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Revisada por: Sagitário♐

Última Atualização: 27/12/25
sempre adorou o Natal. Seus pais costumavam contar histórias incríveis sobre como os elfos passavam o ano inteiro construindo brinquedos para as crianças que se comportavam bem. Todos os anos, ela ganhava um presente feito à mão pelo Papai Noel, conforme pedia em sua carta. Às vezes, recebia também alguma bobagem ou boneca dos pais. Mas os presentes do Papai Noel eram sempre os seus preferidos — únicos, mágicos. passava horas imaginando como seria trabalhar no Polo Norte, criando brinquedos especiais para cada criança. Seu sonho sempre foi ser uma ajudante do Papai Noel. Fez cursos, aprendeu a confeccionar brinquedos artesanais. Ela amava o Natal.
Até crescer.
O mundo adulto destrói as fantasias da infância. foi obrigada a deixar de lado os brinquedos artesanais porque ninguém mais os comprava. Acabou trabalhando justamente no lugar que mais odiava: a loja de brinquedos mais consumista de Londres, a Toys “R” Us. Hoje em dia, as crianças nem sequer escreviam cartas para o Papai Noel — faziam listas de desejos em sites de compras, pedindo videogames ou qualquer outra coisa que poderia ser adquirida em qualquer dia do ano. Isso irritava profundamente. Como alguém podia desperdiçar o único pedido mágico do ano com um... Playstation?
A magia do Natal havia desaparecido. E isso a deixava completamente decepcionada.
Ok, talvez tivesse uma opinião extrema sobre o assunto. Mas ela cresceu numa casa cheia de histórias mágicas sobre elfos e brinquedos encantados. Sonhava em ser uma ajudante do Papai Noel para levar alegria às crianças. Só que a vida real não se parecia nem de longe com os nossos sonhos. A experiência mais próxima que teve foi trabalhar fantasiada de elfo na loja. E, trabalhar em uma loja de brinquedos, especialmente perto do Natal, era um pesadelo.
Desde que começou ali, se irritava com tudo na época natalina. Quando comentava com alguém como a data havia se tornado comercial e quase sem magia, sempre ouvia:
— Continua sendo sobre dar presentes às crianças, né? O tempo passou, mas o Natal sempre foi comercial.
E foi aí que começou a odiar o Natal.
Era o último sábado antes do Natal e, naquele momento, ela não conseguia se lembrar de outro dia em que estivesse tão furiosa.
— NÃO! — gritou ao telefone. — Não tenho como conseguir 30 Playstations só porque algum artista idiota fez um tweet!
Ela virou no corredor seguinte, entrou na seção de Barbies e Kens e, ao levantar os olhos, deu de cara com o boneco do tal artista. Sentiu o sangue subir. queria jogar o boneco no chão e pisoteá-lo. Em vez disso, começou a escondê-los atrás de outras caixas, um por um.
— Idiota... dificultando a porra da minha vida a QUATRO dias do Natal — murmurou, jogando com mais força do que o necessário o último boneco atrás de uma torre de Barbies Malibu.
De repente, o boneco começou a cantar.
— PUTA MERDA. É UM BONECO QUE CANTA. CARALHO! — exclamou, querendo apenas incendiá-los todos.
