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Revisada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 27/07/2025

À primeira vista, o edifício parecia tão inofensivo quanto qualquer construção antiga esquecida ao longo do tempo. Localizado no topo de uma colina envolta por uma neblina, o hospício estava marcado por décadas de abandono. As janelas eram olhos vazios, com vidros quebrados e cortinas rasgadas que balançavam. As paredes cobertas por trepadeiras que pareciam tentar esconder os segredos obscuros que ali residiam, mas a aura sombria do lugar ainda emanava para longe, atraindo curiosos e destemidos.
Quatro jovens, unidos pelo desejo de desvendar os mistérios daquele lugar, chegaram ao local no cair da noite. Cada um trazia a sua própria motivação: o jornalista buscando histórias impactantes, o historiador fascinado pelos registros esquecidos, a sensitiva atraída pelas energias perturbadoras e a aventureira em busca de adrenalina.
O portão enferrujado de Hollow Creek rangeu alto quando se abriu. O som ecoou como um lamento antigo, arranhando os ouvidos dos quatro parados diante da construção abandonada. O prédio, envolto em neblina e silhuetas retorcidas de árvores mortas, parecia esperar. Como se soubesse que eles viriam.
Com as respirações trancadas dentro dos seus peitos, os quatro passaram pela porta do local, após subirem uma breve escadaria, quase tomada pelo mato, que já havia abraçado todo redor do hospício.
Dentro do edifício, o ar era pesado. Impregnado por um cheiro agridoce de mofo e decadência. Os corredores eram estreitos e serpenteavam como um labirinto, iluminados apenas pela luz trêmula de lanternas nas mãos dos recém-chegados. As paredes estavam adornadas com marcas de tempos passados: grafites que pareciam súplicas, desenhos infantis que transmitiam um misto de inocência e desespero, e manchas de um vermelho escuro que ninguém se atrevia a identificar.

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O chão estalou sob os pés, misto de madeira podre e vidro moído. As paredes ainda carregavam manchas de mofo, grafites feitos por adolescentes e símbolos riscados com algo que não parecia tinta. Clara parou diante de um dos corredores e fechou os olhos. Escutou vozes — ou memórias de vozes — sussurrando palavras que não conseguia compreender.
O quarteto se instalou na antiga sala de administração. Ligaram os equipamentos: microfones direcionais, sensores de movimentos, termômetros. As câmeras de Lucas posicionadas em diferentes pontos do andar térreo.
— O que acham de dividir o grupo? Vinte minutos de exploração. Depois voltamos aqui — ordenou Marco.
— Clássico. Separar é sempre uma ótima ideia em lugares amaldiçoados — Lucas resmungou.

Clara e Marco seguiram juntos. A ala de contenção foi a escolhida por ambos. As portas de ferro enferrujadas, numeradas com tinta escorrida, lembravam celas. Enquanto andavam, a lanterna de Marco tremeu em sua mão e a luz piscava uma vez ou outra. Marco bateu na qual estava segurando e resmungou algo incompreensível.
Uma das portas ainda estava aberta. Clara parou, pois o ar era gelado, muito mais do que o restante do prédio. Sem pensar duas vezes, entrou.
— Clara? — Marco sussurrou, assim que tirou os olhos da lanterna e se virou, dando a falta da outra.
As paredes internas da sala, — facilmente iluminadas com a lanterna do celular, cobertas de rabiscos: espirais, olhos, mãos. No chão, marcas de unhas. Arranhões profundos demais para terem sido feitos por um humano comum.
Marco observou tudo em silêncio, com seu batimento cardíaco aumentado. Decidiu ir atrás da garota, entrando no local, até que Clara começou a falar. No entanto, não era a voz da mulher ao seu lado.
Era muito para se absorver, as paredes cobertas de símbolos e desenhos, que ele passaria o restante da vida buscando respostas. Do jeito que gostava.
Seus olhos se direcionaram até Clara.
— “Ele vinha à noite.... com agulhas. Tirava o nome da gente. Colocava outro no lugar.”
— Clara?
A mulher piscou, cambaleou e Marco a segurou.
— O que aconteceu? — ele sussurrou.
— O que eu fiz?
Os olhos de Clara buscavam pelos de Marco com as mãos fechadas envolta do braço do rapaz. A ruiva tremia, com arrepios percorrendo seu próprio corpo e com a iminente sensação de que não estavam sozinhos.
— Você começou a falar. Não sei. Não era você. — Marco franziu o cenho e negou com a cabeça, com um aperto crescendo em seu peito.

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Explorando a ala de eletroterapia, Bianca e Lucas chegaram à sala principal. Por lá, encontraram máquinas abandonadas, fios enrolados como serpentes mortas. Todavia, o que chamava atenção era um espelho quebrado no canto. Lucas se aproximou com a câmera.
O visor mostrou o reflexo atrás de Bianca, mas ela não estava sozinha.
Com o coração na boca, Lucas girou os calcanhares ligeiramente. Nada. Mas, no visor, a figura ainda estava lá, parada, imóvel, com os olhos cobertos por faixas sujas.
O rapaz permaneceu com os olhos arregalados, a boca seca e suas mãos trêmulas. Não acreditava em que os seus olhos viam.
— Lucas? — Bianca o chamou. — Por que você está branco assim?
Ele não respondeu. A imagem desapareceu no visor.

Os quatro se reuniram novamente às 23h47 na sala de controle. Clara sentou-se no canto, com os olhos fixos em nada.
— Acho que esse lugar sonha — ela disse, com a voz distante. — E quando entramos nele, ele sonha conosco também.
A câmera de Lucas começou a gravar sozinha.
Um chiado tomou conta do equipamento de som.
E então, do rádio que ninguém tocou, uma voz rouca, arranhada, sussurrou:
“Página trinta e sete. Sala treze. Ele ainda está aqui!”
Com o coração palpitando, Marco olhou para cada um ali. Clara, ainda com o olhar perdido em um ponto qualquer, Lucas com a boca semiaberta, e então designou-se a Bianca.
— Você omitiu algo, não omitiu? Esse lugar não está abandonado, está?
Ela mordeu o próprio lábio inferior, desviando o olhar de Marco por alguns segundos, mas logo voltando a encará-lo.
— Eu encontrei os registros do Dr. Gray. Ele nunca foi encontrado.


Continua...


Nota da autora: Sem nota.

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