu já tinha visto no mapa... Mas tinha algo ali que fez com que meu comunicador parasse e eu só fui perceber quando vi um homem, um tanto quanto suspeito. Tentei avisar Barton, mas eu não tinha retorno e não escutava nem mesmo a movimentação do ambiente que ele estava, foi quando eu senti uma forte corrente elétrica passando em meu corpo. A única coisa que eu pude ver era que era o mesmo homem de antes e tinha o brasão da H.Y.D.R.A. no sobretudo que ele usava.
Parando para pensar, Romanoff não tinha um porquê de estar mentindo para Fury, já que eles sabiam que em Marrocos, era uma das principais áreas que a H.Y.D.R.A. tinha em foco para manter uma base fixa. Tudo bagunçado e fora de ordem, para as pessoas não desconfiaram de nada, principalmente de um homem com um brasão meio povo meio caveira.
— Eu acordei em uma sala, sentada em uma cadeira com punhos e tornozelos amarrados. Meu equipamento estava em uma mesinha ao lado, eu consigo me lembrar de tudo. — Romanoff respirou fundo. — Eles falaram nas exatas palavras: “Você tem duas opções, ajude a gente por bem, ou ajude por mal”. Eu me debati, fiz o que pude para poder me soltar, mas as trancas, que eu deduzi que eram de ferro, estavam bem fechadas. Eu fiquei dias e dias sentada lá, ainda mais pelo fato de que eu neguei, então conforme a minha negação, eles começaram a manipular a minha mente com sequências de palavras e números... Eles fizeram isso durante dois anos e meio até eles terem certeza que eu estava sob controle deles. Por um tempo, eu ficava mesmo no controle deles, só que quando eu estava sozinha dentro daquela sala grande, cinza e fria, eu ficava pensando em várias maneiras e modo de como tentar reverter, e fingir que o que eles faziam comigo estava dando certo. Eu sei que parece impossível, mas eu estudei muito para poder sair daquela sala e mostrar para eles que eu estava, sem dúvidas, do lado deles e iria ajudá-los. Até eu conseguir uma pequena falha e saber qual seria meu destino, eu teria que ir até a S.H.I.E.L.D. sob o controle deles, pegar algo que Schmidt estava interessado...
— Schmidt? Johann Schmidt? — Capitão Rogers perguntou, intrigado.
— Sim. — Romanoff mudou seu contato visual. — Eu também achei que você tinha o matado naquele dia.
— Continue, por favor, senhorita Romanoff — Fury pediu.
Natasha voltou seu olhar para Fury.
— Até eu pegar a pasta, eu não sabia mesmo o que era, nem poderia imaginar o que era. A primeira análise que eu tinha feito, ao saber que teria que ir até a S.H.I.E.L.D., era matar o Capitão América, pois eu sabia desse acerto de contas deles, mas quando eu abri a pasta, estava escrito em negrito e em um tamanho bem razoável para ter a certeza que não era mentira, “Viúva Negra: Tesseract”. Depois disso, eu voltaria e eles me matariam... Caveira Vermelha desejava o Tesseract para poder colocar em uma das armas dele, eu não sei qual era... Eu não queria, mas aceitei com o objetivo de sair da H.Y.D.R.A. e poder voltar para a S.H.I.E.L.D., então fingi que a sequência deles tinha dado certo e que eles estavam no controle da situação, até o momento em que chegamos ao estacionamento onde a S.H.I.E.L.D. deixa seus agentes. Fingi o combate e despistei a escuta e a localização que eles tinham de mim.
Viúva Negra conseguiu omitir tão bem sobre Müller, que nem o próprio Fury suspeitou que faltava algo na história, nem mesmo qualquer outro a não ser Barton, que conhecia a amiga há um bom tempo.
Terminou onde ele já tinha conhecimento e não precisaria ouvir com tanta atenção, agradeceu quando ela finalizou e dispensou todos, ali em diante sabia que Nat não estava mentindo.
A caminho de seu cômodo, Romanoff sentiu uma mão puxando sutilmente seu braço, ao virar, ela se deparou com os olhos azuis que ela nunca se esqueceria de quem era. Barton. Estava com ar de preocupação e tentando ler o que se passava nos pensamentos de Viúva Negra, apenas pelo olhar; ele abraçou e deu um beijo em sua bochecha, depois desse gesto, os dois seguiram rumo ao dormitório de Natasha.
— Nat, está tudo bem mesmo? — Clint perguntou, encostando-se na porta.
— Sim, só estou cansada, ainda mais de manter meu foco para não ser manipulada.
— Certeza? Eu conheço você, Nat. — Ele sentou ao lado dela.
— Sim, não tem com o que se preocupar. — Natasha segurou a mão de Barton e deu um beijo rápido na bochecha dele.
— Então vou deixar você descansar, qualquer coisa, me chame.
— Pode deixar, até, Clint.
— Até, Nat.
Mesmo confiando em Barton, Romanoff não queria arriscar e falar da Müller para ele, muito menos na base da S.H.I.E.L.D., mas sabia que mais cedo ou mais tarde ele iria descobrir seu segredo. O que restava era descansar e rezar para que conseguisse se manter forte depois da notícia de sua morte, ela era a última que não queria machucar.
••
Doze horas depois. Dormitório da Romanoff.

Ela se levantou com um o rosto completamente inchado, andou até o toalete e lavou seu rosto com aquela água gelada. Ao levantar o rosto, ela viu atrás dela. Romanoff virou bruscamente, mas a garota já tinha sumido.
Romanoff acordou assustada, o sonho foi tão real que ela teve a sensação que Müller estava ao seu lado. Com cautela, ela saiu de sua cama e foi para o toalete, checou o local e logo em seguida fez sua higiene matinal. No caminho para a sala de reuniões, Romanoff passou por algumas salas que a faziam lembrar-se do Projeto 96 e sua consciência, culpava-se mais uma vez. Ao chegar ao corredor de reuniões, ela viu a porta aberta e com alguns dos membros do futuro Vingadores sentados na mesa quadrada, ao entrar na sala, ela deu um “bom dia” baixo e sentou do lado de Clint.
— Bom dia — a loira falou ao entrar na sala. — Fury estará aqui em cinco minutos, enquanto isso, ele pediu para que vocês lessem esses relatórios — a mulher falou, colocando os papéis na frente de cada herói.
— Qualquer dúvida... — Rogers começou a perguntar quando Fury o interrompeu.
— Eu irei tirá-las — Fury falou entrando na sala. — Heróis, reuni vocês aqui para podermos achar uma segurança maior para o Tesseract, vemos que Schmidt, junto da Hydra, está completamente obcecado nele mais uma vez. Pedi para que Simmons entregasse os relatórios de todo o conhecimento que temos sobre o cubo e com isso, nós vamos planejar e colocar em prática a segurança do Tesseract, e com base disso, vocês teriam alguma ideia ou forma para podermos mantê-lo mais seguro?
— Podemos manter na cela feita para o Hulk — Rogers sugeriu.
— Ah, claro, colocar o cubo em uma jaula feita para um monstro enorme, até porque o cubo vai querer sair de lá — Stark comentou. — Ou fazer um sistema avançado de segurança, um que ninguém conseguiu fazer até agora, sabe, tirando eu, é claro, e só teria acesso àquele que tivesse uma identidade única. — Stark se encostou à cadeira.
— Mandar para o lugar de origem seria mais sugestivo — Romanoff falou o óbvio.
— Não podemos fazer isso ainda, Romanoff, a Shield precisa dele ainda na terra.
— E espera que eles invadem o sistema e pegue no Tesseract?
— Não se o sistema for projetado por mim — Stark se gabou.
— Considerando isso senhor, Stark, você já poderia começar a projetá-lo? — Fury pediu.
— Sim, lhe entrego em dois dias. — Stark se levantou da cadeira, ajeitando seu paletó. — Fury. — Ele fez um gesto de despedida com a cabeça.
— E nós? — Romanoff perguntou.
— Acompanhe o senhor Stark e o ajude com as informações que vocês sabem da Hydra. Toda informação é valiosa para esse projeto... Ele já tentou uma vez, e quer tentar pela segunda vez — Fury falou sério.
Rogers e Romanoff saíram da sala e foram logo atrás de Stark, que não estava muito longe. Os três foram diretos para a Torre dos Vingadores, onde Tony começou a desenvolver, com a ajuda dos outros heróis, o mais novo sistema de proteção ao Tesseract, ou em outras palavras, P.S.T.T.T. Englobava de tudo, desde senhas numéricas até registro ocular, fora o acesso particular de J.A.R.V.I.S. no sistema que poderia dificultar qualquer acesso fora dos registrados.
••
Quatro dias depois.

Na base da H.Y.D.R.A., a única mudança perceptível que teve foi de Müller desde que tiveram a perda de Romanoff. Barnes não foi só o único a perceber, mas o primeiro a tentar ajudá-la. Durante todas as missões e treinamentos, a frieza e poucos sorrisos deixava o local frio.
Ao decorrer da semana, Schmidt a convocou para comparecer em seu escritório para poder debater o que fazer com a missão designada para Romanoff e principalmente se Müller queria fazer a missão dali a alguns anos.
— Não, na verdade, eu preciso pensar, não sei se é exatamente isso que eu quero fazer agora.
Caveira Vermelha bufou, levantou de sua poltrona reclinável, e foi para trás de . Parou a centímetros dela, que fechou o punho com toda sua força, ela já estava desconfiada com todos daquele ambiente, menos do Soldado Invernal.
— Tenho certeza que seria uma ótima oportunidade para poder matar Capitão América e se vingar da morte da sua amiga.
O ponto certo para poder fazer querer a missão.
— Mesmo assim, prefiro pensar um pouco — ela falou com a sede de vingança nos olhos. — O senhor terá minha resposta daqui a vinte e quatro horas, contando a partir de agora. — olhou para o relógio da parede que marcava exatamente vinte e duas horas e dezessete minutos.
— Ok, senhorita Müller. — Caveira Vermelha deu um sorriso vitorioso.
A resposta para si era clara, não conseguiu negar que iria aceitar. Ter o sabor da vingança em seus lábios iria saciar toda sua sede.
passou pela sala de treinamento de Bucky, olhou para dentro e o viu ensinando para outros soldados da H.Y.D.R.A. combate corpo a corpo. Ela andou a base completamente toda, foi até a área externa da base, estava focada no tempo, o tempo que pegaria a missão com quem ela iria ou se fazia tudo sozinha. Não ia aceitar e fazer por fazer, queria dar cada gota de sofrimento a aqueles que lhe causaram tanta dor.
Deitada em sua cama, esperando que uma resposta caísse do céu, coisa que seria impossível de acontecer, ouviu batidas na porta.
— Entre — falou logo quando as batidas em sua porta pararam.
— Você não foi lá no treinamento — Bucky falou ao se sentar na cama.
— Eu não estou muito afim.
— Romanoff?
— Também, tem a ver com tantos índices.
— Quais?
— Romanoff, Missão incompleta, Capitão América, Vingança, incerteza... — sentou-se na cama.
— Ele passou a missão dela para você?
— Sim.
— Você tem prazo para falar a resposta?
— Menos de vinte e quatro horas.
— Você não é obrigada a fazer isso, .
— Eu sei, só que você não compreenderia. — Seu olhar estava no chão. — Eu quero fazer, porém não agora.
Havia escutado algumas conversas pelos corredores cinzas, umas que deixaram seu interesse mais aguçado.
— Dá mais tempo para você pensar se termina o que ela começou ou se vinga.
— Eu pensei nisso quando estava lá fora, acho que farei isso.
— Isso o que, ?
— Aceitar e, até lá, escolher a forma de executar a missão.
— Uma escolha lógica.
— Assim espero. — suspirou. — É muita pressão, sabe? Eu só tenho sete anos de idade, e olha o que eu faço!
— Eu entendo, mas infelizmente as coisas aqui não tem medida, nem aqui e nem nesse mundo afora. Quer ir treinar um pouco ou sair pelas ruas de Munique?
— É sério? É madrugada, quase duas.
— Sério, vamos, você sabe que é apenas meia noite e alguns segundos. Para onde você quer ir?
— Não sei, que tal um sono bem relaxante? — Ela deitou na cama.
— Nada disso, ainda escolhe.
— O treinamento é mais amigável.
— Ok, então. — Bucky deu um sorriso de lado. — Vamos, criança.
— Hei, sou mais forte que você.
— Sei. — Bucky balançou a cabeça, concordando ironicamente.
Durante o treinamento, conseguiu colocar todos seus pensamentos em ordem, soava tão estranho ser uma criança de sete anos que tinha seus pensamentos de uma adulta. Não sabia o que era o ar de felicidade que poderia ter ao lado de uma família adotiva ou se o acidente tivesse sido evitado.
Ofegante, ela encostou na parede, bebeu sua água e sentou-se no banco, queria que as coisas fossem diferentes. Minutos depois, ela encontrou com Barnes na área externa da base — era um dos lugares mais agradáveis da H.Y.D.R.A.; explicou tudo o que havia pensando e queria colocar em prática. A principal exigência, que Barnes concordou, foi de fazer tudo que precisaria aos vinte e um anos.
••
Ela saiu do quarto, comeu alguma coisa que nem ela mesma prestou atenção ao pegar e tomou seu café extremamente forte e quente, virou um hábito depois que Natasha se foi. Fez seus treinamentos e passou seu tempo livre na área externa da base, como ela estava acostumada a fazer, e por fim ficou esperando as últimas horas para ir conversar com Schmidt.

Escritório do Schmidt.

— Com licença — falou, batendo na porta.
— Entre, senhorita Müller. — Schmidt estava com a cadeira virada.
não pensou, nem fez menção que prorrogaria aquela conversa. A frieza em seu olhar ao lado do minucioso sorriso de vingança apareceu em seus lábios, ela queria, mas não naquele exato momento.
— Sim — falou firme e decidida.
— E para quando? — Schmidt virou a cadeira.
— Aos meus vinte e um anos.
— Junto comigo. — Barnes entrou na sala. — Ela vai junto comigo.
Não esperava que o homem aparecesse.
— Não, é muito tempo. Vocês estão achando que podem fazer a hora que quiserem? — Schmidt alterou o tom de sua voz.
— Ela vai estar com vinte e um anos. Pense bem, Senhor, seria mais útil para aquilo que você quer e ninguém desconfiaria — Bucky falou, se aproximando de Schmidt.
— Isso não quer dizer nada, o prazo tem que ser curto.
— Ou as missões se juntam ou eu não dou continuidade, o senhor escolhe!
Schmidt ficou tomado de raiva com a petulância de em fazê-lo escolher. Ele parou na frente de Müller e olhou nos olhos dela, quase a matando com o olhar, mas nem se intimidou da forma que ele a olhava.
— Tudo bem, mas quero esse Tesseract em minhas mãos no primeiro momento que você tocar nele, deixe qualquer um para trás e traga-o para mim.
— Sim, senhor — respondeu, vitoriosa.
— Podem se retirar — ele respondeu ainda muito nervoso.
Bucky e saíram do escritório com um sorriso nos lábios, mas ela não trocou nenhuma palavra, apenas entrou no elevador e esperou chegar ao andar selecionado. A pequena segurança que sentiu em saber que Bucky estaria junto confortou a pequena parte de si que sentia medo.
Agora, iria treinar com toda a sua ira e deixar que o momento certo mostrasse que ele havia feito a pior escolha.
••
15 de Janeiro. 2009.

acordou às cinco da manhã, como todas as manhãs. Levantou, colocou uma roupa de sair, pegou a jaqueta de couro que era de Natasha e a colocou, saindo de seu quarto; enquanto ela ia em direção ao refeitório, um dos soldados, que também treinava com Barnes, chegou ao lado de e passou seu braço em volta do pescoço da garota.
— Parabéns — ele cochichou no ouvido de .
— Engraçadinho você, hein, Hanks, hoje não é meu aniversário. — tirou o braço de Hanks de seus ombros.
— Claro que é, vi na sua ficha, Baby. — Hanks colocou o braço nela novamente.
— Você anda mexendo na minha ficha? É sério isso? E você acha que eu ia deixar minha data de nascimento ali exposto para qualquer um ver. — parou de andar e tirou novamente o braço de seus ombros, ela torceu o membro, deixando Hanks gritando de dor. — Pergunte ao Bucky. — Ela apontou para o Soldado que vinha em direção dela e de Hanks. E soltou o braço.
, está tudo bem aqui? — Bucky falou, sério.
— Está tudo ótimo, não é, Hanks?
— Sim, Barnes. — Hanks fez um sinal de comprimento com a cabeça e logo se retirou, massageando seu braço.
— Hanks. Ele fez alguma coisa?
— Não, está tudo bem, só quis bancar de “pegador”.
Müller fez aspas com os dedos.
— Idiota. — Barnes suspirou pesado. — Vamos, temos que fazer algumas coisas para o Schmidt.
— É sério? Hoje é meu dia de folga.
— Sim, vamos tomar o café e ao meio dia você me espera no portão um de saída.
— Com o uniforme?
— Não, pode ser roupa normal.
— Está bem. — revirou os olhos. — Não está se esquecendo de nada? — ela perguntou, referindo-se ao seu aniversário.
— Não. Ah! — Barnes falou e abriu um sorriso. — Esqueci de engraxar minha bota.
fechou o sorriso.

Ela ficou esperando e esperando e esperando, trocou de roupa milhares de vezes, mas a jaqueta de couro era insubstituível; ela foi para o Portão Um para ficar esperando — mais ainda — o Soldado Invernal. O que ela não esperava era que eles não iam comemorar o aniversário dela da forma mais discreta possível.
viu um homem alto e moreno se aproximando, os cabelos levemente molhados com uma jaqueta jeans e blusa branca, a luva de couro ajudava a disfarçar sua mão biônica. Por alguns instantes era impossível não olhar para ele e não achá-lo completamente sexy, ainda mais com aquele cabelo molhado e aquela jaqueta jeans. Ele chegou mais perto e depositou um beijo na bochecha de , segurou o braço dela e delicadamente entrelaçou com o seu.
— Para onde vamos? — perguntou.
— Você vai ver.
— E estamos disfarçados?
— Sim — Barnes mentiu com um sorrisinho safado.
— Eu só não sei por que isso tinha que ser justo hoje.
— Você vai gostar.
— E desde quando se... Por que você está subindo em cima dessa moto?
Parou alguns metros atrás.
— A cada ano, essa sua mania aumenta de ficar perguntando.
— Engraçadinho. — mostrou a língua.
— Quer ajuda para subir, ?
— Eu estou bem, só não vai muito rápido, ok?
— Ok, a senhorita que manda.
riu, colocando o capacete.
Agarrou na cintura de Bucky — literalmente agarrou na cintura por medo da moto, afinal, era a primeira vez que ela andava em uma, ainda mais com Bucky, que tinha seu “histórico” de pilotar voando com a moto muito destacado na H.Y.D.R.A., mesmo ela confiando nele, não poderia confiar no lado aventureiro dele.
••
Barnes parou em frente a uma lanchonete com um clima retrô; sentaram perto da janela no último banco de couro azul turquesa. No local, tocava Jailhouse Rock, deixou a jaqueta ao seu lado e viu Barnes se aproximar do balcão para fazer o pedido.
— Nós viemos investigar as batatas com cheddar? Ou foi só um pretexto para sair comigo?
— Segunda opção. — Barnes deu um gole em seu refrigerante, entre sorrisos.
— Não precisava inventar uma missão para podermos sair juntos, você sabe, quando o assunto é sair e envolver comida, eu aceito. — riu.
— Eu sei, mas não foi por isso, é outro motivo. — Barnes fez um sinal com a mão.
Uma garçonete de patins parou ao lado da mesa deles e colocou um bolo de morango em cima da mesa com duas velas acesas. Vinte e um anos. Pendurado no braço da garçonete, havia uma pequena sacola branca com a escrita preta da Pandora. Entregou a sacola ao homem e saiu ao desejar:
— Nós do Jukebox Burger desejamos um feliz aniversário!
— Obrigada.
— Achou que eu tinha esquecido o seu aniversário, ? — Tinha um sorriso bobo nos lábios.
— Sim — falou sem jeito. — Achei que você só lembrava porque não tinha nenhuma missão perto do dia.
— Eu lembro três meses antes, assim eu penso no presente que te dar... Parabéns, minha pequena. — Bucky segurou a mão de .
— Obrigada.
— Agora assopre as velas e faça um pedido, e pode deixar, nada de parabéns para você.
riu e assoprou as velas, fazendo um único pedido, que pelo resto de sua vida, nada acontecesse com Bucky, só alguns vermelhões ou hematomas, mas nada de ruim. Ela não queria perder mais alguém especial e que amava tanto neste mundo. A garçonete voltou com dois pratos, garfos e uma espátula de cortar bolo, colocou os pedaços nos pratos e deixou que eles servissem.
— Morango — falou de olhos fechados ao sentir o sabor do bolo.
— É, um passarinho azul me contou que você gosta de morango, feliz aniversário — Bucky falou, entregando o presente.
— Não precisava, Bucky. — soltava o laço branco que fechava a sacolinha.
— São vinte e um anos, eu não ia deixar passar sem dar nenhum presente.
— Você diz isso todos os anos.
tirou uma pequena caixinha de dentro da sacola, ao abrir a caixinha, era um colar de prata, com uma corrente fina e delicada que segurava um pingente escrito: DarkStrow. Os olhos castanhos brilhavam ao ler, a felicidade de ele não ter esquecido e pelo presente.
— Você coloca em mim? — pediu.
— É claro.
Enquanto ele colocava o colar, sentiu um pequeno aperto do coração. Passou a olhar todos os detalhes daquele momento: a movimentação da rua, os mínimos detalhes do restaurante e do bolo, até mesmo o toque da luva em seu pescoço ela decorou. Não era sua intenção estragar seu próprio aniversário, mas se recordar que daqui a alguns meses ela iria para a missão que poderia tirar sua vida a deixou reflexiva.
agradeceu. O colar era sem dúvidas o presente mais lindo que ela já tinha ganhado em sua nova vida, apesar de que ela só ganhou presentes de duas pessoas, Barnes e Kiyoko, isso antes de ela perder Romanoff. Eles terminaram o bolo e o restante pediram para guardar para viagem, claro que não ficaria naquela comemoração com um bolo, fritas e o presente. Bucky a levou para o parque Tiergarten, andaram um pouco, compraram uma comida de rua e, no cair da noite, eles voltaram para a base da H.Y.D.R.A.
— Enfim chegamos, e eu não corri com a moto — Bucky falava, tirando o capacete.
— Ainda bem, porque eu não ia aguentar, teria que esmagar você. — sorriu.
— Não ia sair pilotando rápido, você pediu que eu não fosse rápido.
— E eu agradeço. Vamos, o jantar aqui só vai sair às nove horas e eu quero ainda comer um pedacinho do bolo.
— Passo lá daqui a quinze minutos. Tenho que tomar um banho e falar com Schmidt.
— A missão? — Müller falou séria.
— Sim, a missão.
— Ok então. Te espero daqui a quinze minutos.
— Guarda um pedaço para mim, hein! — Barnes falou, indo para outro caminho.
— Pode deixar.
virou o corredor para poder ir ao seu dormitório. Estava com a cabeça baixa, mexendo na sacola e esbarrou em alguém. Educadamente, ela se virou para se desculpar, mas o seu sorriso gentil sumiu ao ver que era o último homem que queria encontrar naquele momento.
Fechou os olhos e respirou profundamente para manter a paciência com o soldado.
, você me disse que hoje não era seu aniversário, mas vejo que você me enganou. — Hanks alterava o olhar dos olhos de Müller para a sacola onde estava o bolo e as velas.
— Ih?
Ih, só isso que você vai falar?
— É, não vejo o porquê de falar mais coisa.
— Você faz aniversário e não me fala nada? Como vamos poder comemorar juntos? — Hanks disse e colocou as suas mãos na cintura de .
— Podemos começar com você tirando essas mãos de mim, e eu já disse que não é meu aniversário. — tirou as mãos de Hanks.
— E por que eu vi a cientista Kiyoko colocar um presente no seu quarto?
— Por que você estava vigiando o quarto de ?
Bucky estava sério e já com seu uniforme da H.Y.D.R.A. Seus braços estavam cruzados na altura do tórax, seus olhos fitavam com raiva Hanks, que não sabia o que responder para Barnes.
— Responde! — Barnes levantou o tom de voz.
— Eu quero passar o aniversário com ela, eu tenho planos incríveis com ela — Hanks falou disparado e desafiador.
— Espero que esses planos incríveis não estejam incluídos em algo como...
— Estava, e como estava, e pode ter certeza que já está tudo planejado — Hanks falou, desafiador, e com um sorriso malicioso nos lábios.
— Querendo ou não, Hanks — foi para o lado de Bucky, evitando que uma briga começasse entre os dois. — Eu e Bucky, sabe, já estamos juntos há um bom tempinho, né, amor? — deu um beijo rápido nos lábios de Bucky.
— É verdade? — Hanks perguntou inconformado.
— É claro, por que eu mentiria? Né, Bucky?
— Sim — Barnes disse, confuso.
Hanks saiu revoltado e esbarrando em Barnes, inconformado com a ideia de Müller e Barnes estarem juntos há algum tempo, já que ele seguia praticamente todos os passos de dentro daquela base.
— Me desculpa — Müller pediu pelo beijo.
— Tudo bem, isso não vai sair daqui. — Bucky deu um sorriso encantador.
— Ainda bem, até porque foi a melhor parte de hoje. — Ela sorriu e saiu andando.
Tinha sido uma indireta? Ela assumiu que o beijo foi melhor até que o presente? Bucky sorriu da situação e, se não fosse por alguns motivos, ele investiria nesse relacionamento. Caminhou logo atrás dela, que ainda mantinha aquele sorriso ao sair do lado do Soldado.
foi para seu dormitório acompanhada de Bucky, eles comeram alguns pedaços de bolo, conversaram e o assunto principal não seria diferente.
Como dali a dois meses era a missão, ele estava repassando as ordens do Caveira Vermelha. Müller escutou atentamente e assentiu todas as ordens, menos a parte que, mesmo pegando o cubo, ela teria que voltar para Munique sem Barnes, e mesmo insistindo que não faria isso, Barnes foi obrigado a fazer com que aceitasse as ordens e que ela voltasse sã e salva.
••
Bucky não tinha conseguido fechar seus olhos e descansar, ele estava pensando naquelas palavras, será que eram reais ou ela apenas brincou com o homem? O beijo foi bem rápido naquela situação, mas foi bom e até demais. Os lábios dela eram macios e doces que ironicamente lembrava o gosto de morango, os olhos delas tinham um brilho único que combinava certinho com a cor rosada dos lábios, era linda até com o cabelo bagunçado quando saía do treino. Ele sem dúvidas estava fazendo uma análise completa da garota enquanto não sentia vontade de dormir, na verdade, a única vontade que ela sentia era ir até e tirar satisfações.
Mas não tinha o porquê, eles só eram amigos. Ele não precisava ficar preocupado com o que ela sentia ou deixava de sentir por ele. Bucky dormiu pensando na hipótese de sentir algo por ele, na verdade, era mais ele estar sentindo algo por ela e nunca ter percebido por conhecê-la desde pequena.
••
No dia seguinte.

