— Promete que vai direto para casa depois que você terminar de comer, Millie? — perguntei, começando a recolher os pratos enquanto segurava o celular entre minha orelha e o ombro.
— Prometo. — ela respirou fundo e respondeu.
— Millie, eu estou falando sério.
— E eu também, . Nossa! Você está paranoica esses últimos dias.
— Eu estou tentando te proteger, Millie.
— De que? De quem? Faz uma semana que você diz que nós precisamos conversar, mas continua evitando o assunto.
— Eu não estou evitando o assunto! — me defendi, colocando os pratos em cima da bancada. Emma olhou para mim e balançou a cabeça em desaprovação. — Tudo bem, talvez um pouco. — respirei fundo, me sentando em um dos bancos. — Mas o que eu tenho para dizer não é algo fácil.
— O que foi, ? Você está grávida?
— Não, é claro que não!
— Matou alguém? Bateu em alguém? Empurrou alguém da escada?
— Nós conversamos quando você chegar em casa, Millie. Direto. Para. Casa. Entendeu?
— Tudo bem, Sargenta.
— Na verdade, General. — olhei para o celular, vendo que Millie tinha desligado na minha casa. — Pirralha marrenta, desligou na minha cara! — coloquei o celular no bolso e me virei para Emma. — Você acredita nisso?
— Me pergunto de quem ela puxou isso.
— Nem tente dizer que ela puxou isso de mim, eu culpo o lado da família da minha mãe.
— Você não os culpa só disso. — Emma disse, fazendo com que meu sorriso desaparecesse. — Você vai mesmo contar a verdade para ela? Você não precisa fazer isso, faz uma semana e ninguém apareceu atrás de vocês.
— Eu já adiei muito, Emma, eu tive muita sorte que eles entraram numa briga com os dois que vieram aqui no outro dia.
— Falando nisso, você não achou isso estranho?
— Não tanto, Giles e Baltazar não são conhecidos por serem discretos e adoram arrumar brigas por onde passam. Deve ser alguma coisa sobre afirmar sua masculinidade.
— Homens! — Emma disse, fazendo com que nós duas déssemos algumas gargalhadas. Na mesma hora, o sino da lanchonete anunciou novos clientes e nós duas viramos para a porta apenas para dar de cara com um dos gatos do outro dia. deu uma piscadela para mim antes de andar em direção a uma das mesas do fundo, ele ainda estava mais atraente do que da última vez que eu o vi, dessa vez seu conjunto era completamente preto e dourado com ilustrações pelo terno e calça, sua camisa assim como seus sapatos e sua gravata eram pretos, porém hoje ele segurava uma bengala. Pelos deuses, que homem era esse?! Ele não é deste mundo!
Andei a passos largos em direção a sua mesa com o meu melhor sorriso.
— Boa noite.
— Boa noite. Olá, . — disse, fazendo com que eu voltasse meu olhar para ele. — Gostou da festa?
— Muito mais do que eu imaginava. — ele sorriu de lado e eu mordi o lábio tentando esconder o sorriso. — Você já sabe o que vai pedir?
— Sim, eu vou querer um especial do dia e, claro, uma garrafa de café.
— Tem certeza? Não é muito tarde para tomar café?
— Pode até ser, mas, como um bom viciado em café, eu não posso ficar sem a minha dose diária.
— Tudo bem, sem problema, eu volto já com o seu pedido.
— Obrigada, .
— De nada.
— Na verdade, , eu tenho mais um pedido. — segurou meu braço, fazendo com que eu me virasse para ele novamente.
— O que seria? — respondi, puxando minha caderneta outra vez.
— Que você diga onde estão seus pais.
— O quê? — olhei para ele, surpresa, guardando minha caderneta dentro do meu avental. — Meus pais?
— Sim, seus pais. — ele apoiou os cotovelos em cima da mesa. — Adelaide e Lucian, esses são os nomes dos seus pais, certo? — olhei para Emma, que fez cara de confusa, antes de voltar meu olhar para , tentando manter minha afeição neutra.
— Eu já volto com o seu pedido. — me virei para ir embora, porém ele segurou meu braço mais uma vez.
— É uma simples pergunta, , que, infelizmente, só você pode responder.
