Eu acordei assustada com os trovões causados pela chuva forte. Olhei para o lado e peguei meu celular, estava marcando três horas da madrugada. Me espreguicei um pouco e me levantei para pegar outra coberta, curiosamente estava muito frio aquela noite. Assim que retornei para o quarto, ouvi um barulho. Achei estranho, mas poderia ser Bruce voltando.
Deixei o cobertor na cama, coloquei um casaco e saí do quarto. Silenciosamente caminhei pelo corredor, até chegar às escadas. Eu vi um vulto de repente, seguido de um trovão forte. Meu corpo tremeu um pouco em reação de medo, mas, respirando fundo, comecei a descer as escadas. Liguei as luzes e logo vi Bruce caído no sofá. A primeiro momento, não tive reação, mas voltei a mim e corri até ele.
— Bruce? — Toquei de leve nele, vendo seu rosto machucado. Ele estava com suas roupas meio rasgadas. — Bruce o que houve?
— . — Sua voz estava estranha, parecia estar zonzo ou embriagado.
— ALFRED — gritei, tentando não entrar em desespero. — ALFRED, SOCORRO!
— Não. — Bruce encostou seu dedo indicador em minha boca. — Estou bem.
— Não está. — Me virei em direção à cozinha e gritei novamente. — ALFRED.
— Patroa — disse Alfred, entrando na sala. — Oh, patrão Bruce.
— Alfred, me ajuda, eu não sei o que fazer — pedi um pouco desnorteada com o que estava acontecendo. — Eu não sei o que houve com ele.
— Precisamos limpar os ferimentos — disse Alfred. — Eu vou buscar a caixa de primeiros socorros. Leve o senhor Bruce para o quarto.
— Tudo bem. — Assenti, começando a ajudar Bruce a se levantar.
Foi com certa dificuldade e muitas quedas por parte dele no caminho que conseguimos chegar ao corredor do segundo andar. Bruce, mesmo com vestígios de embriaguez, já imaginava que deveria me dar explicações, assegurando que conversaríamos sobre isso no dia seguinte. Ao entrar pela porta, o ajudei a se deitar com cuidado e fiquei sentada ao seu lado até Alfred chegar. O quarto de Bruce não era muito diferente do meu, mas tinha um aspecto mais escuro e sombrio, talvez por causa das grossas cortinas, ou das cores escuras em sua mobília. Definitivamente, demonstrava ser o quarto de uma pessoa triste e solitária.
— Aqui está, senhora — disse Alfred, entrando com sua caixa na mão.
— Eu vou deixá… — Eu ia me levantando, quando Bruce segurou em meu pulso.
— Acho melhor a senhora ficar e fazer — disse Alfred, entendendo o gesto dele e me entregando a caixa.
— Tudo bem. — Eu peguei e me sentei novamente, abrindo.
Aos poucos, fui limpando sua face com lenço umedecido. Quando comecei a passar o remédio em suas feridas para desinfectar, seu corpo começou a reagir. Bruce estava segurando o grito com precisão, mas dava para perceber sua dor. Coloquei os curativos nos pontos que precisava e deixei a caixa ao lado da cama, já tinha feito tudo que poderia naquele momento.
— Obrigado — sussurrou ele, abrindo os olhos. Sua voz já estava começando a voltar ao normal.
— Não fiz nada demais. — Me mantive séria e me levantei novamente. — Sou sua esposa, apenas cumpri com o meu papel.
Ele segurou novamente em meu braço e me puxou para cima dele. Assim que meu corpo caiu sobre a cama, Bruce se virou, lançando seu braço sobre mim, como se estivesse me prendendo a ele. Fiquei um pouco estática, não estava entendendo mais nada.
E, com isso, meu coração já estava acelerado.
— Fique aqui esta noite, por favor — sussurrou ele.
— Não acho que deveria — disse, me remexendo para me soltar.
Obviamente sem sucesso, sua força era superior.
— Acabou de dizer que é minha esposa… — replicou ele, me aninhando mais aos seus braços. — Não deveria passar a noite com o seu marido?
Eu respirei fundo, sem ideias para usar de argumento.
