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Codificada por: Cleópatra

Finalizada em: 01/02/2026

Alexander Henrique Johnson Lewis
Um Arquiteto e urbanista chamado Alexander ou Alex para os íntimos, 29 anos, solteiro, mora sozinho, tem uma irmã mais nova, Aylla de 12 anos. Alexander mora em um apartamento em um bairro vizinho chamado Downtown City.

Alexander ou Alex para os íntimos e Daniel terão que fingir serem namorados para não serem desclassificados numa competição de receitas. Mas o que era para ser de mentira acaba se tornando real: Alexander e Daniel acabam se apaixonando de verdade e tornando-se um casal de verdade.

Alexander Henrique Johnson Lewis
Um Arquiteto e urbanista chamado Alexander ou Alex para os íntimos, 29 anos, solteiro, mora sozinho, tem uma irmã mais nova, Aylla de 12 anos. Alexander mora em um apartamento em um bairro vizinho chamado Downtown City.

Alexander ou Alex para os íntimos e Daniel terão que fingir serem namorados para não serem desclassificados numa competição de receitas. Mas o que era para ser de mentira acaba se tornando real: Alexander e Daniel acabam se apaixonando de verdade e tornando-se um casal de verdade.




O Jovem Alexander Henrique Johnson Lewis ou Alex para os íntimos, formado em Arquitetura e urbanista ou Alex, 29 anos, solteiro, mora sozinho, tem uma irmã mais nova, Aylla de 12 anos. Alexander mora em um apartamento em um bairro vizinho chamado Downtown City.

Alexander possui muitos amigos mas tem um que é seu melhor amigo “Vinícius” ou Vini. A Fim de se aventurar na culinária acaba participando sem querer de uma competição de receitas junto de uma pessoa que não via há uns anos.

Esse alguém é Daniel ou Dan que terá que ser par de Alex durante o programa.


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Sinopse de um capítulo

Depois que o programa acabou, Alex e Dan irão ter que fazer um acordo e fingir que são namorados para não serem desclassificados, Alex que esperava Dan do lado de fora, quando ele saiu, Alex pediu: — Dan a gente precisa conversar sobre esse assunto.

— Que assunto.

— Fingir que somos namorados.

— Alexander aqui não é lugar para conversar sobre isso.

Um dos jurado chegou de surpresa e perguntou: — Vocês dois não são namorados.

Alex abraçou Dan pela cintura, beijou a bochecha de Dan e respondeu: — Claro que somos e só estamos pensando em qual receita vamos fazer juntos. Não é amor.

— Sim é verdade baby.

— Vocês formam um casal tão fofo.

— Obrigado.

— Baby vamos embora.

— Vamos amor. Até quarta-feira.

Depois de serem quase descobertos na mentira, Alex e Dan terão que ser mais convincente em fingir que são namorados. Ambos foram até ao o carro de Alex de mãos dadas enquanto um dos jurados ficou assistindo tudo. Quando chegou no carro, Dan foi para seu carro, ambos foram embora.

Na Quarta-feira os dois terão que fingir bem que são namorados.
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Mal sabe que nesse fingimento todo de serem namorados, Alex e Dan descobrirão o que é a força do amor.
Alex e Dan em uma prova de competição terão que fazer uma declaração de amor.



Um chamado Daniel Lucas, 28 anos, solteiro, formado em Jornalismo, trabalha em uma Cafeteria chamada “Coffee Lab”, vive sozinho em um apartamento, mora em Downtown City e para poder permanecer na competição de receitas terá que fingir ser parceiro de Alex a fim de não serem desclassificados.

Daniel ou Dan após ficar uns anos sem ver Alexander ou Alex se reencontraram em uma competição e terão que fingir muito bem que são namorados e convencer os jurados.


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Sinopse de um capítulo

Após sair do estúdio, Daniel ou Dan levou um susto com Alex o esperando do lado de fora para conversar sobre a mentira que contaram. Quando Dan chegou na porta, Alex chamou: — Daniel.

— Quer me matar de susto.

— Precisamos conversar sobre fingir que somos namorados.

— Alexander aqui não é lugar para conversarmos.

— Porquê?

— Está vindo um dos jurados.

Num impulso Alex puxou Dan o abraçando pela cintura, beijou a bochecha, fingiam conversar e sorrir, um dos jurados chegou e disse: — Você é o Alexander e você e o Daniel.

— Isso mesmo.

— Vocês formam um casal tão fofo.

— Obrigado.

— Vocês realmente são namorados ou estão apenas fingindo para não serem desclassificados.

— Claro que somos namorados.

— O Alexander é o amor da minha vida.

— Você também Daniel.

— Quanto tempo estão juntos?

— Tem um ano que estamos juntos, né Dan.

— Sim. Vamos embora estou cansado.

Ambos saíram de mãos dadas até ao carro de Dan, enquanto um dos jurados ficou assistindo a cena.
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Mesmo fingindo que são namorados, Alex e Dan irão descobrir o que faltava entre eles, que e o ingrediente essencial: O Amor.

O que era para ser apenas um fingimento entre duas pessoas acaba surgindo um amor verdadeiro.



Era um dia qualquer na vida de Alexander que se inscreveu numa competição de receitas sem saber que era pra casal, A luz vermelha da câmera acendeu-se indicando que a gravação havia começado. Alexander, nervoso com a sua estreia na competição de receitas e tinha que arrumar alguém para fingir ser seu namoradoe e serem um casal, enquanto organizava os seus utensílios na bancada quando a sombra de um dos apresentadores, Matheus, parou sobre sua bancada.

— Você está sozinho? — perguntou Matheus, com o microfone em punho.

O pânico subiu pela espinha de Alex. Ele olhou em volta e, num impulso de sobrevivência, apontou para o rapaz na bancada ao lado, que parecia tão perdido quanto ele.

— Não. O meu namorado é ele... ali.

Matheus ergueu uma de suas sobrancelhas, alternando o olhar entre os dois e perguntou: — O Daniel é seu namorado?

— Sim — Alex engoliu em seco, sustentando a mentira. — E eu o chamo de amor.

— Curioso... — Matheus semicerrou os olhos. — Porque vocês parecem não se conhecer.

— É impressão sua.

— Então chame-o aqui.

Longe um do outro por cerca de 12 anos, nem Alex e Dan se lembram que se conheciam, Alex foi até Dan, pegou na mão com carinho, foram até a sua bancada, Alex disse: — Amor esse é o apresentador Matheus. Ele perguntou se somos namorados pois a gente parece ser distantes.

— Porque o senhor acha isso.

— Esse programa é de competição de receitas do dia dos namorados.

— Nós sabemos disso.
— Então porque vocês estavam em bancadas diferentes.

— Formos ver individual qual bancada era melhor de ficarmos.

— Exatamente isso.

— Ah. Quanto tempo estão juntos.

— Vamos fazer 2 anos em 5 meses.

— Ok. Já vamos começar a gravar.

O apresentador saiu de perto dos dois, Ambos respiraram aliviados de não serem desclassificados da competição. Alex soltou a mão de Dan, esticou em direção ao Daniel e comentou: — Meu nome é Alexander Henrique.

Quando pegou na mão de Alexander fechando os seus dedos, Daniel sentiu que já tinha tocado naquela mão antes mas pensou estar imaginando coisas e disse: — Sou Daniel Lukas.

— Se nós dois vamos continuar mantendo essa mentira, temos que fazer um acordo.

— Concordo.

— Depois da gravação nós vamos para o meu apartamento e mais seguro conversávamos em um lugar privado.

— Tem razão Alex.

— Depois que terminar a gravação nós vamos sair juntos.

— Ok. Hoje vamos fazer a minha receita, tudo bem pra você.

— Tá bem. Eu te sigo.

A gravação do episódio do programa seguiu sem maiores incidentes, os jurados se apresentaram, depois os 10 casais, mais algum tempo, terminaram de gravar, Alexander disse que ia no banheiro e que ia esperar ele na porta da saída dos fundos, uns 10 minutos depois, Quando viu que o Dan estava saindo pela porta de saída, Alex chamou: — Daniel.

O rapaz sobressaltou tentando acalmar seu coração acelerado. Ainda assustado, Daniel disse:
— Alexander quer me matar de susto.

— Desculpe. Vamos.

— Vamos.

— Daniel, será que posso pegar na sua mão para parecer mais convincente caso alguém esteja olhando.

— Por mim, tudo bem.
Os dedos entrelaçaram novamente. Havia uma familiaridade estranha naquele toque, algo que Alex e Dan não conseguiam identificar. Caminharam em direção ao estacionamento, mas o perigo ainda rondava.

Era uma das juradas, caminhando em direção ao carro estacionado próximo ao de Alex, que instintivamente abraçou a cintura de Daniel. O outro retesou por um segundo, olhou para trás e viu a jurada parada, observando-os. Daniel percebeu e disse: — Alex… — Daniel sussurrou, a voz rouca.
— Me beije agora.

— O que?

— Temos que ser convincentes. Vai.

Encostados no carro de Alex, sob o olhar avaliado da jurada, Alex puxou Daniel para si. O beijo que deveria ser técnico e falso, começou de forma tímida. Porém, assim que seus lábios se tocaram, algo mudou. Daniel cedeu ao abraço e o beijo aprofundou-se, tornando-se doce e inesperadamente suave.

O mundo ao redor pareceu silenciar por alguns segundos. Havia química ali, uma atração genuína que nenhum dos dois esperava. Alex quebrou o beijo, ofegante, o rosto corado. Antes que aparecesse mais alguém, Alex falou: — Vamos embora antes que apareça mais alguém.

— Vamos.

Entraram no carro em silêncio. A tensão agora era diferente; carregada de uma eletricidade nova. Alex dirigiu por trinta minutos até seu condomínio. O trajeto foi silencioso, ambos processando o que acabara de acontecer.

Ao chegarem no apartamento n°309, entraram, Alex trancou a porta, deixando o mundo exterior — e a farsa — para trás.

— Coloca sua mochila no sofá — disse Alex, tirando os sapatos. — Vou ao meu quarto e já volto. Fique à vontade.

— Ok.

Enquanto Alex ia se trocar, Daniel explorou a sala com o olhar. Seus olhos pousaram em uma estante onde havia um porta-retrato. Ele pegou a foto. Era uma família sorrindo: um casal e um garoto. Daniel sentiu um choque. Ele conhecia aquele casal.

Alex voltou à sala segundos depois vendo que Daniel segurava algo em suas mãos e perguntou: — Daniel, está tudo bem? Você está pálido.

Daniel virou lentamente para Alex segurando o retrato e disse: — Você é o Alexander Henrique... filho de Anna e Marcelo Lewis.

— Sim... De onde conhece meus pais?

— Você não se lembra de mim, Alex? — Daniel deu um passo à frente, um sorriso incrédulo surgindo. — Eu fui seu vizinho. Seu melhor amigo.
Alex franziu a testa, buscando na memória, até que os olhos de Daniel — aqueles mesmos olhos de doze anos atrás — fizeram tudo se encaixar.

— Daniel Lukas? Dan?

— Sou eu mesmo.

— Meu Deus! — Alex riu, chocado. — Que mundo pequeno. Fomos nos reencontrar numa competição de receitas e fingimos ser realmente namorados!

— Pois é. O destino tem um senso de humor estranho.

— E como estão seus pais Dan?

— Estão bem. E os seus?

— Bem e Vão ficar felizes em te rever.

— Vão sim... Alex, me desculpe por ter sumido. Parei de responder suas mensagens porque deixei meu celular cair num rio durante uma viagem com os meus pais. Perdi tudo, inclusive seu contato.

— Imaginei que tivesse acontecido algo, mas nunca pensei nisso. Sinto muito. Mas... Dan você voltou a morar na cidade para me procurar?

— Sim — confessou Daniel. — Sua amizade era muito importante para mim. Alex sentiu o peito aquecer.

— A sua também é, Dan.

Houve um momento de silêncio confortável, o peso dos anos desaparecendo.
— Bom — disse Daniel, quebrando o gelo —, o destino nos reuniu, mas agora temos um problema. Vamos continuar com o fingimento?

— Por mim, tudo bem manter a farsa até o programa acabar. Precisamos do prêmio, certo?

— Certo.

— Vou fazer um lanche. Aceita?

— Aceito, estou morrendo de fome.

Sentados à mesa, comendo sanduíches como nos velhos tempos, a conversa fluiu fácil, Alex perguntou tentando parecer casual: — Daniel, nesses anos todos... você namorou alguém?

— Namorei uma mulher por dois anos. Mas não deu certo.

— Uau, que novidade.

— E você, Alexander?

— Me chame só de Alex, lembra? Namorei uma pessoa por quase dois anos também.
— Somos dois azarados no amor, então.

— Só não encontramos a pessoa certa ainda — disse Alex, e por um breve momento, seus olhos se cruzaram de uma maneira que fez o coração de ambos acelerar.

— Concordo... — concordou Daniel, desviando o olhar para o copo de suco. — Alex, qual receita faremos na próxima gravação?

— Fica tranquilo. Eu tenho uma receita perfeita.

Ao final do lanche, trocaram os números de telefone que dessa vez, com a promessa de não perderem o contato. Após guardar seu celular na mochila, Dan disse: — Vou chamar um táxi lá da portaria.

— Quer que eu vá com você pra não se sentir sozinho?

— Não precisa, você parece cansado.

— E estou.

— Te encontro amanhã lá no estúdio da gravação.

— Ok. Te levo até a porta.

Alex o acompanhou e trancou a porta assim que o amigo saiu. Enquanto lavava a louça, sua mente girava. Respondeu mensagens dos pais e do seu amigo Lyan no WhatsApp, mas seus pensamentos estavam fixos no vizinho que virará um homem atraente.

Após o banho, deitado na cama escura, Alex tentou dormir. Mas a lembrança do "beijo técnico" no estacionamento voltava à sua mente. O cheiro de Daniel, o toque de sua mão...

Mal sabia Alex que, ao trazer Daniel de volta para sua vida naquela farsa romântica, ele estava prestes a descobrir que a amizade de infância talvez fosse apenas o alicerce para algo muito maior.



Chegou a noite, e o estúdio fervilhava para a gravação do quadro de receita de doce. Daniel se aproximou de Alex, murmurando com uma ponta de nervosismo: — Eu não sei cozinhar nenhum tipo de doce.

Alex sorriu, tocando levemente o ombro dele. Alex falou: — Relaxe. Eu te guio.

— Você é um excelente amigo — Daniel elogiou, aliviado.

Alex estreitou os olhos de brincadeira, puxando-o um pouco para perto. Alex disse em voz baixa: — Não me chame de amigo aqui.

— Ah, esqueci! — Daniel levou a mão à testa.

— Aqui você deve me chamar de namorado. — A palavra soou com uma naturalidade que fez o coração de Daniel dar um salto.

— Juro que não vou esquecer disso de novo.

— Ok. Agora amarre o avental em mim... igual um namorado.

— Ok, Amor. — Daniel respondeu, sustentando o olhar.

— Continue assim — Alex incentivou, a satisfação evidente em seu tom.

— Ok. Vou desempenhar bem meu papel como seu namorado — Daniel garantiu.
Ambos riram, uma risada cúmplice e genuína. Daniel se posicionou atrás de Alex e amarrou o avental com um toque suave em sua cintura, demorando um segundo a mais do que o necessário antes de se afastar.

A gravação começou.
Quando estavam finalizando a receita, Alex, com a panela ainda no fogo, pegou a colher, pegou um pouco do doce, soprou com delicadeza e levou até a boca de Daniel, agindo com a intimidade que o roteiro pedia.

— Está bom o gosto? — perguntou Alex, com expectativa.

— Está delicioso. De verdade.

— Aprendi com a minha mãe.

— Aprendeu muito bem.

Alex recolheu a colher, virando-se para a câmera:
— No próximo quadro, que será gravado na semana que vem, é você quem vai cozinhar, amor.

— Prometo te surpreender — Daniel respondeu, entrando no personagem com facilidade.

— Vou esperar.

Na gravação seguinte, Daniel realmente superou as expectativas. Sua receita não apenas ficou deliciosa, mas a apresentação foi impecável. Alex, genuinamente orgulhoso, agiu por impulso.

Assim que a gravação terminou e o diretor gritou 'Corta!', Alex abraçou Daniel pela cintura, puxando-o para perto e, sem pensar duas vezes, beijou a bochecha de Daniel, pegando-o completamente de surpresa. O rubor subiu ao rosto de Daniel enquanto ele tentava processar o gesto.

Longe dali, os três jurados assistiam a toda a interação, monitorando se Alex e Daniel agiam realmente como um casal apaixonado — mal sabiam eles que a simulação estava começando a confundir a realidade.

Com a eliminação de um casal concorrente, Alex e Daniel permaneceram no programa.

Finalizada a gravação e com os microfones desligados, Alex se virou para Daniel, voltando ao papel imediatamente: — Amor, vamos jantar no meu apartamento?

— Vamos — respondeu Daniel.

— Pega nossas mochilas aí embaixo.

— Claro, amor.

No balcão, Daniel apanhou as mochilas, entregando a de Alex. Colocaram-nas nas costas. Alex, então, estendeu a mão, e Daniel aceitou o toque. Saíram de mãos dadas, mantendo o personagem para qualquer olhar atento, inclusive de um jurado que Alex notara à distância.
Chegaram ao carro de Alex. Ele soltou a mão de Daniel, pegou a chave no bolso, abriu a porta, jogou a mochila no banco e, num movimento rápido, abraçou Daniel pela cintura e sussurrou, a voz tensa:
— Daniel, não olhe para trás, mas tem um dos jurados parado na porta do estúdio.

— O que vamos fazer? — Daniel respondeu, a adrenalina subindo.

— Finja sorrir enquanto eu te abraço.
— Ok. Comece logo.

Alex apertou o abraço e beijou a bochecha de Daniel novamente, desta vez com um propósito claro. Daniel sorriu, forçando a naturalidade enquanto o jurado se aproximava.

— Olá — Alex cumprimentou, com a voz ligeiramente mais alta.

— Oi — respondeu o jurado.

— Alex, vamos jantar, estou morrendo de fome — Daniel disse, mantendo o sorriso.

— Vamos. Vai na frente, e eu te sigo.

— Ok.

Após alguns segundos, Alex finalmente soltou Daniel. Daniel correu para seu próprio carro. Ambos entraram e saíram dirigindo, com Daniel seguindo Alex até o prédio.

Chegando, Daniel estacionou e correu para entrar no carro de Alex, para que pudessem entrar juntos, como um casal. Alex se identificou, o portão abriu. Eles estacionaram, desligaram o motor e tiraram o cinto. Alex trancou o carro e pegou a mão de Daniel novamente.

No elevador, Daniel apertou o botão para o 9º andar. Chegando ao apartamento 310, Alex destrancou a porta. Acendeu a luz e, assim que entraram, fechou a porta.

— Alex, por que tiramos os sapatos perto da porta? — Daniel perguntou, observando.

— Tem sujeira e poeira da rua. Gosto de manter limpo — Alex explicou.

— Entendo. — Daniel colocou os sapatos ao lado dos de Alex. — Desde a última vez que nós nos vimos, anos atrás, eu mudei, e você também.

— Tem razão. — Alex indicou o sofá. — Daniel, coloca sua mochila lá.

Daniel deu as costas para Alex e foi colocar a mochila no sofá. Alex foi para a cozinha, preparar algo rápido depois das longas horas de gravação. Daniel voltou, encostando-se ao balcão enquanto Alex finalizava o jantar.

Alex serviu a comida nos pratos e pegou os talheres. Sentaram-se à mesa, lado a lado, e começaram a comer. Alex perguntou: — Daniel, quer beber água, suco ou vinho? — Alex ofereceu.

— Quero suco, por favor. Vou dirigir mais tarde.

— Ok. Vou pegar.

— Obrigado.

