Revisada por: Hydra
Finalizada Em: 05.07.2025Inverno de 2017
- Mansão Fallin, Lisboa
- Mansão Fallin, Lisboa
O natal na casa dos Dominos em Chicago havia sido sensacional para Fallin.
Porém, a vida continua e nem tudo são flores para a herdeira bastarda da família. Com uma reunião extraordinária com todos os Fallin, marcada para a manhã do dia 28 de dezembro, a mulher precisou retornar para sua casa em Lisboa. Quarta pela manhã, ela acordou vendo o mínimo de sol entrar pela janela. O inverno europeu sabia ser rigoroso e a neve ainda caía pelo lado de fora. Felizmente, dentro da mansão tudo estava quente e transmitindo conforto térmico através do sistema de aquecimento.
Levantando-se da cama, permaneceu descalço ao sentir o piso laminado de madeira aquecido. Ela se espreguiçou e olhou para o relógio em cima da mesa de cabeceira. Dando alguns passos até o espelho, olhou para seu reflexo e sorriu de canto mantendo a face erguida. Assim como os outros herdeiros da Continuum, também tinha inimigos em sua própria família. O que resultava em uma rede de intrigas e golpes para derrubá-la. Entretanto, havia se preparando a vida toda para ficar à frente dos negócios da família, com sua Indústria Têxtil como carro chefe.
— Mais um dia ao topo, mais um dia enfrentando os Fallin. — sussurrou para si mesmo ao entrar no seu closet.
Passou o olhar pelas peças penduradas, sem saber qual o look escolheria para a ocasião, então optou por algo formal sem deixar o conforto. De repente, ela ouviu um barulho estranho e alto vindo do andar debaixo. Não esperava por ninguém e menos ainda estava acompanhada. Os seguranças tinham ordens explícitas para se manterem bem longe do interior da mansão e as outras funcionárias estavam de folga.
O que seria então?
— Que estranho. — ela colocou um suéter marrom por cima da camisa feminina branca que vestiu, que harmonizava com a calça social preta, após calçar o scarpin vermelho, seguiu para a porta do quarto.
A passos lentos pelo corredor, ao chegar na escada, se deparou com a cena de um homem armado dois degraus do topo, apontando para seus seguranças.
— Ah! — ela soltou um grito de susto, colocando a mão na boca novamente.
A atenção do homem se voltou para ela, e em poucos movimentos ele a rendeu, colocando a arma em sua cabeça.
— Eu não sei quem você é, nem o que quer, mas não sairá daqui vivo. — a mulher disse, segura de suas palavras.
— E quem disse que pretendo sair daqui vivo? — a voz dele também se manteve firme — O que eu mais quero, é destruir aquilo que Benício Fallin mais ama, como ele fez comigo.
Ela soltou uma gargalhada espontânea.
— Se acha mesmo que o que ele mais ama é sua filha única e bastarda, está enganado, mas o deixarei pensar isso. — ela se manteve tranquila, tinha nascido com o dom da persuasão, e claro que em algum momento isso se tornaria a seu favor.
— Pare de gracinhas e mande eles se afastarem. — ordenou o homem já ficando nervoso.
— Tudo bem, se é isso que quer. — ela assentiu — Senhores, quero que se afastem, larguem as armas e sigam as ordens deste senhor.
Ela manteve a superioridade, mesmo com a ameaça em sua vida.
Assim seus seguranças fizeram como ela mandou. O homem estranho a guiou até a garagem da mansão e fazendo-a entrar no carro que tinha lá, deu a partida para afastá-los daquele lugar.
— Sabe… Me matando, fará um favor ao meu pai e a toda a sua família. — assegurou ela, com tranquilidade no olhar, enquanto colocava o cinto de segurança — Eles só me suportam por eu ter o sangue dos Fallin, e por meu pai não conseguir nenhum outro filho além de mim.
— Pare de mentiras, você é a herdeira. — gritou o homem — Seu pai pagará na mesma moeda.
Ele acelerou mais o carro e seguiu pela estrada secundária, para evitar chamar atenção. Em alguns minutos começamos a perceber que havia algo de errado com o carro.
— O que aconteceu? — indagou , sentindo o carro acelerar mais.
— Não sei, o freio não está funcionando. — explicou ele, confuso pela situação.
— Como eu disse, você quer me matar, entra na fila. — ela sorriu de canto, já sabendo que pudesse ser uma sabotagem de sua família.
Logo no dia mais importante do ano para eles.
Ele fez uma manobra perigosa e para parar o carro o jogou contra a grade de proteção, porém imprevisivelmente bateu em outro carro causando um acidente mais grave. O conversível de Fallin capotou algumas vezes até parar de cabeça para baixo. O homem desconhecido foi arremessado para fora do carro, por não ter colocado o cinto, contudo, mesmo zonzo pelo impacto do corpo ao chão, ele parecia bem. Quem estava em problemas era Fallin, que permanecia desacordada dentro do carro, com o veículo vazando gasolina com risco de explodir.
