Codificada por: Ayleen Baümler
Última Atualização: 20/07/2025FA Women's Super League – rodada 20 de 22 – temporada 24-25
Leigh Sports Village, casa da equipe feminina do Manchester United – abril/2025.
— Isa, precisamos de você — Lauren disse com firmeza. Tocou no ombro da amiga, num aperto firme que transmitia toda a confiança de que a outra precisava para manter a calma num segundo tempo que continuava no zero a zero.
A jogadora deu um aceno rápido de cabeça e caminhou para a sua posição no campo, antes que a árbitra desse o apito inicial do segundo tempo da partida. O primeiro tempo entre as equipes femininas do Chelsea e do Manchester United havia sido num clima tenso, principalmente para a equipe dos blues*, que precisava vencer para garantir a vitória com duas rodadas de antecedência no campeonato. No dia anterior, o Arsenal perdeu para o Aston Villa e, agora, elas precisavam abrir uma diferença de nove pontos e conseguir levar a taça.
respirou fundo, pulou o mais alto que conseguiu para aquecer e encarou o céu. Fez uma prece silenciosa para que conseguisse sair daquele campo triunfante. Passou os dois dias que antecederam a partida sem conseguir pregar os olhos de tanta ansiedade. Sabia a importância de vencer aquele campeonato e carregar, em seu currículo, o título de campeã.
O apito soou através do gramado e despertou-a para a realidade, onde o seu único instinto foi dar o chute inicial e disparar com toda a velocidade.
Suas parceiras de equipe começaram a se movimentar, assim como suas adversárias, e, toda vez que a bola chegava aos seus pés, ela levantava a cabeça e calculava qual seria a melhor rota para furar a defesa.
Aos sessenta e dois minutos, roubou a bola de Millie, ponta-direita do United, e avistou Lauren James, a atacante dos blues, posicionada próxima à área, e cruzou, observando-a saltar numa tentativa de recepcionar a bola. Entretanto, George derrubou-a com um choque corpo a corpo.
Pediram cartão amarelo pelo choque duro; entretanto, a árbitra marcou apenas uma falta. A equipe posicionou-se na área e aguardou que Lauren batesse, mas a bola voou para fora num chute forte. Viu-a se desculpar e voltar a correr pelo gramado.
A cada minuto do relógio, Isa tentava se reinventar nas jogadas, assim como suas companheiras de equipe e, a cada jogada perdida, algum xingamento saía como uma válvula de escape para a frustração. Pelo menos, assim como elas sofriam para pontuar e virar, as adversárias pareciam enfrentar a mesma dificuldade contra elas. Mas foi aos setenta e dois minutos que uma chance apareceu.
Assim que uma disputa de bola próxima à área rendeu um escanteio para os blues, a lateral Baltimore sinalizou para que Isa batesse. Entretanto, ela queria tentar o seu máximo com aquela oportunidade de ajudar a equipe. Acenou para que a companheira batesse o escanteio, e a mesma seguiu para a posição, ajustou a bola parada, respirou fundo enquanto a árbitra organizava a confusão dentro da área, onde acontecia o empurra-empurra. Viu-a advertir duas jogadoras e depois se afastar da muvuca.
Isa riu zombeteira da provocação da Turner, zagueira que tentava marcá-la a qualquer custo.
A lateral dos blues, Baltimore, preparou-se para bater o escanteio, concentrou-se ao mirar a confusão que estava na grande área e ergueu o braço após ouvir o apito. Afastou-se um passo para trás e deu um chute forte com a perna direita, fazendo a bola cortar o céu em uma curva. Isa não teve tempo de pensar — apenas deixou o seu corpo agir. Pegou o máximo de impulso e saltou no meio da confusão. Turner, que era alguns centímetros mais alta do que ela, saltou em suas s, mas não teve jeito. Foi tudo tão rápido, milésimos de segundos, quando Isa sentiu a bola atingir o topo de sua cabeça, e a sua única reação foi fazer o movimento com o pescoço para a sua direita, guiando a bola em direção ao gol. Viu a goleira do United, Joyce, se lançar em direção à jogada, mas a bola passou por entre seus braços, direto na rede, atrás dela.
