Tamanho da fonte: |

Revisada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 27/07/2025

“Meu reflexo estava na janela do trem,
Enquanto eu embarcava numa nova cidade.”

— All My Love Is For You / Girls Generation



— Ah… — Dei um suspiro cansado assim que desembarcamos no Aeroporto Internacional de Incheon. Era visível minha insatisfação naquele momento.
— Pandinha, pare com essa cara. — Minha mãe se aproximou de mim e segurou em minha mão, me dando o braço para me apoiar nela. — Pense que será o ano mais divertido em sua vida.
— A senhora sabe que meu currículo acadêmico não fica nada divertido com essas mudanças. — A olhei contrariada.
— Aish, que menina mais nerd. — Ela riu de leve. — Eu deveria ser grata por isso, mas você está se sobrecarregando antecipadamente por causa dos seus estudos.
— Mesmo assim…
— Além do mais… — ela me interrompeu. — Olhe pelo lado bom, agora você vai estudar em um país onde alunos passam até dezesseis horas por dia com a cara nos livros, até sete dias por semana. — Mamãe me lançou um olhar de: te peguei. — Não deveria estar animada e contente por isso?!
— Omma?! — Suspirei novamente. — Eu sou nerd, não masoquista.

Ela soltou uma gargalhada alta, fazendo as pessoas que passavam perto olharem para nós.

— Agora te peguei, panda nerd. — Ela riu mais um pouco. — Tenho certeza de que minha filha querida vai sobreviver a isso, você tem um ponto positivo.
— Qual? — Agora estava curiosa.
— Seus pais não irão te crucificar se você não entrar no top10 dos melhores alunos. — Ela riu mais um pouco, parecia estar zoando com a minha cara, era típico da minha mãe.

Porém amava esse seu lado descontraído, já que meu pai era um pouco mais sério e fechado, isso era mais visível do que suas diferenças culturais.

— Está tudo bem? — perguntou papai, ao se aproximar de nós, empurrando o carrinho de bagagens.
— Sim. — Assentiu mamãe ao sorrir para ele, voltando sua face para meu irmão. — Jinho, largue esse game portátil. Acabamos de chegar e só pensa em jogos.
— Omma, estava entediado — resmungou ele, mantendo seu olhar para o jogo. — Passamos mais de doze horas em um avião.
— Por isso mesmo. Este primeiro momento é crucial para respirar ar puro e ver paisagens novas — retrucou ela.
— O que sua mãe disse?! — Meu pai, em seu tom reconhecível de autoridade, o olhou sério. — Precisarei guardar eu mesmo?
— Aniyo — disse ele, desligando o aparelho e guardando na mochila. Claro que sua cara estava emburrada.

Omma segurou o riso e deu uma piscada disfarçada para papai, que sorriu de canto. Meu pai era muito rigoroso quanto ao respeito que deveríamos ter com nossa mãe, isso me fazia admirá-lo ainda mais, o carinho que ele demonstrava de forma discreta por ela era fofo e, em alguns momentos, engraçado, o que me fazia ficar curiosa se todos os outros homens coreanos eram assim.

— Então, vamos? — disse minha mãe, continuando de braços dado comigo.
— Sim, vamos. — Meu pai ajeitou a bolsa transversal que estava em seu ombro e seguiu na frente.
— Vamos de táxi? — perguntei a minha mãe, enquanto seguíamos ele.
— Não, seu pai reservou um carro para irmos mais confortáveis.
— Quando foi isso? — indaguei, meu pai era sempre precavido.
— Pouco antes de embarcarmos de Lisboa — respondeu ela. — Ele ligou para a companhia e reservou um.
— Faz sentido. — Desviei meu olhar para as pessoas que passavam por nós, todas pareciam apressadas com sua vida.

Assim era a rotina coreana, as pessoas sempre estavam com pressa para fazer algo.

— Omma, estou com fome — reclamou Jinho, com uma voz desanimada.
— Você comeu no avião — disse minha mãe de forma despreocupada.
— Mas ainda estou com fome — reclamou ele novamente.
— Assim que entrarmos no carro, te dou algo. — Ela deu um suspiro fraco. — Esse menino só come e joga.
— Agradeça por ele ter o metabolismo acelerado — brinquei, rindo.
— Yah, isso é coisa que se brinca?! — Ela me olhou como se tivesse matado minha indireta. — Este ano, Jinho não me escapa. Colocarei ele em uma aula de natação, não o deixarei nessa vida sedentária. — Seu tom estava confiante.
— Está falando como uma mãe coreana. — Eu ri de leve.
— Sua boba. — Ela riu também. — Morreu aí, Jinho?
— Não, omma. — Ele se aproximou mais de nós. — Mas se não comer…
— Yah, deixe de ser manhoso, little Jini — disse, o chamando pelo apelido que minha mãe sempre lhe dava, assim como o meu era pandinha.
— Ahhh… Só a omma pode me chamar de little Jini — reclamou ele, assim que eu esfreguei minha mão em sua cabeça, bagunçando seu cabelo.
— Sou sua irmã mais velha, por isso vou te chamar assim, sim — retruquei.
— Jini e Pandinha… — Minha mãe nos olhou, como se dissesse que se aquela brincadeira rendesse, sairia briga.
— Omma, não nos olhe assim, não está vendo o amor exalando de nossos corações — brinquei, fazendo ela rir.
— Chegamos — disse papai, parando pouco mais à frente, diante de um carro que parecia ser da empresa. — Todos entrando, temos mais duas horas até Daejon.

Duas horas a mais…
Pelo menos teríamos paisagens pelo caminho.

Appa é um coreano que passou parte da sua juventude estudando nos Estados Unidos, já minha mãe, uma brasileira que, após lutar muito para conquistar seu sonho, conseguiu se graduar em gastronomia, tendo a chance de fazer MBA na França, o país onde se conheceram. E 18 anos após o casamento mais rápido do mundo, eles ainda são muito apaixonados um pelo outro, mesmo depois de tantos anos, muitas dificuldades e preconceitos de diversas pessoas. Algumas dessas pessoas eram meus avós, que não aceitaram muito essa mistura cultural, porém, mesmo assim, eles se casaram e, graças a isso, estou completando 16 anos nesta data.

Eu sou a mistura dos dois que nasceu quando eles tiveram que morar em Sydney, na Austrália, e meu irmão Jinho, de 10 anos, é a mistura que nasceu em Tóquio, no Japão. Deveria ser uma data alegre, já que era meu aniversário, mas, depois de 3 meses tentando me adaptar à nova rotina que tínhamos em Lisboa, mudar novamente fez meu dia ser esquecido por todos. Nossa nova localização seria Daejon, há 150km da capital Seoul.

— Estão muito calados, dormiram aí atrás? — perguntou minha mãe, rindo.
— Estou comendo — respondeu Jinho, após terminar de engolir. — Não posso jogar.
— Não mesmo. Aproveite a paisagem, tenho certeza de que sua imaginação te ajudará a não se entediar — sugeriu meu pai, que mantinha sua atenção na estrada.
— Appa deu uma boa sugestão. — Desviei meu olhar novamente para a janela do carro, ajeitando o fone direito que estava no ouvido. — Mas eu prefiro fazer isso com um fundo musical.
— O que está ouvindo? — perguntou minha mãe. — Música clássica?!
— Não. — Eu ri. — Estou ouvindo a ost de Boys Over Flowers.
— O primeiro dorama a gente nunca esquece — comentou ela, num tom saudoso. — Sempre me pego ouvindo a ost de Hana Kimi.
— Clássicos da vida. — Eu ri.

Tinha mesmo que distrair a minha mente, pois a cada vez que me lembrava da minha nova vida escolar, nesta altura do ano letivo europeu, eu teria que sobreviver o dobro e não me deixar ser prejudicada. Toda essa mudança veio através da multi-concessionária onde papai trabalhava. Sendo um membro da diretoria muito competente, o fazia ter que mudar com frequência. Sempre que surgia um problema em alguma filial era ele quem resolvia.

Enquanto meu irmão estudaria na Song Elementary School, que ficava perto de onde moraríamos, eu iria estudar na Daejon Cho High School, um colégio particular, onde o dono era amigo de infância do papai. Nem quero imaginar como será meu primeiro dia de aula. Quando appa estacionou o carro e nós descemos, não resisti em soltar um suspiro desmotivado. Depois de tantas casas lindas e espaçosas, moraríamos em um apartamento. Entramos no edifício, um rapaz que ficava na recepção nos cumprimentou e ajudou a carregar as bagagens, como sempre nos mudávamos, então não acumulávamos muita coisa além das roupas do corpo.

Sétimo andar, apartamento 702. Mantive meu olhar desinteressado no celular ao sair do elevador, aquela distração me fez derrubar minha pasta de desenhos, que estava carregando comigo.

— Eu te ajudo — disse um homem, ao se aproximar. Ele pegou a pasta e me entregou. — Aqui.
— Oh, obrigada. — Eu me curvei em agradecimento, meio sem graça, ainda não tinha me acostumado com o lado mais formal dos coreanos, pois sempre era tão informal com meus pais.
— Espero que se acomodem bem. — Ele deu um sorriso de boas-vindas que me fez ficar encantada.
— Obrigada — disse minha mãe, ao se posicionar ao meu lado. — O senhor mora aqui também?!
— Sim, sou o professor Han. — Ele abanou a cabeça. — Se precisarem de ajuda.
— Agradecemos, mas está tudo sob controle. — Minha mãe se curvou de leve. — Vamos, querida.

Nos despedimos dele e fomos até nossa porta.

