Revisada por: Hydra
Finalizada Em: 05.07.2025Aquela se contava a terceira semana consecutiva em que chegava do trabalho e encontrava seu vizinho do apartamento ao lado, jogado ao chão do corredor. De todas as outras vezes que isso havia acontecido, seu pedido de socorro fora ao zelador do prédio. Porém, como o velho John estava hospitalizado por problemas de pressão alta, ela não conseguia pensar em mais ninguém que pudesse ajudá-la naquele momento.
— Morador do 17? — ela se aproximou do homem e o chutou de leve para saber se ele ainda estava vivo — De novo… Como ele consegue ainda ter saúde?
Ela se abaixou e tocou em seu ombro.
O rapaz que estava de bruços, foi virado por ela. pode observar o quanto ele estava em delírios, certamente sob o efeito de todo o álcool que ingeria diariamente. Suas pálpebras começaram a mexer, até que ele abriu os olhos em uma fresta. Um sorriso estranho surgiu em sua face, deixando-a estática por instantes.
— Oi, querida? Veio me levar para casa? — disse ele, com seu tom nitidamente de embriaguez.
— Hum?! — franziu a testa, confusa e sem entender — Não deveria estar caído aqui.
— Aonde mais eu cairia? — perguntou ele, de forma debochada.
— Dentro do seu apartamento e não na porta dos outros. — disse ela, inutilmente.
Já que não era a primeira vez, e temia que não fosse a última.
Por um infortúnio da vida, o vizinho do 17 sempre caía exatamente em sua porta. O que lhe causava o transtorno de pedir ao zelador para retirá-lo do local. Mas agora, ela não tinha a quem pedir socorro, então teria que resolver o problema por si mesma. A esforçada publicitária remexeu os bolsos do rapaz, encontrando as chaves dele. Se levantando, deu alguns passos até a porta certa e abriu, deixando-a aberta.
Em seu pensamento, acho que assim seria mais fácil carregá-lo para dentro.
Apoiando sua bolsa e a pasta de projetos no chão ao lado de sua porta, se esforçou para ajudá-lo a se levantar pelo menos. Mesmo magro e com ar de quem não se alimentava direito, o homem continuava pesado em comparação a sua estrutura, e o cheiro forte de álcool também não ajudava em sua concentração. Não deu nem dois passos e o corpo do vizinho desabou no chão, puxando-a consigo.
— Ai! Droga! — xingou ela, sentindo uma leve dor em seu braço causada pelo impacto no chão.
— Eu te amo, querida, não brigue comigo de novo. — disse ele, mais uma vez em delírios.
respirou fundo bufando de raiva e se levantando novamente.
Pegou as mãos do homem e saiu arrastando seu corpo pelo corredor até chegar em seu apartamento. Por um leve momento ela se sentiu como uma criminosa escondendo um cadáver, e caiu em pequenas gargalhadas pelo caminho. Assim que finalmente conseguiu fazer o que planejou, deixou o corpo do vizinho jogado ao chão de seu apartamento e saiu pela porta. Pegando sua bolsa e a pasta, finalmente conseguiu entrar em seu, retornando ao propósito inicial de sua volta para casa. Assim que passou pela porta e a fechou, trancando-a, retirou os sapatos de salto alto dos pés e seguiu descalço até a mesa de trabalho que ficava próximo a janela da sacada.
— Agora sim, finalmente cheguei. — sussurrou ela, deixando a bolsa e a pasta na mesa, seguindo para a cozinha.
Seu próximo passo: relaxar.
Começando esquentando um pouco de água na velha chaleira, para desfrutar de uma boa xícara de chá, enquanto ouvia sua música de trilha sonora de Isn't She Lovely e toda a discografia de Stevie Wonder. Seu cantor favorito. Assim que a chaleira soou a água que fervia, colocou o sachê de chá de camomila na xícara e despejou a água. Sentando-se na poltrona recém adquirida em uma loja de antiquário, se acomodou para que a coluna relaxasse. E dando play em sua playlist pré programada no spotify, assoprou o líquido e deu o primeiro gole.
— Tudo que eu mais preciso. — sussurrou novamente — Paz… Tranquilidade...
