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Codificada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 14/06/2026

A respiração de saía descompassada. O som de seus próprios passos era a única coisa que conseguia ouvir além da música distante do parque.
Suas pernas doíam devido ao esforço repentino, enquanto a jovem corria sem direção pelos caminhos iluminados do Eclipse Park. Os pulmões queimavam, a garganta ressecava a cada grito reprimido, e as lágrimas arruinavam a maquiagem, que escorria por suas bochechas.
As luzes néon das atrações transformaram o chão úmido em um borrão de cores distorcidas, e tudo ao seu redor parecia pertencer ao pior pesadelo de todos. Um pesadelo do qual ela não conseguia acordar.
— Briar! — Tentou gritar, mas a voz falhou e escapou rouca, dolorida. pigarreou enquanto continha um soluço e… — Briar! — Dessa vez, a voz ecoou clara e se esvaiu no ambiente.
Por que de repente tudo parecia tão deserto?
— Briar! — O desespero cresceu dentro de si, porém nenhuma resposta veio, apenas o som distante do carrossel e aquela mesma sensação sufocante de que alguma coisa a observava.
— Merda… — parou por um instante para recuperar o fôlego. Seu peito subia e descia rapidamente, e seus olhos percorreram ao redor até pararem na entrada da Casa dos Espelhos.
O letreiro piscava acima dela, porém uma das luzes havia apagado, e, por um momento, tudo o que conseguiu fazer foi encarar a atração.
Briar havia desaparecido ali, ela tinha certeza daquilo.
Engoliu em seco, a fim de criar coragem, então atravessou a entrada e imediatamente se viu mergulhada em uma penumbra azulada.
Como em todas as Casas dos Espelhos, tudo ali era macabro, porém algo a tornava ainda mais aterrorizante. Talvez fosse o fato de que um cheiro esquisito pairava no ar, ou talvez fosse a forma como os reflexos de seu próprio rosto surgiam em todas as direções e mostravam dezenas de vezes o quanto ela estava pálida e assustada.
— Briar? — Sua voz ecoou pelos corredores, e, mais uma vez, não houve resposta.
Então avançou um passo, depois outro, e mais outro, até um som desconcertante fazê-la congelar.
Era vidro quebrando.
Seu coração afundou.
Não! Não! Não!
— Briar! — começou a correr, e os reflexos se multiplicaram ao redor dela como se tripudiassem da sua cara. — Briar!
Aqueles corredores pareciam não ter fim, e, a cada segundo, a sensação de sufocamento aumentava, até que ela finalmente alcançou uma sala maior.
não precisou de muitos segundos para desejar não o ter feito, a cena que encontrou foi capaz de dilacerá-la de incontáveis formas.
Um espelho completamente destruído, fragmentos de vidro que cobriam o chão, sangue… muito sangue, e… Briar.
Caída de bruços diante dos estilhaços, com os cabelos loiros escondendo uma parte de seu rosto e uma nauseante trilha escura que escorria pela lateral de sua cabeça, como se alguém tivesse esmagado seu rosto contra o espelho.
A roupa era inconfundível. Ela usava a mesma jaqueta que recusava emprestar para qualquer pessoa porque morria de ciúmes dela.
— Briar? — Um nó se formou na garganta de . — Não…
Ela se aproximou mais da garota e engoliu em seco, em busca de força.
— Briar?
Não houve nada. Sequer um movimento, ou resposta.
O silêncio nunca foi tão pesado. Era como se esmagasse seus pulmões.
— Por favor, amiga…
As lágrimas verteram com mais intensidade, e ela tinha certeza de que desmaiaria ali mesmo a qualquer momento.
Então alguma coisa se moveu, e imediatamente ergueu a cabeça.
Por um instante, a jovem teve a impressão terrível de ver uma sombra desaparecer entre os reflexos, e o medo tomou conta de si.
Antes que pudesse raciocinar direito, seu corpo agiu por conta própria, ela se virou e se pôs a correr, afinal, não ficaria ali para descobrir quem a espreitava. Precisava ficar longe daqueles espelhos, do sangue nauseante e daquela visão terrível do que restava de sua melhor amiga.
Não podia pensar naquilo. As lágrimas embaçaram sua visão e as pernas voltaram a protestar, enquanto atravessava outra vez os caminhos vazios do parque.
Onde estavam os outros? ? ? Noah? Piper?
Por que ninguém atendia o maldito celular?
Por que tudo estava tão silencioso?
Aquele maldito deserto a deixava ainda mais apavorada e certa de que o pior estava prestes a acontecer, não importava o quanto corresse.
Uma música interrompeu os pensamentos de .
Era suave, repetitiva e infantil. E, antes mesmo de constatar de onde vinha, ela já sabia.
O carrossel.
Mesmo com o parque deserto, aquela atração continuava funcionando, e franziu o cenho em estranheza.
Com um estreitar de olhos, ela notou os cavalos subirem e descerem lentamente sob uma chuva de luzes tão douradas que chegavam a ofuscar sua visão.
Mas espera…
Havia alguém sentado em um deles.
Um fio de esperança tomou conta de si. Talvez alguém tivesse sobrevivido, e talvez esse alguém fosse um de seus amigos.
se aproximou com cautela, embora a ansiedade insistisse em fazê-la querer correr. Porém, quanto mais perto chegava, mais o mesmo fio de esperança se esvaía, porque a figura não se movia, não reagia, sequer respirava.
O carrossel continuava girando lentamente, como um palco doentio exibindo um troféu.
E quando a proximidade se tornou suficiente, reconheceu o rosto de quem estava nele.
— Piper!
Sentada sobre um cavalo branco com a sela vermelha, que não tardou a reconhecer como o seu favorito da atração, Piper estava perfeitamente posicionada, com uma poça de sangue logo abaixo de seus pés. A cabeça apoiada contra o pescoço do animal e os olhos abertos, como se fosse uma boneca esquecida, ou parte de uma maldita fotografia. Um dos braços permanecia estendido por sobre a crina, e, quando acompanhou com o olhar, percebeu o celular preso entre seus dedos.
Com o corpo inteiro tremendo, ela se aproximou, viu que a tela ainda iluminava o rosto de Piper, e o conteúdo ali foi o bastante para que, mais uma vez, algo dentro dela se quebrasse.
Era uma selfie das duas sorrindo, e a reconhecia porque as duas haviam tirado poucas horas antes.
— Não, Piper… — Sua voz saiu em um sussurro. — Você também não.
Continuou a esperar por uma resposta que nunca viria, enquanto a música tocava daquele jeito repetitivo e insuportável.
Os malditos cavalos giravam, e giravam, e só conseguia chorar. No entanto, ela não podia ficar ali. Precisava encontrar os outros, precisava…
Com a sensação de deixar mais um pedaço de si para trás, ela correu novamente.
Onde estava Noah? Talvez ele soubesse o que estava acontecendo. Talvez tivesse sobrevivido.
Se havia alguém capaz de sobreviver, era Noah Graves.
A placa iluminada do Túnel Assombrado surgiu diante dela e, sem pensar duas vezes, entrou.
Mais uma vez, foi engolida pela escuridão. Os animatrônicos surgiam e desapareciam conforme as luzes vermelhas piscavam ao longo do percurso.
Um corpo falso despencou bem na sua frente, pendurado por uma corda enquanto sacudia, e a garota reprimiu um grito ao levar as mãos à boca.
Havia mais uma música repetitiva e macabra, e estava tão cansada daquilo. Tudo o que mais queria era encontrar seus amigos e sair daquele inferno.
O toque de um celular ecoou tão alto que a fez pular de susto. Ela parou, escutou com mais atenção e reconheceu a quem pertencia, então seguiu o ruído.
Não queria criar esperanças, mas aquele era o celular de Noah, tinha certeza.
Encontrou o aparelho caído próximo a um cenário de cemitério e seu estômago afundou.
o pegou com as mãos tão trêmulas que quase o derrubou novamente. A tela estava rachada e havia uma gravação não enviada para ela pelo WhatsApp.
Com o estômago revirando, tomou coragem e apertou o play.
Por alguns segundos, tudo o que se ouvia era a estática. Então a voz de Noah surgiu, urgente.