— Acho que não será um problema dormir aqui hoje. — Assenti, deixando meu corpo mais relaxado em seus braços.
Eu daria uma trégua até o dia seguinte, mas não deixaria de cobrar uma explicação do que aconteceu com ele. Por incrível que pareça, consegui pegar no sono novamente, aquelas horas restantes pareceram uma eternidade para mim, pelo tanto que dormi. Demorou um pouco para que eu acordasse, e devo isso a um feixe de luz que bateu em meu rosto. Despertei do sono e abri os olhos, percebendo que tinha uma fresta entre as cortinas.
— Hum? — Me espreguicei um pouco, virando minha face para o lado, Bruce já tinha se levantado. — Me parece que alguém está fugindo de ter que dar respostas.
— Não estou fugindo — disse ele, num tom baixo.
— Hum? — Ergui meu corpo e olhei para frente. Ele estava encostado na porta que dava para o closet, de braços cruzados, sem camisa e vestido somente com uma calça de moletom. — Bom dia.
— Bom dia — retribuiu ele, com um sorriso de canto discreto.
— Acho que precisamos conversar — disse a ele, tentando não focar muito na parte do seu corpo que estava descoberta.
— O que aconteceu esta madrugada, eu… — Ele respirou fundo, parecia escolher as palavras. — Me envolvi em uma briga.
— Percebi pelos machucados. — Tentei não ser tão irônica nas palavras. — Mas como se envolveu em uma briga?
— Não quero te deixar preocupada. — Ele descruzou os braços, mantendo seu olhar em mim.
— Se eu não souber a verdade, ficarei preocupada. — Me levantei da cama e cruzei os braços. — Mas não posso te obrigar a falar.
— Como eu disse, Gotham está perigosa. — Ele deu alguns passos até mim e me abraçou de leve. — Me desculpe por te deixar preocupada. Após sair da empresa, tive a impressão de estar sendo seguido, o que foi confirmado quando meu carro foi fechado e vi alguns homens aparecerem.
— Oh, céus — sussurrei, me afastando um pouco dele. Fingi aceitar sua explicação, sentindo lá no fundo que não era real a história. — O que importa é que conseguiu chegar em casa.
— Sim. — Ele deu um sorriso singelo e acariciou minha face. — , obrigado por cuidar de mim.
— Não precisa agradecer. — Mantive o tom sereno, porém firme. — Já disse, sou sua esposa.
Eu tentei não o encarar.
Aquele era o lado sedutor do Wayne que sempre ouvi as amigas da minha irmã falarem, seu olhar profundo e envolvente, tanto que poderia até me fazer esquecer tudo que tinha acontecido pela madrugada. Bruce foi se aproximando lentamente de mim, eu já estava sentindo meu coração um pouco acelerado.
Em um piscar de olhos, senti seus lábios tocarem os meus. Mais do que na nossa primeira noite, seu beijo estava mais intenso e malicioso. Eu conseguia sentir que ele queria realmente me beijar, não era uma mera obrigação por estar casado comigo. Não queria ter falsas esperanças, me iludir e sofrer sendo a única se permitindo ter sentimentos naquela relação, mas ficaria feliz se nosso casamento desse certo e talvez nos apaixonarmos um pelo outro. Aos poucos, senti seus braços envolverem minha cintura. Conseguia sentir o calor do seu corpo, fazendo o meu se aquecer mais ainda.
Será que aconteceria o que eu estava pensando?
Estar em seus braços parecia fazer o tempo parar, entretanto, o dia estava acontecendo fora daquele quarto. Um lugar que pareceu ficar menor e mais quente de uma forma inexplicável, talvez pela sensação diferente que tinha sentido, talvez porque definitivamente não foi pela obrigação de consumar o casamento. Desta vez, eu consegui me sentir amada e desejada, mais do que isso, consegui definir o que Bruce poderia estar sentindo por mim.
— Acho que estou com fome — disse, mordendo os lábios, assim que ele saiu do banheiro enrolado na toalha.
— Quer que eu peça algo para o Alfred? — perguntou ele, mantendo seu olhar em mim.
— Não. — Eu me levantei da cama, enrolando o lençol em mim. — Mas precisamos sair deste quarto.