Ela tomou mais um gole e fechou os olhos, para entrar na vibe da música.
não queria pensar na cena de seu vizinho que nem mesmo sabia o nome, jogado ao chão frio no apartamento ao lado. E por mais que ela tentasse focar seus pensamentos em apenas relaxar, sem nem mesmo permitir que os problemas que teria que resolver no trabalho, na manhã de segunda, lhe tirassem o silêncio mental…
O olhar desnorteado dele vinha em sua mente.
— Droga. — disse ela, deixando a xícara na mesa de apoio ao lado da poltrona e se levantando.
Ela seguiu até seu quarto e finalmente trocou de roupa.
Colocou um conjunto de moletom, guardou o celular no bolso da calça, pegou uma gominha e prendeu seu cabelo. Contrariada com a sua consciência, de quem um dia foi ensinada por seus pais a ajudar a quem necessita de caridade, ela saiu de seu apartamento deixando-o trancado e voltou ao número 17. Assim que entrou, se deparou com o corpo do homem estirado no mesmo lugar em que havia deixado. Soltando um suspiro cansado, ela se aproximou dele e conferiu se ainda estava vivo.
— Bem, não foi desta vez. — disse de forma debochada, ao sentir a pulsação do rapaz através de seu pulso — Mas você está quente.
Ela estranhou de imediato.
E como nunca havia se envolvido mais do que apenas pedir ao zelador para desaparecer com ele de sua porta, então não sabia se era normal seu corpo estar naquela temperatura. pegou seu celular e discou o número da amiga. Sabia que Lola teria algum tipo de conselho ou dica para lhe dar, já que trabalhava na área da saúde.
E não foi difícil explicar a situação, e ainda implorar por ajuda a distância.
— Por favor, amiga. — disse , voltando o olhar para ele — O estado parece ser crítico e não quero ser presa por negar prestação de socorro, caso aconteça o pior.
— Eu sou enfermeira, não fiz medicina, não é tudo que eu sei. — explicou Lola, do outro lado da linha.
— Amiga, só você me resta, pergunta pra algum médico aí? O Dr. Torres com quem está saindo, não posso gastar dinheiro levando ele ao hospital. — instigou .
— Eu e o Torres é puramente atração física, eu não tenho tanta intimidade assim para outros assuntos. — alegou ela.
— Lola, se ele morrer a culpa poderá ser nossa por não prestar socorro, e não quero ter esse peso na minha consciência, não foi pra isso que meus pais me criaram. — retrucou ela.
— Imagina o que o pastor James diria da filha perfeita dele. — Lola soltou uma gargalhada — Não é fácil ser a filha do pastor, né?!
— Muito engraçado, estou falando sério, vai me ajudar ou não?! — a voz de ficou mais séria.
— Tudo bem, você disse que ele está com pulsação, o que é bom, a febre eu não faço ideia do que pode ser, mas posso dar uma pesquisada por aqui. — disse a amiga, com mais seriedade — Um passo de cada vez, se ele está no chão, coloque-o no sofá agora mesmo, a febre eleva a temperatura da pessoa, mas se ele continuar em contato com o chão frio, pode piorar seu estado, por perder rapidamente esse calor gerado internamente ou por choque térmico do corpo quente com o chão frio.
— Ok, vou tentar colocar ele no sofá que tem aqui, mais alguma coisa? — perguntou .
— Bem, talvez pelo excesso de álcool seu corpo esteja tentando chegar ao equilíbrio, o que pode explicar a febre… — Lola pareceu pensar mais um pouco — Precisamos controlar a febre e eu já te ensinei como faz isso, mas continue mantendo ele aquecido, quanto a embriaguez, tendo sorte dele acordar, faça-o tomar bastante água para limpar o organismo e algum isotônico que ajuda a repor eletrólitos do corpo, sódio e potássio.
— Tudo bem, mas e se ele não acordar novamente? — começou a se preocupar mais.
— Aí ocorre a probabilidade de um coma alcoólico, querendo ou não, você terá que ligar para a emergência. — explicou Lola.
— Ok… — soltou um suspiro cansado e frustrado, então notou que o vizinho se remexeu no chão — Acho que ele está acordando, vou fazer o que me aconselhou. Obrigada amiga.
— Me mantenha informada. — pediu Lola.
— Vou sim. — assentiu.
— E se precisar de alguma receita, me avisa, que peço ao Torres. — assegurou ela.
— Fechado! — assentiu.
