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Revisada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 24/09/2025

fechou os olhos com força conforme o barulho foi aumentando gradativamente e adentrando o apartamento dela. A cabeça dela latejou um pouco, provavelmente pela raiva que a invadia naquele momento.
Faltava apenas a parte final do conto, e ela estava relativamente presa na escrita, travada, e o barulho de música alta vindo do vizinho só piorava as coisas dentro da cabeça dela. E aquela barulheira estava se tornando cada vez mais frequente nos corredores, mas o mais engraçado é que aquilo só parecia incomodar ela, os outros vizinhos achavam “normal”, ninguém havia reclamado no grupo do prédio sequer uma vez, só ela.
bufou alto e então se levantou da mesa, fechando o notebook com força e calçou as pantufas apressadamente enquanto resmungava. Pegou a chave do apartamento sobre o balcão e destrancou desajeitadamente a porta, a escorando logo que saiu para fora.
Caminhou em passos largos até chegar ao apartamento de número 206, ergueu a mão e, com a palma, bateu três vezes na porta com força, muita força. Precisava que ele ouvisse as batidas desesperadas dela.
Nada, apenas o som da batida eletrônica ecoando, fazendo a porta do apartamento vibrar. bufou alto mais uma vez, soltando um “Droga!”. Bateu de novo, depois de novo, e de novo.
Dois cliques e a porta foi aberta.
A porta se abriu lentamente, revelando a figura dele. piscou algumas vezes, quase esquecendo por um instante a raiva que trazia. O fone grande repousava no pescoço, os fios de cabelos negros caíam de forma bagunçada, mas de um jeito que parecia propositalmente estiloso. Ele vestia um moletom branco folgado, simples, mas que, de alguma forma, parecia feito sob medida para ele. O contraste entre o tecido claro e a pele levemente iluminada pelas luzes do apartamento o deixava ainda mais marcante.
Os olhos dele, escuros e ligeiramente puxados, a encararam com surpresa divertida, como se tivesse acabado de ser arrancado de um universo paralelo de batidas musicais para lidar com o mundo real. A boca entreaberta, como se fosse soltar alguma resposta irônica, só fez prender o ar por um instante.
Ela esperava qualquer coisa — um cara descabelado, talvez mais velho, talvez desleixado. Mas não aquilo. Não aquele rosto bonito de traços finos, misto de garoto rebelde e modelo de revista.
engoliu seco, sentindo o coração acelerar, e, por um segundo, se esqueceu até do motivo pelo qual estava ali. A irritação deu lugar a uma surpresa desconcertante, quase vergonhosa.
— …Você só pode estar de brincadeira — murmurou baixo, mas não sabia se falava do som alto ou da beleza inesperada que a deixou sem reação.
— Desculpe? — Ele se inclinou como se assim pudesse ouvi-la melhor, o som agora ainda mais alto com a porta do apartamento dele aberta fez as têmporas de saltarem.
— Você não tem nada mais interessante para fazer a essa hora do entardecer? São dezoito horas e isso não é hora de perturbar. Sabia?
cuspiu as palavras como se fossem labaredas de fogo e então cruzou os braços abaixo dos seios, na defensiva, mesmo que estivesse em modo de ataque.
— Desculpe, perturbar? Ah… — Ele estalou os dedos. — Você é a ? Que reclamou de mim para a síndica no grupo do prédio?
engoliu seco e logo firmou a postura diante dele, não queria e não iria fraquejar.
— Sou eu. E pretendo reclamar novamente se você não me deixar trabalhar.
— Se eu não te deixar trabalhar? Por acaso a senhorita está com as mãos ou pés amarrados? Ou eu, sei lá, a coloquei em cativeiro em um porão com água e bolacha de água e sal? — Foi a vez de ele cruzar os braços. — Porque, pelo que estou vendo, a senhorita está livre, leve e solta, prontinha para reclamar aqui na minha porta.
O calor que subiu pelo corpo de fez as têmporas dela latejarem ainda mais. Quem ele achava que era?
— O senhor está errado e ainda quer cantar de galo para cima de mim? — descruzou os braços, cerrando levemente os punhos.
— Meu nome é , senhorita . Senhor está no céu. Como eu posso ajudar?
— Desligando essa droga de som! Eu preciso terminar meu trabalho e com essa barulheira eu não consigo, . — O nome dele saiu engasgado de sua garganta, e se pôs a olhá-lo outra vez, involuntariamente.
Ela tentou manter o olhar duro, mas foi impossível não reparar no meio sorriso que se formou nos lábios dele, como se estivesse saboreando o fato de ouvir seu nome na boca dela. piscou rápido, desviando por um segundo para o chão, e odiou a si mesma por ter feito isso — por ceder espaço para qualquer reação que não fosse pura irritação.
Ele inclinou a cabeça de leve, os cabelos negros caindo sobre os olhos, e arqueou uma sobrancelha em provocação.
— Olha só… a senhorita até sabe ser educada. — Um riso baixo escapou da garganta dele. — Isso já é um começo.
cerrou os punhos, sentindo o calor subir pelo rosto.
— Não se ache, . — Reforçou o nome como se fosse uma arma, mas, no fundo, sabia que estava tentando convencer mais a si mesma do que a ele. — Uma trégua de trinta minutos, pode ser?
ergueu a mão na direção dele depois de ajeitar uma mecha de cabelo atrás da orelha.
— Vinte minutos, senhorita . Vinte minutos. — Ele ergueu a mão de volta, apertando a dela.
O toque foi firme, quente, mais demorado do que deveria ser. sentiu um arrepio subir pelo braço, como se o simples contato fosse perigoso demais, como se algo tivesse se acendido ali sem sua permissão.
Quando ele se afastou, ainda sorrindo satisfeito, retirou a mão rápido demais, tentando disfarçar o impacto.
— Vinte minutos — repetiu, quase para se lembrar do acordo, mas também para se convencer de que aquele aperto de mãos não tinha significado absolutamente nada.

