Codificada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 31/10/2025Fechou os olhos quando sentiu a cabeça latejar com força e então a campainha tocou, fazendo o barulho ecoar diretamente em seus ouvidos e ele praguejou um palavrão baixinho antes de se dirigir a porta do apartamento. Como o porteiro não havia avisado, certamente era . Os dois eram melhores amigos desde sabe-se lá desde quando, então a mulher tinha passagem livre pelo prédio, apartamento e vida dele.
Confirmou pelo olho mágico que se tratava realmente de e abriu a porta, dando passagem para que ela entrasse. Mas antes, o bico nos lábios dela, lhe chamou a atenção.
— Vai se vestir . Não vou entrar com você pelado!
revirou os olhos de forma teatral.
— Eu não estou pelado, estou de Calvin Klein bebê! — Ele levou uma das mãos até o elástico da cueca, esticando e soltando o tecido até que ele fizesse um barulho ao ricochetear em sua pele.
revirou os olhos com força. Já devia ter se acostumado com o jeito do melhor amigo, mas sempre o repreendia quando ele estava passando dos limites. É o que os amigos devem fazer, não é?
— Por favor, . Ou eu vou ter que ir embora?
— Não! — respondeu rápido demais e depois soltou uma gargalhada para disfarçar o desespero que soou notoriamente em sua voz. — Me dá dois segundos.
E ele saiu, entrando pelo corredor que levava aos quartos, pronto para colocar uma calça de moletom qualquer e uma regata. E foi isso que ele fez, se atrapalhando um pouco na volta, já que ele ainda passava a camiseta sobre os braços e cabeça.
descruzou os braços e desfez o bico, substituindo-o por um sorriso assim que viu o amigo vestido.
— Pronto, agora sim eu posso entrar.
observou enquanto ela adentrava pelo pequeno apartamento, jogando a bolsa no sofá e indo direto para a cozinha depois de fechar a porta atrás de si.
— E aí? Como era o nome dela? O que você sentiu?
Foi direto ao ponto.
engoliu seco e então coçou a nuca, tentando buscar as palavras.
— , você sabe. Não senti nada. Na verdade por nenhuma delas, e mal me lembro seus nomes.
— Por nenhuma delas? , você fez de novo? Com quantas mulheres você ficou?
— Acho que quatro, ou três... Mas eu só trouxe uma para cá! E me arrependi, eu juro ! Você acredita em mim, não é?
só acreditava porque já conhecia aquela história de cor. A maldição vinha ficando mais forte, cada vez mais forte e já tinha cada vez menos controle sobre as atitudes quando estava cercado de mulheres e isso preocupava a preocupava. Nada havia os preparado para quando aquilo começasse a acontecer por mais que soubessem da maldição desde a adolescência de ambos.
Você deve estar se perguntando que diabos de maldição é essa que estamos falando, não é mesmo? nasceu marcado por uma antiga bênção — ou maldição, dependendo de quem conta a história. Em suas veias corria o sangue de um ser encantador, uma entidade antiga que atraía corações e destruía almas. Desde os quinze anos, ele carregava o dom irresistível de despertar desejo em qualquer mulher que cruzasse seu caminho. Não era charme, nem carisma. Era magia. Um feitiço herdado, incontrolável, que se alimentava da atenção, do toque e, principalmente, da paixão alheia.
Quanto mais desejado ele era, mais forte se tornava. E quanto mais forte ficava, mais perdia o controle — até que a fronteira entre o homem e a criatura se dissolvia. Quando o lado amaldiçoado despertava, deixava de ser ele mesmo. Os olhos mudavam de cor, a voz se tornava rouca, quase hipnótica, e o toque era capaz de paralisar qualquer um com um misto de prazer e medo. Nesse estado, ele não buscava amor — buscava saciar uma fome antiga, que nenhum corpo era capaz de aplacar.
A única maneira de quebrar a maldição seria encontrar o amor verdadeiro — a alma que o veria além do encanto. Mas até lá, cada noite, cada olhar, cada suspiro de outra mulher o levava um passo mais perto da ruína.
— Você pode morrer se não encontrarmos a sua alma gêmea, parece algum tipo de brincadeira para você? Porque sinceramente , às vezes eu acho que você não acredita que pode morrer por causa dessa maldição.
Os olhos de se encheram de água, como se uma porteira tivesse sido aberta. Logo duas lágrimas teimosas começaram a escorrer pelas bochechas rosadas dela. O peito doía ao pensar na mínima possibilidade de perder o melhor amigo para a maldição.
— E se for o meu destino? E se eu não tiver alma gêmea e essa parte da maldição for só uma piada mesmo?
— Não diga besteiras, ! Tá maluco? Eu fui designada para te ajudar a encontrar sua alma gêmea e vou fazer isso nem que seja a última coisa que eu faça na face da Terra.
— Ás vezes eu penso que você vai desistir. — Foi a vez dos olhos de lacrimejar com força, o peito apertando em angústia.
— Você desistiria de mim? — perguntou, abraçando os próprios ombros, já sabendo a resposta.
— Nunca. Eu nunca desistiria de você, mesmo anêmico, xoxo e capenga, eu continuaria tentando.
— É o que eu vou fazer, .
