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Máfia do Porto, quatro dias após o incidente em Yokohama durante o festival de Halloween e, dois dias após a tensa reunião com a Agência de Detetives Armados.
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O som das botas de batendo contra o chão ecoava pelo longo corredor enquanto ela se dirigia a passos firmes em direção à sala de operações. A cada passo, a adrenalina crescia em suas veias, e seu coração batia mais forte no peito. Ao chegar à porta da sala de operações, empurrou-a lentamente e adentrou o ambiente, o coração da organização.
A sala de operações era mais do que um simples ambiente de trabalho; era o cérebro da organização, onde as engrenagens do poder se moviam em sincronia perfeita. Era ali que informações cruciais eram coletadas, analisadas e transformadas em decisões estratégicas que moldariam o futuro da Máfia do Porto. Câmeras de segurança, portas blindadas e outros sistemas de proteção garantiam o sigilo absoluto e a eficiência das operações, um local altamente restrito e acessível apenas para poucos membros de confiança de Ōgai Mori. A equipe de profissionais, composta por engenheiros e cientistas da computação, observavam atentamente os aparelhos, ajustando os óculos de lentes grossas e armações de metal em seus rostos. Enquanto um leve zumbido constante pairava no ar, amplificando a sensação de uma operação de alta tensão, semelhante a um centro de comando espacial.
Os olhos de foram imediatamente capturados pela imensa tela central, que pulsava com gráficos e dados em tempo real da cidade de Yokohama. Ao redor, uma profusão de monitores menores transmitiam imagens frenéticas dos dias anteriores: pessoas fantasiadas correndo em desespero, outras caídas no chão e prédios completamente destruídos. Outros aparelhos tecnológicos piscavam freneticamente com uma mensagem de alerta. A atmosfera era eletrizante, embora profundamente tensa.
— Senhorita , ainda bem que chegou! Detectamos algo muito suspeito no sistema de segurança — sussurrou um engenheiro, apontando para um monitor. Ela se aproximou, e o engenheiro parecia mais preocupado do que o normal. Na tela, uma pessoa, camuflada pelas sombras de um local mal iluminado, movia-se furtivamente por um dos corredores da organização.
franziu o cenho, concentrando sua visão na figura que se movia nas sombras. A imagem, embora pixelada e escura, era clara o suficiente para mostrar a silhueta de um indivíduo ágil e cauteloso.
— Aumente o zoom — ordenou ela, a voz firme, apesar da crescente apreensão.
O engenheiro manipulou os controles do monitor, e a imagem se ampliou, revelando detalhes mais nítidos. A figura vestia um traje preto, que se misturava perfeitamente com a noite, e carregava algo em suas mãos. Uma arma? Uma ferramenta? A dúvida pairava no ar, intensificando a tensão.
— Alguém reconhece esse indivíduo? — perguntou , seus olhos percorrendo a sala, buscando alguma pista, alguma reação que pudesse desvendar o mistério.
Os demais membros da equipe trocaram olhares, mas ninguém parecia ter uma resposta.
— Seria ele apenas um membro do baixo escalão cumprindo ordens nas instalações da Máfia? Se fosse o caso, teria passado por mim primeiro — murmurou pra si mesma, ainda com os olhos vidrados na figura.
A figura desconhecida era um enigma, uma ameaça invisível que se infiltrara nas defesas da Máfia do Porto.
— Ative todos os protocolos de segurança e intensifiquem a vigilância em todos os pontos de acesso — ela ordenou, sua voz carregada de autoridade.
A sala de operações se transformou em um frenesi de atividade. Alarmes soaram, luzes piscaram e técnicos digitavam comandos em seus computadores com agilidade. A Máfia do Porto estava em alerta máximo. aproximou-se da tela principal, seus olhos fixos na figura que se movia com a destreza de um gato. perguntou-se quem seria aquela figura e quais eram seus objetivos. Seria ele um rival, um traidor ou simplesmente um ladrão? As possibilidades eram infinitas, e cada uma delas era mais perigosa que a anterior.
Antes que pudesse contatar um de seus subordinados para informar-se sobre o indivíduo, uma explosão repentina sacudiu a sala de operações, lançando ondas de choque que fizeram os monitores tremerem e as luzes piscarem erraticamente. Um estrondo ensurdecedor ecoou pelos corredores, seguido por um silêncio momentâneo, apenas para ser quebrado por estilhaços caindo e alarmes soando em uníssono. cambaleou, apoiando-se em uma mesa para não cair. A fumaça e a poeira começaram a se espalhar pelo ambiente, dificultando a visão. A tela principal, antes repleta de dados e gráficos, agora exibia apenas chuviscos estáticos e alertas de perigo.
— Mas o que foi isso?! — bradou , a voz rouca pela fumaça densa que agora pairava no ar, enquanto acionava o comunicador em seu ouvido. Seus olhos avaliavam rapidamente a sala, tentando manter a compostura em meio ao pandemônio que se instalava. Fragmentos de teto e poeira fina flutuavam sob a luz fraca de emergência que acabara de acender, lançando sombras dançantes nas paredes. O cheiro de queimado impregnava o ambiente, dificultando a respiração, enquanto um zumbido agudo ecoava, provavelmente dos sistemas danificados. sentiu um gosto metálico na boca, consequência da poeira e da adrenalina.
Um dos engenheiros, com o rosto coberto de fuligem e um filete de sangue escorrendo de um corte superficial na testa, aproximou-se cambaleante dos computadores. Seus dedos trêmulos deslizavam sobre o teclado inerte, enquanto seus olhos percorriam os monitores apagados. A tela antes repleta de dados agora exibia apenas chuviscos estáticos. Ele tentou reiniciar um dos terminais, pressionando repetidamente o botão de
power, mas nada aconteceu. O silêncio repentino, após o estrondo, era quase ensurdecedor, quebrado apenas pela sua respiração ofegante e o crepitar distante de algum fogo. A confirmação do desastre iminente veio pela voz hesitante que ecoou em seu comunicador, minutos depois:
—
Senhorita ! Você está bem? — exclamou um dos subordinados, sua voz vindo do comunicador, agora com chiados e interrupções.
tossiu fracamente por conta da fumaça, antes de responder.
— Sim, estou bem. Me diga, o que aconteceu? — ela perguntou, olhando ao redor.
—
Houve uma explosão no subsolo, próximo à central de energia… Nosso sistema de energia principal foi atingido! — ele respondeu após a resposta de . —
Perdemos boa parte da alimentação de emergência também!... Estamos sem energia em alguns lugares do prédio! — Ele tossiu secamente, a voz falhando por um instante antes de retornar, mais fraca e urgente. — Além disso, senhorita,
há uma fumaça densa se espalhando pelos dutos de ventilação. Recomendo a evacuação do prédio imediatamente!
cerrou os punhos. Uma explosão daquela magnitude não poderia ser um simples acidente.
Sabotagem. A ideia ecoou em sua mente como um trovão. Ela se levantou bruscamente, sentindo sua cabeça latejar.
— Alguma baixa? — perguntou, enquanto tentava se recompor.
—
Ainda não temos uma informação exata, senhorita. A comunicação com o subsolo está intermitente… Mas… ouvimos alguns gritos. Eu diria que… — A voz do subordinado sumiu completamente, substituída por um estalo alto e o silêncio absoluto. O comunicador agora emitia apenas um chiado constante e irritante.
olhou para a equipe de engenheiros, cujos rostos refletiam a gravidade da situação. Alguns tossiam, outros tentavam inutilmente acessar os consoles danificados. A atmosfera na sala era carregada de tensão e apreensão.
— Droga! — ela praguejou, a voz carregada de frustração e preocupação. — Avaliem os danos! Rápido! — ordenou , enquanto tossia por causa da fumaça que se adensava na sala. — Precisamos restabelecer a comunicação e a energia o mais rápido possível! Reportem qualquer sinal de feridos!
Enquanto os engenheiros se mobilizavam em meio aos destroços, tentando religar os sistemas, tentava entender o que havia acontecido. A explosão parecia ter sido direcionada para um ponto estratégico: o sistema de energia. Isso indicava conhecimento prévio da infraestrutura da Máfia, o que sugeria uma infiltração interna ou uma espionagem muito bem-sucedida. Seus olhos percorreram a sala novamente, agora com mais atenção, procurando qualquer detalhe que pudesse ter passado despercebido. A fumaça tornava a tarefa difícil, mas ela não podia se dar ao luxo de ignorar nada. A segurança de toda a organização poderia depender da rapidez com que resolvessem essa crise. sabia que o tempo era crucial e que cada segundo perdido poderia ter consequências devastadoras.
De repente, um grito cortou o ar. Um dos técnicos, que estava próximo a uma das paredes, apontava para um buraco que havia se aberto com a explosão.
— Senhorita ! — exclamou ele, a voz trêmula, apontando para o buraco na parede. — Olhe, o intruso está ali!
virou-se para o local indicado e arregalou os olhos. A explosão não só havia danificado o sistema de energia, como também abrira uma passagem para um corredor adjacente. E o que era pior, ela podia ver, através da abertura, a silhueta da figura vestida de preto, agora mais nítida sob a luz fraca dos incêndios que começavam a se alastrar nos andares inferiores. Ele estava saindo do prédio, movendo-se com uma velocidade surpreendente, quase desaparecendo na fumaça que se acumulava no corredor.
— Ele está fugindo! — rosnou , sentindo a adrenalina correr ainda mais forte em suas veias.
desembainhou sua arma, uma pistola
Walther PPK/E, e se preparou para correr em direção ao buraco na parede, sem se importar com os escombros e a fumaça densa. No entanto, antes de sair correndo ou que pudesse dar mais ordens aos engenheiros, uma segunda explosão, seguido de um tremor ainda mais forte que a primeira, sacudiu o prédio. Desta vez, a sala de operações tremeu violentamente forte, e parte do teto desabou, soterrando alguns equipamentos e ferindo mais alguns técnicos. foi jogada contra uma parede, batendo a cabeça com força. Por um momento, tudo ficou turvo. Quando recobrou os sentidos, ela sentiu um gosto metálico na boca e sangue escorria de um corte em sua testa. A sala estava destruída, a fumaça densa e poeira pairavam no ar, dificultando a respiração, o caos era total.
Com dificuldade, a jovem se levantou, apoiando-se em um dos destroços, seus olhos percorreram o local, buscando sobreviventes. A maioria dos técnicos estavam caídos, alguns inconscientes e outros feridos. Em meio ao caos, ela avistou o engenheiro que havia alertado sobre o suspeito, ele estava sentado no chão, tossindo e com o rosto coberto de fuligem, mas parecia estar bem.
— Precisamos sair daqui o mais rápido possível! — disse , aproximando-se dele. — A sala de operações pode desabar!
O engenheiro assentiu, com dificuldade. Juntos, eles começaram a ajudar os outros técnicos a se levantarem e a saírem da sala em ruínas. A prioridade agora era salvar o máximo de vidas possível. A caçada ao intruso teria que esperar.
Com a testa sangrando e a respiração ofegante, liderava o pequeno grupo de sobreviventes através dos corredores labirínticos do QG da Máfia. A fumaça densa picava seus olhos e a cada passo ouvia-se o crepitar das chamas e o estalar da estrutura do prédio. O silêncio sepulcral era interrompido apenas pelos passos distantes que ecoavam pelos corredores. A outrora imponente e inabalável fortaleza da Máfia do Porto, agora assemelhava-se a um cenário de guerra.
— Cuidado com os escombros! — gritou, apontando para uma viga de metal retorcida que bloqueava parcialmente a passagem. Com a ajuda do engenheiro, eles removeram a viga, abrindo caminho para os outros. Enquanto guiava os sobreviventes pelos corredores em meio à fumaça e aos escombros, uma pergunta martelava em sua cabeça:
quem era ele e como ele ousara atacar uma das bases da Máfia do Porto? Ela jurou que o encontraria e o faria pagar pelo que havia feito. Aquilo não ficaria impune. A Máfia do Porto não seria desafiada sem consequências.
Finalmente, eles alcançaram uma escadaria de emergência. respirou aliviada ao ver a luz fraca que vinha do andar inferior. A saída estava próxima. Ao chegarem no térreo, foram recebidos por uma cena de caos organizado. Membros e subordinados corriam por todas as direções, alguns carregando armas, outros coordenando a evacuação. O pátio interno, normalmente um local de tranquilidade, agora fervilhava de atividade caótica.
Tachihara, normalmente com um olhar severo, aproximou-se de , com o semblante extremamente preocupado.
— , você está bem? Você estava na sala de operações, o que aconteceu? — ele perguntou, sua voz carregada de preocupação.
então relatou os eventos, desde a detecção do intruso até as explosões que destruíram boa parte da sala de operações e permitiram sua fuga. O ruivo a ouviu atentamente, seu rosto se tornando cada vez mais sombrio.
