Codificada por: Saturno 🪐
Última Atualização: 30/08/2025Muitas vezes, saía de suas aulas e passava o final da tarde no estádio de quadribol, um de seus lugares favoritos da escola e que costumava estar vazio nesse período. Os testes estavam agendados para começar dentro de um mês. era artilheira da Corvinal, mas estava afastada no momento. Sofrera uma lesão séria no braço direito durante o último jogo contra a Sonserina. Alongou os dedos, sentindo uma pontada percorrer toda a extensão do braço. Provavelmente, não teria a oportunidade de jogar naquele ano. Quadribol era tudo para ela — seu esporte favorito no mundo.
Jamais se esqueceu da sensação de comprar sua primeira vassoura, uma Cleansweep II de segunda mão, que encontrou em um brechó de vassouras no Beco Diagonal. Quase morreu de felicidade quando seus pais trouxas lhe deram o objeto mágico de aniversário. Com o tempo, descobriu-se naturalmente talentosa no esporte. Era considerada uma das melhores artilheiras do time da Corvinal, no mesmo nível de jogadoras como Gina Weasley, da Grifinória. E isso lhe dava muito orgulho. Tinha se esforçado e batalhado muito por aquela posição.
Ela suspirou, triste, olhando para o céu azul no horizonte. Pensava que voar era como respirar — e que, no chão, sentia-se sufocada. Esticou o braço direito num movimento brusco e sentiu o músculo torcer, uma dor lancinante percorrendo sua extensão, um espasmo que a fez se recolher instantaneamente.
Praguejou baixinho e resolveu se concentrar de vez em seu livro de necromancia. O professor Snape tinha pedido um pergaminho de dezesseis páginas sobre controle de cadáveres — um estudo sobre manipulação de corpos físicos, uma forma de reanimação ou ressuscitação que era infinitamente complexa e exigiria sua total atenção nos próximos dias. não se considerava uma pessoa medrosa, no geral, mas zumbis lhe davam arrepios.
Decidida a encarar o extenso pergaminho à sua frente, não percebeu quando um certo alguém de cabelos ruivos e vestes da Grifinória passou despercebido por seu olhar atento. Ronald Weasley observou a garota de longe e soltou um grunhido de irritação. Não queria testemunhas de seu péssimo desempenho no quadribol. Lidar com pessoas não era exatamente seu forte. ? Uma das melhores artilheiras da Corvinal, a quem ele profundamente admirava? Menos ainda. Rony sentiu o estômago embrulhar, sua confiança escoando como poção mal feita.
Harry sempre o incentivara no esporte, mas sua própria insegurança, às vezes, era incontrolável. Ele não culpava o amigo exatamente. Afinal, como cobrar algo que ele mesmo não conseguia oferecer a si?
Estreitou os ombros e caminhou em direção ao campo. Seus olhos, involuntariamente, procuraram a menina sentada nas arquibancadas mais uma vez. Ela parecia completamente absorta nos estudos — não notaria sua presença, certo? Sendo assim, Rony subiu na vassoura e iniciou seu treino.
O barulho claramente chamou a atenção de , que tentou disfarçar um sorrisinho ao avistar Rony Weasley fazendo uma série de aquecimentos perto dos aros. Weasley era esforçado, sagaz e criativo. Tivera uma ótima temporada no último ano, mas, por alguma razão, não parecia acreditar plenamente em seu próprio potencial.
É claro que ela acabou observando muito mais do que deveria — como, por exemplo, o fato de ele ter crescido pelo menos uns treze centímetros. Seu corpo estava mais definido, mais forte. Ela sentiu as bochechas corarem e desviou o olhar, como se houvesse a menor chance de ele perceber seu rubor a cem metros de distância. Não gostava de admitir, mas tinha um crush nele há séculos. O sentimento, por outro lado, não era recíproco.
Ele nem deveria sequer saber seu nome.
Suspirou, desviando o olhar para o pergaminho, tentando afastar os pensamentos sobre sua paixonite tola — justo por alguém que, provavelmente, não tinha o menor interesse nela.
De repente, uma pancada seca atingiu sua cabeça, tirando-lhe o equilíbrio. Ela mal teve tempo de reagir antes de cair entre as bancadas.
— ! — ouviu alguém gritar de longe.
Levou as mãos à cabeça, gemendo baixinho e tentando se orientar.
— Eu não tinha a menor intenção de acertar você! A goles ricocheteou...
Quando abriu os olhos, se deparou com o rosto corado de Rony, os olhos arregalados de preocupação. Sem hesitar, ele estendeu as mãos para ajudá-la.
— Já aconteceu pior nos jogos — murmurou com um leve sorriso, aliviada ao perceber que estava praticamente intacta.
Ele segurou sua mão e a ajudou a se levantar. Por um breve momento, sua mão repousou em sua cintura, e, de repente, estavam muito próximos. Rony pareceu perceber a proximidade e recuou ligeiramente, sem graça, mas ainda mantendo as mãos em seus braços, como se quisesse garantir que ela estava realmente bem.
