Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 06/09/2025Ambos estavam no térreo, onde ficava o estacionamento. Ele só segurava a chave do carro e os óculos escuros nas mãos, e esperavam lado a lado o elevador.
Eram vizinhos, ele recém-chegado, havia se mudado há menos de uma semana para o prédio e bem no apartamento de frente ao dela, que antes era habitado pelo senhor Jones, um aposentado que apostava na loteria todos os dias e conversava com todo mundo do prédio sobre apostas e como ele tinha esperança de um dia ganhar.
De tanto jogar, acabou ganhando bem o suficiente para se mudar de prédio e finalmente deixar todo mundo em paz.
O pensamento fez pensar que ela deveria fazer como ele, quem sabe não ganhasse nem que fosse uma mísera quantia de R$500,00?
O elevador abriu as portas, e o vizinho misterioso fez um gesto com as mãos para que entrasse primeiro, e ela assim o fez, agradecendo.
Frente a frente no elevador, ela olhou para ele — e foi aí que cometeu o erro.
O maldito erro de encará-lo por mais de três segundos.
Ele vestia uma regata branca colada ao corpo, ainda com marcas sutis de suor nos ombros largos e no peitoral firme, que se movia discretamente a cada respiração. O boné abaixado deixava a sombra perfeita sobre os olhos, mas nem isso disfarçava o maxilar forte, marcado... Os fios castanhos escuros escapando pelas laterais do boné indicavam um certo descuido proposital, como quem mal se olha no espelho porque já sabe que está bonito.
Ele parecia ter saído direto da academia — e talvez tivesse mesmo. O perfume amadeirado misturado ao frescor de alguém que acabou de suar era indecente demais para aquele cubículo fechado. engoliu em seco.
O elevador começou a subir, mas o tempo parecia ter parado ali dentro.
Ela tentou olhar para frente, mas seus olhos insistiam em descer pelo contorno dos braços dele, até as veias saltadas no antebraço, nas mãos grandes segurando as chaves.
"Imagina essas mãos em mim..." pensou, e quase bufou por dentro, irritada com a própria mente. Mas o calor que subia pelo pescoço dela não dava espaço para negação. Era desejo. Cru, direto, inesperado. E perigoso — principalmente quando os olhos dele encontraram os dela, por apenas um segundo, como se tivessem captado alguma coisa no ar.
Ela desviou. Mas o pensamento ficou.
E pior: a vontade também.
Foram os segundos mais longos da vida dela, e então a porta se abriu outra vez. saiu do elevador e sentiu a presença dele, saindo logo em seguida.
passou as sacolas para uma mão só e retirou as chaves do bolso da calça de moletom que usava, ouvindo a porta dele se abrir, logo em frente à sua.
— Boa noite. — Ele o ouviu dizer pela primeira vez desde que os dois haviam se cruzado naquele corredor pela, sei lá, quinta vez naquela semana.
A voz dele era grave, levemente rouca, e carregava um timbre absurdamente íntimo, como se ele tivesse acabado de acordar — ou de sussurrar algo indecente no ouvido de alguém.
quase deixou a chave cair.
“Tá de brincadeira comigo…”, pensou, sentindo uma pontada de calor subir pelas costas, como se o som daquela voz tivesse encostado nela de verdade. Era daquele tipo de voz que você não ouve — sente. Que se infiltra, que arranha de leve por dentro, como uma memória boa demais para ser esquecida.
Ela respondeu com um “boa noite” apressado e baixo, quase engasgado, e torceu para que ele não notasse o jeito como os dedos dela tremiam um pouco ao tentar girar a chave na fechadura.
Mas a maldita voz ecoava na mente dela como uma provocação:
"Boa noite..."
Parecia um convite. Ou uma promessa. Ou — pior — uma pergunta disfarçada de despedida.
entrou em casa e fechou a porta como se estivesse fugindo de um perigo real. Encostou as costas na madeira, fechou os olhos e soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.
E tudo o que conseguiu pensar foi:
“Se ele abrir a boca de novo… eu juro que me jogo.”
Colocou as compras sobre a bancada do balcão que dividia a sala da cozinha e começou a desempacotar, colocando os ingredientes do macarrão sobre a pia.
Assim que terminou, lavou as mãos e começou a preparar o macarrão que comeria naquela noite. Mas, rapidamente, os pensamentos voltaram para o novo vizinho… tão diferente do senhor Jones.
abriu a torneira da pia e colocou os tomates cereja sob a água corrente, os esfregando um a um com os dedos. Ao lado, os brócolis já esperavam para serem picados, mas seus olhos estavam vazios, não viam nada. Ela estava longe.
Longe, no elevador de novo.
No modo como o ombro dele encostou no dela com tanta naturalidade. No jeito como ele parecia nem perceber o próprio corpo, como se não tivesse ideia do impacto que causava.
.
Ela só soube o nome dele porque a síndica mencionou no grupo dos moradores, anunciando que ele havia pegado as chaves oficialmente. O sobrenome ela esqueceu, mas o primeiro nome grudou na mente como uma música com refrão fácil.
