Revisada por: Sagitário♐
Última Atualização: Julho/2025Desde pequena, ela havia aprendido a amar o barulho ensurdecedor dos motores, a adrenalina de uma ultrapassagem e a tensão de cada curva fechada. Crescer com o sobrenome Senna era um peso, mas também um privilégio. E agora, aos 21 anos, ela estava prestes a trilhar o caminho que o pai nunca teve a chance de concluir.
A carta havia chegado naquela manhã, o envelope ostentando o icônico "W" da Williams. não precisou abrir para saber do que se tratava. Seu coração acelerou como se já estivesse no grid de largada. Ela fora recrutada para a próxima temporada da Fórmula 1, pilotando pela mesma equipe que seu pai guiou em sua última corrida. Era mais do que um convite: era um chamado do destino.
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O paddock fervilhava com jornalistas, engenheiros e membros das equipes. sentia os olhares sobre si, alguns admirados, outros duvidosos. "Ela está aqui por mérito ou pelo nome?" era o pensamento estampado em muitos rostos. Mas ela não se importava. Sua velocidade falaria por si.
Enquanto atravessava os corredores em direção ao box da Williams, uma figura chamou sua atenção. Um jovem alto, cabelos castanhos ligeiramente bagunçados e uma expressão confiante. Ele vestia um macacão vermelho com um logotipo inconfundível no peito: Ferrari.
Ele se virou, e os olhos de se fixaram nos dele. Havia algo desafiador ali, uma intensidade que ela já tinha visto antes, mesmo sem conhecê-lo.
— Senna, não é? — ele disse, a voz carregada de um sotaque francês.
Ela cruzou os braços e ergueu uma sobrancelha.
— E você é?
— Prost. Meu pai costumava correr com o seu. Ou melhor, contra ele. — Um sorriso de canto surgiu em seus lábios.
O sangue de gelou por um instante. O sobrenome era inconfundível. Alain Prost, o maior rival de seu pai. E agora, ali estava o filho dele, vestido com o vermelho da Ferrari, pronto para escrever sua própria história. Exatamente como ela.
— Parece que a história gosta de se repetir — acrescentou.
soltou um pequeno riso pelo nariz e inclinou a cabeça para o lado.
— Se gosta, espero que o resultado também se repita.
Os olhos de brilharam em um misto de provocação e respeito.
— Isso vamos ver na pista.
O desafio estava lançado. O legado de seus pais agora era o fardo e a motivação de ambos. E o mundo da Fórmula 1 estava prestes a testemunhar um novo capítulo dessa rivalidade.
herdara o espírito agressivo de Ayrton. Cada ultrapassagem era milimetricamente calculada, cada curva levada ao limite, cada centímetro do asfalto usado a seu favor. , por outro lado, lembrava o pai na estratégia fria e na precaução precisa, esperando o momento certo para atacar.
Nos boxes, os engenheiros já percebiam o que estava para acontecer. A rivalidade que marcou uma era da F1 estava de volta, reencarnada nesses dois jovens pilotos. E eles não estavam dispostos a recuar.
Na última volta do treino classificatório, viu no painel que estava apenas centésimos à sua frente. Ela apertou o volante, o coração batendo no ritmo acelerado do motor. O mundo parou por um instante quando ela cravou a freada na última curva e cruzou a linha de chegada.
A tensão era palpável no paddock. Todos esperavam o resultado oficial. Quando os tempos foram atualizados, um sorriso satisfeito cruzou os lábios de .
— Pole position — murmurou, tirando o capacete.
surgiu ao seu lado, também sem capacete, os olhos azuis faiscando de desafio.
— Isso foi sorte — disse ele, cruzando os braços.
soltou um riso sarcástico.
— Sorte? Não, . Isso é talento.
A rivalidade estava apenas começando, e ninguém no mundo da Fórmula 1 tinha dúvidas: essa batalha seria lendária.