Assim que começou a cair em direção ao gramado, um grito — que era de alívio e comemoração — escapou e transformou-se em sofrimento ao sentir a forte dor irradiando do seu pé e subindo pela perna. A comemoração não teve chance de começar, pois ela já estava caída no chão, encolhida em posição fetal, segurando o pé esquerdo.
Mordeu os lábios com força, tentando se manter forte, mesmo que as lágrimas jorrassem sem fim por seus olhos, que estavam fortemente fechados. A dor era tão forte que estava alheia ao que acontecia ao seu redor.
Ouviu chamarem o seu nome, sentiu as mãos ajudarem a ficar deitada de barriga para cima, a grama pinicando as áreas desprotegidas de seu corpo.
— Meu pé… dói muito — murmurou, com a voz rouca, a dor insuportável atrapalhando sua concentração.
O médico desligou a luz que mirava em seus olhos — provavelmente fazendo o protocolo de concussão — e murmurou algo para outro socorrista. Sentiu movimentarem o seu pé de um lado para o outro e um grito escapou. Ergueu o braço e escondeu o rosto, gemendo de dor, mais lágrimas escapando. Nunca tinha sentido uma dor como aquela na vida. Afinal, nunca tinha quebrado nada. Sabia que caiu de forma errada — o pé tinha virado para dentro quando aterrissou no gramado com todo o peso de seu corpo.
— É uma entorse. Só não sabemos o grau ainda. Ela não vai poder continuar — ouviu a voz masculina.
— Eu não posso sair… — soluçou. — Temos que vencer…
— Calma, Isa. Vai dar tudo certo — Lauren falou próxima ao seu rosto. — Você nos deu a vitória. Estamos ganhando — a amiga garantiu.
Isa soltou um soluço, e mais lágrimas escaparam.
Naquele momento, não soube dizer, e acreditava que, meses depois, ainda não seria capaz de definir o que doía mais: ter que abandonar a sua equipe ou o seu tornozelo.
* The Blues: apelido dado para as equipes masculinas e femininas do Chelsea Football Club devido a predominância do azul nas cores do clube.
Cobham Training Centre - Londres, Maio-2025.
Assim que terminou a sua última sessão de fisioterapia, caminhou pelos corredores azuis do centro de treinamento rumo ao gramado, onde os rapazes estavam treinando. Cumprimentou os funcionários que cruzavam o seu caminho e, quando chegou num trecho do corredor que era envidraçado e em que era possível observá-los, parou com os braços cruzados na frente do corpo.
Todos estavam reunidos no centro do gramado, onde Maresca passava algumas explicações com a prancheta nas mãos, com uma expressão séria ao ler os papéis. Avistou Caicedo e Delap implicando um com o outro, enquanto Cucurella fazia algum comentário que causou risadas nos rapazes.
Assim como a temporada da equipe feminina tinha encerrado semanas atrás, com a vitória antecipada do Chelsea após o gol de cabeça de e, consequentemente, a sua lesão, que a tirou de campo duas rodadas antes do esperado, o campeonato inglês havia encerrado, e as equipes estavam iniciando suas férias de verão para retorno da competição em agosto. Como a equipe masculina do Chelsea estava classificada para participar da Copa do Mundo de Clubes, teriam que adiar as férias e competir pelo título.
Com o calendário apertado pelas competições de final de temporada, além da sua lesão, fazia um bom tempo que ela não via os rapazes e acabou decidindo aproveitar a viagem para cumprimentá-los. Afinal, todos eram sempre muito divertidos e simpáticos com ela. Tinha mais proximidade com alguns, devido à sua amizade com Lauren, que era irmã de Reece James, que jogava ali. E, além dele, também tinha uma boa relação com Cole Palmer. Tudo bem que, quando se tratava dele, Isa não gostava de investigar muito a sua opinião, pois ia por um trajeto meio complicado.
Ele era um cara divertido, muito observador, tímido em certas situações, muito educado e sabia desenvolver uma boa conversa — o que era um ponto muito positivo para ela num cara. Era um dos astros da equipe e do futebol na atualidade. Ele tinha apenas vinte e três anos e era dois anos mais novo do que ela. Encontrou-o sentado no gramado, com as pernas esticadas, dando risada de algo que Reece dizia para ele.
