Finalizada em: 27/07/2025
“Não dá pra piorar.”
Mas no fim, sempre dá…
Entretanto, em raras vezes, podemos ver o copo meio cheio, ou invés de meio vazio, talvez se levarmos em conta que a vida sempre se esforça para nos ajudar a tomar as decisões certas. Acreditem ou não, aquela era minha primeira ressaca, eu me remexi um pouco na cama e logo senti um forte braço me envolver com carinho. De imediato, senti conforto e uma enorme felicidade, poderia até sentir uma enorme realização, porém… havia duas possibilidades para explicar o que estava acontecendo, a primeira: eu me casei e minha noite de núpcias foi esplêndida. Um largo sorriso surgiu em meu rosto, entretanto a dolorosa imagem de ser deixada na porta da igreja por Cedric invadiu minha mente, um frio passou em minha barriga seguido de uma incógnita.
Onde eu estava e de quem era aquele braço que aconchegava meu corpo?
Abri meus olhos e ergui meu corpo no susto de pensar que um estranho estava ao meu lado, senti seu corpo se remexendo ao meu lado em um longo espreguiço. Movi minha cabeça lentamente com meu coração acelerado, até que meus olhos se encontraram com os dele.
— AAAAHHHHHHHHHHH!! — gritamos juntos.
Eu me encolhi, puxando o lençol para mais perto, cobrindo me mais, não acreditava no que meus olhos viam. O olhar dele sobre mim parecia mais surpreso e confuso que o meu, percorrendo todo o meu corpo assimilando aos poucos o que estava acontecendo e o que provavelmente havia acontecido.
— … — sussurrei, puxando um pouco mais o lençol, desviando discretamente meu olhar para as linhas do seu abdômen, me lembrava vagamente das raras vezes que havia o visto sem camisa quando dormia na casa dos meus pais.
— … — respirou fundo, parecia procurar palavras em sua mente.
Lewis era o melhor amigo do meu irmão mais velho.
Crescemos juntos e claro que, eu sempre tive um amor platônico bobo por ele, que felizmente não sabia desse segredo infanto-juvenil maluco. Mas o fato é que estávamos ali, num quarto de hotel, nus e provavelmente ambos sem memória e explicações da noite anterior.
— Onde estamos e o que aconteceu? — perguntei, percorrendo meu olhar pelo quarto, bem decorado e muito bonito, poderia até mensurar que seria uma suíte presidencial ou master.
— Eu... não sei. — senti sua movimentação na cama, levantando logo após — Eu não me lembro nem mesmo como nos encontramos.
— Nem eu. — tomei impulso para me levantar, porém percebendo que ele mantinha seu olhar em mim, voltei minha atenção para ele, lançando um olhar sugestivo, havia colocado rapidamente uma calça que possivelmente estava jogada pelo chão.
— O quê? — perguntou, confuso.
— Vira.
— Como assim vira? — seu olhar era confuso.
— Eu preciso colocar minha roupa. — expliquei de forma óbvia.
— Sério? Acho que já vi tudo o que tinha para ver aí. — ele riu de forma debochada, havia me esquecido que sua especialidade era ser irônico e tirar onda com minha cara, claro, ele sempre me via como a irmãzinha do seu melhor amigo que tinha medo de trovões e do escuro.
— Não tem graça, você nem se lembra do que aconteceu, então… — tentei não alterar minha voz, mas mantive firmeza — Agora vire-se e feche os olhos.
— Não acredito… pra que tudo isso. — reclamou, se virando.
— Aí não, isso não está acontecendo. — me debati na cama antes de levantar.
— Me parece que eu te sequestrei no altar e fizemos a lua de mel aqui. — riu de forma debochada, dando alguns passos até o canto, onde meu vestido de noiva estava caído.
— Eu disse para você fechar os olhos. — puxei rapidamente o lençol me cobrindo, permanecendo de pé — Onde está seu respeito?!
— Bem, acho que não estraguei o feche quando abri ontem à noite. — me ignorando totalmente, continuava com seu tom de brincadeira, sabia que eu não gostava quando fazia aquilo — Podemos considerar isso.
— Babaca. — sussurrei.
— Eu ouvi essa. — se voltou para umas malas que estavam no canto direito ao lado da poltrona — Não acho que seja prudente colocar esse vestido novamente.
— E o que eu vou vestir? Ficarei nua? — questionei.
— Não é de todo uma má ideia. — riu de novo.
— Você não presta mesmo. — eu peguei o travesseiro e joguei nele — Estou falando sério.
— Ah, você sabe que estou brincando. — ele deixou o vestido na poltrona e abriu a mala maior — Vejamos o que temos aqui.
O observei atentamente enquanto retirava suas roupas da mala. Comecei a me perguntar o motivo dele estar em Las Vegas, já que a última notícia que tinha, era que havia se estabelecido como cirurgião plástico no Hospital Universitário de Stanford, na Califórnia.
Ao retirar um conjunto de moletom, se aproximou esticando para mim.
— Obrigada, agora pode se virar. — peguei de sua mão, passando meus olhos pelo chão para entender onde minha lingerie havia se escondido.