Ele era calado, mas não daquele jeito arrogante, e sim de quem observa antes de se mostrar. Tinha postura de quem já ouviu muitos elogios e não precisava confirmar nenhum deles. E o olhar? Aquele olhar era um capítulo à parte.
desviou a água para os brócolis e começou a quebrar os buquês com a ponta dos dedos, como quem quer ocupar as mãos para acalmar a mente.
Mas não adiantava. A forma como a regata colava nos músculos das costas dele, a curva do pescoço, os fios úmidos escapando do boné... Estava tudo lá. Grudado nela. E agora, para piorar, tinha a voz. A porra da voz dele.
“Boa noite.”
Ela sentiu o arrepio outra vez, como se fosse um replay.
Foi aí que largou os brócolis de lado, pegou o celular e destravou a tela. Entrou no grupo das amigas que também moravam no condomínio sem nem pensar. Os dedos voavam, impulsivos, enquanto o coração batia mais rápido só de lembrar do jeito como ele a olhou por cima dos ombros largos.
“Meninas, vocês viram o vizinho novo que delícia??”
E ela não fazia ideia que tinha aberto o grupo errado.
Digitou outra vez:
“Que homem tesudo, meu Deus!”
Ferozmente, ela enviou uma última mensagem, a mais íntima delas:
“Era uma pirocada e eu dormia mansinha.”
Foram segundos de silêncio absoluto na cozinha. A água ainda corria pela pia, mas não ouvia nada além da vibração do celular em sua mão. Uma notificação. Outra. Mais uma.
Ela estranhou.
Olhou para a tela, e o mundo parou.
Grupo: Vizinhos Albacoa
Integrantes: isis, Iberê, Lorena, Cris, Sr. Antônio do 405, (vizinho do 408)…
A alma dela saiu do corpo, atravessou a parede e foi se esconder no apartamento da frente.
— Não… — sussurrou para si mesma, as mãos já geladas, os olhos arregalados.
A primeira reação veio de Carolina, sua amiga:
carol:
“luma, grupo errado…”
A segunda foi uma figurinha do Iberê com um cachorro dizendo “EITA.”
A terceira? Uma mensagem curta, de . Seca. Direta.
(vizinho do 408):
“Imagino que isso não era pra todos do grupo lerem…, mas agradeço a sinceridade.”
derrubou o celular na bancada. A cabeça dela latejava, o corpo queimava de vergonha e… de alguma coisa a mais.
Excitação?
Medo?
Curiosidade?
Tudo junto, embaralhado com a imagem dele ali, parado na porta do próprio apartamento, dizendo "boa noite" com aquela voz.
Era oficial: o macarrão não ia sair mais. Mas algo ali estava prestes a ferver…
E não era a água da panela.
As mãos de tremiam enquanto ela andava de um lado para o outro na sala do apartamento, pensando no que faria. Apesar de não adiantar nada, as mensagens haviam sido apagadas por ela logo em seguida.
Mas já havia visto, e o pior, respondido!
As amigas estavam ligando, mandando mensagens, o grupo delas estava fervendo de memes, mas a cabeça dela rodava.
Deveria mandar uma mensagem para ele no particular se desculpando? Deveria tentar se aproveitar e fazer do limão uma limonada? Afinal de contas, já havia quase 1 ano que ela não transava… estava, sim, sedenta, quase subindo pelas paredes, e um vizinho como não ajudava em nada seus hormônios a se acalmarem.
E se ele a rechaçasse? Ou abrisse uma reclamação no condomínio? Ou pior, a acusasse de assédio moral e outras coisas? Ela, como bela advogada que era, sabia muito bem que isso era possível. O desespero aumentou.
Olhou o celular nas mãos e resolveu que pediria desculpas, era o mais sensato a se fazer naquela situação. Não era?
— Respira, . Você é advogada, caralho — murmurou para si mesma, puxando o ar fundo.
Mas nem a racionalidade da profissão conseguia sobrepor o calor que ela ainda sentia entre as pernas. Porque o problema não era só a vergonha. Era o fato de que, mesmo depois de toda a confusão, ela ainda queria.
Ainda conseguia imaginar as mãos dele segurando as chaves. Os braços tensos. O olhar de quem mede o mundo em silêncio. A maldita voz grave dizendo “boa noite”, como se sussurrasse direto no ouvido dela.
“Vou mandar mensagem. Vou pedir desculpa. Rápida, objetiva, profissional.” Pegou o celular, abriu o WhatsApp.
E ficou ali, olhando a tela, completamente dividida.
"Ou eu me desculpo... ou aproveito o escorregão e escorrego de vez."
O celular continuava aberto na mão dela, com o campo de digitação em branco e o nome " (vizinho do 408)" no topo da tela.
Mas, antes que conseguisse digitar qualquer palavra, a campainha tocou.
Ela congelou.
Literalmente congelou.