— Uau — disse uma voz calma atrás dela. — Pelo visto, você não é fã dele, né?
estava chutando caixas no chão quando ouviu. Levantou os olhos assustada e se deparou com um cara bonito, meio sorrindo.
— Ponte que caiu! Não aparece assim do nada, meu amigo!
O estranho riu, com um canto do lábio puxado num sorriso absurdamente sexy.
— "Ponte que caiu"? Sério?
— Trabalho em uma loja onde podem ter crianças… — disse ela, envergonhada. — Aprendi a xingar em códigos às vezes.
Ele continuou rindo.
— Desculpa. Eu estava tentando chamar sua atenção há um tempo, mas você estava muito concentrada... escondendo os bonecos.
— Eu trabalho no comércio. É Natal. Ficar frustrada virou meu estado natural — disse , tentando não se distrair com a beleza dele.
Quem é esse cara, afinal?
— Você parece mais irritada do que o normal. O que ele fez para merecer esse tratamento?
suspirou, pegou algumas caixas e começou a recolocá-las na prateleira.
— Esse idiota — Ela apontou para o artista em forma de boneco. — tweetou sobre o Playstation novo. Todo mundo surtou. Agora tenho que arrumar 30 consoles do nada porque meu chefe surtou também.
— Faltam quatro dias para o Natal. Quem deixou para comprar agora devia aceitar o que encontrar.
— As pessoas não aceitam. Quando se trata de achar o presente perfeito, ninguém entende nada. É tudo sobre consumo; não tem nada de mágico nisso.
— Para alguém vestida de ajudante do Papai Noel, você odeia bastante o Natal, hein?
Ele olhou para o crachá.
— leu em voz alta.
Ela bufou.
— Sim, eu odeio o Natal.
— Qual o seu nome? — Ela disparou, antes que ele falasse qualquer outra coisa.
.
— E o que você quer, ?
— Estou procurando algo para minha sobrinha. Ela tem dois anos, mas já tem tudo. Queria algo especial, sabe?
— Estamos falando de brinquedos mais tradicionais ou algo diferente? — perguntou, sem intenção de soar rude. Estava cansada e, sinceramente, queria evitar mais conversas sobre o Natal. No fundo, ela sabia que queria dizer que nada naquela loja era realmente especial, mas se conteve. Ninguém mais acreditava em "especial" mesmo, então por que gastar energia?
— Algo diferente... ah, na verdade — parou e, por um instante, pareceu que uma lâmpada tinha se acendido sobre sua cabeça. se perdeu por um segundo no brilho dos olhos dele. — Música! Quero algo relacionado à música. — Ele a olhou e depois virou o rosto, refletindo em voz alta. — Será que existem instrumentos para crianças de dois anos?
— Sim — respondeu , balançando levemente a cabeça para afastar o devaneio. Encontrar um presente para uma menina de dois anos. Era nisso que ela precisava focar. — Ficam por aqui. Vem, eu te mostro.
Eles foram até a seção de brinquedos eletrônicos. ficou ali olhando, e disse que estaria por perto se ele precisasse. Tentou não pensar em como gostaria de fazer, ela mesma, uma caixinha de música artesanal, com uma melodia especial. Algo feito com carinho, não uma máquina programada. Mas se forçou a não se perder nisso. Era estúpido. As pessoas não se importavam mais com esse tipo de coisa. Voltou ao trabalho e não viu mais .
🎄