Assim o fez, e notei que estava segurando o riso.
Comecei a minha procura, até que apontou para a mesa de café onde minha calcinha se destacou misteriosamente em cima da cadeira. O sentimento de vergonha foi real e imediato, passei por ele e peguei rapidamente, continuei minha busca até encontrar meu sutiã embaixo da cama, junto com sua gravata. Respirei fundo e vesti a roupa, pelo menos assim me sentiria melhor e menos neurótica, em busca de pelo menos um vislumbre de lembranças.
— Não precisa ficar tão envergonhada assim, somos adultos e o que quer que tenha acontecido na noite anterior, não devemos explicações a ninguém. — a tranquilidade em sua voz era surreal para mim, claro que para ele não tinha problemas, ou talvez tivesse e só estava tentando me acalmar.
— Não consigo, ok?! Eu simplesmente não consigo, enquanto não souber o que aconteceu, vou continuar me sentindo constrangida. — expliquei com a voz um pouco alterada.
Ele deu o primeiro passo para se aproximar de mim, talvez para me consolar, porém tocaram o interfone da porta. Nossos olhares intrigados foram para a mesma direção, assim que ele abriu a porta, um homem se apresentou como o gerente dizendo que havíamos perdido um documento no hall do hotel quando chegamos na noite anterior.
E que documento era esse?
— O quê? — me segurei para não surtar, assim que terminou de ler, peguei o documento de sua mão percorrendo meus olhos pelas linhas de forma rápida — Como assim, isso não pode…
Prendi um grito na garganta e respirei fundo.
— Calma, nós vamos resolver isso… precisamos apenas descobrir o que aconteceu ontem que resultou nisso. — disse, apontando para o documento em minha mão — Vamos refazer nossos passos, do que você lembra? Por que estava aqui em Vegas vestida de noiva?
— Eu… ia me casar… — forcei minha memória, fazendo-a voltar na manhã anterior e sentindo novamente a dor da rejeição — Até que fui abandonada…
— Abandonada?!
— E você? — o olhei, desconfiada — Não era para estar na Califórnia?
— Sim, eu vim atrás de uma pessoa. — ele engoliu seco, um olhar frustrado surgiu como se lembrasse de algo decepcionante.
--
24 horas atrás…
Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo…O que deveria ser o dia mais feliz da minha vida, havia desabado e se tornado o mais triste. Senti-me a derrota em pessoa, estava na porta da igreja abandonada pelo homem que jurou me amar pelo resto da minha vida. Tudo que restou foi uma carta, com a desculpa esfarrapada que não podia deixar a oportunidade de trabalhar em Manhattan, que não conseguiria me dar a vida que eu merecia com seu salário de redator auxiliar no jornal New York Times.
— Eu me recuso a acreditar que aquele babaca te deixou assim, pelo New York Times. — Jenie parecia mais revoltada que eu — Eu vou matar ele.
— Obrigada, Jen... — voltei meu olhar para ela, limpando as lágrimas que persistiam em descer — Apesar de saber que sua revolta maior é de não poder entrar desfilando seu vestido maravilhoso.
Ela riu de mim.
Sabia que eu havia feito aquele comentário para não chorar mais. Jenie me abraçou novamente com ternura, além da cunhada perfeita, era uma boa amiga, que infelizmente sempre disse não gostar de Cedric. E talvez estivesse certa em sempre cismar com ele, mas quando estamos apaixonados, não vemos os defeitos, só enxergamos aquilo que queremos.
— Posso dizer que eu avisei? — meu irmão se aproximou de nós, com um sorriso discreto nos lábios.
— Idiota. — eu me afastei dele e entrei no mesmo carro que me levou para a igreja, consegui ouvir ao longe a alta voz de repreensão de Jen.
Estava abalada demais para ter que aguentar meu próprio irmão satisfeito com o resultado final.
Admito que Matt sempre foi contra meu relacionamento com Cedric, porém não era discreto em sua oposição como Jenie, sempre deixava bem claro que não gostava dele. Mas isso não tinha importância agora, eu só queria sumir no mundo e não ver mais ninguém, então pedi ao motorista que me levasse para o mais longe possível da cidade de Henderson. Juro que tentei ser forte, mas passei todo o caminho olhando para a estrada em lágrimas, não conseguia assimilar mais o que estava acontecendo em minha vida. Cheguei a um ponto que, meus olhos não enxergavam mais a paisagem do lado de fora, somente visões de todos os momentos que passei com Cedric, como um filme diante de mim.
— Chegamos, moça. — disse o motorista ao parar em frente a um bar.
— Como assim chegamos?! — perguntei me despertando daquele cruel devaneio.
— A senhorita me pediu para trazê-la para longe da cidade. — explicou ele sorrindo enquanto me olhava do retrovisor, parecia um simpático senhor — Então te trouxe para o melhor lugar de Las Vegas, acho que está triste e precisa desafogar as mágoas.
