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Revisada por: Saturno 🪐

Finalizada em: 20/07/2025./center>


São Paulo, inverno de 2022

Segundo a minha tia Rosa, ter um skate sempre foi algo trivial para minha vida, até que em 2021 uma garota de 13 anos ganhou medalha de prata nas Olimpíadas, e eu provei pra ela que isso pode dar futuro às pessoas. Entretanto, andar de skate era apenas um passatempo que me transmitia a sensação de liberdade e diversão, eu não queria transformá-lo em uma carreira profissional por mais talentosa que eu fosse. O máximo que me permitia ter através desse esporte era um círculo de amizades que me fazia rir nas horas de lazer.

— Olha só a princesa do skate — brincou , assim que me aproximei do portão da escola, ao parar com o skate e o pegar. — Atrasada como sempre.

Eu fiz uma careta para ele, ainda não entendia como a gente se suportava tendo os mesmos amigos. parecia ser bipolar, pois, ao mesmo tempo que era simpático comigo, ele também conseguia ser chato e insuportável, sempre me chamando de princesa ou patricinha. Voltei meu olhar para Lara, a única garota além de mim do nosso grupo de amigos. Talvez por ela ter um estilo mais gótico, com seu guarda-roupas repleto de peças pretas, ao contrário de mim, que seguia minha paleta de cores oscilando entre o branco e o cinza e alguma peça rosa na composição, é que o famigerado apelido de princesa havia sido designado para mim. E não vou nem incluir o fato de eu ser a melhor aluna da escola, porque já é outra história.

— O que estão fazendo aqui? — indaguei a ela, que mantinha seu olhar na tela do celular em sua mão.
— Parece que os professores estão de greve e não vamos ter aula hoje — respondeu ela, enquanto digitava alguma coisa.
— Sério?! — Eu soltei um suspiro chateado e olhei novamente para e Enrique. — Vocês bem que poderiam ter me mandado uma mensagem, assim eu não teria tido o trabalho de vir aqui.
— Achou mesmo que faríamos isso?! — soltou uma gargalhada maldosa. — Amigos permanecem unidos, até mesmo na greve de professores.

Enrique concordou com a cabeça e continuou rindo.

— Muito engraçado. — Revirei os olhos, direcionando meu olhar para o portão fechado e outros alunos desavisados chegando. — Está faltando o Alex, ele não vem também?
— Ele me mandou uma mensagem dizendo que tinha médico hoje — respondeu Enrique, espichando o pescoço para ver o que Lola digitava. — O que você tanto escreve aí?
— Minha fanfic — respondeu ela, não dando atenção à curiosidade dele.
— Até hoje? Isso não acaba, não? — reclamou ele, parecendo estar confuso.
— Esta é outra fanfic — disse, rindo da cara dele, entrando no meio do assunto. — E, para mim, essa história tá bem melhor.
— Claro que está. Essa aqui é de máfia, minha especialidade — concordou Lola, com um brilho sutil nos olhos e o tom animado. — Você vai morrer quando ler o próximo capítulo.
— Por favor, não demore para postar — pedi, já prevendo meu surto interno com as loucuras que ela escrevia.
— Como assim outra?! — Enrique continuou com o olhar confuso. — Você está escrevendo o quê? A saga Harry Potter?

Eu e Lola soltamos algumas gargalhadas dele.

— Que garoto mais inocente. — Lola parou de digitar e olhou para ele. — Eu sou uma ficwriter, o que significa que escrevo histórias, não só uma história.
— E essa daí é qual? — perguntou ele.
— A vigésima — respondi para ela.
— O que significa? — continuou Enrique.
— Significa que ela escreveu vinte histórias, e eu já estou com tédio de ouvir sobre isso. — , que estava encostado no muro, deu impulso no corpo e soltou seu skate no chão. — Não sei vocês, mas eu vou pra pista de skate aqui perto.
— Eu vou para casa, tenho que terminar este capítulo para mandar ao site. — Lola pegou sua mochila do chão e colocou nas costas. — Além do mais, eu nem trouxe meu skate hoje.
— Eu vou com você! — anunciou Enrique, demonstrando empolgação. — Também não trouxe o meu skate e estou com fome.
— Você vai pra sua casa? — indagou Lola, com o olhar desconfiado, guardando o celular na mochila. — Porque eu estou indo para o lado oposto, pra linha amarela.

