Capítulo I
2014
Tinha se preparado para seu primeiro dia para andar pelas ruas de Busan. A ansiedade pulsava dentro de seu coração em saber que estava no local que mais desejou por toda a sua vida.
Ela reconhecia os locais que via em fotos, filmes, k-dramas e, principalmente, pelas histórias contadas pela família de sua amiga Thais. As duas eram como irmãs, se conheciam desde pequenas, era impossível não saber nada uma da outra. Morando no mesmo condomínio, tudo facilitou para conviver com as histórias.
Ali estava ela, registrando cada passo que dava, cada árvore que avistava. Passou pelo Parque Nacional de Taejongdae, visitou algumas lojas locais e, em um momento de pausa, entrou em uma conveniência. Comprou algumas coisas para comer e logo enviou uma mensagem para Thais, que estava a caminho. Thais estava ali como estudante, pronta para viver essa nova experiência, e estava animada para acompanhá-la.
Aquela tarde era perfeita, convidativa a simplesmente admirar cada canto da cidade. Ju decidiu esperar sua amiga a duas quadras da conveniência, onde desfrutaria de um bom café gelado e um lanche para saciar a fome. Depois, as duas iriam ao cinema, aproveitando uma programação especial só para amigas.
Rapidamente, Thais já estava lá, o rosto corado pelo calor e a leve corridinha que deu para atravessar a rua o mais rápido possível. Ju abriu um sorriso ao ver a amiga.
— Oi, meu amor!
— Oi, . Gostou do passeio? Conheceu os pontos turísticos e Busan?
— Estou encantadíssima! É tudo tão mais bonito do que eu imaginava.
— Sabia que ia gostar, está tomando os devidos cuidados?
— Sim, pode ficar tranquila, estou verificando o tempo todo, não estou deixando de comer.
— Ótimo, assim poupa meus cuidados. — Thais fez a amiga rir. Nunca negaria cuidados à sua amiga, muito menos quando o assunto era o açúcar do sangue desregulado.
tinha diabete tipo 1, tudo bem, ela vivia normalmente, mas com todos os controles possíveis e imagináveis, e Thais era seu braço direito, não deixava nada acontecer com ela. Dito isso, essa foi uma das promessas que fez para os pais da amiga.
— Achou mesmo que ficaria sem meu controle de glicose, por favor, né. — Sorriu. — Vamos assistir qual filme mesmo?
Saíram da conveniência, a única compra feita por Thais foram alguns docinhos.
— Não sei, eu fiz essa escolha de última hora. Ao chegar lá, a gente escolhe. Como você se saiu falando aqui?
— Me acostumei com seus pais e avó, mas, nossa, eles falam mais rápido do que imaginei, eu consegui entender, mas quando eu falava, me sentia uma tartaruga.
Thais gargalhou, colocou a mão na boca para soar mais educado, ela tinha a certeza que aquilo ia acontecer.
— Eu queria tá junto só para ver todas as expressões, desculpa rir.
— A melhor amiga do mundo, sem comentários.
Caminharam mais um pouco e depois pegaram um transporte público.
O Busan Cinema Center, um dos poucos lugares que ela imaginou ir naquele dia. A arquitetura era majestosa: a cobertura com suas ondas chamou a atenção de . Os grandes painéis de vidros que refletiam as luzes de Busan, ao anoitecer, ela teria uma das lindas surpresas que o cinema guardava para ela.
O aroma tentador da pipoca a convidada e aqueles murmúrios das pessoas deixava o ambiente mais animado. Seguiu Thais para todos os lados que ela ia, viu a amiga comprar dois pacotes de pipocas, os refrigerantes para elas e, claro, ela também comprou alguns chocolates.
— Eu estou sem palavras. — jogou fora o pacotinho. — Você viu? Eles usaram viagem no tempo, quem foca em viagem no tempo tão bem assim?
Era seu tema favorito.
— E é de época, mil oitocentos e nove, dá para acreditar nisso? Me lembrou tanto de Orgulho e Preconceito. — Seus olhos brilhavam.
