Parte 1
— Gosto dos seus olhos.
— Pensei que aceitou ser minha namorada por gostar de mim, não pelos meus olhos.
O dia se arrastava, como esperado nas férias de verão; o ar condicionado ligado deixava o quarto numa temperatura ideal. No canto, a camisa do time de vôlei estava pendurada cuidadosamente junto ao uniforme — que não seria usado por mais algumas semanas. Havia uma bola de vôlei no canto e uma mesa pequena.
— Gosto de você por inteiro — segurei seu rosto entre minhas mãos, inclinando-me em direção aos seus lábios. — Mas, se tivesse que escolher uma parte favorita, seriam seus olhos.
Foi depois da derrota da Inarizaki para os Corvos no último torneio de primavera. Suna Rintarou parecia não ter levado a perda tão a sério — ao contrário um dos gêmeos, que dizia em alto e bom som sobre massacrar a Karasuno no ano seguinte —, mas fui a única a perceber sua mudança. Já éramos colegas de classe desde o primeiro ano, quando o meio de rede fora convidado a se juntar à escola por suas habilidades esportivas. O jovem se mudou da prefeitura de Aichi para Hyogo no início do ensino médio.
Por o observar por tanto tempo, sabia que tinha a mania de procurar lugares tranquilos; não era incomum encontrá-lo no terraço do prédio estudantil. Ocasionalmente, subia até o local na esperança de conseguir um meio sorriso ou um aceno; contudo, daquela vez Suna estava tão frustrado que até mesmo pareceu um estranho. Não soube o que dizer; nunca havíamos conversado o suficiente para me dar o direito de perguntar se estava tudo bem, e ainda assim, num gesto inconsequente e impensado, abracei-o.
Foi estranho, mas no absurdo da situação, consegui tirá-lo dos pensamentos turbulentos, um gesto que foi o primeiro passo em direção de uma amizade inocente.
Começou com convites para assistir ao treino — não eram permitidas garotas, mas para mim ele dizia ser uma exceção —, depois as tardes longas caminhando em direção à minha casa — mesmo que fosse de um lado completamente diferente do seu — até chegar uma pergunta inesperada.
“, quer ser minha namorada?”, a mensagem de texto estava guardada em algum arquivo. A princípio, achei ser uma brincadeira, até mesmo um desafio de mau gosto; acabou que foi um pedido genuíno, repetido pessoalmente dias depois, quando finalmente parei de o ignorar por acreditar estar caçoando de mim.
Foi a primeira vez que Rintarou me segurou em seus braços.
Não foi uma paixão avassaladora, mas, sim, aprendi a gostar do meio de rede conforme o tempo passava. A entender suas manias, gostos, rir daquilo que achava engraçado e completar o espaço entre seus dedos com os meus próprios; aproveitar o gosto de sua boca contra a minha.
Seu telefone tocou. O rapaz grunhiu quando afastei o rosto do seu para ver quem era. Suas mãos estavam em minha cintura enquanto me mantinha encostada em sua mesa.
— É seu capitão.
— Deixe ele — ele beijou minha bochecha, descansando a cabeça na base do meu pescoço, enquanto isso a ligação continuava. Atsumu Miya, pareceu desistir, mas, na verdade, apenas mudou o alvo, já que meu aparelho começou a tocar.
Sua mão escorregou para o bolso na parte de trás do meu short, Suna atendeu: — Pare de ligar para a minha namorada, vou te bloquear.
Balancei a cabeça beijando seu rosto antes de andar por seu quarto, sabia exatamente sobre o que era a ligação.
— Você sabe o que “férias escolares” significa? O clube de vôlei fica na escola, não tem porque treinar.
Abaixei para pegar minha bolsa no chão, vendo que aquela com suas vestes de treino estavam arrumadas e prontas para sair. Faltavam somente seus tênis; peguei-os no armário próximo à porta e os guardei antes de puxar o zíper. Por ser convidado a se juntar à Inarizaki, Rintarou não morava com a família, mas, sim, num alojamento com outros atletas da escola.
Para ser sincera, eu nem deveria estar aqui, mas durante as férias o monitoramento fica mais fraco. Coloquei meus sapatos e esperei que terminasse a ligação; Suna era dedicado, quando ele queria.
O garoto me jogou o celular antes de entrar no lavabo para tocar as próprias vestes; não demorou muito para que estivéssemos andando em direção à escola.
— Não faça essa cara, é bom que ele esteja empolgado. O próximo campeonato é o torneio de primavera, não é? Ele está falando de um novo jogo com a Karasuno desde o ano passado.
— Mas não precisa ser nas férias de verão.
— Sempre acontece algo no treino, com Kita longe ao menos é divertido. Sei que você alimenta constantemente sua galeria com conteúdos. Se faltar, pode perder uma fofoca das grandes.
— Isso é verdade.
— Falando nisso, você parou de vender material dos gêmeos Miya para os fã-clubes?
Rintarou desviou o rosto — Não.
— Mentiroso! — apertei sua costela.
— Elas que me procuram; não posso fazer nada.
— Pode recusar, para começo de conversa.
— Trabalho demais. — Ele jogou o braço por cima dos meus ombros e me puxou para perto.
Continuamos andando lado a lado, em silêncio. Chegamos à escola e antes de entrar no ginásio Suna disse.
— Seu sorriso.
— O quê? — Não entendi sua frase aleatória.
— Se eu tivesse que escolher minha parte favorita em você — explicou —, seria seu sorriso.
— Por quê?
— Foi a coisa mais bonita que vi quando cheguei em Hyogo.
