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Codificada por: Sol ☀️

Finalizada em: 20/04/2025.

Os gritos de ecoavam pelo corredor do local atraindo a atenção da equipe toda. Seu rosto contorcido de dor, enquanto ela tentava se apoiar nas paredes, deixava claro o quanto a lesão havia sido grave. A dor que a dominava era insuportável, mas ela sabia que precisava suportar. Afinal, sua carreira de maratonista estava em jogo.

Quando a porta da sala de fisioterapia se abriu, o fisioterapeuta entrou com a calma habitual, mas seus olhos não podiam esconder a preocupação. Ele a observou por um instante, como se tentasse entender até onde ela estava disposta a ir para continuar competindo.

, você precisa se acalmar. Vamos cuidar disso. — Sua voz era firme, mas suave. Ele sabia que ela estava em crise, mas sua preocupação ia além da dor física.

Ela o encarou com uma expressão mista de frustração e desespero. "Eu não posso perder isso", ela pensou, tentando controlar os respingos de lágrimas que ameaçavam cair.

— Eu... eu sei o que você vai dizer. Mas eu preciso continuar. Não posso parar agora.

Ele deu um passo à frente, seu olhar profissional e distante, mas ao mesmo tempo algo mais, uma tensão crescente entre os dois. Por mais que tentasse manter a distância profissional, era difícil ignorar a intensidade daquela conexão.

... — Ele suspirou. — O seu corpo não pode ser forçado assim. Você precisa parar antes que piore. A maratona vai esperar, eu prometo.

Ela franziu a testa, querendo protestar, mas ele já se aproximava dela, a mão estendida para ajudá-la. O toque dele, no entanto, parecia mexer mais com ela do que qualquer coisa que ela tivesse imaginado.

A tensão no ambiente era palpável, mas não conseguia focar em nada além da dor que se espalhava por seu corpo. O fisioterapeuta, ainda com o semblante sério, olhou para o médico que estava a seu lado, um profissional experiente que rapidamente tomou as rédeas da situação.

— Vamos começar com a medicação intravenosa. — O médico falou, dirigindo-se a ela com voz calma, mas autoritária.

mal teve tempo de reagir antes que a agulha se enterrasse em sua veia, administrando um analgésico forte. O líquido percorreu seu braço, e ela pôde sentir um alívio gradual que começava a tomar conta de seu corpo. A dor se transformava em uma sensação de formigamento leve, quase anestésica.

Os olhos dela se fecharam por um instante, e quando abriu, viu o fisioterapeuta observando-a atentamente, como se estivesse calculando a cada movimento o impacto daquela medicação em seu corpo já fragilizado.

— Isso vai te ajudar a relaxar um pouco, mas é essencial que você faça os exames agora. — O médico acrescentou, levantando-se para abrir a porta. — Vou te levar para o laboratório.

balançou a cabeça em sinal de entendimento. A cada passo que dava, sentia a pressão em sua perna, mas a medicação a fazia funcionar em um estado quase surreal, como se estivesse flutuando. Ela olhou para o fisioterapeuta e, embora estivesse grata pela assistência dele, uma estranha sensação de vulnerabilidade a invadiu. Estava sendo cuidada, sim, mas parte de seu ser queria continuar lutando, e a sensação de dependência a incomodava.

— Vamos, . — O fisioterapeuta disse, sua voz mais suave agora, enquanto a conduzia até o elevador.

O silêncio entre os dois era carregado. Ela podia sentir os olhos dele em sua direção, uma atenção cuidadosa, mas também uma distância que ele tentava manter. Uma parte dela queria quebrar essa barreira, fazer com que ele a olhasse de outra forma. Mas outra parte sabia que isso complicaria tudo. Eles estavam ali para um propósito específico: ajudar a se recuperar. Nada mais.

Ao chegar ao laboratório, foi acomodada na mesa de exames. O médico a preparou, explicando o procedimento que verificaria o grau da lesão e se havia algum dano interno mais grave.

Ela fechou os olhos, respirando fundo, sentindo o remédio fazendo efeito. Mas, antes de ser tomada pelo cansaço que ameaçava dominá-la, ela percebeu o fisioterapeuta parado na porta, esperando. Era como se ele estivesse esperando o momento certo para entrar, ou talvez não soubesse o que dizer.

— Você está bem? — ele perguntou, a voz mais baixa, quase hesitante.

Ela olhou para ele, sentindo que aquelas palavras simples estavam carregadas de uma preocupação que ela não queria aceitar. Um suspiro escapou de seus lábios enquanto ela assentia.

— Só quero sair dessa. E voltar a correr. — Ela murmurou, sentindo a fraqueza tomando conta, mas o olhar dele ainda a observava com intensidade.

O médico entrou para realizar os exames, e fechou os olhos, permitindo-se relaxar um pouco mais enquanto os sons do ambiente ao redor se misturavam à sua mente turvada pela dor e medicação.

🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️

despertou lentamente, um pouco desorientada. O suave cheiro de seu travesseiro e a leve brisa entrando pela janela eram familiares, mas sua mente ainda estava em neblina. Ela tentou mover o corpo, mas a sensação de cansaço profundo e a dor na perna fizeram-na ficar imóvel por um momento. Algo parecia diferente, como se o tempo tivesse passado sem que ela se desse conta.

Seu corpo, envolto pelo cobertor quente, parecia uma prisão que a impedia de se mover livremente. O remédio ainda estava agindo, mas o efeito começava a diminuir. Ela tentou se sentar, sentindo uma leve tontura ao fazê-lo, e um gemido involuntário escapou de seus lábios.

Do outro lado do quarto, em um canto próximo à janela, o treinador, o agente e o fisioterapeuta estavam cochichando em voz baixa, como se tentassem manter a conversa entre eles sem incomodá-la. As palavras deles se misturavam ao som suave do vento, e por um momento, ficou perdida em seus pensamentos.

— Não sei se ela vai conseguir voltar a correr tão cedo... — a voz do treinador era baixa, mas cheia de preocupação. — Essa lesão, é grave. Ela vai precisar de tempo, talvez até mais do que estamos imaginando.

— Isso é o que mais nos preocupa. — O agente respondeu, com um tom de voz que reconhecia. Ele sempre pensava em números e resultados. — Mas precisamos garantir que ela não vá se arriscar novamente antes de estar completamente curada. A recuperação não pode ser apressada.

— Eu estou fazendo o meu melhor aqui. — O fisioterapeuta respondeu, a voz mais calma, mas também tensa. — Ela vai precisar de muito mais que descanso. Não é só a perna, é a cabeça dela também. Ela está obcecada por voltar à pista.

, ainda deitada, sentiu uma sensação de frustração tomando conta de si. Ela sabia que todos estavam apenas tentando ajudá-la, mas isso a deixava mais impaciente. O que mais a incomodava era a percepção de que, enquanto os outros planejavam seu futuro, ela mal conseguia controlar o seu. Sentia-se fraca, vulnerável, e isso, mais do que qualquer outra coisa, a incomodava.

Tentando ignorar a dor, ela tentou se sentar novamente, agora com mais força. Mas, ao fazer isso, um pequeno gemido de esforço escapou de seus lábios. A reação foi imediata. O trio se virou rapidamente, como se não esperassem que ela acordasse tão cedo.

! — O fisioterapeuta exclamou, aproximando-se rapidamente da cama. Ele se abaixou, tentando ajudá-la a se recompor. — Você deve descansar mais.

O treinador e o agente trocaram olhares rápidos, mas se aproximaram também, com expressões de alívio por ela estar acordada, mas também de preocupação por seu estado.

— Como você está se sentindo? — O agente perguntou, seus olhos analisando-a atentamente.

olhou para eles, tentando se recompor e esconder o desconforto que ainda sentia. Mas, ao mesmo tempo, não queria parecer fraca para eles. Ela não queria ser tratada como se fosse uma ferida exposta.

— Estou... bem. — Ela respirou fundo, esforçando-se para manter a calma. — Só... só preciso de um pouco de tempo. Eu sei o que vocês estão pensando. Não vou desistir. Quero voltar.

O silêncio tomou conta do quarto por um momento. Todos sabiam que a determinação de era uma das coisas que mais a definia, mas também sabiam que sua obsessão pela corrida poderia ser sua maior inimiga no momento. O fisioterapeuta, percebendo o brilho de determinação nos olhos dela, foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Nós sabemos que você quer voltar. Mas precisa ser com segurança, . Não podemos correr riscos.

Ela olhou para ele, o rosto dele mais próximo do que o normal, e por um instante, as palavras se dissiparam. A preocupação dele parecia genuína, mas o toque dele, o jeito como a olhava, fez com que algo despertasse dentro dela. Ela desviou os olhos, desconfortável, antes de se concentrar no que realmente importava.

— Eu vou me recuperar. Eu prometo. — Sua voz foi firme, determinada.

O fisioterapeuta deu um suspiro, mas não contestou. Ele sabia que não desistiria tão facilmente. Ele só esperava que, dessa vez, ela fosse capaz de escutar seu corpo, e não apenas sua mente obstinada.

O agente e o treinador trocaram olhares e, sem dizer uma palavra a mais, saíram silenciosamente do quarto. Antes de fechar a porta atrás de si, o agente olhou para e acenou com a cabeça, como se o confiando à tarefa de cuidar de naquele momento.

observou os dois se afastando, um suspiro escapando de seus lábios. Sua mente estava ainda turva pela medicação, mas já começava a clarear. Ela estava cansada de ser tratada como se fosse frágil. Era difícil ver as pessoas preocupadas, ainda mais quando ela só queria seguir em frente. Mas ela sabia que precisava ouvir, se não os outros, ao menos o seu corpo.

ficou em pé ao lado da cama, observando-a com os olhos sempre atentos e cautelosos. Ele sabia que era obstinada, mas também estava ciente dos limites do corpo dela. O silêncio entre os dois se estendeu por alguns momentos, mas logo ele se aproximou com um sorriso tranquilo, quebrando a tensão do ambiente.

— Eu sei que você quer voltar, . Mas você já está cansada de tanto escutar isso, não é? — falou com um tom de voz calmo, quase como se estivesse tentando entender o que se passava na cabeça dela.

Ela o encarou, um pouco surpresa com a percepção dele. Ele sempre foi alguém que soubera ler a linguagem corporal dela com precisão, talvez melhor do que qualquer outro.

— Não é isso... — Ela começou, as palavras saindo mais baixas do que pretendia. — Eu só não sei mais quanto tempo consigo esperar. Sinto que, a cada dia, a maratona vai ficando mais distante. E isso... isso me faz sentir que estou perdendo algo muito importante.

assentiu lentamente, caminhando até a cadeira ao lado da cama e se sentando. Ele olhou para ela com empatia, seu rosto sério, mas suave, como se tentasse passar toda a sua confiança para ela.

— Eu entendo. A pressão de um atleta de alto nível é imensa. Mas, ... se você correr antes da hora, se pressionar seu corpo além do limite, isso vai apenas prolongar sua dor e suas limitações. O seu sonho de competir vai esperar um pouco mais, mas eu prometo que ele não vai desaparecer.

Ela não respondeu de imediato, suas mãos se apertando contra as cobertas enquanto seus pensamentos se embaralhavam. sempre falava com calma, com uma confiança que ela, muitas vezes, sentia falta em si mesma. Ele não só era seu fisioterapeuta, mas uma das poucas pessoas que realmente parecia entendê-la.

— O que você faria se fosse eu? — Ela perguntou de repente, a curiosidade na voz, como se quisesse saber se ele entendia o peso que aquilo tinha para ela.

hesitou por um momento, como se estivesse ponderando a pergunta antes de dar sua resposta. Finalmente, ele olhou para ela, seus olhos sérios, mas com um brilho de sinceridade.

— Eu sei o que você sente, . Eu também sei o quanto você lutaria para voltar, para provar que pode ir mais longe. Mas, se fosse eu, faria o mesmo que você: escutaria meu corpo. Não porque o desejo de correr é menor, mas porque um corpo machucado não pode levar você ao seu objetivo. Às vezes, a maior força está em saber quando se fazer parar.

mordeu o lábio inferior, refletindo sobre as palavras dele. Algo no fundo de sua mente sabia que ele estava certo, mas o medo de perder seu lugar entre os melhores ainda a consumia.

— Eu só... não quero ser esquecida. — Ela sussurrou, como se finalmente dissesse a verdade que estava guardando para si mesma.

a olhou por um momento, o silêncio entre os dois pesado, mas confortável. Ele sabia como ela se sentia. Havia algo mais ali, algo que ela nunca havia falado diretamente a ele, mas ele podia sentir. Era a obsessão de por sua própria carreira, o medo de ser deixada para trás.

— Você não será esquecida, . Mas a sua saúde é mais importante. E eu estarei aqui, cuidando de você até o momento em que você puder voltar com toda a força.

Ela não soube o que responder a isso. Apenas fechou os olhos por um instante, permitindo-se sentir o conforto daquela promessa. Ele não estava apenas dizendo palavras vazias. Ele estava dizendo aquilo como alguém que sabia o que era necessário para que ela pudesse alcançar seu sonho, sem se perder pelo caminho.

🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️

passou a noite quase toda acordado, entre xícaras de café, os exames de antigos e atuais e suas anotações. Ele queria ajudá-la a se recuperar o mais rápido o possível, e tentava se convencer de aquela vontade toda, se dava apenas ao fato de que era exatamente porque aquele era o seu trabalho a quase 2 anos e apenas por isso.

Ele sempre tivera uma relação profissional com ela, respeitando os limites, focando no que era necessário. Mas, à medida que o relógio avançava e o sono se afastava, não pôde negar que suas razões estavam se tornando mais complexas do que apenas um dever profissional.

O jeito como ela sorria, quase como se o mundo não fosse capaz de tirá-la da sua zona de conforto, sempre deixava algo em seu peito apertado. A maneira como ela arrumava o cabelo, com aquela precisão simples, mas confiante, como se cada movimento fosse uma extensão da disciplina que ela possuía dentro de si. O uniforme que ela usava durante as sessões de fisioterapia, aquele conjunto de treino preto e apertado que, por alguma razão, sempre parecia acentuar suas formas, ele não conseguia deixar de notar. tinha a sensação de que ela poderia ser qualquer coisa que quisesse, mas era ali, com ele, naquele momento vulnerável, que ela se mostrava humana, com as fraquezas e as inseguranças que, por vezes, ele nunca imaginou que teria acesso.