Ela se virou e encontrou , encostado em um dos painéis da Ferrari, os braços cruzados e um sorriso de canto.
— Bom dia, Senna — disse ele, arrastando o sobrenome de forma debochada.
apertou a mandíbula.
— Que foi, Prost? Ainda tentando entender como ficou atrás de mim ontem?
riu, balançando a cabeça.
— Ah, não, eu só estava pensando como é engraçado... Você carrega esse sobrenome como um troféu. Como se fosse te fazer mais rápida na pista.
estreitou os olhos.
— E você? Vive à sombra do seu pai, tentando provar que pode ser melhor do que ele, mas no fundo sabe que não consegue.
Os olhos de brilharam por um instante, um lampejo de irritação que ele rapidamente escondeu sob um sorriso confiante.
— Vamos ver quem vai rir por último, Senna — provocou ele, começando a se afastar. — Só não chore quando eu te ultrapassar.
bufou e cerrou os punhos. Ele queria joguinhos psicológicos? Pois ela estava pronta para qualquer coisa.
E naquela corrida, ela mostraria exatamente por que o sobrenome Senna ainda era sinônimo de velocidade.
A reportagem falava sobre sua carreira, seu legado e, inevitavelmente, seus relacionamentos. Imagens antigas dele com Xuxa apareciam na tela, risos compartilhados, entrevistas, declarações de amor. revirou os olhos.
Seu celular vibrou, e ao ver "Mãe" na tela, atendeu.
— Oi, mãe.
— Filha, como estão as coisas? — Adriane perguntou com a voz suave.
— Cansativas — suspirou , desviando o olhar da TV.
— Está vendo a matéria? — Adriane perguntou, adivinhando o que se passava.
— Sim. Como sempre, esquecem de você — murmurou, apertando os lábios.
Adriane sorriu do outro lado.
— O importante é que eu nunca esqueci o que vivemos. E você está aqui, . Isso já diz tudo.
respirou fundo. O passado nunca deixaria de existir, mas ela sabia que seu lugar era na pista, escrevendo sua própria história.
— , como você se sente correndo pela Williams, a última equipe do seu pai? — perguntou um repórter.
— Orgulhosa — respondeu ela com um sorriso. — É um grande desafio, mas estou pronta.
As perguntas se seguiram, mas logo começaram a tomar um rumo que a incomodava.
— Recentemente, foram relembrados os relacionamentos do seu pai, incluindo o com Xuxa. Como você vê essa parte da vida dele?
franziu levemente a testa, mantendo a compostura.
— Meu pai teve uma vida pessoal como qualquer pessoa. Mas hoje, estou aqui para falar sobre corrida.
Outro jornalista insistiu:
— Mas você já viu as matérias sobre o romance dele com a Xuxa? O que acha disso?
Ela suspirou, segurando a paciência.
— Claro que já vi. Como todo mundo — respondeu, seca.
— Você tem algum contato com ela? — outra pergunta veio, e cerrou a mandíbula.
— Não — respondeu, ainda tentando manter a calma.
Mas os repórteres não paravam. Mais perguntas sobre Xuxa, sobre o relacionamento do pai, sobre como o Brasil via aquele romance. Até que não conseguiu mais se segurar.
— Olha — disse, cruzando os braços —, o relacionamento do meu pai que importa para mim foi o que ele teve com a minha mãe, Adriane Galisteu. Ela esteve ao lado dele nos últimos momentos, o amou incondicionalmente e sofreu a perda dele mais do que qualquer um pode imaginar. Então, se querem saber sobre o que realmente significa a história dele para mim, perguntem sobre ela.
O silêncio se espalhou por um segundo entre os jornalistas. Então, a chuva de perguntas recomeçou, mas já tinha terminado. Deu um passo para trás e se afastou, seguindo em direção aos boxes.
