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Revisada por: Júpiter

Última Atualização: 22/12/2025

Busan

2014

Tinha se preparado para seu primeiro dia para andar pelas ruas de Busan. A ansiedade pulsava dentro de seu coração em saber que estava no local que mais desejou por toda a sua vida.
Ela reconhecia os locais que via em fotos, filmes, k-dramas e, principalmente, pelas histórias contadas pela família de sua amiga Thais. As duas eram como irmãs, se conheciam desde pequenas, era impossível não saber nada uma da outra. Morando no mesmo condomínio, tudo facilitou para conviver com as histórias.
Ali estava ela, registrando cada passo que dava, cada árvore que avistava. Passou pelo Parque Nacional de Taejongdae, visitou algumas lojas locais e, em um momento de pausa, entrou em uma conveniência. Comprou algumas coisas para comer e logo enviou uma mensagem para Thais, que estava a caminho. Thais estava ali como estudante, pronta para viver essa nova experiência, e estava animada para acompanhá-la.
Aquela tarde era perfeita, convidativa a simplesmente admirar cada canto da cidade. Ju decidiu esperar sua amiga a duas quadras da conveniência, onde desfrutaria de um bom café gelado e um lanche para saciar a fome. Depois, as duas iriam ao cinema, aproveitando uma programação especial só para amigas.
Rapidamente, Thais já estava lá, o rosto corado pelo calor e a leve corridinha que deu para atravessar a rua o mais rápido possível. Ju abriu um sorriso ao ver a amiga.
— Oi, meu amor!
— Oi, . Gostou do passeio? Conheceu os pontos turísticos e Busan?
— Estou encantadíssima! É tudo tão mais bonito do que eu imaginava.
— Sabia que ia gostar, está tomando os devidos cuidados?
— Sim, pode ficar tranquila, estou verificando o tempo todo, não estou deixando de comer.
— Ótimo, assim poupa meus cuidados. — Thais fez a amiga rir. Nunca negaria cuidados à sua amiga, muito menos quando o assunto era o açúcar do sangue desregulado.
tinha diabete tipo 1, tudo bem, ela vivia normalmente, mas com todos os controles possíveis e imagináveis, e Thais era seu braço direito, não deixava nada acontecer com ela. Dito isso, essa foi uma das promessas que fez para os pais da amiga.
— Achou mesmo que ficaria sem meu controle de glicose, por favor, né. — Sorriu. — Vamos assistir qual filme mesmo?
Saíram da conveniência, a única compra feita por Thais foram alguns docinhos.
— Não sei, eu fiz essa escolha de última hora. Ao chegar lá, a gente escolhe. Como você se saiu falando aqui?
— Me acostumei com seus pais e avó, mas, nossa, eles falam mais rápido do que imaginei, eu consegui entender, mas quando eu falava, me sentia uma tartaruga.
Thais gargalhou, colocou a mão na boca para soar mais educado, ela tinha a certeza que aquilo ia acontecer.
— Eu queria tá junto só para ver todas as expressões, desculpa rir.
— A melhor amiga do mundo, sem comentários.
Caminharam mais um pouco e depois pegaram um transporte público.
O Busan Cinema Center, um dos poucos lugares que ela imaginou ir naquele dia. A arquitetura era majestosa: a cobertura com suas ondas chamou a atenção de . Os grandes painéis de vidros que refletiam as luzes de Busan, ao anoitecer, ela teria uma das lindas surpresas que o cinema guardava para ela.
O aroma tentador da pipoca a convidada e aqueles murmúrios das pessoas deixava o ambiente mais animado. Seguiu Thais para todos os lados que ela ia, viu a amiga comprar dois pacotes de pipocas, os refrigerantes para elas e, claro, ela também comprou alguns chocolates.
— Eu estou sem palavras. — jogou fora o pacotinho. — Você viu? Eles usaram viagem no tempo, quem foca em viagem no tempo tão bem assim?
Era seu tema favorito.
— E é de época, mil oitocentos e nove, dá para acreditar nisso? Me lembrou tanto de Orgulho e Preconceito. — Seus olhos brilhavam.
— E ele todo amável com ela, e como ele a fez se sentir dentro da sociedade, isso foi tão lindo.
— Não me diga que você se apaixonou por mais um personagem.
— Bom, não seria novidade, seria?
— Não mesmo. — Sorriu. — Vamos ao McDonald 's ou quer ir em outro lugar?
— O Mc não é nada igual ao nosso, não é?
— Os lanches são bem diferentes, podemos ir até lá — falou bem animada. — Vamos no Mc mesmo, eu preparo um jantar para você amanhã, o que acha?
— Por que eu discutiria? — Riu. — Eu super aceito!
— Fica a alguns minutos de espresso.
— Tá bem — disse, olhando para trás. O cinema, que era aberto ao ar livre, estava lindo, as luzes de LED passando calmamente pelo teto eram de se tirar o ar. Não tinha ouvido falar de como ficava à noite, apenas como o lugar era maravilhoso.
— Lindo, não é? Eu passaria bons tempos aqui só admirando.
— Sim.
— Mas, vem, vamos acabar perdendo o espresso. — Ela se referia a qualquer trem de espresso.
O McDonald's não tinha só especiarias diferentes como também a decoração interna. se apaixonou pelo local.
Thais explicou o cardápio para ela, ao mesmo tempo a compreensão da língua. escolheu um Bulgogi Burger, a batatinha e a Coca-Cola gelada não poderiam faltar, e Thay ficou com o de sempre — quando ela ia lá sem a amiga, um shrimp completo também.
Se o primeiro dia já lhe encheu de felicidades, ela só conseguia pensar nos outros dias.

💜

Os dias se desenrolaram lentamente, como se o tempo estivesse em contemplação, enquanto a primavera de Busan revelava sua beleza. As árvores mostravam suas delicadas flores que exibiam uma paleta vibrante de rosas, brancos e lilases, dançando suavemente ao sabor da brisa suave; e os perfumes delas marcaram um capítulo lindo em sua vida.
Seu destino era o Museu de Arte de Busan e pelo percurso podia ouvir as doces melodias dos pássaros, o cheiro do tteok tão irresistível que comprou um pouco para comer enquanto ia para o museu.
Sua arquitetura era linda, delicada e contemporânea, combinava sua elegância e modernidade de forma harmoniosa. A atmosfera era tão envolvente que convidava os visitantes a explorarem o seu interior; o museu deixava seus espaços grandiosos para expor obras de artistas, a iluminação aconchegante, a boa disposição das artes.
estava parada na frente de uma arte, admirando. Olhava cada detalhe, se apaixonando mais pela obra. Contudo, enquanto estava ali, sentiu seu corpo cansar e a sede chegar, ela umedeceu os lábios e respirou fundo para manter a calma; olhou em volta, procurando um lugar tranquilo para se escorar e aplicar a insulina que carregava consigo.
Caminhou sem levantar muito alarde, mas sua visão começou a ficar turva e sem querer esbarrou com um pouco mais de força em uma pessoa que estava apreciando as artes também. Se desculpou de uma forma tão seca que se odiou por isso.
— Ai, droga, eu não… — Molhou os lábios novamente. — Não consigo achar ela dentro da bolsa. — Estava tão fácil, mas o pequeno desespero a atrapalhava.
Aquela pessoa que ela esbarrou olhou na direção dela, percebendo que não estava bem, principalmente pelo modo que a garota se escorou no pilar. Com passos rápidos, ele andou na direção dela.
— Está tudo bem? Precisa de ajuda?
A voz do homem a despertou. Sendo gentil e cauteloso, ele não tocou nela, apenas ficou próximo, caso ela desmaiasse.
— Eu preciso achar minha insulina, se eu não aplicar logo…
— Posso procurar por você?
— Pode — disse, entregando a bolsa.
Ele pediu licença e mexeu na bolsa, a insulina estava dentro de um saquinho, junto do medidor de glicose — ela carregava um junto para evitar acidentes como aquele.
— Aqui. — Ele mostrou.
— Que alívio, você poderia aplicar? — o viu concordar com a cabeça. — Ótimo, pode aplicar aqui no braço, na região do tríceps. Só aplicar, não precisa ficar com dó.
— Muito bem, com licença — pediu ao subir um pouco a manga da blusa. Tirou a tampinha, e aplicou sem receio como havia recebido a instrução. — Demora muito para fazer efeito?
— Não muito. — Olhou para ele, foi o primeiro contato visual dos dois. — Se quiser voltar a apreciar as artes…
— Não, fico aqui com você até melhorar. — Estava sendo solidário.
— Agradecida.
Ficou ao lado dela até perceber que estava melhor, a pequena preocupação era nítida nos olhos do moço.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer, está se sentindo melhor?
— Estou sim, vou só medir minha glicose. — Pegou o glicosímetro e aferiu sua glicose, agora estava próximo de cento e trinta, o que era consideravelmente bom. — Enfim, estou melhor. Sabe algum restaurante aqui por perto?
— Tem um que é bom, eu gosto de ir lá. Fica a duas quadras daqui, você segue reto a rua do museu — prestava atenção — e vira sua segunda direita. Logo você estará no restaurante.
— Ok, muito obrigada. — Sorriu. Desencostou-se do pilar e perdeu o equilíbrio levemente, seu corpo estava um pouco fraco ainda, então era compreensível para si. — Ai, que vergonha. — Colocou a mão sob a boca para rir.
— Não se preocupe, eu vou com você, se quiser, assim você não cairá.
— Acho melhor não, já tirei seu foco das artes e fiz você ser temporariamente meu aplicador de insulina.
— E não me incomoda ter feito isso por você. Eu vou com você, tudo bem?
Respirou fundo, tinha a opção de negar, mas um outro lado a fazia querer aceitar. Sua refeição estava sendo muito bem equilibrada, entretanto, não conseguiu compreender qual momento ela errou o cálculo e sua glicose alternou; esse era seu receio, de acontecer outra vez de ela baixar a atenção e por fim precisar ir ao hospital.
— Tudo bem, vamos, eu só vou fazer uma ligação no meio do caminho.
— Como quiser. — Sorriu. — Desculpe a falta de educação, sou Nam Joo-Hyuk.
Sabia que falar seu nome inteiro seria meio complicado para ele, então decidiu falar apenas…
— Pode me chamar de .
Sorriu gentilmente ao se conhecerem.
caminhou ao lado dele até o restaurante. Uma parte do caminho ela foi conversando com ele, até o momento que chegou à frente do restaurante. Carinhosamente, Thais pediu para que ela mantivesse a localização do seu celular ligado e que era para ligar para ela imediatamente qualquer coisa, o que foi aceito por .
— Uma boa recomendação, eu amei o local.
— É sem dúvidas um dos locais que mais gosto de vir, a comida local e esse toque italiano faz toda a diferença.
— Vou concordar contigo, preciso vir aqui mais vezes.
— Fico feliz que realmente gostou daqui.
— E realmente gostei, passarei meus dois últimos meses vindo aqui.
— Dois últimos meses? — Joo-Hyuk olhou, confuso, e logo mudou de expressão.
— Não é isso que você está pensando. Meu Deus! Eu quero dizer que é meu tempo passando aqui em Busan.
— Ah. — Ele respirou mais aliviado. — Eu já ia ser indelicado.
— Tudo bem, eu deveria ter formulado melhor, eu estudei muito, mas às vezes eu confundo a forma de colocar as palavras.
— Mas você está se saindo bem, o seu sotaque é bem sutil, quase imperceptível.
— Muito obrigada.
Uma pequena pausa dramática pairou entre eles.
— Posso fazer uma pergunta? — questionou.
— Claro.
— Teria mais lugares bons e não tão populares para visitar?
— Sim. — Pensou um pouco. — Se quiser, posso te apresentar esses lugares, não se preocupe. — Já se adiantou. — Eu vou apresentar lugares movimentados e alguns bons foodtrucks para comer.
— Aceito, você salva meu número?
Aquele almoço de emergência foi um dos melhores para ela durante sua estadia de um mês e meio. Sua glicose havia se estabilizado e tinha voltado tranquilamente para o museu ao lado de Joo-Hyuk para terminar de ver as exposições.