💥💥💥


Ótimo, agora ela tinha exatos vinte minutos para terminar o conto sem a música voltar a invadir seu apartamento. Como ela faria isso? Não sabia, mas faria.
detestava desafios, mas sempre se saía muito bem quando desafiada. Mesmo que sua gastrite atacasse todas as vezes pelo estresse causado ao sair da zona de conforto.
E vinha fazendo isso desde que decidira fazer o que quer que fosse com aquelas músicas em alto e bom som ecoando todos os dias entre as quinze e as dezenove da noite.
Sim, havia decorado até os horários. E achava um absurdo ouvir música alta pelos corredores naquele horário. Aliás, em qualquer horário. Para ela, que trabalhava de casa, aquilo era inaceitável, e a perturbação vinha sendo sua fiel companheira desde então.
O síndico alegava que ela era a única que reclamava do barulho no corredor inteiro, entre todos os vizinhos do andar. E ela se perguntava como aquilo era possível… como ela poderia ser a única incomodada com aquele barulho irritante de música eletrônica. E era só música eletrônica, ele simplesmente não ouvia outro gênero de música.
— Por que ele não vai para uma rave? Eu hein! — bufou, enquanto ligava o notebook outra vez.
Olhou para o documento onde o conto estava escrito e respirou fundo, sentindo a paz voltar a reinar dentro do apartamento sem o barulho da música vibrando pelas paredes. Tamborilou os dedos pela mesa e então um clique: a cena final do conto veio como um grande estalo em sua cabeça.
Os dois personagens principais deveriam terminar o conto sentados embaixo da cerejeira, admirando o lago e fazendo promessas para o futuro, um final simples, mas digno para os personagens que haviam enfrentado várias dificuldades para ficarem juntos ao longo do conto.
escrevia contos variados, nem sempre eles eram de romance, apesar de serem os mais requisitados pelo jornal. Às vezes eram de suspense, outras de terror, outras apenas crônicas do dia a dia, e assim ela ia variando seu portfólio. Escrevia para o Toronto Star, jornal tradicional nas casas dos canadenses que historicamente tinham uma seção cultural forte e abriam espaço para novos escritores canadenses, principalmente nas colunas de domingo. O que era o caso dela há cerca de dois anos.
Seus contos faziam sucesso, por isso o contrato, que antes era de apenas um ano, foi renovado para cinco. E profissionalmente ela estava ótima! Nada a reclamar de trabalhar pro jornal, afinal de contas, ela trabalhava de casa, dois contos por semana, tinha tempo para trabalhar em seu livro, que ela pretendia usar da influência que estava começando a ganhar com jornal para encontrar editoras interessadas em lançá-lo nacionalmente.
Sua rotina se resumia basicamente em escrever, escrever e às vezes academia, pelo menos umas duas vezes por semana. Ah, e idas ao supermercado ou cafeterias supervalorizadas, onde uma xícara de café expresso custava em torno de cinco dólares canadenses.
Tirando isso, ela não tinha mesmo nadinha do que reclamar. Aliás… tinha!
.
Ele era definitivamente a única coisa que a vinha perturbando e a deixando fora de controle de tanta raiva. As noites agora pareciam intermináveis, e ela sentia como se o som estivesse dentro do próprio apartamento, a deixando com a mente inutilizada para escrever. O que nunca tinha acontecido.
Bufou alto e então levou os dedos ao teclado, concentrando o máximo que conseguia em terminar o conto em malditos vinte minutos de sossego.
Mas, por mais que tentasse, a imagem dele não saía da sua cabeça. A porta se abrindo, o cabelo bagunçado caindo sobre a testa, o moletom folgado contrastando com aquele olhar provocador. O jeito que ele pronunciou “senhorita , como se estivesse saboreando cada sílaba, e o sorriso enviesado quando ela mencionou o nome dele.
balançou a cabeça, quase irritada consigo mesma. Não era hora de pensar naquilo. Não era hora de lembrar da firmeza do aperto de mãos, quente demais, demorado demais.
Ela precisava escrever. Precisava terminar o conto. Mas, a cada frase que digitava, lá estava , como um borrão no fundo da mente, puxando sua concentração para longe. O maldito vizinho conseguia perturbá-la até em silêncio.
bufou de novo, batendo a barra de espaço com força.
— Ele não vai me desconcentrar — murmurou para si mesma, mas a mente insistia em sussurrar que já era tarde demais.