Ela sabia que sempre teria que lidar com isso. Mas hoje, havia deixado bem claro: seu pai não era apenas um romance de revista. Ayrton Senna era uma lenda, e Adriane Galisteu fazia parte dessa história tanto quanto qualquer outra pessoa.
Agora, era hora de colocar o capacete e mostrar a todos por que ela estava ali.
E como se o universo conspirasse para testar sua paciência, a primeira pessoa que cruzou seu caminho foi justamente Prost.
— Ah, Senna — ele chamou, com aquele tom debochado que a fazia querer socá-lo. — Impressionante como a mídia ainda vive no passado, não? Parece que ser filha do Ayrton vem com certas… distrações.
parou por um segundo, cerrando os punhos. Seu olhar fulminante pousou sobre ele, mas ela não lhe daria o gosto de uma resposta atravessada. Não agora.
Sem dizer uma palavra, virou as costas e continuou andando, ignorando completamente a presença dele.
— Vai fugir da conversa? — ele provocou. — Ou prefere responder na pista?
Ela parou, respirou fundo e respondeu sem olhar para trás:
— Eu sempre respondo na pista, Prost. — E emendou sem perceber que falava em português. — E vê se cala a boca e me deixa em paz.
riu, cruzando os braços enquanto a via desaparecer em direção à Williams. Ele adorava mexer com ela, e a verdade era que a competitividade entre os dois tornava tudo ainda mais interessante. Ao prestar atenção no que ouviu, ele se virou para outros dois pilotos e perguntou.
— Vocês entenderam o que ela disse? — Os dois pilotos se olharam e disseram que não. — Bom, certeza que ela me xingou.
No box da Williams, vestiu o macacão com movimentos rápidos e enfurecidos. Entrou no carro, sentindo o motor ronronar sob seu controle. Naquele momento, todo o peso das perguntas, das provocações, da frustração evaporava.
Ela segurou firme o volante. Se o mundo precisava de um lembrete do que o sobrenome Senna significava, ela estava prestes a entregar uma resposta que ninguém esqueceria.
A primeira curva foi um verdadeiro campo de batalha. Prost tentou fechar a porta, mas não hesitou em enfiar seu carro por dentro, forçando-o a recuar. Seus reflexos eram rápidos, e sua determinação, inquebrável. Se alguém duvidava que ela merecia aquele lugar, agora estava vendo com os próprios olhos.
Cada volta era um espetáculo à parte. Enquanto alguns pilotos preservavam os pneus e calculavam estratégias, pilotava com o coração. Seus traçados eram agressivos, suas frenagens no limite. Em cada curva, em cada reta, ela mostrava ao mundo que era uma Senna.
Na metade da corrida, tentava se recuperar. A Ferrari dele tinha velocidade, mas tinha algo que nenhum engenheiro poderia projetar: instinto puro. Quando Prost tentou ultrapassá-la na reta oposta, ela jogou o carro para o lado com precisão cirúrgica, obrigando-o a frear e desistir da manobra.
Nos boxes da Williams, os engenheiros observavam com admiração. Era impossível não lembrar dos dias de glória de Ayrton Senna. Os narradores gritavam nos microfones, os fãs vibravam nas arquibancadas. A Fórmula 1 estava assistindo ao nascimento de uma nova lenda.
A última volta chegou. estava em seu encalço, mas não deixaria escapar. Na última curva, a mesma onde seu pai fez história tantas vezes, ela manteve o pé cravado no acelerador, deslizando pela pista com maestria. Ao cruzar a linha de chegada, ergueu o braço em triunfo.
— Ela venceu! Senna vence sua primeira corrida na Fórmula 1! — gritou o narrador. — Um desempenho digno do sobrenome que carrega!
Prost passou logo depois, furioso, mas também impressionado. Ao sair do carro, tirou o capacete e deixou que o mundo visse seu sorriso determinado. Ela não precisava provar nada a ninguém. Mas se ainda restava alguma dúvida, agora não havia mais.
Ela era uma Senna. E estava apenas começando.