Ao anoitecer, Ju esperou sua amiga retornar do curso, ela estava prestes a pegar o certificado de chefe — e assim atuar legalmente no país, e com isso passava mais horas estudando do que no hotel simplório que elas dividiam. Ela contou sobre o ocorrido e como Nam Joo-Hyuk foi atencioso com ela. Thais se segurava para não rir, mas o nome realmente marcou para a mulher, ela já tinha lido em algum lugar.
Thais pesquisou na internet e voltou a olhar para a amiga, a deixando ver as fotos em seu celular.
— E aí, é ele?
— Sim! — Estava impressionada. — Mas como você achou?
— Eu normalmente olho sempre as revistas da banca que fica perto de onde estou estudando, e a Songzio estava com destaque em uma delas, e ele era simplesmente a capa da revista.
— Um modelo.
— Você chamou atenção de um modelo de capa de revista, parabéns.
— Ow. — Estava toda ruborizada. — Por favor, vai com calma, ele só me ajudou.
— E pediu para ser seu guia. — Jogou uma almofada na amiga. — Eu vou dormir, vê se não vai dormir tarde para não chegar atrasada ao ponto de encontro.
— Claro que não vou. — Revirou os olhos. — Parece minha mãe — comentou consigo mesma.

💜

O despertador tocou e ela desligou, voltando a tocar depois de cinco minutos. Ela desligou mais uma vez e ficou neste pequeno ciclo vicioso por duas vezes até o momento que pegou o celular e olhou a hora, estava atrasada! Thais acertou mais uma vez.
Levantou-se rapidamente para se arrumar, aferiu sua glicose e ajeitou sua bolsinha de primeiros socorros para uma garota de diabetes tipo 1.

“Deixa eu adivinhar, está saindo atrasada.”

Sem nenhum oi, a conversa delas era infinita, nunca tinha um “oi” ou então “boa noite”, foi uma péssima mania que elas adquiriram.

“Eu to muito atrasada, vou ter que comprar alguma coisa naquela conveniência, e um suco também.”

“Leva um leite fermentado, e compre doces, pelo amor de Deus!”

“Sim, sim, pode deixar.

Te conto tudo quando você chegar.”

💜

Ele estava sentado no banquinho que ali tinha, esperando chegar.
— Oi! Me atrasei, desculpa.
— Oi, não tem problema. — Deixou um sorrisinho de lado escapar. — Pronta?
— Sim, e pode ter certeza, dessa vez não vou passar mal.
Eles riram.
Um dos primeiros locais que ele a levou foi na rua do Mercado de Jagalchi, era um dos lugares bem falados, mas o objetivo do Joo-Hyuk era mostrar as ruas ao redor, onde se escondiam as melhores comidas e suvenires.
— Você vai gostar daqui — disse Joo-Hyuk com um sorriso radiante, iluminando ainda mais o ambiente. — Este é o maior mercado de frutos do mar da Coreia do Sul.
estava maravilhada com o mercado, as barracas coloridas com os vendedores exibindo suas mercadorias: peixes, moluscos e crustáceos frescos; alguns foram pescados na hora e podia-se escutar as histórias dos pescadores sendo contadas para os clientes enquanto eles escolhiam.
— Vamos experimentar algo? — Joo-Hyuk sugeriu, a guiando para uma barraquinha depois que ela concordou. — Aqui, você pode provar o melhor peixe fresco da cidade.
assentiu, um misto de empolgação e nervosismo. Eles se aproximaram da barraca, onde um homem idoso, com um sorriso caloroso, começou a preparar os pratos. Joo-Hyuk conversava animadamente com ele em coreano, enquanto observava, fascinada pela fluência e pela conexão entre eles.
— Isso é sashimi de polvo! — Joo-Hyuk disse, servindo um pedaço para . — Você vai gostar.
Com um pouco de hesitação, ela pegou o sashimi, era a primeira vez dela experimentando a iguaria. Respirou fundo e tomou coragem, mastigou com cuidado e a explosão de sabores invadiu sua boca, era muito melhor do que imaginava.
— Isso é incrível, senhor. — Olhou para ele. — Está muito bom, muito bom mesmo.
— Obrigado.
Eles fizeram uma reverência e ela continuou a andar ao lado dele. Nam ia explicando todos os lugares, entrando em algumas ruas e falando dos pratos que eram mais vendidos e algumas histórias engraçadas que aconteceram no local. Os dois estavam se sentindo tão bem juntos que não viam as horas passarem, era prazeroso ter ao seu lado; o olhar doce e a atenção dela para todas as palavras deixava o dia todo mais memorável.
— E ali. — Joo-Hyuk apontou para uma pequena loja. — É onde fazem o melhor tteokbokki da cidade. Vamos lá!
Eles entraram na loja, onde o aroma picante e adocicado do molho de Gochujang os envolveu. assistiu enquanto o cozinheiro preparava os bolinhos de arroz, sua habilidade impressionante fazendo com que ela se sentisse em casa. Joo-Hyuk pediu uma porção e, enquanto esperavam, ele começou a compartilhar histórias de sua infância, momentos em que visitava o mercado com sua família.
— É um lugar especial para mim — ele confessou, olhando nos olhos dela. — Espero que você sinta a mesma conexão.
— Obrigada por me mostrar isso — ela disse enquanto mordia um pedaço de tteokbokki, o sabor explosivo fazendo-a sorrir. — Estou amando cada momento.
— Sabia que ia gostar daqui. — Olhou o relógio. — Sei que comemos muito bem. — Tirou uma risada sincera de . — Mas vamos almoçar?
— Sim, por favor.
Começaram a andar.
— É um restaurante local daqui, ele fica meio escondido entre as barracas, mas é um dos melhores.
Ela balançou a cabeça, compreendendo a explicação.
Realmente ficava entre as barracas. O restaurante era simples e ao mesmo tempo aconchegante, o aroma da comida se espalhava por todo o local; sentaram-se em uma mesa e Joo-Hyuk fez questão de pedir os pratos para eles.
— Você precisa experimentar o sundubu jjigae e o grilled mackerel. Eles são incríveis aqui — Joo-Hyuk recomendou, seu entusiasmo contagiante.
— Vamos pedir isso, então! — sorriu, sentindo-se animada.
Enquanto esperavam o garçom trazer os pratos, foi até ao toalete para aferir sua glicose. Tudo certo, ela estava bem e não teria com o que se preocupar; retornou à mesa e bebericou um pouco da água.
Nam começou a contar sobre a cultura local e algumas histórias sobre o prato. Ele falava com paixão e se sentia cada vez mais envolvida não apenas na comida, mas também na riqueza da cultura coreana.
Após a refeição, Joo-Hyuk pediu a conta e, enquanto saíam, sentiu-se grata por cada instante vivido naquele dia. O Mercado de Jagalchi e o Sujeong Sikdang se tornaram lembranças queridas, marcando o início de uma nova fase em sua vida em Busan, ao lado de alguém especial.
Após um almoço delicioso no Sujeong Sikdang, e Nam Joo-Hyuk decidiram dar um último passeio pelo Mercado de Jagalchi antes de se despedirem do dia. O sol começava a se pôr, tingindo o céu com tons de laranja e rosa, criando uma atmosfera mágica ao redor deles.
Ele a convidou para passar em uma das barraquinhas de doce que estava no final da rua; a senhora era simpática e abriu um sorriso ao ver o casal — não de namorados, é claro, se aproximar da sua barraca. Animada, ela explicou cada doce, e por vontade, escolheu hotteok e bungeoppang, que foi a melhor escolha.
— O que achou?
— Isso é simplesmente maravilhoso!
— É um dos meus milhares de doces favoritos. — Sorriu.
Enquanto saboreavam os doces, a conversa fluiu naturalmente e a conexão entre eles se tornava cada vez mais evidente. O dia estava chegando ao fim, mas a sensação de que algo especial estava começando se fazia presente.
Com o céu agora estrelado, Joo-Hyuk olhou para .
— Eu realmente gostei de passar este dia com você. Espero que possamos fazer isso mais vezes.
— Eu também! Foi uma experiência incrível. Obrigada por me mostrar tanto da cultura coreana — respondeu, sentindo-se grata.
— Posso mandar mensagem? Para podermos sair e conhecer outros lugares, eu me empolguei com o mercado hoje. — Passou a mão nos cabelos enquanto falava, era tão lindo.
— Claro, e aí marcamos em um horário agradável para nós.
— Com certeza.
— Até mais, boa noite, .
— Boa noite.
Estava tão abobalhada com seu dia que até esqueceu de responder sua amiga, mas tudo bem, logo desceria do ônibus e poderia compartilhar seu dia com a garota.

💜

Os meses passavam, perfumados como as flores de primavera de Busan. Joo-Hyuk e passaram a conhecer Busan quase que por inteira, havia dias que ele trabalhava e marcava para um horário após as sessões de fotos e testes. Já outros, Thais ia junto com eles, não atrapalhava, como ela achou de início, na verdade, ela gostou de conhecer a cidade natal de sua família através do olhar de um morador local.
Os dois se abriram por um pequeno amor que nascia entre eles. Por receio, Joo-Hyuk não contou nada para ela, pois, em uma tarde ensolarada, ela contou que estava lá apenas para conhecer e que voltaria sozinha para o Brasil. Talvez fosse só um doce engano do destino trazer uma garota do outro lado do continente, o deixando com um amor bem caloroso em seu coração.

Em seu último dia em Busan, estava na sacada admirando o mar: as ondas se mexiam lentamente e traziam uma brisa refrescante. Seus olhos se enchiam de lágrimas pelas saudades que já estava sentindo. Com a mala pronta, ela faria o check-in na recepção junto de sua amiga. Thais, agora, se hospedaria em uma pequena casa, assim passaria os dias mais tranquila em relação ao tempo que passaria estudando.

Aeroporto de Busan.

olhava o aeroporto na esperança de ver Joo-Hyuk, ele tinha dado sua palavra que estaria lá. Entretanto, no dia anterior, ele estava diferente, conversava bem pouco com ela e mínimos sorrisos eram expressos por ele.
— Procurando ele ainda?
— Só para ter certeza.
O painel piscou, mostrando que seu voo já solicitava que os passageiros fossem para o portão de embarque.
— É a sua deixa.
— Acho que é. — Suspirou. — Se cuida, Thay, não me faça voltar para cá correndo.
— Você volta que eu sei, e nem é por mim. — Thay a envolveu em um abraço e ria junto dela. — Vai me avisando tudo, tá bom?
— Pode deixar, eu aviso todas as paradas.
— Perfeito, dê um beijo nos meus pais.
— Com toda certeza!
— Até breve, .
— Te vejo em breve, te amo, Thay.
Ela chorou, chorou por saber que ficaria mais um tempo longe de sua amiga, e tentar intercalar os horários para contar as novidades seria complicado.
As pessoas que estavam no aeroporto começaram a sair da frente e olhar o garoto que corria desesperado até o portão de embarque. Nam Joo-Hyuk estava atrasado! Seus olhos percorreram o painel onde mostrava que o voo para Brasil já estava fechado; apoiando suas mãos em sua cintura, ele retomava o fôlego e o peso da sua escolha caía sobre seus ombros naquele início de tarde.




Brasil

2024

São Paulo. Como essa cidade consegue ser linda, inquieta, conquistadora e desafiadora?
Dez anos se passaram, estava com sua faculdade de moda concluída, o diploma ficava pendurado na parede da sala de sua humilde quitinete. Pequena e aconchegante com toda a elegância que carregava seu nome, só conhecia a casa nos finais de semana, onde dormia, estudava e passava um bom tempo conversando com a Thay e assistindo seus doramas.
Domingo estava naquele clima padrão de preguiça, a chuvinha caía contra a janela, o balde de pipoca vazio ao lado dela no sofá, o cobertor a cobrindo por inteira e só se mexia quando recebia uma mensagem de sua amiga.
Arrumou-se mais um pouquinho no sofá, tirando o balde, e deixou o celular em cima da mesinha ao lado do sofá. Aos poucos, foi caindo no sono ali mesmo.
O canal de streaming notificou se alguém ainda estava assistindo e ela permanecia no seu sono mais profundo.
Sentiu sua pele se esquentar e a claridade incomodava seus olhos. Aos poucos, foi despertando, seus olhos passaram por todo o ambiente, identificando como que estava, a televisão da sala ainda ligada com a mensagem no visor, a cortina bem aberta e o celular na mesinha. Esticou a mão para pegá-lo e verificar o horário. Que azar, o aparelho estava descarregado e se forçou a se levantar para ver o horário no relógio de parede da cozinha.
— Puta que pariu! — Sua expressão não foi das melhores, e nada como um palavrão para expressar todos seus sentimentos. — Eu estou mais do que atrasada!
Deixou o celular carregando e se arrumou. Fez tudo rapidamente, pegou o carregador portátil, deixando seu celular dentro da bolsa. O coque escondia um cabelo todo descuidado de uma boa noite de sono, correu até o ponto de ônibus e pegou o primeiro que fosse para o último ponto antes da estação. Mexeu dentro de sua bolsa, procurando o cartão, e o passou na catraca: era mais uma corrida de uma pessoa que necessitava de um metrô todo lotado.
Agora, respirando mais calma, ela se encaixou em um cantinho da divisa dos vagões e ali mesmo começou a se maquiar. Não gostava muito disso — na verdade, ninguém gostava de ter que fazer isso, mas não iria para o trabalho com sua cara capenga.

