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Revisada: Lightyear 💫

Última Atualização: 20/07/2025

Em meados de 2025, a vida é gentil.
É um ano imprescindível para o tênis feminino, e ela está nas cabeças e televisões de qualquer um que conheça minimamente o esporte.
.
Nascida e criada em uma fazenda no Texas, a atleta cresceu inventando suas próprias artimanhas para ganhar dentro do limite das regras. Ela não tinha um treinador experiente, nem de perto um King Richard para moldá-la como campeã, mas a garota possuía a sua própria força de vontade e uma necessidade de conseguir que a deixava doente de uma adrenalina ansiosa na maioria dos dias.
E, é claro, o apoio incondicional do seu pai.
Indira e Gator tinham 4 filhos, sendo três meninos e uma menina. era a mais velha, a garotinha do papai, a primogênita do amor fraternal. A primeira cria que aprendeu a atirar em um alvo a quarenta metros de distância, como uma boa herdeira de um casal de Texas Rangers1, policiais texanos da velha guarda.
A sua mira, da qual Indira se gabava ao dizer que havia puxado do seu lado da família, não era boa apenas para um bom e velho tiro ao alvo: conseguia se exceder em quase todo esporte que tentava por brincadeira, especialmente se envolvesse as mãos e uma bola. O seu gosto por tênis não demorou a aparecer. Seu pai sempre dizia que uma criança agitada é como um cachorro cheio de energia: dê a ele um espaço aberto e o bicho vai correr até cansar e, quando se exaurir, vai procurar um novo entretenimento.
A diversão nunca deixou de ser parte dos esportes que tentava, entretanto, no momento em que ela colocou a mão em uma raquete velha e desbotada, seus olhos brilharam como se aquilo fosse o maior tesouro que já tivesse visto.
Seria doce dizer que foi do dia para a noite, que as oportunidades se abriram para uma garotinha com sonhos grandes e talento, mas não era verdade. As portas só se escancaram para os ricaços, e uma menina do interior do Texas como ela com certeza não se encaixava nessa categoria.
Gente como nós, tem que arrombar as portas, querida, sua mãe havia dito, algumas rugas atrás, mas com o mesmo semblante acolhedor de sempre. Sua sorte é que você tem um bom gancho de direita.
Anos foram gastos como troco para balas; sem perceber, mas sempre deixando um gosto para trás. treinava todos os dias, querendo desenvolver suas habilidades e não se acomodar na falácia de que um talento natural evoluía sem prática. Não havia um técnico de tênis na sua cidade — mal havia um técnico, a não ser o professor parrudo e carrancudo do ensino médio, que preferia que as garotas fossem líderes de torcida ou jogassem vôlei. Por sorte, Gator não concordava com isso. O patriarca passou todas as horas livres ajudando a filha, cada dólar a mais ia para equipamentos melhores. As partidas de tênis na televisão eram sagradas, sempre acompanhadas por um bloco de notas desgastado com a logo da polícia, transbordando anotações sobre as técnicas e movimentos das jogadoras.
O sorriso de Gator era cansado na maioria dos dias, as suas mãos estavam sempre calejadas pelo trabalho na fazenda. Mas ele nunca faltou a um treino. Ele nunca reclamou. O tempo bateu de frente com ele, como sempre faz com os pais, todavia, o pai dela não se abalou. Ele continuou apoiando a filha, tentando dar-lhe um caminho para os jogos.
Agora, chegou ao topo do mundo.
Ela tinha conseguido uma bolsa de estudos para uma universidade por conta do tênis e, assim que começou a jogar lá, um olheiro investiu nela. Não demorou para que a filha do Texas Ranger pulasse de torneio em torneio, colecionando títulos para a faculdade e olhares interessados em sua direção. Depois de tanto suor e lágrimas, e mais de uma década de constante exaustão, a aspirante havia se tornado uma tenista profissional. Uma das melhores, de acordo com o ranking publicado pela Tennishead2. A sua única disputa direta era Carly Hughes, uma atleta um ano mais nova, de cabelos loiros e olhos azuis, herdeira da fortuna (e aparentemente dos dotes) de Jim Hughes.
também era dona de um cachorro adorável, que mantinha companhia, havia conseguido pagar os estudos dos irmãos e aposentar os seus pais da força. Ela estava em todas as revistas de esportes, tinha amigos maravilhosos e um bom apartamento na Avenue Street, com uma enorme academia (que tinha uma mesa automática de tênis!) na cobertura para treinar.
se encontrava beliscando a própria pele mais do que deveria admitir. Alcançar tudo pelo que trabalhou tanto, estar no mesmo nível que uma Hughes, parecia um sonho.
Tudo estava perfeito!
E então, se mudou para o seu prédio.
era alto, muito mais alto que ela, tinha um cabelo castanho longo que dava um charme no auge dos cortes buzzcut. Ele havia deixado New Jersey por Nova Iorque para aprender sobre a empresa do pai. Era engraçado, flertava com ela desavergonhadamente, um garoto de cidade pequena com atitude de cidade grande.
E o pior, gostava daquilo.
Ela sabia que não podia desprender sua atenção do que realmente importava: o mundial de tênis. A sua vida toda havia guiado a atleta para aquele ano, para lutar por aquele título com unhas e dentes. Todo obstáculo deveria ser superado e qualquer coisa que tirasse sua atenção do troféu devia ser ignorada. Não era essencial. já tinha o que era importante. Ainda assim, era divertido. Ele a tirava da zona de conforto, era descarado, gostava de festas e sempre a olhava por tempo demais, sorrindo sem vergonha quando ela o pegava no flagra. A sua melhor amiga havia dito que um cara podia ser uma boa distração e, a cada dia, parte dela acreditava um pouquinho mais nisso. Por agora, os momentos roubados no elevador e os olhares furtivos teriam que servir. Quem sabe depois do campeonato?
saiu da academia ofegante após um treino de três horas, digitando uma mensagem para o pai sobre o seu desempenho. A mão direita ainda estava um pouco tensa e iria marcar uma massagem e, quem sabe, tomar um relaxante muscular, apesar desses nunca funcionarem bem. Com a fuça enfiada no aparelho, se dirigiu distraidamente até o elevador, seu rabo de cavalo balançando de um lado para o outro enquanto a mulher revirava os olhos para as figurinhas de velho que seu pai enviava.
Ao parar em frente ao elevador, a tenista colocou a raquete no chão e aguardou alguns segundos antes das portas se abrirem. ergueu o rosto, um cumprimento corriqueiro preso em sua garganta, quando percebeu quem estava lá.
. O cabelo caía perfeitamente em seu rosto, aquele mesmo sorriso presunçoso que a deixava irritada e bamba ao mesmo tempo. Ele vestia um Levi´s Jeans e tênis que esbanjavam o logo inconfundível da Nike.