— Sinto muito pelo seu braço — disse com suavidade, soltando-a devagar enquanto coçava a nuca, desconcertado. — Aquela colisão com o Travis foi feia. Tem certeza de que não vai poder jogar este ano?
— Tenho — respondeu com um suspiro, um pouco sentida com a situação, mas também ligeiramente atordoada com o cuidado que ele demonstrava. Esticou o braço novamente, movendo os dedos devagar, e então hesitou, refletindo por um instante. Aquele momento podia ser uma chance.
— Hey, posso te ajudar a treinar, se quiser! — disse ela de repente, parecendo surpresa com as próprias palavras.
o olhou com expectativa e insistiu, com um tom leve:
— Ah, vamos lá, Weasley! Eu não estou no time da Corvinal este ano, não sei de suas táticas... Nem tudo precisa ser a ferro e fogo. Além do mais, eu sinto muita falta de jogar.
A ideia parecia perfeita. Os treinos seriam menos intensos, e ela teria tempo para se recuperar aos poucos.
— Eu adoraria. Quer dizer... gos... gostaria muito! Você é... você joga muito bem! — exclamou Rony, desviando o olhar logo depois, ficando da cor de seus cabelos. achou aquilo adorável.
— Podemos treinar todos os dias depois das aulas. Te espero amanhã? — disse ela, estendendo a mão. Ele aceitou na mesma hora.
— Te espero amanhã, .
— Pode me chamar de , se quiser — respondeu com um sorriso maroto.
Ele riu, um pouco sem graça.
— Pode me chamar de Rony.
— Bem, eu tenho que ir... vê se não acerta a cabeça de mais ninguém — disse , rindo, enquanto se afastava, deixando um Rony meio embasbacado para trás.
Muitos diziam que grifinórios e sonserinos dominavam o campo por sua força e impulsividade. Mas o que poucos reconheciam era que o quadribol exigia estratégia, instinto e inteligência — virtudes nas quais os corvinais brilhavam. , como boa representante da casa da sabedoria, sabia disso melhor do que ninguém.
Enquanto vestia o uniforme, cantarolando distraída, despertou olhares curiosos de suas colegas de quarto.
— Até parece que você vai jogar quadribol — comentou uma delas, em tom de brincadeira. Mal sabia ela o quanto estava certa.
— está proibida de jogar — cortou Ava, a melhor amiga de , com firmeza. Seus braços cruzados revelavam irritação latente. — Você sabe disso. Depois da lesão no último jogo contra a Sonserina, não pode se arriscar novamente!
desviou o olhar, incomodada. Desde o acidente, muitos em Corvinal a tratavam como uma peça frágil de porcelana. Ela sabia que se importavam — talvez até demais — mas aquilo a sufocava.
— Ava, você está exagerando. Faz meses desde aquele jogo — respondeu com um meio sorriso forçado.
— Você não leva a lesão a sério. Você ficou em coma, ! — a amiga rebateu com a voz carregada de preocupação. — Por um mês inteiro. E mesmo assim, age como se não fosse nada. Você é da Corvinal, deveria usar mais o cérebro.
— Eu não estou jogando — mentiu, embora a ideia já fervesse em seu peito. — Só acordei de bom humor, é tudo.
Apesar do tom casual, Ava manteve um olhar desconfiado por longos segundos, até suspirar e ceder.
— Eu só quero te ver bem. Você sabe disso, né?
— Sei, Ava. Agora vamos descer. Estou com uma fome de leão — disse, tentando descontrair. E, involuntariamente, pensou em Rony Weasley.
No Salão Principal, o ambiente já fervilhava com conversas e cheiros matinais. avistou Rony com Harry e Hermione, os três sempre parecendo tramarem algo importante. Seus olhares se cruzaram, e ele lhe lançou um sorriso tímido. Ela sorriu de volta, sentindo um calor repentino no estômago.
— Eles vivem cochichando — murmurou Ava de repente, fazendo se assustar e derramar suco de abóbora nas vestes.
— Estava olhando para o Weasley de novo, né? — Ava riu alto.
— Dá um tempo, Ava — resmungou, limpando a sujeira com um feitiço. Do outro lado, Rony observava com um sorriso divertido.
O assunto logo mudou para Harry Potter.
— Estão dizendo que ele é O Eleito — comentou Ava em voz baixa para o grupo. — Bobagem. É só autopromoção — retrucou Ruby Wilson com desdém. — Isso é ridículo — rebateu , a indignação clara. — Eu acredito no Potter. — Porque tem uma quedinha pelo Weasley — provocou Ruby.
— Não, Wilson. É porque sei o que está em jogo. E é fácil não se importar quando se nasce sangue-puro — retrucou firme, deixando a colega sem resposta.
Ava assentiu em apoio. Outras vozes próximas concordaram discretamente. se levantou, encerrando o assunto com autoridade, e seguiu apressada para a aula de Poções.