Olhou para a porta, depois para o celular. De novo para a porta. O coração disparou como se estivesse tentando escapar pela garganta.
— Não. Não, não pode ser ele. Não pode ser ele… — murmurou, andando devagar até a entrada, com as pernas bambas e a respiração presa.
O olho mágico confirmava: era ele.
Boné virado para trás agora, o cabelo levemente bagunçado, a nova regata revelando ainda mais do abdômen trincado, e uma expressão no rosto que era impossível decifrar. Não estava bravo. Nem sorrindo. Apenas... presente. Calmo. Perigoso.
girou a maçaneta com mãos trêmulas, abrindo a porta só o suficiente para manter alguma dignidade.
— Oi... — disse, num fio de voz, tentando forçar um sorriso. — É… eu ia te mandar uma mensagem.
Ele ergueu uma sobrancelha, encostado de leve na lateral da porta, com os braços cruzados, como se estivesse analisando cada reação dela.
— Eu imaginei. Mas achei que talvez fosse melhor resolver pessoalmente.
A pele dela arrepiou até o tornozelo.
— Sobre… o grupo — ela começou, mas ele a interrompeu, com a voz baixa e firme.
— Não precisa se explicar. Mas posso te perguntar uma coisa?
Ela assentiu, o estômago revirando.
inclinou um pouco o rosto, os olhos fixos nos dela.
— Você falou sério… ou estava só exagerando no calor do momento?
E ali, parada na porta do apartamento, com ele a centímetros de distância, soube que não havia mais volta. Porque mesmo que dissesse que era brincadeira, o corpo dela já tinha respondido por ela.
riu, nervosa. O tipo de riso que morria antes de alcançar os lábios de verdade.
— Ai… claro que não. Foi só uma brincadeira. — Ela cruzou os braços, tentando se escorar na lateral da porta, como se aquilo ajudasse a manter o equilíbrio. — Um desabafo impulsivo, sabe? Eu… eu nem percebi que era o grupo errado.
assentiu devagar, os olhos ainda nela. Não parecia convencido. Nem irritado. Na verdade, parecia interessado. Curioso.
— Entendi. — Ele inclinou levemente o rosto para o lado, a observando como se estivesse lendo algo muito mais profundo do que as palavras que ela dizia. — Então quando você escreveu que... "era uma pirocada e você dormia mansinha", aquilo foi... pura literatura, né?
prendeu a respiração. O rosto inteiro pegando fogo.
— … — Tentou dizer algo, mas ele não deu espaço. A voz dele continuou calma, mas havia um certo prazer em deixá-la sem reação.
— Eu não tô ofendido, . — Ele deu um meio sorriso. — Na verdade, fiquei curioso.
— Curioso?
— Uhum. — Ele descruzou os braços devagar, o movimento sutil, mas cheio de controle. — Em saber se você é sempre tão sincera quando deseja alguma coisa… ou se foi só o acaso que te deu coragem.
Ela engoliu em seco. O corpo inteiro em alerta. O coração batendo no peito, nas costelas, na nuca.
— Eu… não sei o que responder a isso — ela sussurrou, mais para si mesma do que para ele.
deu mais um passo à frente, mas sem cruzar a linha da porta. Apenas encurtando a distância entre os dois o suficiente para que o ar ficasse mais denso.
— Então talvez seja melhor eu ir — ele murmurou. — Antes que você me convide para entrar… e diga que foi sem querer também.
A pele dela se arrepiou inteira.
E antes que ela pudesse pensar, estava dizendo:
— ...
Mas ele já tinha se virado, voltando para o apartamento da frente.
Antes de fechar a porta, ele olhou por cima do ombro e disse, num tom quase brincalhão, quase perigoso:
— Boa noite, vizinha. Dorme direitinho, tá?
Clac.
A porta dele se fechou.
E ficou ali. Com os joelhos fracos, o coração acelerado, e um desejo latejante queimando por dentro.
Como, exatamente, ela ia dormir depois daquilo…?
Ela tentou esquecer.
Tentou comer o macarrão, que ficou sem sal. Tentou ver uma série, mas pausava a cada dois minutos. Tentou até responder as amigas, mas as palavras não faziam sentido com o coração batendo daquele jeito.
A voz dele. O olhar. A maneira como ele sabia exatamente o que estava fazendo, mesmo dizendo tão pouco.
“Antes que você me convide pra entrar…” Maldito…
Era como se ele tivesse deixado a porta dela entreaberta — não a física, mas a porta do desejo, da provocação. E agora, nada fechava mais aquilo. Nem água fria. Nem vergonha. Nem a razão.
Quase meia-noite.
levantou do sofá. Caminhou até a porta. Parou.
— Você não vai fazer isso… — sussurrou para si mesma, uma, duas vezes.
Mas os pés continuaram avançando.
Ela abriu a porta devagar, olhou o corredor vazio e se aproximou da porta do apartamento 408. As luzes debaixo da porta denunciavam que ele ainda estava acordado.