Bucky estava de “folga” então não ia treinar , apenas vê-la treinando e talvez sair pelas ruas de Munique; após despertar, colocou uma jaqueta e uma blusa azul marinho e deixou o cabelo molhado como sempre fazia. Andou até o quarto de sem pressa, pois sabia que dali a dois minutos ela só estaria andando pelo corredor. E ele a viu, saindo do quarto com uma blusa xadrez vinho amarrada na cintura e amarrando o cabelo em um coque firme.
— Olá, Bucky, bom dia. — Ela o abraçou e depositou um beijo na bochecha.
— Bom dia, — disse, formal demais, nunca usava o nome dela.
— Está tudo bem? — Começou a andar. — Você nunca me chama pelo meu nome.
— Eu estou sim.
— Sei. — Olhou o soldado rapidamente. — Seu dia de folga é hoje? Vai levar alguém para sair hoje?
— E quem eu levaria?
Eles viraram o corredor.
— Não sei, alguém como aquela cientista.
— Não mesmo.
— Bucky. — Ela parou. — Você está bem mesmo? Você está me respondendo com frases curtas, não vai levar a Luise para sair e nem sequer está dando trabalho de esconder o que quer que seja, de mim.
— Eu estou bem. — Barnes se aproximou de . — Não se preocupe. — Deu um beijo no topo da testa da garota.
— Espero que não seja a missão.
— Confie, não é a missão.
— Eu confio em você.
Bucky começou a andar, deixando uma distância entre ele e , que permanecia parada e olhando-o se distanciar.
— Mas você está me deixando preocupada.
Ela disse em um tom baixo, ainda parada o observando a se distanciar; a agente se despertou de seus devaneios e caminhou até o refeitório, pegou seu café da manhã e se sentou em uma mesa distante de Barnes, na verdade, ela sentou-se na mesma mesa de sempre, ele que ficou em uma mesa com o soldado Canto e os outros, nem sempre ele conversava com eles, porém sempre alternava seu olhar para a garota.
mal tinha tocado em sua torrada com geleia, só tomando seu café. Que falta fazia Natasha nessas horas, Müller já se sentia sozinha e era pior quando ele se fechava do nada e nunca queria contar para ela, desse modo, o que a ajudava eram os treinamentos e as missões. Se levantou, jogou fora o que restou e colocou a bandeja do lado da lixeira. Foi para seu quarto, fez sua higiene e pegou a pasta das suas missões.
— Você não tem missão hoje — Bucky disse, encostado no batente da porta.
— Percebi.
— Quer fazer alguma coisa hoje?
Era ela que ia sair com ele hoje, agora tinha entendido de ele não querer levar a cientista.
— Não sei. — Se virou e encostou-se à escrivaninha. — Tenho que ver se os soldados não vão precisar de mim.
— Eles não vão precisar. — Ele esticou a mão. — Vamos.
— Não sei.
.
— Bucky, é sério, eu não posso sair assim, eu peguei o lugar da... — Engoliu a seco o nome. — Nat.
Ainda era difícil dizer o nome ou o apelido de sua melhor amiga, podia se passar anos e anos ela nunca ia conseguir superar. era agora a mais nova tutora de armas e luta básica. Para uma adolescente de vinte e um anos, ela era uma excelente tutora.
— Eles não vão precisar, eles estão lá com você por um motivo que você já sabe. — Ele se referia às curvas de .
— Então vamos. — segurou a mão que ainda estava estendida.
Era de manhã ainda, então eles tinham muito tempo para passarem juntos. Bucky parou sua moto no estacionamento do Sea Life, desceu e ajudou a descer, eles prenderam os capacetes na grade ao lado do banco e foram comprar o ingresso do Sea Life.
A beleza do lugar era indescritível. A ambientação mantinha, as luzes fracas para não irritar os animais marinhos; em algumas áreas, podia andar por túneis transparentes e ter a sensação de que estavam dentro da água junto deles. Aquela experiência era encantadora, não imaginava ser tão agradável aquele lugar.
— É lindo! — disse, olhando atentamente o túnel com água viva.
— Realmente, muito lindo — ele disse, a fitando intensamente. Estavam a sós e no meio de tantas dúvidas e sentimentos.
Seus olhos a acompanhavam, nada ao seu redor chamava tanta atenção quanto , apenas ela. A garota se aproximou da parede de vidro, puxou seu cabelo para o lado, deixando seu pescoço à mostra, e sexy. O Soldado se aproximou dela, sutilmente tirou a luva de sua mão e acariciou o braço dela, fazendo-a arrepiar com seu toque.
— O que mais quer fazer? — A voz de Bucky saiu fraca e um pouco rouca, sexy.
— Não sei, que tal ficar aqui até fechar e entrar em um aquário vazio? — Ela riu, sabia que Barnes não ia aceitar.
— É o que você quer?
— Eu disse que você está estranho.
Ela se virou. Estava tão próxima dele que seu coração acelerou, a pouca iluminação do local a deixou hesitando se ela se aproximava para um beijo ou se apenas continuava ali.
— Você não ia aceitar essa ideia, e agora aceita.
Não respondeu, apenas deu um meio sorriso e colocou a luva. Entrelaçou seus dedos e andou com ela por mais um tempo até achar um lugar agradável na praça de alimentação local. Conversaram com troca de olhares que mexeram com cada um.
Quando estava perto do horário de fechar, ele procurou uma piscina ou tanque que estivesse inativo, já ela ficou no lugar combinado utilizando um de seus celulares para hackear o sistema de segurança e evitar que fossem pegos. Ela desativou as câmeras que eram do trajeto deles saírem e foi até o local que eles tinham combinado de se “esconderem”.
— Oi. — Ela sentou ao lado dele.
— Tudo certo?
— Você quer mesmo fazer isso? Não é necessário — ela o alertou.
— Sim, eu quero. — Ele olhou nos olhos dela.
— Ok então. Agora é só esperar.
se encostou na parede e fechou os olhos, respirou fundo. Não era para nada daquilo estar acontecendo, não era para estarem juntos ali e muito menos ele ter aceitado a ideia dela, ele nunca aceitava as indiretas de Müller para ficarem juntos — sozinhos — e agora do nada ele aceitava. Isso realmente não era para está acontecendo. Os minutos demoraram para passar, era uma eternidade para eles. olhou seu relógio de pulso já que tinha desligado seu celular, eram quatro horas e cinquenta oito minutos, faltava tão pouco para fecharem e por sorte aquela área não era tão monitorada pelos seguranças.
— Cinco horas — Bucky avisou, se levantando. — Vai ficar ai?
estava paralisada, não podia ser verdade, ele realmente estava colocando em prática. Lá estava Barnes tirando as luvas e a jaqueta, logo em seguida, ela pôde ver a cicatriz, mas seus olhos focaram em outra parte, focaram especialmente no tórax e abdômen do soldado. Completamente definido.
tirou sua jaqueta xadrez, calça e seu tênis, pensou inúmeras vezes se tirava ou não sua regata, depois de receber uma encarada — que por si só dizia para ir logo —, sorriu envergonhada e foi até ele que já estava na beira da piscina.
— Não vai tirar?
— Não, eu coloco a xadrez depois.
— Lá fora vai estar frio quando sairmos.
— Não vamos voltar tarde. — Sentou-se na beira da piscina. Era uma das piscinas que permaneciam tratadas, ele se verificou antes de escolher.
— Eu tinha planos de voltar depois das dez horas.
— Bucky!
— Deveria tirar.
Aquele olhar, aquele maldito olhar a deixava sem jeito ele sabia muito bem como fazer isso. Era bem mais que “apenas olhando”, era como se ele já estivesse tirando a regata que ela usava. Com as bochechas coradas, ela tirou e jogou na direção que tinha deixado sua muda de roupa, enquanto Barnes já mergulhava. Estava extremamente sexy, o cabelo comprido dele a deixava mais caliente, mas isso não fazia diferença, ele a seduzia do mesmo modo.
Ele a deixava com a respiração falha, ela o deixava sem rumo. Involuntariamente, seus sentimentos nasceram por ele, e fazia apenas dois anos que ela tinha tomado conhecimento de tal amor que muitos livros e filmes falam.
Barnes nadou até ela e apoiou seus braços na piscina, ele mantinha seu olhar fixo na parede à sua frente, onde alguns minutos atrás eles estavam encostados.
— A água está fria, se eu fosse você, não entrava — provocou.
— Não tenho cisma com água fria.
— Estou percebendo, está sentada até agora. — Ele riu.
— Isso não quer dizer nada. — Ela entrou na água. — Meu Deus, que gelo!
— Eu falei. — Ele gargalhou e mergulhou. Foi até o meio da piscina. — Vem até aqui.
mergulhou até ele, os dois ficaram se encarando por longos segundos e depois mergulharam, a piscina que eles acharam tinha uma parede de vidro o que levaram a imaginar que algum momento aquele lugar havia sido um abrigo para algum animal marinho. Ao voltarem para a superfície para apenas receber mais oxigênio, Barnes a puxou para baixo, mantendo seu corpo colado ao da garota, sua mão passou pelas costas delicadamente fazendo o contorno das curvas delas, até chegar ao rosto dela e acariciou o mesmo. Por sorte, ele agradecia de poder sentir a pele macia dela ainda em seus dedos; segurando o rosto dela, Barnes a aproximou mais e selou seus lábios. Por quanto tempo ela esperou esse beijo, e só agora pode sentir de verdade. Eles voltaram para a superfície da água.
— Quanto tempo? — ele indagou.
— O quê?
— Que você gosta de mim.
— Como assim? — Se fez de desentendida.
, por favor, não se faça desentendida.
— Não tem um tempo certo — mentiu. — Só aconteceu ontem, e mais nada.
— Não parece.
— Eu imagino. Mas vai fazer diferença? Digo, você não vai sair e me deixar aqui, sozinha?
— Não faz diferença. — Se aproximou dos lábios dela. — Pois eu ainda vou continuar a beijá-la. — E selou seus lábios com os de .
O beijo aumentava com muita intensidade, ele a puxava para mais perto a cada segundo, a cada milésimo de segundos que aquele beijo durava. Nadaram até a borda da piscina — ele mais a empurrou do que nadaram —, parou o beijo para retomar o ar e sair da piscina depois de afastá-lo de si com cuidado. Barnes, sem entender nada, foi atrás dela até o armário com toalhas.
, está tudo bem?
— Sim, só que não estou acostumada a beijar dentro da água. — Ela o olhou. — É só estranho, é algo que não era para acontecer nem passar pelo pensamento de nenhum dos dois, e olha o que aconteceu.
— Isso não vai interferir em nada — Bucky disse, calmo. — E vai falar que em nenhum momento você hesitou. — Colocou um fio de cabelo atrás da orelha de .
— Eu não quis hesitar, mas vamos embora. — A jovem estava vermelha.
— Vou me vestir. — Ele sorriu e a beijou.
Müller foi o caminho todo quieta sem falar nada, mesmo voltando de moto para a base, ela estava quieta demais, nem mesmo reclamou da velocidade da que Barnes ia. Seus pensamentos estavam em um único objetivo, em um único porquê, ela não sentia que estava fazendo o certo nem mesmo o errado. Ele quis beijá-la e ela também, mas por que sentia toda aquela raiva dentro de si por ter o beijado?
No percurso todo, ela foi pensando naquele beijo, o mesmo tinha um significado para ela. sabia, ele era mais velho que ela, experiente em todos os sentidos e ela uma garota que nem sabia o que era realmente o amor; poderia ser momentâneo o que ela sentia ou só por ele ser homem, era tantas hipóteses que nem queria mais pensar sobre elas e ele. Os dois chegaram na base da H.Y.D.R.A., já era meia noite e alguma coisa, pouco se importava com os minutos naquela altura do campeonato.
Desceu da moto sem se incomodar se o capacete ia cair do banco — onde ela colocou —, andou em passos firmes e rápidos, entrou na base indo em direção do seu quarto, ela agradeceu por não está com sua bota que, mesmo com um saltinho pequeno, fazia o maior barulho. Bucky foi logo atrás dela sem mesmo se preocupar se alguém pegaria a moto, já que havia deixado a chave no contato. fechou a porta, a trancou e se afastou devagar dela, sentindo seus olhos transbordarem, Bucky batia freneticamente na porta e chamava por ela, com o tom de voz elevado — não muito. Depois de um tempo, ele parou de bater, deixando se vencer pelo cansaço, ele mantinha sua mão espalmada no lugar e sua testa encostada na madeira, ele sabia que de fato algo havia acontecido, e foi aí que toda sua ficha caiu, ela não gostava dele como ele tinha pensado naquela manhã. Foi um grande erro beijá-la.
Ele tinha interpretado errado, e não tinha como voltar atrás e explicar que só queria beijá-la. Afastou-se da porta e a encarou, cerrando os pulsos, respirou fundo e foi para seu dormitório, precisava pensar no que tinha feito e no que sentia por ela. Mas era inevitável assumir para si mesmo que precisava mais dos lábios dela, aquele sabor único que eles tinham comprovou que foi o melhor beijo que ele já havia dado — pelo menos era o que ele se lembrava. Fechou a porta com um empurrão, nem se deu o trabalho de trancar, tirou apenas sua blusa preta e as luvas e jogou-as em qualquer lugar.
Aquela garota tinha o deixado louco, brincando com sua imaginação, como será que era ela em um relacionamento? Como ela agia em um lugar mais privado ainda? Ele a amava e muito. Só nunca quis assumir para si mesmo que todo esse tempo, o perfume dela enquanto se abraçavam te dava a calmaria e aquele dia naquela maldita piscina ele teve a certeza que era isso que ele queria. Não teria ninguém que atrapalhasse ele, ele faria de tudo para os dois ficarem até o último momento que ele imaginava, juntos.
••
estava sentada na banheira enquanto ela enchia. Encolhida e abraçando suas pernas, ela repetia para si mesma que se envolver com Barnes não era a melhor ideia que ela já tivera em mente, ela queria distância desse amor ou atração, seja lá o que fosse. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar, ela fechou a torneira e deu graças ao bom Deus por ela ser a melhor agente da H.Y.D.R.A. por ter a banheira em seu dormitório.
Com seu pijama, ela fez o inesperado, colocou a mesinha de cabeceira encostada na porta — mesmo sabendo que estava trancada. Ajeitou seu colchão no chão e junto seus cobertores.
— Mas que merda, o que estou fazendo? — Socou o colchão. — Eu não posso, além de passar por cima das regras da Hydra, Bucky é mais velho que eu, eu não posso, mesmo o amando. Eu só queria...
Respirou fundo.
Dormiu com seus devaneios mais embaralhados que cartas de baralhos. Virava-se tantas vezes no colchão que já poderia considerar que seu cabelo estava com mais nós do que antes.

Ela acordou com o travesseiro em sua cara e com o corpo descoberto, sua cabeça estava pesada e seus olhos estavam difíceis de abrirem, se levantou, escolheu uma roupa qualquer. Saiu de seu quarto colocando o colar que tinha ganhado de Barnes e escondeu-o debaixo da blusa preta; estava mexendo no elástico de cabelo que estava em seu punho, era um sinal de nervosismo, ela queria conversar com ele, mas ao mesmo tempo ela não queria. Estava tão concentrada em seus pensamentos que nem percebeu que automaticamente já estava na frente da porta do refeitório, parada e encarando.
O corredor vazio, o som das conversas vindo lá de dentro e aquele corredor, só dava para escutar os batimentos do coração e os passos do soldado atrás dela. Sua respiração acelerou. Seu coração disparou. Suas mãos suavam frias e sentiu sua voz falhar quando sentiu os lábios húmidos encostarem-se a seu pescoço, os lábios dele fez ela se arrepiar toda. A mulher se virou para ele, que a encarava com desejo e amor.
— Você está me evitando ou estou enganado? — ele perguntou, disparado.
— Você está enganado, por que eu evitaria meu amigo?
— Por causa de ontem.
— Está tudo bem, não tem problemas. — Balançou os ombros.
— Tem muitos problemas.
— E quais são? — Encostou-se na parede.
— Nós dois, — Bucky falou sério. — Você é o meu problema, depois que eu te beijei, você se tornou o meu problema. Não me interessa quantos anos sou mais velho, ou as regras de convivência da Hydra, ou se Adam gosta de você ou o que você está sentindo agora. — A puxou pela cintura. — Eu te amo! Eu não vou deixar isso passar assim, por um simples beijo.
— Bucky, você não sabe o que está dizendo, foi só um momento, desde o que você sentiu até os nossos atos. — tentava manter o controle.
— Não, ! Foi o momento real mais real que eu já senti em toda minha vida. — Bucky não se lembrava daquela garota que anos atrás balançou seu coração. Então sim, ela foi a moça que fez seu coração balançar novamente. — Eu passei muito tempo tentando entender por que você, por que eu te amo tanto, e não acho explicação nenhuma.
— Bucky, chega! — Ela o empurrou. — Isso está errado, muito errado.
— Vai me dizer que não sentiu nada quando eu te beijei?!
Müller ficou em silêncio.
— Me responde!
— Sim, eu senti, claro que senti!
— Então por que você está lutando contra isso? — O homem acariciou o rosto dela.
— Porque é necessário. Está errado, você não vê? Primeiro, olha a diferença de idade, mais de cinco anos, você sabe o que é isso? — Ela começou a se alterar. E claramente ela não sabia a real idade. — Não podemos quebrar uma regra da Hydra, você sabe quais são as punições. Eu nem sei o que é amor nem os derivados dele! E não é com você que eu pretendo descobrir. Eu te amo, tá legal! Eu te amo, mas não vai acontecer na...
Pela a altura dela, Barnes teve que se curvar um pouco para beijá-la, ele puxou para mais perto de seu corpo enquanto ela “lutava” para não continuar o beijo, mas ela o amava era o que ela havia confirmado, e não conseguia resistir aquele beijo, muito menos de ficar envolvida nos braços dele. Pararam o beijo devagar apenas para recuperar o ar, por sorte, o corredor ainda estava vazio.
— Nós podemos arriscar. Você me encontra depois do treino lá no meu quarto? — Barnes a convidou.
— Sim, vou depois que eu terminar tudo — concordou.
— Então — ele falou perto dos lábios dela —, vamos entrar? — Sua voz saía extremamente sexy.
Ela sorriu e saiu indo em direção ao refeitório, Barnes sorriu de lado pela “vitória” e colocou a mão no bolso. Os dois entraram lado a lado como sempre faziam, pegaram seus respectivos cafés da manhã, e conversaram até o último segundo que eles tinham, já que ia passar um treinamento de campo para algumas agentes novas, e Barnes tinha os afazeres designados pelo Johann.
••
Em seu ponto, escutou Barnes avisando para encontrá-lo no dormitório dele, depois das dez horas da noite. Era o horário que todos já estariam nos dormitórios e os únicos acordados seriam os que faziam a segurança da base, todos do lado de fora. Não era tão simples, ainda tinha as câmeras e teria que usar seus poderes, o que ela não gostava muito já que não tinha o total controle.
De pijama, ela saiu de seu quarto e analisou o corredor, a cada câmera que ela se aproximava, ela a virava para cima, apontando cada uma para o teto até chegar no quarto dele. Bateu na porta da mesma forma que fazia o velho código morse; como ele já conhecia o apelido dela, ele destrancou a porta e deixou. O homem estava sem blusa, apenas com uma calça de moletom cinza escuro, os cabelos apresentavam que ele tinha saído do banho há alguns minutos atrás. Ele deu passagem para que ela pudesse entrar no dormitório.
— Por onde vamos começar? — Ela foi direta.
Ele se aproximou dela, segurou o rosto da garota com as duas mãos e selou rapidamente seus lábios, em um beijo rápido.
— Bucky, é sério. — Se soltou das mãos dele, e se aproximou do guarda roupa. — Por onde quer começar?
— Você vai continuar lutando contra o que sente?
— Sim, até você me dá um bom argumento para eu mudar de ideia.
— Você não abaixa a guarda nunca. — Passou a mão no cabelo. — , olha em sua volta, não vamos conseguir ficarmos juntos se não tentarmos, e isso começa aqui dentro. Se você quer recuar, pode recuar. Se você não quer tentar, não tente. Se não quer sentir o verdadeiro amor, não sinta, mas não venha aqui me olhando desse jeito enquanto eu poderia estar te beijando.
— Fala baixo. — Se aproximou. — Você acha que é fácil para mim? Enquanto eu queria estar lá fora vivendo uma vida normal, sem ter que treinar, matar, espionar e passar por testes de poderes... — Respirou fundo. — Mas que porra, Bucky, não é fácil quando eu sei que um único sequer toque pode fazer com que nós dois — apontou para si e o soldado — tenhamos que sair daqui sem sequer nos vermos mais, eu nem consigo mais falar, estou errando tudo.
Era típico dela, quando ficava nervosa, as falas embaralham e não conseguia — às vezes — terminar a frase formulada em seu pensamento. Os dois ficaram se olhando por um tempo, não tão longo, mas ficaram. Ela tentava manter a calma e não seguir o certo, o certo do papel que ela assinou ao lado de Schmidt, e ele para não beijar novamente aqueles lábios.
— Vamos tentar, se não der certo, se você sentir medo ou algo parecido, eu vou fingir que nunca tentamos nada, ok? — Se aproximou mais dela.
Ela bufou, porém de derrota. Escutar o coração podia ser a melhor escolha.
— Ok. — Ela sorriu. — Com uma condição.
— Pode falar. — A abraçou pela cintura.
— Não esqueça que nada de demonstração de amor aqui dentro — ela disse e sorriu ao ver que ele concordou com a cabeça.
Bucky a beijou, com amor e ternura, sem soltá-la dos seus braços. E imaginar que aquele lugar ia proporcionar o melhor momento para ele, depois de momentos de dores, tanto físicas quanto mentais, servir e fazer trabalhos que no fundo ele não desejava agora, justo agora perto de sua missão, ele achou o que — talvez — esteve procurando por “toda sua vida”. Entre beijos e sorrisos, ele a guiou até sua cama, a deitou delicadamente e ali a fez feliz, lhe deu os melhores beijos e toques que ela pudesse sentir, afinal ele era o primeiro dela e queria ser o primeiro em tudo, sem exceções.
Os beijos ficaram mais intensos, as mãos de Barnes procuravam por mais partes descobertas da pele dela. Não, não era que ela não queria, ela só não se sentia pronta, mas a dúvida de se entregar a ele era grande demais. Ela recuou, sentiu-se envergonhada por ter medo de se entregar assim, ela precisava de um pouco de água para se acalmar, ou então algo mais solto. Ela se levantou e pediu para que esperasse um pouco. Voltou para seu quarto, pegou a garrafa e o pequeno copo que ela guardava no guarda roupa, virou quase que um copo cheio de uma vez só e voltou para o quarto do moço.
••
O sol não refletia em nenhum canto daquele quarto, a janela estava fechada. Apoiou seu braço na cama, deixando seu corpo levemente curvado, pegou seu relógio e viu que já era tarde, tinha treinamento ainda e ver se precisava fazer algo a mais, mas não queria sair dali, do lado dela. Ficou admirando-a dormir igual um anjo e esperou que ela acordasse, o que não demorou muito.
O posicionamento dos móveis estava diferente, ela não reconhecia o local, a cama ficava quase que no meio do quarto, então tinha a certeza que não estava em seu quarto, sua cabeça doía, podia ser o efeito da bebida, foi um copo, mas era muito forte. se virou para o lado sem esperar que ele estaria lá com ela. Seus olhos arregalaram ao ver que ele se encontrava sem camisa e com uma expressão mais amável que já viu no rosto dele.
“Mas que merda eu fiz?!” A agente pensou sem ao menos se certificar.
— Bom dia — disse com um sorriso nos lábios.
— Bom dia, Bucky.



Um suspiro de alívio veio junto do sorriso. Não queria tomar atitudes precipitadas, principalmente depois de tomar uma única dose de bebida alcóolica.
Apoiou seu queixo no tórax e olhava apaixonada por ele, não sairia dali por nada naquele momento; depois de muitos dias sentido um frio em seu coração, ele pôde sentir um calorzinho agradável ao lado dela como, não oficial, sua namorada.
— Queria poder ficar aqui um pouco mais, mas eu estou começando a ficar com fome.
— E precisamos não dar motivos.
A recordou que ela queria daquela forma.
— Verdade, eu te vejo depois?
— Com toda certeza.
Beijou-a brevemente e a deixou retornar para o dormitório dela.
— Até, meu amor.
sorriu envergonhada ao escutar o adjetivo, era estranho ser chamada de meu amor, ainda mais vindo dele. Entrou em seu dormitório, trocou de roupa rapidamente sem ter tempo para um banho — coisa que ela odiava, acordar e não tomar um bom banho, foi para o refeitório, e se encontrou com Barnes. O dia foi normal como os outros, a única diferença era que os dois davam algum jeito para ficarem juntos durante o intervalo dos treinamentos.
Tudo estava dando certo, ninguém percebia que os dois estavam namorando, eles conseguiam disfarçar muito bem. Quando precisavam ficar algum tempo juntos, eles saiam no dia de folga ou se encontravam às escondidas no dormitório.

••


Dois meses depois.

— Bom dia, — disse, chegando por trás dela.
— Bom dia, Bucky, dormiu bem? — Enfaixava a mão para colocar a luva.
— Melhor do que nunca.
— Percebi, não foi tomar café, não foi na reunião da missão. — Ela segurava o riso.
— E o que ele falou? — Encostou-se à parede.
— Nada demais, só que você tem que fazer com que eu volte sã e salva aqui de novo.
— Precisamos sair outra vez, não estou aguentando ficar poucos minutos com você.
— Mas não tenho culpa se você está cansado. — Riu. — Tenha calma, soldado, logo teremos nossa folga, a missão já está chegando e o Schmidt vai deixar um tempinho de folga. Bucky, você realmente deveria ir conversar com ele, ele está estranho. — Entregou a outra luva para ele, como um pedido de ajuda.
— Estranho como? — Colocou a luva.
— Estranho no sentido que se você não for lá, alguém vai morrer, e esse alguém não sou eu, vai por mim.
— Vou vê-lo, mas antes, eu fiquei sabendo que mexeram no seu armário.
— Mas o quê?! — disse, arrancando as luvas que mal tinha colocado.
— Foi o Hanks, acho que ele estava procurando algo como o seu diário. — Andava logo atrás da garota.
— Ele quer morrer? — Andava rapidamente.
O grande corredor de armários facilitava para alguns soldados e agentes da H,Y.D.R.A. não precisar ficar indo e voltando de seus dormitórios. Tinha duas portas que dava acesso. Uma leve corridinha e ela chegou no seu armário.
Verificou o cadeado, as laterais dele, mas não havia nenhum índice de que Hanks tentou mexer no armário; para ter mais certeza, colocou o código do cadeado e tudo estava organizado como havia deixado. Seu olhar parou no armário ao lado, onde Barnes estava encostado com um mínimo sorriso no canto dos lábios.
— Você me trouxe aqui para quê? Não tem vergonha na cara não? — Apoiou as mãos na cintura.
— Não preciso dizer o que eu quero.
Se aproximou de , colocou uma mão na cintura dela, se aproximou e a beijou, nada subitamente, ela tinha entendido o que ele queria depois do armário. O homem sempre dava um jeito de ficar a sós com a agente. o empurrou e riu um pouco desconfortável com a situação, se afastando dele.
— Eu já disse para você parar com essa mania de me beijar nos lugares assim. — saia do abraço dele.
— Não tem nada demais, ninguém viu. — Tentou abraçar ela outra vez. — Espera, você está preocupada com a sua reputação?
— Não com a minha reputação, Bucky, nem com o que eu sou aqui dentro.
— Você é uma agente da Hydra, mais nada.
— Realmente, perder a porra da liberdade que conquistei não é mais nada, eu falei que era sem esses joguinhos e olha você aqui fazendo isso. — Começou a andar, não queria discutir com ele.
— Então sua reputação é bem mais valiosa do que o amor que sente por mim? — Ia atrás dela.
— Claro que não!
— Tem certeza? Porque se não fosse por ela — se referiu à reputação — você não estaria fazendo tudo isso.
— Barnes, é sério? Você agora vai se fazer de amorzinho e fingir que eu não te amo?! O que está acontecendo com você? Eu estou evitando que algo aconteça com nós dois, enquanto você fica ai com essa infantilidade de “não quer ficar comigo por conta da reputação”.
— Você não sabe viver, , fica aí nas regras, seguindo uma por uma, desde que Romanoff morreu, você está aí, fria e estranha, como se não tivesse nada no mundo que te fizesse feliz, não vai ser assim que você vai ter seus pais de volta e muito menos a Natasha.
Os olhos dela estavam vermelhos, não conseguia mais conter as lágrimas. Como ele pôde falar aquilo? Soava tão complicado entender que estava fazendo de tudo para manter o único momento feliz sem ser atrapalhado pela aquela merda de organização. Era difícil ele entender isso ou estava se fazendo de completo idiota?
Cerrou os punhos, e com todas suas forças não, deixou que seus poderes se manifestassem no vestiário. Deixou tudo como estava e saiu, sem ao menos se importar com ele chamando por seu nome.
, espera!
— Bucky, se você me seguir, pode ter certeza que não vou responder pelos meus atos.
Não esperou o soldado responder, só saiu e foi para qualquer lugar que ninguém atrapalhasse ela.
Daquele dia em diante os momentos passaram a ser diferentes. Poucas palavras eram trocadas entre eles sobre o relacionamento ou assuntos banais, havia momentos que Bucky tentava se aproximar e ela evitava; outros, ela pensava em ir conversar com ele, mas sempre algo acontecia e deixava para depois. E essa situação passou a ser contínua e arrastada, cansava para os dois e não tinha como compreender o porquê ficou daquele jeito.
Os dias passaram, e ela não tinha e nem tentava ter uma conversa civilizada com ele. Todas as vezes que Bucky tentava se aproximar dela, tanto para pedir desculpas do que ele falou — um ato desnecessário, já que sabia que a dor maior que ela sentia era da perda, e sobre algumas missões, ou ela não respondia ou era grossa, extremamente grossa.
Apenas um dia, onde quis conversar e ele aceitou; Era longe dali, longe daquelas paredes cinza e frias, longe das câmeras e dos agentes, longe dos cientistas, de Kiyoko e de Schmidt, apenas e Bucky. Entretanto, o que era para ser a conversa mais civilizada se tornou uma discussão, ela não conseguiu manter a calma e mostrar que estava certa, que fazia tudo aquilo por o amava, e como amava.
Mas para quê? Bucky não a ouvia, ele ia precisar de anos para entender aquelas palavras, e se fosse todos esses anos para entender, ela daria, porém com uma única condição: ela não daria o braço a torcer, estava certa, não negava isso, mas também não ia perder o que conquistou dentro daquela maldita base.

••


Munique estava linda com aquele pôr do sol meio borrado, os vidros canelados não dava a melhor vista, mas diga-se de passagem que ela tinha uma boa imaginação e também já tinha presenciado o pôr do sol. Naquele momento, ela decidiu ir conversar com Bucky, eram quase dois meses com todo aquele clima ridículo deles.
— Eu estou, .
Abriu a porta, sendo áspero. Não esperava que ela estaria ali na sua porta.
— Oi.
— Oi, desculpa, eu...
— Não, tudo bem, eu sei que você não esperava eu. — Sorriu para confortá-lo. — Posso entrar?
Ele concordou com a cabeça e deu uma licença para ela. Seu coração perdeu seu compasso das batidas apenas com aquele perfume levemente cítrico com toque floral.
— Queria conversar contigo, sobre nós.
— Sim, também é algo que quero. Aquele dia, , me desculpa, realmente saiu sem eu raciocinar.
— Hoje eu sei, mas isso não quer dizer que toda a minha atitude era por quem eu sou aqui. — Aproximou-se dele. — Depois que a Nat se foi, você passou a ser a única pessoa que tirava um sorriso de mim e a única que eu amo, eu tomei todas as precauções para evitar o máximo de perder tudo que a gente tinha.
— E peço desculpas, . — Segurou o rosto dela. — Deveria ter entendido isso muito antes daquela brincadeira estúpida, flertes aqui e ali, como sempre fazíamos, era o que eu devia ter feito... Falei tudo errado, levei para o lado errado.
— Na verdade, viver um relacionamento aqui não é fácil, a gente sabia, e nosso trabalho também só sobrecarga a mente e tudo mais. — Acariciava a mão dele.
— Podemos voltar da onde paramos, então?
Estavam mais perto.
Tinha outros planos em mente, mas como falar “não” com aquele tom de voz que deixava seu corpo todo arrepiado.
Colocou suas mãos sobre o tórax e o empurrou na direção da cama dele, deitados, ela moveu com movimentos delicados os dedos para a porta trancar enquanto sentia sua blusa sendo retirada; seu corpo estava com saudades dos toques dele e dos beijos sob seu pescoço.
Os planos ficaram mais para o dia seguinte, que no dia seguinte, apenas empurrou com o tempo sem ao menos falar para Bucky o segundo motivo de ter ido até lá. Aquela pequena zona de conforto havia voltado e preenchido um espaço que sentiu uma grande falta há um bom tempo, com isso, o resultado foi o esperado por ela.
Adiar.

Desde o dia que eles se reconciliaram, o casal passou a tentar organizar melhor os horários para ficarem juntos. Müller sempre teve mais missões locais do que Barnes, o que ela ainda não compreendia o motivo de Schmidt querer desta forma.
Ao mesmo tempo, pôde ter a pequena felicidade que tinha junto dele antes da missão começar, e estar nos braços de Bucky era certeza que não poderia haver algo melhor.
Desde aquele dia, eles passaram a ficar mais juntos, saiam quando dava e só ficavam sentados vendo o pôr do sol pela janela canelada. Seria assim seu último momento antes da missão.
••


26 de Abril. 2012.

Hoje com vinte e cinco anos, uma mulher bem em forma — mentalmente e fisicamente — ela iria liderar a missão que foi designada a ela aos quatorze anos de idade. O nervosismo tomava conta de si, por algum motivo que não foi revelado, Schmidt adiou o tempo da missão; esse “pequeno” tempo a deixou com inúmeras questões que evitou até seus vinte e um anos.
estava pronta com seu uniforme, estava esperando Bucky perto do avião que ia levá-los até New York. Ela tinha acabado de conferir se tinha todas as facas e os cartuchos para recargas, estavam na quantidade certa, mesmo sabendo de seus poderes, ainda optava pelas armas e pela luta, só em alguns casos que ela recorria aos seus poderes. Barnes chegou até que rápido no avião, ele estava normal e calmo, seu olhar estava sereno, não estava igual à antes nas outras missões e principalmente, quando Romanoff foi realizar a missão. podia perceber isso só pelo pequeno sorriso que ele esboçou e pelo o olhar. Os dois entraram no avião e terminaram de arrumar tudo o que eles tinham, passando os comandos para os demais soldados e agentes que iam dar cobertura a Müller e Barnes.
— Só está a gente aqui?
— Por enquanto, sim.
Não iriam dar um pequeno beijo antes da missão, eles já tinham feito isso noite passada.
— Fica calma, tá? — Acariciou brevemente a mão dela.
Estavam encostados na parede da aeronave — pelo lado de dentro. Bem próximos onde apenas podiam segurar a mão, um mínimo contato físico que até ela procurava fazer inúmeras vezes.
— Eu estou tentando, parece que eu nunca fiz isso antes.
— E você já fez, e sai sempre muito bem em todas, não deixe seus sentimentos se misturarem quando você estiver com o Tesseract.
— Bucky?
— Você precisa se manter neutra e evite o máximo de usar seus poderes perto dele, eu... ouvi algumas conversas — sussurrava, falava lentamente para que além de conseguir escutar, ela compreendesse todas as palavras. — Estão escondendo algo referente aos seus poderes, Kiyoko estava afirmando algo assim no escritório dela, eu só não consegui ouvir a conversa toda.
— Tudo bem, pode ter certeza que evitarei.
Aquele silêncio horrível ficou entre os dois. Bucky a olhava diferente, não era da forma como estava acostumada. Um beijo rápido seguido de um abraço apertado por ambas as partes, o sentimento de despedida veio como uma leve brisa entrando pela pequena fresta da janela e arrepiando o corpo dela.
— Tome cuidado, não se machuque.
Falou enquanto seus olhos estavam fechados encostando ela em seu peito.
— Pode deixar. — Soltou-se do abraço. — Melhor você ir até o seu avião, te vejo depois.
— Até.

Quinze horas depois do voo.