Alex se levantou, foi até a geladeira, pegou o suco, abriu o armário para pegar dois copos e voltou à mesa. Ele serviu o suco para Daniel primeiro e depois para si, antes de voltarem a comer em silêncio confortável.
Ao terminarem, Alex juntou as louças sujas, Alex perguntou: — Quer assistir um pouco de televisão comigo? — Alex perguntou, apoiado na mesa.

— Posso ficar só mais uma hora — respondeu Daniel.

— Ok. Vamos ver se está passando alguma coisa que preste na televisão. Daniel riu do comentário de Alex.

— Vamos.

Eles foram para a sala. Alex ligou a televisão e sentou-se ao lado de Daniel. Procurou um filme que os dois pudessem assistir e, ao encontrar algo, jogou o controle na mesinha.

— Vou ao banheiro rapidinho.

— Demore o tanto que quiser, pois o apartamento é seu — Daniel respondeu, sem tirar os olhos da tela.

— Tá bem.

Alex correu para o banheiro, fechou e trancou a porta. Encostado na porta fria, ele fechou os olhos, tentando conter a avalanche de sentimentos.

O beijo na bochecha, a mão na mão, a preocupação em seguir o roteiro...

Alex percebeu que a simulação de namoro havia cruzado a linha e que ele estava começando a nutrir sentimentos reais por Daniel, seu amigo reencontrado. Era hora de voltar e fingir que nada estava acontecendo.

Alex abriu a porta, saiu e voltou para a sala.

— Alex, eu preciso ir embora — Daniel disse, levantando-se.

— Mas já?

— Esqueci que ainda tenho que passar no supermercado para comprar um sabonete — Daniel se desculpou, pegando a mochila.

— Ok. Te acompanho até a porta.

Daniel colocou a mochila nas costas e calçou os sapatos. Alex abriu a porta.

— Te vejo amanhã no estúdio — disse Daniel, saindo.

— Ok. Cuidado na direção.

— Pode deixar.

Daniel apressou-se para o elevador. Alex fechou e trancou a porta, caminhando de volta para o sofá. Ele se deitou, o cheiro de Daniel ainda pairando no ar, e começou a pensar: estava se apaixonando por Daniel.
Enquanto isso, Daniel, ao chegar no carro, abriu a porta, jogou a mochila no banco e colocou a chave na ignição. Antes de ligar o motor, ele olhou para o prédio de Alex. Ele também estava pensando em Alex de um jeito diferente, percebendo que estar com ele era o seu melhor momento.

Daniel dentro do carro e Alex deitado no seu sofá pensaram, quase em uníssono: — Eu amo ele.

O jogo de cena havia se tornado uma realidade para ambos. A questão agora era: quem, de fato, dará o primeiro passo, admitindo a paixão inesperada?



Na noite seguinte, durante a gravação de um quadro de culinária salgada, Alex e Daniel estavam visivelmente diferentes do habitual. Para a surpresa de Daniel, foi Alex quem tomou a iniciativa.

Durante a gravação, Alex notou a tensão de Daniel e perguntou: — Dan, por que você está diferente hoje?

— Só estou um pouco cansado do trabalho na cafeteria.

— Você veio dirigindo seu carro.

— Vim de táxi.

— Depois que a gravação acabar eu te levo para casa.

— Posso ir de táxi.

— Eu quero te levar.

— Tá bom. Obrigado.

— De nada. Mas aceita jantar comigo?

Nenhum dos dois sabia exatamente como expressar o que sentiam, mas Alex estava determinado a dar o primeiro passo, assumindo que seu amor por Daniel era real.

A gravação terminou. Ambos pegaram suas mochilas e foram para o carro de Alex. Entraram, colocaram os cintos, e Alex ligou o motor. Enquanto saíam, Daniel perguntou: — A pergunta de jantar com você ainda está de pé?

— Está! Você aceita?

— Sim, eu aceito jantar com você.

— Prometo fazer algo bem gostoso.
— Tá bom.

— Vamos, Dan.

— Vamos.

Nem ele e Daniel sabiam como dizer o que se passava dentro deles, mas Alex será primeiro a dar o passo assumindo que ama Daniel de verdade. A gravação acabou, ambos pegaram sua mochila, chegaram na porta, ao carro de Alex, entraram fechando as portas, colocaram o cinto de segurança, Daniel ajudou alex a colocar as mochilas no banco de trás, Alex ligou o carro, saiu dirigindo, Daniel perguntou: — A pergunta de jantar com você ainda está de pé?

— Está? Você aceita.

— Sim, eu aceito jantar com você.

— Prometo fazer algo bem gostoso.

— Tá bom.

— Vamos Dan.

— Vamos.

Ambos saíram do estúdio pela porta de saída, chegaram ao carro de Alex, entraram, fecharam as portas, colocaram seus cintos de segurança, Alex ligou o carro, soltou o freio, saiu dirigindo, Alex dirigiu por cerca de quarenta minutos até o condomínio onde seu namorado fake mora.

Após se identificarem, ele estacionou em sua vaga de número 309. Desligaram o carro e entraram no prédio. No elevador, a caminho do nono andar, Alex pensava na melhor forma de confessar seus sentimentos.

Chegando ao apartamento, Alex abriu a porta e acendeu as luzes. Daniel colocou a mochila no sofá, sentando-se brevemente para acalmar o coração acelerado. Alex foi ao quarto e, poucos minutos depois, voltou. Eles seguiram juntos para a cozinha.

Alex vestiu o avental, pegou os ingredientes e começou a cozinhar. Daniel se ofereceu para ajudar. Em certo momento, suas mãos se tocaram por acidente. Eles se olharam e sorriram. Alex, então, segurou a mão de Daniel com carinho e disse: — Dan, preciso ser sincero com você.

— Sobre o quê?

— Não sei como nem onde isso começou, mas eu me apaixonei por você.

— Alex, eu também me apaixonei por você.

— Senti-me livre contando isso para você.

— Eu também.
— Dan, será que se você não tivesse se mudado com seus pais para outra cidade a gente se amaria como hoje e agora?

— Eu não sei como seria, Alex.

— Vamos terminar de fazer a comida, pois estou morto de fome.

— Eu ouvi seu estômago roncar.

— Foi tão alto assim?

— Sim!

— Eu ouvi seu estômago roncar.

— Foi tão alto assim.

— Sim.

Sentindo um cheiro delicioso que vinha de uma das panelas, Alex soltou a mão de Dan, voltou até a panela, mexeu, enquanto Dan assistia a cena fofa sorrindo.

Mais uns segundos depois, Alex terminou, desligou o fogão, pegou um prato que estava dentro do armário, pegou as duas mãos de Dan colocou o prato, soltou, pegou outro, colocaram a comida, Alex colocou seu prato em cima do balcão, pegou uma garrafa de vinho na geladeira, 2 copos, chegou na mesa, colocou em cima, voltou, pegou novamente seu prato, chegaram na mesa, sentaram-se um ao lado do outro, Alex abriu a garrafa e perguntou: — Quer um pouco de vinho?

— Quero.

— Ok. Vou colocar.

Depois de abrir a garrafa, colocou o vinho nos copos, deu um pro Dan, pegou o outro, fechou a garrafa com a tampa, colocou em cima da mesa, começaram a comer a comida de seus respectivos pratos com os talheres, comiam em silêncio, bebendo o vinho dos seus copos, Dan perguntou: — E a sua mãe ainda cozinha bem pois eu ainda lembro do sabor?

— Muito melhor.

— Um dia quero visitar ela.

— Aposto que ela vai ficar feliz quando souber que eu reencontrei você que era meu ex-vizinho.

— O meu plano era te reencontrar depois de anos para continuar sendo seu amigo, mas eu fui me apaixonar por você.

— Mas o destino fez o seu trabalho me jogando no mesmo lugar que você e foi bom assumir o que eu sinto primeiro por você.

— Foi e agradeço ao destino por ter facilitado meu plano e também me sentir livre contando que eu te amo.
— Dan eu quero te perguntar uma coisa.

— Pergunte.

— Você quer namorar comigo de verdade?

Ao ouvir a pergunta que o pegou de surpresa pois era o que ele estava pensando e ia perguntar mas Alex perguntou primeiro, Dan que estava curioso e
perguntou: — Alex antes deu responder a sua pergunta me diz como você adivinhou o que eu pensava e ia perguntar.

— Não adivinhei mas eu senti que era isso.

— Eu aceito ser seu namorado.

— Então você agora é meu namorado.

— Sou seu namorado.

— Nós não precisamos mais fingir na frente dos outros que somos namorados de verdade.

— Isso é um alívio para nós dois.

— Muito.

Ambos riram juntos pois a partir daquele momento eles seriam namorados de verdade e nada de ficar fingindo o que eles eram, Alex pegou uma das mãos de Dan fechando os seus dedos com todo carinho, Dan logo se sentiu que finalmente estava feliz com Alex.


O Primeiro Beijo

Mais algum tempo depois Alexander e Daniel terminaram de comer a comida de seus respectivos pratos com as colheres, beber o vinho de seus copos, Alex juntou as louças todas em cima da mesa, levantou-se, pegou tudo, chegou na pia, colocou tudo dentro com cuidado para não cair dentro, quebrar e se cortar pegando os cacos e disse: — Eu lavo isso depois com calma pois o tempo agora é exclusivamente para o meu namorado.

Ainda de costas Dan chegou, abraçou Alex pela cintura passando os seus dois braços fechando-a com carinho, encostou sua cabeça no ombro dele e disse: — Alex.

— O que você quer?

— Quero sentir qual é o sabor dos seus lábios.

— Quer mesmo.

— Quero muito.

Tirando os dois braços de sua cintura, Alex virou-se de frente para Dan, pegou-o no colo tipo cadeirinha, sentou-o no balcão, pegou no queixo dele com carinho, Dan fechou os seus olhos, Alex
foi chegando bem devagarinho até encostar os seus lábios nos de Dan começando um beijo doce, suave e de um sabor adocicado.

Após alguns segundos se beijando sem pressa num beijo caloroso que ambos experimentaram pela primeira vez, Alex parou o beijo com todo carinho soltando os lábios de Dan e falou: — Amor o sabor do seu beijo é igual ao sabor de um café que eu amo.

— Que tipo de café?

— Doce e quente.

— Alex eu te amo.

— Amo você também amor.

— Você acabou de me chamar de amor?

— Chamei mas se quiser eu paro.

— Você só me pegou de surpresa, mas eu adorei.

— Dan quer sair pra jantar comigo amanhã.

— Sim.

— Será nosso primeiro encontro como namorados de verdade.

— E vai ser o primeiro jantar de muitos que virão.

— Será.

— Vão sim.

— Dan eu desejo fazer uma coisa com você.

— Se for sexo você terá que esperar até eu me sentir seguro.

— E eu falei que era sexo.

— Não falou.

— E realmente não é Sexo.

— E o que é realmente?

— Eu quero que você prove uma sobremesa que fiz.

— E o que é essa sobremesa?

— É surpresa e por isso feche os seus olhos.

— Tá bem.
— Então feche os seus olhos.

— Ok.

Mesmo curioso sobre o que é a sobremesa misteriosa que estava deixando -o nervoso, Dan fechou os seus olhos, Alex deixou Dan sentado no balcão, foi até a geladeira, abriu, pegou um potinho meio grande que estava na prateleira, fechou a porta, pegou uma colher na gaveta, voltou ficando no meio das pernas de seu namorado, Dan começou a sorrir quando sentiu que Alex havia voltado para o lugar de antes, Alex também deu aquele sorriso, parou e disse: — Abre a sua boca.

— Ok.

A pedido de seu namorado, Dan abriu um pouco a boca, ansioso, Alex tirou a tampa, pegou um pouco de mousse, colocou dentro da boca dele, tirou a colher, ficou esperando ele mastigar bem, engolir, enquanto mastigava, Dan abriu os seus olhos, Alex como estava ansioso pra saber se ficou bom e perguntou: — E aí está gostoso o mousse de coco com morango que fiz?

— Alex está saboroso esse mousse de coco com morango.

— Mesmo.

— Eu nunca disse uma verdade como agora.

— Vou provar um pouco.

Pegou um pouco do mousse colocando em sua boca com a colher, tirou, mastigou, engoliu, Dan disse: — Falei que estava delicioso.

— Realmente está muito bom.

— Alex como você aprendeu a fazer uma sobremesa tão saboroso que dá vontade de comer a vasilha.

— Minha mãe me ensinou algumas coisas e com o tempo fui afeiçoando.

— Afeiçoou bem.

— Quer comer tudo.

Ainda no meio das pernas de Dan que sorria com a expressão de surpresa no rosto de Alex que logo mudou, pegou o pote da mão dele com a colher, começou a comer a sobremesa que estava maravilhoso, Alex ria da ousadia de Dan em tirar a vasilha de sua mão, Dan disse: — Vou comer tudo pois está maravilhoso.

— Ok. Bom aproveito.

— Se continuar fazendo essas comidas e sobremesas deliciosas assim eu vou engordar.

— Dan eu vou te amar sendo um gordinho ou magrinho.
Enquanto Alex lavava as louças sujas dá janta, Dan comia o mousse, uns 30 segundos depois, Alex pegou a vasilha e a colher das mãos de Dan, lavou, colocou no escorredor, tirou o avental, pendurou no lugar, ajudou Dan a descer do balcão com todo carinho, Sorriu para o seu namorado oficial, Dan perguntou: — O que nós vamos fazer agora?

— O que você quiser.

— Vamos assistir um filme.

— Que tipo de filme?

— Um filme de comédia.

— Ok. Vamos lá assistir.

— Vamos.

De mãos dadas, ambos foram para a sala, Alex soltou a mão de Dan, deu a volta na mesinha até ao hack, pegou o controle, Dan sentou-se ao sofá, Alex deu a volta de novo, sentou-se ao lado dele, ligou a televisão, abriu o aplicativo de filmes, começou a procurar um filme de comédia até que Dan gostou de um, Alex colocou, começaram a assistir juntos.

Mais ou menos uma hora e meia, Alex olhou para Dan que estava dormindo encostado em seu corpo, Alex começou a sorrir baixinho, mais uns 10 minutos, Dan acordou, Alex disse: — O filme estava ruim pois você apagou.

— Quanto tempo eu dormi?

— Uma hora.

— Porque você não me acordou.

— Você estava dormindo num sono tão tranquilo que eu não quis te acordar.

— Eu preciso voltar pro meu apartamento pois eu trabalho cedo.

— Dormi aqui hoje.

— Alex.

— É só pra dormir, pois já é tarde para você voltar sozinho.

— Ok. Eu durmo nesse sofá.

— Vai dormir na minha cama junto comigo e mais confortável que esse sofá.

— Alexander.

— Larga de pensar em besteira pois eu não vou fazer nada que você não queira.

— Não estou pensando.
— Então vamos dormir.

— Ok.

Sentados no sofá Alex desligou a televisão com o controle, colocou na mesinha, levantou-se primeiro, pegou na mão de Dan com carinho, o ajudou a levantar, andaram até perto da tomada, Alex apagou a luz, foram para o quarto, entraram, Dan soltou a mão de Alex que acendeu a luz, puxou a coberta, deitou-se, antes de chamá-lo, Alex disse que ele podia dormir de cueca boxer que ele usava, Dan sorriu e pra sorte dele usava um short preto, tirou a calça, colocou numa cadeira, Alex abriu o seus braços para receber Dan em seu abraço, Dan deitou-se ao lado dele, Alex o abraçou com carinho e disse: — Durma bem e sonhe comigo.

— Alex.

— Sim.

— Sonhe comigo.

— Sempre.

Ambos dormiram juntos na mesma cama, no dia seguinte, Alex irá na cafeteria onde Dan trabalha para fazer uma surpresa. Mas antes de ir embora para seu apartamento Dan irá tomar um belo café da manhã com Alex.



Após aceitar dormir no quarto de Alex, seu namorado, Dan havia deixado seu celular, carteira e a chave do carro sobre a mesinha.

O dia amanheceu, e Alex abriu os olhos primeiro, sentindo Dan dormir tranquilamente em seus braços. Tentou pegar o celular na mesinha de cabeceira para checar a hora – era uma sexta-feira. No momento em que desbloqueou a tela, Dan se mexeu, abrindo os olhos. Viu Alex concentrado no celular e perguntou: — O que você está lendo com tanta atenção?

— Mensagens da minha mãe.

— Perguntando quando você vai visitá-la.

— Como você sabia?

— Minha mãe também vive me cobrando para visitá-los em outra cidade.

— Por que seus pais não voltam a morar aqui?

— Já se acostumaram com a vida lá.

— Vamos levantar e tomar um belo café da manhã.

Enquanto conversavam, Dan escutou o estômago de Alex roncar, o que foi bastante engraçado. Dan sorriu e provocou: — Alex, esse barulho foi seu estômago morrendo de fome!

— Foi sim.

— Então, vamos logo comer alguma coisa!

— Vamos.

Ambos levantaram-se da cama, Dan vestiu sua calça, Alex pegou seu aparelho celular na mesinha, saíram do quarto, chegaram na cozinha, Dan pegou seu celular que estava em cima da mesa, sentou-se.
Uns 20 segundos depois, Alex arrumou um café da manhã caprichado colocando na mesa, sentou-se de frente ao Dan, colocou seu aparelho celular na mesa, arrumaram o que comer, começaram a comer em silêncio, o celular de Alex vibrou notificando a chegada de uma nova mensagem, pegou, desbloqueou a tela, abriu a mensagem, começou a ler, Dan que estava curioso e disse: — Deve ser algo importante pois está concentrado lendo.

— É mensagem do meu chefe me pedindo um favor para passar num lugar pra pegar uma planta de uma casa.

— Ah, entendi.

Pouco tempo depois, Alex e Dan terminaram o café da manhã. Alex juntou as louças sujas. Dan se levantou, pegou o celular na mão, colocou a carteira no bolso e a chave do carro na outra. Alex também se levantou.

Chegando à porta, Dan calçou os sapatos. Alex o abraçou pela cintura e o beijou demoradamente. Ao parar, Alex disse: — Hoje não tem filmagem, e eu quero muito te ver esta noite.

— Vai ficar com saudades?

— O que você acha?

— Que tal vir jantar e conhecer meu pequeno apartamento hoje?

— Eu topo!

— Umas 20h00?

— Perfeito. Vou ficar contando as horas para poder te ver, te tocar e te beijar de novo.

— Alex, seu bobo.

— Um bobo que te ama.

— Eu preciso ir, tenho que passar no meu apartamento para trocar de roupa e ir trabalhar.

— Você odeia trabalhar naquela cafeteria.

— Eu gosto de trabalhar lá.

— Que bom.

Após trocarem outro beijo, Alex abriu a porta, soltou Dan do abraço. Dan saiu em direção ao elevador, acenou, e a porta fechou.

Após trancar a porta do apartamento, Alex foi até a mesa, recolheu toda a louça e levou para a pia. Pegou o avental pendurado, amarrou na cintura, e começou a lavar, enxaguar e colocar os utensílios no escorredor. Terminando, tirou o avental e o pendurou de volta.

Foi para o quarto, pegou a toalha e entrou no banheiro. Pendurou a toalha, tirou o short e a regata que usava, colocando-os no cesto de roupa suja. Abriu o chuveiro, deixando a água escorrer pelo
corpo nu. Pegou a bucha e o sabonete, ensaboou-se, retirou todo o sabão, fechou o registro. Pegou a toalha, enxugou-se, amarrou-a na cintura e saiu.

No armário, escolheu a roupa. Tirou a toalha, pendurou-a, vestiu-se, penteou o cabelo, arrumou a mochila, calçou uma meia, e saiu do quarto. Na cozinha, pegou o celular que estava na mesa, colocou na mochila, fechou o zíper e a pôs nas costas.