No dia seguinte, estava reorganizando o corredor de Legos quando ouviu uma tosse atrás dela. Suspirou e colocou mais uma caixa na prateleira antes de olhar para as botas marrons paradas logo atrás. Subiu o olhar pelas pernas em jeans e viu , com um ar ligeiramente nervoso.
— Humm, oi? — ele disse, quando ela finalmente o encarou.
— Você voltou? — respondeu, um pouco áspera, mas surpresa.
Ela ainda estava sentada no chão e, mesmo dali de baixo, reparou como as pernas dele pareciam incrivelmente boas naquela calça. Tentou ignorar o pensamento. Ele era apenas um cliente. Nada mais.
— Sim. Eu... não achei nada legal ontem. Queria saber se você poderia me ajudar.
odiava aquele tipo de abordagem. Como ajudante do Papai Noel da loja, era obrigada a auxiliar clientes indecisos a encontrar o presente “perfeito”. Mesmo que não acreditasse que esse presente existisse ali.
Ela se virou e estendeu as mãos para cima:
— Me ajuda a levantar?
a puxou com facilidade. deu uma última olhada para as caixas de Lego e pensou que podiam esperar. Fez um gesto para que ele a seguisse.
— Música, certo? Foi isso que você disse ontem.
— Sim. Ela adora música.
apontou para a prateleira de brinquedos musicais.
— Nada aqui chamou sua atenção?
— Pensei nessa guitarrinha — ele disse, mostrando uma delas. — Mas, quando apertei os botões... não parece o estilo dela. É muito genérico.
tentou não rir, mas fez uma careta.
— Ela tem dois anos. Como pode ter um estilo?
— Você lembrou! — se iluminou como se lembrar disso fosse algo enorme. achou exagerado, mas... fofo. Ridiculamente fofo.
— Sim...
Ele não parava de sorrir.
— Ela é esperta. Tem gosto musical definido.
— Qual é o estilo dela, então?
— Nirvana.
riu alto.
— E também Ed Sheeran. Gosto variado, sabe?
— Tem certeza de que você não está falando de você mesmo?
fingiu estar ofendido:
— Não! Mas pensa bem... como “dó ré mi fá” vai agradar uma fã de Nirvana?
riu ainda mais.
— Ok, talvez instrumentos musicais não sejam o melhor caminho.
Ela se pegou imaginando uma caixinha de música tocando “Smells Like Teen Spirit”. Seria hilário. E maravilhoso.
— Que tal um ursinho? O que mais ela gosta?
— O favorito atual é um cachorro. O de um amigo meu, chamado Loki. Ela tenta puxar as orelhas e o rabo dele o tempo todo.
— Que tipo de cachorro ele é?
— Husky, eu acho.
deu uma risadinha e puxou uma pelúcia de husky da prateleira.
— Tipo esse?
se iluminou.
— Exatamente! Você é incrível!
Ele pegou o bichinho das mãos dela. Seus dedos se tocaram por um breve momento. sentiu um arrepio percorrer o braço. Apertou os dedos discretamente. Fazia tempo que não sentia um toque que não estivesse ligado a clientes impacientes ou a e-mails exigindo que ela encontrasse 200 Minions até sexta-feira.
?
Ela piscou, voltando do devaneio. acenava uma das mãos na frente do rosto dela.
— Desculpa. O que você falou?
— Que você salvou minha vida — repetiu ele, sorrindo. — E que eu gostaria de agradecer de um jeito mais natalino. Tipo... pagando um jantar para você.
A mente de zerou.
— Eu estou trabalhando — ela disse, o coração batendo tão alto que parecia audível. — E, falando nisso... tenho que voltar. Espero que sua sobrinha goste do presente.