A mão dela hesitou no ar por meio segundo. E então:
Toque. Toque. Toque.
Um silêncio denso respondeu.
Logo depois, passos. E então a porta se abriu, revelando , agora sem o boné, com o cabelo bagunçado e uma camisa cinza caída no ombro, como se estivesse prestes a dormir.
Ou, talvez… esperando.
Ele a encarou. Uma surpresa leve nos olhos, mas sem nenhuma pergunta. Nenhuma palavra.
Ela, por outro lado, quase engasgou com a própria respiração. Mas o corpo dela já tinha decidido antes da boca conseguir articular qualquer frase.
— Eu... — começou, sem saber como terminar.
ergueu uma sobrancelha, encostado na lateral da porta como antes, mas, dessa vez, mais relaxado. Mais aberto.
— Tá sem sono? — ele perguntou, simples, mas com a malícia cuidadosamente diluída no tom.
sentiu a garganta seca. A pele vibrando. O desejo salpicado por dentro e por fora.
— Tô com uma dúvida — respondeu. — Queria saber se você ainda tá curioso… ou se já tem a resposta que queria.
deu meio passo para o lado, abrindo espaço.
— Entra e me mostra.
Ela cruzou a porta devagar, como se ainda pudesse voltar atrás. Mas não podia e nem queria.
O ar do apartamento dele tinha um cheiro fresco, amadeirado, como o do elevador mais cedo, só que mais intenso agora. Mais íntimo. A luz estava baixa, vinda apenas de um abajur no canto da sala, lançando sombras suaves nas paredes.
fechou a porta atrás dela sem dizer nada. E o silêncio entre os dois foi mais barulhento do que qualquer palavra.
ficou de pé, parada no centro do espaço, as mãos juntas, o coração batendo tão forte que ela quase podia ouvir. Ele também não se apressou. Apenas se aproximou, sem invadir, mas diminuindo a distância como quem respeita… e provoca ao mesmo tempo.
— Ainda com dúvida? — ele murmurou, parando na frente dela. A voz baixa, quente, e tão próxima que sentiu o som vibrar na própria pele.
Ela ergueu os olhos para encará-lo, e, por um instante, não havia vergonha, só coragem.
— A dúvida agora é outra. — Sua voz saiu mais firme do que imaginava. — Se a gente vai fingir controle… ou parar de fingir.
O meio sorriso dele surgiu nos lábios, e foi ali que tudo mudou.
ergueu uma das mãos, com calma, e tocou o rosto dela com a ponta dos dedos, como se pedisse permissão em silêncio. Os olhos dele estavam nos dela, atentos, pacientes. Quando ela não recuou, e, ao contrário, se inclinou de leve ao toque, ele desceu os dedos até o queixo, o puxando suavemente para cima.
O beijo veio sem pressa. Um toque de lábios morno, exploratório, como se ele quisesse aprender cada curva da boca dela antes de invadir por completo.
correspondeu com os olhos fechados, sentindo o calor subir das pontas dos dedos até o centro do corpo. As mãos dela tocaram o peito dele com hesitação no começo, mas logo deslizaram até os ombros firmes, sentindo a tensão ali. Ele era sólido. Quente. Real.
O beijo ficou mais intenso. Os lábios agora se buscavam com mais urgência, mais fome. Ele segurou a cintura dela com firmeza, a puxando contra si com um movimento calculado, mas cheio de desejo contido. Os corpos se encaixaram como se estivessem esperando por aquilo há muito mais tempo do que queriam admitir.
Ela sentiu a língua dele roçar a sua, lenta e firme, enquanto as mãos deslizavam pela curva de suas costas. E tudo nela se acendeu.
A vergonha, a dúvida, o receio… tudo foi ficando para trás.
A sala estava silenciosa, exceto pelas respirações entrecortadas que preenchiam o espaço entre um beijo e outro.
a puxou mais para perto, as mãos firmes na cintura dela como se já soubessem o caminho. sentiu o abdômen dele contra o seu, quente, definido, cada músculo despertando um ponto novo de desejo no corpo dela. E aquilo só aumentava, a cada toque, a cada aproximação que parecia suave, mas escondia um controle que beirava o provocante.
Ela deslizou as mãos por baixo da barra da camiseta dele, tocando direto a pele. Era lisa, quente, e quando seus dedos encontraram as linhas definidas do abdômen, sentiu respirar fundo, o peito expandindo contra o dela.
— Tá tudo bem? — ele perguntou, a boca ainda próxima demais, a voz baixa, mas firme.
assentiu, sem conseguir conter o sorriso que escapou pelos lábios já inchados de tanto beijo.
— Tá… mais do que bem — murmurou, o puxando pela nuca de volta para si.
O beijo recomeçou mais lento dessa vez. Como se, agora que sabiam que podiam se tocar, tivessem o direito de saborear. A língua dele dançava com a dela num ritmo calculado, provocante, explorando cada canto de sua boca com precisão quase cruel. Era o tipo de beijo que não pedia permissão, mas também não atropelava. Ele a guiava. E deixava que ela o conduzisse também.