Ao encerrar a ligação, ela guardou o celular no bolso novamente e se aproximou dele. O vizinho estava parcialmente consciente, porém, sem forças para se mover com precisão. o ajudou a se levantar e o colocou em cima do sofá. Foi só então que ela notou que sua camisa estava meio molhada e ensanguentada.
— O que aconteceu com você?! — sussurrou ela, em choque.
— Você voltou. — ele mesmo com os olhos fechados, abriu um sorriso de canto.
— E você não morreu. — ela tentou, mas seu comentário soou com ironia — Você tem camisas limpas?
— O que seria isso? — brincou ele.
— Claro que não dá pra te perguntar nada. — ela bufou e se afastou adentrando mais o apartamento dele.
Em termos de layout e espaçamento, o lugar era relativamente parecido com o dela, porém, em termos de limpeza e organização, perdia feio. achou o quarto do rapaz com facilidade, entretanto, encontrar uma peça de roupa limpa foi quase uma missão impossível. Ela aproveitou para passar no banheiro e pegar o kit de primeiros socorros, quem sabe ajudaria em algo. A sorte veio quando encontrou no armário debaixo a pia, algumas toalhas limpas.
— E lá vamos nós. — disse ela, respirando fundo ao voltar para sala e ver o vizinho caído ao chão — Como ele...
Segurando sua revolta acumulada.
Ela deixou os objetos que carregava em cima da mesa de centro e o ajudou a voltar para o sofá. Aproveitando o ensejo, retirou a camisa ensanguentada e colocou a limpa que encontrou, o acomodou de forma em que seu corpo ficasse um pouco mais erguido, ajeitando atrás de suas costas, as almofadas que encontro espalhadas pelo chão. Assim, caso ele tivesse algum tipo de convulsão, não teria risco de morrer sufocado, ou algo do tipo.
— Como você ainda está vivo? — perguntou ela, num tom baixo — É um milagre que ainda esteja respirando.
Ela sabia que talvez, o vizinho pudesse não entender o que ela dizia, por seu estado de embriaguez. Contudo, não se importava em fazer seus comentários em voz alta.
— Eu também me faço essa mesma pergunta todos os dias. — sussurrou ele, deixando-a surpresa.
Seu corpo gelou a princípio.
Contudo, voltou a realidade e continuou cuidando dele, colocando as toalhas úmidas em sua testa para abaixar a febre e verificando sua pulsação. A jovem puxou uma cadeira e colocou ao lado do sofá, decidindo que ficaria o observando até a febre abaixar. Mesmo em choque pelas suas poucas palavras, de tempos em tempos ela quebrava o silêncio que pairava no ambiente, fazendo-lhe alguma pergunta para que ele respondesse.
Assim se certificava de que ele ainda estava parcialmente consciente.
— Porque está cuidando de mim? — perguntou ele, se remexendo no sofá para olhá-la.
Seus olhos mesmo semicerrados, lhe permitia visualizá-la com alguns borrões.
— Olha só quem está um pouco mais lúcido. — brincou ela, tentando reprimir o sarcasmo, sem sucesso.
— Não me respondeu. — insistiu ele.
— Considerando o fato de nem saber seu nome, também me faço essa mesma pergunta. — disse ela, trocando a toalha em sua testa — Você é simplesmente o vizinho do 17 que sempre cai na porta do meu apartamento, e nem adianta dizer que confunde 16 com 17, a sua porta é a última do corredor.
Ele riu baixo.
— Devo levar esse riso como algo proposital? — ela o olhou curiosa.
— , me chame de . — disse ele, gemendo um pouco — Acho que estou com frio.
— Sua temperatura… — colocou a mão no pescoço dele e sentiu de imediato a diminuição da temperatura.
Ela se levantou e voltou ao quarto dele, pegando uma manta que tinha em cima da cama, retornou a sala e jogou sobre seu corpo.
— Me esqueci que tinha que te manter aquecido. — confessou ela, num tom de culpa.
— Já está fazendo muito. — ele riu novamente — Como devo chamar o anjo que cuida de mim?
— . — respondeu ela.
— Estou apaixonado por você, . — disse ele, soltando um suspiro cansado.
— Sei. — ela ignorou aquilo e pegou o termômetro que encontrou na caixa de primeiros-socorros e colocou embaixo do braço dele — Fique quieto e se recupere logo.
As horas se passaram com ela monitorando seu estado de saúde.