💜

Bellini Luxe era um espaço que emanava sofisticação. Na entrada, o nome de Sofia Bellini se destacava em letras grandes sobre o balcão de recepção, dando as boas-vindas a todos que cruzavam a porta. À direita, um corredor elegante levava às salas dos diferentes setores, cada uma com sua própria porta de vidro, revelando um vislumbre do trabalho criativo que acontecia ali.
Sua mesa, grande e de vidro, ficava de frente para a porta, permitindo que ela tivesse uma visão clara do movimento na sala. Sobre a mesa, havia um laptop sempre aberto, cercado por cadernos repletos de esboços e anotações. Canetas coloridas e tesouras de alta precisão estavam organizadas em um suporte elegante, prontas para serem utilizadas em qualquer momento de inspiração.
adorava esse espaço, que não apenas refletia seu estilo pessoal, mas também era um testemunho de sua dedicação e paixão pela moda. Era ali que suas ideias ganhavam vida e onde ela sonhava com as próximas grandes inovações da Bellini Luxe.
Sentou-se em sua mesa depois de pegar um café na cozinha. Estava prestes a começar seu trabalho, quando Sofia apareceu na sua porta. Uma única batida e ela entrou.
— Está atrasada.
— Mil desculpas. — Colocou a caneca ao lado do laptop. — O metrô estava… — suspirou para dar mais credibilidade — insuportável de tão problemático.
— Sim, sim, eu vi. — Ajeitou os óculos, olhava para o seu tablet. — Preciso fazer uma reunião, preciso que você esteja na sala daqui a dois minutos.
— Estarei lá. — Sorriu educadamente.
Esperou a mulher se retirar da sala para poder respirar, aliviada.
— Puta merda, o que está acontecendo no metrô que ela viu? — Desbloqueou o celular e pesquisou. — Nossa, que dia! Ou eu tirei a sorte grande ou é outra coisa.
Um vagão havia desencarrilhado e outro quebrado, tudo no mesmo momento, causando o maior alvoroço, e a linha não tinha mecânicos à disposição na hora. Sorriu com sua pequena sorte de conseguir um álibi sem ao menos saber que teria e voou para a sala de reunião.
A sala de reuniões era um espaço elegante e funcional. As paredes eram revestidas com painéis de madeira escura, conferindo um ar de sofisticação. Uma mesa grande e retangular ocupava o centro, cercada por cadeiras estofadas que ofereciam conforto durante longas discussões. As janelas amplas permitiam a entrada de luz natural, criando um ambiente iluminado e inspirador.
Sua curiosidade alastrava por toda sua mente. Escolheu uma das cadeiras que ficaria no centro da mesa, de frente para a janela. se acomodou na cadeira, esperando os outros membros da equipe. Reconheceu alguns rostos ali, Julio e Paula, os principais que sempre iam para as viagens externas da Bellini e ela nunca era chamada. Seu coração palpitou ainda mais, queria saber qual o motivo de ela estar ali.
Todos pareciam ansiosos, trocando olhares e cochichos enquanto aguardavam a chegada de Sofia.
Finalmente, a porta se abriu e Sofia entrou, sua presença imponente imediatamente chamando a atenção de todos. Ela era uma mulher de negócios, com um olhar afiado e um senso de estilo impecável que inspirava respeito. admirava a forma como Sofia conduzia as reuniões com firmeza e clareza, sempre mantendo a equipe focada e motivada.
— Bom dia a todos! — Sua voz suave ecoou pela sala. — Estamos caminhando para o nosso desfile e precisamos garantir que tudo esteja perfeito!
— Será mês que vem, certo? — Paula questionou, olhando as informações em seu tablet.
— Correto. Preciso que tudo esteja pronto até lá, quero que passe por mim todos os preparos. Como está a criação do cenário, Paula? — Olhou para Paula.
— Fluindo perfeitamente bem. — Conectou seu aparelho no projeto. — Esse é nosso mood board, como vamos trazendo o ar tropical do Brasil, pensei algo nesses estilos, trazer tons mais pastéis, remetendo à nossa flora. — Passava cautelosamente os mood boards. — Para a passarela, coloquei areia e um pouco de água, ficaria tudo bem cercado, e aqui usariam um tecid…
— Desculpa interromper. — se inclinou para mais perto da mesa. — Eu amo a ideia, Paula, e tenho certeza de que a Sofia também, mas estaremos trabalhando com modelos que não estamos acostumadas, Julio já falou que não conseguiu um acordo de levar as nossas modelos.
Bellini tinha imposto uma regra clara para todos os funcionários: caso quisessem ver o desfile dela ser deslumbrante, que deixassem mulheres de verdade desfilarem. Seus designers não eram feitos para um único estereótipo de corpo. Julio, que administrava todas as modelos, amou a ideia e tomou a frente desde o início.
— E não é duvidando do profissionalismo delas, mas será que elas conseguiriam desfilar em nossa passarela assim?
— Pensei a mesma coisa, sua ideia é brilhante — disse, pensando em um contexto só, desde a passarela, disposição das cadeiras e até o cenário. — Só não consigo imaginar se isso vai dar certo lá.
— O que você sugere? — Paula começou a refletir na ideia, não se sentiu ofendida, mas a zona de conforto a atrapalhou um pouco. — Eu posso deixar apenas a água, sabemos que isso é mais “comum”.
— Ótimo! — Sofia aprovou. — Julio, é oficial mesmo?
— Eles são insuportáveis! — Revirou os olhos. Sofia amava o jeito sincero e seco de Julio. — Mas continuarei tentando, entretanto, as modelos continuam sendo aquelas.
— Algo a observar ou acrescentar? — Lucas deu uma pequena alfinetada. Ele era o fotógrafo oficial da Bellini, que mantinha as fotos impecáveis no site e nas redes sociais.
— Não, são modelos lindas, mas as nossas são a beleza brasileira.
? — Sofia apenas falou seu nome, ajeitando os óculos e esperando o pronunciamento da mulher.
Os batimentos cardíacos aumentaram, sua mão suou frio. Estava acostumada a conversar com ela, mas quando ela apenas dizia seu nome, o frio na espinha surgia como se fosse seu primeiro dia lá.
— Sofia, eu realmente acredito que estamos no caminho certo.
— Em relação à água…?
— Sim, temos que ajustar isso adequadamente, não vou deixar passar. O local onde vamos deixar nosso desfile é no stage quatro. — Enviou um e-mail para todos. — Eu encaminhei para vocês o local, com e sem todo o cenário que a Paula criou, claro, sem contar as novas mudanças que planejamos.
— Isso está muito bem estruturado. Paula, deixa eu te perguntar: como você construiu a iluminação? Preciso de algo que realce as roupas e as modelos.
— Eu pensei nisso, meu bem. Coloquei um tom quente que realça os tons pastéis do cenário, e não se preocupe, teremos aquele jogo de luz para as lindas modelos. — Sorriu ao ver que Lucas aprovou.
— Agradeço por termos a melhor equipe — Sofia falou, relaxando na cadeira e segurando sua caneca. — Eu queria fazer um pronunciamento. — Tomou a bebida e evitou fazer uma careta. — Não vou comparecer em Seul para o desfile.
— O quê?! Como não? — Paula questionou, incrédula.
— Tenho um evento mais importante que este, então quero que tudo esteja pronto até… — verificou a data no aparelho — daqui a duas semanas, esse é o tempo ideal para podermos ter tudo preparado.
— Du-duas semanas?
— Paula, calma. — a olhava com ternura, tentando passar tranquilidade. — A gente consegue, como sempre.
— Eu só tenho uma dúvida — Julio começou a falar. — Se a mademoiselle não vai, quem irá representar a Bellini Luxe?
— Que pergunta! — Se levantou. — A . A reunião está terminada.
As palavras ecoaram pela sala, sua visão ficou turva e apenas aquele copo de água na sua frente não seria suficiente para ela naquele instante. Sofia já havia se retirado da sala, Paula abanava e Julio trazia mais um copo de água, suas ideias se embaralhando como um emaranhado de linhas ao tentar a primeira costura.
— Será que ela falou sério? Eu tô achando que a vodca estava mais forte dessa vez — comentou, desviando o olhar para o horizonte do jardim.
— Ah, gata, é você! Ela não ia dizer isso à toa, não — Julio respondeu, com um sorriso maroto, como se estivesse segurando uma revelação bombástica.
— Julio, não faz sentido ser eu.
— Poxa, sete anos de empresa! Você entrou como estagiária e se mostrou uma profissional incrível. Não vai aceitar esse reconhecimento?
— Não é questão de aceitar, Julio.
— Ah, claro! Desculpa, me confundi com aquele ali na esquina, né? — ele brincou, piscando um olho e fazendo um gesto exagerado. — Vamos lá, você merece isso, e todo mundo sabe!
— Concordo plenamente. — Paula encostou-se na mesa. — E agradeço se você não fizer mais perguntas.
— Agora, vamos celebrar esse reconhecimento. Que tal um happy hour mais tarde?
— Hmm, pode ser! — respondeu, sentindo um calor no peito. — Mas só se você prometer que não vai me deixar sozinha com a vodca dessa vez.
— Fechado! — Julio riu. — E, se precisar de um colete salva-vidas, eu estarei lá.
riu, acompanhada dos outros colegas de trabalho. Aquela noite seria longa depois do expediente, e ela já passou a planejar todo o cronograma deles. Como uma apaixonada pela culinária coreana, ela escolheu um restaurante coreano.
Deixou o projeto de lado temporariamente e desbloqueou o celular.

: “Oie! Vamos para aquele restaurante coreano? O que fomos na promoção da Paulinha?”

O grupo era apenas deles quatro, como um quarteto fantástico de happy hour, não deixavam passar uma.

Luca: “Diga que é o do churrasquinho!”

: “Mas é isso mesmo, você acha que vou fazer algo sem churrasco e soju?!”

: “Eu, hein, tá me estranhando.”

Pa: “Eu topo! Lá é maravilhoso, já sinto o cheirinho daqui”

Julio: “Nada mais me surpreende vindo da .”

Julio: “Saio mais cedo hoje, mas espero vocês no hall”

Pa: “Claro, senhor, suas entradas mais cedo vão te custar caro ainda.”

colocou a mão na boca para conter mais ainda a risada. Julio tinha xingado Paula, que deixou a amiga rindo da discussão. Pareciam dois irmãos, tanto na fisionomia quanto no gênio, era inacreditável.
Por fim, o relógio marcava dezoito horas em ponto. salvou seu projeto e desligou o laptop. Pendurou a bolsa em seu ombro, saiu desligando a luz e fechando seu escritório; a cada porta que ia se fechando, seus colegas iam se aproximando dela, andando ao seu lado. Julio estava no hall, como prometido, esperando o trio.
— Bateram o ponto? — Julio lembrou.
— Claro, não somos um insuportável — Paula disse, segurando no braço do amigo.
— Vamos logo, então. — Revirou os olhos. — Só espero que não tenha mais gente inconveniente como você lá.
— Meu Deus, vocês não se cansam, não? Eu seria maluca para falar que vocês se amam se eu não soubesse que você é gay — disse , amarrando seu cabelo. — Vamos a passos rápidos, estou morrendo de sede.
— Vamos lá!