💥💥💥


Suspirou aliviada assim que terminou o conto e digitou a palavra “Fim”, agora vinha a parte mais cansativa de todas: a revisão. precisava confessar que aquela parte, sim, dava trabalho, e ela detestava! Já havia assumido isso até para os amigos escritores e descobriu que a maioria deles compartilhava do mesmo pensamento, o que a deixava, de certa forma, aliviada.
Mas aí então, quando ela terminou de rolar a tela, voltando para o início do conto, veio ele: o barulho da música eletrônica irritante. As paredes começaram a vibrar bem devagar, e ela reparou que o som parecia levemente mais baixo, mas, ainda assim, desconcertantemente incômodo.
— Ah, não! Droga! — Ela levou as mãos até o rosto, esfregando-o.
Respirou fundo, fez um coque no alto da cabeça e então se levantou. Faria um chá ou um café para conseguir ficar acordada de madrugada para aí sim começar a revisar o conto antes de enviá-lo.
Aquele era o único horário que não colocava música e não fazia nenhum barulho, parecia até que o apartamento naquele horário não era habitado por ninguém… As paredes da cozinha também tremiam um pouco com o som reverberando por elas, e pegou a chaleira em cima do fogão, a enchendo de água. Depois ligou o fogão e a colocou lá para aquecer o líquido transparente.
O som aumentou. E o coração dela acelerou num misto de raiva, inquietação e algo mais.
— Ah, mas que inferno! — Desligou o fogão, pegou a chave e marchou em direção à porta.

💥💥💥


Era o quinto toque da campainha, e bufou alto, retirando os fones do ouvido, os jogando no sofá com delicadeza, afinal, eram bem caros. Caminhou até a porta, a abrindo, e deu de cara com ela de novo.
.
— O que a senhorita quer agora? — Ele subiu algumas dezenas o tom de voz para ser ouvido sob o som que ecoava de dentro do apartamento.
— Mais vinte minutos de trégua. — ergueu a mão. — Por favor, eu preciso revisar o meu conto.
— E? — arqueou a sobrancelha, cruzando os braços e encostando o ombro na porta como se tivesse todo o tempo do mundo. O sorriso provocador dele já a deixava furiosa.
— E… você poderia desligar essa barulheira por mais vinte minutos, não é pedir muito. — sustentou o olhar, tentando soar firme, mas a urgência em sua voz a traía.
— Não é pedir muito? — Ele riu pelo nariz, inclinando a cabeça. — Senhorita , já lhe concedi vinte minutos antes. Está querendo um plano de assinatura? Dez dólares por mês e eu desligo a música duas vezes por semana.
— Engraçadinho. — bufou, estreitando os olhos. — Eu trabalho com prazos, . Não tenho como negociar inspiração com a síndica, muito menos com você.
Ele inclinou-se um pouco mais, diminuindo a distância entre os dois, e disse em tom quase conspiratório: — Já tentou escrever com música eletrônica de fundo? Quem sabe melhora o ritmo da sua história.
sentiu as têmporas latejarem e, ao mesmo tempo, uma pontada desconfortável de calor subir pelo pescoço. — Eu não preciso de batidas eletrônicas para dar ritmo à minha vida.
— É uma pena… — sorriu, preguiçoso, como se estivesse se divertindo com a fúria dela. — Porque parece que ela anda bem sem graça.
abriu a boca, pronta para soltar uma resposta venenosa, mas fechou de imediato. O sangue fervia, as palavras estavam na ponta da língua, mas a imagem dele — o cabelo bagunçado, o olhar provocador, aquele sorriso idiota — só a deixava ainda mais irritada.
— Mais vinte minutos — ela repetiu, batendo o pé no chão. — Só isso.
Ele ficou em silêncio por um instante, a observando como se estivesse avaliando uma negociação milionária. Então suspirou fundo, ergueu as mãos em rendição e disse: — Trinta. Mas só porque adoro ver você implorando.
arregalou os olhos, sem acreditar no atrevimento. — Eu não estou implorando!
— Claro que não. — piscou, já começando a fechar a porta. — É só um pedido desesperado e inflamado de uma escritora em crise.
A porta se fechou com um clique suave, e ficou parada no corredor, ofegante de raiva… ou de algo que não ousava nomear.

💥💥💥


O dia mal havia amanhecido e lá estava a barulheira de novo no corredor, adentrando as paredes do apartamento dela. se sentou na cama, se espreguiçando, e então vestiu o robe sobre o pijama, pronta para ir ao banheiro fazer sua higiene matinal.
A cabeça dela latejava no ritmo pulsante da música eletrônica que vinha do apartamento de , que mal havia esperado dar 7 da manhã para começar com a barulheira.
Escovou os dentes ainda sentada no vaso e então fechou os olhos, tentando focar em outra coisa que não fosse a música e a voz estridente de uma cantora de pop qualquer. Depois lavou o rosto e encarou o próprio reflexo no espelho, pensando se valia a pena começar uma briga com ele antes das sete baterem no relógio.
inclinou o rosto em direção ao espelho, observando as olheiras marcadas pela falta de sono. O barulho constante das últimas semanas parecia corroer sua paciência pouco a pouco.
— Vai me enlouquecer esse homem — murmurou, ajeitando o cabelo preso de qualquer jeito.
Era cedo demais para discutir, mas a cada batida eletrônica ecoando pelas paredes, algo dentro dela gritava que, se não tomasse uma atitude, ele iria simplesmente vencer. E odiava perder.
Pegou a caneca de café na cozinha, mas nem o aroma forte conseguiu mascarar a irritação crescente. Olhou para o relógio digital no balcão. 06:58.
tinha começado antes das sete. Ele estava claramente provocando.
fechou os olhos e respirou fundo, tentando raciocinar. Podia ignorar? Podia fingir que não se importava? Talvez, mas a gastrite logo daria sinais se engolisse mais raiva.
E então uma ideia atravessou a mente dela como um raio. Um sorriso lento surgiu nos lábios enquanto apoiava a caneca na pia. — Ok, . Quer guerra? Vai ter guerra.
Pegou o celular, abriu o aplicativo de música e, pela primeira vez em muito tempo, buscou uma playlist de rock clássico. Se ele queria tocar alto, ela podia tocar mais alto.
Os primeiros acordes de guitarra ecoaram pelo apartamento, e ergueu o volume com determinação, sentindo o som vibrar até o último cômodo. O coração acelerava, mas, pela primeira vez desde que ele se mudara, a irritação parecia dar lugar a um tipo diferente de adrenalina.

