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Longfic

She’s Thunderstorms

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Capítulo 1

Fantasmas da tempestade

“Eu vejo o sol nascer
E tudo o que você vê é ele cair”

See The Sun — The Kooks


A tempestade chegou após o pôr do sol, quando o último resquício de luz já havia sangrado sobre o Mar Estreito. Uma galé batizada de Tempestade do Mar a trouxera de Pedraverde, como se Robert não pudesse resistir a mais uma piada às suas custas. Stannis Baratheon não acreditava em presságios — ainda assim, não estava nada contente. Nascera em Ponta Tempestade, fora criado nas Terras da Tempestade, e uma tempestade havia reivindicado seus pais quando ele era jovem; não precisava de outra entregue à sua porta.
Mas era de Robert Baratheon que estávamos falando, afinal de contas — e o homem sempre fizera do mundo um bordel onde apenas ele se divertia.
Não muito tempo depois do fim da guerra a qual passaram a chamar de “Rebelião de Robert” — quando o reino ainda cheirava vagamente a fumaça, e as antigas lealdades ainda não haviam se assentado completamente sob novos estandartes —, Lorde Stannis vagava sozinho pelos corredores escuros de Pedra do Dragão. A fortaleza insular pertencera à Casa Targaryen por séculos, e ainda parecia pertencer.
A pedra negra erguia-se ao redor dele em escamas e arcos irregulares esculpidos direto no Monte Dragão. Gárgulas e dragões talhados sobre cada portal vigiavam como se as próprias paredes se recusassem a esquecer do que um dia representaram. Pedra do Dragão não se rendia com facilidade. Ela remoía. Se lembrava. Lá embaixo, o mar se chocava contra os penhascos em um ritmo implacável, como se testasse a paciência da ilha e de quem nela agora vivia.
Quando Robert se tornara rei, havia entregado Ponta Tempestade a seu irmão mais novo. A Renly, quando fora Stannis que mantivera o lar da Casa Baratheon intocado durante o duro cerco que os Tyrell e os Redwyne o impuseram. Em vez disso, Pedra do Dragão lhe fora entregue como se fosse um prêmio. Robert chamara aquilo de honra, um assento digno, um grande sinal de confiança ao seu irmão do meio. Stannis, porém, compreendia a verdade. Aquela pedra fumegante não era recompensa alguma. Era um exílio fantasiado de dever; Robert o punia.
O ar tinha gosto de sal e cinzas úmidas. Os archotes vacilavam ao longo das paredes, com as chamas se curvando sob correntes invisíveis. Havia um peso no castelo, como a quietude que se comprime contra a pele antes de uma tempestade se formar. Ainda não era trovão e nem relâmpago, apenas a promessa sufocante de tudo isso.
E como se não bastasse, Robert decidira enviar-lhe uma mulher, como se essa fosse a resposta para tudo, e não apenas mais uma tentativa de escárnio.
Seu nome era . Viúva. Sem filhos. Seis anos mais velha que ele. Uma prima distante de Cassana da Casa Estermont, a antiga Lady Baratheon, falecida mãe de Stannis. Enviada oficialmente, sob ordens do rei, para ajudar a supervisionar reparos — para suavizar arestas, deixar tudo em ordem e funcionando, trazer um pouco de cor à sombria Pedra do Dragão, tornar o lugar menos… dragões mortos, e mais pedra. Como se a pedra pudesse esquecer toda a sua história.
Stannis não conhecia Lady . Nem precisava. Conhecia bem o irmão mais velho e suas inclinações. Robert nunca fazia nada sem esconder um riso por trás. Haveria gracejos, sorrisos, comentários encharcados de vinho e insinuações pesadas; e, no fim de tudo, com certeza existiria alguma exigência dele, afinal, um rei podia exigir ainda mais do que um irmão. Apenas o pensamento já fazia o maxilar de Stannis se contrair. Estava grato por Robert não estar ali para testemunhar.
De uma das janelas estreitas voltadas para o porto, Stannis tinha observado o Tempestade do Mar chegar — velas frouxas sob um céu cinzento, o casco costurando a água escura. Não descera até lá para recebê-la; não havia razões plausíveis para isso. O dever exigia formalidade, não entusiasmo. E se ela teria que aguentar esse lugar tanto quanto ele aguentava, era melhor que já soubesse desde o primeiro momento que não haveria gracejos por parte dele.