Ele ainda se lembrava da risada dela, do som leve, mas contagiante, que escapava quando ele fazia uma piada para aliviar a tensão durante o tratamento. Algo nela parecia sempre se iluminar naquele instante, como se a dor e o desconforto fossem esquecidos por um breve momento, e ela se permitisse simplesmente ser, sem o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Ela riu, um sorriso genuíno e despreocupado, e, por um momento, ele se pegou pensando que talvez ela estivesse em paz ali, naquele pequeno espaço, mais do que em qualquer outro lugar.

Mas não era apenas isso. Ele também reparava em detalhes pequenos, mas que lhe pareciam cada vez mais significativos. Como ela ajeitava o cabelo atrás da orelha, com aquela leveza, como se fosse um gesto tão automático que ele mal percebia, mas que o atraía com uma intensidade que ele não sabia como explicar. tentava, em vão, não prestar atenção nos modos dela, mas a forma como ela se movia, com tanta graça, parecia se infiltrar em sua mente de maneira irresistível.

Ele fechou os olhos por um momento, tentando se afastar desses pensamentos, mas, quando os abriu, lá estava ela, mais uma vez, invadindo sua mente com toda a sua energia, com seus sorrisos e suas pequenas manias que, agora, pareciam ocupar mais espaço do que ele estava disposto a admitir.

Mas era seu trabalho, ele pensou novamente. Era sua responsabilidade ajudá-la. Apenas isso.

O problema era que ele não sabia mais se conseguia se convencer disso.

🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️

acordou lentamente, os raios suaves da manhã penetrando pela janela e iluminando o quarto. Seus olhos ainda estavam pesados, mas a mente já começava a se afiar, processando as lembranças do dia anterior. Ela se mexeu na cama, o corpo ainda pesado pela medicação, mas a sensação de desconforto se dissipando aos poucos. Mesmo assim, uma inquietação permanecia, como se algo estivesse fora de lugar, sem que ela pudesse entender o que era exatamente.

Ela tentou se sentar, mas logo o cansaço e a dor leve na perna a forçaram a recostar de novo. O quarto estava silencioso, e, por um momento, pensou que talvez os outros ainda estivessem fora. Mas então, o nome dele veio à mente: . Seu fisioterapeuta. Sua presença estava tão vívida em seus pensamentos que parecia que ele nunca havia saído de lá.

não pôde evitar lembrar da maneira como ele se comportava com ela, com aquela calma que, por mais controlada que fosse, sempre escondia algo mais. Ele parecia ver mais do que qualquer um. Talvez fosse a forma como seus olhos se prendiam nela durante as sessões de fisioterapia, sempre tão atentos e cuidadosos. Mas não apenas isso. tinha algo de diferente, uma força silenciosa que ela não conseguia descrever. E, o mais confuso, era que isso a atraía. Não era apenas a sua habilidade como fisioterapeuta, mas algo mais que ela começava a perceber cada vez mais.

Ela fechou os olhos, tentando afastar esses pensamentos, mas logo se pegou lembrando do sorriso dele, daquele sorriso tão suave, mas também distante. A maneira como ele a observava, como se estivesse atento ao mínimo gesto que ela fizesse, à respiração acelerada, às expressões de dor que ela tentava esconder. Ela sabia que ele se importava, mas sempre de uma maneira sutil. Ele nunca ultrapassava a linha do profissionalismo. E talvez fosse isso que a fazia pensar nele com tanta frequência.

Era difícil não notar como ele estava sempre tão focado. O cabelo preto e bem arrumado, o jeito tranquilo com que ajeitava suas anotações, os gestos delicados ao tocar seu corpo durante os tratamentos. E, quando ele falava, sua voz baixa e controlada parecia penetrar cada parte de sua mente, levando-a a se concentrar não apenas no que ele dizia, mas na forma como ele dizia.

suspirou, não conseguindo mais fugir de suas próprias emoções. Não era apenas a necessidade de recuperação que a mantinha ali, na cama, observando a distância entre ela e o mundo. Era a presença dele que a desestabilizava de uma maneira que ela não queria admitir. Ele era mais do que um profissional. Algo dentro dela sabia disso.

Ela se mexeu na cama, tentando se levantar mais uma vez, mas, dessa vez, foi mais por impulso do que por necessidade. A dor na perna ainda estava lá, mas não a impedia de pensar nele. A forma como ele parecia sempre tão calmo e, ao mesmo tempo, distante. Ela se perguntou, mais uma vez, se ele sentia algo a mais também ou se era só ela quem estava começando a confundir as coisas…

Mas o que mais a incomodava não era o que ele sentia. Era o que ela estava começando a sentir.

Ela sabia que, em breve, ele voltaria ao seu lado, e a rotina das sessões de fisioterapia recomeçaria. Mas, desta vez, algo era diferente. Ela não sabia o que era exatamente, mas uma coisa era certa: a linha entre o profissional e o pessoal estava ficando cada vez mais tênue.

— Bom dia ! — A voz sempre compenetrada de invadiu a sala onde já o esperava sentada na cadeira em frente a mesa dele.

— Bom dia ! — A voz dela, meio abatida, não passou despercebido por ele.

— Que desânimo é esse, mocinha? — Ele disse, com um tom um pouco mais leve, mas ainda cheio de preocupação — Hoje vamos começar a dar os primeiros passos para a sua recuperação, você precisa estar animada e confiante. Isso é crucial, viu?

olhou para ele, tentando forçar um sorriso, mas a verdade era que a frustração estava tomando conta. Ela queria se mostrar forte, mas a dor e a incerteza estavam começando a pesar demais.

— Eu sei... Eu só... — Ela hesitou, desviando o olhar. — Eu realmente não sei quando tudo isso vai melhorar.

percebeu a dificuldade dela em manter a postura firme e, sem mais palavras, se sentou em sua cadeira, ao lado da mesa, ajustando os papeis e os exames na frente dela.

— Vamos olhar para isso de uma forma clara, . — Ele começou, pegando um conjunto de imagens dos exames mais recentes. — Eu sei que você está passando por um momento difícil, mas é importante entender o que está acontecendo no seu corpo.

Ele colocou as imagens sobre a mesa e começou a explicar, apontando as áreas que indicavam a gravidade da lesão.

— A lesão no seu ligamento não é simples, e como você já sabe, essa região é muito sensível, especialmente para quem vive treinando como você. — Ele deslizou o dedo pela imagem do exame, apontando a área danificada. — Como você pode ver, houve uma piora significativa. A recuperação já estava difícil, mas depois que você treinou sem a permissão necessária, o que aconteceu foi uma sobrecarga. Esse aumento na pressão sobre a área lesada provocou uma inflamação mais grave e um agravamento da lesão.

fechou os olhos por um instante, como se estivesse tentando processar as palavras dele. continuou, com a voz firme, mas ainda gentil.

— Você não fez por mal, eu sei. Mas o seu corpo precisa de descanso, e o período que você ignorou isso... não só atrasou a recuperação como também aumentou as chances de complicações. Precisamos focar em terapia intensiva para estabilizar essa área. Não podemos correr o risco de você prejudicar ainda mais.

Ela ficou em silêncio, absorvendo cada palavra. Sentia o peso da culpa apertando seu peito. A vontade de voltar à pista estava nublada pela realidade dolorosa que ela agora enfrentava. Sabia que havia sido imprudente, mas não conseguia se afastar da sensação de que estava deixando escapar o seu maior sonho.

, vendo a expressão dela, fez uma pausa e suavizou o tom.

— Eu sei que não é fácil, mas você tem uma equipe inteira aqui para te apoiar. E, acredite, sua recuperação será a mais rápida possível, desde que você se comprometa. Vamos dar o primeiro passo agora.

olhou para ele, seus olhos procurando por algum sinal de confiança, algo que ela pudesse segurar. não sorria com frequência, mas naquele momento, seu olhar parecia transmitir a mesma determinação que ela sentia faltar em si mesma.

— Eu vou te ajudar, . Você não está sozinha nisso.

Ela respirou fundo, tentando afastar a insegurança que ainda a consumia. Era difícil ver a recuperação como uma chance, não como uma perda. Mas, talvez fosse hora de ouvir mais a voz de do que os seus próprios medos.

— Ok. Vamos fazer isso. — Sua voz, embora hesitante, estava mais forte do que antes. — Estou pronta para começar.

assentiu, e o sorriso suave que apareceu em seus lábios fez sentir uma leve onda de conforto, como se ele realmente acreditasse nela. E, por um breve momento, ela se permitiu acreditar nele também.

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observou enquanto ela tentava se levantar, usando as muletas para se apoiar, mas a expressão dela deixava claro que o esforço não era fácil. Ele foi até ela, aproximando-se com passos calmos, e com uma leveza, colocou uma mão firme em seu quadril para ajudá-la a se equilibrar. Ele sentiu a tensão do corpo dela, ainda lutando contra a dor e a frustração, e de imediato ajustou a postura para garantir que ela não se desequilibrasse.

— Fique calma, estou aqui. — Ele disse com suavidade, os olhos focados nela enquanto ele a ajudava a caminhar, guiando seus passos com firmeza, mas com uma gentileza que, de alguma forma, a acalmava.

sentiu o toque dele em seu quadril, quente e seguro. Algo naquele contato parecia diferente, mais intenso do que qualquer outra assistência que ela já tivesse recebido. O calor das suas mãos parecia transitar por sua pele, e, por um momento, ela ficou imóvel, sentindo a proximidade entre os dois.

Ela olhou para ele, um pouco confusa, mas seus olhos acabaram se fixando no rosto de . Ela nunca tinha reparado nos detalhes de sua aparência tão de perto. Seus traços asiáticos eram delicados e ao mesmo tempo marcantes. O nariz fininho e pontudo parecia perfeito para o formato do rosto dele, e o queixo, ligeiramente arredondado, adicionava uma suavidade ao seu olhar sério.

Seus olhos eram de um castanho profundo, quase negros, e tinham uma intensidade difícil de ignorar. Mas, o que mais chamou sua atenção naquele momento foram os lábios dele. Ela não sabia por que, mas algo nela se sentiu atraída por eles, uma curiosidade súbita e inexplicável sobre o que seria o gosto daqueles lábios.

Ela sentiu o calor aumentar nas bochechas, como se tivesse sido pega em algo indevido, e rapidamente desviou o olhar, tentando se concentrar na caminhada. Mas, ao fazer isso, notou que também a estava observando. Os olhos dele estavam fixos nela, como se, por um breve momento, ele também estivesse se perdendo nos detalhes dela. A tensão entre eles parecia palpável, mas, antes que qualquer um dos dois pudesse dizer algo, foi o primeiro a se afastar, como se tivesse se dado conta do que estava acontecendo.

— Deixe-me abrir a porta para você. — Ele disse, com a voz mais baixa, desviando o olhar rapidamente, como se quisesse quebrar a atmosfera densa que se formara entre eles.

, ainda com o coração acelerado, assentiu, sentindo-se um pouco perdida com a troca de olhares que, de algum modo, a fez se sentir vulnerável. Quando foi até a porta e a abriu para ela, ela não pôde deixar de notar como seus movimentos eram precisos e rápidos, quase como se ele quisesse se distanciar daquilo tanto quanto ela.

Ela entrou na sala de fisioterapia, ainda tentando processar o que acabara de acontecer. Ele estava à sua frente, pronto para ajudá-la a continuar com os exercícios, mas agora, o silêncio entre eles parecia mais carregado, mais denso do que antes.

guiou até um dos aparelhos, um banco de fisioterapia que ficava ao lado de um grande espelho que refletia o ambiente da sala. Ele a ajudou a se acomodar cuidadosamente sobre o banco, orientando-a com suavidade, e seus movimentos eram meticulosamente precisos, como se ele soubesse exatamente o que ela precisava. A tensão em seus músculos ainda era perceptível, mas o toque dele parecia tranquilizá-la, como se a segurança de sua presença fosse o suficiente para aliviar um pouco da angústia que ela sentia.

— Vamos começar com alguns exercícios mais leves, . — Ele falou, ajustando a posição dela no banco, certificando-se de que estivesse confortável e bem posicionada para o exercício. Ele apoiou sua mão em suas costas por um momento, ajustando-a com delicadeza, e a proximidade entre os dois fez com que o coração de batesse um pouco mais rápido.

Quando ele afastou a mão, sentiu o espaço entre eles, mas ao mesmo tempo, a sensação de que algo ainda os conectava, algo além do profissionalismo. Ele ajustou as muletas dela, escorando-as na parede ao lado, mas, ao fazer isso, suas mãos se cruzaram por um instante, e o toque foi rápido, mas suficiente para causar uma onda de calor pela espinha dela. Ela desviou o olhar, tentando focar no exercício à sua frente, mas não conseguia afastar os pensamentos sobre o momento em que as mãos deles se tocaram.

se afastou um passo, mas ainda assim ficou perto, observando-a atentamente, como se cada movimento dela fosse monitorado por um radar invisível. Ele indicou com a cabeça que ela começasse a fazer os movimentos recomendados, e ela obedeceu, tentando seguir as instruções. Mas cada movimento dela parecia estar, de alguma forma, mais difícil do que o normal. Talvez fosse a dor, talvez fosse a pressão de estar tão perto dele, mas algo dentro de fazia com que ela se sentisse estranhamente nervosa.

A cada movimento, observava, se aproximando de tempos em tempos para corrigir sua postura ou ajustar o ângulo de seus movimentos. Cada vez que ele se aproximava, ela sentia um calor crescente em sua pele. A maneira como ele se inclinava para ver os detalhes de seu exercício, o jeito que seus olhos se fixavam nela, tudo isso a fazia se sentir consciente de cada gesto. Ela podia ouvir sua respiração, e, por um momento, se pegou desejando que o exercício fosse mais fácil, só para que ela pudesse parar de se preocupar com a tensão que parecia crescer entre eles.

