Revisada por: Lightyear 💫
Finalizada em: 13/07/2025Entretanto, ela superou todas as outras. Aquela noona era diferente, e por trás da máscara de forte e independente, existia uma sensível e delicada mulher.
Visto por todos como um garoto travesso e cheio de graça, tudo era sinônimo de diversão para mim. Nos tempos de escola, sempre que aparecia uma oportunidade, jogava meu charme para as noonas das séries superiores e para as professoras mais bonitas. Cheguei até mesmo a marcar um encontro com a noona da biblioteca. Era divertido vê-las se sentindo mais poderosas por terem um colegial interessado, mulheres são previsíveis em certos momentos.
O motivo de muitas lágrimas das professoras quando me formei.
Com certeza jamais encontrariam um aluno como eu. Dedicado, educado, gentil e charmoso também. Contudo, em meu futuro, tinha preocupações maiores, que iam além de seduzir noonas, tinha que dividir meu dia entre a universidade de administração e um estágio na empresa multinacional da família, a Lotte Co., Ltd., sempre lembrada por sua subsidiária Lotte Duty Free. Nossa empresa, sendo administrada pelo tio Hong, que era o CEO desde que meu pai morreu de acidente aéreo em uma viagem de negócios. E mesmo com o título de filho de um dos donos, ahjussi Hong me forçou a aceitar a ideia de iniciar minha carreira profissional como estagiário do setor de marketing da empresa. Trabalharia com uma grande equipe, e seria um completo subordinado.
Quanto a isso, eu não me importei de início.
Era óbvio que teria que entender muito bem o andamento de cada setor da empresa, para um dia administrá-la. E, de acordo com minha omma, o setor de marketing é o mais responsável entre todos, por carregar o peso de zelar e levar a imagem da Lotte para o mundo. Justamente neste setor, que se trabalhava a pessoa mais dedicada, detalhista, organizada e perfeccionista da empresa.
A diretora-geral de marketing.
Era segunda de manhã.
Estava de férias da universidade, então, pela brilhante ideia da minha mãe, iria prosseguir com meu estágio em período integral na empresa durante aquele período, e para minha infelicidade, aquele era meu primeiro dia. Não estava muito animado, pois queria muito continuar na cama, não sair de casa na primeira manhã de férias. Afinal, era início do verão e tinha tantos planos para a ilha Jeju, que foram propositalmente frustrados com essa nova realidade. Me levantei da cama, senti as cobertas me puxando para mais algumas horas de sono tranquilo. Resisti bravamente! A passos lentos até o banheiro, já tirando o pijama pelo caminho. Uma ducha fria para acordar meu corpo, que insistia em pensar que estava deitado. Havia me esquecido de como era preguiçoso quando se tratava de acordar cedo. Saí do banheiro com a toalha enrolada na cintura e secando meu cabelo com outra toalha.
— Está faltando roupa para você, criança? — disse a ajumma, que cuidava da casa, que me olhou com desdém e se virou, terminando de arrumar minha cama.
— O que foi? — Olhei-a segurando o riso, e caminhei sinuosamente em sua direção. — Meu abs te deixa atraída, ajumma?
— Ah, por favor. — Soltou uma gargalhada maldosa e bateu forte em meu braço. — Pare de brincadeira de criança, se fosse meu filho, apanharia o dia todo.
— Ajumma, você já me bate o dia todo — brinquei, a agarrando de leve, envolvendo meus braços na cintura dela — Ajumma quando você vai deixar seu marido e se casar comigo?
— Deixe de brincadeiras, criança. — Um tapinha suave em minhas mãos para se soltar de mim, então, bateu novamente em meu ombro. — Tenho idade para ser sua mãe, agora vá colocar sua roupa, hoje é seu primeiro dia na empresa.
— As mais velhas são as melhores, ajumma — brinquei rindo alto, indo em direção ao closet para me vestir — Eu ainda me caso com uma noona!
— Se continuar agindo como uma criança, jamais terá uma noona — disse rindo.
— Mesmo agindo como um adulto, você sempre me chama de criança. — Vesti a camisa, lembrando-me de todas às vezes que ajumma me chamava assim.