Chegando à porta, calçou os sapatos, abriu a porta com a chave, saiu, trancou, tirou a chave da maçaneta e a guardou no bolso da mochila. Caminhou até o elevador, apertou o botão, e ele parou no 9º andar. Entrou, e uma pessoa que já estava dentro apertou o botão do térreo. Desceu, saiu do edifício, chegou ao seu carro, pegou a chave, abriu a porta, entrou, fechou-a. Colocou a chave na ignição, a mochila no banco ao lado, afivelou o cinto de segurança, ligou o carro e saiu. Passou no local combinado, pegou o que o chefe pediu, e seguiu para a Agência.

Cerca de uma hora depois, Dan chegava ao seu trabalho na cafeteria e Alex à agência. Quando chegou a hora do almoço, Alex teve duas horas livres e uma ideia: fazer uma visita surpresa para o namorado Dan.

Com pressa, Alex pegou o celular e a carteira do bolso da mochila, colocando-os no bolso da calça. A chave do carro na mão. Saiu correndo, chegou ao carro, abriu a porta, entrou. Colocou o celular e a carteira no porta-copos, a chave na ignição, afivelou o cinto de segurança e deu partida.

A cafeteria "Coffee Lab", onde Daniel (Dan) trabalhava em meio período, ficava a poucos metros da agência. Alex chegou, encontrou uma vaga perto da entrada, estacionou, desligou o carro, tirou o cinto. Pegou o celular, a carteira e a chave. Abriu a porta, desceu, fechou, trancou, tirou a chave da maçaneta.

Chegou à porta da cafeteria, abriu e entrou. Alex sentou-se em uma mesa perto da janela e olhou em volta à procura de Dan. Ele o encontrou atendendo uma mesa, de costas. Alex pegou o menu que estava sobre a mesa e o abriu, cobrindo o rosto. Cerca de dez segundos depois, Dan se aproximou, vendo uma pessoa com o menu escondendo o rosto. Sem saber que era Alex, seu namorado, que viera fazer uma surpresa, Dan perguntou: — O que o senhor deseja tomar? Temos: Café preto, Café expresso, Café com leite e chá. E temos salgados e bolo de todos os sabores.

Disfarçando a voz para não ser reconhecido, Alex abaixou a cabeça com um boné que havia comprado antes de chegar, apontou para um salgado no menu e respondeu: — Quero um Café preto e um desse, que é assado.

— Ok. Já volto com o seu pedido, senhor.

— Senhor?

— Alex!

Na mesa, Alex tirou o boné que o disfarçava. Dan ficou surpreso com a visita do namorado no local de trabalho. Alex sorriu e disse: — Oi, amor. Gostou da surpresa?

— Alex, eu não posso conversar com você agora, estou trabalhando.

— Eu não vim te atrapalhar. Só queria um lugar para tomar um café delicioso e lembrei que você trabalhava em um.
— Ainda quer o que pediu?

— Claro.

— Já volto.

— Ok. Eu espero.

Surpreso, Dan foi até o balcão e fez o pedido para Anny, uma atendente que notou algo diferente. Anny perguntou: — Daniel, o que há entre você e aquele cliente?

— Ninguém pode saber que ele é meu namorado e que veio me fazer uma surpresa.

— Namorado?!

— Sim. E anda logo com o pedido.

— Dan...

— Fala.

— O seu namorado é um gato!

— Ele era meu vizinho, até meus pais decidirem mudar para outra cidade.

— E se reencontraram onde?

— Na filmagem de um programa de culinária.

— Uau. Seria um belo enredo para um filme romântico.

— Mas é vida real, não um filme.

Cerca de dez minutos depois, o pedido de Alex ficou pronto. A amiga Anne foi até a cozinha buscar o pedido, voltou com a bandeja e colocou no balcão. Anne disse: — Leva lá o pedido do seu namorado gato.

— Amiga!

— Mas é verdade.

Antes de pegar a bandeja, Dan sorriu com o comentário da amiga. Pegou a bandeja e foi até a mesa onde Alex estava, sorrindo para ele.

Colocou na mesa e disse: — Aproveite bem o seu lanche.

— Obrigado. Quando termina o seu turno?

— Daqui a umas três horas.

— Então, eu só vou te ver à noite, no seu apartamento.
— Isso. Preciso voltar ao trabalho, senão meu chefe briga comigo.

Sentado, Alex pegou a mão de Dan carinhosamente, disfarçando por alguns segundos, e disse: — Eu amo você.

— Alex, aqui não é lugar para fazer essas declarações de amor.

— Não tem ninguém olhando.

— Mesmo assim...

— Alex, preciso ir atender aquela mesa agora.

— Ok, amor da minha vida.

Mesmo não querendo soltar a mão de Dan, que precisava atender outra mesa, Alex o soltou. Começou a comer salgado e tomar o café. Dan voltou a atender outros clientes, mas, mesmo trabalhando, olhava para Alex.

Após terminar o lanche, Alex chamou. Dan se aproximou, sorriu e perguntou: — O senhor deseja mais alguma coisa?

— Quero a conta.

— Já volto.

— Ok, amor.

— Alex, pare com isso!

— Parei.

— Jura?

— Vai lá buscar a minha conta, meu horário de almoço está acabando e preciso voltar para a agência.

— Volto já.

— Você já disse isso antes, amor.

Tentando não beijá-lo ali, pois era seu local de trabalho e havia muita gente, Dan se afastou, foi até a amiga e pediu a conta. Anny fechou a conta e a entregou. Anny perguntou: — O seu namorado gato já está indo embora?

— Está voltando para a agência onde ele trabalha.

— Agência de quê?

— Ele é arquiteto.

— Além de ser gato, é arquiteto!
— E beija maravilhosamente bem.

— Você está se gabando!

— Vou lá levar a conta dele.

— Vai lá e aproveita para roubar um beijinho do seu namorado gato e arquiteto.

Após a breve conversa com a amiga, Dan foi até Alex, colocou a conta na mesa e disse: — Aqui está a sua conta, senhor.

— Quando estivermos sozinhos, você vai me pagar caro por ficar me chamando de senhor.

— Alex...

— Adorei o sabor do salgado e do café.

— Obrigado, senhor, por ter gostado.

— De nada.

Ouvindo Dan chamá-lo de senhor novamente, Alex sorriu. Colocou o dinheiro na mesa, levantou-se e saiu pela porta. Dan olhou para Anne, que fez um gesto para ele ir atrás. Dan correu até o carro de Alex e chamou: — Alex!

— Oi, amor.

— Alex, você me pegou de surpresa vindo aqui no meu trabalho.

— Na verdade, eu queria tomar um café saboroso e lembrei que você trabalha aqui.

— Alex, como você vai me fazer pagar por ter te chamado de 'senhor'?

— Vou te beijar até você ficar sem ar.

— Alex...

— E eu só vou transar com você quando você estiver pronto e realmente quiser.

— Ah! Você sempre me surpreende!

— Preciso ir, te vejo à noite no seu apartamento.

— Ok. Cuidado ao voltar para a agência.

— Pode deixar. Amo você.

Depois de trocarem as últimas palavras, Alex abriu a porta com a chave, entrou, fechou a porta, colocou seus objetos no porta-copos, a chave na ignição, ligou o carro e saiu.
Dan voltou para a cafeteria, deu a volta no balcão e entrou. Anny perguntou: — Deu um beijinho de despedida no seu namorado gato e arquiteto?

— Não beijei.

— Por quê, amigo?

— A gente não faz isso em público.

— Vocês formam um casal tão fofo.

— Valeu.

— Dan, vocês já fizeram aquilo?

— Ainda não.

— Ele é um pacote completo!


Algumas horas depois, Dan terminou seu turno e foi para casa. Alex passou no apartamento dele, trocou de roupa e depois foi para o de Dan. Cerca de vinte minutos depois, chegou, estacionou perto da entrada do edifício.
Fez todo o procedimento de segurança, chegou à porta, e Dan abriu. Alex entrou, fechou a porta, trancou, e colocou a mochila no sofá…



Algumas horas depois Dan terminou seu turno, foi embora para seu apartamento, Alex passou no apartamento dele, depois foi para o de Dan, uns 20 minutos depois, chegou, estacionou perto da entrada do edifício, fez tudo, chegou na porta, Dan abriu a porta, Alex entrou fechou a porta, trancou, colocou sua mochila no sofá, chegou no balcão, abraçou seu namorado pela a cintura, pegou no queixo dele, começou o beijar sem pressa, enquanto se beijavam, Alex sentou o cheiro de algo queimando e perguntou: — Amor você também está sentindo o aroma de algo queimando?

— Nosso jantar.

— Descobrir um novo modo de te distrair.

— Alex me solta antes que a panela pegue fogo e os vizinhos chamem o bombeiro.

Começando a sorrir Alex soltou seu namorado Dan de seu abraço, Dan correu até ao fogão, desligou o fogo, colocou a panela dentro da pia, jogou água para esfriar, Alex perguntou: — Amor queimou muito?

— Você quer a verdade?

— Nem precisa responder pois o seu rosto já me disse.

— E o que vamos comer agora?

— E o que tem de ingredientes no seu armário e geladeira.

— Macarrão, extrato de tomate, mussarela, azeitona e verduras.

— Pode pegar tudo disse que colocar em cima do balcão.

— Claro.

— Vou caprichar nesse macarrão que você vai querer comer a panela.

— E o mínimo, pois você me fez deixar queimar o que eu estava fazendo.
— E o que pretendia fazer para comermos.

— Esquece pois não vai rolar.

— Desculpe amor se te fiz deixar queimar o que pretendia fazer.

— Tudo bem.

— Vou te compensar.

— Vamos parar de conversar à toa e fazer logo a comida pois estou morrendo de fome.

— Ok. Mas vou precisar da sua ajuda.

— Tá.

Mesmo se sentindo culpado Alex iria compensar seu amor com uma comida que o fará querer comer a panela, Dan pegou todos os ingredientes no armário, na geladeira, colocou em cima do balcão, Alex achou um avental, amarrou em sua cintura, começou a cortar as verduras, Dan o macarrão.

Mais ou menos uns 40 minutos, ambos terminaram de fazer o jantar, colocaram em seus respectivos pratos com os talheres, chegaram na mesa, sentaram-se um ao lado do outro, Alex disse: — Esqueci de tirar o vinho de dentro da minha mochila.

— Eu vou lá pegar.

— Vamos fazer assim: Eu pego a garrafa e você os copos.

— Ok.

Ambos levantaram-se da cadeira, Alex pegou a garrafa de vinho na mochila, Dan os copos no armário, Ambos voltaram à mesa, e Alex serviu o vinho nas taças. Ele levantou a sua e sorriu para Dan.

— Um brinde ao nosso jantar não-queimado, e à sua distração perigosa — brincou Alex.

Dan riu, erguendo a taça. — Um brinde ao cozinheiro que salvou a noite e à sua compensação.

Eles brindaram, beberam um pequeno gole, e começaram a comer. O macarrão estava delicioso, com um molho de tomate robusto, azeitonas saborosas e a muçarela derretida.

— Isso está realmente incrível, Alex. Eu estava certo: é o melhor macarrão que você já fez, — admitiu Dan, pegando mais uma porção.

— Que bom que você gostou, amor. Eu disse que ia caprichar, — Alex sentiu-se aliviado e feliz. — Acho que o ingrediente secreto foi o remorso.

— É uma boa motivação, — Dan piscou. — Sério, é reconfortante ter momentos assim, só nós dois, depois de um dia longo.
— Eu concordo. Trabalhar na cafeteria pode ser exaustivo, mas pensar que vou te ver no final do dia faz tudo valer a pena, — Alex colocou a mão sobre a de Dan na mesa.

Eles continuaram a comer, conversando sobre o dia de trabalho de Dan e sobre os planos de Alex para o fim de semana. O som suave do jazz que Alex tinha colocado para tocar preenchia o ambiente, misturando-se ao tilintar dos talheres.
Quando terminaram de comer, Alex olhou para Dan, que estava com uma expressão satisfeita.

— E então? Quer comer a panela agora? — perguntou Alex, sorrindo.

— Quase. Mas acho que estou cheio demais para isso, — Dan respondeu, se recostando na cadeira.

— Pelo menos por enquanto.

— Ótimo. Agora, a próxima parte da compensação é a louça. E não se preocupe, eu lavo tudo.

— Você tem certeza? Eu posso te ajudar, — ofereceu Dan.

— Não. Hoje é por minha conta. Você só precisa escolher o que vamos assistir depois, — Alex se levantou e começou a recolher os pratos.

Dan observou o namorado indo para a pia. A cozinha, antes com o cheiro de queimado, agora estava acolhedora com o aroma do macarrão e do vinho. Ele sentiu uma onda de carinho, percebendo como Alex se esforçava para cuidar dele.

Dan se levantou, foi até o namorado na pia e o abraçou por trás, beijando-lhe a nuca.

— Obrigado, Alex. Por tudo, — sussurrou.

— De nada, meu amor, — Alex sorriu, continuando a esfregar a panela. — Agora vai lá escolher o filme, senão eu que vou te distrair de novo.

Dan apertou o abraço mais uma vez antes de ir para a sala, ligar a TV e começar a procurar algo bom para assistirem, enquanto Alex terminava de organizar a cozinha.

Em pouco tempo, Alex terminou de lavar a louça e enxugou as mãos, sentindo-se vitorioso. Ele foi até a sala, onde Dan já estava deitado no sofá, envolvido em um cobertor macio, com a TV pausada na tela de seleção de filmes.

— Escolheu algo? — perguntou Alex, sentando-se no espaço que Dan havia deixado.

— Sim. Pensei em um drama romântico bem clichê. É um filme que você adora e que me faz dormir em quinze minutos, — Dan respondeu, fazendo-o rir. — Mas hoje estou disposto a me sacrificar pela sua alegria.

— Você é o melhor, — Alex se aninhou ao lado dele, ajustando a posição para apoiar a cabeça no peito de Dan.

Dan passou o braço por cima dele, abraçando-o. O cheiro de sabonete e o calor do corpo de Dan eram o conforto perfeito.

— Aperta o play, então.
Dan deu o play, e a sala foi preenchida pelas vozes dos atores e pela trilha sonora do filme. Nos primeiros minutos, Alex assistia atentamente, enquanto Dan lhe fazia um carinho lento e ritmado no cabelo.

Com o passar do tempo e o efeito da comida, do vinho e do aconchego, o filme rapidamente se tornou um mero ruído de fundo. Alex levantou a cabeça e viu que Dan já estava com os olhos quase fechados.

— Eu sabia, — ele murmurou, sorrindo.

— Não é culpa minha. O sofá, o cobertor, o seu cheiro... é uma armadilha, — Dan respondeu com a voz arrastada, mas sem abrir os olhos.
Alex riu baixinho. Ele beijou o queixo de Dan e se aconchegou novamente.

— Tudo bem. Vamos para a cama, então?

Dan assentiu, mas não se moveu. Alex teve que dar um pequeno empurrão para que ele se levantasse. Eles desligaram a TV e caminharam, abraçados, até o quarto de Dan.

O quarto estava escuro e silencioso. Eles tiraram as roupas, devagar, sem pressa, deixando o cansaço do dia dar lugar a uma intimidade calma.
Deitados na cama, sob o edredom, Alex se virou para Dan. Ele tocou o rosto dele com ternura, traçando o contorno de sua mandíbula.

— A melhor compensação foi passar esses momentos simples com você, — sussurrou Alex.

— Para mim também, — Dan respondeu, segurando a mão de Alex e beijando-a.

Eles se beijaram, um beijo suave, profundo, que transmitia não apenas paixão, mas a segurança e o conforto de terem um ao outro. Não havia necessidade de pressa ou fogos de artifício; apenas a conexão silenciosa de dois homens que se amavam, encerrando um dia imperfeito com um final perfeito.

Abraçados, sentindo o calor um do outro, eles adormeceram, prontos para descansar e encarar o dia seguinte juntos.



O sol da manhã entrava pela janela do quarto de Alex, mas ele não estava totalmente descansado. A noite anterior havia sido passada entre a euforia da vitória e o calor inesperado do beijo de Daniel.
Ele acordou com uma mensagem de texto de Daniel: "Bom dia, parceiro. Ou devo dizer, amor? Não se atrase. Temos que planejar o tema 'Segunda Chance' e, por acaso, nosso encontro de namorados do dia e chego ai às 9 da manhã." Alex riu, o coração dando um salto.

Daniel chegou exatamente às 9 da manhã trazendo pães frescos e um buquê de flores (claramente comprado para manter as aparências). Alex sorria como nunca o que ouviu de seu então namorado fake: — Cheguei com o café da manhã reforçado, mon amour, Daniel entregou as flores com um sorriso largo. — Nunca se sabe quando a Sra. Magda tem um drone de vigilância.

— Muito convincente — brincou Alex, pegando as flores e cheirando-as. — Pelo menos a farsa tem cheiro bom.

Eles se sentaram à mesa da cozinha, que logo se transformou em uma bancada de planejamento.

— Ingrediente principal: chocolate. Tema: Segunda Chance — recapitulou Alex. — O chocolate precisa ser o foco, mas a “Segunda Chance” precisa ser a história.

— Exatamente. Chocolate é indulgência, paixão, e recomeço — disse Daniel, pegando um tablete de chocolate 70% cacau que Alex havia deixado sobre a mesa.

Daniel quebrou um pedaço e estendeu a mão para Alex e pediu: — Prova.

Alex mordeu o chocolate diretamente da mão de Daniel. O cacau amargo inundou sua boca, e o contato visual intenso fez a familiar eletricidade retornar.

— Ótimo — murmurou Alex, sentindo que o chocolate não era a única coisa intensa ali.

— Pense assim: o que representaria a nossa 'Segunda Chance'? A chance que a vida nos deu para recomeçar a amizade... e o que mais vier — Daniel deixou a frase no ar.
— Talvez algo que pareça simples por fora, mas seja complexo por dentro — sugeriu Alex, tentando focar na receita. — Que tal um fondant? É um clássico que, se der errado, vira um bolo chato. Se der certo, tem um centro líquido. É o risco do recomeço.

— Um fondant é bom, mas vamos relevar isso. Que tal um Trio de Texturas de Chocolate: O Recomeço?

Alex se animou com a ideia e pediu: — Explica.

— Usamos o chocolate 70% cacau como base: um Brownie Quente (a solidez da nossa amizade), sobre ele, colocamos uma Mousse de Chocolate Branco Aromatizada com Gengibre (o inusitado, o novo, a paixão que surgiu).

— E a terceira textura? — perguntou Alex.

— Uma Calda de Chocolate Amargo com um toque de pimenta caiena, servida quente. A pimenta é o toque de "você está me tirando do sério" que o amor pode ter.

Alex riu, imaginando a reação dos jurados ao sabor picante.

— A Sra. Magda vai amar a história e a pimenta. Mas o que isso tem a ver com a Segunda Chance? Daniel se inclinou sobre a mesa, o rosto muito próximo ao de Alex.

— O Brownie é o passado firme. O Mousse é a incerteza do presente, leve e doce, mas nova. E a calda quente é a decisão de misturar tudo. Você tem que quebrar a casca do passado para liberar a paixão do presente.

Alex ficou sem palavras. O plano era brilhante, não apenas na culinária, mas na história que contava sobre eles, Alex comentou: — Daniel, isso é... perfeito. A gente precisa ensaiar.

— Ótimo. Mas primeiro... — Daniel pegou uma das flores que Alex havia deixado na bancada e colocou-a atrás da orelha de Alex. — É hora do nosso "almoço romântico". E você tem que me beijar de novo.

Alex revirou os olhos, mas não resistiu. Ele colocou as mãos no pescoço de Daniel e o puxou para um beijo longo e carinhoso. Era um beijo de "namorados", mas a cada toque, a linha entre a atuação e a realidade ficava mais fina. O chocolate amargo que Daniel acabara de comer era a única coisa amarga que Alex sentia naquele momento.

