Revisada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 06/09/2025.Pela primeira vez, o som da TV era o único ecoando naquela ala do hospital. Médicos, enfermeiros e técnicos pararam para ouvir o plantão de notícias, enquanto a gravidade do momento era refletida em suas expressões faciais.
Num relance, os olhos de e se cruzaram, bastando esse mínimo movimento para que o homem pudesse enxergar toda a aflição do mundo contida dentro da mulher. E, ao mesmo tempo, o reflexo da própria. Não precisavam de palavras, havia anos que aprendiam a decifrar um ao outro apenas pelo silêncio. A respiração dela estava pesada sob a máscara, e ele sentiu o impulso de atravessar aquele espaço, arrancar cada barreira entre eles e segurá-la, para que assim o caos permanecesse somente lá fora.
Naquele instante, a rotina, os protocolos e o peso dos jalecos desapareceram, restando apenas marido e mulher, unidos por um pacto silencioso de sobreviver juntos ao que viesse. Um pacto que se reafirmava naquela troca de olhares.
Após minutos de silêncio — que mais pareceram horas — a voz do homem ressoou firme, ordenando que todos voltassem ao trabalho. Os passos apressados ecoaram pelos corredores novamente, se misturando ao bip constante dos monitores, ao arrastar de macas e ao murmúrio contido de vozes que transmitiam com pesar as más notícias.
não costumava reclamar ou se deixar abater pela dureza do trabalho, mas o baque daquela tarde havia acabado com ela.
Ao fim de seu turno, repassou devidamente o plantão para a equipe seguinte e se organizou para ir embora. No entanto, o hospital e as vidas ali se recusavam a sair da sua mente.
Já em frente de casa, girar a maçaneta pareceu ser a tarefa mais difícil do dia. A mão encontrou o metal frio, mas a porta robusta de madeira antiga exigiu dela um esforço que não era apenas físico dessa vez, ainda assim, a empurrou na ânsia de ser acolhida por seu espaço sagrado, depois de enfrentar um campo de batalha.
Quando entrou, como de costume, higienizou as mãos com álcool em gel e isolou os sapatos em um saco específico. O terceiro passo era seguir até o banheiro do quarto de hóspedes e tomar um banho rápido, para que então pudesse ir até a cozinha sem correr o risco de contaminar os utensílios ou os alimentos.
Desde que começaram a circular as notícias sobre um novo vírus, o casal decidira liberar os empregados da casa, em um ato de prevenção. sabia que agora as coisas iriam se intensificar e, embora acostumados a enfrentar riscos, aquele era diferente. A ameaça não tinha rosto nem cheiro. Não era mais uma pessoa que vivia dizendo que eles não durariam muito tempo juntos e que fosse fácil de ignorar.
A ideia de perdê-lo assim para algo que ela sequer podia ver arranhava por dentro, corroendo a parte dela que sempre acreditou que o amor deles poderia resistir. Naquele instante, percebeu que não era só medo do desconhecido, era a vertigem de imaginar um mundo em que voltasse para casa e não o encontrasse mais esperando por ela.
Enquanto cozinhava o prato favorito do marido, ia aos poucos — entre um corte e outro nos legumes — tentando afastar esses pensamentos que tanto a assolavam no último mês. Quando o relógio marcou 21h45, desligou o fogo e deixou que o aroma da comida levasse um pouco de ternura pelo lar. Decidiu que uns minutos na banheira, sentindo a água quente desfazer a tensão dos músculos, seriam o suficiente para prepará-la até a hora de chegar, ou pelo menos para ajudá-la a respirar sem tanto peso no peito.
No caminho de volta para casa, já com a gravata frouxa ao redor do pescoço, se permitiu soltar os suspiros pesados que prendera ao longo de todo o dia. Como médico, se sentia na obrigação de transmitir algum conforto para seus pacientes e colegas de trabalho, mas precisava admitir que também estava aflito com aquela situação — e cansado de toda a tensão que ela estava causando, fosse no hospital ou em seu casamento.
O volante firme entre as mãos não impedia que seus pensamentos vagassem até . Imaginava ela sozinha, cercada apenas pelo frio do isolamento e pelos próprios medos. Porra, isso pesava mais do que qualquer plantão exaustivo que já tivesse encarado na vida.
Se perguntava se, apesar dos cuidados e do amor que dividiam, não estariam deixando que a rotina de incertezas cavasse pequenas distâncias entre eles. No fundo, desejava que aquela noite fosse diferente, que, ao cruzar a porta, encontrasse não apenas uma noite de descanso, mas um refúgio que lembrasse aos dois por que ainda valia a pena enfrentar o mundo juntos.