Durante o trajeto, refletia sobre Harry, Voldemort e o que o retorno do Lorde das Trevas poderia significar, especialmente para nascidos trouxas como ela e Ava. Era um medo silencioso, mas constante.
Ao final das aulas, ela seguiu para os terrenos de Hogwarts. O coração acelerava enquanto caminhava — não havia mais dúvidas. Hoje ela treinaria. Hoje ela voaria.
Chegando ao estádio de quadribol, montou em sua Nimbus 2001 e alçou voo com um grito de pura alegria. Cortou o céu, sentindo o vento no rosto, realizando manobras ousadas com precisão. A sensação de liberdade, de retorno, era indescritível.
— Livre — pensou. — Me sinto livre.
— Grande mentiroso, Rony Weasley — murmurou para si mesmo, indignado com sua resposta.
Precisava treinar. Se queria entrar para o time da Grifinória, teria que conquistar isso por mérito próprio. E não com a ajuda do capitão e melhor amigo.
O que não esperava era a presença de . Conhecida por sua maestria no campo e por seu senso de justiça, ela era alguém que Rony sempre admirava de longe. Nunca imaginou que ela lhe ofereceria ajuda.
Ao avistá-la voando no céu como um raio, sentiu o fôlego sumir. Ela era veloz, graciosa, confiante. Quando o viu e acenou, Rony quase congelou, mas acenou de volta.
— Preparado, Weasley? — gritou ela, jogando a goles em sua direção. Estimulado pelo momento, Rony agarrou a goles sem quebrar o contato visual.
— Vejo que não perdeu o jeito, — respondeu, com firmeza inesperada.A menina pareceu que gostou do que ouviu. Uma leve tensão de competitividade se instalando entre eles.
O treino começou com intensidade. o guiava com maestria, exigindo dele cada vez mais. Praticaram a complexa Defesa de Oito Duplo, e Rony suava em bicas tentando acompanhá-la. Ele teve que admitir: mesmo estando afastada do campo há meses, e com uma lesão considerável no seu braço direito, compensava com agilidade e estratégia.Ele se perguntava como alguém tão talentosa não era capitã da Corvinal.
Para sua frustração, não conseguiu defender a maioria dos arremessos, apesar de tentar, tinha consciência de que precisaria treinar mais forte e melhor. Ele desejava não apenas entrar para o time, mas fazer a sua melhor temporada! Talvez fosse sua última oportunidade de vestir um uniforme do time de quadribol da Grifinória.
— MAIS VELOCIDADE, WEASLEY! — ela gritava, enquanto ele contornava os aros.
Ao final, exaustos, desceram ao campo.
— Você é muito boa nisso. Já te disse isso? — disse Rony, ofegante.
— Não me importo de ouvir de novo — respondeu ela, deitando no gramado com um sorriso.
Rony deitou ao lado. O silêncio entre eles era confortável, entrecortado apenas pela respiração pesada. Ele a observou discretamente — o uniforme colado pelo suor, as curvas delineadas. Corou e desviou o olhar.
— Você está pronta pra voltar. Não sei por que o Flitwick ainda não te liberou — comentou. — Não é tão simples assim — respondeu ela, num tom mais baixo.
— Acho que... não deveríamos ser proibidos de fazer o que amamos — disse Rony, com simplicidade genuína.
o olhou como se ele tivesse iluminado o caminho com poucas palavras. — Você é um cara muito legal, Rony.
Naquela noite, se esgueirou pelo castelo em direção ao banheiro dos monitores, suas vestes estavam sujas e molhadas, ela não tinha a menor condição de voltar ao seu dormitório dessa forma sem levantar qualquer suspeita. Ava enxergaria além de suas mentiras e todo seu plano iria por água abaixo em um instante. Comprimindo os lábios na tentativa de não soltar um urro de dor, a menina trancou a porta do banheiro quando chegou e se despiu de forma desajeitada. Cambaleante andou até o chuveiro, a água quente tocou seu corpo trêmulo e por um momento ela suspirou aliviada amparando suas costas no azulejo frio. Subitamente, um espasmo brutal a jogou no chão. Gritou, chorou em silêncio, sentindo-se partida.
Segurou seu braço com força, seu corpo deitado no chão frio do banheiro. O mundo parecia girar ao seu redor, lágrimas turvaram sua visão. Queria seu corpo de volta. Seu passado saudável. Mas acima de tudo, queria poder viver o que amava. Será que não existia algum remédio no mundo mágico que pudesse curá-la?
Depois de um tempo que pareceram horas, teve coragem de levantar e terminar seu banho. Se sentindo miserável, ela se encarou no espelho pensando que talvez devesse se esquecer dessa bobagem e não jogar mais. Encostada no espelho, as palavras de Rony ecoaram em sua mente mais uma vez. E nelas, encontrou um sopro de coragem. Talvez ela
não tinha que desistir tão fácil de algo que ama tanto. Sem mais delongas, a garota decidiu que seria melhor ir se deitar do que enfrentar as amigas. Mais tarde, ao se deitar no dormitório vazio, envolta nos lençóis azuis e prata da Corvinal, adormeceu com o coração inquieto, mas decidido.
