Revisada por: Lightyear 💫
Finalizada em: 13/07/2025“Se ainda não começou por estar com medo
Então pare de reclamar! (GG)
Se hesitar, todas as oportunidades passarão por você
Pois então abra seu coração e mostre-se! (T.R.X).”
- The Boys / Girls’ Generation
Seoul, inverno de 2023
Antes dos aplausos e da fama, existe uma história que quase ninguém conhece.Então pare de reclamar! (GG)
Se hesitar, todas as oportunidades passarão por você
Pois então abra seu coração e mostre-se! (T.R.X).”
- The Boys / Girls’ Generation
Seoul, inverno de 2023
Quando vemos um cantor debutando, entre shows e apresentações impecáveis, não imaginamos o quanto ele sofreu para chegar onde está. Só quem foi trainee por pelo menos um ano sabe o que estou falando. Contudo, ninguém foi tão longe quanto eu para conseguir realizar seu sonho de debutar em um grupo de kpop, e pior, na melhor gravadora da Coreia do Sul no quesito oportunidades, qualidade e empatia aos funcionários.
Desejada por todos os trainees…
Moonlight Company
— Acorda, dorminhoca — disse minha avó, rindo da poltrona ao lado.
— Não, me deixa aqui — resmunguei, jogada no sofá, meu corpo dolorido me fazia sentir que estava cansada demais até mesmo para falar.
Eu tinha chegado tarde na noite anterior.
Não era fácil sustentar dois empregos, dar aulas de ballet para completar a renda e ainda servir de DJ na casa noturna do irmão de um amigo. Era de se esperar que eu não tivesse uma vida social. E não tinha mesmo, desde que me formei no ensino médio, não tenho feito outra coisa: trabalhar, trabalhar e trabalhar. O propósito? Juntar uma grana para me mudar para Seoul. Afinal, viver em Daejeon era monótono, além de todas as grandes gravadoras estarem na capital do país. Felizmente, tinha minha avó e meu amigo para conversar, assim, minha vida social estava meio salva. Meu círculo também se estendia a meu irmão gêmeo, porém, com sua bolsa de estudo no exterior, seguia vivendo seu sonho em Londres. O nerd desfrutava das regalias de Oxford, estudando engenharia química.
Tudo que eu não tenho afinidade.
Pelo menos, se nada desse certo para mim, ele salvava a honra da família. Brincadeira. Tudo daria certo, sim, e eu seria uma deusa definitivamente.
— Por que não deita na cama para descansar melhor? — perguntou.
— Porque o sofá foi o primeiro lugar que encontrei para desabar, agora não tenho força para levantar — expliquei, aconchegando-me entre as almofadas. — Me deixa aqui mais um pouco.
— E não vai comer? — indagou, num tom preocupado. — Você precisa se alimentar, senão vai acabar com anemia.
— Prometo comer mais tarde — assegurei, sentindo que não iria cumprir a promessa.
Foi fechar os olhos e apagar.
Para minha sorte, a folga de todas as minhas ocupações profissionais coincidentemente eram no mesmo dia, ou seja, nesse dia eu entrava em coma para o mundo e recarregava minhas energias. Foram longas horas dormindo naquele velho sofá, até que o intruso do apareceu e me derrubou dele.
— Yah. — acordei assustada e gritando, abri os olhos e o vi rindo de mim, enquanto sentava no lugar em que estava anteriormente.
Bufei irritada.
— Você quer morrer? — perguntei aos berros. — Jamais acorde uma pessoa desse jeito, principalmente se essa pessoa for eu.
— Eu avisei a ele. — A voz da avó soou da cozinha.
O espaço era integrado à sala e conseguia vê-la manuseando perfeitamente os alimentos.
— Halmeoni, é engraçado acordar ela. — Continuou rindo da minha cara.
— Eu vou te matar! — Joguei-me contra ele, tentando derrubá-lo do sofá.
— Cuidado, vocês dois, ainda vão acabar se machucando — alertou ela.
— Antes eu estrangulo esse pabo — disse em risos, já sendo atacada por uma sessão de cócegas. — Yah, isso é golpe baixo.
Algumas gargalhadas saíram.
era meu melhor amigo. Crescemos juntos e poderia afirmar que nossa proximidade e conexão eram ainda mais fortes do que com meu próprio irmão. Sempre compartilhamos nossos sonhos loucos e expectativas para o futuro. E foi ele que tinha inventado de eu ser DJ na casa noturna do primo dele. Donghwa era uma pessoa legal, pagava até mais do que deveria só para me ajudar, e porque eu era amiga de alguém da família.
— Então, já viu a notícia meio boa e meio ruim que saiu hoje de manhã? — disse ao se sentar no tapete no chão.
— Sério? Você viu meu estado quando chegou, que pergunta é essa? — Deitei-me novamente no sofá, suspirando fraco.
— Ui, não precisa ser tão ríspida — riu com descontração. — Sua empresa favorita iniciou o processo de fusão com a influente Nexus Entertainment.
