Revisada por: Sagitário♐
Última Atualização: 21/7/25Perdi a conta de quantas taças aceitei esta noite. O gosto doce da bebida ainda dança em minha boca. Talvez tenha exagerado. Mas o corpo e, principalmente, a mente, estavam pedindo por isso. Foram meses intensos. A preparação para a tour Hope on The Stage do J-Hope exigiu mais de mim do que eu achava que podia dar.
Quatro meses, dez países, 33 apresentações.
Trinta e três vezes respirando o mesmo nervosismo, o mesmo silêncio antes das luzes se acenderem, os gritos ensurdecedores logo no primeiro passo no palco. A adrenalina viciante que me fazia esquecer de comer, dormir, pensar. Eu sempre amei essa correria, mas também não poderia estar mais aliviada por finalmente estar em casa.
E agora, tudo parece estar em câmera lenta. E eu ali, parada, pensando no motivo que me trouxe até o banheiro.
Talvez só precisasse de um pouco de silêncio. Só isso.
Nada tinha a ver com os olhares nada discretos que eu vinha recebendo de durante a noite inteira, tampouco foram as suas cantadas sutis que me fizeram correr pra cá.
Não.
De jeito nenhum.
Afinal, eu sou completamente imune a todo aquele charme arrogante, ao sorriso ladino e as piscadinhas que ele solta toda vez que nossos olhares se encontram, propositalmente lançadas para me desestabilizar. E, claro, com toda a certeza, os novos músculos adquiridos no serviço militar não têm nada a ver com os arrepios que me percorrem a espinha.
Claro que não.
Com certeza não, porque agora eu sou alguém.
Conquistei espaço dentro de uma grande agência, me tornei a dançarina principal de uma turnê mundial, participei de clipes com milhões de visualizações e recordes quebrados. Assinei um contrato que, mesmo sem mencionar diretamente relações com artistas, falava sobre confidencialidade, preservação de imagem e profissionalismo.
E esse contrato é importante pra mim.
Tesão não deveria fazer parte dessa equação. Nada de envolvimento, nada de desvio de foco. E ainda assim… aqui estou eu. Com a maquiagem intacta, o coração acelerado e a respiração curta só de pensar na última vez que ele me encarou como se… como se quisesse me enxergar inteira.
Inspiro fundo. Apoio as mãos na pia.
— Isso é ridículo — murmuro para mim mesma, como se pudesse convencer o meu reflexo.
Eu devia estar lá fora.
Comemorando com a equipe a finalização desse projeto incrível. Me divertindo com os meus colegas. Dançando com J-Hope, que se tornou mais do que um parceiro de palco, mas também um amigo querido. Desde os primeiros ensaios, foi impossível não notar sua energia contagiante, o jeito como ele trata todos da equipe com respeito e bom humor, fazendo até os dias mais exaustivos parecerem mais leves. Ele é exigente, sim, principalmente consigo mesmo, mas nunca deixou de estender a mão quando via alguém cansado ou inseguro. E com o tempo, criamos uma linguagem só nossa, feita de olhares trocados no meio da coreografia, pequenos ajustes improvisados nos palcos ao redor do mundo, risadas escandalosas nos bastidores. Tínhamos química. Não aquela que confunde o corpo, mas a que nasce do respeito profundo entre dois artistas que amam a música, a dança, e que se admiram.
E agora, depois de meses viajando juntos, dividindo treinos, inseguranças, piadas internas e refeições rápidas entre um voo e outro, tudo estava prestes a terminar. A turnê chegou ao fim. E essa é a comemoração do encerramento de um ciclo intenso, bonito e inesquecível.
Feita pra ser uma noite de celebração.
De alívio.
E eu? Bem, eu estou trancada num banheiro, tentando ignorar o fato de que o meu coração acelera por alguém que não tem absolutamente nada a ver com tudo isso.
Alguém que não fez parte do processo, mas que, de alguma forma, insiste em atormentar a minha noite.
Saio do banheiro depois de outro longo suspiro. Decido, por fim, ignorar qualquer nova tentativa de flerte daquele ser humano pelo bem da minha sanidade. Talvez insinuar que eu goste de mulheres funcione. No fim das contas, não seria nenhum escândalo… especialmente num meio onde todo mundo já supõe tudo de todo mundo.