O piloto da H.Y.D.R.A. parou em cima de um terreno baldio, olhou para os lados e apenas o avião que ela veio estava ali. Imaginou que talvez pudesse ter tido uma falha no sistema de identificação de aeronave que eles tinham e por isso os outros não haviam chegado ainda. Barnes ficou à espera de uma conexão com Schmidt, sentado em uma das cadeiras que ficava de frente para o telão. O avião dele apenas tinha tomado outro rumo. Um soldado que sempre passava a sequência fez um sinal para que os outros dois soldados, que estavam com eles, prendessem os punhos e os calcanhares de Barnes, eles viraram a cadeira para Adam. Ele abriu o caderno e começou a falar a sequência.
••


ficou com seu sobretudo, esperando Barnes em frente a uma das cafeterias combinadas, já se tinha passado algumas horas e nada de Barnes chegar, Müller resolveu começar sozinha, já que ela não podia demorar para levar o Tesseract para Caveira Vermelha. Ao virar a esquina, sentiu uma mão puxando seu corpo para trás com força, chocando seus corpos, ela colocou a mão na coronha, mas foi impedida por aqueles olhos.
— Barnes — falou, assustada.
— Aonde você ia? — Bucky disse, sério e frio.
— Pegar o Tesseract, Soldado Invernal, aonde mais eu iria? — respondeu em tom óbvio e se soltou.
— Vamos!
— Estou bem atrás de você.
Hanks, podem invadir o prédio. — Soldado Invernal deu a ordem.
andou até o carro que estava estacionando há quase duas quadras do local que precisaria entrar, lugar tranquilo e não muito movimentado no momento. O agente da S.H.I.E.L.D. estava comendo um cachorro quente, aproveitando seu horário de descanso, ou não. Sem muitos alardes, aproveitou a janela aberta e sufocou o homem com uma corda de aço fino, destrancou a porta traseira e deitou o corpo dele — com dificuldade, no banco de trás. Foi em direção à base fixa da S.H.I.E.L.D. onde poderia entrar disfarçadamente e pegar outro meio de transporte e ir até o porta-avião.
No período em que ela estava em um dos helicópteros, ela escutou seu ponto chiar e a voz do Soldado Invernal em seu ouvido.
Müller, onde você está? Müller, preciso de você no prédio leste metalizado.
não sabia como sair dali sem dar tanta bandeira com três agentes inimigos e ir ajudar Barnes, e claro que ela não ia deixá-lo. Mesmo sendo O Soldado Invernal, ela iria ajudá-lo. aproveitou um leve deslize dos agentes e se jogou para fora do helicóptero, ela voou sentido contra o helicóptero, abriu o paraquedas e foi direto para o prédio que Barnes estava.
Ao pousar e tirar o paraquedas, ela agiu rapidamente, correu até Capitão América, que estava empurrando o Soldado Invernal e, em seguida, dando algumas sequências de socos.
Ali mesmo, ela perdeu todo seu controle, deixando seu ódio e sua vingança controlá-la. Correu na direção do Capitão, com um pequeno impulso, o segurou em um mata leão e o arrastou a alguns passos para trás. Sem muita dificuldade, ele a segurou e a puxou para frente, ela caiu impactando suas costas no chão. A dor foi tão grande que precisou apoiar seu corpo nos braços.
Levantou rapidamente mesmo sentindo muita dor, ela foi para cima dele com uma sequência de socos: direita, esquerda e jab, que o mesmo conseguiu se auto defender. Os chutes altos no tórax de Rogers fizeram com que ele perdesse o equilíbrio, aproveitando, deu uma rasteira no Capitão América e ajudou Barnes a se levantar.
— Está bem? — olhava para Barnes.
Perguntou, com medo de perder seu amor.
— Sim — ele disse, baixo.
Capitão se levantou, pegou seu escudo, enquanto Müller e Barnes corriam até a borda do prédio. Müller sacou sua arma e virou para trás e diminuiu os passos para poder atirar contra Rogers, puxou o escudo e se protegeu dos disparos. Todos os carregadores que havia levado consigo já tinham acabado, precisaria da sua outra arma reserva que não era tão sua favorita.
Capitão deu um chute em sua mão fazendo com que o objeto caísse, ela pegou a outra arma e atirou novamente. Capitão se defendeu e ao mesmo tempo, se aproximava da inimiga. Já ela, jogou a sua arma no chão e foi para cima de Capitão também. Ela escorregou no chão, passando por ele, levantou em questão de segundo e deu um chute por trás e Rogers que se virou por conta do seu reflexo, ele ia acertar o escudo em , mas ela barrou o escudo com seu braço direito — fazendo muita força — e deu três socos na barriga do Capitão América. tirou o escudo dele, jogou no chão, levou sua mão para trás de seus cós e sacou sua faca preta e, com tentativas de esfaqueá-lo ela tentou nas laterais do corpo, cabeça, pescoço, tudo em golpes rápidos e ágeis, Capitão nunca tinha visto alguém lutar tão bem com uma arma branca daquela forma, tirando Bucky.
Defendia rapidamente, acompanhado todos os movimentos colados com os movimentos de . Como os golpes estavam sendo repetitivos, Rogers achou um ponto fraco da inimiga e a empurrou contra a parede, pegou seu escudo e arremessou contra ela. O escudo passou pela sua cintura no lado direito, fazendo um corte no local, o escudo ricocheteou a parede e retornou para a mão do Capitão América.
estava caída no chão, retomando fôlego e olhando o corte em sua cintura que doía extremamente, mas relevante para aquele momento, ela aguentava, afinal, ela era o Projeto 96.
Rogers aproveitou e jogou o escudo contra Barnes, que parou o escudo com sua mão biônica e revidou jogando novamente no Capitão América. O escudo fez um impacto grande, arrastando o herói para trás. Ele segurou o escudo e, ao olhar para frente, Barnes tinha sumido. Sua respiração estava ofegante, ele olhou para trás para ver se Müller estava lá e ela também tinha sumido.
Romanoff, procure por uma garota da mesma estatura que você, morena, com o uniforme da Hydra, ela está ferida na cintura do lado direito.
— Entendido, Capitão.
— Clint, qual a sua posição?
— De pé, senhor, quer dizer, indo de encontro a Romanoff.
Fez expressão de poucos amigos.
Ajude a Natasha a encontrar essa garota.
— Ok.

já estava ao alcance do porta aviões aéreo da S.H.I.E.L.D., ela colocou a máscara similar ao do Soldado Invernal, a única diferença era o símbolo da H.Y.D.R.A. Ela tinha entrado por uma das janelas que havia quebrado com o seu bastão, a força usada por ela poderia impressionar qualquer um que assistisse ela em ação, o material do vidro era um dos mais resistentes que a S.H.I.E.L.D. conseguiu.
Ela pôde sentir o poder do Tesseract presente na sala. Ela chegou perto do compartimento onde estava o Tesseract, analisou bem toda a segurança e o compartimento girando em volta dele. Ela poderia burlar tudo e pegar sem disparar o alarme, estava muito fácil para ela.
Entretanto, se ela passasse sua mão e braço pelos raios que ela deduziu ter uma semelhança com lazer, ela claramente iria ter sua mão totalmente queimada, e assim ela lembrou do seu poder e para alguma coisa ele iria servir; levantou sua mão direita e deixou o poder com um leve tom arroxeado que passasse pelos “lasers” e que trouxesse para si o cubo.
Barnes, estou com o Tesseract.
— Leve-o logo para o helicóptero.
— E você?
— Estarei na próxima leva, agora vá!
— Barnes falou, ofegante, de tanto correr.
Müller prendeu em um de seus bolsos, que estava em seu coldre feito para o Tesseract. Ela saiu lentamente sem que nenhum dos agentes percebesse, tirando o fato de que as câmeras iriam gravar ela e a ação dela. Não pôde evitar e olhou para a câmera, com um ar de superioridade para a S.H.I.E.L.D. e para os Vingadores; voou até o helicóptero onde já estava à espera dela. só torcia que Barnes voltasse logo e com sua missão completa.
Capitão, eu não a achei, mas você precisa ver umas imagens urgentemente — Sarah disse, no ponto dele.
— Estou a caminho.

Rogers já estava a caminho do porta-aviões aéreo da S.H.I.E.L.D. Ele entrou na sala, colocando seu escudo nas costas. Romanoff, Stark, Fury e Simmons já estavam revendo o vídeo onde Müller pegava o Tesseract. Rogers só via pequenas partes do vídeo, ele não tinha certeza se era a mesma garota que ele lutou há poucos minutos. Ele procurou pelo corte que seu escudo provocou na garota, mas não encontrou nada, a claridade não ajudava.
— É ela? — Romanoff questionou.
— Não consigo identificá-la, a claridade não ajuda, consegue focar no rosto dela, Stark? — Rogers perguntou, se aproximando da tela.
— Assim está bom?
— Não pode ser ela, ela não estava usando uma máscara. Tony, vê se você consegue achar um ferimento no lado direito.
— Eu sou do C.I.S?
Tony moveu a imagem congelada da outra câmera e focou parte por parte do corpo de , ele passou pela cintura dela, mas eles não viram o ferimento; o uniforme preto, a iluminação baixa, isso nunca ajudaria.
— Vou tentar vários recursos aqui e ver o que posso conseguir — Tony disse, mexendo rapidamente no teclado virtual.
— Tente achar onde ela está escondida — Fury falou, saindo da sala.
Rogers saiu da sala do Fury e foi para uma mais privada. Romanoff estava em seu encalço, estava preocupada com seu amigo. Ela não tinha visto Rogers mais confuso com dois soldados da H.Y.D.R.A. daquele jeito há muito tempo. Ela sabia e tinha certeza quem eram os soldados, Barnes, mas a garota que ele descrevia nem passava em seus pensamentos quem era.
— Você tem certeza que ela está ferida? — Romanoff perguntou, entrando logo atrás.
— Tenho, ela foi acertada, mas em questão de segundos, ela desviou do escudo quando voltou.
— Você pode estar confuso, Steve.
— Eu tenho certeza.
— Steve...
— Romanoff. — Steven chegou mais perto de Natasha. — Eu não estou confuso, eu tenho certeza do que eu vi e com quem eu lutei, eram dois soldados da Hydra, eu não estou confuso e não tive alucinações.
Capitão, acho que você vai querer ver isto — Tony falou, no ponto.
Rogers voltou para a sala às pressas.
— É ela? — Stark perguntou, sério.
— Sim, é ela. A marca do escudo em sua cintura.
— Vou ver se alguma câmera da cidade captou alguma imagem dela.
— E como você vai fazer para saber que é ela?
— Pelos olhos. — Stark falou, em um tom óbvio.
Quando tudo estava voltando à calmaria, o porta-aviões aéreo soou o alarme de alerta de invasão. Stark recebeu ordens do Fury de terminar a pesquisa na torre dele, enquanto Romanoff ajudava todos os cientistas a sair, Rogers foi atrás do invasor; ao chegar na área onde Hanks estava, eles travaram outra luta. Rogers usava seu escudo para atacar e se defender dos bastões eletrizantes de Hanks.
Hanks segurou o escudo e em um movimento rápido, virou o Capitão no ar e tirou o escudo dele, o soldado golpeou Capitão América com o escudo, empurrando ele para trás, Rogers deu uma cambalhota no chão, encarou por poucos milésimos Adam e correu até ele; o soldado da H.Y.D.R.A. o atacou com sequências de socos e chutes. Steve desviou de alguns e foi pegar seu escudo jogado no chão.
Rogers o atacou com o escudo, imobilizando temporariamente o braço com as correntes elétricas, girando seu corpo e segurando ele pela máscara que ele usava, jogando por cima de seu ombro. A força usada foi tão grande que Capitão América conseguiu tirar a máscara que ele usava. Ele se levantou rapidamente e ficou de costas, os dois pararam por um tempo, manteve seus olhos nele para poder gravar bem o rosto do homem.
— Onde está a garota com o Tesseract?! — Capitão perguntou.
— E você acha mesmo que eu vou dizer? A essa altura, ela já está longe daqui. — Pegou duas bombas, as ativou e jogou contra o Capitão.
Alguns ferros caíram sobre Rogers, prendeu seu escudo nas costas e levantou o ferro que estava sobre a entrada da espaçonave, enquanto corria, ele viu que o soldado tinha fugido, para poder se salvar, em questão de minutos, aquele grande pedaço de metal e ferro ia cair no alto mar que o piloto direcionou.
Já em terra, Rogers só teve uma única cópia do soldado, sua dogtag, onde deixava claramente seu nome H. Adam. Os Vingadores se reuniram para tentar saber mais precisamente o que aconteceria; a pedido de Fury, Natasha ia encarar os repórteres e dizer que não passou de um teste. Terem conseguido para Loki na primeira vez e fazer um sistema bom para proteger o Tesseract para eles seria o fim, mas dessa vez, eles não conseguiram, era muito frustrante, como aquilo aconteceu diante dos olhos dos Vingadores?
Na torre, Stark ficou analisando como a moça conseguiu retirar o Cubo com tamanha facilidade, sem ao menos tocar na sua invenção de proteção. Até que em umas das paradas do vídeo ele viu que a agente retirou com o poder dela. Ela era mais poderosa do que poderia imaginar, a sua pequena ambição aumentou para saber como agir contra ela e dali passou a tentar estudá-la.

••


26 de Abril, vinte e três horas e quarenta e nove minutos.

Cansada e sangrando, ela caminhou com o cubo em sua mão, Adam estava atrás dela falando coisas que ela não se deu ao trabalho de prestar atenção. Queria se livrar daquele objeto que a estava deixando com calafrios desde que o roubou.
— Aqui está, Schmidt. — entregou Tesseract para Schmidt.
— Você é mesmo incrível. — Caveira Vermelha falou, apreciando o cubo em suas mãos.
— E o Soldado Invernal? — perguntou, angustiada.
— Perdemos o contato do ponto dele. — Adam passou a explicar. — Ele estava passando o relatório da missão, estava indo terminar a parte da missão dele, mas o ponto dele está perto de uma correnteza de água, eu suponho que ele perdeu enquanto matava Capitão América. — Adam passou as informações para Müller.
— Soldado Adam? — Uma mulher entrou na sala.
— Sim.
— Acabamos de ter o status do ponto do Soldado Invernal.
— E qual é? — Müller perguntou, mais angustiada ainda.
— Ele está morto — a mulher respondeu, séria e cabisbaixa.
— O-o quê? — gaguejou.
Seu mundo desabou pela terceira vez. Não era possível isso acontecer com ela novamente, era seu carma. Sua visão ficou turva, ela se apoiou na mesa, e para tirar proveito, Adam a segurou. não queria acreditar na notícia, ele não podia ter morrido, Bucky prometeu não deixá-la!
Estava tudo errado e ela havia sentido, aquele olhar, o cuidado e o beijo, era a despedida dele com ela, só que, o que mais doía é que ela não lhe disse seu último eu te amo.



Parte I

— Adam, por que você não estava junto dele?
— Eu precisei terminar a missão dele, ele não conseguiu porque a atenção foi desviada.
— Mas isso não é motivo para você não ter dado totalmente ajuda a ele, e agora perdemos nosso melhor Soldado.
— Por favor, , melhor soldado? — disse, incrédulo. revirou os olhos e falou com a moça que deu a notícia.
— Já rastrearam o ponto dele?
— Sim, e não tivemos sucesso.
— Meu Deus, em que equipe eu fui trabalhar. — Apoiou suas mãos na mesa metálica.
— Não tivemos mais contato com ele, senhorita Müller, então só há duas opções: ou ele está morto, ou ele está desaparecido.
— Registrar na ficha dele que ele desapareceu! ESTÁ ACHANDO QUE ELE VAI MORRER ASSIM DO NADA?! — gritou.
se alterou tanto que sentiu uma tontura permanente. Respirou fundo e manteve a postura de sempre, entretanto, a adrenalina de seu corpo começou a baixar, a sensação de sua testa queimar estava sendo insuportável, e agora suas mãos suavam mais que qualquer outro momento. Em seu lado direito, sentiu seu sangue encharcar a roupa, levou seus olhos para o local junto de sua mão, ela havia esquecido do seu corte.
, você está sangrando — o soldado Adam falou, desesperado. — Rápido, chamem a Kiyoko!
desmaiou antes de Adam segurá-la; Müller foi levada às pressas para a sala de emergência. Kiyoko e mais outros cientistas e médicos fizeram todo o processo de reanimação. Seria necessário uma cirurgia. Não parecia, mas o nível do corte que o escudo deixou em foi considerado tão grave, o problema maior era que ela tinha perdido muito sangue e ela acabou não percebendo por conta da adrenalina, que estava muito alta.
Kiyoko deixou que os médicos terminassem de dar os pontos e foi falar com Schmidt, para ver se ela já podia dar continuação no Projeto 96: Fase 02.
— Schmidt?
— Entre, Kiyoko.
— Senhor, eu vim ver se você deseja dar continuidade ao Projeto 96?
— Por favor, Reven, e eu vou junto.
— Vamos, ela está na mesa de cirurgia já, os cirurgiões estão terminando de dar os pontos e o estado dela é estável.
— E o processo da fase dois?
— Está concluído e pronto para poder aplicar em Müller. Com o amparo dos outros cientistas, consegui desenvolver antes do prazo e já pode ser aplicado nela.
— E as mudanças que eu quis, você colocou?
— Eu espero que ao chegar em contato com o DNA de Müller, os poderes que ela desenvolveu não se alterem, e o que queremos desenvolver, logo ao período em que ela for congelada.
— Congelada? — indagou Schmidt.
— A fase dois só vai conseguir evoluir com o DNA de Müller se estiverem em contato com temperatura muito baixa, teremos que congelar ela, fora isso, teríamos que ter mais paciência, e eu sei que você quer de imediato.
— Por quanto tempo? Ela não pode demorar, eu não posso ficar sem usar o cubo!
— Tempo indeterminado, porém, eu acho que em menos de oito anos. Calma, você vai ter, não irei desapontar você.
— Espero que eu não perca minha melhor agente dentro dessa base.
— Você não vai perder, Johann, confie em mim.
— Eu sei que você não vai me desapontar, Reven, mas não posso perder essa oportunidade. — Pararam em frente da sala de cirurgia. — De finalizar todos os meus planos e enfim.
Sorriu para o homem enquanto se arrumava para entrar na sala de cirurgia. Reven já estava com jaleco da H.Y.D.R.A. e as luvas cirúrgicas, pegou o soro do Projeto 96 que estava armazenado em um frasco de vidro resistente, pediu para que os enfermeiros que ali estavam transferisse a para a maca da cápsula.
Colocou as micros agulhas nas veias de e fechou a cápsula. Arrumou os quatro tubinhos — que ficavam ligados nas micro agulhas, e aplicou o líquido cautelosamente em cada um; instantaneamente, ela apertou o botão para o ar gélido tomar conta de toda a cápsula, entrando nos pulmões de e a deixando em um sono profundo por um bom tempo.
Tudo estava dando certo tão certo, que sua raiva a dominava mais, era para ser ela ali, com tudo que conquistou.
— Aconteceu alguma coisa? — Schmidt apareceu atrás dela.
— Não, eu só estava analisando ela.
— Por 25 minutos?
— Sim. — Ela forçou o sorriso. — Vou fazer umas anotações e a gente já se encontra.
Reven pegou a ficha de e fez algumas anotações, ela também marcou a data e a hora que a Fase 02 foi injetada e principalmente o momento que foi congelada, precisaria deixar tudo monitorado, principalmente a temperatura que deixaram a mulher.
Reven deixou assinado as folhas onde constava: sua responsabilidade de alguma falha no projeto; reprogramação do projeto; e por último, e o mais importante para ela, a criação do projeto 96.
Entretanto, será que ela deixaria mesmo esse projeto ir à frente com todo seu desejo de ser o Projeto 96 do seu grande e único amor?
— E agora? Esperamos? — Caveira Vermelha perguntou, olhando para Müller deitada.
— Agora esperamos.

••

Dois dias depois da invasão da H.Y.D.R.A.

Natasha tinha saído de uma pequena reunião com o governo, ela foi como representante da S.H.I.E.L.D. a pedido de Fury. Precisar explicar o real motivo do Tesseract ter sido roubado foi algo terrível, principalmente escutar Tony Stark se pronunciar no meio da reunião e negando que todo e que principalmente eles deveriam ter devolvido para Asgard, e não focado na criação de um mecanismo para proteger o Tesseract e, infelizmente, Nat precisou concordar com o posicionamento dele.
Ela saiu pela porta de trás para ir de encontro com Clint. Ele dirigia até a casa dela, aquele olhar distante e fixo em um horizonte imaginário, estava deixando-o preocupado. Pelo trajeto, ele foi se recordando dos eventos de dois dias atrás.
Conversaria com ela em casa, o conforto do local traria uma calmaria que sabia que ajudaria ela.
— Nat, você está assim desde que voltou da Hydra, está tudo bem? Descobriu algo lá? — Colocou a chave em cima da mesinha quase ao lado da porta.
— Não é nada, eu realmente estou intrigada como o Tesseract foi capturado.
Ela caminhava para a cozinha junto de Clint.
— Nós fizemos o que podíamos, não foi culpa nossa, muito menos sua. — Pensou rapidamente na sua pequena teoria. — Aquela garota tinha super poderes e vai ser fácil achar alguém assim na Hydra, eu escutei que alguns dos governos estão querendo ir atrás dela, depois que viram a gravação mais detalhada.
— Como? — Se engasgou com a uva que comia. — Invadir assim é arriscado, não pode ser feito isso, não sabem o que podem encontrar lá nem se eles fizeram uma armadilha, ou ela nem é da Hydra. — Mantinha seu controle; depois da análise que foi feita no vídeo, da mesma câmera que olhou, ela reconheceu a jovem e desde aquele dia manteve esse segredo para si.
Mais um segredo.
— Está tudo bem? Você parece um pouco tensa. — Se aproximou dela.
— Estou bem, de verdade. — Deu um meio sorriso.
— Bom, está com fome? — Mexia no celular procurando uma receita.
— Sim, desde quando você sabe cozinhar? — Natasha sentou no banquinho.
— Desde sempre, o que a senhorita deseja?
— Vejamos, qual o cardápio de hoje?
— Temos várias opções — Clint falou, abrindo a geladeira e a despensa. Sabia muito bem os lugares naquela casa.
— Se essas opções for algo que sustenta, eu aceito.
— Estrogonofe? — Ele tirou um saquinho de Champion.
— Pode ser, eu faço o molho.
— Não mesmo, fique aí sentada e... — Clint fez força para poder abrir a garrafa de vinho. — Tomando esse vinho. — Serviu.
— Está bem. — Ela deu um gole no vinho. — Esse vinho lembra a nossa missão em Budapeste.
— Foi uma missão e tanto.
— Nem parecia que nunca tínhamos ido a uma missão de campo juntos.
— É, Nat, aquele dia foi incrível. — Clint olhou para Romanoff.
— E como foi. — Romanoff suspirou.
Clint parou, lembrou-se de Budapeste e voltou a cozinhar. Pode até ser nada romântico lembrar-se de uma missão que ocorreu há anos, mas foi nessa mesma missão que Barton teve a certeza que ele sentia algo por Natasha. Só ficava a dúvida no ar, será que ela também sentia o mesmo que ele? Será que aquela pequena flertada em Budapeste só aconteceu na cabeça dele? Já fazia anos que ele tinha essa dúvida em seus pensamentos.

••

Naquele mesmo dia, Capitão Rogers vestiu um de seus trajes bem ajeitados, ia ao um encontro no restaurante com Hill. O assunto era único e ela precisava transcrever o que Steven viveu no dia do Tesseract, até porque ele ficou com a dogtag de Adam.
Não ia ser um trabalho fácil, entregar um agente da Hydra que só teve poucos segundo para vê-lo sem máscara, entretanto, se precisasse falar da garota ele lembraria muito bem; o jeito de andar, de manusear uma arma branca e de fogo, a agilidade para trocar de pente era indescritível, podia vê-la lutando na sua frente sem menor esforço; e os olhos… Os olhos negros dela era bem marcante e expressivo, era fácil de ler que ela sentia o maior rancor ligado a ele.
— Rogers? Rogers — Hill o chamou, em um tom razoável.
— Perdão, onde paramos?
— Eu perguntei se ele falou sobre o local que a garota levou o Tesseract.
— Não. — Suspirou, desanimado.

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2013. Um ano depois.

Kiyoko acendeu todas as luzes de dentro da sala que Müller foi congelada. Acendendo uma por uma até chegar onde estava. Andou em passos calmos até se aproximar da cápsula, seu olhar frio e amargurado pousava sobre ela; todos os dias, ela via Schmidt caminhar até a sala onde Müller estava, a olhava com admiração, como se fosse a única perfeição dentro daquela base e ela se sentia sempre desprezada.
— Sabe, depois que você apareceu — Kiyoko falou, chegando perto da cápsula. — Você conseguiu acabar com meus planos, agora Joh só tem pensamentos e olhos para você, e você nunca o tratou com respeito, como ele merecia, apenas tratou muito bem e obrigada aquele Barnes, ah, não ache que eu não percebi o romancezinho de vocês... — Kiyoko deu a volta na cápsula. — Lamentável, e ainda mais aquela ceninha sua quando ele morreu, mas sabe que foi bom, é, foi bom, sim. — Se debruçou em cima da cápsula. — Você não merece ser feliz, muito menos ter alguém que te ame de verdade! Era para ser eu no seu lugar do projeto, mas Joh sempre dizia que era necessário eu estar ao lado dele, pois eu era única, mas agora vejo que não sou mais a única. Depois de tantos anos que esse projeto deu certo, ele começou te olhar com outros olhos e te dar mais atenção, me deixou como segunda e última opção, você só acabou com a minha felicidade. Sua vagabunda!
Kiyoko estava completamente dominada pelo ódio, nunca foi culpa de , mas a maior culpa vinha de Johann. Ao passar dos anos, quando todas as reações que o Projeto 96 se juntou com o DNA de , Schmidt começou a olhar com outros olhos. estava mais forte e poderosa, tudo o que ele desejou, fora que a beleza de Müller sempre foi algo de chamar atenção, principalmente quando completou vinte e quatro anos. Hanks, um dos poucos homens que se envolvia amorosamente dentro da H.Y.D.R.A. teve sua atração por Müller.
Schmidt gostava sim de Kiyoko, era a mulher da vida dele, ainda mais depois do tempo dedicado a ele. A paixão dos dois era perceptível, mas a ambição de Johann era um sentimento inexplicável, onde ela tomava espaço de todo o coração dele. E desta forma, Reven conseguiu ter a atenção dele, seria parte da ganância dele, do desejo que ele guardava, ela seria seu maior alicerce e assim a única mulher por quem nutriu amor.
Graças aos estudos avançados que Reven fez para a Fase 02, não ficou tanto tempo na cápsula, e ela havia realmente acertado, não passaria de oito anos, e apenas um ano com a temperatura do ar muito inferior a zero, que estava mais forte e poderosa, com todo o soro completo em suas veias.
— Eu poderia terminar com você e modificar o seu álibi, e dizer pro Schmidt que você não resistiu à fase dois, tenha a certeza que isso me satisfaz mais que qualquer outra coisa no mundo, mas não quero ver meu amor decepcionado comigo, nem com o projeto, então se comporte direito e agradeça a mim, por você estar viva.
Kiyoko apertou o botão da cápsula para que o ar gelado parasse, o corpo de Müller que estava congelante foi se adaptando com a temperatura ambiente, o mesmo procedimento que foi feito quando a jovem era apenas uma criança; não demorou muito para que a cobaia acordasse com o estimulante que foi dado a ela — durou apenas duas horas. Ela estava tranquila e calma, não estranhou o lugar, nem mesmo as luzes, elas não a fez sentir incômodo só eram muito claras, e sua expressão era nitidamente perdida. Kiyoko abriu a cápsula, dando espaço para que pudesse sentar.
— Kiyoko — Müller falou, com a voz fraca novamente.
. — Kiyoko sorriu forçadamente para a garota. — Você está se sentindo bem?
— Sim, apenas estou sentindo um desconforto aqui. — Müller levou sua mão direita para sua cintura.
— É a cicatriz, , logo ela não irá mais incomodar.
— Hm... O que eu faço aqui?
— Demos mais um passo no Projeto 96, a fase dois, não sei se você se lembra dela, estava em um dos papéis que lhe entreguei.
— Vagamente.
— Pois bem, ordens do Joh. Vem, sente-se aqui, é mais confortável.
Kiyoko baixou a cápsula com o controle remoto que ficava ao lado e ajudou a sair da cápsula. Ela se sentou na maca, que estava a poucos centímetros de distância. A cientista a examinou e constatou que os sinais vitais estavam normais — normal até demais para alguém que estava “congelada”, seu corpo estava um pouco fraco, mas era por conta do tempo dormindo, Reven também fez teste de memórias e todas estavam intactas e principalmente as memórias implantadas em sua mente estavam intactas. Reven pegou um traje preto para e entregou, depois de Müller se vestir, elas foram de encontro a Johann.
— É, antes de tudo, que dia é hoje? — falou, olhando para uma ficha dela em cima da maca.
— Primeiro de janeiro... De dois mil e treze...
— Ah, sim, como?! — Müller perguntou, confusa e espantada.
— Venha, eu te explico quando nos encontramos com o Joh.
Müller só seguiu Kiyoko, que estava sendo muito amigável, por sinal.
Qualquer pessoa que saísse de alguma sala da H.Y.D.R.A. teria que pegar um casaco do lado de fora, já que fazia menos cinco graus em Munique, nesse um ano, a base passou por algumas mudanças estruturais, e uma das adaptações acabou chegando até a sala onde ficou pelo tempo congelada; ao chegarem à sala de Schmidt, Reven falou do processo, explicando cada parte do procedimento da Fase 02 para , já que Schmidt já sabia de tudo. A única coisa que ele não sabia era de como Reven havia conseguido fazer com que todo o metabolismo de desenvolvimento de continuasse em ativo.
Depois de Reven explicar tudo, Johann passou a cópia dos acontecimentos durante o período em que ela estava congelada; Müller levou todos os papéis, e principalmente o relatório do Tesseract e as novidades que teve logo depois da volta dela para a base.
Müller leu e releu, tantas coisas tinham mudado, algumas pessoas que trabalhava para a H.Y.D.R.A. tinham falecido, nada muito abalador para ela, só o fato dela estar prestes a completar vinte e seis anos daqui um mês e que Reven já estava com trinta e três anos, fora isso, nada a surpreendeu, apenas o fato que Sakura não teria mais nenhuma continuação.
Os dias passaram, e depois de ver todas as mudanças durante esse um ano e alguns meses, ela criou coragem para ler os novos relatos da missão de Barnes. Ela encarou as pastas por cinco minutos, a abriu e foi direto às novidades, nada que estava escrito lá durante seis meses de buscas poderia fazer acreditar que ele havia falecido. Ao chegar na folha de “Término de Relatório / Conclusão” pôde ver o nome “Steve Rogers — Capitão América” bem destacado, acusando ele de ser o pivô de sumir ou matar Bucky Barnes, o Soldado Invernal.
Foi o estopim para que desejasse sair dali e ir atrás desse tal de Capitão América, ela se controlou, respirou fundo e foi para a sala de treinamento de Barnes. Aquele lugar estava mais frio sem a presença dele, tudo parado e em seu devido lugar, os objetos de treinamento, até mesmo as próprias coisas dele estavam paradas e intactas da mesma forma que ele deixava para o próximo dia; colocou um saco de areia pendurado e enfaixou suas mãos, colocou as luvas dela e socou o saco com tanta raiva que só faltava fazê-lo voar.
Se culpava por não ter falado que o amava dentro daquela aeronave, se culpava por não ter salvado ele; se culpava por ter pegado o Tesseract e ido direto para a H.Y.D.R.A., se culpava até por ter poderes e não ter usado para salvá-lo. Agora estava sozinha, sem ninguém dentro daquelas paredes de concreto cinzas, frias e sombrias.

••

Passado algum tempo, já estava com vinte e seis anos. Aquele ano foi, sim, seu pior aniversário, ela não tinha com quem comemorar, com quem comer bolo, muito menos sair e ir em um restaurante. Entretanto, ela ainda não tinha recebido nenhuma missão de campo, mas só pelos seus treinamentos, podia perceber que um dos desejos do Caveira Vermelha tinha acontecido, ela estava imune à dor e seu corpo regenerava com uma certa rapidez, não que isso a fizesse ficar imune de cirurgias, pontos e curativos.

26 de Março de 2013.

Adam e terminavam o treinamento com os novos recrutas, ambos ficaram com treinamento de luta e armas, algumas aulas eram separadas, já outras, juntas, assim era mais fácil para poder ensiná-los. Depois que a aula em conjunto terminou e os dois tutores arrumavam todas as coisas, Adam — como sempre — se aproximou dela. Estava até que fácil, ele ia aproveitar que a moça estava fragilizada e tentar investir, fingiu muito bem e obrigado que estava dando uma trégua entre eles, e que só queria ser amigo, mas não era tola, ela percebeu desde cedo que ele não queria ser apenas amigo dela, só que naquele dia se completava quase onze meses da última missão da garota ao lado de Barnes.
A garota sabia disso e ainda sentia o luto dentro de si, tanto que em alguns momentos da aula, ela estava bem longe e Adam assumia um pouco o comando. Vendo isso, ele esperou todos saírem, ela terminou de ajeitar todas as armas em cima da mesinha metálica com rodas, andou até a moça e parou ao lado dela.
— Pode desabafar, se quiser, ou até mesmo me bater.
— Não vou fazer isso. — Segurava seu colar em seu pescoço. –- Você precisou fazer a missão, não é sua culpa.
— Mas se precisar de alguém. — Segurou a mão dela. — Pode falar comigo, eu não me incomodo.
— Eu agradeço, Hanks. — Sorriu, tristonha.
Não era a primeira vez que a via tão para baixo naquela semana, muito menos nos últimos meses, e isso favoreceu a análise dele para o momento certo. Ainda segurando a mão da mulher, ele a puxou para seus braços, a envolvendo de modo que ela ficasse imobilizada e não conseguisse sair, e finalmente ele pôde sentir os lábios da vilã, doces e macios como ele sempre imaginou; só não esperava a mordida e ao mesmo tempo o poder dela o empurrando para longe.
— Qual o teu problema, Hanks? — Sua mão ainda estava estendida em direção dele. — Você nunca desiste! Acha mesmo que só porque estou ainda… Assim você pode me beijar?
— E por que não? Você não tem mais o Barnes. — Se levantou. — Ele não vai voltar mais, ele morreu, você precisa de outro para te fazer feliz.
— Onde é que está escrito que preciso de outro para ser feliz? É a última vez que vou falar, e se você se atrever a fazer isso outra vez ou qualquer outra merda, você pode ter certeza que não vai passar de um empurrão.
Saiu furiosa, apertando sua mão e contando até um milhão para não explodir ali dentro. Já estava cansada em ficar de resguardo ali, era só dois meses, mas estava se irritando, tinha que ficar treinando jovens ao lado de Hanks, tinha que ficar aturando as seções de exames e ficar encarando aquelas duas salas vazias de Barnes e Romanoff. Ela precisava sair dali e ir espairecer seus pensamentos, porque se mais algumas coisas acontecessem, ela ia se descontrolar e matar todos dentro daquela base.
Mas o momento estava chegando, o destino estava fazendo tudo acontecer da forma mais correta; estava em seu quarto escrevendo em seu diário quando em seu ponto entrou estranhamente em uma frequência de outro soldado, o assunto era o próprio Soldado Invernal, e tão rápido ela escutou de um deles falar:
Eu sempre soube que ele era uma fachada, nunca foi um bom soldado.
— Era muito fácil o que ele precisava fazer, apenas matar o Capitão América, e olha onde ele foi parar, morto.
— Acho que não está morto, ouvi boatos que uma equipe de soldados o achou, Schmidt sabe onde ele está, mas não quer revelar, já que precisa fazer o que ele quer.
— Schmidt é inteligente, sabe muito bem manipular aquele projetinho gostoso.
— Ah, e coloca gostosa nisso.