Demorou em pouco para appa configurar o sistema de segurança e escolher a senha da fechadura. Quando entramos, me deparei com um apartamento todo decorado e mobiliado num estilo simples, porém a sofisticação básica da minha mãe exalava em cada um dos móveis. Me perguntava como aquele lugar tinha sido decorado e se ela realmente tinha parte nisso. Por mais que sua profissão fosse da gastronomia, mamãe amava assuntos referentes a decoração, era uma fã de Irmãos a Obra e jogava mais The Sims que eu se duvidar. Me pergunto o motivo dela não ter feito faculdade de arquitetura ou design de interiores.

Uma notícia boa?!
Três quartos, ou seja, eu teria minha privacidade.

Isso me deixou mais animada. Quando entrei no meu quarto, reconheci rapidamente a colcha de patchwork que a vovó Margarida tinha me dado de presente de aniversário. Senti que podia fazer daquele pequeno espaço o meu novo refúgio do mundo. Abri as malas e comecei a organizar minhas roupas no armário, ao final, olhei para meu amigo de infância, meu gato de pelúcia que eu chamava de Heebum, retirei da mala e o coloquei em cima da cama.

Abri as cortinas e deixei o vento entrar, ainda era dia, acho que estava quase na hora do almoço. Terminei minha arrumação e fui para cozinha. Omma estava preparando um lanche rápido para o nosso almoço.

— Veio me ajudar, pandinha? — perguntou ela, quando entrei.
— Sim, por onde começo? — Eu sorri.
— Pegue os pratos e os copos naquele armário. — Ela apontou para a minha esquerda. — Coloque na mesa de jantar para mim.
— Tudo bem! — Caminhei até o armário e abri a porta. — A senhora parece muito familiarizada com esse apartamento, além da decoração ser do seu gosto.
— Está se perguntando como fui capaz de fazer isso antes de nos mudarmos para Daejon? — Ela riu de leve.
— Basicamente. — Retirei primeiro os pratos para colocar na mesa.
— Estava fazendo isso desde as férias do Natal passado — explicou.
— Hum, por isso ficamos na casa da vovó Margarida.
— Exatamente — confirmou.
— O que estão fazendo? — perguntou Jinho, ao entrar na cozinha.
— O que mais gosta? — respondeu omma, com outra pergunta.
— Vocês não sabem fazer jogos — brincou ele, rindo. — Omma, o que vamos comer?

Não demorou muito e finalmente fizemos nossa primeira refeição na nova casa, e como não tínhamos muita coisa para fazer nesse primeiro dia, minha mãe nos fez ir às compras com ela no mercadinho que havia perto de casa. Logo à noite, me confinei em meu quarto para trocar algumas mensagens com minha única amiga real, Lira. Nos conhecemos de uma temporada que morei em Belo Horizonte, no Brasil, e continuamos a ser amigas, sempre mantendo contato através do whatsapp.

Quando o sol saiu, senti que meu corpo não queria se desfazer do conforto da nova cama, ainda estava com sono, tinha ido dormir tarde, após passar horas conversando com a Lira. Me levantei assim que o despertador tocou pela terceira vez. Me alonguei, espreguicei e até pensei em me deitar novamente, mas um toque na porta me alertava que era minha mãe garantindo que eu havia acordado.

— Estou me arrumando — eu disse.

Me arrumando?!

Nem consegui me arrumar direito, pois a troca de olhares que eu tinha com minha cama era tão intensa. Quando cheguei à cozinha, segurando a mochila, minha mãe me convenceu a acordar, me dando uma xícara de chocolate quente.

— Aqui, querida. — Ela esticou o copo e sorriu.
— Komaweyo, omma. — Eu peguei, estava meio quente.
— Hum, se quiser, posso levar você e seu irmão de carro — se ofereceu.
— Não! — Eu a olhei, tomei todo o chocolate e coloquei o copo em cima da mesa. — Prefiro ir sozinha.
— Como assim sozinha? É seu primeiro dia. — Ela me olhou espantada. — E se você se perder?
— Omma, passei a noite pesquisando no google maps. Eu ficarei bem — respondi, confiante em meu senso de direção.
— Então, vá em segurança. — Ela sorriu de leve. — E fighting!
— Fighting!

Não queria passar por algum constrangimento por causa da minha mãe.

Alunos coreanos não tinham boa fama.

Eu saí primeiro após mais algumas observações dela sobre a estação que deveria parar e como eu deveria me comportar no meu primeiro dia. Uma curiosidade: o sistema educacional coreano é um pouco diferente, as aulas começam em março e finalizam em fevereiro, tendo recesso em meados de julho e agosto por causa das férias de verão, e finais de dezembro para as férias de inverno, por causa do Natal e ano novo. Eu finalmente iria conhecer a linda rotina dos alunos asiáticos, que estudavam as vezes até quase 18 horas por dia. Minha aula seria das 7:30 da manhã até às 17hrs da tarde, seria um desafio passar mais de 9 horas estudando. Como não fazia amigos nos lugares que morava, meu passatempo era livros e estudo. No geral, não seria tão ruim assim!

Legal começar a estudar em plena segunda-feira.

Foi neste mesmo dia que minha vida entrou em um ritmo de adrenalina. Quando cheguei à escola, fui diretamente para secretaria, precisava assinar alguns documentos e pegar minha folha de horários. Foi um leve momento de distração, procurando meus documentos na mochila, que me fez trombar em uma pessoa, derrubando minhas coisas no chão.

— Yah! — disse o garoto, num tom alto e rude.
— Ah, me desculpa. — Eu olhei, me curvando, e logo abaixei para pegar tudo que tinha caído.
— Olha por onde anda, novata. — Ele se abaixou e pegou justo meu passaporte, já abrindo para ler meu nome. — .

Uma risada discreta e ele esticou a mão, me entregando com um sorriso prepotente.

— Obrigada. — Me curvei de novo e quando fui pegar, ele deixou cair de propósito.
— Ops. — Seu olhar continuou sério. — Acho que deixei cair.
… Yah, vamos — gritou um menino que estava perto da escadaria.
— Vou me lembrar disso, novata estrangeira. — Ele saiu tranquilamente. Reparei na sua mão direita, estava enfaixada e balançava uma corrente de prata.
— Belo primeiro dia — sussurrei para mim, enquanto pegava meu passaporte.

Após preencher o resto dos papéis que faltava, uma senhora muito simpática meu deu minha folha de horários e me disse onde era minha sala, a prestigiada 2-2. Ao chegar à porta, outra surpresa, mas esta era boa, o professor responsável era o senhor super legal que havia oferecido ajuda na noite anterior, professor Han.

— Miayeonghaseyo! — Eu sorri e entreguei o papel da minha transferência.

Ao ler o que estava escrito, ele caminhou até a frente da classe e anunciou a minha presenta. Segundo constrangimento:

Me apresentar para todos.

— Miayeonghaseyo, imnida. — Sorri de leve. — Cuidem bem de mim.
— Seja bem-vinda. — O professor Han sorriu com gentileza. — Novamente.
— Obrigada. — Me curvei em respeito novamente e caminhei até uma carteira ao lado da janela que estava vazia.

Aquela providencial janela dava vista para o pátio central e a quadra de esportes. Bem debaixo de uma árvore, deitado em um banco, estava o pesadelo de nome , com mais quatro garotos, incluindo o da escadaria.

— Aqueles são o Prince Line, se acham os donos da escola — disse o menino que estava sentado na minha frente.

Percebi seu tom amargo.

— Imagino. — Respirei fundo, desviando meu olhar para ele.
— Prazer, sou ! — Ele sorriu gentilmente. Seu olhar era sereno e ao mesmo tempo profundo.
— Prazer, pode me chamar de se quiser. — Sorri de volta.

Ele se virou para frente, o professor Han iria começar a falar sobre a importância da Literatura nos dias atuais, além de nos passar o primeiro trabalho do semestre. Mesmo tendo um professor tão lindo e gentil, eu não conseguia me concentrar, acho que meu cérebro estava meio travado por causa da recepção na secretaria. Sorte que percebeu e se ofereceu para me passar suas anotações.

No intervalo, eu e nos sentamos em uma mesinha perto do refeitório. Ele era realmente gentil e super educado, me contou um pouco como era a rotina de estudos no país e me deu algumas dicas para que eu pudesse me adaptar com facilidade. Nossa conversa estava interessante, até o grupinho se aproximar. Comecei a me controlar internamente, vendo aquele presunçoso vir em nossa direção.

— Novata estrangeira — disse , ao se aproximar, se sentando ao meu lado, ficando de costas para a mesa e se encostando à ela.
— O meu nome é… — Eu olhei, tentando manter minha educação.
. — Ele me interrompeu. — Eu sei.

Os amigos dele se encostaram na parede que tinha perto e ficaram nos olhando.

— Desculpe, mas está nos atrapalhando — disse , com uma voz séria.
— Ha...ha...ha… — deu uma gargalhada e se virou para ele. — Quem é você? Namorado dela?
— O quê? — Eu me levantei. — Ele é meu amigo e você está realmente nos atrapalhando.
— Não vou demorar. — Ele se levantou e me encarou. — Graças a você, me atrasei para aula e isso me custou uma punição.
— Eu já pedi desculpas. — Olhei, não demonstrando fraqueza.
— Suas desculpas não são suficientes. — Ele pegou a maçã que estava na minha bandeja. — Nos vemos na saída.

Ele deu uma leve piscada para mim antes de se afastar, me deixando paralisada por um momento.

— O que você fez? — perguntou .
— Eu trombei nele quando fui à secretaria, mas pedi desculpas. — Eu o olhei meio sem entender.
— Bem, ele não é muito de aceitar desculpas. — Ele suspirou fraco. — Como eu disse, Prince Line se acham os reis da escola.