— Fallin. — sussurrou o homem, ao se apoiar no asfalto para se levantar.
Cambaleando pelo caminho, ele conseguiu chegar no carro, abriu a porta do seu lado e puxando o cinto, perceber estar emperrado.
— Você não vai morrer aqui. — ele bufou raivoso e retirando o canivete do bolso — Eu mesmo vou matá-la.
Ele cortou-o e a retirou do carro.
Carregando-a em seu colo, assim que ganharam certa distância, a grande explosão de deu atrás deles. O impacto o fez cair com ela em seus braços. Não demorou muito, até que o mesmo perdesse a consciência.
— Senhorita Fallin?! — disse a assistente de , assim que notou-a mover as pálpebras.
— Hum… Mercedes?! — sussurrou ela sentindo sua cabeça latejar — O que aconteceu?
— A senhora foi sequestrada e sofreu um acidente. — explicou a funcionária.
Logo se lembrou dos acontecimentos intensos e ergueu seu corpo.
— Onde está ele?! — perguntou.
— Quem senhorita? — a mulher a olhou confusa.
— O homem que estava comigo. — explicou.
— Está preso, senhorita. — respondeu ela, prontamente — Assim que ele recebeu alta hospitalar, o levaram para a cadeia.
respirou fundo e mandou que chamasse o médico.
Após uma bateria de exames e adiar a reunião da família para o próximo dia, ela exigiu alta hospitalar do médico responsável do Sollary Lisboa Hospital. E dali ela seguiu diretamente para a delegacia onde o homem misterioso estava detido.
— Corvin. — disse o delegado Portinho — O nome do meliante é Corvin.
— Corvin. — sussurrou ela.
se lembrava daquele sobrenome de algum lugar, só não sabia de onde.
Com sua influência, pediu ao delegado para conversar com o homem a sós e sem câmeras filmando. Mesmo relutante, Portinho assentiu e os deixou conversar em sua sala, mantendo Corvin algemado.
— Está convencido agora? — perguntou ela, ao se sentar na cadeira do delegado, cruzando as pernas com sua postura impecável — Não é o único que me quer morta.
— Porque o seu pai a quer morta? Você é a herdeira. — ele se mantinha confuso.
— Ser a herdeira não garante que é amada por sua família. — retrucou ela.
— Se expliquei então. — se manteve atento a ela.
respirou fundo.
— Eu sou a filha bastarda e indesejada que Benício Fallin teve com uma indispensável empregada. — iniciou ela a sua história — Resumindo, minha mãe quase foi morta pela esposa traída, enquanto me carregava, nos mantivemos a salvo deles na periferia de Braga, com uma leve ajuda de Isador Dominos…
— Isador, o pai de Sebastian Dominos?! — perguntou ele.
— Sim, e pelo visto, você conhece bem a Continuum. — ela sorriu de canto.
— Ouvi sobre. — explicou o homem.
— Continuando, Isador Dominos foi um anjo para mim e para minha mãe. — prosseguiu ela — Com o passar dos anos, por ironia do destino, Benício ficou doente e precisou de um doador compatível, como sua esposa sendo estéril não lhe dando nada, a filha bastarda foi a sua salvadora.
— E em troca de salvar a vida do pai carrasco, exigiu o reconhecimento perante a Continuum como herdeira legítima da família Fallin. — concluiu ele sem se esforçar muito.
— Bingo. — brincou ela, com ironia — Como eu disse, me matando faria um favor a ele.
— E o que me sugere? — ele deu alguns passos até ela, parando em sua frente.
— Te proponho um acordo. — ela se levantou da cadeira e o olhou com segurança, dando um sorriso malicioso — Se torne meu sliter que eu te ajudo a se vingar do meu pai, e de bônus te ofereço o resto da família se quiser.
— Tentador. — disse , tentado a aceitar.
suspirou um pouco.
Só neste momento, com mais tranquilidade, ela finalmente pode notar o quão interessante e charmoso o Corvin vingativo era. Além de bonito e atraente.
— Então o que me diz? — insistiu ela, esperando a resposta.
— Se deixá-la viva, mantêm seu pai mais irritado. — ele sorriu de canto — Darei a minha vida para te proteger.
Ela assentiu com o olhar e caminhando até a porta, abriu-a.
— Solte-o. — disse ela, ao delegado.
— Mas senhorita Fallin, ele é o vosso sequestrador? — Portinho já não entendeu mais nada.
— Engano seu, Corvin é meu sliter. — disse ela segura — O que aconteceu foi um treinamento, estava checando se minha segurança era capaz de me proteger, mas eles falharam.
— Mas… — ele tentou argumentar.
— Solte-o agora. — num tom mais forte de ordem, ela manteve o olhar firme.
Portinho assentiu e soltou as algemas do homem.
Assim que saíram da delegacia, seguiram para sua mansão. Onde prontamente repetiu a mesma história para seus seguranças que agora seriam coordenados e treinados por Corvin. Ao anoitecer, a herdeira Fallin tirou alguns minutos para relaxar em sua banheira de hidromassagem. Mesmo não estando 100% recuperada, precisava se preparar para a reunião no dia seguinte com sua família.