— Você quer saber onde estão meus pais? — apoiei minhas mãos na mesa, olhando para ele. — Cemitério Hali, pode procurar à vontade. Agora, se você me der licença, eu tenho que voltar ao trabalho.
Me virei para ir embora, porém ele segurou em meu braço, me puxando e fazendo com que eu chocasse contra seu peitoral. Ele me olhava sério, com um maxilar travado, e, pelos seus olhos, eu podia ver que ele estava segurando sua raiva dentro de si. Ele estava a ponto de perder o pingo de paciência que lhe restava.
— Olha aqui, garotinha, paciência não é uma das minhas virtudes, especialmente em tempos como esse, então eu vou perguntar só uma vez: onde estão os seus pais?
— Eu não sei do que você está falando, meus pais morreram em um acidente de carro há dez anos. E, para sua informação, eu não sou nenhuma garotinha.
— Les! (Mentira!) Você sabe que isso não é verdade, .
— Mentira ou não, é tudo que você vai conseguir. — puxei meu braço de volta, me afastando dele. — Eu não vou te contar nada, nem mesmo que você me torture.
— Isso pode ser providenciado. Agora, eu vou perguntar mais uma vez e eu espero a resposta que eu quero: onde estão os seus pais?
Eu estava pronta para respondê-lo com uma série de palavras de baixo calão e um dedo do meio quando algo passou de raspão por mim e acertou em seu ombro. Ele fechou os olhos lentamente e fez uma careta, virando a cabeça para o lado, antes de retirar a adaga de seu ombro e a jogar de volta para o lugar que ela veio. O barulho de metralhadora e vidro quebrando tomou conta do local, fazendo com que eu tampasse meus ouvidos. chutou uma mesa, fazendo com que ela caísse de lado no chão, e passou o braço por meus ombros, me puxando para baixo. Na mesma hora, o outro bonitão apareceu do meu outro lado, fazendo com que eu o olhasse assustada.
— Oh, oi, .
— Como você sabe meu nome também?
— De onde nós viemos, você é quase uma celebridade.
— E de onde seria?
— Se eu te contasse, você não acreditaria. — ele sorriu de lado, porém o mesmo logo desapareceu quando ele olhou para o seu irmão.
— O que você fez agora? — perguntou entre os dentes.
— Para a minha defesa, eles que começaram.
— E a sua função é não dar continuidade, seu imbecil! Esse é um dos meus ternos favoritos!
— Você supera. E, além do mais, é da minha natureza não fugir de uma briga. — balancei minha cabeça, olhando para baixo. Ótimo! Agora eu estava presa em uma lanchonete no meio de uma briga que eu nem ao menos sabia por que tinha começado e não tinha nada a ver comigo. Sua vida não tem mesmo como piorar, .
— ... — meus pensamentos com certeza eram traiçoeiros, pois logo em seguida escutei a voz de Millie me chamar quase como um sussurro. Olhei para o vidro à minha frente, tentando ver algum reflexo do que estava acontecendo. — , por favor, eu estou com medo. — eu pude ver Millie com uma arma apontada a sua cabeça enquanto alguém a segurava pela camisa. Pelo jeito que seus ombros estavam balançando, ela estava chorando. Droga! Tudo o que eu mais temia estava acontecendo diante dos meus olhos! Oh, meu Deus, como é que eu vou explicar tudo isso para Millie?
— Cala a boca, sua pirralha! — escutei a voz de um dizer antes de continuar: — Ah, há quanto tempo, minha querida , sentiu minha falta?! Eu com certeza senti a sua! — ele soltou uma gargalhada. — Eu tenho certeza de que você sabe como isso funciona, me responde onde seus pais estão e nós deixamos a pirralha ir.
— Por que todo mundo acha que meus pais estão vivos? Ou melhor, que eu sei onde eles estão?! — eu gritei, jogando minhas mãos para o alto.
— Porque você sabe onde eles estão, , e se fazer de tola nunca te caiu muito bem. Você sempre foi a minha favorita!
— Se o que você diz é verdade, quem me garante que você só não vai nos matar quando eu disser? — eu gritei de volta, respirando fundo. Eu precisava de uma saída e de preferência uma rápida, em que Millie não se machucasse.