Ele inclinou a cabeça, ajustando a posição dela de novo, e o toque de suas mãos nas suas costas fez com que ela prendesse a respiração, sentindo o calor de sua presença. , ainda em silêncio, posicionou seu corpo de forma que os olhos dela ficaram presos nos dele por um momento, e o tempo parecia desacelerar. Ela queria desviar o olhar, mas algo a impedia, como se o magnetismo entre eles fosse mais forte do que qualquer outra coisa.

— Está tudo bem, ? — A voz de cortou o silêncio, mas o tom suave ainda carregava uma tensão que ela não conseguia ignorar.

Ela assentiu, tentando sorrir, mas a expressão dele não parecia convencida. Ele permaneceu ali por alguns segundos, sua presença constante, como se estivesse sentindo a mesma energia densa entre os dois, mas, antes que ela pudesse responder, ele deu um passo atrás, talvez sentindo que algo mais estava prestes a se revelar.

— Vamos continuar com o próximo exercício. — Ele disse, quebrando o momento, mas sua voz soou um pouco mais grave do que o normal, como se ele também estivesse tentando afastar a tensão.

Enquanto ela se movia para o próximo exercício, a tensão não diminuía. A cada movimento, a cada correção, ela sentia a distância entre eles diminuir, mas também sabia que, no fundo, havia algo ali que os dois estavam tentando negar, algo que ninguém queria admitir.

guiou através do próximo exercício com a mesma paciência, ajustando seus movimentos e fazendo correções mínimas. Mas, à medida que os minutos passavam, a sensação de tensão entre eles parecia só aumentar. Cada vez que ele se aproximava para dar uma orientação, a proximidade deles deixava o ambiente mais carregado. não conseguia evitar a sensação de que o simples gesto de ele estar ali, perto dela, observando-a tão de perto, provocava uma reação dentro dela que ela não estava preparada para lidar.

Quando ele se inclinou novamente para corrigir sua postura, ela sentiu a respiração dele perto de seu ouvido, o calor de seu corpo quase tão presente quanto a dor em sua perna. Ela fechou os olhos por um momento, tentando se concentrar no exercício e afastar os pensamentos que estavam se acumulando em sua mente, mas era impossível ignorar o jeito que ele a tocava, tão cuidadoso e, ao mesmo tempo, tão… natural.

— Vamos focar um pouco mais na posição do seu quadril, . — Ele disse, com a voz baixa, e o toque dele em sua cintura foi suave, mas firme, fazendo com que ela prendesse a respiração mais uma vez. Ele corrigiu a posição dela com cuidado, ajustando seu corpo de modo que ficasse completamente alinhada no aparelho.

Ela podia sentir a tensão em seus músculos, mas também sentia a presença dele como uma constante, algo que ela não conseguia afastar, não importa o quanto tentasse. Ele parecia perceber suas reações, a forma como ela se mexia, como se tentasse se afastar dos seus próprios sentimentos, e a forma como seus olhos se encontravam de vez em quando, como se ambos estivessem inconscientemente tentando decifrar o que estava acontecendo ali, sem falar uma palavra sobre isso.

Quando o exercício foi concluído, deu um passo para trás, olhando para ela com a mesma expressão serena de sempre, mas havia algo em seu olhar que parecia mais suave, quase como se ele estivesse se perguntando o que ela sentia também. Mas ele não dizia nada, e o silêncio que se seguiu se estendeu por mais alguns segundos, enquanto ambos tentavam processar a estranha energia entre eles.

— Está se sentindo melhor? — Ele perguntou, a voz ainda baixa, mas com um toque de preocupação, como se quisesse ter certeza de que ela estava confortável, tanto fisicamente quanto emocionalmente.

olhou para ele, tentando manter o controle de suas emoções. Ela queria falar, queria dizer algo sobre o que estava sentindo, mas as palavras não saíam. Em vez disso, ela apenas assentiu, um pouco hesitante, sentindo os olhos dele ainda fixados nela. A preocupação dele era genuína, e, de alguma forma, isso a tocava, mas ela não sabia como lidar com a mistura de emoções que surgiam.

— Eu estou bem, sim. — Ela disse, tentando sorrir, mas a insegurança em sua voz ainda era evidente.

observou-a por um momento, a expressão dele permanecendo neutra, mas havia algo em seus olhos que dizia mais do que ele estava disposto a mostrar. Ele queria dar-lhe mais tempo, mais conforto, mas também sabia que seu trabalho não era sobre fazer promessas que ele não podia cumprir. Ele tinha que ser o profissional, a linha entre o cuidado e a distância ainda precisava ser mantida.

— Bom, vamos fazer uma pausa agora. Depois de um exercício tão intenso, é importante dar tempo para o seu corpo se recuperar. — Ele disse, desviando o olhar e se afastando levemente, talvez tentando quebrar o clima que se formou entre os dois.

sentiu uma onda de alívio misturada com frustração. Por um lado, ela sabia que precisava disso, mas, por outro, algo dentro dela não queria que o momento fosse interrompido. Ela queria mais, mais daquela proximidade, mais daquele toque cuidadoso que, sem querer, estava alimentando uma sensação que ela ainda não sabia como lidar.

Ela pegou as muletas e, sem dizer uma palavra, seguiu-o até a área de descanso. O silêncio entre os dois era mais pesado agora, como se ambos estivessem cientes de algo que ainda não poderiam nomear, mas que se tornava mais evidente a cada gesto, a cada olhar. sabia que esse exercício físico era apenas o começo da sua recuperação, mas algo dentro dela se perguntava se essa recuperação não envolvia, também, uma outra luta silenciosa, que ia muito além do físico.

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Na área de descanso, o ambiente era tranquilo, iluminado suavemente pela luz natural que se filtrava pelas janelas. se acomodou em uma cadeira próxima, ainda segurando as muletas, tentando relaxar um pouco enquanto seu corpo se recuperava do exercício. Ela olhava para as paredes, absorvendo a calma do momento, mas sua mente ainda estava agitada com os sentimentos e a tensão do que acontecera na sala de fisioterapia.

foi até a pequena bancada onde algumas frutas estavam dispostas. Ele pegou uma maçã vermelha, cuidadosamente a lavou na pia, e, enquanto fazia isso, observava seus movimentos. Ele parecia tão tranquilo, tão concentrado em cada gesto. Os dedos dele, com um toque delicado, passaram pela fruta enquanto a enxugava com um pano. Ela não pôde deixar de notar o modo como ele se movia, sempre tão seguro e meticuloso, como se nada o desestabilizasse.

Depois de alguns segundos, ele se virou para ela, a maçã agora brilhando sob a luz suave. Ele a pegou com a mesma calma e foi até , levando também uma garrafa de água.

— Eu sei que você está cansada, então pensei que seria bom te dar um pouco de energia. — Ele disse com um sorriso leve, entregando a maçã e a água para ela.

olhou para a maçã, e a simples gentileza de fez com que ela se sentisse um pouco mais tranquila. Ela pegou a fruta e a garrafa, mas não pôde evitar de sorrir, apesar da ansiedade ainda presente em seu peito.

— Obrigada, . — Ela disse, a voz um pouco mais suave, mas com uma nota de gratidão que era sincera. Ela observou seus olhos por um momento, e, novamente, o mesmo calor que ela sentira antes surgiu, uma sensação de proximidade que ela não conseguia negar.

se sentou ao lado dela, mas com uma distância respeitosa, como sempre fazia. Ele se inclinou um pouco para a frente, seus braços descansando nas pernas, e os dois ficaram em silêncio por alguns momentos. O som da maçã sendo mordida por parecia preencher o vazio entre eles, mas havia algo mais naquele silêncio — algo que os dois estavam sentindo, mas não podiam nomear.

— Como está se sentindo agora? — quebrou o silêncio, a voz suave, mas com uma preocupação visível em seus olhos.

parou por um momento, a maçã ainda em suas mãos. Ela olhou para ele, tentando reunir as palavras certas, mas a verdade era que ela estava se sentindo um pouco melhor. O exercício a havia cansado, mas o gesto de , sua atenção, tudo aquilo parecia ajudá-la a se sentir cuidada de uma maneira que ela não esperava.

— Eu... — Ela hesitou, dando uma pequena mordida na maçã — Eu estou mais relaxada, obrigada. Acho que esses pequenos momentos fazem diferença, sabe?

sorriu levemente, mas o sorriso dele parecia mais triste, quase como se ele estivesse se perguntando algo que não tinha coragem de perguntar. Ele a observou por um instante, e, mais uma vez, ela sentiu a intensidade do olhar dele, algo mais profundo, como se ele estivesse vendo além da sua recuperação, além da fisioterapia.

— Eu fico feliz em saber disso. — Ele disse, o tom de sua voz ainda suave — A recuperação vai ser longa, mas você não precisa passar por isso sozinha. Eu estarei aqui para te ajudar.

sentiu um aperto no coração, mas também uma sensação de conforto, sabendo que ele realmente estava comprometido com seu processo de recuperação, embora sua mente ainda estivesse confusa. Ela queria acreditar que ele estava falando como um fisioterapeuta, mas havia algo na maneira como ele a olhava, na gentileza dos gestos, que fazia com que ela se perguntasse se ele estava apenas cumprindo seu papel ou se havia algo mais, algo não dito, nas entrelinhas daquele cuidado.

— Eu sei... — Ela respondeu, mais calma agora, segurando a maçã e sentindo a sensação de alívio que vinha com cada mordida. — E isso significa muito para mim.

assentiu, sem dizer mais nada, e o silêncio entre eles novamente se fez presente, mas desta vez não era desconfortável. Era um silêncio compartilhado, em que ambos estavam conscientes do espaço entre eles, mas não se afastavam.

Enquanto ainda mastigava a maçã, se afastou ligeiramente, seu celular vibrando no bolso da calça. Ele olhou rapidamente para a tela e viu que era sua mãe. Por um momento, hesitou, mas então atendeu, falando de forma natural, mas com um toque de carinho na voz.

“Nǐ hǎo, māmā” (“Olá mamãe”)

observou com curiosidade enquanto ele começava a conversar, a suavidade de sua voz em mandarim trazendo uma sensação de calma, mas também despertando algo mais profundo nela. Ela não entendia a língua, mas os sons fluídos e as palavras suaves lhe pareciam intensos, carregados de carinho e familiaridade. Ele estava distante, mas ao mesmo tempo, parecia ser transportado para outro mundo ao falar com a pessoa no telefone, como se todo o seu foco estivesse nela naquele momento.

A forma como ele se comunicava com a pessoa a fez admirar ainda mais . Havia algo de profundamente genuíno e afetivo na maneira como ele falava. percebeu que, embora ele fosse sempre tão calmo e profissional, havia uma camada mais pessoal e calorosa por trás de seu comportamento. Isso fez com que ela o visse de uma maneira diferente, mais humana, mais acessível.

Ele falou por alguns minutos, sempre com um sorriso no rosto e a voz suave, e, embora estivesse concentrada em observá-lo, ela tentou se manter discreta. A conversa, em mandarim, foi rápida, mas cheia de carinho, e ela podia ver como a relação deles parecia ser forte. Era claro que ele tinha um profundo respeito e afeto por essa pessoa, e isso fez a admiração de por ele crescer ainda mais. Ela não sabia muito sobre a vida pessoal dele, mas algo na maneira como ele se comunicava a fez querer saber mais.

Quando a ligação finalmente chegou ao fim, colocou o celular de volta no bolso e olhou para , um leve sorriso ainda presente em seus lábios. Ele respirou fundo, aparentemente aliviado, como se a conversa com a mãe tivesse trazido uma sensação de conforto.

— Era a minha mãe. — Ele disse, com a voz um pouco mais suave agora, quase como se a conversa tivesse sido algo íntimo. — Ela sempre gosta de saber como estou, especialmente nos dias em que tenho uma paciente difícil como você.

riu levemente, tentando aliviar o clima, mas a curiosidade dela já estava despertada.

— Como você veio parar aqui no Peru, ? — Ela perguntou, sem pensar, e logo se deu conta de que havia quebrado o silêncio de maneira bem direta — Quero dizer, você é da China, certo? Mas como foi essa mudança? O que te trouxe para cá?

a olhou por um momento, seus olhos refletem uma mistura de surpresa e pensamento, como se fosse uma pergunta que ele nunca tivesse realmente refletido sobre. Ele se acomodou novamente na cadeira ao lado de , uma postura mais relaxada agora, e olhou para ela com uma expressão pensativa.

— Foi uma decisão dos meus pais, na verdade. — Ele começou, com uma leveza na voz. — Quando terminei o ensino médio, meus pais decidiram se mudar para o Peru em busca de novas oportunidades. Eles sempre tinham a ideia de expandir os horizontes, aprender mais sobre outras culturas. Então, após a mudança, acabei ficando com eles. Fui para a faculdade de fisioterapia aqui, e depois de um tempo, comecei a trabalhar em clínicas locais. Um dia, eu estava passando por aqui, conheci o seu treinador e, bem… o resto é história.

o observava atentamente, absorvendo cada palavra, tentando entender mais sobre quem ele era. A maneira como ele falava com uma naturalidade quase doce sobre sua vida no Peru, como se ele tivesse abraçado a mudança sem questionar, a fazia respeitá-lo ainda mais. Havia algo nele que parecia sempre saber exatamente o que fazer, sempre com calma, mas também com propósito.

— Então você nunca pensou em voltar para a China? — perguntou, seu tom curioso, mas gentil. Ela queria saber mais, sentia que, por mais que ele estivesse sempre com uma fachada profissional, havia uma parte dele que ela ainda não conhecia, e agora estava começando a se abrir.

sorriu suavemente, o olhar dele se tornando um pouco mais distante, como se estivesse viajando por suas próprias lembranças.

— Às vezes penso em voltar, sim. Minha mãe sempre me pergunta se algum dia voltarei para a China, mas… minha vida agora está aqui. Eu gosto de como as coisas são no Peru. — Ele fez uma pausa, parecendo ponderar algo. — É um lugar tranquilo. E, de alguma forma, me encontrei aqui. Quem diria, né? Eu me tornei fisioterapeuta em um país tão distante do meu, ajudando pessoas como você.

sorriu, tocada pela sinceridade dele. Ela nunca imaginou que tivesse uma história tão rica por trás de sua presença tranquila e focada. Para ele, o Peru não era apenas uma terra distante, mas um lugar de possibilidades e novos caminhos, e ele parecia ter encontrado seu propósito ali.