Enquanto isso, Rony tentava jantar com Harry e Hermione, mas sua mente estava longe. invadia seus pensamentos como um feitiço leve e persistente. E de como estar com ela, mesmo que por poucas horas era fácil.
E nem todas as coisas na vida de Rony eram fáceis. Ele sentia como se não pudesse ser um adolescente de verdade com as preocupações que alguém da idade dele teria. Era como se todas essas questões fossem irrelevantes e fúteis. É claro que ele não tinha como conversar com os amigos sobre isso. Harry estava sobrecarregado, isso era um fato. No fundo, por mais que não demonstrassem, os três estavam amedrontados.
Rony sabia que não era justo. Alguém tão jovem não deveria carregar fardos tão pesados. Ainda assim, nunca se arrependeu das escolhas que o haviam levado até ali. Estar ao lado de Harry — mais que um amigo, um irmão — e também de Hermione, era parte do que dava sentido à sua jornada.
Desviou o olhar para Hermione, que falava com entusiasmo, e se pegou tentando entender em que momento seus sentimentos por ela haviam mudado tanto. Ou se, na verdade, haviam mudado de verdade. Ao mesmo tempo, um pensamento incômodo se insinuava: como nunca havia notado antes?
Quase sem perceber, seu olhar se voltou para a mesa da Corvinal. Mas não estava lá. Em seu lugar, Ava — sua melhor amiga — observava o salão com olhos inquietos, como quem procurava alguém que ainda não apareceu.
— Rony, você está prestando atenção? – Hermione disse com a voz levemente alterada de irritação.
— Acho que você está obcecado pelo Malfoy, mate – respondeu Rony se reportando a Harry, como se estivesse ouvindo toda a conversa.
— Você tem que concordar que ele está agindo muito estranho – Harry insistiu baixando um pouco o tom de voz, continuando sua argumentação.
Mas Rony já não estava ali com eles, não de verdade.
Seus olhos seguiam Ava, que deixava o salão principal apressada.
— Preciso ir — disse de repente, levantando-se com tanta pressa que quase derrubou o copo com suco de abóbora. Saiu a passos largos, deixando Harry e Hermione se entreolhando, confusos.
— Você também acha que o Rony anda... esquisito? — perguntou Hermione, com as sobrancelhas franzidas, observando a porta por onde o amigo sumira.
— Hoje à tarde ele disse que ia pra biblioteca — murmurou Harry, com um meio sorriso.
Hermione arqueou as sobrancelhas, incrédula.
— Biblioteca?
— Onde será que ela se enfiou? — dizia Ava para uma colega da Corvinal, enquanto saíam do salão — Nem apareceu pra comer. Será que está bem?
As palavras ficaram ecoando na cabeça de Rony.
não tinha vindo jantar.
Lembrava-se dos boatos... da lesão. Tinha sido grave, e ela ainda não estava completamente recuperada. Talvez tenha sido mesmo um erro aceitar aquele treino tão intenso.
Um aperto desconfortável surgiu no peito. Sem pensar muito, Rony virou na direção da Torre Oeste, onde ficava a entrada da Corvinal.
Parou diante da estátua de bronze em forma de águia. Não fazia ideia do que dizer. Não tinha senha. Não tinha plano. Só tinha... vontade de vê-la.
Estava prestes a dar meia-volta quando a estátua ganhou vida. Sua voz metálica e imponente ecoou pelo corredor:
— Esta ala é proibida para alunos da Grifinória.
Rony quase pulou para trás.
— Eu... eu sei — disse, tropeçando nas palavras — É que... eu queria falar com . Se... se for possível. A senhora poderia chamá-la?
A estátua voltou a se calar, imóvel. Rony ficou ali parado, encarando a águia como quem espera resposta de um armário. Depois de uns bons dez minutos — que pareceram uma
eternidade — ele suspirou e se virou para ir embora. Foi quando ouviu um rangido suave. A entrada se abriu.
apareceu, sonolenta, os cabelos bagunçados, a expressão confusa.
— Rony? — murmurou, piscando — A estátua disse que você queria me ver. Está tudo bem?
— Está sim! — ele respondeu rápido demais — É que... você não apareceu no jantar... e eu... eu fiquei preocupado. Seu braço, sabe...
— Ah... eu só estava cansada — disse ela, surpresa, mas com um tom gentil.
— Claro! Cansada, óbvio. Eu devia ter pensado nisso. — Ele coçou a nuca, visivelmente desconcertado — E o braço... está melhor?
— Não se preocupe, Rony — respondeu ela com um sorriso suave, que desmontou qualquer linha de raciocínio que ele ainda tinha. — Fico feliz que tenha vindo.