💥💥💥


Os acordes de guitarra mal haviam completado a segunda música, quando alguém bateu à porta dela. Três batidas fortes, determinadas. já sabia quem era.
Abriu a porta com um meio sorriso, quase saboreando a surpresa dele.
— Pois não, vizinho? — perguntou, se apoiando na lateral da porta, como se estivesse pronta para assistir à explosão dele.
estava lá, cabelos ainda mais bagunçados que da noite anterior, a camiseta preta colada ao peito pela pressa em sair do apartamento. Ele arqueou a sobrancelha, incrédulo. — Rock? Às sete da manhã? — A voz dele tinha uma mistura de indignação e divertimento. — Achei que a senhorita fosse do time silêncio absoluto.
cruzou os braços, fingindo inocência. — Achei que fosse justo retribuir o favor. Você me acorda com música eletrônica, eu devolvo com guitarras. Equilibrado, não?
Ele se aproximou um passo, invadindo o espaço dela. O sorriso provocador surgiu de novo. — Equilibrado seria você parar de tentar competir comigo.
— Competir? — riu pelo nariz, se inclinando um pouco também. — Ah, , você não faz ideia do que é competir comigo.
Os olhos dele brilharam, como se ela tivesse acabado de lançar um desafio irresistível.
— Então me mostre.
engoliu seco. Estavam perigosamente perto agora, o cheiro amadeirado do perfume dele se misturando ao aroma de café que vinha da cozinha. Ela não tinha intenção de recuar, mas também não conseguia avançar.
inclinou a cabeça, os lábios dele a centímetros dos dela, e, por um instante, o corredor inteiro pareceu silenciar — como se até a música tivesse desaparecido. sentiu o coração martelar no peito, as têmporas pulsando, mas não de raiva.
Ele abriu um meio sorriso, a voz baixa, quase um sussurro: — Parece que a senhorita não está com tanta raiva assim agora.
sentiu o rosto arder e, instintivamente, virou levemente o rosto, quebrando o quase-beijo. — Não confunda as coisas, — respondeu firme, mesmo que a voz não tivesse tanta convicção quanto gostaria.
Ele riu baixo, satisfeito com a reação dela, e recuou um passo, erguendo as mãos como quem se rende. — Como quiser, senhorita . Mas… — ele piscou, já se afastando — está cada vez mais difícil acreditar em você.
A porta se fechou atrás dela com força, e encostou a testa na madeira por um segundo, respirando fundo. O pior de tudo era admitir para si mesma: ele estava certo.

💥💥💥


abriu a torneira do chuveiro e esperou a água aquecer como de costume, enrolada ainda na toalha. O barulho dos canos começou a chiar de um jeito estranho, um estalo seco seguido de um jato irregular que a fez franzir a testa.
— Ah, não… — murmurou, abrindo mais a torneira.
Ao invés do fluxo normal de água quente, apenas alguns respingos gelados escaparam do chuveiro, alternando entre pingos e um fio ralo que mal escorria pelo encanamento. recuou um passo, braços cruzados, encarando o chuveiro como se ele tivesse acabado de declará-la inimiga.
Girou o registro para fechar e abrir outra vez. Nada. Tentou a água fria, que veio em abundância, mas o aquecimento parecia ter simplesmente desistido de existir.
— Só pode ser brincadeira… — bufou alto, pisando no tapete do banheiro com impaciência.
Saiu do cômodo apressada, pegou o celular e ligou para o zelador. A resposta foi curta e nada reconfortante: — Senhorita , não é só o seu apartamento. Alguns canos da coluna de água quente do prédio estouraram. A manutenção vai levar… digamos… algumas horas, talvez dias.
arregalou os olhos. — Dias?!
O zelador tentou soar tranquilo. — Melhor usar o chuveiro de algum vizinho enquanto isso. Tenho certeza de que o pessoal vai colaborar.
Ela desligou a chamada sem dizer nada, jogando o celular no sofá. A palavra vizinho reverberou na cabeça dela como um aviso. Só conseguia pensar em um. O mesmo que transformava sua rotina em um inferno de batidas eletrônicas.
passou as mãos pelo rosto, desesperada. — Eu não vou pedir nada pra ele… não vou.
Mas o arrepio gelado na pele, só de pensar em tomar banho frio naquele inverno, deixou claro: não tinha muita escolha.