As mãos dele subiram pelas costas dela, passando por cima da camiseta fina que ela usava, sentindo o contorno do sutiã, o arrepio que ela não conseguia esconder… Quando a palma da mão dele tocou o lado da costela dela, arfou levemente contra a boca dele e sentiu o sorriso que se formou nos lábios dele por causa disso.
— Você tremendo… — ele murmurou, encostando os lábios no canto da boca dela, e depois no maxilar, e depois na curva do pescoço. — Isso é por mim?
— Você sabe que é.
a beijou ali, no ponto exato entre o pescoço e o ombro, onde a pele era fina e sensível, e o corpo dela respondeu com um arrepio instantâneo. Ela jogou a cabeça levemente para o lado, oferecendo mais. Querendo mais.
Ele aproveitou.
Os beijos se tornaram trilhas quentes pelo pescoço, pelos ombros, e as mãos deles agora já exploravam sem culpa, sem hesitação. O sofá atrás dela era um convite, mas eles ainda não chegaram até lá. Como se os dois soubessem que aquele momento em pé, no meio da sala, com os corpos colados, era o início de algo que precisava ser lento. Intenso. Merecido.
O mundo podia esperar.
Porque os dois, ali, finalmente se tinham.
E estavam só começando a descobrir o gosto disso.
não sabia quem cedeu primeiro. Se foi ela, dando um passo para trás, ou se foi , avançando. Só soube que, quando se deu conta, o sofá estava ali, atrás de suas pernas, e as mãos dele a guiavam com calma, como se dissesse confia em mim sem palavras.
Ela sentou, o corpo ainda aquecido pelos beijos, e ele ficou de pé por um segundo, a observando como se gravasse aquela imagem. Os olhos dele estavam escuros, não de sombra, mas de desejo. Quentes. Atentos.
Em seguida, ele se inclinou, levando o joelho até o sofá, se acomodando sobre ela com cuidado. Não era uma invasão, era uma aproximação medida, exata. Um convite que o corpo dela aceitava com prazer.
O beijo recomeçou, mais profundo. Os corpos se colaram de vez, e dessa vez, sentiu o volume da excitação dele contra o próprio ventre, e seu corpo respondeu na mesma hora: os quadris se moveram instintivamente, buscando mais, pedindo mais.
gemeu baixo contra a boca dela, um som rouco, curto, mas capaz de incendiar ainda mais a tensão entre os dois.
— Você tem ideia do que tá fazendo comigo? — ele murmurou, arrastando os lábios até a base do pescoço dela.
— Acho que tenho uma vaga noção… — ela respondeu entre suspiros, com um sorriso nos lábios, enquanto os dedos deslizavam pelas costas dele, sentindo cada músculo responder ao seu toque.
As mãos dele estavam mais ousadas agora. Subiram por debaixo da camiseta que ela usava, tocando a pele nua com precisão e reverência. Quando os polegares roçaram a linha abaixo dos seios, arqueou o corpo, a respiração falhando.
— Me diz se for demais — ele sussurrou, a boca colada à pele sensível do colo dela.
— Não é. — A resposta veio rápida. Quente. Faminta. — Só… continua.
puxou a barra da camiseta dela com calma, e quando ela levantou os braços, ele a tirou por completo, jogando a peça em algum canto da sala. Os olhos dele a percorreram com uma intensidade muda, como se a visse pela primeira vez, como se tudo ali fosse sagrado e absurdo ao mesmo tempo.
— Você é linda pra caralho… — ele disse, a voz mais baixa agora, quase um pensamento dito alto demais.
E então, ele a beijou novamente. Não só a boca, mas os ombros, o colo, a curva entre os seios, o ventre. Cada centímetro do corpo dela parecia merecer atenção. Tempo. E ele estava disposto a dar.
segurou no cabelo dele com uma das mãos, os olhos fechados, o corpo em brasa. Ela não sabia onde aquilo ia parar, só sabia que não queria que parasse.
Porque naquele sofá, com aquele homem entre seus braços, ela finalmente entendia o que era ser tocada não só com desejo, mas com vontade. Com intenção. Com fome.
a beijava como quem queria decifrar um segredo escondido na pele dela. A boca dele era quente, insistente e meticulosa, explorando cada curva com reverência. Ele começou pela base do pescoço, os lábios pressionando suavemente antes de abrir espaço com a língua, subindo até o queixo. Quando chegava perto demais da boca, desviava de propósito, apenas roçando o canto dos lábios dela com um sopro provocante.
Ela arfava, impaciente. Tentava beijá-lo de volta, mas ele não deixava.
— ... — ela gemeu, com a voz falha, o peito subindo e descendo em ritmo acelerado.
Ele finalmente cedeu, encaixando a boca na dela com mais intensidade, e dessa vez, o beijo foi diferente. Mais firme, mais fundo, como se finalmente ele admitisse o quanto a queria ali, sob seus toques.