— Esse era o toque de "você está me tirando do sério" da pimenta que ainda nem usamos — Alex sussurrou.

— A pimenta é só para os jurados — Daniel sorriu, voltando à receita com um brilho nos olhos. — Para a gente, é só a doçura do reencontro. Vamos começar o preparo do brownie. O próximo passo é não perder a competição, nem perder a cabeça.

Enquanto a tarde avançava, eles cozinhavam e flertavam, a cozinha cheia de farinha, chocolate derretido e risadas. O "encontro falso" se transformou no primeiro de muitos encontros reais, onde a intimidade era construída sobre a base sólida da amizade reencontrada.

O desafio agora não era mais vencer a competição, mas sim entender o que fariam com a "Segunda Chance" que o destino lhes havia dado.
Na noite seguinte, na segunda gravação: “A segunda chance”, o estúdio parecia ainda mais quente do que no dia anterior. Desta vez, Alex e Dan trabalhavam com uma confiança notável, a sinergia entre eles agora alimentada não só pelo fingimento, mas pela intimidade recém-descoberta. O aroma doce e picante do chocolate com pimenta pairava no ar.

Faltando cinco minutos para o final, o Trio de Texturas de Chocolate estava pronto: um brownie denso e morno na base, coberto pela mousse branca e aerada de gengibre, e a calda de chocolate amargo com um leve toque de pimenta caiena servida ao lado em um pequeno ramequim.

Quando Matheo deu o sinal, eles levaram o prato à bancada.

— Bancada 4: Alexander e Daniel. O tema de hoje: "A Segunda Chance" e o ingrediente: Chocolate
— começou Matheo — Apresentem seu prato.

Alex tomou a palavra, mas desta vez, não estava apenas atuando. Ele olhou para Daniel ao seu lado. Alex começou: — Chefes, hoje trazemos o "Trio de Texturas de Chocolate: O Recomeço". Usamos o chocolate 70% cacau como a espinha dorsal da nossa história.

Daniel continuou, entrando na narrativa com paixão: — O prato tem três partes que representam as fases de uma segunda chance. O Brownie é o passado: sólido, firme, a base de uma amizade que parecia esquecida.

Alex apontou para a camada intermediária.

— O Mousse de Chocolate Branco e Gengibre é o presente. Leve, inusitada e cheia de novos sabores. Representa a surpresa e a incerteza que vêm quando você encontra alguém importante de novo.

— E, por fim — concluiu Daniel, pegando o ramequim da calda —, a Calda de Chocolate Amargo com Pimenta Caiena. Esta é a decisão. O recomeço. É o toque quente e intenso que você adiciona quando decide que vale a pena arriscar, quebrando a base e misturando o passado com o presente para criar o futuro.

Os jurados se entreolharam, impressionados com a profundidade da apresentação.

Chef Helena pegou uma colher e mergulhou nas três camadas de uma vez. Ela provou, e sua expressão séria suavizou-se ligeiramente. Helena comentou: — O brownie está perfeitamente úmido. O mousse de gengibre é um excelente contraponto, limpando o paladar do cacau intenso.

Chef Rossi, o especialista em sabores, estava intrigado também falou: — Gostei da forma como vocês contaram a história. Mas me digam, o chocolate branco não é um risco contra o amargo? Poderia ser doce demais.

— Foi nosso maior risco — respondeu Alex, sorrindo. — Mas a segunda chance sempre envolve riscos. Usamos o gengibre para dar o frescor e o toque de surpresa mantendo o equilíbrio.

A Sra. Magda, que havia observado a dupla com atenção durante toda a prova, pediu que trouxessem a calda. Ela derramou-a sobre uma pequena porção do prato.

— Certo. Vamos ver se essa "decisão" é sábia — disse ela, provando a colher.
O silêncio voltou. Alex e Daniel observaram enquanto a crítica gastronômica processava o sabor. A Sra. Magda largou a colher, o queixo apoiado na mão.

— Alexander e Daniel, vocês são fascinantes. Primeiro, um beijo no estacionamento; agora, me servem um prato que é, na verdade, uma declaração de amor embalada em metáforas.

Alex e Daniel trocaram um olhar rápido e ensaiado, corando levemente.

— A pimenta caiena... é o que faz este prato. É sutil, mas está lá. É o tempero da paixão que nunca esfria. É a parte que o casal sente, mas que o mundo só percebe se provar a fundo — Sra. Magda sorriu, satisfeita com a própria análise. — Vocês pegaram um tema abstrato e transformaram em uma experiência sensorial e emocional completa.

— Tecnicamente, a execução é limpa — interveio Chef Helena. — Não há dúvidas de que vocês funcionam. A história de vocês é o que vende o prato, mas a comida é o que o sustenta.

Matheo retornou ao centro e disse: — Excelentes comentários para a bancada 4, que continua a surpreender.

Alex e Daniel voltaram para a bancada, aliviados e extasiados. A cada elogio, a mentira se tornava mais real. A cada olhar trocado, a farsa parecia menos um jogo e mais um pretexto para um reencontro que estava destinado a acontecer. Eles haviam vencido o segundo desafio, não apenas culinário, mas emocional.



O estúdio estava uma loucura de sons de batedeiras e panelas batendo. O tema do dia foi anunciado: "Releituras de Clássicos Românticos".
Alex olhou para os ingredientes disponíveis na bancada e sorriu. Ele sabia exatamente o que fazer.

— Dan, você confia em mim? — perguntou Alex, amarrando o avental.

— Minha vida está nas suas mãos, Chef — brincou Daniel, tentando disfarçar o nervosismo com as câmeras.

— Vamos fazer uma Verrine de Romeu e Julieta desconstruída. É algo que comíamos quando crianças, lembra do doce de goiaba que a minha mãe fazia? Mas vamos fazer parecer chique.

Os olhos de Daniel brilharam com a lembrança. Dan perguntou: — Perfeito. O que eu faço?

— Você fica com o creme de queijo. Precisa ser suave, aerado. Bata o mascarpone com o queijo minas curado e o creme de leite fresco. Mas cuidado para não talhar.

Enquanto Alex preparava a redução de goiaba com vinho do porto no fogão, o cheiro doce começou a subir, misturando-se com o aroma cítrico das raspas de limão que Daniel manuseava. Eles trabalhavam em um ritmo sincronizado, quase como se nunca tivessem se separado. Alex cortava, Daniel batia. Alex temperava, Daniel provava.

Em um momento, Daniel desligou a batedeira e franziu a testa e disse: — Alex, acho que falta açúcar.

Alex se aproximou, invadindo o espaço pessoal de Daniel sem perceber e falou: — Deixa eu ver.

Daniel mergulhou a ponta do dedo mindinho no creme e levou à boca de Alex. O gesto foi tão natural que ambos congelaram por um segundo quando os lábios de Alex tocaram o dedo de Daniel.

O apresentador Matheo, que passava por perto, notou a cena e sorriu para a câmera e disse: — Vejam só, o casal da bancada 4 está adoçando a competição.
Alex sentiu o rosto esquentar, mas aproveitou para manter o personagem. Ele segurou o pulso de Daniel suavemente e disse: — Está perfeito, amor. O doce da goiabada vai equilibrar o salgado do queijo.

— Se você diz... — Daniel sorriu, e dessa vez, o sorriso não pareceu fingido.

Faltavam 10 minutos. Era hora de montar as taças. Essa parte exigia precisão de quatro mãos.

— Eu coloco a farofa no fundo, você vem com o saco de confeitar e põe o creme — comandou Alex.
— E eu finalizarei com a calda quente.

Eles se moveram como uma dança. Alex colocava a base crocante. Daniel, concentrado, apertava o saco de confeitar, criando espirais perfeitas de creme branco. Alex vinha logo atrás, derramando a calda vermelho-rubi que escorria pelas laterais do vidro.

Para finalizar, Alex pegou uma pinça para colocar uma pequena folha de hortelã e grãos de pimenta rosa no topo. Suas mãos tremiam levemente pela adrenalina.

Daniel percebeu. Ele colocou a mão sobre a de Alex firmando-a e disse: — Calma. Juntos, lembra?

Com a ajuda de Daniel, Alex depositou a decoração final. A sobremesa estava linda: camadas distintas de textura e cor, gritando sofisticação, mas com alma de comida de casa.

— Acabou o tempo! — gritou Matheo.

Os dois se afastaram da bancada, respirando fundo. Olharam para as três taças perfeitas à frente deles.

— Como vamos chamar? — perguntou Daniel, limpando uma mancha de farinha na bochecha de Alex com o polegar.

Alex olhou para a sobremesa, que misturava o passado deles com o presente incerto e disse: — "Doce Reencontro".

Daniel o encarou, surpreso e chocado e disse: — É um belo nome. Ainda surpreso com o nome, era hora dos jurados provarem.

Após uns 40 minutos, um dos jurados pede: — Bancada 4: Alexander e Daniel, por favor, tragam o prato — anunciou Matheo, sua voz ecoando pelo estúdio silencioso.

O coração de Alex disparou. Ele olhou para as taças na bancada, verificando pela milésima vez se estavam perfeitas. Sentiu uma mão quente em suas costas, empurrando-o suavemente.

— Vai dar tudo certo. Elas estão lindas — sussurrou Daniel, sua voz calma servindo de âncora para o nervosismo de Alex.

Alex assentiu, pegou a bandeja com as três taças com verrines e caminhou em direção à mesa dos jurados. Daniel o seguiu de perto, e, pouco antes de chegarem à frente da bancada de julgamento, colocou a mão na cintura de Alex, um gesto possessivo e protetor que não passou despercebido pelas câmeras.
Eles depositaram as taças diante dos três jurados: Chef Helena (conhecida por ser técnica e rigorosa), Chef Rossi (especialista em sabores tradicionais) e a crítica gastronômica Sra. Magda (aquela que os vira no estacionamento).

— Apresentem o prato — pediu Chef Helena, cruzando os braços.

Alex pigarreou, tentando firmar a voz e começou a falar: — O que trouxemos hoje é uma releitura de um clássico que marcou a nossa infância: o Romeu e Julieta. Nós o chamamos de "Doce Reencontro".

Romeu e Julieta... — comentou a Sra. Magda, arqueando uma sobrancelha. — Queijo com goiabada. Uma escolha arriscada pela simplicidade. O que o torna especial?

Daniel tomou a frente de Alex que estava nervoso, respondeu com um sorriso charmoso: — Assim como em um relacionamento longo, o segredo não é reinventar a roda, mas sim aprimorar os detalhes. — Daniel olhou para Alex enquanto falava. — A base é um crumble crocante de
castanha-de-caju para dar textura. O creme é uma mousse aerada de mascarpone com queijo minas curado e raspas de limão siciliano.

— E a cobertura — completou Alex, sentindo-se mais confiante com o apoio do amigo — é uma redução rústica de goiaba com vinho do Porto e pimenta rosa. Queríamos o equilíbrio entre o doce, o salgado e o picante. A doçura da memória com a intensidade do... presente.

Os jurados pegaram suas colheres. O estúdio ficou em silêncio absoluto. Alex podia ouvir o som das colheres quebrando a farofa no fundo do vidro.

Um dos jurados chamado Chef Rossi foi o primeiro a provar. Ele fechou os olhos, deixando o sabor assentar e emitiu um som de … Hum!

Chef Helena analisou a textura do creme, erguendo a colher contra a luz antes de levar à boca. Sua expressão era ilegível.

A Sra. Magda provou, limpou o canto da boca com o guardanapo e fitou os dois rapazes. O silêncio durou uma eternidade. Alex apertou as mãos atrás das costas, as unhas cravando na palma.
— A pimenta rosa... — começou Sra. Magda. — Foi uma jogada ousada. Alex prendeu a respiração. Erramos, pensou ele.
— Mas absolutamente genial — completou ela, abrindo um sorriso raro. — Ela corta o açúcar da
goiaba e eleva o vinho do Porto. É um sabor adulto, sofisticado. Tem personalidade. Alex soltou o ar, aliviado.
A Chef Helena assentiu, concordando. Provou de novo um pouco mais e disse: — Tecnicamente, a mousse está impecável. O queijo minas poderia ter deixado a mistura pesada ou granulosa, mas vocês conseguiram uma aeração de nuvem. É leve, mas o sabor do queijo está presente.

— O que eu mais gostei — interrompeu o Chef Rossi — foi a harmonia. Muitas duplas aqui tentaram fazer coisas complexas e os sabores brigaram entre si. O prato de vocês conversa. O crocante conversa com o creme, que abraça a goiabada. — Ele apontou a colher para eles. — Dá para sentir que quem fez isso tem sintonia. Tem química nesse prato.
Daniel sorriu e, num impulso de celebração, puxou Alex para um abraço de lado, beijando-lhe a têmpora e falou: — Obrigado, Chef. A gente se entende bem.

— Percebe-se — disse a Sra. Magda, anotando algo em sua prancheta com um olhar cúmplice. —
"Doce Reencontro" é um nome muito apropriado. Aprovado.

O apresentador Matheo voltou ao palco, sorridente e disse: — Fortes elogios para a bancada 4! Podem retornar.

Enquanto voltavam para sua estação, longe dos microfones dos jurados, Alex sentia as pernas bambas, mas de euforia e perguntou: — Você ouviu isso? — Alex sussurrou, os olhos brilhando. — "Impecável". "Genial".

— Eu ouvi — disse Daniel, parando e segurando os ombros de Alex, olhando-o nos olhos. — Eu sabia que sua ideia era boa. Você é um excelente cozinheiro, Alex.

— Nós somos uma excelente dupla — corrigiu Alex.

Daniel sustentou o olhar por um segundo a mais do que o necessário para o amigo, o sorriso morrendo lentamente para dar lugar a uma expressão mais intensa e disse: — É... nós somos.

Por um momento, ali no meio do estúdio barulhento, parecia que só existiam os dois. No noite seguinte na gravação Alex e Dan terão que fazer uma declaração de amor um para o outro depois da prova. Alex em sua declaração pegará Dan com uma surpresa?



No estúdio de gravação, as luzes brilhantes e o silêncio expectante da plateia pesavam sobre os ombros de Alex e Dan. Eles tentavam manter a postura diante das câmeras, mas, por dentro, o nervosismo era uma corrente elétrica.

Quando o apresentador anunciou que era a vez de Dan, Alex buscou a mão do companheiro. O toque era um porto seguro. Em vez de encarar a lente fria da câmera, Dan virou-se totalmente para Alex, mergulhando daqueles olhos conhecidos de Alex e começou: — Alexander ou Alex… Você sempre foi meu melhor amigo, e vizinho que eu nunca quis perder. Quando me mudei com meus pais, o rio que levou meu celular pareceu levar também a minha chance de te ter por perto. Sem senhas, sem redes sociais, eu achei que você viraria apenas uma lembrança doce.

Dan deu um passo à frente, ignorando os jurados e a produção.

— Mas o destino é teimoso. Voltei para esta cidade com o objetivo secreto de te achar, mas nem precisei procurar; a vida te colocou na minha frente de novo. Eu tive medo, tive vergonha de te chamar para sair, mas você teve a coragem que me faltava. Aquela nossa primeira noite foi o início da melhor fase da minha vida. Você é o presente que eu não sabia que merecia.
Hoje, eu sou completo porque você me valoriza exatamente pelo que eu sou. Obrigado por ser a razão dos meus sorrisos fora de hora. Eu te amo, hoje e para sempre. Alex não importa se estamos juntos a poucos meses ou anos pois tenho a sensação de que sempre te amei mas só não tinha me dado conta do quanto. A minha vida mudou depois que te reencontrei! Quero que você saiba que você foi o melhor presente que já ganhei! Nesse tempo que passamos juntos, sinto que nunca estive tão feliz e completo. Quando o nosso relacionamento começou, não imaginava que em pouco tempo você se tornaria alguém tão importante pra mim. Não imaginava que iria encontrar alguém que me valorizasse e me amasse pelo que eu sou. E eu só tenho a te agradecer, meu amor, por ser a maior razão da minha felicidade e dos meus sorrisos fora de hora. Por todos os momentos incríveis que passamos juntos e pelos muitos outros inesquecíveis que ainda virão! Te amo demais e pra sempre!

Lágrimas silenciosas rolavam pelo rosto de Alex. Com delicadeza, Dan soltou sua mão por um segundo apenas para enxugar, com os polegares, o rastro úmido que descia pelo nariz do amado. Um dos jurados, visivelmente comovido, limpou os próprios olhos.

— Daniel, isso foi... arrebatador. Realmente emocionante.
— Eu só deixei meu coração falar — respondeu Dan, com um sorriso tímido.

— Alexander — chamou o apresentador —, agora a palavra é sua.

— Só um minuto.

Alex respirou fundo, tentando estabilizar o oxigênio nos seus pulmões. Dan segurou sua mão novamente, oferecendo o suporte de que ele precisava e disse: — Alex fale o que seu coração manda.

Depois de respirar fundo para controlar as suas emoções depois da declaração de amor, Dan segurava a mão de Alex com carinho e sorrindo, Alex continuou: — Daniel ou Dan, depois que você se mudou com seus pais para outra cidade, eu fiquei triste, mas mantivemos contato por WhatsApp por um tempo, até que você parou de responder as minhas mensagens e nem sabia o motivo do sumiço. Mas de alguma forma eu tinha certeza de que algum dia nós iríamos nos reencontrar de novo, só não sabia que o destino agiria logo. Desde que reencontrei você, meu mundo ganhou mais cor. Tudo o que eu precisava, tudo o que eu procurava, encontrei em você! Sei que às vezes é difícil demonstrar o amor com palavras, elas nem sempre são suficientes, mas espero te mostrar com as minhas atitudes. Um carinho, um abraço, um gesto romântico fora de hora. E eu que achava que sabia de tantas coisas, fui apresentado a um novo universo quando te reencontrei. Descobri que vale a pena correr o risco de se entregar por completo. E que é, sim, possível amar ainda mais uma pessoa com o passar do tempo.
Meu amor, Você é a coisa mais bonita que me aconteceu. Penso em como era a vida antes de reencontrar e não consigo ter nem uma lembrança sequer. Isso porque a vida sem você não existe. Você é a minha luz, o meu caminho, o meu mundo. Daniel eu te amo mais que tudo.
Quero viver o resto da minha vida ao seu lado. Não sabia que o amor da minha vida seria meu melhor amigo e meu antigo vizinho. Se você permitir eu quero ser a pessoa que vai te fazer feliz. Eu te amo para sempre. Quero te fazer um pedido.

Que pedido Alexander?

Antes de fazer o pedido, Alexander pegou uma caixinha no bolso da frente com uma mão, com a outra mão, abriu e perguntou: — Daniel, você quer casar comigo?

O silêncio foi absoluto por dois segundos, quebrado apenas pelo suspiro coletivo da plateia. Dan estava estático, o choque estampado em seu rosto. Alex apesar de estar com os seus olhos vermelhos de tanto chorar de emoção, Dan perguntou: — Alex... isso é sério?

— Mais sério do que qualquer coisa que já fiz na vida, meu amor. Não precisa responder agora se não estiver pronto, eu espero o tempo que for...

— Não precisa esperar — interrompeu Dan, com um sorriso radiante que iluminou o estúdio. — Eu já tenho a minha resposta definitiva. Eu aceito. Mil vezes sim!

Um "Wow" uníssono explodiu no auditório seguido de aplausos calorosos. Alex deslizou a aliança pelo dedo de Daniel e, ao se levantar, envolveu-o pela cintura em um beijo profundo e apaixonado, esquecendo-se completamente de que o mundo inteiro estava assistindo.

— Uma declaração e um pedido surpresa! — exclamou o apresentador, aproximando-se do casal. — Alexander, você realmente subiu o nível deste programa!
— Eu só quero viver ao lado dele para sempre — declarou Alex, sem soltar o agora noivo.