Ela ainda conseguia se lembrar da primeira vez que conheceu os rapazes — a emoção de estar realizando o seu sonho de jogar em um time europeu.
Stamford Bridge, Londres, maio/2024.
ajeitou a sua camisa 8 no corpo, a tradicional azul do Chelsea, combinando com uma calça de alfaiataria branca que comprou no Brasil antes da viagem. Arrependeu-se de colocar tênis branco, já que a garoa londrina de horas atrás deixou o gramado úmido. Torcia para que não aparecesse nas fotos da equipe.
Estava no gramado do Stamford Bridge, o estádio localizado no centro da cidade de Londres, sede do clube. Entretanto, a equipe feminina utilizava mais o Kingsmeadow, que é um estádio de futebol localizado no distrito de Kingston upon Thames, na Grande Londres, com capacidade para 4.850 espectadores. E, como estavam nos preparativos para o início de temporada, o clube organizou uma sessão de fotos com as equipes feminina e masculina.
As arquibancadas estavam vazias, afinal, a verdadeira movimentação estava no gramado. Ela parou no centro do campo, descansou as mãos nos bolsos e encarou o céu, a visão embaçada pela emoção. Um ano atrás, ela estava jogando o campeonato brasileiro e focada em trazer o título para o seu time.
Soltou o ar dos pulmões e deu uma risadinha de felicidade. Em um ano, tudo pode mudar; situações que você não imagina vão acontecer, seja para o bem ou para o mal, mas vão acontecer, independente da sua vontade. A diferença é se você vai estar preparada para vivenciá-las.
Desde que era criança, aos sete anos, quando entrou numa escolinha de futebol, onde era a única menina da equipe, mesmo que a contragosto de outros pais, soube que o futebol era o que queria para a sua vida. Foi difícil a trajetória até o profissional, mas o apoio da sua mãe foi o principal para chegar até ali. Aquela conquista era de ambas, e queria muito que a dona Solange estivesse ali, mas a mãe negou-se e disse que era hora da filha voar sozinha. Foi difícil deixá-la e ir para tão longe, muito mais distante do que uma hora de ônibus. Se veriam, em pessoa, poucas vezes por ano, e esses dois meses longe já cobravam o seu preço. Morria de saudades da sua mãe, mas tinha que aprender a viver sua vida.
— Aí está ela, toda reflexiva. — Lauren James brincou, tirando de seus pensamentos.
A mulher riu para a colega de equipe.
— Sei que parece clichê, mas, desde que fui contratada, morria de medo de acordar um dia e ser apenas um sonho. — Suspirou e sorriu para a colega. — Mas, felizmente, é tudo muito real. Eu consegui.
Lauren sorriu e se aproximou, envolvendo-a pelos ombros.
— A temporada está só começando. Tenho certeza de que esse ano é nosso. Não vou perder a aposta para o Reece. — Falou com muita convicção em sua voz.
— Reece? — Franziu a testa, enquanto tentava lembrar do nome. Fez uma careta de reconhecimento. — Reece James?
— Exatamente. — Deu um risinho, achando graça da expressão de admiração da colega.
— Você já o conhece pessoalmente? Quer dizer... isso é óbvio. Esqueço que você já está aqui faz um tempo. — Isa deu um leve tapa na própria testa.
— Sim, mas o Reece é meu irmão mais velho.
— Óbvio. — Isa deu outro tapinha na testa. — Não sei como deixei essa escapar.
Lauren riu.
— Relaxa, a imprensa que gosta de lembrar esse fato toda vez que um de nós goleia em um jogo. Eu evito comentar, pois não quero ofuscar ele com o meu brilho. — Riu e deu uma piscadela para a brasileira, que riu em resposta.
Ambas viraram para o lado do campo que estava com toda a movimentação. Agora era possível ver os elencos feminino e masculino interagindo, enquanto a equipe técnica fotografava.
Observou a técnica Sônia, que posou para fotos ao lado do Enzo Maresca, técnico da equipe masculina.
Mayra Ramírez, uma das atacantes ao lado de Lauren James, acenou para que as mulheres se aproximassem. Ambas, ainda unidas, seguiram até a colega de equipe, que conversava animadamente com as outras.