— Você tem uma história interessante, . — Ela disse, seus olhos se suavizando. — Às vezes, o destino leva a gente para lugares que a gente nem imagina, né?

Ele assentiu, a expressão se suavizando ainda mais. A conversa entre eles, que antes tinha sido focada no profissional, agora parecia se tornar algo mais pessoal, mais humano, e, de certa forma, isso deixou mais à vontade, mais conectada a ele de um jeito que ela não imaginava.

O clima entre eles parecia ter mudado, mais leve e com uma sensação de intimidade crescente. estava mais aberto, e se sentia mais à vontade para explorar esse lado dele, o que fazia com que a conversa fluísse de uma maneira mais natural. Ela sabia que ele estava ali para ajudá-la a se recuperar, mas algo em sua voz e na forma como ele falava sobre sua vida no Peru a fazia perceber que ele também tinha sonhos e histórias pessoais, como qualquer outra pessoa.

— E você, ? — perguntou de repente, quebrando o momento de silêncio que se formou após suas últimas palavras. — Como você chegou até aqui? Como começou a correr?

A pergunta pegou de surpresa. Ela não estava acostumada a ser o centro da conversa, especialmente quando se tratava de algo tão pessoal. Mas, ao olhar para ele, percebeu que a curiosidade nos olhos dele era genuína. Ele realmente queria saber mais sobre ela, não apenas como paciente, mas como pessoa.

Ela pensou por um momento, as palavras fluindo lentamente enquanto ela tentava organizar sua história.

— Bem, a corrida sempre foi parte da minha vida. Meu pai... ele sempre foi muito ligado ao esporte, e eu cresci assistindo ele se dedicar a isso. Mas foi depois de um evento... — Ela hesitou, lembrando-se de um período difícil de sua vida — Depois de um evento pessoal, eu decidi que queria correr, não só para manter a memória dele viva, mas também para me encontrar. A corrida se tornou minha terapia, sabe? Algo que eu poderia controlar. Mas não foi fácil, nada disso foi fácil.

a observava com atenção, seus olhos fixos nela enquanto ele assimilava suas palavras. Ele sabia que ela não estava apenas falando sobre corridas; havia algo mais por trás de sua história, algo que ela não queria revelar completamente. Mas ele também sabia que ela não precisava contar tudo agora.

— Eu entendo. — Ele disse, a suavidade em sua voz evidenciando o quanto ele respeitava o que ela compartilhava — Às vezes, a corrida é uma forma de se libertar, de escapar. Mas também pode ser uma prisão, quando a gente não sabe o que fazer com todo o resto que está dentro da gente.

olhou para ele, surpresa pela profundidade do que ele acabara de dizer. Ela nunca imaginou que tivesse uma visão tão perspicaz sobre o esporte e os desafios pessoais que ele representava. A percepção dele parecia mais complexa do que ela imaginava para alguém que era tão focado na recuperação física.

— Você é bom com palavras, . — Ela disse, meio brincando, mas com um sorriso genuíno. — Acho que você deveria ser também terapeuta emocional, além de fisioterapeuta.

riu suavemente, o som leve e sincero, e percebeu que ele realmente sabia como aliviar a tensão, como fazê-la se sentir mais confortável. Ela não sabia o que ele pensava sobre ela, mas havia algo na maneira como ele a tratava que a fazia sentir uma conexão que não conseguia explicar.

— Talvez eu devesse considerar isso, então. — Ele respondeu com um sorriso divertido. — Mas, por enquanto, vou continuar com a fisioterapia. Acho que você precisa de um fisioterapeuta mais do que de um conselheiro.

riu, a tensão entre eles diminuindo, e ela se sentiu grata pela leveza que trazia para o ambiente. Ela sabia que estava longe de estar completamente recuperada, tanto fisicamente quanto emocionalmente, mas algo naquele momento a fazia sentir que talvez, apenas talvez, ela poderia lidar com tudo isso com mais confiança.

— E quando você vai começar a me dar o resto dos "conselhos de vida"? — Ela provocou, sorrindo.

deu uma risada baixa e inclinou a cabeça levemente, como se estivesse considerando a ideia.

— Só se você me prometer que vai continuar indo devagar. Fisioterapia e conselhos emocionais não combinam bem quando alguém está apressada. — Ele disse, com um tom brincalhão, mas que ainda carregava aquele toque de cuidado que ela começava a valorizar tanto.

Eles permaneceram em silêncio por alguns instantes, mas agora, o silêncio era mais confortável. percebeu que, talvez, ela não estivesse sozinha nessa jornada, que havia alguém ali, ao seu lado, disposto a ajudá-la não só a se recuperar fisicamente, mas também a lidar com as coisas que estavam acontecendo dentro dela.

E, pela primeira vez em um tempo, ela se sentiu esperançosa, não só em relação à sua recuperação, mas ao que o futuro poderia lhe reservar.

estava em casa, sozinha, e o silêncio da sala parecia ainda mais profundo do que ela imaginava. Os exercícios daquela manhã e tarde a deixara exausta, e o calor do sofá a convidava a se acomodar. Ela se aninhou com a manta, ligando a TV, mas mal prestava atenção no que passava. Seus pensamentos ainda estavam com os exercícios, e a sensação de que seu corpo não respondia como antes estava sempre presente.

A campainha tocou, quebrando o silêncio, e se levantou lentamente, com o corpo cansado. Ao abrir a porta, encontrou o treinador, com um sorriso amistoso e uma caixa de comida em mãos.

— Oi, ! Trouxe algo para você. — Ele disse com um tom leve, embora a preocupação estivesse visível em seu olhar.

sorriu, sentindo um pouco de alívio por não estar completamente sozinha. O gesto do treinador era simples, mas lhe dava um conforto inesperado.

— Obrigada, coach. — Ela o cumprimentou, aceitando a caixa com gratidão. — Você realmente sabe como me fazer sentir melhor.

Ele riu, colocando as mãos nos bolsos enquanto ela fechava a porta atrás dele.

— Nem que seja por um momento. — Ele respondeu, jogando uma olhada pela sala de estar. — Como você está se sentindo hoje?

deu de ombros, tentando parecer mais otimista do que realmente estava.

— Melhor do que antes, mas ainda sinto que meu corpo está resistindo. A recuperação está sendo mais difícil do que imaginei.

O treinador assentiu, uma expressão de compreensão em seu rosto.

— Eu sei. É normal se sentir assim no começo. A recuperação vai ter altos e baixos. Mas você tem o meu apoio, e não só o meu, viu? — Ele pausou, olhando-a nos olhos com seriedade. — O está sempre por perto para qualquer coisa que você precise.

Ela o agradeceu mais uma vez, e ele sorriu, a tensão do trabalho todo claramente ainda presente em sua postura, mas havia algo em seu gesto que parecia genuíno, uma vontade de vê-la bem. Depois de um breve diálogo sobre a recuperação, ela se levantou pronta para esquentar a comida que o treinador havia trazido.

Ela seguiu até a cozinha e colocou a comida no micro-ondas. O som constante do aparelho preenchia o ambiente, abafando qualquer outro pensamento enquanto ela aguardava. Mas, quando o micro-ondas finalmente parou, ela estava tão distraída com os próprios pensamentos que não percebeu o tempo passando.

Ao abrir a porta do micro-ondas, ela se deparou com o treinador, já ao telefone, ainda na sala, conversando com alguém com um tom de voz que parecia mais profissional, mas suave. Ela hesitou por um momento, sem querer interromper, e decidiu seguir para a cozinha enquanto ele terminava a ligação. Quando a ligação foi finalmente concluída, o treinador colocou o celular no bolso e se virou para ela com um sorriso, agora mais descontraído. Ele a ajudou com os pratos e talheres enquanto ela se ajustava à mesa.

— O topou passar uma semana aqui com você no seu apartamento. — Ele disse, como se fosse uma novidade simples.

, surpresa, arqueou uma sobrancelha. Ela olhou para ele, tentando entender se ele estava falando sério.

— Como assim? — Sua voz saiu um pouco mais alta do que ela pretendia, e ela fez uma expressão de confusão.

O treinador suspirou, como se esperasse essa reação dela, e deu alguns passos mais perto.

— Eu e o Ricardo achamos que seria o melhor para a sua recuperação. Ele vai ficar com você em período integral, não só durante os exercícios. — Ele explicou, a preocupação evidente nas palavras dele. — Você precisa de ajuda, . Como vai tomar banho, se trocar, se locomover... Se fizer todo esse esforço sozinha, vai acabar piorando. E ele é especialista nisso, sabe o que está fazendo. Vai cuidar de você direitinho, como sempre.

ficou em silêncio, absorvendo a informação. Ela sabia que precisava de ajuda, mas a ideia de ter alguém em casa, especialmente , o fisioterapeuta, a deixou com um misto de surpresa e algo mais... algo que ela não sabia como lidar.

— Então... ele vai ficar aqui, fazer tudo isso... comigo? — Ela murmurou, sentindo uma estranha sensação de nervosismo.

O treinador assentiu com um sorriso amável.

— Exatamente. E, se você me perguntar, vai acabar gostando da companhia dele. — Ele deu uma piscadela antes de adicionar. — Ele sabe ser um bom companheiro.

ficou um momento pensativa, sentindo uma mistura de emoções. Ela não sabia o que pensar, mas, ao mesmo tempo, algo dentro dela se perguntava se isso poderia realmente ser o que ela precisava.

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terminou de comer em silêncio, o gosto simples da comida reconfortando seu corpo cansado. Ela se recostou na cadeira por um momento, pensando sobre tudo o que tinha acontecido, o que o treinador havia dito e, principalmente, a presença iminente de em seu apartamento. A ideia ainda parecia estranha, mas também não podia negar que ela precisaria de ajuda. Talvez fosse melhor aceitar e se concentrar na recuperação, sem resistência.

O treinador, que ainda estava por ali, a ajudou a se levantar da cadeira. Ele sorriu gentilmente, como sempre, e sem pedir, começou a limpar a mesa, lavando as louças com a mesma calma com que sempre conduzia seus treinos.

— Não precisa se preocupar com isso, coach. — tentou protestar, mas ele apenas balançou a cabeça.

— Você já fez o suficiente por hoje. Agora é hora de descansar. — Ele disse, seu tom firme e agradável ao mesmo tempo, como se fosse uma ordem disfarçada de gentileza — Deixe que eu cuido disso.

sorriu, relaxando um pouco mais. Ela caminhou até o sofá, com as muletas ainda nas mãos, e se acomodou, sentindo-se grata pela companhia e pela ajuda do treinador. O apoio dele era mais do que ela imaginava. Enquanto ele terminava de lavar as louças, ela fechou os olhos, sentindo-se menos sozinha do que antes, embora ainda um pouco desconfortável com a ideia de ter alguém por perto constantemente.

Quando o treinador terminou com as louças, ele veio até ela, ajudando-a a se ajeitar no sofá, ajustando a manta ao seu redor com cuidado.

— Agora, você fica aí, descansando, até o chegar. — Ele disse com um sorriso suave. — Eu só voltei para ter certeza de que você ficaria bem. Ele vai cuidar de você o tempo todo, então, não se preocupe, ok?

Ela assentiu, um pouco grata, um pouco apreensiva, mas sabendo que o treinador estava apenas tentando o melhor para ela. Ele lhe deu um tapinha no ombro, em um gesto amistoso, antes de se despedir.

— Vou embora agora. Não se esqueça de seguir a ordem dos exercícios, ok? A recuperação é a prioridade.

Depois que ele saiu, ficou sozinha por um momento, seus pensamentos divididos entre os exercícios que ela teria de fazer e a iminente chegada de . Ela sentia o peso da situação, mas também sabia que, se quisesse voltar a correr, teria que passar por isso.

Não muito tempo depois, a campainha tocou. se levantou com esforço, ajustando as muletas, e foi até a porta. Quando abriu, encontrou , agora com uma mala grande e alguns equipamentos de fisioterapia em mãos.

— Olá, . — Ele disse com um sorriso tranquilo, mas seus olhos indicavam que ele estava atento à situação. — Eu trouxe tudo o que preciso. Espero não ter atrapalhado o seu começo de noite.

o observou, surpresa por vê-lo ali, com tudo o que parecia ser necessário para ajudá-la a se recuperar. Ele entrou no apartamento, a mala batendo suavemente contra a parede enquanto ele a colocava no chão. parecia à vontade, como se esse fosse seu ambiente natural, o que a fez se sentir ainda mais desconfortável com a ideia de ele estar lá por tanto tempo.

— Eu... — começou, um pouco sem saber como se expressar. — Eu não imaginava que você traria tudo isso.

sorriu, seu olhar suave, e ele começou a colocar os equipamentos no canto da sala, em um lugar que parecia planejado para isso. Ele se movimentava com a precisão de sempre, mas havia algo mais ali, algo que fazia sentir que ele não estava apenas cumprindo uma tarefa. Ele estava ali para ela, para sua recuperação, e isso, por algum motivo, a deixava ainda mais nervosa.

— Eu trouxe tudo o que você precisa para os exercícios que vamos fazer juntos. E... — Ele fez uma pausa, olhando para ela com um sorriso discreto — Eu vou ficar aqui com você, não se preocupe. Só me avise se precisar de algo.

Ela olhou para ele, sem saber bem o que dizer. Sabia que precisava de ajuda, mas o fato de ele estar ali, tão perto, com seu olhar atento e sua presença constante, parecia torná-la vulnerável de um jeito que ela não estava acostumada.

— Ok, eu... eu vou tentar me acostumar com isso. — Ela disse, a voz um pouco insegura, mas tentando se ajustar à nova dinâmica.

deu um leve sorriso e começou a ajeitar os equipamentos para o primeiro exercício, já preparando o ambiente para as próximas sessões. Ele parecia tão natural naquele espaço, tão confiante em sua função, que, de certa forma, se sentiu um pouco mais segura.