— Um ataque coordenado… com o intuito de nos estabilizar?! Isso é inaceitável — Tachihara murmurou, cerrando os punhos. — Precisamos informar ao Chefe imediatamente. Este ataque… é diferente de tudo que já vimos. — O ruivo exclamou. — A precisão, a ousadia… eles sabiam exatamente onde atacar.
Ele encarou a jovem com uma intensidade que a fez sentir um calafrio. O cheiro de fumaça e a expressão em seu rosto apenas intensificavam a gravidade da situação.
assentiu, a cabeça latejando pela pancada e o ferimento em sua testa.
— Eu sei. A explosão no sistema de energia… foi bastante específica — ela disse, com a voz rouca pela fumaça.
Enquanto conversavam, mais membros da Máfia chegavam ao pátio, alguns feridos, outros visivelmente abalados. Aos poucos o caos começava a se dissipar, dando lugar a uma organização fria e calculista. Tachihara assumiu o comando, designando equipes para vasculhar o prédio em busca de sobreviventes e iniciar uma avaliação dos danos.
— , sei que está ferida, mas você precisa ir até o Chefe. Relate tudo o que aconteceu. Eu vou coordenar as coisas por aqui — disse o ruivo, com um olhar firme, quase metálico. A luz fria do pátio refletia em seus olhos, intensificando a seriedade em seu rosto. assentiu, a adrenalina da recente explosão ainda pulsando em suas veias. Ela sabia que era crucial informar Mori sobre a situação. Aquele ataque não era apenas uma violação de segurança, era uma afronta direta ao coração da Máfia do Porto, um golpe audacioso em sua própria essência.
A fumaça ainda pairava em alguns corredores do QG; o cheiro estava impregnado no ar. De passos rápidos e decididos, seguiu direto para o escritório de Mori. O corredor, normalmente movimentado por executivos e subordinados, estava agora um túmulo silencioso, um contraste gritante com o caos que assolava o resto do prédio. O silêncio era interrompido apenas pelo eco distante de vozes e o som abafado de botas apressadas. Ao chegar à imponente porta de mogno da sala do líder mafioso, hesitou por um instante, respirando fundo para recompor a postura e o turbilhão de pensamentos que a assaltavam. Bateu três vezes, com os nós dos dedos firmes na madeira envernizada, e ouviu uma voz calma, porém carregada de autoridade, responder:
—
Entre. — A voz aveludada do líder ecoou do outro lado da porta, reverberando no silêncio do corredor.
Ao abrir a porta, encontrou o Chefe sentado em sua poltrona. Suas mãos estavam à frente do rosto, os dedos elegantemente entrelaçados. Seus olhos, normalmente calmos e calculistas, agora brilhavam com uma intensidade fria e penetrante, como se pudessem dissecar cada pensamento de . A sala, outrora imponente com seus móveis de madeira escura e o vermelho do carpete, parecia impregnada por uma atmosfera pesada, contrastando com a cena quase infantil que se desenrolava logo à frente do Chefe.
Ignorando completamente a tensão palpável que pairava no ar, alheia ao ataque que acabara de ocorrer nos arredores da sede, uma garotinha estava sentada sobre a mesa de mogno, balançando as pernas e cantarolando baixinho uma melodia enquanto desenhava casualmente em uma folha de papel. Vários giz de cera estavam espalhados ao seu lado, formando uma pequena bagunça colorida sobre a superfície escura da mesa. O contraste entre a figura imponente do Chefe, com seu olhar gélido, e a inocente despreocupação da menina criava uma cena bizarra e intrigante.
— , eu estava à sua espera. Vamos direto ao que interessa: conte-me tudo o que aconteceu — disse Mori, sem rodeios, o tom de sua voz cortando o silêncio como uma navalha. Seus olhos não se desviaram de enquanto ela entrava e fechava a porta atrás de si.
descreveu tudo o que havia acontecido na sala de operações, desde a detecção da figura misteriosa nos monitores de segurança até as explosões coordenadas e a fuga calculada. Ao mencionar a precisão cirúrgica dos ataques e a forte suspeita de infiltração interna, o semblante de Ōgai se tornou ainda mais grave, uma sombra de preocupação moldando seus traços normalmente impassíveis. Seus dedos começaram a tamborilar suavemente na mesa, um sinal de sua crescente irritação.
— Entendo. Um ataque direcionado ao nosso sistema nervoso… uma tentativa de nos paralisar, de nos deixar vulneráveis — murmurou Mori, pensativo, tamborilando os dedos na mesa. — Quem quer que esteja por trás disso, conhece nossos métodos, nossa estrutura e nossos pontos fracos. Isso implica conhecimento interno.
A garotinha, até então imersa em seu desenho, um homenzinho sendo mortalmente atacado, se pronunciou com uma voz surpreendentemente fria e cortante, quebrando o silêncio denso:
— Isso cheira a traição, Rintaro — ela disse, sem sequer levantar a cabeça de seu desenho, como se a resposta fosse óbvia. A ponta de seu lápis pressionou o papel com mais força, deixando uma marca mais escura no pescoço do homenzinho.
Mori assentiu lentamente, os olhos fixos em um ponto distante.
— É uma possibilidade que não podemos descartar, Elise. — Ele mantinha um semblante impassível, mas o olhar gélido denunciava a fúria que o consumia por dentro.
Elise era uma jovem de baixa estatura, com pele clara como porcelana e olhos azuis brilhantes que contrastavam com seus longos cabelos loiros, penteados com uma franja reta e densa que emoldurava seu rosto angelical. Os cachos volumosos caiam em cascata até a cintura. Um grande laço vermelho vibrante adornava o lado direito de sua cabeça, quase como uma provocação à atmosfera tensa do local. Ela vestia um vestido vermelho de mangas curtas e bufantes, com a barra branca adornada por delicados babados. Uma fina faixa branca marcava sua cintura, e a gola branca e abotoada era arrematada por uma fita rosa. Nos pés, usava meias listradas em preto e cinza e sapatos Mary Jane vermelhos, completando o visual infantil e contrastante com a seriedade da situação. Um leve aroma de cereja pairava no ar ao redor dela.
— , quero que lidere uma investigação interna minuciosa e implacável. Revire cada pedra, vasculhe cada canto desta cidade. Descubra o responsável por essa grotesca falha de segurança — ordenou o líder, com voz carregada de autoridade. — Não poupe recursos e não hesite em questionar ninguém, independentemente do cargo que ocupa.
— Como o senhor quiser, Chefe — respondeu , com determinação. — E o que faremos em relação ao intruso quando o encontrarmos?
— Ele ousou atacar nossa organização em nosso próprio território, profanou nosso santuário. Sua ousadia não ficará impune — continuou Mori, com um olhar penetrante que queimava como carvão em brasa. — Quero que o capture. Vivo ou morto. Preferencialmente, vivo. Servirá de exemplo para qualquer um que ouse nos desafiar.
sentiu um sorriso frio se formar em seus lábios. A frieza glacial na voz de Ougai Mori era assustadora, quase sobrenatural. Ela sabia que a caçada começara, uma caçada implacável, e que as consequências para o intruso seriam brutais e exemplares.
— Entendido. Tachihara está coordenando as buscas no prédio. Solicitarei aos Lagartos Negros que trabalhemos em conjunto com os Lírios Negros, formando um cerco impenetrável em busca do inimigo — disse , reportando as ações tomadas.
Mori concordou com um aceno de cabeça quase imperceptível.
— Excelente. Irei comunicar , Chuuya e os outros executivos da Máfia sobre a situação e as medidas que deverão ser tomadas. Acredito que ficará especialmente…
interessada nos detalhes da falha de segurança — Mori disse, com um tom que não admitia contestações, enfatizando a palavra "interessada" com um leve sorriso que não chegava aos olhos. — Mantenha-me informado sobre o progresso da investigação. Este ataque exige uma resposta à altura, uma demonstração de força que reafirme nosso poder e nossa inviolabilidade.
— Claro! Farei tudo como o senhor ordenou, Chefe. — Ela sorriu de canto, pronta para o que viesse.
— Mas antes, senhorita ... — ele pausou, olhando para os ferimentos da jovem causados pela explosão. — Vá à enfermaria e cuide de seus ferimentos. Não podemos nos dar ao luxo de tê-la incapacitada. Sua eficiência é crucial neste momento.
A jovem assentiu com um leve aceno de cabeça.
— Sim, senhor. Com licença. — Com uma reverência respeitosa, se retirou do escritório de Mori, sentindo o peso da responsabilidade esmagá-la.
A Máfia do Porto havia sido desafiada, e cabia a ela e aos outros membros leais restaurar a ordem, punir os responsáveis e reafirmar o domínio da organização. A caçada estava prestes a começar e que as consequências seriam brutais, estava determinada a não descansar até que a justiça, ou a vingança, fosse feita. A Máfia do Porto não perdoaria tal afronta.
Ao sair da sala de seu líder, encontrou Tachihara à sua espera, com os braços cruzados e uma expressão tensa em seu rosto. Ele a olhou com uma expressão interrogativa, ansioso por notícias. A luz fraca do corredor destacava as olheiras sob seus olhos.
— O que o chefe disse? — o ruivo perguntou, sua voz era baixa, mas carregada de urgência.
— Ele quer uma investigação interna completa e a captura do intruso — respondeu , com um tom sombrio.
Tachihara assentiu, com um olhar duro e determinado. Ele passou a mão pelos cabelos.
— Entendo. Vamos começar imediatamente, então. Temos que encontrar esse desgraçado antes que ele cause mais problemas — o ruivo concluiu, cerrando os punhos.
— Mas antes, você pode reunir o batalhão de combate? Preciso ir à enfermaria, minha cabeça está me matando. — murmuro, apontando para o ferimento em sua testa, fazendo o amigo rir.
— Claro, vai lá — ele disse, vendo seguir para o lado oposto.
Enquanto a jovem se dirigia para a enfermaria, ela olhou para o céu, o sol da manhã nascia, lançando longas sombras sobre o pátio movimentado, um prenúncio de um dia longo e sangrento. A fumaça ainda pairava sobre o prédio, um lembrete sombrio do ataque. Ela apertou os punhos, com uma determinação fria em seu coração. Ela encontraria o responsável por aquilo, custasse o que custasse. A Máfia do Porto estava em guerra, uma guerra interna e externa, uma guerra pela sua própria sobrevivência.
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massageou as têmporas enquanto entrava na enfermaria. O cheiro pungente de antisséptico misturado ao aroma suave de ervas medicinais criava um contraste quase irônico com o caos que a assolava por dentro. Uma enfermeira de cabelos grisalhos e olhar gentil, com rugas finas emoldurando os olhos, a reconheceu com um leve aceno de cabeça e indicou uma maca vazia. sentou-se, exalando um suspiro cansado. A dor latejava na testa, uma lembrança física da violência de poucas horas antes. Enquanto a enfermeira examinava o corte em sua testa, limpando-o com delicadeza e aplicando um curativo, revisitava os eventos em sua mente, como um filme em replay. A ousadia do ataque era sem precedentes. Invadir o coração da Máfia do Porto... era mais do que uma declaração de guerra; era uma afronta direta.
"E uma guerra, eles teriam." pensou ela, um brilho gélido acendendo em seus olhos. Uma guerra sangrenta e implacável.
Naquele momento, a porta da enfermaria se abriu com um clique seco, e Hirotsu entrou, seguido por Gin e Tachihara, que lideravam o grupo de membros do batalhão. Seus rostos eram máscaras de estoicismo profissional, mas , com sua percepção aguçada, captava a energia tensa que irradiava deles: uma mistura de fúria contida e sede por retaliação. Os ombros rígidos, os punhos cerrados, os olhares fixos em um ponto além das paredes – cada detalhe revelava a prontidão para a ação.
— O curativo está pronto, senhorita — a enfermeira disse, entregando um pequeno espelho à jovem com um sorriso singelo.
Ela acenou com a cabeça em agradecimento, observando o curativo discreto em sua testa no espelho. Seus olhos, antes turvos pela dor, agora brilhavam com uma determinação feroz. A imagem refletida não era de fragilidade, mas de uma pessoa pronta para a batalha.
— Obrigada, senhora Mirai — disse , com a voz doce. Seus olhos, porém, assumiram uma expressão séria ao voltarem-se para Hirotsu. — Senhor Hirotsu, o batalhão está a postos?
— Sim, senhorita . Todos aguardam suas instruções — Hirotsu respondeu com a voz imperturbável de sempre, seu monóculo refletindo a luz fria da enfermaria como um olhar penetrante e calculista.
— Ótimo. — Ela assentiu brevemente. Seus olhos percorreram Tachihara, Gin e o restante do batalhão, captando as diversas expressões: preocupação em alguns, determinação em outros, mas em todos, uma lealdade inabalável. — Alguma novidade sobre o ataque, Tachihara? Gin?