E, como uma covarde, saiu andando apressada, fugindo da cena antes que dissesse algo idiota como “eu aceito jantar com você”.

🎄

estava quase terminando o inventário quando ouviu alguém pigarrear atrás dela de novo, pelo terceiro dia seguido. Ela nem se deu ao trabalho de olhar.
— Quer dizer que o husky não funcionou? — perguntou, sem tirar os olhos da prateleira.
— O Loki é mais fofo — respondeu a voz conhecida.
Ela fechou a última caixa, se virou devagar e o viu ali, parado. . Mesma jaqueta, mesma expressão de “não sei o que estou fazendo, mas estou fazendo mesmo assim”. Um sorriso nervoso e… esperançoso. Perigoso.
apertou os lábios, tentando conter o sorriso. Tentando não parecer tão feliz por vê-lo ali.
— Ela tem dois anos, . Tem certeza de que ela vai saber a diferença?
— Tenho — disse ele, com firmeza. — Ou... não tenho. Mas não parece certo, sabe? Não sinto que isso seja especial. Entende o que quero dizer?
achava que sim. Mas não pelo mesmo motivo que ele.
Ele queria ver a sobrinha sorrir. queria que existisse algo que fizesse as pessoas lembrarem o que era um presente de verdade — um que não fosse comprado às pressas numa loja de departamento. Ele buscava algo significativo, mas ela duvidava que estivesse pensando no mesmo tipo de “especial” que ela. Afinal, ele estava numa grande loja de brinquedos. Não parecia alguém em busca de algo artesanal, único, feito à mão. Ele só queria algo que fizesse a pequena sorrir.
tentou não pensar em como, ao chegar em casa na noite anterior, acabou pegando sua velha caixa de ferramentas e pensando seriamente em fazer uma caixinha de música. Um presente que fosse único. Um presente de verdade. Mas ninguém mais parecia se importar com isso. As pessoas só queriam coisas simples, fáceis, práticas. Algo que a criança apertasse um botão e sorrisse.
Ela respirou fundo e afastou os pensamentos.
— Você sabe o que está procurando? — perguntou, forçando um tom mais profissional.
— Mais ou menos — respondeu ele, mudando o peso de uma perna para a outra.
E então, silêncio. Por alguns segundos, a encarou com intensidade. Forte. Focada. Quase demais.
franziu o cenho.
— Na verdade — disse ele, agora com um sorriso meio torto — Eu não faço ideia. Me ajuda?
teve vontade de bater a cabeça contra a prateleira. De novo.
Cerca de uma hora depois…
já queria bater a cabeça no chão. Eles haviam percorrido a loja inteira. tinha ajudado pelo menos cinco pessoas diferentes, incluindo uma senhora com dificuldades de visão, uma criança que não alcançava uma caixa e um funcionário tentando embrulhar um presente em formato de estrela. Era impossível não gostar dele. E esse era o problema.
O gerente passava, olhava torto, e apenas indicava o crachá e o cliente, como quem diz: estou fazendo meu trabalho, ok?
parecia completamente à vontade ali, como se estivesse na loja desde sempre. Mas ainda não havia escolhido nada para a sobrinha.
Quando passaram pela sexta vez no setor de brinquedos musicais, parou.
. O que você está procurando de verdade?
Ele parou também. Olhou para ela, parecendo culpado de novo.
— Eu... você está entediada? Eu tô atrapalhando? Merda, nem pensei nisso. Você vai se encrencar? Eu... compro mais coisas, tá?
— Não é isso — ela disse, segurando levemente o braço dele. — Eu quero te ajudar. De verdade. Mas a gente já rodou essa loja mais vezes do que eu posso contar.
— Achei que, quando visse... eu saberia — ele confessou, com a voz mais baixa. — É só que... é Natal, sabe? Não quero qualquer coisa para ela. Quero algo especial. Perfeito. Acho que esse é o sentido do Natal. Um milagre. Uma chance de fazer algo certo.
engoliu em seco.
— Sabe... — ela começou devagar, mordendo o lábio inferior — talvez... essa loja não seja o lugar onde você vai encontrar isso.
riu, mas foi um riso contido, cheio de coisas não ditas.
— Eu meio que sabia. Mas... achei que tinha visto algo aqui que eu gostei. Então eu voltei.
franziu o cenho.
— Como assim?
respirou fundo.
— Eu encontrei um presente para ela no primeiro dia, quando fui embora. Num lugar qualquer, voltando para casa. Mas, mesmo assim, voltei aqui. Porque queria te ver de novo.
Ela piscou. Devagar. Tentando processar.
— Mas o husky...?
— Vou dar para ela também.
— E as voltas todas? As mil perguntas?
— Foi só... desculpa. Eu não estava mentindo. Só... queria mais tempo com você.
Ela abriu a boca, mas fechou de novo. Estava sem palavras. Completamente.
— É você, — ele disse, como se fosse óbvio. — A coisa que eu gostei. A razão de ter voltado.
Ela tentou protestar, balbuciou algo que nem ela mesma entendeu. Mas ele deu um passo à frente e tocou o ombro dela com delicadeza.
— Me deixa te levar para jantar?
— Eu não posso. De verdade. Tenho trabalho. É a melhor semana do ano. Se eu sumir agora, não volto mais aqui. Literalmente.
— Amanhã?
— É Natal, . Você devia estar com a sua família.
— Você também. Mas acho que no Natal eu deveria ganhar o que eu pedir para o Papai Noel.
Ela riu, sem conseguir evitar.
— Milagres de Natal só acontecem para quem se comportou, .
— Eu me comportei — disse ele, fazendo beicinho.
Ela riu outra vez, mais leve.
— Então escreve uma carta para o Papai Noel.
E, antes de sair da frente dele, disse por cima do ombro:
— Se você foi mesmo bonzinho, seu presente vai estar lá.