💥💥💥


respirou fundo três vezes antes de sair do apartamento. O corredor estava silencioso — ironicamente, justo quando ela precisava de desculpas para adiar o inevitável. Ajustou a faixa do robe e caminhou até a porta 206, sentindo cada passo ecoar como se fosse um julgamento.
Bateu uma vez, suave demais. Revirou os olhos, bufou e bateu mais forte, três vezes seguidas.
A porta se abriu, e lá estava ele. , de camiseta branca simples e cabelo bagunçado como se tivesse acabado de acordar, ergueu uma sobrancelha ao vê-la parada ali. — Olha só, a senhorita . — A voz dele saiu rouca, sonolenta, mas já carregada daquele deboche natural. — Sete da manhã e já está com saudade de mim?
apertou os lábios, respirando fundo para não devolver a provocação. — O chuveiro do meu apartamento está quebrado — disse, de uma vez, sem rodeios.
a encarou em silêncio por alguns segundos, como se saboreasse cada palavra, até que um sorriso lento surgiu no canto da boca. — E o que eu tenho a ver com isso?
— O zelador disse… — ajeitou a postura, erguendo o queixo. — Que eu deveria pedir a algum vizinho para usar o chuveiro até a manutenção resolver.
Ele cruzou os braços, se apoiando na lateral da porta, como se estivesse assistindo a melhor cena da manhã. — E de todos os vizinhos do prédio, você veio logo bater aqui.
sentiu o rosto esquentar, mas não recuou. — É temporário. Só preciso de vinte minutos, nada mais.
sorriu de verdade agora, aquele sorriso que parecia iluminado por pura malícia. — Vinte minutos, hein? Engraçado, esse número sempre volta pra gente.
Ela revirou os olhos, impaciente. — Vai me deixar usar o chuveiro ou não, ?
Ele fez uma pausa dramática, se inclinando um pouco mais, a voz baixa, arrastada. — Só se prometer vinte minutos de silêncio absoluto sobre as minhas músicas.
bufou, mas acabou estendendo a mão como se fosse selar mais um pacto absurdo entre eles. — Trato feito.
segurou a mão dela, firme, demorando um segundo a mais do que deveria. — Então seja bem-vinda ao meu território, senhorita .
Ela engoliu seco, consciente demais da ironia e do calor do toque dele, antes de cruzar a porta.
entrou com passos hesitantes, ajeitando a faixa do robe e tentando ignorar o fato de estar pisando no território dele. A primeira coisa que notou foi a sala ampla, iluminada pela claridade suave da manhã. Não havia nada minimalista ali, nada organizado demais como no apartamento dela. O ambiente respirava caos, mas um caos que fazia sentido.
Cabos enrolados pelo chão, uma mesa tomada por equipamentos de DJ, luzes coloridas desligadas, caixas de som enormes nos cantos da sala. Havia também prateleiras abarrotadas de vinis, alguns empilhados no sofá, e uma caneca de café esquecida em cima de uma pilha de livros de música.
arqueou as sobrancelhas, passando os olhos por tudo. — Isso aqui parece… uma boate mal desmontada.
, que a seguia de braços cruzados, soltou uma risada baixa. — Obrigado, aceito como elogio.
Ela revirou os olhos e seguiu observando, quase contra a própria vontade. Havia quadros abstratos nas paredes, pôsteres de shows, e até uma planta torta em um canto, que tinha certeza de que sobrevivia mais por teimosia do que por cuidados dele.
— Como alguém consegue viver no meio dessa bagunça? — ela murmurou, sem perceber que falava em voz alta.
— É chamado de criatividade, senhorita . — Ele se aproximou, se inclinando como se quisesse capturar a expressão dela. — Não se preocupe, a inspiração não é contagiosa.
Ela girou nos calcanhares, erguendo o queixo, determinada a não deixar que ele visse qualquer traço de desconforto. — Só me mostre logo o banheiro, antes que eu desista e encare o chuveiro gelado.
ergueu uma sobrancelha, um sorriso lento se formando nos lábios. — Você não tem a menor ideia do que está pedindo, entrando no meu apartamento assim…
suspirou impaciente, cruzando os braços. — .
— Tá bem, tá bem. — Ele levantou as mãos em rendição, rindo. — O banheiro é por aqui. Mas não se assuste se encontrar mais fones de ouvido do que toalhas.
Ele seguiu à frente, e não conseguiu evitar notar a confiança relaxada dele. O jeito que caminhava pelo próprio espaço era de alguém acostumado a estar no controle. O problema é que, pela primeira vez, ela sentia que talvez estivesse prestes a perder o dela.

💥💥💥


empurrou a porta do banheiro com o ombro e acendeu a luz, revelando um espaço surpreendentemente moderno, contrastando com o caos do resto do apartamento. Azulejos cinza chumbo, uma cabine de vidro transparente, espelhos largos e até alguns frascos de perfume organizados na bancada.
— Uau. — deixou escapar, antes que pudesse se conter.
— Viu só? — Ele se encostou ao batente da porta, cruzando os braços, divertido. — Não sou tão desleixado quanto você pensava. Só a sala que é… criativa.
passou os olhos pelo ambiente, mordendo o lábio, tentando se recompor. — Continua sendo bagunçado.
riu baixo, se inclinando mais contra a porta. — Você está no meu banheiro, senhorita . Sabe o que isso significa?
— Que preciso terminar logo e voltar pro meu apartamento — ela rebateu de imediato, segurando firme a toalha do robe.
— Que você confia em mim — completou ele, com aquele meio sorriso que a deixava desconfortavelmente quente.
sentiu a respiração prender por um instante, mas logo forçou um revirar de olhos. — Eu confio no seu chuveiro, não em você.
— O chuveiro faz parte de mim. — Ele piscou, malicioso. — Afinal, é meu.
Ela bufou, virando o rosto para não encarar os olhos dele. — Você não sabe a hora de parar, não é?
deu de ombros. — Na verdade, sei exatamente quando parar. — A voz saiu mais baixa, carregada de significado.
o encarou nesse instante, e a proximidade pareceu diminuir ainda mais. Ele estava ali, parado na porta, bloqueando a saída, como se todo o espaço do banheiro fosse um território perigoso. O olhar intenso dele a prendeu no lugar, e, por um momento, se pegou imaginando como seria se ele simplesmente avançasse um passo.
O silêncio que se instalou foi quebrado apenas pelo barulho de gotas pingando do chuveiro. ajeitou o robe, a mão levemente trêmula no tecido.
— Vai me dar privacidade, ou pretende ficar aí olhando até eu terminar? — A voz dela saiu firme, mas soou mais como um desafio do que como uma ordem.
arqueou uma sobrancelha, ainda sorrindo.
— Só estava esperando você dizer, senhorita .
Ele finalmente se afastou, mas não antes de deixar o olhar demorado percorrer o rosto dela, como se quisesse gravar cada reação.
— Aproveite bem o banho — disse, por fim, fechando a porta com um clique suave.
encostou as costas no espelho, o coração disparado. E odiava admitir: parte dela já não sabia se queria mesmo que ele tivesse ido embora.