— Nenhuma concreta. Apenas boatos e especulações vazias. Nada que nos leve ao intruso até agora — respondeu Tachihara, franzindo a testa e passando uma mão pelos cabelos ruivos em um gesto de frustração
— O chefe exige respostas e a captura do intruso. — A voz de baixou, tornando-se um sussurro carregado de uma ameaça gélida que fez até os veteranos sentirem um arrepio na espinha. — Revistem cada centímetro desta cidade. Cada beco, cada esconderijo. Temos que descobrir quem teve a audácia, a insolência, de nos desafiar. Certifiquem-se de que nenhum detalhe escape... de lugar algum. — Seus olhos percorreram cada membro do batalhão, buscando não apenas confirmação, mas um juramento silencioso de lealdade. Sua análise era penetrante, como se tentasse ler nas entrelinhas de cada olhar, procurando por qualquer indício de conivência ou até mesmo envolvimento com os Corvos Negros. Havia uma intensidade em seu olhar, como se procurasse por algo mais do que apenas obediência – talvez uma rachadura na fachada, um brilho culpado que a alertasse para a presença de um traidor entre eles.
— Sim, senhorita! — responderam em uníssono, as vozes ecoando pelo corredor com uma intensidade que reverberava a promessa de vingança.
Tachihara aproximou-se de , a preocupação estampada em seu rosto.
— E quanto a você? Consegue liderar a busca nesse estado? — rle perguntou, notando o leve tremor nas mãos dela.
esboçou um sorriso frio e calculista que não atingiu seus olhos.
— Eu estou bem, Michizou. Isso não vai me parar. A Máfia do Porto exige uma resposta, e eu vou garantir que a tenha, custe o que custar. Este ataque não ficará impune. — Ela se levantou, ignorando a leve tontura que a acometeu. A dor ainda pulsava, mas a adrenalina e a fúria a mantinham firme, alimentando um desejo ardente de retaliação. Ela ajustou as luvas de couro preto, um gesto automático, como se estivesse vestindo sua armadura para a batalha iminente.
— Antes de irmos… — interrompeu, sua voz assumindo um tom estratégico, carregado de uma desconfiança que não passava despercebida. — Dividam-se em grupos menores. Tachihara, você fica responsável pela área de operações, onde o ataque ocorreu. Quero cada centímetro vasculhado, cada vestígio analisado. Senhor Hirotsu, você coordena a busca nos distritos comerciais. Interroguem informantes, revirem cada pedra. Gin, você e um grupo vasculhem os arquivos da organização. — fixou seus olhos em Hirotsu, a intensidade de seu olhar transmitindo mais do que uma simples ordem. — Procurem por qualquer anomalia, qualquer padrão incomum, qualquer coisa que possa nos indicar quem está nos traindo. Incluam uma busca minuciosa por novas informações sobre os Corvos Negros. Deve haver algum registro, alguma pista que nos ajude a identificar esse intruso... ou esses intrusos. Eu mesma liderarei a investigação interna, começando pelos níveis mais baixos da hierarquia. Preciso descobrir se a ameaça veio de dentro. Quero todos os relatórios em duas horas. Sem exceções. E que fique claro: falhas não serão toleradas. Precisamos descobrir a verdade, não importa onde ela se esconda.
— Entendido! — os três responderam em uníssono, a determinação em suas vozes espelhando a fúria contida de .
respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Aquele ataque não era apenas uma violação de segurança; era um ataque à própria essência da Máfia do Porto. Uma afronta que exigia uma resposta rápida e decisiva, uma demonstração de força que silenciasse qualquer outro que ousasse desafiá-los.
— Vamos — disse, saindo da enfermaria seguida pelo batalhão. No corredor, parou e encarou o trio, com um olhar penetrante que transmitia uma ordem secreta. — E mais uma coisa. Discretamente, coloquem alguns homens para vigiar os hospitais da região. Se o intruso se feriu ao fugir, é provável que procure atendimento médico. E certifiquem-se de que esses homens estejam autorizados a agir.
Tachihara assentiu, um brilho de compreensão e uma ponta de malícia surgindo em seus olhos.
— Pode deixar. Cuidaremos disso. — Um sorriso sombrio curvou seus lábios. Ele entendia o recado: a busca não seria apenas por informações, mas por retaliação.
Enquanto o batalhão se dispersava para cumprir as ordens, sentiu um frio excitante percorrer sua espinha. A caçada havia começado. E ela não descansaria até que o intruso fosse encontrado e punido. A Máfia do Porto não tolerava desafios. E ela, Nakahara, movida por uma sede implacável de vingança, garantiria que essa lição fosse aprendida da pior maneira possível.
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O sol da manhã no horizonte, tingia o céu com tons de laranja e vermelho, mas a beleza daquela manhã contrastava brutalmente com a cena que se desenrolava abaixo. Longas sombras se estendiam sobre o pátio outrora movimentado da Máfia do Porto, agora um palco de destruição e silêncio tenso. O vento frio da manhã carregava não o cheiro de pólvora, como esperava, mas um odor acre de fumaça, concreto queimado e morte. O ataque, orquestrado por um intruso, ainda desconhecido, não se limitara à sala de operações. Fora uma investida coordenada, um ataque em múltiplas frentes, visando desestabilizar a Máfia do Porto em sua própria base. A jovem, com o cenho franzido e os olhos fixos na paisagem urbana devastada, sentia um nó se formar em seu estômago. A tentativa fracassada de uma re-aliança com a Agência de Detetives agora parecia um luxo distante, uma preocupação menor diante da catástrofe que se abatia sobre Yokohama. Os Corvos Negros não apenas avançavam; eles haviam declarado guerra aberta. A luz implacável do amanhecer revelou a extensão total da devastação. Yokohama, que pulsava com a energia do Halloween há quatro dias atrás, jazia agora como uma ferida aberta. Prédios outrora imponentes exibiam buracos negros onde antes haviam janelas, suas fachadas craqueladas e cobertas de fuligem. Ruas antes vibrantes com decorações festivas agora estavam bloqueadas por escombros, carros carbonizados e árvores derrubadas. O cheiro de gasolina misturava-se ao ar pesado, enquanto pequenos focos de incêndio ainda dançavam entre os destroços.
O som era tão ensurdecedor quanto a visão. Sirenes berrando, gritos de dor e pânico, o crepitar constante das chamas e o estrondo ocasional de mais entulho caindo criavam uma cacofonia angustiante. Civis corriam em todas as direções, alguns carregando o que restara de seus pertences, outros vagando em estado de choque, com os olhos vidrados e a respiração entrecortada. Havia feridos por toda parte: alguns com cortes e contusões, outros gravemente feridos, presos sob os escombros, clamando por ajuda. Corpos, cobertos por lençóis improvisados ou simplesmente abandonados à mercê do frio da manhã, pontuavam a paisagem desoladora, um testemunho silencioso da brutalidade do ataque.
A polícia, em número insuficiente e visivelmente abalada, tentava desesperadamente controlar o caos. Barricadas improvisadas, feitas de entulho, carros destruídos e qualquer outro material disponível, demarcavam zonas de perigo. Os policiais, com uniformes sujos, rostos exaustos e olhos vermelhos, moviam-se com uma mistura de determinação e desespero. Alguns tentavam acalmar a população em pânico, outros coordenavam as equipes de resgate que chegavam lentamente, enquanto outros, com armas em punho, mantinham-se em alerta, aterrorizados com a possibilidade de um novo ataque. A atmosfera estava carregada de medo, incerteza e uma profunda sensação de perda. Yokohama, a cidade vibrante e festiva, havia se transformado em um campo de batalha, onde a linha entre civil e combatente se tornara terrivelmente tênue.
O contraste com as noites anteriores era chocante, um golpe silencioso que pairava sobre a cidade como uma mortalha. permanecia imóvel diante da janela panorâmica, observando Yokohama do alto do trigésimo andar do imponente edifício da Máfia do Porto. A cidade, outrora vibrante, parecia contida sob uma névoa de apreensão. A situação exigia uma resposta imediata e implacável; não havia espaço para lamentações ou hesitações. A Máfia do Porto estava sob ataque, e ela se recusava a permitir que o caos os engolisse. A ousadia da investida, a coordenação milimétrica e a ausência de vestígios óbvios — tudo gritava profissionalismo, uma afronta direta à sua autoridade e à própria essência da organização.
Sem mais delongas, se afastou da janela, a imagem da cidade agora um mero borrão em seu campo de visão periférico. A frieza que endurecia seus traços refletia a tempestade que se formava em seu interior. Ela mesma lideraria a investigação interna sob as ordens do Chefe, começando pelas bases da hierarquia e escalando até os círculos mais íntimos. A traição, uma possibilidade nauseante, precisava ser imediatamente confrontada. Oito de seus subordinados mais confiáveis aguardavam em um semicírculo perfeito na sala de reuniões adjacente. Trajando ternos pretos impecáveis, óculos escuros que ocultavam olhares calculistas e armados com discrição letal, eles personificavam a frieza e a eficiência da organização. A sala, normalmente um espaço de planejamento estratégico, agora se assemelhava a um quartel-general improvisado. Mapas detalhados da cidade de Yokohama e das instalações da Máfia estavam estendidos sobre a mesa de mogno, cruzados por linhas e marcados com círculos vermelhos nos pontos de interesse. Pequenos fones discretos em seus ouvidos os mantinham conectados à rede de comunicação interna.
caminhou até o centro da sala, o som ritmado de suas botas de cano alto ecoando no piso de madeira escura. O ar estava carregado de uma tensão palpável, o silêncio contrastando brutalmente com a atmosfera usualmente movimentada. Seus olhos percorreram cada rosto, buscando qualquer indício de hesitação, medo ou pior,
culpa.
— Na noite passada, o QG da nossa organização foi atacado. Vários dos nossos engenheiros, cientistas, membros e subordinados ficaram feridos. Infelizmente, o número de baixas subiu para 20 até cinco minutos atrás. — Sua voz, normalmente melodiosa, ressoava agora com uma frieza cortante, cada palavra pronunciada com precisão cirúrgica. — Isso não foi um ato de vandalismo. Foi um ataque calculado, uma declaração de guerra. — fez uma pausa dramática, permitindo que o peso de suas palavras impregnasse o ambiente. Seus olhos, como lâminas afiadas, perfuravam cada indivíduo, buscando a verdade oculta em suas expressões.
— O Chefe exigiu que encontrássemos os responsáveis. Custe o que custar — continuou, a voz agora tingida com uma determinação implacável. — Quem quer que tenha feito isso possuía informações privilegiadas. Conhecia detalhes de nossos protocolos de segurança, pontos de acesso internos… informações que apenas membros altamente confiáveis da nossa organização deveriam conhecer.
A suspeita pairava no ar como um espectro sombrio:
traição. A possibilidade, antes impensável, agora era uma ferida aberta na confiança da Máfia.
— A possibilidade de haver um traidor entre nós não é descartada. — Ela enfatizou, o olhar penetrante varrendo a sala mais uma vez. — E eu pessoalmente garantirei que os responsáveis por essa afronta sejam punidos com a máxima severidade. Os Lagartos e Lírios Negros já estão vasculhando a cidade em busca de pistas externas. Quanto a vocês… — Ela apontou para um grande mapa da região portuária, densamente marcado com pontos estratégicos. — Quero uma varredura interna completa em todas as nossas bases de operações. Comecem pelas instalações de menor para maior importância. Quero um relatório detalhado: quem estava de guarda em cada local, quem falou com quem e quem viu o quê. Cada detalhe, por menor que pareça, será de suma importância. Relatórios a cada hora. Sem exceções. Entendido?
— Sim, senhorita! — todos responderam em uníssono, as vozes graves e respeitosas ecoando pela sala. A disciplina e a hierarquia da Máfia eram inabaláveis, o alicerce de sua força em meio à crise.
A jovem respirou fundo, controlando a impaciência que a corroía por dentro. A situação exigia precisão e método, não precipitação
— Tenya — disse, voltando-se para um homem magro e de óculos de aro fino, cuja aparência estudiosa contrastava com sua mente afiada e especializada em tecnologia. — Quero que você rastreie todas as comunicações das últimas 24 horas. Chamadas, mensagens, acessos a redes internas, qualquer atividade digital que possa nos dar uma pista. Concentre-se em anomalias, padrões incomuns, qualquer coisa que se desvie da rotina.
Tenya ajustou os óculos no rosto, seus dedos já deslizando com precisão sobre um tablet fino e moderno. A tela exibia linhas complexas de código e fluxos de dados em tempo real.
— Já estou trabalhando nisso, senhorita. Estou vasculhando os registros de todas as operadoras da região, acessando logs de servidores e analisando o tráfego de dados da nossa rede interna. Se houve alguma comunicação suspeita, eu vou encontrar. — Seus dedos dançavam sobre o teclado virtual com uma velocidade hipnotizante.
assentiu levemente, demonstrando satisfação com a eficiência de Tenya.