A cada alteração, uma mensagem para sua amiga, a fim de ter certeza de que estava seguindo as orientações corretamente. Com uma frequência espaçada de hora em hora, quase lhe forçava a tomar água, na medida do possível. Em um piscar de olhos, o cansaço de chegou ao limite e mesmo lutando contra o sono para se manter acordada, ela acabou dormindo ali mesmo. Sentada ao chão e debruçada no sofá. Um sono profundo, que durou algumas horas, mas lhe rendeu latejantes dores na coluna.
Ao finalmente acordar.
se espreguiçou do chão e olhou para o lado. estava acordado e observando-a em silêncio. A publicitária, meio envergonhada pelos olhares do rapaz, se recompôs e levantou-se do chão.
— Como está? — perguntou ela, tentando disfarçar o constrangimento — Se sente melhor?
— Me lembro do seu nome e que você me trouxe pra cá, então acho que estou numa boa agora. — respondeu ele, à sua maneira.
— Aposto que você não deve ter se alimentado direito nas últimas horas, a julgar pelo seu estado de embriaguez inicial. — disse ela, se espreguiçando novamente, agora sentindo alguns barulhos dos ossos da coluna estalando, e respirando fundo, seguiu para a área da cozinha — Levando em conta que ainda não chegamos a 12 horas.
— Doze horas do que? — ele a olhou confuso.
— É o tempo que leva para o álcool sair da corrente sanguínea. — explicou ela.
— Você é médica?! — perguntou ele, admirado.
— Não, mas tenho uma amiga enfermeira.
— O que vai fazer?! — indagou novamente, ao vê-la mexer nos armários.
— Você precisa se alimentar, tem algo nesses armários? — ela o olhou.
— Eu tenho cara de quem cozinha? — retrucou com outra pergunta.
Ela bufou novamente.
Ao controlar-se para não retrucá-lo, se retirou do apartamento. Voltando ao seu, pegou alguns mantimentos no armário e colocou em uma sacola de papel. Passando pela sala, ela viu sua xícara com o chá pela metade e totalmente fria. Algo que lhe partiu o coração, em recordar seu planejamento para o final de semana, que foi totalmente arruinado pelo imprevisto do número 17. Retornando ao apartamento ao lado, pegou duas panelas e começou a cozinhar. Fazendo as contas, no seu celular marcava quase dez horas em seu momento enfermeira improvisada, o que parecia muita coisa. E o fato de ter adormecido, sentada ao chão, se explicava as horas do relógio, que marcava cinco da manhã.
Se aproximava o amanhecer.
— Aqui. — disse ela, ao se aproximar dele, com uma tigela de sopa de legumes bem nutritiva.
fez uma careta, sendo recebido por um olhar atravessado dela.
— Coma. — disse num tom de ordem.
— Ok. — assentiu ele, pegando a tigela, sendo amparada por um pano por estar quente.
— Deixe esfriar um pouco. — aconselhou ela.
— Você não vai comer também? — perguntou ele.
— Estou sem fome. — respondeu indo se sentar na poltrona de frente para ele.
Foram alguns minutos de silêncio que se podia ouvir os carros já circulando na rua, com ela o observando.
— Porque você faz isso com a sua vida?! — perguntou ela.
— Está preocupada comigo? — contra perguntou ele.
— Eu estou aqui não estou? — respondeu o óbvio — Um pouco curiosa admito… Revoltada porque deixei minha xícara de chá e um capítulo de O Senhor do Aneis me esperando em casa, além do fato de já ter quatro meses que moro aqui e não teve um dia em que eu não te encontrei caído na frente do meu apartamento.
Ele riu.
Tinha um motivo banal para os conhecidos de , porém, relevante para ele.
— A pessoa que morava no número 16 antes de você, era especial para mim. — revelou ele, num tom mais baixo.
— E o que aconteceu com ela? — temeu a sua pergunta, mas queria fazê-la.
— Acidente de carro. — respondeu ele.
— Lamento. — disse ela, num tom mais suave.
— Meus amigos dizem que eu deveria ter superado, já que ela não me amava e iria se casar com outro, mas eu simplesmente não consigo. — colocou a tigela da mesa de centro e reclinou seu corpo para trás, se apoiando no encosto do sofá.
