Revisada por Aurora Boreal 💫
Finalizada em: Julho/2025
Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.
— Ei, tu tá pronta para ir?
estava jogada em sua cama, com seu celular nas mãos e olhando a cada minuto as redes sociais do seu time do coração. Em poucos minutos, ela, seu pai e seu tio sairiam para mais um clássico, o maior do Brasil e do mundo, segundo ela.
— Nasci pronta. — Riu ao responder e deixou o celular de lado, vendo que seu pai também esboçou uma risada e lhe avisou que escovaria os dentes antes de saírem.
Concordou com certo nervosismo tomando conta do seu peito, desde pequena fora acostumada a ir aos jogos do Grêmio com o mais velho, e cada um deles era um sentimento diferente. Estava vestida com o seu manto favorito, e da sorte, todo tricolor — em azul, branco e preto; e de manga comprida pelo frio.
Checou a sua bolsa pela trigésima vez naquele dia, cachecol check, luvas check, ingresso check, e carteira, caso quisesse comprar algo pra comer no estádio. Pegou o aparelho, jogou dentro, colocando a alça no ombro e saindo pela casa.
— Que camisa horrível. Esse vermelho faz com que meus olhos doam! — resmungou ao dar de cara com o seu tio, que torcia pelo time rival.
O mais velho, que possuía cabelos grisalhos, assim como o seu pai, ele gargalhou e bagunçou os fios da mais nova.
— Bah, guria...
— Cheguei! — o pai de anunciou e ela se virou ansiosamente para olhá-lo, já com um sorriso nos lábios. — Vamos?
— Vamos! Tô tri ansiosa.
O caminho da sua casa até a Arena do Grêmio foi feito a pé, tendo em vista que a jovem torcedora morava em um dos prédios que ficavam próximos ao estádio tricolor. Dias de jogos do Grêmio eram de extrema importância para , tentava não ter compromissos e vestir sempre o mesmo manto que dava sorte, contudo Grenais, a situação era mais séria.
Seu coração começou a bater mais forte quanto mais se aproximavam do estádio e a banda podia ser ouvida, fazendo com que ela começasse a pular e balançar um dos braços alentando.
Se aproximaram de um dos portões que dava para a torcida mista no Grenal, espaço reservado no estádio para torcedores que não ligavam em assistir ao jogo com um rival ao seu lado, sempre sendo um amigo ou alguém da família. Esse local nunca teve nenhum problema, diferente de outras partes do estádio.
— Nem acredito que chegamos. O que tu achas, tio? O estádio é lindo, né?
Ela andava de costas, já sabendo que o seu lugar era uma daquelas cadeiras, mas sentiu algo bater nas suas costas e deu um gritinho, afinal, era gelado e fazia frio. Observou a expressão do seu pai e, devagar, se virou para ver o que havia acontecido.
— Guria!
Seus olhos foram direto na camisa vermelha do rapaz à sua frente. nem conseguiu direito olhar nos olhos dele e algo muito forte percorreu o seu corpo.
Ela conhecia bem aquela sensação. Fechou os punhos, as suas sobrancelhas se juntaram e fitou o torcedor do time rival.
— Guria? — se irritou com o tom usado. — Tu viraste essa merda de refri em cima de mim, babaca.
A jovem torcedora cruzou os braços e arqueou a sobrancelha.
— Virei porque tu brotaste na minha frente, gremistinha. — Ele usou o mesmo tom de antes, a provocando e deu um sorriso.
— Eu tô toda molhada — resmungou ao fazer uma careta rápida e passou as mãos pra trás, a fim de conseguir entender o tamanho do problema. O rapaz na sua frente riu, a raiva dela triplicou instantaneamente. Sua risada era maliciosa. — Vai te...
— !
No instante em que ouviu a voz do pai, a morena, com seus cabelos escuros jogados pra frente, engoliu o xingamento que iria proferir, e sustentou por longos segundos o olhar do rapaz a sua frente.