— Ótimo. Quero resultados rápidos, Tenya. Cada minuto perdido nos coloca em desvantagem. — se virou para o restante dos homens na sala, seu olhar firme e autoritário varrendo o grupo. — Toshinori… — ela disse, dirigindo-se a um homem corpulento e o rosto impassível. — Analise as gravações das câmeras de segurança. Cada detalhe, por menor que pareça, pode nos levar aos responsáveis. E, Toshinori... — pausou, a voz agora carregada de um tom mais grave.
Um silêncio pesado pairou na sala, apenas o tique-taque do relógio quebrando o silêncio. respirou fundo, controlando a raiva que ameaçava transbordar.
— Quero saber como conseguiram se infiltrar sem acionar nossos sistemas de alerta. Faça uma revisão completa de todos os nossos protocolos de segurança. — Ela fez uma pausa dramática, seus olhos brilhando com uma intensidade fria.
Toshinori assentiu com seriedade, seus olhos escuros fixos em . A luz ambiente destacava as linhas de expressão em seu rosto, testemunhas de inúmeras noites em claro dedicadas ao trabalho.
— Entendido, senhorita. Vou verificar se houve alguma manipulação nos sistemas de segurança e comparar os padrões de acesso das últimas semanas. Se alguém acessou o sistema indevidamente, eu vou encontrar — ele disse, ajeitando o paletó escuro e desaparecendo pela porta lateral, acompanhado de Tenya. O leve farfalhar do tecido era o único som em seus passos rápidos e silenciosos
— Yuta — chamou, direcionando o olhar para um homem alto e sério. Sua presença física irradiava força bruta e intimidação. — Você e eu começaremos uma varredura pelos níveis mais baixos da hierarquia. Quero interrogações discretas, mas eficazes. Se encontrarmos resistência, usaremos os métodos necessários para obter informações.
Yuta assentiu com a cabeça, seus olhos escuros e profundos fixos em , demonstrando total compreensão da gravidade da tarefa.
— Entendido, senhorita. Cuidarei pessoalmente dos preparativos para as interrogações e supervisionarei a revisão dos protocolos de segurança nas bases de nível inferior. Ninguém escapará da minha atenção — ele disse, com o semblante extremamente sério.
assentiu e então se voltou para os cinco homens restantes.
— Kenta, Tatsuya, Gen, Ueda, Daisuke — ela os nomeou, seu olhar avaliando cada um. — inspecionem a explosão causada na sala de operações pessoalmente. Quero entender a extensão dos danos e procurar qualquer vestígio que tenha passado despercebido. Fim da reunião.
Com um aceno de cabeça coletivo, os cinco homens deixaram a sala de . A tensão na sala era palpável, mas sob a superfície fria e calculista, uma determinação feroz começava a borbulhar. A Máfia do Porto não se curvaria. Eles caçariam os responsáveis e os fariam pagar com sangue.
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— Um intruso nas instalações da Máfia do Porto? — A voz de era um aço frio que cortava o ar denso do escritório. Não havia espaço para dúvidas ou hesitações em seu tom. A traição implícita na violação de sua segurança a envenenava. — Como diabos isso aconteceu? Como permitiram uma falha de segurança tão grotesca? — A cada palavra, a irritação em sua voz crescia, reverberando pelas paredes como um trovão abafado. Seus dedos, adornados por anéis de prata cujas pedras preciosas faiscavam sob a luz fraca, tamborilavam com fúria sobre a mesa de mogno. A superfície escura, marcada por cicatrizes de incontáveis reuniões e acordos sombrios, parecia absorver a penumbra que entrava pelas janelas, impregnadas pela fuligem da cidade. O escritório, em uma das instalações da Máfia, respirava a atmosfera sufocante do caos em Yokohama.
O silêncio que se seguiu era mais ensurdecedor que qualquer grito. cerrou os punhos, sentindo a raiva latejar em suas têmporas. A ousadia do intruso era um insulto, uma afronta que exigia uma resposta dolorosa.
— Essa falha na segurança… — A voz de era agora um sussurro carregado de veneno. — Vou encontrar o responsável por isso, e ele pagará com sangue. — Seus olhos azuis faiscaram com uma intensidade gélida. — , alguns dos nossos engenheiros, cientistas, membros e subordinados ficaram feridos. A negligência tem um preço, e será cobrado.
— Minha irmã… — A voz de Chuuya era baixa e gutural, carregada de uma fúria contida que ameaçava explodir a qualquer momento. Ele estava recostado na parede oposta à mesa, o corpo tenso como uma corda de arco prestes a estourar, mantendo o olhar fixo em um ponto qualquer no chão. A mandíbula cerrada formava uma linha dura, e seus punhos estavam tão apertados que seus nós dos dedos brilhavam brancos sob a luz tênue. A notícia do ataque transmitida por Mori em um telefonema lacônico momentos antes, enquanto vasculhavam a zona portuária em busca dos Corvos Negros, pesava sobre os dois como uma maldição. Enquanto a imagem de sua irmã caçula ferida acendia uma chama de ódio em seu peito.
A identidade do intruso, suas motivações, tudo era um enigma, aumentando a paranoia que já os corroía.
— Se algo tiver acontecido com ela, eu... — Chuuya rosnou, pronto para dizer mais alguma coisa, no entanto, uma voz o interrompeu.
— está bem e já está
cuidando disso. — A voz grave surgiu das sombras atrás deles, carregada de uma calma que contrastava brutalmente com a atmosfera carregada. A palavra "cuidando" soou quase como uma ameaça velada, uma promessa de retaliação brutal.
e Chuuya se viraram como se tivessem levado um choque, as mãos buscando instintivamente as armas sob seus casacos. agarrou a
Luger prateada que carregava na cintura, o metal frio reconfortante contra sua pele. Enquanto Chuuya apertou o tecido de seu chapéu, sentindo o couro macio de suas luvas sob seus dedos, a habilidade pulsando adormecida, faminta por ação.
Hirotsu, imponente como uma estátua de pedra, estava parado na entrada do escritório, flanqueado por dois membros da tropa de batalha, tão silenciosos e ameaçadores quanto sombras. A luz fraca do corredor delineava sua figura alta e esguia, fazendo seu monóculo brilhar como um olho de um predador. A fumaça azulada de seu cigarro subia em espirais lentas, perfumando o ar com um aroma amargo.
— Senhor Hirotsu? — perguntou, a voz agora controlada, mas com uma fina camada de apreensão. A presença do comandante dos Lagartos Negros ali, naquele momento, era um presságio. — O que faz aqui?
— Ordens diretas do Chefe sob a supervisão da senhorita — Hirotsu respondeu, sua voz monótona e impassível, como se estivesse lendo um relatório. — Os Lagartos Negros foram mobilizados. Estamos vasculhando cada centímetro dos distritos comerciais da cidade e revisando os arquivos da organização. O Chefe suspeita que o intruso possa estar buscando desestabilizar nossas operações. — Seus olhos frios percorreram os dois presentes, avaliando-os. — A ordem é: encontrar qualquer anomalia, qualquer padrão fora do comum. Reforçar a segurança em todos os pontos estratégicos. E, acima de tudo, capturar o intruso. Vivo preferencialmente. Morto, se necessário. Mas a prioridade absoluta é a captura com vida.
— Então vamos acabar logo com isso. — Chuuya não esperou mais. A impaciência e a raiva ferviam em suas veias, manifestando-se em seus ombros tensos e no ranger de seus dentes. Ele se moveu em direção à porta como uma flecha, a necessidade de agir, de descontar sua fúria em alguém, o consumindo.
— Cada segundo perdido nos afasta dos Corvos Negros e nos aproxima de um confronto com a Agência — sibilou o ruivo, a mão crispada na maçaneta, os nós dos dedos brancos pela força que exercia.
— Espere, senhor Chuuya. — Hirotsu estendeu uma mão enluvada, o branco impecável contrastando com a penumbra do escritório. A luz fraca refletia no aro de seu monóculo, ocultando seu olho. — A senhorita também nos instruiu a enfatizar a extrema cautela. E não subestimar o inimigo. — Ele fez uma pausa. — Há a forte possibilidade… de haver um traidor dentro das instalações da Máfia do Porto. O Chefe teme que ele não seja um simples invasor ou informante. Aparentemente, ele possui informações específicas… e um objetivo definido.
—
Um traidor? — A menção de um traidor pairou no ar como um espectro, envenenando a atmosfera. Chuuya rangeu os dentes com tanta força que as mandíbulas crisparam, um rosnado gutural escapando de sua garganta como o aviso de um animal encurralado. Seus olhos, normalmente azuis como o céu limpo, escureceram para um tom tempestuoso, faíscas de fúria dançando em suas pupilas. A veia em sua testa pulsava violentamente, a pele ao redor avermelhada pela pressão. Ele cerrou os punhos com tanta intensidade que suas luvas poderiam rasgar a qualquer momento. A mera sugestão de uma traição dentro de sua própria organização era uma afronta pessoal, uma mancha que ele jurou lavar com sangue, se necessário.
, por sua vez, sentiu um frio sinistro percorrer sua espinha. A traição era um veneno que corroía as entranhas da máfia. Seus punhos se fecharam com tanta força que suas juntas estalaram audivelmente, os dedos curvados como garras. Seus ombros tremiam ligeiramente, a raiva fervendo sob sua pele como lava prestes a entrar em erupção. Seus lábios se contraíram em uma linha fina e determinada, e um brilho frio e perigoso surgiu em seus olhos. Ela respirava fundo, tentando controlar a onda de violência que ameaçava transbordar, mas a respiração saía entrecortada, quase um sibilo. A simples ideia de um infiltrado manchando o nome da organização a fazia querer caçar e punir o culpado com suas próprias mãos, torturá-lo até que confessasse cada detalhe de sua traição.
— Ele vai se arrepender profundamente por isso — sibilou, a voz baixa e carregada de ameaça, os olhos fixos em um ponto invisível na parede, como se já estivesse visualizando o traidor. — Cada momento de sua existência se transformará em um inferno.
— Ele vai sentir como é ser esmagado pela gravidade.
Literalmente — Chuuya rosnou, um sorriso cruel se formando em seus lábios. A imagem de usar seu poder para esmagar o traidor o excitava de uma forma sombria. — Vou reduzir cada osso do corpo dele a pó. E depois, vou juntar os pedaços e fazer de novo.
— Esperem. Nossa abordagem deve ser estratégica, não impulsiva. A captura com vida é crucial para extrair informações. A senhorita acredita que ele pode ter algum envolvimento com os Corvos Negros. — Hirotsu estreitou os olhos, a fumaça do seu cigarro subindo em espirais lentas e densas, como se prenunciasse uma tempestade. Seus olhos, normalmente calmos, agora continham uma frieza cortante.
cerrou os dentes, a contragosto. A menção de reforçava a seriedade da situação. A captura com vida era uma ordem. Mas a sede de vingança ainda queimava em suas entranhas.
— Entendo. Informaremos qualquer progresso — a loira respondeu, a voz fria e calculista, os olhos faiscando com uma raiva contida.
Chuuya rangeu os dentes com tanta força que seu maxilar doeu. A menção de , a ênfase na cautela, vindas através de Hirotsu, o forçaram a reconsiderar sua impulsividade. Suspirou fundo, revirando os olhos enquanto tirava o chapéu. Passou a mão pelos fios ruivos, deixando-os ainda mais desalinhados. Por mais que a raiva seguisse borbulhando em seu peito, forçou-se a contê-la.
— Ótimo. Vamos fazer do jeito
dela, então. Mas se esse inseto cruzar o meu caminho… — A voz de Chuuya baixou para um rosnado ameaçador, um brilho perigoso acendendo em seus olhos azuis. — Ele vai se arrepender amargamente de ter ousado pisar no território da Máfia do Porto. Vou pessoalmente garantir que ele deseje nunca ter nascido. Cada osso do corpo dele vai implorar por misericórdia. E quando ele achar que a dor não pode piorar… eu vou mostrar o quanto ele está errado.
🔍💡 🏢 📚 🤝🏼 🛡 🕊 ☀️
| Ao mesmo tempo: Agência de Detetives Armados, quatro dias após o incidente em Yokohama durante o festival de Halloween e dois dias após a tensa reunião com a Máfia do Porto. |
A atmosfera na Agência de Detetives Armados era carregada, quase sufocante, nos dias que se seguiram ao incidente do festival de Halloween. O desaparecimento de Kyouka pairava sobre todos como uma sombra densa, exacerbado pelos recentes ataques dos Corvos Negros em Yokohama e pela tentativa frustrada de restabelecer uma re-aliança com a Máfia do Porto. A agência, outrora um centro vibrante de excentricidades e discussões acaloradas, jazia sob um manto de apreensão incomum. O escritório, normalmente um caldeirão borbulhante de interações peculiares e debates animados, estava mergulhado em um silêncio quase palpável, como se a própria respiração estivesse suspensa.