Ajumma Yuri era a pessoa que mais me compreendia e me defendia. Ao longo dos anos trabalhando em nossa casa, havia ajudado minha mãe a me criar. E, graças a ajumma, eu havia superado a morte do meu pai. A tinha como minha segunda mãe, e suas opiniões quanto ao meu futuro sempre contavam. Seu carinho por mim era sempre o mesmo e eu gostava quando me chamava de criança, mesmo eu já tendo 20 anos.
Quando saí do closet, ela já tinha terminado de arrumar tudo e não estava mais no quarto. Uma olhada de relance no espelho do closet, ajeitei a gravata que tinha ganhado de ajumma no Natal passado, peguei minha mochila e saí. Desci as escadas deslizando pelo corrimão como de costume, aquilo irritava as duas senhoras da minha vida. Porém, era tão divertido que não me importava com os riscos e xingamentos posteriores. Uma coisa boa de tudo aquilo? O presente de estímulo do tio Hong, uma Mercedes E-Class preta. Enfim, não teria mais que pegar o carro da minha mãe emprestado. O dia estava começando a ficar bom, entrei no carro e liguei o motor, senti até um frio na barriga, tinha o batizado com o nome Sakura em homenagem ao anime Naruto.
Antes de chegar na sede da empresa aqui em Seoul, resolvi tomar café com meus amigos Jinki e Taemin na Cafeteria Coffee House; a namorada de Jinki era a dona.
— Uau, isso é que é vida. — disse Taemin, ao me ver saindo do carro.
— O que acharam da Sakura? — disse a eles, com um sorriso de satisfação.
— Uahhh, linda. — Jinki se aproximou do carro com seus olhos brilhando. — Quero emprestada depois.
— A Sakura é minha primeira, primogênita. — eu o olhei. — Não sei se meu coração irá me permitir te emprestar.
— Yah, deixe de ser ganancioso, compartilhe a Sakura com os amigos. — reclamou Jinki.
— Ok. — ri de leve da cara de criança abandonada dele…
Liguei o alarme de Sakura e entrei na cafeteria com eles.
Ambos iriam estagiar na empresa comigo, Jinki ficaria no setor de TI graças ao seu curso de engenharia da computação, e Taemin ficaria no setor de logística. Era louco termos decidido por áreas bem diferentes, afinal, em nossa infância tínhamos combinado de montar uma banda, e no colegial, uma empresa de games. Assim que sentamos em uma mesa bem ao lado da vidraçaria principal, Jenie, a namorada estrangeira de Jinki, se aproximou nos cumprimentando.
— Estou feliz que estejam prestigiando a Coffee House — disse, com um sorriso largo.
— Sim, o melhor café da região — concordamos em coral, dizendo o slogan da cafeteria.
— Oh, que fofo! — ela sorriu com brilho nos olhos. — Vou mandar trazer o café de vocês.
— Komawo, baby — disse Jinki, fazendo um coração com os dedos da mão para ela.
— Agradecemos muito, Jenie — concordei, voltando o olhar para a rua.
Jenie já conhecia nossos gostos para comida.
E aquela não era a primeira vez que frequentávamos sua cafeteria. Após alguns minutos, a atendente trouxe nossa refeição. Para Taemin, um cappuccino italiano e croissant de queijo; para Jinki, um expresso descafeinado e tortinha de frango; para mim, um expresso com chantilly e bolo de morango com calda de chocolate. Jen tinha um ótimo dom para a confeitaria, ela havia se especializado nas melhores escolas da França. Ficamos um bom tempo conversando enquanto comíamos, nos entretemos tanto que acabamos perdendo a hora de entrada. Resultado? Atrasados logo no primeiro dia. Inicialmente era divertido ir contra as regras, mas no final sabíamos que a repreensão seria de alguma forma não muito boa, porém, valia a pena a travessura.