— Sério? — escapou antes que pudesse se controlar. Arregalou os olhos logo em seguida, arrependido — Ah... é... então... acho que já vou indo.
Ele já estava virando as costas quando a voz dela o chamou de novo. — Hey, Rony.
Parou. Virou-se devagar. ainda estava encostada no batente da porta, observando-o com uma expressão indecifrável.
— A gente se vê amanhã?
Ele não respondeu de imediato. Apenas sorriu. Daquele jeito meio torto, meio bobo — mas genuíno.
Claro que ninguém sabia da proximidade entre os dois. Ava talvez desconfiasse de algo, especialmente quando começou a se atrasar constantemente para o jantar e estava visivelmente mais animada. Mas se desconfiava, nada dizia — parecia apenas satisfeita por vê-la tão bem.
— Por favor, não me diga que vai me deixar ir sozinha de novo — choramingou Ava — Não quero ir a outro jantar do Slughorn sem você!
achava aqueles jantares uma bobagem elitista. Por mais que o professor de Poções insistisse, ela recusava os convites sem hesitar. Não via sentido em participar de um clube que repartia os colegas. Habilidades e talentos não deviam ser medidos por seleções arbitrárias.
— Ava, você sabe que nem você nem o professor Slughorn conseguem me convencer a participar dessa festa — respondeu contrariada — Odeio esse clube! É excludente demais para mim.
— Eu amo e odeio sua fibra moral — riu alto — Ava, é só não ir. É simples assim — deu de ombros continuando seu caminho.
— Não é tão simples assim, Você sabe da minha ambição em trabalhar no Ministério da Magia — Ava argumentou, tentando acompanhar meu passo apressado — Slughorn pode abrir as portas para mim…
— Mas eu não quero trabalhar no Ministério! — a garota suspirou irritada — Desculpe Ava, não quis soar arrogante! Eu detesto essa troca de favores. É óbvio que ele se utiliza disso para manter seu poder e influência.
Ava ficou sem silêncio, considerando suas opções.
— Você vai se dar bem de qualquer jeito Ava — respondeu e Ava sorriu de lado, um pouco constrangida — Tenho certeza que vai conseguir independente de qualquer favor, mas não conte comigo dessa vez.
— Eu odeio ser sua amiga — Ava disse tentando disfarçar um sorriso.
— Você mente muito mal — revirou os olhos.
— Eu ainda acho que você deveria dar uma chance! Não me diga que ainda está pensando em ser jogadora de quadribol? — Ava estreitou os olhos como quem desconfia de algo. — Como você se sentiria se não pudesse mais ter a chance de trabalhar no Ministério da Magia? — respondeu com outra pergunta na tentativa de não ser pega em uma de suas mentiras.
Ava suspirou fundo, seus olhos ficando um pouco tristes, não por causa da quase discussão, mas porque ela tinha acompanhado seu sofrimento de perto. Além de serem amigas, eram vizinhas, foram praticamente criadas juntas. Ava era uma das pouquíssimas pessoas que a conheciam de verdade. sabia que o intuito da amiga era apenas de protegê-la.
— Eu não vou ao jantar, mas concordo que preciso considerar outras profissões. Podemos pesquisar algo amanhã, o que acha?
O rosto de minha melhor amiga se iluminou com a possibilidade.
— Já sei por onde podemos começar — Ava disse sem conter seu entusiasmo — Podiamos trabalhar no Departamento de Execução de Leis da Magia!
Seus olhos brilhavam de tanta animação.
— Mal posso esperar — disse com sinceridade, mas Ava nem ouviu responder, já tinha seguido seu caminho para a biblioteca.
Voltou a atenção para alguns alunos que deixavam os portões do castelo em direção a Hogsmeade — os que não haviam sido convidados para nenhum “clube” —, e uma ideia lhe ocorreu. Sem hesitar, virou-se e correu na direção oposta ao estádio, rumo à Sala Comunal da Corvinal. Rony teria que esperar.
“Clube idiota” — resmungou Rony, subindo as escadas com passos pesados. No fundo, sabia que sua irritação vinha justamente do fato de não ter sido convidado. Harry, ao contrário, era sempre chamado para festas e confraternizações — ainda mais agora, com a imprensa bruxa publicando matérias elogiosas sobre o Menino Que Sobreviveu. E Hermione... bem, Hermione era simplesmente a bruxa mais talentosa da série deles.
Rony se sentiu mal por ter sido grosseiro com os colegas momentos antes. Eles não tinham culpa, mas ser deixado de lado daquela forma o incomodava profundamente. Frustrado por deixar aquilo afetá-lo, jogou-se na cama, decidido a dormir pelas próximas 24 horas. Mas pulou de susto ao checar o horário: havia se esquecido completamente do treinamento! Xingou-se mentalmente, irritado, enquanto trocava de roupa o mais rápido que podia. Se havia alguém que ele não queria magoar hoje, era .