O eco dos passos nos corredores ficou mais alto e mais pesado que os passos de um único servo, ritmados, acompanhados. A escolta a trazia até ele. Stannis cruzou as mãos atrás das costas e permaneceu no centro da câmara, rígido como um dos dragões esculpidos acima. Pedra do Dragão não acolhia com facilidade, e ele tampouco. Em algum lugar abaixo, o mar quebrou sobre as rochas outra vez — mais perto agora, mais alto —, e ela finalmente surgiu no fim do corredor.
Então, pela primeira vez desde que Robert colocara uma coroa sobre a própria cabeça, Stannis Baratheon sentiu algo se deslocar no ar quieto. Não era alívio, nem esperança. Era outra coisa. Algo carregado.
Estermont já havia passado por 25 dias de seu nome e, ainda assim, jamais vira um lugar tão magnífico, sombrio e estranho quanto Pedra do Dragão. Não que ela quisesse estar ali — afinal, quando o rei ordenava, mesmo que fosse uma prima distante que nunca o vira na vida, você era obrigada a obedecer —, porém, ao descer do Tempestade do Mar e ver apenas os guardas a esperando sob o manto da noite — e nenhum sinal do novo Lorde —, havia começado a aceitar. Quanto menos fingimento recebesse, menos precisaria fingir de volta. Preferia as coisas assim.
Mesmo do lado de dentro da fortaleza, seus olhos precisaram se ajustar à penumbra. Exceto pelo Mar Estreito inquieto abaixo, não se parecia em nada com Pedraverde e os corredores de sua infância. Estava acostumada com o ar salgado desde sempre, no entanto, tudo parecia diferente naquele lugar onde dragões um dia viveram e, agora, o silêncio só era quebrado pelo gemido do mar sob os penhascos. sentia como se estivesse entrando na barriga de alguma besta ancestral — e não apenas porque os salões e torres tinham forma de dragão. Sua respiração pesou e um arrepio percorreu-lhe o corpo. Ainda assim, ela gostou da sensação. Já suportara tanto sofrimento na vida… Não era um lugar fascinante, porém sombrio, que a tiraria dos eixos.
E então ela o viu. Lorde Stannis Baratheon, imóvel no centro da sala, uma silhueta esculpida em sombras e teimosia. A pouca luz iluminava a linha nítida de seu queixo, a ruga entre as sobrancelhas e a falta de um sorriso de boas-vindas.
— Lorde Stannis — cumprimentou-o, como a cortesia pedia.
— Lady — respondeu, a voz baixa e rouca, como pedra desgastada pelo mar. — Está atrasada.
Ele não deu um passo à frente, mas ela não se importou. Estava mesmo atrasada.
Parou apenas quando chegou a uma distância que não fosse nem imprópria e nem falta de respeito para com um Lorde. Mexeu de leve na capa, ainda salpicada pela maresia, e um lampejo de divertimento dançou em seus olhos sem ser convidado.
— As marés não obedecem aos comandos do rei nem de seus irmãos… E muito menos de uma mulher — acrescentou, com uma calma quase impossível. — Apenas os tolos navegam contra elas.
Stannis a observou — a postura dos ombros, o aço silencioso em seu olhar. Nenhuma reverência cheia de falsa doçura como ele esperara. Nenhum tremor diante da escuridão de Pedra do Dragão. Nenhuma hesitação diante de seu novo lorde taciturno.
— Hmpf. — Virou-se ligeiramente, gesticulando ao redor com um aceno rígido. — O castelo está completamente fora de ordem e úmido. Começaremos amanhã.
— E esta noite? — Ela arqueou a sobrancelha.
— Esta noite — disse secamente —, aprenderá a suportar.
Stannis Baratheon permanecia rígido, vestido de preto e sem sorrir, o maxilar cerrado, o olhar inflexível. Não havia acolhimento em sua expressão, nenhuma gentileza em suas feições. Era como se fosse um homem esculpido na própria pedra daquele lugar, desgastado por tempestades que já haviam passado e se preparando para as que ainda estavam por vir. Não parecia mais tão jovem quanto era.
— Não acredito que apenas uma única noite seja o suficiente para suportar — concluiu ela.
— Não — admitiu, o brilho trêmulo de um archote captando o reflexo de algo indecifrável em seus profundos olhos azuis. — Uma noite não será o suficiente. Nem para Pedra do Dragão aliviar o seu domínio sobre você… ou para que pare de sussurrar. — Deu um único passo à frente. — Mas não temos o luxo de escolher, temos? Os mortos não pedem a nossa permissão antes de nos assombrarem.