— E está destruindo sua vida por alguém que nem mesmo tinha sentimentos por você?! — se mostrou embasbacada — Isso é uma piada, não é?!
a olhou sério.
— Não acha que é hora de virar a página? Ela morreu, ok, é normal ter o luto, mas jogar sua vida morro abaixo por alguém que nem te amava, acho meio insano demais. — ela foi mais do que sincera e realista em suas palavras — Você não enxerga, mas está deixando de viver experiências na sua vida por alguém que nem merece.
Ela se levantou da poltrona, inconformada com a história dele.
— Aonde você vai?! — perguntou ele.
— Gastar meu precioso tempo com algo que valha a pena, e não com uma pessoa que se destroi sem pensar nas pessoas que realmente importam. — ela se afastou dele e saiu pela porta o deixando surpreso com tal reação.
estava com o físico pesado demais para se deitar na cama, e com a mente cansada demais para forçar uma leitura, então resolveu passar o restante da manhã jogada na cama, assistindo o primeiro dorama que encontrou na Netflix. Pouco antes do horário do almoço, após uma ducha quente e relaxante, uma xícara de chocolate quente com cookies para matar parte da fome, ela finalmente se rendeu aos cobertores e dormiu. Acordando no final da tarde, deu um pulo da cama, ao se lembrar dos compromissos do trabalho.
Mesmo o final de semana sendo sua folga, a publicitária estava encarregada de um projeto grande e detalhado, que lhe deixara as noites passadas mal dormidas e agora teria que revistar os pontos que o cliente não gostou. O restante do sábado e domingo, foi trabalhando e lutando contra seus pensamentos sobre o vizinho que surgiam a cada hora.
Segunda à noite, volta para casa.
havia mesmo tido um dia estressante, mas no final, com fé, tudo havia dado certo para ela. Aprovação do cliente e mais dois projetos em sua responsabilidade. Com fones no ouvido e cantarolando uma canção bastante cantada na igreja do pai, seu corpo gelou e sua mente paralisou, ao se deparar com o vizinho assentado na porta de seu apartamento, com os braços apoiados nos joelhos e a cabeça abaixada.
— De novo não. — disse ela, num tom desanimado e frustrado.
— Eu estou sóbrio. — disse ele, assim que ouviu sua voz.
— O que?! — ela tomou de leve a cabeça, em choque.
levantou o olhar, movendo na direção dela.
O que impressionou a garota. Ele havia passado algumas horas encarando o número acima da porta dela, antes de finalmente se sentar ali e ter uma longa reflexão sobre sua vida.
— Vim agradecer formalmente. — disse ele, se levantando do chão — Por tudo, principalmente por me fazer pensar sobre o que estava fazendo com minha vida.
— Hum… — ela se encolheu um pouco, não esperava por aquilo — Você está mesmo bem?
— Sim, com alguns tropeços e resistência, não bebi mais desde o momento em que saiu do meu apartamento. — assegurou ele — E pretendo me manter assim.
— Fico feliz que tenha tomado essa decisão. — ela sorriu discretamente, estava aliviada internamente.
— Posso te pagar uma pizza como um pedido de desculpas por todas as vezes que caí na sua porta? — perguntou ele.
— Hum… Se for de quatro queijos, posso pensar se desculpo. — brincou ela.
— Essa é a minha favorita. — assentiu ele.
— O que te fez mudar de ideia? — indagou ela curiosa.
— Você. — ele foi direto e preciso — Se uma pessoa que não me conhece se esforçou tanto para que eu vivesse, porque eu não posso me esforçar para seguir em frente?! Quero encontrar este valor que você deu a minha vida.
deixou seu sorriso mais aparente de forma espontânea.
Se havia uma coisa em que ela tinha aprendido com seus pais, é que toda vida tinha seu valor, por mais teimosa que a pessoa fosse.
Sinto muito, eu disse que te amo e estava chapado, mas
Acho que é hora de se acalmar
Eu me apaixono quando fico bêbado
Eu estou bem em ser odiado
Estou sóbrio agora e não me importo.
- Split a Pill / Machine Gun Kelly
Acho que é hora de se acalmar
Eu me apaixono quando fico bêbado
Eu estou bem em ser odiado
Estou sóbrio agora e não me importo.
- Split a Pill / Machine Gun Kelly
“Quedas: Não é o que temos que nos define, e sim como nos levantamos após uma queda.” - by: Pâms
