Codificada por: Lightyear 💫
Última Atualização: 06/09/2025Virou a esquina da rua lateral e lá estava ele: um cupê preto, caro e exibido, plantado em zona de carga e descarga, metade invadindo a faixa amarela, pisca-alerta piscando como se fosse salvo-conduto. Nenhum motorista à vista.
ajeitou o cap, respirou fundo e sentiu o cheiro de chuva misturado a gasolina — o perfume do caos. Claro que seria ele. Só tinha a cara de pau de estacionar assim, e só ela parecia ter a “sorte” de ser a responsável por multá-lo sempre que isso acontecia.
Ela checou a placa, clicou a caneta com a precisão de quem já não tinha mais paciência pra jeitinho. Aproximou-se do capô, abriu o bloco, e o relâmpago estourou lá longe, iluminando o brilho molhado da lataria. “Cinco minutinhos”, ela podia ouvir antes mesmo de ele aparecer. Sempre eram cinco.
apoiou o bloco no capô e, sem pressa, escreveu a infração. Quando a porta do prédio ao lado se abriu e passos apressados cortaram a calçada, ela ergueu o olhar — firme, molhado de chuva, zero vontade de negociação.
— Pisca-alerta não é passe livre — disse, batendo de leve o bloco no capô. — Nem hoje.
surgiu na calçada com o cabelo úmido da chuva grudado na testa e a jaqueta de couro aberta às pressas. Quando viu o bloco de multas equilibrado no carro, soltou uma risada curta, quase incrédula.
— Você tem uma obsessão comigo… — a voz grave saiu carregada de cansaço e ironia. — Deve ser a décima multa só esse mês.
— Nona — ela corrigiu com frieza. — Mas se continuar testando minha paciência, eu faço questão de chegar na décima ainda hoje.
Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado, e deu um passo mais perto dela. O olhar castanho queimava em desafio, mas havia uma centelha de diversão que só aparecia quando era com ela.
— E eu só parei aqui porque um cachorro estava solto no meio da rua. Se não fosse eu, teria sido atropelado. Corri pra levar até a loja da esquina, porque era do dono de lá. Cinco minutos. — segurou firme o bloco, sem se abalar. — … — ele disse devagar, saboreando o sobrenome como se fosse uma piada particular entre os dois. — Um dia você ainda vai admitir que gosta de me perseguir.
soltou uma risada seca, balançando a cabeça.
— Se eu gosto? — rebateu, batendo a caneta no bloco com firmeza. — , você se entrega de bandeja cada vez que estaciona errado. Não é perseguição, é serviço comunitário. O azar é meu por morar na mesma cidade que você. Ah, e não se preocupe… vou caprichar na letra pra ninguém confundir com as outras vinte.
O tom dela era profissional, mas o brilho nos olhos denunciava que aquela troca já tinha saído do território da burocracia há muito tempo. apoiou o ombro no carro, como se tivesse todo o tempo do mundo. O olhar dele subiu lento das botas encharcadas até a curva dos quadris delineados pelo uniforme molhado. Seguiu pelo colete que moldava a cintura dela, pelo pescoço exposto onde uma gota de chuva escorria até desaparecer na gola. Ele não disfarçava — não via por que deveria.
Na cabeça dele, a cena parecia um convite mascarado de autoridade: firme, dura, mandona… e absurdamente gostosa. Se ela queria ser levada a sério, aquele uniforme só fazia a imaginação dele trabalhar mais. Um sorriso atravessou os lábios de , carregado de desafio.
— Vinte multas… — murmurou, a voz arrastada. — Isso já não é azar, . Parece mais um histórico de relacionamento.
Ela ergueu os olhos do bloco, arqueando a sobrancelha com calma calculada.
— Relacionamento implica escolha, . E eu nunca escolheria alguém que dirige como você.
Ele soltou uma risada baixa, inclinando-se mais, até que a respiração quente quase tocasse o rosto dela.
— Pode até falar isso… mas no fundo, você gosta de me ver chegando. Gosta da confusão, da cena, até do jeito que eu te irrito.
manteve o queixo erguido, a caneta ainda firme na mão, embora os dedos estivessem tensos demais.
— O que eu gosto é de ordem. E você é o caos em forma de gente.
lambeu o lábio inferior, o olhar escuro passeando pelo rosto dela com uma ousadia que arrancaria uma multa só por desacato.
— Então por que você não me afasta, ? — perguntou baixo, quase um sussurro. — Por que sempre fica aqui, cara a cara comigo, em vez de me mandar embora de uma vez?
O silêncio que se instalou era grosso como a chuva que batia na lataria do carro. A caneta dela parou de bater contra o bloco. O brilho nos olhos, que antes era só frieza profissional, tinha virado algo muito mais perigoso.
respirou fundo, tentando recompor o tom firme. A ponta da caneta voltou a tocar o papel, mas a letra já não tinha a mesma firmeza de antes.