— E ele todo amável com ela, e como ele a fez se sentir dentro da sociedade, isso foi tão lindo.
— Não me diga que você se apaixonou por mais um personagem.
— Bom, não seria novidade, seria?
— Não mesmo. — Sorriu. — Vamos ao McDonald 's ou quer ir em outro lugar?
— O Mc não é nada igual ao nosso, não é?
— Os lanches são bem diferentes, podemos ir até lá — falou bem animada. — Vamos no Mc mesmo, eu preparo um jantar para você amanhã, o que acha?
— Por que eu discutiria? — Riu. — Eu super aceito!
— Fica a alguns minutos de espresso.
— Tá bem — disse, olhando para trás. O cinema, que era aberto ao ar livre, estava lindo, as luzes de LED passando calmamente pelo teto eram de se tirar o ar. Não tinha ouvido falar de como ficava à noite, apenas como o lugar era maravilhoso.
— Lindo, não é? Eu passaria bons tempos aqui só admirando.
— Sim.
— Mas, vem, vamos acabar perdendo o espresso. — Ela se referia a qualquer trem de espresso.
O McDonald's não tinha só especiarias diferentes como também a decoração interna. se apaixonou pelo local.
Thais explicou o cardápio para ela, ao mesmo tempo a compreensão da língua. escolheu um Bulgogi Burger, a batatinha e a Coca-Cola gelada não poderiam faltar, e Thay ficou com o de sempre — quando ela ia lá sem a amiga, um shrimp completo também.
Se o primeiro dia já lhe encheu de felicidades, ela só conseguia pensar nos outros dias.
Os dias se desenrolaram lentamente, como se o tempo estivesse em contemplação, enquanto a primavera de Busan revelava sua beleza. As árvores mostravam suas delicadas flores que exibiam uma paleta vibrante de rosas, brancos e lilases, dançando suavemente ao sabor da brisa suave; e os perfumes delas marcaram um capítulo lindo em sua vida.
Seu destino era o Museu de Arte de Busan e pelo percurso podia ouvir as doces melodias dos pássaros, o cheiro do tteok tão irresistível que comprou um pouco para comer enquanto ia para o museu.
Sua arquitetura era linda, delicada e contemporânea, combinava sua elegância e modernidade de forma harmoniosa. A atmosfera era tão envolvente que convidava os visitantes a explorarem o seu interior; o museu deixava seus espaços grandiosos para expor obras de artistas, a iluminação aconchegante, a boa disposição das artes.
estava parada na frente de uma arte, admirando. Olhava cada detalhe, se apaixonando mais pela obra. Contudo, enquanto estava ali, sentiu seu corpo cansar e a sede chegar, ela umedeceu os lábios e respirou fundo para manter a calma; olhou em volta, procurando um lugar tranquilo para se escorar e aplicar a insulina que carregava consigo.
Caminhou sem levantar muito alarde, mas sua visão começou a ficar turva e sem querer esbarrou com um pouco mais de força em uma pessoa que estava apreciando as artes também. Se desculpou de uma forma tão seca que se odiou por isso.
— Ai, droga, eu não… — Molhou os lábios novamente. — Não consigo achar ela dentro da bolsa. — Estava tão fácil, mas o pequeno desespero a atrapalhava.
Aquela pessoa que ela esbarrou olhou na direção dela, percebendo que não estava bem, principalmente pelo modo que a garota se escorou no pilar. Com passos rápidos, ele andou na direção dela.
— Está tudo bem? Precisa de ajuda?
A voz do homem a despertou. Sendo gentil e cauteloso, ele não tocou nela, apenas ficou próximo, caso ela desmaiasse.
— Eu preciso achar minha insulina, se eu não aplicar logo…
— Posso procurar por você?
— Pode — disse, entregando a bolsa.
Ele pediu licença e mexeu na bolsa, a insulina estava dentro de um saquinho, junto do medidor de glicose — ela carregava um junto para evitar acidentes como aquele.