— Já apresentou ela para os meninos? — Perguntou Mayra, simpática.
— Ainda não, mas vou apresentando aos poucos. Vem, Isa. Vou te apresentar ao meu irmão.
— Se quiser me apresentar em outro momento, não tem problema. — A brasileira respondeu, sem jeito. Ela estava tímida em conhecer mais pessoas, mesmo que o normal da sua personalidade fosse interagir, falar pelos cotovelos, mesmo com a barreira do idioma. Não era fluente em inglês, mas se comunicava bem o suficiente para ter uma boa interação com a sua equipe e, até mesmo, se virar no país.
— Quem vê até acredita que é tímida. — Brincou Lauren.
— É fácil conversar com vocês, me sinto confortável.
— Relaxa, os meninos são bem receptivos. Podemos?
Isa respirou fundo e afirmou com um gesto de cabeça, seguindo a atacante até o centro do campo, onde tinha um grupo de quatro rapazes jogando altinha em meio às risadinhas.
— E aí, tampinha. — Um dos rapazes estendeu o braço e agarrou Lauren, abraçando-a com carinho.
— Me solta, Reece! — Ela riu, tentando se livrar do aperto do irmão. Isa riu com a cena, o que chamou a atenção do rapaz.
— E quem é a sua amiga? — Sorriu, simpático, ao soltar a irmã.
— A , nossa nova meio-campista, que veio direto do Brasil.
— Bem-vinda, . — Estendeu a mão num cumprimento, e a mulher apertou-a firmemente.
— Obrigada. Muito prazer em conhecê-lo. Espero que seja uma temporada muito boa para você. — Sorriu timidamente.
— Gostei dela. Bem que falam que os brasileiros são muito carismáticos. — Comentou, ao cruzar os braços. — Já conheceu alguns dos caras?
— Você é o primeiro que ela conheceu. — Lauren respondeu.
— Que honra! Então, tenho o dever de te apresentar a outros colegas. — Ele virou-se para os outros três rapazes que continuavam brincando com a bola e deu um leve assobio. — Pessoal, essa é a … — Virou-se na direção da mulher.
— .
— … . Veio do Brasil e vai jogar com a Lauren. Sejam educados e venham desejar boas-vindas para a nossa nova colega.
— E aí, seja bem-vinda, . Sou o Marc, mas aqui o pessoal me chama de Cucurella. — Apertaram as mãos.
Conforme analisou melhor os rostos, foi reconhecendo os rapazes. Em seguida, aproximou-se o português Pedro Neto, que desejou as boas-vindas e apertou a sua mão.
O loiro, que era bem mais alto que ela, aproximou-se, estendeu a mão e sorriu timidamente.
— Seja bem-vinda, . Sou o Cole Palmer.
— Obrigada. — Ela aceitou sua mão e, quando sentiu a pele quente de encontro à sua, ficou com uma sensação engraçada que não conseguiu identificar. Ficou surpresa de se referirem a ela pelo sobrenome.
— Vi as notícias sobre a sua contratação. Tenho certeza de que você vai ter uma temporada bem produtiva. — Sorriu.
— Está mesmo informado, Cole. — Lauren brincou.
— Temos que ficar de olho no mercado. — Deu de ombros.
Cucurella riu e voltou a brincar com a bola.
— Vem, Isa. Vamos voltar. Sonia está nos chamando.
deu uma última olhada no rapaz, o sentimento persistente dentro de si.
Que doideira.
— A foto ficou incrível, meninas. Obrigada. — A fotógrafa agradeceu, e a equipe feminina desfez a posição em que estavam, espalhando-se pelo gramado.
— Senhorita , por favor, fique. — Isa franziu a testa, confusa, mas concordou com um aceno de cabeça.
— A ideia é mesclar duplas de jogadoras e jogadores. Hum… — A fotógrafa analisou os jogadores e apontou para alguém. — Pode vir, por favor?
Isa virou na direção que a mulher apontou e sentiu um frio na barriga. Cole Palmer havia sido convocado para formar sua dupla. Ele usava a mesma camisa que ela; entretanto, o número atrás era 20, com seu sobrenome Palmer.