Chegando em casa, após todo o processo ritualístico que precisava seguir — como higienizar cada centímetro de pele exposta — foi direto à procura da esposa. Queria saber como a nova declaração havia a afetado, se estava ainda mais fragilizada, se o peso das últimas horas havia se somado ao dos últimos meses.
A mulher abriu um sorriso discreto ao vê-lo encostado no batente da porta do banheiro, de braços cruzados, a observando em silêncio. Às vezes, custava a acreditar que era casada com um homem tão maravilhoso como ele. Em todos os sentidos que maravilhoso pudesse ter. era gentil, atencioso e sincero, tudo o que nenhum outro homem tinha sido para ela.
E, naquele instante, mesmo com o cansaço visível nos ombros dele e as marcas da máscara ainda desenhadas em seu rosto, o achou mais belo do que nunca. A simples presença dele ali era o suficiente para afastar, ainda que por míseros minutos, a sensação de que o mundo estava prestes a ruir.
— Eu cheguei em um bom momento? — perguntou ele, indicando a taça de vinho junto da esposa.
Os anos não pareciam ter exercido qualquer efeito sobre . A pele em tom de amêndoa que tanto apreciava permanecia impecável, como se ainda tivesse vinte anos, e cintilava sob os óleos essenciais presentes na água que se banhava. Seus cachos cor de mel dançavam em torno do rosto, cheios de vida e textura, e se perdia na perfeição dos lábios carnudos e do nariz delicadamente arredondado, traços que falavam de uma beleza profunda e única, impossível de ignorar.
As pétalas de rosas se reuniam quase todas sobre o corpo da sua mulher, ocultando as partes que faziam o sangue do homem esquentar de desejo. A imagem era tão convidativa…que precisou umedecer a garganta e respirar fundo para recobrar o juízo, antes de conseguir falar outra vez.
Ela tomou o último gole e deixou o cristal sobre a borda, ajeitando alguns fios que pendiam do coque desajeitado, como se quisesse se apresentar melhor para o parceiro. , porém, não conseguia imaginar outra cena em que estivesse mais perfeita.
Era um convite mudo e irresistível.
— Uhum! Eu fiz o seu prato favorito para o jantar.
— É..."Esposa gostosa na banheira" é realmente o meu prato favorito — brincou ele, com aquele sorriso ladino. — Como você está, ?
dobrou as mangas da camisa social branca e se aproximou da banheira, puxou um banquinho que ficava perto da pia e se sentou atrás das costas da esposa. Estava louco para finalmente poder tocá-la pela primeira vez no dia.
— Eu tô bem, meu amor.
não podia negar, mesmo que tentasse não preocupar , não conseguia fugir da leitura meticulosa do marido. Fosse a que ele fazia com os olhos, ou quando percorria seu corpo com as mãos.
— Você está tensa…— A voz dele soou naturalmente rouca.
— Tá tudo bem...
A esposa deixou o sorriso escorregar. Não porque estava blefando, mas sim porque o timbre daquela voz fez com que os bicos de seus seios ficassem eriçados. se condenou mentalmente por ir da aflição ao tesão em uma fração tão pequena de segundos. Por um instante, se sentiu depravada por desejar , enquanto ambos viviam um momento de preocupação tão sério. O vinho em suas veias dissolvia os limites entre o que era apropriado e o que não era, deixando o momento perigosa e deliciosamente nebuloso.
— Não é o que o seu corpo está dizendo — retrucou ele. — Já terminou seu banho? Vem comigo.
respirou fundo, tentando se recompor, mas o pedido lhe percorreu a pele como um arrepio inevitável. A água morna já não parecia relaxar tanto quanto a ideia de se aquecer nos braços do marido, então, lentamente, deslizou a mão até a borda da banheira, se apoiando para levantar. não desviava os olhos, cada gesto dela, cada gota que escorria por sua pele, incendiava algo nele. Sentia tanta falta de estar dentro da sua mulher que mal conseguia se lembrar da última vez em que tiveram a oportunidade de desfrutar um do outro.
E querendo esconder que estava sob a mesma necessidade, se enrolou depressa na toalha, tentando esconder os sinais que a entregavam. Já na cama, enquanto terminava de secar os cachos da esposa, aproveitou para repousar o queixo sobre seu ombro e sentir mais de perto o aroma doce que ela exalava.
— Eu... posso ser sincero sobre uma coisa com você? — perguntou ele, com a voz baixa.
— Não é isso que fazem os casais? São sinceros um com o outro — respondeu ela, se virando para encará-lo.