— Aqui. — Ele mostrou.
— Que alívio, você poderia aplicar? — o viu concordar com a cabeça. — Ótimo, pode aplicar aqui no braço, na região do tríceps. Só aplicar, não precisa ficar com dó.
— Muito bem, com licença — pediu ao subir um pouco a manga da blusa. Tirou a tampinha, e aplicou sem receio como havia recebido a instrução. — Demora muito para fazer efeito?
— Não muito. — Olhou para ele, foi o primeiro contato visual dos dois. — Se quiser voltar a apreciar as artes…
— Não, fico aqui com você até melhorar. — Estava sendo solidário.
— Agradecida.
Ficou ao lado dela até perceber que estava melhor, a pequena preocupação era nítida nos olhos do moço.
— Obrigada.
— Não precisa agradecer, está se sentindo melhor?
— Estou sim, vou só medir minha glicose. — Pegou o glicosímetro e aferiu sua glicose, agora estava próximo de cento e trinta, o que era consideravelmente bom. — Enfim, estou melhor. Sabe algum restaurante aqui por perto?
— Tem um que é bom, eu gosto de ir lá. Fica a duas quadras daqui, você segue reto a rua do museu — prestava atenção — e vira sua segunda direita. Logo você estará no restaurante.
— Ok, muito obrigada. — Sorriu. Desencostou-se do pilar e perdeu o equilíbrio levemente, seu corpo estava um pouco fraco ainda, então era compreensível para si. — Ai, que vergonha. — Colocou a mão sob a boca para rir.
— Não se preocupe, eu vou com você, se quiser, assim você não cairá.
— Acho melhor não, já tirei seu foco das artes e fiz você ser temporariamente meu aplicador de insulina.
— E não me incomoda ter feito isso por você. Eu vou com você, tudo bem?
Respirou fundo, tinha a opção de negar, mas um outro lado a fazia querer aceitar. Sua refeição estava sendo muito bem equilibrada, entretanto, não conseguiu compreender qual momento ela errou o cálculo e sua glicose alternou; esse era seu receio, de acontecer outra vez de ela baixar a atenção e por fim precisar ir ao hospital.
— Tudo bem, vamos, eu só vou fazer uma ligação no meio do caminho.
— Como quiser. — Sorriu. — Desculpe a falta de educação, sou Nam Joo-Hyuk.
Sabia que falar seu nome inteiro seria meio complicado para ele, então decidiu falar apenas…
— Pode me chamar de .
Sorriu gentilmente ao se conhecerem.
caminhou ao lado dele até o restaurante. Uma parte do caminho ela foi conversando com ele, até o momento que chegou à frente do restaurante. Carinhosamente, Thais pediu para que ela mantivesse a localização do seu celular ligado e que era para ligar para ela imediatamente qualquer coisa, o que foi aceito por .
— Uma boa recomendação, eu amei o local.
— É sem dúvidas um dos locais que mais gosto de vir, a comida local e esse toque italiano faz toda a diferença.
— Vou concordar contigo, preciso vir aqui mais vezes.
— Fico feliz que realmente gostou daqui.
— E realmente gostei, passarei meus dois últimos meses vindo aqui.
— Dois últimos meses? — Joo-Hyuk olhou, confuso, e logo mudou de expressão.
— Não é isso que você está pensando. Meu Deus! Eu quero dizer que é meu tempo passando aqui em Busan.
— Ah. — Ele respirou mais aliviado. — Eu já ia ser indelicado.
— Tudo bem, eu deveria ter formulado melhor, eu estudei muito, mas às vezes eu confundo a forma de colocar as palavras.
— Mas você está se saindo bem, o seu sotaque é bem sutil, quase imperceptível.
— Muito obrigada.
Uma pequena pausa dramática pairou entre eles.
— Posso fazer uma pergunta? — questionou.
— Claro.
— Teria mais lugares bons e não tão populares para visitar?
