Revisada por: Júpiter
Última Atualização: 14/07/2025“Um novo vírus mortal está se espalhando pelo mundo. O novo coronavírus, também conhecido como Covid-19, teve seus primeiros sinais na China e agora se espalha pela Europa. A situação está preocupante na Itália, com o número de casos e de mortes subindo a cada segundo. A orientação da Organização Mundial da Saúde é para que todos fiquem em casa e usem máscara, se tiverem que sair; usar álcool em gel e lavar sempre as mãos. Evite contato físico com outras pessoas e, se possível, fiquem sempre a um metro e meio de distância.”
A televisão do refeitório estava ligada em um canal de notícias local e todos estavam prestando atenção no que a repórter estava falando enquanto almoçávamos. A coisa estava ficando séria, todos no hotel já estavam tomando os devidos cuidados, mas ainda assim estávamos extremamente assustados com tudo o que estava acontecendo no mundo. Estávamos em meio a uma pandemia. Vidas sendo tiradas, voos sendo cancelados, cidades inteiras entrando em quarentena. Diversos hóspedes estavam cancelando a hospedagem no último minuto, pois não poderiam mais vir para Roma, a capital e cidade mais turística da Itália. Era triste ver as ruas, sempre tão cheias de vida, se esvaziarem aos poucos.
“Outro país em estado de emergência é a Espanha, que também tem apresentado números preocupantes nos últimos dias.”
Meu coração saltou ao ouvir sobre a Espanha. Tentei limpar o nó na garganta antes de falar.
— Toni, aumenta um pouco o volume, por favor?
— Claro, principessa! — ele respondeu, pegando o controle e aumentando.
— Valeu! — exclamei, voltando a prestar atenção na televisão enquanto deixava o garfo de lado, sem muito apetite.
“O primeiro-ministro da Espanha decretou estado de emergência em todo o país. As aulas presenciais foram canceladas, todas as escolas foram fechadas, assim como os principais aeroportos. Muitas empresas já aderiram ao home office.”
Meus pais, minha avó e uma das minhas irmãs moravam há alguns anos na Espanha, mais especificamente no interior de Madri. Os três mais velhos eram de risco e meu coração apertava sempre que recebia notícias de onde eles moravam. Era horrível estar longe da minha família em um momento como aquele, sem poder fazer muito para ajudar ou cuidar deles. Me consolava saber que minha irmã estava lá, mas me doía não poder sair correndo e ir para perto deles.
— Você tem falado com seus pais, ? — perguntou Olivia, limpando os cantos da boca sujos de molho de tomate.
A loira era minha melhor amiga e ajudante na confeitaria em que eu era chef. Sua família era toda da Itália, moravam em Roma com ela e, por sorte, estavam todos bem e isolados. Mesmo assim, Ollie assistia o noticiário tão aflita quanto eu.
— Tenho sim, eles estão bem, já estão se isolando... Mas eu posso imaginar como eles devem estar agoniados de ficarem presos em casa. Sabe como eles são, não sabe?
— Sei bem — ela respondeu, rindo. — Lembra quando fui para Madri com você e seu pai nos levou em uma tour pelas melhores padarias da região? E depois sua mãe nos levou para fazer compras. Eles simplesmente não paravam quietos, o que era ótimo.
— Pois é, eles não param nunca! — exclamei, rindo com ela para aliviar a tensão. — Isso que me deixa preocupada, espero que eles respeitem o que estão pedindo.
Nesse momento, o gerente do hotel, Sr. Enrico Valente, se juntou a nós no refeitório para uma reunião, como prometido antes. Ele nos informou que, por causa de um caso isolado de um hóspede do hotel que testou positivo, teríamos que fazer testes para a Covid e o hotel seria parcialmente fechado. Isso significava que não receberíamos hóspedes novos, mas os que estavam não poderiam sair. Isso também significava que nós teríamos que morar lá por um tempo, o que dividiu opiniões. Alguns comemoraram – “comida, água e luz de graça!” –, outros soltaram resmungos desanimados. Eu permaneci quieta, sem saber muito bem o que sentir. Eu já morava sozinha, então nada me afetaria. Porém, assim como meus pais, a ansiedade por ter que ficar presa naquele hotel já me incomodava profundamente.
Finalizando a reunião, Sr. Enrico disse que receberíamos um email com todas as informações necessárias.
— Morar aqui!? — sussurrei para Olivia enquanto colocávamos nossas máscaras e saíamos do refeitório, voltando para a confeitaria. — Isso é loucura.
— Vai ser bem divertido, imagina? Vamos treinar para quando formos morar juntas! — ela disse, empolgada, enquanto arrumava seu avental. Eu ri do tom infantil que ela adotou.
— Ainda está nos meus planos, gatinha — respondi. — Mas ainda acho loucura morar aqui.
Olivia deu de ombros, mas seu sorriso sugeria que ela estava planejando mil planos para nós duas ali, o que não necessariamente era algo que me tranquilizava.
— Vamos focar nesses pudins, . Eles não ficarão prontos sozinhos.