🎄

não dormiu naquela noite.
Assim que chegou em casa, empurrou os móveis do ateliê improvisado e tirou sua velha caixa de ferramentas de dentro do armário. As mãos estavam trêmulas — de nervosismo, de empolgação, talvez das duas coisas. Sentou-se, ajeitou os cabelos presos com um lápis e começou a trabalhar.
Desenhou, lixou, colou. Ajustou a engrenagem com uma chave minúscula e, cuidadosamente, encaixou a melodia. Uma adaptação suave de Smells Like Teen Spirit, em versão de caixinha de música. Soava como um segredo contado em sussurros. sorriu.
Quando o sol começou a nascer, ela ainda estava com cola nos dedos e a testa suada. Embrulhou a caixinha com um papel de presente simples, porém delicado, e prendeu uma etiqueta com a caligrafia caprichada:
“Para Giovanna. ”
Ela a observou por um instante, em silêncio. O presente era para a menina, mas, de algum jeito, também era para . Para ela mesma, para a que ainda queria acreditar no Natal.
No caminho para o trabalho, passou pela seção de entregas e encontrou Lou, o entregador mais confiável da loja — e, claro, o Papai Noel oficial da temporada.
— Lou, isso aqui precisa chegar hoje. É uma surpresa — disse, entregando o pacote e o endereço cadastrado de . — E... é importante que ninguém saiba que veio daqui, ok?
Lou olhou a etiqueta, depois olhou para ela com um sorriso de canto.
— Pode deixar, ajudante-chefe do Natal.
Ela riu. Mas seu coração estava inquieto.
🎄

A loja fechou mais tarde naquela véspera de Natal. Depois do último cliente, depois do último embrulho, depois do último “boas festas”, finalmente tirou o crachá. Saiu para o frio da noite com a fantasia de elfo ainda no corpo e os pés doendo, mas algo dentro dela vibrava — uma energia estranha, ansiosa, como se estivesse esperando algo sem nome.
Ela estava quase chegando em casa quando o celular tocou.
Número desconhecido.
Ela hesitou. Atendeu.
— Alô?
? — perguntou uma voz grave, com um sotaque impossível de identificar.
— Sim... quem fala?
— Aqui é… o Papai Noel. Preciso de uma ajudante esta noite.
franziu o cenho. Ficou muda por dois segundos. Depois riu, nervosa.
— É uma pegadinha? Izzy, se for você, juro que…
— Não é uma pegadinha — respondeu a voz, serena. — Olhe para o céu.
E então ela ouviu. Um sino. Um sino de verdade. E, quando ergueu os olhos...
Um trenó. Um. Trenó. Pairando a poucos metros do chão.
ficou paralisada.
Quando voltou a si, um senhor de barba branca, casaco vermelho e botas de couro já caminhava em sua direção com um sorriso que parecia conhecer todos os natais da história.
— Eu trouxe algo para você entregar.
Ele segurava a caixinha que ela mesma tinha feito.
— Espera... como…?
— Você disse que, se ele tivesse sido bonzinho, o presente estaria lá de manhã — disse o homem, piscando. — Mas milagres de Natal não têm hora.
piscava, completamente desnorteada.
— Como você tem isso? Como sabe…?
— Eu sou o Papai Noel, lembra? — Ele sorriu. — Agora venha, a entrega é sua.
Antes que pudesse processar, já estava sentada ao lado dele, no trenó.