💜

O ambiente estava começando a ficar movimentado. Os quatros amigos esperavam a host retornar sua atenção para prosseguirem o atendimento.
O aroma da carne de porco sendo aquecido na churrasqueirinha aumentou a fome deles. Ajeitaram-se à mesa e fizeram o pedido das carnes e bebidas. Por uma pequena influência, pediu uma água com gás, gelo e limão. Desde que começou a assistir os vídeos do rapaz, ela não deixou mais de lado essa bebida.
— Isso é muito bom, nossa! — Lucas comentou, cortando mais pedaços de carne. — Como pode ser uma culinária tão rica?
— A minha amiga Thais me acostumou mal desde cedo, a tia fazia dois lanches para a escola, o meu e o dela, e era tudo essas delicinhas. — Movimentou a mão em círculos em cima dos banchans. Não eram exatamente aqueles, mas ela demonstrou que era apenas a culinária presente no dia a dia desde a infância.
— Foi ela que abriu um restaurante lá, não é? — a amiga perguntou.
— Isso mesmo, fica em Busan, podemos ir lá, sei que vamos ser bem recebidos.
— Eu já sinto o sabor, o som de Busan, as luzes de Seul. — Paulinha estava viajando acordada.
— Achei que era a que fosse apaixonada por lá.
— E sou, Julio, mas eu acho que fiz alguém amar também.
— Amar! Hm! — Fez o som com a boca ao comer um pouco de kimchi. Deu um pequeno pulinho na cadeira e virou mais para . — Eu já mostrei meu mais novo amor?
— Não, me mostre.
— Paula, você tá irreconhecível! — Julio tirou risadas sinceras de todos.
— Ignora ele, olha, você o conhece?
pegou o celular da amiga e olhou para a foto do mais novo amor dela. Seus olhos se arregalaram e se engasgou com a água, não foi o que broto de soja que comeu e sim a foto.
— Ai, meu Deus, você está bem?
— Sim, calma. — Sorriu amigavelmente. — Foi só o broto de soja, mas conheço sim, ele é lindo: Nam Joo-Hyuk.
O nome dele ainda causava grandes palpitações em seu coração. Parecia que foi ontem que eles haviam se conhecido; saudades e amor andavam lado a lado e queria ao menos não ter perdido o número dele e assim não poder mais conversar com ele.
— Ah. — Respirou mais aliviada.
— Esse soju de pêssego é muito bom. — Lucas se serviu mais um pouco. — Provem — incentivou.
Estar ali, cercada por amigos e risadas, lhe proporcionava uma felicidade imensurável, como se cada gole de soju amplificasse a alegria daquela noite calorosa. No entanto, a mágica do momento foi interrompida antes mesmo das onze horas, deixando uma sensação agridoce no ar. O dia seguinte seria longo para a equipe.

💜

O sol emanava todo o seu calor. A primavera estava mais para quente do que ameno como ela sempre amava.
Terminou de subir as escadas da estação, prendeu seu cabelo e seguiu calmamente para o trabalho; um privilégio que poucas vezes conseguia ter. Chegou junto de Paula, que abriu um sorriso ao vê-la. Segurou a porta e entraram juntas.
— Bom dia, flor do dia!
— Bom dia, Paulinha.
— Pronta para apresentar toda a estrutura?
— Eu mal dormi a noite só pensando nisso, espero que fique tudo no agrado da Sofia. — Terminou de bater o ponto. — Quero ver tudo no seu mood board, você mexeu nele?
— Eu terminei de ajeitar ele às quatro da manhã, estou cansada e não vou mentir. — Pararam na frente da sala de Paula. — Te vejo na reunião.
— Duas coisas antes, a primeira: não faça mais isso, nada de trabalho em primeiro lugar, sempre sua saúde e depois o trabalho. Segundo: tome café, um ou dois, não sei, não fique sem tomar, logo você vai cair no sono, eu te conheço.
— Foi só a primeira vez, acredite, e sobre o café, pode deixar. Agora, tchau.
— Tchau. — Caminhou para sua sala, colocou a bolsa em cima do armarinho e sentou-se na cadeira. — Mais um dia, vamos lá!
Ligou o computador e continuou o novo projeto.
Duas batidinhas na porta e ela entrou logo, desta vez, a caneca estava em suas mãos e o líquido dentro mostrava ser um algo quente pela fumacinha.
.
— Oi, Sofia, bom dia!
— Reunião, daqui a três minutos.
— Certo.
se despediu de Sofia com um tchauzinho e organizou todo o material que levaria para a reunião. Sua confiança exalava pelo brilho dos seus olhos, levantou-se e foi até a sala junto de seus companheiros e colegas.
— Bom dia!
— Bom dia, Sofia. — Um coro educado veio da equipe.
— Quero ver como está o projeto, me passem tudo.
— Bom — começou a falar. — Mantemos as ideias como antes. — O projeto passava na tela branca. — Deixamos, então, a água escorrer apenas nessas áreas, seguindo todo o protocolo de segurança.
explicou tudo para Sofia, apresentando cada um dos mood boards que Paula havia criado. Lucca e Julio também aproveitaram a oportunidade para tirar suas dúvidas, deixando claro que todos os problemas haviam sido pensados meticulosamente. Sofia estava admirada com o trabalho da equipe, a liderança de mostrou que sua escolha foi a melhor, Seul teria uma brilhante representante da Bellini Luxe.
Parfait, vous êtes prêts pour le défilé à Séoul.
Merci. sorriu.
— Essas são as passagens de vocês, ficarão três semanas lá, vou acompanhar tudo depois que Lucas colocar em nosso site.
— Sofia — Paula a chamou. — Desculpe ser inconveniente, mas qual seria o motivo de a senhora não ir com a gente?
— A apresentação de ballet da minha filha, será no teatro. — Bebericou o chá. — Vou deixar as fotos dela na rede social.
— Ai, que linda, vai ser Le Lac des Cygnes? — Julio falava francês fluente.
— Giselle, uma peça maravilhosa. — Gesticulou com as mãos.
— Ah, sim, eu vi quando estava em Paris. Parabéns.
— Obrigada. Estão dispensados, obrigada pela reunião.
— Ai, queria um dia eu poder cancelar um evento importante em Seul e ficar em São Paulo para ver a apresentação da minha filha.
, acho que você está meio perdida — Julio falou. — Ela vai para a França.
A garota olhou para a porta, se certificando que ela não estava mais perto.
— O quê?! Eu jurava que ela ia ficar aqui.
— Não, gatinha, está muito enganada.
— Meu Deus, eu vou voltar pro trabalho.
— Não esqueçam que viajamos nesta quinta — Lucas lembrou a todos.
— Tranquilo, não vou me atrasar. — Saíram da sala de reuniões, pararam alguns centímetros longe da porta. — Eu vou estender as expedições até quarta, não se preocupem em me esperar.
— Eu também, vamos voltar juntas, pelo menos — Paula avisou. — Quero sair daqui na quarta-feira mais cedo e com isso descansar melhor para o voo.
— Tô fora, onde já se viu se matar assim, sendo que o voo é longo? — Lucas saiu andando e balançando a cabeça.
— Esquentadinho. — deu a língua para ele e, como um gesto carinhoso, ele mostrou o dedo do meio. — É isso, vamos voltar ao trabalho. Até o almoço, pessoinhas.
— Até!
De volta à sua sala, ela continuou organizando o próximo evento. Os dias passaram a ser assim, corridos, para não ficar nada em falta. Todos os projetos finalizados eram passados para ela e depois encaminhados para Bellini. Entrava no horário e saía tarde, seu corpo pedia descanso já, e ainda era terça.
Por fim, a quarta-feira chegou, e com ela a tão merecida saidinha mais cedo. passou novamente na sala de Bellini para reforçar o aviso do horário que iria sair naquele dia — Paula fez o mesmo procedimento, porém horas depois. A manhã tinha começado mais friozinha, a chuva caía contra a janela do escritório, deixando o ambiente mais tranquilo para se trabalhar. Em seu laptop, ela verificava a previsão do tempo em Seul, ficava atualizando de cinco em cinco minutos.
— Como to ansiosa, credo! Nem parece que já fiz viagem de trabalho. Tomaria um chá, mas também to com preguiça de me levantar daqui. — Relaxou na cadeira, jogando sua cabeça no encosto. — O que tá acontecendo comigo?
O seu celular vibrou naquele instante. O pop-up mostrava a mensagem de Thais, deu pequenos pulinhos de alegria ao saber que era sua melhor amiga.

“Me fala, quando você vem? Vai ficar em Seul? Vai ficar em Busan?”
“Quanto tempo? esse fuso horário só atrapalhou meus planos de conversar com você, miga.”

A mania entre elas permanecia, nunca um “bom dia” ou “boa tarde”, muito menos um “tchau”. A conversa infinita durava anos e essa era a maior graça entre elas.

“Vou quinta-feira, vou ficar em Seul por três semanas, eu acho, não lembro, deixa eu ver aqui.”

Mexeu na agenda do celular onde havia deixado marcado o dia que retornaria e tornou a responder a amiga.

“Isso, três semanas. Vai para Seul?”

“Tentarei, o restaurante está muito movimentado esses dias.”

“Famosinha, né, quer o quê?”

“Prometo dar um jeito.”

“Eu também, preciso dar um abraço em você, estou ☠ de saudades”

“Se vier, tem comida de graça.”

“Meu Deus, eu vou muito!

Vou voltar a trabalhar, saio mais cedo hoje.”

“Me deixa atualizada quando entrar no avião e me passa o número do voo.”

“Claro, claro.”

“❤️”

— Que isso? — Esfregou os olhos. — Desde quando Thay manda coraçãozinho? Nem vou perguntar, o médico pediu para não contrariar.
Bloqueou o celular e o colocou ao seu lado. O resto da tarde foi angustiante, parecia não passar mais; os números marcados no relógio do computador demoraram para chegar às dezesseis horas em ponto, e quando o número virou, saiu correndo para bater o ponto.
Com a bolsa organizada, ela esperava o laptop desligar para fechá-lo, pegou seu tablet que de maneira alguma poderia deixar lá, e aproveitou para verificar sua glicose no aparelhinho. Depois de muito batalhar, ela conseguiu seu tão sonhado Freestyle Libre e isso facilitou tanto sua vida.
— Pronta? — Paulinha apareceu na porta de .
— Sim, podemos ir.
— Você está bem? — Viu a amiga guardando o medidor.
— Ah, só monitorando, como sempre, mas eu to bem, não se preocupe.
— Não irei. Você conseguiu a carta do seu médico?
— Peguei, ele fez uma carta digital e impressa e to com minhas insulinas prontinhas também, em outras palavras, estou mais do que apta para ir viajar.
— E pensar que eu nunca imaginei ter que me preocupar com isso. — Olhou para o celular enquanto falava com .

“Luca: Quero informar a todos que teremos modelos homens na passarela.”

— Olha que novidade, Luca acabou de mandar uma mensagem falando que terá modelos homens, a Sofia falou algo das roupas?
— Não me recordo, na verdade, ela não falou nada da coleção. Vejo isso em casa e mando para vocês, dá só um ok para ele, por gentileza.
— Beleza.

Pa: Ok, a minha love vai ver isso depois.

Julio: Espero que sua love não venha com novidades.

Pa: Aí já não é problema dela, é nosso, mas nada que a gente não dê um jeito. Vai, time!

— “Vai, time”. Eu to achando que a influenciou demais a Paula. — Julio estava na sala de Lucas.
— Deixa ela, ela é uma fofa quando fica assim.
Julio mediu de cima a baixo Lucas e depois se retirou da sala, compreendeu muito bem o que ele quis dizer, mas, para não causar nada na véspera da viagem, ele só saiu, deixando o amigo de trabalho sem compreender nada.

estava em casa. Após um banho fresco, ela deixou o café passando na cafeteira e retornou ao banheiro para colocar o adesivo da glicose. Com cuidado, ela tirou o papel que protegia a cola e aplicou no lugar onde tinha feito a assepsia.
— Ui, essas agulhadinhas, viu. — Respirou, aliviada, por ter terminado.
Com um sorriso no rosto, ela começou a arrumar suas malas, escolhendo cuidadosamente cada peça de roupa. Queria estar perfeita para a viagem e cada detalhe contava. pegou seu celular e abriu o aplicativo de monitoramento de glicose, conferindo se tudo estava em ordem. Enquanto tomava seu café, ela acomodou-se no sofá e assistiu, pela milésima vez, seu dorama de conforto, Weightlifting Fairy Kim Bok Joo.
A saudades da Coreia enfim iria diminuir, poder retornar ao país que se tornou tão querido através de histórias e k-dramas e o principal: fazer o trabalho que ela amava com a melhor equipe e poder reencontrar Thay. Seul a aguardava.