Bufei de leve, tentando não ficar revoltada. Não podia criar problemas, não no primeiro dia, o que meus pais pensariam? Eu era o orgulho acadêmico deles. Voltamos para sala para mais uma jornada e exercícios. pediu dispensa mais cedo, ele tinha que ir ao médico pegar uns exames para sua mãe. Passei o resto da aula tentando me concentrar nas tarefas de geometria e como iria preencher os relatórios de literatura, porém a gentileza do professor Han me fazia perder um pouco a noção do tempo e espaço. Assim como todo o restante das meninas da sala!

Quando me dei conta, já era 17:15. Todos da sala já haviam ido, quando o professor veio me chamar para a realidade.

— Ah! — disse, ao acordar do transe.
— Estava me ouvindo? — perguntou ele.
— Oh, desculpa, o que disse?
— Está na hora de ir. — Ele deu um sorriso.
— Ah, sim. — Eu curvei a cabeça. — Obrigada!
— Até amanhã. — Ele se afastou, pegou sua pasta e saiu.

Eu me espreguicei e comecei a guardar minhas coisas, quando meu estojo de lápis caiu. Senti que alguém havia pegado e esticado para mim. Eu peguei, agradecendo de forma despreocupada, e o guardei.

Quando olhei de volta...

— Você?
— Eu disse que voltaria. — estava sentado na mesa da frente, me olhando.
— Veio sozinho? — Eu olhei para porta e um dos seus amigos estava lá. — Ah, claro que não. O que você quer?
— Cobrar sua dívida. — Seu olhar era sereno.
— Dívida? — Eu o olhei indignada. — Te conheci hoje de manhã e já tenho uma dívida?
— Como eu disse, levei punição por sua causa. Você tem uma dívida comigo. — Seu tom sereno me deixava perplexa.
— Foi um acidente. — Eu me levantei e o olhei sério. — Não pode me culpar.
— Posso, a culpa foi sua. — Ele se levantou, se mantendo parado em minha frente, seu olhar tranquilo já estava me irritando.
— Não mesmo. — Eu peguei minha mochila e coloquei nas costas. — Se continuar me perseguindo, eu delato ao diretor.
— Eu sou o melhor aluno desta escola, meu pai é o dono e o diretor é meu tio, em quem acha que vão acreditar? E pior, poderão te expulsar por tentar espalhar conflito e difamar um aluno que só foi prejudicado desde o primeiro momento que você chegou aqui.
— Não acredito. — Eu respirei fundo, queria poder jogar ele pela janela.
— Te vejo amanhã então. — Ele caminhou até a porta. — Ah, diga ao seu namorado para não interferir.
— Ele não é meu namorado — disse num tom mais alterado.
— Que seja. — Ele piscou de leve novamente e saiu rindo.

Eu engoli seco aquelas palavras, não iria me curvar a ele, jamais.

“Você está em perigo
Você mexeu com a pessoa errada, saia daqui
Porque eu, porque eu sou perigoso.”

— Badman / B.A.P




“Apareço como o vento, desapareço como fumaça,
Enganando seus olhos
Me aproximo como uma pétala,
E desapareço como um espinho em direção ao seu coração.”

— Danger / Taemin

— Idiota. — sussurrei respirando fundo.

Como uma pessoa que eu conhecia a menos de um dia, podia me deixar tão irritada com facilidade?

— Preciso ir para casa. — disse fechando minha mochila, e ajeitando nas costas.

Peguei o celular e olhei novamente no aplicativo coreano de rotas e transportes, que havia me passado, foi uma boa dica dele para que não me perdesse com tanta facilidade. A distância entre a escola e a estação não era tão grande assim, mas para quem havia passado algumas horas sentada, seria uma bela caminhada.

— Boa noite, querida. — disse mamãe da cozinha, ao ouvir o barulho da porta.
— Boa noite, omma! — passei por Jini, que já estava com seus olhos pregados na televisão jogando — Você não cansa garoto?!
— Não. — ele riu.

Segui direto para o quarto, continuaria meus estudos por mais algum tempo revisando minhas anotações da aula e analisando as que havia me emprestado. Minha mãe veio até meu quarto com uma bandeja de lanche, estava tão concentrada em minha revisão, que pensei em fugir das perguntas dela sobre o 1º dia de aula. E, como esperado, sua curiosidade sobre as novidades foram mais fortes.

— Trouxe seu lanche. — disse, me fazendo parar de escrever, colocando a bandeja em cima de alguns papeis ao lado.
— Obrigada, omma. — sorri de leve e olhei para o bolo de chocolate que me aguardava — Foi ao mercado novamente?!
— Sim. — deu alguns passos até a cama e se sentou — Senti que faltava algumas coisas para comprar, sabe como sou, não consigo me acostumar a comer fora.
— Mas aqui na Coreia é normal. — comentei.
— Ahhh… E eu não sei?! — me olhou com desapontamento — Os preços são tão altos no mercado, mas eu gosto tanto de cozinhar.
— Então continue cozinhando. — ri dela.
— Vamos mudar de assunto. — sorriu com sutileza — Estou curiosa sobre seu primeiro dia.
— Ai mãe, não podemos deixar para depois? — indaguei — Estava estudando.
— Pandinha. — me olhou com carinho — Me conte só as partes boas, então?!

Fiz alguns rodeios e tentei mudar de assunto novamente, porém, acabei contando a parte sobre e o professor Han que era o nosso vizinho, assim que vi uma certa satisfação em sua face, pedi a ela para ficar sozinha, pois ainda tinha matérias para estudar. Consequentemente, passei o resto da noite colocando toda minha vida escolar no lugar, percebi que nunca havia feito tanta anotação em um único dia de aula. A parte boa? O professor fofo e gentil. A parte má? Me peguei distraída com seu sorriso a aula toda.

Eu e todas as outras meninas da sala.

, se concentre. — me repreendi, ao desviar meu foco das anotações para meus pensamentos sobre a vida do professor Han — Onde parei mesmo?! Hum...

Tentei me concentrar em absorver tudo o que tinha aprendido, contudo, a imagem de invadiu minha mente de forma inesperada.

— Garoto pabo… — sussurrei me lembrando das suas provocações — Acha que sou culpada, eu me recuso a aceitar ter uma dívida com ele.

Mantive meu olhar para o livro por um tempo.

Relutante em pensar sobre isso. Quando terminei meus estudos, já era alta madrugada, completaria mais uma noite de 4 horas de sono. E foram as melhores quatro horas que eu poderia ter, revigorante e confortável aquela cama. Acordei bem, quando o celular tocou e mesmo não dormindo muito tempo, senti meu corpo leve e descansado. Me levantei, troquei de roupa colocando meu uniforme e fui para a cozinha tomar café.

— Que milagre não estar atrasada. — comentou minha mãe, ao servir Jini — Vi quando apagou a luz do seu quarto.
— A senhora estava acordada àquela hora?! — perguntei, permanecendo de pé e pegando um biscoito para comer.
— Acha mesmo que conseguiria dormir sabendo que estava acordada estudando?! — me olhou como se tivesse demonstrando que sempre estaria preocupada comigo em qualquer situação — E você Jinho, também vi quando desligou o tablet e foi para cama.
— Eu estava sem sono, omma. — explicou nosso caçula.
— Sem sono, e criança nessa idade não tem sono? — retrucou, colocando a mão na cintura — Ainda chegará o dia em que ficará sem toda essa tecnologia.
— Eita. — ri da cara dele — Já até te vejo nesse jejum, farei questão de jogar na sua frente.
— Yah. — ele me olhou emburrado — Sua chata.

Ri um pouco mais e terminei meu café, era divertido nossos momentos no café da manhã. Já que appa havia saído primeiro para um brunch de negócios, minha omma levaria Jinho para a escola e passaria na casa de um amigo da empresa do papai. A esposa do senhor Ong iria apresentá-la a algumas amigas. Já eu, saí tranquilamente para ir ao colégio, de acordo com meu cronograma chegaria na hora exata, porém, quando você pensa que seu dia não vai te surpreender…

Me perdi na estação e peguei o metrô na direção errada.

Tinha que acontecer isso justo hoje, teríamos teste de aptidão na aula de educação física logo no 1º horário.

— Oh, não! — disse para mim mesma, tentando não chorar.

Peguei o metrô na direção certa, depois de esperar por quase 30 minutos. Fui correndo até chegar no portão da escola que já estava fechado.

— Senhor, por favor, me deixe entrar. — gritei em desespero.
— Me desculpe — o homem com cabelos grisalhos se aproximou — Mas não poderá entrar.
— Senhor, esse é meu segundo dia, não posso ficar fora da escola. — quase em súplica.
— Não posso fazer nada criança, esse portão não abrirá, da próxima vez chegue mais cedo. — aconselhou.

Esse era o propósito quando saí mais cedo! — pensei comigo.

— Por favor — segurei na grade, estava mesmo desesperada — Peguei o metrô errado.
— Senhor Kim. — disse alguém se aproximando — O que está acontecendo?!
— Ah, jovem príncipe. — o senhor se virou e eu pude ver o rosto da pessoa — É uma aluna que chegou atrasada.
— Interessante. — disse , ao se aproximar mais — Novata estrangeira.
— Oh não, você não. — suspirei fraco, era o que eu menos queria naquele momento.
— Senhor Kim, esta aluna deveria estar em um lugar muito importante. — comentou, de forma sugestiva.
— Jovem príncipe?! — seu olhar confuso, não entendendo.
— Pode abrir o portão para ela, por favor?! — pediu, desviando o olhar para mim, com um sorriso presunçoso de canto.
— Não. — gritei no impulso — Eu prefiro a suspensão.
— Acho que não tem escolha, sua turma já está na quadra e se não chegar terá um castigo e tanto, quer mesmo isso? Logo no segundo dia?!
— Droga. — sussurrei — Não. — concordei com ele — Não quero.