— E você, Daniel? Como se sente?

— Eu não encontrei apenas um marido — respondeu Dan, encostando sua testa na de Alex.

— Eu finalmente me encontrei na minha alma gêmea.

Quando a gravação do quadro de declaração de amor terminou, Alex e Dan irão comemorar o novo status do relacionamento deles tendo a primeira vez agora consentido



Alexander fechou a porta do apartamento 309 com um clique decisivo. O mundo das câmeras, jurados e competidores havia ficado para trás.

Eles soltaram as mãos ao mesmo tempo e se viraram um para o outro, a euforia da vitória ainda pairando no ar.

— Ganhamos! — exclamou Daniel, levantando os braços. — Nós realmente ganhamos, Alex!

Alex riu, um som genuíno e relaxado que Daniel não ouvia há mais de uma década e falou: — Eu não acredito! Seu palpite sobre a pimenta rosa foi genial! E o seu creme, Dan, estava impecável!

— Nosso. Era nosso creme. — Daniel corrigiu, aproximando-se. — Você viu a cara da Sra. Magda? Ela está convencida de que somos o casal mais apaixonado da competição.

— Sim, eu vi. E nós temos que continuar convencendo — disse Alex, a voz ficando subitamente mais baixa. Ele pegou o pequeno troféu do dia na mochila. — Você merece metade disso.

— Na verdade, nós merecemos uma cerveja para comemorar — propôs Daniel.

— Cerveja. Ótimo plano. Sente-se no sofá. Eu já volto.

Alex foi até a cozinha, pegou duas garrafas de cerveja gelada na geladeira e dois copos, voltando para a sala. Daniel já estava sentado, relaxado, com os olhos fixos na foto de família na estante. Aquele breve momento de reencontro entre amigos parecia ter voltado, superando a farsa do namoro.

— O que estava olhando fixo? — perguntou Alex, estendendo-lhe um copo e uma garrafa.

— Seus pais. Eles parecem exatamente como eu me lembro.

Após dar uma garrafa de cerveja para Daniel que pegou, Alex abriu a garrafa e serviu um pouco e disse: — Tenho que ligar para os meus pais e contar sobre o nosso reencontro. Eles vão surtar.
— Eu também vou ligar para os meus. Mas só depois que eu ligar o celular para o qual você me enviou uma mensagem na saída — brincou Alex, batendo no ombro de Daniel.

Eles riram e brindaram.

— À nossa farsa de sucesso! — disse Alex.

— À vitória e ao destino! — completou Daniel.
Beberam em silêncio por um momento, a tensão de antes se dissolvendo na cerveja.

— Alex... sobre o beijo — Daniel começou, olhando para o rótulo da garrafa. — No estacionamento. Foi...

— Foi necessário. A Sra. Magda estava nos olhando de longe. — Alex interrompeu rapidamente, tentando manter o tom profissional.

— Eu sei que foi por causa dela. Mas... isso eu não esperava. Não sei se foi o medo de sermos pegos ou o que foi, mas... foi bom.

A confissão que foi jogada no ar fez Alex engasgar com a cerveja. Ele tossiu por alguns segundos e perguntou, — O quê?

— O beijo foi bom — Daniel repetiu, finalmente encarando-o. Seus olhos não estavam mais brincalhões, mas sérios e intensos. — Para um beijo de mentira, foi inesperadamente bom. E o nosso beijo de comemoração na bancada? Você me abraçou de um jeito...

Alex sentiu o seu rosto esquentar. A química que eles tinham forjado na cozinha estava agora explodindo na sala. Alex disse: — Olha, Dan, eu não sei o que está acontecendo — Alex se levantou, caminhando em direção à janela para evitar o olhar de Daniel. — Nós nos conhecemos há dois dias, de novo. Somos amigos de infância, fingindo ser um casal para ganhar um prêmio. Não podemos confundir as coisas.

— E se não estivermos confundindo? — Daniel se levantou também, ficando a poucos passos de Alex. — E se a química na cozinha, o beijo no estacionamento e até o susto de hoje não tiverem a ver com a competição, mas sim com a gente?

O ar entre eles estava denso. Alex podia sentir o cheiro de Daniel, uma mistura de temperos de cozinha e um perfume fresco.

— Não. Não podemos fazer isso — Alex balançou a cabeça, mais para si mesmo do que para Daniel.

— Nós nem nos lembramos de como éramos. E se voltarmos a ser só amigos depois do programa, vai ser estranho.

— Seria estranho se não tivéssemos acabado de vencer o primeiro desafio porque nos beijamos na frente de uma jurada e porque trabalhamos juntos perfeitamente. Alex, a gente se reencontrou, e a farsa nos forçou a ser íntimos. Temos que admitir o que sentimos.

Quando chegou perto de Alex que estava em pé perto da janela, Dan deu mais um passo, e a distância entre eles se tornou mínima. O braço de Daniel se ergueu, e ele suavemente removeu a migalha de crumble que Alex havia esquecido no canto da sua boca.
— O que você sente, Alex? — Daniel perguntou, a voz rouca, o polegar roçando o lábio inferior de Alex.

Alex fechou os olhos por um segundo. Ele sentia atração. Sentia a eletricidade, e sentia o calor no peito que ia além da amizade. Ele sentia a doçura do beijo de Daniel.

— Eu sinto que você devia parar com isso — Alex sussurrou, abrindo os olhos.

— Eu não consigo parar.

E sem mais palavras, Daniel aproximou-se e o beijou. Desta vez, não era um beijo performático para uma jurada, nem um beijo de celebração rápida. Era um beijo lento, curioso e profundo, cheio de todas as palavras que eles não conseguiam dizer em voz alta.

Alex hesitou por um segundo, a mente gritando "Não!", mas o seu corpo estava gritando “Sim!”. Ele se entregou, às mãos foi subindo para os ombros de Daniel.

Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, os corações acelerados.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável, mas carregado de uma pergunta que nenhum dos dois precisava verbalizar. Alex tentava acalmar as batidas do peito, mas cada vez que olhava para os lábios inchados de Daniel, a razão perdia mais uma batalha.

Daniel sustentou o olhar, as mãos ainda pousadas na cintura de Alex, possessivas e firmes. O desejo, agora que havia sido libertado, não aceitaria voltar para a caixa.

— Alex... — Daniel sussurrou, a voz carregada de uma promessa. — Se dermos o próximo passo, não tem mais volta para a farsa. Vai ser só a gente.

Alex respirou fundo, sentindo o perfume de Daniel — uma mistura de especiarias e adrenalina — e finalmente deixou de lado as defesas.

— Então pare de falar... e me leva para o seu quarto.

O trajeto até o quarto foi curto, mas carregado de uma urgência contida. Daniel não soltou a mão de Alex, e cada passo parecia um compromisso que assumiam um com o outro. Quando entraram no cômodo, a luz suave do corredor filtrava-se pela porta entreaberta, criando sombras suaves sobre a cama.

Daniel parou e virou Alex para si. Seus olhos buscaram os dele, uma última verificação silenciosa.

— Você tem certeza? — Daniel sussurrou, a voz carregada de um carinho que Alex não estava preparado para sentir. — Não quero que amanhã você sinta que foi parte do jogo.

Alex acariciou o rosto de Daniel, sentindo a textura leve da barba. Alex comentou com uma voz rouca: — O jogo acabou no momento em que você me beijou na sala, Dan. Agora sou só eu. E eu quero isso. Com você.

Daniel sorriu, um sorriso que não era para as câmeras, mas um exclusivo para Alex, antes de selar seus lábios novamente. O beijo agora era diferente; não havia pressa, mas sim uma exploração meticulosa. As mãos de Daniel desceram para a barra da camiseta de Alex, subindo lentamente, a
pele encontrando a pele pela primeira vez em anos. Um arrepio percorreu o corpo de Alex quando o tecido foi descartado.

Eles se moveram para a cama com uma sincronia natural, como se seus corpos tivessem guardado a memória um do outro desde a infância, esperando apenas o momento certo para amadurecer. Alex se posicionou sobre Dan, apoiando-se nos cotovelos, observando-o como se estivesse diante da obra de arte mais preciosa que já vira.

— Dan você está lindo — Alex murmurou, a voz trêmula de emoção.

— Nós crescemos, não é? — Dan brincou suavemente, tentando esconder a própria vulnerabilidade, mas seus dedos se entrelaçaram nos cabelos de Alex, puxando-o para baixo.

O toque de Daniel era reverente. Cada carícia, desde o ombro até a curva do quadril, parecia uma descoberta. Ele não estava apenas tocando um parceiro; ele estava redescobrindo o melhor amigo, o menino que corria com ele pelos campos e que agora era o homem que fazia seu coração disparar.

Quando as roupas se tornaram um obstáculo do passado, a conexão física se intensificou. Alex sentiu o peso de Daniel sobre si, o calor reconfortante e o ritmo acelerado de dois corações que batiam em um uníssono. Houve pequenos suspiros, nomes sussurrados como preces e uma paciência mútua que só existe entre aqueles que realmente se importam.

— Dan... — Alex arqueou o corpo quando os lábios de Daniel encontraram o ponto sensível em seu pescoço.

— Estou aqui, Alex. Sempre estive aqui — Daniel respondeu, olhando fundo nos olhos dele enquanto se uniam finalmente.

Não foi apenas o prazer físico que os dominou, mas a sensação de pertencimento. Naquele momento, a farsa do namoro para o reality show morreu para dar lugar a algo assustadoramente real. Cada movimento era carregado de uma história compartilhada — os segredos de infância, a dor da separação e a surpresa do reencontro.

À medida que o ritmo aumentava, a respiração de ambos se tornava uma só. Alex cravou as unhas suavemente nas costas de Daniel, sentindo-se ancorado no presente. Quando o ápice chegou, ele não foi apenas uma explosão de sentidos, mas um desabafo emocional. Eles se seguraram com força, como se tivessem medo de que, se soltassem, o outro desapareceria novamente por mais dez anos.

Minutos depois, o silêncio do quarto era preenchido apenas pelo som das respirações voltando ao normal. Daniel se deitou ao lado de Alex, puxando o lençol sobre eles, mas sem quebrar o contato físico. Ele trouxe Alex para o seu peito, e Alex descansou a cabeça ali, ouvindo o batimento cardíaco de Daniel desacelerar.

— Isso definitivamente não estava no contrato — Alex brincou com a voz rouca, sentindo uma paz que não sentia há muito tempo.

Daniel beijou o topo da cabeça dele.

— Que se dane o contrato. Acho que esse foi o melhor prêmio que eu poderia ganhar nesse programa.
Ficaram ali, entrelaçados, sabendo que na manhã seguinte teriam que enfrentar as câmeras e a mentira novamente. Mas, por enquanto, sob o abrigo daquelas paredes, a única verdade era o calor que compartilhavam.

Após uma noite tranquila na cama e nos braços quentes de Alex, seu agora noivo, Dan terá um café da manhã feito por Alex tudo que ele lembra dos momentos vividos sendo vizinhos e amigos



O dia amanheceu suave, mas Alex e Dan ainda estavam mergulhados no silêncio do sono. O despertar veio com a vibração insistente do celular de Alex sobre a mesa de cabeceira. Com um movimento coreografado pelo hábito, Alex se remexeu com cautela para não despertar o companheiro. Alcançou o aparelho, silenciou o alarme e deslizou para fora da cama, sentindo o chão frio sob os pés.

Vestiu rapidamente uma cueca boxer preta e uma regata confortável. Antes de sair, olhou por um segundo para Dan, que ainda dormia profundamente, e seguiu para a cozinha. Ele tinha um plano: resgatar sabores que o tempo e a distância tentaram apagar. Pelos próximos quarenta minutos, o som de panelas e o estalido do fogo ditaram o ritmo da manhã. Alex preparava tudo com o cuidado de quem manuseia uma relíquia, buscando reproduzir exatamente os cafés da manhã que compartilhavam na infância, cruzando as portas das casas um do outro.

No quarto, Dan despertou devagar. Sentou-se na beira da cama, os cabelos bagunçados e o olhar perdido, esperando, como costumava dizer, "a alma voltar para o corpo". Foi então que o cheiro o atingiu. Era um aroma quente, temperado, que trazia consigo um eco de risadas antigas e joelhos ralados.

Curioso e com o estômago já reclamando, Dan vestiu-se e seguiu o rastro do perfume até a cozinha. Ele parou no batente da porta, encostando o ombro no portal. Ficou ali, em silêncio, admirando a dança de Alex entre o fogão e a bancada. O movimento era fluido, quase coreografado.

Alex virou-se para pegar um pano de prato e encontrou os olhos de Dan. Um sorriso iluminou seu rosto instantaneamente.

— Bom dia, amor! — disse Alex, a voz ainda macia pelo sono.

— Bom dia... — Dan sorriu de volta, aproximando-se. — É um milagre você não ter se perdido na minha pequena cozinha.

— Quem disse que eu não fiquei perdido mas logo eu me achei aqui.

— Que bom, mas Alex, esse cheiro atravessou o corredor e foi me buscar na cama. O que você está aprontando?
— Algo especial. Quando você provar, vai se lembrar da última refeição que fez antes de se mudar com seus pais. Você ainda lembra o que era?

Dan franziu a testa, buscando na memória as caixas de papelão da mudança e a despedida apressada.

— Eu... eu não lembro. Faz tanto tempo.

— Pois eu vou te fazer lembrar agora — Alex disse, com um brilho cúmplice nos olhos, enquanto desligava o fogo.

— É doce ou salgado? — Dan perguntou, já se aproximando da panela com uma curiosidade quase infantil.

— Salgado. E com gosto de saudade.
Dan riu, abraçando Alex por trás enquanto ele servia os pratos.

Enquanto saboreavam o café, o clima de nostalgia deu lugar à empolgação — e a um pouco de ansiedade — sobre o futuro imediato. Dan deu um último gole em sua caneca e apontou com o garfo para o namorado.

— E agora que a gravação termina na semana que vem, você deveria escrever e lançar um livro de receitas e Imagine o título: Alexander e suas receitas deliciosas: Da infância para a TV. Vai esgotar nas livrarias.

Você já está até planejando a noite de autógrafos? — Alex brincou, virando o rosto para olhar para ele.

— Com certeza. E eu vou estar na fila, sendo o primeiro a pedir um autógrafo e um beijo do autor. Mas antes... me diga uma coisa: aquela torta de frango da sua tia também vai estar no programa ou você vai guardar o segredo para o livro?

Alex sorriu, recuperando a confiança que o estresse das gravações tentava roubar e disse: — Aquela é "arma secreta". Só sai se eu estiver na berlinda. Mas por enquanto, minha única preocupação é não deixar o sucesso subir à cabeça e continuar tendo você aqui para provar tudo primeiro.

Dan depositou um beijo no topo da cabeça de Alex e disse: — Isso não vai ser problema. Com essa comida, eu não vou a lugar nenhum.

Alex soltou uma risada curta e disse: — Vou pensar seriamente nisso... mas só depois que a gravação do programa terminar. Por enquanto, meu único crítico gastronômico é você.

Um tempo depois Alex terminou de fazer o que fazia de café da manhã, Dan comentou: — Então vamos comer.

— Vamos amor.

Alex colocou o prato fumegante sobre a mesa de madeira. Era uma porção generosa de ovos mexidos com pedaços de queijo coalho tostado e um toque de cominho, acompanhados de fatias de pão caseiro levemente douradas na manteiga.
Dan puxou a cadeira, os olhos fixos na comida. O vapor subia, carregando aquele cheiro terroso e acolhedor. Ele pegou o talher, mas hesitou por um segundo, olhando para Alex, que se sentou à sua frente, observando-o com uma expectativa silenciosa e um sorriso contido.

No momento em que a primeira garfada tocou o paladar de Dan, o mundo ao redor pareceu silenciar. O sal do queijo derretido, a cremosidade dos ovos e o calor do tempero não atingiram apenas suas papilas gustativas; atingiram sua memória de forma violenta e doce ao mesmo tempo.

— Meu Deus... — Dan murmurou, ainda mastigando, enquanto seus olhos se arregalaram.

As imagens vieram como um filme antigo: ele tinha dez anos, estava sentado em uma banqueta alta na cozinha da mãe de Alex. As malas já estavam no carro, o coração apertado pela mudança, e o cheiro daquela mesma mistura de temperos era o que o acalmava enquanto os adultos carregavam as últimas caixas.

— Alex... é o café da manhã da Dona Sônia — Dan disse, a voz subitamente embargada. — A gente dividiu o mesmo prato naquele dia, na pressa da viagem. Eu tinha esquecido completamente o gosto disso.

— Eu sabia que você lembraria — Alex estendeu a mão sobre a mesa, apertando os dedos de Dan.

— Eu pedi a receita para ela meses atrás, guardei para o momento certo. Eu queria que você soubesse que, não importa para onde a gente vá ou o quanto a gente cresça, aquele "nós" de dez anos atrás ainda está aqui.

Dan engoliu em seco, sentindo um nó de gratidão na garganta. O sabor salgado da comida se misturou à emoção do momento. Ele olhou para o prato e depois para o homem à sua frente, percebendo que Alex não tinha apenas cozinhado; ele tinha resgatado um pedaço da identidade de Dan que estava perdido no tempo.

— Você é inacreditável — Dan sorriu, limpando o canto do olho com as costas da mão. — O livro de receitas definitivamente precisa sair. Mas esse capítulo aqui... esse é só nosso.

Alex sorriu, satisfeito, e serviu o café forte na caneca de Dan.

— Só nosso. Agora come, antes que esfrie e a memória vire só fumaça.

— Alex, isso está divino e você cozinha muito bem.

— Sou bom também em outras coisas.

— Alex seu idiota.

— Você vai comer a comida ou vai continuar a falar pois temos que sair pro trabalho em 1 hora.

— Vou comer tudo e quando a gente se casar você vai querer ficar mandando em mim.

— Claro que não.

— Jura?

— Juro por tudo que você quiser.
— Não vai comer nada antes de sair para a agência.

— Não estou com fome.

— Alex tá querendo ficar doente e me deixar sozinho naquele estúdio.

— Não estou.

— Então come alguma coisa.

— Tá. Que tal ir jantar comigo hoje à noite no meu apartamento.

— Está esperando o que pra ir comer.

— Parece que quem vai ser mandão na nossa relação será você.

— Tá querendo brigar.

— Eu não.

— Alex.

— Vou comer o resto que ficou na panela.

Sem vontade de comer nada Alex foi até o fogão, pegou a panela, um garfo, começou a comer, Dan comia o que tinha no seu prato.

Mais ou menos uns 30 minutos depois, terminaram de comer, Alex lavou tudo, se arrumaram para saírem juntos. Alex pegou seu celular no balcão, colocou dentro da mochila, Dan a dele, saíram de dentro do apartamento, Dan trancou, chegaram na portaria, Alex foi em direção ao seu carro estacionado na esquina, Dan foi até ao estacionamento do prédio, ambos saíram em seus respectivos carros.

O dia passou voando para Alex e Dan em seus respectivos trabalhos, a noite era de folga pois não tinha gravação do programa, assim os dois poderiam passar algum tempo em paz.

No apartamento de Alex depois de jantarem e sentarem juntos no sofá a fim de assistir algum filme bom ou programa, Dan dormiu encostado no corpo de Alex que o abraçou. Mais ou menos 1 hora como Dan não acordava do sono e o jeito era deitar ele em sua cama e dormir ao lado dele de novo.

Na sala, Alex levantou-se do sofá, pegou Dan em seus braços com todo carinho do mundo, foi até ao seu quarto, acendeu a luz, deitou-o na sua cama, tirou a calça que ele usava, colocou em cima da cadeira, tirou a dele, apagou a luz, deitou-se ao lado de Dan, Alex o enrolou com a coberta, depois ele, algum tempo depois olhando para Dan que dormia tranquilamente, Alex acabou apagando em um sono ferrado.

