e se viram uma única vez no mês seguinte ao do primeiro encontro. Conversavam pouco nos últimos dias, não por desinteresse, os dois estavam muito ocupados com suas rotinas. Fazia dias que tentava concluir uma leitura da faculdade, mas não conseguia sequer fazer um resumo sobre todas aquelas teorias e conceitos. Pensou em telefonar para o , porém presumia que o trabalho, provavelmente, exigia muito dele. A mulher decidiu abandonar a guerra travada com aquele livro, pelo menos por um tempo. Olhou o relógio pendurado na parede, havia se passado algumas horas desde que se sentou para estudar.
Caminhou lentamente em direção à cozinha, preparando um chá de frutas e folhas. Depois das muitas xícaras de café consumidas naquele mesmo dia, acreditava poder relaxar caso bebesse um bom chá. Sentou-se na sacada, observando o céu estrelado. desbloqueou o celular com a intenção de enviar uma foto da paisagem para , mas, no mesmo instante, o telefone vibrou, mostrando a notificação com o nome dele na tela.
, está aí?
Oi, , estou, sim.
Sei que está um pouco tarde, mas quer sair para comer Japchae?
Agora?
Sim, se você quiser… conheço um restaurante bom.
Certo. Me diz o endereço, chego em alguns minutos.
A verdade era que já estava no restaurante, torcendo para ela aceitar o convite. Não demorou muito até a chegada de ao local, que estava quase vazio devido à hora. havia feito o pedido e, assim que ela se sentou, não pôde deixar de notar o cansaço em seu rosto. Pensou que talvez não deveria ter tirado ela de casa.
— Você está bem? — perguntou, pensativo.
— Sim. Talvez um pouco cansada. O seu dia foi bom?
— Foi cansativo também. A lua está linda hoje.
— Acredita que eu pensei o mesmo? — Ela riu, e olhou para o céu. — Pensei em te enviar uma foto mais cedo, caso estivesse ocupado demais para ver o céu esta noite.
— Está lindo para apreciar com você.
encarou . Os óculos e o capuz do casaco dele a impediam de ver mais precisamente os seus olhos. Sentiu saudades de vê-lo pessoalmente.
— Desculpa ter sumido esses dias. Estava ocupado com coisas na empresa.
— Tudo bem, não se preocupe. Eu entendo…
— Quero te ver mais vezes, com mais frequência — ele disse, frustrado.
— Então damos um jeito.
O jeito doce e compreensivo dela encantava . Fazia com que ele tivesse certeza das escolhas que tomaria dali em diante. Manteria ela em sua vida, apresentaria aos seus amigos e a levaria para os lugares mais bonitos da Coreia. Essa era a sua vontade. bocejou, sentindo o sono a dominar aos pouquinhos. Embora não quisesse se despedir, precisava imediatamente da sua cama.
— … — chamou, tirando o homem dos seus pensamentos. — Vamos nos encontrar amanhã?
— Sim. Vamos. Eu te ligo. Prometo.
— À noite?
— Fica ruim para você?
— Não. — Ela riu. — Sempre nos vemos a essa hora.
engoliu em seco. Desde a época de trainee, sabia como era difícil manter relacionamentos por sua agenda lotada de compromissos. Vivia para o grupo, para o trabalho. Implorou, naquele momento, ao universo para não perder a relação que eles tinham.
— Sinto muito… prometo que darei um jeito.
— Ei, não estou reclamando. Sou bem ocupada também. Fique tranquilo. Nos vemos amanhã.
— Obrigado por ter vindo.
— Obrigada por ter me chamado, .
— Senti saudades.
— Eu também.
***
No dia seguinte, faria diferente do habitual. Sempre almoçava na empresa, mas naquele dia decidiu aproveitar a hora da refeição e convidar para saírem juntos. Ele tinha consciência do curto tempo até precisar voltar à empresa, porém sentia a necessidade de convidá-la em um horário que não fosse no final do dia. não sabia se estaria ocupada, tentaria mesmo assim. Depois de fechar a porta da sala de música atrás de si, ligou para a , mas não obteve resposta do número chamado. Sentiu-se nervoso a cada novo toque sem resposta. Pensou ser provável estar na faculdade, talvez ter saído para comer, ou ele fez algo que a chateou? Aquela possibilidade incomodou o homem, o deixando mais ansioso.
ponderou a ideia de ir até a SNU, entretanto, poderia mesmo fazer tal coisa? Ele era famoso, facilmente alguém o veria e seria um verdadeiro alvoroço. Além de não querer provocar confusão na vida da . Arfou, irritado. Logo depois, recebeu uma mensagem da mulher.
Oi, . Não pude atender, estava em aula. Tudo bem?
Ele sorriu tão largamente que pensou rasgar sua boca. Aparentemente, ela não comera ainda, então era uma ótima chance para se encontrarem e conversarem melhor. Voltaria mais tarde para a empresa, inventaria uma desculpa qualquer, se fosse preciso. Fazer isso uma única vez não teria problema, certo? Riu do pensamento bobo.
Você já comeu?
Deixa eu adivinhar… você conhece algum lugar muito bom?
soltou uma gargalhada. Ele era tão previsível assim? Então escolheria um lugar diferente. Antes de conseguir responder, outra mensagem chegou.
Eu ainda não comi, obrigada por pensar em mim. Aonde iremos hoje?
