Revisada por: Saturno 🪐
Finalizada em: 20/07/2025Os muitos comentários de que ele havia sido o capitão da geração milagrosa na escola Teiko foram o gatilho para despertar meu interesse pelo garoto que se mostrava intocável. Conhecia sua fama por ter montado o melhor e mais talentoso time de basquete do fundamental, não perdia nenhum jogo. Era fascinante seu talento, porém repulsiva sua arrogância e prepotência, que sempre o fazia se declarar o Imperador das Quadras: Akashi Seijuro.
Tinha um olhar intenso, intimidador e, ao mesmo tempo, enigmático.
Surpreendentemente, eu havia mudado de sala, sendo transferida justamente para a dele. Após as primeiras semanas, comecei a perceber seus olhares de análise sobre mim sempre que eu entrava na sala, e, mesmo com o máximo de discrição de sua parte, conseguia sentir a ponto de me constranger. Era como se desejasse ler minha mente e descobrir meus pontos fracos.
Se nas quadras ele era soberano, na sala ele tinha uma forte concorrente: Eu! Desde que havia me interessado por ele, resolvi deixar de lado minha preguiça momentânea e voltar a ser uma aluna destaque como sempre fui desde criança. Claro que iniciaria isso com minhas notas, já que estava me permitindo manter elas somente na média. E o resultado do meu despertar interno para os estudos saiu três dias após a semana de provas, quando o quadro geral de notas saiu, praticamente três meses após minha mudança de sala.
Para ser honesta, não havia me dedicado tanto na prova de matemática, errando algumas questões propositalmente, o que explicava o fato de eu ter ficado em segundo lugar sem o menor esforço. E este foi o início da minha ameaça ao seu posto de número 1.
— O que significa isso? — disse Akashi, ao se aproximar de mim na biblioteca e jogar uma folha na mesa.
Reprimi minha reação de susto e apenas mantive minha respiração normalizada e meu rosto sereno, desviando o olhar do livro de biologia avançada para ele.
— O quê? — Me fiz de desentendida. — Falou comigo?
— Não se faça de inocente, , e me responda — insistiu ele, transparecendo seu olhar de intimidador.
— Akashi, se não percebeu, estamos na biblioteca. Peço que respeite as outras pessoas — disse tranquilamente, ponderando as palavras.
Ele tomou impulso e, pegando em minha mão, me puxou, erguendo meu corpo e me conduziu até o lado de fora. Eu o deixei me guiar sem me opor, enquanto segurava o riso. Estava curiosa para entender sua raiva.
— Pronto — disse, me soltando de sua mão. — Poderia agora me explicar o motivo de sua indignação?
— Você — respondeu, respirando fundo.
Parecia controlar a raiva para manter a cordialidade.
— Eu?! — Por aquelas palavras tão diretas eu não esperava. — O que eu te fiz?
— Acha mesmo que vai conseguir ser melhor do que eu? — Continuou ele.
Acho que o orgulho de alguém havia se ferido por minha causa.
— Não acho… Eu sou — afirmei tranquilamente. — Ou você acha que é alguém supremo e intocável? Você é somente um garoto mimado que quer ser o centro das atenções.
O confrontei de forma direta e sem medir as palavras.
Ele se mostrou paralisado com tudo o que ouviu. Alguns segundos de reflexão em silêncio, até que ele se virou, tomando impulso para se afastar de mim. O observei seguindo em direção ao fundo do corredor. Achei estranho a primeiro momento, talvez, por se tratar de Akashi Seijuro, eu esperava uma resposta à altura e ainda mais arrogante, porém seu silêncio me deixou mais perplexa ainda.
Com o passar das semanas, continuei dedicando parte do meu dia aos estudos e a outra parte ao clube de leitura. Com o auxílio das minhas notas, consegui até mesmo a nomeação de vice-presidente do clube. Nossas tardes de leitura eram silenciosas e pacatas, algumas vezes tediosas, entretanto, fui surpreendida com a aparição de um novo integrante: o próprio…
— Akashi?! — sussurrei, ao vê-lo entrar com o presidente do clube.
Não acreditava no que estava presenciando.
Seria aquilo uma declaração de guerra?
Me reservei a não soar nenhum comentário sobre aquilo, apenas o observei nos dias seguintes. Quanto mais eu pensava sobre a possibilidade de ele estar tramando algo para revanche, mais eu percebia que nossos embates estavam sendo ao estilo guerra fria. Intensos e silenciosos. O que me levou a dar o troco e entrar para o clube de música e revelar meu sutil talento para dedilhar as teclas de um piano. Além, claro, de finalmente chegar à sua mina de ouro, o time de basquete. Sendo aceita pelo treinador como assistente, já que ele havia invadido meu espaço, faria o mesmo com ele.
Nossa guerra me divertia de certa forma. Quanto mais eu o ignorava, mais ele se fazia presente nos lugares em que eu estava, querendo sempre demonstrar perfeição nas coisas que fazia para enfatizar sua superioridade. Até que chegou o dia em que acidentalmente ficamos presos na quadra. Eu me distraí, organizando os armários da sala do diretor, concentrada em delimitar os espaços de cada documentação que se misturavam aos instrumentos do esporte. Na falta de percepção, todos foram embora sem que eu percebesse, enquanto ele havia permanecido até mais tarde praticando, o que não era novidade.
— Não acredito — sussurrei, assim que ele tentou pela terceira vez abrir a porta usando de força.