Tirou o ponto drasticamente e colocou em cima da mesa, pegou todas as coisas e colocou em cima da cama, separou roupa por roupa para levar, não ia pegar tanta coisa, não queria lembranças dali, só queria a jaqueta de Romanoff e a antiga dogtag de James. Colocou seu diário e a Sakura dentro da bolsa e deixou perto da porta, ia pegar depois de ter uma reunião de última hora com Schmidt.
Os passos fortes ecoavam por todo o corredor, sua respiração pesada, seus olhos faiscando ódio, não queria saber, ela ia ter toda a verdade de Barnes naquela hora, e por fim decidir sua saída da H.Y.D.R.A., estava cansada daquilo tudo, de matar e roubar, de fazer as coisas que todos lhe pediam. Agora ela queria novas regras, as suas regras!
Se aproximando do escritório, ela ouviu a voz de Kiyoko, ótimo, assim teria como fazer tudo acontecer com mais detalhes.
— Você acha que ela vai acreditar em você, Schmidt?
— É claro, nós conseguimos manipular a mente dela, implantamos falsas informações na memória e você acha que ela não vai acreditar?
— Joh. — Kiyoko chegou perto de Schmidt e acariciou o ombro dele. — Ela está com uma inteligência avançada, não tenho e nem temos controle de até onde ela vai conseguir chegar, tem uma coisa que preciso contar, sobre ela e a mutação dela. — Seu olhar era de extrema preocupação.
— Como assim? — Arqueou a sobrancelha.
— Como assim? Eu devia falar isso, vocês passaram a minha vida toda mentindo para mim! Bucky foi achado por uma equipe especial onde eu nem fui inclusa! Você acha mesmo que sou aquela garotinha fácil de enganar e manipular, Schmidt?!
entrou furiosa. Trancou a porta e estendeu a mão em direção a Schmidt. Fitou nos olhos dele com todo ódio que estava sentindo, ela confiou em todas as palavras que ele falou, confiou em todas as ações e as “ajudas” dele para ela.
Ela abriu sua mão, deixando mais ainda seu poder roxo dominar aquela grande sala se manifestando até chegar em Reven, fazendo com que Caveira ficasse com medo por perder seu amor. Johann falou a “verdade”, disse tudo que ele queria que ela escutasse: — Nós a tiramos, sim, dos seus pais, mas só terminamos o que o Capitão América começou, ele matou os Müller e Daniel, e não te achou para te matar, e eu fui até sua casa. Claro que você foi apenas um projeto para mim, , e você acha mesmo que eu ia fazer caridade com você? Depois que Capitão América matou seus pais, eu fiquei esperando ele sair e eu fui até lá, tirei você, te trouxe para essa base, modifiquei toda para ter a maior arma contra ele, e agora nós dois temos algo em comum.
— Não temos nada em comum, Schmidt!
— Temos, sim. Matamos inúmeros humanos e queremos nos vingar do Capitão.
Não ia responder aquelas provocações, não ia deixar ele a manipular até nesse momento de pura verdade.
Müller estava com o sangue nos olhos, depois de todas aquelas ladainhas, seu corpo ferveu em puro ódio. Movimentou sua mão, levitando o Caveira Vermelha e em questão de milésimos, ela o arremessou com toda a força que tinha, contra a estante. Kiyoko foi até Schmidt para verificar se ele estava bem, mas foi impedido por um puxão. tinha puxado com seu poder a cientista.
— Ele está bem, só está fingindo, e mesmo se não estiver, agora ele vai está bem melhor! — Seus olhos começaram a mudar de cor.
— Bem? Você viu a força que você arremessou ele?!
— Tadinho, da próxima vez, se tiver, é claro, vou tentar ser um pouco mais delicada. — Sorriu ironicamente. — Agora, quero todas as folhas desde o dia que eu entrei aqui e se você deixar uma fora do arquivo — sacou a arma e encostou o cano na barriga da mulher —, eu atiro, e ainda uso essa coisinha roxa. — Fez o mesmo sair pela sua mão.
— Ok, me siga — Reven falou, com a voz trêmula.
acompanhava cientistas em passos rápidos, ela não usaria seu poder porque ia ficar muito à mostra, afinal, umas faíscas roxas saindo da mão de uma mulher era bem surreal dentro daquela base.
Enquanto isso, Caveira Vermelha alertava os outros agentes e soldados que Müller havia traído a confiança da H.Y.D.R.A. e que era para atacar ela e detê-la antes que ela saísse de dentro da base. Pelo ponto, o vilão avisou para Reven que tudo ia se acalmar, e que os homens já estavam indo atrás dela, e que independente do que ela havia pedido, era para passar longe da sala do Tesseract.
Reven viu ao fundo os homens correndo em direção das moças, mas Müller era rápida com seus poderes, tudo fazia torná-la intocável e mais poderosa que os outros, em nenhum momento ela precisou da arma.
Chegaram na sala e fechou a porta e o manteve segurando com o poder. Estava gostando muito daquela belezinha que ela recebeu.
— Anda, agora pegue e me dê tudo. — Müller empurrou Reven para dentro da sala.
Reven sempre deixava algumas armas dentro daquela sala, ela pegou devagar e as duas armas engatilharam quase que em câmera lenta e virou para Müller, apontando para a Projeto 96.
— Você não vai fugir! Não deixarei você fugir, não agora que todo o plano estava dando certo.
— É sério mesmo? — Ela ainda falava de costas para a cientista. — Você não aprende? Foi você que me criou, me deu o projeto e não aprendeu que eu sou melhor que você?! — Müller disse, gritando, cheia de ódio e vontade de matá-la.
Müller, em um giro rápido, deu um chute na mão de Reven, que deixou a arma cair para longe enquanto a outra parava no outro lado da sala. esticou a mão e a arma foi parar nela, ela apontou a arma para Reven. Reven pegou todo o arquivo do projeto de e entregou para Müller.
— Espero que não esteja faltando nada.
— Na-não está. — Reven estava com medo dos olhos arroxeados de .
— Assim espero, agora eu quero todos os arquivos da agente Romanoff e do Soldado Barnes.
Já com os três arquivos em suas mãos, Müller deu uma coronhada na cabeça de Reven e saiu correndo da sala de arquivos; ela tinha o relatório desde o primeiro momento que a H.Y.D.R.A. descobriu sobre ela e o arquivo de Barnes e Romanoff. Ela foi até seu quarto e colocou todas as suas armas na bolsa e o colar que Barnes deu de presente em seu pescoço. Os arquivos foram colocados com cuidado para não amassarem.
De saída de seu quarto, olhou para os dois lados e viu os soldados indo em direção do dormitório dela, respirou fundo, contou até três e saiu do cômodo; para cobrir a retaguarda, ela projetou um escudo que a defendia da cabeça aos pés, enquanto isso atirava em alguns soldados que vinham em sua direção. Ela foi até o lado leste da base e atirou em uns tanques tóxicos, onde mataria todos dentro daquela base, principalmente Kiyoko, Adam e a pessoa que ela queria matar ali por ter mentido para ela, Caveira Vermelha.
Indo em direção de sua liberdade, ela passou pela a sala que sua chamou a atenção, era a sala do Tesseract, lindo, maravilhoso e intocável. Era só alguns segundos para poder pegar o cubo e mais nada, e ela teria aquele objeto tão precioso para Schmidt. O sorriso malicioso estava em seus lábios quando sentiu o cubo em sua mão, ela colocou na pequena maleta projetada para o transporte do Tesseract, com o material que ela foi buscar sozinha e levou junto a si na mochila.

Müller já estava quilômetros de distância da H.Y.D.R.A., pilotando a moto de Barnes com Hanks atrás dela, mesmo atirando e jogando várias coisas no caminho dele, ela não conseguiu despistá-lo, a rua estava virando um caos total, ouvia-se de longe o sons das sirenes das polícia de Munique.
Aquela pequena verificada custou quase a sua vida, um caminhão estava cruzando a rua, precisou pensar rápido. Saiu da moto, deixando-a passar por debaixo do caminho, arranhando toda a lataria e escorregou alguns centímetros do lado também por debaixo do caminhão. Com a invisibilidade que o caminhão dava, voou para cima dos prédios, a melhor fuga de toda a sua vida foi naquele momento.
Alguns metros dali, Müller achou um teatro abandonado, onde ela iria passar um tempo escondida até conseguir achar uma forma de despistar os agentes da H.Y.D.R.A. e conseguir ir até o aeroporto, pegar um avião direto para New York.

••

Uma semana depois.

“What If all you understand
Could fit into the center of a hand?
Then you found that wasn't you...”
– Soundgarden: Live To Rise.


tinha pegado tudo do acervo do teatro que havia sido deixado para trás. Ela pintou seu cabelo de loiro, seus longos fios que iam até a cintura também tomaram outra forma e isso ainda podia facilitar em ser reconhecida; cortou seu cabelo no corte chanel e fez uma franja rente à sobrancelha. Esses dias que ela passou escondida no teatro, precisou dar um jeito de poder sobreviver e ela não imaginava que teria que roubar o dinheiro de algumas pessoas para pagar seus almoços e jantas, com esse dinheiro, ela também comprou uma mochila nova, uma maior e mais resistente, onde colocou suas roupas, objetos pessoais, as armas e o tão desejado Cubo. Não se preocupou se alguém esbarrasse em seus pertences, afinal, ela controlaria seus pensamentos e ações que estaria tudo certo.
Müller leu toda sua ficha desde o começo até o fim, ela não acreditava que todo esse tempo Schmidt e Kiyoko mentiram para ela e ainda mais, uma das maiores dúvidas nasceu naquele momento dela, se todos que tinham o nome incluso ali sabia sobre , isso queria dizer que Barnes e Romanoff também sabiam do seu passado e não quiseram falar para ela todo esse tempo; estavam do lado do Schmidt, e todo aquele amor que falavam ter por ela era apenas um disfarce. Uma coisa ela sabia, que tudo que ela passou do lado da H.Y.D.R.A. foi tudo mentira, mas até que ponto tudo era mentira? Até onde as pessoas sabiam da verdadeira história de Müller? Até onde ia viver com todas essas mentiras?
Tantas perguntas, tantas dúvidas, e tantas desconfianças. Mas Müller ainda tinha uma pequena parte que acreditava em Barnes e Romanoff, mesmo ela tendo falecido há um bom tempo; Müller jurou vingança e era isso que ela iria fazer, se vingar de todos que a machucaram profundamente e tirou tudo de si.

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Aeroporto de Munique.

Ao chegar ao aeroporto, ela teria que achar uma solução. A passagem estava muito cara e aqueles trocados roubados não lhe ajudaram em nada, contudo, usaria seu poder de persuasão, o mesmo que ela compreendeu o funcionamento: não funcionava da forma que imaginava, a pessoa tinha que estar desbloqueada —- isso, em outras palavras, era não ter a mente fechada e treinada para todos os mutantes que tinham dentro daquele mundo, e também não ter um preparo psicológico, como os soldados e agentes.
Passou rapidamente pelos colaboradores do aeroporto e entrou no compartimento de carga, seria uma viagem difícil, mas torceria para acordar viva no solo americano.
Seus planos eram simples e fáceis: matar Rogers, para poder se vingar literalmente do que ele fez com ela, depois procurar Barnes e conseguir uma casa para ambos morarem. Por que não? Depois disso, levaria sua vida no simples singelo e cantinho, sem ter que se preocupar com todos mentindo para ela.

••


New York. Aeroporto internacional.

A mulher não tinha desembarcado ainda, estava sobrevoando os Estados Unidos da América como uma turista normal. Mas no solo, o pior lhe aguardava, Hanks estava de prontidão, só esperando o voo NY1259 pousar.
Hanks, na escuta? — uma voz feminina falou, em seu ponto.
Sim.
— Quando ela sair de dentro do avião e estiver indo a caminho de qualquer lugar, pegue-a e traga para a base novamente! Não podemos perdê-la!
— Entendido.
— E, principalmente, não deixe aquele Cubo ir parar nas mãos da Shield ou dos Vingadores.
— Certo. Câmbio.
Ele deu o último gole no seu café e jogou o copo no chão.
A pequena equipe que restou conseguiu rastrear Müller, sabiam que ela não foi como passageira e conseguiram o número e tempo de voo.
— É, Müller, você vai sofrer amargamente por ter destruído a Hydra e me deixado para ficar com aquele filho da puta do Barnes. — Hanks falou, cuspindo todo ódio que sentia de Müller. — Acha que eu não sei que você conseguiu ter informações dele enquanto estava desaparecida?
saiu do aeroporto desconfiada de tudo e todos que passavam ao seu lado; Enquanto esperava o café e um misto quente ficarem prontos na cafeteria do aeroporto, ela assistia uma reportagem de um tal Tony Stark, “Homem de Ferro”, o rosto era um pouco familiar, não era muita coisa, mas era; ele falava de algumas coisas que fez questão de não prestar atenção, apenas quando ele mencionou os Vingadores, juntamente do Capitão América.
— Então é aí que vou achá-lo — sussurrou, para si mesma.
Pagou e foi até ao lado de fora, entrou em um táxi e pediu para a motorista a levar para a Torre dos Vingadores. A motorista estava tranquilamente em seu carro e aumentou apenas um número o som do rádio. I’m Alive.
Durante o caminho, ela ficou apreciando a música, um bom rock, e a vista do lado de fora do carro, só que não esperava vê-lo. Hanks estava de moto e ficou lado a lado com o táxi. não acreditava que ele teve a idiotice de seguí-la até New York, ela subiu a barra da calça e pegou sua arma enquanto abaixava o vidro e deu dois tiros contra Hanks, o soldado desviou dos tiros e acelerou, parando mais à frente do veículo onde Müller estava, a motorista freou bruscamente e foi de encontro com o volante, quase saindo pela janela, porém, Müller a segurou com o seu poder, evitando o pior.
Sua redenção começava ali.
Rapidamente, viu se estava tudo bem com a mulher, pegou a mochila, colocou nas costas e saiu de dentro do carro; a ex-agente virou à primeira esquina que ela teve em sua visão periférica. Ela olhou para trás e ele já estava há alguns quilômetros dela com a moto. Atrás dela e em cima dela, tinha o helicóptero da H.Y.D.R.A. e os agentes, com várias armas apontadas para ela.
— Merda, merda, merda! — Desviava dos pedestres. — Como é que nem os Vingadores não estão vendo isso, aquele Stark é pura lábia.
Com movimentos rápidos, Müller pegava os carros estacionados na rua e jogava em cima dos agentes e de Hanks. Era incrível como ele podia ser tão sortudo, todos os agentes eram atingidos por Müller, menos Hanks. Ele era bem habilidoso e um perfeito soldado da H.Y.D.R.A., afinal, foi treinado por ela e por Barnes; olhou para frente, já em desespero, querendo parar de fugir e despistar Hanks. Ela não voltava por nada para aquela base, foi quando ela avistou a torre dos Vingadores. Não parecia, mas ela tinha corrido uns bons quilômetros e não tinha se cansado nem um minuto.
Ela tirou a bolsa de suas costas e pegou uma das armas automáticas e alguns cartuchos, colocou sua bolsa novamente para trás e atirou contra Hanks. Durante os disparos, Hanks jogou uma bomba na mochila de Müller. Ela pegou, arrancou a bomba e jogou para cima, nada demais, é claro, até por certo que era uma pequena bomba que causava um grande estrago. Sem medo, ela fez isso e se jogou para dentro de um dos prédios, que por mera coincidência, era a torre. Rogers estava na porta e não esperava uma garota sair voando por cima dele. Os dois pararam ao chocarem contra a parede.
Capitão América levantou e colocou seu escudo em seu braço direito para protegê-los. Com cuidado, ele ajeitou encostada em sua perna e assim levantou a cabeça dela; abriu os olhos, sua visão estava toda embaçada, ela não reconheceu o homem que a ajudava, muito menos a torre, ela se esforçou para poder pronunciar apenas uma única palavra.
— Hy-Hydra — Müller pronunciou e desmaiou logo em seguida , soltando a arma no chão.
— Natasha, leve-a para uma sala segura — Rogers pediu para a ruiva, que estava logo atrás.
— Pode deixar.
Stark, é a Hydra.
— Eu já percebi, picolé.

Romanoff tinha acabado de colocar no sofá. Ela tirou a mochila dela e abriu, viu todos os arquivos, ela folheou rapidamente e fechou a mochila. Pegou os arquivos e guardou em um lugar seguro, que ela sabia que ninguém ia mexer. Ela voltou para perto da garota e ficou ao lado dela. A garota estava irreconhecível, ela tinha crescido tanto e estava tão linda, suas expressões de menininha marrenta tinham tomado lugar de um agente da H.Y.D.R.A. e uma mulher vingativa. Banner entrou na sala onde Romanoff estava com Müller, para poder prestar socorro.
— Como ela está? — Banner perguntou.
— Ela desmaiou enquanto Rogers estava falando com ela, até agora ela não acordou.
— Quanto tempo isso?
— De um a três minutos.
— Isso é muito, vamos levá-la para o laboratório — Banner falou, pegando-a no colo.
— E o que você vai fazer? — Natasha falou, sem demonstrar preocupação.
— Apenas reanimá-la e cuidar dos ferimentos dela.
O óbvio, mas isso era algo que Romanoff não conseguia processar, e pelo contrário, ela apenas se preocupava em que eles descobrissem que ela era uma garota super-dotada. Natasha foi logo atrás de Banner, com a mochila de Müller nas costas. Ao chegarem ao laboratório, Bruce pegou um líquido com cheiro razoavelmente forte para poder despertá-la, o que não funcionou, pois a garota continuava dormindo.
— Acho que deveria levar a garota para um quarto — Pepper falou, ao entrar no laboratório.
— Isso não seria contra as regras? — Banner perguntou.
— Ela é uma adolescente ainda, Bruce. Vamos, leve-a para um dos quartos.
Capitão Rogers, Stark e Clint entraram no laboratório acompanhados. Gavião Arqueiro e a Agente 13 depois da pequena missão que tiveram com a H.Y.D.R.A.. Stark foi o primeiro a argumentar sobre levar Müller para um dos dormitórios da torre, algo que foi interrompido quando Potts já estava na vitória de poder deixar mais confortável enquanto dormia; já Rogers verificava a mochila da garota, em cima da mesa que tinha ali, ele achou as armas e os cartuchos, bem organizados, por sinal, no cano estava as iniciais da H.Y.D.R.A. e principalmente a identificação da garota.
— Esperem — Steven disse, pegando uma das armas. — Ela é uma agente da Hydra. — Steven mostrou as inicias.
Romanoff tentou se manter em um postura tranquila e que não reconhecia aquela garota deitada na maca.
— Isso não quer dizer nada, Steve, eles podem muito bem estar atrás dela porque ela pegou sem querer a mochila — Potts defendeu Müller.
— Ou as armas podem ter sido implantadas na mochila dela — Romanoff falou, com um medo estampado em seus olhos, que teve que fortalecer seu tom de voz.
— As duas vão defender ela agora? — Tony perguntou, inconformado.
— Não, Tony, mas pense bem. Será mesmo que ela queria estar com essas armas? Até onde sabemos, ela estava fugindo da Hydra e não atacando a gente — Potts disse o óbvio.
— Mesmo assim, não devemos confiar nela, ela utilizava uma arma.
— Eu concordo com Stark — Rogers falou, desconfiado ainda.
— Temos uma raridade aqui, né, picolé.
Potts balançou a cabeça em negação e suspirou pesadamente.
— Isso ainda não quer dizer nada, Stark. Bruce, pegue-a e leve para uma das salas de interrogatório, assim o senhor Stark e o senhor Rogers podem ficar vigiando a garota e ela vai ter um bom descanso, só precisamos colocar uma cama improvisada lá. — Potts se retirou da sala, revirando os olhos.
Stark queria entender o motivo de tanta defesa do lado de Potts, se ela conhecia a moça ou já tinha ouvido falar dela.
— É sério, Pepper? Você vai defender essa garota da Hydra?
— Não sabemos se ela é da Hydra, Tony.
— Steve achou armas da Hydra dentro da bolsa dela e você ainda tenta protegê-la. Pepper, você sabe de alguma coisa?
— Sei, Tony, sei, sim, sei que você está sendo um completo idiota em não tentar saber o que ela quer ou da onde ela veio, pare de ficar julgando ela, Stark.
Potts seguiu a caminho da sala que Müller ia ficar, deixando Stark falando sozinho.
— É, gente, Rogers está chamando vocês na sala. — Clint apareceu no local.
— Estamos indo.
Com Potts logo atrás, eles entraram na mesma sala que estava tendo a pequena discussão entre os Vingadores, só que agora o ar estava mais sério e sombrio. Se Steve tinha alguma suspeita dela ser a mesma garota que sequestrou o cubo, então aquele pequeno fato já respondia tudo, enquanto ele terminava de analisar as coisas de Müller juntamente de Barton, eles tiraram o Tesseract de dentro da bola, bem no fundo, enrolado em um casaco fofo.
— O Tesseract — a voz de Potts ecoou naquele grande silêncio.
— Foi ela, então, está comprovado — Clint concluiu.
— Ou não. — Olharam para Stark. — Ela roubou o Tesseract da Hydra, ia usar para alguma coisa.
— Ela é uma agente, deve ter acontecido alguma coisa que a fez sair de lá junto com o Tesseract, ela veio parar aqui na torre por engano — Rogers resumiu toda a teoria.

••

já estava na sala de interrogatório, deitada em uma cama, enquanto isso, Romanoff, Potts, Stark e Carter falavam sobre o fato dela ser da H.Y.D.R.A., já Rogers não parava de encarar Müller, em uma tentativa de decifrar o que passava com ela e o porquê dela estar ali na torre dos Vingadores, o que a H.Y.D.R.A. fez para ela fugir e estar com o Tesseract.
Müller abriu os olhos, sem entender nada, levantou um pouco a cabeça e olhou em volta, tentando reconhecer o ambiente; não era um lugar frio e escuro igual o da H.Y.D.R.A., era um lugar mais aconchegante, um lugar onde só pelas cores fazia Müller se sentir em casa e segura, por mais estranho que possa parecer. Ela sentou e olhou para frente, onde tinha um grande espelho escuro, seus ouvidos ainda apitavam por conta do barulho da bomba.
— Ela acordou — Rogers disse, olhando para os olhos de . — É ela!
— Ela quem, Steve? — Carter disse, bem próxima de Rogers.
— A garota que estava ajudando Bucky no prédio.
— Não pode ser, ela era morena e mais baixinha e mais... — Stark procurou palavras para definir .
— Criança — Romanoff falou.
— Você tem certeza? — Carter olhou para Müller.
— Sim, na verdade, as peças se encaixam, eu só precisava esperar ela acordar. Eu vou entrar lá e conversar com ela.
— E se for ela, Steve. Com certeza, ela vai querer atacar você, e além disso, se for uma de nós, é bem capaz que ela se sinta mais à vontade. — Natasha se referia à ela, Carter e Potts.
— Por que vocês?
— Somos mulheres, ela é uma garota, tudo indica que ela irá se soltar mais.
— Tudo bem, quem vai?
— Eu — Carter falou, já se retirando.
Carter saiu da sala e colocou sua arma presa em sua calça na parte de trás, abriu a porta e encontrou-a massageando suas têmporas e com o cobertor em cima de suas costas.
— Oi. — Oi, onde eu estou?
— Na torre dos Vingadores, como você está?
— Bem, só com um pouco de dor de cabeça — Müller mentiu. — Mas tirando isso, estou bem.
— Ficamos preocupados com você, qual o seu nome?
Müller, e o seu?
— Sharon Carter, Agente 13.
— Prazer em conhecê-la. — Müller estendeu a mão.
— Eu preciso fazer algumas perguntas para você, tudo bem? — Sharon retribuiu o gesto.
— Sim, cadê minha mochila? — falou, um pouco desesperada pelos arquivos, o pen-drive com a gravação, as armas dela e o Tesseract.
— Está em um lugar seguro. Primeiro, você trabalha para a Hydra?
— Sim, quer dizer, não. Eu saí de lá. O que isso tem a ver com minha mochila? — Ela sabia o que tinha a ver com a mochila.
— Eu preciso saber.
— Saber se eu sou da Hydra interfere de eu estar com a minha mochila? — mudou de postura.
— Achamos suas armas dentro dela e estava com as iniciais da Hydra, algo estranho, não acha?
— Não, se eu acabei de falar que trabalhei para a Hydra, só peguei o que me pertencia ou você queria que eu falasse que eu roubei as armas da Hydra? Agora me dê licença, eu vou sair desse quarto.
— Não, eu não terminei. — Parou na frente dela. — E o Tesseract, como você conseguiu?
— Conseguindo. Se você é uma agente, como disse, deve saber muito bem que em dois mil e oito, o cubo foi roubado da Shield, então agora só fazer a mente funcionar.
Era um nível de arrogância nas palavras que quase tirou Sharon do sério, mas como uma boa agente, ela precisou se manter calma.
— Você será levada para a Shield, e presa por roubar o Tesseract.
— Vocês tiraram o Tesseract de mim, sendo que eu, em sã consciência, ia devolver aqui — mentiu parcialmente. — E me diz que vou ser presa? Ah, não mesmo. — Direcionava para a porta.
Sharon pegou a arma e apontou para , que revirou os olhos; respirou fundo e desarmou Sharon com as mãos, a jogou no sentido contrário da arma. Com o poder, fez a arma de Sharon travar sem poder disparar ou tirar o cartucho, ela saiu pelo corredor, procurando seus pertencesses e a saída.
Rogers não acreditava na petulância da garota, como ela tinha tanta frieza para falar daquele jeito com uma agente, ainda mais na torre dos Vingadores. Ela era ainda uma agente da H.Y.D.R.A., disso ele tinha certeza e ele teve mais certeza ainda pela petulância da garota ao falar com Carter.
— Vamos, ela está saindo — Rogers disse, com todos em seu encalço, menos Romanoff.
Eles saíram da sala e procuraram Müller pelos corredores, eles a encontraram na sala principal, onde ela estava antigamente com Natasha.
— Está tudo bem? — Potts perguntou.
— Ai, não, mais gente. Eu estou bem, sim, eu trabalhei para a Hydra e meu nome é Müller, estava com o Tesseract, mas eu trouxe ele para devolver. Agora, eu só quero minha mochila e sair daqui, eu posso?
— Não — Capitão América disse, sério.
— Capitão América. — Deu um meio sorriso. — Onde o Soldado Invernal está?
— Quem é esse o Soldado Invernal?
— É o mesmo que lutou com você em cima do prédio, você parou ele, não é? Matou o Barnes!
— Eu não matei o Bucky! — Aquela informação valia ouro. Ela lutou ao lado dele naquele dia, era os dois contra si no prédio.
— Você foi o último a vê-lo, você estava com ele naquela droga de coisa da Shield. — Se referiu a base fixa. — E até onde eu sei, você matou Bucky.
— Eu nem sabia que era ele. Você deve saber, era da Hydra também.
— EU NÃO SEI! Eu não estaria aqui à toa, eu vim atrás dele. — tentou bate-ló, mas Steve segurou seu braço.
O modo, o linguajar de Müller fez com que Rogers estressasse com ela mais ainda. Já que Steven ainda segurava o braço dela, segurou o braço de Steven, fazendo com que ele passasse por cima dela e soltando seu braço, Rogers se levantou em um pulo ágil e a atacou do mesmo modo que fez com ela há cinco anos. Os golpes para eram nada, ambos já sabiam como eles lutavam, apesar de que estava mais rápida e mais ágil.
Em um dos chutes que iria dar em direção ao peitoral, Steven segurou a perna dela, que foi obrigada a dar impulso com a outra, chutando fortemente o rosto de Steven e fazendo com que ele caísse no chão. Ela “sentou” na região de sua barriga e prendendo um dos braços — dele — embaixo de sua perna, porém, rapidamente, Rogers a virou, a segurando. Eles se encararam temporariamente, as respirações ofegantes eram bem sincronizadas. Foi uma luta mais cansativa que a do prédio.
— Me fale onde está o Barnes! — falou, em um sussurro.
— Steve, solta ela! — Potts pediu.
Steven e Müller se separam ao ouvir Potts pedindo para eles se soltarem pela milésima vez, ou algo assim, já que ambos não entenderam muito bem, vários fatores, principalmente a raiva, fez com que eles não se tocassem que os outros estavam pedindo para eles pararem. Havia uma coisa em Müller que fazia com que Rogers perdesse a cabeça facilmente.
— Vamos conversar calmamente com ela, picolé.
Stark parou na frente de Müller com medo que a raiva que Rogers estava sentindo tomasse conta do seu consciente novamente e fizesse com que eles entrassem em uma luta corporal novamente; Steven não queria, mas foi "obrigado" por Potts em aceitar a proposta, já que ele e Müller estavam procurando o Soldado Invernal. Eles discutiam, e a maior parte que estava na sala, Agente 13, Stark, estavam acreditando que Müller sabia onde ele estava, mas não queria dizer ao Rogers, já Potts, continuava na defesa de .
— É sério que vocês vão continuar me acusando? Eu não sei onde o Bucky está, é a única coisa que eu queria saber, pois desde o primeiro momento que me falaram que ele podia estar desaparecido ou que você tinha matado ele. — Apontou para Rogers. — Eu não acreditei. Optei pela primeira opção, apesar de que deveria acreditar na segunda. — se referia ao ataque que aconteceu há poucos segundos.
— Ela está mentindo, Steve. — Sharon se levantou, indignada que Rogers ainda escutava tudo que ela falava.
— Mentindo, eu? — Riu de deboche.
— Sim, ou a Hydra é um grupo de pessoas que ajuda os velhinhos e as crianças carentes? — Stark falou, ironicamente.
revirou os olhos.
— Ok, eu vou embora.
— Não vai, não — Potts disse. — Você está abatida e precisa comer algo, venha, vamos para a cozinha.
— Pepper.
— Stark, calma.
Potts preparou um lanche bem farto para , acompanhado de um café forte. Potts puxava assuntos calmos, fazendo a garota se distrair até chegar em assuntos mais sérios, que Müller respondeu calmamente tudo que ela perguntava, estava sendo gravado, e algo que não sabia era que J.A.R.V.I.S. estava monitorando tudo que Müller falava para avaliar se era tudo verdade, depois que a conversa delas terminassem.
— É verdade, eu voltei para a base e deixei ele para trás. Não sei o que aconteceu com ele, eu não faço mais parte da Hydra, existia coisas lá dentro que eu não sabia e acabei me revoltando contra eles, mas não me arrependo de ter sido treinada por eles. Querendo ou não, tinha algumas pessoas que me tratavam como se fosse irmã, eu entendo se você não acreditar.
— Não vou fazer igual eles, calma. Sinto que você fala a verdade e também preciso conhecer o lado da sua história, mas por que tanta raiva do Steve?
— Não sei — mentiu. — Acho que deve ser o famoso ditado, nossos santos não se entenderam.
— Ou porque ele já tentou matar o Caveira Vermelha.
— Como? — questionou, inconformada.
— Você não sabia?
— Não, ele também? O Schmidt...
saiu furiosa da cadeira e andou de um lado para o outro, Pepper tentava acalmá-la novamente, a partir daí, Potts percebeu que ele já tinha feito algo para ela que a deixou com tanta raiva e ódio, que a única coisa que só conseguia sentir era ir atrás de vingança e até mesmo dar uns bons socos em Rogers, em outros termos, matar o Capitão.
Romanoff apareceu na porta da cozinha, fez um sinal para Potts ir até ela e voltou para um ponto cego.
— Aqui está a mochila dela, eu verifiquei tudo. O que é dela está aí, não podemos ficar com ela, já que...
— Ela é uma ex-agente da Hydra, obrigada, Nat — Pepper completou.
? — Potts falou, entrando na cozinha.
— Oi.
— Aqui está tudo que é seu.
— Obrigada, eu vou embora. Sei que você vem sendo muito legal comigo e eu agradeço por isso. Pelo menos, Johann estava errado em uma coisa.
— Errado em quê?
— Que nem todos os Vingadores são idiotas e chatos.
Potts soltou uma risada suave, divertida com a sinceridade da jovem.
— Um deles tem uma palavra que define bem, mas ele tem um bom coração.
— Quem?
— Stark.
— Certeza? Não parece.
As duas trocaram olhares cúmplices e riram, seguindo em direção ao elevador.
— Você tem para onde ir?
— Não, mas eu acho que em algum lugar eu consegui trocar o dinheiro que eu tinha, antes de ser perseguida pelo Hanks.
— Se quiser, posso tentar te ajudar.
— Obrigada, Pepper, mas não precisa. — entrou no elevador. — Por que acredita tanto em mim? — segurou o elevador.
— Deve ser porque, se você quisesse atacar os Vingadores, já teria feito isso.
sorriu. Era a lógica, mas só tinha um Vingador ali que ela queria atacar.
— Até, Pepper.
— Até.
Potts levou a gravação para a sala de Stark e pediu para que J.A.R.V.I.S. analisasse o tom de voz de , pelo menos, era assim que ela teria mais certeza ainda que Müller não estava mentindo. Ao término, J.A.R.V.I.S. entregou o relatório da análise que constava que ela estava falando a verdade, Potts respirou aliviada, seu sexto sentido de mulher não tinha falhado novamente. Potts guardou a gravação, caso fosse preciso mostrar para Tony.
saiu da torre depois de se certificar que não tinha mais ninguém da H.Y.D.R.A. ali por perto; a moça andou uma boa parte da cidade, procurando um lugar que seu dinheiro pudesse pagar, mas não encontrou nada. Ela parou, olhou para os lados, procurando um lugar que pudesse fazer uma pesquisa e não precisasse pagar tão caro, e ali estava uma cafeteria com wi-fi, torceu que o preço fosse acessível e com o uso.
— Oi. — Parou em frente à bancada.
— Oi, deseja um café?
— Sim, por favor, com leite, e um pão com queijo também. — Sorriu.
A garçonete retribuiu o sorriso e foi pegar o pedido de . Tudo parecia maravilhosamente bem; ela estava com fome, fazia um tempinho que tinha saído da torre e não comera mais nada desde então.
— Quando custa para usar? — Se referiu aos notebooks.
— Um dólar a hora.
— Só sentar e usar?
— Isso.
— Obrigada.
Foi uma busca rápida e bem centrada, alguma casa por perto que estivesse abandonada, e depois ela daria um jeito de pegar a casa para si. Quando achou, anotou em um guardanapo o endereço e a rua, desde o quilômetro, até como fazia para ir até lá. Müller pediu a conta depois de ter fechado a pesquisa.

A casa não era muito grande, mas também não era muito pequena, era linda, familiar e aconchegante. Estava com os móveis cobertos de lençóis brancos, com pó em cima, ia demorar muito para limpar aquele lugar, mas o único lugar que ela ia limpar era o quarto de casal e o toalete.