— Talvez porque eu ainda acredite que, um dia, você vai aprender. — disse, com a voz baixa, afiada. — E, até lá, é meu dever cívico te lembrar que existem regras.
Ela ergueu o olhar devagar, encontrando os dele com intensidade. O sorrisinho seco voltou, mas a tensão no maxilar denunciava o esforço para não se perder.
— Mas não se iluda, . Se eu fico, é porque faz parte do trabalho. Não porque quero.
As palavras saíram rápidas, afiadas, mas o calor subindo pelo corpo dela contradizia cada sílaba. riu de novo, um som grave que pareceu vibrar entre eles, e se inclinou ainda mais, como se tivesse acabado de ganhar o jogo.
— Você sempre fala como se fosse à prova de mim, . — disse, os olhos cravados nela, sem desviar por um segundo. — Mas toda vez que eu chego perto, eu vejo. É só um lampejo… uma faísca.
inclinou o rosto um pouco mais, sustentando o olhar dele sem piscar.
— O que você vê, , é o reflexo da sua própria arrogância. — retrucou, firme, o bloco ainda entre os dedos como um escudo. — Você provoca porque acha que eu vou cair no jogo. Mas já te provei mais de uma vez que não caio.
Ele sorriu de canto, satisfeito, como se a resistência dela fosse o tempero que o fazia voltar sempre.
— É… você nunca cai. — murmurou, com um brilho travesso nos olhos. — Mas eu sei reconhecer quando alguém gosta do perigo, .
Ela bufou, balançando a cabeça, mas o jeito que a boca dela tremeu no final entregava mais do que gostaria. estreitou os olhos, o bloco firme outra vez entre as mãos, como se quisesse cravar a barreira entre eles.
— O único perigo que eu gosto, , é o de aplicar mais uma multa em você. — retrucou, a voz firme, mas o tom ligeiramente rouco traía o esforço de manter a compostura.
Ela rabiscou algo rápido no papel, só para reforçar o ponto, e ergueu o olhar de novo, agora com o queixo erguido em desafio.
— Então se acostuma: essa é a única faísca que você vai ver de mim.
soltou um riso lento, satisfeito, como se tivesse acabado de ganhar apesar das palavras dela.
— Continua dizendo isso, … — murmurou, encostando-se ao carro com o sorriso preguiçoso. — Mas eu sei quando alguém mente pra mim. E você… mente mal demais.
O olhar dele ficou cravado no dela por longos segundos, até que a chuva forte batendo no asfalto pareceu ser o único som que restava na cidade inteira. As luzes das lojas já estavam apagadas, portas fechadas, janelas escuras. A rua estava deserta, engolida pela tempestade, como se o mundo tivesse decidido dar privacidade ao caos deles. fechou o bloco com um estalo seco, como se tivesse encerrado a conversa.
— Terminei. Vai querer contestar por escrito ou vai só reclamar como sempre? — perguntou, cruzando os braços, o olhar duro, mas com um leve arquejo de sobrancelha que conhecia bem.
Ele sorriu, preguiçoso, como se o desafio fosse exatamente o que queria.
— Reclamar já virou tradição nossa, não acha? Cidade pequena, rotina entediante… alguém precisa colocar um pouco de emoção nos seus turnos.
Ela bufou, virando de leve o rosto para esconder o início de um sorriso.
— Emoção? , você confunde irresponsabilidade com entretenimento.
— E você confunde provocação com crime, . — ele rebateu na mesma hora, inclinando-se de leve. — Se fosse ilegal gostar de ver você perder a paciência, eu já estaria preso faz tempo.
apertou os lábios, tentando conter a curva que ameaçava se formar ali.
— Você só não tá preso porque, diferente das multas, eu não posso preencher uma cela com o seu nome.
riu baixo, aproximando-se até que o espaço entre eles fosse estreito demais. O olhar dele percorria o rosto dela como quem procurava fissuras numa muralha.
— Continua me ameaçando, oficial. Um dia, você mesma vai se dar conta que construiu essa muralha só pra ver se eu sou capaz de derrubar.
inclinou a cabeça, soltando um riso curto que soou mais como deboche do que diversão.
— Você tem uma autoestima doentia, . — disse, firme, girando a caneta entre os dedos. — Essa “muralha” que você fala existe porque alguém nessa cidade precisa colocar ordem no caos que você insiste em causar.
Ela deu um passo para o lado, como se fosse encerrar o embate, mas parou. O olhar voltou para ele rápido demais, preso por um segundo longo demais.
— E pra sua informação… — acrescentou, a voz mais baixa, quase um sussurro cortante — ninguém aqui tá curioso pra ver se você consegue derrubar alguma coisa.
A frase saiu afiada, mas o leve rubor que subiu pelo pescoço dela denunciava o contrário.
inclinou o corpo para frente, apoiando uma das mãos no capô molhado, perto demais dela. O sorriso preguiçoso não deixava dúvidas de que ele tinha percebido o rubor.