***
Foram ao Gangchon Rail Park, onde podiam passear e conhecer sobre trilhos, o enorme lugar com vista do rio. Não era época de alta temporada, então tinha poucas pessoas, o que deixou mais relaxado. Os dois teriam privacidade e ele não arriscaria ser reconhecido.
Havia quatro túneis com temáticas diferentes, a viagem era curta.
escolheu uma das bicicletas ferroviárias com dois lugares apenas a fim de apreciarem melhor o cenário em meio à natureza.
A bicicleta, difícil de pedalar, ia devagar pelos trilhos, dando chance de observar toda a paisagem natural de vegetação. Ao entrar por um dos túneis, além de um show de laser que fazia um jogo de cores interessante no túnel, muitas bolas de sabão flutuavam pelo ar durante todo o trajeto.
tirou foto de sentado em cima de uma pedra redonda grande com uma estátua de uma menininha sentada.
O parque era imenso, arborizado, com muitos atrativos, desde cachoeiras a grandes monumentos.
Todo o percurso levou menos de duas horas, a vista encantadora os deixou famintos. Os dois estavam felizes por finalmente ter conseguido passar um tempo longo e agradável juntos.
foi até à loja de comidas, enquanto uma , plenamente feliz, esperava sentada na cadeira de um quiosque. O homem pegou espetinhos de massa de arroz, frango frito e algumas bebidas.
nem imaginava que escolheu os espetinhos para ela provar. Ao voltar para o quiosque, foi recebido por um sorriso animado de alguém com muita fome.
— Experimenta o espetinho de massa de arroz.
— Quê? — fez uma expressão de nojo. — Nem pensar, .
Ele riu.
— Confie em mim, é bom.
olhou desconfiada para o homem em sua frente, cogitou morder um pedaço tão insignificante que nem sentiria o sabor daquilo, mas não resistiu ao a olhando com a expectativa de uma criança. As primeiras mordidas foram terrivelmente estranhas para ela. Aos poucos, conseguiu achar o sabor, como ela mesma disse ao , nem tão ruim assim. Iniciaram uma conversa enquanto caminhavam em direção ao Rio Bukhangang.
— Espera, deixa ver se entendi… A sua mãe é médica e arquiteta? — ele perguntou, surpreso.
— Sim, é doido, não é? — Ela riu.
— Eu não diria doido, só… curioso. Ela deve ter estudado muito, já que ambas as profissões exigem isso.
— Acredite, o meu pai sempre diz que ela estudava feito uma maluca. Inclusive, os dois se conheceram na faculdade.
— Algum motivo especial para ela gostar tanto de viver com a cara nos livros? — ele disse, divertido.
— Ela sempre nos ensinava a acreditar num mundo onde as pessoas seriam melhores se todos pudessem adquirir muito conhecimento. Ela diz que estudar e aprender coisas novas abre a nossa mente, e consequentemente evoluímos, nos tornando pessoas melhores.
— E você pensa assim também?
— Em partes. — Deu de ombros. — Mas e você? Me fala mais sobre .
— Bem, não tenho muita vivência própria. Eu trabalho muito e admito que gosto disso.
— Quê? Claro que você tem vivência própria. Ninguém trabalha o tempo todo.
— Tá, você venceu. — Riu, sem jeito. — O que exatamente quer saber?
A verdade era que evitava falar muito sobre o trabalho, sobre os contratos, sobre a vida pessoal, essa quase não tinha.
— Quem escolhe as suas roupas? Porque você se veste como um escalador da montanha, às vezes.
soltou uma risada alta, porém breve. Ela ficou apaixonada no mesmo instante pelo simples fato de que sua risada consistia em apenas alguns Hahaha. Quem realmente ria assim?
— Oh, é essa a sua curiosidade sobre mim?
— Sim. Qual sua referência?
— Eu não tenho uma referência.
— Talvez seja por isso que não dá para entender qual estilo você tem.
Os dois riram. percebeu o tempo mudar, o sol iria se pôr em breve. Não voltou para a empresa como deveria, tampouco atendeu a ligação dos membros. Estaria em maus lençóis quando chegasse. Ele não mentiria para os amigos, contaria toda a verdade sobre a tarde incrível que teve e assumiria estar apaixonado mesmo sabendo das possíveis consequências por estar envolvido com a mulher. Perguntou a responsável por provocar tamanha paixão nele se poderia deixá-la em casa. agradeceu, mas negou o convite, explicando a ele que faltou as aulas daquela tarde, então iria até a SNU para pegar alguns livros.
Os estudos sobre sua linha de pesquisa não estavam tão intensos e avançados como deveria. Embora sua orientadora fosse de enorme ajuda, não estava conseguindo avançar. proporcionava a ela, momentos relaxantes de muita inspiração. Por sentir culpa em possivelmente a ter atrapalhado, ofereceu alguns livros, auxílio às suas aulas de coreano, caso precisasse. admitiu estar muito tensa e angustiada por sua pesquisa acadêmica não sair do lugar. O homem a aconselhou de muitas maneiras, deixando impressionada com a maturidade e inteligência emocional dele.
— Eu gosto de conversar com você, . Você é muito… — ponderou, antes de concluir a fala. — Não fique convencido, tá bem?
— Eu sei o que você vai dizer. Mas não sou.
— Aceite os meus elogios! — disse, fingindo uma expressão brava, fazendo abaixar a cabeça, rindo.