Só que, ao fazer isso, os seios fartos se revelaram diante dele, lhe roubando a respiração. Deuses, aqueles seios macios… Por mais que tentasse manter o foco nos olhos da esposa, se viu engolido pela tentação à sua frente. A boca se abriu e fechou em três tentativas de fala, o corpo já não disfarçava, o sangue corria quente para onde o calor se acumulava sem trégua.
— Temos… falado tanto sobre trabalho nos últimos tempos, de como estamos preocupados um com o outro e com nossos pacientes… — Fez uma breve pausa, respirando fundo. — Sinto que estamos deixando de... viver o nosso casamento, a nossa vida juntos.
Cada objeto ali guardava segredos da vida que partilhavam, e provavelmente constataram antes deles o que agora revelavam. A luz amarelada do abajur espalhava um raio de brilho delicado pelas paredes, deixando com que as sombras dançassem pela superfície, refletindo a vontade de duas almas enjauladas.
Tinha um perfume de lavanda no ar, eram os lençóis recém-trocados. O cheiro entrava em harmonia com o aroma de e criava um abrigo onde o tempo se reservava somente para eles dois, à disposição do amor deles.
— Eu estive pensando sobre a mesma coisa — confessou ela. — Eu não queria dizer nada, porque não quis parecer egoísta, parecer que só estou pensando no meu “mundinho” enquanto... as coisas vão de mal a pior lá fora. Entende?
fez que “sim” com a cabeça. Por dias também se pegou perdido nessa mesma culpa, até perceber que não era egoísmo algum usufruir da sorte de ser feliz, de poder sentir prazer com a mulher que amava.
— Eu também sinto falta de nós… — Continuou ela. — Da nossa intimidade…
As palavras instigaram nele uma fome que ia além do corpo, mas que começava dentro do coração. Sentiu o peito apertar e, ao mesmo tempo, se expandir, indicando que o desejo represado finalmente encontrava permissão para vir à tona.
A respiração dele acelerou, e os olhos estreitos, antes cansados, se acenderam com a mesma intensidade que guardava desde a primeira vez em que a despira.
— Então que a gente não sinta mais falta um do outro.
Com toda a destreza que tinha, puxou para cima de seu colo rapidamente. A mulher não esperou para tomar os lábios do marido para si, mordendo, sugando, lambendo. Suas línguas estavam desesperadas uma pela outra.
A pele branca do pescoço do homem logo se tornou alvo da esposa, e entre arfadas de desejo, foi descendo a boca pelo maxilar dele, lhe arrancando arrepios. Conduzindo-o para um estado em que nada mais importava além do que ela poderia lhe dar. retribuiu, descendo com as mãos firmes até a cintura generosa da mulher, na intenção de agarrar a carne farta que ele tanto amava sentir transbordar sob seus dedos.
Seu quadril ia de encontro ao dela em movimentos instintivos, deixando claro o quanto já estava duro, pronto, pulsando apenas à espera de mais.
— Que saudade de te sentir... — a esposa sussurrou manhosa, roçando os lábios na pele dele. — Duro, quente... dentro da minha…
Quando solteira, era do tipo de mulher que gostava de uma foda suja, com palavrões e tapas no rosto. E quando se casou com , foi como se unir à sua metade perfeita. Carinho também fazia parte do sexo deles, mas no matrimônio encontrou espaço para que sua face mais impura florescesse.
Ele era o único capaz de suportar seu fogo e de levá-la ao êxtase, arrancando dela orgasmos que ninguém mais saberia provocar.
— Fala... Me enlouquece te ver tão entregue assim, …
Caralho! Não tinha como não se sentir a mulher mais viva e escolhida que poderia existir com o olhar do marido queimando sua pele amendoada.
— Da minha boceta molhada.
Era isso que queria ouvir. Foi o que arrancou um sorriso cafajeste do fundo da sua alma. Ele então jogou o corpo para trás, ficando deitado, enquanto se mantinha nua por cima do seu membro. estava entregue, ela podia fazer o que quisesse com ele e sabia muito bem disso.
— Eu quero sentir a sua língua nela.
O marido, entendendo o que estava por vir, tratou de tirar sua camisa social. As mãos da esposa desceram sem pressa, sem vacilar, até que tocaram o tecido que o apertava. Ali, as veias mais grossas se destacavam, marcando a rigidez que crescia sob a pressão dos dedos dela. A mão fechada em volta do volume arrancou dele uma arfada pesada em luxúria.