No outro dia será o grande dia do último dia de gravação do programa e qual casal irá vencer a disputa. Mas Alex e Dan terão que caprichar na receita a fim de ganhar o prêmio em dinheiro



O sol mal havia começado a entrar pelas frestas da janela quando Alex despertou. Com cuidado para não fazer barulho, ele se levantou, vestiu uma camiseta qualquer e checou as notificações no celular antes de seguir para a cozinha. O silêncio da manhã era preenchido apenas pelo som da cafeteira e pelo aroma reconfortante que tomava o ambiente.

Minutos depois, Dan apareceu na porta. Ele parou ali, em silêncio, observando a cena: Alex estava de costas, concentrado, cantarolando uma melodia baixa. Havia uma paz naquela rotina que fez Dan sorrir antes mesmo de dizer qualquer coisa.

Quando Alex se virou e deu de cara com o noivo, seu rosto se iluminou.

— Bom dia, amor. Dormiu bem? — perguntou Alex, com a voz ainda levemente rouca de sono.

— Bom dia. Acho que dormi até demais — Dan riu, encostando-se no batente da porta e esfregando os olhos. — Foi você que me carregou até a cama ontem, não foi? Eu apaguei completamente no sofá.

Alex deu de ombros, divertido, aproximando-se para um selinho rápido.

— Você estava em um sono tão profundo que eu não tive coragem de te acordar. Só te levei para o nosso porto seguro.

— E você, dormiu onde? — Dan arqueou uma sobrancelha, fingindo desconfiança.

— Do seu lado, claro. Mas prometo que fui um cavalheiro — Alex piscou. — Agora senta aí. Você precisa estar bem alimentado. Hoje é o grande dia.

O café da manhã foi dividido entre o entusiasmo e o nervosismo. Eles compartilharam uma omelete e muitos olhares ansiosos. O prêmio não era apenas um troféu; era o passaporte para o futuro que planejavam juntos: o restaurante próprio.
As horas na agência passaram como um borrão para Alex. O relógio parecia castigá-lo, movendo-se em câmera lenta. Quando a noite finalmente chegou, ele buscou Dan e seguiram para o estúdio. O clima nos bastidores era elétrico, carregado de expectativa.

No palco, sob as luzes ofuscantes, o apresentador segurava o envelope dourado com um sorriso enigmático. O silêncio no auditório era absoluto, interrompido apenas pelas batidas aceleradas do coração de Dan, que apertava a mão de Alex com força.

— E os vencedores da Competição de Casais deste ano... que demonstraram sintonia, parceria e amor acima de tudo, são... Alexander e Daniel!
O mundo pareceu explodir em confetes e aplausos. Alex soltou um grito de comemoração que ecoou por todo o estúdio, enquanto Dan cobria o rosto com as mãos, as lágrimas de alívio escorrendo livremente. Eles se abraçaram, um abraço que dizia tudo o que as palavras não conseguiam expressar: nós conseguimos.

— Nós ganhamos, Dan! — Alex exclamou contra o ouvido do noivo. — Vamos comemorar do jeito que a gente merece.

— E como seria essa comemoração? — Dan perguntou, ainda trêmulo.

— Na cama — Alex sussurrou com um brilho malicioso no olhar.

Dan deu um tapa de leve no braço do noivo, o rosto ficando vermelho instantaneamente.

— Alex! Não fale essas coisas em voz alta, estamos em público!

— Desculpe, amor — Alex riu, sem um pingo de arrependimento.

O apresentador se aproximou com o microfone, interrompendo o momento íntimo e falou: — Parabéns aos dois! O público quer saber: o que pretendem fazer com o prêmio?

— Vamos abrir nosso próprio restaurante — Dan respondeu, recuperando a compostura. — É um sonho antigo que agora finalmente tem pernas para andar.

— E o casamento? Já tem data?

— Ainda precisamos falar com nossos pais — Alex explicou, envolvendo a cintura de Dan. — Mas queremos que seja em breve.

— Façam questão de me enviar o convite! — brincou o apresentador antes de seguir para encerrar a transmissão.

Após as fotos e os cumprimentos protocolares, o cansaço finalmente começou a bater. Eles pegaram suas mochilas embaixo do balcão e seguiram para a saída. Antes de cruzarem a porta, Matheo, um dos produtores, chamou Alex de canto. Dan esperou perto da saída, observando o noivo gesticular e sorrir. Quando Alex voltou, Dan perguntou curioso: — O que ele queria?

— Avisar que a logística do prêmio e os documentos da assessoria serão enviados direto para o meu apartamento amanhã cedo. Agora, vamos?
— Para o seu apartamento? — Dan sorriu.

— Com certeza. É mais confortável e... bem, temos uma comemoração pendente, lembra?
Dan revirou os olhos, mas não soltou a mão de Alex.

Enquanto caminhavam pelo estacionamento sob o céu estrelado, a ficha finalmente caiu. Eles não tinham apenas ganhado uma competição; tinham provado para o mundo, e para si mesmos, que eram imbatíveis quando estavam juntos.

E um mês depois Alex e Dan foram visitar os pais de Dan em outra cidade e contar do casamento pessoalmente.



O novo dia amanheceu no quarto de Alex com uma luz suave e dourada. Alex abriu os olhos, encarando o teto por alguns instantes com um sorriso bobo, antes de virar-se e encontrar Dan dormindo profundamente em seus braços. Com uma delicadeza quase reverente, Alex passou os dedos pelos cabelos de Daniel. Dan se remexeu, sentindo o calor familiar, e embora tivesse despertado, manteve os olhos fechados apenas para aproveitar o carinho.

Sem deixar que Alex percebesse que ele estava acordado, começou a sorrir baixinho pois estava gostando do carinho em seu cabelo, Alex disse: — Eu nunca imaginei que o amor da minha vida seria você — sussurrou Alex, acreditando que o noivo ainda dormia. — Que meu vizinho de infância seria o homem por quem eu me apaixonaria de novo todos os dias.

Dan não conseguiu mais segurar o sorriso. Abriu os olhos devagar, revelando um brilho intenso.

— Alex... você também é o amor da minha vida.

— Você não estava dormindo? — Alex riu, sendo pego no flagra.

— Acordei faz uns segundos, mas o carinho estava bom demais para interromper.

— Amor temos que escolher o dia do nosso casamento e contar para os nossos pais.

— E que data você pensa?

— Dia 03 de Setembro.

— Porque dia 03?

— O dia 03 foi quando a gente se reencontrou no estúdio sem sabermos que já nos conhecíamos.

— Fechado. Agora é contar para os nossos pais.

— Você vai contar para os seus pais pelo telefonema ou vai viajar e contar pessoalmente.

— Ainda não sei.
— Sabe... — começou Alex, olhando para a janela onde os primeiros raios de sol atravessavam a cortina. — Contar por telefone parece prático, mas o que sentimos merece o brilho nos olhos.

Dan sentou-se na cama, passando a mão pelo rosto ainda sonolento, mas com um brilho decidido no olhar. Alex o olhava como se a pessoa na sua frente fosse algo único.

— Você tem razão, Alex. Meus pais sempre disseram que no dia em que eu encontrasse alguém especial, eles queriam brindar a isso. E o 03 de setembro... essa data agora é sagrada para nós. Não dá para ser apenas um áudio ou uma chamada de vídeo.

Alex segurou as mãos de Dan, unindo seus dedos aos dele.

— Então está decidido. Vamos fazer uma surpresa. Viajamos no próximo final de semana. Primeiro na sua casa, depois na minha. Vamos dar a notícia de que o "vizinho de infância" agora é o futuro marido.

Dan soltou uma risada leve, imaginando a reação das famílias.

— Eles vão surtar, Alex! Dona Vera sempre disse que a gente tinha uma "energia diferente" quando brincava no quintal.

— Mal sabia ela que aquela energia ia virar esse fogo todo — brincou Alex, puxando Dan para um abraço apertado.

— Vamos conseguir organizar tudo até setembro? — perguntou Dan, recostando a cabeça no ombro de Alex.

— Com você ao meu lado? — Alex beijou o topo da cabeça dele. — A gente constrói até um castelo se precisar. Mas por enquanto, vamos começar com o café da manhã e uma mala de viagem.

Chegou final de semana Alex e Dan foram de avião pois de ônibus duraria umas 5 horas, em menos de 3 horas, desembarcaram na cidade, Alex havia alugado um carro, Dan pegou as malas, Alex foi pegar a chave do carro alugado por 3 dias.

Uma hora depois Alex chegou, Dan com as malas, chegou ao carro, Alex ajudou Dan colocar as malas no porta-malas, fechou, entraram no carro, Alex na direção, Dan disse: — Alex eu não fiz reserva no hotel mas vamos ficar na casa dos meus pais e antes que fique bravo foram eles que me forçaram.

— Pra mim está bom.

— Não está bravo comigo?

— Porque eu estaria bravo com você. E tenho certeza que vou amar rever os seus pais.

— Você sempre me surpreende.

— Vamos lá rever seus pais.

— Eu amo você Alex Henrique.
A viagem até o bairro onde os pais de Daniel moravam foi marcada por uma mistura de ansiedade e euforia. Alex segurava a mão de Dan sobre o câmbio do carro, trocando olhares cúmplices a cada placa que indicava que estavam chegando em casa. Ao estacionarem em frente à casa dos pais de Dan, o cheiro de manjericão e molho de tomate — a marca registrada de sua mãe, Dona Helena — já escapava pelas janelas.

— Preparado? — perguntou Dan, respirando fundo.

— Com você, sempre — respondeu Alex, com um sorriso encorajador.

O pai de Dan, o Sr. Jorge, que cuidava do jardim, quase deixou a mangueira cair ao ver o filho. O abraço foi apertado, ruidoso e cheio de saudade.

— Pai, quero te apresentar alguém que reencontrei há três meses — disse Dan, transbordando orgulho. — Esse é o Alex, nosso antigo vizinho.

— Alex! Mas você se tornou um homem e tanto! — exclamou o Sr. Jorge, impressionado. meses.

— Eu me formei em Arquitetura.

— Pai, cadê a minha mãe.

— Fazendo o almoço pra vocês.

— Vamos lá Alex.

— Vamos.

No quintal Dan pegou com uma das mãos de Alex com carinho fechando os seus dedos, andaram pelo corredor, entraram por uma sala que era a sala, chegaram na porta da cozinha, Dan chamou: — Mãe.

— Eu estava com saudade de você filho.

Na cozinha, Dona Helena virou-se largando uma colher do lado na pia, Alex soltou a mão dele, Dan abraçou a mãe dele com todo carinho, Alex sorria com a cena fofa na sua frente, depois do abraço, Dan disse: — Mãe eu reencontrei o Alex meu amigo de infância.

— E esse aí?

— Sim mãe.

— Prazer reencontrá-la dona Helena depois de anos.

— Alex você cresceu, sentem-se. Parece que voltamos dez anos no tempo, vocês dois entrando por essa porta mas em outra cidade.

— Depois que vocês se mudaram de cidade, a minha mãe teve uma menina e hoje tem 12 anos.

— Uma irmãzinha?

— Dan ainda não conhece ela. Mas no final de semana que vem nós vamos visitar os meus pais.
— Como estão seus pais a Vera e Ricardo?

— Estão bem.

Mais uma hora a mãe de Dan terminou o almoço, chamou o marido, que chegou, colocaram a comida em seus respectivos pratos com as talheres, sentaram-se na mesa, Alex e Dan sentaram-se um ao lado do outro, Durante o almoço, o assunto era a carreira de ambos, mas Alex sentiu que era a hora. Ele olhou para Dan, que assentiu levemente. Dan pousou os talheres e segurou a mão de Alex em cima da mesa, à vista de todos.

— Pai, Mãe... na verdade, não viemos apenas para visitar. Viemos contar algo que mudou nossas vidas.

O silêncio caiu sobre a sala, mas não era um silêncio pesado; era de expectativa. Dona Elena olhou para as mãos entrelaçadas e um sorriso começou a brotar em seus lábios antes mesmo de Dan concluir.

— O que começou como uma amizade de infância e um reencontro profissional virou algo muito maior. Nós estamos juntos. E não é só isso... Mãe nós vamos nos casar no dia 03 de setembro.

Houve um segundo de estática. O Sr. Jorge soltou uma risada sonora e deu um soco leve na mesa, emocionado e disse: — Eu senti que era vocês eram mais do que amigos pois eu vi o jeito que meu filho Dan pegou na sua mão.

Dona Elena deu a volta na mesa, abraçando os dois ao mesmo tempo, as lágrimas já rolando e disse: — Meu filho, Alex... meu querido Alex, que agora vira meu filho de verdade. A gente sempre torceu para que o Dan encontrasse alguém que o conhecesse de alma. E quem melhor do que aquele menino que cresceu no muro ao lado?

— Então o 03 de setembro está confirmado? — perguntou o Sr. Jorge, já levantando uma taça para o brinde.

— Confirmadíssimo — disse Dan, olhando para Alex com adoração. — Foi o dia em que o destino nos colocou frente a frente de novo. E agora, nada nos separa.

Os 3 dias voaram como um piscar de olhos, Dan se despediu da sua mãe e agora irá vê-la de novo só no dia do casamento. Mais umas 5 horas, chegaram no prédio de Alex, no apartamento, a semana passou voando, era sábado e hora de reencontrar os pais de Alex.

Chegaram em frente ao portão da casa dos pais de Alex, mesmo tentando manter a calma por fora mas por dentro Dan estava apavorado pois iria reencontrar a mãe de Alex a Dona Vera e o pai de alex Sr.Ricardo, Alex pegou na mão dele e disse: — Pronto.

— Sempre.

Depois de descerem do carro de Alex, a caminhada foi curta — apenas alguns passos até o portão. O coração de Dan batia mais forte. Embora conhecesse os pais de Alex profundamente, contar sobre o casamento trazia uma formalidade que o deixava ansioso.

Ao tocarem a campainha, foram recebidos pelo Sr. Ricardo, que estava com um jornal nas mãos, e pela a Dona Vera, que logo surgiu no corredor com um sorriso radiante ao ver o filho.
— Filho, esse é o Daniel?

— Sim e não é só isso, pois o Dan era o meu melhor amigo que se mudou para outra cidade.

— O pequeno Daniel.

— Sim, Sr.a Vera.

— Daniel! Que surpresa maravilhosa! entre meu querido, a casa é sua! — exclamou Dona Vera, puxando os dois para dentro.

— Mãe, cadê a minha irmãzinha Anny?

— Vai dormir na casa da sua tia Mari.

— Queria apresentar Dan para ela.

— Fica pra próxima vez que eu vier com o Alex.

— Espero que seja logo.

Eles se sentaram na sala de estar, um ambiente repleto de fotos de infância, inclusive algumas onde Alex e Dan apareciam sujos de terra após brincarem no quintal. O Sr. Ricardo serviu um café, enquanto observava o filho com um olhar curioso.

— Vocês dois estão com um brilho diferente nos olhos — comentou o Sr. Ricardo, cruzando os braços com um sorriso de lado. — O que estão aprontando?

Dan olhou para Alex, buscando apoio, e sentiu a mão do noivo tocar seu ombro discretamente.

— Pai, Mãe... vocês sabem que o reencontro com o Dan no estúdio mudou tudo para mim. Mas o que vocês talvez não saibam é a intensidade disso.
Alex fez uma pausa, respirou fundo e continuou: — Nós decidimos que não queremos mais passar nenhum dia longe um do outro. Nós vamos nos casar.

O silêncio de Dona Vera durou apenas o tempo necessário para ela processar a notícia. Logo em seguida, ela deu um grito de alegria que ecoou pela casa.

— Eu sabia! Eu sempre soube! — Ela se levantou e abraçou Dan e Alex com força. — Ricardo, eu não te disse? Desde que eles eram pequenos e o Alex protegia o Dan na rua, eu sentia que o destino deles estava traçado!

O Sr. Ricardo se levantou e apertou a mão de Alex com firmeza, antes de abraçar o filho.

— Daniel, meu filho, você não poderia ter escolhido um parceiro melhor. bem-vindo oficialmente à nossa família, embora você sempre tenha feito parte dela.

— E já temos data! — anunciou Dan, mais relaxado agora. — 03 de setembro. Dona Vera parou por um instante, pensativa.
— Setembro... o mês em que as flores começam a aparecer. Mas por que o dia 03?

— Foi o dia em que nos vimos novamente depois de tantos anos — explicou Alex com um olhar doce. — Foi o dia em que percebi que o meu vizinho de infância era, na verdade, o amor da minha vida.

— O seu filho Alex é o amor da minha vida.

— Sabia que nem o tempo era capaz de separar vocês dois.

— Filho aonde será o casamento?

— Ainda não escolhemos o lugar pois queríamos contar para os nossos pais que vamos nos casar.

— Quando escolher me manda a foto.

— Eu mando pra senhora dona Vera.

— Me chame de mãe a partir de agora.

Depois de um tempo os pais de Alex e eles terminaram de almoçar, Alex juntou tudo em uma pilha só, levantou-se, pegou tudo, chegou na pia, colocou tudo dentro. Dan disse: — Mãe eu e o Alex vamos arrumar a cozinha.

— Não precisa filho.

— Mãe, se o Dan diz ele não vai mudar de ideia.

— Ok. Mas não quebrem minhas louças.

— Mãe.

— Querida vamos assistir um filme na televisão

— Vamos lá.

Os pais de Alex levantaram-se da cadeira, foram para a sala, Dan pegou um avental que estava pendurado atrás da porta, amarrou na cintura, Alex começou a sorrir, Dan perguntou: — Alex do que está rindo?

— Do quanto você ficou fofo com esse avental.

— Mentiroso.

— Não é amor.

— Vamos arrumar logo essa cozinha ou não vamos terminar nunca.

— Tem razão.
Uns 30 minutos depois Alex e Dan terminaram de arrumar a cozinha, Dan colocou o avental no lugar que estava, Alex pegou na mão dele, saíram da cozinha, chegaram na sala, Alex disse: — Mãe, pai nós já estamos indo.

— Mas já.

— Mãe a gente vai tomar um sorvete e depois vou deixar o Dan no prédio onde ele mora.

— Tá bem filho.

— Ok. Bença mãe e pai.

Os pais dele deram a benção, ambos saíram pela a porta da sala, no portão, Alex deu a volta, ambos abriram a porta, entraram, fecharam as portas, colocaram os cintos de segurança, Alex ligou o carro, saiu, no caminho, Dan disse: — Alex a gente não vai tomar sorvete.

— Não amor.

— E vamos fazer o que?

— Pensa um pouquinho.

— Ok.

Após pensar um pouco, o rosto de Dan começou a ficar vermelho igual um tomate com a lembrança em sua mente, Alex percebeu que Dan ficou calado de repente e disse: — É isso aí que você pensou.

— Alex seu idiota.

— Você pensou em sexo.

— Claro.

— Amor a gente combinou de conversar sobre abrir um restaurante juntos.

— Ah e isso.

— É mas se quiser transar eu topo.

— Alexander.

— Amor eu ontem a noite pensei bem e vou começar escrever um livro de receita.

— Estou orgulhoso de você.

Chegaram no prédio de Alex, entrou pelo portão, estacionou na vaga, fizerem tudo, chegaram na porta do apartamento de alex depois de usarem o elevador.

O resto do dia passou voando para os dois depois de discutirem o local do casamento que acabaram entrando em um acordo. Depois foi a vez de criarem um negócio juntos. Alex deu início ao seu livro, será que será um sucesso?



O sol de domingo entrava suave pela janela da cozinha, iluminando os farelos de pão sobre a mesa. O silêncio entre Alex e Dan não era desconfortável; era o tipo de quietude que só existe entre pessoas que já dividem uma vida.