Um longo silêncio se estendeu entre eles — tenso, inquisitivo. não hesitou nem se encolheu, apenas permitiu que seu olhar se perdesse no fogo crepitante da lareira. No entanto, não abriu a boca para responder àquela verdade dura e cruel. Todo mundo tinha seus fantasmas. Ela tinha os dela, e sabia que Lorde Stannis também tinha os seus — já ouvira histórias sussurradas de como ele assistira enquanto o Orgulho dos Ventos era esmagado contra as rochas sob uma tempestade e seus pais Lorde Steffon e Lady Cassana eram engolidos pelas águas revoltas da Baía dos Naufrágios.
— Começarei com o trabalho pela manhã. Sua estadia será aqui, no Tambor de Pedra, em aposentos secos o suficiente e quentes em comparação com o resto. Isso não é pouca coisa por aqui. — Stannis virou-se para sair e parou, sem olhar para trás. — Se valoriza o descanso, é melhor dormir com uma vela acesa.
Aquilo causou um arrepio à nuca de , embora mantivesse a coluna ereta, como se nada a atingisse. Essa seria sua vida agora: um castelo de sombras, este homem feito de ferro e o silêncio como companhia, quando ela costumava ser um raio de sol em meio a nuvens carregadas. Mas isso foi quase em outra vida, antes de deixar a casa de sua infância para se casar com um homem mais velho. De qualquer modo, não havia suavidade por aqui, nem alegria e nem o calor pelo qual o rei Robert era conhecido.
Apenas os fantasmas da tempestade. Tanto os que viviam eternamente aqui, quanto Lorde Stannis e ela, os novos habitantes.
— Nós começaremos, você quer dizer — corrigiu antes que ele decidisse de fato se mover e a deixar sozinha. — Não sou uma serva. Seu irmão, o rei, me enviou aqui para ajudá-lo. As ordens de Sua Graça me diziam para trabalharmos juntos, meu lorde. — Lembrou-se de sua polidez ao tratá-lo por seu título como deveria ter feito desde o início.
Aquele homem podia ter apenas dezoito ou dezenove anos, enquanto ela era uma jovem viúva de 25, mas ele era agora o Lorde Baratheon de Pedra do Dragão. Merecia mais respeito.
Será que acabei de pisar em minha própria cova, se perguntou, ou será que talvez seja aqui que minha história realmente vai começar?
Ao menos ele havia arranjado para que os aposentos dela fossem no forte central, um lugar de importância, já que os aposentos próprios do lorde ficavam ali, assim como a quase lendária mesa pintada onde um dia Aegon, o Conquistador, planejou a conquista de Westeros ao lado de suas irmãs-esposas Rhaenys e Visenya. descobrira no caminho do porto até ali que Tambor de Pedra se chamava assim por causa dos poderosos sons causados pelos fortes ventos durante as tempestades. Não sabia se estava esperando para ouvi-los, ou preferia adiar ao máximo o possível. Já havia tempestades demais em sua vida sem buscar por elas.
Stannis enfim se virou para olhá-la.
— Nós — repetiu como quem testava se a lâmina de uma espada era cega ou mortal. A palavra soava estranha em sua língua. Havia carregado seus fardos sozinho por tempo demais para saber como compartilhá-los. — Sim. Nós. Embora tenha conhecido poucas pessoas que realmente quisessem dizer isso quando falavam.
Ele a estudou de verdade pela primeira vez. Não apenas uma mulher enviada pelas piadas de Robert ou pelo capricho do dever, mas alguém que enterrara um marido antes mesmo de começar a viver de fato. Uma pessoa que se mantinha firme em frente a uma tempestade de silêncio e sombras.
— Esse lugar irá lhe testar. Faz isso com todos. E eu não sou um anfitrião gentil — disse em voz baixa. — Mas se estiver disposta a suportar… então nós trabalharemos.
Com isso, deu um aceno quase imperceptível; algo grande para alguém como ele. Não era permissão. Era uma aliança.
O barulho do vento alcançou os ouvidos de , tamborilando nas paredes mesmo que uma tempestade ainda não tivesse se formado completamente.
— Não se preocupe, meu lorde, já ouvi sobre você antes — disse ela. — Sei que não devo esperar gentileza aqui.
Não havia nenhum tipo de julgamento em seu tom de voz. sabia como Stannis Baratheon mantivera Ponta Tempestade até o fim da Rebelião de Robert. Ele havia quase morrido de fome durante o cerco de quase um ano, mas sobrevivera sem ceder, e os lealistas não tomaram o castelo. Ela sabia também que ele dificilmente havia ficado feliz quando o rei entregou Ponta Tempestade a Lorde Renly, o irmão mais novo, depois de tudo o que ele havia passado para manter o lugar durante a guerra.