Só de pensar nos momentos que passava com ela, Rony se sentia mais leve. Conversavam muito sobre quadribol, mas também sobre inseguranças, planos para o futuro e assuntos
sem importância. Apesar do pouco tempo de convivência, sentia que podia confiar plenamente nela. Claro, nem tudo era compartilhado — a vida pessoal de Harry, bem como as aulas com Dumbledore, permaneciam em segredo. Curiosamente, isso não parecia incomodá-la. Era bom, ao menos uma vez na vida, saber que alguém se interessava por ele — e não apenas como uma ponte para chegar até Harry.
O castelo estava silencioso àquela hora da noite. Os alunos mais velhos que não tinham sido convidados para os clubes geralmente passavam as sextas-feiras em Hogsmeade. Ainda assim, o clima estava agradável o suficiente para permanecer ao ar livre. O céu, limpo e estrelado, contrastava com a leve brisa que não chegava a causar frio. Rony agradeceu mentalmente; com mau tempo, os treinos seriam comprometidos. O universo, ao menos uma vez, parecia estar a seu favor.
Mas sua animação se desfez ao chegar ao campo: estava sozinho. Talvez tivesse chegado antes, esperado e ido embora. Ou então estava no jantar do Slughorn — afinal, alguém como ela dificilmente ficaria de fora. Desapontado, decidiu dar meia-volta e retomar seu plano original de dormir por 24 horas seguidas, quando ouviu uma voz ecoar pelo estádio.
— Rony! Espera aí! — a menina gritou, ofegante, as bochechas coradas pela corrida. — Mil desculpas! Tive uma ideia e me atrasei...
— Você está bem? — respondeu ele, rindo, aliviado por não ter sido o único a se atrasar. — Eu também me atrasei. Achei que já tinha ido embora!
— Ah, fala sério! Nós temos um trato. Não confia em mim? — disse ela, e Rony percebeu que a garota carregava um pacote escondido sob as vestes.
— O que você tem aí? — perguntou, curioso, quase sorrindo diante da expressão marota que ela fazia.
— Isso? — disse ela, como se fosse algo banal. — Contrabando! — soltou uma gargalhada cheia de segundas intenções. — Mas é pra depois! — deixou o pacote de lado e o puxou pela mão.
Rony se surpreendeu com o contato físico, tão íntimo e natural, mas deixou-se conduzir por ela.
— Estava pensando em fazermos um treino mais leve hoje — disse , soltando a mão dele. — Trabalhar nosso estilo pessoal como jogadores. Eu acredito que, assim como as
varinhas, as vassouras também têm emoções e se conectam com seus donos por meio dos sentimentos. Ei, não me olha como se eu fosse maluca. Tô falando sério! — ela riu ao ver a expressão incrédula dele. — A varinha escolhe o bruxo, lembra?
— Não sei se entendi muito bem...
— Vamos colocar em prática! Vamos voar na mesma vassoura, tudo bem? — disse ela, e Rony agradeceu internamente pela escuridão, caso contrário ela veria o rubor que subia em seu rosto. — Eu conduzo primeiro.
— Pode segurar minha cintura, Ron — disse com carinho, quando ele se posicionou atrás dela. sentiu suas mãos suadas envolverem sua cintura, e seu coração perdeu o compasso por um segundo. Precisava se concentrar, se quisesse provar seu ponto.
Rony notou que ela enrijeceu ao toque. Será que estava tão nervosa quanto ele?
Com um impulso, a vassoura se lançou ao céu com uma estabilidade impressionante. Rony ficou surpreso com o controle que ela tinha, mesmo carregando mais uma pessoa.
— Eu me sinto confiante quando voo — explicou ela, estabilizando-se no ar, a cerca de trinta metros de altura. — Notou alguma diferença?
— Sim! Sua vassoura está sólida feito rocha!
— Exato! Se me sinto nervosa ou com medo, a vassoura não responde como eu quero. Por isso, você precisa trabalhar suas emoções. Algumas não são tão ruins quanto parecem. Quando canalizo minha raiva, por exemplo, minha vassoura ganha velocidade! — e, concentrando-se, a vassoura disparou como um jato.
— Genial! — gritou Rony, pego de surpresa.
— Notou alguma mudança? — perguntou ela, olhando para trás.
— Sim! Isso é incrível! Pode me dar outro exemplo?
— Se sinto alegria, consigo realizar movimentos mais criativos — disse empolgada. — Segura firme! — avisou, sentindo o aperto dele em sua cintura aumentar. acelerou e fez dois loopings perfeitos, um para frente e outro para trás.
— Você é demais! — Rony gargalhou, extasiado.
— Agora é sua vez! — disse ela, inclinando-se para baixo e trocando de lugar com ele. — Lembre-se: a vassoura precisa que você canalize suas emoções, não apenas as sinta.
Rony respirou fundo, tentando identificar o que sentia — mas era tudo e nada ao mesmo tempo. “O que você sente?”, perguntou-se, sentindo os braços de envolverem seu torso, as mãos repousando sobre seu coração.