A noite já começava a cair quando finalmente terminou de organizar todos os equipamentos necessários para os exercícios. , exausta após a manhã e a tarde intensas de fisioterapia, sabia que seu corpo precisava de descanso. O peso dos exercícios a fazia querer se entregar ao cansaço, mas a sensação de estar sendo cuidada por alguém tão focado e atento como , embora ainda desconfortável, trazia-lhe um certo alívio.

Ela olhou para ele, ainda se ajustando à ideia de tê-lo ali por tanto tempo, e suspirou levemente.

— Eu... — Ela começou, um pouco hesitante. — O quarto de hóspedes fica no final do corredor, à esquerda. Você pode deixar as suas malas lá.

a olhou por um momento, apenas assentindo com a cabeça. Ele pegou as malas com destreza e se levantou, caminhando até o corredor.

, embora cansada, o seguiu, com as muletas apoiadas nos braços, tentando se mover mais devagar devido à dor residual na perna. Ela observava como se movia pelo apartamento com facilidade, ajustando as malas e equipamentos sem pressa, como se estivesse em sua própria casa, o que, de certa forma, fazia com que ela se sentisse mais perturbada.

Quando chegaram ao quarto de hóspedes, colocou as malas no chão com a mesma precisão com que havia organizado tudo até então. Ele olhou ao redor, observando o ambiente simples, mas acolhedor, antes de olhar para , que estava parada na porta, ainda vestindo as roupas de treino de mais cedo, suadas e visivelmente desconfortáveis.

Ele se aproximou um pouco mais, então, com um olhar direto, perguntou com suavidade:

— Você ainda não tomou banho, não é?

ficou parada por um instante, a pergunta pegando-a de surpresa. Ela não havia percebido até aquele momento o quanto seu corpo estava exausto. A sensação de cansaço era mais intensa do que imaginava, mas ela hesitou antes de responder, sem saber se deveria pedir ajuda para algo tão simples como tomar um banho.

— Não... eu... estava esperando um momento mais calmo. — Ela murmurou, tentando se explicar, mas a verdade era que, no fundo, ela estava apenas adiando o momento de se entregar ao descanso e à recuperação.

, percebendo a hesitação, suavizou a expressão e deu um passo à frente, ficando próximo o suficiente para que ela sentisse a presença dele, mas sem invadir seu espaço. Ele a observou com atenção e, com a voz calma, disse:

— Eu posso te ajudar, se você quiser. Sei que deve ser difícil se mover com a perna assim. É importante descansar, mas também se cuidar. Se precisar de alguma ajuda, estou aqui.

sentiu um leve arrepio ao ouvir as palavras dele, mas algo dentro dela a fez perceber que ele não estava apenas sendo profissional. Ele parecia genuinamente preocupado. Embora a ideia de pedir ajuda para algo tão pessoal fosse desconfortável, ela sabia que era o que precisava naquele momento.

— Tudo bem. — Ela finalmente respondeu, ainda hesitante, mas com um suspiro. — Acho que poderia... talvez me ajudar um pouco.

sorriu suavemente, algo que parecia natural, e deu um pequeno aceno de cabeça.

— Não se preocupe. Vamos fazer isso com calma. — Ele disse, com a confiança que ela precisava ouvir. Ele então a ajudou a se mover até o banheiro, seu toque firme, mas delicado, a guiando pelo caminho.

Enquanto eles se moviam pelo apartamento, sentiu uma sensação de vulnerabilidade misturada com alívio. Embora a ideia de ter alguém por perto durante esse processo fosse estranha, a preocupação de a fez sentir que ela poderia confiar nele, ao menos para essa fase de sua recuperação.

Quando chegaram à porta do banheiro, ajudou a se acomodar ao lado da pia, antes de gentilmente pegar as muletas dela. Ele as colocou de lado, com um cuidado que mostrava sua experiência, e então se voltou para ela.

— Fique tranquila, você não precisa se preocupar com nada. — Ele falou com a voz calma, olhando diretamente para ela, quase como se quisesse transmitir toda a confiança que ela ainda não sentia.

tentou se equilibrar sozinha, mas logo percebeu que a dor na perna e a fraqueza do corpo tornavam tudo mais difícil do que imaginava. O cansaço estava se acumulando, e a sensação de vulnerabilidade a fez se apoiar mais nele do que gostaria.

Sem pensar, ela colocou as mãos nos ombros dele, buscando apoio para não cair. O contato, ainda que leve, fez com que uma onda de calor percorresse seu corpo, como se o simples gesto de se apoiar nele tivesse desencadeado algo mais. Ela sentiu os músculos tensos, e a proximidade entre os dois parecia se intensificar a cada segundo.

ficou parado por um momento, os olhos fixos nela, antes de desviar brevemente o olhar para evitar a intensidade da situação. Mas ele não se afastou. Em vez disso, manteve a posição firme, com a respiração mais controlada do que o normal.

Ela podia sentir a tensão crescente, e por um instante, tudo ao redor parecia se apagar. A única coisa que ela conseguia perceber era ele, a sua presença, o calor entre os dois, a suavidade de suas mãos segurando suas.

Foi quando engoliu seco, visivelmente afetado pelo contato inesperado, e suas palavras saíram em um tom baixo e quase hesitante:

— Vou precisar despir você, ... — Ele disse, a voz um pouco mais grave, como se fosse difícil para ele dizer aquilo. Ele não queria que ela se sentisse ainda mais vulnerável, mas sabia que aquilo fazia parte do processo.

sentiu o estômago revirar, uma mistura de confusão e algo mais que ela não conseguia identificar. Ela sabia que precisava de ajuda, mas a ideia de ser tocada de uma forma tão íntima a deixou tensa. Sua mente se debatendo entre o desconforto e a necessidade, ela respirou fundo e, com um leve aceno de cabeça, tentou disfarçar a apreensão.

— Ok... — Ela respondeu, com a voz um pouco trêmula, sentindo os batimentos acelerados, mas sem saber como agir. Era estranho, mais do que ela imaginava, mas a dor e o cansaço a faziam hesitar em continuar resistindo.

permaneceu silencioso por um momento, seus olhos se suavizando ao ver a vulnerabilidade dela. Ele sabia que aquilo não era fácil para , mas, ao mesmo tempo, ele estava ali para cuidar dela, e isso significava agir com respeito e paciência.

Com um movimento calmo e delicado, ele começou a ajudá-la a tirar as roupas, sua atenção em cada detalhe, em cada gesto. Ele queria garantir que ela se sentisse o mais confortável possível, apesar da situação.

O toque dele era cuidadoso, mas a tensão entre os dois não passava despercebida. sentia cada gesto dele, e, por mais que fosse necessário, a sensação de proximidade fazia com que seu corpo se enrijecesse. Mas parecia tão focado em ajudá-la, sem pressa, sem querer ultrapassar limites, que ela foi aos poucos se permitindo confiar mais na presença dele.

Quando terminou de ajudá-la a se despir, a conduziu suavemente até o chuveiro, ligando a água morna. Ele se afastou um pouco, dando-lhe o espaço necessário para que ela se acomodasse, mas seus olhos não deixaram de acompanhá-la, sempre atento, como se quisesse garantir que ela estivesse o mais confortável possível.

— Vou estar aqui, , se precisar de algo. — Ele disse, a voz suave, mas carregada de uma atenção que ela começava a perceber não ser apenas profissional.

Ela assentiu, sentindo-se ao mesmo tempo grata e vulnerável. Quando ele saiu do banheiro, deixando-a sozinha, a sensação de tensão no ar ainda permanecia. Mas, por algum motivo, ela sabia que ele estava ali para ela, com um cuidado que transcendeu a simples função de fisioterapeuta.

🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️

Quando fechou a porta atrás de si, finalmente ele relaxou os ombros ao escorar as costas na porta, fechou os olhos com força e respirou fundo. Ele havia conseguido sobreviver naquele primeiro momento, havia conseguido lutar contra a vontade absurda de passear com mais lentidão os olhos pelo corpo nu dela.

Ele sabia que seu papel ali era claro: ajudar a se recuperar. Nada mais. Ele tinha feito isso centenas de vezes, mas nada o preparou para o que sentiu naquele instante. Ele sabia que estava cuidando dela, de forma profissional, como sempre. Mas o toque, a proximidade... a maneira como ela se apoiou nele, com a vulnerabilidade de uma paciente que precisa de ajuda, mas sem querer admitir o quanto isso a afetava, o atingiu de um jeito diferente.

Ele respirou fundo, tentando se acalmar. A visão dela ainda estava vívida em sua mente, a forma como ela o olhou, como ele a tocou para ajudá-la a se equilibrar. Ela estava cansada, fragilizada pela dor, e tudo o que ele queria era ajudá-la, mas algo dentro dele, algo que ele sempre conseguira controlar, se agitava.

sabia que precisava se manter distante. Ele era o profissional, o especialista, e tudo o que ele deveria fazer era focar na recuperação de . Nada mais. Mas a tensão entre eles, a forma como o corpo dela reagia ao seu toque, a vulnerabilidade dela... tudo isso o fazia querer cruzar uma linha que ele sabia que não deveria. E essa vontade de simplesmente tocá-la de forma mais lenta, mais prolongada, mais íntima, o deixou inquieto.

Ele tentou afastar esses pensamentos. Isso era errado, ele sabia disso. Ele estava ali para ajudar, para ser o melhor fisioterapeuta que poderia ter. Ela estava em um momento difícil, e ele precisava se manter firme, sem deixar que sua própria atração nublasse seu julgamento. Mas, à medida que se afastava do banheiro, ele se deu conta de que não poderia ignorar o conflito dentro de si. Ele era humano, e era alguém que despertava algo nele que ele não queria admitir. Algo que, se não fosse controlado, poderia complicar ainda mais a situação entre eles.

abriu os olhos, sentindo a pressão em seus ombros. Ele se afastou da porta e deu alguns passos pela sala, respirando fundo, tentando recobrar sua compostura. Ele precisava se lembrar do que realmente importava: a recuperação de . Isso tinha que ser sua prioridade, não seus sentimentos pessoais.

E, mesmo sabendo disso, ele não conseguia afastar a imagem dela, a lembrança do toque e da tensão que havia pairado no ar entre eles. Ele se deu conta de que, embora tivesse conseguido controlar seus impulsos naquele momento, a batalha interna não havia terminado.

Ele se forçou a caminhar até a janela, olhando para a noite que se formava lá fora. Tudo estava calmo, mas dentro dele, a tempestade ainda rugia. sabia que teria que se concentrar, que não poderia permitir que suas emoções tomassem conta, mas, ao mesmo tempo, ele sabia que esse conflito não seria facilmente resolvido. Ele teria que encontrar um equilíbrio, ou algo mais teria a chance de se revelar.

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estava sozinha no banheiro, a água quente ainda escorrendo pelo seu corpo enquanto ela tentava se limpar. O cansaço de horas de fisioterapia ainda pesava em seus ombros e nas pernas, mas o banho morno estava ajudando a aliviar a tensão muscular. Porém, à medida que o tempo passava, ela começou a perceber o quão escorregadio o piso do boxe estava, e a sensação de insegurança a invadiu. A dor na perna, embora diminuída, ainda estava lá, e ela não se sentia firme o suficiente para sair do boxe sozinha.

Com um suspiro, ela decidiu pedir ajuda. Ela não queria se mostrar frágil, mas sabia que não poderia correr o risco de se machucar ainda mais. E, além disso, estava ali, não só para os exercícios, mas também para garantir sua segurança durante a recuperação.

Ela chamou, com a voz um pouco trêmula, sem saber se ele ouviria:

... — Ela hesitou, respirando fundo. — Eu... eu preciso de ajuda para sair daqui. O piso está muito escorregadio.

O som da água caindo sobre o mármore foi interrompido por um leve passo do lado de fora do banheiro, e logo a porta se abriu. entrou no banheiro com a mesma tranquilidade que tinha em tudo o que fazia, mas seus olhos se fixaram imediatamente em .

Ela estava ali, nua, com o corpo e os cabelos molhados... A visão dela, frágil e vulnerável, fez um nó apertado no peito de . Ele tentou desviar o olhar rapidamente, mas não pôde evitar ver cada detalhe de seu corpo — as gotas de água escorrendo pelo seu pescoço, a curva suave de seus ombros e cintura, a maneira como seu cabelo escuro estava colado à pele.

sentiu o estômago revirar. Ele lutou contra si mesmo, tentando manter a compostura, mas a proximidade entre eles e o estado vulnerável de mexiam com ele de um jeito que ele não conseguia controlar. Ele precisava focar, precisava ser profissional. Ele estava ali para ajudar, para garantir a recuperação dela. Nada mais.

Com um esforço visível, ele se aproximou dela, mantendo a maior distância possível, mas ainda assim perto o suficiente para oferecer seu apoio. Sua mão foi até a parte de trás de seu ombro, tentando equilibrá-la com cuidado. Ele sabia que o toque era necessário, mas o que ele não podia controlar era a sensação de seu corpo próximo ao dela, e o fato de que, por mais que tentasse, seus olhos acabaram se desviando, passando rapidamente pelo corpo nu de .

Ele se xingou mentalmente, sentindo a tensão aumentar. Mas ele não podia evitar. Seus olhos foram atraídos para ela, se demorando por um instante mais do que deveria, antes de ele forçar-se a olhar para o rosto dela novamente. Ele engoliu em seco, tentando se recompor. Os seios fartos e entumecidos pela mudança de temperatura do boxe para o lado de fora, a barriga magra e definida pelos tantos exercícios e pela rotina pesada e saudável que ela levava, as coxas grossas e torneadas. Ele engoliu seco e levou os olhos até o rosto dela, tentando se concentrar em não deixá-la escorregar.

— Preciso que você se segure em mim, . — Ele disse, a voz mais baixa do que normalmente era, quase rouca, como se estivesse tentando recuperar seu controle.

, ainda um pouco hesitante, se apoiou nele. Ela sentiu o calor de seu corpo, e por um momento, tudo ao redor parecia se silenciar. , por sua vez, fez o possível para não se deixar levar pela proximidade, embora sua respiração estivesse mais profunda do que o normal. Ele sabia que estava sendo profissional, mas algo em sua mente, algo mais primal, o fazia querer dar mais atenção ao que estava acontecendo entre eles.