— Não vejo problema nenhum em ficarmos mais um pouco aqui. — Ele sorriu de canto.
— Mas eu, sim. — Peguei minhas roupas que estavam espalhadas pelo chão e caminhei até a porta.
— O que deseja para o almoço, senhora Wayne? — perguntou Bruce, de forma brincalhona.
— O que me sugere, senhor Wayne? — Olhei para ele por um momento e, pegando na maçaneta, abri a porta e saí.
A distância entre meu quarto e o dele não era muita, mas estava com certa vergonha, não queria que Alfred me visse enrolada num lençol. Assim que entrei no meu quarto, me tranquei por um breve momento, até que pudesse tomar uma ducha relaxante e trocar de roupas. Nosso almoço foi servido. A pedido de Bruce, Alfred fez uma tradicional comida italiana para nós, talvez por ser considerada a melhor culinária romântica entre os casais. Saboreamos aquela refeição tranquilamente, com direito a cheesecake de morango de sobremesa.
Gostaria de ter passado mais tempo ainda com ele, porém uma ligação do comissário Gordon surgiu após nossa refeição. Pelo que Alfred me explicou, a polícia tinha possivelmente localizado o diamante roubado. Segundo alguns informantes infiltrados, estava com um tal de Dimitri, o novo rei do crime de Gotham.
— Hum, pensei realmente que o Batman conseguiria pegar de volta — disse ao Alfred. — Espero que ele consiga.
— Eu também espero que sim, patroa — concordou ele.
Ao final da tarde, recebi uma ligação de uma colega de faculdade, me convidando para o lançamento de sua marca de sapatos. Joseline tinha um dom para este segmento, além de uma criatividade enorme também. Pedi para que me enviasse o convite formal, assim eu poderia organizar minha vazia agenda para não esquecer do evento.
— Seria interessante estar acompanhada do meu marido — sussurrei, ao encerrar a ligação e dar alguns passos pela biblioteca até a estante de livros de romance.
Um suspiro fraco e mais uma reflexão.
— Acho que deveria pensar em algo para fazer também… — sussurrei para mim, pensativa sobre o futuro.
Eu havia me formado no curso de moda com honras, especialização em estilismo e uma pós em seguimento editorial. Um universo que sempre me atraiu de alguma forma, que eu queria explorar, só não sabia por onde começar. Peguei o celular e mandei uma mensagem ao Bruce, relatando sobre o evento surpresa daquela noite, que aconteceria em Metrópole. A tarde passou e pontualmente o senhor Wayne estava a me esperar no hall de entrada da mansão, charmoso como sempre e com seu olhar intenso em minha direção.
— Boa noite, senhor Wayne — disse num tom baixo, ao me aproximar dele.
— Boa noite, senhora Wayne — disse ele, ao me olhar de cima para baixo com malícia. — Está mais linda do que nunca.
— Temos um evento para comparecer. — Tentei não me retrair com a intensidade que emanava dele. — Acho melhor irmos.
Aquele seria nosso primeiro evento juntos como um casal. Mesmo não sendo em Gotham, certamente teria muitos comentários no jornal do dia seguinte. Era um fato que toda a elite e demais interesseiros tinham curiosidade por saber como era o relacionamento do casal do ano. Se fosse a considerar por semana atrás, talvez pudesse nem haver um mínimo ato de afeto entre nós dois publicamente, entretanto, não conseguiria continuar com esta mesma ideologia após a manhã calorosa que tivemos em seu quarto.
— ! — Joseline abriu um largo sorriso ao me ver, abraçando-me depois. — Ou melhor, senhora Wayne.
— Deixe de bobagens e formalidades, ainda sou a mesma — disse, retribuindo o abraço.
— Não é mesmo. — Ela riu de leve, voltando seu olhar para meu marido ao meu lado.
— Este é Bruce, e, Bruce, esta é uma amiga da faculdade, Joseline — continuei, a apresentando a ele.
— Prazer em conhecê-la. — Ele esticou a mão em cumprimento, tentando ser o mais cordial possível.
— Igualmente. — Joseline tentou conter seu olhar, mas dava para perceber sua fascinação.
Não somente ela, como metade das mulheres que tinha naquele lugar.