Volto para o corredor com passos decididos e puxo as mangas da jaqueta para baixo. Meus olhos ainda se ajustam à luz do corredor quando percebo uma silhueta encostada na parede oposta, de braços cruzados e cabeça levemente inclinada para o lado.
.
Ele me observa com um meio sorriso nos lábios, como se soubesse exatamente onde meus pensamentos estavam vagando, ou pior, como se estivesse por lá também
—Tudo certo? — pergunta com a voz baixa, como se quisesse respeitar a bolha de silêncio na qual eu ainda estava imersa.
—Tudo — respondo rápido demais. — Só… precisava respirar um pouco.
Ele assente, como se entendesse, ou talvez esteja apenas sendo educado.
—Aquele produtor — diz, sem olhar pra mim. — tem uma insistência que beira o talento.
Dou uma risada leve, sem humor.
— É. — Solto um pigarro. A verdade é que eu não tinha dado ouvidos a quase nada que acontecia a minha volta, desde que notara seus olhos sobre mim. — Tava começando a achar que ia ter que fingir um desmaio pra escapar.
— Você poderia ter me chamado — Ele fala com tranquilidade, como se fôssemos velhos amigos, e não apenas duas pessoas se encontrando pela primeira vez.
Eu o encaro por um segundo a mais do que o necessário, surpresa com a descarada.
—Você costuma resgatar garotas de situações sociais constrangedoras? — Ergo uma sobrancelha, um pouco curiosa com aonde tudo isso pode nos levar.
—Só quando acho que vale a pena.—Ele dá um meio sorriso, sem pressa.
A resposta paira no ar por um instante. O suficiente para provocar uma pequena onda de calor sob minha pele. Respiro fundo e desvio o olhar, encarando o chão por um segundo, depois o corredor vazio.
—Eu costumo dar conta sozinha — digo, sem dureza. Só verdade.
—Imagino que sim — ele responde de imediato, como se já esperasse por essa mesma resposta, ainda com o tom tranquilo que me deixa meio sem saber se estou sendo lida ou apenas observada.
Me encosto na parede ao lado dele. Um metro e meio entre nós. Uma distância segura. Mas a sensação, estranhamente, não é de defesa.
É de abertura.
—Você sempre foge assim quando te elogiam ou é só comigo? — ele pergunta, virando o rosto na minha direção.
—Isso foi um elogio?
—Ainda não. — Ele sorri, lento. — Mas se você quiser, posso começar agora.
Céus, ele é impossível!
Dou uma risada curta, tentando disfarçar o calor subindo pelo pescoço.
—Você é sempre assim? — pergunto, e logo continuo. — Tão… seguro do próprio charme?
Ele finge pensar por um segundo, olha para o teto, e então volta o seu olhar pra mim.
— Acho que só quando encontro alguém interessante o suficiente pra testar.
—Testar?
— É. Nunca se sabe quando a química vai responder de volta.
Viro o rosto devagar, encaro ele de lado. Ele sustenta meu olhar, tranquilo. O tempo parece com preguiça de passar entre nós.
—E o que acontece quando responde?
Ele dá um meio sorriso, como se gostasse da pergunta. Como se estivesse esperando esse tempo todo por ela.
—Aí eu paro de testar. E começo a prestar atenção de verdade.
Minha garganta seca por um instante. A luz fraca do corredor projeta sombras suaves no rosto dele, e os olhos escuros me observam com uma calma que desafia qualquer impulso defensivo. Ele não se apressa. Não força. Só fica ali, dizendo tudo com pouco.
Tento lembrar a mim mesma que mal o conheço, que isso pode ser só mais um daqueles flertes inofensivos, típicos de camarins e corredores cheios de ego e luz artificial. Mas alguma coisa nele, em seu olhar, em suas palavras, e até mesmo no cuidado entre as frases ditas, parece escapar dessa lógica.
— Eu deveria voltar — digo, tentando retomar algum controle sobre mim mesmo.
— Devia — diz e inclina levemente a cabeça — Mas... mas agora quero ver até onde vai essa sua resistência.
— Isso não é uma competição — aviso.
— Claro que não. — Ele ergue as mãos em rendição. — Mas se fosse… você estaria perdendo.
—Você é impossível! — Viro os olhos e rio.
—Já me disseram. Mas também disseram que sou divertido. E meio bonito, às vezes.