's P.O.V
Após me despir, ela se colocou sobre mim com as coxas firmes envolvendo meu rosto e aquilo foi como ser abençoado por uma visão impossível de ser descrita. O cheiro dela, quente e úmido, me dominava como se eu ainda fosse um garoto, e eu não queria outra coisa senão mergulhar como se fosse a nossa primeira vez. Segurei sua cintura desenhada com força, a guiando para que rebolasse no ritmo que eu desejava, saboreando cada suspiro, cada gemido que ela deixava escapar. Minha boca se tornava templo e altar, minha língua, oferenda. E, quando ela gemeu, me molhando sem pudor, me senti embriagado pela melhor das substâncias.
Eu era um homem condenado a querer sempre mais. E , pedindo para gozar comigo dentro dela, era devota a mim. Meu paraíso e meu pecado, tudo na mesma pele.
Na medida em que rebolava no meu rosto, vi quando levou uma das mãos aos próprios seios, apertando com firmeza, enquanto com a outra segurava o cabelo cacheado no alto, já que os fios grudavam no suor que escorria pelo seu corpo. Eu parei o que fazia e a puxei para deitar-se debaixo de mim. Afastei suas pernas com gentileza e, antes de finalmente entrar nela, esfreguei a cabeça do meu pau contra o grelo inchado da minha mulher.
— Está sensível... — ela sussurrou rouca, dopada de prazer.
Sorri satisfeito. Tinha deixado ela exatamente do jeito que gostava e faria ainda melhor. Troquei um olhar de consentimento com — coisa que sempre respeitei em anos de casamento — e então a penetrei de uma só vez, sentindo a boceta quente me engolir inteiro, fundo logo na primeira investida.
— Porra... eu ainda me surpreendo com o quanto você é gostosa — gemi contra sua boca.
Ao me recompor, comecei a mover o quadril em um vai e vem delicioso. Primeiro devagar, saboreando cada segundo, mas logo a fome tomou conta e meus movimentos ficaram intensos, rápidos. O som dos nossos corpos se chocando enchia o quarto, misturado aos gemidos e às súplicas dela por mais, sempre mais.
— Vira de costas pra mim — ordenei, sem espaço para discussão.
Ela obedeceu. O estalo da minha palma contra a bunda dela ecoou alto, um som que me incendiou por dentro. Segurei firme sua cintura farta, cravando os dedos na pele, e comecei a metê-la com força. Pelo espelho, eu tinha a visão, os olhos castanhos dela revirando, perdendo o foco, anunciando que o orgasmo estava próximo.
Quando percebi sua mão deslizando por baixo do corpo, acariciando o próprio clitóris, minha respiração ficou descompassada. Ela se entregou inteira, tremendo, arqueando as costas, deixando escapar um gemido que fez meu corpo inteiro se arrepiar. Vi os olhos dela rolarem mais uma vez, e senti seus músculos se contraírem ao redor de mim, me puxando junto.
era gostosa pra cacete!
Não consegui segurar, um gemido rouco escapou da minha garganta quando o prazer explodiu. Meu gozo quente e espesso jorrou dentro dela, enquanto cada pulsar do meu pênis me deixava à beira da exaustão. Minhas pernas cederam, e precisei apoiar meu corpo sobre o dela, cuidando para não descarregar todo o peso.
No momento em que me deitei ao seu lado, a boca dela fez um carinho gostoso no meu ouvido, ainda ofegante.
— Você estava se segurando mesmo…
Dessa vez, foram nossas risadas gostosas que ecoaram pelo quarto. Eu e estávamos em êxtase, ainda embalados pelos efeitos do que tínhamos acabado de viver. Aquela transa, sem sombra de dúvidas, nos uniu mais do que eu podia imaginar. O calor da pele dela colada na minha, o cheiro adocicado misturado ao suor, tudo era prova de que nada — absolutamente nada — seria capaz de abalar o que tínhamos construído. Ao observá-la, tão perto e tão minha, percebi que era ali, naquele instante, que eu encontrava o sentido de tudo.
Nem a pandemia, com todo o medo e silêncio que trouxe, foi capaz de nos afastar. O mundo lá fora podia estar em pedaços, mas, entre quatro paredes, nós continuávamos inteiros. Eu sabia, com a convicção mais profunda que já senti, que nada poderia nos separar — nem a distância, nem o tempo, nem a covid. era meu refúgio, minha certeza, minha razão de sorrir quando todo o resto parecia pesado demais. Enquanto ela me olhava com aquele brilho que só ela tinha, entendi que nossas almas já tinham feito um pacto silencioso. Estávamos juntos, e assim seria até o fim.