🎄

ainda estava atônita quando o trenó pousou suavemente diante de uma casa em uma rua silenciosa de Londres. O ar estava gelado e os postes lançavam sombras amareladas sobre a calçada. O Papai Noel desceu com calma, segurando a caixinha de música com as duas mãos.
— Você quer me explicar o que está acontecendo? — perguntou, ainda em choque, descendo atrás dele.
— Estou apenas fazendo meu trabalho — respondeu ele, com um sorriso sapeca.
— Mas isso é… é a caixinha que eu fiz. Como você…?
— Você deixou com o Lou, lembra? Eu busquei com ele. — disse, piscando novamente.
Colocou o presente nas mãos dela com delicadeza.
— Por que você não coloca debaixo da árvore, se você é mesmo o Papai Noel? — Ela provocou, ainda tentando entender se aquilo era real, uma pegadinha ou se estava dormindo.
— Porque esse não é o único presente.
Antes que ela pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, ele se virou e apertou a campainha da casa.
— Mas o que você está fazendo?! — Sussurrou ela, em pânico.
— Apenas vire-se para a porta e sorria. — disse ele, posicionando-a em frente à entrada.
E, no segundo seguinte, quando ela se virou para questioná-lo de novo…
Ele tinha desaparecido.
PUF.
arregalou os olhos. Sentiu o coração disparar quando a maçaneta começou a girar.
Ela pensou seriamente em sair correndo.
Mas antes que pudesse mover um músculo, a porta se abriu.
apareceu, de pijama e com o cabelo bagunçado, os olhos meio fechados. Passou a mão no rosto, tentando se situar.
…? — disse, surpreso, e imediatamente puxou o roupão para fechar melhor na cintura. — Meu Deus, o que você está fazendo aqui? Você está congelando!
Antes que ela respondesse, ele a puxou delicadamente para dentro, esfregando as mãos nos braços dela para aquecê-la.
— Você está bem? O que aconteceu? Como você…?
— Eu… — olhou para a caixinha nas mãos. Respirou fundo. — Feliz Natal.
franziu a testa, confuso.
, o que…?
— Eu trouxe o presente da Giovanna — ela disse, estendendo o embrulho.
— Você… o quê? Como você sabe onde eu moro?
hesitou.
— É uma longa história. Mas… posso te fazer uma pergunta?
assentiu.
— Você realmente escreveu uma carta para o Papai Noel?
Ele arregalou os olhos e, depois de um segundo, começou a rir.
— Eu… na verdade, sim. Meio que escrevi. Quer dizer, foi mais um bilhete mental. Ok, talvez tenha sido um tweet não postado.
— E o que você pediu?
ficou sério por um instante. Depois se aproximou.
— Eu pedi uma coisa só. Uma coisa que o dinheiro não podia comprar.
— É mesmo?
Ele assentiu. Pegou o presente das mãos dela, colocou sobre a mesinha ao lado da porta e então voltou o olhar para ela.
— Eu pedi você.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelas batidas do coração dela.
se aproximou devagar, segurou o rosto dela entre as mãos e disse:
— Eu lembrei de você naquela loja. E pensei… se o Natal realmente tem magia, então talvez… eu possa ganhar algo que parecia impossível.
ficou na ponta dos pés e o beijou antes que ele dissesse mais alguma coisa.
O beijo foi quente, terno, longo. O tipo de beijo que aquece até a parte mais cética da alma. Quando se separaram, ela sussurrou com um sorriso:
— Feliz Natal, .
— Feliz Natal, .
Ele passou o braço em volta da cintura dela e a puxou para perto.
— Sabe… eu fui bem bonzinho esse ano.
— É mesmo?
— E estou pronto para ser ainda melhor. Só para garantir o mesmo presente no ano que vem.
Ela deu uma risada e o abraçou mais forte.
E, naquele instante, soube — com a mesma certeza de quando acreditava em elfos e renas voadoras — que a magia do Natal ainda existia. E que, às vezes, milagres realmente acontecem.
🎄