—Modesto, pelo visto, nem um pouco.
— Confiante, apenas.— Ele dá de ombros.
Reviro os olhos de novo, mas dessa vez sorrio abertamente. Ele dá um passo leve em minha direção, não o suficiente pra invadir o espaço, mas o bastante pra que eu sinta o calor da presença dele. É sutil. Preciso.
Assim como tudo nele.
Ficamos ali, em silêncio por mais alguns segundos. Eu cruzo os braços, mas é mais por hábito do que por defesa.
E ele… continua ali. Me olhando. Esperando.
Sem pressa.
Um calor discreto me percorre por dentro. Como se as palavras dele tivessem sendo ditas direto na pele, e não no ar entre nós. Tento não demonstrar o efeito. Mas ele nota. Claro que nota.
dá mais um passo, reduzindo a distância entre nós. Agora somos separados só por alguns centímetros, e o ar parece mais denso nesse intervalo. Sinto o perfume dele, discreto, amadeirado, com alguma coisa quente no fundo que eu não sei nomear, apenas sentir. Meus olhos caem para a sua boca por um segundo. Rápido demais pra ser um gesto consciente. Mas o suficiente pra que ele perceba.
A resposta vem em forma de silêncio. O tipo de silêncio carregado. Quente. Quase impiedoso. Ele dá mais um passo, tão lento que mal percebo. O ombro quase roça no meu. Sinto a respiração dele tocar meu rosto, e instintivamente, prendo a minha.
Ele encosta a cabeça na parede, ainda me olhando.
— Se você continuar me olhando assim — ele murmura, perto demais do meu ouvido. — Vou acabar achando que quer mais do que só conversa.
— E se eu quiser? — pergunto sem pensar, surpresa comigo mesma
Algo nos olhos dele queima devagar, um tipo de desejo contigo, controlado. Não urgente, mas absolutamente intencional.
—Então eu espero você admitir — ele diz, os olhos fixos nos meus. — Não quero nada que você não me dê por vontade própria.
Essa frase me desmonta, porque não é um convite direto. É uma promessa. Um aviso. Um jogo limpo.
E então eu cedo. Se é que já não havia cedido antes, mas a vontade de tocar aqueles lábios com os meus é maior que qualquer nível de consciência, eu preciso daquelas mãos na minha cintura, do peitoral colocado no meu, dos lábios dele pelo meu pescoço, traçando um caminho que só pode me levar a felicidade.
Eu quero .
E quero tudo o que o olhar dele me promete.
Respiro fundo, sentindo a tensão acumulada entre nós, elétrica e densa como um campo prestes a explodir. Tento recuperar alguma leveza, algum tipo de terreno neutro, mas seu olhar diz que ele já percebeu que eu me perdi há muito tempo.
Passos ecoam ao fundo no corredor, e por um instante, voltamos ao presente. A bolha se desfaz aos poucos, mas o que fica entre nós não desaparece. Apenas muda de forma.
se afasta dois passos. Me oferece a mão, um convite.
—Vamos sair daqui antes que alguém venha procurar a gente?
Olho pra mão estendida. E, por um segundo, penso em dizer não. Ficar. Beijá—lo ali mesmo. Deixar o impulso vencer.
Mas respiro. Me recomponho. E coloco minha mão na dele.
—Vamos.
Ainda de mãos dadas, seguimos pelo corredor em direção oposta à música. Não falamos nada, mas o silêncio agora pulsa com intenções. Quando dobramos um corredor mais isolado, paro e o encaro, ainda sem soltar sua mão.
— Se a gente sair agora, vai chamar atenção — digo, ainda tentando soar racional, mesmo com o coração acelerado no peito.
— Então vamos fazer isso direito — ele responde, como se já tivesse um plano.
se aproxima de uma porta de serviço — discreta, sem placas, com uma trava magnética no alto. Ele encosta o rosto na abertura e troca algumas palavras rápidas com alguém do outro lado, em coreano baixo e íntimo. Segundos depois, a porta destrava com um clique.
—Você já tinha pensado nisso? — pergunto, com as sobrancelhas arqueadas.
— Eu sou bom em prever possibilidades… interessantes — ele diz, abrindo espaço para eu passar primeiro. — E eu realmente quero te tirar daqui.