— Vegas?! — olhei para fora do carro percebendo aquelas luzes, me perguntando como consegui me afundar tão bem em minhas lembranças amargas e não atentar ao caminho — Senhor eu, não trouxe dinheiro…
— Não se preocupe, o que seus pais pagaram por meus serviços já cobre o caminho, fique tranquila, se precisar de um lugar para ficar, diga a dona do bar que você conhece o John. — prestativo e solidário, as únicas palavras que conseguia descrever aquele senhor.
— Obrigada… — mais uma lágrima caiu do meu olhar — Por favor, não diga a ninguém onde me trouxe.
— Não direi.
Assim que saí do carro, senti os olhares curiosos vindo em minha direção, havia até me esquecido que estava com aquele vestido que antes era uma benção, agora parecia uma âncora que me afundava para o precipício da dor. Entrei no bar, estava cheio para aquela hora do dia, já se passava do almoço em plena sexta-feira, as pessoas se divertindo despreocupadamente, entre risos e garrafas de cerveja.
— Bom dia, senhorita. — disse o barman assim que me sentei na banqueta.
— Fale por você. — sussurrei.
— Oh, não me parece bem. — ele colocou um copo em minha frente e me serviu com um drink especial da casa — Por conta da casa, para alegrar seu dia.
— Não acho que isso vá alegrar, mas obrigada. — peguei o copo e tomei em uma golada, senti minha garganta queimar, seguido de uma careta espontânea.
— Uau, vejo que não é acostumada com isso.
Aquilo era o início das minhas lamúrias…
A cada copo que James, o barman, me servia, mais eu lhe contava sobre meu trágico abandono na porta do altar, não demorou muito para que eu começasse a me sentir um tanto estranha. Um breve sentimento de ousadia e despreocupação, que se misturava com minha tristeza em pequenos segundos, quando olhava para o vestido em meu corpo.
— E você acredita que eu passei dois meses esperando por esse vestido? — falei novamente para James, segurando a lágrima, mantendo meu olhar no copo — Dois meses, para ser abandonada.
— Que pecado… — uma voz vinda do meu lado, fez meu corpo gelar estranhamente, a reconhecia mesmo com algumas falhas por não estar totalmente sóbria.
— ?! — fechei meus olhos, os apertando e abri novamente, não era miragem nem ilusão — É você mesmo?
— Achou o quê? Que era um fantasma? — com ousadia, pegou meu copo rindo e tomou meu drink.
— Ei, isso é meu. — disse, tentando pegar o copo dele.
— Desde quando você bebe? — comentou baixinho, ao rir de mim.
— Desde quando te importa? — tomei o copo dele — James, dose dupla agora.
— Uau, e desde quando é mau educada?! — comentou , puxando um banco e se sentando ao meu lado, ele também não parecia tão sóbrio assim.
— Me deixa. — assim que fui para pegar o copo, ele pegou primeiro e engoliu a dose.
— Pare de roubar minha bebida. — reclamei como uma criança — Sai daqui, quero afogar minhas mágoas sozinha.
— Aposto duas doses que as minhas são piores que as suas. — ele bateu o copo no balcão e olhou para James — Duas doses.
— Fechado. — olhei para James também — Mais duas doses.
James assentiu enquanto segurava o riso, certamente estava se divertindo com nossa derrota.
— Então diga, bonitão... quais são suas mágoas? — o desafiei, fazendo alguns gestos aleatórios com o dedo indicador.
— Meu coração foi ferido... — ele pegou o copo e entornou.
— O meu também... — concordei, pegando o outro copo e bebendo.
Vendo nossa intenção, James deixou duas garrafas em nossa frente para que nós mesmos enchêssemos.
— Foram três anos, acreditando que ela me amava, como pude me iludir desta forma? — mais um gole para ele — Parece que eu era o único...
— Três anos e meio, ele me deixou pelo New York Times. — mais um gole para mim.
— O quê? — ele me olhou — Quem no mundo seria idiota de te deixar?! Você é maravilhosa?
O quê? me chamando de maravilhosa?
Eu não estava mesmo sóbria!
— Só diz isso porque sou irmã caçula do seu melhor amigo. — retruquei, achando graça.
— Engano seu. — ele se serviu novamente e tomou outro gole, mantendo seu olhar intenso em mim — Quem era o babaca?
— Cedric Donson, a maior decepção da minha vida. — ri de nervoso, tomando outro gole servido por ele — Como você foi deixado?!
— Digamos que não fui exatamente deixado, ela me pediu um tempo... — ele começou a rir, olhando para a garrafa nos servindo de novo, mas senti que estava se esforçando para não chorar — E quando eu achei que voltaríamos, lá estava ela beijando outro... — ele voltou seu olhar para mim — E você?
— Não está vendo. — apontei para meu vestido — Fui abandonada na porta do altar, e a única coisa que me deixou foi uma carta.
— Uau, ok, você ganhou. — ele apontou para os copos — São todos seus.
Eu tomei os dois copos sem receio.
De alguma forma maluca, eu estava me sentindo melhor com a presença de , uma pessoa conhecida, mesmo que tivesse anos que não o visse, me deixava mais tranquila. Aos poucos, começamos a falar sobre o passado, nossa infância e de como ele sempre implicava comigo. Ele não havia mudado aquele seu jeito bobo de ironizar tudo na vida, principalmente os sentimentos, porém, conseguia sentir a ponta de amargura sempre que mencionava a tal Freya.