O senhor Kim abriu o portão e eu entrei, parei frente a , que mantinha o sorriso debochado no canto do rosto. Ficamos nos encarando por alguns instantes até que.

— Acho que ainda está atrasada. — disse, apontando para a quadra.
— Por que fez isso? — perguntei.
— Te vejo na biblioteca no primeiro intervalo — ignorou a pergunta e saiu andando em direção ao prédio das salas — Ah, agora você me deve duas vezes.
— Yah! — um grito preso soltou da garganta.

Gostaria de ter dado uma boa resposta a ele, mas estava mesmo atrasada.

Saí correndo em direção à quadra, aquela aula era importante para mim. Quando cheguei levei uma bronca do treinador Lee, que me mandou ir correndo trocar de roupa. Assim, me troquei o mais rápido que pude no vestiário e saí correndo de novo para quadra.

— Como conseguiu entrar? — perguntou , ao chegar perto de mim.
— Se eu contar não vai acreditar. — o olhei.
— Me surpreenda.
— Uma palavra, mil sentimentos raivosos. — respirei fundo — .
— Como?
— Digamos que ele tem influências pela escola.
— Típico, só porque é filho do dono. — bufou, deu pra perceber sua frustração.
— Mais uma coisa para ele dizer que eu devo. — suspirei fraco.
— Idiota. — sussurrou, parecia mais revoltado do que eu.

Acho que não vou aguentar isso...

O professor nos mandou formar duas filas, uma de meninas e uma de meninos, ele iria testar nossas habilidades para separar os alunos por esportes. Eu fiquei na modalidade do basquete, na teoria eu realmente era boa isso, ainda mais por que tinha assistidos muitos jogos com meu pai na temporada que morei em Chicago, nos Estados Unidos. Já na prática… Era outra história.

— Mal começamos e já está cansada? — comentou , ao se aproximar de mim rindo.
— Meu forte nunca foi educação física. — expliquei permanecendo sentada no chão da quadra — Não consigo mais sentir minhas pernas.
— Não acha exagero? — ele sentou ao meu lado.
— O professor Lee nos colocou para dar cinquenta voltas pela quadra, não que eu seja uma sedentária, mas… — suspirei fraco — Já tive que correr para chegar a tempo.
— Você é mesmo fraca. — continuou rindo, o que me fez empurrá-lo de leve.
— E você um bobo. — reclamei virando meu rosto para a direção de onde estava um grupo de meninas — O que tem de errado comigo?
— O que? — me olhou confuso.
— Me pergunto o que tem de errado comigo. — repeti.
— Por que teria algo de errado com você?! — indagou.
— Todos os meninos me trataram super bem desde que cheguei, mas só agora percebi que ainda não sou bem vinda pelas meninas. — disse mantendo meu olhar na direção delas — Por isso me pergunto se tenho algo de errado.
— Deixe elas, garotas, são mesmo estranhas. — riu do próprio comentário — Uma hora elas se cansam e te aceitam.
— Não sabia que existia tanta rejeição… Só porque sou estrangeira. — cruzei os braços — Nem sou tanto assim, meu pai é coreano.

Ele riu de novo.

— Não se sinta chateada. — deu uma breve pausa e se levantou esticando a mão para mim — Você tem a mim.
— O que?! — o olhei.
— Disse que você tem a mim. — repetiu continuando com a mão esticada — Podemos ser amigos?!
— Claro. — segurei em sua mão e apoiada nele, me levantei com facilidade — Só espero que ninguém fique com ciúmes disso, já percebi que você também é popular.
— Onde que sou?! — fez uma careta.
— Existem meninas que gostam de nerds, além do mais, você é o presidente da turma. — ri e brinquei — Poderia até se candidatar para ser um Prince Line.
— Yah, Deus me livre, não quero ser arrogante como eles. — reclamou fazendo outra careta engraçada — Prefiro permanecer como estou, no anonimato.

Ri um pouco mais dele.

— Posso tirar uma dúvida?!
— Claro. — assentiu ele.
— Se você é o presidente, quem é o vice?! — perguntei.
— Kim Yuri. — respondeu ele — Nossa medalhista em redação.
— Uau. — me impressionou.
— É aquela com o livro na mão e cabelo amarrado com uma presilha verde. — mostrou, discretamente.

Ah! Justo a garota que não olhava na minha cara sempre que eu estava perto de . Bem… Quando eu estava longe, também agia assim.

— E vocês dois são namorados? — perguntei curiosa.

Para agir assim comigo.

— Não, somos amigos de infância apenas. — segurou o riso de nervoso — Por que a pergunta?
— Nada, é que vocês parecem ser muito próximos. — disfarcei já entendendo qual era a da Yuri — Como um casal.
— Ah, não… — pareceu sem graça — O que você vê é somente a nossa amizade e nossos pais, são amigos também.
— Ela parece ser um pouco tímida, mas se dá muito bem com as outras meninas. — observei.
— Ela é um pouco silenciosa, realmente, sempre que estudamos juntos não perde o foco com facilidade. — seu olhar voltou para mim — Você já tem um clube?!
— O que?! Clube?!
— É! Na escola tem muitos clubes, eu participo de dois, o de estudos e o de xadrez. — pareceu reflexivo — Você pode se juntar a nós no grupo de estudos, vai te ajudar muito agora, estamos eu, a Yuri, o Chang e a Holly, eles participam do grupo de leitura também, ajudam na biblioteca.
— Grupo de estudos… Hum, geralmente gosto de estudar sozinha, de preferência com fones no ouvido.
— Sério?! — o espanto estava em seu olhar — Como consegue estudar ouvindo música?
— Não sei, acho que é costume, faço tudo ouvindo músicas. — ri de leve — Desde bebê minha mãe me colocava para dormir ouvindo música, cantava para mim o dia todo, cresci com a música.
— Que loucura. — impressionado — Eu preciso de silêncio para conseguir estudar, sem isso não dá.
— Cada um com sua loucura. — desviei meu olhar para as meninas se alongando — Sinto que devo disfarçar estar participando, se não ficarei sem nota.
— Concordo. — segurou em minha mão com respeito e me puxou até o colchão que estava estendido — Vamos alongar, enquanto o professor Lee não volta.

Passaram-se algumas horas e finalmente havia chegado a hora do intervalo, eu fiquei em dúvida se iria ou não me encontrar com . Decidi não ir, para mostrá-lo que não cederia às suas chantagens e loucuras sobre dívidas. Me sentei no pátio embaixo de uma árvore, estava com meu sketchbook desenhando um pouco.

— Quem você pensa que é? — soou uma voz conhecida, parando em minha frente.
— Quem eu penso que sou? — me levantei e o olhei firme — Quem você pensa que é? Não cederei às suas vontades.
— Ah!? — ele se aproximou mais de mim, eu recuei um pouco até encostar na árvore, seu olhar era um parcialmente intimidador, pude ver que não estava satisfeito com que eu tinha feito — Corajosa. — se aproximou ainda mais de mim, e podia sentir sua respiração, nossos olhos encontrados, possuía um olhar profundo que me fazia perder o foco — Mas eu não aceito não, como resposta. — ergueu sua mão direita e tocou de leve em meus cabelos, lentamente foi percorrendo sua mão pelo meu ombro, braço, até que chegou até meu sketchbook — Da próxima vez, não se faça de difícil.

Foi em um piscar de olhos, que ele pegou meu sketchbook e se afastou.

— Te devolvo no final da aula. — anunciou, me deixando perplexa.
— O que?! — sussurrei tentando raciocinar o que tinha acontecido.

Estava paralisada com aquilo tudo.

Respirei fundo e senti um cheiro suave e doce, era seu perfume que ainda havia permanecido no ar. De repente voltei a realidade, aquele garoto sabia como me deixar revoltada, e pior, me fazia querer devolver na mesma moeda suas chantagens. Assim que o sinal tocou, voltei para a sala e me sentei ainda querendo arrancar o pescoço dele, que estava na porta de trás da sala, conversando com uma menina, veio até mim e se sentou na sua habitual carteira que ficava na minha frente, virando para trás em seguida.

— Está tudo bem? — perguntou, com um olhar preocupado.
— Não. — resposta curta e direta, ainda estava irritada.
— Até imagino o por quê. — seu olhar para janela.

Segui seus movimentos e vi em sua aula de esportes na pista de corrida, com seus amigos.

— Não quero falar sobre isso. — virei minha face para o quadro, nem percebi que o professor Han já estava na sala.
— Então, respire fundo, teremos mais longas horas de estudo. — sugeriu, se virando para frente.
— Farei isso. — concordei exatamente, ao respirar fundo.

A aula com explicações sobre capitalismo e a economia atual coreana, enquanto apontava para as anotações que fazia no quadro, eu escrevia e fazia minhas anotações como de costume, seria mais uma aula, em que teria que escolher entre estudar ou tentar me acalmar. O professor Han era tão simpático e atencioso com todos, eleito o melhor professor de história de Daejeon pela secretaria de educação e pelos pais. Aparentava seus 30 ou 35 anos. Quem me dera se eu tivesse pelo menos uns 23 ou 25, não teria dúvidas em demonstrar minha admiração por ele. Será que tinha namorada? Ou esposa? Não deveria pensar nisso, não deveria nem mesmo me deixar viajar naquele olhar gentil que ele tinha, era uma aluna que deveria me focar nos estudos, afinal, teríamos uma importante prova na próxima semana e muitas matérias para absorver.