••

Romanoff estava no topo da torre, pensando em todos esses anos e agradecendo que não tinha falado o nome dela em nenhum momento da discussão dela com Rogers; Clint foi até ela, aquelas suspeitas dele que ela sabia algo mais e não queria falar tinham se concretizado ao ver que ela evitava contato ou que Müller a visse na torre. Romanoff aparentava estar tão perdida com ela mesma do que em New York, só quem conhecia realmente ela, sabia que ela estava com medo.
— Nat.
— Clint. — Romanoff enxugou as lágrimas antes de se virar.
— Está tudo bem? — Ele deixou a ruiva dar o primeiro passo para o assunto.
— Sim.
— Eu te conheço, sei que já te perguntei isso antes, mas me fale o que aquela garota sabe que você não quer que ninguém saiba. Nat, você pode confiar em mim.
— Clint, não é tão fácil, ela acha que... Eu morri quando vim buscar o Cubo.
— Como?
— Quando eu fiz vocês me seguirem e eu usei minha própria arma para atirar e fiz toda aquela cena, era para despistar a Hydra. Apenas eu sabia que ia descobrir e que alguém ia avisar que eu tinha falecido, só não sei o que eles falaram para ela. Se ela souber que eu “traí” — fez aspas com os dedos — a Hydra, eu tenho certeza que ela vai ficar brava comigo. — Romanoff estava completamente emocionada.
— Você se apegou a ela no período que estava lá. — Clint respirou, aliviado.
— Sim, eu a treinei, armas brancas e de fogo, ela é ótima, Clint, e inteligente demais, fora que ela foi cobaia do Projeto GF 96.
— Projeto GF 96? — Colocou a mão na boca, demonstrando estar pensativo.
— Sim, os cientistas desenvolveram um soro para fazer mutação no DNA dela, eu só não sei se desenvolveu nela ou não, saí muito antes de saber algo dela.
Romanoff explicou tudo o que sabia sobre o Projeto 96, que para ela, continuava como Projeto GF 96, além de falar que foi treinada por outros integrantes da H.Y.D.R.A.. Clint entendeu tudo, ainda mais o medo de Romanoff.
— Você não acha melhor esperar tudo se acalmar aqui e depois você ir ao encontro dela para conversar? Eu tenho certeza que ela vai entender.
— Você acha que ela vai entender? Eu acho que ela vai querer me xingar de todos os nomes.
— Bom, se ela te ama do modo que você falou, então ela vai, sim, ela parece ser legal.
— Ela é um doce, só não entendo o porquê dela estar fugindo da Hydra.
— Revolta.
— Impossível, o Caveira Vermelha cuidava dela como o objeto mais precioso, preciso achá-la logo.
— Você vai.
Clint puxou Natasha para um abraço apertado e caloroso, fazendo um carinho suave em seus cabelos ruivos, fazendo-a se acalmar e tentando que o medo da mulher passasse por alguns minutos, ou até mesmo algumas horas.

••

Enquanto isso, na sala, Rogers ficava repassando todas as informações de Müller, principalmente a raiva que ela passou ao olhar para ele, em sua mente, ele sabia que tinha algo diferente naquela história toda; por mais que ele tentasse, não conseguia confiar em Müller, ainda mais pelo fato dela estar sempre acusando ele de ter dado um sumiço em Bucky, mas no fundo, com todas aquelas dúvidas, com todas aquelas incertezas, aqueles olhares, um leve sentimento poderia ter começado a nascer.
Ele esfregou os olhos e balançou a cabeça para espantar os pensamentos e aquela suposta hipótese. Steven foi para a sacada com uma garrafinha de água, ele olhava o sol se pondo com os mesmos pensamentos de antes.
— Steve? — Sharon chamou, fazendo-o despertar de seus pensamentos.
— Sharon, aconteceu alguma coisa?
— Não, mas eu sei que você não aprovou que Pepper ficasse do lado dela, muito menos de ter a deixado sair sob nossos cuidados.
— Não entendo o porquê dela confiar tanto nessa garota, ela é uma agente da Hydra — Rogers disse, inconformado.
— Podemos tentar procurá-la e ir atrás dela, ver o que ela esconde e o que ela sabe da Hydra.
— Não sei, Sharon, Pepper deve estar amparando ela de longe.
— Steve, ela pode estar tramando algo contra nós, ela é uma agente da Hydra, você vai mesmo deixar ela solta por aí enquanto você pode conseguir informações dela? — Agente 13 falava, colocando pressão em Rogers.
Claro que Carter estava interessada nas informações que Müller tinha, mas ela estava mais interessada ainda em capturar e seria muito fácil fazer isso com a ajuda de Steven, já que ambos estavam sentindo uma atração pelo outro, e ele não iria desconfiar de nada. Ela era uma agente, qualquer informação da Hydra era lucro, e qualquer informação sobre Bucky e ainda poder matar o Caveira Vermelha e destruir toda a H.Y.D.R.A., seria uma vantagem e tanto, mas aquele leve sentimento fazia com que ele pensasse em deixar dar o primeiro passo e se entregasse.
— Quer tentar achá-la? Eu procuro, sem levantar suspeitas.
— Por favor, me avise quando tiver alguma notícia.
— Pode deixar, Steve.
— Obrigado, Sharon.
— Eu tenho que ir. — Manteve Rogers perto dela. — Te vejo à noite?
— Sim, cuidado.
— Pode deixar, Steve.
Carter se despediu de Rogers com um beijo e deixou o herói no local que eles estavam.
No dia seguinte, Barton foi até a residência de Steve. Conversaram amigavelmente e depois entraram no assunto principal: . Os dois concordaram que precisavam ter informações sobre ela e os planos dela, entretanto, a sensação que ele teve ao olhar nos olhos dela, claro que Clint disse que era apenas imaginação dele por conta dela ser da H.Y.D.R.A..


Alguns dias passaram. Pepper e se encontraram em um restaurante e contou sobre a casa que estava. De forma correta, Potts a ajudou a se instalar naquela linda casa. A casa que ela mal imaginava que guardava um passado.
A linda casa em New York foi o lar de um casal de militares, o senhor uma das patentes altas serviu o exército americano da forma mais possível; sua esposa também, entretanto depois de muita burocracia perante ao país.
Com os documentos sendo feitos da forma correta, poderia usar a casa sem muito medo da vizinhança estranhar a movimentação na casa. Estava prestes a fazer uma faxina generosa na residência, começando pela cozinha, onde sabia que passaria uma boa hora conversando com Pepper e futuramente com Bucky. Passou para a sala de estar, limpando a linda mesa de madeira que ficava quase encostada na parede, as cadeiras apostas para quatro lugares e quase rente a parede ficava um lindo banco estilo piquenique.
A sala tinha uns móveis muito bons ainda, bem dispostos ao centro da sala, eles traziam aquele doce ar de família acolhedora; pela escolha dos móveis, mostrava que eles tomaram todo o cuidado para os filhos pequenos não se machucarem nas quinas do moveis. E a lareira. Limpou tão bem que podia jurar que estava toda suja de fuligem, agora com novos troncos, ela poderia se aquecer na companhia de um achocolatado e marshmallow.
Antes de ir para o andar superior, ela limpou o corredor e verificou o armário de baixo da escada. Dentro tinha poucas coisas, algumas vassouras, baldes, capas de chuvas — uma bonitinha até cor de rosa com bolinhas amarelas nitidamente era de uma das filhas do casal; entretanto os ganchinhos estavam mal posicionados, foi até a lavanderia, onde tinha deixado uma pequena caixa de ferramentas novas e voltou para ajustar. Ao ajustar o segundo parafuso, abriu uma porta de uma material que ela nunca tinha visto, supôs que poderia ser algo como titanium com um toque de aço com revestimento de cerâmica.
— Ok, definitivamente não era um simples casal militar. — Desceu as escadas, olhando cada milímetro do local.
desceu desconfiada e viu um laboratório que para aquela época, era de última geração, apesar de que continha algumas tecnologias Stark nítido, pois era a marca nos aparelhos. Todas as informações que estavam dentro de cada computador foram retiradas, estavam vazias como se nunca fossem usadas. As gavetas também estavam vazias, sem um mísero papel. Era estranho, pois ninguém tinha acesso ao laboratório, na verdade, ela deduziu pelo estado que ela encontrou a casa.
Müller abriu uma das gavetas que estava emperrada e viu uma folha pequena do tamanho de um guardanapo onde estava escrito “Todos os arquivos foram entregues para a S.H.I.E.L.D.”, ela estranhou. Por que para a S.H.I.E.L.D.? Até onde ela sabia, não por conta da lavagem cerebral que fizeram nela, a casa estava abandonada e não tinha sinal nenhum que alguém entrou lá recentemente. Estranhou tudo aquilo e resolveu pedir amparo à Potts.
Ela e Pepper mantinham contato, e Potts a ajudava no necessário. As duas criaram um elo tão grande que Müller compartilhou as informações que continham dentro do seu arquivo que ela pegou da H.Y.D.R.A.. Antes de Potts chegar, Müller já tinha deixado o vídeo preparado para reproduzir no laboratório.
— Oi, , como você está? — Pepper falou, ao ver na porta.
— Bem, entre, preparei um lanche para a gente.
— Não precisava. — Potts colocou sua bolsa em cima do sofá. — A casa está bonita, bem arrumada.
— Obrigada. Pepper, eu te chamei aqui para te mostrar algumas coisas e para ver se você poderia me ajudar.
— Dependendo, eu posso até te ajudar.
— Me siga, por favor.
Pepper estranhou o local que ela entrou, um armário debaixo da escada, e suspirou, torcendo que ela não estivesse ficando um pouco neurótica. Quando viu que a garota mexeu no parafusinho e abriu a porta na frente delas. Aquela cena deixou a mulher com inúmeros questionamentos.
colocou o arquivo com seu nome em cima da mesa, ela explicou para Pepper e mostrou o arquivo falando que não se lembrava de nada do que estava escrito ali, só a parte que falava do começo do Projeto 96 e que depois de saber a verdade, ela saiu da H.Y.D.R.A., mas uma coisa que Müller não perdoava, era o que o vídeo retrata.
— Eu não acredito — Pepper falou, indignada ao terminar de ver o vídeo.
— Eu não acreditei também quando vi.
— Mas não pode ser verdade, alguém deve ter feito isso, tudo bem se eu pedir para o Tony ajudar, para saber se é verdadeiro ou não o vídeo?
— Pepper, eu analisei esse vídeo desde o tempo que eu saí da Hydra até hoje, não tem como ser mentira.
— Por favor?
Insistiu, mas o problema não era ser analisado outra vez, ela não conseguia confiar em ninguém e aquela mínima confiança que estava colocando em Pepper estava a corroendo por dentro.
— Tudo bem. — Suspirou pesado. — Mas não deixe ele falar para ninguém.
— Não deixarei, então esse é o motivo de tanto rancor por ele? — Pepper indagou.
— Não vou mentir, esse é o principal motivo.
O vídeo foi tão impactante que Potts nem se atreveu a questionar sobre o laboratório secreto. Com um toque de urgência, ela ligou para Tony. Em questão de minutos, o ronco do motor de seu Acura NSX ecoou pela rua, anunciando sua chegada triunfal. Tony Stark saiu do carro com seu habitual charme, tirando os óculos escuros e passando a mão pelo cabelo de forma despreocupada.
Ele entrou na casa com a confiança de sempre, um sorriso arrogante no rosto. Observando o ambiente com um olhar curioso. Em um piscar de olhos, montou seus equipamentos no laboratório, a eficiência e a destreza marcando cada movimento. Quando o vídeo finalmente começou a reproduzir, Tony ficou paralisado, os olhos arregalados em incredulidade. Nem ele mesmo conseguia acreditar no que estava diante de seus olhos.

~••~

O senhor e a senhora Müller estavam voltando de um evento relacionado ao exército, onde foi possível levar a família. Era fim de ano, o natal estava próximo, a família Müller cantava alegremente algumas cantigas natalinas acompanhando o rádio do carro. O senhor Müller viu pelo retrovisor que dois carros os seguiam desde que deixaram a festa, coincidentemente quando uma nova música natalina começou a tocar e sua filha começou a cantarolar. Em um tom preocupado, ele pediu, em alemão, que sua esposa protegesse .
— Filha, coloque este casaco do seu pai, está muito frio, meu anjo. — A mulher passou o casaco do exército, encostando-se ao assoalho do carro. Discretamente.
— Ok, mamãe — disse, sem delongas.
— und Jetzt, was machen wir? — a mulher perguntou em alemão.
— Ao chegar em casa, leve para o quarto, ponha ela debaixo da cama, vou tentar detê-los. É a Hydra.
A mulher concordou com o que seu marido disse e fez isso. A senhora Müller, Alina, pegou a garota às pressas e a colocou no quarto da menina, pediu para que ficasse debaixo da cama e só saísse quando ela mandasse. Enquanto isso, o senhor Müller pegou sua arma, ativou a gravação das câmeras do quarto de e ficou na espera dos agentes da H.Y.D.R.A..
A ação foi tão rápida que o homem com uma roupa azul de listras brancas e vermelhas com uma grande estrela no peito, entrou atirando na casa que o senhor Moritz não pôde nem sequer ter uma ação de atirar contra o homem.
O mesmo homem, que pelas vestes podia se deduzir muito bem que era o Capitão América, subiu as escadas em direção ao quarto da pequena , a senhora Müller escutou os passos, se agachou no chão para poder olhar nos fundo dos olhos de sua filha pela última vez e falou:
— Lembre-se, aconteça o que acontecer, mamãe sempre vai te amar, você foi o presente mais lindo que eu já tive em minha vida, eu te amo, minha pequena princesa...
A mulher se levantou rápido e se pôs a lutar para defender sua filha. Capitão América entrou bruscamente no quarto e descarregou a arma nela, cobriu a cabeça com o casaco de seu pai ao ouvir os disparos da arma em sua mãe. Fechou os olhos e cantou uma música, em seus pensamentos, que sua mãe sempre cantava para ela.
— Catch a falling star, and put it in your pocket, never let it fade away...
Capitão procurou dentro do guarda-roupa e até mesmo no quarto dos pais da menina, mas não a encontrou. Ele se retirou da casa dos Müller sem saber que toda aquela ação tinha sido filmada.
Depois de três horas do assassinato dos Müller, saiu debaixo da cama e foi para o lado do corpo de sua mãe. Alguns segundos depois, um homem que usava um uniforme todo preto e com o símbolo da H.Y.D.R.A. apareceu e enquanto ele chegava mais perto de , a qualidade da gravação piorava até que a gravação fosse cortada e a tela ficasse azul.


~••~

Tony não conseguia decifrar seu sentimento naquele momento, era muita coincidência para ser verdade. Olhou para o lado onde estava junto de Potts, seu corpo se arrepiou por inteiro, era uma assombração que estava ali na sua frente, não teria outra resposta.
Engoliu a seco, pois o que se recordava não era exatamente aquilo que o vídeo relatava; deste modo, ele começou a juntar as peças, só que uma pequena dúvida pairou nos seus devaneios: tirar o foco dos Vingadores do Tesseract verdadeiro e deixar como uma boa distração.
Ele não ia ceder tão fácil.
Saiu daquele leve momento de reflexão e retomou seu olhar ao monitor, se fosse levar em consideração as ações da garota; tudo que ela havia dito naquele dia na Torre faria sentindo: ela não servir mais a H.Y.D.R.D.A., ter levado supostamente o verdadeiro Tesseract e, claro, aquele ódio por Steve Rogers.
Apenas não o conseguiu compreender como Potts ganhou tanta a confiança dela e também como sua namorada conseguia acreditar tanto nela.
— Está tudo bem? — Potts perguntou,, vendo que o homem estava sério demais.
Balançou a cabeça, nitidamente não queria ser interrompido.
— É sempre assim? — cochichou para Pepper.
— Não muito, mas também estou estranhando.
Saiu do laboratório e olhou os pontos pela casa, quis se certificar que não era o mesma residência que foi retirado a gravação, entretanto, nenhum dos ambiente era idêntico a filmagem, apenas o topo da escada onde ele apenas tentou encontrar um remendo feito para esconder o posicionamento da câmera — diga-se de passagem que se exaltou internamente, ela havia pintado as paredes aquela semana!
Voltou pensativo, nada estava certo. Entretanto, aquele lugar remetia sensações estranhas, algumas memórias pareciam querer voltar, mas numa sequência errônea.
Mais uma vez, contou toda a história, sem tirar nenhuma vírgula. Tony ficou prestando bastante atenção no relato da garota e se deixasse de lado tudo — o que fez, ele simplesmente compreendeu o lado dela.
— Tudo bem, eu entendo, mas, mesmo assim, estou inconformado que seja o picolé. — Tony disse, cruzando os braços e fazendo uma expressão de descontentamento.
— Picolé? — perguntou, arqueando as sobrancelhas em confusão, como se quisesse ter certeza de que tinha escutado direito. Seus olhos se arregalaram, refletindo a incredulidade.
— É o Steve a quem ele se refere — Potts interveio, com um leve sorriso nos lábios, tentando suavizar a situação.
— É por causa dos anos que ele ficou congelado — Tony continuou, dando de ombros, com um sorriso malicioso no rosto, sem se preocupar em esconder o apelido.
— Ah, sim. — Permaneceu confusa.
— Teria como você saber se o vídeo é falso? — Potts o questionou, o seu sorriso que estava ali há alguns segundos dava espaço para um ar de preocupação e curiosidade.
— É claro que eu consigo. — Uma risadinha nasal escapou dele; ele era o Tony Stark, o que ele não conseguiria? — Vou começar agora com o J.A.R.V.I.S. Daqui a algumas horas terei a resposta, Pepper. — Ele virou-se para , a expressão se tornando séria. — Mas me diga uma coisa, você não quer vingança pelo que ele fez, certo?
— O que você acha? — Um minucioso sorriso desenhou em seus lábios, o olhar calmo foi tomado pela doce vingança que queria sentir em seus lábios.
— Claro que ela não vai. — Pepper segurou nos ombros dela, passando um conforto.
— De verdade, eu sei que você vem me ajudando e muito. — Olhou para Pepper, seu olhar permanecia mergulhado na vingança. — Mas é impossível eu ignorar todas as pessoas que ele afastou de mim.
— Eu sei que é difícil, mas foi apenas seus pais.
— Não. — Deixou um sorriso cínico sair em seus lábios. — Eu passei não sei quantos anos esperando o dia para ver esse homem e devolver todas as dores que ele me causou.
Caminhou até o pequeno armário que ficava atrás deles, abriu a primeira gaveta e retirou os arquivos que havia retirado da H.Y.D.R.A.. Voltou até o casal e entregou a pasta a Pepper, Stark, por curiosidade, aproximou-se dela para ler o que tinha na pasta de arquivo.
Inúmeras folhas, ela foi passando uma por uma, lendo por cima, e às vezes parando em algumas que Stark pedia. Como as palavras soavam a sinfonia da melhor mentira já contada, tudo descrito ali deixou o casal perplexo. Potts olhou para Stark, que tinha a expressão da ruiva, inconformados e confusos. Como Romanoff conseguiu esconder tão bem deles sobre a ?
Tony pegou o arquivo e fechou, eles já tinham terminado de ler. Estava mais sério que antes, como se estivesse pronto para fazê-la falar a qualquer custo.
— Desde quando você tem esse arquivo? — perguntou, balançando a pasta, o olhar sério despertou uma pequena intimidação nela.
— Desde o dia que eu descobri que eles implantam memórias falsas em mim, na verdade, desde o dia que eu fiquei sabendo de toda a mentira que eles construíram.
— E por que você não mostrou? Você mostrou tudo isso. — Jogou a pasta em cima da mesa. — Te daria um álibi.
— Eu, sinceramente, a última coisa que preciso é um álibi. — Cruzou os braços, mantendo sua postura ereta. Ele poderia intimidá-la, mas não abaixaria nenhum segundo. — Se eu tivesse vindo até aqui para pedir perdão ajoelhada na frente de vocês e entregado tudo, eu já teria feito isso há muito tempo. — A expressão de deboche se juntou com o sorriso.
— Você pode não precisar de um álibi, mas eu preciso saber que posso confiar em você. E isso não se constrói jogando informações picotadas.
— Compreendo onde quer chegar. — Aproximou um pouco mais. A tensão entre os dois estava alta. — Mas sinto em dizer, que, da mesma forma que você não confia em mim, eu não confio em vocês. Sem ofensas, Pepper.
A mulher gesticulou, ela conseguia entender o lado de .
— Eu sei que isso está complicado, principalmente por incluir pessoas que — buscou uma palavra propícia para a situação — trouxe grandes dúvidas, mas precisamos agora ter um pouco de calma.
Pepper tentava apaziguar aquele momento. O tempo que ela os viu apenas trocando faíscas de quem era mais genioso, ela conseguiu ver Tony em de uma forma assustadora até.
— Tudo bem ele levar o vídeo para analisar?
apenas concordou com a cabeça.
— Não se preocupe. — Seu tom de voz, mostrava que até ele havia se acalmado. — Vou ver primeiro daqui e, se necessário, levarei o vídeo.
— Tudo bem. — A garota respirou fundo. — Não duvidando de você, mas eu acho que não vai ter muita coisa aí que vai ajudar.
Tony não quis responder, ele ia fazer o que Pepper pediu e seguiria assim até sair da casa da .
— Vou ficar lá na sala, qualquer coisa pode me chamar.
— Ok. Esse documento, posso ler ele todo por completo.
— Ler sim, levá-lo não.
Tony fez um leve momento como se compreendesse o que ela impôs e se direcionou para os computadores. Ajeitou-se no sofá da sala com um programa de culinária qualquer, com uma boa caneca de café que tinha colocado para fazer neste meio tempo.
Ao notar que ela havia adormecido, Pepper levou a caneca para a cozinha, deixando junto da sua e, surpreendente, da caneca de Stark, que havia aceitado. Sem se preocupar, ela recorreu aos fundos da casa para fazer uma ligação, até ali aquele lindo quintal cuidou para dar um ar gracioso à casa. Dois toques e a ligação foi atendida, uma conversa breve, mas deixando nítido que todos os esforços para esconder o segredo havia acabado de cair. Pepper havia ligado para Natasha, não queria entrar em detalhes, mas pelo o timbre da voz percebeu que ela já tinha se preparado para este momento.
Horas e horas se passaram, Tony já tinha colocado seu equipamento dentro do carro e se despediu de Pepper, que apenas ficou para limpar a pequena bagunça que ele fez — não queria que ela tivesse mais esse trabalho ainda ao acordar.
Carinhosamente, achou um bilhete em cima da mesinha de centro, onde Pepper falou o que fez antes dela ir embora. Trancou as portas, verificou se o documento ainda estava no laboratório e respirou aliviada que estava ali em cima da mesa, e com isso, foi realmente descansar após um bom jantar.

••

O Acura NSX foi estacionando sem delongas, deixou todo o equipamento lá dentro e subiu até sua sala. De lá iria pela última vez olhar aquele vídeo, entretanto, Stark queria fazer mais uma leitura nos arquivos sobre Romanoff; sendo discreto ainda lá na casa da , ele aproveitou que estava a sós com o documento e tirou algumas fotos de páginas que para ele eram bem importantes.
— Jarvis.
Sim, senhor.
— Mande uma mensagem à Romanoff, fale que preciso conversar com ela. — Saiu de dentro do elevador, estava indo para a sala principal da torre.
— Não vai ser preciso, Tony, eu estou aqui já.
— Hm. Que surpresa você aqui, veio ver se tem algo do seu interesse? — ele alfinetou, deixou um leve sorriso malicioso escapar dos lábios.
— Vim falar da , sei que você quer saber também.
— Claro que quero. — Se servia um copo de whisky. — Quer? — A mulher negou com a cabeça. Ele deu de ombros. — Sente-se, sou todos ouvidos para ouvir sua história, quer que a Pepper fique aqui para você ter um álibi?
— Não será necessário.
— Mas eu faço questão. — Sorriu. — Jarvis, poderia pedir para a senhorita Potts vir até a sala? — Não teve muita demora, logo ela estava presente na sala. — Agora. — Ajeitou-se no sofá, sua postura relaxada e a expressão dele excitado sem saber todo segredinho dela, em tom irônico, só deixou a mulher um tanto quanto irritada.
— Foi em 1992, eu fui capturada pela Hydra, sim. Tudo que eu contei ao Nick naquele dia é verdadeiro, a única coisa que eu omiti foi ter treinado , passado a ela tudo que eu sei de luta, manuseio com armas brancas e de fogo, cuidados em missões. — Respirou fundo. levantou e foi até a janela, o anoitecer estava se aproximando, como seu segredo sendo desvendado. — Eu criei um elo grande com ela, transformando como uma pequena protegida. Quando ela passou pelo o projeto 96, que é, bom, como posso explicar — virou-se para o casal — é uma das criações mais poderosas dele, eu ainda não compreendi exatamente o porquê ela, mas ele a escolheu. Quando eu saí de lá, como a missão do Tesseract, eu despistei os soldados da Hydra e forjei minha morte.
— Mesmo criando todo esse afeto com ela? — Tony gesticulou com as mãos enquanto segurava seu copo.
— Sim — respondeu tão óbvio que recusou falar mais coisas.
Tony observou Romanoff com uma expressão de incredulidade, tentando entender a complexidade da situação.
— Você realmente forjou sua morte e deixou a para trás? — ele perguntou, a frustração evidente em sua voz. — Como você conseguiu fazer isso?
Romanoff respirou fundo, parecendo pesar suas palavras.
— Eu não tinha escolha. A Hydra estava em meu encalço, e eu precisava garantir que ela ficasse a salvo. Treiná-la foi a única maneira de prepará-la para o que estava por vir. — Ela olhou para Tony, seu olhar sério. — é especial, Tony. Ela tem algo que a Hydra quer.
Pepper, que estava em silêncio até então, se aproximou, preocupada.
— O que você quer dizer com "algo que a Hydra quer"? — ela indagou, a tensão na sala aumentando.
— O Projeto 96 — Romanoff começou, sua voz firme. — É um experimento que busca criar seres humanos com habilidades sobre-humanas. foi escolhida por um motivo, e eu não sei qual é, mas é perigoso.
Tony se levantou, começando a andar de um lado para o outro.
— Lá eu criei o conhecimento que foi tentado com mais de milhares de adultos, adolescentes e, acredite, com crianças, a foi a única que tudo deu certo.
— Então ela é confiável.
— Claro, Tony, por que eu daria o melhor treinamento para alguém que não seria confiável?
— Vamos então dar a proteção a ela, mesmo o Steve não gostando da ideia, e você — olhou muito sério para Natasha — vai conter todas as acusações dele, e se em algum momento ela voltar contra nós.
— Eu não vou ficar no meio. — Aquelas palavras lhe doeram muito. — Você tem a minha palavra.
— Nat, você vai se encontrar com ela quando? — Potts desviou o assunto.
— Eu acho melhor esperarmos um pouco, cheguei a conversar com Clint e vamos estar juntos, eu só preciso preparar tudo. — Olhou o relógio de pulso.
— Compreendo.
— Só irei pedir para que vocês não contem sobre mim ainda.
— Claro, como quiser — Pepper disse, amigavelmente. — Se quiser, depois eu passo o endereço dela.
— Sim, por favor.
Tony saiu da sala sem pedir licença, deixando Pepper sem compreender nada. Ignorando a atitude dele, ela voltou a conversar com Natasha sobre . Natasha estava curiosa para saber como a jovem estava se adaptando à nova casa.
Pepper contou tudo, incluindo como estava ajudando com a casa, sem que Stark soubesse.
Após se despedirem, Natasha retornou para sua casa. O dia havia sido complicado e a ideia de ter que proteger e reencontrá-la a deixou inquieta, fazendo com que passasse algumas horas em claro antes de conseguir dormir.