As mãos dele deslizavam pelas laterais do corpo dela, subindo pelas costelas e depois descendo devagar, apertando as curvas com segurança. Quando os dedos alcançaram as coxas, ele roçou a ponta deles sobre o tecido fino do short de moletom que ela ainda usava, e o toque fez estremecer.
E ele entendeu.
afastou a boca da dela e desceu os beijos até o centro do colo, abrindo espaço com os dedos entre os tecidos e a pele quente. Beijou o osso do esterno com uma delicadeza lenta, e depois lambeu a curva de um dos seios por cima do sutiã, fazendo arfar alto, os dedos cravando nos ombros dele.
Ela sentia o corpo vibrar sob cada toque, como se estivesse acordando pela primeira vez para aquela fome que por tanto tempo ficou adormecida.
— Você é tão sensível aqui... — ele murmurou, com os lábios ainda colados à pele, e os olhos levantados, escuros e intensos.
mordeu o lábio, envergonhada e excitada.
— Eu… não costumo deixar ninguém chegar até aqui — confessou, com a voz embargada pelo prazer crescente.
ergueu o rosto, os lábios ainda brilhando pelos beijos dados.
— Então obrigado pela honra. — Ele sorriu, mas seus olhos mantinham aquela seriedade quente que fazia tudo parecer ainda mais íntimo. — Eu vou fazer valer a pena.
E antes que ela pudesse responder, ele voltou a beijá-la com mais intensidade, com as mãos subindo por baixo do sutiã agora, sentindo, apertando, provocando. jogou a cabeça para trás, os olhos fechados, a boca entreaberta num suspiro que era quase um gemido.
As pernas dela o envolviam aos poucos, como se o corpo inteiro se abrisse para ele.
E ele se encaixava. Perfeitamente.
a beijava com mais fome agora. A boca se encaixava na dela como se a conhecesse há anos, e os beijos variavam entre suaves e possessivos, entre sussurros e respirações ofegantes. Ele sabia alternar o ritmo como se estivesse ouvindo a sinfonia do corpo dela.
As mãos dele, firmes e quentes, seguravam o quadril de com precisão. Ele a puxava mais para si, pressionando o próprio corpo contra o dela com lentidão proposital. Ela sentia o volume da excitação dele roçando entre as coxas, mesmo com as roupas ainda no meio. E aquilo fez seu ventre pulsar de desejo.
A cada beijo no pescoço, cada mordida leve no lóbulo da orelha, ela se derretia um pouco mais.
— Você tá me deixando maluca… — ela sussurrou, os olhos fechados, a boca roçando a dele.
— Esse é exatamente o meu plano — ele respondeu, arrastando os lábios pela clavícula dela, a beijando com um carinho que ardia mais do que queimava. — Quero que você esqueça tudo. Só sente.
Ele levou a mão até a barra do sutiã e a levantou o olhar antes de seguir.
— Posso?
Ela assentiu com um sorriso e um sim sussurrado, já sem forças para resistir a nada.
puxou o tecido devagar, expondo os seios com calma, como se desembrulhasse algo precioso. Os olhos dele desceram, e um suspiro rouco escapou dos lábios quando ele viu a pele dela completamente entregue.
— Você é linda — ele murmurou, quase para si mesmo, antes de se abaixar para beijar cada centímetro do que agora era dele para explorar.
A boca dele envolveu um dos mamilos, quente, lenta, a língua traçando círculos ao redor com movimentos precisos. arqueou o corpo contra ele, um gemido leve escapando de seus lábios. Seus dedos se enroscaram nos cabelos dele, incentivando, guiando, implorando por mais.
Ele alternava os beijos entre os seios, sugando e provocando com a ponta da língua, enquanto a mão dele deslizava pela barriga dela, alcançando a cintura do short de moletom.
Ele olhou de novo para ela, os olhos ardendo.
— Me deixa tirar isso?
respondeu puxando a própria peça com pressa, e ele ajudou a deslizar o short e a calcinha junto, numa única ação, a deixando completamente exposta sob seu olhar.
Mas ele não foi rápido. Nem bruto. Ele apenas a olhou por alguns segundos, absorvendo.
— Deus... — ele murmurou. — Isso é quase injusto.
Ela riu, tímida, mas com o corpo vibrando. Ele não a tocava ali ainda, e aquilo a deixava louca.
— …
— Tô aqui. — Ele se inclinou, voltando a beijá-la, agora nos quadris, nas coxas, no interior das coxas, beijos lentos, molhados, quentes. A língua dele desenhava caminhos que arrepiavam cada nervo, e o suspense era quase cruel.
Quando ele finalmente chegou ao centro dela, já estava ofegante, os quadris se movendo em busca de contato.
E então, ele a provou. Com a língua. Com precisão. Com paciência. Como se estivesse aprendendo o gosto dela para nunca esquecer.