Chiados vieram acompanhados pelo som de passos apressados.
… Se você encontrar isso… — Seu tom de voz diminuiu para um sussurro. — Eu estava certo.
Então a gravação terminou, e a bateria do aparelho morreu segundos depois.
permaneceu imóvel enquanto encarava a tela apagada e tentava entender o que aquilo queria dizer.
O silêncio era perturbador, ela já não sabia mais como voltar a respirar e tentava, com muito custo, não desmoronar.
E foi ali, em meio ao desespero e à desesperança, que ouviu o som de passos lentos, pesados, bem atrás dela.
Seu sangue gelou e, devagar, ela virou a cabeça, como se adiar o momento fosse ajudá-la de alguma maneira.
Então a máscara branca e quebrada entrou em seu campo de visão. Era como um animatrônico de Jolly, o palhaço macaco, mascote do Eclipse Park. A parte rachada era pura escuridão, e o sorriso alegre parecia corrompido por ela. O capuz e as vestes negras não deixavam sequer cogitar quem estava por debaixo dela e, mesmo que fosse o caso, todo o seu raciocínio se esvaiu quando ela viu a faca brilhando sob as luzes vermelhas do túnel assombrado.
O assassino tombou a cabeça de lado, curioso para assistir a reação dela, e não hesitou em disparar na direção oposta.
Os cenários passaram voando ao seu redor. Mais animatrônicos, monstros falsos, esqueletos, névoa e sons distorcidos. Tudo se misturava.
Seus pés se embolaram e ela tropeçou, caiu e se levantou cambaleando. A palma da mão tinha se arranhado no processo, mas aquilo não importava, e continuou a correr.
A saída estava próxima, ela conseguia ver o letreiro brilhar logo à frente. Só faltava mais alguns metros.
Então finalmente alcançou a luz, atravessou a saída e parou ofegante. As mãos nos joelhos, a respiração escassa e desesperada, porém ela estava viva.
O alívio durou apenas um segundo.
Porque quando ergueu seus olhos pela última vez, sentiu o mundo desabar ao seu redor.
O assassino já estava a esperando.
Briar. Piper. Noah. . .
Todos haviam desaparecido e estavam mortos. Agora, era a vez dela.
Ela era a última vítima.
Tudo aconteceu muito rápido.
Em um segundo, fechava os olhos. No outro, sentia a faca atravessar seu pescoço e fazer seu sangue jorrar como uma cascata.
Seus joelhos fraquejaram, ela desabou, e o mundo escureceu.

🎠


Quando abriu os olhos novamente, estava sentada no banco traseiro de um carro, risadas ecoavam ao seu redor, e as notas de Manchild, da Sabrina Carpenter, tocavam, acompanhadas por vozes desafinadas que ela reconheceu muito bem.
Através da janela, o letreiro iluminado do Eclipse Park brilhava na noite.
Todos estavam vivos.


Continua...


Nota da autora: Quero deixar aqui um agradecimento especial para a Giih, que fez essa capa icônica e, com isso, me inspirou horrores a desenvolver mais um slasher. Eu não nego que é o que eu mais gosto de escrever e estou MUITO empolgada com esse enredo.
Espero que gostem e comentem!
Beijos e até a próxima,
Ste a.k.a. Saturno. ♥

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