Saímos para um corredor estreito, com iluminação fraca e cheiro de metal e cigarro apagado. A típica rota dos bastidores, longe das câmeras, dos flashes e dos olhares sedentos por conteúdo. Não era à toa que fosse um restaurante popularmente frequentado por Idols.
— Preciso buscar meu celular. Ficou na recepção quando entrei — digo, colocando o capuz da jaqueta sobre a cabeça.
Ele assente, tira da bolsa um boné simples preto, colocando sobre os cabelos pretos. Depois, pega um par de óculos escuros finos e o entrega pra mim. O segurança da recepção nos olha com estranhamento quando nos aproximamos, mas apenas sorri e se adianta, explicando que estou passando mal, que preciso do celular para chamar alguém. O homem hesita, mas logo me entrega o aparelho sem questionar mais. Quando saímos pela lateral do prédio, o ar noturno de Seul nos recebe como um choque bom. É verão, mas o vento gélido faz dessa uma madrugada fria. Abraço meu próprio corpo na intenção de me aquecer.
me olhos sobre as lentes dos próprios óculos.
—Queria poder te aquecer, mas não posso arriscar te abraçar em público.
A declaração me desarma. E me pergunto como alguém pode ser tão sexy e fofo ao mesmo tempo.
—Sem problemas! – Eu sorrio. — E agora? — pergunto, parando na calçada.
Ele enfia as mãos nos bolsos e me olha como se a noite tivesse acabado de começar, então indica com a cabeça para o carro estacionado a poucos metros da lateral do restaurante, camuflado sob a sombra de uma árvore. Um dos motoristas da equipe de está no banco da frente, discreto, quase invisível, como se fizesse parte da noite. Ele abre a porta pra mim, sem dizer nada. Entro, ainda com os óculos escuros e o capuz sobre a cabeça. Ele entra logo depois, e o carro parte devagar, deslizando pelas ruas iluminadas de Seul.
Lá dentro, o silêncio não é desconfortável, e sim carregado, de vontades, de desejos, e de expectativas. O tipo de silêncio que pulsa entre dois corpos que sabem o que estão sentindo, mas ainda não verbalizaram. Olho pela janela. As luzes da cidade correm do lado de fora, borradas, quase irreais. Minhas mãos estão geladas, mas o centro do meu corpo pulsa com algo quente. Sinto sua mão se aproximar devagar. Não encosta. Só paira perto. Como um convite que ainda precisa ser aceito.
— Quer que eu te leve pra casa? — ele pergunta, finalmente.
Viro o rosto em sua direção, os óculos ainda no rosto, mas mesmo assim sei que ele está me olhando. Gentil, paciente. Tiro os óculos, devagar, e deixo que ele me veja de verdade. Que veja o cansaço da noite, o desejo mal disfarçado.
Ele segura meu olhar.
—Minha casa ou a sua? — pergunta ele outra vez, com a voz suave, dessa vez a pressa e a urgência se revelando através do olhar compreensível, me dizendo que ele me quer tanto quanto o quero.
E caramba, eu o quero pra caralho.
Me viro completamente pra ele, sem mais barreiras, sem mais frases cortadas pela dúvida. Só a certeza de que hoje a noite eu serei dele, e será meu.
—A sua – digo simplesmente, com a voz roupa, a expectativa pulsando em cada pedaço do meu corpo.
Ele apenas faz um gesto com a cabeça. Sem sorrisos. Sem comemorações. Só acolhe a decisão com o mesmo cuidado que tem usado a noite inteira. Troca algumas palavras com o motorista, e mudamos de direção.
O caminho até lá é silencioso. E minutos mais tarde chegamos a um condomínio residencial em um bairro elegante, com ruas limpas, muitos seguranças, câmeras, vidros escuro e silêncio. Entramos pelo estacionamento do subsolo, e um elevador privado nos leva direto até o andar dele. Quando a porta se abre, o mundo lá fora desaparece por completo.
O apartamento de parece mais uma galeria silenciosa do que uma casa. Meus pés deslizam sobre o piso de porcelanato claro, aquecido, impecável. O teto alto e as paredes em tons neutros de off—white, cinza claro e tons de areia, funcionam como moldura para o que realmente importa ali: a arte.
Quadros grandes, imponentes, ocupam paredes inteiras. Desenhos abstratos em cores profundas, retratos monocromáticos, com traços intensos e olhos que parecem observar de volta. Tudo iluminado por spots embutidos, estrategicamente posicionados, revelando texturas nas telas e sombras nos relevos.