Após sair do banheiro vestida somente com o roupão de banho. Se deparou com em seu quarto, instalando alguma coisa na janela.
— O que está fazendo? — perguntou ela.
— Instalando um sensor de calor, vai captar movimentos em seu quarto, caso mais alguém invada... — respondeu ele ao terminar e se virar para ela, ficando um pouco paralisado, lutando para não olhar para as pernas dela que estavam à mostra — Sua casa.
— Interessante. — ela suspirou — E isso funciona mesmo?
— Garanto que sim. — assegurou ele.
— Estou impressionada, não tem nem 24 horas de contratado e já está tão empenhado assim. — ela cruzou os braços o olhando.
— Não menti quando disse que daria a minha vida para protegê-la. — sua voz soou tão firme que estremeceu por dentro.
— Fico mais aliviada então. — ela sorriu de canto — Boa noite?
Seu olhar para ele traduzia como: Já terminou?
— Boa noite. — ele se retirou após recolher rapidamente suas ferramentas.
Corvin sendo agora seu sliter, tinha o acesso a todas as câmeras visíveis da casa. Porém as suas térmicas, somente ele poderia acessar do seu aparelho celular. recrutou mais quatro pessoas de sua confiança, trocou alguns seguranças que achou suspeitos, como também as funcionárias que trabalhavam no interior da casa. Todos os dispensados haviam coincidentemente sido indicados por um familiar de .
— Acho que já percebeu que inseri um botão atrás do pingente, notei que este é um colar que usa muito, pelas fotos que vi em sua casa, aperte caso se sinta coagida. — disse Corvin, assim que desceu do carro para se encontrar com seus familiares.
— Ok. — ela assentiu movendo seu olhar para sua tia que a encarava com desdém próximo a entrada — Não gosto de ter que encará-los assim.
— Como dito, seguranças não podem entrar na sala. — Corvin lembrou-a das regras — Mas não levarei nem cinco minutos para chegar até você, caso me chamar.
Ela respirou fundo e reunindo sua coragem.
O deixou do lado de fora seguindo para a sala de reuniões na casa matriz da família Fallin em Coimbra. já se sentiu pressionada assim que entrou na sala e se sentou na cadeira do herdeiro. Em instantes, após todos se acomodarem, seu tio Alfonso deu início a reunião, sobre o posicionamento da família quanto a guerra interna dos fundadores da Continuum. notou o olhar de fuzilamento de sua tia Clarice. Quanto mais eles falavam, mas ela se sentia mal e desprotegida naquele ambiente hostil. Quando chegaram no assunto de seu sequestro e do acidente de carro, não se conteve e apertou o botão escondido em seu pingente de forma discreta. Ela queria sair dali o mais rápido possível, mas sentia que presa naquele lugar no subsolo da casa, não sairia viva daquela sala.
por mais que se mantivesse firme, ela só desejava desabar no chão.
Do lado de fora, ao ouvir o chamado dela, Corvin se moveu para entrar sendo barrado por um dos seguranças dos outros familiares. Seria ele contra muitos e não se importou com isso, em suas palavras, havia garantido menos de cinco minutos e cumpriria como sempre fez a vida toda. O homem destemido lutou contra os outros seguranças, forçando sua entrada. Assim que chegou em frente a porta e viu que não conseguiria abrir, arrastou uma cadeira próxima e retirando o canivete do bolso, mexeu nos fios do alarme de incêndio, o disparando. Logo, a porta de segurança da sala de reuniões se abriu, e todos saíram correndo de lá de dentro.
permaneceu imóvel sentada na cadeira e com seu rosto encharcado pelas lágrimas escondidas em meio a água que derramava do teto.
— Cinco minutos. — disse ele, ao parar ao seu lado — Você está segura agora.
— Corvin. — sussurrou, ela se levantou da cadeira e o abraçou no impulso do medo e de forma espontânea.
Tentando reprimir sua insegurança sem sucesso, deixou mais lágrimas se derramarem, enquanto estava sendo confortava por ele. E esta foi a segunda vez que verdadeiramente se sentiu protegida, a primeira foi com a presença de Isador Dominos em sua vida.
Assim que chegaram na porta de saída, Corvin tocou de leve no meio das costas dela, fazendo-a erguer sua postura, de forma superior.
— Seus inimigos ainda a observam, mantenha-se firme diante dele. — sussurrou para ela — Estarei bem aqui ao seu lado.
— Obrigado. — sussurrou ela de volta — Meus inimigos jamais me verão com medo.
Nós discutimos, ficamos em silêncio,
Todas essas coisas nos aconteceu,
E mesmo assim, sua voz me dá uma sensação de alívio.
- Indestructible / Girls' Generation
Todas essas coisas nos aconteceu,
E mesmo assim, sua voz me dá uma sensação de alívio.
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“Indestrutível: quando menos se espera, sua segurança está em quem menos imagina.” - by: Pâms