— Você vai descer? — arqueou a sobrancelha pela inércia da mulher, que logo assentiu, seu rabo de cavalo pulando com o movimento. ajeitou a bolsa no ombro e entrou no elevador, dando um sorriso cortês ao homem. Ele riu, como se soubesse o efeito que tinha nela, e a atleta se perguntou se deveria beijar ou bater nele. Aquela arrogância era tão atraente quanto irritante. — 18?

enrugou o cenho, surpresa que ele se lembrasse do seu andar. Claro, já tinham dividido o elevador — tanto que ela se sentia ansiosa ao pensar que poderia estar lá na maioria das vezes em que apertava o bendito botão. tinha até mesmo sido apelidado de gostoso do elevador em conversas com seus amigos.
Tentando ignorar a quentura em seu peito, acenou com a cabeça. assentiu, inclinando-se para clicar em um dos botões, enquanto desviava o olhar, já ele se esgueirava para ficar atrás dela, provavelmente por sair em um andar depois da tenista.
Normalmente, os momentos apressados no elevador eram recheados de conversas ou alguma provocação de . Hoje, entretanto, o silêncio desconfortável achou um espaço no cubículo de metal. De repente, estava muito consciente de si mesma: suada, descabelada, sem um pingo de maquiagem no rosto.
A atleta lembrou que carregava um gloss dentro da bolsa e logo desceu a alça pelo braço, enfiando a mão nela para procurar o seu salvador com gosto de limão. Ela bufou para si mesma, por que estava agindo como uma garota na puberdade? é só uma pessoa. Ele é inofensivo, bonito, meio idiota, tem mãos grandes e um cabelo lindo. Mas é só isso. Um cara.