Com um esforço visível, ele a ajudou a sair do boxe, a guiando até a toalha que estava na cadeira próxima. Quando ela finalmente se acomodou, a tensão no ar era palpável. evitou olhar para ela mais uma vez, sentindo o desconforto de seus próprios sentimentos.

— Agora, você pode se secar. — Ele disse, sua voz mais controlada, tentando focar apenas no que era necessário — Vou deixar você em paz por agora.

começou a se afastar, mas antes que pudesse virar completamente, ele ouviu a voz suave de , ainda baixa, mas carregada de vulnerabilidade.

... — Ela o chamou, hesitante, e ele parou, voltando a olhar para ela. — Eu... não consigo apoiar o pé machucado no chão. Ainda estou com medo de me desequilibrar.

Ele sentiu um aperto no peito ao ouvir as palavras dela. Ele sabia que sua recuperação não seria fácil, mas ouvir a insegurança na voz de fez com que ele se sentisse ainda mais responsável por ela. Ele respirou fundo, controlando a mistura de emoções que surgiram, e se virou para encará-la, seu olhar fixo nela, tentando entender o que ela realmente precisava.

— Tudo bem, . — Ele disse, a voz agora mais suave, sem o tom de autoridade que ele costumava usar. — Eu vou ficar aqui. Não se preocupe.

Ele se aproximou novamente, permanecendo ao seu lado com a mesma calma que tinha, mas agora a tensão entre eles parecia mais palpável. Ele sabia que precisava ajudá-la, mas o contato físico, a proximidade... tudo isso estava testando os limites que ele havia estabelecido para si mesmo.

, ainda sentindo o desconforto da situação, começou a enxugar os cabelos, fechando os olhos ao sentir a toalha macia tocando suas madeixas molhadas. O movimento dela, tão natural, tão relaxado, a fez parecer ainda mais frágil. O silêncio que se seguiu era quase ensurdecedor, e , embora estivesse ali para ajudá-la, não pôde evitar os olhos que, novamente, se desviaram para seu corpo.

Ele tentou resistir, mas os detalhes estavam ali, e não havia como ignorá-los. O jeito que a água escorria por sua pele, as curvas do seu corpo, a maneira como ela parecia tão vulnerável em sua presença. Cada movimento de , mesmo que inconsciente, a tornava mais atraente, e sentiu uma pressão em seu peito ao perceber que seus olhos estavam passeando, de maneira rápida, por cada parte dela.

Ele engoliu em seco, tentando focar naquilo que realmente importava. Mas a realidade era que, naquele momento, ele estava lutando contra algo que não poderia controlar. Ele não era insensível. Ele sabia o que estava acontecendo, sabia que precisava de ajuda, mas ele também era homem, e isso tornava tudo ainda mais difícil de lidar.

Com um esforço considerável, ele se afastou um pouco, tentando se recompor. Ele precisava se concentrar, precisava ajudar a se recuperar, sem permitir que seus próprios sentimentos interferissem.

— Quando terminar, vou te ajudar a se vestir. — Ele disse com a voz firme, mas seu olhar ainda carregava uma intensidade que ele não podia esconder completamente.

não respondeu imediatamente, seus olhos ainda fechados enquanto ela secava seus cabelos, mas, de algum modo, ela sentia que algo tinha mudado entre eles, mesmo que não soubesse exatamente o quê.

, tentando manter a compostura, se afastou um pouco mais, mas o silêncio entre eles permanecia carregado de tensão. Ele sabia que, se não controlasse seus próprios sentimentos, poderia prejudicar o que estava ali para fazer. E, acima de tudo, ele precisava manter a linha entre ser o profissional que ela necessitava e ser apenas alguém que se sentia atraído por ela.

, ainda se equilibrando com dificuldade, olhou para , que estava a uma distância considerável. Ela sabia que precisava de ajuda, mas, ao mesmo tempo, queria ser capaz de fazer as coisas sozinha. Mesmo assim, o medo de escorregar e cair a fez hesitar. Ela estendeu uma das mãos para ele, buscando apoio. imediatamente percebeu a necessidade dela e se aproximou, mas, antes que ela pudesse se estabilizar, o pé machucado vacilou, e ela começou a perder o equilíbrio.

! — exclamou, rapidamente estendendo os braços e segurando-a firme antes que ela caísse. Ele a puxou para si, seu corpo colidindo suavemente com o dele, e, por um momento, ela ficou parada ali, com a respiração mais rápida, sentindo o toque dele de perto. Ela não sabia se o que a abalava mais era o medo de cair ou a proximidade que se formava entre os dois.

— Eu... desculpe... — murmurou, tentando se afastar rapidamente, mas não a deixou. Ele a manteve ali por um segundo, seus braços firmes em torno dela, até que ela finalmente se estabilizou.

— Não precisa se desculpar. — Ele disse, a voz baixa, mas carregada de uma suavidade que a fez se sentir ainda mais vulnerável — Eu estou aqui para isso.

Ele respirou fundo, os olhos se fixando nela, e por um momento, a tensão no ar foi palpável. Ela o olhou, sentindo a conexão entre eles aumentar, mas ainda com um sentimento de desconforto, como se estivesse se entregando a algo mais do que apenas o cuidado de um fisioterapeuta. parecia perceber a mesma coisa, a linha tênue que existia entre o profissional e o humano, e isso o fez hesitar por um momento.

Ele a ajudou a se equilibrar ainda, sem soltá-la de imediato. Seu toque era cuidadoso, mas havia uma leve hesitação em seus movimentos. Ele sabia que, para ela, aquilo era desconfortável, mas não podia ignorar a necessidade de fazê-la se sentir segura. Ele não queria que ela caísse, não queria que se machucasse ainda mais.

Quando ela parecia um pouco mais estabilizada, ele deu um passo atrás e olhou para ela, mas a tensão entre os dois ainda estava lá, intensa e difícil de ignorar.

— Você precisa de mais ajuda... — Ele disse, com a voz agora mais suave, como se tivesse tomado uma decisão. Ele não podia deixar que ela se sentisse desconfortável ou insegura por mais tempo. Ele sabia o que ela precisava.

Sem esperar uma resposta imediata, foi até a toalha e a pegou, voltando até . Ele não perguntou se ela queria ajuda, não a deixou decidir por si mesma. Ele já sabia o que precisava fazer. Com cuidado, ele começou a enxugá-la, os movimentos lentos e precisos. Ele começou com o cabelo, puxando a toalha suavemente para secar as mechas molhadas. A água que escorria sobre ela havia parado, mas o calor entre eles parecia persistir, tornando o momento mais tenso do que ele imaginava.

, sem saber o que dizer, apenas permaneceu quieta. Ela não sabia se o que sentia era apenas a necessidade de ajuda ou se havia algo mais ali, algo que não poderia ser expresso em palavras.

A cada movimento de , ela sentia seu corpo relaxar, mas ao mesmo tempo, uma crescente consciência da proximidade deles. O toque dele, o jeito cuidadoso com que ele a enxugava, parecia fazer com que o tempo se arrastasse, como se tudo ao redor desaparecesse, exceto os dois.

, por sua vez, lutava contra o impulso de deixar a situação se arrastar mais do que o necessário. Ele sabia que estava cruzando uma linha, mas algo dentro dele não conseguia resistir à necessidade de cuidar dela, de protegê-la dessa sensação de fragilidade.

Ele terminou de enxugar seus cabelos e, por um momento, ficou parado, observando o quanto ela parecia mais relaxada agora, embora ainda com um toque de apreensão nos olhos.

— Agora, você está pronta. — Ele disse, a voz mais grave do que o normal, ainda tentando manter a calma. Ele sabia que o que estava fazendo não era fácil para nenhum dos dois, mas a situação exigia que ele fosse firme, que fosse o suporte que ela precisava.

o olhou, sentindo a tensão no ar. Ela sabia que precisava dele, mas, ao mesmo tempo, algo dentro de si estava resistindo. Ela não sabia como lidar com a vulnerabilidade daquele momento, nem com a energia que parecia crescer entre eles.

, ainda sentindo a sensação de vulnerabilidade, rapidamente se enrolou na toalha, tentando se cobrir o máximo possível. Ela respirou fundo, tentando afastar a tensão do momento e o desconforto da situação. Quando se sentou na borda do boxe, olhou para , que estava à sua frente, agora com os olhos fixos nela, como se estivesse esperando que ela tomasse alguma atitude.

Ela pegou as muletas, tentando se apoiar para começar a andar, mas rapidamente se aproximou dela, parando a ação com um gesto suave.

— Esquece essas muletas por agora, . — A voz dele, calma, mas firme, foi um alívio, e ao mesmo tempo, causou uma sensação de surpresa — Vou te levar pro quarto.

Antes que ela pudesse protestar ou tentar argumentar, ele a pegou de surpresa. a levantou com facilidade, segurando-a de maneira firme, mas gentil. Ela soltou um pequeno protesto, mais por reflexo do que por qualquer outra coisa.

— O que você está fazendo? — Ela exclamou, seu corpo imediatamente tenso com a surpresa de ser levantada daquele jeito. Seus olhos se arregalaram, e ela tentou se afastar um pouco, mas a segurou com mais firmeza.

— Relaxa, . — Ele disse suavemente, seu tom calmo e controlado — Você não precisa se preocupar. Eu só vou te ajudar.

se sentiu envergonhada, mas ao mesmo tempo não tinha forças para protestar mais. Ela se permitiu ser carregada, o calor do corpo dele contra o seu fazendo o ambiente ficar mais carregado, mais íntimo. Ela sabia que ele estava apenas sendo profissional, mas o contato e a proximidade a deixavam ciente de como aquela situação, por mais simples que fosse, estava deixando uma tensão crescente no ar.

a carregou pelo corredor, suas passadas firmes, mas cuidadosas. se sentiu estranhamente segura em seus braços, mas não podia negar que a sensação de vulnerabilidade estava ainda presente. Quando finalmente chegaram ao quarto, ele a colocou suavemente na beirada da cama, ajustando a posição dela com cuidado.

Ela olhou para ele, ainda tentando processar tudo o que estava acontecendo, quando ele a olhou com uma expressão séria, mas atenta.

— Onde estão as suas roupas íntimas? — Ele perguntou, o tom de sua voz profissional, mas com uma sutileza que não pôde ignorar.

As palavras dele a pegaram de surpresa, fazendo as bochechas de esquentarem instantaneamente. Ela engoliu em seco, sentindo o rubor tomando conta do seu rosto. Era estranho falar sobre isso com ele, ainda mais depois de todo o toque e proximidade que haviam compartilhado.

— Estão na segunda gaveta da cômoda. — Ela respondeu, a voz um pouco trêmula, tentando manter a calma — Eu... eu costumo dormir sem sutiã.

Ela olhou para baixo, tentando esconder o embaraço. O silêncio que se seguiu parecia pesado, como se as palavras dela ecoassem na pequena distância entre os dois. permaneceu em silêncio por um momento, como se estivesse processando a informação, antes de se mover em direção à cômoda.

Ele abriu a gaveta com cuidado, pegando uma calcinha sem costura da cor creme e, sem olhar para ela, entregou-a suavemente.

— Não precisa se preocupar com nada, . Eu estou aqui para te ajudar, como sempre. — Ele disse com uma suavidade que, apesar de profissional, parecia tocar algo mais profundo dentro dela.

pegou as roupas, ainda sentindo o calor da situação, mas não conseguiu deixar de apreciar a maneira como se mantinha firme, respeitoso e cuidadoso, mesmo diante de momentos tão desconfortáveis. Ela não sabia como ele conseguia manter a calma, mas, de algum jeito, isso fazia com que ela se sentisse um pouco mais segura.

começou a mexer nas gavetas com uma calma meticulosa, procurando algo adequado para . Ele estava focado na tarefa, sem olhar para ela, até que o som de um leve pigarro que ela fez chamou sua atenção. Ele se virou rapidamente, encontrando os olhos dela, e percebeu que ela estava ligeiramente desconfortável com a situação, ainda vulnerável.

Ela respirou fundo, sentindo o calor subir para as bochechas, e então, com uma leve hesitação, falou:

— Eu... eu durmo só assim. Não tenho nenhum pijama por aí. — Ela desviou o olhar brevemente, sentindo-se um pouco envergonhada por não ter sido mais clara antes — Se você quiser, pode pegar uma camiseta dentro do guarda-roupas.

Ela apontou para uma das portas do guarda-roupa, e , sem dizer uma palavra, caminhou até lá. observou-o por um momento, tentando disfarçar a ansiedade que surgia. Não estava acostumada com essa proximidade, com essa necessidade de ajuda, especialmente em algo tão simples quanto se vestir.

Quando ele voltou com a camiseta nas mãos, ela sentiu uma onda de nervosismo se misturando com a gratidão. Ele a olhou novamente, esperando que ela se preparasse.

, com um suspiro, se levantou da cama, agora se apoiando novamente nos ombros dele, mas logo estava ajudando-a com o movimento. Ele a guiou com cuidado até que ela estivesse na posição certa, seus corpos tão próximos que ela podia sentir a respiração dele contra sua pele.

segurou a camiseta, posicionando-a sobre a cabeça dela. Ele a puxou com suavidade, ajudando a encaixar a cabeça no buraco da gola, antes de guiar os braços dela para os buracos das mangas, com a mesma delicadeza. Quando a camiseta estava finalmente colocada, ele começou a descer o tecido suavemente por seu corpo. Seus dedos tocaram as coxas dela de forma tão sutil, mas suficiente para fazer prender a respiração.

Ela mordeu o lábio, um movimento involuntário que a fez sentir a pressão entre eles crescer. A sensação do toque de nas suas coxas, mesmo que apenas na ponta dos dedos, a fez sentir seu corpo se tensionar ainda mais. Ela não queria, mas sem querer, pressionou mais o corpo contra o dele.

, que até então estava com o controle, engoliu em seco, a visão do corpo dela contra o seu quase o deixando sem palavras. Ele respirou fundo, tentando se recompor. Mas então, não pôde evitar pensar em voz alta, com uma intensidade que ele tentou esconder.