💥💥💥


A água quente escorria pelos ombros de , relaxando os músculos tensos e afastando um pouco da irritação que vinha carregando desde cedo. Fechou os olhos, respirando fundo, tentando focar apenas no barulho constante da água.
Mas não adiantava. Entre uma respiração e outra, a imagem dele voltava.
O sorriso debochado parado na porta. O olhar intenso que parecia atravessá-la. A lembrança quente do aperto de mãos, firme demais, próximo demais.
apoiou as mãos na parede de azulejos, inclinando levemente a cabeça para frente, deixando a água cair sobre a nuca. — Droga… — murmurou sozinha, como se pudesse expulsar o pensamento.
Não era possível. Ela estava no banheiro dele, usando o chuveiro dele, e a ironia da situação a fazia sentir-se vulnerável de um jeito que nunca tinha sentido antes. Como se tivesse invadido um território proibido e, ainda assim, tivesse aceitado a condição com naturalidade.
Tentou se concentrar no conto que precisava revisar, mas a cena final sob a cerejeira agora parecia embaçada, ofuscada pelo jeito que tinha se aproximado dela mais cedo, quase como se fosse beijá-la. fechou os olhos com força, sentindo o coração acelerar só de lembrar da distância mínima entre os dois.
— Isso não pode estar acontecendo comigo… — disse em voz baixa, a água abafando o som.
Quando finalmente desligou o chuveiro, sentia que não tinha apenas se lavado do incômodo do encanamento quebrado. Tinha mergulhado em uma confusão que não estava preparada para enfrentar.
Enquanto se enrolava na toalha, só conseguia pensar em uma coisa: a maior ameaça à sua concentração não era o barulho da música de … era o silêncio que ele deixava quando não estava perto.

💥💥💥


enrolou a toalha firme no corpo, ajeitou o robe por cima e respirou fundo antes de abrir a porta. Esperava um corredor vazio, mas a sala estava ali, viva com a bagunça organizada de . E ele também.
Sentado no sofá, um dos braços jogado displicentemente sobre o encosto, ele mexia no celular como se estivesse apenas matando tempo. Mas, quando ouviu o clique da porta, ergueu os olhos imediatamente.
— Trinta e dois minutos. — disse, com aquele meio sorriso preguiçoso. — Achei que tivesse combinado vinte.
arqueou as sobrancelhas, incrédula. — Você estava… cronometrando?
— Claro. — largou o celular na mesa de centro e se levantou devagar, a confiança estampada em cada movimento. — Quando se trata de você, senhorita , cada minuto conta.
Ela bufou, cruzando os braços. — Você é insuportável.
— E mesmo assim veio parar no meu chuveiro. — Ele se aproximou, o sorriso malicioso nunca desaparecendo. — Interessante.
abriu a boca para retrucar, mas o coração acelerou ao perceber que ele estava perto demais outra vez. Muito perto. O perfume amadeirado, o olhar escuro fixo nela, a respiração quase sincronizada. recuou um passo, mas ele acompanhou, diminuindo ainda mais a distância.
… — Tentou soar firme, mas o nome escapou baixo, quase como um suspiro.
Ele inclinou a cabeça, os lábios a centímetros dos dela. — Se continuar dizendo meu nome desse jeito, vou achar que você gosta.
sentiu o corpo inteiro estremecer, mas, dessa vez, não desviou. Ficou imóvel, presa entre o orgulho e o desejo, quando finalmente rompeu o espaço e encostou os lábios nos dela.
O beijo começou suave, como um teste, mas carregado de eletricidade. sentiu o mundo girar, a respiração presa no peito, e quando a mão dele deslizou até sua cintura, ela correspondeu, o segurando pelo moletom. Era raiva, era rendição, era tudo ao mesmo tempo.
Quando se afastaram, ambos ofegantes, sorriu contra os lábios dela. — Viu só? — murmurou. — A música nem estava tocando e mesmo assim você perdeu o controle.
fechou os olhos por um instante, tentando recuperar o fôlego. — Isso foi um erro — disse, mas a voz soava fraca até para ela mesma.
riu baixo, encostando a testa na dela.
— Talvez. Mas foi o melhor erro do dia.
fechou os olhos, ainda tentando se convencer de que tinha sido apenas um lapso. Mas, quando abriu de novo, ainda estava ali, tão perto que ela podia sentir o calor da respiração dele contra a pele.
— Eu… eu preciso ir — murmurou, mais para si mesma do que para ele, mas os dedos ainda estavam presos no moletom dele, como se o corpo se recusasse a obedecer.
ergueu o canto da boca num sorriso lento. — Precisa? Ou quer?
Antes que tivesse tempo de responder, ele inclinou o rosto outra vez e tomou os lábios dela num beijo mais firme, decidido, roubando qualquer desculpa que ainda pudesse existir. arfou contra a boca dele, mas, em vez de recuar, o puxou para mais perto, deixando o robe escorregar dos ombros na pressa de retribuir.
Dessa vez não havia espaço para dúvida. O beijo era urgente, intenso, uma batalha de orgulho e desejo ao mesmo tempo. deslizou a mão pela cintura dela até a base das costas, a trazendo contra si, enquanto enlaçou o pescoço dele, sentindo os cabelos úmidos em sua nuca.
A sala parecia girar em volta deles, o sofá, as caixas de som, o mundo inteiro desaparecia sob o som abafado das respirações misturadas. mordeu de leve o lábio inferior dele, arrancando um riso baixo, rouco, que a fez estremecer.
— Você é um problema, — sussurrou, entre um beijo e outro, ofegante.
— E você… — ele deslizou os lábios até o queixo dela, deixando beijos leves que a fizeram arrepiar — é a única solução que eu quero.
sentiu o corpo inteiro responder antes da mente. A cada segundo, a linha entre ódio e atração ficava mais borrada, impossível de distinguir.
Ele voltou a beijá-la com mais força, a guiando até o encosto do sofá, onde ela caiu de costas, rindo nervosa contra a boca dele. se inclinou sobre ela, apoiando uma mão ao lado do rosto dela, sem nunca perder aquele olhar provocador.
— Ainda acha que foi um erro? — perguntou, o sorriso malicioso entrelaçado ao desejo.
respirava rápido, os olhos brilhando, mas a resposta saiu num sussurro carregado de rendição: — Se for… eu não quero acertar.