— Ainda não entendo o motivo de fazerem isso, estavam indo tão bem sem uma fusão. — Um suspiro fraco surgiu de forma espontânea. — Confesso que são uma gravadora pequena e não chamam muita a atenção da mídia, seu artista de maior destaque é o modelo da Vogue, Byiunghan e aquela atriz que fez sucesso na série da Netflix…
— Smooth Criminal?! — Pareceu puxar da memória.
— Esse mesmo — assenti. — A atriz que fez a vilã… Acho que se chama Park Minah.
— Hum… Acho que eles querem competir com a Hybe e aproveitar esse tempo sem o BTS para atrapalhar, por isso a fusão. Depois que a Nexus reviveu com a compra total das ações feita pela empresa brasileira — Brincou de falar a realidade. — Mas essa foi a notícia boa.
— Surpreenda-me com a ruim — pedi, com receio.
— Como acabaram de debutar o Mystic, lançaram em nota de imprensa a paralisação por tempo indefinido das audições para trainees femininas. — A notícia soou com tranquilidade.
— O quê? — Ergui meu corpo, permanecendo sentada no sofá, olhando surpresa. — Não, eles não podem fazer isso comigo, agora que estou quase lá, justo quando vou fazer minha audição, não podem.
— É a vida, minha querida — opinou minha avó, enquanto preparava o almoço. — Nem sempre as coisas saem como esperamos.
— Mas, Vó, isso não é justo, como eles fazem isso comigo? — questionei indignada.
— Eles são simplesmente a Nexus Entertainment agora. E me parece que a decisão foi de ambos os lados — detalhou meu amigo, me olhando preocupado. — O que pretende fazer agora?
— Não sei, sinto como se meu sonho tivesse descido pelo ralo, levado pela enxurrada. — Fiz meu tom dramático.
— Quanto drama. — Sua risada saiu debochada. — Você fala como se não existisse mais nenhuma gravadora.
— A Moon não é qualquer gravadora, ela era A GRAVADORA. — Respirei fundo. — E devo admitir que a Nexus vem ganhando espaço na mídia também, falam muito bem dela, e eles possuem o Zion como artista principal.
Um suspiro fraco de chateação.
— Você não entende meu sentimento — completei.
— Hum... — Pareceu segurar o riso, então se levantou do chão. — Halmeoni, o que está fazendo para o almoço?
— Um pouco de kimbap para animar essa garota — respondeu.
— Preciso mesmo, só comendo para esquecer essa notícia péssima. — Olhei-a, fazendo cara de tristeza. — Vovó, parece que eu não serei uma trainee de sucesso.
— Calma, garota dramática, a vida ainda não acabou — falou.
Aquilo era uma frase de consolo?
— está certo. — Minha avó sorriu da cozinha. — Você ainda tem todo um caminho de sucesso pela frente.
— Verdade. — Sorri de volta para ela e desviei meu olhar para meu amigo. — E você? Por que veio tão cedo aqui?
— Não está cedo, estamos quase na hora do almoço — retrucou, argumentando. — Vim para contar a minha novidade.
— Hum. — Dei de ombros, não demonstrando interesse.
— Pare com essa cara de nojo — riu de mim, conhecia-me bem. — Recebi minha carta da Seoul National University, vou começar meu curso de engenharia da computação no próximo semestre.
— E eu devo ficar feliz por você? — perguntei.
— Claro, você é minha melhor amiga — retrucou, fechando a cara, como se me repreendesse.
Minha avó riu da cozinha. Realmente tinha que ficar feliz por ele, seu dom para tecnologia era surreal — além das muitas habilidades artísticas para design de games, que ficavam como hobby. Saboreamos o almoço e fomos para meu quarto. Vovó ficou na sala vendo TV acompanhada pelo seu cachorro, um pug mini chamado Bob.
— E agora, o que vai fazer? — perguntou , se jogando na minha cama.
— Não sei. — Suspirei fraco, olhando para o espelho que tinha ao lado da porta. — Estava sonhando com o dia da minha audição, por que justo agora?!
— Li que a fusão foi ideia do filho do senhor Park — explicou com mais detalhes. — E parece que ele ficou com cargo de CEO vitalício da gravadora, após trocar 1% de suas ações com a brasileira dona da Nexus Global… Permitindo-a ser a sócia majoritária com 51%.
— Isso me choca ainda mais. — Meu olhar continuou demonstrando a surpresa. — Como assim? O senhor Park se aposentou?
— Sim, não sabia? — indagou, parecendo ainda mais surpreso por minha falta de informação. — Foi após anunciarem a aposentadoria do senhor Park, que os rumores da fusão começaram.
— Me desculpa, mas nos últimos meses não estou tendo tempo para acompanhar as notícias — relembrei minha realidade profissional.
— Bem. — Seu olhar parecia empático. — Ao que tudo indica, por um problema de saúde, o senhor Park teve que se aposentar mais cedo, e o filho mais velho dele, , assumiu.
— ? Aquele idiota que tentou debutar às custas da gravadora do pai? — Segurei-me para não entrar em pânico. — Ele vai destruir a Nexus com o mau gosto dele, a brasileira fez um mau negócio.
— Pelo menos ele tem um vocal legal — retrucou, não se segurando e começando a rir da minha careta.