— Não dificulte as coisas para mim, . — Ele disse, a voz baixa e rouca.

abriu os olhos rapidamente, sentindo o peso daquelas palavras. Ela olhou para ele, e, pela primeira vez, percebeu algo mais nos olhos de . Havia uma fome ali, algo que ela não soubera como interpretar até aquele momento. O olhar dele estava fixo nela, intenso, e, de repente, ela se deu conta de que a linha entre o profissionalismo e algo mais havia se desfeito.

O ar entre eles ficou pesado, a tensão visível. Ela não sabia o que fazer, mas, sem pensar, sua mão foi até o pescoço dele, tocando sua pele de forma suave. Ele não recuou. Pelo contrário, ele inclinou-se ligeiramente para frente, e, naquele momento, ela não conseguiu mais resistir.

Sem palavras, sem mais hesitações, seus lábios se encontraram. O beijo foi lento no começo, quase tímido, como se ambos estivessem descobrindo essa nova proximidade, esse novo impulso. Mas logo se tornou mais intenso, mais urgente, como se, finalmente, o que ambos estavam sentindo não pudesse mais ser ignorado.

Os dedos de a seguraram com mais firmeza, e ela se entregou àquele momento, sentindo o calor de seu corpo contra o dele, a sensação de ser tocada de uma maneira que até então não sabia que desejava. O beijo foi mais do que uma simples troca de carícias. Foi a liberação de algo reprimido, de uma tensão que havia crescido ao longo de todo o tempo em que estiveram juntos.

Quando finalmente se separaram, seus rostos ainda estavam próximos, e sentia o coração disparado. Ela não sabia o que aquilo significava, mas os olhos de , ainda intensos, pareciam revelar o que ele não queria dizer em palavras. A respiração deles estava entrecortada, mas a sensação de que algo havia mudado entre os dois era inegável.

O beijo ainda estava presente em seus corpos, a sensação calorosa e elétrica que os dois haviam compartilhado, mas agora, a realidade parecia voltar com força. , com o coração batendo forte, ainda estava perto dele, sentindo a tensão em seus corpos, mas também o peso daquilo que acabara de acontecer. Ela tentou processar, tentar entender como tudo tinha chegado até ali, mas a verdade era que, naquele momento, ela não sabia o que fazer.

O beijo ainda estava presente em seus corpos, a sensação calorosa e elétrica que os dois haviam compartilhado, mas agora, a realidade parecia voltar com força. , com o coração batendo forte, ainda estava perto dele, sentindo a tensão em seus corpos, mas também o peso daquilo que acabara de acontecer. Ela tentou processar, tentar entender como tudo tinha chegado até ali, mas a verdade era que, naquele momento, ela não sabia o que fazer.

foi o primeiro a se afastar, mas seus olhos continuavam fixos nela, ainda carregados de intensidade. Ele parecia lutar contra algo dentro de si, algo que ele sabia que não poderia ignorar. O olhar dele era vulnerável agora, como se ele também estivesse tentando entender o que tudo aquilo significava.

, ainda com as mãos ao redor de seu pescoço, não sabia o que dizer. Ela abriu os lábios para falar, mas as palavras pareciam ter desaparecido. O que ela sentia? Era confusão? Desejo? Ou talvez algo mais profundo, algo que ela não queria admitir?

... — começou, sua voz baixa e com um tom de alerta, mas sem o mesmo controle de antes. Ele engoliu em seco e, com um suspiro, afastou-se um pouco mais, como se quisesse ganhar algum espaço para pensar. — Eu... não devia ter feito isso. Não agora. Você precisa de ajuda, e eu... eu não quero que isso interfira.

Ele falou rápido, tentando se convencer de que sua ação tinha sido um erro, mas seu tom de voz traía a confusão que ele estava sentindo. Ele sabia que tinha cruzado uma linha, mas a proximidade com , a tensão que havia crescido entre eles, tudo isso o fazia questionar se havia algo mais que ele poderia dar, além de ser o fisioterapeuta que ela precisava.

o observou, ainda sentindo o calor do beijo nos seus lábios, e, por algum motivo, algo dentro dela queria que ele se aproximasse novamente. Mas a racionalidade parecia dominar, e ela sabia que o que acontecera tinha sido um erro, algo que os dois teriam que lidar depois.

, eu... — Ela começou, mas suas palavras falharam. Ela não sabia o que dizer. Não sabia como se expressar sobre o que sentia, mas o que sabia era que a linha entre o profissional e o pessoal estava agora irremediavelmente borrada. — Isso não devia ter acontecido... não agora.

assentiu, os ombros caindo um pouco, e ele se afastou para a cadeira ao lado da cama, passando a mão pelo rosto, visivelmente abalado. Ele se odiava por ter deixado seus sentimentos tomarem conta. Ele sabia que ela precisava de ajuda e que ele não poderia se envolver mais do que isso. Mas, por algum motivo, o desejo, a necessidade de estar perto dela, o fazia sentir-se perdido.

— Eu... vou te deixar descansar agora. — Ele disse, levantando-se. — Vou ficar fora do seu quarto por um tempo. Isso não foi certo. Mas, amanhã, nós continuamos com os exercícios. Vamos focar apenas na sua recuperação.

o observou, ainda sentada na beirada da cama, sentindo uma mistura de emoções conflitantes. Ela sabia que a distância era necessária, mas o sentimento de arrependimento ainda estava ali, em algum lugar dentro dela. O que aconteceu entre eles era mais do que um erro, era algo que agora ela não sabia como lidar.

Ele começou a caminhar até a porta, mas antes de sair, ele olhou para ela uma última vez, seus olhos ainda fixos nela, mas com uma leve tristeza.

— Boa noite, . — Ele disse, com a voz agora mais suave, como se tentasse se desculpar, mas ao mesmo tempo, queria deixá-la em paz.

Ela não respondeu imediatamente, mas, quando ele fechou a porta atrás de si, ela ficou ali, sozinha, tentando processar tudo o que acabara de acontecer. O beijo, a tensão, a maneira como ele a havia tocado, como ela havia se entregado. O silêncio no quarto parecia mais pesado do que nunca, e sabia que, no fundo, nada seria como antes.

deitou-se na cama, os lençois macios envolvendo seu corpo enquanto ela permanecia imóvel, o olhar perdido no teto. O som da respiração calma no quarto parecia amplificar a confusão que se formava dentro dela. Ela sabia que tinha cometido um erro, que havia cedido àquele impulso, mas não conseguia negar a sensação que o beijo havia despertado. Algo profundo, algo que ela não queria enfrentar. Ela se sentia mais vulnerável do que nunca, e, ao mesmo tempo, mais próxima de algo que não sabia controlar.

Ela pensou em tudo o que havia acontecido, em como ele a havia tocado com tanta delicadeza, como se estivesse cuidando dela de uma maneira que ela não sabia se estava pronta para aceitar. O beijo, a proximidade, a maneira como ele a olhou... Não era apenas gratidão, não era só a necessidade de ajuda. Algo dentro dela se mexia, algo mais forte que o simples cuidado de um fisioterapeuta.

sentiu que estava se apaixonando por ele, e isso a fez sentir medo. Ela sabia que estava ali para ajudá-la, para ser o profissional que ela tanto precisava, mas algo dentro de si dizia que ele também era mais do que isso. Ele era humano, com suas próprias emoções, suas próprias lutas, e ela não queria se permitir a um vínculo que poderia ser impossível de ignorar.

Mas o sentimento estava crescendo, e ela não sabia como pará-lo. Cada momento com a deixava mais próxima de algo que ela não estava pronta para enfrentar. Ela fechou os olhos, tentando afastar a sensação de perda de controle. Mas, no fundo, sabia que não poderia continuar ignorando aquilo. Ela estava se apaixonando por ele, e não sabia como lidar com isso.

🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️🏃🏻‍♀️

Do outro lado do corredor, estava deitado em sua cama, os lençóis imóveis sobre seu corpo enquanto ele encarava o teto, perdido em seus próprios pensamentos. Ele tentava afastar a confusão que se formava em sua mente, mas, quanto mais ele pensava sobre o que aconteceu, mais difícil se tornava. Ele tinha sido firme, profissional, e mesmo agora, sua mente ainda vagava pelos momentos que compartilhara com . O toque, o beijo, os olhos dela, tão vulneráveis, tão confiantes ao mesmo tempo.

Ele sabia que havia cruzado uma linha. Aquele não era o momento para se envolver com ela de qualquer forma. Ele estava ali para ajudá-la a se recuperar, não para se deixar levar por sentimentos que iriam apenas complicar as coisas. Ele pensou em tudo o que havia aprendido sobre profissionalismo, sobre manter a distância, mas, por alguma razão, o impulso que ele sentira ao tocá-la, ao beijá-la, não desaparecia.

Ele se sentiu como se estivesse se afundando em um dilema, uma luta interna entre o fisioterapeuta que ela precisava e o homem que, apesar de tentar se afastar, não conseguia ignorar a atração que sentia por ela. Como ele poderia ser o suporte emocional e físico que ela precisava sem permitir que seus próprios sentimentos interferissem?

sabia que precisava se manter firme, que a única coisa que importava agora era a recuperação dela. Mas, por dentro, ele sentia o conflito se arrastando, o desejo se tornando uma presença constante, algo que ele não poderia simplesmente ignorar. O beijo, aquele momento de entrega, o olhar dela, tudo isso estava ecoando em sua mente, e ele sabia que, se não fosse cuidadoso, poderia acabar misturando mais do que apenas os papéis que ele tinha ali para desempenhar.

Com um suspiro pesado, virou-se de lado, tentando desligar seus pensamentos, mas não conseguia. A tensão dentro dele, a batalha entre o profissional e o homem, parecia impossível de ignorar. Ele sabia que precisava de tempo para se afastar disso, para se focar em seu trabalho. Mas, no fundo, não conseguia escapar da dúvida crescente: até que ponto ele conseguiria manter a linha entre o que era certo e o que ele sentia?


A escuridão da madrugada envolvia o apartamento, e se mexeu inquieto em sua cama. Os pensamentos sobre o dia anterior ainda o perseguiam, e a tensão dentro dele não parecia desaparecer. Ele se virou de lado, tentando adormecer novamente, mas algo o incomodava. A sensação de que algo estava faltando, algo que ele precisava verificar.

Com um suspiro, ele se levantou lentamente, ajustando a roupa de dormir, e caminhou para o corredor. O silêncio do apartamento era profundo, quebrado apenas pelo som suave dos passos de e o leve crepitar do piso sob seus pés. Ele sabia que deveria estar descansando, mas a preocupação com , a necessidade de saber como ela estava, não o deixava em paz.

Ele se aproximou do quarto dela, sem fazer barulho, como se temesse interromper qualquer coisa. Quando chegou à porta, ele hesitou por um momento, ouvindo o som suave e ritmado da respiração dela, mas então percebeu que não estava dormindo.

abriu a porta com cautela, os olhos se ajustando à luz suave que emanava de um abajur no canto do quarto. A luz amarela iluminava levemente o ambiente, criando um clima acolhedor, mas também íntimo. E foi aí que ele a viu: , sentada na cama, com as costas escoradas na cabeceira. Ela estava imersa em um livro, os olhos focados nas páginas, sem perceber que ele a observava.

A visão dela, tranquila e serena, o fez parar por um momento. O cansaço do dia parecia ter desaparecido enquanto ela estava ali, tão absorvida na leitura, sua postura relaxada e confortável. sentiu um leve sorriso se formar nos cantos de seus lábios, mas logo o afastou, lembrando-se de que precisava manter a distância. Ele era o fisioterapeuta dela, e nada mais.

Ele entrou suavemente no quarto, sua presença ainda discreta, mas já suficiente para chamar a atenção de . Quando ela levantou os olhos do livro, os dois se encararam por um instante. O brilho nos olhos dela, mesmo àquela hora da noite, parecia não diminuir. , por um momento, esqueceu o conflito interno, concentrando-se apenas no sereno e silencioso momento entre eles.

— Não estava esperando que você estivesse acordada. — Ele falou, sua voz suave, mas carregada de curiosidade.

fechou o livro e sorriu suavemente, como se sentisse que a paz daquele momento havia sido interrompida, mas sem realmente se importar com isso.

— Não consegui dormir... — Ela disse, com um tom leve e cansado, mas ainda confiante. — Estava lendo um pouco para relaxar. Acho que a mente ainda está acelerada depois de tanto exercício.

deu um passo em direção a ela, mas ainda mantendo a distância, como se não quisesse invadir o espaço dela. Ele observou sua postura, a maneira como ela parecia tão tranquila ali, e por um momento, a tensão de antes se dissipou. Ele estava lá para ajudar, para garantir que ela estivesse bem, mas ver tão imersa em seu mundo, tão segura em sua própria companhia, o fez pensar em como ela estava lidando com tudo, sozinha.

— Você não deveria estar descansando? — Ele perguntou, a voz suave, mas com uma pitada de preocupação. — O que você está lendo?

sorriu um pouco mais, segurando o livro com um carinho quase protetor.

— É um romance... — Ela disse, como se isso explicasse tudo. — Às vezes, preciso de algo para me distrair da dor e da recuperação. Um pouco de fantasia para a mente.

assentiu, compreendendo o que ela queria dizer. Ele sabia que ela estava passando por um período difícil, fisicamente e emocionalmente. A recuperação era um processo longo e doloroso, e ele estava lá para apoiar cada passo dela. Mas, naquele momento, ele se sentiu tocado pela forma como procurava encontrar conforto nas pequenas coisas, como a leitura, em vez de ceder à frustração.

— Eu não queria te incomodar. Se precisar de mais descanso, posso te deixar sozinha. — Ele disse, mas seu olhar suavizou quando viu o leve sorriso dela.

— Não, você não está me incomodando. Eu só... — Ela hesitou, tentando organizar seus pensamentos. — Eu só estava tentando me distrair um pouco.

olhou para ela com mais atenção, seu coração apertando ligeiramente ao perceber o cansaço nas palavras dela. Ele sabia que estava lidando com muito mais do que deixava transparecer, e, por mais que ela tentasse manter uma fachada forte, ele podia ver a fragilidade por trás dela.