••

Os dias foram se passando, estava bem estabilizada em sua nova casa. Agora que o procedimento de recuperar a casa já estava quase na metade, ela podia já planejar em ter a casa em seu nome. Tony e começaram a se entender melhor, não havia mais aquelas pequenas trocas de palavras um tanto afiadas, pelo contrário, eles passaram a dividir o tempo juntos, o que colaborou para uma pequena amizade crescer.
Em relação ao vídeo, Tony sugeriu para que Steve e todos envolvidos fizessem uma reunião pacífica e ali deixar todas as cartas na mesa. O telefone durou em torno de trinta minutos, Stark não o acusou — o que foi uma grande surpresa, e Rogers apenas contestava que se continuasse acreditar nela, a H.Y.D.R.A. teria uma brecha para poder atacar novamente. Para ter a certeza, ele concordou em ir até ao endereço encaminhado para ele.
O táxi amarelo parou na frente da residência. A casa se erguia majestosa no final da rua, com sua fachada em um tom suave de azul claro, que refletia a luz do sol da manhã. As janelas, emolduradas por cortinas brancas de renda, pareciam olhos curiosos, observando o movimento da vizinhança. Um amplo alpendre adornava a entrada, com cadeiras de balanço que convidam a longas conversas ao entardecer.
Dois andares se destacavam, cada um adornado por varandas que se projetavam para fora, oferecendo vistas para o quintal exuberante. O telhado, de estilo colonial, era coberto por telhas pretas, criando um contraste elegante com a paleta suave da casa.
O ambiente era agradável e passava uma paz gostosa. Ele até se surpreendeu com a casa que Tony havia adquirido. Foi recebido por Pepper, que acabara de ajustar a cortina da casa e o viu chegar; com um sorriso amigável, ele a cumprimentou e seguiu até o local. Da mesma forma que ela estranhou quando a leu até o armário de baixo da escada, ele estranhou.
, com uma latinha de refrigerante na mão, percebeu que Steve já havia chegado e desviou o olhar, sem pronunciar um “Oi”. A tensão era palpável; pequenas faíscas pareciam surgir da raiva que a consumia naquele momento. O clima entre eles estava carregado e Steve sentiu a necessidade de quebrar o silêncio, mas hesitou, sabendo que qualquer palavra poderia intensificar a situação.
Ele respirou fundo, tentando encontrar uma maneira de lidar com a hostilidade que pairava entre eles, enquanto Pepper observava a cena com preocupação, percebendo que algo estava claramente pronto para acontecer.
E mais uma vez, o vídeo foi reproduzido.
— Não sou eu — Steven afirmou com convicção, mantendo os braços cruzados, sem demonstrar intimidação pela filmagem ou pela acusação.
— Não é o que o vídeo está mostrando, Rogers — Stark respondeu, seu olhar estava frio e penetrante.
— Não sou eu, Stark. Eu não teria coragem de fazer isso. Quem são eles?
— Meus pais, Capitão América — respondeu, sem olhar para ele, enquanto colocava a latinha em cima da mesa. — Não é um pouco familiar para você? Você esqueceu de uma única coisa. Naquela noite, eu estava debaixo da cama. Eu vi tudo. Eu sei mais do que ninguém que era você. — Sua voz estava carregada de dogmatismo.
fixou os olhos em Steven, sem piscar, e seus olhos começaram a ficar arroxeados a cada segundo que passava, como quando recebeu a notícia de Romanoff. Ela se aproximou dele, que permanecia parado no último degrau da escada. Fechando o punho, sentia seus poderes emergirem de dentro de si, criando uma aura amedrontadora.
— Não fui eu que matei seus pais, . Eu nunca cometeria algo desse nível, um crime imperdoável.
— Então me explica quem é aquele imbecil com o seu uniforme? Não tem como negar, é você ali. Me diz como comprovar que você destruiu toda a minha felicidade. — esticou a mão direita, deixando seus poderes se manifestarem. — E não foi só uma vez.
, por favor, tente se acalmar — Potts quase suplicava, tentando se aproximar dela, mas receando que ela a atacasse.
— Eu não faria isso, acredite em mim! — Rogers olhava fundo nos olhos roxos de Müller.
— Como acreditar em um homem que matou minha melhor amiga, o... — ela hesitou, sem saber como definir Bucky. — Bucky. — O nome saiu em um sussurro carregado de amor e dor.
Em um movimento brusco, empurrou Rogers contra a parede, sem mover um músculo. Levantou sua mão, fazendo com que ele perdesse o contato com o chão e começou a apertar seu pescoço. A pressão aumentava e ele sentia a luta pela respiração se intensificar. O ambiente estava carregado de tensão e o olhar de refletia a dor e a raiva que a consumiam, enquanto Rogers tentava se manter firme, mesmo diante da ameaça iminente.
— E-eu não ma-matei seus pais — Steven conseguiu dizer, lutando para recuperar o fôlego.
— Não. — Um sorriso de vingança apareceu nos lábios de . — Você não vai me enganar.
Stark e Potts estavam em desespero, sem saber como salvar ou ajudar Rogers. A cada pedido de ajuda que faziam, ignorava, deixando apenas a fúria conduzir a dança mais desejada. Enquanto isso, J.A.R.V.I.S. processava as informações do vídeo, e uma voz calma ecoou na sala: "Senhor, o vídeo foi gravado ano passado". Stark virou-se bruscamente para a tela, onde o vídeo começou a ser reproduzido em alta qualidade, sem o filtro que antes encobria a gravação.
As imagens mostravam a cena trágica com clareza e a expressão de horror tomou conta do rosto de Stark. Ele sabia que precisava agir rapidamente.
, escute! — ele tentou intervir, sua voz firme, mas cheia de preocupação. — Isso não é o que você pensa. O que você está vendo pode não ser a verdade completa!
Mas estava focada, seus olhos brilhando com uma intensidade que deixava claro que ela não estava disposta a ouvir. O vídeo continuava a rodar e a dor da perda e a busca por vingança a consumiam.
Steven, sufocado, lutava contra a pressão em seu pescoço e a urgência da situação. Ele sabia que precisava encontrar uma maneira de se explicar, de fazer entender que ele não era o monstro que ela acreditava que ele fosse.
, por favor! — ele implorou, sua voz quase inaudível. — Eu não sou aquele homem. Você precisa acreditar em mim!
A tensão estava prestes a explodir, e o futuro de todos ali dependia de uma única decisão: a de .
— Eu já assisti mais de dozes vezes, eu esperei isso há tanto tempo desde o momento que descobri que ele matou meus pais.
— J.A.R.V.I.S. relata a situação do vídeo — Tony pediu.
O vídeo foi gravado recentemente, há seis meses, a qualidade do vídeo foi omitida por várias camadas do filtro usado, posso afirmar também que ao aumentar a imagem congelada, não consigo identificar a semelhança do rosto do atirador com o do Steven Rogers, senhor.
Agora Steven entendia a completamente raiva que tinha ao olhar para ele, não era à toa todo aquele sentimento que a garota demonstrava. Ele não poderia julgar a raiva e a vontade de acabar com ele, afinal, se fosse ao contrário, ele também estaria assim, mas não podia concordar que ela deveria analisar mais os fatos que se passavam naquela gravação. Fora isso, Rogers não negava que, no fundo, aquele maldito sentimento estava atormentando ele e o deixando mais calmo.
— Hã? Como assim? Mas que merda é essa de ter gravado há seis meses? — disse, soltando Steven. Seus olhos voltaram ao normal.
Ele caiu sem ar, quase desmaiado e colocou sua mão em seu pescoço, massageando pela dor que sentiu.
— J.A.R.V.I.S., comece outra vez o vídeo — Stark pediu e logo foi ajudar Steven a se levantar. Mas Stark ainda estava friamente com o Capitão.
— Como assim? Não pode ser verdade, meus pais morreram há anos.
— O vídeo foi realmente gravado há seis meses atrás, entretanto, está vendo esses cortes de cena — mostrou lentamente para ela — mostra como foi editado com todo cuidado para evitar que em nenhum momento ela desconfiasse.
— Certo. — Ela engoliu seco.
saiu furiosa do laboratório, seguiu em passos firmes para o quintal de sua casa, não foi a resposta da I.A. que estava deixando-a mais irritada, mas sim o vídeo ser falso, e no fim não ser o Capitão América. O ódio era tão grande que ela precisou conter seus poderes; ela encostou-se na árvore que tinha um balanço pendurado, ela respirava fundo para poder retomar toda calma que foi perdida ao saber que o Steven estava ali, e simplesmente não podia concluir sua vingança porque não era ele.
Depois de retomar o fôlego e deixar todo o ar entrar tranquilamente em seu corpo, Steven foi atrás de até o quintal, ele encostou-se ao batente da porta e cruzou os braços, observava e analisava ela por um tempo, Rogers pensou, pensou nas palavras para poder utilizar ao falar com ela, já que naquele momento estava um grande dilema entre os dois, mas mesmo assim, isso não ia deixar que ele ainda desconfiasse de Müller.
Rogers andou devagar, já com as palavras em mente, ele apenas torceu para que ela o escutasse e deixasse alguma informação sair sem querer.
, eu juro para você que eu não teria coragem de fazer isso com seus pais, posso não ser de confiança para você, mas isso eu não faria com qualquer um — Steven falou, sincero, e a mesma transparência em seu olhar.
— Steven Rogers. — deu alguns passos em direção a ele, que ambos ficaram muito perto um do outro. — Até que Stark prove ao contrário, eu não vou acreditar em nenhuma palavra que você fala, mesmo aquele Jarvis falando que foi gravado seis meses atrás. — Ela não conseguia acreditar tanto, afinal, sua experiência com a H.Y.D.R.A. não era uma das melhores. — E também, supostamente fez o mesmo com o Bucky.
— Como eu teria a coragem de fazer isso com o meu próprio amigo.
— Amigo? Você está delirando, nós não conhecemos você — falou, com convicção.
— Nos conhecemos há muito tempo, desde quarenta e cinco.
— Isso não faz sentido, eu o conheço desde os sete anos. — Andou alguns passos para trás, prendendo seu cabelo. — Você está querendo me confundir, eu vou sair daqui antes que você fale mais asneiras. — Começou a andar.
— Não estou querendo confundir você. — Segurou a mão dela, a fazendo parar em sua frente. — Pode acreditar em mim, olha.
Rogers pegou a dogtag que estava em seu bolso e, com um gesto delicado, deixou o objeto metálico tocar na palma da mão de . O nome "Barnes" e a data de nascimento gravados naquele pequeno pedaço brilhante que refletia a luz do sol, como se estivesse iluminando a verdade que ela tanto buscava.
olhou para a dogtag, depois para Steven, e a confusão tomou conta de sua mente. As peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar, mas a realidade era difícil de aceitar. Ela estava incrédula, percebendo que havia se envolvido com um homem muito mais velho, um homem que tinha uma história que ela mal conhecia.
— O que isso significa? — ela perguntou, sua voz tremendo. O ar de desconfiança havia desaparecido, substituído por uma expressão de dúvida e incerteza.
— Significa que Bucky era mais do que você imaginava — Steven respondeu, tentando manter a calma. — Ele era meu melhor amigo, e tudo o que aconteceu naquela noite... não foi exatamente como você pensa. — Se referiu ao dia que os três lutaram juntos.
sentiu uma onda de emoções conflitantes. A dor pela perda de seus pais, a raiva que sentia por Steven, e agora a revelação sobre Bucky a deixavam perdida. Ela queria acreditar, mas a dor ainda a consumia.
— Então, você está dizendo que ele não... — hesitou, lutando para formular as palavras.
— Eu não sou o monstro que você acredita que eu sou — Rogers insistiu, olhando nos olhos dela com sinceridade. — Eu faria qualquer coisa para corrigir o passado, mas não posso mudar o que aconteceu.
O silêncio se instalou entre eles, pesado e carregado de significado. olhou novamente para a dogtag, sentindo o peso da história que carregava.
— Aqui. — A garota entregou.
— O que foi?
— Nada. — Mordiscou os lábios. — É só muita informação, informação até demais para mim.
— Pelo menos acredita em mim?
— É, em partes.
Müller se retirou do quintal deixando Rogers com um sublime sorriso vitorioso.
Misto de emoções tomavam conta de seu coração machucado. Sentir o tom de verdade em Steve foi um momento que nunca achou que aconteceria, ver que ele tinha lembranças de Bucky e de uma época totalmente diferente que ela, deixou uma leve confusão atemporal. Agora, mais do que qualquer outro momento, queria encontrá-lo e conversar sobre essa pequena parte escondida dela.
— Por que todos gostam de mentir para mim, como se fosse a coisa mais legal?! Eu tenho cara de idiota? — falou para si mesmo em um tom ameno, estava de frente para a janela da cozinha, tendo uma boa vista do quintal e do Steve que permaneceu debaixo da arvore.
Após um copo de água gelado, ela foi para o seu quarto. Não queria olhar para Rogers depois daquela pequena novidade. Ficaria em seu quarto até o momento que ele fosse embora ou se eles precisassem de uma ajuda dela.
Steve voltou até o laboratório, parou logo atrás do casal e avisou que estava saindo, e qualquer informação, nem que fosse a mínima, era para comunicá-lo que ele retornava imediatamente.
Com essa pequena brecha, Pepper decidiu agir. Ela pegou uma bandeja com chá e biscoitos que havia assado antes de todos chegarem e se dirigiu ao quarto de . Com cuidado, bateu na porta, fazendo o mínimo de barulho possível para não assustá-la. Mesmo sem obter resposta, Potts abriu a porta lentamente e entrou.
, eu trouxe chá e alguns biscoitos — disse Pepper, tentando transmitir calma com sua voz suave.
A jovem estava sentada na beira da cama, segurando o colar que ganhou de presente, seu olhar pairava pelo chão, buscando algum consolo. A expressão em seu rosto mostrava confusão e tristeza, e Pepper sentiu seu coração apertar ao vê-la assim.
— Eu pensei que você poderia querer um pouco — continuou Pepper, colocando a bandeja ao lado dela. — Às vezes, um pouco de calor e algo doce pode ajudar a clarear a mente, afagar o coração.
levantou os olhos, um misto de gratidão e dor refletiam neles. Ela não sabia como responder, mas o gesto de Pepper tocou seu coração.
— Obrigada — finalmente disse, sua voz saiu baixa e hesitante.
Pepper sentou-se ao lado dela, sem pressa, permitindo que tomasse a iniciativa. O silêncio entre elas era acolhedor e o aroma do chá começou a preencher o ambiente, trazendo uma sensação de conforto.
— Eu sei que as coisas estão confusas agora, mas você não está sozinha — Pepper falou, olhando para com empatia. — Se precisar desabafar, estou aqui para ouvir.
olhou para a bandeja, pensativa. O calor do chá e o sabor dos biscoitos poderiam ser um pequeno alívio para a tempestade que se passava em sua mente. Ela precisava de um momento para processar tudo, e talvez, apenas talvez, o apoio de Pepper pudesse ajudá-la a encontrar um caminho.
— Como você os conseguiu? — indagou, curiosa. — Os seus poderes. — Viu que ela não tinha compreendido a pergunta.
— Foi com a Hydra, eu fui um projeto deles. — Evitando entrar em muitos detalhes sobre seu passado. — Não sei como consegui evoluir tanto até chegar ao roxo. — Ela sorriu, brincando com a energia que pulsava em suas mãos. — Mas eu gosto, não muito, mas eu gosto. — Um sorriso doce estava em seus lábios.
— Como assim chegar até o roxo?
— Era incolor, mas com o tempo, eu deduzi que toda a raiva que sentia foi mudando, mas não é uma teoria plausível.
— Não esqueça que eles podem te ajudar a fazer o bem. — Sorriu.
— Eu vou pensar nisso, não vou desconsiderar. — Bebericou o chá. — Faz tempo que não tomo um chá tão bom, muito obrigada, Pepper.
— Não há de quê — Pepper respondeu, sentindo-se aliviada ao ver começando a relaxar.
olhou para a bandeja, sentindo-se grata pela presença de Pepper. A conversa leve e o chá quente estavam ajudando a amenizar a confusão em sua mente. Ela sabia que ainda havia muito a entender sobre si mesma e sobre seu passado, mas, naquele momento, a companhia de Pepper era um pequeno passo em direção à verdade.


Dentro do táxi, voltava para sua casa. Estava interessado com o motivo dela ter ficado um pouco surpresa com as informações na dogtag, e foi uma ótima prova que ele resolveu levar, assim ela compreenderia de uma vez tudo que lhe foi dito.
Queria espairecer, desabafar, ou então ao menos conversar um pouco com alguém que tentaria ajudá-lo e achar alguns caminhos para dar um final nisso e Sam era o melhor para poder ajudá-lo. Na mensagem curta, ele pediu para se encontrarem no parque.
Alguns minutos esperando e Sam apareceu ao lado dele, segurando mais um cachorro-quente, entregou a Steve e sentou-se do lado dele.
— Diga o que é de tão importante. — Sam entregou o cachorro-quente, olhando curioso para Steven.
— Lembra que eu falei que me olhava de uma maneira diferente?
— Sim.
— Descobri algumas coisas sobre ela. Além de ser uma ex-agente da Hydra, ela conhecia o Bucky — Steven hesitou, sua expressão estava tensa. — E confirmou que o homem com quem eu lutei em cima do prédio era ele. O pior é que hoje ela me mostrou um vídeo... supostamente, eu matando os pais dela.
Sam se engasgou com o pedaço que estava mastigando.
— O que? Amigo, você tem certeza disso?
— Eu vi o vídeo. As roupas que eu usava, o jeito de agir, de andar... tudo. A maneira como eu segurava a arma, era idêntica ao que eu fazia — Steven enfatizou, a voz estava carregada de frustração.
— Alguém pode ter copiado seus movimentos e reproduzido para aquela gravação.
— Não, Sam. Aquele sou eu, mas um eu diferente.
— Os pais dela morreram recentemente? — Sam perguntou, interessado.
— Não, faz tempo. Mas, segundo o Stark, o vídeo foi gravado há seis meses.
— Isso mostra que você não matou os pais dela.
— Mas indica que ela pode muito bem ter feito isso, ou que alguém mandou ela fazer.
— Tem alguém em mente, Capitão?
— Schmidt. Se ela está viva, ele também pode estar.
— Faz sentido. Se precisar de ajuda, pode contar comigo. — Sam estendeu a mão e Steven apertou.
— Obrigado. Eu vou indo, preciso falar com a Sharon.
— Vai comentar sobre a gravação?
— Não sei... mas qualquer coisa, eu te aviso.
— Ok. Me mantenha informado.
— Pode deixar.

••

S.H.I.E.L.D.

Rogers decidiu não contar daquele encontro nada agradável para Sharon, ele imaginava qual seria a reação dela, além dos sermões que acabaria ouvindo. Foi recebido muito bem pelos outros agentes, que acompanhou o herói até a sala de Sharon, esperou um pouco ela retornar da reunião que estava; mexeu no seu cartão de visitante, andou até a janela, admirou a vista e depois se acomodou novamente no sofá, esperava que a reunião não demorasse muito.
— Steve, oi, meu amor. — Seu sorriso se abriu ao ver o homem esperando.
— Oi. — Deu um beijo suave nela. — Como você está?
— Cansada. — Se acomodou ao lado dele no sofá. — Muito corrido, são tantas coisas e tantos problemas.
Steve balançou a cabeça, compreendendo o lado dela.
— Ah, antes que eu me esqueça. — Levantou-se e caminhou até sua mesa. Pegou uma pasta bege e abriu para ter a certeza que era aquela que a interessava. — Eu consegui algumas informações sobre a .
Sharon já sabia dela, até mesmo Nick sabia. Com isso, ela se propôs a ajudar Steve depois de uma conversa rápida que eles tiveram.
— Isso é bom. — Recebeu a pasta. Enquanto folheava as páginas, ele apenas ouvia o resumo da pesquisa da agente.
é filha do Tenente Müller, um dos valorosos soldados que lutaram em diversas missões contra a Hydra e que fez parte da S.H.I.E.L.D. Em uma dessas missões, vocês trabalharam juntos na tentativa de derrubar uma das bases da organização criminosa. O Tenente Müller se casou com uma brasileira e, juntos, tiveram dois filhos: Daniel e . Eles morreram em um acidente de carro — falou, depois de ler. — Os três corpos foram identificados por Howard Stark.
— Três corpos? — falou, surpreso com este detalhe.
— Sim, há uma menção a uma garotinha. Está na última folha. Acho que nem preciso dizer o nome dela.
— Não. Mas só fala isso? — disse, olhando a última folha.
— Sim, naquela época, o caso nem teve uma investigação profunda, na verdade, eu suspeito que alguém retirou as folhas do governo e está com elas, para esconder as pistas.
— E quanto ao Daniel?
Não tinha nada que falava dele. Era apenas citado o nome do garoto como o primeiro filho do casal e isso era tudo.
— O que temos é isso mesmo. Ele estava na América do Sul com a avó materna, não foi achado mais nada — explicou.
Aquele ar de familiaridade com a garota caiu como uma luva; seus pais eram grandes conhecidos dele. Steve se lembrou de que, em uma das reuniões daquela época, uma figura em particular também conhecia os pais dela.
— Steve? Steve, está tudo bem? — Sharon chamou Steven com leves empurrões.
— Sim, estou sim, só estava lembrando de algumas coisas. É que... — ele começou a falar, mas foi interrompido.
Antes que Steve pudesse dizer sobre o vídeo, um dos agentes que trabalhava com ela bateu na porta, avisando que tinha mais informação sobre o caso que eles estavam trabalhando.
— Eu tenho que ir, Steve, eu vou coletar mais informações e depois podemos fazer um interrogatório e ver o que ela sabe. Depois você me conta o que ia dizer?
— Está bem, eu posso ficar com os arquivos? Conto, sim.
— Ótimo! — Ela sorriu. — Só não deixa ninguém saber que te entreguei isso — sussurrou.
— Não deixarei.
— Vou indo, tchau.
— Tchau.
Steven colocou a pasta em cima da mesa e segurou na cintura de Carter para dar um beijo quase demorado. Steven pegou os arquivos e saiu acompanhado de Sharon, ele seguiu em direção ao elevador e ela foi para a sala que estava cuidando do tal caso.
Steven ao chegar em casa, leu todos os arquivos com mais calma, junto de uma caneca de café em sua mão. Eram tantas fichas e informações que aquela leitura e análise demoraria umas boas semanas.


As semanas iam se passando conforme ia se aprofundando na leitura dos arquivos. As lembranças do passado iam invadindo seus devaneios, algumas que não queria recordar. Uma das boas lembranças foi quando Moritz apresentou seu filho mais velho, Daniel, para Rogers através de uma foto onde estava o senhor, sua esposa e o pequeno garoto — na época que foi tirado o retrato — todos juntos e sorrindo. Podia ouvir o homem comentando com ele que sua esposa estava devastada na época, o governo norte-americano restringindo o acesso de estrangeiros na época e ela ficando seu o seu garotinho.
Que ironia do destino ele ter conhecido os Müller e anos depois conhecer a filha deles numa situação pior.

••

Torre dos Vingadores. Alto da noite.

Depois de esgotar todos os recursos possíveis, Tony Stark decidiu que era hora de descansar. Ele tinha a intenção de trazer respostas para a garota, mas sabia que não poderia fazer isso sem um momento de pausa. Saindo da garagem, onde as luzes brilhantes refletiam nas superfícies metálicas de suas criações, ele caminhou lentamente até seu escritório, sentindo o peso das expectativas em seus ombros.
Assim que entrou, seus olhos se fixaram no grande retrato que adornava a parede. Era uma imagem dele mesmo, emoldurada com um acabamento elegante, mas a expressão que ele via parecia mais uma caricatura do que a realidade. Como poderia ser real? A mera ideia de que aquele homem confiante e destemido ainda existia parecia absurda.
— Jarvis... — hesitou em continuar a pergunta.
Senhor?
— A informação da metragem da casa você pegou do banco de dados público, certo?
Não, já tinha em um dos seus arquivos.
Não podia ser verdade, ele estava ficando louco ou algo do tipo, dormir com aquela informação ia ser a pior coisa em sua vida. Mas de uma coisa ele tinha certeza, aquela era a pior brincadeira que suas lembranças já tinha feito com ele.
— Como assim, "em um dos meus arquivos"? — Tony perguntou, a incredulidade transparecendo em sua voz. Ele começou a andar de um lado para o outro, as mãos na cintura, tentando processar a revelação.
Senhor, você possui uma vasta quantidade de informações armazenadas. Às vezes, detalhes como esse podem passar despercebidos.
— Então, você está me dizendo que eu sabia disso e simplesmente esqueci? — Ele parou, “olhando” para Jarvis com uma expressão de frustração. — Isso é um novo nível de loucura. Estou tendo uma conversa com uma IA sobre a minha própria memória!
É uma possibilidade, sim. A sua carga de trabalho e o estresse recente podem ter contribuído para essa falha de memória.
— Ótimo, perfeito! — Tony exclamou, gesticulando dramaticamente. — Agora, além de lidar com um passado sombrio, também tenho que me preocupar com a minha sanidade. Isso é exatamente o que eu precisava!
Senhor, talvez seja prudente considerar um período de descanso. A sua saúde mental é tão importante quanto a sua saúde física.
— Descanso? — Ele riu, mas o som era mais amargo do que divertido. — Você sabe que eu não sou exatamente o tipo de cara que tira férias, Jarvis. A única coisa que eu descanso é a minha paciência. — Tony respirou fundo, tentando absorver as palavras de Jarvis.
Se o senhor não se incomodar, aqui está onde consegui as informações.
Uma aberração estava na sua frente.
Quando viu a gravação, ele sabia que as coisas não tinham ocorrido daquele jeito, agora o seu foco estava em outra coisa; a casa mostrada nas gravações tinha um parâmetro de proporções, queria ao menos achar um caminho para seguir e conseguir novidades. Não esperava que a informação à sua frente seria tão assustadora.
O caixão estava lacrado diante dele, e tudo o que restou foi uma sepultura de memórias enterradas, deixando apenas Stark à deriva, sem saber como seguir em frente. Disso ele tinha a certeza!
Um frio percorreu a espinha de Tony. Não podia ser verdade. Ele estava ficando louco, ou talvez estivesse apenas se perdendo em suas próprias lembranças. A ideia de dormir com aquela informação, sem entender como a tinha esquecido, parecia ser a pior coisa que poderia acontecer. Mas, no fundo, ele sabia que essa era a mais cruel das brincadeiras que suas memórias poderiam lhe proporcionar, um jogo distorcido que o mantinha preso em um ciclo de dúvida e dor.
J.A.R.V.I.S. tinha razão, talvez, ele se retirou e foi dormir, ou tentar.


16 de Abril. Uma hora da madrugada.

Stark continuava a análise nos vídeos, aquilo não era nem um pouco complicado para ele. A verdade é que ele não estava só focado em ajudá-la ali naquelas gravações, havia mais contexto que ele poderia imaginar e que também envolvia os Vingadores.
Durante o momento que ele analisava tudo sobre o caso, o playboy percebeu algo mais familiar naquela ficha, um sobrenome tão pouco incomum para o Estados Unidos da América, entretanto bem comum para ele. E mais uma vez ele estava com a mesma sensação de alguns dias atrás.
Ele se encaminhou até sua sala, parou na frente da sua estante respirou fundo como se estava prestes a abrir algo mais radioativo que existia na terra; ao pegar o livro de física ele tirou o pó abriu devagar na página oitenta e oito, tirou com cuidado uma foto que guardava tão bem.
Aquela foto trazia boas lembranças, na mesma estava seus pais, Alina e Jethro. Seus olhos percorreram para o lado direito, estava ele sentado segurando um carrinho e em seu colo ele segurava uma criança, seu peito apertou e sentiu uma pontada como poderia esquecer o nome dela?
Balançou a cabeça evitando ficar naquelas memórias por mais tempo e rapidamente pegou as folhas e a foto e colocou lado a lado, ele pode ter a certeza que seu coração parou. Sentou-se na cadeira que ali tinha, apoiando seus cotovelos na mesa e consecutivamente sua cabeça e suas mãos. Segurou o choro para evitar que a ruiva o escutasse. Precisava contar tudo para ela, mas não tinha certeza de que teria toda a coragem do mundo, guardou os arquivos e as fotos onde ninguém acharia e ficou ali com aquelas duas imagens na cabeça e a garota.
Sempre a teve como sua irmã mais nova, cuidava dela como se não houvesse o amanhã. E por muito tempo se questionou o porquê mataram ela. Foi para a varanda da Torre, olhar para aquela grande cidade e tentar entender o porquê do universo estava fazendo tudo isso, com eles todos. Principalmente com a garotinha, que agora, supostamente, era uma mulher.
— Tony, está sem sono? — Pepper se aproximou dele.
— Eu vim tomar um ar, estava pensando em tudo que vem acontecendo, principalmente depois de aparecer e com o Tesseract.
— Fique calmo, pode ser só o momento, sabemos agora o porquê que ela está aqui. — Acariciou o rosto dele. — Logo ela vai ficar calma, sabemos da verdade e ela vai ficar por lá em Bronx.
— Eu não sei, Pepper.
— Está preocupado com ela?
— Não é bem preocupação — omitiu. — É só mostrar que consigo organizar tudo. — Tentou fugir da sua expressão.
— Tony, você não consegue me enganar. — Estava com seu corpo totalmente virado para ele. — O que foi? Você está com receio dela fazer algo contra nós? Ela entregou o Tesseract, pode não ser do jeito que ela imaginou, mas ela entregou.
— Não é só isso, Pepper, eu ajudei a fundar os Vingadores, mantive tudo nos conformes, e não quero que desande — mentiu mais ainda.
— Está bem. — Fingiu que acreditou no homem. — Mas vamos dormir, você está muito cansado.
Não concordou, apenas seguiu o caminho que a mulher o guiava, não era nada relacionado aos Vingadores muito menos ao Rogers, afinal ele era grandinho e sabia se virar. O problema agora era se ele acreditasse na sua mente ou tentasse provar para si mesmo que os fatos estavam errados.
O que tentava há mais de alguns dias.
Era para a semana passar rápido depois daquela descoberta. Depois de ter a certeza de que era a pequenina, suas lembranças insistiam em voltar, atrapalhando quase tudo o que fazia — e é importante deixar claro: quase tudo. Afinal, estamos falando de Tony Stark.
Muitas vezes, Pepper e até mesmo Happy precisavam chamá-lo, arrancando-o de seus pensamentos e da imaginação que teimava em levá-lo sempre ao mesmo ponto.
Em mais uma noite que não conseguia dormir, aquele dia de natal passava em seus pensamentos como se fosse um filme em preto e branco, apenas alguns momentos alegres pareciam ter cores em meio ao devaneio.

••

Véspera de Natal de 1992.

Tony estava irritado e bravo, não queria fazer a ceia com a família, ele queria sair com os amigos passar o natal bem longe daquela casa e de todos, mas naquele natal sua mãe pediu, ou melhor, obrigou que ele ficasse. Ele se arrumou e passou perfume para ficar temporariamente, e depois que desejasse feliz natal ele iria sair dali o mais rápido possível daquele lugar.
Estava tão irritado com tudo naquele natal que o considerava o pior de todos, até mesmo o som da campainha tirava ele do sério. Lá de baixo, já que estava em seu quarto, pode escutar sua mãe elevar a voz avisando que os Müller tinham chegado e junto da voz dela os pequenos passos subindo as escadas e correndo até a porta de seu quarto, como a porta estava entreaberta a menininha foi correndo até ele e pulou na cama para poder abraçá-lo.
— Oi, Tony! — O abraçava com toda sua força. — Feliz Natal! — desejou, com um sorriso de orelha a orelha.
— Não é hora de desejar feliz natal, . — ele nunca a chamava pelo o nome. — Desce da minha cama!
— Tá tudo bem, Tony? — Ela desceu da cama e arrumou seu vestidinho vermelho.
— Sim, e vai ficar melhor se você sair do meu quarto e sumir de perto de mim.
segurou suas lágrimas e desceu as escadas quietas, mesmo com apenas cinco aninhos ela sabia se comportar em uma festa e não queria chorar no natal, era a data que ela tanto amava no ano, tirando seu aniversário. E ali no sofá, ficou o tempo todo — sem fazer um som ou brincar com sua boneca, até ser chamada para a ceia.
Todos sentados em volta da mesa, senhor e senhora Stark um do lado do outro e acompanhando sua amiga Alina, na frente dela, seu marido — Jethro — e por fim as “crianças”, na verdade Tony não tinha nada de criança. Agradeceram e ceiaram; permaneceu quieta e pela primeira vez desde que começou a comer sozinha, não pediu ajuda ao Tony para cortar um pedaço de Chester, o que fez as mulheres estranham a atitude da pequena. Ela apenas ficou ali, tentando cortar sozinha e quieta. Anthony também percebeu a mudança da pequenina, e se tocou da grande burrada que disse a ela.
Um tempo depois, Howard se retirou do ambiente discretamente, foi até onde estava a árvore de natal, colocou os presentes de todos debaixo dela e tocou o sino que tinha comprado para fingir ser o Papai Noel. Quando a garota escutou o sininho ela se assustou e correu para os braços de sua mãe, mas ao mesmo tempo ela ficou feliz, o que fez todos e até Howard rirem da expressão da garota.
— Vamos abrir os presentes — Maria falou, animada.
— Vamos! — foi correndo para a árvore. — — leu a etiqueta. — Ele sabe meu apelido.
Abriu rasgando todo o embrulho e tirou sua boneca favorita de dentro da embalagem a tão esperada Sakura Card, ela brincava com a boneca quando escutou a voz de Tony bem perto de seu ouvido; ele podia ter brigado com ela, mas a menina o amava. Era uma de suas maiores inspirações na vida! Ele era inteligente, explicava tantas coisas incríveis de engenharia — quase todas na época, física, e até mesmo as famosas exatas. Não tinha como não admirá-lo, todas as vezes que ele falava algo novo para ela, a menina finalizada seu agradecimento com “Eu irei ser melhor do que você quando crescer”, e não que isso o fazia se gabar na verdade ele até gostava e era isso que Tony desejava para a pequena , que a garota fosse melhor que ele.
Os dois subiram juntos de mãos dadas e foram até o quarto do rapaz, a colocou sentada na cama, pegou um pacotinho mal embrulhado em cima da escrivaninha e entregou para ela.
— Antes de abrir eu queria pedir desculpas, eu não devia e não queria falar aquilo com você, eu estava bravo e acabei descontando em você... Eu te amo muito . — A abraçou dando um beijo no topo da cabeça dela.
— Eu também te amo, Tony. — O abraçava.
— Agora abre o presente, você sabe que não sei comprar presente para garotas então acho que isso serve.
— É para mim?
— Sim, eu sei que você fica admirando minha coleção, e então resolvi dar um para você.
Era o carro da sua coleção, um mini carro, vermelho e preto e o favorito deles, um mini Audi a4.
— Obrigada, Tony, você é incrível, um dia eu vou ter um Audi a4, e vamos passear.
— É mais fácil eu conseguir um e nós passeamos. — Riu.
— Pode ser. — Admirava o carrinho colecionável.
, vamos. Está tarde. — Alina disse parando na porta do quarto dele. Estava linda e elegante, seus cabelos enrolados lembravam os da filha, porém eram mais escuros.
— Estou indo, mamãe. — Sorriu. — Tchau, Tony, até e boa noite.
— Boa noite, princesinha. Feliz natal.
Ele a olhou em direção da mãe e segurava seu colecionável fortemente na sua mão. Mas enquanto ela se afastava de seu quarto e principalmente dele, Stark sentia seu peito ficar apertado com os sentimentos de angústia e medo, uma pontada em seu coração fez com que ele soubesse que algo de ruim estava prestes a acontecer. Saiu de seu quarto e agachou, deixando um joelho encostado no chão e o outro levantado.
— Hei, pirralha — a chamou abrindo os braços.
A menina sabia o que aquilo dizia, então entregou a miniatura para sua mãe e saiu correndo. Aqueles cachinhos claros balançavam enquanto ela corria, o pequeno sorriso apenas crescia a cada momento que ela se aproximava a tentativa de abrir os braços bem mais para poder abraçá-lo com todo amor que sentia por ele, era nítido. A envolveu em seus braços apertando, seu medo cresceu, de alguma forma algo o dizia que ia ficar sem ver aquela princesinha pirralha que ele tanto amava.
— Se alguma coisa acontecer, qualquer coisa — falou, bem baixinho. — Você deve me chamar. — Deu ênfase na palavra. — Eu vou voando, você sabe.
— Pode deixar, Tony — falou, tão inocentemente.
A soltou deixando ir embora, e queria também que aquela sensação fosse embora. Por um lado, ele ter ficado naquele natal compensou muito passar ao lado de sua família e dos Müller, o fez se sentir completo e pelo menos pôde ver a pirralha que tanto amava.
No alto da noite, do dia vinte e cinco, o telefone tocava sem intervalos acordando todos, o jovem levantou rapidamente depois de ser acordado pelo toque. Quando chegou na sala viu sua mãe chorando e seu pai recebendo os detalhes da ligação, ele não falava apenas escutava atentamente o que era dito no outro lado da ligação, Howard tinha o semblante de preocupado e decepcionado pela notícia. Preocupado com sua mãe, ele chegou mais perto da senhora e a abraçou tentando confortá-la.
— Falaram como foi? — ela indagou.
— Acidente de carro aparentemente, mas pode ser também assalto — explicou o que foi relatado.
— O que aconteceu? — Não estava entendendo nada.
— Os Müller, filho… — A senhora se virou para ele. — Eles morreram.
Seu mundo desabou, sentiu como se metade de seu corpo tivesse sido arrancado de si sem dó e sem piedade. Seus pais, consolavam e tentavam conversar calmamente com o rapaz, entretendo ele mantinha a mesma expressão, repetia inúmeras vezes para eles que que aquela acidente não foi com os Müller era apenas um engano, mas mesmo assim ele não derramou uma lágrima, mesmo que no fundo do seu coração tudo aquilo era verdade; o garoto saiu da sala e voltar a dormir aquilo tudo só podia ser um sonho não podia ser real, não mesmo.
Dormiu feito uma pedra, se negava que naquela noite tinha que terminar daquele jeito e tentava de todas as formas dizer para si mesmo que aquilo tinha acontecido. As seis horas ele acordou, levantou-se e olhou sua coleção na estante, seus olhos passearam por ela até chegar no pequeno espaço vazio. Lembrou-se de quando passava a tarde com ele e na maioria das vezes o ajudava a limpar aqueles colecionáveis e do nada, recebeu aquela notícia pelo seus pais, foi bem maior que uma facada no peito.
Torcia para que fosse mentira e que sem querer imaginaram ser o mesmo carro deles dos Müller. Naquela manhã tomou seu café da manhã em seu quarto, não queria sentar à mesa, na verdade nenhum dos Stark sentaram à mesa para o café, depois o mesmo ficou em sua cama olhando para o teto, o clima todo estava estranho, o natal estava estranho.
No fundo do corredor daquela grande casa, pode escutar seu pai se despedindo de sua mãe; ele ia ver o caso, na verdade, ele ia ver o carro e reconhecer os corpos.
— Pai eu vou com você — disse, em frente da sua porta.
— Você não está pronto, Anthony. — Olhava para o relógio.
— Eu estou sim, estou até com os meus documentos em mãos. — Levantou a mesma.
Ele estava realmente pronto, mas no fundo ele não estava, não imaginou que aquela garotinha que às vezes o insistia de chamá-lo de irmão e até mesmo pai tinha ido embora antes de ver um mundo incrível que ele ia proporcionar a ela. Era assim, os dois tinham um grande elo, era a coisa mais linda que ele tinha pego no colo e tinha prometido a ela ainda bebezinha que daria o mundo e todos os sonhos que ela tivesse, nunca pretendeu casar e ter filhos, e não ia mais querer quando podia ter aquela garotinha com ele pro resto de sua vida, cuidando dela como sua irmã, ou como ela insistia em alguns momentos, como sua filha. E perdê-la daquele jeito, não tinha explicação.
— Então vamos. — Estava espantado, ele nunca estava pronto nem mesmo para receber as visitas na própria casa.