— Você sabe que é muito mais importante do que isso, . — o mesmo cara falou e a minha vontade foi de levantar e fazê-lo engolir cada palavra. — Você tem 60 segundos para decidir.
— Merda! — olhei para baixo, balançando a cabeça. Estúpida, ! Como você pode ter sido tão estúpida de ficar no mesmo lugar por tanto tempo? Se algo acontecer com Millie, eu nunca vou me perdoar.
— Eu estou perdendo a paciência, ! 45 segundos.
Foi naquele momento que eu a vi, como uma luz no final do túnel, no calcanhar de , refletindo como o sol que trazia um raio de esperança. Me estiquei, puxando a adaga e fazendo com que ele me olhasse confuso.
— Me diz que você tem outra dessas. — ele se esticou, pegando outra adaga na sua outra perna e estendendo para mim.
— 25 segundos, ! Ou eu corto o pescoço da sua irmãzinha.
— Quantos você viu? — perguntei, olhando para o irmão de .
— Dez: dois no telhado da loja do outro lado da rua; quatro lá fora e mais quatro aqui dentro.
— Não me diga que você está planejando lutar com esse bando de homens só com duas adagas? — perguntou, surpreso. — Eu sabia que humanos eram estúpidos, mas não a certo ponto. — Ele olhou para o seu irmão. — Ares, você sabe o que fazer.
— Pode ir, eu cuido do resto. Foi um prazer te conhecer, , você é demais. — Ares disse, sorrindo, antes de estalar os dedos e desaparecer em frente aos meus olhos, deixando apenas um rastro de fumaça. Olhei para ainda assustada, porém ele apenas sorriu de lado.
— 10 segundos, ! — balancei minha cabeça, me ajoelhando no chão em frente à mesa e segurando as adagas em minhas mãos.
— O que você planeja fazer com isso? — perguntei, vendo-o segurar sua bengala com suas mãos.
— Muito mais do que você pode imaginar, . O que você planeja fazer com essas duas adagas?
— Algo que eu prometi a mim mesma que nunca mais faria. — me levantei, analisando meu alvo e colocando minhas mãos para trás, escondendo as adagas.
— Ah, minha linda , você ainda está mais linda do que eu me lembro. — Giles bateu continência, fazendo com que os outros homens que estavam vestidos igual a ele fizessem o mesmo. — É um prazer revê-la, General.
— Algo que não posso dizer o mesmo sobre você. — virei as adagas nas minhas mãos, segurando a ponta. — Como sempre é um desprazer estar no mesmo recinto que você, Giles.
— Do meu ponto de vista, eu ainda tenho uma arma apontada na cabeça da sua irmã. — ele puxou o gatilho, fazendo com que Millie fechasse os olhos. — Ops! Não precisa chorar, garotinha, nada vai acontecer com você. A não ser que sua irmã não queira cooperar, aí eu vou ter que fazer algo que eu realmente não queria fazer.
— O que você quer?
— Que você me diga onde Lucian e Adelaide estão, nós precisamos bater um papo.
— Eu não sei do que você está falando, meus pais morreram em um acidente de carro e você sabe disso.
— Eu odeio joguinhos, .
— Mas eu estou falando a verdade! — eu defendi. — Eu não sei do que você está falando.
— Giagiá não vai ficar muito feliz que você não cooperou com sua família . Nós sentimos sua falta.
— Sentem minha falta? Bem, se dependesse de mim, todos vocês podem ir para o inferno.
— Mas que coisa terrível de se dizer, , nós precisamos de você. — ele puxou Millie para mais perto dele. — Eu aposto que Millie vai ser uma ótima recruta para o nosso exército.
— Só por cima do meu cadáver. — joguei uma das adagas, acertando exatamente no ombro de Giles, fazendo com que ele desse um passo para trás, ele olhou para mim com um sorriso no rosto e eu joguei a outra em sua coxa fazendo com que ele caísse no chão. Pulei por cima da mesa, começando a correr em direção a Millie quando um dos capangas de Giles pulou em minha frente. Ele tentou me acertar, mas desviei com meu antebraço, virando para o lado e acertando seu joelho com meu pé. Ele caiu no chão ajoelhado, tentando me acertar novamente, porém eu segurei seu pulso fazendo com que ele me olhasse assustado enquanto eu o acertava com minha outra mão. Ele caiu desacordado na mesma hora.