Ele fez uma pausa, depois, sem querer quebrar o momento, disse:

— Se você precisar de ajuda para descansar ou quiser conversar mais tarde, estarei por aqui.

Mas, antes que ele pudesse dar um passo para se afastar, falou, a voz baixa, mas firme:

— Eu quero conversar... sobre o beijo.

parou imediatamente, congelando no lugar. O ar entre eles parecia se tornar mais denso à medida que ela proferia as palavras. Ele não esperava que ela fosse falar sobre isso, pelo menos não tão cedo. Sua mente entrou em conflito, tentando encontrar algo a dizer, mas ela não lhe deu tempo para responder. Ela continuou, com uma sinceridade que o fez prender a respiração:

— Você... você correspondeu ao beijo, . Seu corpo reagiu com a mesma intensidade que o meu. Eu percebi. — Ela disse, seus olhos fixos nele, e ela parecia tão vulnerável quanto ele.

O coração de acelerou. Ele engoliu em seco, tentando se afastar, mas as palavras de o prenderam, e ele não conseguiu dar o passo que queria. Ele sabia que deveria manter a distância, mas algo nela o puxava. Antes que ele pudesse dar um passo atrás, ela o chamou novamente, sua voz mais urgente.

, espera. — Ela estendeu a mão e segurou o pulso dele, puxando-o gentilmente. Ele se viu sendo guiado de volta para o lado da cama, onde ela estava sentada, e, sem esperar, ela forçou-o a se sentar ao seu lado. O contato entre os dois, agora mais próximo do que nunca, fez com que os batimentos de disparassem. Ele não sabia o que fazer, mas não conseguiu resistir.

Os dois ficaram ali, em silêncio, olhando um para o outro. O clima no quarto mudou completamente, e sentiu o peso da tensão aumentar, como se o ar estivesse carregado de algo que ele não podia mais controlar. olhou para ele, seus olhos cheios de uma mistura de curiosidade e algo mais, algo que ela não estava pronta para admitir. Mas ele podia ver. Ela queria algo mais. Ela queria a continuidade do que aconteceu entre eles, e não sabia mais como lutar contra isso.

Foi quando ele se aproximou, movendo-se lentamente, mas de maneira inegável. Ele a encarou nos olhos, e algo naquele momento fez com que ele perdesse a distância que havia tentado manter. Eles estavam perto demais agora, e, sem hesitar, seus lábios se encontraram de novo, mais intensamente, mais profundamente do que da primeira vez. O beijo foi mais longo, mais feroz, e, ao mesmo tempo, mais desesperado.

a puxou para mais perto, ajustando seu corpo na cama enquanto se inclinava sobre ela. Ele não queria parar. Seus lábios se moviam sobre os dela com uma urgência que ele não sabia de onde vinha, mas não conseguia controlar. As mãos de foram para a cintura de , deslizando para os quadris, puxando-a para mais perto de seu corpo. Ela correspondia de maneira igualmente intensa, suas mãos se fixando no cabelo dele, puxando-o para si.

O quarto ao redor deles parecia desaparecer, e o único som que restava era a respiração pesada e o toque de seus lábios se encontrando e se separando, mas sempre voltando com mais intensidade. se ajeitou ao lado dela, ficando deitado, seu corpo ainda alinhado com o dela. Ele podia sentir o calor entre eles, as batidas de seus corações sincronizadas, e a cada movimento, a cada toque, ele se sentia mais perdido em sua presença.

estava ofegante, o corpo arrepiado pela proximidade, e , mesmo com o desejo crescendo dentro de si, sabia que isso era errado. Mas ele não conseguia parar. Ele sabia que havia cruzado uma linha, mas agora, não conseguia voltar atrás.

A intensidade do beijo aumentava a cada segundo, os corpos deles se moldando juntos como se estivessem feitos um para o outro. A sensação de vulnerabilidade estava lá, mas também havia algo mais, algo que os puxava para esse momento, como se o mundo ao redor deles não importasse mais.

Quando finalmente se separaram, os dois ficaram ali, ainda ofegantes, seus corpos próximos, mas a respiração de era pesada, e ele estava com as mãos no cabelo dela, sua testa contra a dela. Ele não sabia o que dizer, mas, por um momento, ficou em silêncio, absorvendo o que acabara de acontecer.

olhou para ele, seus olhos ainda cheios de desejo, mas também de algo mais — de uma dúvida que ela não sabia como expressar. Ela queria entender o que significava tudo aquilo, o que estava acontecendo entre eles. Mas, por agora, ela sabia que nada mais importava, além do que eles acabaram de compartilhar.

ficou ali, ainda com a testa encostada na de , seus olhos fechados enquanto a respiração deles lentamente voltava ao normal. O beijo, aquela intensidade, ainda estava presente, reverberando por todo o seu corpo. Mas ele sabia que tinha que se afastar, que tinha que se controlar. Ele não podia permitir que seus sentimentos se misturassem ao seu trabalho. Ele estava ali para ajudar , para garantir sua recuperação, e nada mais. Essa era a linha que ele sempre havia seguido.

Mas, enquanto ele pensava em como poderia voltar à realidade, a verdade que ele tentava evitar só se intensificava. Ele estava se apaixonando por ela. Ele sabia disso. A proximidade deles, os toques, o olhar dela, tudo o que aconteceu entre eles... Era impossível ignorar. Ele engoliu em seco, tentando afastar os pensamentos, mas era como se a verdade estivesse ali, clara e inescapável.

Ele levantou a cabeça e olhou para ela, seus olhos cheios de uma dúvida silenciosa. Ele não sabia como lidar com o que estava acontecendo. Não sabia se devia continuar lutando contra isso ou se deveria simplesmente se entregar a essa nova realidade que se formava entre eles. Ele tentou falar, mas as palavras não saíram. Ele não sabia o que dizer. O que ele estava sentindo era tão forte e confuso que parecia não haver mais espaço para lógica.

Mas, antes que ele pudesse pensar mais sobre isso, interrompeu seus pensamentos. Ela se moveu levemente, pegando a mão dele e a levando até o seu peito. A suavidade do seu toque e o calor da sua pele fizeram com que ele se sentisse ainda mais intensamente conectado a ela. Ele a olhou nos olhos, surpreso pela ação dela, mas ela não esperou por uma reação. Ela falou, a voz firme, mas também cheia de emoção.

— Sente isso, . — Ela disse, apertando sua mão contra seu peito, onde seu coração batia forte — Eu sei o que estou sentindo. Não estou confundindo nada, não estou entendendo errado. Eu posso estar vulnerável por causa da dor, por tudo o que está acontecendo com essa recuperação, mas isso aqui... — Ela fez um movimento mais intenso com a mão dele, forçando-o a sentir o ritmo acelerado de seu coração ainda mais — Isso aqui está acontecendo comigo há muito tempo. E eu não vou fugir mais.

sentiu a força das palavras dela, o peso da sinceridade no olhar dela. Ele estava preso ao momento, não conseguindo se afastar, mesmo que soubesse que deveria. Ele não respondeu de imediato, apenas sentiu o calor do corpo dela e o batimento acelerado de seu coração, que parecia ecoar no peito dele, como se os dois estivessem em sintonia.

Antes que ele pudesse processar tudo, ela o puxou para um beijo novamente. O toque dela, intenso e sem hesitação, foi o suficiente para que ele se entregasse, seu corpo reagindo ao dela com uma urgência inesperada. A boca dela encontrou a dele de forma feroz, mas também cheia de uma necessidade silenciosa, como se ambos soubessem que esse momento estava prestes a mudar tudo entre eles.

não resistiu mais. Ele se ajeitou na cama ao lado dela, puxando-a para mais perto, com as mãos no seu corpo, guiando-a de forma suave, mas firme. Cada movimento deles parecia mais carregado de desejo e emoção do que o anterior, os corpos se encaixando naturalmente. Ele a beijou com mais intensidade agora, como se estivesse tentando expressar todos os sentimentos que ele tinha tentado esconder, todos os pensamentos que ele não queria admitir.

O beijo se prolongou, mais profundo e mais apaixonado, com as mãos dele explorando suavemente o corpo dela, sem pressa, mas com uma urgência crescente. O calor entre eles se intensificava a cada toque, a cada suspiro. Eles estavam completamente imersos um no outro, e, por um momento, o resto do mundo desapareceu. Tudo o que existia era o contato, o toque, a troca de emoções que passavam mais intensas a cada segundo.

Quando finalmente se separaram, ainda ofegantes, olhou para ela, seus olhos ainda intensos, mas agora com algo mais claro. Ele não sabia o que o futuro traria para os dois, mas naquele momento, ele sabia que algo entre eles havia mudado. Ele a amava, mais do que talvez quisesse admitir, e a intensidade desse beijo, dessa troca, fez com que ele sentisse que não havia mais como voltar atrás.

, com os olhos ainda fechados, respirando pesadamente, finalmente disse, em um sussurro:

— Eu estava esperando por isso, . Não é só a recuperação. Isso aqui... isso já estava acontecendo antes.

Ele não sabia o que dizer. Mas, ao olhar para ela, sentiu que ela estava certa. O que quer que acontecesse agora, eles não poderiam mais ignorar o que estavam sentindo.

O silêncio que se seguiu entre eles era carregado, mas não desconfortável. ainda estava sentado ao lado de , seus olhos fixos nela, tentando processar o que acabara de acontecer. O beijo, a intensidade, tudo parecia ter mudado a dinâmica entre eles de maneira irreversível. Ele sabia que não poderia voltar atrás, mas, ao mesmo tempo, se sentia perdido, incerto sobre o que isso significava para ambos.

, ainda respirando de forma acelerada, estava deitada ao seu lado, o corpo pressionado contra o dele, e ela sentia o calor da proximidade mais do que nunca. Ela queria falar, queria explicar o que sentia, mas as palavras pareciam faltar. O que ela sabia era que algo profundo havia se estabelecido entre eles, algo que ia além da recuperação, algo que ela não tinha como ignorar.

, por fim, foi o primeiro a quebrar o silêncio, mas sua voz estava mais suave do que o normal, carregada de uma vulnerabilidade que ele raramente deixava transparecer.

... — Ele começou, e a forma como ele disse seu nome fez seu coração acelerar de novo. Ele olhou para ela, seu olhar intenso, mas também cheio de dúvida — Eu... não sei o que isso significa, mas sei que não consigo simplesmente ignorar o que aconteceu entre nós. Não posso ser o seu fisioterapeuta e... isso. Não posso.

o olhou, os olhos brilhando, como se estivesse absorvendo cada palavra dele. Ela sabia o quanto ele estava se esforçando para manter o controle, mas ela também sentia que, no fundo, ele já havia cedido a esse sentimento, assim como ela.

— Eu sei o que você está pensando. — Ela disse com um sorriso suave, tentando aliviar a tensão no ar — Eu também não sei o que isso significa, mas o que eu sei é que, em todo esse tempo, quando você me ajudava, quando você estava ao meu lado, havia algo que sempre foi mais do que apenas a fisioterapia. E agora, depois de tudo o que aconteceu, não posso mais ignorar isso.

engoliu em seco, sentindo o peso das palavras dela, como se as emoções que ele tentava esconder há tanto tempo finalmente tivessem saído de sua boca, inevitáveis.

— Eu me apaixonei por você, . — Ele sussurrou, a voz baixa, como se fosse um segredo que ele agora estava compartilhando com ela — E isso... me assusta. Eu não deveria me envolver com você assim, não com tudo o que você está passando, com tudo o que estamos passando.

se virou para ele, os olhos fixos nos dele, e, com um movimento leve, ela colocou a mão sobre o peito dele, sentindo o coração dele bater forte contra sua palma. A conexão entre os dois parecia mais forte agora, mais profunda do que qualquer outro momento.

— Eu sei o que eu estou sentindo, . — Ela disse, a voz firme, mas suave. — Eu não estou confundindo nada. E sei que isso é complicado, mas... isso já estava acontecendo antes de eu te pedir ajuda para me recuperar. Eu não vou fugir mais, não vou mais me esconder disso. Eu te quero.

fechou os olhos por um momento, absorvendo suas palavras. Ele queria dizer algo, mas não sabia o que. Havia tanto em jogo agora, tanto além do papel que ele havia desempenhado, tanto além do cuidado profissional que ele sempre ofereceu. Mas, quando abriu os olhos novamente, ele viu a verdade nos olhos dela. Ela não estava mais escondendo o que sentia. E, embora ele soubesse que o caminho à frente não seria fácil, ele sentiu, de repente, uma sensação de alívio. Eles estavam finalmente na mesma página.

Com um sorriso suave, ele se aproximou dela, tocando sua face de maneira gentil, antes de beijá-la novamente, mais devagar desta vez, como se estivesse explorando a profundidade de tudo o que havia acontecido entre eles. O beijo foi cheio de sentimentos que palavras não poderiam capturar — desejo, vulnerabilidade, e uma promessa silenciosa de que, agora, eles estavam dispostos a enfrentar o que viesse juntos.

O toque de seus lábios foi suave e, ao mesmo tempo, carregado de uma intensidade silenciosa. a beijou de maneira mais profunda agora, com um controle suave, mas também com uma urgência que ele não havia permitido antes. Ele a puxou para mais perto, sentindo o corpo dela contra o seu, e, ao fazer isso, a tensão entre eles parecia desaparecer, substituída por uma sensação de certeza.

Quando finalmente se separaram, os dois estavam ofegantes, mas os olhares deles falavam mais do que qualquer palavra poderia. Eles sabiam o que queriam agora, e não havia mais espaço para dúvidas.

— Então... — disse, com um sorriso nos lábios, tentando quebrar a tensão. — O que a gente faz agora?

olhou para ela com um sorriso suave, mas a resposta que ele deu foi direta e simples:

— Agora, a gente começa tudo de novo. Juntos.

E, com isso, o que antes parecia impossível se tornou uma realidade que eles estavam prontos para enfrentar, lado a lado.

Fim.


Nota da autora: Olá queridas! O que acharam da nossa corredora e do nosso fisioterapeuta? Beijos :*


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