Curiosamente, sentia meu coração pulsar mais forte sempre que me olhava com intensidade, suas brincadeiras sobre eu ter me tornado uma mulher linda e atraente me deixavam ainda mais sem graça. Mas levava na brincadeira como sempre, meus neurônios já estavam tão cheios de álcool que não me importava com isso.
— Estou impressionado... — ele começou a rir.
— O quê? Do que está rindo, seu chato? Espero que não seja de mim. — reclamei o empurrando de leve — Está tão mal quanto eu.
— Desculpa, é que não te imagino atravessando a interestadual e chegando vestida de noiva em Vegas. — ele riu mais, me fazendo rir junto.
— Devo isso ao motorista, pedi para que me levasse para longe de Henderson, acho que ele levou a sério. — tomei mais um gole.
— Então eu devo agradecer este senhor, por tê-la trazido até mim. — ele se levantou, se apoiando na bancada — Que tal não perdemos a viagem e usar este vestido.
— Do que está falando?! — eu ri, ao senti-lo segurando em minha mão e me puxando para me levantar — Para onde vai me levar?!
— Vamos nos casar! — gritou ele, chamando a atenção das pessoas em nossa volta — Senhoras e senhores... nos deem os parabéns, nós vamos nos casar.
— Seu maluco, como assim vamos nos casar? — eu continuei rindo, senti pequenas tonturas.
— Estamos em Vegas, querida. — ele segurou em minha cintura — Você quer se casar comigo?
Era uma ideia maluca, estávamos bêbados e certamente na manhã seguinte não iríamos nos lembrar de nada, entretanto... Aquilo tudo me fez esquecer da dor de ter sido abandonada, o que era algo positivo, além do mais, o que acontece em Vegas…
Sempre fica em Vegas!
— Sim, eu quero me casar com você! — gritei para que todos pudessem ouvir, e ponderando minha voz para que somente ele ouvisse — Eu sempre quis me casar com você!
--
Atualmente...
— Como assim? — realmente não acreditava, voltei meu olhar para — Desde quando as pessoas se casam de verdade aqui? Estamos em Las Vegas.
— Eu não sei. — pegou novamente o documento das mãos do homem e guardou no bolso — Senhor, não há uma forma de anular isso?
— O funcionário que pode fazer isso estará aqui na segunda pela manhã. — respondeu prontamente — Se querem anular... mas, vocês estavam tão animados ontem... — ele segurou o riso — Bem, para ser sincero, estavam bêbados e insistiram muito para o juiz de paz realizar o casamento.
Meu olhar se voltou para e o dele para mim.
Não sabia o que se passava em sua cabeça, mas a minha estava ainda mais confusa que no início da manhã quando acordamos. No caminho de volta para o Hotel, senti minha cabeça ainda dolorida, ele queria me levar para o hospital, porém não deixei. Assim que entramos no táxi, se lembrou que costumava ir em um bar sempre que vinha para Las Vegas, provavelmente lá teria algumas respostas do que havia acontecido.
— Você tem certeza disso, James?! — indagou ele.
— Sim, posso até mostrar o vídeo que fizeram. — ele segurou o riso — Vocês dois gritaram que nem loucos no meio da pista dizendo que se casariam.
— Não acredito. — me sentei na banqueta em frente a bancada, nesta altura do dia, minha ressaca fazia minha cabeça latejar ainda mais de dor.
— Bem que eu imaginei que ontem foi a primeira vez que ela bebia. — comentou James — Mas, garota, para a primeira vez você entornou bonito.
— O que eu tomei? — perguntei a ele.
— O drink especial da casa, pra afogar as mágoas. — respondeu o barman.
— Uma mistura de gin, martini e vodca. — explicou — Não acredito que deu isso a ela.
— Foi ela quem pediu.
— Não acredito que eu tomei isso tudo. — estava indignada comigo mesmo.
Inacreditável que minha amargura por ter sido deixada por Cedric me levou a tamanha decadência, me embriagar para esquecer o sofrimento. Claro que eu não contava com a variável chamada . Apesar dos 15% de mim estar se deliciando, por realizar um dos sonhos de consumo loucos da minha adolescência de se casar com ele, os outros 85% do meu lado racional estava surtando com aquela história.
— Aí. — elevei minha mão na cabeça, sentindo tonteiras.
— Você está bem?! — logo suas mãos pousaram em minha cintura me sustentando — Por que não vamos para o hospital?
— Eu estou bem. — me afastei dele de imediato e fechei a porta da suíte do hotel, de volta ao lugar onde toda a loucura começou — Só preciso dormir, eu acho.
— Vou ligar para recepção e pedir algo para você comer. — disse, caminhando em direção ao telefone — Poderia até receitar analgésicos, mas como não quis se alimentar até agora...
— Obrigada, doutor. — fiz careta, apesar de estar certo, no fundo era fofo vê-lo preocupado comigo.
