Prólogo
Brooklyn, 1940.
Era uma tarde fria de janeiro e a neve que começava a cair baixava ainda mais a temperatura. A garota sentada no canto do bar afundou o rosto no cachecol e soltou o lápis para colocar suas luvas.
Ela poderia estar em casa, terminando os desenhos das roupas que sua chefe, aquela estilista francesa arrogante, havia pedido, mas seria impossível. O apartamento minúsculo que ela dividia com suas três amigas sempre estava um caos, até mesmo um bar era mais tranquilo para ela conseguir desenhar.
Ela voltou sua atenção para os desenhos, mas não demorou para ser interrompida quando um copo foi colocado sobre a mesa e alguém sentou ao seu lado.
Ela não estava com paciência para conversar e depois de ignorar tantos homens naquele lugar pensou que eles já haviam entendido o recado.
O rapaz limpou a garganta, esperando que aquilo chamasse sua atenção, mas ela permaneceu concentrada no desenho. Em algum momento ele perceberia que não valia a pena insistir.
— Não é educado ignorar os outros, sabia?
Aquela voz. Ela imediatamente soube a quem pertencia: James Buchanan Barnes.
E isso só lhe dava ainda mais motivos para ignorá-lo.
Barnes sempre estava ali nas sextas-feiras, os mesmo dias em que ela ia para concluir os trabalhos da semana. Ele passava a noite toda bebendo, dançando e sendo disputado por todas as garotas — com exceção dela, é claro. No fim da noite ele escolhia uma garota e saía com ela.
— Vai mesmo agir como se eu não estivesse aqui? — perguntou, fingindo um tom magoado.
— Estou ocupada — ela apontou para as folhas espalhadas sobre a mesa.
Bucky examinou os desenhos, balançando a cabeça em sinal de aprovação.
— Você é bem talentosa.
— Obrigada — ela agradeceu com uma voz doce — Agora, poderia me dar licença, por favor? — concluiu no tom mais ácido possível.
Aquilo não o afastou. Só fez Bucky se aproximar ainda mais.
— Qual o seu nome?
— Você ainda está aqui?
Ele sorriu, como se tivesse acabado de encontrar o jogo mais divertido para jogar.
— Eu sou Bucky Barnes. — ele estendeu a mão para ela.
Ao invés de estender a mão, ela estendeu o copo que ele havia colocado sobre a mesa.
— Todo mundo sabe quem é você, Barnes. Agora vá oferecer essa bebida a alguém que esteja interessada. — Ela apontou para o balcão, onde cinco garotas o observavam.
Elas acenaram, porém seus sorrisos desapareceram quando ele apenas rolou os olhos e se voltou para a mulher ao seu lado.
— Elas não fazem meu tipo — respondeu, empurrando a bebida novamente para ela.
— É mesmo? Porque nos dois meses que eu tenho frequentado esse lugar, você sempre sai com uma delas.
Um sorriso divertido se formou nos lábios dele.
— Quer dizer que você tem me observado, não é?
— Não foi isso que eu…
— Tudo bem, eu entendo — ele comentou sorrindo.
Ela fechou os olhos, inspirando fundo, Barnes já estava lhe dando nos nervos.
— E fazem três meses — ele disse, tomando um gole de sua própria bebida.
— O quê disse? — ela indagou.
— Final de outubro. Foi a primeira vez que eu te vi aqui. Era halloween e você usava um casaco laranja, da mesma cor das abóboras da decoração — ele riu, mas ela o encarou com uma expressão séria, indicando que ele só estava piorando a situação. — Você estava linda — Bucky afirmou, sério — Você estava desenhando. Esperei você terminar os desenhos e estava prestes a te chamar para dançar quando alguém fez isso primeiro. Você recusou, ele insistiu e então você deve ter dito alguma coisa cruel, porque quase fez ele chorar — ele riu — Foi por isso que eu não falei com você antes, mas… Eu precisava saber seu nome, e então hoje criei coragem.
Ela lembrava daquela noite.
Ela tinha o casaco laranja há anos, era o seu favorito e ela sempre o usava durante o outono, e ela lembrava de ter reparado que ele era da mesma cor das abóboras sobre o balcão quando entrou no bar pela primeira vez. Ela também lembrava de ter dispensado aquele rapaz, apesar de não lembrar ter sido tão rude, mas não tinha nenhuma lembrança de ver Bucky naquela noite.
Mas, ele a viu.
— Quer dizer que você tem me observado, não é?
Ela pegou o copo sobre a mesa e tomou um gole, olhando fundo nos olhos claros dele.