Stannis era um homem forte, isso ela tinha que reconhecer.
— Estou disposta a suportar, Lorde Stannis — garantiu, de cabeça erguida. — O castelo. O trabalho. Você.
Stannis estreitou os olhos com a última palavra. Uma palavra simples, quase descuidada. De alguma forma, porém, soara diferente. Verdadeira. Aquilo fez algo despontar dentro dele. Seria respeito? Confiança? Reconhecimento? Ele não tinha respostas para isso, e nem desejava ter. Estivera sozinho por muito tempo, e havia se acostumado. No entanto, houve uma mudança sutil em seu olhar.
— Você está disposto a me suportar? Porque teremos que coexistir aqui, como Sua Graça ordenou. — apontou ao redor, um tanto impressionada. — E este é um lugar grande e imponente, mas não o suficiente para nos manter separados.
Stannis cerrou os dentes até um músculo de sua bochecha tremer. Não era o significado das palavras que o incomodava — era a maneira como aquela mulher as pronunciava. Sem nenhum medo ou reverência. Como se ele não fosse o lorde e ela a convidada, e estivessem discutindo algo tão mundano como quantos anos aquele verão duraria. Mas havia verdade ali, era impossível negar. Eles teriam que coexistir, de fato, quer quisessem ou não.
— Considerarei o silêncio e o fato de não ter gritado comigo e nem me dispensado como um sim para a pergunta… — sorriu com polida educação pela primeira vez desde que desembarcou do navio — meu lorde.
Seus olhos se abriram apenas um pouquinho mais com a surpresa pela súbita mudança no comportamento de Estermont. Estava familiarizado com severidade e indiferença, não com sorrisos e gracejos. Mas havia algo genuíno na expressão da mulher, algo que lhe despertava a mais pequena curiosidade. Ele grunhiu em resposta, o som mais próximo de diversão que costumava ser capaz de emitir.
— Você é muito mais tolerável do que eu esperava, Lady .
— Chame-me apenas de , meu lorde. — Deu-lhe permissão. — E se eu fosse você, não acreditaria que sou tão tolerável assim. Estou cansada da viagem, é isso. Normalmente sou só alegria e bom humor. — Ela soltou uma risadinha. — Acho que não vai gostar nada disso.
Stannis estudou o rosto dela por um momento. Ainda que demonstrasse claro cansaço da viagem, seus olhos pareciam brilhar com algo a mais. E aquela pequena risada simplesmente não parecia fazer parte daquele castelo.
— Só alegria e bom humor? — Ergueu uma sobrancelha, cético. — Nesta ilha de melancolia e condenação? Duvido muito.
— Bem, esta “ilha de melancolia e condenação” precisa disso mais do que qualquer outro lugar nos Sete Reinos, suponho. — Ela deu de ombros.
— Hmpf. — O som saiu mais divertido do que deveria. — Ou você é mais corajosa do que parece, ou é uma tola. — Cruzou os braços sobre o peito. — Pedra do Dragão não precisa de alegria e bom humor. Precisa de força, resistência, determinação.
— Que bom que esta ilha tem você, então. — olhou para o chão. Também era forte, ainda que de uma maneira diferente. Ela havia enterrado um marido de quem gostava, mesmo sendo jovem. E mais. Muito mais. Levantou o olhar para o homem do outro lado da sala e o encarou de queixo erguido. — Um dia, Lorde Stannis, você descobrirá que possuo todas essas três qualidades que mencionou.
— Talvez. — Stannis sustentou o olhar dela por tanto tempo quanto podia, e o silêncio entre eles ficou carregado da primeira faísca de compreensão em uma noite longa e fria. — Mas não distribuo elogios levianamente, . Nem mesmo quando são merecidos. — Ele se virou para sair, mas hesitou antes de se afastar. — Só para constar… você já resistiu mais tempo neste lugar do que a maioria teria o feito a essa altura. Isso significa alguma coisa. — Olhou por cima do ombro, quase a contragosto, e acrescentou: — Prepare-se. O jantar será em breve.
— Estarei lá. — Ela subiu seu tom de voz, afinal, ele já se afastava. — E eu não preciso de elogios.
— Ótimo. — Ele parou, sem se voltar a ela. — Porque eu não lido com palavras bonitas, e nem você deveria. Não aqui. Não comigo.