— Sou seu marido agora, deveria estar feliz, tem médico de graça. — brincou.
— Seu bobo. — me virei para o banheiro — Acho que preciso de um banho.
— Interessante. — segurou o riso, mas deixou o olhar malicioso estampado.
— Nem se atreva. — me virei apontando meu dedo indicador em forma de repreensão.
— O que eu disse?
— Você pensou. — retruquei — Não vou deixar que se aproveite de mim.
— Eu me aproveitar? Acho que foi você que se aproveitou de mim. — ele fez cara de ofendido — Quem é que venceu a aposta mesmo?!
— O que tem a ver?
— Você estava mais magoada que eu. — explicou.
De certa forma tinha fundamento.
Eu queria mesmo esquecer Cedric, esquecer do seu abandono e de como eu fui feita de trouxa todos aqueles anos. Será que havia usado ele para isso? Meu amor platônico da adolescência? Ah, não... Me virei e entrei no banheiro, já estava desnorteada demais com tudo aquilo, para deixar as brincadeiras dele me confundirem. Após um banho quente, meu corpo relaxado, senti minha cabeça mais leve. Saí do banheiro vestida com o roupão feminino que o hotel disponibilizava às suítes, caminhei até a cama enquanto secava meus cabelos com a toalha.
— Sente aqui. — ele arrastou a cadeira e bateu no assento.
— Para quê? — o olhei, desconfiada.
— Pare de perguntas e se senta logo, só quero cuidar de você. — uma certa segurança foi transmitida do seu olhar para mim.
Assenti e me sentei na cadeira, fiquei o observando até que pegou de uma das gavetas da mesa de cabeceira, um secador de cabelos. Ligou tranquilamente e começou a secar meus cabelos com todo cuidado e atenção.
Por essa eu não esperava.
— Você sempre teve o costume de dormir com os cabelos molhados, por isso sempre fica resfriada à toa. — explicou suas ações, e nem precisava.
Senti-lo tocar em meus cabelos, fazia meu corpo se arrepiar, ao mesmo tempo que controlava a louca aceleração do meu coração. Se me dissessem que isso aconteceria, certamente não iria acreditar, no momento mais triste da minha vida, o passado voltava me deixando mais surtada ainda. Não sabia mais o que sentir e o que pensar, só queria aproveitar cada segundo dos seus doces cuidados.
— Obrigada. — disse assim que desligou o secador.
— Acho que agora sou eu que preciso de um banho. — afirmou ao se afastar de mim, indo em direção ao banheiro com o secador na mão.
De início não entendi exatamente o que havia acontecido com ele.
Respirei fundo me levantando da cadeira e caminhei até suas malas, tive uma breve lembrança da primeira vez que havia dormido na casa dos meus pais. Foi uma longa temporada que sua casa passava por reformas. Em todo o outono, ele nunca retirou uma roupa de dentro da sua mala, ainda não entendia o motivo daquele seu hábito. Retirei o roupão e coloquei uma camisa xadrez que encontrei. Caminhei até a cama, assim que me sentei colocando uma das pernas para cima, a depressão desabou em mim com todo o direito que achava ter. Aquele era o momento em que meu coração pedia espaço para finalmente chorar de verdade por causa de Cedric, uma angústia grande tomou conta de mim.
Desesperador quando o seu único desejo é chorar e chorar cada vez mais.
— Ei. — senti os braços de envolvendo minhas costas, fazendo meu corpo se aproximar do dele.
Mantive meus olhos fechados e desabei em mais lágrimas.
Quanto mais eu chorava, mais ele me aninhava ao seu corpo, pela primeira vez senti conforto e a segurança que achava sentir com Cedric. Oh, céus... era o melhor amigo do meu irmão, que sempre me viu como sua irmãzinha caçula adotiva, pelo menos era o que ele sempre falava para todos sobre mim. Então por quê? Por que ele estava agindo assim comigo? Justo agora? Adormeci em seus braços, pouco depois dele me forçar a comer os sanduíches que trouxeram para o nosso quarto, foi uma noite tranquila de sono, após dois dias de turbulência em minha vida. Assim que acordei na manhã de domingo, uma mesa de café da manhã me aguardava, assim como meu marido temporário que permanecia encostado no beiral da janela, de braços cruzados, me olhando com um sorriso de canto.
— Você não tem camisa, não?! — questionei o fato, desviando meus olhos das atraentes linhas do seu abdômen.
— Bom dia, para você também. — ele finalmente riu — Vem, vamos tomar café.
Assenti, rindo junto e segui até a mesa. Cordialmente ele arredou a cadeira para que eu me sentasse, o que me fez rir ainda mais.
— Nossa, que cavalheiro. — segui seus movimentos com o olhar, até que se sentou na cadeira de frente para mim — Feliz a mulher que se casar com você.
— Me sinto aliviado por estar feliz. — ele voltou seu olhar intenso para mim, o que me fez lembrar que atualmente eu era a mulher casada com ele, tranquilamente sorriu.
— Você adora brincar com a minha cara. — comentei, pegando na jarra de suco e despejando no meu copo.