— Ninguém curioso, é? — murmurou, a voz baixa, quase um ronronar. — Engraçado… porque cada vez que você me encara desse jeito, parece tudo menos desinteresse.
Os olhos dele deslizaram pelo rosto dela, demorando-se na boca antes de voltar a prender os dela.
— Você olha como quem desafia. Como quem quer ver até onde eu vou.
manteve o queixo erguido, tentando esconder o aperto no peito.
— O que você vê é irritação, . — rebateu, firme, mas a voz falhou no fim, quebrada por uma respiração acelerada.
Ele riu baixo, satisfeito, e se aproximou mais um passo, quase colando o corpo ao dela.
— Irritação nunca deixou ninguém respirar desse jeito, .
cruzou os braços contra o peito, como se aquela barreira fosse suficiente para manter o controle. A caneta ainda presa entre os dedos tremia levemente, denunciando mais do que gostaria.
— Respiração acelerada é efeito da chuva, . — disse, a voz carregada de sarcasmo, mas com um leve tremor que não passou despercebido. — Diferente de você, meu corpo sabe reagir ao frio.
Ela ergueu o queixo, sustentando o olhar dele com firmeza, mas o aperto dos lábios e o rubor que teimava em subir pelo pescoço quebravam a fachada de indiferença.
— Se realmente acha que isso é algum tipo de… convite, está mais delirante do que pensei.
sorriu de canto, devagar, como se cada palavra dela fosse só combustível para a certeza que ele já carregava.
— Convite, não. — disse, a voz grave, arrastada. — Porque se fosse mesmo, … você já teria batido a porta na minha cara faz tempo.
Ele inclinou a cabeça, o olhar preso no dela com uma calma perigosa.
— Mas olha só… ainda tá aqui. Firme, brava, com a caneta na mão… e mesmo assim não dá um passo pra trás.
O sorriso dele cresceu, provocador.
— Isso me diz muito mais do que qualquer multa que você escreva.
manteve o olhar fixo, o maxilar travado, tentando ignorar o calor que subia pelo corpo inteiro. O silêncio entre eles ficou tão denso que até a chuva pareceu se afastar, deixando só os dois ali, presos naquele embate. A mulher arqueou a sobrancelha, um meio sorriso frio surgindo nos lábios, os olhos escuros faiscando sob a chuva.
— Tá interpretando demais, . — disse, a voz carregada de ironia. — Se eu ainda tô aqui é porque preciso terminar o relatório. Não porque gosto da sua cara de convencido me rondando.
Ela levantou o bloco entre eles como se fosse um escudo, mas a firmeza dos dedos falhou por um segundo. Seu pescoço, marcado pelo rubor que subia pelo rosto, denunciava aquilo que ela jurava não sentir. E o olhar rápido que escapou para a boca dele foi tudo menos profissional.
— Então faz um favor a nós dois… — completou, baixando o tom como se fosse um aviso — assina logo sua parte e some da minha frente antes que eu mude de ideia e dobre o valor da multa.
O tom era duro, mas o coração disparado e a respiração curta denunciavam que, por baixo da farda, a muralha já começava a ceder. pegou a caneta da mão dela devagar, roçando de propósito os dedos nos dela. O sorriso dele não se desfez nem por um segundo.
— Dobrar o valor da multa? — murmurou, a voz grave, quase divertida. — Acho justo… se o preço for proporcional ao tempo que eu te faço perder.
Ele abriu o bloco com calma exagerada, passando as páginas como se estivesse analisando um contrato. Em seguida, apoiou no capô e começou a escrever, traçando cada letra devagar, arrastado, como se fosse uma provocação silenciosa.
— Capricha na letra, … — ela disse, cruzando os braços, tentando manter o tom profissional, mas o aperto na garganta denunciava a impaciência.
ergueu os olhos sem parar de assinar, o sorriso preguiçoso ainda ali.
— Pode deixar, . — sussurrou, arrastando a última letra com teatralidade. — Vou escrever devagar, só porque sei que você gosta de me ver concentrado.
Ele terminou, fechou o bloco com um estalo leve e devolveu a caneta, deixando-a entre os dedos dela com um roçar lento demais para ser inocente. arrancou a caneta da mão dele com um estalo seco, como se aquele simples gesto fosse capaz de cortar o fio que os prendia.
— Você me tira do sério, . — disparou, a voz firme, mas rouca de impaciência. — Acha que tudo é provocação, tudo é brincadeira…
Ela fechou o bloco de multas com força, segurando-o contra o peito como se fosse um escudo. Mas quando ergueu os olhos, o olhar ficou preso no dele por tempo demais.
— Só que isso aqui não é jogo. — completou, o tom baixo, quase um sussurro.
Mas o rubor que subia pelas bochechas e a respiração acelerada a traíam, deixando claro que, mesmo querendo encerrar o assunto, ela estava presa naquela mesma tensão que ele. não recuou. Pelo contrário, o sorriso dele cresceu devagar, satisfeito, como se cada palavra dela fosse só mais uma confirmação do que ele já sabia.