No meio da aula, senti como se estivesse injetando o Google Academics no meu cérebro, e uma leve dor de cabeça começou a me atrapalhar. As horas se passaram e ao final da aula, após todos se despedirem e irem, novamente ao recolher minhas coisas e ajeitar a mochila nas costas, percebi que fui a última a deixar a sala. Passei pelo corredor tranquilamente, porém quando cheguei nas escadas estava lá me esperando.

Encostado na parede de braços cruzados.

— Novata estrangeira. — deu um sorriso de canto.
— Meu nome é….
. — confirmou, me interrompendo — Eu sei.
— Então por que insiste em me chamar assim? — o olhei meio furiosa, detestava quando me chamavam de novata ou estrangeira.
— Por que gosto de ver você assim, fica muito mais bonita quando está brava. — deu um riso baixo — Não diga isso ao seu namorado, ele pode ficar com ciúmes.
não é meu namorado. — mantive minha voz nivelada.
— Que seja. — deu de ombro e olhou para trás, era seu amigo dando sinal para irem — Bem, eu não posso demorar agora, toma isso.

Esticou um papel.

— O que é? — peguei o papel e li — Trabalho de francês? — eu o olhei — Você não quer que eu faça, né?!
— Que bom que entendeu sem que tivesse que explicar. — sorriso de canto.
— O que?! — tom indignado — Eu não vou fazer.
— Vai sim. — ele tocou em meus cabelos novamente, e retirei sua mão — Soube que é boa em francês, preciso de pontos extras em línguas estrangeiras para acrescentar no meu currículo acadêmico. Além do mais, você ainda me deve duas vezes.
— Ok. — queria acabar com aquilo, duas dívidas, significava que eu teria que fazer duas coisas, não queria fazer, mas queria me livrar rápido dele.
— Sério?! — me olhou surpreso — Concordando assim tão rápido?!
— Quero me livrar logo de você. — fui sincera e direta.
— Se você diz. — piscando de leve para mim, desceu as escadas na minha frente.
— Yah!? — gritei.
— O que? — se virou.
— Meu sketchbook!
— Eu o perdi. — seu olhar estava tranquilo.
— O que? — fiquei em choque, meus desenhos perdidos.
— Até amanhã e não se esqueça do meu trabalho.

Ele saiu rindo.

Tudo que mais queria era rasgar aquela folha, porém, isso seria mais uma desculpa para me perseguir. Não acreditava que tinha perdido meu sketchbook, meus desenhos. Desejava matar ele. Como uma pessoa que conheci há dois dias pudesse me deixar com tanta irritação?

— Calma . — respirei fundo — Yahhh… — comecei a raciocinar — Se ele realmente perdeu, alguém achará e levará para o achados e perdidos, é uma regra da escola.

Havia decorado todas as regras da escola.

Cheguei em casa transpirando revolta, até minha omma percebeu que meu bom humor estava inativo. Me tranquei no quarto, não estava para mais ninguém, tinha tanto o que estudar, o professor Han queria dar um teste antecipado para testar nossos conhecimentos antes da prova mensal. Além do trabalho daquele tirano, filho da mãe, que eu teria que fazer. Como será que tinha descoberto que eu sabia francês? Isso não importava naquele momento, a cada tópico do trabalho dele minha raiva aumentava, ainda mais quando me lembrava da forma que se aproximou de mim na árvore.

Pior. Daquele perfume que tinha bambeado meus sentidos.

— Vou me livrar de você, . — sussurrei, enquanto traduzia o segundo texto do trabalho dele.

No relógio bateu meia noite e eu estava quase caindo da cadeira, acho que tinha cochilado sentada, foi neste momento que minha mãe bateu na porta, eu levei um susto tão grande que realmente caí.

?! Está tudo bem? — perguntou, demonstrando preocupação.
— Estou! — gritei me levantando — Estou indo.

Caminhei com dificuldade até a porta, minha bunda estava doendo.

— Ah, querida. — disse omma, quando abri — Trouxe um lanche, você ficou trancada aqui desde que chegou.
— Muitos deveres. — peguei a bandeja que estava na sua mão — Mas komaweyo omma.

Dei um beijo em seu rosto e fechei a porta em seguida.

Com certeza minha omma não entendeu nada, mas eu tinha muitos problemas que não queria falar com ela. Comi aquele lanche gostoso, acho que a melhor hora do meu dia estava sendo aquela, o que a comida não faz com meu humor. E com isso concluí a terceira noite em claro, e eu tinha certeza que isso iria me deixar de mau-humor e louca o dia todo.

Amanheceu e tomei um banho relaxante, coloquei meu uniforme e fui para a escola, minha sorte é que finalmente tinha decorado o caminho e as estações que desceria.

“Me apaixonei por você,
Mas gostaria de ter pelo menos metade da sua personalidade
Em outras palavras, você é uma menina má,
Mas eu me sinto atraído por você.”

— Yeowooya / Lunafly




“Você é a garota que me deixa inquieto
sempre que te vejo.”
— Bad / Infinite

: on

Desci as escadas correndo, juntamente com Junhae que não parava de me perguntar o que eu queria com a novata estrangeira. Assim que chegamos no portão, os outros já haviam ido embora, cada um tinha seu compromisso naquela noite e Junhae havia me convidado para jogar um pouco na casa dele, já que sua mãe estaria de plantão no hospital.

— Chegamos. — disse ele, assim que entramos no pequeno apartamento onde moravam e jogando a mochila no sofá — Acho que a omma deixou alguma coisa pra comermos.
— Ajumma Nya é daebak.

Riu caminhando até a cozinha para vasculhar a geladeira, deparou com um enorme bilhete na porta dizendo que o jantar estava no forno, era só esquentar. Enquanto Junhae preparava nossa refeição, me joguei no sofá e abri minha mochila, meu olhos foram imediatamente no sketchbook dela, que falsamente tinha desaparecido.

— Vejamos o que tem aqui dentro. — sussurrei o retirando da mochila e abrindo — Interessante.

Havia vários desenhos espalhados em páginas alternadas, a novata estrangeira tinha muito talento para artes, conseguia notar isso só de olhar para seus traços ora delicados e bem contornados, ora rabiscados, porém, extremamente detalhados. Senti meus olhos encherem de fascínio por cada página que olhava, sua beleza não estava somente nela, mas também em seus desenhos escondidos naquele sketchbook.

— Vem comer. — disse Junhae, em voz alta da cozinha.
— Estou indo. — fechei-o e guardei novamente na mochila, estava curioso para folhear mais quando chegasse em casa.
— Uahhhh… Que fome. — disse, já sentado na banqueta em frente a bancada de refeição — Nem parece que almocei.
— Confesso que também estou sentindo um fundo no estômago. — me sentei de frente para ele — Yah… Ela fez sopa de algas com broto de feijão e pasta de peixe, minha preferida.
— Disse a omma que viria para o jantar. — comentou — Ela disse que fez com muito carinho, mas recebeu a ligação para voltar ao hospital.
— Aish… — resmunguei — Vida de médico é complicado.
— Ela não é médica. — corrigiu — É enfermeira.
— Dá no mesmo, ambos não tem vida depois do diploma. — meu argumento era válido.
— Verdade. — concordou.

Comemos com todo prazer e fome que tínhamos, a sopa estava mesmo muito boa, fazer minhas refeições na casa dos meus amigos era a melhor parte do meu dia, após o final das aulas. Era a volta para casa que se tornava a parte mais difícil e desprezível.

— Você vai se inscrever no concurso de artes?! — perguntou.
— Por que faria isso?! — nunca tive muita aptidão.
— Mais prêmios, mais méritos para o currículo acadêmico. — explicou.
— Como se ganhar um concurso de artes fosse influenciar no meu currículo. — ri de forma descontraída — Sabe que meu curso é de exatas, nada de humanas e nada de ciências sociais aplicadas.
— Verdade. — respiro profundo — Seu pai quer mesmo você fazendo administração?!
— Sim. — dei um suspiro cansado — Tenho que aprender a administrar os negócios da família.
— Ah… Família… Me pergunto se as aulas extras que Mijun está fazendo dará resultados. — comentou Junhae — Ele não para de falar da noona que parece k-idol.
— Acho que não. — ri de leve — Será dinheiro jogado fora se ele continuar atento somente as curvas da Nara sunbae.
— Aquela criança travessa. — Junhae riu também — Se não tirar boas notas na próxima prova de destaque, seus pais vão linchá-lo.
— Vamos torcer que não, o ajuhssi é militar, certamente tem muita força para bater. — comentei, imaginando a cena.
— Verdade. — concordou.

Estava um pouco preocupado com meu amigo, além de ser o maknae do Prince Line, seus pais eram militares e sua vida era ainda mais disciplinada que a minha em casa. O que me levava a pensar que, com certeza serviria as Forças Especiais assim como o ajuhssi, ou seria oficial médico do exército como sua mãe.

— Cada um com seus problemas paternos. — sussurrei.
— Falando em problemas paternos… Por que não dorme aqui hoje? — sugeriu ele.
— Não dá. — respondi — Já dormi ontem na casa do Hwang, preciso voltar hoje.
— Aigoo. — suspirou fraco — E como estão indo as coisas com seu pai? Ele já se acalmou?
— Eu bati a moto há duas semanas, escondi dele sobre isso, acha mesmo que passaria assim tão rápido? — o olhei — Isso foi mais uma coisa para aumentar o peso sobre mim.
— Yah!!! A culpa também foi sua. — reclamou com razão — Não deveria dirigir enquanto está com raiva, você sempre fica cego quando briga com ele.
— Não pensei nisso, só queria me distanciar o máximo que conseguiria. — expliquei, em minha defesa.
— E acabou fazendo idiotices. — bufou — Não quero perder meu amigo tão jovem, além do mais, você será meu padrinho de casamento.
— Hum.
— Não quero ficar sem aquele presente caro que você prometeu me dar. — brincou rindo.
— Yah, seu interesseiro. — fiz um gesto rápido de que iria bater nele com o hashi que segurava — Estou melhor agora, ficarei sem dirigir por um tempo.
— Isso porque ele confiscou sua carteira de habilitação. — observou.
— Não precisava me lembrar deste detalhe. — mantive meu olhar na tigela de sopa — Mas fiz uma promessa à minha mãe.