Eu a entendia bem, já que Enrique morava próximo à estação Jabaquara e ela descia na estação Paulista.

— Eu vou pra sua casa — respondeu ele, num tom ingênuo e espontâneo.
— O que você vai fazer na minha casa?! — Ela franziu a testa e cruzou os braços.
— Tomar meu café da manhã — respondeu ele, com um sorriso largo. — Sabe que não resisto a um bom pão de queijo mineiro.
— Na minha casa? Você não tem vergonha, não? — ela o repreendeu, batendo de leve no seu ombro.
— Claro que não. Sua mãe é maravilhosa e eu amo o café dela — explicou ele, em sua defesa. — Ela disse que eu era bem-vindo todas as vezes que eu quisesse.
— Tem certeza de que é pelo café mesmo? — riu do amigo e voltou o olhar para mim. — Vai pra casa também?
— É claro que não. Agora que já estou aqui — o encarei de leve —, que tal uma aposta?!

Ele sorriu de canto, assentindo à minha proposta. Juntos demos impulso e seguimos de skate pelas ruas até a pista na Leopoldo Miguez, não era tão longe assim e naquela hora não tinha tanto movimento quanto deveria. Ainda me lembro da primeira vez que nos esbarramos naquela pista, ele e Enrique estavam treinando para uma competição amadora, eu não tinha completado nem dois meses morando no bairro Liberdade em São Paulo com meus tios, e acabei encontrando aquela pista por acaso.

Naquela época, eu não estava tão bem assim, havia acabado de perder meus pais em um acidente de carro, e vi a minha vida mudar radicalmente a começar pela mudança de cidade. Eu gostava de morar em Campinas e tinha alguns amigos lá, a escola era legal e claro que sempre me destacava por minhas notas. Não foi fácil para me adaptar, mas aquele grupo de amigos que me acolheu, foi primordial para isso.

— Ganhei! — disse, ao parar na esquina da praça e olhar para ele, em risos.
— Eu deixei você ganhar, como sempre. — Ele fez uma careta e parou ao meu lado, me olhando com serenidade. — Afinal, sou um cavalheiro, como o senhor Darci.
— Sei, cavalheiro… E há quanto tempo você me deixa vencer? — perguntei a ele, segurando o riso.
— Há quanto tempo somos amigos? — Ele devolveu a pergunta.
— Hum… Eu ganho de você há cinco anos?! — constatei, ao fazer a contagem na minha cabeça de quando o conheci.
— Corrigindo, eu deixo você vencer há cinco anos — disse ele, com o tom seguro de quem realmente estava dizendo a verdade.

Eu o deixaria se enganar um pouco, e, tomando impulso novamente, me aproximei da pista para deixar minha mochila ao lado e começar a fazer minhas manobras. Era interessante me lembrar deste tempo. Há cinco anos eu havia encontrado um excelente rival, tanto na sala de aula, quanto na pista de skate.

E Nakamura sempre me surpreendia, mesmo quando não queria.

No momento em que subo nele, parece o paraíso
Meu coração bate mais rápido, mais rápido
Corro para o Sol no céu
Confio nas asas que tenho em meus pés.
— Skateboard / NCT Dream

Amizade: A felicidade só é verdadeira quando compartilhada.
[Filme: Na Natureza Selvagem ] — Pâms.”


FIM


Nota da autora: Bem-vindos ao Pâms' Fictionverse!!!

🪐



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