No centro da sala, sobre um aparador de mármore, repousa uma escultura em bronze, fragmentada, nua, sem braços, com o rosto suavemente inclinado. Em outro canto, uma escultura em pedra negra, moderna, curvilínea, quase viva à meia—luz.
Os móveis são poucos e precisos. Um sofá de linho escuro, amplo, com almofadas de veludo e diversas pelúcias espalhas sobre o mesmo, um contraste marcante diante de uma decoração quase que monocromática. Uma poltrona única, em couro marrom envelhecido. Nenhuma peça parece recém—comprada.
Livros estão empilhados em mesas laterais, sem ordem visível. Moda, arte, fotografia, filosofia oriental. Sobre uma delas, repousa um incensário em cerâmica rústica, ainda com o leve cheiro de sândalo adormecido no ar.
Tudo tem história. Tem gosto, é íntimo, como se cada objeto soubesse exatamente o porquê de estar ali. Assim como ele.
— Fica à vontade — ele diz, tirando o boné e deixando as chaves sobre o balcão da cozinha.Tiro o capuz devagar, observando o ambiente enquanto me aproximo da janela ampla que dá vista pra cidade. As luzes de Seul se espalham até onde a vista alcança.
Sinto a presença dele se aproximar por trás. E eu me viro em sua direção.
Nossos olhos se encontram. Mas ele não faz menção de se aproximar mais. Espera, então sou eu quem dá o primeiro passo.
Um pequeno. Mas definitivo.
Paro à frente dele. As mãos dele continuam ao lado do corpo, respeitosas. Mas o olhar… o olhar é faminto e gentil ao mesmo tempo. Um paradoxo impossível de resistir. Levanto a mão e toco o colarinho da camisa que ele ainda veste. Sinto o tecido macio sob meus dedos. Sinto ele prender a respiração. Acompanhando cada movimento com o olhar recheado de desejo.
— … — sussurro ao colar meu peito sobre o dele. Sinto seu coração bater forte contra minha pele, ou talvez seja o meu próprio reverberando de ansiedade pelo que está por vir
—Hm? – ele murmura fechando os olhos, quando ergo minhas mãos até seu rosto, passando pela sua clavícula e pescoço, faço um mapa mental de cada pedacinho que pretendo passear com a minha boca.
A respiração entre nós é curta, e o ar parece mais quente. Nenhum de nós diz mais nada. Porque não há mais nada a dizer.
Dou mais um passo, agora bem próxima. O perfume dele me envolve, e meus olhos caem para a curva suave da boca dele, entreaberta, como se também estivesse esperando.
Mas eu não espero mais.
Encosto minha boca na dele de uma vez, sem anúncio, sem cerimônia, sem timidez. O beijo é direto, cheio de urgência. Como se o corpo tivesse cansado de esperar pela mente. E ele retribui prontamente, com a mesma fome, a mesma entrega contida até então.
Suas mãos sobem devagar pelas minhas costas, como se quisessem mapear cada centímetro antes de reivindicar qualquer território. Minhas mãos inquietas se perdem nos cabelos dele, puxando com vontade, e um som rouco escapa de sua garganta, quase um aviso, quase um convite. A língua dele encontra a minha com precisão, e o mundo fora daquele apartamento evapora. Agora somos só nós.
Boca, pele, desejo.
Ele me empurra suavemente até a parede mais próxima, prendendo meu corpo entre o dele e o concreto frio. Sinto o contraste da temperatura, meu corpo quente, o toque gelado atrás, e a boca dele na minha, quente de novo. Meus dedos agarram sua camisa, e a puxo para cima, sentindo cada músculo tenso sob meus dedos. desce os beijos pelo meu pescoço, explorando a pele com lábios, língua e dentes, a respiração quente, e um controle que me enlouquece mais do que qualquer urgência.
A forma como ele segura meu quadril com firmeza, a boca colada na minha clavícula. Tudo nele diz que ele sabe exatamente o que está fazendo. E sabe como eu gosto, e como eu o quero. Meu corpo já não obedece mais aos pensamentos. Ele reage sozinho. Me arqueio em direção a ele, sentindo a pressão aumentar entre nossos corpos.
—Me diz se quiser parar — ele sussurra, sem abrir os olhos, os lábios ainda roçando minha pele.