Deixei o tempo passar e aproveitei meu momento de tranquilidade, jogando algumas partidas de Warcraft com ele. Próximo de dar meia noite, recebi uma mensagem me lembrando que havia ordenado que chegasse em casa antes do dia terminar. Me despedi do meu amigo e fui para onde morava com meu pai. O pior lugar do mundo para se estar.

— Eu disse para voltar antes do dia terminar. — seu tom era o mesmo de sempre, rude e frio.
— São exatamente onze e cinquenta e oito. — o olhei deixando minha face fria também — O dia não terminou ainda.
— Criança arrogante. — se levantou da sua poltrona de estimação — Acha que pode falar comigo nesse tom?
— E como quer que eu fale?! — juro que tentei mais meu olhar de ironia foi mais forte.
— Continue agindo assim, que outras pessoas sofrerão as consequências. — ameaçou.

Respirei fundo e engoli seco, simplesmente odiava quando ele achava que me ameaçando conseguiria respeito de mim, ajeitei a mochila em minhas costas e me virei para a escada que dava para os quartos. O prédio onde morávamos era luxuoso, dois apartamentos por andar e como o nosso ficava na cobertura, tínhamos o privilégio de ter dois pavimentos no apartamento. Ao passar pelo corredor da área íntima, percebi que a porta do quarto dele estava entreaberta, ouvi o barulho do chuveiro ao longe, certamente uma de “suas amigas” estava aqui, só não imaginava qual delas. Respirei fundo e continuei seguindo até entrar em meu quarto, joguei a mochila no chão e já entrei no banheiro retirando a camisa da escola, após um banho quente que serviu para mudar o rumo de meus pensamentos, me deitei na cama. Fiquei olhando o teto por um longo tempo. Pensava em minha vida acadêmica e tudo que havia acontecido nos últimos dois dias, a escola este ano aparentemente seria tão chata, até que ela apareceu. Confesso que foi proposital ter trombado nela na secretaria, estava tão distraída mexendo na mochila, que nem me viu me aproximar.

Aquela novata estrangeira.

— Meu nome é . — disse imitando-a, enquanto ria baixo — Como uma garota pode ficar tão linda quando está brava?! Mas, ela já é linda!

Era engraçado perturbá-la.

Seu rosto ficava mais iluminado quando deixava transparecer a raiva, e como ela ficava com raiva tão fácil perto de mim. Me espreguicei e levantei lentamente pensando em seu rosto, quando disse que tinha perdido seu objeto, então fui até minha mochila, abri e retirei o sketchbook dela.

— Então, agora vamos ver o que mais tem aqui — disse, indo até minha cama novamente.

Me deitei meio inclinado encostando minhas costas na almofada, comecei a folhear de onde parei, nem mesmo senti sono olhando cada páginas desenhada, o que resultou em um longo tempo apreciando cada desenho dela, ela tinha talento para desenho artístico. Fechei o sketchbook e o coloquei na mesa de cabeceira do lado, peguei meu celular e abri o kakaotalk, tinha algumas mensagens no grupo de conversa Prince Line. Ignorei um pouco os comentários do Junhae, contando aos outros sobre eu ter pedido ela para fazer meu trabalho de francês.

Bem, eu já tinha feito aquele trabalho, porém fiquei curioso para saber como ela reagiria se eu pedisse, só não imaginava que ela faria e isso me deixou impressionado. O que me levou a pensar no meu próximo pedido, queria algo que me fizesse ficar mais tempo perto dela. Felizmente, essa ideia de dívidas foi genial da minha parte, voltei para a página inicial do kakaotalk e fiquei olhando para o nome dela.

Será que eu deveria mandar uma mensagem de boa noite?

— Hum. — me espreguicei um pouco — Acho que vou dormir.

Coloquei o celular ao lado do meu travesseiro e me deitei direito me cobrindo com o lençol, fechei meus olhos sorrindo um pouco, estava curioso pelo dia seguinte.

: off


“Meus pensamentos são muito para você, eu não sei o que fazer
O que eu vou fazer comigo mesmo?
Você tem que algo que eu preciso.”

— Seeing You Or Missing You / Lunafly

Primeira boa notícia do dia?

Consegui chegar cedo na escola!

Primeira má notícia do dia?

Quando cheguei na porta da sala, já estava me esperando.

Respirei fundo ao vê-lo, acho que em minha mente eu conseguia ver sua morte em 100 maneiras diferentes. Ele estava encostado na parede de braços cruzados me olhando.

— Aqui está, formatado e impresso. — estiquei uma pasta para ele.
— Nossa. — pegou admirado — Além das minhas expectativas.
, que bom que já chegou. — disse , se aproximando com algumas folhas na mão — Você me ajuda a colocá-las em cima das mesas?
— Claro. — o olhei pegando as folhas — Claro que ajudo, .
— Bom dia, . — disse , com um tom irônico.
— Bom dia, . — a voz de se manteve firme, porém, no seu tom baixo e habitual.
— Se nos dá licença, temos algo a fazer. — disse ao indesejado.
— Hum... — deu uma risada debochada — Vou deixar o casal a sós.
— Idiota. — resmunguei meio estressada com ele — Não somos um casal.
— Se você diz. — ele se afastou da parede — Te vejo na quadra no intervalo.

Saiu andando com tranquilidade. Respirei fundo controlando minha raiva.

— Qual é a dele?! Idiota. — murmurou .
— Ai que raiva. — eu bufei — Me desculpe, .
— Não precisa se desculpar. — segurou de leve em minha mão e sorriu — Fique calma, ele não merece isso.
— Obrigada. — dei um sorriso fraco, era tão gentil comigo, ao contrário do , me sentia bem ao lado dele.
— Então, me ajuda?! — ergueu as folhas.
— Claro. — assim que entramos, o ajudei a distribuir as folhas em cada carteira.
— O que está acontecendo? — perguntou Yuri, ao entrar na sala com mais uma menina, certamente do clube de estudos.
— Ah, Yuri, já chegou. — a olhou surpreso — Disse que chegaria atrasada por causa da sua mãe.
— Consegui chegar na hora. — pela primeira vez, ela desviou o olhar para mim — O que ela está fazendo?
— Ah, pedi a para me ajudar a distribuir essas folhas antes de todos chegarem. — explicou .
— Este é o meu dever. — Yuri veio até mim e pegou as folhas — Agradeço, mas eu sou a vice da sala.
— Tudo bem, só estava ajudando um amigo. — disse, recuando um pouco.

Aquilo confirmava minhas suspeitas.

Yuri gostava de e certamente tinha ciúmes de mim, preferi não criar mais desconforto para mim, já estava cansada de mais por causa da minha noite mal dormida. Assim que sentamos, o professor Han entrou na sala juntamente com os outros alunos, nossa aula de história seria sobre a guerra do Vietnã. Após algum tempo, percebeu que eu estava passando mal e pediu ao professor para me levar a enfermaria. Andamos lentamente pelos corredores até chegar, realmente estava com a pressão baixa e meio zonza, será que era estresse demais? Quando cheguei só consegui ver a luz da enfermaria e logo tudo se apagou, ao abrir meus olhos novamente, já estava deitada na maca que tinha lá, tomando soro na veia.

As coisas pareciam mesmo preocupantes.

— Você está melhor agora? — perguntou , sentando ao meu lado.
— Oh! — eu o olhei — Acho que sim, ainda estamos na escola?
— Sim, a enfermeira foi reportar ao diretor. — estava segurando em minha mão, como era doce e gentil.
— Obrigada, por ter ficado comigo. — demonstrei gratidão.
— Eu até gostei de ficar aqui. — manteve a ternura no olhar — Você sorri enquanto dorme.

Senti minhas bochechas corarem de vergonha.

— Por quanto tempo fiquei apagada?
— Umas duas horas. — levantou minha mochila — Enquanto a enfermeira estava cuidando de você, peguei nossas coisas na sala.
— O que a enfermeira disse?
— Que talvez deva ser estresse ou exaustão por causa da sua nova rotina, como é seu terceiro dia aqui, seu corpo ainda não se acostumou. — explicou.
— Hum, pode ser mesmo. — desviei meu olhar para a porta e lá estava ele, encostado na parede de braços cruzados, a causa dos meus problemas — !?
— Você está bem? — entrou sem ser convidado, vindo em nossa direção — A escola inteira está comentando.
— O que está fazendo aqui? — perguntei.
— Vim ver se estava bem. — seu olhar estava mesmo de alguém preocupado.

Me impressionou.