— , vamos sentar!
notou as sardinhas no nariz da garota à sua frente e percebeu que não conseguia tirar os olhos dela até que ouviu novamente a voz do seu pai dizendo pra deixar pra lá.
Ela também estava vermelha. Mas seria pelo frio ou por raiva? Era adorável, ele sabia.
— Tinha que ser gremista! — Ele sentou-se ao lado do pai, depois de resmungar.
— O que tu disseste? — o questionou, nervosa.
— Isso mesmo que tu ouviste. — Virou para trás.
— Babaca! — murmurou.
— Irritante!
— Irritante é você!
A torcedora do time da casa tirou o seu agasalho preto com o escudo do Grêmio enquanto fazia uma careta rápida e xingava mentalmente o tal rapaz por ter derrubado refrigerante em uma das suas roupas favoritas.
— Filha, vai lá comprar outro refri pra ele. — Franziu o cenho assim que ouviu a voz do pai.
— Mas nunca — respondeu imediatamente. — Os jogadores estão entrando em campo para o aquecimento, não quero perder de ver o Doga. Faz tempo que ele não joga!
— Tu vais ver ele em campo. Agora anda — o mais velho ordenou.
— Vai com ela, .
O rapaz que levava uma pipoca até a boca parou no mesmo instante e olhou para o pai com o cenho franzido, os olhos arregalados.
— Ela conhece esse lixo de estádio, então eu não preciso ir com ela. — Deu de ombros ao voltar a comer.
— Cala a boca, seu idiota — quase gritou.
As famílias de ambos se entreolharam, principalmente os pais, o tio de estava entretido no celular e não prestava atenção na conversa. A garota olhou para o pai como se pedisse para não fazer aquilo e recebeu um olhar que conhecia muito bem: teria que acabar indo. Revirou os olhos e se colocou em pé, quase batendo com os pés no chão.
— Vamos, coloradinho!
Sem saber, teve quase a mesma reação ao pedir para o seu pai com o olhar para não ir, contudo, acabou se levantando e indo atrás da guria de cabelos escuros, compridos e esvoaçantes. Foram andando lado a lado por um bom tempo, e sentia o perfume dos fios dela lhe atingirem junto com o vento.
— Tu estás atucanada, não? — a olhou enquanto andavam lado a lado, e recebeu um olhar frio da garota.
— O que vai querer? — ela o indagou com os braços cruzados ao entrarem em uma fila pequena na lancheria.
— Uma Coca-Cola está ótimo.
O silencio predominou novamente entre os dois torcedores rivais até que a mulher fosse chamada para fazer o pedido, mas enquanto pedia a Coca-Cola de , sentia a presença dele ao seu lado e isso fazia com que seu coração batesse em uma velocidade um pouco mais descompassada do que o normal. Era a raiva que sentia dele, com certeza.
Seus devaneios foram interrompidos assim que ouviu seu nome e virou para ver quem era. Engoliu seco e, ao seu lado, notou a feição do rosto da torcedora mudar. Olhou na mesma direção e identificou um rapaz se aproximar, vestindo uma camiseta do seu time.
— Oi, . Como você está? — Ele se aproximou, com um sorriso.
— Ótima. E você?
e acompanharam o movimento do rapaz, que colocou uma das mãos no balcão de pedidos e ficou mais próximo dela. Ele continuou sorrindo e passou um dos dedos pelo cachecol da garota e ela tateou, pegando em qualquer parte do agasalho de e segurando com firmeza.
— Ei. Dá espaço pra ela, ouviu? — se aproximou do rapaz e sustentou seu olhar.
— A Coca-Cola.
A garota agradeceu mentalmente e se virou para pegar o copo com o refrigerante, agradeceu a moça após pagar e chamou por , saíram dali com o colorado ainda olhando para o outro com o cenho franzido, que ficava cada vez mais distante.
— Quem é ele? Teu ex? — investigou. Ela negou ao lhe entregar o copo com o símbolo do Grêmio.
— Esse copo é lindo! — falou, sorrindo.