Alex mexia o café lentamente, fingindo interesse na fumaça que subia da xícara, mas seus olhos escapavam, de vez em quando, para observar Dan. Havia algo na forma como ele se concentrava no café da manhã que trazia paz a Alex.

Dan quebrou o silêncio sem desviar o olhar do prato: — Sabe, Alex... temos que ir fazer uma visita no lugar onde vamos abrir o restaurante. Precisamos sentir o espaço antes de começarmos as reformas.

Alex assentiu, voltando à realidade.

— Marque para sábado à tarde — sugeriu ele. — Teremos mais tempo para olhar cada detalhe sem a correria da semana.

— Ok, vou confirmar com o proprietário — Dan respondeu, e então soltou um sorriso leve. — Ah, quase esqueci: você mandou a foto do lugar do casamento para a sua mãe? Ela não para de me perguntar.

Alex soltou uma risada curta, pegando o celular no bolso.

— Vou mandar agora. Se eu demorar mais dez minutos, ela é capaz de aparecer aqui na porta para exigir as fotos pessoalmente.

— Parece a minha mãe.

Enquanto a foto carregava, o peso da transição começou a se fazer presente. Não era apenas um restaurante que estava nascendo, nem apenas um casamento que estava sendo planejado. Era o encerramento de um ciclo.
Alex pegou o celular e enviou a foto do local escolhido para o casamento para sua mãe. Em segundos, o ícone de "digitando" apareceu. Ele sabia que, para ela, o casamento era o evento principal, mas para ele e Dan, a vida estava acontecendo em três frentes simultâneas.

— Pronto, foto enviada. Agora ela vai passar a semana escolhendo a cor das toalhas baseada na textura daquela parede de tijolos — Alex brincou, guardando o aparelho.

Se passaram 2 meses Alex recebeu uma proposta para lançar um livro de receitas, Dan o apoiou a aceitar a proposta. E 1 mês depois, era noite ambos estavam jantando na cozinha, era um sábado, Dan perguntou: — Alex e o seu livro como anda?

— Já escrevi umas 20 receitas, mas a editora quer umas 30 páginas de receitas.

— Eu quero ver amor.

— Depois eu te mostro e a editora ficou de me enviar a capa do livro amanhã.

— Vai me mostrar.

— Claro.

— Amanhã é a inauguração do nosso restaurante.

— Eu estou nervoso.

— Eu também Alex.

Na mesa Alex pegou na mão de Dan com todo carinho fechando os seus dedos e disse: — Sem você Dan eu não teria coragem de lançar um livro.

— Estamos juntos pra sempre e apoiar um ao outro.

— Exato.

— Vamos descansar a mente deitado na cama.

— Vamos.

O Alex quanto Dan levantaram-se na cadeira, antes Alex juntou todas as louças, colocou na pia, pegou seu aparelho celular na mesa, Dan pegou o dele, andaram por um corredor, Alex apagou a luz, chegaram ao quarto, Dan acendeu a luz, Alex tirou sua calça, ficando de cueca boxer, colocou em cima da cadeira, chegou na ponta da cama, puxou a colcha, abriu a coberta, deitou, Dan havia ido ao banheiro, saiu de dentro, Alex o chamou com a mão, Dan fez o mesmo que Alex, deitou-se na outra ponta, Alex o abraçou com carinho, Dan disse: — Precisamos dormir mas eu não vou conseguir de tão nervoso.

— Nem eu amor.

— Vamos tentar dormir.

— Dan que tal você vir morar comigo de vez.
— Alex.

— Já que vamos nos casar em breve e morar juntos.

— Posso pensar.

— Claro amor.

Depois de um tempo os dois acabaram dormindo mesmo testando nervosos, o dia amanheceu, tomaram um belo café da manhã, foram pro local da inauguração do restaurante, estacionou numa vaga, desceram, alex trancou o carro, andaram até a porta, entraram no local, Alex abraçou Dan, beijou os lábios dele, Dan disse: — Vai ser um sucesso nosso restaurante e o seu livro de receitas.

— Vai amor e vamos abrir as portas e preparar o almoço dos clientes.

— Vamos.

— Você vai para cozinha e eu vou abrir as portas.

— Ok. Amor.

Depois do abraço e o beijo, Alex foi para a cozinha, Dan foi abrir as portas, abriu, os clientes começaram a entrar, sentar na mesa, Dan entrou na cozinha, sorrindo, Dan disse: — Alex capriche na comida pois estamos quase cheio.

— Então é esse motivo do seu sorriso.

— Também.

Uma hora depois, os 4 garçons serviram todas às mesas, Dan ficava administrando o caixa, Alex na cozinha, chegou a noite, Alex e Dan fecharam as portas, chegaram ao carro, entraram, colocaram o cinto de segurança, Dan na direção, saiu, mais uma hora, chegou no portão do prédio, Alex se identificou, o portão fechou, estacionou na vaga, Desligou o carro, soltaram o cinto de segurança, desceram, fecharam as portas, Dan fechou, trancou com a chave, deu a volta, Alex pegou na mão dele, andaram até ao elevador, entraram, a porta fechou, subiu para o 9° andar, parou, a porta abriu, saíram de dentro, chegaram na porta, Alex abriu a porta, acendeu a luz, entraram, Dan fechou a porta, trancou por dentro, tiraram os sapatos, sentaram-se no sofá um encostado no outro, Alex pegou o controle remoto na mesa, ligou a televisão em um canal de filme de comédia, começaram a assistir um, Dan disse: — Alex.

— Fala amor.

— Eu aceito vir morar com você já que eu passo mais tempo aqui do que no meu Apartamento.

— Mesmo.

— Sim.

— Muda amanhã.

— Amanhã não dá, pois eu preciso arrumar minhas coisas.
— Sábado então.

— Fechado. Vamos dormir, estou cansado.

— Eu também.

No sofá, Alex desligou a televisão com o controle remoto, colocou na mesa, correu, apagou a luz da sala, Dan acendeu a luz do quarto, tomaram banho, deitaram na cama, Alex havia apagado a luz do quarto, dormiram.

Passaram se 3 meses, Dan havia se mudado para o apartamento de Alex, era dia 17 de agosto, o dia do lançamento do livro de Alex, no local sentado na mesa, as pessoas faziam fila pois o programa que eles participaram como casal estava sendo exibido em um canal de comidas na televisão, Dan sorria com o sucesso de seu futuro marido e seu parceiro de todos os momentos.

Algumas horas depois terminou a sessão de autógrafos, foram para o apartamento deles, Dan colocou o livro em cima da mesa.

Imagem do livro que estava em cima da mesa:



          




Sentados no sofá, Alex e Dan começaram a procurar uma casa no notebook de Alex já que o casamento deles se aproximava.

Depois de muita procura ambos acharam uma casa com gosto deles mas teria que fazer umas reformas, a sorte era que Alex e arquiteto.
Alex percebeu que "Abrir um Negócio" e "Lançar um Livro" eram, no fundo, a mesma coisa: a coragem de expor ao mundo aquilo que antes só existia dentro dele.

Após a reforma que durou uns 3 meses, era hora de se mudarem e no mês seguinte será o grande dia para os dois pois iriam unir suas vidas oficialmente casados.



Três meses de poeira, marteladas e decisões difíceis finalmente haviam ficado para trás. A reforma da casa de Alex e Dan estava concluída. Após uma vistoria minuciosa na semana anterior, o grande dia havia chegado: o dia da mudança, dos novos planos e do cheiro de tinta fresca.


          
O último caminhão de mudança partiu após três horas intensas de descarregamento. O silêncio finalmente reinou, quebrado apenas pelo som da respiração cansada dos dois. Alex e Dan se jogaram no sofá, o único móvel desobstruído no meio de um mar de caixas de papelão. Olharam ao redor, processando a magnitude do trabalho que tinham pela frente naquele espaço vasto e arejado.

— Amor... — Alex começou, encostando a cabeça no ombro de Dan. — Por onde a gente começa a organizar esse caos?
Dan soltou uma risada exausta, sentindo o estômago roncar.

— Pela cozinha, com certeza. Se eu não comer algo em breve, não vou ter força nem para abrir uma caixa de sapatos.

— Então, mãos à obra — Alex concordou, dando um beijo rápido no parceiro antes de se levantar.

Ao cruzarem o portal da cozinha, Dan estacou. Mesmo tendo visto a planta e acompanhado a obra, o espaço finalizado parecia ainda maior com a iluminação planejada.

— Alex... você exagerou um pouco na planta dessa cozinha, não acha? Dá para estacionar um caminhão aqui dentro!
Alex riu, abraçando-o por trás e apontando para a ilha de mármore no centro.

— Não exagerei em nada. Imagine só: nós dois cozinhando aqui enquanto nossos pais tomam um vinho e conversam ali no canto. Eu planejei o espaço para as nossas memórias, não só para os móveis.

— Você pensa em tudo, não é? — Dan sorriu, rendido ao romantismo. — Mas até eu me acostumar com esse palácio, acho que vou precisar de um GPS para não me perder.

— Não vai, não. Assim que terminarmos aqui, eu te levo para um tour oficial.

— Um tour pela própria casa? — Dan brincou. — Que chique! Mas vamos logo, ou essa cozinha gigante vai continuar vazia e eu vou continuar com fome.

Mais ou menos uma hora depois, a cozinha estava funcionando. Caixas vazias foram dobradas num canto e os utensílios básicos já ocupavam seus devidos lugares. Após um lanche rápido e improvisado sobre a bancada, o casal seguiu para a sala de estar. O cansaço físico começava a pesar, e eles desabaram novamente no sofá.

— Alex, eu te amo, mas não quero mudar de casa nunca mais. Isso dá trabalho demais — confessou Dan, fechando os olhos por um segundo.

— Nem eu. Esta é a nossa fortaleza definitiva.
Dan abriu os olhos e olhou para a escada de madeira que levava ao andar superior.

— O que exatamente ficou lá em cima mesmo? Minha memória apagou com o cansaço.

— Lá em cima temos o meu escritório com banheiro e dois quartos de hóspedes, prontos para quando nossos pais quiserem passar o final de semana — explicou Alex com entusiasmo.

— E no final deste corredor principal? São quatro portas, certo? Alex sorriu, um brilho diferente no olhar.
— Isso. Nosso quarto, e os outros são para os nossos futuros filhos... se decidirmos adotar, claro. Dan deu um leve solavanco, surpreso com a naturalidade do planejamento.

— Alex! Vamos dar um passo de cada vez, por favor? Acabamos de descarregar o caminhão! Alex riu, puxando-o para mais perto e beijando sua testa.
— Calma, amor. Isso é plano para daqui a alguns anos. Mas eu queria que a casa estivesse pronta para crescer junto com a nossa história.

Sentados ali juntos no sofá, cercados por caixas e sonhos, eles entenderam que aquela casa não era feita apenas de tijolos e argamassa, mas de todas as possibilidades que o futuro reservava.

Algumas semana depois morando na casa nova e com uma vida confortável, Alex e Dan agora irão fazer novos planos para o futuro.



A luz do entardecer entrava pelas grandes janelas da sala, pintando o chão de madeira com tons de dourado. Alex e Dan continuavam ali, sentados no chão sobre um tapete que acabavam de desenrolar, com um caderno de anotações e um notebook aberto entre eles. O cansaço da mudança havia dado lugar a uma empolgação vibrante.

— Já que você mencionou os quartos "do futuro" — começou Dan, folheando o caderno — eu andei pensando no que podemos fazer com o espaço extra por enquanto. Não quero que a casa pareça vazia.

Alex inclinou-se para ver os esboços de Dan.

— Sou todos ouvidos. O que essa cabecinha está planejando?

— Um dos quartos dos hóspedes poderia ser temporariamente um estúdio — sugeriu Dan. — Um lugar com boa iluminação para os meus trabalhos para administrar nosso dinheiro, e talvez uma poltrona de leitura bem confortável para você se esconder quando o escritório estiver muito sério.

Alex sorriu, tocando a mão de Dan.

— Adorei. E o jardim? O quintal é enorme, Dan. Eu estava pensando em construir um deck de madeira e, quem sabe, uma horta orgânica. Imagine colhermos nossos próprios temperos para usar naquela cozinha gigante.

Dan ficou em silêncio por um momento, olhando para o corredor que levava aos quartos que Alex mencionou antes.

— Sabe, Alex... sobre o que você disse da adoção. Eu sei que pedi para irmos um passo de cada vez, mas ver este espaço todo... faz eu me sentir pronto para que esse "daqui a alguns anos" não demore tanto assim.

Alex sentiu o coração acelerar.

— Você está falando sério?
— Sim. Quero que esta casa tenha barulho de criança correndo, sabe? Quero que as marcas nas paredes contêm a nossa história. Mas primeiro — Dan riu, apontando para a montanha de caixas — precisamos provar que conseguimos sobreviver à organização de um closet sem brigar!

Para manter os pés no chão, eles começaram a listar as prioridades para o primeiro mês: Inauguração: Organizar um jantar para os pais no próximo domingo.

A noite caiu enquanto eles planejaram cada detalhe, desde a cor das cortinas até o nome dos futuros cachorros que correriam pelo jardim. A casa nova já não era apenas um endereço; era o palco onde a vida deles realmente começava a ganhar forma. Faltavam exatamente 2 semanas para o casamento Alex e Dan recebiam seus pais em sua nova casa, mas o clima era de um casal que havia acabado de brigar.



A mesa da sala de jantar estava impecável. Toalha de linho, velas perfumadas e o melhor aparelho de jantar que ganharam de casamento. À primeira vista, parecia a imagem de uma vida perfeita. No entanto, na cozinha, enquanto finalizavam os pratos, o único som era o do metal dos talheres batendo na louça.

Quando os pais de Alex e os pais de Dan chegaram, a casa foi preenchida por elogios e exclamações.

— Meu Deus, Alex! Ficou tudo maravilhoso! — exclamou a mãe de Dan, abraçando o genro. — Essa cozinha é um sonho. Já imagino os netos correndo por aqui...

O comentário foi como um gatilho. Alex forçou um sorriso, lançando um olhar rápido para Dan, que fingiu estar muito ocupado servindo o vinho.

Durante o prato principal, o clima de festa começou a dar lugar a perguntas mais profundas. Os pais, empolgados com o novo espaço, não conseguiam evitar o assunto "futuro".

— E então, meninos? — começou o pai de Alex, batendo levemente no tampo da mesa. — Uma casa deste tamanho... Já decidiram o que fazer com aqueles quartos lá de cima? O Alex me contou que estava olhando uns processos de adoção.

Dan travou com o garfo no meio do caminho. O silêncio que se seguiu durou apenas alguns segundos, mas pareceu uma eternidade para o casal.

— O Alex se precipitou um pouco, pai — disse Dan, a voz saindo mais fria do que ele pretendia.
— Estamos focados em pagar a reforma primeiro. A casa ainda nem tem cortinas em todos os quartos, quem dirá moradores novos.

Alex sentiu o rosto esquentar.

— Não é bem assim, Dan. Só acho que não custa nada se informar. O tempo passa para todo mundo.
— Uma coisa é se informar, Alex. Outra é querer transformar a casa em um orfanato antes mesmo de tirarmos as caixas da sala — rebateu Dan, tentando manter o tom baixo, mas sem esconder a irritação.

As mães trocaram olhares preocupados. A alegria do jantar havia evaporado. O pai de Dan tentou mudar de assunto, elogiando o acabamento do teto, mas a tensão era palpável. Cada vez que Alex tentava falar sobre os planos para a casa, Dan o cortava com uma observação sobre "viver o agora" ou "não dar passos maiores que as pernas".

A certa altura, Alex se levantou bruscamente para buscar a sobremesa.

— Se me dão licença, vou ver o doce. Parece que aqui ninguém quer falar de coisas boas hoje. Dan suspirou pesado, passando a mão pelo rosto enquanto os pais observavam o mal-estar em silêncio. A casa gigante, que deveria ser um símbolo de união, naquela noite parecia apenas evidenciar a distância entre as prioridades dos dois.

Quando os pais finalmente foram embora, o silêncio que ficou na casa não era de paz, mas de exaustão emocional. Eles estavam na cozinha, diante de uma pilha de louça suja, sem se olharem.

Nota: Este capítulo mostra que, às vezes, o espaço físico não é suficiente se o espaço emocional não estiver alinhado.


Alex começou a recolher os pratos com movimentos bruscos, o barulho da porcelana batendo uma na outra e ecoando nas paredes altas. Dan observava da soleira da porta, os braços cruzados, antes de se aproximar e pegar a esponja.

— Deixa que eu lavo — disse Dan, com a voz baixa.

— Não precisa. Eu dou conta. Eu sempre dou conta de planejar tudo sozinho, não é? — a ironia de Alex cortou o ar como uma faca.
Dan parou, fechou os olhos por um segundo e respirou fundo. Ele largou a esponja e segurou a mão de Alex, forçando-o a parar.

— Chega, Alex. Vamos parar de nos atacar. O jantar foi um desastre e nós dois sabemos o porquê.

Alex tentou puxar a mão, mas desistiu, os ombros caindo em um sinal de derrota. As lágrimas, que ele vinha segurando desde a sobremesa, finalmente começaram a aparecer.

— Eu não estou tentando te empurrar para algo que você não quer, Dan — desabafou Alex, a voz trêmula. — É que eu olho para essa casa gigante e sinto um vazio enorme. Eu tenho medo de que, se não começarmos agora, o "momento certo" nunca chegue. Tenho medo de a gente se acomodar tanto nessa vida de luxo e silêncio que, quando acordarmos, seja tarde demais para sermos os pais que sonhamos.

Ele olhou para Dan, os olhos vermelhos.

— Para mim, planejar é uma forma de garantir que nosso sonho não morra na rotina.

Dan ouviu tudo atentamente. Ele puxou Alex para um abraço apertado, descansando o queixo em seu ombro.
— E eu tenho medo do contrário, amor. Eu tenho medo de que você esteja tão apaixonado pela ideia de ser pai que esqueça de ser meu marido.
Ele se afastou um pouco para olhar Alex nos olhos.

— Passamos meses lutando para ter essa casa, para ter essa estabilidade. Eu só queria um tempo para sentir que esse lugar é nosso, entendi? Sem cronogramas, sem assistentes sociais, sem burocracia. Eu tenho medo de que a gente traga uma criança para cá para preencher um vazio, quando deveríamos trazê-la para transbordar algo que já está completo. Eu não quero ser um "projeto de família", eu quero ser a sua família agora.

O silêncio que se seguiu agora era diferente. Era um silêncio de compreensão. Alex percebeu que sua ansiedade estava sufocando o presente, e Dan percebeu que sua necessidade de pausa parecia um descaso para o parceiro.

— Me desculpa pelo jantar — disse Alex, limpando o rosto. — Eu não deveria ter falado com meu pai antes de resolvermos isso.

— E eu me desculpo por ter sido tão ríspido. Eu me senti encurralado. Dan pegou um prato, ensaboou-o e entregou para Alex secar.
— Vamos fazer um trato? Sem catálogos por seis meses. Mas, em troca, daqui a seis meses, nós sentamos com calma e marcamos a primeira visita a uma agência. Sem pressa, mas com um compromisso real. O que acha?

Alex deu um pequeno sorriso, o primeiro sorriso sincero da noite.

— Seis meses? Acho que consigo sobreviver a isso. Contanto que a gente use esse tempo para realmente aproveitar cada canto dessa cozinha gigante.

— Primeiro vamos nos casar.

— Faltam exatamente 2 semanas.

Depois que seus respectivos pais foram para o quarto de hóspedes deles, deixando Alex e Dan sozinhos na cozinha gigante a fim de se acertarem seus medos.

Após uma conversa sincera, eles terminaram a louça juntos, trocando toques suaves e risadas baixas, enquanto a casa, aos poucos, deixava de ser um campo de batalha para voltar a ser um lar.



Depois do final de semana com a visita de seus pais e o Climão, Alex e Dan fizeram as pazes depois de fazerem um acordo sobre dar um passo de cada vez.