— Não para — respondo, ofegante – Eu te quero.
E é tudo o que ele precisa ouvir. agarra minhas coxas e me pega no colo, envolvo sua cintura com os tornozelos e solto um gemido sofrido ao sentir sua ereção marcante pressionar minha pelve. Ele nos conduz até o quarto, a respiração pesada ao lado da minha. Tudo é rápido e sem hesitação. Nossos corpos desesperados passaram a noite inteira esperando exatamente por esse momento, e agora só buscam libertação.
O quarto dele é silencioso, amplo, com luzes baixas vindas da rua atravessando as cortinas finas, mas não tenho nenhuma lucidez para reparar em muita coisa. O ambiente respira como nós: abafado, tenso e cheio de expectativa. me coloca no chão e me viro de costas pra ele, tirando a jaqueta lentamente, sentindo os olhos dele me observarem como se cada centímetro exposto fosse um convite.
E ele prontamente aceita.
Ele se aproxima pelas minhas costas. As mãos tocam minha cintura, deslizam com firmeza, e sua boca encontra meu ombro nu. O beijo que ele deixa ali é diferente dos da sala, mais demorado, explorando pela primeira vez o território que pediu com o corpo inteiro para conquistar. Quando me viro de frente, ele me beija de novo. Devagar, menos urgente, mas não menos gostoso. Como se estivesse abrindo o caminho para algo mais profundo, mais explorado. Suas mãos descem pelas minhas coxas, puxando a saia do meu vestido com precisão, sem perder contato com minha pele. Ele se ajoelha à minha frente como se fosse o lugar mais natural do mundo pra ele estar. Me olha por um segundo, os olhos escuros, intensos, fixos nos meus, como se perguntasse de novo, em silêncio, se é isso que eu quero.
Céus, se ele pudesse ouvir pensamentos, eu estaria envergonhada do quanto eu quero esse homem. Não o respondo com palavras. Deslizo os dedos por seus cabelos, puxando de leve, e ele entende.
As mãos dele seguram minhas pernas com firmeza, ele ergue uma delas até esteja apoiada em seu ombro. Sua mão arrasta o tecido, já úmido, da minha calcinha pro lado. passa os dedos pela minha intimidade, espalhando a lubrificação por toda a extensão e então sua boca começa a explorar sem pressa. A primeira língua quente contra minha pele me faz soltar um suspiro baixo, e ele sorri, satisfeito. Como se estivesse colecionando reações. A língua desliza, certeira, ora lenta, ora rápida. Depois firme, depois de novo suave.
A cada movimento, meu corpo cede mais. Meus quadris se movem por impulso, buscando mais, querendo mais. Ele segura firme, com uma mão na base das minhas costas, mantendo o controle. A outra sobe por minha barriga, até encontrar minha mão, e entrelaça nossos dedos ali mesmo, no meio do caos. Sua língua me penetra, fazendo movimentos de entra e sai e então volta a chupar meu clítoris com precisão, com vontade, como se estivesse devorando o sorvete favorito. Jogo a cabeça pra trás, dominada pelo prazer de ter aquele homem me chupando.
— … — suspiro, o nome dele escapa da minha boca como se não houvesse mais nada no mundo além dele e de mim.
Ele não responde. Não precisa.
Só continua. Seus dedos se juntam a equação, estimulando meu ponto de prazer, enquanto sua língua segue fazendo um trabalho maravilhoso. E quando eu finalmente perco o controle, quando o prazer explode em ondas quentes e incontroláveis, ele me segura inteira.
Fico ali, ofegante, ainda trêmula, com os dedos dele apertando os meus, e a boca ainda quente encostada na minha pele, sugando cada gota. Ele levanta o rosto devagar e me encara com um sorriso lento, perigoso.
—Gostosa pra caralho — ele sussurra, entre o sorriso enviesado.
Eu rio, ainda sem fôlego, e o puxo pra cima pela gola da camisa, colando a boca na dele. O meu gosto ainda fresco em sua pele, e agora também na minha língua. O beijo é mais profundo, mais urgente, e a respiração dele encontra a minha como fogo encontrando gasolina. Agarro a barra de sua camiseta e a tiro com sua ajuda, deixando—a cair no chão sem cerimônia. Encaro seus olhos escuros, dilatados, cheios de uma fome, que antes era contida, mas que começa a escapar sem controle. .