— Vejo que você não perdeu o jeito, General. — Giles disse, se levantando e sorrindo. Peguei Giles pelo colarinho, aproximando seu rosto do meu. — Vai me matar, ? Pelo que eu me lembro, esse era um dos pontos fortes.
— Olha aqui, Giles, eu vou falar apenas uma vez e eu espero que você fique inteiro para poder passar o recado: fiquem longe de mim, da minha irmã e dos meus pais. Se vocês vierem atrás de mim outra vez, eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu acabo com cada um de vocês.
— Você pode passar esse recado você mesma. — ele balançou a cabeça e depois me olhou confuso. — Espero que você fique inteiro como assim, ?
Eu apenas sorri de lado, me afastando um pouco de Giles, dei um chute no tronco do seu corpo fazendo com que ele fosse jogado para fora da lanchonete quebrando o vidro da vitrine no meio do caminho.
— , desde quando você é o Superman? — Millie perguntou, entre seus soluços enquanto me olhava assustada.
— Por que tem que ser Superman? Por que não a Mulher-Maravilha? — eu rolei os olhos, me aproximando dela. — Isso é história para outra hora. — Me abaixei à sua frente e continuei: — Você está bem? — ela assentiu com a cabeça. — Bom. Agora vamos, nós temos que sair daqui o mais rápido possível.
— Pra onde nós vamos? Quem são esses homens? O que está acontecendo, ?
Antes que eu pudesse responder, nossa atenção foi distorcida quando um grito ecoou pela lanchonete, fazendo com que nós olhássemos de onde ele veio. Segurando o último do bando pelo pescoço, estava , com um sorriso malicioso no rosto. O homem começou a tremer da cabeça aos pés e seus olhos e ouvidos começaram a sangrar enquanto as mãos de ficavam pretas e suas veias douradas, parecendo que ele estava sugando a vida do cara e, como um passe de mágica, em questão segundos o cara que ele segurava virou pó, literalmente.
Ele tirou o pó das mãos da mesma maneira que tirou do resto do seu terno antes de se virar para nós duas.
— Graça aos deuses que não foi mais sangue, essas são manchas difíceis de tirar. — ele ajeitou seu terno enquanto andava em nossa direção. — Esses ternos me custaram muito caro para desperdiçá-los. — ele olhou para seu ombro e pareceu perceber o corte que tinha e grunhiu alto. — Droga, eu já tinha esquecido desse pequeno detalhe!
Então, em um impulso, eu peguei uma adaga no chão e joguei em sua direção, porém, como uma rapidez que eu nunca tinha visto, ele a pegou em suas mãos. Ele me olhou com uma sobrancelha arqueada antes de sorrir de lado.
— Belas habilidades que você tem, , mas vai precisar mais do que isso para acabar com alguém como eu. — ele andou até mim, se abaixou em minha frente, segurando meu queixo entre seus dedos para que eu olhasse para ele. — Como você pode fazer isso depois de eu te ajudar a salvar sua irmã? — ele aproximou o seu rosto do meu. — Eu pensei que nós tínhamos algo especial.
— O que você quer? — eu perguntei, me levantando e levando outra adaga junto comigo.
— Com o tempo você vai saber, agora nós precisamos sair daqui. Não é seguro para nenhum de nós.
— E quem disse que eu vou para algum lugar com você? Eu nem te conheço!
— Você não estava reclamando ontem quando nós dançávamos agarrados durante a noite inteira.
— Não, eu não estava. — me aproximei dele, segurando a adaga em minhas mãos. — Então espero que você não se importe do que eu vou fazer a seguir. — Passei a lâmina da faca na palma da minha mão e logo depois agarrei seu pescoço, sorriu, olhando para minha mão e depois de voltando para mim, porém, quando eu comecei a apertar, seu sorriso desapareceu e ele colocou suas mãos no meu pulso tentando tirá-la. Seus joelhos cederam enquanto ele tentava se soltar. Quando eu retirei minha mão, ele automaticamente levou suas mãos ao seu pescoço e me olhou surpreso.