— Por que acha isso?! — perguntou, curioso.
— Porque sempre fez isso. — respondi.
— Talvez, possa estar sendo sincero... há sempre um fundo de verdade em toda brincadeira. — ele se serviu de café e permaneceu o resto do tempo em silêncio.
Me fez ficar pensativa.
Após o café da manhã, coloquei outro conjunto de moletom dele que encontrei na segunda mala, por mais que tivesse se oferecido para comprar roupas adequadas para mim, as suas pareciam mais confortáveis a meu ver.
— O que vamos fazer agora? — perguntei, o observando trocar de roupa.
— Vamos aproveitar o dia. — respondeu colocando sua carteira no bolso da calça.
— Como assim aproveitar o dia?
— Ora, como um casal, estamos em lua de mel. — ele sorriu de forma fofa, poderia dizer que senti uma certa inocência vinda dele.
— , é sério? Está levando isso muito a sério. — eu me levantei da cama — Primeiro, eu sou irmã do seu melhor amigo e segundo, amanhã vamos anular isso e cada um volta para sua vida.
— Matt é legal e gosta de mim, então acho que não vai ser contra. — ele deu alguns passos até mim, seu tom sério estava me fazendo acreditar — Segundo, amanhã ainda não chegou, então... quer aproveitar o hoje comigo?
— Mas... — tentei argumentar, mas me interrompeu com o dedo indicador.
— Não considere o copo meio vazio. — aquela sua filosofia de vida me dava raiva por certas horas, mas naquele momento...
— Basicamente, o que acontece em Vegas, fica em Vegas. — retruquei, receosa.
— Como você quiser. — uma piscada sinuosa.
Ele sorriu e segurou em minha mão entrelaçando nossos dedos. me levou primeiro há um parque que ficava em um bairro pouco distante da parte central de Vegas, era um lugar tão sossegado que nem parecia pertencer àquela cidade dos jogos.
Foi um passeio tranquilo e divertido...
— Havia me esquecido do quanto isso é gostoso. — disse ao terminar de comer o algodão doce — Obrigada, está sendo um dos dias mais divertidos da minha vida.
— Hum... então, acho que terei que me esforçar para esse dia chegar ao topo da lista. — constatou.
— Deixe de ser bobo. — o empurrei de leve — Todos os dias divertidos da minha vida, foram com você.
Meu coração parou por dois segundos, assim que eu percebi o que havia dito.
— ?! — uma voz feminina surgiu de trás de mim, fazendo o olhar dele se desviar.
— Freya?! — seu olhar ficou confuso.
Acho que me lembrava desse nome, a mulher que acabou o deixando.
— O que faz aqui em Las Vegas?! — ela deu um sorriso meio forçado ao desviar seu olhar para mim — Quem é ela?
— Essa é , irmã de um amigo. — respondeu ele, ainda demonstrando estar confuso — Eu não sabia que estava na cidade.
— Eu vim para o Congresso de Neurocirurgia. — explicou mantendo seu olhar em mim — Podemos conversar?! Se não for incômodo.
— Eu estou... — começou a tentar dar uma desculpa.
— Nenhum... — me virei para ele — Acho que deve conversar com ela.
— E você?
— Vou voltar para o hotel. — eu me afastei deles antes mesmo que pudesse insistir.
Hotel?! Não consegui voltar para lá sozinha, então segui para o único lugar que conhecia bem. Moonlight Coyote, o melhor bar de Vegas.
— Olha só, a recém-casada, onde está seu vestido? — James brincou comigo já pegando um copo para me servir.
— Queimei. — respondi, séria.
— O quê? — ele arregalou os olhos.
— Estou brincando. — ri da sua cara de assustado e tomei o primeiro gole.
— Está aprendendo.
— Não, eu juro que hoje não ficarei bêbada. — assegurei — É só o gole da derrota.
— Gole da derrota? — ele avaliou minhas expressões — Está falando da Freya?
— Freya? Você a conhece também?
— Não, mas... eu passei horas ouvindo vocês dois chorando suas mágoas. — explicou.
— Faz sentido... — continuou a história — Então, ela misteriosamente brotou do chão na nossa frente e agora, está com ele.
— Mas, não estão casados? — indagou, tentava entender.
— Só até amanhã.
— E daí?! — uma mulher que estava ao seu lado me olhou embasbacada — Se for para perder ele, que seja amanhã após anularem o casamento, hoje ele ainda é seu.
— O quê? — olhei para James — Quem é ela?
— A dona do bar. — respondeu prontamente.
Meditei por alguns segundos em suas palavras... talvez ela estivesse certa, se a vida estava me dando aquela chance de viver aquele dia com ele, faria de tudo para não me arrepender no final.
— Obrigada, senhora, vou atrás dele. — me virei para trás e saí correndo.
Assim que cheguei na rua, me deparei com a chuva.
Desde quando começou a chover? Não sabia onde poderia encontrá-lo, talvez, ele pudesse ter voltado para o hotel por causa da chuva. Saí correndo como uma louca pelas ruas, logo eu que não gostava de chuva estava correndo debaixo dela, não estava no meu normal. Assim que cheguei no hotel, o gerente me informou que ele estava acompanhado de uma mulher no jardim privado. Certamente ainda conversava com Freya, fazia sentido. Tomei coragem e caminhei até lá.