—Tira tudo — ele diz, a voz rouca e baixa, sem um pingo de doçura.
Obedeço.
Deslizo as alças finas do vestido de seda preta e o deixo escorregar pelo meu corpo, juntamente com a única peça da lingerie que escolhi vestir essa noite, e fico ali, nua, de pé diante dele, sentindo o coração bater no centro do corpo. Não há vergonha. Não há nervosismo. Só consciência do próprio corpo e de como ele me olha, como se me quisesse antes mesmo de me tocar.
Ele me empurra de leve até a cama, e caio sobre os lençóis com uma risada curta e ofegante. Ele se livra do restante das roupas em silêncio, os olhos nunca deixando os meus. E quando se deita sobre mim, protegido, sinto o corpo dele quente, pesado, encaixando com perfeição sobre o meu.
Não há pausas.
Ele entra devagar, me dando tempo pra me acostumar com o seu tamanho, os olhos cravados nos meus. Um suspiro escapa da minha boca, e o corpo todo responde. Assim que chega ao meu fundo, ele se retira e entra novamente com calma e paciência, mais duas vezes antes do instinto dominar seus movimentos. ruge com a sensação de preenchimento, de presença total. Seu pau entrando e saindo num ritmo enlouquecer, meus suspiros e gemidos de prazer, parecem ser um estímulo pra que ele meta mais rápido. Mais forte.
Sua cabeça se apoia em um lugar entre meu ombro e pescoço, e sinto um novo orgasmo se aproximar quando ele começa a depositar beijos molhados pela região. Seus quadris voltam a se mover devagar, deslizando em um ritmo lento, calculado, como se quisesse fazer durar, prolongar o tempo entre uma estocada e outra. Suas mãos percorrem minha cintura, meus seios, minha nuca, me apertando com precisão, com um domínio físico que me arranca suspiros e gemidos baixos, íntimos.
E então a velocidade aumenta novamente.
Nossos gemidos se misturam com respirações pesadas e frases cortadas. As mãos se agarram. Os corpos colidem. Os olhos fecham. Só o instinto permanece. Ele me vira de lado, depois de costas, sem perder o ritmo. Me puxa para cima, encaixa meu corpo no dele, e me faz cavalgar sobre ele com uma força que me domina por completo. Suas mãos apertam meus quadris com uma firmeza que marca. E eu rebolo contra ele sem vergonha, sem medo, querendo mais, pedindo mais. Implorando por libertação.
E ela vem, como uma onda lenta e violenta. Primeiro um tremor. Depois um grito abafado contra a pele dele. E por fim, o colapso.
Deixo meu corpo pender sobre o dele por alguns segundos, ainda o sentindo duro dentro de mim, até que o fôlego volte. Então o beijo com sensualidade, ergo o quadril sentindo—o sair de mim com um arrepio, retiro a camisinha com cuidado, sem pressa. Pego em suas mãos e as guio até meus seios, espalmo uma em cada um deles, estimulando para que ele os massageie, me esfrego em sua ereção, pra cima e pra baixo, lenta e provocante. pressiona os bicos dos meus seios com os dedos, e sinto à excitação crescer novamente em meu ventre, acendendo de novo algo quente. Pulsante.
Mas agora... Isso já não é mais sobre mim.
Não mesmo.
Esse homem me fez gozar duas vezes.
Está na hora de retribuir o favor.
Deslizo meu corpo pra baixo, deixando um rastro de beijos em seu pescoço, peitoral e ventre. Me ajeito entre suas pernas, encaro seu pau, grande, rígido, brilhando sob a penumbra do quarto, quase como se me olhasse de volta, implorando por atenção.
Ele está ali. E agora é meu.
Pego—o com a mão, envolvo com delicadeza e firmeza. Passo um dedo suave pela glande, espalhando o pré—gozo ao longo da extensão, lubrificando—o com cuidado. solta um suspiro baixo, grave, e arqueia levemente os quadris, um pedido mudo. Desesperado.
Sorrio. E me inclino para satisfazer cada centímetro dele, da melhor forma que eu sei.