A ausência de Kyouka, cuja quietude característica geralmente contrastava com a energia vibrante do local, criava um vazio ensurdecedor. O espaço parecia ecoar com a falta de seus passos silenciosos e a ausência de sua presença discreta. Até mesmo o burburinho constante de Ranpo, o detetive genial, havia cessado, substituído por um semblante preocupado e um hábito incomum: ele mordia o lábio inferior com força, um raro sinal de sua profunda apreensão. Seus olhos, normalmente brilhando com inteligência e diversão, estavam agora turvos e fixos em um ponto distante, como se tentasse decifrar um enigma invisível. Sua irmã, , geralmente uma figura mais reservada, demonstrava sua ansiedade de forma mais física. Ela andava de um lado para o outro na sala, com um livro aberto em suas mãos que folheava distraidamente, sem realmente ler. Seus dedos tamborilavam nervosamente na capa e ela mordiscava as unhas, um hábito que raramente é exibido em público. A dinâmica usual entre os irmãos, marcada por provocações brincalhonas e um carinho fraterno subjacente, dava lugar a uma preocupação compartilhada e silenciosa, criando um cordão invisível de apreensão entre eles.
A jovem parou em frente à janela, fitando a paisagem urbana de Yokohama com uma expressão ansiosa. A cidade, outrora vibrante e cheia de vida, parecia cinzenta e inerte sob o céu pálido. A luz fraca do sol matinal mal atravessava a névoa que pairava sobre os prédios.
— Ela deve estar em algum lugar… — murmurou , a voz quase inaudível, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa presente no escritório. Seus olhos percorriam as ruas lá embaixo, procurando em vão por qualquer sinal de Kyouka.
O contraste entre a natureza geralmente calma e estoica de e sua atual agitação intensificava a atmosfera de apreensão. Seus ombros estavam tensos e suas mãos cerradas em punhos. O silêncio era tão denso que parecia abafar até mesmo os sons mais sutis: o virar de páginas no escritório ao lado, o farfalhar das árvores do lado de fora, o distante som de sirenes na cidade. Até mesmo o cheiro forte de café requentado, que normalmente permeava o ar do escritório e oferecia um conforto familiar, agora pairava como um lembrete amargo da longa noite de buscas infrutíferas. O café, antes um símbolo de energia e trabalho árduo, agora cheirava a noites mal dormidas e preocupação constante.
A luz fraca que entrava pelas janelas criava longas sombras no escritório, aumentando a sensação de melancolia e incerteza. A tensão se manifestava de diferentes maneiras entre os membros. Ranpo estava em sua mesa, com os olhos agora fechados, concentrado, tentando reunir pistas em sua mente. Atsushi, ainda em desenvolvimento como membro da Agência, demonstrava uma ansiedade quase palpável, remoendo a culpa por não ter conseguido proteger Kyouka. Seus dedos inquietos tamborilavam na mesa, e ele constantemente olhava para a porta, como se esperasse que ela entrasse a qualquer momento.
— Eu… eu deveria ter cuidado dela — sussurrou, a voz embargada, os olhos marejados.
Kunikida, ao ouvir o lamento do mais novo, colocou uma mão firme em seu ombro, um raro gesto de consolo.
— Não se culpe, moleque. Ninguém poderia prever isso. Agora, precisamos nos concentrar em encontrá-la. — Kunikida, com sua natureza metódica e idealista, tentava manter a compostura, mas seus frequentes suspiros e o aperto constante em sua agenda denunciavam sua apreensão. Ele revisava incessantemente suas anotações, buscando qualquer pista que pudesse ter passado despercebida. — Deve haver algo que deixamos passar… algum detalhe — murmurava para si mesmo, enquanto folheava as páginas freneticamente. Uma veia pulsava em sua testa, denunciando o esforço mental.
Dra. Yosano, com uma expressão grave e determinada, separava alguns suprimentos médicos em uma pequena bolsa, revisando mentalmente os procedimentos de emergência, como se estivesse se preparando para o pior, mas ainda mantendo uma esperança tênue.
“Se ela estiver ferida… não, ela está bem, ela está bem.” Pensou Yosano, sacudindo a cabeça de um lado para o outro, espantando tais pensamentos, antes de continuar a separar os materiais.
— Precisamos estar preparados para qualquer eventualidade. Com certeza iremos trazê-la de volta — disse ela, sua voz firme, mas com uma nota de preocupação. Tanizaki, normalmente mais otimista, compartilhava um olhar preocupado com Naomi, que, apesar de sua aparente despreocupação habitual, segurava firmemente o braço do irmão, buscando conforto em sua presença.
— Tenho certeza que ela está bem, Atsushi. Ela é uma garota forte — disse Naomi, sua voz baixa, mas determinada, embora seus olhos estivessem marejados. Tanizaki apertou a mão de Naomi de leve, tentando transmitir confiança, mesmo que ele mesmo estivesse apreensivo.
— Sim, ela é… — concordou o ruivo, a voz quase um sussurro. A interação silenciosa entre os dois revelava a fragilidade por trás da fachada de Naomi.
Kenji, com seu otimismo característico, tentava animar o ambiente, mas até mesmo sua voz soava mais baixa do que o normal, e seus olhos refletiam uma genuína preocupação. Ele olhava para os outros, buscando palavras de conforto que ele mesmo parecia precisar.
— Vamos encontrá-la logo — disse Kenji, com um pequeno sorriso, que logo se desfez ao ver as expressões preocupadas dos outros. Ele então abaixou a cabeça, suas mãos cerradas em punhos
Enquanto Dazai, conhecido por seu comportamento errático e tentativas falhas de suicídio, exibia uma seriedade atípica que assustava até mesmo os membros mais acostumados com suas excentricidades. Seu humor usualmente sarcástico e despreocupado dera lugar a um olhar distante e calculista, como se estivesse ponderando todas as possibilidades em busca de um plano. Ele andava silenciosamente pelo escritório, observando cada detalhe, como se estivesse procurando por algo que os outros não conseguiam ver. De repente, ele parou em frente à janela, o mesmo ponto onde estivera momentos antes.
— Ela não desapareceu por vontade própria, disso nós já sabemos — disse ele, sua voz baixa e rouca, observando a rua. — Alguém a levou, mas para onde? — Dazai virou-se para Kunikida, seus olhos estreitados. — Kunikida, alguma atualização sobre os Corvos Negros?
— Nada concreto ainda. Nossos contatos na polícia não encontraram nenhum vestígio deles desde o incidente há quatro dias atrás — Kunikida respondeu, franzindo a testa. — O ataque durante o halloween teve perdas, feridos e desaparecimentos significativos e, como se não bastasse… — Ele suspirou pesadamente, passando a mão pelos cabelos. —... a tentativa de reaproximação com a Máfia do Porto falhou miseravelmente. Isso nos coloca em uma posição extremamente delicada. Não podemos contar com a ajuda deles. — Ele fechou os olhos por um momento, a frustração evidente em sua voz. — Precisamos agir rápido.
Atsushi encarou Kunikida com determinação, uma faísca de esperança em seus olhos.
— E se pedirmos ao Francis para que ele nos ajudasse usando os
Olhos de Deus? Assim podemos localizá-lo s— ele sugeriu, com um olhar pensativo.
Kunikida hesitou por um instante, considerando a proposta.
— Fitzgerald…? — Kunikida perguntou, confuso.
— Sim! Ele nos ajudou uma vez. Talvez nos ajude de novo — Atsushi respondeu, com certo brilho nos olhos, apesar da situação tensa.
— Dificilmente ele concordaria em nos ajudar novamente. Nossa relação com a Guilda é… — Kunikida hesitou, procurando as palavras certas — complexa, para dizer o mínimo. — Ele cruzou os braços, um sinal de sua incerteza. — Entretanto, precisamos considerar todas as possibilidades... mesmo as mais improváveis.
— Mas se não agirmos rápido, a vida de Kyouka e de todas as pessoas de Yokohama estará em jogo. Não podemos sequer usar a habilidade de para localizá-la. — Atsushi mordeu o lábio inferior, um pouco desanimado, mas sem perder a esperança. Kunikida suspirou novamente, massageando as têmporas.
respirou fundo e se pronunciou:
— De fato, a ajuda do Francis com os Olhos de Deus seria uma coisa e tanto, Atsushi. Mas é uma solução de último caso, considerando nosso histórico da Agência com a Guilda — disse calmamente, aproximando-se da dupla. — No enquanto, você está certo, não posso usar minha habilidade para localizá-los. E como devem saber, minha habilidade de rastreamento tem suas limitações, além disso, a força que estamos enfrentando agora me impede de usá-lo para encontrar Kyouka. A interferência é muito forte. — suspirou, enquanto os outros trocavam olhares preocupados. Atsushi franziu a testa, embora compreendesse a situação.
— Mas se não agirmos logo… — ele exclamou, sua voz carregada de apreensão.
— Atsushi… entrar em pânico agora não nos levará a lugar algum. Precisamos de um plano, e um plano requer calma e raciocínio — Dazai exclamou, sua voz baixa e firme, com um tom de autoridade que raramente usava.
Essa mudança drástica em seu comportamento usual criava uma camada adicional de inquietação entre os demais. Até o presidente da agência, sempre um pilar de calma e segurança, demonstrava gravidade. De sobrancelhas franzidas e braços cruzados sobre o peito, ele encarava o vazio como se sustentasse o peso do mundo. Aquele silêncio rígido apenas tornava a situação mais sombria.
Fukuzawa, que se mantivera alheio à conversa, percorreu os olhos pelos membros da agência, medindo a tensão no ar, antes de quebrar o silêncio:
— Ouçam todos! A situação a qual nos encontramos é crítica, não há como negar. A prioridade máxima é a localização de Kyouka e a proteção desta cidade. A interferência que mencionou… — Ele pausou, ponderando as palavras. — …sugere a presença de uma habilidade poderosa, capaz de bloquear até mesmo rastreamentos especializados. Isso nos coloca em desvantagem, mas não podemos nos deixar abater.
Um silêncio pesado pairava sobre o escritório da Agência de Detetives Armados. O desaparecimento de Kyouka reverberava como um trovão, intensificando a apreensão. Os olhares se cruzavam, buscando confirmação e conforto nas expressões alheias: alguns arregalados em choque, outros franzidos em preocupação. Atsushi engasgou, levando a mão à boca, o rosto empalidecendo visivelmente. A imagem de Kyouka em perigo o atingiu como um soco, fazendo-o cambalear.
— Kunikida está certo, o encontro que tivemos com a Máfia do Porto a dois dias praticamente enterrou qualquer chance de uma nova tentativa de aliança. — Fukuzawa franziu a testa, a gravidade da situação estampada em seu rosto. Os membros da Agência trocaram olhares tensos.
Kunikida cerrou os punhos, um misto de raiva e frustração o dominando. Atsushi mordeu o lábio, um frio na espinha ao imaginar o perigo que Kyouka corria. Seus olhos marejaram, e ele desviou o olhar, lutando contra as lágrimas.
— Portanto, para trazer Kyouka sã e salva, agiremos por conta própria. — O presidente da Agência pausou, enfatizando a seriedade de suas palavras. — Cada um terá uma função. Não pouparemos esforços. Encontraremos Kyouka e derrotaremos o Corbeaux Noirs de uma vez por todas.
Um novo silêncio preencheu a sala. Não mais a apreensão passiva, mas a determinação silenciosa. Yukichi Fukuzawa se levantou. Seu olhar percorreu a sala, encontrando o de cada membro, transmitindo confiança e liderança.
— Entrarei em contato com velhos conhecidos que podem ter informações sobre o paradeiro de Kyouka e as atividades dos Corbeaux Noirs. Por isso, Kunikida, conto com você para coordenar as buscas em campo e manter a equipe organizada. — Ele o encarou diretamente.
— Pode contar comigo, presidente. Farei como o senhor pediu. Organizarei as equipes, distribuirei as tarefas garantindo a comunicação. Encontraremos Kyouka, custe o que custar. — Kunikida ajustou os óculos e se curvou em respeito. A seriedade em seu rosto era evidente, misturada a uma ponta de apreensão. Ele respirou fundo, controlando a ansiedade.
Fukuzawa assentiu e se retirou, sob o olhar atento dos detetives. Kunikida voltou para sua postura normal e se virou para os companheiros.
— Certo, para encontrarmos Kyouka e lidarmos com os Corvos Negros, nos dividiremos em três grupos estratégicos. — Kunikida pegou um marcador e circulou áreas em um mapa. — A cidade está um caos, há sinais de destruição por todos os lados. Os ataques foram coordenados e em grande escala. A polícia e os bombeiros estão sobrecarregados.
Ele olhou para , Kenji e Tanizaki. Kenji parecia confuso, preocupada e Tanizaki mantinha um semblante sério.