Após passar os andares de Taemin e Jinki…
O elevador parou no meu andar, saí correndo pelos corredores. Tinha ido umas três vezes naquele edifício, era muito. O novo prédio da Lotte era ainda maior e mais tecnológico, moderno e bonito que o antigo, e eu não sabia onde ficava nada. Após alguns minutos entrando em salas erradas, finalmente cheguei ao lugar que tanto se escondia dos meus olhos. A divisão de marketing ocupava metade do andar, e isso me fez perceber que eu tinha corrido para a direção errada. Entrei pela porta e todos os olhares se voltaram para mim; aquilo foi um pouco constrangedor. Havia várias mesas redondas espalhadas pelo ambiente e, além das estações de trabalho de cada funcionário do setor, ao lado da porta de entrada, tinha uma escada que dava para alguma sala importante no mezanino e, no fundo, estava a sala com divisórias de vidro e grandes persianas. De longe, dava para perceber a organização; pertencia à pessoa responsável pelo departamento de marketing.
Ajeitei minha mochila nas costas e dei mais alguns passos para dentro da sala fechando a porta, logo um hyung veio em minha direção.
— Oh, você deve ser o novo estagiário. — supôs com um largo sorriso. — Estávamos mesmo precisando de mais alguém para nos ajudar.
— Sim, sou eu — assenti olhando algumas noonas sorrindo para mim.
— Pode me chamar de hyung, eu sou responsável pelo marketing do setor de alimentos. — continuou, ao me empurrar de leve para frente. — Venha, vamos conhecer o pessoal.
— Ah, sim. — sorri meio constrangido pelo atraso, tentando ser mais corajoso com a animação do hyung.
— Bem, esta é Sora, nossa querida responsável pelo marketing do setor de compras do nosso conglomerado.
— Annyeonghaseyo, noona. — Curvei-me de leve, em cumprimento.
— Oh, um dongsaeng de estagiário, estou surpresa. — Sora era morena com cabelos lisos num corte chanel, tinha as bochechas meio rosadas e os lábios com um pouco de gloss, estava com um vestido florido um pouco curto, mas delicado. — Mas o que seria setor de compras? — perguntei, inocentemente.
— Ah, eu cuido da imagem das empresas do setor de compras… Em resumo, as lojas de departamento. — Ela sorriu de leve, meio tímida, colocando sua mão direita sobre o braço esquerdo. — Como a famosa Lotte Duty Free e o Lotte Shopping.
— Hum — refleti um pouco, estava começando a ver que não sabia nada sobre o conglomerado da minha família.
— Olá dongsaeng, eu sou a Ye Eun, noona do setor de entretenimento. — Apresentou-se a outra noona, me puxando de leve e me dando um beijo no rosto, paralisei naquele momento, era um tanto ousada. — Cuido do marketing de empresas como a Lotte Entertainment.
— Uau, deve ser legal. — Curvei-me novamente, segurando a timidez momentânea. — Não ligue para as apresentações de Ye Eun, ela é assim com todos. — Outra mulher se aproximou com algumas pastas na mão, se vestia mais formalmente. — Eu sou a Mi Nyu, eu cuido do marketing das empresas de finança e habitação como o Lotte Cartão e a Lotte Castelo High Rise Apartment Complex.
— Prazer noona. — Curvei-me também.
— Yah, garotas — disse outra noona se aproximando de nós, seu estilo era mais despojado e esportivo. — Deixem o estagiário respirar — riu. — Eu sou Seoyun, cuido do marketing dos parques de diversão.
— Annyeonghaseyo, noona — Em cumprimento, essa parecia ser mais descolada do que as outras, tinha os cabelos vermelhos e meio bagunçados, estava com uma blusa regata que permitia ver sua tatuagem de meia-lua no ombro direito.
— Você já deve estar ficando louco com tanta noona aqui — disse outro hyung, que vestia um terno cinza. — Eu sou Junseo, seu hyung que cuida do marketing dos hotéis, qualquer dúvida, pode me perguntar, sei de tudo que se passa no setor de marketing.
— Deixe de mentiras, Junseo — brincou Hwang hyung. — Nunca sabemos até que seja apresentado nas reuniões.
— Yah, eu tenho prestígio aqui, sabia — reclamou e deu de ombros, voltando para sua mesa.
— E este é Jongho, seu hyung do marketing das empresas de Trade, TI e eletrônica e aluguel de carros — continuou Hwang.