Andar 56.


Apesar do combate entre seus pensamentos, o elevador ainda era lento demais para um prédio tão luxuoso. Ela encarou o relógio eletrônico na parede, do lado dos números, 23:40. Chegar até o seu andar, sendo que haviam partido da cobertura, número 59, levaria longos e excruciantes minutos. Então, ela retirou o gloss e um espelho de mão da bolsa. Drama de adolescente ou não, iria, ao menos, se sentir confortável.

Saque de : Pov

— Você viu o jogo na sexta? — Enquanto girava a rolha do gloss, quebrou o silêncio. Dei de ombros, apertando a parte inferior da embalagem e assistindo à maneira como a tintura brilhante apareceu na ponta.
— Não assisto futebol.

Depois de me solidificar no tênis, não tinha muito tempo para assistir qualquer esporte além do meu. Entre treinos, estudos e descanso, era difícil acompanhar outros campeonatos, apesar de sentir falta especificamente da ginástica.
A resposta dele era como um ace, o ponto do saque, o início. O que me prende aquela conversa.

Andar 54.

— Ah! Estou falando do tênis.
— Não sabia que você gostava de tênis. — Virei o rosto para encará-lo, rindo ao enxergar a feição meio ofendida de . Voltei meu olhar para frente, abrindo o espelho com minha mão livre. — Sem ofensa, mas fãs da Nike... — Apontei com a cabeça para o lado, como se direcionasse meu julgamento para o tênis dele. — Normalmente preferem esportes que usem mais os pés.
— Gosto de qualquer coisa com uma bola, — aquele tom descarado em sua voz aveludada me fez tremer, mas apenas bufei, tentando não mostrar o quanto ele mexia comigo. Comecei a passar o gloss em meus lábios, me mantendo ocupada. — Mas comecei a assistir mais tênis há alguns anos. Especialmente depois que vim passar um tempo por aqui.

A sua última confissão me fez focar em outro ângulo, espelho rosa que descansava na minha palma. Por conta da diferença de altura, eu só conseguia ver a partir do lábio de . Aquela boca que havia assombrado tantos sonhos molhados meus agora exibia um sorriso malicioso, como se dissesse peguei você.

Andar 52.


Ele estava esperando uma reação, eu sabia disso. Algo que indicasse que eu havia entendido que, na verdade, seu súbito interesse por tênis era uma tentativa de se aproximar de mim.

— Bom, tem um bar aqui perto que exibe os jogos de tênis — eu disse, como se não me importasse, ignorando o jeito que meu coração parecia embolar nas minhas entranhas. — Devia ir lá no domingo.
— Está me chamando para um encontro, ?
Break point, a jogadora que recebeu o saque está prestes a vencer.

Andar 55.

— Se eu estivesse te chamando para um encontro, diria para você ir à minha casa, . Se ele queria brincar, os dois podiam jogar esse jogo. Fiz um pop com os lábios, terminando de aplicar o gloss e jogando-o de volta dentro da bolsa, ignorando o barulhinho que ele fez ao tocar em um objeto mais pesado e metálico dentro da mesma. Continuei segurando o espelho. Não queria olhá-lo, não queria encarar aqueles olhos castanhos e perder. Mas observei a maneira com que se aproximou a passos lentos, uma risada astuciosa deixando sua boca.

Ele arremessou seu lob, uma jogada com objetivo de encobrir a adversária.

Andar 50.