Ele vacilou.
— Sinto que... não sou capaz — disse, sincero. A vassoura oscilou, como se respondesse à confissão.
— Eu confio em você — disse ela, apertando-o com mais firmeza. Seu coração pareceu perder o ritmo nesse instante.
Rony iniciou o voo, hesitante. A vassoura não respondia bem e mal ganhava altitude. Irritado, bufou — e a vassoura vacilou.
— O que você sente, Rony? — insistiu , pressionando as mãos em seu peito.
Raiva, insegurança, medo. Cansado de não ser o suficiente, de ser sempre a segunda opção. Fechou os olhos, canalizou suas emoção — e, de repente, a vassoura disparou. O vento cortava seus rostos enquanto voavam com incrível estabilidade.
— É isso aí Weasley! — gritou , gargalhando.
— Vem, quero tentar uma coisa — disse Rony, estendendo a mão. a aceitou, e com um puxão rápido, os dois trocaram de posição — agora ela estava de frente para ele.
As bochechas dela estavam coradas, e os olhos brilhavam como as estrelas acima deles. Ela parecia gostar da ousadia, sustentando o olhar com firmeza.
Rony a puxou para mais perto, e ela entrelaçou as pernas ao redor de sua cintura. Ainda flutuando, os dois estavam perigosamente próximos.
— Nunca imaginei que você fosse tão aventureiro, Weasley — disse ela, com malícia na voz.
— Eu ainda sou um grifinório. Você sabe disso não é? — respondeu ele com a voz rouca. Então, inclinou a vassoura em um voo vertical de noventa graus. gritou, tomada pela adrenalina, e, quando estavam prestes a tocar o chão, Rony freou, estabilizando o voo.
Ela gritou mais uma vez e riu, jogando a cabeça para trás. Rony sentiu um desejo pulsante dentro do peito, como se quisesse beijá-la ali mesmo, e nunca mais soltá-la.
— Você estava chateado com alguma coisa? — perguntou assim que tocaram o chão. — Foi por causa daquele clube idiota, não foi?
— Sim... mas você me fez sentir bem.
— E estou prestes a te fazer sentir ainda melhor — disse ela, tirando uma garrafa de hidromel do pacote. Rony gargalhou alto.
— Um brinde aos desajustados — gritou , erguendo a garrafa.
— Foda-se Slughorn e seu clube idiota — Rony respondeu, dando um gole generoso na bebida. O calor do álcool percorreu seu corpo, lhe trazendo um aconchego que não sentia há um bom tempo.
— Você foi convidada, não foi?
— Fui. Mas não concordo com essas coisas — respondeu, empurrando-o de leve com o ombro. — Prefiro estar aqui com você.
— Obrigado — disse ele, olhando-a nos olhos. — É bom poder conversar com você... contar o que eu sinto...
— E o que você sente? — ela perguntou, fazendo-o rir.
— Sinto que todos eles são talentosos e, às vezes, sinto que não me encaixo em lugar algum.
Ela percebeu como as palavras saíram engasgadas.
— Não me entenda mal, Ron — disse com doçura — mas acho que ser adolescente é, basicamente, não se encaixar.
— Fale por você! Corvina, jogadora de quadribol, fodona! — retrucou ele. Ela riu, tomando mais um gole que desceu ardendo.
— Sou filha de imigrantes no mundo trouxa. Sei muito bem como é não se encaixar.
— Nunca imaginei que você se sentisse assim — disse Rony, pegando sua mão com delicadeza. — Você é tão talentosa... inteligente...
— E você também é, Ron. Só precisa acreditar nisso — respondeu ela, apertando a mão dele. — Eu vejo você, Weasley.
Eles se encararam em silêncio, sentindo a conexão crescer entre eles.
— O que vocês estão fazendo fora da cama?! — a voz de Filch ecoou de longe interrompendo o momento.
— Corre! — pegou a garrafa, a mão de Rony, e os dois saíram em disparada para o castelo. Os gritos de Filch cada vez mais distante dos dois. soltou a mão dele, um pouco sem jeito, apoiando-se na parede — o hidromel começava a fazer mais efeito.
— Precisamos ir! Acho que já testamos nossa sorte demais — disse ela, tentando conter a risada. — Boa noite, Weasley.
— Tem certeza de que consegue chegar sozinha?
— Sim... Só estou preocupada com aquele enigma idiota pra entrar na sala da Corvinal — os dois riram alto, e desapareceu, correndo pelos corredores.
Rony apressou o passo o máximo que conseguiu, ainda inebriado pelos momentos que acabara de vivenciar, e chegou a sua sala Comunal, sem ser pego por nenhum professor, mas não deu sorte com Harry e Hermione, que pareciam esperar por ele.
— Onde é que você estava? — Hermione veio em sua direção, confrontando-o — você...você está alcoolizado? — disse extremamente escandalizada. Harry começou a rir da situação.