— Pensei que aceitou ser minha namorada por gostar de mim, não pelos meus olhos.
O dia se arrastava, como esperado nas férias de verão; o ar condicionado ligado deixava o quarto numa temperatura ideal. No canto, a camisa do time de vôlei estava pendurada cuidadosamente junto ao uniforme — que não seria usado por mais algumas semanas. Havia uma bola de vôlei no canto e uma mesa pequena.
— Gosto de você por inteiro — segurei seu rosto entre minhas mãos, inclinando-me em direção aos seus lábios. — Mas, se tivesse que escolher uma parte favorita, seriam seus olhos.
Foi depois da derrota da Inarizaki para os Corvos no último torneio de primavera. Suna Rintarou parecia não ter levado a perda tão a sério — ao contrário um dos gêmeos, que dizia em alto e bom som sobre massacrar a Karasuno no ano seguinte —, mas fui a única a perceber sua mudança. Já éramos colegas de classe desde o primeiro ano, quando o meio de rede fora convidado a se juntar à escola por suas habilidades esportivas. O jovem se mudou da prefeitura de Aichi para Hyogo no início do ensino médio.
Por o observar por tanto tempo, sabia que tinha a mania de procurar lugares tranquilos; não era incomum encontrá-lo no terraço do prédio estudantil. Ocasionalmente, subia até o local na esperança de conseguir um meio sorriso ou um aceno; contudo, daquela vez Suna estava tão frustrado que até mesmo pareceu um estranho. Não soube o que dizer; nunca havíamos conversado o suficiente para me dar o direito de perguntar se estava tudo bem, e ainda assim, num gesto inconsequente e impensado, abracei-o.
Foi estranho, mas no absurdo da situação, consegui tirá-lo dos pensamentos turbulentos, um gesto que foi o primeiro passo em direção de uma amizade inocente.
Começou com convites para assistir ao treino — não eram permitidas garotas, mas para mim ele dizia ser uma exceção —, depois as tardes longas caminhando em direção à minha casa — mesmo que fosse de um lado completamente diferente do seu — até chegar uma pergunta inesperada.
“, quer ser minha namorada?”, a mensagem de texto estava guardada em algum arquivo. A princípio, achei ser uma brincadeira, até mesmo um desafio de mau gosto; acabou que foi um pedido genuíno, repetido pessoalmente dias depois, quando finalmente parei de o ignorar por acreditar estar caçoando de mim.
Foi a primeira vez que Rintarou me segurou em seus braços.
Não foi uma paixão avassaladora, mas, sim, aprendi a gostar do meio de rede conforme o tempo passava. A entender suas manias, gostos, rir daquilo que achava engraçado e completar o espaço entre seus dedos com os meus próprios; aproveitar o gosto de sua boca contra a minha.
Seu telefone tocou. O rapaz grunhiu quando afastei o rosto do seu para ver quem era. Suas mãos estavam em minha cintura enquanto me mantinha encostada em sua mesa.
— É seu capitão.
— Deixe ele — ele beijou minha bochecha, descansando a cabeça na base do meu pescoço, enquanto isso a ligação continuava. Atsumu Miya, pareceu desistir, mas, na verdade, apenas mudou o alvo, já que meu aparelho começou a tocar.
Sua mão escorregou para o bolso na parte de trás do meu short, Suna atendeu: — Pare de ligar para a minha namorada, vou te bloquear.
Balancei a cabeça beijando seu rosto antes de andar por seu quarto, sabia exatamente sobre o que era a ligação.
— Você sabe o que “férias escolares” significa? O clube de vôlei fica na escola, não tem porque treinar.
Abaixei para pegar minha bolsa no chão, vendo que aquela com suas vestes de treino estavam arrumadas e prontas para sair. Faltavam somente seus tênis; peguei-os no armário próximo à porta e os guardei antes de puxar o zíper. Por ser convidado a se juntar à Inarizaki, Rintarou não morava com a família, mas, sim, num alojamento com outros atletas da escola.
Para ser sincera, eu nem deveria estar aqui, mas durante as férias o monitoramento fica mais fraco. Coloquei meus sapatos e esperei que terminasse a ligação; Suna era dedicado, quando ele queria.
O garoto me jogou o celular antes de entrar no lavabo para tocar as próprias vestes; não demorou muito para que estivéssemos andando em direção à escola.
— Não faça essa cara, é bom que ele esteja empolgado. O próximo campeonato é o torneio de primavera, não é? Ele está falando de um novo jogo com a Karasuno desde o ano passado.
— Mas não precisa ser nas férias de verão.
— Sempre acontece algo no treino, com Kita longe ao menos é divertido. Sei que você alimenta constantemente sua galeria com conteúdos. Se faltar, pode perder uma fofoca das grandes.
— Isso é verdade.
— Falando nisso, você parou de vender material dos gêmeos Miya para os fã-clubes?
Rintarou desviou o rosto — Não.
— Mentiroso! — apertei sua costela.
— Elas que me procuram; não posso fazer nada.
— Pode recusar, para começo de conversa.
— Trabalho demais. — Ele jogou o braço por cima dos meus ombros e me puxou para perto.
Continuamos andando lado a lado, em silêncio. Chegamos à escola e antes de entrar no ginásio Suna disse.
— Seu sorriso.
— O quê? — Não entendi sua frase aleatória.
— Se eu tivesse que escolher minha parte favorita em você — explicou —, seria seu sorriso.
— Por quê?
— Foi a coisa mais bonita que vi quando cheguei em Hyogo.