💜

acordou mais cedo do que qualquer outro dia, verificou mais uma vez suas malas, principalmente a mochila que carregava consigo dentro do avião. Checou os adesivos, sua glicose no momento pelo aplicativo que instalou no celular, todas as insulinas e também a carta de liberação do médico, se realmente estava ali dentro. Solicitou um carro para levá-la até o aeroporto enquanto colocava a mala no elevador.
— Boa madruga, senhor Ortiz.
cumprimentou o porteiro, ela parou do ladinho da cobertura, pois a garoa começou a aumentar.
— Senhorita , achei que você fosse sair mais tarde para o trabalho.
— Hoje eu viajo a trabalho, minha mãe vai ficar cuidando da casa, então, se você vir a janela aberta, está tudo certo. — Riu.
— Não vou precisar avisar o síndico, está anotado. Coloque sua mala aqui dentro, vai molhar ela aí fora.
— Obrigada. — A puxou mais um pouquinho. — Eu não quero chegar atrasada ao aeroporto. — Olhou o aplicativo.
— Com essa garoa, pode ter certeza de que a tendência é parar.
— Ai, nem me fale, senhor Ortiz, quero chegar logo ao aeroporto.
— É aquele?
Ela forçou a vista para ler a placa do carro e o sorrisinho de felicidade apareceu no rosto.
— É sim! Obrigada.
— Não precisa agradecer e boa sorte.
— Obrigada!
Passou rapidamente pelo portão social e caminhou até o carro, o motorista desceu e ajudou a mulher a guardar a mala — ela permitiu isso depois que confirmou ser o motorista.

: Bom dia!
Estou a caminho do aeroporto. Até!



Brasil

2024

Aeroporto de Guarulhos. Lindo e maravilhoso, muito mais lindo do que antes, essa é a verdade. Amava ver os aviões manobrando e prestes a levantar voo, e todas as vezes que ia até um aeroporto ou passava perto, seu coração palpitava ao se recordar do seu sonho de garotinha em ser uma pilota de avião.
De longe, viu uma pessoa acenando para ela, era Paula. Tinha chegado primeiro que todos e era também a única que mandou emojis no Clovy. As duas cumprimentaram-se e foram até o balcão para fazer o check-in.
— Estou ansiosa — Paulinha falava, mexendo no passaporte. — Nem sei como explicar, meu coração não tá nem um pouquinho bem.
— Sei como é, fiquei assim quando fui para Busan, quando tudo ainda era mato. — As duas riram da expressão de . — E pensar que agora voltarei depois de dez anos, tudo tá diferente, não consigo deixar de imaginar.
— Você já era fã de tudo?
— Naquela época não, não como hoje. Eu tenho a Thais comigo desde que tínhamos cinco anos, a família dela é coreana e tudo que eu aprendi foi com ela, o idioma, costumes, culinária. — Sorria igual a uma criancinha ao se recordar. — Digamos que banda, dorama, maquiagens e afins é só um plus.
— Nossa, eu queria ter uma amiga assim, deve ser tão bom.
— É… — suspirou, morrendo de saudades. — É a minha melhor parte, quando eu me casar, ela será sem dúvidas a melhor madrinha, arrumo um nome só para ela.
— Vinte e cinco anos de amizade.
— É mais para encheção de saco do que outra coisa. Ah, nós vamos ao restaurante dela, você vai amar, fica em Busan, mas é tranquilinho.
— Uh, comer em um restaurante de uma chefe bem renomada. Ah, os meninos. — Apontou na direção deles. — Estão atrasados, fizeram seus check-ins?
— Feitos, podemos ir para o portão de embarque, logo vamos entrar no nosso voo.
As garotas concordaram com Lucas. Aproveitando esse pequeno intervalo, ela avisou seus pais e sua amiga que já estaria no voo e retornaria as mensagens aos poucos.
O voo seria de primeira classe para todos, dando o maior conforto para eles durante as trinta horas de voo — aproximadamente. As primeiras quatorze horas foram relaxantes, recuperou as horas de sono perdidas. O serviço de bordo foi impecável, com um cardápio gourmet que oferecia opções variadas. optou por um prato de massa com molho de tomate fresco e ervas, acompanhado por um vinho tinto encorpado. Mexeu um pouco em seu celular, conversou com Paula e ressaltou as belezas das ruas e o sabor das comidas de Busan; no horário do café da tarde, comeu algo mais leve para o momento: um delicioso iogurte com frutas frescas. O iogurte era cremoso e as frutas, que eram uma mistura de morangos, kiwi e manga, trouxeram um toque refrescante.
Durante o voo, ela aproveitou o sistema de entretenimento a bordo. Filmes e séries puderam ocupar seu tempo e a deixar mais tranquila. No meio do filme, ela escutou a comissária de bordo avisar que estavam prestes a pousar para a conexão, o destino: Dubai.
Caminhou um pouco pelo aeroporto de Dubai antes do tempo terminar. Admirou as lojas de luxo e os restaurantes sofisticados, o perfume dos pratos árabes se exalavam até a porta, despertando seu apetite. Para ao menos saciar um pouquinho, ela passou em uma cafeteria e pediu um chá e uma pequena porção de húmus. Enquanto aguardava o embarque, refletiu sobre a beleza de Dubai, com suas construções impressionantes e a fusão de culturas.

As próximas oito horas seriam uma eternidade para ela, a vontade de ver sua amada Coreia do Sul pela janela. Seu jantar foi de saborear, um cardápio coreano foi servido aos passageiros. pediu para ela japchae e sopa de kimchi e também deu essa mesma sugestão para Paula que nitidamente estava confusa e não conseguia escolher qual prato.
Finalmente, a equipe aterrissou no aeroporto de Incheon. A brisa, o aroma, o idioma, se sentia em casa. Paula grudou ao lado dela e não saiu mais, tentava repetir todas as palavras que falava, a garota a admirava mais que qualquer outra mulher. Andavam pelo aeroporto, conversando sobre o local, esperando Julio terminar de confirmar as reservas no hotel onde eles ficariam. Houve um problema que nem ele mesmo chegou a explicar, mas que, segundo ele, tudo ficaria bem.
olhou para a frente, depois de esconder os dentes ao rir de alguma coisa que Paula falou, e seus olhos se encheram de lágrimas. Não conseguia acreditar que ela arrumou um tempinho em sua agenda movimentadíssima só para buscá-la no aeroporto. Deixou a mala do lado de Paula e saiu correndo para abraçar Thay.
— Eu não acredito, você veio!
Abraçou Thais tão apertado que jurou sentir um leve tapinha no braço, pedindo para ela abraçar mais fraco.
— Eu nunca deixaria você chegar aqui e não ser bem recebida. — Thais se afastou da amiga e a olhou, uma rápida análise. — Você está tão linda, ai, minha pequena. — Abraçou novamente.
— Não exagera, vai. — Riu. — Deixa eu apresentar minha equipe. — Olhou para trás, vendo se os homens já estavam próximos. — Essa é a Paulinha, a mais caçula do time. — Riu. — Paula é a nossa produtora de moda, uma mulher talentosa. Lucas é o nosso melhor fotógrafo, não há nenhum melhor que ele, e o não tão menos importante, nosso diretor de casting, Julio! Ele é magnifique.
— Muito prazer conhecer vocês, sejam bem-vindos à Seul, espero que gostem daqui como eu fiz essa cabecinha de vento gostar.
— Amar — ela corrigiu.
— Bom, amar, como ela disse.
— E essa, gente, é a minha metade coreaninha, Thais.
— Oi, Thais, é um prazer conhecer você — Lucas a cumprimentou.
— Você é dona de um restaurante, né? — Paula perguntou disparado.
— Ah, sim, sou, fica em Busan.
— Você já atendeu alguns idols?
— Ai, começou. — Lucas revirou os olhos. — Podemos ir?
— Vamos andando — falou.
— Te respondendo, sim, já foram muitos idols. — Sorriu, se recordando do primeiro idol que foi até lá.
— Pode contar como foi? E qual foi o primeiro?
— Bom, o primeiro que eu conversei e atendi foram os meninos do SF9. — Viu os olhos da garota brilharem. — Vai lá, aí você vê um mural que coloquei onde todos os idols deixaram uma fotinho.
— Vou sim. — Pararam do lado de fora do aeroporto. — Um táxi. — Fez o sinal. — Podem ir nesse, eu vou no outro.
— Achei que estava com o carro.
— Ah, não, ele ficou arrumando, rotina. — Viu concordar. — Nos encontramos depois, quando vocês estiverem descansados.
— Tá bom, eu te ligo.
— Fico no aguardo, tchauzinho, gente.
— Tchau!
— Bom… — Viu que todas as malas já estavam no porta-malas. — Vou atrás de qualquer coisa que eu ajudo vocês a se comunicarem.
Lucas sorriu e entrou no carro seguido de , Paula e Julio. Acomodaram-se rapidamente nos bancos de trás; o motorista, um senhor muito simpático, os levou até o hotel.
As luzes da cidade refletiam na janela do carro o reflexo da cidade que ela só conheceu por fotos e vídeos. Abriu um pouquinho o vidro e sentiu a brisa entrar pela pequena frestinha. Um sorriso desenhava seus lábios, as luzes em neon brilhavam e dançavam no momento que a velocidade do carro aumentava; muitas coisas passavam em seus pensamentos, algumas memórias retornaram para si e pensou se seria possível… Não, não seria possível, ela deu uma leve batidinha em sua cabeça para afastar a ideia maluca.
Finalmente o carro parou em frente ao hotel. O sol estava querendo nascer, aquele friozinho de outono pegou um pouco desprevenida , a fazendo se encolher em seus próprios braços. Agradeceu o motorista e deu um pequeno bônus a ele que agradeceu com um grande sorriso; ele a reverenciou em gratidão, , por sua vez, com um sorriso genuíno, se inclinou levemente, fazendo a mesma reverência respeitosa.
— Ai, caramba, por que vocês não me chamaram? — chegou perto da equipe segurando sua bolsa mais perto de si enquanto deu uma corridinha. — Ou, sei lá, me esperado.
— Você estava muito encantada com o céu, fiquei com dó de te acordar do seu sonho.
— Ai, Lucas, você já foi mais delicado.
— Esse é o de vocês. — Entregou o key-card para as mulheres. — Sofia deixou reservado dois quartos, não é presidencial, mas vocês vão gostar.
— Agradecida! Vamos, . — Pegaram suas malas. — Se o desfile é no dia 27, você acha que dá para fazer algumas coisinhas amanhã?
— Quer sair, né?
— Com toda a certeza! Quero ir às lojas, testar as maquiagens, comer nos restaurantes. — Seus olhos brilhavam.
— Conseguimos fazer isso tudo amanhã, temos tempo suficiente. — Entraram no elevador. — Deixa tudo organizadinho, viu, e se quiser sair sozinha me avisa, tá bom?
— Você tá falando como se fosse minha mãe.
— Não é isso. — Saíram no andar que ficariam hospedadas. — É que mesmo aqui tendo mil e uma seguranças, temos que ficar atentas, e eu prezo pela segurança. — Destrancou a porta.
— Eu sei, só não se preocupe muito, vai ficar com rugas de preocupação. — Segurou a risada.
— Essa carinha aqui nem aparenta ter trinta anos, quem dirá se algum momento eu tiver rugas. — Mostrou a língua. — São dois quartos, qual você vai querer ficar?
— A vista é praticamente a mesma, posso ficar com esse — disse, entrando no quarto. — Vou arrumar minhas roupas e vou tomar um banho.
— Ok.
deixou a mala perto da cama e foi abrir a janela, aquela vista era mais linda pessoalmente, ainda mais com o comecinho da manhã; era um convite irresistível para poder andar um pouco e depois retornar para o hotel depois.

“Que horas você se referiu para eu estar descansada?”

Encaminhou a mensagem, esperando-a responder rapidinho.

“Não me fala que você já está descansada”

“Siim!

Você está muito longe?”

“Eu acabei de chegar da estação de Busan Station”

“Mas já?”