••

No caminho, os dois permaneceram quietos, Tony mantinha em suas mãos uma foto tirada com ela naquelas cabines, das quatro fotos que saiu, ele ficou apenas com uma onde os dois se olhavam e sorriam ao mesmo tempo. Como era doloroso.
Chegaram à estrada onde encontram o carro e a família. Howard desceu e logo em seguida seu filho. Seus olhos se fixaram no carro tombado e todo queimado, ao fundo onde seus olhos não queriam ficar olhando por mais de um minuto, estava os três corpos. Enquanto seu pai conversava com o policial, Tony se aproximou do carro depois de pular a faixa amarela, como ele era filho do Stark ninguém o impediu; andou envolta do automóvel olhando aquela cena, seu coração se apertava a cada batimento. Como ele tinha tombado, o lado do passageiro estava oposto do padrão, e era o lado que ia sentada sempre, Anthony se agachou na frente da porta traseira, no teto do carro estava o carrinho que ele havia dado de presente para a garotinha e o grande casaco do senhor Jethro; seus olhos transbordaram não conseguiu segurar mais o choro, não conseguiu mais se manter firme por ela.
— Filho? — Ele se aproximou do jovem. — Vem, levanta. — O abraçou. Sabia que ele tinha ido apenas para confirmar a informação, ele conhecia o “pequeno Stark”.
— Ela só tinha cinco anos. — Sua voz saiu abafada por conta do abraço.
— Eu vou pegar quem fez isso com eles, é uma promessa, filho. — O confortava.
— Foi perto da casa deles. — Ele se soltou do abraço. — Já foram lá ver se tentaram algo na casa?
— Não, eu ia passar lá, quer ir comigo?
— Vamos, a mãe ela vai cuidar do... — Se recusou a falar.
— Sim, ela vai cuidar de todo o funeral, já estava fazendo isso quando saímos. — Caminhavam até o carro.
— Ela era brasileira, não podemos deixar de colocar a bandeira do Brasil.
— Não vou esquecer, vou providenciar, mas filho? — o chamou.
— Sim, pai.
— Ela não ia querer ver você assim. — Se referiu à garotinha. — Mantenha-se do jeito que você era, e seja o que você prometeu para ela.
••

Dois dias depois. Dia do funeral.

Tinha vestido seu melhor black tie, colocou a gravata que ela havia comprado para ele, era no mesmo tom azul da bandeira do Brasil. Era a primeira e a última vez que ele iria usá-la. A verdade é que ele estava guardando para usar na formatura dela. Ele tinha pego de volta o carrinho, mas não tinha colocado na estante; Tony havia guardado na gaveta e naquele dia levando com ele para a cerimônia de despedida.
Se recusou a dizer algo, queria ficar ali sentado lembrando-se dela correndo para seus braços, quando precisava de ajuda para entender uma palavra e até mesmo quando ele simplesmente ensinava algumas coisas para ela. Depois do discurso de seu pai e de todos que jogaram rosas vermelhas para a família, Tony permaneceu lá olhando os funcionários terminarem de fazer o serviço deles.
Quando finalizaram, ele se aproximou, colocou o buquê de tulipas — vermelhas e amarelas, sabia que ela amava tulipas afinal a ajudou a plantar algumas no jardim Stark, se ajoelhou na frente da lápide e deixou suas lágrimas escorrerem, quem sabe assim poderia se sentir um pouco melhor.
— Naquela noite de natal.[ — começou a “conversar” com . — Eu pedi a Deus que ele protegesse você, nunca pedi tanto para ele te deixar segura, eu senti medo e uma sensação horrível como se eu nunca mais fosse ver você, e olha onde chegamos... — Respirou fundo. — E eu achando que Deus poderia fazer alguma coisa e te proteger, e agora eu vejo que ele não me atendeu. Para que acreditar nele então? — Enxugou as lágrimas com brutalidade. — Eu prometo pirralha, eu vou atrás de quem fez isso com vocês e mato um a um com minhas próprias, eu prometo.
Levantou-se determinado, só voltaria ali no aniversário dela, e no dia vinte e cinco de dezembro e assim seria por todos os anos. Depois de perceber que fazia mais sentido ser ateu, ele procurava por respostas, por mínimos detalhes sobre o acidente, mas tudo ficou pior depois — por incrível que parece — que seus pais morreram também em um acidente de carro.
Stark nunca mais foi o mesmo.

••

Quinta-feira. Três da madrugada.


Já estava virando rotina ele não conseguir mais dormir depois que apareceu, muito menos com esses doces lembranças surgindo em seus sonhos e até mesmo quando ele estava acordado. Passou a noite em claro se virando na cama, o que deixou a ruiva ao seu lado, preocupada. No meio da madrugada ele saiu de seu quarto e foi para seu escritório, abriu o quadro falso e destrancou o cofre digital — depois de ter mudado com a atualização de seguranças que foi inventado, por ele mesmo, com o tempo — pegou uma caixa preta, colocou em cima de sua mesa e a abriu. Ali dentro estava tudo que ele evitou por um bom tempo, não era sobre seus pais ele sabia muito bem o que aconteceu com eles, mas ali estava sobre a garota que considerou seu maior presente que o mundo tinha lhe dado e que não tinha cuidado tão bem como havia prometido.
Aquele carrinho, as fotos, a gravata, os desenhos e o dossiê que ele mesmo tinha montado e um outro que havia recebido depois de tantas ajudas de todos os lados, e roubando. Aquele mesmo dossiê que havia se recusado a ler até aquele momento, algo estava errado e ele era a maior prova de que viu o carro todo carbonizado e os corpos cobertos, e a casa que estava impecável. Tudo já estava em cima da mesa, e aquela pasta em suas mãos.
— Chegou a hora de encarar esse dossiê. — Pegou e começou a ler.
Entretanto, não fazia sentido, todas as provas coletadas e analisadas com os tempo não batia com o vídeo que a garota levou, na verdade, não batia com a versão que a H.Y.D.R.A. tinha contado para ela e mostrado na fita, e J.A.R.V.I.S. tinha confirmado que a versão era real, e lembrava-se do momento no quarto.
Afinal, o que era real na vida de ?
— Tony — Pepper disse, adentrando. Ela sentiu falta do companheiro depois de alguns minutos que ele se levantou, e logo foi atrás dele; a ruiva tinha assistido todo o procedimento dele que o mesmo nem percebeu. — Porque você está abrindo esse cofre, você disse que não tinha nada aí dentro, que era para uma emergência. — Se aproximou.
— Pepper, o que está fazendo aqui? — Não podia negar que estava um pouco irritado. Escondeu as fotos de baixo da caixa delicadamente.
— Eu vim ver se você estava bem, você passou a semana toda estranho. De quem é esse carrinho? — Tentou pegar, porém ele não deixou.
— É meu.
— E desde quando você ia deixar guardado aí?
— Tenho meus motivos.
— Esse arquivo não é dos seus pais. — Leu por cima. — Anthony Stark, o que está acontecendo?
Se não contasse a ela, ele se sentirá pior, e seu coração permaneceria se corroendo.
— Você teve um.
— Não, claro que não! — Cortou ela imediatamente. — Não diretamente. — Um meio sorriso desenhou em seus lábios. Pegou tudo, puxou a mulher pela a mão e sentaram no sofá que tinha ali. — Era uma menininha, tinha cabelos compridos bem clarinhos que combinava muito bem com os olhos cor de mel. — Olhava a mesma foto quando foi até o local do acidente. — Ela foi meu porto seguro desde que ela nasceu, eu me senti o homem mais jovem e feliz naquele dia, acredita que a ajudei a aprender a andar? Era tão inteligente, tinha respostas para tudo, e isso com cinco anos tá certo que eu lia alguns livros de física para ela, mas isso não vem ao caso. — Pegou o carrinho que estava dentro da caixa aos seus pés. — No dia vinte cinco de dezembro de mil e novecentos e noventa e dois, eu briguei com ela pois estava nervoso, passei até a ceia brigado com ela e ela nem sequer falou algo para as pessoas naquela mesa, e nem mesmo pediu para eu cortar em pedaços da mistura dela, ela simplesmente fingiu que não estava ali, devia ter ficado com medo. Porém mais tarde eu fiz as pazes com ela e como eu sabia que de toda a coleção dessas miniaturas, o favorito era esse Audi e dei de presente para ela, mas naquela maldita noite eu a perdi em um acidente de carro. — Suas lágrimas caíram sob o colecionável restaurado.
— Tony, eu... me desculpa. — Nunca imaginou que no seu passado teria uma filha não diretamente e fosse seu maior ponto fraco.
— Você quer saber quem ela é, não é? Além de ver essas fotos. — Apontou com a cabeça para as fotos nas mãos de Potts.
— Se não for piorar mais.
— Pelo contrário, eu não sei mais o que piora ou não.
— Eu não sei aonde você quer chegar.
— Olhe. — Se levantou e pegou as fotos que o fez entender toda a ligação. — Olhe bem para as fotos. — Entregou.
— Meu Deus, Tony! Eu não consigo acreditar.
— Também não acreditei quando tive o arquivo que ela me entregou, eu passei todo esse tempo acreditando que ela tinha morrido juntamente de Alina e Jethro no acidente de carro, mas aí surgiu o vídeo e ela e não sei mais nada sobre a mesma.
— Você vai contar quando pra ela?
— Eu quero fazer isso hoje, eu ia inventar uma desculpa para você fazer um almoço e chamá-la, mas agora como você já sabe fica mais fácil planejar, mas eu mesmo quero contar a ela.
— Claro, mas agora você precisa voltar para a cama e descansar, tenho certeza que não vai ser assim que você vai querer recebê-la. — Guardou tudo na caixa e colocou- a em cima da mesa.
— Vamos, Pepper.

Potts acordou primeiro que Stark, preparou tudo para ele no café da manhã e começou a ver o que tinha na dispensa para preparar o almoço.
— Bom dia. — Apareceu na cozinha sem camisa. — Café, obrigado, Pepper.
— Bom dia, Tony. — Deu um beijo rápido nele. — Eu estava olhando a dispensa para ver o que fazer no almoço e eu já enviei uma mensagem para a , e ela aceitou.
— Hm. — Quase se engasgou com o líquido. — Então tenho que me arrumar, vou sair para comprar algumas tulipas.
— Tony, tinha algo em especial que ela goste?
— Ela gostava muito de. — Parou para pensar. — Tanta coisa, mas em especial ela gostava de um macarrão que nós dois preparamos juntos, era com queijo mas não com quatro queijos, ela gostava de colocar cubinhos também quando finaliza, segundo ela deixava mais gostoso.
— Com molho? Que queijo em especial?
— Molho branco, nenhum, mas não pode ser prato.
— Ok eu vou comprar isso e mais algumas coisas, esteja aqui meio dia e meia — disse, indo em direção à porta.
— Estarei.
Se arrumou para sair e ir atrás das tulipas para aquele almoço. A verdade é que ele queria distrair a mente e pela primeira vez não foi correndo para suas armaduras. Era diferente, ir atrás das coisas que ela gostava, até porque muita coisa tinha mudado. Ao meio dia voltou para a torre, tomou um banho e escolheu a melhor roupa para vestir e receber a garota.
— Tony. — Pepper apareceu na porta. — A chegou.
— Eu já estou indo. — Se olhava no espelho. Logo já estava na sala junto das mulheres. — Oi , como você está? — Abraçou. Tentava conter as emoções.,
— Oi, estou bem, tentando controlar meus poderes, e você? Pepper disse que esse almoço era meio que uma comemoração.
— Bem, como sempre. — Deu uma piscadela a fazendo rir. — Sim, eu descobri algumas coisas e queria compartilhar com você.
— Legal! Vamos fazer isso depois do almoço? Assim conversamos de barriga cheia. — Ela não tinha mudado nada.
— Sim, acho que Pepper já terminou.
— Já está tudo pronto — disse a ruiva da cozinha.
— Eu não disse?
Foi um almoço daqueles, os dois tinham tantos assuntos que pareciam melhores amigos, o que não deixava de ser verdade. Pepper ficou encantada com a cena ela nunca tinha o visto tão feliz assim na vida, depois do almoço e da sobremesa de sorvete de passas ao rum — que Stark lembrou de comprar quando estava voltando para casa, eles foram para o escritório do homem onde apenas ele iria contar a novidade para ela.
— Depois do arquivo que você me emprestou eu fui fazer algumas pesquisas e com isso percebi uma coisa, na verdade seu sobrenome já era familiar para mim, e então eu percebi que, bom, você era familiar para mim. — Sentou-se ao lado dela no sofá. — Eu sei que vai ficar tudo muito longo o que irei contar, mas preciso que você não me interrompa, está bem? — ela concordou com a cabeça comendo um pouquinho de sorvete. — Quando eu era mais novo, meus pais tinham dois amigos, eram um casal também, era aqueles melhores amigos da família que ao passar dos anos viraram da família, e então depois de um tempo eles tiveram uma menininha, era incrível como nós ficamos muito próximos um do outro, e como eu não tive nenhum irmão eu cuidava dela como minha irmã até que muitas vezes ela me chamava de irmão e algumas vezes não posso dizer que eram raras, ela me chamava de pai. — Mexia no livro que tinha a foto lá dentro, abriu a mesma e retirou a foto. — Quando foi um natal, eu descontei minha raiva nela, e ela tão linda e amável como sempre, não contou para ninguém, ficou ali como se nada tivesse acontecido, mas ela estava triste era perceptível. — Os olhos de Stark estavam marejados, e de também estavam, era como se tudo estivesse fazendo sentido no fundo do coração dela. — Mas depois de um tempo, eu me aproximei dela. — Abriu a caixa e pegou o carrinho. — Eu dei de presente para ela, esse carrinho.
Meu Deus, aquele carrinho fez um distúrbio tão bom nas memórias da garota que a mesma não conseguiu mais controlar suas lágrimas.
— Ela amava esse carrinho, mas naquela noite, eu a perdi em um acidente de carro e eu nunca achei que eu ia achá-la, prometi por longas noites que faria de tudo para ir atrás daqueles que a tiraram de mim, não só ela, mas seus pais também. — Respirou fundo e se levantou. — Mas então, no começo dessa semana eu.
não deixou ele terminar de contar, correu para os braços daquele que sempre esteve com ela quando era pequena. Ela se lembrou de tudo, e deu graças a Deus até, pois não lembrava muita coisa de seu passado.
— Tony.
, me perdoe, eu não consegui evitar, eu não consegui te proteger.
— Está tudo bem agora, eu estou tão feliz que você está aqui e bem.
— Eu também, , estou feliz que você está aqui.
Ela se soltou do abraço, e olhou para o homem.
— Mas se meus pais morreram no carro, então porque minha lembrança sobre o quarto é tão marcante?
— Também estou tentando achar uma resposta para isso, mas pode ter certeza que logo vamos conseguir.
— Precisamos também saber quem era o homem vestido de capitão e os outros dois se passando pelos meus pais.
— Você está levando em consideração que eles não morreram na sua casa.
— Sim, pois eu sempre confiei em você Tony, ainda mais depois do que você contou.
— Então vamos começar a trabalhar nisso já, precisamos de resposta, eu não vou deixar isso passar. Eu estava com saudades de você, pirralha. — Voltou a abraçar.
— Acredite, eu também, lembrar de tudo isso fez meu coração ficar mais aconchegante.
— Aqui, são para você. — Entregou o buquê de tulipas. — Espero que ainda goste.
— Eu ainda a amo. — Ela sorria. — Obrigadinha.
Ocorreu tão bem o reencontro que saiu mais do que ele esperava. Os dois começaram a conversar bastante desde aquela quinta-feira. agora sabia a verdade de seus pais, estava com Tony e junto a ele algumas lembranças voltaram como uma brisa suave.
Agora só restava descobrir quem eram os dois que se passaram por seus pais e quem era o homem que se dizia ser o Capitão América.



Depois aquela refeição maravilhosa e principalmente a tarde que passou após relembrar de Stark, e Anthony conversaram por semanas, e nenhum momento o assunto caia no vídeo, era como se ela estivesse tirando todo o atraso de informação de sua família, recuperando todas suas lembranças. Por outro lado, Stark começou ter suas dúvidas sobre picolé, não pelo fato dele ter realmente matado os pais de , mas sim por ele saber algo a mais — já que ele tem um pouco mais de noventa anos. A verdade era: e se Rogers sabia mais do que devia e, ao invés de salvar os Müller, ele deixou aquilo tudo acontecer?
Tony sabia que ele poderia fazer quase tudo para poder encontrar seu velho amigo, e naquela época ele já estava desaparecido, e Tony sabia que os Müller tinham informações guardadas em mais de sete chaves. Se antes estava um pouco difícil de acreditar que ele, o Steve, não tinha nada relacionado ao acidente; agora com todas as ideias surgindo, só fazia crer que picolé não era tão confiável assim. Mesmo naquela época o homem estando congelado, isso não queria dizer muita coisa, afinal havia os outros anos que ele ficou vivo.

••

Stark projetava o novo design da torre, quando J.A.R.V.I.S. o chamou:
— Senhor, a sua ideia foi brilhante, o resultado já está pronto para ser visualizado.
— Eu sabia — Tony falou, alimentando mais o seu ego. — E qual é o resultado? Não é o Rogers, certo?
Tony tinha feito as análises de data quando estava sozinho e podia se concentrar, e de acordo com elas, Rogers ainda estava congelado em noventa e dois.
Tony pegou todas as informações e colocou um pequeno pen-drive e chamou Potts para ir até a casa de , no trajeto ele explicou tudo para a mulher que escutou atentamente com um sorriso de vitória, ela sabia que nada daquele vídeo de quarenta dois minutos era verdadeiro.
No local, Tony explicou que com sua inteligência teve uma das ideias mais brilhantes de analisar a gravação e com a ajuda da melhor inteligência artificial incrível que ele mesmo criou, conseguiu desvendar se era ou não o Rogers naquela gravação, sem o índice que acreditava não ser Rogers. Ele teve seu ego cortado pelas duas que pediram para ele ir logo ao assunto, foi então que ele explicou e soltou o vídeo original e depois o vídeo com a análise, mostrando a verdadeira face do vídeo.
— Eu... Não acredito — disse, espantada e sem acreditar no que via.
— Se não é o Rogers, quem é, então? — Potts questionou.
— J.A.R.V.I.S., identifique o rosto com o que temos no banco de dados.
— Senhor, analisei durante o processo de identificação com o rosto do Capitão Rogers e deu negativo para o nosso banco de dados.
— Tony, tem como você aumentar mais a imagem? — Müller questionou.
— Sim, pronto.
— Você reconhece? — Potts perguntou.
— Os olhos são familiares.
— Alguém que você se relacionou?
— Não, Pepper, eu não sei o que é isso direito. — corou. — Mas eu me lembro de muitas coisas e pessoas, foi um dos treinamentos da Hydra, ter memória fotográfica para poder lembrar-se de tudo e repassar para Schmidt. Só que para rostos, eu sempre tive uma grande dificuldade.
— Deve ser por isso que ele não se incomodou de aparecer — ele comentou.
— Então esforça sua mente um pouquinho e tenta lembrar-se dele ou dela.
— Me vem à memória, Pepper, mas é como se tivesse algo atrapalhando de enxergar o rosto dessa pessoa.
— Pepper, vamos deixar ela um pouco sozinha, depois voltamos — Tony falou, puxando Pepper para fora do laboratório.
— Pepper?! — chamou.
— Sim.
— Poderia ligar para o Rogers e pedir para ele vir aqui, falar que é urgente, por favor.
— Claro, sem problemas.
— Obrigada.
ficou encarando a tela e tentando puxar em sua memória quem era a pessoa naquela imagem. Ela sentou em um dos banquinhos e olhou mais de perto, os olhos eram familiares, os olhos escuros; indecifrável, reconhecia ele ou ela podia ter certeza que já viu, que já tinha passado algum tempo com ele.
O homem estava muito bem caracterizado, máscara e roupa idêntica do Capitão América, Schmidt só tinha esquecido de uma coisa, alterar com uma lente a cor dos olhos, já que a máscara estava perfeitamente impecável e o escudo que ele carregava em suas costas. Já a questão de o vídeo ter sido gravado há três meses atrás, indagou esse fato a ela mesmo, então Schmidt sabia muito bem entrar e sair do país e a S.H.I.E.L.D não percebeu? Um pouco suspeito.
— Não pode ser verdade, eles morreram há vinte e um anos, é completamente impossível, a aparência deles não seria... Droga. — socou a mesa e se levantou.
— Tony a chamou.
— Deixa ela, ela precisa se acalmar. — Pepper segurou o homem sutilmente.
Ela tinha deixado alguma coisa passar naquele vídeo e dentro daquela casa, ela não sabia como, uma garota treinada pela H.Y.D.R.A., pelos melhores agentes, soldados e especialistas, tinha deixado algo passar naquele vídeo. Ela voltou para frente da tela, apoiou suas mãos na mesa pensou por alguns segundos, logo em seguida mexeu em algumas alterações do vídeo e olhou mais a fundo para o rosto de sua mãe.

••

Brooklyn. Casa do Rogers.

No outro lado de New York, Steven e Sharon acordaram com o celular de Rogers tocando. Ele puxou o lençol para se cobrir, sua visão ainda estava embaçada e podia escutar Sharon reclamando do som do celular, Rogers olhou para a tela e pôde ver o nome de Tony no visor.
— Filha da mãe, tanta hora para me ligar e você me liga agora — Rogers reclamou.
— Atende em outro lugar, Steve, eu estou tentando dormir aqui — Sharon falou, irritada.
— Pode falar, Tony — Rogers falou, sonolento, e saindo do quarto com sua blusa em sua mão.
— Oi, Steve, é a Pepper, eu estou com Tony, acordei você? Me desculpa.
— Sem problemas, Pepper, aconteceu algo?
— Na verdade, sim, mas não é com o Tony, eu preciso que você venha até a casa da .
— Que horas? — Rogers falou, preocupado.
— Daqui quarenta e cinco minutos, você consegue chegar aqui?
— Sim, saio de casa daqui... — Ele olhou no relógio. — Quatro minutos.
— Ok, estamos à sua espera, até mais, Steve.
— Até, Pepper.
Rogers se trocou rapidamente, deu um beijo na testa de Carter, que se despediu com um som negativo para poder deixá-la dormir. Era quase meio-dia e Steven ainda estava em alta velocidade a caminho da casa de , que era um tanto quanto longe, já que ela morava em Bronx e Steven estava saindo de Brooklyn.
Como Pepper pediu, Rogers tinha chegado até a casa de em menos de quarenta e cinco minutos, mesmo sendo em horário de pico. Steven desceu da moto irritado achando que Müller havia feito algo para Potts ou Stark ou até mesmo algo pior.
Potts, ao ver a ira nos olhos de Rogers, resolveu acalmá-lo e avisar que quem chamou ele para lá foi à própria Müller, e ao saber disso, ele se acalmou e na hora e sentiu um peso sair sob seus ombros.
— Ela está no laboratório — Pepper avisou.
Rogers agradeceu a mulher já entrando na casa, que agora remetia mais lembranças depois de ter lido os arquivos. Ele respirou fundo e já preparado para qualquer coisa que acontecesse, apesar de que não teria uma forma de se proteger ali dentro; no fim dos degraus, ele viu apoiada sob a mesa e encarando a tela do computador.
? — Rogers disse, terminando de descer a escada. — A porta estava aberta, Pepper disse que você queria me ver urgentemente.
— Capitão — falou, se virando. — Eu preciso conversar com você.
— Pode dizer. — Rogers cruzou os braços.
buscou palavras para se desculpar com Steven, ela não era tão boa nisso, já que ela nunca teve que se redimir por um erro, só por coisas banais, mas nada por uma tentativa de assassinato. Ela simplesmente odiava aquilo, odiava ter que se dar por vencida e dizer que ela estava errada em relação aos seus pais.
— É — ela começou, sem jeito, tirando o colar, discretamente, que Barnes deu. — Eu preciso te pedir desculpas, não foi você que matou meus pais. — olhava para o colar. — Me desculpa — Müller falou, olhando nos olhos azuis de Steven.
— Agora acredita em mim? — disse, meio vitorioso.
— Eu falei que só ia acreditar caso o Stark provasse o contrário da gravação.
— Não teria sido mais fácil se você tivesse confiado em mim? — Steven se aproximou mais de .
— Seria, claro que seria... Seria se não tivesse tanta certeza que foi você que matou minha amiga e convenhamos, você também não confia em mim, Capitão.
— Mais uma acusação. — Steven colocou as mãos na cintura. — Qual amiga?
— Não é acusação, isso eu tenho mais do que certeza e ainda mais, eu tenho relatório de missão dela, onde ela relatou praticamente até a cor da rua. — terminou ironicamente.
saiu de perto de Steven, ainda de cara fechada e com total confiança que nisso ela estava certa, e foi pegar o arquivo e a ficha de Romanoff e entregar para Rogers.
— Antes de eu entregar para você — colocou o arquivo perto de seu peito — essa é a coisa que eu mais tenho certeza, tem o seu nome aqui e eu nunca iria desconfiar dela e além do mais, tinha soldados por perto e confirmaram a sua presença e que o corpo dela tinha desaparecido. — entregou, desconfiada, o arquivo para Steve.
— Natasha Romanoff?!
— Sim. — Os olhos de marejaram. Não era fácil falar de Romanoff.
— Você tem certeza disso?
— Absoluta.
— Temos muita coisa para conversar — Steven falou, olhando nos olhos de . — Uma delas é você me contando o que sabe da Hydra.
— A tá, só porque você quer. — enxugou os olhos disfarçadamente.
— Posso? — Rogers se referia a um dos banquinhos do ambiente.
— Sim. — Ela ficou um tempo em silêncio. — Eu vou pensar se conto.
Aquela pequena frase arrancou um leve sorriso dos lábios dos dois, eles precisavam começar de algum modo a se conhecer, e porque aquela conversa não poderia ser o início?
Steven leu o relatório da missão de Romanoff e viu que toda informação ali batia com o dia do acontecimento e com o que ela relatou para Fury, fora o relatório que estava ali, ele leu outras papeladas que envolvia Romanoff desde o sequestro dela até o dia da missão para a H.Y.D.R.A.. Já analisava Rogers e suas expressões e até mesmo os movimentos que ele às vezes fazia ao ler alguma parte, era uma forma que ela tinha de saber se ele não ia cogitar nenhuma ideia ou alguma forma de agir com ela, pelo menos as aulas de análise comportamental estava dando resultado em alguma coisa. Mas ela também não podia negar que às vezes prestava mais atenção apenas no Steven do que em fazer a análise.
— Você tem certeza disso? — Steven perguntou, entregando o arquivo.
— Sim, quando isso aconteceu, Barnes estava comigo, ele me acordou e entregou o relatório, foi a segunda pior notícia que eu já tinha recebido.
— Eu peço desculpas — Steven disse, apenas para confortar a garota.
— Não está cem por cento desculpado, apenas cinco por cento e olha lá.
— Depois eu preciso mostrar algo para você, é sobre a Romanoff, mas neste momento, eu preciso saber se o Stark descobriu quem é o Capitão América da gravação.
— Espero que não seja uma mentira. — Se referiu à Nat. — Ele sabe que não é você, mas algo me chamou atenção. — mexeu no teclado e Steven virou para a tela. — Olha, o J.A.R.V.I.S.. falou que o vídeo foi gravado três meses atrás, certo? — olhava para Steven.
— Certo.
— Se as informações que tenho, tanto da Hydra quanto do Stark estão certo, meus pais faleceram vinte e um anos atrás, por que então minha mãe estaria com a mesma aparência em uma gravação de três meses?
— Porque... Alguém pode ter se passado por ela. — Steven se levantou, estava mais interessado na teoria da garota.
— Exato, mas eu não tenho nenhuma foto dela, então não tem como eu comparar com o rosto da mulher, mas acho que isso o Stark pode resolver. — falou saindo de frente da tela. — Ah, antes que eu me esqueça, o homem que se passou por você, eu o conheço, só estou tentando lembrar quem é, não se preocupe. — tentou ser amigável.
foi até a área superior de sua casa à procura de Stark e Potts, e encontrou os dois na cozinha. Potts preparava alguns lanches e passava o café para os quatros tomarem, Müller explicou sua teoria para Stark, que ficou admirado com a tamanha inteligência da garota, não podia negar que ele tinha a certeza que ela era muito inteligente, era só lembrar-se de quando a garota era pequena e dava ótimas soluções para alguns momentos; enquanto Potts terminava as coisas na cozinha, os dois desceram, Anthony — da casa da Müller através de sua tecnologia — conseguiu pegar a foto que estava na Torre, e com esse retrato, teve mais certeza ainda que, era sim sua mãe. Mas sabemos que nada passa batido por um Stark, e não ia ser diferente nesse momento. Rapidamente, Tony fez as análises mais profundas onde obteve o resultado que no rosto da mulher que se passava por Alina, foi feita uma mudança tecnológica temporária.
— Senhor, a mulher do vídeo não é Alina Müller, o senhor deseja que faça mais uma análise para saber quem é a mulher?
— Não, Tony, não precisa — respondeu imediatamente.
— Mas precisamos saber quem é — Steven falou.
— Eu sei, mas se eu lembrar dele — apontou para o Capitão América falso — eu vou saber quem é essa mulher, eu só preciso de algumas horas e tudo vai se encaixar.
— Pense, mas não se esforce muito. — Tony a consolava.
De canto, Rogers observava a aproximação dos dois, e se questionava o porquê dessa tal aproximação. Afinal eles tinham se conhecido agora e pelo o que conhecia de Tony ele não ficava amigável com as pessoas que conhecia logo de início.
, vamos subir, eu preciso conversar com você — falava docemente.
— Claro. Já voltamos. — Estava subindo as escadas.
Rogers acompanhou os dois apenas com o olhar, tudo estava estranho desde que ele entrou e viu Stark mais solto com ela, até mesmo o modo de estar ao lado de Müller tinha ficado tão sereno.
— Pode dizer. — Estavam no deck.
— Você deve ter estranhado que o metro quadrado da casa está no sistema do Jarvis.
— Não vou negar isso, eu realmente estranhei.
— Eu sei que já conversamos sobre isso, mas eu nunca te contei tudo. — Ele respirou fundo. — Durante esses vinte e um anos… eu nunca esqueci você. —Tony hesitou, como se a frase seguinte pesasse demais. — Depois que criei o J.A.R.V.I.S., coloquei nele todas as informações que tinha sobre você. Tudo. Até o tamanho exato da casa. Quando percebi que não teria respostas, fiz questão de enterrar essa parte da minha vida.
Ele a encarou, sério.
— O que quero dizer é que, sem saber… você voltou para casa.
— E-eu morava aqui?
— Sim. — Deu um meio sorriso.
— Isso é insano. Mas eu terei ela de volta?
— Eu vou providenciar isso, o mais rápido possível, entretanto. — Pegou a mão dela e colocou em seu braço a guiando para o laboratório. — Você precisa se concentrar no falso picolé que sobre a casa eu resolvo tudo.
Eles desceram a escada em silêncio.
Algumas horas de conversas e análises, Stark passou a ficar sem meios para descobrir, a única coisa que foi levantada era que as pessoas que foram identificadas como ums Müller no dia do acidente eram realmente eles — com exceção de .
Pepper se aproximou de seu amado e deixou de lado um arquivo aberto sob a mesa.
— Tony, vamos até a Torre pegar alguns papéis para ajudar na identificação — disse, segurando a mão dele.
— Para quê? Temos o... — Potts não deixou Stark terminar.
— Vamos logo, Tony. — Potts puxou Tony para fora do laboratório.
Eles saíram do laboratório depois de se despedirem de Rogers e Müller, em seguida foram para o carro do Tony. Entraram e Potts explicou o motivo de ter tirado eles de dentro do laboratório e deixado os dois lá e sozinhos. Pepper sugeriu que eles fossem mesmo para a Torre para poder trabalhar lá com mais auxílio tecnológico, e privacidade, mesmo sendo inseparável de Stark depois do encontro.
— Você tem certeza que quer deixar eles sozinhos? Você viu o que aconteceu quando eles se encontraram.
— Tony, temos que deixar eles se entenderem, e eu sei que ela não vai fazer o mesmo outra vez.
— Como você tem certeza, Pepper? Você mal a conhece. Eu sei que ela era centralizada e tinha um temperamento calmo, mas depois desse projeto, eu não sei mais como ela é. — Assumiu seu pequeno receio.
— Mas não quer dizer que não devemos confiar nela.
— Vamos, então. — Tony ligou o carro.
— Sabe, eu acho que você devia sair com ela, temos os Vingadores, e a Torre e até mesmo a Shield, mas acho que você poderia de alguma forma sair com ela.
— Como se fosse uma pequena viagem?
— Isso, acho que cai bem para vocês, assim você conta mais sobre os pais dela, se conhecem mais, e no fim das contas você pode perguntar para ela, como vem controlando os poderes. Acho uma forma mais bonita para cuidar dela, já que esse é seu grande medo. — Ela sugeriu de um modo amigável.
— Você tem razão. — Tinham seus olhos na rua. — Eu vou conversar com ela e enquanto nós passeamos, você poderia cuidar de tudo? — Afastou sua visão da janela.
— Claro, Tony! Eu deixo tudo certo, leve ela em lugares simples, viu, não faça nada de elegante, acho que vocês dois iam à praia, certo? — disse ao lembrar-se da foto.
— Sim, eu ia levá-la ao pier, queria só que ela tivesse uma idade onde pudesse sair comigo. — O homem se lembrava daquela época. — Obrigado, Pepper.
Em um agradecimento silencioso, expresso apenas pelo olhar, Tony começou a pensar em lugares para levá-la para sair — a pequena, agora não mais tão pequena assim
Sabia que seria algo bom para os dois. E, pela primeira vez em muito tempo, sentiu-se genuinamente ansioso por aquele momento.