Epílogo
(26 de dezembro)
A loja estava mais silenciosa que o normal. O estoque parecia em ressaca natalina, ainda cheio de caixas pela metade, etiquetas tortas e laços esquecidos pelo chão. estava sentada no canto; já tinha tirado a fantasia de elfo, usava a camiseta da loja por baixo de um casaco surrado.
Foi então que ouviu uma batida leve na lateral do balcão.
— Com licença... — disse uma voz conhecida, carregada de algo mais do que casualidade. — A ajudante do Papai Noel está disponível para visitas fora de época?
Ela ergueu o rosto e não precisou fingir surpresa.
.
Estava mais arrumado que o habitual, mas ainda com aquele sorriso torto — o mesmo que ela lembrava bem, o mesmo que veio logo depois do beijo na véspera de Natal. Um beijo que ainda aquecia sua memória sempre que fechava os olhos.
— Oi — ela disse, com um meio sorriso. — Achei que você tivesse usado todo o seu estoque de milagres ontem.
— Quase todo — ele respondeu, tirando o celular do bolso. — Mas sobrou um pedacinho. E precisava te mostrar.
Sem pedir licença, sentou-se ao lado dela no chão, como se aquele lugar fosse o sofá da casa dele. Abriu a galeria do celular e colocou um vídeo em tela cheia.
— Você precisa ver isso.
Era Giovanna.
De pijaminha de patinhos, cabelos bagunçados e um brilho no olhar que só quem acredita em Papai Noel tem. Ela estava sentada em frente à árvore de Natal, com a caixinha de música nas mãos. Girou a chavinha. A melodia começou. E então, com a voz quase em sussurro, ela perguntou:
— Papai Noel fez só para mim?
Antes de mais nada, encostou o ouvido na madeira, como se esperasse ouvir o coração do presente batendo por dentro. Depois de alguns segundos:
— Tem uma estrela aqui dentro.
O vídeo terminou com Giovanna abraçando a caixinha como se estivesse abraçando o próprio Natal.
mordeu o lábio e desviou o olhar. Seus olhos já estavam marejados.
— Ela ouviu a música o dia inteiro — disse , com um orgulho suave na voz. — E, depois disso, se recusou a dormir sem ela por perto.
Ela soltou uma risadinha embargada.
— Eu fiz aquilo numa madrugada completamente exausta. Nem sei se está perfeitamente afinada.
— Está perfeita. — disse ele, olhando para ela. — Foi o melhor presente que alguém já deu para ela. E talvez... para mim também.
o encarou, surpresa.
continuou:
— Eu sei que ontem foi mágico. A neve. A forma como você apareceu na minha porta como se tivesse caído direto de uma história que eu tinha esquecido que acreditava. Mas isso aqui... — levantou o celular — foi o milagre. Porque agora eu não acredito só porque vi. Eu acredito porque senti.
Ela não respondeu de imediato. Apenas estendeu a mão devagar e entrelaçou os dedos nos dele.
— Sabe... — disse ela, encostando o ombro no dele — quando eu era pequena, achava que a magia do Natal era feita de sinos, luzes e neve. Mas agora... acho que é outra coisa.
— O quê?
Ela sorriu.
— É quando alguém acredita de volta.
virou o rosto para ela, os olhos suaves e cheios de algo que não precisava ser dito. Ele a puxou com delicadeza e a beijou — desta vez sem surpresa, sem pressa, sem receio.
Depois do beijo, encostou a testa na dela e disse, com um sorrisinho:
— Então... posso te chamar para jantar agora? Ou ainda preciso de aval do Papai Noel?
— Se depender do Papai Noel, acho que você já tem aprovação vitalícia — ela riu, balançando a cabeça. — E você? — Perguntou, olhando para ele de lado. — Vai continuar aparecendo nas lojas como se estivesse procurando presente, mas só querendo conversa?
— Só nas épocas festivas. Fora isso, prefiro jantares.
— Com trenó ou sem trenó?
— Sem trenó. Mas com você.
Ela fingiu considerar, apertando levemente a mão dele entrelaçada à sua.
— Tá. Mas se a comida for ruim, vou exigir outro milagre.
sorriu.
— Já estou levando um comigo. O resto é bônus.
Ela suspirou.
— Então vamos.
— Agora?
— Sim. Ou amanhã. Ou depois. Ou no ano-novo. Não importa. — Ele sorriu, de olhos fechados. — Milagre bom não tem prazo de validade. Eu já consegui o que eu queria no Natal.
E ela o beijou de novo, como se concordasse.



Fim...


Nota da autora: Obrigada por ler esta história! 💛 Escrevê-la foi como acender uma pequena luzinha de Natal no coração — e eu espero que ela tenha iluminado um pouquinho do seu também. Desejo a você um Feliz Natal, cheio de aconchego, riso frouxo, comida boa e momentos que aquecem o peito. E que o Ano Novo venha cheio de surpresas boas, daquelas que fazem a gente acreditar que, sim, talvez Papai Noel exista mesmo (ou pelo menos que milagres aconteçam quando a gente menos espera). Se você gostou desta short e quer continuar comigo em outras aventuras, te convido a ler minha outra história, Sinais do Tempo — um romance cheio de emoção, encontros inesperados e aqueles sentimentos que a gente quase não consegue colocar em palavras. Vou amar te ver por lá também. Com carinho e glitter natalino, Bells.

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