Quando parou ao lado dela, com as mãos na cintura, atento às instruções, deu apenas um aceno de cabeça em cumprimento.
— Primeiro, cruzem os braços na frente do corpo e fiquem com metade das s próximas. — Ela ajudou a ajustá-los na posição correta.
— Com licença, posso? — Ele pediu permissão antes de enr nela.
— Claro. — Isa respondeu. Ficou nervosa ao se aproximar do jogador, ao ponto de descansar o ombro direito no ombro esquerdo do Palmer. Ela evitou se mexer enquanto tentava manter a concentração nas fotos, mas estava mais do que consciente do calor do corpo dele, do cheiro de perfume, que era até suave. Mantiveram a posição em silêncio.
— Isso! Perfeito! — Elogiou-os e pareceu pensativa. — Peguem a bola e joguem um com o outro, descontraídos. Tente sorrir mais.
pegou a bola que lançaram para ela, já recebendo no peito, e começou a fazer embaixadinhas, até que lançou para o jogador, que fez o mesmo.
— Perfeito! — A fotógrafa elogiou, e eles podiam ouvir os cliques.
— Nada mau. — Isa elogiou, quando Cole equilibrou a bola na testa e lançou para a jogadora, que recebeu imitando o movimento. Arremessou com a cabeça, só que Cole se atrapalhou no recebimento e deixou cair, fazendo com que os dois rissem.
— Maravilhosos! Perfeitos! — Mais cliques.
— Essa é a parte mais fácil da temporada. — Cole comentou, divertido.
— Espero que seja mesmo. — Isa riu.
— Agora, se posicionem frente a frente e façam um cumprimento de punhos fechados, encarando-se diretamente.
Isa largou a bola, parou de frente para Cole, com apenas um passo de distância. Encarou a fotógrafa para entender o movimento que deveriam fazer. Estendeu o punho esquerdo, enquanto Cole estendia o direito, até que se enssem. Novamente, após o toque, Isa sentiu uma sensação indescritível.
— Preciso que se encarem diretamente.
Ambos se encararam diretamente. Ele sorriu timidamente, e ela retribuiu.
Mais cliques.
— Muito obrigada! Vocês foram incríveis. — A fotógrafa elogiou.
Isa soltou o ar discretamente. Ia afastar a mão, mas Palmer estendeu a palma num gesto de comemoração, e ela abriu a própria, batendo de leve na dele.
— ?
Ela saiu do transe das lembranças ao ouvir a voz de Cole chamando-a através da porta aberta, que dava acesso ao gramado.
— Ah, oi, Palmer. — Sorriu, provocadora, ao chamá-lo pelo sobrenome; era uma brincadeira entre eles.
— Tudo bem por aí? Faz um tempo que não te vejo. — Ele puxou a barra do colete amarelo de treino e secou a testa suada. O gesto levantou a camisa que usava por baixo, permitindo a visão do abdômen e causando um calor na jogadora.
Ela engoliu em seco e lutou para desviar o olhar do local. Tinha tanto tempo que não ficavam a sós, que quase havia esquecido os efeitos que ele causava nela.
— Está, sim. Terminei minha última sessão de fisio e, agora, estou ansiosa para voltar a jogar. — Compartilhou, aliviada.
Ele deu um sorriso sincero.
— Quer jogar com a gente?
— Ah, jogar com vocês? — Perguntou, confusa.
Ele sorriu, achando graça na expressão dela.
— Sim.
— Agora?
— Sim.
— Mas vocês não estão no meio de um treino? Não sei se o Maresca iria gostar de me ver atrapalhando…
— Ele não vai se importar. Só vem matar a saudade. Prometo que não deixo você forçar nada. — Falou num tom suave.
Como ela iria resistir a passar um tempo com Cole? Esse era o verdadeiro problema de estar em contato com ele: os sentimentos voltavam — e eram muito perigosos. Quase tinha dado problema um tempo atrás, e ela morria de medo de realmente ter problemas. Mas ela nunca fez o tipo de ignorar os próprios sentimentos, por isso, sorriu e seguiu-o para dentro do gramado, apertando mãos, fazendo provocações e rindo dos comentários que recebia em troca.