Ela gemeu alto, a respiração descompassada, o corpo inteiro pulsando sob os toques dele. A língua explorava devagar, depois rápido, depois suave outra vez. E quando ele introduziu dois dedos com cuidado, mantendo o ritmo, perdeu completamente o controle.
Os quadris dela se moviam contra a boca dele sem vergonha, sem medo. Ela segurava o braço do sofá com uma das mãos e o cabelo dele com a outra, entre gemidos baixos e sussurros perdidos.
— Isso… Isso, assim — ela murmurava, o rosto virado para o encosto do sofá, os olhos cerrados.
não parava. E enquanto ela se desfazia pouco a pouco sob os toques dele, o prazer ia se acumulando em ondas quentes, crescendo, ameaçando romper de vez.
— Quero te ver gozar na minha boca — ele sussurrou contra a pele sensível, antes de recomeçar com mais intensidade.
E ela foi.
Com os olhos fechados, a boca entreaberta, o corpo todo tremendo.
Ela gemeu o nome dele, suprimido, abafado, mas tão verdadeiro que o nome dele soou sagrado em sua boca.
ainda tentava recuperar o ar quando sentiu os beijos subirem novamente por suas coxas, lentos, quase reconfortantes. A respiração ainda descompassada, o corpo tremendo em pequenas ondas de prazer. Ela mal conseguia abrir os olhos, mas sabia, sentia, que ele ainda estava ali, entre suas pernas, saboreando o efeito que causava.
subiu o corpo devagar, a cobrindo com o próprio peso, apoiando um dos braços ao lado do rosto dela no encosto do sofá, o outro traçando um caminho pela lateral do corpo dela até descansar na curva da cintura.
Os olhos se encontraram.
Os dele estavam escuros, intensos, mas havia ternura ali também. Um cuidado quase reverente. Ele inclinou o rosto e a beijou com suavidade, fazendo com que ela sentisse o próprio gosto em sua boca, o que fez o estômago dela revirar de desejo outra vez.
— Você é inacreditável… — ele disse, entre beijos, a voz rouca e baixa, como se estivesse falando um segredo só para ela.
envolveu a cintura dele com as pernas, sentindo o tecido da calça dele ainda entre os dois. A excitação dele era óbvia, rígida, pulsante, pressionando contra sua pele. Ela levou as mãos até a barra da camiseta dele e a puxou para cima.
— Tira.
obedeceu sem hesitar. A peça foi para o chão com rapidez. O corpo dele era tão firme quanto ela imaginava, definido, com a pele quente e esticada sobre músculos torneados. Mas não era sobre o corpo em si. Era sobre ele ali, sobre como olhava para ela, sobre o desejo calmo que ele carregava nas mãos.
Ela levou as mãos até o cós da calça dele e começou a descer o tecido bem devagar, mas ele interrompeu o gesto com delicadeza, segurando os punhos dela e os beijando.
— Ainda dá tempo de parar, .
Ela mordeu o lábio inferior, o peito subindo e descendo de forma visível.
— Você acha que eu parei de pensar nisso depois daquela primeira mensagem?
sorriu. Um sorriso pequeno, mas cheio de significado. E então se levantou só o suficiente para se livrar da calça e da cueca de uma vez, voltando a se posicionar entre as pernas dela.
Quando os corpos se tocaram de verdade, pele com pele, desejo com desejo, ambos suspiraram ao mesmo tempo.
Ele segurou os quadris dela com uma das mãos e, com a outra, se guiou com cuidado, os olhos presos aos dela.
— Se for demais, me fala — ele repetiu, como antes.
Ela assentiu, passando os dedos pela nuca dele.
— Eu confio em você.
Com delicadeza, ele se encaixou.
Lentamente.
Com controle.
Com respeito.
O corpo dela o recebeu com calor, com entrega, com um suspiro longo que saiu direto do peito e explodiu nos lábios dele quando voltaram a se beijar.
Os movimentos começaram suaves, ritmados, como se ele quisesse memorizar o tempo do corpo dela. A cada investida, mais gemidos suaves, mais suspiros abafados, mais mãos se agarrando, puxando, pedindo mais.
envolveu a cintura dele com as pernas e a nuca com as mãos, o puxando para mais perto. Ela queria tudo. Queria sentir a pele dele na dela. O peito colado ao seu. A respiração quente soprando em seu pescoço. O prazer crescendo de novo — agora de forma diferente. Mais profundo. Mais cheio.
beijava os ombros dela entre os movimentos, dizia o nome dela como se fosse a única coisa no mundo que importava. E sabia: não era só sexo. Não parecia só tesão de vizinhos. Parecia mais.
Era tudo aquilo que eles não disseram, mas deixaram o corpo contar.
Os corpos se moviam em sintonia, um ritmo que os dois pareciam ter decorado sem nunca ensaiar. Ele dentro dela, firme, profundo, cheio. Ela envolvida nele, com as pernas em sua cintura, os dedos cravados em suas costas, o corpo inteiro entregue.
roçava o nariz na curva do pescoço dela, enquanto gemia baixo, abafado, com a voz rouca e falha.