O rapaz se aproximou sem pressa, até que a distância entre eles fosse engolida pelo cheiro dele — couro molhado, amadeirado, quente. A mão dele subiu devagar até o bloco que ela apertava contra o peito, os dedos tocando de leve o canto do papel, quase roçando a pele dela por acidente.
— Não é jogo, ? — murmurou, a voz baixa, rouca, o sorriso preguiçoso quase encostando no rosto dela. — Engraçado… porque toda vez que você fala isso, parece a única que não percebe que já tá jogando comigo.
Ele inclinou o corpo só um pouco mais, a boca perto demais da orelha dela, deixando escapar um sopro quente que fez o ar entre eles tremer.
— E sabe o que é pior? — continuou, sem tirar os olhos dela. — Você joga bem. Melhor do que imagina.
O toque dele no bloco foi leve, mas suficiente para que sentisse o calor dos dedos atravessando o papel, e a muralha dela vacilou por um instante, denunciada pela respiração curta que escapou. A mulher respirou fundo, como se quisesse engolir a onda quente que subiu pelo corpo com a aproximação dele. Empurrou o bloco contra o peito, criando uma barreira mínima entre os dois.
— Você tem uma mania irritante de achar que todo mundo dança conforme a sua música, . — disse, firme, mas a voz falhou no fim, mais baixa do que queria. Ela inclinou o queixo, tentando recuperar o tom cortante. — Eu não jogo. Eu aplico a lei. E você só é bom em ser reincidente.
Ainda assim, o olhar dela escapou por um instante para a boca dele, rápido demais, denunciando a contradição. percebeu, claro que percebeu. E o sorriso lento que cresceu nos lábios dele só fez o coração dela acelerar ainda mais.
— Não joga, é? — murmurou, dando um passo à frente. O bloco entre eles foi pressionado contra o peito dela, inútil como barreira. — Então explica, … por que olha pra mim desse jeito?
Ele avançou mais, o corpo alto sombreando o dela contra o carro estacionado. O braço de subiu devagar até apoiar a mão no capô, ao lado da cabeça dela, prendendo-a sem pressa, como se tivesse todo o tempo do mundo.
— Porque eu juro que conheço esse olhar. — sussurrou, a boca a centímetros da dela. — Não é de autoridade. Não é de irritação. É o olhar de quem tá lutando contra a própria curiosidade.
Os olhos escuros dele a devoravam, lendo cada mínimo movimento. A chuva deslizava pela jaqueta, pingando no uniforme dela, mas nenhum dos dois parecia sentir o frio.
— Fala, … — continuou, a voz rouca, provocativa. — Se eu encostar agora, você vai me afastar… ou vai finalmente parar de fingir?
ergueu o queixo, como se aquele gesto pudesse impedir a aproximação sufocante dele.
— Eu vou te afastar, . — disse, firme, cortante, a voz moldada como uma ameaça.
Só que o tom baixo, rouco, denunciava o esforço. E quando ele inclinou um pouco mais o corpo, o calor dele invadindo o espaço estreito entre eles, o ar escapou dos lábios dela num suspiro que não deveria existir. Ela tentou se recompor, apertando o bloco contra o peito.
— Não confunde… isso não é convite. — completou, mas o olhar fixo demais na boca dele minava cada palavra.
arqueou a sobrancelha, um sorriso lento surgindo, como quem acabava de vencer sem precisar mover uma peça.
— Não é convite? — repetiu, a voz grave, arrastada, roçando no ouvido dela. — Engraçado… porque se fosse ameaça de verdade, você já teria me empurrado.
Ele aproximou o rosto devagar, a boca pairando a um suspiro da dela, quente apesar da chuva fria que escorria pelas roupas. O braço continuava apoiado no capô, firme, mantendo-a encurralada.
— Mas você não se mexe, . — murmurou, o olhar cravado nos olhos dela, intensos, quase desafiadores. — Fica aqui, parada, respirando fundo… como se estivesse esperando pra ver o que eu vou fazer.
Os dedos dele tocaram de leve o canto do bloco, ainda pressionado contra o peito dela, mas o gesto foi suficiente para atravessar a defesa.
— Então me diz… — a voz dele baixou ainda mais, rouca, íntima — é medo de me afastar ou vontade de me deixar encostar?
O silêncio pesado entre eles parecia arder mais do que qualquer resposta. umedeceu os lábios, o coração martelando tão alto que parecia preencher o silêncio entre eles. Apertou o bloco com força contra o peito, como se aquilo ainda fosse uma barreira real.
— Não sonha, . — disse, firme, mas a voz saiu mais baixa, mais rouca do que queria.
O olhar dela, porém, a traiu. Escorregou por um instante para a boca dele e voltou rápido demais, como se quisesse apagar o movimento. Só que já tinha visto. Ela manteve o queixo erguido, como se ainda fosse capaz de sustentar a muralha. Mas a respiração curta dizia outra coisa.