💥💥💥


ainda tinha a respiração entrecortada quando voltou a beijá-la, dessa vez sem a menor intenção de se controlar. As mãos dele deslizaram pela cintura, sentindo o tecido do robe se soltar, até tocar a pele quente e arrepiada por baixo. arfou, mas não recuou — em vez disso, o puxou mais para perto, enterrando os dedos nos cabelos bagunçados dele.
O beijo se tornou mais profundo, intenso, como se ambos estivessem despejando todas as discussões, provocações e noites mal dormidas em um único gesto. mordeu o lábio dele outra vez, e respondeu com um gemido baixo, rouco, que vibrou contra a boca dela e a fez estremecer inteira.
Ele se inclinou ainda mais, a pressionando contra o sofá, o peso do corpo dele sobre o dela, mas ao mesmo tempo sustentando-se com firmeza para não a esmagar. A mão de percorreu o peito dele por baixo da camiseta, sentindo o calor da pele, os músculos contraindo sob o toque tímido que logo se tornou ousado.
— Você não tem ideia do que está fazendo comigo, senhorita … — ele sussurrou contra a boca dela, a respiração quente, o olhar escuro de desejo.
Ela sorriu entre os beijos, quase sem fôlego. — Tenho, sim… — respondeu, num fio de voz, antes de puxá-lo de volta para si.
deslizou os lábios pelo pescoço dela, distribuindo beijos lentos e provocadores, fazendo arfar e apertar os dedos em seus ombros. O coração dela batia tão rápido que parecia acompanhar o ritmo da música que, pela primeira vez em dias, não estava tocando, mas agora era como se tivesse uma batida própria vinda de dentro dela.
o puxou mais, rendida ao próprio corpo, esquecendo completamente do conto, do jornal, da irritação que ele lhe causava. Tudo o que importava naquele momento era ele.
E quando os lábios se encontraram de novo, já não havia volta.
A toalha presa ao corpo de escorregou um pouco com a movimentação, revelando a curva do ombro. passou a ponta dos dedos ali, devagar, como se testasse a própria sanidade.
— Você vai me enlouquecer… — murmurou, a voz rouca e grave, os olhos fixos nela.
prendeu a respiração, o coração acelerando ao sentir o calor da pele dele contra a sua. Ainda deitada no sofá, o puxou mais para perto pelo moletom, como se não houvesse mais espaço para discussões ou ironias.
Ele voltou a beijá-la, dessa vez mais faminto, explorando cada canto de sua boca, a mão firme deslizando pela cintura dela até segurar a toalha, ameaçando soltá-la a qualquer momento. arfou, entre um beijo e outro, apertando os dedos na barra do moletom dele, sentindo o contraste do tecido frio contra a palma quente da mão.
recuou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. — Só me diga se quiser que eu pare.
sorriu, um sorriso rápido, nervoso, mas cheio de rendição. — Eu te mato se parar.
Ele riu baixo, antes de voltar a beijá-la. O corpo dele ainda coberto pelo moletom e pelo jeans contrastava com a vulnerabilidade dela, apenas enrolada na toalha. Esse detalhe só tornava tudo mais intenso, mais perigoso.
deslizou as mãos por baixo da barra do moletom dele, sentindo os músculos retesarem ao seu toque. O calor da pele dele contra os dedos dela a fez suspirar contra a boca dele. , em resposta, puxou a toalha dela com firmeza, a deixando solta no sofá.
estremeceu, mas, em vez de recuar, arqueou o corpo contra o dele, o rosto corando com a consciência da própria nudez. afastou-se apenas um segundo para olhar, a respiração pesada, os olhos escuros de desejo.
— Você é inacreditável… — ele sussurrou, antes de voltar a cobri-la de beijos, começando pelo pescoço, descendo lentamente pelo colo.
fechou os olhos, mordendo o lábio inferior para conter um gemido, mas quando os lábios dele tocaram sua pele mais abaixo, não conseguiu mais segurar o som que escapou da garganta.
sorriu contra a pele dela, satisfeito com o efeito que causava, e seguiu explorando cada curva, cada arrepio, como se quisesse mapear todo o território que antes era proibido.
entrelaçou os dedos nos cabelos dele, o puxando de volta para si, buscando sua boca mais uma vez. Quando os lábios se encontraram, foi como um incêndio inevitável: ela não queria mais silêncio, não queria mais distância, só queria se perder ali, no corpo dele, no toque dele, no caos dele.
O sofá rangia levemente sob o peso dos dois, mas nenhum dos dois parecia notar. A música eletrônica estava desligada, mas sentia o mundo inteiro pulsar em batidas dentro dela.
Não havia mais volta.