— Gosto quando você responde na mesma moeda. — disse, cada palavra batendo no meu pescoço por conta da sua proximidade, fazendo com que arrepios fossem enviados pela minha espinha. — Sabe, eu era um fã seu.
— É?
— Te assisti pela primeira vez na televisão no campeonato do estado em 2010. — contou, assentindo com a cabeça. — Aquele seu shortinho era bonito, mas prefiro essa sua sainha e blusa colada.

segurou a ponta da minha saia entre os dedos. Encarei sua mão, mordendo o lábio. A tensão e o tesão misturados em um aglomerado de desejos e limites. Não demorou para que ele acariciasse minha coxa com as costas dos dedos. Fechei os olhos, tentando ignorar o calor entre as minhas pernas.

Andar 49.

Puta que pariu, eu realmente precisava transar.


— Você quer que eu pare? — ele perguntou, sua voz rouca contra o meu ouvido.

Andar 47.

Apesar da nuvem de querer que nublou os meus pensamentos, consegui recuperar parte da minha consciência, encarando o espelho na minha palma com franqueza.

— Eu não estou procurando nada sério.
— Nem eu.

Andar 45.

A resposta veio, assim como as suas mãos, que agarram meu quadril com força. Era um toque possessivo que me fez soltar um gemido embaraçoso. Por um minuto, eu não me importei; não me importei em estar em um elevador, não me importei com a minha política de não distrações, nada mais parecia importante, a não ser o toque dele em mim.

— Sua história é bem impressionante, sabia? — ele começou e eu bufei. Era comum que as pessoas soubessem da minha vida e falassem para mim como se eu não tivesse vivido aquilo, especialmente se estivessem tentando flertar, perdidos entre o desejo e a admiração. Mas eu não queria falar, não daquilo. — Filha de um pobre Texas Ranger, deixou as vacas da fazenda para trás e foi descoberta aos 15. — Eu estava prestes a reclamar quando me puxou, minhas costas batendo em seu peitoral e porra, ele estava duro. — Realmente tocante.

Andar 40.

— O quê? Você é um fã ou só me stalkeou no Google porque me achou bonita? — provoquei, sentindo a minha calcinha molhar com a fricção do seu membro contra a minha bunda. Pressionei meu corpo contra o dele, sorrindo satisfeita quando o gemido de abafou sua risada. Um set, ponto para mim.

Agora estávamos em um No-Ad. Não havia vantagens em um jogo empatado.

Andar 39.

— Ah, boneca. Eu diria que você é a minha segunda tenista favorita, depois de Carly Hughes. — A voz de ficou mais grossa e eu reprimi o desejo de xingá-lo. Ele deveria estar me provocando sobre a minha rival na corte de tênis, mas meu problema não era esse: eu não tinha nada contra ela, entretanto, não queria ouvir sobre outra mulher naquele momento. Mas que droga? Eu deveria estar irritada, deveria empurrá-lo para longe, tratar aquilo como um out. Ainda assim, a competitividade na minha cabeça e buceta encharcada falaram mais alto. Eu queria que os pensamentos de estivessem apenas em mim, eu queria ele de joelhos naquele elevador idiota.

Ainda bem que o síndico havia avisado que as câmeras estavam quebradas e seriam substituídas no domingo. Olhei o pouco dele que conseguia alcançar pelo espelho, tentando memorizar os sinais espalhados em sua pele.

Andar 36.

pareceu entender meus pensamentos, uma risada pecaminosa soou, inclinando-se um pouco enquanto sua mão se aventurava dentro da minha saia de treino. Ele encontrou o caminho pelas brechas do uniforme facilmente, como se soubesse como lidar com aquele tipo de obstáculo.
Um suspiro deixou meus lábios quando um dos seus dedos provocou minha entrada por cima dos shorts de proteção, sua palma esfregando meu clitóris de uma maneira que não estava nem perto de ser suficiente. Aquele pedaço de roupa se estragava a cada toque dele, e eu me segurava no espelhinho como se meu autocontrole dependesse disso.
Me lembrei da raquete, de como vê-lo havia feito com que meu maior bem fosse esquecido como uma bugiganga no andar de cima. Teria que voltar para pegar o plástico de 1.500 dólares, mas essa era minha menor preocupação naquele momento.

Andar 33.