Meu corpo gelou assim que os vi se beijando.
— ... — sussurrou ele, ao se afastar dela e me ver.
Ok, pela segunda vez em um curto espaço de tempo meu coração estava sendo destroçado. Saí correndo sem rumo de volta para chuva, talvez do lado de fora em meio aos carros estava sendo mais suportável do que a cena deles se beijando. E a dor estava sendo pior do que ser abandonada no altar por Cedric. Antes que eu pudesse atravessar de forma desgovernada a rua com o sinal aberto, senti uma mão me puxar para calçada.
— O que acha que está fazendo?! — sua voz parecia trêmula.
O olhar preocupado.
— Eu? Não seria eu a te perguntar isso? — gritei com ele, mostrando toda minha chateação — Ah, não, eu não tenho esse direito, sou somente a irmã do seu amigo.
Ele me puxou para perto e me abraçou.
— Me desculpa. — sussurrou — Não quero ser um babaca com você.
— Já está sendo... — eu me afastei dele, felizmente minhas lágrimas estavam sendo disfarçadas pela chuva que caía sobre nós — Você disse que seria um dia divertido, pior do que ser abandonada é ser traída.
Dei alguns passos para trás e voltei para o hotel. Assim que cheguei no quarto me tranquei no banheiro, não conseguia parar de chorar. Teoricamente eu não tinha o direito de falar aquilo, mas ter passado aquela tarde com ele, pareceu tão real, como se gostasse de mim. Acabei esquecendo a verdadeira realidade.
— . — ele tocou na porta do banheiro — Você está bem? Sei que está aí.
— Vai embora. — disse, secando minhas lágrimas.
— Sabe que não posso.
Me levantei do chão onde estava sentada e abri a porta, saindo.
— Então eu vou.
— Para. — ele segurou em minha mão — Acha mesmo que vou te deixar sair assim? Nessa chuva?
— Seu idiota. — me soltei dele e o empurrei — Sempre estraga tudo.
— Eu sei. — ele pegou em minha mão novamente e me puxou para perto, me abraçando — Eu não sabia que ela ia me beijar, honestamente, naquela hora eu estava dizendo a ela que você é minha esposa.
— O quê? — me afastei, o olhando surpresa.
— Além de ser irmã do meu melhor amigo. — ele riu.
— Bobo. — bati em seu ombro — Você realmente falou isso?
— E eu disse alguma mentira? — indagou, sugestivamente.
— Não, mas... ela é... você gostava dela. — conclui — Poderia ter aproveitado o momento, amanhã não seremos mais casados.
Ali estava eu, colocando a possível felicidade dele acima da minha.
— Se Cedric aparecesse aqui agora, você voltaria com ele? — perguntou.
— Não... — sussurrei, entendendo sua decisão.
— Não consigo mais ver o copo meio cheio com ela. — concluiu.
Uma pausa e breve silêncio.
— De certa forma, eu te entendo. — concordei.
— Hum... Acho que precisamos de um banho quente, se não pegamos um resfriado. — sugeriu.
— Tem razão. — olhei pela lógica.
— Funcionaria melhor se fôssemos juntos para o banheiro. — ele me lançou um olhar sugestivo, seguido de um sorriso malicioso.
— Nem pensei nisso, seu tarado. — o empurrei de leve.
— Ei... — ele reclamou — Ainda somos casados.
— Você fica aqui. — me virei para o banheiro, rindo.
Finalmente, após alguns minutos de banho quente, tendo meus cabelos secados pelo meu marido, estávamos quentes e confortáveis. havia pedido chocolate quente desta vez, para nos aquecer.
— Quando pretende voltar para Califórnia?! — perguntei.
— Não sei ainda, para ser honesto, estou avaliando uma proposta de trabalho em Manhattan. — respondeu, mantendo seu olhar em mim.
Desviei meu olhar para a janela, vendo a chuva cair do lado de fora.
— Pode perguntar. — disse ele.
— O que acha que quero perguntar? — indaguei.
— Sobre Freya.
— Hum... você disse que ela é passado, estou satisfeita com isso, apesar de ter sido estranho ela aparecer. — expliquei minha reflexão sobre o assunto.
— Ela veio atrás de mim. — contou, colocando sua xícara em cima da mesa, onde estava escorado e caminhou até a cama, se sentando em minha frente — Isso não importa mais, que tal falarmos de nós.
— Ok. — assenti, rindo, coloquei minha xícara na mesinha de cabeceira, então voltei meu olhar para ele — O que vamos falar?
— Desde quando você ficou tão linda assim? — acariciou minha face, com um sorriso no canto do rosto.
— Eu era feia?! — brinquei, tentando descontrair aquele clima envolvente que ele insistia em construir.
— Acredite ou não, sempre te achei fascinante. — foi se aproximando ainda mais de mim até que me beijou.
Daquela vez, estávamos cem por cento sóbrios e sabíamos de nossos atos.