💥💥💥


O beijo deles se tornava cada vez mais urgente, como se estivessem recuperando semanas de provocações e brigas em um único momento. deslizava as mãos pela cintura de , a puxando contra si, enquanto ela sentia o calor atravessando o tecido da camiseta dele. O contraste da toalha caída ao lado a deixava ainda mais consciente da vulnerabilidade — e, ao mesmo tempo, mais ousada.
Ele passou os lábios pelo pescoço dela, espalhando beijos lentos, provocadores, até a curva dos ombros. arqueou o corpo, os dedos apertando o tecido do moletom dele, antes de deslizarem para debaixo da camiseta, em busca de pele. O riso baixo de vibrou contra a garganta dela.
— Você é fogo puro… — sussurrou, arrastando os lábios pelo colo dela, a fazendo suspirar.
— Cala a boca, … — ela respondeu, entre gemidos, o puxando de volta para si num beijo desesperado.
Ele não resistiu. Deixou que o empurrasse para mais perto, até que o peso dele a envolvesse completamente contra o sofá. A mão firme percorreu as curvas dela sem pressa, explorando, marcando cada arrepio. sentia o coração bater no ritmo do toque dele, o corpo inteiro respondendo.
Num movimento rápido, ela mesma puxou a camiseta dele para cima, revelando o abdômen quente e definido. ergueu os braços, a deixando tirá-la, e, quando se inclinou de novo sobre ela, deslizou as mãos pelo peito nu dele, sentindo os músculos contraírem sob o toque.
— Você vai me deixar maluco… — ele murmurou contra a boca dela, antes de voltar a beijá-la com mais intensidade.
gemeu baixinho quando ele deslizou os lábios até o ventre dela, distribuindo beijos lentos que a fizeram se contorcer no sofá. voltou a subir, encontrando os olhos dela, escuros de desejo, antes de mergulhar mais uma vez no beijo profundo que a deixou sem ar.
As roupas foram desaparecendo em meio a risadas nervosas, beijos urgentes e mãos impacientes. Cada nova descoberta do corpo do outro vinha acompanhada de suspiros e gemidos abafados, como se estivessem gravando em pele tudo o que não conseguiam dizer em palavras.
Quando finalmente se entregaram por completo, o mundo ao redor desapareceu. Não havia música, não havia brigas, não havia vizinhos. Apenas os dois, o sofá rangendo sob os movimentos, a respiração acelerada preenchendo o silêncio, o calor crescendo até o inevitável.
segurou forte nos ombros de , sentindo cada segundo escapar do controle, e quando o clímax os alcançou, foi como se as batidas eletrônicas dele e o silêncio dela finalmente tivessem encontrado a mesma frequência.
Ofegantes, ficaram imóveis por alguns instantes, ainda entrelaçados, tentando recuperar o fôlego. passou os lábios pelo rosto dela, sorrindo contra a pele quente. — Acho que essa foi a melhor trégua de todas.
fechou os olhos, um sorriso cansado e rendido escapando.
— Cala a boca, … — murmurou de novo, mas dessa vez sem nenhuma raiva.

💥💥💥


ainda ofegava, a cabeça apoiada no peito de , ouvindo o coração dele bater acelerado contra a própria respiração irregular. O silêncio que se instalou na sala parecia surreal, como se todo o mundo tivesse parado para deixar só os dois ali, entrelaçados no sofá.
Ela puxou o robe de volta para cobrir parte do corpo, mas segurou a mão dela, impedindo o movimento. — Não precisa se esconder de mim — disse baixo, a voz rouca de exaustão e desejo.
fechou os olhos por um instante, tentando reunir forças para responder. — Isso… não devia ter acontecido.
Ele riu, a boca roçando de leve no cabelo dela. — Não devia? — repetiu, quase divertido, mas o tom era suave. — Então por que parece que você está exatamente onde deveria estar?
Ela ergueu o rosto, pronta para rebater, mas foi pega pelo olhar dele: intenso, provocador e ao mesmo tempo vulnerável. Não havia deboche dessa vez, apenas a verdade nua ali, escancarada. sentiu a garganta secar.
… — sussurrou, mas não conseguiu completar.
Ele inclinou-se e a beijou de novo, lento, como se quisesse prolongar aquele instante para sempre. correspondeu, rendida, sentindo o calor do corpo dele contra o seu, consciente de que não havia volta.
Quando se afastaram, a respiração dela ainda estava trêmula. — Isso muda tudo — murmurou, mais para si mesma do que para ele.
sorriu, encostando a testa na dela. — Ótimo. Porque eu não quero que nada volte a ser como antes.
fechou os olhos, rendida por completo. E pela primeira vez em muito tempo, deixou o silêncio tomar conta sem lutar contra ele.


FIM


Nota da autora: Olá queridxs, espero que gostem do nosso casal!

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