••

ficou analisando a gravação enquanto Steven olhava e lia todas as folhas de Romanoff é claro, que às vezes, olhava para o vídeo e para a .
— Está difícil? — Steven falou olhando as folhas de anotação de Müller.
— Eu estou tentando ainda, eu só não consigo lembrar, mas que merda. — saiu de perto do computador.
— Steven falou, seguindo ela. — Tenha calma, assim você não vai conseguir nada.
— Me manter calma sabendo que esse idiota está querendo confundir minhas memórias.
— Não é o Schmidt?
— Não. Ele, eu tenho certeza que não, até porque ele iria querer sair inocente da história e como herói.
— Bem pensado.
— Obrigada, espera…
Ela tinha parado do lado da mesa onde Pepper abandonou o arquivo, ele aberto deixando exposta a foto do soldado trouxe lembranças bem marcantes. O formato do rosto, a cor dos olhos; sorriu sarcástica, ele esteve o tempo todo diante de seus olhos, mas não percebeu. Hanks.
leu rapidamente os arquivos, constando lá o nome todo de Hanks ele agora não podia mais se esconder assim.
— Jason Adam O’Brian Hanks. — Leu o nome dele por completo. — você era da Shield…
— Você lembrou? — Steven falou um pouco preocupado e desconfiado.
— Sim. — Ela tinha um sorriso vitorioso nos lábios.
Bebericou o café que estava na mesa principal. Os papéis em sua mão ela distribuiu perfeitamente na mesa, deixado nítido para Rogers visualizar. Depois pegou o notebook e ligou o mesmo, lá tinha algumas fotografias que poderiam dar mais conclusão com o que ela tinha em mente; junto da foto do arquivo, da imagem da gravação e do seu notebook tudo passou a se encaixar.
— Eu sabia que o conhecia. — ainda tinha o sorriso nos lábios. — Steve Rogers, eu lhe apresento o homem que se passou por você na gravação, Adam Adam Hanks, ele é novo na Hydra, ele entrou pouco tempo, quase oito anos, eu acho. — falou virando a tela de seu notebook. — Ou Jason Adam O’Brian Hanks, como está nesta ficha, lendo assim por cima, ele tem uns dez, quinze anos a mais que eu, trabalhou para a Shield e, bom, agora pro Schmidt, existem boatos que ele também passou pelo mesmo processo que eu.
— Adam Hanks?
— Sim, treinado para matar sem deixar nenhum rastro, igual fazem com agentes ou até mesmo policiais de outros estados, quando falamos do O’Brian eu pensei que quem o matou podia ser o Hanks, além disso, ele foi treinado também pelo Bucky.
— Então foi fácil ele fazer isso.
— Com toda certeza.
— Como você descobriu que é ele? — Steven indagou.
— Ele gostava de mim, tentava de mil maneiras algo comigo, mas eu nunca gostei dele, lembra daquele homem que estava me seguindo? O da moto que não sei se quando você viu ele, ainda estava na moto.
— Lembro.
— É ele, eu não sei como eu deixei passar isso, ai que ódio!
— Calma, . — Steven tocou no ombro de Müller tentando acalmá-la. — E a mulher, conseguiu identificar?
— Não. — tirou a mão de Steven. — Mas ela deve ser amiga de Schmidt que nunca me apresentou, Kiyoko não é, conheceria ela de longe. Convivia com ela desde os meus sete anos... Vamos tentar descobrir quem é, ou pode ser uma tecnologia, uma pequena máscara tecnológica que muda o rosto.
— Stark pode fazer o mesmo procedimento que fez com Hanks.
— Qual deles?
— Os dois.
— Caro Steve Rogers, de análise facial, ele já fez e de outra forma, que não me recordo o nome porque estava um pouco ocupada, ele também já fez.
— Obrigado por me informar.
— Por nada. — deu um meio sorriso e logo fechou a cara.
e Steven ficaram em silêncio e depois ela foi arrumar as papeladas do arquivo de Romanoff e guardou onde estavam os outros dois. Steven apenas observava arrumando tudo e criando coragem para entrar em um assunto um tanto quanto delicado.
— Müller, podemos conversar?
— Já estamos fazendo isso, Capitão.
Steven sorriu de canto ao escutar o que a loira tinha falado. Ela estava menos agressiva nas palavras e também no olhar, os dois estavam abaixando a guarda para poderem confiar um ao outro.
— Seu pai, eu trabalhei com ele, Jethro Müller.
— Meu pai?! — perguntou em choque.
— Sim, ele falava muito da sua mãe e de seu irmão.
— O que ele falava? Ele trabalhava para exército ainda? — largou a gaveta aberta e foi para mais perto de Rogers.
— Coisas de um homem completamente apaixonado pela família sempre fala. Ele também queria trazer seu irmão para o Estados Unidos.
— Dani… — O apelido saiu com emoção. — Eu me lembro dele vagamente, me recordo também de uma viagem que fizemos, foi a primeira vez que ficamos juntos, nos quatros… — Suspirou. — Você se lembra de mais alguma coisa Steve?
Foi a primeira vez que tinha se lembrado de uma das memórias apagadas pela lavagem cerebral. E a primeira vez que o chamou pelo apelido.
— Eu lembro que ele saiu do exército e foi trabalhar para a Shield, mas não tinha deixado o cargo de tenente, ele ainda estava em ativa quando eu tive que lu... — Steven parou ao perceber que já tinha falado demais.
Pelo menos entendeu o fato daquele bilhete falando dos arquivos que foi para S.H.I.E.L.D, pelo menos Capitão América serviu para alguma coisa desde que eles se conheceram.
— Termina — falou, em um tom autoritário.
— Lutei contra o Schmidt, mas isso foi bem antes de tudo, ele subiu na patente muito rápido.
— Ah, é isso, Potts me contou, não vou ficar com raiva ou outra coisa, relaxa, você sabe de algo a mais?
Afinal ela queria fazer o mesmo com o Caveira Vermelha.
— Não, são poucas coisas mesmo.
— Tudo bem — falou, desanimada. — Eu vou continuar trabalhando para saber quem é a mulher, se você quiser ir embora, feche a porta, por favor, caso ao contrário, pesquise e use o que quiser, ok? — voltou a mexer no computador.
— Ok. — Steven falou se retirando do local. — Se descobrir algumas coisas — Rogers falou, parando na escada.
— Eu falo com a Pepper e ela avisa você, Rogers — falou, sem tirar os olhos do notebook.
esperou ouvir o som da porta fechar para poder relaxar os músculos e respirar fundo, era uma sensação totalmente estranha e totalmente diferente depois que começou a conhecer melhor Rogers, aquele frio na barriga, a mão gelada, seu coração disparado em um ritmo totalmente diferente foi passando quando escutou a última porta fechar e o som da moto se distanciando; ou era uma coincidência ou não, mas podia ter a certeza que foi ele que fez sentir todas aquelas sensações passando por seu corpo. Foi uma sensação estranha, mas ela tinha gostado, já que ela nunca tinha sentido a mesma sensação, nem mesmo com Barnes.
Era tudo novo, principalmente a palpitação em seu coração ao lembrar da linda combinação dos olhos azuis com o sorriso de lado.
Müller não conseguia se concentrar, só de lembrar que foi Steven o provocador daquela sensação esquisita, mas gostosa. Volta e meia se lembrava dele, do sorriso encantador dele e dos olhos azuis. Ela mesmo se pegava sorrindo bobamente sozinha. Cansada disso e de ter que analisar, ela resolveu subir para tomar um banho e procurar um restaurante que entrega comida rapidamente.
Com a toalha na cabeça, procurou pelo aplicativo algum restaurante que ela já conhecesse o sabor da comida, Müller ligou para Pearl of China e pediu o de sempre que ela comia. adormeceu logo depois de conseguir organizar seus pensamentos e parar de se lembrar daquela sensação incrível.
••

Steven voltou para casa com os pensamentos completamente embaralhados. Jogou a chave da moto sobre o primeiro móvel que encontrou e se deixou cair no sofá.
Estava exausto depois do treino com os outros Vingadores, e ainda mais cansado por ensaiar, mentalmente, inúmeras formas de conversar com Romanoff sobre acreditar que fora ele quem a matara. Mesmo assim, sua preocupação continuava sendo a . Ele a deixou no laboratório abatida, ainda carregando a desconfiança de que ele era culpado pelo que aconteceu com Natasha.
Ainda havia uma parte de si que acreditava que queria algo dele — e, mesmo após o pedido de desculpas, Rogers não conseguia deixar de desconfiar.
Sharon chegou falando algumas teorias que fez com que Rogers parasse de decifrar o que Müller desejava com ele e com os Vingadores. E se Schmidt estivesse atrás disso tudo?
Ela entregou um prato com uma sopa para ele se aquecer do frio de New York. Com desculpas de estar cansado demais, ele foi mais cedo para cama sem Sharon, que a mesma falou algumas coisas que Rogers nem se importou muito. As únicas coisas que agora ocupavam seus pensamentos antes de dormir, eram resumidas em três nomes: Bucky, e Schmidt.
Para ele, ela só estava lá para achar o amigo e levá-lo para de volta a H.Y.D.R.A., mas depois de hoje e daqueles sorrisos espontâneos que ela demonstrava tudo se resumiu em apenas uma única coisa ela não era a mesma que ele imaginou, e quem sabe no meio de tudo isso, ela realmente não esteja mais mentindo e que se Schmidt estava realmente morto não teria mais perigo.
Mas no fundo, algo dizia que a paz entre ele e a H.Y.D.R.A. estava prestes a acabar.
Era um fato bem explícito, estava consumindo uma parte de seu cérebro. Não podia deixar que Sharon percebesse que havia saído para tratar sobre um único assunto que ela mais desconfiava que qualquer outra agente da S.H.I.E.L.D., ele já estava estranhando o comportamento da loira, mas não podia imaginar que ela tinha algo contra a presença dela em New York.


Na manhã seguinte Rogers saiu de casa cedo, bem antes de Sharon acordar, olhou as horas no relógio e pensou em enviar uma mensagem a amiga, mas se ela fugiu todos esses dias e se ele enviasse uma mensagem ela ia fugir também. Por fim, decidiu ir sozinho até lá sem aviso prévio.
Estacionou sua moto na frente da casa de Romanoff. Steve tocou a campainha e esperou a mulher atender. Enrolada em seu hobbie, ela abriu a porta e não esperava encontrar o ex-Soldado ali, a encarando firmemente esperando que ela se pronunciasse sem comentar o assunto.
— Steve, está tudo bem?
— Natasha, eu preciso saber de algumas coisas.
— Mas tem que ser agora? Eu estava me arrumando para.
Interrompeu a mulher.
— Sim. — Estava um pouco nervoso. — Por que você não contou sobre eles?
— Eles? — Ela sabia o principal motivo daquela conversa.
— Müller e Barnes.
— É uma longa história, Steve.
— Eu tenho tempo para ouvir.
— Está bem. — Se rendeu. — Mas antes, como você ficou sabendo?
me mostrou o arquivo da sua missão, disse que Barnes a amparou quando você supostamente morreu, e sobre Barnes, acho que não preciso dizer como.
Ela concordou.
— Sente-se. É verdade, eu a conheci quando ainda era pequena, quando sequer estava acordada. — Os dois sentaram lado a lado no sofá. — Schmidt havia preparado o Projeto 96. Ela seria a cobaia. Recebi a proposta de treiná-la e, em troca, depois que conseguisse o Tesseract para ele, eu poderia sair da base. Mas eu sabia que, após as duas missões, eles me matariam.
Ela fez uma breve pausa, como se organizasse as próprias lembranças.
— Antes que pudessem descobrir que eu ainda estava no controle de mim mesma, que todos aqueles tratamentos não tinham apagado minhas memórias, prometi a mim mesma que fugiria dali. — Sua voz falhou por um instante. — Só que eu não contava em me apegar a uma garotinha. Fiz questão de prolongar os anos de treinamento dela apenas para poder ficar mais perto.
Ela suspirou.
— Sobre Barnes… não houve muito contato entre nós. A única vez em que nos colocaram juntos para uma missão foi para treinar e salvar a .
— Salvar? — Arqueou a sobrancelha.
— Quando ela foi para a mesa o projeto 96, ela sofreu algumas alterações, as máquinas começaram a registrar números além do que estava programado, até mesmo o batimento dela sumiu, foi então que eu e Barnes a levamos para o quarto dela, são detalhes que eu fiz questão de tirar da ficha dela, que suponho que ela deve ter retirado da Hydra também.
— Você não sabe mais nada sobre ele?
— Não, eu saí de lá pedindo que ele cuidasse bem dela, e vejo que isso foi feito, mas fora isso, de verdade, Steve, eu não tenho mais nada a contar.
— Eu acredito, mas você vai ter que conversar com a , ela acredita que você morreu e que foi eu que matei você.
— Não posso, ainda é muito cedo, ela não entenderia.
— Se ela te ama de verdade como ela mesmo deixou claro, então ela vai entender.
Natasha alternou o olhar entre ele e a foto da garota sobre a mesa de centro. Steve estava certo, ela precisava contar, mas no fundo Romanoff tinha a certeza que ela não ia aceitar a verdade, ainda mais que a Vingadora havia prometido que voltaria para a base da H.Y.D.R.A. apenas pela .
— Se você não falar agora, eu vou falar. E quando ela procurar a Pepper, vai descobrir que eu estou dizendo a verdade que você está viva.
— Não precisa, eu vou conversar com a , uma morte a menos em seu nome. Eu só preciso que você tenha calma.
— Eu terei, e obrigado. Vou me retirar, até, Nat.
— Até, Steve.
Era muita notícia, muita informação para ele entender, mesmo sabendo que Natasha tinha omitido tudo, no fundo ele não ficou irritado compreendeu o lado da amiga, se fosse ao contrário teria feito o mesmo, se fosse com a Peggy — algo parecido é claro — teria protegido ela da mesma forma que Romanoff protegeu Müller.
Natasha colocou o copo de água sob o balcão, depois de conversar com Steve sentiu um alívio grande em seus ombros em contar tudo, bom, não tudo ele não precisava saber que por motivos de uma aproximação ela e Bucky tiveram momentos extremamente íntimos.
Agora era só esperar o momento certo e conversar com .

••

Algumas semanas depois.

estava correndo pelo quarteirão ao som de Even Flow em seu celular, que tinha comprado tão recentemente com seu notebook, ela percebeu que a música parou depois do segundo toque de ligação, Müller só diminuiu a velocidade para poder mexer em seu celular, ao olhar para o visor viu que era número desconhecido, mas mesmo assim atendeu e continuou correndo.
— Alô?
Müller, um segundo, por favor.
— Sim, sou eu, quem fala?
— Sou eu, Tony, desculpa, eu coloquei o J.A.R.V.I.S. para atender, eu estava um pouco ocupado.
— Oi, Tony, tudo bem, aconteceu alguma coisa? Você descobriu quem é a mulher do vídeo?
— Não aconteceu nada, está tudo bem. Não, ainda não, mas eu e Pepper gostaríamos que você viesse até a Torre, se não for atrapalhar — Stark disse, ao perceber a respiração falhada de .
— Que horas?
— Quando der, mas se der para vim ainda hoje, vou ficar feliz — Potts falou, ao fundo.
— Ok, vou preparar o almoço então, tudo bem, Pepper? — riu.
— Sem problemas, estamos esperando você, até logo, .
— Até, Stark e Potts.
Stark desligou o celular, colocou em um criado mudo e voltou a se deitar na cama ao lado de sua namorada.
guardou o celular e deu mais duas voltas, somando-se às cinco que já havia completado. Seu movimento constante acabou chamando a atenção de um homem que também corria ali todas as manhãs.
Ela já o havia notado outras vezes: um homem negro, alto, muito bonito — e simpático, por sinal. Nenhum dos dois sabia que tinham algo em comum. Ou melhor, uma mesma pessoa.
Foi para sua casa, tomou uma ducha rápida, colocou uma boa roupa e sua velha jaqueta de couro. Ela chamou um táxi depois de verificar se o laboratório estava devidamente fechado como deveria. O táxi não demorou muito para chegar na casa dela, ela colocou sua bolsa em seu colo e procurou o endereço da Torre dos Vingadores em um dos papéis que ela tinha jogado dentro da mesma.
— Para onde, senhorita?
— Eu gostaria de ter o endereço certinho aqui, mas você sabe chegar até a Torre dos Vingadores? — Desistiu de procurar.
— Sim, senhorita, é um lugar bem famoso por aqui. — O motorista riu da expressão de Müller.
— É lógico, como não saber disso. — riu.
— Vai ficar caro.
— Sem problemas, pode ir — disse , despreocupada.
— Então chegaremos em trinta e quatro minutos.
— Nossa, o senhor é bem pontual.
— Não, só um chute.
avisou Pepper, ainda rindo, por mensagem o tempo que ela demoraria para chegar até a Torre, colocou seus fones em um volume razoável e aproveitou a viagem para poder relaxar e descansar com um rock grunge.
••

Residência Barton.

Na casa de Barton, onde foi o único lugar que Pepper pode encontrar Natasha, eles conversaram sobre e claro que Clint também dava sugestões e incentivava Romanoff falar logo com antes que ela pudesse fazer algo a mais com Rogers ou com qualquer outro, como o próprio Clint, que estava no dia que ela omitiu sua fuga, além dela descobrir sozinha e as coisas piorarem.
Era realmente um ultimato, ela não tinha como saber se Steve tinha conversado com Potts ou se era o destino a fazendo ir logo conversar. Romanoff era forte e destemida, isso todos sabiam, mas a verdade é que quando o assunto envolve pessoas que ela ama, tudo isso some.
— Vamos, Nat, assim você pode se sentir melhor sem esse sentimento de culpa — Clint falou, abraçando a ruiva.
— É, Nat, você já aproveita que o Tony quer a com os Vingadores e você conversa com ela — Potts comentou.
— Ela não vai entender — Natasha retrucou. — Eu prometi para ela que eu nunca sairia do lado dela, e eu saí.
— Mas você fez isso para o seu bem e o bem dela, não foi? — Barton perguntou.
— Sim.
— Então ela vai entender, ela já entendeu algumas coisas do Steve, então vai entender o que você fez — Potts falou, verificando seu celular.
— Como assim ela entendeu algumas coisas do Steve? — Natasha falou, meio confusa.
— Bom, isso só ela ou o Steve pode te explicar, ela me mandou uma mensagem que já está a caminho da Torre. — Olhava o visor do aparelho. — Eu preciso ir preparar o almoço, espero vocês lá.
— Estaremos — Barton confirmou. — Tchau, Pepper.
— Tchau, Clint, tchau, Nat.
— Tchau.
Clint acompanhou Pepper até a porta e, em seguida, voltou para o lado de Romanoff. Tentou convencê-la mais uma vez, sem sucesso. Sem dizer nada, deixou-a ali e retornou ao que estava fazendo.
Um pouco mais tarde, Natasha recebeu uma ligação de Steven Rogers. Ele queria saber se aquela conversa seria colocada em prática durante o almoço que Pepper preparava para Müller e os outros Vingadores. Natasha não respondeu. Ignorou completamente — como se nunca tivesse visto a mensagem.
Alguns minutos depois, Nat apareceu arrumada na cozinha.
— Está pronto? — Romanoff falou, na entrada da cozinha.
— Aham, só estou terminando com as flechas.
— Vamos, Clint, não podemos atrasar.
— Não vamos nos atrasar, tenha calma, Nat.
— Se eu não conseguir falar com a , a culpa será sua — Romanoff disse, indo em direção à garagem.
— Você vai falar com ela, ok? Só tenha um pouco de calma. — Clint elevou o tom de sua voz para que Natasha escutasse do lado de fora. — Isso porque ela estava com medo de falar com a , imagina se não tivesse — ele falou sozinho.
Clint terminou de guardar e limpar suas flechas e foi se arrumar para o almoço na Torre, nada casual, todos iam bem esportivos, desceu e foi direto para o carro onde estava Romanoff quase ligando o carro e saindo sozinha. O caminho todo Natasha foi quieta e séria, ela não sabia como abordar o assunto e qual seria a reação de , ela só esperava poder falar tudo sem gaguejar.
Ao chegarem na Torre, Potts recebeu todos muito bem e amigavelmente do jeitinho Potts, ela serviu bebidas para eles e alguns aperitivos, depois de manter tudo em ordem na cozinha, Potts mostrou a Nat onde ia deixar as duas conversarem. Natasha ficou no quarto à espera de e pensando em tudo que aconteceu durante esses anos.
— Onde está a Nat? — Clint perguntou.
— Esperando chegar, pode ficar aí, Tony daqui a pouco aparece, ele está com aquelas armaduras dele.
— Ah, sim, que horas ela chega?
— Daqui cinco minutos, mais um pouco, achei que ela ia chegar primeiro que vocês.
— A culpa foi minha, eu perdi a hora cuidando das flechas.
— Entendo, Tony faz isso sempre.
— Eu faço sempre o quê? — Tony apareceu na cozinha com seu copo de whisky.
— Apreciar as armaduras — Clint falou.
— Elas, além de serem feitas para salvar o mundo com minha alta tecnologia e inteligência, foram feitas para serem apreciadas pelo criador. — Tony deu um gole em seu whisky. — Não são umas flechas, cara, não confunda as coisas.
— Pelo menos consigo atirar sem olhar para trás.
— Ohh, e consegue voar.
— Chega, Chega! — Pepper disse, rindo.
— Te entendo, Stark, nada mais incrível que admirar nossos maiores bens. — Clint riu.
— Ok, chega de falar sobre equipamentos de trabalho, estamos com tempo livre e vamos aproveitar como pessoas normais — Pepper falou, experimentando o molho branco.
— Hei, só porque eu tinha um reator no peito, não quer dizer que eu sou um alienígena.
Pepper parou de mexer na panela ao sentir seu celular vibrar em um de seus bolsos, ela pegou o mesmo e leu a mensagem de no visor:
"Pepper, estou aqui embaixo, poderia me deixar subir? Essa tecnologia Stark me deixa confusa”.
Ela avisou Clint que já estava na entrada da Torre e que era para ele avisar Romanoff da chegada de Müller, Potts pediu para que Stark liberasse a subida dela.
••

entrou no elevador e se encostou à parede, ela desligou a música de seu celular o guardando em sua bolsa, tirou a jaqueta que era de Romanoff e pendurou em seu braço, alguns segundos depois, a porta abriu e Tony estava à espera dela para recebê-la.
— Oi, Tony. — deu um beijo na bochecha.
— Oi, , foi tranquilo o percurso?
— Sim, foi tranquilo.
— Pepper falou, saindo da cozinha.
— Oi, Pepper.
— Como você está? Vem, quero te mostrar uma coisa.
— Hei, Pepper, eu ia falar sobre a iniciativ... — Potts interrompeu Stark.
— Depois, Tony, isso é mais importante.
— O que há de mais importante além de se aliar ao grupo mais legal do universo?
Pepper revira os olhos e leva Müller para o lugar onde Romanoff estava esperando, nem teve a oportunidade de falar com Clint que, por um lado, era excelente, assim ela não ligaria ele com o relatório de missão de Romanoff. Sim, Rogers tinha contado apenas para Potts que Müller tinha mostrado o arquivo de Romanoff, mas fez isso para bem de ambas as amigas, Romanoff e Müller.
Potts abriu a porta e deu passagem para Müller entrar, depois que ela já estava dentro do quarto, Potts fechou a porta, deixando e Natasha sozinhas. ascendeu à luz do quarto e olhou para cama, o choque foi tanto que ela teve que apoiar no batente e tentar não deixar seus sentimentos se misturar com seus poderes.
— Nat?! — perguntou, ainda em choque.
— Oi — Romanoff falou mantendo a calma. Seu receio era tão grande dela rejeitá-la.
— É você mesmo?
— Sim, eu preciso conversar com você, . — Romanoff se levantou. — Tenho tanta coisa para explicar.
— Não chegue perto de mim, você morreu, eu não posso estar tendo alucinações. — abriu a mão de forma que pudesse deixar seus poderes se manifestarem e assim deixou a ruiva mais assustada.
— Calma, sou eu mesmo, eu posso explicar tudo só, por favor, me deixa explicar — Natasha falou um pouco assustada pelo o que viu.
— É sério isso?
— Sim, pode confiar.
abaixou a mão e continuou na porta sem mover um músculo, escutando tudo que Romanoff falava para ela, com o passar do tempo e entre perguntas e respostas, percebia que tudo que ela falava batia com o acontecimento do relatório que Barnes tinha levado para ela naquela madrugada, há anos atrás.
— Você se lembra daquele “me desculpa”, no final? — Romanoff perguntou.
— Sim, como não se lembrar de nenhuma vírgula que está naquele relatório.
— Era direcionado a você, eu precisava fazer isso, eu sempre fui agente da Shield e se eu voltasse, o Caveira Vermelha me mataria, mas eu jurei que voltaria para buscar você e tirar de lá, você nunca estaria segura com eles, e principalmente com o Schmidt.
— Mas por que me deixar lá, sendo que você não confiava neles? Não é possível, eu não estou acreditando nisso.
Andou pelo quarto. Estava muito irritada, controlava ao máximo seus poderes.
— Então foi tudo mentira esse tempo, você estava viva, aqui com os Vingadores. — Respirou fundo. — Natasha, eu fiquei de luto bem mais que por um ano! MAIS DE UM ANO! Você preferiu ficar aqui em vez de voltar.
— Eu ia voltar, eu ia salvar você!
— Mas não voltou! Ficou aqui, com todos eles! E eu apenas fiquei lá sozinha, com a única pessoa que eu sabia que me amava de verdade e que... — Enxugou uma lágrima. — Mas não, foi embora. Já ele, sim, ficou lá e me protegeu até o último minuto, até mesmo quando ele não tinha nem forças para me defender do Capitão América.
, você não entendeu o que eu fiz.
— Não, Natasha, chega. Se você fosse voltar, não teria passado tanto tempo, teria voltado e me salvado e não estaria aqui tentando dar suas explicações. — Foi em direção da porta. — Quando eu estiver mais calma, talvez eu converso com você.
Seguras suas lágrimas naquela altura era uma tarefa difícil. Tudo já estava embaçado como se estivesse debaixo da água, procurava desesperadamente uma única pessoa, aquela pessoa que sabia que se a abraçasse tudo ficaria bem, tudo estaria melhor e não se sentiria mais perdida. E lá estava ele, saindo de dentro da cozinha, que o mesmo estava conversando com Potts e tentando ajudá-la com os preparativos do almoço.
, podemos conversar? — Tony indagou muito antes de sentir os braços dela o apertando. — O que houve? , fala comigo.
— Eu não quero falar aqui.
— Muito bem, vamos para um lugar mais calmo, lá no meu escritório.
Então, lá no escritório depois de respirar fundo mais de cinco vezes, ela contou tudo para Tony. Ouvir atentamente tudo o que ela dizia fez com que ele entendesse o comportamento desconfortável de Romanoff quando ela falava ou lembrava-se de Munique e o nome de .
— Você poderia se afastar dela um pouco, respirar e depois voltar a falar com ela, assim você consegue digerir tudo que aconteceu com vocês duas, principalmente com você.
— E você me ajudaria?
— Claro, sempre o que for preciso. — Enxugou as lágrimas da garota.
— Teria algum problema sentar perto de você e da Pepper?
— Eu sabia que você não ia conseguir ficar longe de mim. — Fez a garota rir. — Colocarei uma cadeira perto de mim e da Pepper.
— Obrigada. O que você queria falar comigo, a Pepper quase expulsou você da cozinha e disse para você vim conversar comigo depois.
— Ah, sim, sobre você fazer parte da iniciativa Vingadores.
— Mas vocês realmente querem uma ex-agente da Hydra trabalhando com vocês?
— Na verdade… não. — Ele deu um meio sorriso. — Não faz muito bem para o marketing. Mas você é extremamente habilidosa.
Ele riu de leve, sarcástico, e ela acabou acompanhando. com calma ele entregou os papeis a ela.
— Depois do que aconteceu na sua casa, os resultados confirmaram que o Steve não teve culpa pela morte dos seus pais. E, bem… depois das nossas descobertas, de sabermos que você é a pequena … — Tony fez um gesto vago com a mão. — Pepper, o Picolé e eu pensamos em te convidar para os Vingadores. — Ele inclinou a cabeça. — O Steve ainda não está cem por cento convencido. Mas eu e a Pepper estamos.
— Você tem certeza? — ela perguntou. — Eu sei que não depende só de vocês.
— Está falando do governo.
Tony assentiu de leve antes de continuar:
— Você é a . A pequena . Não tem como não confiar em você, nem deixar de acreditar, mesmo com os seus poderes. Eu sei que, de olhos fechados, você faria tudo certo sem que eu precisasse dizer uma palavra. — Sua expressão ficou mais séria. — Mas eu não vou te forçar a aceitar. Muito pelo contrário. Você tem livre-arbítrio para decidir quando, ou se vai querer entrar.
— Eu posso ficar com os papéis?
— Sim, na última folha, não sei se você viu, está a linha para você assinar.
— Obrigada, Tony, você e a Pepper estão sendo incríveis comigo.
— Por nada. Vamos, daqui a pouco a Pepper vai precisar de mim na cozinha.
— Vamos.
Stark ajudou Potts a arrumar a mesa e chamou a todos. ajeitou os papéis no colo e, enquanto os outros se aproximavam, assinou a última folha antes de entregá-la a Tony.
Ele não disfarçou a felicidade ao ter Müller oficialmente ao lado dos Vingadores. Avisou os presentes ali mesmo, à mesa, e então o almoço seguiu entre conversas leves e assuntos banais.
Quase todos, ao menos. Stark passou boa parte do tempo falando animadamente sobre o uniforme que criaria para — cheio de tecnologia, recursos inéditos e “outros utensílios absolutamente necessários”, segundo ele.
— Uma tecnologia que você mesmo pode controlar com seus poderes, algo que só você possa ter controle.
— É uma ótima ideia, mas precisa ter os coldres e os suportes para outros utensílios.
— Vai utilizar a arma mesmo tendo poderes?
— É claro, a verdade é que não estou muito preparada para isso.
— Senhor, o capitão Rogers e a agente 13 estão subindo.
— Obrigado, J.A.R.V.I.S..
— Desculpa o atraso, Sharon teve um imprevisto — Steven disse. cumprimentando Stark.
— Tudo bem, só estávamos indo para a sobremesa, picolé.
— É, o que ela está fazendo aqui? — Sharon disse, apontando para .
— Ela é a mais nova membro dos Vingadores — Stark respondeu.
— Ela é agente da Hydra.
— Eu era agente da Hydra. — deu ênfase. — Não sou mais, e tenho meus motivos para isso.
— Ela está mentindo — falou em um tom baixo para Rogers. — Steve, você não vai alertar seus amigos?
— Alertar em que Carter? — Romanoff indagou, desconfiada.
— Vocês não enxergam? Claramente o Caveira Vermelha mandou ela para cá, espionar e calcular todos os nossos movimentos para poder atacar nossos pontos fracos.
— Caveira Vermelha está morto — afirmou. — A explosão que teve na Hydra foi causada por mim quando eu fugi, não tem como eu estar aqui a mandado dele, afinal, eu fiquei sabendo de tudo sobre mim, Sharon, e com isso, eu saí de lá de dentro, pode ficar calma, sei muito bem que você não gosta de mim. — confirmou pela análise comportamental que ela fez em Sharon. — E eu não pretendo fazer nada.
— Foi você? — Steven perguntou.
— Sim, eu acabei deixando ele meio desacordado e a Kiyoko na sala de arquivos, então ambos morreram lá, o único que eu sei que está vivo é o Hanks.
— O cara da moto — Steven falou.
— Isso.
— Como você sabe que é... — Sharon foi interrompida.
— Senhor, a senhorita Hill está subindo.
— Apenas ela? — Tony perguntou.
— Sim.
— Ok, J.A.R.V.I.S.
Os saltos da agente Hill podem ser escutados se aproximando da mesa, o semblante amigável e com um sorriso educado em seus lábios ao se aproximar dos Vingadores.
— Stark, Potts, que bom que todos estão aqui é... Quem é essa cidadã? — Hill perguntou.
Müller, prazer. — fez um movimento com a cabeça.
— Prazer, agente Maria Hill, bom. Fury pediu para que eu entregasse esse arquivo para vocês, é de uma suspeita de uma base da Hydra em Sokovia, e não é liderado pelo Caveira Vermelha.
Hill entregou os arquivos para os Vingadores, se juntou a Stark para ler os relatos que estavam escritos. Enquanto a agente Hill passava toda a informação, se lembrou da imagem congelada do vídeo, poderia ser estranho, mas ela já tinha desconfiado de Carter, ainda mais pela ação que Sharon teve ao ver junto com os Vingadores, o que não quer dizer nada, quando não gostamos de uma pessoa ficamos anos e anos a encarando e desejando que ela suma do mapa. Poderia ser ela, só teria que analisar mais de perto, mas depois que ela olhou para a agente Hill, algo nela era familiar, mas Müller não sabia distinguir se era o nome dela ou se era a voz dela, mas Müller tinha certeza que era familiar.





Continua...


Qual o seu personagem favorito?
: 0%
Natasha Romanoff: 0%
Bucky Barnes: 0%


Nota da autora: Trazer esse lado de Ninna ainda um pouco mais imaturo, sempre procurar Tony, ter essa confiança é pelo simples motivo de que ela nunca teve isso. Mesmo tendo a Nat com ela na base da Hydra.
E convenhamos, a maturidade dela que ela adquiriu dentro da Hydra é totalmente diferente do que ela precisa ter para o mundo lá fora, logo ela irá melhorar. Pode não ser agora, mas num futuro um pouco próximo.
Gostou deste capítulo? Deixe sua estrelinha aqui ou um simples comentário vai ser muito gratificante para mim, em breve nos vemos!
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