— O meu nome é .
Era uma tarde fria de janeiro e a neve que começava a cair baixava ainda mais a temperatura. A garota sentada no canto do bar afundou o rosto no cachecol e soltou o lápis para colocar suas luvas.
Ela poderia estar em casa, terminando os desenhos das roupas que sua chefe, aquela estilista francesa arrogante, havia pedido, mas seria impossível. O apartamento minúsculo que ela dividia com suas três amigas sempre estava um caos, até mesmo um bar era mais tranquilo para ela conseguir desenhar.
Ela voltou sua atenção para os desenhos, mas não demorou para ser interrompida quando um copo foi colocado sobre a mesa e alguém sentou ao seu lado.
Ela não estava com paciência para conversar e depois de ignorar tantos homens naquele lugar pensou que eles já haviam entendido o recado.
O rapaz limpou a garganta, esperando que aquilo chamasse sua atenção, mas ela permaneceu concentrada no desenho. Em algum momento ele perceberia que não valia a pena insistir.
— Não é educado ignorar os outros, sabia?
Aquela voz. Ela imediatamente soube a quem pertencia: James Buchanan Barnes.
E isso só lhe dava ainda mais motivos para ignorá-lo.
Barnes sempre estava ali nas sextas-feiras, os mesmo dias em que ela ia para concluir os trabalhos da semana. Ele passava a noite toda bebendo, dançando e sendo disputado por todas as garotas — com exceção dela, é claro. No fim da noite ele escolhia uma garota e saía com ela.
— Vai mesmo agir como se eu não estivesse aqui? — perguntou, fingindo um tom magoado.
— Estou ocupada — ela apontou para as folhas espalhadas sobre a mesa.
Bucky examinou os desenhos, balançando a cabeça em sinal de aprovação.
— Você é bem talentosa.
— Obrigada — ela agradeceu com uma voz doce — Agora, poderia me dar licença, por favor? — concluiu no tom mais ácido possível.
Aquilo não o afastou. Só fez Bucky se aproximar ainda mais.
— Qual o seu nome?
— Você ainda está aqui?
Ele sorriu, como se tivesse acabado de encontrar o jogo mais divertido para jogar.
— Eu sou Bucky Barnes. — ele estendeu a mão para ela.
Ao invés de estender a mão, ela estendeu o copo que ele havia colocado sobre a mesa.
— Todo mundo sabe quem é você, Barnes. Agora vá oferecer essa bebida a alguém que esteja interessada. — Ela apontou para o balcão, onde cinco garotas o observavam.
Elas acenaram, porém seus sorrisos desapareceram quando ele apenas rolou os olhos e se voltou para a mulher ao seu lado.
— Elas não fazem meu tipo — respondeu, empurrando a bebida novamente para ela.
— É mesmo? Porque nos dois meses que eu tenho frequentado esse lugar, você sempre sai com uma delas.
Um sorriso divertido se formou nos lábios dele.
— Quer dizer que você tem me observado, não é?
— Não foi isso que eu…
— Tudo bem, eu entendo — ele comentou sorrindo.
Ela fechou os olhos, inspirando fundo, Barnes já estava lhe dando nos nervos.
— E fazem três meses — ele disse, tomando um gole de sua própria bebida.
— O quê disse? — ela indagou.
— Final de outubro. Foi a primeira vez que eu te vi aqui. Era halloween e você usava um casaco laranja, da mesma cor das abóboras da decoração — ele riu, mas ela o encarou com uma expressão séria, indicando que ele só estava piorando a situação. — Você estava linda — Bucky afirmou, sério — Você estava desenhando. Esperei você terminar os desenhos e estava prestes a te chamar para dançar quando alguém fez isso primeiro. Você recusou, ele insistiu e então você deve ter dito alguma coisa cruel, porque quase fez ele chorar — ele riu — Foi por isso que eu não falei com você antes, mas… Eu precisava saber seu nome, e então hoje criei coragem.
Ela lembrava daquela noite.
Ela tinha o casaco laranja há anos, era o seu favorito e ela sempre o usava durante o outono, e ela lembrava de ter reparado que ele era da mesma cor das abóboras sobre o balcão quando entrou no bar pela primeira vez. Ela também lembrava de ter dispensado aquele rapaz, apesar de não lembrar ter sido tão rude, mas não tinha nenhuma lembrança de ver Bucky naquela noite.
Mas, ele a viu.
— Quer dizer que você tem me observado, não é?
Ela pegou o copo sobre a mesa e tomou um gole, olhando fundo nos olhos claros dele.
— O meu nome é .