— Vamos ter que esperar — disse ele, ao se afastar da porta. — Já que as outras entradas também estão trancadas.
— Meu celular está sem bateria, use o seu para pedir ajuda — sugeri a estratégia mais óbvia.
— Está sem sinal. — Akashi checou a tela do celular.
Em instantes, ouvimos um barulho forte de trovão que me fez encolher no susto. Não gostava de chuvas e nem dos barulhos que ela trazia consigo, tinha alguns traumas de infância de uma viagem de férias mal planejada dos meus pais. De forma inesperada, Akashi me abraçou com carinho, não parecia o mesmo tirano que debatia comigo nas aulas de história e política, menos ainda o Imperador das Quadras que não tinha piedade dos seus adversários.
Seu gesto me fez sentir meu coração acelerar, e minhas pernas bambearem de leve pelo aroma do seu perfume. Por um momento, me perguntei como ele poderia cheirar tão bem após um treino desgastante, até que notei seu cabelo molhado, certamente havia tomado uma ducha no vestiário. Ficamos um longo tempo abraçados, até que ele se afastou e, pegando uma bola que estava próxima, me entregou.
— O que… — O olhei confusa.
— Vamos jogar — sugeriu ele, me interrompendo. — Quero te distrair, percebi que você não gosta de chuva.
— Confesso que tenho receio do que as chuvas podem causar. — Me encolhi novamente, ouvindo outro trovão. Não gostava mesmo daquele barulho.
Ele se aproximou e, pegando em minha mão, me puxou para perto da cesta, me incentivando a lançar a bola, porém era péssima em esportes, estava ali meu ponto fraco, não me dava bem com nenhum que exigia esforço físico de mim. Minhas notas em educação física eram sustentadas pela parte teórica das aulas e minha sutil simpatia que amolecia o coração do professor.
— Eu te mostro como funciona — disse Akashi, ao se colocar atrás de mim e tocar suavemente em minhas mãos. — Você precisa apenas manter o foco no alvo.
Com toda paciência, ele me ensinou a postura correta para lançar a bola e como deveria fixar meus pés no chão com precisão. Ao tomar impulso, arremessamos a bola juntos, a fazendo cair precisamente dentro da cesta.
— Parabéns, acabou de fazer sua primeira cesta. — Ele sorriu de canto, bem discreto e singelo. — O que achou?
Aquele sorriso não era o mesmo prepotente de sempre, era mais suave e sereno, o que fez meu coração pulsar ainda mais forte.
— Talvez, de longe, posso pensar em concordar com você — disse, indo pegar a bola.
— Concordar com o quê? — indagou ele, confuso.
— Que você é mesmo o imperador das quadras. — Sorri, jogando a bola para ele.
Akashi sorriu de volta com mais evidência, um sorriso de canto incomum, em seguida, começou a me explicar alguns fundamentos do basquete, me ensinando algumas jogadas básicas e passos padrão mais fáceis para iniciantes. Aquele era um lado dele que não esperava ver. De repente, após um pulo que ele deu para enterrar a bola, uma chave saltou de seu bolso, percebi que era a chave da quadra. Eu a peguei de imediato, voltei meu olhar para ele, demonstrando estar decepcionada, então me virei e segui até a porta.
Saí de imediato, não me importando com a chuva. O ouvi gritar meu nome ao longe, mas não me importei e continuei caminhando sem direção e debaixo da chuva. Senti algumas lágrimas escorrerem por meu rosto, se misturando aos pingos de chuva que caíam em mim. Sem planejamento e apenas querendo esvaziar minha mente do que tinha acontecido na quadra, comecei a correr. Apenas desejei me afastar ao máximo dali, até que senti uma mão segurar a minha e me fazer parar.
— , me desculpe — disse ele, num tom firme. — Essa era a única forma de te mostrar.
— Mostrar o quê? Que é absoluto? Que sempre consegue o que quer? — Me soltei dele, extravasando a minha revolta e virei para encará-lo.
— Não — respondeu, seu olhar parecia sincero. — É a única forma de mostrar que estou apaixonado por você.
Ele tomou impulso e me deu um leve e singelo selinho, talvez estivesse tão ou mais envergonhado do que eu. Contudo, ao toque de nossos lábios, o selinho se transformou em um beijo real, sólido e profundo, que me arrepiou o corpo sem a menor dificuldade. Uma pausa de silêncio, com ele mantendo seu rosto bem próximo ao meu, o que me permitia sentir sua respiração. Mantive meus olhos fechados a todo momento, tentando absorver o que nos acontecia e não surtar internamente.
— Sente meu coração. — Ele pegou minha mão e colocou na altura do seu tórax, falando em um tom baixo e relativamente envolvente. — A última vez que ele acelerou desta forma foi minutos antes da minha mãe morrer, quando estava tocando para ela. Agora, toda vez que a vejo, meu coração fica assim.
Aquilo me deixou sem palavras e estática…
Era surpreendente saber que eu tinha conquistado seu coração…
No final, era tudo o que mais desejava!
"Houve um evento que me fez feliz hoje o momento quando
Te conheci e o fato de que eu sabia que tinha alguém para amar."
— Creating Love / 4minute (Personal Taste OST)
“Aparências: Costumamos julgar um livro pela capa, mas, quando abrimos para ler, nem sempre é o que pensávamos ser. Por isso, a primeira impressão nem sempre é a definitiva.”