— Sim. — Pensou um pouco. — Se quiser, posso te apresentar esses lugares, não se preocupe. — Já se adiantou. — Eu vou apresentar lugares movimentados e alguns bons foodtrucks para comer.
— Aceito, você salva meu número?
Aquele almoço de emergência foi um dos melhores para ela durante sua estadia de um mês e meio. Sua glicose havia se estabilizado e tinha voltado tranquilamente para o museu ao lado de Joo-Hyuk para terminar de ver as exposições.
Ao anoitecer, Ju esperou sua amiga retornar do curso, ela estava prestes a pegar o certificado de chefe — e assim atuar legalmente no país, e com isso passava mais horas estudando do que no hotel simplório que elas dividiam. Ela contou sobre o ocorrido e como Nam Joo-Hyuk foi atencioso com ela. Thais se segurava para não rir, mas o nome realmente marcou para a mulher, ela já tinha lido em algum lugar.
Thais pesquisou na internet e voltou a olhar para a amiga, a deixando ver as fotos em seu celular.
— E aí, é ele?
— Sim! — Estava impressionada. — Mas como você achou?
— Eu normalmente olho sempre as revistas da banca que fica perto de onde estou estudando, e a Songzio estava com destaque em uma delas, e ele era simplesmente a capa da revista.
— Um modelo.
— Você chamou atenção de um modelo de capa de revista, parabéns.
— Ow. — Estava toda ruborizada. — Por favor, vai com calma, ele só me ajudou.
— E pediu para ser seu guia. — Jogou uma almofada na amiga. — Eu vou dormir, vê se não vai dormir tarde para não chegar atrasada ao ponto de encontro.
— Claro que não vou. — Revirou os olhos. — Parece minha mãe — comentou consigo mesma.
O despertador tocou e ela desligou, voltando a tocar depois de cinco minutos. Ela desligou mais uma vez e ficou neste pequeno ciclo vicioso por duas vezes até o momento que pegou o celular e olhou a hora, estava atrasada! Thais acertou mais uma vez.
Levantou-se rapidamente para se arrumar, aferiu sua glicose e ajeitou sua bolsinha de primeiros socorros para uma garota de diabetes tipo 1.
“Deixa eu adivinhar, está saindo atrasada.”
Sem nenhum oi, a conversa delas era infinita, nunca tinha um “oi” ou então “boa noite”, foi uma péssima mania que elas adquiriram.
“Eu to muito atrasada, vou ter que comprar alguma coisa naquela conveniência, e um suco também.”
“Leva um leite fermentado, e compre doces, pelo amor de Deus!”
“Sim, sim, pode deixar.
Te conto tudo quando você chegar.”
Ele estava sentado no banquinho que ali tinha, esperando chegar.
— Oi! Me atrasei, desculpa.
— Oi, não tem problema. — Deixou um sorrisinho de lado escapar. — Pronta?
— Sim, e pode ter certeza, dessa vez não vou passar mal.
Eles riram.
Um dos primeiros locais que ele a levou foi na rua do Mercado de Jagalchi, era um dos lugares bem falados, mas o objetivo do Joo-Hyuk era mostrar as ruas ao redor, onde se escondiam as melhores comidas e suvenires.
— Você vai gostar daqui — disse Joo-Hyuk com um sorriso radiante, iluminando ainda mais o ambiente. — Este é o maior mercado de frutos do mar da Coreia do Sul.
estava maravilhada com o mercado, as barracas coloridas com os vendedores exibindo suas mercadorias: peixes, moluscos e crustáceos frescos; alguns foram pescados na hora e podia-se escutar as histórias dos pescadores sendo contadas para os clientes enquanto eles escolhiam.
— Vamos experimentar algo? — Joo-Hyuk sugeriu, a guiando para uma barraquinha depois que ela concordou. — Aqui, você pode provar o melhor peixe fresco da cidade.
assentiu, um misto de empolgação e nervosismo. Eles se aproximaram da barraca, onde um homem idoso, com um sorriso caloroso, começou a preparar os pratos. Joo-Hyuk conversava animadamente com ele em coreano, enquanto observava, fascinada pela fluência e pela conexão entre eles.