“Sim”

bateu o celular na palma da mão, pensando no que poderia fazer.

“Eu vou até aí, então, me espera aí!”

“Te espero, vamos comer no meu restaurante.”

“Uuu, vou ser a primeira a receber uma refeição da mestre Thais.”

“Para de besteira e sai logo do hotel.”

— Nunca vi essa garota enrolar tanto para sair do hotel. — Thais se segurava para rir no meio da plataforma.
Thais procurou um lugar que aumentasse seu apetite e também aproveitou para comprar os dois bilhetes para o Busan Station, esperaria por mais vinte minutos ou até mesmo trinta.

💜


colocou o casaco mais quente depois que olhou a previsão do tempo e saiu, deixando um bilhetinho na mesa ao lado da garrafa de água para Paula. Antes de sair, fez a troca do adesivo do medidor de glicose e verificou se estava tudo certo. Ela parou um táxi para ir até a estação de Seul e encontrar logo Thais.
Foram os vinte minutos mais rápidos de sua vida, estava animadíssima para poder andar novamente por Busan. Entrou na estação, procurando Thais sentada em algum lugar. Desbloqueou o celular para ver se tinha recebido uma mensagem, mas foi levemente surpreendida por ela parando ao seu lado.
— Oie!
— Ai, Thay. — Sorriu. — Pode ao menos chegar cautelosamente?
— Não, claro que não, aí não tem graça.
— Dá para perceber.
— Comprei para você. — Entregou um rolinho de kimbap e um leite fermentado. — Mas eu comi a outra metade. — Riu sem graça. — Mas comprei só isso, porque vamos comer lá no restaurante.
— Para, eu aceito só esse lanchinho. Me diz uma coisa: onde eu compro meu bilhete?
— Ah, não se preocupe, eu já comprei, só preciso que você ande um pouquinho rápido, não quero perder o KTX.
— Então vamos.
Começaram a andar em passos rápidos para ir até a plataforma. deixou o leite fermentado na bolsa e guardou o restante do kimbap e só seguiu Thais, deixando ela fazer tudo e tentando não atrapalhar. Elas estavam dentro do KTX apenas desfrutando do conforto do assento, e esperando a viagem terminar, um percurso longo, mas lindo.
Ela colocou seus fones e só ficou acompanhando a paisagem passar, o dia, o movimento dos passageiros. Não faltava vontade de ver alguém especial ali.
, vem, vamos descer — Thais comunicou a amiga bem baixinho. Ela a seguiu e saíram do vagão.
— Estamos em Busan, agora vamos pegar mais um para chegar em Gwangan.
— Ai, minha querida Busan. — Respirou profundamente, renovando o ar em grandes lembranças.
— Vê se fica perto, viu, você sabe se comunicar, mas não é daqui.
— Pode deixar, para onde vamos?
Mesmo segurando no casaco de Thais, ela olhou para os lados, como se estivesse procurando alguma coisa.
— Procura algo?
— Hã? Não, claro que não.
— Ah, sei. — Deu um meio sorriso. — Vamos pegar esse e logo estamos no restaurante, é pertinho.
— Tudo bem. — Entraram.
— Como está sua glicose? — Thais perguntou para quase em um sussurro.
Pegou o celular e abriu o aplicativo, mostrando para a amiga o valor que marcava. O sorriso despreocupado mostrou que ela ainda se lembrava de manter todos os cuidados com depois de dez anos longe, fazendo o coração dela aquecer com o cuidado.

Estação de Gwangan.

Aquele solzinho não esquentava muito, mas estava tão agradável que desabotoou um dos botões do casaco. Voltou a comer o kimbap que tinha guardado na bolsa. A anos atrás ela não tinha ido até Gwangan, mas sabia que seria naquele bairro que Thais começaria seu negócio; ela tinha recebido fotos do local onde ela abriria o restaurante.
Da estação até o restaurante foi um caminho curto, em torno de cinco minutos elas já estavam na frente do restaurante.
— Chegamos ao meu restaurante.
Gwangan-ui dalkomhan jeontong.
— Olha só, não é que ela sabe ler.
— Você, eu só não brigo com você, pois estou com fome.
— Como sempre, seu primeiro pensamento é na comida. Vem, vamos entrar.
O letreiro estava tão lindo centralizado na fachada do restaurante. Thais destrancou a porta e entrou, dando passagem para a entrar. Uma das primeiras coisas que chamou sua atenção foi o painel com o nome do restaurante no centro e as fotos dos idols coladas em volta. Seus olhos passearam, admirados, pelo restaurante, as mesas e cadeiras em tons amadeirado médio, trazendo um contraste perfeito. A cozinha seguia um conceito aberto, apenas tendo uma meia parede de vidro deixado à mostra.
— Consigo imaginar você aqui. — Parou no meio das mesas. — Conversando com os clientes, agradecendo-os... Isso ficou tão lindo, a decoração simples e sofisticada, a bandeira do Brasil. — Olhou para a direção que estava pendurada, ficava acima da porta bem cuidada e limpa. — Está tudo tão lindo e perfeito.
— Obrigada, muito obrigada.
— Não precisa agradecer, eu estou tão orgulhosa de você, vem cá, me dá um abraço.
abraçou a amiga tão forte pelo orgulho que sentia dela. Soltando-se lentamente, ela sentou-se em uma mesa próxima à porta da cozinha e recebeu o cardápio da amiga. Passou as páginas, admirando o detalhe cuidadoso que Thais teve ao criar.
— Você colocou as informações de teor de açúcar, que fofa.
— Foi uma forma que achei de ajudar pessoas que precisam ter a informação da porcentagem de carboidratos, sinto que é mais do que necessário.
— Por isso que você está fazendo muito sucesso, chega a ser surreal sua ideia.
— Você está bem? — Viu a amiga concordar com a cabeça. — Vou preparar algo para você comer, se quiser entrar aqui, coloque a toquinha e lave as mãos.
— Você já era chata, mas agora... — riu. — Eu vou ficar aqui um pouco.
se levantou e foi até a parede que ela tinha comentado que fez. Ficou olhando, procurando um rosto familiar, tudo tão organizado e autografado, aquele leve suspiro apareceu depois de perceber que ele não chegou a ir até o restaurante.
— Procurando ele?
— Não, claro que não, só olhando mesmo.
— Pela segunda vez, porém mais detalhado, né.
— Thay.
— Você mente muito mal, .
Thay deixou a comida temporariamente de lado e foi até o balcão, abriu a gaveta e retirou um envelope de plástico, verificou se era mesmo o que estava procurando e depois chamou com a mão. Se aproximou do balcão, não estava entendendo nada quando recebeu o envelope de plástico. Dentro, tinha um papel que embrulhava outro papel.
— Mas eu não estou entendendo.
— Ele veio.
— Eu percebi. — Olhava a foto ainda. — Quando ele veio?
— Dois anos depois que eu abri o restaurante, vamos para a cozinha. — a seguiu. — Ele veio até aqui, disse que lembrava que você comentou sobre o meu futuro restaurante, mas que não se recordava do meu nome. — Estava cozinhando.
— Mas falou como se recordou?
— Por indicação de alguns idols que ele tem amizade.
— Ah, sim, eu achei que ele tinha se lembrado.
— Eu sabia, quando falei do mural, a luzinha acendeu na sua cabeça.
— Não é pra tanto.
— Thay colocou a colher e no descanso. — Você não me engana, você veio o caminho todo atenta para ver se o achava pelas ruas e também pela estação, você olhou para o mural mais de duas vezes. Você falou que estava descansada e está mesmo, dormiu quase o voo todo só para vir aqui.
tossiu, tentando esconder a vergonha que sentia. Ela tinha feito tudo isso e mais um pouco, e Thais jogou todas as cartas dela sem nenhum remorso.
— Onde tem água?
— Ali. — Apontou para a geladeira. — As de cima são sem gás.
— Ok.
— Tá melhor? — Ria da amiga. — Ou eu estou enganada?
— Em metade, sim.
— Enganada? — Colocou as tigelas na mesa.
— Não, eu fiz tudo isso, mas eu juro — levantou a mão direita — que vim para seu restaurante só para comer a sua comida.
— Essa parte é bem a sua cara, mas eu sei que você quer vê-lo.
— Na verdade, eu me pergunto se ele ainda se lembra de mim, ou se ao menos tem boas lembranças daquela época.
— Lembrar de você eu já não sei, depois que você voltou para o Brasil, eu abri o restaurante três anos depois. — Estavam já na mesa, Thais cortava a carne para elas. — E dois anos depois ele veio aqui.
— Cinco anos.
— Cinco anos.
— Então ele pode se lembrar, eu juro que não tô criando falsas esperanças. — Se deliciou com a carne. — Nossa, isso tá realmente bom.
— Obrigada. Eu sei que não está.
ficou em silêncio, apenas pensando nas coisas dos anos atrás. Ela tentou tirar informações que nem ela mesma conseguiu abrir o caminho, sua maior vontade era saber se ele perguntou por ela quando ele foi até o Gwangan-ui dalkomhan jeontong. Antes dela ir embora, eles trocaram o número para irem conversando, até e-mail ela chegou passar. Foram alguns meses conversando, sobretudo em um dia que ela foi assaltada, chegou a mandar mensagem para ele pelo e-mail, só que nunca teve retorno, então esperou que ele tivesse perguntado para Thais sobre ela e o sumiço repetindo.
— Você está bem?
— Estou, é… — bebericou sua água. — Se recorda de quando eu fui assaltada?
— Sim, o que tem?
— Foi dois anos antes dele vir para cá — se referiu ao restaurante. — Ele chegou a perguntar sobre mim?
Então Thais entendeu aquelas desconexões de palavras. Seu coração se apertou da mesma forma que ela se sentiria se fosse com ela, como dizer aquelas palavras sem machucá-la?
— Olha, amiga. — Segurou a mão dela. — Aquele dia ele não perguntou nada, ele apenas falou comigo, disse que veio aqui pela indicação do amigo dele e logo se recordou que era eu ao me ver. — Thais não mentiu em nenhum momento, muito menos omitiu aquele dia.
— E sobre a foto que não quer colocar no mural?
— Ele disse que teria o momento certo para isso e só pediu para aguardar, eu não imagino que momento certo seja esse.
mexeu no bap e apenas ficou olhando para a parede atrás de Thais, o desânimo tirou todo o seu apetite.
— Come, temos que fazer algumas comprinhas pro restaurante ainda, quero comprar alguns peixes e frutos do mar frescos.
— Tá bem.
Ela se animou um pouco, queria deixar de lado todas as ideias malucas que criou naquele milésimo de tempo. Terminou sua refeição, ajudou a lavar a louça e foi com a amiga até o mercado de peixe fazer as compras.
O bom foi que Thais não precisou levar tudo sozinha, e, mesmo naquele frio, não pôde deixar de comprar um sorvete de milho.
Busan era sua pequena casa na Coreia, então ela se sentia muito bem ali. Ficou até o horário do restaurante abrir para conhecer a equipe que trabalhava com Thais. Ao se despedirem, elas tiraram uma foto com a Polaroid e a mesma foto foi parar no mural.

💜


Aguardava o KTX parar na estação e voltar para Seul enquanto escolhia uma música para ser sua trilha sonora ao olhar o horizonte da janela, em pouco segundos ele chegaria. Parecia que ela nunca tinha sorte suficiente com transportes públicos, pois sempre dava um mínimo problema para ela conseguir sair no horário.
desviou sua atenção do celular e olhou para a frente, um movimento de costume que fazia quando estava na rua.
Aquela pequena visão que teve pareceu ser em câmera lenta, ela teve certeza de que viu Nam do outro lado da plataforma. Deu alguns passos para o lado, tendo esperança de que eles poderiam se ver e de alguma forma marcar um local para conversarem. Porém o trem parou por toda a extensão, já era de se esperar, mas tinha um por cento de esperança que conseguiria vê-lo.
Xingou com todos os nomes possíveis e imagináveis e deu as costas para o trilho e respirou fundo, estava ficando bem chata aquela situação. Ela apenas escutou o KTX se aproximar e se ajeitou para entrar nele.

“Thay!
Thay eu vi ele.”

Em questão de segundos, ela respondeu as mensagens de .

“Ele quem, mulher?”

“Nam Joo-Hyuk.”


Eu falei para você não criar expectativas.”