— O vocal dele não encobre sua falta de bom senso, a começar por cortar as audições femininas. — Cruzei os braços. — Não acredito nisso, que raiva.
— Calma, você está com uma cara de causar medo — pediu, desviando seu olhar para a janela. — E quando você faz essa cara, tenho a certeza de que vai quebrar alguma regra, sempre foi assim.
— Regra — sussurrei, voltando meu olhar para o espelho. — Você está certo, sempre quebrei as regras e não será desta vez que não vou quebrar. — Dei um sorriso de canto, enquanto olhava meu reflexo. — Se eles só querem garotos, então, são garotos que eles terão.
— Em que loucura está pensando? — indagou, erguendo seu corpo e me olhando preocupado. — Seo , conheço esse seu olhar de garota travessa.
Seu tom soou mais forte, ao me chamar pelo nome completo.
— O que se faz quando se é igual a uma pessoa? — perguntei, desviando meu olhar para ele.
— Não — repreendeu de imediato, parecendo ter entendido minha ideia louca. — Não vou deixar fazer isso.
— Você sabe que sempre dá certo, eu fazia isso sempre na escola — questionei. — Foi assim que passei em química.
— Definitivamente, não, não vou deixar você se passar por seu irmão, não desta vez — disse, revelando minha ideia em voz alta. — É loucura, se eles descobrirem, você estará acabada.
— Só irão descobrir se você contar. — Encarei-o, num olhar ameaçador.
— É claro que não vou contar, sempre guardei seus segredos — retrucou, de forma fria e indignada.
— Então, ninguém saberá — concluí.
— Existe uma coisa chamada pesquisa, e é claro que quanto mais você ganhar visibilidade, vão querer saber quem é você. — Em argumento, me encarou dessa vez. — Como vai fazer? Porque seu irmão está lá em Londres.
Tinha fundamento, principalmente pelo fato de também sermos filhos de dois mundos, igual às integrantes do girl group Mystic. Filhos de um coreano e uma brasileira, que se conheceram em um intercâmbio da minha mãe para o país. Amor à primeira trombada, que depois de nove meses, resultou nas dores de parto em dose dupla.
— Simples, eu tenho um melhor amigo maravilhoso, que além de criativo, é hacker e pode manipular algumas informações para mim. — Dei um sorriso de satisfação. — Basta só você fazer com que eu esteja em Londres e meu irmão aqui, para todo mundo.
— Simples assim?! — deu de ombros, inacreditado.
— Sim, simples assim, e sei que você consegue. — Pisquei de leve.
— E você acha mesmo que vou me envolver na sua loucura? — questionou, embasbacado.
— Claro que vai, você é meu melhor amigo, tem obrigação de me ajudar. — Olhei-o atravessado.
O meu sonho que estava sendo jogado na fogueira.
— Como pode uma mente como a sua... ser tão brilhante arquitetando planos surreais e tão ineficiente em provas de cálculo? — indagou, com o olhar perplexo.
— Tudo depende do ponto de interesse. — retruquei, olhando-o. — Por acaso, o senhor hacker sabe ler uma partitura, ou tocar algum instrumento? Eu sei!
— Continuo não concordando. — insistiu.
— Mas, mesmo sem concordar, você vai me ajudar. — impus.
— Vai ficar me devendo mais uma. — disse, ao se levantar da cama. — Das muitas que me deve.
— Põe no caderno que depois a gente acerta a conta. — ri de leve, o fazendo rir junto.
— E quando você pretende iniciar essa loucura que está arquitetando? — perguntou, com mais seriedade na voz.
— Quando você vai para Seul?
— Na próxima semana, apesar das aulas começarem só mês que vem, tenho que ir para encontrar um lugar para ficar — respondeu. — Não quero depender dos dormitórios da universidade.
— Fechou então. Vou com você, ainda terei uma semana para deixar meus empregos e terminar de juntar minha grana. — respirei fundo, determinada. — Já que você não vai ficar no dormitório da universidade, vamos morar juntos.
— O quê? — seu olhar de espanto me deixou desacreditada, que era mesmo meu melhor amigo.
— É, e trate de arrumar um lugar com dois quartos. — alertei sem medo. — Ou vosso senhorio vai dormir no sofá.
— Quem você pensa que é? — me olhou com ar de indignação.
— Sua melhor amiga, agora, kojo. — ri de leve, o expulsando do meu quarto. — Tenho que trocar de roupa.
— Eu estava indo embora mesmo. — deu de ombros, enquanto caminhava até a porta.
Ao fechá-la, após, abri o guarda-roupa para pegar meu pijama e a toalha. Um merecido e relaxante banho quente fazia-se necessário, assim que retornei ao quarto, me joguei na cama. Sim, eu iria passar o dia na cama, com o notebook no colo, ouvindo música, enquanto arquitetava meu plano de ser uma trainee e futura artista da Nexus Entertainment.
“Vivendo somente pela razão
Esta ideia amadureceu você?
Você está bem?”
- The Boys / Girls’ Generation
Esta ideia amadureceu você?
Você está bem?”
- The Boys / Girls’ Generation