— Parece que ele se divertiu mais que a gente, Hermione.
— Você não sabe o quanto está certo — Rony assegurou dando as costas para os colegas, ainda meio tonto. Não estava em condições de discutir, então seguiu rapidamente para o dormitório. Harry seguiu o amigo dando de ombros para uma Hermione que permaneceu estática para trás.
não teve a mesma sorte que Rony. Estava agora parada em frente à entrada da sala comunal da Corvinal, encarando a estátua da águia de bronze, que bloqueava sua passagem com a paciência impassível de quem não tem um pingo de empatia.
— Sem resposta, sem entrada — repetia a águia, a voz melodiosa, porém levemente irritante, ecoando no corredor.
— Ah, por favor! Eu estudo aqui há seis anos! Eu tenho uma cama ali dentro! Eu deixei um pão de queijo mágico na minha mesa, se alguém comer aquilo eu juro que... — estava visivelmente alterada, o hidromel não ajudava em nada a clarear suas ideias.
— Se pertence à Corvinal, saberá a resposta — a estátua respondeu, impassível, como se fosse o próprio Buda das portas mágicas.
— Por Morgana... Eu vou dormir aqui mesmo. Pode avisar o diretor que foi culpa sua — cruzou os braços e deslizou até sentar-se no chão, o rosto descansando nos joelhos.
— E dizem que os corvinos são os mais inteligentes de Hogwarts. Tsc tsc... decepcionante — uma voz sarcástica soou próxima, vinda do corredor à sua esquerda.
sobressaltou-se, endireitando-se no susto.
— Ah, ótimo! Um sonserino. É disso que eu precisava — ela murmurou, revirando os olhos. — Vai me dizer agora que você teria resolvido o enigma de primeira?
— Sempre — respondeu o rapaz, agora visível na luz das tochas. Thomas Blake. Ele surgiu da penumbra com o habitual ar de quem não tinha pressa para absolutamente nada. As mãos nos bolsos, o casaco da Sonserina aberto sobre a camisa amassada. Estava, como sempre, perigosamente à vontade.
— Claro que sim. E deixa eu adivinhar... também sabe tudo de Poções, Transfiguração e como irritar qualquer um com esse seu ego gigante?
— Admito que a última parte é natural. O resto eu tive que estudar um pouco — respondeu ele, encostando-se na parede ao lado da estátua. — Mas por que uma corvina tão promissora está sendo barrada na própria sala comunal? Isso me parece... tragicômico.
— Ah, Blake, não me irrita. Só estou... ligeiramente entorpecida. Maldita seja essa bebida deliciosa — ela falou e estendeu a mão dramaticamente — Me ajuda, por favor! Só dessa vez.
— Eu poderia... — disse ele, coçando o queixo com fingida contemplação. — Mas apenas se me prometer um favor vitalício.
— Você é mesmo impossível! — resmungou, mas já estava sorrindo. Ele fazia isso: aparecia do nada e provocava como se fosse seu talento natural.
— Muito bem, estátua dos infernos! Lança tua charada milenar — disse ela, teatral, fazendo uma reverência torta — Francamente, um enigma às três da manhã devia ser ilegal.
A águia piscou os olhos brilhantes uma vez antes de anunciar:
“Sou algo que quanto mais você tira, maior fico. O que sou?”
— Essa é boa — Thomas murmurou, quase entusiasmado. — Vamos lá, grande mente corvina. Me surpreenda.
franziu o cenho, mordendo o lábio inferior, claramente em esforço. — Hmm... um buraco?
A águia bateu as asas, satisfeita, e a entrada se abriu.
— É. Realmente, esse foi mais digno da Corvinal — admitiu ela, aliviada.
— Confesso que estou impressionado. Você ainda consegue pensar mesmo depois de virar metade de uma garrafa de hidromel.
— É o que me mantém criativa — respondeu ela, erguendo a cabeça com falsa dignidade. Os dois ficaram em silêncio por um breve instante, antes de estender a mão para ele. — Obrigada, Blake. De verdade.
— De nada — respondeu ele, mas não soltou a mão dela imediatamente. Seus dedos se entrelaçaram de forma quase imperceptível, e por um segundo, nenhum dos dois disse nada.
— Você tá diferente hoje — comentou ele, quase num sussurro.
— É o álcool, provavelmente.
hesitou antes de cruzar a entrada da Corvinal, e olhou por cima do ombro.
— Boa noite, Thomas Blake. Espero que suas aventuras noturnas não te levem para uma detenção.
— Espero que as suas te levem para mais enigmas mal resolvidos. Me diverti com esse — respondeu ele, com um meio sorriso encantador.
Ela entrou, e a porta se fechou com um leve clique, deixando para trás um leve cheiro de vento e hidromel no corredor vazio.
Blake permaneceu ali por mais alguns segundos, encarando a porta agora imóvel. Depois deu um passo para trás e caminhou de volta para as masmorras, com a sombra de um sorriso no rosto.