— Isso é sashimi de polvo! — Joo-Hyuk disse, servindo um pedaço para . — Você vai gostar.
Com um pouco de hesitação, ela pegou o sashimi, era a primeira vez dela experimentando a iguaria. Respirou fundo e tomou coragem, mastigou com cuidado e a explosão de sabores invadiu sua boca, era muito melhor do que imaginava.
— Isso é incrível, senhor. — Olhou para ele. — Está muito bom, muito bom mesmo.
— Obrigado.
Eles fizeram uma reverência e ela continuou a andar ao lado dele. Nam ia explicando todos os lugares, entrando em algumas ruas e falando dos pratos que eram mais vendidos e algumas histórias engraçadas que aconteceram no local. Os dois estavam se sentindo tão bem juntos que não viam as horas passarem, era prazeroso ter ao seu lado; o olhar doce e a atenção dela para todas as palavras deixava o dia todo mais memorável.
— E ali. — Joo-Hyuk apontou para uma pequena loja. — É onde fazem o melhor tteokbokki da cidade. Vamos lá!
Eles entraram na loja, onde o aroma picante e adocicado do molho de Gochujang os envolveu. assistiu enquanto o cozinheiro preparava os bolinhos de arroz, sua habilidade impressionante fazendo com que ela se sentisse em casa. Joo-Hyuk pediu uma porção e, enquanto esperavam, ele começou a compartilhar histórias de sua infância, momentos em que visitava o mercado com sua família.
— É um lugar especial para mim — ele confessou, olhando nos olhos dela. — Espero que você sinta a mesma conexão.
— Obrigada por me mostrar isso — ela disse enquanto mordia um pedaço de tteokbokki, o sabor explosivo fazendo-a sorrir. — Estou amando cada momento.
— Sabia que ia gostar daqui. — Olhou o relógio. — Sei que comemos muito bem. — Tirou uma risada sincera de . — Mas vamos almoçar?
— Sim, por favor.
Começaram a andar.
— É um restaurante local daqui, ele fica meio escondido entre as barracas, mas é um dos melhores.
Ela balançou a cabeça, compreendendo a explicação.
Realmente ficava entre as barracas. O restaurante era simples e ao mesmo tempo aconchegante, o aroma da comida se espalhava por todo o local; sentaram-se em uma mesa e Joo-Hyuk fez questão de pedir os pratos para eles.
— Você precisa experimentar o sundubu jjigae e o grilled mackerel. Eles são incríveis aqui — Joo-Hyuk recomendou, seu entusiasmo contagiante.
— Vamos pedir isso, então! — sorriu, sentindo-se animada.
Enquanto esperavam o garçom trazer os pratos, foi até ao toalete para aferir sua glicose. Tudo certo, ela estava bem e não teria com o que se preocupar; retornou à mesa e bebericou um pouco da água.
Nam começou a contar sobre a cultura local e algumas histórias sobre o prato. Ele falava com paixão e se sentia cada vez mais envolvida não apenas na comida, mas também na riqueza da cultura coreana.
Após a refeição, Joo-Hyuk pediu a conta e, enquanto saíam, sentiu-se grata por cada instante vivido naquele dia. O Mercado de Jagalchi e o Sujeong Sikdang se tornaram lembranças queridas, marcando o início de uma nova fase em sua vida em Busan, ao lado de alguém especial.
Após um almoço delicioso no Sujeong Sikdang, e Nam Joo-Hyuk decidiram dar um último passeio pelo Mercado de Jagalchi antes de se despedirem do dia. O sol começava a se pôr, tingindo o céu com tons de laranja e rosa, criando uma atmosfera mágica ao redor deles.