E naquele instante, até a própria sabia: a linha entre resistência e entrega estava por um fio.
não esperou resposta. O sorriso preguiçoso cedeu lugar a algo mais intenso, faminto. Em um segundo, o bloco de multas escorregou do peito dela e caiu no capô, esquecido, quando ele tomou os lábios de num beijo que não pedia licença — roubava.
O choque fez o corpo dela endurecer por um instante, como se ainda buscasse manter a muralha. Mas bastou o roçar quente da boca dele contra a dela, firme e urgente, para que a defesa ruísse. Um gemido curto, involuntário, escapou da garganta dela, sendo engolido pelo beijo.
aprofundou o contato, a mão livre deslizando pela curva da cintura dela até encontrar as costas molhadas pelo uniforme. Puxou-a contra si com força, como se não houvesse espaço suficiente no mundo para separá-los. O gosto de chuva misturado ao dele era intoxicante, e , mesmo tentando, não conseguiu se soltar.
As unhas dela se cravaram na jaqueta encharcada, puxando-o ainda mais, como se o beijo fosse punição e entrega ao mesmo tempo. Ele sorriu contra a boca dela, provocador até no calor do momento, antes de mordiscar de leve o lábio inferior, arrancando outro suspiro dela.
A chuva batia forte no asfalto, os relâmpagos riscavam o céu, mas o carro encostado virou o centro do universo. Era raiva, era atração, era tudo que eles sempre fingiram não sentir explodindo de uma vez só.
Quando por fim ele se afastou apenas o suficiente para respirar, a testa dele encostou na dela, as respirações pesadas misturadas.
— E aí, … — murmurou, a voz rouca, ainda colada na boca dela — isso ainda não é jogo?
ainda arfava quando abriu os olhos, o coração descompassado batendo no mesmo ritmo do dele, tão perto que parecia ecoar no espaço entre os dois. A boca ainda latejava pela mordida, quente, viva. Ela umedeceu os lábios, tentando recuperar a compostura, e soltou uma risada seca, rouca demais para soar convincente.
— Se isso foi um jogo, … parabéns. — disse, a voz embargada, mas firme. — Você acabou de cometer falta grave.
Tentou se afastar, mas as mãos continuavam presas à jaqueta dele, como se o corpo não tivesse recebido o comando. E o olhar, em vez de desviar, se manteve cravado no dele, intenso, faiscante, como se esperasse o próximo movimento.
— E não pensa que eu vou cair de novo. — completou, mas a respiração acelerada e as bochechas fervendo gritavam o contrário.
não disse nada. O sorriso dele se alargou, preguiçoso, cheio de certeza, e então ele simplesmente voltou a tomá-la nos braços, sem dar tempo para protestos.
O segundo beijo foi ainda mais devastador que o primeiro. Não havia surpresa, só a urgência de quem já sabia que não havia mais volta. A boca dele invadiu a dela com força, fome, como se quisesse apagar cada mentira que ela acabara de dizer.
tentou manter as mãos firmes contra o peito dele, empurrá-lo… mas em vez disso, os dedos se fecharam na jaqueta molhada, puxando-o ainda mais perto. Um gemido baixo escapou dela, vibrando contra a boca dele, e respondeu com um som grave, satisfeito, que a fez tremer dos pés à cabeça.
Ele inclinou a cabeça, aprofundando o beijo, devorando cada pedaço dela com intensidade. Os corpos se colaram de vez contra o carro, a chuva martelando a lataria como aplauso ensurdecedor. Cada mordida, cada suspiro, cada estalo úmido entre eles carregava raiva e desejo na mesma medida.
Quando ele finalmente afastou os lábios só o suficiente para mordiscar o canto da boca dela, a voz saiu rouca, arranhada, quente demais para ser só provocação:
— Viu só, ? — ele murmurou, respirando ofegante contra os lábios dela. — Eu avisei… você joga melhor do que imagina.
ainda estava ofegante quando ele se afastou só o bastante para falar. Os lábios dela estavam inchados, úmidos, e o coração martelava no peito como se fosse explodir. Ela prendeu a respiração por um segundo, tentando recuperar a voz, e então soltou um riso curto, carregado de raiva e desejo misturados.
— Você é insuportável, . — sussurrou, a voz rouca, quase um gemido disfarçado. — Eu devia te prender agora mesmo só pra calar essa boca.
Mas, em vez de afastá-lo, os dedos dela deslizaram pela nuca dele, puxando-o de volta, como se o corpo decidisse antes da mente. O olhar faiscante e a respiração acelerada traíam qualquer tentativa de manter o controle.
Ela roçou os lábios nos dele, sem dar o gosto de outro beijo completo, e murmurou com provocação cortante:
— Você ainda vai se arrepender de me provocar assim.
sorriu contra a boca dela, aquele sorriso lento, cheio de malícia, que parecia prometer que o jogo estava só começando. Em um movimento decidido, agarrou a cintura dela e a ergueu, fazendo perder o fôlego quando as costas encostaram no capô frio e molhado do carro. A chuva escorria em rios pela lataria, encharcando o uniforme dela, mas o calor do corpo dele anulava qualquer sensação de frio.