Aquele seria meu momento de me permitir sentir ciúmes?
— Wayne! — uma voz desconhecida soou atrás de nós, certamente um conhecido dele.
— Barry Allen? — A voz de Bruce demonstrou traços de surpresa. — O que faz aqui?
— Minha esposa é repórter, lembra? — Ele riu de leve. — Vim acompanhando-a.
— Bem, eu vou deixá-los à vontade — disse Joseline, ao voltar seu olhar para trás. — Preciso cumprimentar mais algumas pessoas.
— Tudo bem, Jose. — Assenti, com um sorriso singelo. — Mais uma vez, parabéns pela conquista.
— Ainda quero conversar com você. Se não hoje, vamos marcar um café. — Seu tom foi quase de uma intimação.
Eu ri de leve, a observando se afastar de nós.
— , quero te apresentar um… conhecido. — Ele parecia escolher bem as palavras e talvez explicações, afinal, era conhecido como um playboy sem amigos e rodeado por mulheres. — Barry Allen.
— Prazer, senhora Wayne — disse ele, esticando a mão.
— Prazer. — Apertei sua mão, com um sorriso. — É uma surpresa conhecê-lo, a contar do histórico de amizades do meu marido.
Era mais forte do que eu comentários como esses.
Ambos riram um pouco, me fazendo rir também. Barry, por sua vez, começou a me contar como havia conhecido Bruce, em uma entrevista que sua esposa fez a ele, nas Indústrias Wayne. Eu que achei que seria um simples evento de lançamento de uma marca de sapatos, se tornou uma noite interessante, em que seu findar fora bem longe da cidade perigosa em que moramos.
— Não sabia que tinha propriedades em Metrópole — comentei, assim que adentramos a cobertura que pertencia a ele.
Um belo e luxuoso apartamento com cobertura, uma vista de 360 para a cidade e localizado no bairro mais nobre.
De se surpreender.
— Por que eu não teria? — indagou ele, ao fechar a porta e caminhar até o sofá.
— Hum… — Me voltei para ele, o observando.
Mesmo que não demonstrasse, lá no fundo dava para perceber sua chateação por não termos voltado a Gotham naquela noite. O evento estava tão descontraído que não queria encerrar a noite em seu ápice.
— Está chateado por não termos voltado para Gotham hoje? — indaguei a ele.
— Claro que não. — Ele deu um sorriso disfarçado, que não me enganava, e se aproximou de mim. — O que importa não é onde estou, mas é estar com minha esposa querida.
Eu deveria ter alguma reação diante daquilo?
Sim.
Ele havia mudado sua forma de me olhar da água para o vinho.
Mas nem mesmo tive a oportunidade de resposta, pois seus lábios maliciosos trataram de me tomar o fôlego, atraindo minha atenção apenas para a intensidade das suas carícias.
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Selina Kyle
Estava completando uma semana desde que descobri quem era o homem por trás da máscara do morcego. Uma parte de mim estava surpresa e a outra torcia para que fosse quem eu queria e imaginava. Não sabia ao certo definir o que estava sentindo, mas era como unir o útil ao agradável. Comecei a estalar meus dedos, pensando em como me divertir naquela noite. Por mais que eu quisesse pensar em outras coisas valiosas que poderiam existir em Gotham, a imagem do diamante não saía de minha cabeça. Ainda mais após saber que Dimitri venderia para um homem chamado Shea, chefe de uma gangue de Metropolis, em troca de informações.
Confesso que fiquei triste e indignada quando soube, o que me deixou com ainda mais vontade de pegar de volta o que um dia foi meu. Eu não pensaria nem um pouco mais sobre isso, estava decidida no que faria aquela noite. Me levantei do vitral da igreja onde estava sentada e caminhei por entre os bancos daquele lugar sagrado. Em menos de dez minutos, eu já estava em frente à mansão desse tal Shea, uma bela propriedade que ficava próxima à ponte que ligava Gotham à Metropolis. Pela quantidade de carros que havia no lugar, certamente a transação seria feita.
Seria pretensão demais a minha entrar sem ser convidada?
— Odeio quando meu nome não está na lista — sussurrei para mim mesma, seguindo em direção à porta.