— Kenji, Tanizaki e ... vocês três ficarão juntos nesta área, com alta concentração de civis feridos. Suas habilidades combinadas serão cruciais para o resgate e primeiros socorros. Tanizaki, pode criar ilusões e distrações; Kenji, sua força será essencial para remover escombros e transportar feridos; , sua habilidade de rastreamento será crucial para localizar os feridos e nos reforços médicos. — Apontou para uma região central no mapa.
— Entendido, Kunikida. Estaremos atentos a qualquer sinal da Kyouka também, enquanto ajudamos nos resgates — Tanizaki respondeu, com Kenji e assentiram em concordância.
— Atsushi, Dra. Yosano, suas habilidades serão cruciais onde o festival de Halloween acontecia, lugar onde ocorreu o ataque principal. Atsushi, sua transformação pode ser útil para reconhecimento e resgate em áreas de difícil acesso; Dra. Yosano, sua habilidade de cura será essencial para tratar os feridos graves. — Kunikida os encarou, notando a palidez de Atsushi.
Yosano lançou um olhar determinado para Atsushi, como se dissesse:
"Pode contar comigo!" Atsushi engoliu em seco e assentiu fracamente, a determinação começando a superar o medo.
— Dazai, você vem comigo. Investigaremos a possível motivação dos Corbeaux Noirs, além da obsessão em eliminar usuários de habilidades e a dominação mundial. — Dazai concordou, um brilho de seriedade em seus olhos, mas um leve tremor em seus lábios o denunciava.
— Naomi e os outros funcionários, cuidem da Agência. Mantenham as comunicações, monitorem os noticiários e mantenham contato constante com os grupos — ele disse calmamente, dando todas as informações para Naomi
— Pode deixar com a gente, Kunikida! Manteremos tudo sob controle — Naomi respondeu, com firmeza.
— Ótimo. Atsushi… — Kunikida hesitou, suavizando a expressão. — Tente manter a calma. Sei que está preocupado com Kyouka, mas precisamos que você esteja focado. Vamos trazê-la de volta.
— Eu sei… obrigado, Kunikida. Eu vou me esforçar — Nakajima respondeu, a voz embargada.
Dazai colocou a mão no ombro de Atsushi, com seu típico sorriso.
— Não se preocupe tanto, Atsushi. Kyouka é durona. Ela sabe se cuidar. E temos o Kunikida para nos manter na linha — o rapaz de bandagens disse, tentando fazê-lo manter a calma.
— Pare de falar besteiras, Dazai. Não é hora para brincadeiras — Kunikida o repreendeu.
— Calma, Kunikida, eu só estou tentando animá-lo. — Dazai riu levemente, mas seu olhar se tornou sério. — Até porque, nós vamos encontrá-la.
se aproximou de Atsushi, colocando uma mão em seu outro ombro.
— Atsushi, apenas confie. Vamos trazê-la de volta. Juntos. — Ela sorriu gentilmente.
— Sim! Vamos salvar Kyouka! — Kenji sorriu, com sua inocência contagiante.
Atsushi olhou para seus companheiros, sentindo um calor reconfortante. Assentiu com firmeza.
— Sim… vamos trazê-la de volta. — Ele respirou fundo, tentando afastar a ansiedade. Kunikida assentiu, satisfeito com a determinação renovada do grupo.
— Ótimo. Vamos nos preparar e partir imediatamente. Cada segundo é uma corrida contra o tempo. Ranpo… — O loiro olhou para o detetive, que permanecia em silêncio, aparentemente alheio à situação, concentrado em desembrulhar um doce. Um suspiro escapou de seus lábios. — Ranpo, preciso que você use sua habilidade para tentar encontrar algum vestígio sobre onde Kyouka possa estar. — Kunikida aproximou-se de Ranpo, colocando o mapa de Yokohama, com os círculos que havia feito para os outros membros, sobre a mesa. — Sua ajuda é crucial. Não podemos encontrar Kyouka com a habilidade de rastreamento de , algo está impedindo-a de usar o
Tracking Senses para podermos encontrá-la. — Ele franziu o cenho, demonstrando a gravidade da situação. — E considerando a situação caótica da cidade, dependemos da sua habilidade para localizá-la o mais rápido possível.
Ranpo finalmente olhou para Kunikida, a expressão séria pela primeira vez.
— Rápido, por favor, Ranpo. Não temos tempo a perder — acrescentou, a voz embargada pela preocupação. Edogawa suspirou profundamente e guardou o doce no bolso com um gesto lento.
— Entendo. Já que vocês insistem… — disse Ranpo com uma seriedade incomum, que logo se transformou em um sorriso confiante, quase infantil. Levantou-se de sua cadeira, a determinação brilhando em seus olhos. — …eu, o
Grande Detetive, cuidarei disso! — Ele tirou seus óculos de seu bolso e os colocou, pronto para ativar sua habilidade. —
Dedução Ultra! — ele disse e um brilho intenso emanou de seus olhos enquanto ele analisava o mapa e as informações disponíveis.
No entanto, antes que Ranpo pudesse completar sua Dedução Ultra, o escritório da Agência tremeu violentamente. As luzes piscaram e se apagaram, mergulhando o local em uma penumbra repentina, iluminada apenas pelas luzes de emergência fracas. Um estrondo ensurdecedor ecoou, seguido por gritos vindos da rua e o som de vidros se estilhaçando. Poeira e pedaços de concreto começaram a cair do teto, como uma chuva de detritos.
— O que está acontecendo?! — Atsushi exclamou, aterrorizado, desviando de uma estante que ameaçava desabar sobre ele. Um novo estrondo, ainda mais forte que o anterior, sacudiu o prédio. Parte do teto desabou, revelando um céu nublado e a visão de destroços caindo em cascata. Gritos de pavor ecoavam nas ruas, misturados ao som de sirenes e alarmes. Poeira e pequenos fragmentos de concreto choviam do teto agora aberto.
— Um ataque! — bradou Dazai, instintivamente empurrando Naomi e para trás da mesa, enquanto ele próprio se protegia atrás de uma estante que ameaçava desabar. O caos se instalou no escritório. Papeis voavam como folhas secas ao vento, objetos caíam com estrondos surdos e o chão tremia incessantemente sob seus pés. O cheiro acre de gesso e fumaça começou a se espalhar pelo ar, picando as narinas.
— Mas o quê…? — murmurou, seus olhos estreitando-se enquanto observava a poeira dançando no ar sob os raios de sol que agora invadiam o escritório pelo buraco no teto. Uma expressão de pânico tomou conta de seu rosto ao sentir o tremor constante.
— Todos, protejam-se! — Kunikida gritou, sua voz tentando superar o barulho ensurdecedor. Ele correu até Atsushi, que estava paralisado pelo choque, e o puxou para trás de uma mesa virada. — Atsushi, rápido! Precisamos sair daqui!
Atsushi piscou algumas vezes, como se estivesse despertando de um transe. O choque ainda brilhava em seus olhos, mas a determinação começava a surgir ao sentir o puxão firme de Kunikida. Ele assentiu freneticamente e se juntou ao loiro para ajudar a virar outra mesa, criando um precário abrigo para eles e outros membros da Agência.
Ranpo, que até então permanecera calmo em meio ao caos, removeu os óculos e franziu a testa, concentrado. Uma rachadura começou a se formar no chão sob seus pés, estendendo-se como uma teia de aranha. O som de concreto se partindo era agourento.
— O ataque… não veio de fora. — Sua voz era baixa, quase um sussurro, mas carregada de uma seriedade incomum. Seus olhos se arregalaram, fixos em um ponto específico do chão. — Está vindo lá... de baixo. — Antes que alguém pudesse processar suas palavras, o chão sob seus pés começou a rachar violentamente.
Um buraco se abriu, expandindo-se rapidamente pelo escritório, engolindo mesas, cadeiras e outros objetos com um rugido profundo. Cabos elétricos estouraram, soltando faíscas azuis que iluminaram brevemente a poeira densa.
— Ranpo! — Tanizaki gritou, agarrando Ranpo e puxando-o para longe da beira do buraco que se abria. De repente, uma figura surgiu do buraco, pairando no ar. Era uma figura totalmente coberta por vestes negras, com apenas os olhos visíveis, brilhando com uma intensidade fria e cruel como brasas no escuro.
O intruso emanava uma presença opressora, como se a própria escuridão tivesse ganhado forma. O ar ficou pesado e frio, e um vento gélido surgiu do buraco. Atsushi, tremendo, mas com os punhos cerrados, assumiu uma postura de batalha. A imagem de Kyouka em perigo o impulsionava a lutar. Seus olhos, agora, cintilavam com uma determinação feroz.
— Um inimigo! — Akiko Yosano, com uma expressão fria e um brilho determinado nos olhos, preparou-se para o ataque, posicionando suas mãos como garras.
— Quem é você?! — Kunikida gritou, sua voz ecoando pelo escritório destruído. Ele empunhava duas pistolas que havia materializado de sua agenda, apontando-as para a figura à sua frente. Kenji, com os punhos cerrados e um olhar fixo no inimigo, avançou alguns passos, pronto para usar sua força sobre-humana.
O intruso não respondeu. Lentamente, ergueu uma das mãos envoltas em trevas. Da palma, jorrou uma onda de energia roxa que se espalhou pelo escritório, atingindo alguns móveis e paredes, que se desintegraram em pó com um chiado agudo. Parte da onda atingiu de raspão o braço de Naomi, que gritou de dor e cambaleou para trás, caindo no chão em seguida. Seu braço estava sangrando e a pele chamuscada. O cheiro de carne queimada se misturou à fumaça.
— Uma habilidade... de desintegração?! — Dazai murmurou, observando a cena com os olhos estreitos, fixos na figura.
— Naomi! — Tanizaki gritou, o pânico tomando conta de si. Ele se virou para a figura, com a raiva fervendo em seus olhos. — O que você pensa que está fazendo?! Como ousa ferir a Naomi? — Ele estendeu uma das mãos, segurando uma pistola, a mão tremendo levemente. Antes que pudesse atirar, o intruso moveu a outra mão, e uma onda de energia negra surgiu, desta vez direcionada diretamente para Atsushi. Dazai notou um padrão na energia, algo familiar, mas não conseguia identificar o quê. Uma sombra de preocupação cruzou seu rosto.
— Atsushi, cuidado! — Com uma velocidade surpreendente, Dazai correu até Atsushi e o empurrou para o lado, recebendo o impacto da energia em seu lugar. A onda o arremessou contra uma parede, quebrando-a e o deixando caído entre os escombros.
— Dazai! — Atsushi gritou, correndo até ele. O rosto de Dazai estava pálido, e um filete de sangue escorria de sua bochecha. Sua respiração estava irregular e ele segurava o braço atingido com uma expressão de dor.
— Eu estou… bem… — ele murmurou, com dificuldade, tossindo um pouco de sangue. — Mas minha… anulação… não está funcionando… Alguma coisa está bloqueando minha habilidade. Assim não vou conseguir anular as habilidades dele. — Ele olhou para a figura e depois para Atsushi, com preocupação. — Precisamos sair daqui, Atsushi. Ele é… perigoso demais.
Atsushi concordou, o pânico estampado em seu rosto. O som de mais destroços caindo do teto aumentava o senso de urgência.
— Presidente! — Ele olhou na direção onde ficava a sala de Fukuzawa, o coração acelerado. A porta estava destruída, apenas lascas de madeira restavam.
— O presidente está bem. Já está fora da Agência — Kunikida respondeu, a voz firme apesar da situação caótica.
— Droga! — Yosano exclamou, desviando de um pedaço de madeira que voou em sua direção. — Precisamos fugir! Naomi precisa de cuidados. Tanizaki, leve-a para um lugar seguro!
— Certo! — Tanizaki respondeu, ajudando Naomi a se levantar e apoiando-a em si enquanto a guiava para longe do buraco e dos destroços.
— Concentrem-se em sair. Eu cuido do inimigo. — Kunikida avançou, a expressão tensa, conjurando mais armas de sua agenda. A cada página arrancada, um novo objeto materializava-se com um estalo seco: uma arma, granadas de fumaça que começaram a liberar uma densa cortina branca, até mesmo um pequeno lança-chamas que ele empunhou com firmeza. A determinação em seu rosto contrastava com o perigo iminente.
— Mas Kunikida, você não pode fazer isso sozinho! — Atsushi exclamou, a voz embargada pela preocupação. Ele estendeu a mão, hesitante. Kunikida o cortou com um olhar severo, sem diminuir o ritmo.
— É uma ordem, Atsushi. Se ficarmos parados, todos morreremos. Não há tempo para discussões. Confie em mim. — O loiro ajeitou os óculos, um brilho determinado nos olhos. Ele parecia calcular cada possibilidade, cada ângulo de ataque. O intruso avançava com fúria implacável, destruindo tudo em seu caminho. Sua forma, antes humana, agora se contorcia em uma massa disforme de sombras e fúria, como se a energia roxa e negra o estivesse consumindo. Kunikida respirou fundo, concentrando-se em sua habilidade,
Poeta Doppo. Ele precisava ganhar tempo para que os outros escapassem.