— Eu queria muito ver vocês duas competindo pelo pódio no próximo mês, mas acho que não é justo comparar vocês duas — disse, grunhindo quando pressionei minha bunda contra a sua ereção. Ele finalmente afastou um pouco do short de proteção, apenas o suficiente para deslizar um dos seus dedos dentro de mim e balancei o quadril, esfregando minha buceta ainda mais em sua mão.
— Por que não?

Ele inclinou a cabeça, me encarando pelo reflexo do objeto que eu segurava, com um olhar que se assemelhava ao de um pecador prestes a confessar algo. Através do espelho, observei a maneira como sua boca se aproximou do meu pescoço.

— Porque eu faria qualquer coisa pela Carly. Qualquer coisa.

Assim que seus lábios tocaram a minha pele, um metal gélido perfurou o meu abdômen.
Match Point. O próximo ponto decidiria o jogo.
HATER
O tempo se faz por quem olha o relógio.
Para , aquele elevador estava indo devagar demais. A blusa branca colada de estava manchada com sangue, bem onde a faca que Carly havia dado a ele estava fincada. A mancha parecia crescer a cada andar. Ele e sua ídola haviam conversado sobre isso, o plano perfeito: morar onde estava, conquistar a confiança dela — texanos não eram conhecidos por darem abertura em qualquer um —-, pegá-la em um momento desprevenido.
Uma faca, um corte profundo. Tinha que ser no elevador A, já que o elevador B tinha as câmeras intactas. Além disso, o elevador A vinha direto da academia na cobertura, e tinha a opção de caminho direto para descer até o andar indicado sem parar em outros. Uma regalia da alta sociedade para não ter que lidar com outras agendas ocupadas.

Andar 30.

encarou o número vermelho que indicava a altitude em que estava. Ele tinha que sair e entrar pelo andar 15, já que era o único sem vigilância.
Limpo e rápido. estava fora e Carly teria o seu título merecido, e teria ela.

Andar 27.

Para , tudo parecia estar acelerado. A dor do choque era pior que a da facada, obrigada, adrenalina, por isso. A tenista estava paralisada em pé, o espelho de maquiagem jogado no chão, ainda refletindo partes desconexas do homem que parecia tão inofensivo.
Sua mente começou a funcionar quando ela olhou para baixo, assistindo de camarote à maneira como o sangue se espalhava pela sua blusa branca. acariciou sua cintura, como se tentasse, de um jeito doentio, passar alguém conforto para ela em seus últimos momentos. Depois se afastou, suspirando impaciente.

Andar 24.

Aquilo deixou ainda mais furiosa. Ele achava mesmo que seria assim tão fácil? A raiva subia pelo seu corpo da mesma maneira que o prazer tinha, nem mesmo um minuto atrás.
Peculiar, o tesão e o medo têm respostas similares.

Andar 23.

Os dois corações na redoma de metal batiam fortemente nas duas situações. Os fôlegos dos dois estavam esbaforidos. As mãos deles tremiam.

Andar 22.

Essas reações são como pontos no jogo, seja ele de amor ou de ódio. No circuito de correr ou lutar, você sente a mesma sensação, a ansiedade, a adrenalina, tudo.
O que muda é como o seu corpo reage.
Apesar do golpe duro, ela ainda não estava no chão.
Ainda dava tempo de reagir.

Andar 21.

estava pronto para fugir com o rabinho entre as pernas, para o meio das coxas de Carly Hughes.
estava pronta para lutar, se ela caísse, ele iria junto.

Andar 20.

O espelho no solo refletiu o momento em que levou o dedo, a porra do dedo que estava dentro dela há um minuto, até o rosto. Fechando os olhos ao se deliciar com o cheiro dela antes de deslizar o anelar pela sua boca, provando-a. Ele empurrou para o fundo da sua mente a maneira com que ela tinha um gosto melhor do que Carly.
Já a mão livre de segurou na alça da sua bolsa como se tivesse tentando se agarrar à vida. Ela sentiu seu corpo pender para o lado, encostando na parede, enquanto perdia as forças. Ainda não, ainda não.

Andar 18.