, eu vou buscar algo para você comer, a enfermeira disse que precisaria se alimentar ao acordar. — soltou minha mão lentamente, era como se ele não quisesse se afastar — Eu já volto.
— Espero que não fique com ciúmes se eu ficar aqui até voltar. — disse , num tom de provocação.
— Nós somos amigos, mas isso não é da sua conta. — se afastou e saiu, era impressionante, até mesmo uma resposta rude parecia tão sutil ao sair dele.
— Já disse, ele não é meu namorado. — o olhei séria.
— Se você diz. — permaneceu parado em minha frente — O que aconteceu com você?
— Você aconteceu. — sussurrei olhando para janela, respirei fundo — Estresse, meu corpo reagiu assim.
— Parece que não dorme há dias. — comentou.
— Está tão visível? — o olhei.
— Sim. — respondeu, e sorriu de canto — Mas até que mesmo com olheira, você continua bonita.
— Hum. — tentei ignorar aquilo que parecia um elogio — Acho que ainda não me adaptei ao ritmo escolar coreano.
— Tenho certeza que seu namorado irá te ajudar.
— Já disse que ele não é meu namorado. — elevei a voz, involuntariamente.
— Não é o que parece, não da parte dele... Mas enfim, espero que melhore. — um passo se afastando, caminhou até a porta — Logo teremos um baile de primavera.

Baile de primavera? O que ele queria dizer com isso?

Assim que saiu, voltou com uma bandeja nas mãos, havia levado um sanduíche, suco de laranja e maçã. Eu comi meio que sendo incentivada por ele, logo na hora de ir para casa, meus pais foram me buscar, antes conversaram com o diretor, o professor Han e a enfermeira. Acho que tinha ganhado o direito de ficar em casa por dois dias. O lado bom é que o professor Han iria me explicar as matérias na minha casa à noite, e eu ficaria dois dias sem na minha vida. Me despedi de antes de entrar no carro do appa, minha omma o convidou para jantar em nossa casa no sábado, e mesmo ele ficando com vergonha pelo convite, percebi seus olhos brilharem um pouco. Comecei a me perguntar se estaria certo e estaria interessado em mim.

, por que a cada 10 pensamentos 9 envolvia ele.

“Agora na minha frente existem duas pessoas brilhantes
E eu que estou agindo pobremente
Embora eu tente me repreender por ser um idiota
Meu coração continua se curvando na sua direção.”

— Aside / SHINee




“Eu preciso de você, garota
Por que eu me apaixono e
digo adeus sozinho?
Eu preciso de você, garota
Por que eu preciso de você mesmo sabendo que vou me machucar?”

— I Need U / BTS

: on

Estava feliz por ter sido convidado pela mãe dela.

Nos conhecemos há três dias e não conseguia deixar de me sentir atraído pela sua simpatia e amizade. era uma garota que despertava muita curiosidade em mim, e queria realmente conhecê-la mais, passar mais tempo mergulhado em nossas conversas descontraídas. Os intervalos no pátio eram tão cheios de assunto, ela falava sobre tudo, até mesmo a Champions League da UEFA, algo novo para mim, uma menina saber tanto sobre futebol.Confesso que me sentia irritado toda vez que se aproximava, ele e sua arrogância de sempre, principalmente hoje na enfermaria foi ainda pior.

Será que estaria interessado em ?

Não, ela é muito boa para ele!

— Espero que não fique com ciúmes se eu ficar aqui até voltar. — disse, imitando a voz dele, fazendo uma careta — Idiota.
— Falando sozinho, querido?! — perguntou minha mãe ao adentrar a sala.
— Não, só estava pensando alto.
— Quer parar os estudos e ir comer alguma coisa? — sugeriu — Com a barriga vazia a mente não funciona.
— Vou daqui a pouco, sem falta. — assenti abrindo mais uma vez o livro de física — Só preciso terminar uma conta que comecei.
— Estou indo dormir primeiro. — se aproximou e deu um beijo de leve em meu cabelo, de forma carinhosa — Não faça muito barulho quando for comer e ir dormir, seu pai já está dormindo também.
— Sim senhora. — fiz um gesto de continência e sorri — Serei silencioso.

Ela sorriu de forma gentil e seguiu pelo corredor dos quartos.

Voltei para a folha do caderno e logo me veio algumas reflexões, sobre falar que namorávamos desde o primeiro dia dela na escola, isso me irritava um pouco, mas olhando agora, não era um comentário ruim. era de uma beleza simples, mas um sorriso de gravar na memória, seu olhar profundo tinha uma ponta de brilho, sua voz doce, porém firme. Inacreditável uma garota gostar de games e mangás como gostava.

Única e especial.

: off

Quando chegamos em casa, seguimos para a cozinha.

Estava com muita sede. Foi neste momento que o sistema de interrogações da minha mãe ativou, parecia muito animada com a ideia de jantar em nossa casa. Mais ainda, por sua filha ter encontrado um amigo legal que pudesse cuidar dela, o que a motivou a querer saber sobre tudo, como começamos a conversar, como ele era comigo, se ficávamos perto no intervalo...

, deixe se ser discreta e vai falando mais sobre seu amigo. — insistiu novamente.
— Já disse mãe, ele só é um garoto legal que está me ajudando nos estudos, um bom amigo. — expliquei — Além de ser o presidente da turma.
— Só amigo?
— Só amigo! — ri ajeitando minha mochila nas costas — Vou descansar um pouco.
— Vá sim, já que não quer me contar mais, ficarei aqui sozinha sem assunto preparando o nosso jantar. — naquele tom dramático.
— Quanto drama. — saí rindo em direção ao meu quarto.
— Não é drama, são sentimentos de uma mãe. — retrucou, gritando da cozinha.

Curiosidade era o sobrenome da minha mãe.

O que me deixava impressionada com ela, mas eu havia dito realmente a verdade e o que importava, era sim um bom amigo para mim. Logo que entrei no quarto coloquei a mochila nos pés da cama e me espreguicei, estava mesmo cansada, após um banho quente só conseguia pensar em me jogar na cama e dormir, mas a fome estava lá para me lembrar que deveria comer algo antes. O lado bom da minha família, eles respeitam nosso espaço e silêncio, mesmo com suas curiosidades, minha mãe nunca avançava o sinal e sempre me dava liberdade para falar com ela quando quisesse. Me respeitando, nem tocou mais no assunto do e nossa amizade, o jantar foi tranquilo e cheio de informações sobre o rendimento escolar de Jinho e sua futura excursão ao zoológico.

No dia seguinte acordei na metade do dia.

Fazia tempos que isso não acontecia, me levantei espreguiçando. Uma esplêndida noite de sono, desfrutada com sucesso. Ao chegar na sala vi um bilhete da omma deixado na mesa de centro, meu almoço se encontrava no microondas. Comi com deleite e voltei para o quarto. Peguei meu celular, e notei uma mensagem de no kakaotalk, nós tínhamos trocado os contatos para nos comunicar melhor, nossa sorte é que estava no horário do intervalo, trocamos algumas mensagens.

“como está tudo aí?” — perguntou ele.
“bem, acabei de acordar e fui comer.”
“sortuda.”
“e você?”
“aqui, eu estou fazendo cálculos de matemática.”
“que tristeza”
“o professor perguntou se estava melhor”
“que fofo da parte dele”
“ele ficou preocupado, todo mundo ficou”
“diga a todos que estou bem agora.”
“vou dizer sim, estou fazendo muitas anotações para te emprestar”
“komawo *-*!”
“tenho que ir agora, se recupere bem!”
“vou sim, só preciso dormir mais! kkkkkkkkk”

Ri de leve da última parte.

Deixei meu celular em cima da cama e liguei o meu notebook, coloquei minha playlist do EXO para tocar enquanto desenhava um pouco em algumas folhas brancas soltas. Quando a noite chegou, appa e omma chegaram juntos com Jinho, não demorou muito e o professor Han tocou em nossa porta. Ele estava com sua maleta, sentamos na mesa do jantar e ele começou a me passar toda a matéria dos dois dias me explicando de forma rápida e superficial os pontos mais importantes. Como sempre eu passei 50% do tempo admirando aquele sorriso tímido que ele tinha, passou um tempo até que ele recebeu uma mensagem, tivemos que acelerar as últimas tarefas e ele se foi. Após o jantar, ajudei omma com a louça suja, nós conversamos mais um pouco sobre minha saúde,quando terminamos voltei para meu quarto e fui dormi.

Amanheceu o dia, uma linda sexta-feira de chuva, felizmente eu amava o clima chuvoso e não iria a aula também. Isso sim era boa notícia, ajudei omma a organizar a casa, meu appa traria um amigo de infância para o jantar de hoje, já não bastasse ela estar ansiosa pelo jantar com o , mais do que eu por sinal, graças ao appa hoje também teríamos visitas. As horas se passaram, e à noite os convidados do appa chegaram com ele, eu ainda estava no meu quarto me arrumando. Coloquei uma regata branca com uma camisa xadrez vermelha e um jeans surrado, aquele era meio que um estilo que eu vestia muito em Londres. Saí do quarto e quando entrei na sala meu corpo congelou na hora, havia um rosto conhecido sentado entre as almofadas com meu irmão jogando Xbox.

Um rosto que não esperava ver tão cedo.

— Ah, aqui está minha princesa. — disse meu pai, dando um largo sorriso — DongHo esta é minha filha .
— Prazer senhor. — sorri de leve e me curvei em cumprimento.
— Que jovem simpática. — o homem me olhou com gentileza — E bonita.
— E aquele é , seu filho. — appa apontou para ele.
— Annyeonghaseyo. — me curvei formalmente novamente ainda não acreditando no que presenciava, mas iria agir como se nada tivesse acontecido entre nós.
— Boa noite. — em cumprimento, se levantou e caminhou até nós — Já nos vimos na escola, uma vez.

Uma vez?!

Ok, segue o fluxo! Também iria ignorar brevemente o que estava rolando nos bastidores.