“Eu não criei.
Mas eu vi ele aqui na estação.”

“Tudo bem, nós depois procuramos ele por aqui.
Se incomoda de ser depois?”

“Não, claro que não.”

“Então combinado, até, amiga.”

Retornar para o hotel com aquele belíssimo momento trouxe esperanças que havia sumido por um tempo. Seu coração queria acreditar que era ele, mas no fundo sabia que teria que confiar na razão; a vontade de vê-lo era grande e isso poderia a ter feito vê-lo em outro homem.

Thay acabava de virar a plaquinha, avisando que seu restaurante estava aberto. Naquele dia, sua animação estava contagiante, a volta de sua amiga para Busan a estava deixando encantada. Aos poucos, o restaurante foi se enchendo, alguns ela conseguia cumprimentar, já outros não, pois precisou amparar a cozinha.
Pedidos e mais pedidos. Ela dava o máximo de si para deixar todos os pratos com o toque único, que no momento de cada cliente saborear a comida, se sentisse abraçado pelo sabor da receita. O sininho tocou e mais um cliente entrou para saborear o tempero de Thay. Uma das garçonetes se aproximou, entregou o cardápio e ficou ao lado dele explicando os pratos — como faziam de costume.
— Realmente, não querendo parecer grosseiro — avisou —, mas conheço o restaurante, obrigada por explicar.
— Por nada. — A atendente sorriu. — Qual será o seu prato do dia?
— Por hoje só um bulgogi.
— Ok, então, logo trarei.
Sorriu para ele e entrou na cozinha, colocou a comanda no suporte e ajudou no preparo. Thais olhou a comanda e leu o pedido, era muito simples para o que estava acostumada a fazer. Foi então que se recordou da única pessoa que pedia esse prato. Espichou o pescoço para fora da cozinha e um sorriso divertido tomou conta de seus lábios.
— Ele não falou nada? — Thais perguntou.
— Hã?
— O dono desta comanda. — Apontou. — Ele não falou mais nada além do prato que ele quer?
— Não. — Quase hesitou em responder. — Eu tinha que fazer mais perguntas?
— Não. — Sorriu para a garçonete ficar mais tranquila. — Na verdade, ele sempre pede algumas coisas a mais, ele é cliente fiel da casa, vou lá conversar com ele, você pode terminar aqui?
Thais perguntou para um assistente ao lado dela.
Thais entregou o prato ao assistente ao lado e caminhou até a mesa. Conhecia tão bem o pedido que não precisava de nome, nem de descrição de roupa. Parou diante dele e abriu um sorriso.
— Esse boné pode enganar todo mundo… menos eu.
— Como se essa fosse minha intenção — ele riu de volta. — Como você está? Tá bem movimentado.
— Eu tô ótima. Aqui tá cheio, a casa não para e todo mundo sai elogiando. Estou no meu melhor momento. Sabe quem está aqui?
— Aqui? Tem fotógrafo rondando? — Ele olhou ao redor, desconfiado.
— Não nesse sentido. Me refiro a alguém que você conhece, Nam.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, até que a lembrança surgiu como um feixe de luz. Ela. tomou conta de seus pensamentos e seu semblante mudou, o que não passou despercebido por Thais.
— Ela está aqui. voltou pra Busan.
— Desde quando?
— Hoje. Chegou hoje. Eu ia avisar, assim vocês se encontrariam.
— Não! — quase gritou, apressado. — Ainda não. Eu tô prestes a entrar em uma pequena semana de férias, muito breve. Me deixa terminar esse último trabalho e depois a gente se encontra. Você pode ajudar.
— Nam, eu não sei quanto tempo ela vai ficar.
— Vai dar tempo, não se preocupa.
Thais arqueou as sobrancelhas, impaciente.
— Você é grandinho, sabe das suas escolhas. Mas vocês têm muita coisa pra resolver.
— Thais…
— Vai dizer que não? Tô mentindo agora? Era só o que me faltava.
Sem esperar resposta, ela retornou à cozinha. Pegou os próximos pedidos e deixou que os ajudantes treinassem justamente no prato dele. Estava irritada — e, pela primeira vez, deixou claro. Sempre que Nam Joo-hyuk aparecia, perguntava por . Sempre. E mesmo quando ela dizia onde a amiga estava, ele preferia adiar, inventar desculpas, como agora.
Dessa vez, Thais não levou o prato até a mesa. Deixou que outro fizesse o serviço, mostrando sem disfarces o quanto estava indignada com a atitude do ator.

💜


No fim da tarde, já cansada do seu trabalho e apenas deitada na cama passando os stories da rede social sem ao menos prestar atenção, a notificação despertou um sorriso e ela se virou na cama. Agarrou o travesseiro ao seu lado e respondeu sua amiga.

“Tá acordada?”

“Tô, porém estou só o pó também.
Você queria me levar pra sair?”

“Com toda a certeza, mas vejo que a senhora não tem mais o pique de antes.”

“Sou uma senhora velha de 00.”

“Socorro 😂.
Vamos amanhã, então? Tem tempo?”

“Amanhã, hoje não, hoje eu só quero pensar em como vou lidar com a falta de um modelo.”

“Ué ?!”

“Um modelo coreano que tínhamos, ele acabou desistindo do desfile, com isso estamos desfalcados, e esse desfile é tudo para a Bellini.”

“Ai, amiga”.

“Ai mesmo, eu só queria dormir para esquecer esse problema, mas eu não consigo, nem isso e nem hoje mais cedo.”

“Hoje…?”

“Já vi que se esqueceu.”

“Ah, o Nam, você tem certeza de que era ele?”

“Nunca me enganaria.”

“Amanhã veremos se achamos ele, pode ser? Só relaxa, já que não conseguimos sair hoje.”

“Amanhã eu trabalho só meio período, aí podemos sair.
Acabei de saber disso”.

E era verdade. Ela tinha visto a mensagem no grupo: por algum motivo inesperado, Bellini avisara que todos poderiam trabalhar apenas meio período. Talvez fosse o fuso horário, talvez outro motivo qualquer. Mas, quando ela determinava algo, podia até mudar o calendário — virava quase um feriado internacional.

“Ok, então, está mais do que combinado. E nada de falar que você está cansada.”

“Pode deixar, senhora Thais. Vamos sair e ir aonde você quiser.”

“Gosto assim. Manda quem pode, obedece quem tem juízo.”

“Você tem sorte de estar falando comigo pelo Clovy… Vou dormir, amiga, tô bem cansada.”

“Tá bem, bom descanso, se cuida, . Boa noite.”

“Obrigada, você também. Boa noite.”

deixou o celular na mesinha ao lado da cama e se ajeitou. Queria aproveitar aquele raro momento de paz. Virava de um lado para o outro, tentando afastar os devaneios que insistiam em ocupá-la. Colocou, sem muita convicção, um ruído branco para ajudar a relaxar. Logo, os olhos pesaram, o corpo foi cedendo, e ela adormeceu abraçada ao travesseiro.

O sol nascia no Oriente, aquecendo a manhã como um abraço aconchegante. caminhava pelo set, onde montaram a estrutura da passarela e todo o conceito do desfile. Como sempre, checava cada detalhe com atenção, até parar no ponto de saída dos modelos.
Lá estava Bellini. Postura imponente, olhar impaciente e sério. Nas mãos, o tablet com a relação de falhas do desfile.
se aproximava, sentindo o peso daquela presença. Sabia bem o quanto a ausência de um modelo comprometia, principalmente para uma das peças-chave do vestuário masculino.
— Senhora Bellini, eu…
— Não me venha com desculpas! — A voz dela cortou o ar como uma lâmina. — Eu confiei esse desfile a você, e o que recebo em troca são justificativas esdrúxulas?
O coração de disparou, um arrepio lhe percorreu o corpo. As pernas tremiam. Tentava responder, mas a voz simplesmente não saía.
De repente, abriu os olhos com um sobressalto. Estava no quarto de hotel, respirando rápido, o suor frio escorrendo pela testa. Levou alguns segundos para entender: tinha sido só um pesadelo.
Sentiu-se fraca, a boca seca, a visão levemente turva. Conhecia bem aqueles sinais. Com as mãos trêmulas, pegou o kit ao lado da cama e verificou a glicemia: o nível estava alto, um pico de hiperglicemia. Suspirou, tentando afastar a sensação de fraqueza que ainda percorria o corpo.
— Não vou deixar a falta de um modelo ser o motivo da Bellini gritar comigo — falou em voz alta, firme, como se precisasse convencer a si mesma.
Hidratou-se, respirou fundo e deixou que a determinação substituísse o medo do pesadelo. Prendeu os cabelos, escolheu a roupa e se vestiu rapidamente, cada gesto carregado de foco. Ao olhar no espelho, viu os olhos ainda marcados pelo sono, mas brilhando com decisão.
— O desfile é amanhã… — suspirou, mexendo no tablet enquanto refletia. — Um modelo, ao menos um, já deve ter sonhado em desfilar pela Bellini.
Silêncio. O peso da situação pairava no ar, todos sabiam que não havia margem para erros. Paula cruzou os braços, nervosa.
— Se a gente não encontrar, Bellini vai acabar com todos nós.
ergueu os olhos, séria. A lembrança do pesadelo da noite anterior a atravessou como um raio, mas ela sacudiu a cabeça, afastando a sombra daquele medo.
— Não. — Sua voz soou firme. — Eu não vou permitir que esse desfile desmorone por causa de um único detalhe.
Levantou-se da passarela, andou de um lado para o outro, o tablet em mãos, os dedos passando rapidamente pelas opções. Uma ideia começava a nascer, ainda vaga, mas forte o suficiente para fazê-la respirar mais fundo.
— Se não encontramos nas agências, vamos procurar fora delas — declarou. — Tem muita gente boa por aí só esperando uma chance. E quem melhor do que nós para oferecer essa chance?
Paula arregalou os olhos.
— Você quer arriscar colocar alguém sem experiência na passarela da Bellini?
— Prefere arriscar Bellini descobrir que não conseguimos ninguém? — rebateu , quase estava entrando em surto.
— É a única saída agora, uma plausível — Julio interferiu na conversa. — Deve haver algum site, por sorte temos você que pensa melhor que eu nesse estado.
— Eu penso em tudo pra não ver aqueles olhares da Bellini. Procurem um modelo com boa descrição e boa avaliação, mesmo sendo novato, podemos ser a porta dele para mais desfiles e ele poderá falar isso com o peito cheio.
Ela respirou fundo e se levantou. Precisava finalizar outras coisas que estava na lista do seu tablet, avisou Julio para procurá-la quando tivesse uma resposta do modelo substituto.
O set virou um formigueiro inquieto. A equipe de iluminação ajustava refletores, o som testava as trilhas, Paula falava com três pessoas ao mesmo tempo, e … continuava firme, apesar do corpo ainda reagindo ao pico de glicemia daquela manhã.
Ela respirava fundo sempre que a cabeça latejava — não podia fraquejar.
! — Julio surgiu quase correndo, segurando o celular como se fosse um documento sagrado. — Acho que encontramos alguém.
Ela ergueu o olhar imediatamente.
— Me mostra.
Ele entregou o celular. Não havia fotos, só um perfil profissional com as informações básicas: altura, medidas, experiência prévia, avaliações positivas de trabalhos discretos, mas muito bem executados. Uma descrição objetiva, quase fria — mas impecável demais para ser casual.
“Modelo masculino. 1,88m. Passarela limpa, postura marcante. Treinamento em editorial e passarela comercial. Avaliação: 5 estrelas. Comentários sobre profissionalismo e presença.”
Nenhuma imagem, nenhum nome artístico — só “J.H.” como identificação.
Justo o que ela tinha pedido: zero pista visual, nenhuma impressão antecipada.
lia cada linha com atenção e algo dentro dela relaxava, mesmo sem saber exatamente o porquê.
— Ele tem disponibilidade? — ela perguntou, mantendo o tom profissional.
— Sim — Julio respondeu. — Quando falei sobre a Bellini, ele aceitou na hora. Já está vindo para o fitting. E não citei você em nenhum momento.
— Ótimo — ela respondeu, deixando o ar enfim escapar. — Vamos preparar tudo. Quero que ele prove o terno ainda hoje. Se servir como eu imagino, amanhã ele abre o desfile.
Paula sorriu, quase esperançosa:
— Alguma chance de você descansar antes da prova final?
negou com um meio sorriso cansado.
— Não posso. Se ele realmente entrar na passarela amanhã, eu preciso revisar cada detalhe. Cada luz, cada dobra, cada passo.
Ela fechou o tablet, firme.
O mundo podia desabar, mas o desfile da Bellini não.
— Julio, quando ele chegar, me avisa. Quero vê-lo só quando tudo estiver pronto. Nada de criar tensão antes da hora.
— Pode deixar.
E, assim, a noite caiu sobre Busan enquanto a equipe trabalhava sem parar, preparando o dia que definiria tudo. se sentia mais calma, não teria nenhum problema e tudo foi resolvido como deveria ser. Para fechar a noite, conversou com sua amiga e a convidou também para o desfile, enviando uma entrada vip.