A tenista enfiou a mão trêmula na bolsa, sentindo o suor se acumular na parte de trás do seu pescoço. Encarando o espelho, a visão turva pela perda de sangue começava a afetá-la, assim como a dor que se esgueirava pelas brechas do choque, rastejando até ela.
esticou o pescoço, tentando conseguir uma visão do campo do adversário pelo pequeno espelho rachado no chão e os reflexos do próprio material da porta do elevador — a figura embaçada dos dois parecia tão normal dessa perspectiva. Dentro da bolsa, ela agarrou o cano frio de metal, puxando-o para fora em um movimento rápido, que usou todos os resquícios da sua força que tinha em seu corpo. apertou o gatilho depois de um vislumbre no alvo, movendo a arma de baixo para cima, como quem levanta algo, em um movimento que até seu pai erraria, e torceu para ter a mira da qual sua mãe sempre se gabava. Era o único jeito de surpreender o seu agressor.

Andar 17.

O barulho do tiro ressoou pelo cubículo, seguido por um grito surpreso de . Os dois caíram no chão ao mesmo tempo. , pela bala certeira. , pelo esforço dos seus ossos cansados. O elevador continuou seu caminho, alheio aquilo.
, deitada no chão ao lado do corpo esparramado de , conseguia sentir o sangue dele encharcando o cubículo, manchando a ponto dos dedos dela.
Um sorriso que gritava alívio surgiu em seu rosto.
Quebra de serviço. O vencedor é quem recebe os saques.

Andar 15.

As portas do elevador se escancararam sem alarde, como em um dia qualquer. Nancy, uma jornalista que havia ido entrevistar um ator em ascensão, conversava com Cole, um morador do local, que tentava flertar com a morena. A jornalista balançou a cabeça, rindo ao entrar no elevador, antes de tropeçar em algo.

Alguém.

Cole segurou a porta enquanto Nancy corria para fora, gritando por ajuda.
Seus passos deixavam pegadas de sangue pelo chão.

Topspin que salvou do Fã #1

Estrela do tênis conta como sobreviveu a uma tentativa de homicídio
Por Nancy Wheeler
Quando perguntada sobre a maneira como se defendeu do seu agressor, a tenista compara o seu ato com uma jogada de tênis: Topspin. No esporte, o golpe se dá ao mover a raquete de baixo para cima, fazendo com que a bola suba e desça na quadra adversária, marcando um ponto.
No dia 10 de abril de 2025, moveu a sua arma em um ângulo de baixo para cima, usando seu espelho de maquiagem para mirar no abdômen de após ele esfaqueá-la.
A jogada de garantiu mais do que uma vitória: ela está viva por causa desse set.
não competiu nas nacionais naquele ano, mas a sua adversária, Carly Hughes, também não viu a corte de tênis. Ela foi presa no dia seguinte por armar o assassinato junto com seu fã #1. Hughes havia enviado detalhes sobre a rotina de para ele. sabia onde encontrá-la, o que ela estava fazendo, como desarmá-la. Tudo sobre a máscara de um vizinho amigável.
Pergunto a como ela teve forças para se salvar naquela situação. Ela apenas ri, encara o curativo em sua barriga por alguns segundos e volta seu olhar para mim. A tenista, vestindo uma blusa que deixa a barriga à mostra, exibe seu machucado como um troféu de campeonato, o que todos podemos concordar.
— Bom, a pesquisa dela não foi detalhada o suficiente — sorri, balançando a cabeça e seu rabo de cavalo. Ela dá um tapinha na bolsa que está em seu colo. — A filha de um Texas Ranger sempre carrega uma arma.
20 de julho de 2025



1 Texas Ranger: um tipo de aplicador de leio do exército americano, que tinha jurisdição no estado do Texas. É tipo um cowboy policial.

2 Tennishead: é uma revista especializada em tênis.




Fim


Qual o seu personagem favorito?


Nota da autora: Eu achava que não participaria do especial de esportes. E repare: participei e ainda trouxe um terrorzinho. E essa fic é baseada nesse comic que apareceu no meu twitter, por sua vez baseado em uma história que eu não cheguei a ler, um dia antes do especial ser anunciado! Espero que tenham gostado e comentem.

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