— Ah, então já se conhecem. — minha omma me olhou sorrindo, seus olhos estavam felizes.
hyung, vamos terminar nossa partida. — protestou meu irmão, vendo que toda a atenção estava sendo voltada para mim.
— Claro. — sorriu de canto e voltou para onde estava sentado.
— Fiquem à vontade. — minha omma pegou em minha mão — Vem querida, me ajude a colocar a mesa.

Eu segui minha omma até a cozinha, demoramos um pouco para colocar os pratos e as travessas com comidas, omma chamou eles e nos sentamos todos à mesa, nossa mesa era redonda de vidro, sentou justamente de frente para mim.

Aquele idiota de sorriso nebuloso, notei que não parava de me olhar.

“Quanto mais você me perturba
Mais eu gosto de você
E eu não sei porquê.”

Yeowooya / Lunafly

Após o jantar, appa e o senhor Dongho foram para o escritório beber, meu irmão ficou na cozinha ajudando a omma, era a noite dele. Já eu fui para a varanda tomar um ar, estava mesmo precisando.

— Bonita a decoração. — disse , ao chegar na porta.
— Minha mãe tem bom gosto. — mantive minha atenção nos prédios iluminados.
— Conseguiu voltar ao normal? — caminhou até mim e debruçou um pouco no guarda-corpo que era de vidro.
— Longe de você. — o olhei — Tudo fica perfeito.
— Yah… Quanta sinceridade. — seu olhar tinha traços de alguém meio ofendido — E só temos três dias.
— Irônico, não é?

Ficamos parados nos olhando por um tempo até que seu pai o chamou para ir.

— Nos vemos na segunda. — disse, com um sorriso de canto — Te desejo boa prova.
— Cínico. — sussurrei.
— Ah! — se virou — Você ainda tem uma dívida.

Eu desviei meu olhar engolindo seco.

Não queria mais olhar aquele sorriso pretensioso dele. Fui para meu quarto, troquei de roupa e me joguei na cama, o sono veio com a mesma rapidez que as horas se passaram, eu mal comecei a sonhar e já estava na hora de levantar. Bem aquilo não era um sonho, estava mais para pesadelo, sonhei que estava fazendo uma prova para aquele idiota do , ainda não acreditava como uma pessoa conseguia me irritar tanto como ele.

Sábado à tarde levei meu irmão ao parque, nunca o vi tão sociável quanto aquele dia com as crianças que estavam lá. Nos divertimos bastante até que recebi uma mensagem da omma, nos mandando retornar. Quando chegamos em casa, Jinho foi correndo para o banho, eu enviei o endereço do apartamento para , havia esquecido. Ele chegou sozinho, seus pais tinham viajado, estava tão diferente, bonito e descontraído sem o uniforme da escola, vestia uma camisa do Hillsong United, uma calça jeans meio rasgada na região da coxa e all star preto.

O sorriso gentil e carismático era o mesmo.

— Que bom que não se perdeu. — sorri para ele — Fiquei preocupada, não sabia explicar direito o caminho.
— Não se preocupe, nada como o google maps para ajudar. — riu e entrou.
— Omma! — fechei a porta — chegou.
— Oh! Que bom, bem na hora. — minha omma o abraçou de leve — Que bom que veio, fico feliz que tenha arrumado um amigo.
— Bem, é um pouco difícil não ser amigo da sua filha. — ele me olhou, senti um certo carinho naquele olhar.
— Você que é muito gentil. — sorri devolvendo o elogio dele.
— Hum. — meu pai tossiu de leve se levantando do sofá — Estamos mesmo felizes por ter vindo.

se curvou em agradecimento, sua educação era admirável.

O jantar foi tranquilo, appa sempre perguntando como eu me comportava em sala de aula, e me elogiando com um disfarçado sorriso, omma tinha preparado um jantar meio italiano e muito saboroso. Depois que começamos, eu e juntamos os pratos e levamos para cozinha, ele se ofereceu para ajudar a lavar a louça. Fiquei admirada com isso, conversamos sobre os acontecimentos na escola durante os dias que eu estive fora.

— Vou ser sincero, está meio chato sem você. — sorriu timidamente — Ainda mais as aulas de literatura.
— Sério? — o olhei chocada — Agora me deixou surpresa.
— Claro, você disse que citaria alguns poemas para mim, fiquei cheio de expectativas para isso. — fez cara de chateado.
— Que dó, me desculpe, , mas eu realmente precisava ficar em casa, foi férias forçadas, porém merecidas.
— Te dou um desconto, só se entrar no clube de leitura. — em sua barganha.
— Ah, ainda estou pensando sobre os clubes, eu vi que tem um de arte e desenho, me interessei um pouco. — expliquei minha demora em decidir.
— Se é o que gosta, acho que deveria entrar nos dois. — riu.
— Vamos ver, vou pensar direito, não tenho nem uma semana direito que cheguei, ainda me sinto meio perdida em tudo isso. — suspirei fraco.
— Se precisar de um guia, estou aqui. — se prontificou — Amigos são para isso.
— Você é um amigo muito fofo! — sorri com gentileza — Obrigado pela ajuda, vou mesmo precisar!!!

Ele também me contou sobre os boatos que foi visto aos beijos atrás da quadra com uma menina do segundo ano, aposto que se eu tivesse lá ele ficaria me perseguindo com a desculpa da dívida. retirou seu caderno na mochila e me emprestou para que eu pudesse colocar em dia tudo que tinha perdido, antes dele ir embora minha omma entregou uma pequena vasilha com a sobremesa para que ele levasse para seus pais.

--
: on

Foi pura sorte tê-la visto naquele parque pela manhã.

Mesmo não a deixando me ver, fiquei de longe observando-a brincar com seu irmão. Aquele foi um momento raro que pude ver ela sorrindo espontaneamente, e seu sorriso me encantava de uma forma inexplicável. Meu coração acelerou ainda mais. Naquela noite de sábado me reuni com a Prince Line na casa de Junhae, estávamos fazendo nosso mensal campeonato de Starcraft. Mesmo sendo meu jogo favorito, havia algo me incomodando, eu estava sentindo falta de alguma coisa.

— Parece que alguém aqui, não está entre nós de fato. — comentou Hwang, jogando a almofada em mim.
— Está pensando na notava estrangeira?! — sugeriu MiJun.
— Yah!! — peguei a almofada e joguei nele — O nome dela é , e só eu posso chamá-la de novata estrangeira.
— Hummmm…. Estava pensando nela. — constatou Junhae.
— YAHHHHH… Pare você também, não estava…
— Estava sim, seus olhos estavam brilhando, mais ainda que no dia que comprou sua moto. — MinSoo riu de mim — Confesse logo.
— Confessar o que?! — o olhei confuso.
— Que foi amor à primeira vista e está apaixonado. — explicou ele.
— Claro que não, não estou apaixonado por ela, porque estaria?
— Negou demais. — Junhae soltou uma gargalhada estranha, fazendo os outros rirem.
— Não estou negando, só estou…
— Hyung, você está apaixonado, só não percebeu ainda. — MiJun me olhou, suas palavras pareciam sinceras.
— Desde quando você sabe sobre o amor?
— Desde que conheci a Nara noona, porém, sei que nunca serei correspondido, então prefiro esquecê-la. — respondeu.
— Aish, sua criança. — joguei a outra almofada nele.

Voltei meu pensamento novamente para .

Logo me senti desanimado e sem vontade de fazer nada, mesmo gostando de estar entre meus amigos que considerava irmãos, não estava feliz naquele lugar. Certamente aquele sentimento fosse o fato de não vê-la na escola, um pouco de culpa interna por irritá-la demais, pensar que teria ficado mal por minha causa, me deixava ainda mais agoniado.

“Porque as pessoas que gosto se machucam comigo?!”

Pensei comigo mesmo, talvez fosse aquilo que me impedia de querer assumir algum sentimento por ela, não queria machucá-la.

— Estou indo primeiro. — disse, me levantando do sofá e pegando minha mochila.
— A omma está fazendo o jantar, não vai esperar? — perguntou MinSoo.
— Não, preciso chegar mais cedo hoje, se divirtam por mim. — me dirigi para a porta.

Meus amigos entendiam que quando eu precisava chegar mais cedo, realmente não podia me atrasar ou levantar a fúria do meu pai, tínhamos nos dado uma trégua por causa do jantar na casa de . Tive que dar meu braço a torcer só para poder ir lá, que coisa mais boba da minha parte, mas vê-la naquele dia foi como recarregar minhas energias.

— Yahhh… Não posso me apaixonar por você. — sussurrei enquanto caminhava pela rua — Você é boa demais para mim!

Sim, ela era!

Assim que cheguei no apartamento na cobertura do meu pai, o encontrei conversando com uma “amiga” na sala, virei meu rosto não demonstrando interesse e subi as escadas, me tranquei em meu quarto. Definitivamente não queria sermões naquela hora, já estava antes das dez da noite em casa, então não haveria reclamações quanto a isso. Fiquei alguns minutos jogado na cama olhando para o teto pensando qual poderia ser minha próxima forma de cobrar a suposta dívida.

— Desta vez tem que ser alguma coisa mais demorada. — sussurrei ao olhar para o relógio na escrivaninha.

Havia passado mesmo muito tempo afogado em meus pensamentos, todos se resumindo a uma única pessoa, era divertido fazer tudo aquilo.

: off

“Meu dia está cheio de você depois de conhecer você
Vendo você ou sentindo sua falta
Meus pensamentos são muito para você, eu não sei o que fazer.”

Seeing You Or Missing You / Lunafly



Continua...


Nota da autora: Primeira história colegial. Pode ser lida com qualquer coreano.

🪐



Se você encontrou algum erro de revisão ou codificação, entre em contato por aqui.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


Barra de Progresso de Leitura
0%