Stannis, enfim, olhou para trás — apenas uma única vez — e captou o brilho daquele mesmo espírito inabalável nos olhos dela. Então prosseguiu e desapareceu na escuridão, as botas ecoando nas paredes de pedra como uma promessa inusitada. Pedra do Dragão continuava a mesma, como sempre, mas algo entre eles mudara desde o momento em que ela entrara naquela câmara, atrasada.
Estermont balançou a cabeça. Havia ali mais reconhecimento do que ela desejava. Mas talvez fosse melhor assim. Caminhou, então, pelos corredores como se já se sentisse em casa. Quando encontrou uma velha serva, pediu educadamente que ela a mostrasse onde exatamente dormiria — já que Stannis havia dispensado os servos quando ela chegou.
Fechou a porta e se voltou ao interior de seus novos aposentos quando foi deixada sozinha. O fogo crepitava fracamente na lareira, como se o próprio local se ressentisse da intrusão de calor ou de beleza. Era irônico demais que Pedra do Dragão parecesse tão fria quando literalmente havia fogo borbulhando nas profundezas do Monte Dragão.
olhou para as arcas que os criados haviam trazido até ali. Havia deixado a ilha de Estermonte às pressas — duas arcas e uma despedida de poucas palavras antes de tomar o Tempestade do Mar. Lorent, seu irmão, estivera à porta com aquele jeito dele de não dizer o que sentia enquanto dizia tudo com a postura. Tinha segurado a mão dela por alguns segundos a mais do que o necessário antes de soltar.
— Escreve logo — dissera apenas.
Ela prometera que escreveria. E o faria. Mas apenas quando tivesse algo de bom para escrever sobre.
Soltou um longo suspiro. Aquilo era tudo o que se mantinha presente de qualquer vida que vivera antes de Stannis Baratheon e Pedra do Dragão. Ela havia trazido algumas coisinhas das quais gostava e poucos vestidos — alguns bons, outros nem tanto. Seu bem mais precioso, no entanto, viajara pendurado no colar de prata enrolado em seu pescoço — o pingente que Alesander, seu falecido marido, lhe dera em um dia fatídico. O homem tinha quase quarenta dias do nome completos quando morreu, mas, apesar de tão mais velho, havia sido bom para ela.
soltou um longo e profundo suspiro. Gostaria de saber como seria ali, em Pedra do Dragão, com Stannis Baratheon e sua personalidade de aço. Ela não tinha vindo para se casar, porém tinha certeza de que o rei Robert exigiria algo assim uma hora ou outra; por que outro motivo teria enviado uma mulher para ajudar o seu irmão desse jeito? Sem contar que escolhera uma prima da mãe deles, uma que Lorde Stannis e seu senso de dever não poderiam negar.
Mas isso não importava. Dever era dever, e ela cumpriria seja lá o que lhe fosse exigido. Não viera buscando um casamento; apenas uma nova vida. E isso ela teria, do seu próprio jeitinho, como fizera em todos os seus 25 anos. Mas era fato que Stannis e ela coexistiriam ali quase como se fossem casados. E isso não seria simples.
— Malditos deuses! — grunhiu. — Estou enlouquecendo com as vozes na minha cabeça.
revirou os olhos e foi até a arca que continha as melhores de suas roupas. Abriu e escolheu um vestido bonito e decente para o jantar. Ela precisava trazer um pouco de cor para aquele lugar, afinal de contas.
Continua…
Nota da autora
Eu sinceramente nem acredito que esse dia chegou. Se tem uma coisa que eu N-U-N-C-A imaginei que escreveria era uma fanfic com STANNIS BARATHEON KKKKKKKKKKKK JURO
Como sempre, a culpa inicial é da Bea, e eu nem escondo. Mas a maior culpada sou eu que entro na onda mesmo. Ela me pedir uma fic com o Stannis foi algo que surgiu literalmente no meio de um podcast que a gente tava gravando do primeiro livro das Crônicas por causa de um trecho que lemos de descrição dele.
Aí podia ter ficado pra história, né, mas a doida aqui ficou matutanto uma ideia na cabeça, e assim nasceu ST, esse slow burn de milhões (porque é impossível fazer qualquer coisa que não seja um slow burn com esse homem que não cede!!!!11) hahahah
Enfim… vou calar a minha boquita por aqui. Espero que vocês tenham gostado desse início cheio de tempestades (quase nenhum literal). Deixem um comentariozinho pra essa maluca aqui saber que não é a única maluca (além da Bea) a surtar completamente do nada com alguém improvável assim.

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