Ela soltou um suspiro entrecortado, o som misto de protesto e rendição, antes de ele colar a boca de novo na dela. O beijo foi selvagem, intenso, molhado pela chuva que pingava dos cabelos dele e se misturava ao gosto da boca dela.
cravou as unhas nos ombros de , puxando-o contra si com força. O metal do carro tremia sob os dois, acompanhando o ritmo urgente do encontro. O trovão estourou no céu ao mesmo tempo em que ela deixou escapar um gemido rouco, abafado contra a boca dele.
— Maldito… — ela murmurou entre beijos, a respiração ofegante, os olhos semicerrados. — Você vai me enlouquecer.
riu baixo contra os lábios dela, um som rouco e satisfeito.
— Esse é o plano, . — respondeu, antes de beijá-la de novo, mais fundo, mais intenso, como se quisesse devorá-la por inteiro.
A chuva engrossou ainda mais, tamborilando no capô e nas janelas, mas nenhum dos dois parecia ouvir. Ali, só existia o calor sufocante dos corpos, a fome em cada beijo e a certeza de que o que queimava entre eles não podia mais ser ignorado.
A cada beijo, a cada mordida, a cada suspiro roubado, o capô gelado parecia esquentar sob o peso dos dois. arqueava o corpo contra , tentando resistir e se entregar ao mesmo tempo, as unhas cravadas na jaqueta molhada como se fosse o único ponto de equilíbrio no meio da tempestade.
Ele a segurava firme pela cintura, colando-a contra si, como se não houvesse espaço suficiente no mundo para separá-los. A chuva desabava sobre eles em ondas pesadas, ensopando cada pedaço de tecido, fazendo o contato de pele contra pele ainda mais elétrico.
quebrou o beijo por um segundo, a cabeça jogada para trás, os olhos fechados, a boca entreaberta num gemido sufocado. O trovão explodiu no céu quase ao mesmo tempo, como se o universo confirmasse o auge daquele instante. aproveitou a curva exposta do pescoço dela, distribuindo beijos quentes, famintos, até ouvir o suspiro dela se transformar em riso nervoso, incrédulo.
— Eu devia te odiar. — ela arfou, puxando-o de volta pela nuca, colando os lábios nos dele com força.
— Devia. — ele respondeu contra a boca dela, sem dar espaço para ar. — Mas não consegue.
O beijo voltou feroz, desesperado, como se os dois estivessem tentando extrair o máximo de um momento que nunca deveria existir. O carro inteiro vibrava sob o peso do encontro, o som metálico misturado ao tamborilar da chuva.
Por um instante, afastou o rosto do dele, o peito arfando, os olhos varrendo a rua deserta. As fachadas estavam escuras, portas fechadas, nenhuma luz nas janelas. Só a tempestade dominava o cenário, engolindo qualquer som além do deles. Satisfeita com o vazio ao redor, ela voltou os olhos para , a decisão faiscando em meio à respiração curta.
O beijo se aprofundou ainda mais, urgente, faminto, cada respiração roubada como se fosse a última. O peso dele sobre o corpo dela, a frieza do capô contrastando com o calor da pele, tudo parecia conspirar para incendiar aquele instante.
cravou as unhas nos ombros dele, puxando-o para mais perto, enquanto a prendia pela cintura, guiando-a como se o mundo inteiro tivesse desaparecido em volta. Ele a ergueu de leve pelo quadril, encaixando-a contra si no capô molhado, e o beijo virou um choque de dentes, língua e urgência. gemeu contra a boca dele, a respiração curta, e murmurou entrecortado:
— Droga, …
As mãos dele deslizaram rápidas até a barra da calça dela, desfazendo o botão com destreza antes de puxá-la, junto da calcinha, apenas o suficiente para sentir mais dela contra si. arfou com o gesto, mas não hesitou em revidar: os dedos ágeis soltaram o cinto dele e empurraram o tecido encharcado para baixo, cada movimento carregado de urgência, como se a pressa dissesse tudo o que nenhum dos dois ousava colocar em palavras.
se afastou apenas o suficiente para abrir a camisa encharcada dela, os dedos impacientes deslizando pelos botões até que o tecido se abrisse. Com um gesto firme, abaixou o sutiã, revelando a pele sob a chuva fria. O olhar dele escureceu de imediato, a respiração pesada denunciando a fome que crescia a cada segundo. Sem esperar, inclinou-se e percorreu a curva úmida do colo dela com a boca, deixando uma trilha de beijos quentes que arrancaram um gemido alto de .
Quando alcançou os seios, os beijou com uma mistura de fome e reverência, como se cada parte dela fosse sagrada e, ao mesmo tempo, impossível de saciar. A boca quente dele deixava marcas ardentes no contraste da pele fria sob a chuva, e arqueou as costas, rendida, os dedos se enredando nos cabelos molhados dele para puxá-lo ainda mais contra si.