O inimigo, imperturbável diante dos objetos materializados por Kunikida, pareceu entender a intenção de fuga. Lentamente, ele abriu os braços, e uma névoa, negra como o breu, intensificou-se, expandindo-se pelo escritório como uma onda de escuridão viscosa, pulsando com uma energia sinistra. A pressão atmosférica pareceu mudar, tornando o ar denso e difícil de respirar. Um rugido ensurdecedor ecoou, fazendo as paredes tremerem e estilhaços de vidro voarem.
— Droga... ele está nos impedindo de sair! — exclamou Atsushi, protegendo o rosto com os braços enquanto a onda de escuridão o atingia. Seus pelos eriçaram e um calafrio percorreu sua espinha.
— Não é só isso! — rosnou , com uma expressão séria. Ela agarrou Kenji pelo braço, puxando-o para trás. — Essa névoa não está apenas nos forçando a ficar. Ela está nos impedindo de usar nossas habilidades!
Kenji, geralmente calmo, arregalou os olhos. A constatação de o atingiu como um choque gelado. Ele sentia um formigamento estranho, uma sensação de vazio se espalhando por seu corpo. Tentou concentrar sua força, imaginando o peso de um trator, mas nada aconteceu. Em seguida, olhou para os outros membros da Agência de Detetives Armados; as expressões em seus rostos refletiam o mesmo pavor. Até mesmo Kunikida, conhecido por sua compostura inabalável, franzia a testa com preocupação, escrevendo em sua agenda com mais força. Ele parecia incapaz de materializar qualquer coisa.
— Impossível... — murmurou o loiro, arrancando uma das páginas. Sem sucesso. — ...não consigo materializar nada.
— E agora, o que vamos fazer? — Atsushi gaguejou, a voz falhando ligeiramente. A pergunta pairou no ar denso, carregada de apreensão. Antes que alguém pudesse responder, uma risada baixa e fria ecoou pelo espaço, fazendo os pelos da nuca de todos se arrepiarem.
— Parece que vocês finalmente perceberam o pequeno inconveniente — a figura, antes em completo silêncio, se pronunciou. Seus olhos brilhavam com uma intensidade cruel. — Logo todos vocês estarão... mortos.
cerrou os punhos, pronta para atacar, mas hesitou. A fraqueza a dominava, tornando seus movimentos lentos e pesados. Ela sentia a energia vital sendo sugada a cada segundo.
— Seu maldito! — exclamou , rangendo os dentes. Atsushi, ao seu lado, tentou se transformar em tigre, concentrando toda a sua força de vontade. Mas apenas algumas listras fracas apareceram em seus braços antes que a transformação falhasse miseravelmente, deixando-o exausto e cambaleante. Ele caiu de joelhos, sentindo uma pontada aguda na cabeça.
— Atsushi! — exclamou , correndo para ampará-lo.
Tanizaki tentou usar sua habilidade,
Neve Leve, para criar uma névoa que os ocultasse, mas nada veio.
— Não... não estou conseguindo. — Ele olhou para suas mãos, em choque. A situação parecia desesperadora. O inimigo se aproximava, com um sorriso invisível e predatório no rosto, saboreando o desespero deles. A Agência de Detetives Armados, geralmente tão poderosa, estava à beira da derrota.
De repente, uma rajada de vento forte varreu o local, dissipando momentaneamente a aura negra e opressora, fazendo todos da ADA, incluindo o inimigo, virarem-se surpresos para a fonte daquela intervenção. A onda de escuridão que havia tomado conta do escritório recuou bruscamente, como se tivesse sido repelida por uma força invisível. Objetos de todos os tipos, desde os mais leves papéis até as pesadas mesas, começaram a levitar, tremendo violentamente, para em seguida serem arremessados contra o inimigo, que, pego de surpresa pela súbita investida telecinética, ficou sem reação por alguns segundos. Ele tentou invocar suas habilidades sombrias, mas foi repelido por rajadas de fogo e rochas que cortavam o ar como lanças. Atingido pela saraivada de ataques inesperados, o intruso recuou, a surpresa estampada no rosto. A aura negra, agora com tons de um roxo púrpura, vacilou e quase sumiu por um momento, dando uma breve janela para os detetives sentirem seus poderes pulsarem fracamente, o que o fez soltar um rugido furioso, concentrando toda a sua energia em um único ataque omnidirecional. Os membros da Agência, em formação de defesa improvisada, prepararam-se para o impacto iminente.
— Kunikida! — bradou Dazai, com um tom surpreendentemente sério, quebrando o silêncio tenso. Kunikida, com sua Agenda Ideal aberta, rabiscava freneticamente a forma de uma arma, a testa franzida em concentração enquanto calculava a melhor forma de neutralizar a ameaça. Ele murmurava para si mesmo:
“Precisamos de algo com alto poder de penetração, mas que não cause danos colaterais… Uma granada eletromagnética talvez? Ou uma arma de contenção de energia cinética?”
— Preciso de mais tempo! A habilidade do inimigo é forte demais! Não estou conseguindo ativar meu poder como deveria. — Ele rangeu os dentes, a frustração evidente em sua voz. — Essa interferência está afetando a materialização dos meus itens ideais.
concentrava-se na movimentação do inimigo, seus olhos estreitos analisando cada padrão, cada tremor no ar. Seus dedos crispavam, ela tirou suas adagas de sua bota, prontos para disparar assim que uma abertura real surgisse, mesmo sabendo que elas provavelmente seriam inúteis. Atsushi concentrou toda a sua força de vontade, gritando silenciosamente para que seu corpo obedecesse. Sua pele começou a tomar forma, as unhas se alongaram em garras e finas listras pretas surgiram em seus braços, tremendo como se estivessem sendo desenhadas a carvão. Mas então, uma dor lancinante o atingiu na cabeça, como se um martelo estivesse sendo golpeado contra seu crânio. A transformação estagnou, as listras sumindo rapidamente, deixando-o exausto e cambaleante. Ele novamente caiu de joelhos, sentindo mais uma pontada aguda na cabeça. Yosano estendeu a mão para ajudá-lo, mas sentiu um formigamento fantasmagórico.
— Atsushi, aguente firme! — Yosano o advertiu, com um olhar preocupado, segurando firmemente sua enorme faca com a outra mão. — Se algo acontecer com você nesse estado, não sei se poderei curá-lo a tempo. A anulação de habilidades pode interferir até mesmo na minha cura — ela disse. O vazio onde antes residia seu poder a assustou mais do que qualquer ferida.
— Eu… não consigo me transformar! — respondeu Atsushi, engolindo em seco. — Precisamos ganhar tempo para o Kunikida…
— A névoa que ele invocou está emitindo uma onda que suprime qualquer ativação dos nossos poderes. É como se estivéssemos amarrados, amordaçados! — sibilou, os olhos fixos no inimigo. Atsushi cerrou os punhos, sentindo a impotência o consumir. Naomi, mesmo machucada ia avançar, mas Tanizaki a impediu com um gesto firme.
— Na-Naomi, fique atrás de mim! — Tanizaki, tremendo levemente, agarrava Naomi protetoramente enquanto mirava no inimigo com uma pistola calibre .45, buscando um ponto vulnerável para atirar assim que a energia se dissipasse. Seus dedos apertavam o gatilho, mas ele hesitava, sabendo que um tiro seria ineficaz contra um inimigo que anulava habilidades.
— Ma-mas, ir-irmãozinho…! — Naomi gaguejou, com os olhos arregalados de medo, mas Tanizaki a interrompeu com um olhar firme, embora seus olhos também demonstrassem apreensão.
— Aguenta firme. Vai ficar tudo bem — ele garantiu.
Do lado oposto a eles, Kenji, com sua força descomunal, agarrou uma mesa de carvalho maciça, erguendo-a acima da cabeça. Embora o inimigo estivesse tentando manter a anulação de habilidades constantemente ativa, o que o deixava ainda mais exausto, Kenji usava sua força bruta. A mesa tremia em suas mãos, as veias de seus braços saltando enquanto ele a levantava, preparando um escudo improvisado, o esforço era visível em seu rosto. Ranpo, com os olhos normalmente fechados, agora estavam arregalados, demonstrando uma seriedade incomum.
— Precisamos sair daqui… — Ranpo murmurou, a voz baixa e urgente. — Essa anulação está se intensificando. Se continuarmos aqui, seremos presas fáceis. Não há como lutar nessas condições. Mesmo com minha Super Dedução, não consigo prever um contra-ataque efetivo nessas circunstâncias.
— Parece que vamos precisar de um plano B — Dazai murmurou, em posição de ataque, embora sua habilidade estivesse inutilizada, mantinha uma postura confiante, mas um brilho de preocupação em seus olhos o traía. — Precisamos de algo que não dependa de habilidades… precisamos de força bruta. O problema é que o inimigo não está deixando brechas para podermos atacá-lo. — Ele olhou ao redor, buscando inspiração no caos. Os membros da Agência tentaram a todo custo atacar, buscando qualquer forma de contornar a anulação, mas o inimigo ergueu a mão mais uma vez, e uma nova onda de energia pulsou, intensificando a supressão. Dazai percebeu a mudança.
No exato instante em que a energia concentrada do inimigo estava prestes a ser liberada, uma figura feminina surgiu voando do nada, interpondo-se entre a Agência e o inimigo. A mulher, com um pouco mais de um e sessenta e três de altura, vestia um sobretudo escuro que esvoaçava com o vento, seus cabelos eram curtos, acima dos ombros.
Ela ergueu uma das mãos, e uma barreira invisível, como um escudo, surgiu, repelindo completamente a onda de energia destrutiva. A explosão foi contida, sem causar mais nenhum dano aos detetives, que já se encontravam exaustos e alguns feridos, embora o escritório estivesse parcialmente destruído, com paredes rachadas e caidas, alguns móveis estavam espalhados, enquanto outros estavam em pedaços. Ondas de choque percorreram o local, fazendo os poucos objetos restantes tremerem e estilhaços de vidro voarem. O silêncio tomou conta do local por alguns segundos tensos, enquanto todos observavam a recém-chegada com surpresa e descrença. O inimigo, visivelmente abalado por ter seu ataque neutralizado com tamanha facilidade, recuou um passo, seus olhos, fixos na recém-chegada, a observavam com cautela e um misto de raiva e surpresa.
— Vejo que o dia por aqui começou um tanto... animado! — comentou a mulher, sua voz calma e firme contrastando com o caos ao redor. Lentamente, ela abaixou a mão, o brilho da barreira invisível se dissipando como fumaça, e se virou para os detetives. Um sorriso leve brincava em seus lábios, mas seus olhos avaliavam a cena com atenção. — E aí, como vocês estão?
— Você?! — Kunikida exclamou, os olhos arregalados em choque e alívio. A surpresa era evidente em sua postura rígida, a qual relaxou minimamente ao reconhecer a figura imponente. Seus óculos estavam tortos e sua camisa suja de poeira. A chegada repentina de uma aliada no escritório da Agência de Detetives Armados, agora em ruínas, trouxe um fio de esperança aos detetives, antes imersos em desespero.
O ataque que devastou a Agência era de proporções catastróficas: paredes antes adornadas com pôsteres de casos agora jaziam em escombros, o cheiro acre de concreto queimado pairava no ar, e a poeira fina cobria tudo como um sudário cinza. Cabos de energia pendiam do teto, soltando faíscas ocasionais que iluminavam brevemente a cena de destruição. O inimigo, apesar de surpreso, encontrava-se furioso por ter seu ataque interrompido. Ele intensificava seus poderes, manifestando-os em uma aura ainda mais ameaçadora. O intruso, ainda desconhecido, possuía habilidades amedrontadoras: a desintegração, uma energia roxa que reduzia instantaneamente matéria a pó, transformando tudo que o atingisse em areia fina, como uma névoa tóxica, desintegrava tudo em seu raio de alcance, e a anulação de quaisquer habilidades sobrenaturais, uma energia negra, densa como fumaça, emanando de seu corpo. Essa última havia neutralizado temporariamente as habilidades dos detetives, deixando-os vulneráveis e presos sob o peso da iminente destruição.
Com um sorriso divertido dançando nos lábios e um brilho enigmático nos olhos, a jovem recém-chegada dirigia um olhar calmo para os membros da Agência, como se ignorasse completamente a ameaça iminente representada pelo inimigo às suas costas. Seus cabelos, curtos e negros, com as pontas de sua franja rosa, emolduravam um rosto sereno, contrastando fortemente com o caos ao redor. Enquanto seu sobretudo balançava levemente com a brisa que entrava por uma das paredes destruídas.