Deslizo a língua com lentidão pela base, subindo devagar, saboreando cada reação. Sinto os músculos do seu abdômen se contraírem sob meus beijos. Seguro a base com firmeza e passo a ponta da língua pela glande, contornando devagar, como se estivesse aprendendo o seu sabor, e gostando de cada gota dele. solta um gemido rouco, abafado contra o travesseiro, uma das mãos indo parar nos meus cabelos. Não empurra. Só segura. Firme, presente. Levo—o mais a fundo com calma, sentindo o calor, o peso, a textura preenchendo minha boca aos poucos. Meus lábios se fecham em torno dele, e começo um movimento ritmado, cadenciado.
Entra e sai.
Úmido e quente.
respira mais alto. Seus quadris reagem, se movem de leve. Sua mão aperta meus cabelos com mais força, e o gemido que escapa da garganta dele me faz estremecer. Há algo incrivelmente excitante em ver alguém tão no controle… se desfazer assim.
Intercalo a sucção com beijos e carícias com a língua, explorando cada parte, cada resposta. Uso a outra mão para estimulá—lo na base, enquanto a boca trabalha com ritmo e intenção. Olho pra ele por entre os fios do meu próprio cabelo, e o encontro com os olhos fechados, os lábios entreabertos, completamente entregue.
A sensação de poder sobre ele me percorre como uma segunda onda de prazer.
Ele se apoia nos cotovelos, tenta abrir os olhos, mas logo os fecha de novo.
— Porra, … — ele sussurra, entre gemidos, com a voz quebrada de prazer.— Eu juro que vou foder você como voc.. ahhhh – geme alto, desesperado.
Sorrio com os olhos.
E continuo.
Aumento o ritmo. Envolvendo—o mais fundo. Sem pressa, mas sem piedade. Quero ver até onde ele aguenta. Quero sentir o momento exato em que ele vai perder o controle. Sinto seu corpo tenso sob minhas mãos. Os músculos das coxas rígidos. A respiração descompassada. A mão dele agora segura meus cabelos com mais firmeza, avisando que está perto. Muito perto.
— Se continuar… eu vou… — ele tenta dizer, mas de novo não termina a frase.
E eu não paro, quero levá—lo até o fim.
E levo.
Num último gemido grave, intenso, ele goza em minha boca, o corpo inteiro se arqueando embaixo do meu. Sinto cada pulsar dele, cada espasmo, cada segundo da entrega. Seguro firme, recebendo tudo, cada gota, até que o corpo dele desfaleça de novo sobre os lençóis. Passo o dorso da mão sob os lábios, limpando qualquer vestígio que possa ter escapado por entre meus lábios.
Deito ao lado dele com a respiração ainda descompassada, a boca quente, a pele em chamas. vira o rosto em minha direção, ofegante, e solta um riso abafado.
— Isso foi… insano. – Ele me puxa junto ao seu corpo, beija meu pescoço, queixo, até aprofundar um beijo lento em minha boca.
Sinto minha intimidade pulsar.
Eu estou exausta, e ainda assim completamente excitada por esse homem.
Não respondo. Só sorrio, satisfeita. Em silêncio.
Um corpo sobre o outro. A respiração voltando ao normal. O suor ainda colando pele com pele. Não há juras. Nem olhares apaixonados. Só dois corpos saciados, deitados lado a lado, como estranhos que sabiam exatamente o que estavam fazendo.
E que não se arrependem de nada.
Falta pouco para o sol nascer quando saio dos braços de , que dorme preguiçosamente em sua cama. O quarto ainda guarda o calor da noite aproveitada, e o ar ainda carrega o cheiro da pele suada, do desejo, do silêncio satisfeito.
Visto minhas roupas com cuidado, evitando qualquer barulho que possa despertá—lo. Me movo devagar, porque sei que esse espaço não me pertence, nem pretendo que pertença. Antes de cruzar a porta, paro por um instante.
Observo—o dormir.
Seu rosto sereno, os cabelos bagunçados sobre o travesseiro, uma mão solta sobre os lençóis, ainda entreaberta, como se tivesse aguardando eu retornar para o lugar que eu ocupava instantes antes.
Ele é bonito dormindo. Quase vulnerável.
Mas não é por isso que fico alguns segundos a mais.
É só para guardar a cena. O fim da dança.
E então me viro.
Deixo o quarto. Deixo o apartamento.
Sem olhar para trás.
Foi divertido. Intenso. Prazeroso.
Mas foi apenas isso:
Uma dança de uma noite só.