Eu sabia que estava sendo vigiada, mas não me importava, meus sentidos estavam atentos a cada movimentação ao meu redor, mesmo que minha atenção estivesse focada na mansão. Assim que toquei na porta, ela se abriu, parecia que estavam esperando por isso, ou talvez as câmeras de segurança haviam me detectado.
— Boa noite, cavalheiros — disse, ao entrar, com meus passos sinuosos.
— Senhorita Kyle — disse Dimitri. — A que devemos a honra?
— Soube que estava acontecendo uma transação aqui, fiquei curiosa — disse, adentrando um pouco mais a sala.
— Era só curiosidade mesmo, ou estava mesmo querendo pegar de volta o que me vendeu?
— Majestade, não me interprete mal, não sou tão ambiciosa assim. — Fiz um olhar inocente.
— Tem certeza? — disse um homem, aparecendo atrás de mim, colocando uma arma encostada em minha cabeça.
— Hum, é assim que recebe uma visita inesperada? — indaguei, me ofendendo.
— Talvez, depende da visita — disse ele, a arma fez o barulho de um click.
Eu dei um sorriso debochado, levantando minhas mãos. Esperei o momento mais propício e me virei, lançando minha perna sobre a arma. Um disparo foi feito, acertando a janela, eu aproveitei e soquei a cara dele no impulso do disparo. Quando voltei minha atenção para Dimitri, senti algo picar minha nuca. Elevei minha mão para entender o que era, e constatei ser um dardo tranquilizante. O efeito foi tão rápido que nem senti meu corpo caindo ao chão, não conseguia distinguir se estava inconsciente ou não, apenas ouvia vozes ao fundo. Ao sentir meu corpo sair daquele transe sinistro, abri meus olhos com minha visão ainda embaçada, demorando um pouco para voltar ao normal.
Foi questão de minutos para finalmente adaptar meus olhos à forte luz que estava sobre mim.
— Então é assim que trata as mulheres? — Dei uma risada debochada, sentindo meus pulsos presos a uma algema. Meus braços estavam estendidos para cima, pendurados por uma corrente grossa presa ao teto.
— Não, este tratamento é especialmente para você — disse Shea.
— Eu te conheço? — disse, tentando me lembrar do seu rosto. — Já te vi uma vez em Metropolis, entrando no prédio da LexCorp.
— Então você já me viu antes. — Ele deu um sorriso irônico. — Digamos que tenho um amigo lá.
— Não é pelo diamante que estou aqui — disse, olhando ao meu redor. Eles tinham me levado a um galpão abandonado. — O que acha que vai conseguir de mim?
— Como você mesmo presumiu, Selina, estamos em uma transação — explicou Shea, engatilhando sua arma novamente. — E você faz parte dela.
— O quê? — Eu o olhei.
— Dimitri só estava em minha casa com o diamante para te atrair. Ele viu o seu olhar quando vendeu a pedra para ele, só confirmava o que sua fama te prediz — explicou ele. — Não foi difícil te atrair para uma armadilha.
— Se o diamante era apenas uma peça de xadrez nisso, estou me perguntando o que Dimitri ganhou me atraindo aqui — sibilei um pouco, tentando ganhar tempo.
— Ele ganhou uma pedra bem mais rara e valiosa que aquele diamante — respondeu ele.
— Hum, só para me atrair até você? — Desviei meu olhar para os dois capangas que estavam atrás dele. — Estou curiosa para saber o que quer de mim.
— Eu soube que esteve envolvida em uma briga noites atrás, e que possivelmente tenha uma informação valiosa — explicou Shea.
— E acham que me tratando assim vai conseguir algo de mim? — Eu comecei a rir, mexendo um pouco meus pulsos, tentando me soltar. — Idiota, eu não tenho medo de você.
— Veremos.
Ele se virou, ficando de costas para mim, assim seus dois capangas vieram em minha direção. Eu já esperava por algum tipo de chantagem ou suborno, mas tortura estava sendo baixo demais. Foi questão de dois ou três socos de cada um dos dois para que eu começasse a rir, mesmo sentindo meu corpo em dores, o deboche soava nitidamente em minha voz.