— … — ela sussurrou, a voz falhando entre um gemido e um suspiro trêmulo. — Você é um… idiota, …
riu baixo contra a pele dela, o som grave vibrando no seio que ele ainda beijava.
— Idiota? — murmurou, a voz rouca e cheia de malícia, antes de morder de leve, arrancando outro gemido dela. — Se eu sou idiota… você tá perdendo a cabeça por um idiota, .
Ele ergueu os olhos para encará-la de perto, o sorriso torto estampado no rosto, como se cada palavra dela fosse mais combustível.
— E sabe o que é pior? — continuou, descendo a boca outra vez, espalhando beijos quentes pelo colo. — Você gosta. Gosta quando eu provoco, quando te enlouqueço… quando faço você esquecer que é a durona da cidade.
puxou os cabelos dele com força, como se quisesse calá-lo, mas o gemido que escapou logo em seguida a entregou.
— Cala a boca, … — ela arfou, a voz embargada. — Só me beija.
ergueu o rosto de repente e voltou a capturar a boca dela, o beijo intenso, molhado pela chuva e pela fome que não cedia. gemeu alto, os braços envolvendo o pescoço dele enquanto o corpo se moldava ao dele com uma entrega desesperada.
Enquanto ele a beijava, ela sentiu o pau dele roçar na entrada de sua boceta, enlouquecendo-a, a proximidade se tornou inevitável — e então, num único movimento, a penetrou por completo. O choque a fez arfar alto, o gemido abafado contra a boca dele, como se o mundo tivesse perdido o eixo.
A respiração dela se quebrou em ondas rápidas, o corpo reagindo instintivo, arqueando-se no capô molhado para recebê-lo. prendeu a cintura dela com firmeza, sustentando-a como se jamais fosse deixá-la escapar.
— Droga, … — ele murmurou rouco contra os lábios dela, a voz carregada de fome e reverência ao mesmo tempo. — Você não faz ideia do que tá fazendo comigo.
Ela riu fraco, trêmula, mordendo o lábio enquanto se movia contra ele, já sem conseguir disfarçar o prazer.
— Cala a boca, … e continua.
Ela deixou escapar um gemido alto quando ele a puxou ainda mais para si, o corpo colando no dele em um vai e vem cada vez mais intenso. As mãos dele seguravam firme suas coxas, guiando o movimento com força e fome, enquanto os suspiros dela viravam sussurros desesperados.
— Mais… — ela arfou, enterrando o rosto no ombro dele. — … não para…
Ele mordeu o lábio inferior, o rosto colado ao dela, sentindo cada tremor.
— Fala de novo… — pediu rouco, acelerando, o tom entre provocação e súplica. — Quero ouvir você me chamar.
— ! — o nome escapou em um grito abafado pelo trovão, e ele respondeu com um gemido grave, judiando cada vez mais da boceta dela com os movimentos precisos e contínuos.
O metal do carro rangia sob o peso, vibrando junto ao ritmo desesperado dos dois. A chuva caía sem misericórdia, molhando pele, roupa e cabelo, mas o calor deles parecia incendiar o mundo. Cada estalo do trovão vinha como se fosse o reflexo do que queimava por dentro.
agarrou os ombros dele com força, as unhas cravando no tecido encharcado, e deixou escapar um gemido rouco que se perdeu na boca dele.
— … — arfou, quase em súplica, mordendo o lábio para conter o grito. — Mais rápido… agora…
Ele riu baixo contra o pescoço dela, a voz rouca, ofegante, mas carregada de malícia.
— Finalmente… a oficial me dando ordem que eu gosto de obedecer.
Obedeceu sem hesitar, acelerando o ritmo até o carro ranger sob o impacto. Ela gemeu alto, arqueando o corpo contra ele, a farda colada à pele, sem conseguir manter a fachada de frieza.
— Cala a boca, … — arfou, entre um gemido e outro. — Só faz… anda!
Ele mordeu o ombro dela de leve, a respiração quente e descompassada contra a pele molhada.
— Assim, ? — provocou, acelerando ainda mais, os olhos queimando nos dela. — É isso que você quer?
— Droga… — ela gritou, o corpo inteiro tremendo sob o capô. — Não para… não ouse parar!
O ritmo se tornou quase selvagem, cada estalo metálico do carro acompanhando os gemidos e respirações que escapavam sem controle. agarrou os cabelos dele, puxando-o para um beijo desesperado, mordendo-lhe os lábios como se quisesse marcá-lo.
Ele riu contra a boca dela, rouco, faminto, e murmurou ofegante:
— Você vai me matar, … e eu vou deixar.
— Droga, … — ela sussurrou, quase gritando, a voz embargada. — Eu… tô quase…
Ele a segurou firme pela cintura, metendo cada vez mais rápido, trazendo-a ainda mais para si, os olhos grudados nos dela, devorando cada expressão.