Ela cruzou os braços, apoiando-se casualmente em um pedaço de parede que milagrosamente permanecera intacto, como se estivesse em um piquenique e não na cena de um desastre. Seus olhos percorreram a devastação do escritório, detendo-se brevemente em um livro de literatura aberto, caído sob uma viga. A capa do livro, antes vermelha vibrante, agora estava coberta de poeira e fuligem. Um leve suspiro escapou de seus lábios antes que ela voltasse a encarar os detetives.
— Parece que vocês se meteram em uma bela encrenca, não é? — Sua voz, suave, percorreu o silêncio pesado, carregada com um misto de censura divertida e preocupação genuína.
Dazai, com um sorriso fraco, e um aceno de cabeça quase imperceptível, exclamou:
— Pois é, digamos que tivemos um pequeno…
contratempo — Dazai respondeu com seu usual tom despreocupado, enfatizando o "contratempo". Embora um brilho de alívio pudesse ser notado em seus olhos.
Uma gota de sangue escorria por sua têmpora, testemunha silenciosa da batalha anterior. Ele lançou um olhar de soslaio para o inimigo, que agora parecia momentaneamente atônito com a chegada da jovem, como se estivesse recalculando a situação, seus olhos fixos na recém-chegada com uma intensidade fria e calculista. O inimigo cerrou os punhos, um leve tremor percorrendo seu corpo, demonstrando sua crescente irritação por ter sua investida interrompida.
Os membros da Agência, ainda sob o choque do ataque e a súbita aparição da jovem, reagiram de maneiras distintas. Kunikida, com o rosto sujo de poeira e sua agenda em mãos, deixou escapar um suspiro de alívio, mas manteve uma postura tensa, observando o inimigo com a devida cautela. , com os olhos arregalados, agarrava firmemente suas adagas pronta para se defender e atacar a qualquer momento. Dra. Yosano, apesar de sua expressão normalmente estoica, tinha as mãos tremendo levemente, um raro sinal de sua própria vulnerabilidade diante da anulação de sua habilidade de cura. Kenji olhava para a recém-chegada com uma expressão esperançosa, como se ela fosse a solução para todos os seus problemas. Naomi, ferida e tremendo levemente, agarrava-se ao braço de Tanizaki em busca de apoio, enquanto este a protegia com o corpoe seus olhos fixos no inimigo. Atsushi, com o corpo coberto de arranhões e alguns cortes, respirava com dificuldade, mas seus olhos brilhavam com determinação renovada ao ver a nova aliada.
O silêncio pairou no ar por alguns instantes, quebrando-se apenas com o rosnado irritado do inimigo ignorado, um som gutural que ecoava pelas ruínas. Poeira fina descia do teto a cada vibração.
— Dazai… — ela, com um tom de voz que misturava advertência e afeto, completou: — Por que sempre que o encontro, você está metido em alguma confusão? — Seus olhos, antes calmos, agora brilhavam com determinação enquanto ela se desvencilhava da parede, assumindo uma postura mais ereta. A atmosfera no escritório mudou drasticamente. A chegada dela não era apenas um alívio, mas a promessa de uma reviravolta iminente contra o inimigo.
O rapaz de bandagens deu de ombros e arqueou uma sobrancelha, com um brilho travesso nos olhos.
— O que posso dizer? Temos o mesmo sangue correndo em nossas veias... — Ele deu de ombros, com um sorriso ladino. — A confusão sempre dá um jeito de nos encontrar.
Ela cruzou os braços, com um leve sorriso brincando em seus lábios, antes de seu olhar se tornar sério, avaliando a situação ao redor. Um suspiro quase imperceptível escapou de seus lábios.
— É, você tem toda razão… — Ela concordou com a cabeça, um tom de diversão em sua voz, antes de adicionar com um sorriso mais aberto e um brilho nos olhos, semelhante aos de Dazai: — Primo!
Então, a salvadora inesperada que surgiu em meio ao ataque inimigo, era uma pessoa que ninguém esperava ver ali. E essa pessoa era: Dazai*, prima de Osamu Dazai.
Glossário O.D.d.S
*No sistema de nomes japonês, o sobrenome vem antes do nome próprio, por exemplo "Dazai" é o sobrenome e "Osamu" é o nome (ex.: Dazai Osamu)
🔍💡 🏢 📚🤝🏼🛡🕊☀️
Atsushi, ainda meio atordoado com o ataque inimigo, olhou para a jovem com admiração. , ao seu lado, apertava seu braço levemente, como se fosse para se certificar de que não estava alucinando, seus olhos estavam arregalados e a respiração ligeiramente acelerada. Kunikida, com o rosto sujo de poeira e um filete de sangue escorrendo da testa, ajustava seus óculos com uma careta, tentando processar o que acabara de acontecer. Yosano estalava os nós dos dedos, em posição de ataque, embora seus olhos também demonstrassem uma ponta de surpresa com a recém-chegada. Kenji, apesar do cansaço causado pela anulação de poder inimigo, mantinha um sorriso gentil, embora um pouco vacilante, enquanto olhava para mulher a frente. Naomi, que havia sido atingida de raspão pela habilidade de desintegração, estava sendo amparada por ele, com o rosto pálido e uma expressão de dor contida, enquanto Tanizaki a segurava firmemente, o cenho franzido em preocupação. Dazai, com um sorriso enigmático nos lábios e os olhos brilhando em diversão, observava a prima com interesse, como se estivesse apreciando um bom espetáculo. Até mesmo Ranpo, que geralmente mantinha uma expressão entediada, demonstrava genuína surpresa, seus olhos verdes fixos na prima de Dazai.
A jovem, com seu usual sobretudo escuro, que esvoaçava levemente com a brisa que entrava no ambiente através da janela e parede danificada, havia mudado completamente a dinâmica da situação. A aura que exalava era de pura confiança e poder, contrastando drasticamente com o caos que se instalara momentos antes. A intervenção contra o inimigo, impedindo que ele usasse seu poder de desintegração em massa contra os detetives no último segundo, fora executada com uma precisão impressionante, quase como se o tempo tivesse desacelerado. Neutralizando a habilidade do inimigo antes mesmo que pudesse surtir efeito completo, como se ela antecipasse cada movimento, cada intenção. O ar parecia vibrar com sua presença, e um silêncio respeitoso, quase reverencial, se abateu sobre o local, enquanto todos processavam o que acabara de acontecer. O entulho resultante da intervenção anterior parecia ainda mais deslocado sob o olhar calmo de .
O inimigo, recuperando-se do choque inicial, fixou com um olhar carregado de ódio, seus olhos vermelhos injetados de fúria.
— Quem você pensa que é para se intrometer?! — ele sibilou, a voz rouca e trêmula, erguendo a mão novamente. A energia ao seu redor tremeluzia erraticamente, como as últimas brasas de uma fogueira quase extinta, denunciando seu esforço e exaustão. sorriu friamente, virando-se lentamente para a figura abatida. Seus olhos, antes calmos, agora brilhavam com uma intensidade gélida, como o brilho distante de estrelas em uma noite sem luar.
— Eu? Ninguém importante! — ela disse, dando um pequeno passo para frente. Lentamente, um passo de cada vez. — Mas para você, hoje eu serei o seu pior pesadelo. — Num movimento fluido, quase imperceptível, ela estendeu a mão. Sem nenhum contato físico aparente, uma força invisível atingiu o inimigo, arremessando-o contra uma parede reforçada com uma força brutal. O impacto ressoou pela sala como um trovão abafado, abrindo uma cratera na parede e irradiando rachaduras como teias de aranha por toda a superfície. Poeira, fragmentos de concreto e gesso voaram pelo ar. A tênue aura roxa que brevemente envolvera sua mão desapareceu no mesmo instante, como se nunca tivesse existido. A atmosfera se tornou ainda mais densa, carregada de uma tensão esmagadora. O cheiro acre de poeira misturava-se ao suor frio que emanava do inimigo, que agora jazia semi-inconsciente na cratera, lutando para respirar.
A ação de serviu como um catalisador. O ar tenso que pairava sobre a Agência se dissipou, dando lugar a uma prontidão fria e calculada. Kunikida, com uma expressão severa, abriu sua agenda de Ideais, invocando rapidamente:
"Algemas de contenção - Nível 6." No mesmo instante, finas algemas de ferro surgiram em sua mão, prontas para imobilizar o inimigo caso ele tentasse qualquer movimento brusco. Dra. Yosano avançou um passo, a lâmina de sua faca reluzindo sob a luz fraca que entrava pelas fendas no teto destruído, seu olhar avaliando o inimigo com precisão clínica, procurando o melhor ponto para um ataque rápido e eficaz, caso necessário. Atsushi, com os punhos cerrados e as mãos tremendo levemente, posicionou-se instintivamente na frente de Naomi e Tanizaki, pronto para se transformar em tigre a qualquer momento, um rosnado baixo e gutural escapando de sua garganta, protegendo-os do perigo iminente. Naomi agarrou o braço de Tanizaki, os olhos arregalados de preocupação, enquanto Tanizaki tentava manter a compostura, embora seus ombros estivessem tensos. Kenji, com sua super força, agarrou um grande pedaço de entulho que se soltara da parede, usando-o como um escudo improvisado, seus olhos fixos no inimigo com uma determinação silenciosa, calculando a trajetória de um possível arremesso. , com suas adagas em punho e sentidos aguçados, analisava a energia residual do inimigo, buscando fraquezas em sua aura debilitada, seus olhos estreitados enquanto percebia a instabilidade da energia remanescente, como uma chama prestes a se apagar. Ranpo, com os óculos já na ponta do nariz, observava a cena com uma expressão concentrada, tentando prever o próximo movimento do adversário, seus olhos perscrutando cada detalhe, como se lesse um livro aberto, buscando a falha crucial. Dazai, com um sorriso enigmático nos lábios, assumiu uma postura de combate displicente, as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo bege, mas seus olhos fixos no inimigo, calculando suas chances e avaliando as estratégias da equipe. O silêncio era ensurdecedor, quebrado apenas pela respiração ofegante do inimigo, pelo farfalhar do sobretudo de e pelo leve tilintar das algemas de Kunikida.
Lentamente, com um gemido de dor e um esforço visível, o inimigo se levantou, apoiando-se na parede rachada. A poeira escorria de suas roupas esfarrapadas e seu rosto estava contorcido em uma mistura de dor e fúria escondido pela máscara que usava. Ele encarou com um olhar ainda mais mortal, direcionando o que restava de sua habilidade de desintegração em sua direção. Pequenas partículas de energia escura crepitavam e dançavam na palma de sua mão trêmula, prontas para serem liberadas.
— Acha mesmo que pode me deter? — O inimigo riu, um som quebrado e doloroso, como se cada risada fosse uma tortura. — Vocês não fazem ideia do que eu sou capaz. — Ele bateu o pé forte no chão, desafiando com o olhar.
— Você fala demais para quem já está derrotado — respondeu, a voz cortante como gelo. — Eu estava disposta a ser misericordiosa, mas você insiste em ser tolo. — Ela sorriu, um sorriso que não transmitia calor, mas sim uma promessa de dor. — Bom… que assim seja.
De repente, todo o ambiente ao seu redor começou a tremer violentamente. Fragmentos de pedra caidos no chão começaram a levitar, e uma luz laranja surgiu ao seu redor, e o vento ficou cada vez mais forte, uivando como um espírito furioso, criando um redemoinho ao redor de . O escritório da Agência estremeceu, as luzes piscaram e quase se apagaram. Os membros da Agência, mais atrás, mantiveram suas posições, cada um deles pronto para agir. Kunikida apertou as algemas em sua mão, pronto para imobilizar o inimigo. Yosano moveu a faca, aguardando o momento certo para atacar, mas também observando com cautela o poder de . Atsushi rosnou mais alto, seus músculos se contraindo sob a pele, pronto para a transformação, mas hesitante em se mover devido à instabilidade do ambiente. Kenji ergueu o pedaço de entulho, pronto para lançá-lo como um projétil, mas seus olhos mostravam uma ponta de preocupação com a destruição que o poder de estava causando. moveu-se ligeiramente, posicionando-se para um ataque, suas adagas brilhando friamente à luz, mas sua expressão era de surpresa e admiração pela demonstração de poder. Ranpo ajustou os óculos, um pequeno sorriso enigmático surgindo em seus lábios. Dazai, por sua vez, tirou as mãos dos bolsos, um olhar determinado tomando conta de sua face. A tensão atingiu seu ápice, o ar parecia vibrar com a iminência do confronto. A sala inteira parecia estar à beira do colapso, enquanto uma parte do
Mente Mestra, habilidade paranormal de , se manifestava de forma avassaladora.
— Manipulação… telecinética?! — O inimigo exclamou, os olhos arregalados em descrença e medo. Ele, antes tão seguro de si, agora demonstrava hesitação, ponderando a ameaça que ela representava. Ele apertava os punhos, indeciso sobre o que fazer, o terror começando a se instalar em seu olhar.