No escritório no andar de cima, entre um monte de plantas de Deck em cima de sua mesa, sentado em sua cadeira, Dan chegou na porta devagar deu alguns passos para dentro do escritório, desviando de uma pilha de livros de arquitetura no chão. Ele parou atrás da cadeira de Alex e começou a massagear os ombros tensos do companheiro.

— O "perfeito" é inimigo do feito, Alex — murmurou Dan, inclinando-se para perto de seu ouvido. — Seu chefe sabe que você é o melhor que ele tem. Você não precisa redesenhar o mundo em uma noite.

Alex soltou um suspiro longo, fechando os olhos e deixando a cabeça pender para trás, descansando-a contra Dan.

— É que depois de todo o estresse com meus pais... eu só queria que algo saísse exatamente como planejado. Sem imprevistos. Sem "climão".

— O nosso acordo, lembra? — Dan parou as mãos e as deslizou pelo peito de Alex, abraçando-o por trás. — Um passo de cada vez. E o passo de agora é fechar esse notebook e me dar atenção.

Alex sorriu pela primeira vez em horas. Ele segurou as mãos de Dan, sentindo o calor do toque que sempre o acalmava. Com um movimento rápido, ele salvou o arquivo e girou a cadeira, ficando de frente para o namorado.

— Você tem um talento incrível para me tirar do buraco, sabia?

— Eu tenho um talento incrível para saber quando meu namorado precisa de um vinho e um pouco de paz — Dan estendeu a mão, ajudando-o a levantar.

Alex se levantou, mas em vez de caminhar para a porta, puxou Dan para um abraço apertado, escondendo o rosto em seu pescoço por um momento. O cheiro familiar de Dan parecia apagar o cansaço do dia. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dele, o rastro de preocupação finalmente sumindo.
— Você está certo. O deck pode esperar até amanhã. Mas eu não quero esperar nem mais um minuto para ficar de bobeira com você.

Dan sorriu, selando a promessa com um beijo calmo e demorado, daqueles que faziam o resto do mundo — e as plantas de arquitetura — parecerem meros detalhes sem importância. De mãos dadas, eles apagaram a luz do escritório, deixando o trabalho para trás e seguindo para o resto da noite que era só deles.

A cozinha estava inundada por uma luz quente e o som suave de uma playlist de jazz que Dan havia colocado para tocar. O cheiro de manjericão fresco e alho dourando no azeite já havia expulsado qualquer resquício de estresse que Alex trouxera do escritório lá de cima.

Alex estava encostado no balcão, observando Dan manejar a espátula com uma agilidade quase dançante. Ele já havia trocado a camisa social por uma camiseta de algodão gasta e estava descalço, sentindo o chão frio, o que o ajudava a "aterrar" depois de um dia tão mental.

— Sabe — começou Alex, girando levemente o vinho tinto em sua taça —, eu tinha esquecido como é bom simplesmente não fazer nada produtivo.

Dan olhou por cima do ombro, piscando um olho para ele.

— O ócio é uma arte, meu caro arquiteto. E você estava precisando de um curso intensivo.
Ele se aproximou com uma colher de madeira, oferecendo um pouco do molho para Alex provar.

— Falta alguma coisa?

Alex provou, mas em vez de responder sobre o tempero, ele puxou Dan pela cintura, trazendo-o para perto.

— Está perfeito. Tudo aqui está perfeito.

O jantar seguiu sem pressa. Eles não falaram sobre o Deck, nem sobre os prazos do chefe de Alex, e muito menos sobre os comentários atravessados que os pais de Alex haviam feito no fim de semana. Em vez disso, conversaram sobre planos bobos: a viagem que queriam fazer no próximo feriado e a nova planta que Dan queria comprar para a sala (embora Alex brincasse que a casa já estava virando uma floresta).

— Um passo de cada vez — repetiu Dan, brindando com sua taça contra a de Alex enquanto terminavam de comer. — Hoje o passo foi esse: um jantar decente e a sua risada de volta.

Alex sorriu, sentindo um calor no peito que não vinha apenas do vinho. Ele esticou a mão sobre a mesa, entrelaçando seus dedos aos de Dan.

— É o meu passo favorito até agora.

A noite terminou com os dois dividindo o sofá, envoltos em um silêncio confortável, onde o único plano para o futuro imediato era decidir qual filme começariam a ver na televisão e provavelmente dormiriam antes da metade do filme.
As 2 semanas passaram como um vento para Alex e Dan. Depois de um final de semana com os seus respectivos pais e o Climão durante o jantar, a paz reuniu na casa deles. Chegou o grande dia: “o casamento” onde eles selaram a união.



Os preparativos para o casamento de Alex e Dan transformaram a rotina dos dois em uma doce e agitada correria. O que antes era apenas um sonho de infância de " eram vizinhos" agora estava ganhando cores, texturas e sabores reais.

Os meses que se seguiram à gravação do programa foram uma montanha-russa de emoções. Organizar um casamento que celebrasse não apenas a união, mas o reencontro do destino, exigia atenção a cada detalhe.

A Escolha do Local: Um Retorno às Raízes
Em vez de um salão de festas impessoal, Alex e Dan escolheram um casarão antigo com um amplo jardim, que lembrava muito o bairro onde cresceram.

— Quero que as pessoas sintam que estão em casa — disse Dan durante uma das visitas. — Que lembre o tempo em que a gente só precisava atravessar a rua para se ver.

O Convite: No topo do convite, havia uma pequena ilustração de um celular caindo em um rio, com a frase: "Algumas coisas se perdem para que outras possam ser encontradas".

As Alianças: Eles decidiram mandar gravar as coordenadas geográficas do local onde se reencontraram pela primeira vez após anos de separação.

A Paleta de Cores: Escolheram tons de azul e dourado. O azul para representar o rio que mudou o curso de suas vidas, e o dourado para simbolizar a nova luz que encontraram um no outro.

Com a ida à alfaiataria foi um dos momentos mais divertidos. Alex queria algo clássico, um terno azul-marinho impecável. Já Dan, mais moderno, optou por um tom de areia com um corte slim.

— Você vai ficar lindo de qualquer jeito — dizia Alex, roubando um beijo entre uma prova de roupa e outra, ignorando os alfinetes do alfaiate. — Só não vale chorar na entrada e borrar a foto!

Dona Helena (mãe de Dan) e a mãe de Alex fizeram questão de participar da escolha do menu. As reuniões para degustar os docinhos e o jantar viraram grandes eventos familiares. Entre um brigadeiro gourmet e um risoto, às famílias relembravam as histórias da infância dos dois.
— Lembra quando o Alex tentou pular o muro para levar um gibi para o Dan e ficou entalado? — contava Seu Roberto, fazendo todos caírem na risada.

Nem tudo foi calmaria. Na semana anterior, o estresse bateu à porta. Dan se preocupava com a previsão do tempo para o jardim, e Alex estava ansioso com os votos.

Certa noite, vendo Dan tenso com a lista de convidados, Alex o abraçou por trás e sussurrou: — Ei, olha para mim. No final do dia, não importa se chover ou se o buffet atrasar. O que importa é que, desta vez, eu não vou te perder de vista nunca mais.

Dan relaxou nos braços do noivo. O telefone perdido no rio, os anos de silêncio e o medo do reencontro... tudo tinha valido a pena para chegar até ali.

O aroma de jasmim preenchia o ar enquanto a música instrumental — uma versão suave da canção favorita deles — começava a tocar. Alex já estava no altar, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo, tentando conter o tremor que subia pelas pernas. Quando as portas se abriram e Daniel apareceu, caminhando sob o céu alaranjado, o mundo de Alex parou. Não existia mais câmera, plateia ou convidados; era apenas o menino que morava ao lado voltando para casa.

Ao se encontrarem no altar, os dois deram as mãos. O celebrante sorriu e disse: — Alexander e Daniel, o destino deu voltas longas, mas trouxe vocês ao lugar certo. Agora, o momento das promessas.

Os Votos de Dan

Daniel respirou fundo, tirando um papel amassado do bolso, mas logo o guardou. Ele decidiu falar olhando nos olhos de Alex. Daniel disse: — Alexander ou Alex ... por muito tempo, eu achei que o silêncio entre nós fosse o ponto final da nossa história. Quando meu celular caiu naquele rio, eu senti como se uma parte do meu futuro estivesse afundando junto. Mas hoje eu entendo que aquele rio não me tirou você; ele apenas nos deu o tempo necessário para crescermos e descobrirmos que, não importa para onde a vida nos leve, nossos corações têm o mesmo endereço. Quando a gente se reencontrou naquele estúdio sem saber que nós dois nos conhecíamos na mesma noite depois da gravação do quadro do programa fomos pro seu apartamento onde eu vê um porta-retrato de uma família em uma estante, assim que peguei com uma das minha mão e olhei aquelas pessoas, lembrei de você, dos momentos que passamos juntos com eu sendo seu vizinho e melhor amigo. Mesmo apesar de toda a mentira eu encontrei o que eu procurava em você, eu e você Alex
Fingimos ser um casal de namorados, mas aqueles fingimentos me fizeram me apaixonar por você Alex. Foi você que deu o primeiro passo me chamando para jantar com você no seu apartamento e você se declarou que me amava e naquele momento eu já te amava também e aceitei ser seu namorado e ali eu sentir novamente que estava em casa que é os seus abraços calorosos. Alex eu prometo ser seu porto seguro, o seu melhor amigo de todas as horas e o vizinho que nunca mais vai se mudar da sua vida. Eu te amo por quem você é e por quem eu me torno quando estou ao seu lado.


Os Votos de Alex

Alex limpou uma lágrima que insistia em cair antes mesmo de ele começar a falar. Sua voz era firme, carregada de uma emoção profunda. Depois de controlar suas emoções! Alex começou: — Daniel ou Dan, eu passei anos enviando mensagens para um número que não respondia, mas, no fundo, minha alma nunca parou de conversar com a sua. Eu sempre soube que você voltaria.
No meu apartamento, quando você estava olhando a foto dos meus pais comigo em uma das suas mãos, no início eu fiquei preocupado pois você parecia perdido em muitas lembranças que passavam como um avalanche em seu cérebro e perguntei se você estava bem, você me olhou e disse que era Daniel, o Dan meu vizinho e melhor amigo. Mesmo nos sem nos ver o estilo deu um jeito de nos unir novamente e seria em um lugar que se tornaria especial para nós dois, aquele estúdio, o início de tudo que íamos viver fingindo sermos um casal e o tempo que vivemos juntos ali me fizeram lembrar de tudo, em você eu encontrei algo que eu nunca tinha sentido que é o amor verdadeiro mesmo sendo meu vizinho, Dan
Você diz que eu tive coragem de te chamar para jantar comigo primeiro, mas a verdade é que você foi o único que me deu um motivo para querer ficar. Dan eu nunca imaginei que um dia eu fosse amar tanto alguém que já foi meu vizinho, a gente teve que fingir bem em ser um casal mas com o tempo eu percebi que você era o verdadeiro amor da minha vida, Dan eu prometo te amar nas manhãs calmas e nas tempestades da vida. Prometo que, a partir de hoje, nenhuma senha ou distância vai nos separar. Eu não quero apenas viver ao seu lado; eu quero construir um mundo onde o nosso amor seja a lei principal. Você é o meu milagre particular. No futuro eu quero ter uma família completa com você.

O celebrante ergueu as alianças, aquelas que carregavam as coordenadas do reencontro.
— Pelo poder investido em mim, e principalmente pelo amor que todos aqui testemunham, eu os declaro casados. Alexander, você pode beijar o seu marido.

Diferente do beijo apressado e surpreso do estúdio de TV, este foi lento, selado com a certeza de quem finalmente encontrou a paz. A plateia, composta por familiares que viram os dois crescerem e amigos que torceram por cada capítulo, explodiu em aplausos enquanto pétalas brancas eram lançadas ao ar.

Eles não eram mais apenas os " vizinhos". Eram, agora e para sempre, um só. Após uns 2 anos que se casaram, Alex e Dan resolveram alegrar a casa deles adotando 1 casal.



Dois anos haviam se passado desde que Alex e Dan disseram o "sim" oficial. A vida a dois era harmoniosa, mas o silêncio da casa começou a pedir por algo mais: o som de passos pequenos, risadas infantis e o eco de dois nomes que eles ansiavam ouvir: "Papai Alex" e "Papai Dan". A decisão estava tomada. No dia seguinte, a busca por um advogado daria início ao sonho da adoção. Naquela noite, Dan finalmente conseguiu resgatar Alex das garras do escritório. Estavam no sofá, um aninhado ao outro, mas a televisão exibia um filme qualquer que não conseguia prender a atenção de nenhum dos dois.

— Alex — Dan quebrou o silêncio, voltando-se para o marido. — O que acha de irmos lá para fora? As estrelas devem estar lindas do deck que você projetou. É melhor do que insistirmos nesse filme ruim.

Alex sorriu, sentindo o cansaço acumulado nos ombros. — Você tem razão. Vamos lá.

— Que tal um vinho para acompanhar?

— Ótima ideia, amor. Eu pego a garrafa na adega e você traz as taças.

Após desligar a televisão com o controle remoto, colocou em cima da mesa, levantaram-se do sofá, Eles se movimentaram em uma sincronia perfeita, fruto de anos de convivência. Em poucos minutos, cruzaram a porta dos fundos e sentiram a brisa fresca da noite. O deck de madeira, um dos projetos favoritos de Alex, era o refúgio particular deles. Sentaram-se nas poltronas confortáveis e, enquanto o vinho era servido, o silêncio da noite os abraçou.

Dan inclinou a cabeça para trás, observando a imensidão sobre eles. — Alex, olhe para o céu. Parece que as estrelas decidiram brilhar com mais força hoje.

A pedido de Dan, seu marido oficialmente perante tudo, Alex seguiu o olhar do marido. O céu, em um tom de azul profundo, estava salpicado de luzes prateadas que pareciam dançar. — Você tem razão, Dan. Elas brilham juntas, em harmonia.

— Sente-se relaxado? — Dan perguntou, buscando a mão do outro.

— Muito. Obrigado por me tirar daquele escritório. Eu precisava disso.
— Você se cobra demais, Alex — Dan pontuou suavemente. — Entre a consultoria, o restaurante, o novo livro e a manutenção da casa... você esquece de respirar.

— Eu vou tentar desacelerar, prometo — Alex suspirou, voltando o olhar para Dan com uma vulnerabilidade súbita. — Você acha que... estamos mesmo preparados para sermos pais?

Dan apertou sua mão, transmitindo segurança. — Acho que ninguém nunca está 100% preparado, Alex. Mas o importante é que estaremos juntos nessa primeira viagem. E aprenderemos com eles.

— Eu amo você, Dan.

— Eu também amo você, Alex. Para sempre.

O tempo pareceu parar enquanto terminavam o vinho. Dan acabou deitando a cabeça no colo de Alex, observando o perfil do homem que escolhera para dividir a vida. Algum tempo depois, o sono e a intimidade chamaram mais alto.

— Vamos para o quarto? — sugeriu Dan, com um brilho travesso no olhar.

— Fazer o quê? — Alex provocou, sorrindo de canto.

— Você sabe muito bem. Vamos ver quem chega primeiro!

A corrida lúdica terminou no corredor, entre risos e fôlego curto. No quarto, o clima mudou para algo mais profundo e urgente. Alex envolveu Dan em um abraço carinhoso, selando seus lábios em um beijo que carregava todas as promessas que haviam feito um ao outro. As roupas foram deixadas de lado, e o toque das mãos sobre a pele trazia o arrepio da descoberta, mesmo após anos.

— Alex... — sussurrou Dan, enquanto se entregavam um ao outro. — Nós vamos ser os melhores pais do mundo.

— Nós vamos, meu amor.

Meses de ansiedade, documentos e visitas se seguiram. Até que, numa tarde comum, o telefone tocou: a guarda provisória de dois irmãos havia sido concedida.

Uma semana depois, a campainha tocou. A assistente social trazia consigo dois pequenos universos: Leonardo e Sophia.

Dan ajoelhou-se para ficar na altura deles, o coração batendo na garganta. — Oi, Leonardo. Oi, Sophia. Eu sou o papai Daniel.

Alex posicionou-se ao lado dele, com os olhos marejados. — E eu sou o papai Alexander. Bem-vindos ao lar de vocês.

Após as orientações da assistente social e as despedidas no portão, Dan voltou para dentro. Ao entrar na cozinha, parou na porta e observou a cena: Alex já estava servindo um lanche, conversando animadamente com as crianças, que olhavam tudo com curiosidade e um início de confiança.
Ver Alex naquele novo papel, com aquele sorriso largo e o olhar acolhedor, fez Dan entender que a família estava, finalmente, completa. Alex notou sua presença e estendeu a mão, chamando-o para o círculo.

Ali, entre copos de suco e risadas tímidas, os papéis da guarda definitiva tornaram-se apenas uma formalidade. Eles já eram uma família.

No Epílogo haverá se passado 7 anos vivendo como família na casa dos sonhos.



Sete anos depois...

O jardim da casa, o mesmo onde o "sim" foi dito anos atrás, agora estava repleto de brinquedos espalhados pela grama. O silêncio da manhã de sábado havia sido substituído por risadas infantis e o som de passos pequenos correndo pelo corredor.

Dan estava na cozinha preparando panquecas quando sentiu um puxão em sua bermuda. Olhou para baixo e encontrou os olhos castanhos e curiosos de Leo, de cinco anos, que segurava um desenho feito com giz de cera.

— Papai Dan, olha! Desenhei a nossa casa e o Rio — disse o menino, apontando para o Golden Retriever que dormia preguiçosamente perto do fogão.

— Ficou lindo, meu amor! — Dan se abaixou e deu um beijo na testa do filho. — Vá mostrar para o Papai Alex, ele está ajudando a sua irmã a se vestir.

Momentos depois, Alex surgiu na sala carregando a pequena Marina, de apenas dois anos, nos ombros. Ela gargalhava enquanto segurava os cabelos do pai como se fossem rédeas. Alex parou na porta da cozinha e trocou um olhar cúmplice com Dan — um olhar que carregava todo o peso da felicidade que haviam construído.
— Mesa pronta? — perguntou Alex, colocando Marina na cadeirinha. — O exército está com fome.

Durante o café da manhã, a cena era o que Alex costumava chamar de "caos perfeito". Marina tentava comer sozinha, sujando o rosto de mel, enquanto Leo narrava uma história épica sobre seus bonecos.

— Sabe, Dan... — começou Alex, observando os filhos. — Às vezes eu paro para pensar que, se aquele seu celular não tivesse caído no rio, talvez nada disso existisse hoje.

Dan sorriu, limpando o canto da boca de Marina.

— O destino teve que nos separar para que a gente aprendesse o valor de cada segundo juntos. Olhe para eles, Alex. São o nosso melhor reencontro.
À tarde, o casal se sentou no balanço do jardim enquanto as crianças brincavam sob a sombra de uma grande árvore. Alex puxou Dan para mais perto, descansando a cabeça em seu ombro.

— Lembra que eu te disse, no palco daquele programa, que você era o melhor presente que eu já ganhei? — perguntou Alex.

— Lembro. — Dan respondeu, entrelaçando seus dedos nos dele.

— Eu estava certo. Mas eu não sabia que o presente vinha com bônus — disse ele, apontando para Leo e Marina correndo atrás de borboletas.

Não havia mais nervosismo, câmeras ou a incerteza do amanhã. O "quase vizinho" e o melhor amigo tinham se tornado os pilares de um mundo novo, onde o amor era celebrado todos os dias, em cada desenho de giz de cera e em cada abraço antes de dormir. A história que começou com uma mensagem perdida tinha encontrado a sua resposta mais bonita: uma família que transbordava cor.




Fim.


Nota da autora: Sem nota.

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