Ele não teve como não corresponder ao sorriso dela ao vê-la mostrar todos os dentes e pôde, mais de perto, notar como ela tinha algumas sardinhas espalhadas pelo rosto e nariz. Ficou preso naquela garota até voltarem.
O jogo começou minutos depois e se encontrava em silêncio, pensando no que havia acontecido na lancheria, mas queria tirar aqueles pensamentos da sua cabeça, por isso, quando o Grêmio atacou e quase fez um gol, se levantou para xingar o jogador que não tocou a bola.
— Boa, Douglas! Não toca a bola, não. Continua assim que tá ótimo. — se levantou da mesma forma que ela e falou alto.
Ela olhou pra trás e o viu com um sorriso maroto ao olhá-la, revirou os olhos e tirou o cachecol, visto que se levantar, gritar e alentar o time estava lhe dando certo calor. Deixou a peça de roupa sobre a cadeira e ficou em pé, assim como o seu pai.
— Esse jogo tá fácil. O time do Grêmio é lento no meio de campo...
— Fácil? — Novamente o olhou e arqueou a sobrancelha. — Talvez você tenha memória fraca e não se lembre que o Internacional não ganha um clássico há uns bons anos. Teve aquele 5x0 no Brasileirão de 2015 e falo mais: desde que o Renato chegou, as coisas estão feias para o lado de vocês. Quantos títulos vocês ganharam nesses últimos anos?
O torcedor do time de vermelho ficou em silêncio com a mente funcionando a mil e buscando algo muito bom para falar, mas nada saiu da sua boca e só conseguiu fitar os lábios da outra, tendo em vista que mordia o próprio lábio de leve, esperando que ele lhe respondesse.
O jogo acabou com um empate entre as duas equipes, no entanto, para o lado gremista, teve cara de derrota em vista que o time tricolor começou ganhando e acabou por tomar o empate duas vezes.
— Que bela porcaria. — olhou para o pai, que concordou, rindo.
— O time ficou desligado em alguns momentos.
Os três se levantaram para poderem ir embora, a torcedora se espreguiçou e viu que boa parte do estádio estava saindo, ainda sem aguentar olhou para trás, viu tirando uma foto com o pai e um sorriso mínimo apareceu em seus lábios.
Quando o garoto olhou para frente, viu que não estava mais ali e deixou um suspiro escapar. Ouviu o patriarca falar para irem embora e concordou, foi se levantando, e quando olhou para a cadeira recém ocupada pela gremista, viu o cachecol dela ali.
— A esqueceu.
Em um gesto espontâneo, olhou atrás do cachecol, como se procurasse algum jeito de contatar a guria, mas algo escrito em sua etiqueta lhe chamou a atenção.
Pertence à .
Um sorriso preencheu seus lábios e sentiu uma das mãos do pai em seu ombro.
— Você vai vê-la de novo?
Olhou para o pai e segurou com força a peça de roupa em suas mãos.
— A gremistinha? É claro.
Grenais/Grenal: jogo entre Grêmio e Internacional, ambos de Porto Alegre.
Tri: expressão usada para que as coisas pareçam melhores, maiores.
Atucanada: o mesmo que estar preocupado, com a cabeça cheia de problemas.
Lancheria: lanchonete.
Fim.
Nota da autora: Sem nota.
💫
nota galática da beth: Meu Deus, se as pessoas soubessem como eu sou apaixonada por histórias com rivais, criariam mais só de pena JURO (obviamente isso só em fanfic pq na vida real eu me irrito rs) mas essa short foi uma delicinha, Sammy! É sua obrigação fazer a continuação, ok? O Pedro prometeu encontrar ela de novo, então faça ACONTECER!
nota galática da beth: Meu Deus, se as pessoas soubessem como eu sou apaixonada por histórias com rivais, criariam mais só de pena JURO (obviamente isso só em fanfic pq na vida real eu me irrito rs) mas essa short foi uma delicinha, Sammy! É sua obrigação fazer a continuação, ok? O Pedro prometeu encontrar ela de novo, então faça ACONTECER!
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