— Então vem comigo, … — murmurou, arfando. — Quero ouvir você perder o controle.
se agarrou ao pescoço dele, os gemidos ficando mais altos, descompassados, como se cada movimento fosse arrancar dela o último fôlego. A chuva fria escorria pelo rosto, mas o corpo queimava inteiro, em chamas.
— … — ela arfou, a voz embargada, quase um grito. — Eu… eu vou…
Ele a segurou com mais força, acelerando o ritmo como se obedecesse ao comando não dito, os olhos cravados nela, selvagens.
— Então vai, … — murmurou rouco, entre gemidos. — Quero ver você perder o fôlego por mim.
E foi exatamente o que aconteceu. O corpo dela arqueou no capô, um gemido agudo escapando de sua garganta enquanto tremores a sacudiam inteira. O nome dele saiu entrecortado, repetido como se fosse a única coisa que ainda existia.
sentiu a explosão dela contra si e deixou escapar um palavrão grave, o maxilar travado. O ritmo descompassou por um instante antes de ele mergulhar junto, arfando, a testa colada à dela.
— Droga… … — sussurrou entre gemidos graves, a respiração falhando, enquanto o próprio corpo se rendia, convulsionando no mesmo compasso.
O carro inteiro vibrava sob o peso dos dois, e o trovão que estourou acima parecia marcar o exato momento em que ele também sucumbiu, gemendo contra a boca dela, preso naquele mesmo colapso.
Ofegantes, ficaram colados, tremendo, a chuva lavando os dois como se apagasse os rastros da luta. Mas o gosto, o calor e a lembrança daquele instante queimavam tão fundo que nenhum dos dois conseguiria esquecer. O silêncio que veio depois parecia impossível diante do caos de segundos atrás. Só havia a chuva tamborilando no capô e as respirações deles, rápidas, descompassadas, tentando encontrar um ritmo de volta.
manteve os olhos fechados por alguns instantes, ainda trêmula, o peito subindo e descendo em ondas. Quando finalmente abriu, encontrou tão perto que podia contar cada gota de chuva escorrendo pelo rosto dele.
— Idiota. — ela murmurou, a voz falha, rouca. — Você me fez perder o controle.
riu baixo, satisfeito, encostando a testa na dela.
— Esse era o plano desde o primeiro dia que você me multou, .
Ela bufou, mas um sorriso cansado escapou antes que pudesse contê-lo. Empurrou o ombro dele de leve, sem força, mais um gesto simbólico do que real.
— Não se acostuma… isso não vai se repetir.
ergueu uma sobrancelha, ainda ofegante, o sorriso malicioso pregado nos lábios inchados.
— Não vai se repetir? — repetiu, a voz baixa, arrastada. — Vai sim. Agora virou rotina. Você me multa, eu te provoco… e a gente termina exatamente assim.
arregalou os olhos, chocada, e bateu de leve no peito dele com o bloco de multas, mas o rubor na pele não deixava dúvidas do quanto aquilo a afetava.
— Você é insuportável, !
Ele riu alto, satisfeito, aproximando-se mais uma vez como se fosse beijá-la de novo, mas parando a um fio de distância dos lábios dela.
— Insuportável… mas irresistível. E você sabe.
Ela prendeu a respiração, desviou o rosto com firmeza e desceu do capô aos tropeços, ajeitando o uniforme encharcado. Puxou a calça — junto da calcinha — de volta ao lugar e afivelou o cinto com as mãos ainda trêmulas, como se cada gesto fosse uma tentativa de recuperar o controle que já não existia mais.
a observava, ainda recostado no carro, o cabelo encharcado colado na testa e o sorriso preguiçoso estampado no rosto. Ele se recompôs devagar, sem pressa, como se o tempo pertencesse só a eles.
Quando ela finalmente se virou para ele, o bloco de multas em mãos, o olhar firme de novo, disse:
— … você continua multado.
Ele deu de ombros, rindo baixo.
— Justo. Mas dessa vez… — inclinou a cabeça, o olhar queimando no dela — valeu cada centavo.
segurou o bloco firme contra o peito e virou as costas, caminhando pela rua encharcada. A chuva batia pesado no asfalto, mas não era nada comparado ao peso das batidas aceleradas do próprio coração. Antes de dobrar a esquina, arriscou um último olhar por cima do ombro.
continuava encostado no carro, o corpo relaxado apesar da tempestade, o sorriso preguiçoso ainda estampado no rosto. Quando percebeu que ela o encarava, ergueu dois dedos em um cumprimento displicente, provocativo, como se tivesse certeza de que ela voltaria.
— Até a próxima multa, . — gritou, a voz grave cortando o barulho da chuva.
Ela revirou os olhos, balançando a cabeça, mas o canto da boca a traiu com um sorriso contido. Sem responder, desapareceu na esquina, tentando recuperar a compostura.
soltou uma risada baixa, jogando a cabeça para trás, deixando a chuva escorrer pelo rosto.
— Isso vai virar rotina… — murmurou para si mesmo, satisfeito. — E eu não vejo a hora.