— Se você chegar perto de mim outra vez, eu juro que te mato. — cerrei um de meus punhos e, com toda força que eu tinha, dei um soco nele, fazendo com que ele caísse desacordado. Eu estava certa, esse homem não é deste mundo. Literalmente.
— ! — Emma entrou pela porta de trás com uma Macy assustada ao seu lado, as duas seguravam submetralhadoras. — Você está bem? — ela olhou ao redor, vendo sua lanchonete completamente destruída e vários homens caídos desacordados no chão.
— Desculpa, eu pago pelo conserto depois.
— Ah, tá. — ela pegou a submetralhadora que Macy segurava e jogou para mim, que a peguei no ar. — O Cafofo está pronto, eu consegui pegar algumas roupas para vocês.
— Você está com o furgão?
— Sim, eu acho melhor nós sairmos daqui antes que os amigos deles comecem a vir.
— , mais deles estão vindo. — Millie disse, fazendo com que eu levantasse e olhasse para o lado de fora da lanchonete. — Quem são eles?
— Fávlos. — os olhos de Emma se arregalaram. — Nós temos que sair daqui. Agora!
— Quem são Fávlos? — Millie perguntou, confusa.
— Eu te explico tudo depois, Millie, agora eu só preciso que você me obedeça.
— Você realmente acha que eu vou pra algum lugar com você depois de tudo que eu vi?! Você jogou um cara contra uma vitrine como a porcaria de um super-herói de quadrinho e ainda enforcou outro, o deixando desacordado. E não vamos esquecer que você se cortou de propósito! — ela pegou minha mão e estendeu para Emma e Macy. — , cadê seu corte? — ela procurou o corte na minha mão, levantando meu braço e me olhando assustada. Olhei para Emma, que apenas segurava o riso.
— Oh, Millie, você tem tanto para aprender. — Emma soltou uma gargalhada, fazendo com que eu balançasse minha cabeça.
— , o que está acontecendo? Isso é uma espécie de brincadeira? Eu não vou sair daqui sem uma explicação! O que você é, afinal de contas? Você é minha irmã de verdade?
— Melinda! — eu gritei, fazendo com que ela ficasse calada. — Eu já disse que explico depois, agora você vai entrar dentro daquele carro e não vai reclamar de nada.
— Se você acha...
— Cala a boca, Millie! Você não percebeu que isso tudo que aconteceu é mais sério do que você imagina?! Você acha que eu queria que tudo isso acontecesse?! Que eu gostei das coisas que eu fiz?! Eu fiz tudo isso pra te proteger e pra que você tivesse uma vida melhor, porque eu não queria que você se tornasse como alguém como eu! — Millie me olhou com lágrimas nos olhos. — Eu só preciso que você me escute, pelo menos uma vez, e não faça perguntas. Eu vou te contar tudo, mas primeiro eu preciso que você fique segura.
— Tudo bem. — Millie respondeu, sussurrando.
— É melhor nós irmos antes que mais deles cheguem.
Nós seguimos Emma até a parte de trás da loja, onde um furgão antigo estava parado com um logo de alguma loja de construção que Emma provavelmente tinha achado na internet. Segundo ela, um bom carro de fuga era um que passaria despercebido por todos. Eu entrei no carro no banco do passageiro, ao lado de Emma, enquanto Macy e Millie entraram no banco de trás. O Cafofo era um prédio velho que a família de Emma tinha deixado para ela antes de voltarem para sua terra natal. Ele ficava na parte mais afastada da cidade, perto do porto, e na parte de cima parecia apenas mais um armazém enorme com coisas velhas e antigas, mas, na verdade, tinha uma parte subterrânea que serviria de esconderijo se caso um dia nós precisássemos, então, caso esse dia chegasse, nós decidimos equipá-lo com tudo que achávamos necessário, como computadores, camas, comidas e, claro, os mais diversos tipos de armas.