— Nós podemos fazer isso a noite toda, mas você nunca terá o que quer — disse a ele.
— Você acha? — Ele me olhou com raiva. — Você não sabe com quem está lidando.
— Nem você. — Mesmo sentindo o gosto de sangue em minha boca, eu sorri com a maior satisfação do mundo.
Em um piscar de olhos, toda a luz do galpão se apagou. Meu riso se transformou em gargalhada ao ouvir o primeiro capanga sendo jogado em cima de alguma coisa. Um grande barulho surgiu à minha frente, além de um vento estranho passar por mim. Após alguns minutos de silêncio total, senti uma pessoa perto de mim, retirando minhas algemas.
— Você demorou — disse, em sussurro, sentindo minhas pernas meio bambas.
— Não abuse, eu só vim retribuir o favor — disse o homem morcego, com sua voz grossa e sexy.
— Não estou abusando. — Assim que ele terminou de soltar meus pulsos das algemas, eu me joguei em seus braços. — Adoraria te ajudar, mas minhas pernas estão dormentes.
Sem dizer mais nada, ele me pegou no colo e seguiu em direção à saída. Mesmo um pouco desnorteada por causa dos socos, eu ainda estava consciente.
— Ela está bem? — perguntou uma voz masculina diferente.
— Sim. — Assentiu Batman. — Vai precisar de ajuda?
— Não — respondeu o homem. — Lex Luthor é assunto meu.
— Como quiser. — Batman começou a se mover comigo em seus braços.
Por mais que eu quisesse ver a face daquele homem, eu estava tão confortável de olhos fechados nos braços do homem morcego que nem tinha vontade de me mover. Não demorou muito até que chegamos ao seu carro. Para minha surpresa, ele me levou para o lugar onde se encontrava sua caverna de descanso. Para um homem da lei, estava sendo inusitada a forma que ele estava se preocupando comigo, apesar de dizer que estava meramente devolvendo o favor que um dia eu fiz a ele. Eu segui seus movimentos com meu olhar, ele parecia estar procurando algo que não conseguia achar. Respirei fundo, voltando meu olhar para baixo, e destravei o cinto de segurança. Saí do carro e fiquei olhando os detalhes daquela caverna, até que ele se aproximou de mim, me fazendo sentar no capô do carro. Ele começou a limpar levemente o pequeno corte que estava em minha boca. Mais que a dor em meu corpo, sentir aquele corte arder por causa do remédio era pior ainda.
— Não precisava ter feito isso — disse a ele. — Afinal, a única coisa que eu fiz por você foi levá-lo ao seu carro. Podia ter me deixado em qualquer lugar da cidade.
— Qualquer lugar? — Ele me olhou. — Pensei que morasse no sótão da igreja.
— Desde quando gatos de rua tem lar? — retruquei, dando uma risada rápida.
— O que eles queriam de você? — perguntou ele, mudando de assunto, ao se afastar um pouco para guardar a caixa de primeiros socorros.
— Tem certeza de que não ouviu? — Desviei meu olhar para uma mesa onde estava um notebook. — Me parece que todos querem saber quem é você.
— E você sabe? — Seu olhar estava intenso e preocupado.
— Talvez. — Eu sorri de canto, me aproximando dele. — Mas se esse for o caso, o que fará comigo?
— Terei que persuadi-la — disse ele, num tom frio.
— Estou curiosa para saber como vai conseguir.
Seria mais fácil eu persuadi-lo. Foi exatamente o que eu fiz ao me aproximar ainda mais e atrair seus lábios para os meus. Aquele era o momento em que eu poderia seduzir ainda mais aquele homem misterioso e estava totalmente empenhada em descobrir todos os seus pontos fracos naquela noite, claro, sem deixar de aproveitar aquele momento único.
Seria uma longa noite para nós dois, uma noite cheia de beijos ardentes, carícias e muito calor sendo trocado dentro do seu famoso carro.
"Só vai ficar aí me assistindo queimar,
Tudo bem, porque gosto da maneira que dói,
Só vai ficar aí me ouvindo chorar,
Está tudo bem, porque adoro o jeito como você mente,
Adoro o jeito como você mente."
— Love The Way You Lie / (ft. Eminem) Rihanna