— Você tá tão molhada pra mim... — ele sussurrou, a boca quente contra a pele. — Tão apertadinha…
mordeu o lábio, ofegante, sentindo o prazer escalar por dentro como uma onda impossível de controlar.
— …
— Shhh… — ele disse entre beijos no maxilar. — Eu tô aqui.
E então, com um sorriso que ela só sentiu contra o rosto, ele murmurou:
— Tá começando a me convencer daquela mensagem, sabia?
Ela soltou um riso entrecortado pelo prazer, tentando empurrá-lo de leve com as mãos.
— Você é impossível…
— Não. — Ele segurou os quadris dela com mais firmeza, se encaixando ainda mais fundo. — Impossível seria eu deixar você dormir sem cumprir o que você pediu.
Ele acelerou o ritmo, e o corpo dela respondeu de imediato. gemeu mais alto, jogando a cabeça para trás. O prazer era quente, latejante, espalhado entre as pernas e irradiando pelo corpo como eletricidade.
— Cê tá quase… não tá? — ele perguntou, ofegante, com o polegar deslizando entre os dois, tocando o ponto mais sensível dela com movimentos firmes, circulares. — Vai gozar pra mim, ?
Ela assentiu, sem fôlego, os olhos marejados de tanto sentir.
— Então vem — ele sussurrou no ouvido dela, a boca encostando de leve. — Quero você mansinha… do jeitinho que disse que ficaria.
E ela foi.
O corpo inteiro dela se contraiu ao redor dele, num espasmo intenso, molhado, quente. gemeu alto, sem vergonha, sem filtro, as pernas apertando a cintura dele, os braços puxando-o com força. E veio logo depois, gemendo o nome dela contra o pescoço, o corpo todo tenso, a respiração descompassada e os quadris ainda se movendo dentro dela enquanto se desfazia.
Os dois permaneceram colados, peito contra peito, respiração se misturando, corações acelerados batendo no mesmo compasso.
passou a mão pelas costas dela, afagando a pele como se estivesse agradecendo em silêncio.
— Então… — ele disse, entre um beijo e outro no ombro dela. — Você costuma cumprir tudo o que promete em grupos de WhatsApp?
Ela riu, ainda ofegante, e escondeu o rosto no pescoço dele.
— Depende. Você costuma aparecer na porta de toda vizinha que escreve bobagem no grupo errado?
— Só das que gemem meu nome desse jeito — ele provocou, com a voz embargada, beijando a lateral do rosto dela.
sorriu.
E se aninhou contra ele, sentindo o calor do pós, a pele colada, o corpo finalmente em paz.
E, naquele instante, ela entendeu: Não era só a “pirocada.” Era o jeito como ele a olhava, o jeito como dizia seu nome, como a tocava como se soubesse exatamente o que fazer — e por quê.
E se fosse aquilo que vinha depois… Sim. Ela dormiria mansinha.
Pela primeira vez em muito tempo.
O silêncio que veio depois foi diferente de todos os silêncios que já tinha vivido. Não era constrangedor, nem vazio. Era um silêncio quente, confortável, cheio de respiração lenta, de corpos ainda colados e pele grudando na pele.
estava com o rosto escondido no pescoço dela, a respiração ainda um pouco acelerada, mas já mais calma. Os dedos dele desenhavam círculos preguiçosos na cintura dela, como se não quisessem parar de tocar por nenhum segundo sequer.
— Você tá viva aí? — ele perguntou, com a voz grave e arrastada pelo cansaço bom.
soltou uma risada fraca, a bochecha encostada no peito dele.
— Viva… e derretida. Literalmente.
— Então funcionou? — Ele ergueu uma sobrancelha, sorrindo com aquele ar satisfeito de quem sabe exatamente o estrago que fez.
— Funcionou tanto que eu tô pensando seriamente em mudar de número, sair do grupo dos vizinhos e fingir que nunca existi.
riu, a mão agora acariciando os cabelos dela.
— A essa altura, você pode até sair do grupo… — Ele levantou o rosto e a olhou, com aquele olhar quente, profundo. — Mas da minha cama acho mais difícil.
Ela o encarou com um sorriso preguiçoso, mas os olhos acesos.
— Vai me manter presa aqui agora, é?
— Não. — Ele se inclinou, encostando a boca no ouvido dela, a voz mais baixa, rouca. — Mas quem sabe eu te convença com outro argumento…
— Outro? — ela provocou, os olhos arregalando de leve.
Ele roçou os lábios na curva do pescoço dela, mordendo de leve.
— Quem disse que eu só ia te fazer dormir mansinha só uma vez?
sorriu, mordeu o lábio… e nem teve tempo de responder.
Porque já a virava com cuidado, se encaixando entre suas pernas outra vez. E o corpo dela, como antes, respondeu antes da boca. Porque ele estava certo. Ela não queria parar.
E aquela noite? Aquela noite estava só começando.