Quando nós chegamos ao Cafofo, eu desci para abrir o portão e logo depois Emma entrou com o carro, fechei o mesmo, checando se não tínhamos sido seguidas e, pelo visto, a sorte estava ao nosso lado. Emma, Macy e Millie desceram do carro e logo depois Emma colocou algumas coisas em cima para aparentar que eles estavam ali há algum tempo. Nós seguimos em direção à parede, onde Emma puxou algum produto de limpeza na prateleira ao lado, fazendo com que um velho elevador de carga aparecesse, nós todas entramos e depois que eu e Emma colocamos nossas digitais, ele começou a se mover.
— Isso é parece um filme de ação assustador e surpreendentemente incrível! Quem sabia que minha tia e sua irmã seriam tão descoladas?! — Macy disse, fazendo com que eu olhasse para ela surpresa. — O quê? É super incrível! — me virei para Emma, que apenas deu de ombros e disse:
— Ela ama filmes de ação, deve ser por isso que não deve ser um choque assim tão grande. — ela cruzou os braços, se virando para mim. — O que eles querem com vocês, ? Eles pareciam saber exatamente onde você estava todo esse tempo e o pior é que sabem que seus pais estão vivos.
— O quê? Nossos pais estão vivos? — Millie perguntou, trêmula, segurando meus ombros. — Mas eu pensei...
— Sim, eles estão, Millie. — me afastei dela. — E, se nós tivermos sorte, você pode falar com eles depois.
— Por que você não me disse antes, ?! Por que deixou que eu pensasse que nossos pais estavam mortos todo esse tempo?
— Eu fiz o que tinha que fazer pra te proteger. — soltei o ar pela boca, olhando para o teto. — Eu nunca deveria ter ficado na mesma cidade por muito tempo.
— Ei, não se culpe por querer ter uma vida normal, se lembra que nada disso é sua culpa. — Emma acariciou meu braço. — O que a gente vai fazer agora?
— Honestamente? Eu não tenho a menor ideia, eu preciso dormir pra colocar minha cabeça no lugar.
Emma empurrou a porta do elevador e logo depois empurrou a alavanca, trazendo energia ao local. No meio tinha um tablado com cadeiras e alguns computadores, Emma fez questão de comprar os de última geração, já que ela era apaixonada por tecnologia e uma hacker de primeira. Do lado esquerdo tinham alguns armários que guardavam alguns tipos de armas, como facas, espadas, arco e flechas e armas automáticas; já do lado direito, nós tínhamos um tatame, alguns sacos de areias com aparadores e luvas e, também, alvos para arco e flecha. Depois do tablado tinha uma mesa com mais de dez lugares, uma cozinha completa com armários e duas geladeiras, e logo depois o corredor que levava a um espaço do qual pareciam mais um quarto gigante com guarda-roupas médios, várias camas e uma espécie de banheiro coletivo.
— Como vocês conseguiram esse lugar? — Macy perguntou, se jogando em uma das cadeiras.
— Pertencia à nossa família. — Emma respondeu, cruzando os braços. — Os Callas eram aliados da família de Millie e .
— Então vocês duas se conhecem há muito tempo? — Millie perguntou.
— Desde que sua irmã dava as ordens.
— sempre foi mandona mesmo. — Millie sorriu. Talvez sua irmã não te odeie tanto assim.
— Você não sabe o quanto. — Emma soltou uma gargalhada. — Que tal vocês duas irem dormir? Vocês devem estar cansadas pela noite agitada, se vocês seguirem pelo corredor, vocês vão achar um quarto enorme, lá tem algumas roupas que vocês podem usar e, se quiserem tomar banho, o banheiro fica ao lado.
— Nós vamos fazer isso, sim. — Macy se levantou, arrastando Millie pelo corredor.
— Bem, elas aceitaram melhor do que eu imaginava.
— Isso é porque eu ainda não contei nada pra Millie, ela me odeia, certeza. — me joguei em uma das cadeiras.
— Quando você contar tudo pra ela, tenho certeza de que ela vai entender. Millie é muito mais inteligente do que você imagina, , você só precisa dar um pouco de crédito a ela.
— Eu só não queria que ela se tornasse alguém como eu, Emma.
— Correção: você não queria que ela se tornasse a pior versão que existe de você. — ela se sentou ao meu lado. — O que a gente faz agora, General?
— A gente tenta achar meus pais.