— Uau, muita coisa para um hyung só — disse, meio admirado.
— Que isso — Jongho riu. — Com o tempo nos acostumamos, são setores novos na empresa.
— Interessante, não imaginava que o conglomerado Lotte tinha tantos setores assim, estou impressionado — confessei.
— Ah, mas falta mais um — disse a noona Ye Eun.
— Quem? — perguntei, curioso.
No mesmo instante, todos apontaram para a sala do diretor. Acompanhei com meu olhar e vi duas pessoas conversando: um homem com um jaleco branco e uma mulher que estava de costas.
— Hum, a noona é do próximo setor? — perguntei, inocente.
— Oh, não — Seoyun riu, indo para uma mesa redonda que estava cheia de papéis espalhados em cima. — Aquela é a nossa chefe, diretora-geral de marketing.
— E acho melhor eu voltar para minha mesa antes que ela olhe para trás e nos veja aqui. — Sora se afastou, indo para sua estação de trabalho.
— Concordo. — Jongho se afastou também, indo para a porta. — Mi Nyu está indo a algum lugar com estas pastas?
— Sim, estou indo ao departamento de finanças, preciso passar estas planilhas de custos para o próximo evento de marketing do meu setor.
— Ah, eu vou com você, preciso passar no RH — explicou, acompanhando-a.
— Mas, então, Hwang hyung, quem é o hyung que está lá com a diretora? — indaguei, voltando ao assunto.
— Aquele é o sonhador HeeSong, o hyung do marketing pesado — respondeu.
— Sonhador? Marketing pesado? — Peguei-me confuso.
— Sonhador porque ele é apaixonado pela diretora e tem esperanças de conquistá-la. — Hwang virou de costas para o fundo da sala. — Nossa chefe é um tanto intocável.
— Oh, espero que ele consiga.v — Acho pouco provável, ela é muito inacessível, por assim dizer — ele riu. — Mas com relação ao marketing pesado, ele cuida do setor de empresas de produtos químicos, construção e máquinas.
— Uau, interessante. — Olhei para a porta da sala da diretora e ambos estavam saindo. — E eu vou conseguir me lembrar de todos esses setores amanhã?
Saiu num sussurro.
— Na hora da pressão, você vai — brincou com seriedade.
— Então eu espero seu relatório amanhã de manhã — disse a diretora ao HeeSong, olhando alguns papéis que estavam dentro da pasta que estava em suas mãos.
Sua voz era firme e um pouco seca para uma mulher, sua face séria, boa postura, seu olhar era profundo e enigmático, possuía uma aura de superioridade e poder incomum.
Nunca havia visto uma noona como ela.
— Venha, vou te apresentar — disse Hwang, ao ver HeeSong se afastando.
— Sim. — O segui em silêncio.
— Diretora sunbae — disse num tom respeitoso, e lendo meu nome no crachá. — Este é , nosso novo estagiário.
— Está atrasado. — A repreensão soou, permaneceu com sua atenção nos papéis.
— Oh, me desculpe. — Curvei-me de leve, em choque — Não vai acontecer novamente.
Pela primeira vez, estava me sentindo intimidado por uma noona, e a conhecia em menos de dois minutos.
— Assim espero. — Ao levantar o rosto, direcionando a atenção para mim, me olhou no fundo dos meus olhos — Estagiários também devem ser pontuais.
Aquele olhar bateu tão fundo dentro de mim, que senti minhas pernas bambearem.
Quem era aquela noona intocável e inacessível que estava fazendo meu coração acelerar com um simples olhar de desprezo e superioridade?
De todas as noonas que eu havia conhecido até aquele momento, ela havia sido a única que conseguiu despertar todos os meus sentidos…
Sem o menor esforço.
“Noona, você é tão linda
(Olhando para você eu)
enlouqueço
(Mas estou me cansando)
Mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez.”
- Noona Is So Pretty (Replay) / SHINee
(Olhando para você eu)
enlouqueço
(Mas estou me cansando)
Mais uma vez, mais uma vez, mais uma vez.”
- Noona Is So Pretty (Replay) / SHINee