💜


verificou sua porcentagem de glicose pelo aplicativo, organizou sua bolsa de trabalho. Seu look estava deslumbrante, um vestido nude com leves realces de brilho. O salto trazia o contraste perfeito junto de suas joias e o casaco carregava no antebraço.
A porta do elevador se abriu e ela deixou um sorriso genuíno aparecer em seus lábios, Thais a estava esperando para poderem ir juntas.
Jo-eun achim! Eu achei que você iria pra lá direto.
— E deixar você ir sem a minha companhia?
riu com a resposta.
— Tudo bem, vamos, assim podemos ir andando devagarinho.
— Você vai andando?
— Sim. — Saíram do hotel. — Por quê?
— Eu vou deixar meu carro onde?
— Carro?
— Eu comprei um. — Tirou a mão do bolso e balançou a chave do carro. — Além de pegar o meu VIP físico, vou levá-la até lá, onde estão todos?
— Ai, que orgulho de você. — Abraçou. — Você merece isso e muito mais.
Thais mostrou qual era o carro, elas entraram e foram para o local do evento.
Lindo e deslumbrante, Thais se impressionou ao entrar. O crachá VIP pendurado no pescoço balançava levemente enquanto ela seguia para todos os lugares praticamente. Avisou que ficaria nas cadeiras, aguardando o início do desfile.
agora estava totalmente concentrada. Tudo começaria em dois minutos. Ela se ajoelhou por um instante, fechou os olhos e fez uma breve oração, voltando imediatamente ao trabalho. Tudo corria exatamente como planejado: as luzes, o cenário, cada detalhe que Paula havia cuidadosamente organizado. Os elementos minimalistas do Brasil davam destaque às roupas; a areia espalhada pela passarela remetia às belas praias, enquanto as flores cuidadosamente selecionadas por Sofia preenchiam o ambiente com um toque de vida e frescor.
— Tudo certo, esse é o nosso grande momento. — Paula parou ao lado de .
— Chame todos, por favor.
Ela assentiu e informou à equipe que queria uma rápida reunião antes do desfile.
— Obrigada por terem vindo tão rápido. Quero agradecer a todos pelo apoio. Sei que esta viagem é especial para cada um de nós e, além de sermos uma grande equipe, somos amigos, e é isso que nos torna fortes e especiais. Se acontecer qualquer imprevisto durante o desfile, mantenham a calma. Vamos resolver tudo. E, se precisarem, gritem para qualquer um de nós. Boa sorte!
A pequena gritaria de incentivo veio acompanhada de abraços calorosos. Tudo parecia perfeito. As modelos começaram a entrar, desfilando cada peça com maestria e sutileza. Os modelos masculinos se adaptaram rapidamente aos detalhes das roupas, transmitindo elegância e confiança.
Então, um efeito especial começou a acontecer: bolhas de água com aromas tropicais flutuavam pelo ar, refletindo a luz de maneira mágica e trazendo um frescor inesperado à decoração.
estava do outro lado do início da passarela, atrás das cortinas, observando cada modelo entrar e sair, parabenizando e incentivando. Foi quando uma grande quantidade de folhas passou à sua frente e, ao desaparecer, revelou algo que ela não esperava. Ela parou, a boca entreaberta, segurando o tablet com força contra o peito. Era ele: Nam Joo-Hyuk.
Ele não sabia mais como reagir. Aquele encontro que ele evitara alguns dias atrás finalmente acontecia, por obra do destino. Seu corpo só obedecia ao que já estava acostumado: ela andou até o início da passarela sem desviar o olhar, acompanhou cada passo dele enquanto desfilava e, quando ele voltou aos bastidores, já não estava mais lá.
Respirou fundo, caminhou até o backstage e tomou uma garrafinha de água quase de uma só vez. Precisava recompor-se e agir naturalmente.
O desfile terminou. Tão perfeito quanto qualquer outro. Todos os modelos subiram ao palco para receber os aplausos em nome da Bellini Luxe… todos, menos um.
Rapidamente, juntou suas coisas e puxou Thais para fora do local do evento. Precisava conversar, gritar ou, ao menos, entender se Thaís sabia o que tinha acontecido. Mas para sua surpresa…
.
O nome soou tão bem no sotaque que ela se estremeceu. Os olhos brilharam e sua mão apertou ainda mais a bolsa.
— Vai, eu me viro com o restante das coisas aqui. — Thaís nem deixou que ela pensasse. — Vai, anda!
E, com um empurrão gentil, conduziu-a diretamente em direção a Joo-Hyuk.
Caminharam lado a lado até um pequeno jardim que se escondia entre os corredores do evento. Ainda não haviam trocado uma única palavra; cada um parecia esperar que o outro tomasse a iniciativa, como se a fala por si só pudesse romper o tempo que passou.
, eu… — ele respirou fundo, reunindo coragem. — Queria pedir desculpas. Foram dez anos… e me desculpa por ter sumido, por não ter retornado. Eu fiquei com receio. Não sabia se era recíproco, se conseguiria lidar com a distância. — Virou-se ligeiramente para ela, procurando nos olhos dela algum sinal. — Eu nunca pensei em te magoar. E se você não aceitar minhas desculpas, vou compreender.
parou por um instante, surpresa com a sinceridade que transbordava da voz dele. Aquelas palavras, carregadas de arrependimento e vulnerabilidade, soavam mais reais do que qualquer desculpa que pudesse esperar. Seu coração, ainda acelerado pelo choque do desfile e pela tensão do encontro, parecia agora oscilar entre raiva, alívio e uma pontada de emoção que ela não queria admitir.
Ela ergueu o olhar, encontrando os olhos dele, profundos e sinceros, e sentiu algo que há muito tempo não sentia: a familiaridade de uma conexão que não se desfaz tão facilmente, mesmo após anos de silêncio. Um silêncio pesado pairou entre os dois, carregado de tudo o que ficou não dito durante a década passada.
— Nam… — a voz dela saiu baixa, quase um sussurro, mas firme o suficiente para atravessar o espaço entre eles. — Eu… não sei nem por onde começar. — Engoliu em seco, tentando ordenar os sentimentos confusos. — Mas, ouvir você dizer isso… não dói tanto quanto eu pensei que doeria.
Ele deu um passo mais próximo, mantendo o respeito pelo espaço dela, mas sem se afastar do que ambos sentiam naquele momento.
— Então… — murmurou, com um sorriso que misturava timidez e esperança — podemos, talvez, tentar… reconstruir alguma coisa? Sem pressa, sem pressão, só… devagar.
fechou os olhos por um instante, respirando fundo, sentindo o vento leve do jardim misturar-se com a confusão de emoções dentro dela. Quando os abriu, encontrou nele algo que a convidava a acreditar novamente, mesmo que o medo do passado ainda estivesse ali.
— Devagar… — repetiu ela, com um pequeno sorriso, permitindo-se sentir, finalmente, a possibilidade de um novo começo.

Não era assim que imaginava que tudo aconteceria naquela viagem. O reencontro inesperado com Nam Joo-Hyuk havia virado completamente seus planos, mas, de alguma forma, parecia certo. Após conversarem longamente, como se precisassem recuperar o tempo perdido, ele a levou para sair. Caminharam lado a lado pelas ruas iluminadas de Busan, rindo das pequenas coincidências da vida, compartilhando memórias e histórias que pareciam eternas.
Tomaram sorvete juntos, deixando a doçura escorrer devagar, sem pressa. A cada passo pelas areias da praia, sentiam o vento misturar-se com o perfume do mar e com a leveza que só o reencontro com alguém tão importante podia trazer. Passaram por pequenos cafés e restaurantes, rindo, discutindo planos e descobrindo detalhes um do outro que o tempo e a distância quase apagaram, mas que agora voltavam vivos e intensos.
, com a responsabilidade sempre à frente, pediu à Sofia Bellini para que pudesse permanecer alguns dias a mais na Coreia, oferecendo descontar de suas férias. O pedido foi prontamente aceito, e cada instante extra juntos foi vivido com intensidade e cuidado.
A cada dia que passavam juntos, percebiam que aquele amor, guardado por dez anos, não havia enfraquecido; pelo contrário, parecia mais forte e resiliente do que jamais imaginaram. Ainda assim, ambos sabiam que suas carreiras não poderiam ser deixadas de lado. continuava a brilhar nas passarelas e Joo-Hyuk mantinha seu nome firme no mundo da moda.
Mas, sempre que surgia uma oportunidade, cada encontro era vivido com intensidade: no Brasil, nas praias e nos bastidores de desfiles; na Coreia do Sul, entre cenários que ele conhecia tão bem; até mesmo na Europa, onde o trabalho os levava a novos destinos. Cada momento roubado ao cotidiano se tornava um fragmento precioso de felicidade, uma prova silenciosa de que o amor, mesmo adiado, podia resistir ao tempo, à distância e à vida agitada que ambos escolheram.
E assim, entre passarelas, filmagens, aeroportos e cafés escondidos, e Nam Joo-Hyuk construíram uma história que era, ao mesmo tempo, intensa e delicada, perfeita em sua imperfeição, mostrando que alguns laços são impossíveis de quebrar — e ainda mais impossível de ignorar.



A neve caía suavemente sobre Seul, cobrindo a cidade, decorada para o Natal, com uma camada delicada de branco. e Nam caminhavam lado a lado pelo parque iluminado, rindo baixinho das pequenas coincidências da vida, deixando o frio do inverno se misturar ao calor que sentiam juntos. Eles haviam passado o dia entre risadas, sorvete, passeios pela cidade e até mesmo sentados à beira da praia coberta de neve artificial para o evento natalino. Cada momento parecia arrancado de um sonho, mas era real, e intensamente vivido.
— Sabe, Nam… — começou, ainda observando os flocos de neve caírem sobre o gorro dela. — A Sofia Bellini comentou que quer abrir uma filial aqui em Seul.
Ele sorriu, divertido, olhando para ela enquanto a neve pousava suavemente sobre seus ombros
— Aqui mesmo? Achei que você ia achar que o destino estava sendo só irônico com a gente.
— Sim… — Ela riu baixinho, sentindo o coração acelerar com o toque sutil da mão dele sobre o braço.
Nam desviou o olhar por um instante para o parque iluminado e condecorado com as decorações mais lindas de Natal e depois voltou a encará-la, com aquele sorriso que sempre fazia o mundo parecer mais leve. — Eu acho que o destino é doce com a gente, um doce destino. — Tirou um sorrisinho dela. Ele pausou, tirando algo do bolso do casaco. — Eu queria te fazer uma pergunta.
arregalou os olhos, surpresa e curiosa, enquanto ele abria a pequena caixa, revelando um anel delicado que refletia as luzes natalinas e o brilho da neve ao redor.
… — ele respirou fundo, segurando suas mãos com firmeza e ternura ao mesmo tempo. — Quer se casar comigo?
O coração dela disparou, as mãos tremendo e a boca secando, mas um sorriso enorme surgiu, misturando lágrimas e alegria contida.
— Sim… — ela respondeu, quase sem acreditar no que estava acontecendo. — Sim, eu quero!
Nam deslizou o anel cuidadosamente em seu dedo, e eles ficaram ali por alguns instantes, abraçados, sentindo o frio do inverno transformado em calor, enquanto a neve caía suavemente sobre eles. As luzes natalinas da cidade refletiam nos olhos de ambos, e por um momento, tudo parecia conspirar para aquele instante perfeito.



FIM.


Nota da autora: Oi oi!
Essa fic já estava nos docs há um bom tempo, então peguei, arrumei ela bonitinha e trouxe para cá.
Espero que gostem!

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