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Revisada por: Lightyear 💫

Última Atualização: 20/07/2025

não era o tipo de pessoa que chamava atenção no escritório. Camiseta longa, cabelo preso em um coque bagunçado e os fones sempre no ouvido — como se aquilo a blindasse do mundo real. E talvez blindasse mesmo.
Em seu próprio mundo, o som que importava era o de granadas virtuais estourando distantemente e o clique certeiro de uma sniper sendo carregada. No teclado, era letal. No café da empresa, invisível.
A proposta havia chegado até ela na semana anterior: trabalhar como desenvolvedora na nova expansão de Warzone Eclipse, o FPS mais jogado do mundo — e o mesmo em que, há anos, ela dominava os rankings sob o codinome . Nunca mostrou o rosto. Nunca revelou o gênero. Apenas jogava. E vencia.
Hoje, tudo mudava.

— A nova equipe de desenvolvimento vai se reunir com os pro-players para uma sessão de feedback presencial — disse o chefe, batendo na porta de vidro da sala de . Ela tirou os fones devagar. — Incluindo o . Você provavelmente o conhece pelo nickname: Rage.

O nome fez seu estômago revirar.
. Rage. O arrogante. O imbatível. O único que nunca conseguiu vencê-la.

🎮💻

entrou na sala de conferência carregando seu notebook como escudo. Com uma mesa retangular no centro, janelas de vidro, o local estava tomado por vozes animadas, e, no fundo, sentado de pernas cruzadas com um copo de café na mão, estava ele.
era ainda mais bonito pessoalmente. E mais convencido também, julgando pelo sorriso que lançou quando percebeu que todas as atenções estavam nele.

— E aí, pessoal? Prontos para ouvir umas verdades?

A programadora sentou-se na ponta oposta da mesa. O olhar dele encontrou o dela por um segundo. Um segundo longo demais.

— Você é dev também? — perguntou, curioso.
— Sim — respondeu, seca. E torceu para que sua voz não entregasse nada.
— Legal. Só espero que ninguém aqui tenha trabalhado naquele código da sniper bugada do último patch. Quase me fez perder uma final.

ergueu uma sobrancelha.

— Talvez o problema tenha sido sua mira.

O silêncio caiu por um instante. E depois, uma gargalhada saiu entre os lábios de .

— Gostei de você. — Seus lábios se moldaram em um sorriso.

A mulher focou em abrir em seu computador o que fosse necessário para apresentar na reunião, a todo momento sentia o olhar de sobre si, mas não queria dar a ele o gostinho de corresponder às suas olhadas.

, você poderia nos apresentar o que foi feito até agora? — Após alguns minutos de reunião, o chefe lhe perguntou.
— Agora mesmo. — Apertou um botão em seu teclado, fazendo com que sua apresentação fosse exibida na TV da sala de reuniões.

Ao colocar-se em pé, teve vontade de passar as mãos pelos fios, tentando ajeitá-los. Ainda assim, caminhou, sob os olhares de todos; no entanto, o de a incomodava mais.
Com calma explicou o que ela e a equipe desenvolviam há semanas. Eram dias e noites de trabalho árduo, mas, vendo a expressão no rosto de seu chefe enquanto falava, entendia que se encontrava no caminho certo.

— Tenho uma dúvida.

A mão de se ergueu durante uma fala e engoliu seco, o fitou por longos segundos, trocando olhares sugestivos com o rapaz, querendo xingá-lo.
Arrogante, filha da… tentou controlar seus pensamentos.

— Sim?
— Os gráficos, não tem como eles serem um pouco melhores, já que estamos com um alto investimento?

Estamos? Que caralho?
Direcionou seu olhar até o seu chefe, que pigarreou e levantou-se, indo até ela.

— Podemos.
— Vou melhorar isso hoje mesmo. — deu o seu melhor sorriso fechado, era o máximo que ela conseguiria fazer na frente de .

E novamente trocaram olhares que durou um pouco mais do que ela desejava.

A reunião terminou minutos depois, não demorou em juntar as suas coisas e sair em disparada até a porta. Seu coração batia forte, e ela queria socar aquele... belo rosto de . Quebrar os belos dentes dele e nocauteá-lo no chão.

!

Fechou os olhos ao ouvir alguém lhe chamar, pois sabia quem era. Se virou ao abri-los e segurou o notebook mais fortemente contra seu peito.

— Falei algo que te ofendeu lá na sala de reuniões?
— Você se preocupa com o sentimento dos outros agora, ?

As sobrancelhas do rapaz se juntaram e ele deu um passo à frente. A programadora pôde sentir o perfume do rapaz e aquilo lhe provocou um arrepio na nuca.

— Se eu estou perguntando é porque me preocupo, não acha?
— Já percebeu que as coisas têm que ser do jeito que você quer, como você gosta, e só da sua forma é o certo e perfeito?

piscou algumas vezes depois de falar e olhou para o lado.

— Preciso ir. Tenho que refazer todos os códigos para melhorar os gráficos, Era ridículo o tanto que ele cheirava bem, o quanto qualquer roupa ficava estilosa nele e em como ele parecia ser inteligente e galanteador. Em passos ligeiros e pisando firme, chegou à sua sala e fechou a porta. Deixou o notebook em cima da mesa.
— Idiota!

No elevador, mais tarde naquele dia, encostou a testa fria contra o metal: “Você é dev também?”, a voz dele ecoava na cabeça dela. A arrogância estava lá, mas também uma curiosidade sincera. não fazia ideia de quem ela era.
E isso era bom. Por enquanto.
Com um prato em mãos, e uma fatia requentada de pizza nele, sentou-se em sua bancada, ligando o PC com um toque e seus dedos correram pelo teclado depois de deixar a comida.
Login: .
O lobby do jogo se abriu com o brilho familiar de mapas noturnos e armas letais. Mensagens pulavam no chat:
[Rage entrou na sala]
Ela mordeu o lábio inferior de leve.
Como sempre, ele entrou. Como sempre, ele a desafiava. Mas hoje… ela sabia quem ele era. Hoje, cada provocação no chat vinha com uma imagem.
| Rage: Hoje eu te derrubo, .
| : Você não acerta nem se eu ficar parada.
| Rage: Desafio aceito. Um contra um?
Hesitou em aceitar por uma fração de segundo. Sabia que estava brincando com fogo. Mas digitou:
| : Sala privada. 7942.

Os tiros começaram. As esquinas, becos, armadilhas mentais — tudo era um jogo de dança. Rage era agressivo, impaciente. Ela, calculista. Precisa. Invisível até o momento do disparo final.
Score final: 15 a 11. vence.
| Rage: Eu preciso saber quem você é.
Sem pensar duas vezes, desligou o chat. Encostou-se na cadeira e fechou os olhos. Ele já sabia. Não o nome, mas sabia que ela era o obstáculo que ele não podia ignorar.
E, no dia seguinte, ele estaria de novo na empresa, sentado a poucos metros dela, sem saber que a mulher que desafiava seu trono todas as noites era a mesma que dividia a mesa de trabalho.


Continua...


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Nota da autora: Sem nota.

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