Ele a convidou para passar em uma das barraquinhas de doce que estava no final da rua; a senhora era simpática e abriu um sorriso ao ver o casal — não de namorados, é claro, se aproximar da sua barraca. Animada, ela explicou cada doce, e por vontade, escolheu hotteok e bungeoppang, que foi a melhor escolha.
— O que achou?
— Isso é simplesmente maravilhoso!
— É um dos meus milhares de doces favoritos. — Sorriu.
Enquanto saboreavam os doces, a conversa fluiu naturalmente e a conexão entre eles se tornava cada vez mais evidente. O dia estava chegando ao fim, mas a sensação de que algo especial estava começando se fazia presente.
Com o céu agora estrelado, Joo-Hyuk olhou para .
— Eu realmente gostei de passar este dia com você. Espero que possamos fazer isso mais vezes.
— Eu também! Foi uma experiência incrível. Obrigada por me mostrar tanto da cultura coreana — respondeu, sentindo-se grata.
— Posso mandar mensagem? Para podermos sair e conhecer outros lugares, eu me empolguei com o mercado hoje. — Passou a mão nos cabelos enquanto falava, era tão lindo.
— Claro, e aí marcamos em um horário agradável para nós.
— Com certeza.
— Até mais, boa noite, .
— Boa noite.
Estava tão abobalhada com seu dia que até esqueceu de responder sua amiga, mas tudo bem, logo desceria do ônibus e poderia compartilhar seu dia com a garota.
Os meses passavam, perfumados como as flores de primavera de Busan. Joo-Hyuk e passaram a conhecer Busan quase que por inteira, havia dias que ele trabalhava e marcava para um horário após as sessões de fotos e testes. Já outros, Thais ia junto com eles, não atrapalhava, como ela achou de início, na verdade, ela gostou de conhecer a cidade natal de sua família através do olhar de um morador local.
Os dois se abriram por um pequeno amor que nascia entre eles. Por receio, Joo-Hyuk não contou nada para ela, pois, em uma tarde ensolarada, ela contou que estava lá apenas para conhecer e que voltaria sozinha para o Brasil. Talvez fosse só um doce engano do destino trazer uma garota do outro lado do continente, o deixando com um amor bem caloroso em seu coração.
Em seu último dia em Busan, estava na sacada admirando o mar: as ondas se mexiam lentamente e traziam uma brisa refrescante. Seus olhos se enchiam de lágrimas pelas saudades que já estava sentindo. Com a mala pronta, ela faria o check-in na recepção junto de sua amiga. Thais, agora, se hospedaria em uma pequena casa, assim passaria os dias mais tranquila em relação ao tempo que passaria estudando.
Aeroporto de Busan.
olhava o aeroporto na esperança de ver Joo-Hyuk, ele tinha dado sua palavra que estaria lá. Entretanto, no dia anterior, ele estava diferente, conversava bem pouco com ela e mínimos sorrisos eram expressos por ele.
— Procurando ele ainda?
— Só para ter certeza.
O painel piscou, mostrando que seu voo já solicitava que os passageiros fossem para o portão de embarque.
— É a sua deixa.
— Acho que é. — Suspirou. — Se cuida, Thay, não me faça voltar para cá correndo.
— Você volta que eu sei, e nem é por mim. — Thay a envolveu em um abraço e ria junto dela. — Vai me avisando tudo, tá bom?
— Pode deixar, eu aviso todas as paradas.
— Perfeito, dê um beijo nos meus pais.
— Com toda certeza!
— Até breve, .
— Te vejo em breve, te amo, Thay.
Ela chorou, chorou por saber que ficaria mais um tempo longe de sua amiga, e tentar intercalar os horários para contar as novidades seria complicado.
As pessoas que estavam no aeroporto começaram a sair da frente e olhar o garoto que corria desesperado até o portão de embarque. Nam Joo-Hyuk estava atrasado! Seus olhos percorreram o painel onde mostrava que o voo para Brasil já estava fechado; apoiando suas mãos em sua cintura, ele retomava o fôlego e o peso da sua escolha caía sobre seus ombros naquele início de tarde.