O gosto doce, porém, cheio de malícia dos seus lábios, fizeram os pelos da minha nuca se arrepiarem de imediato. Parecia que uma parte do meu corpo conseguia se lembrar na nossa primeira noite, pois seguia espontaneamente correspondendo às investidas dele. Naquela noite resolvi deixar minha sanidade mental de lado, assim como minha racionalidade. Apenas segui conforme as aceleradas batidas do meu coração, afinal, quem disse que se entregar ao seu marido era pecado? Engraçado dizer isso... mas, por aquelas longas horas juntos, nem mesmo o forte barulho da chuva conseguiu me distrair. Minha atenção total estava em suas carícias suaves e intensas. Naquela noite, felizmente ou infelizmente, todo o amor platônico que nutri por , desde a infância até o final do ensino médio, havia retornado.
Mas desta vez, era real e estava sendo correspondido.
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— Então, é isso. — disse ao assinar primeiro, dei um sorriso disfarçado, tentando não demonstrar minha frustração.
Poderia definir como o fim de um sonho, talvez.
— Senhor Lewis, sua vez. — o juiz de paz que estava nos atendendo, esticou a caneta para ele.
— Não. — disse , ao se recusar a pegar a caneta.
— O quê? — o olhei, confusa — O que foi agora?
— Você disse que sempre quis se casar comigo. — me olhando com segurança do que dizia — Pode até não se lembrar, mas eu me lembro.
— ... — sussurrei, meio estática.
— Não vamos anular esse casamento. — confiante, pegou o documento que representava o pedido de anulação e o rasgou ao meio.
Senti um pulsar mais forte.
Meu corpo congelou, até se esqueceu completamente ao toque dos lábios dele nos meus, um beijo doce e ao mesmo tempo malicioso, meu marido parecia ainda mais decidido em não me deixar ir embora. Nós nos afastamos um pouco, após o juiz de paz tossir ao nosso lado, nos chamando a atenção, seguramos o riso pedindo desculpas e logo saímos do cartório.
— O que faremos agora?! — disse, ao chegarmos na rua.
— Vamos para Manhattan, é claro. — respondeu ele entrelaçando nossos dedos — Por quê?!
— É que... — dei uma leve mordida no lábio inferior — Estou longe de casa há três dias, minha família precisa saber o que aconteceu com a noiva abandonada.
— Então devemos passar antes em Henderson, para anunciar que a noiva está muito bem-casada. — ele sorriu de canto e segurou em minha cintura se colocando de frente para mim — O que acha?!
— Eu ainda sou a irmã caçula do seu melhor amigo. — o lembrei rindo.
— Acho que Matt não vai me matar por isso. — garantiu ele — Além do mais, não há como voltar, este casamento já está mais do que consumado, e eu não vou abrir mão da minha esposa.
— Você não imagina o quanto está afetando meu psicológico quando fala assim. — comentei.
— Ainda acha que estou brincando?! — ele ergueu sua mão direita e mexeu de leve em meus cabelos.
— Não é que... Eu ainda não absorvi tudo isso. — sorri de forma carinhosa para tranquilizá-lo — Mas, estou feliz por toda essa loucura ter acontecido comigo.
— Eu também estou feliz, por estar aqui com você.
Ele me beijou novamente com doçura.
Quem diria que eu começaria a ver a vida como um copo meio cheio, mas sim, no final das contas o “Não dá para piorar” só foi uma desculpa da vida para me levar ao melhor final de semana que poderia ter. Mais um dia acordando no conforto daqueles braços fortes de , sentir o calor do seu corpo junto ao meu era como uma descarga de energia que me motivava a encarar minha família e tudo que havia ficado em Henderson. Já se completava duas semanas que estávamos em Vegas, desfrutando da nossa “lua de mel” improvisada. Ainda não tinha tido coragem suficiente para voltar e contar tudo a todos, até o momento só sabiam que eu estava longe de casa e aparentemente bem, somente precisando ficar sozinha.
— Bom dia, dr. Lewis. — sussurrei, ao senti-lo beijar meu pescoço.
— Bom dia, sra. Lewis. — disse ele, ao acariciar meus cabelos — Dormiu bem?
— Sim. — respondi, dando alguns traços de desânimo.
— O que foi? — ele ergueu seu corpo e me olhou carinhosamente — Pode me dizer.
— Estou meio preocupada. — confessei.
— Ainda acha que o Matt vai querer me matar? — brincou ele — Não se preocupe, não a deixaria viúva tão rápido.
— Seu bobo. — bati de leve em seu braço — Pare de brincar com coisa séria.
— Mas eu estou falando sério. — ele segurou em minha mão, entrelaçando nossos dedos — Nosso copo está meio cheio, eles vão entender.
— Eu te amo. — sussurrei, dando um sorriso suave.
— Idem.
Ele se aproximou de mim lentamente até que me beijou com intensidade, a forma que me aninhava em seus braços unindo nossos corpos me deixava ainda mais entregue e fora de órbita. Porém, havia aquelas 3 palavras que mesmo não sendo pronunciadas por ele, seus gestos e atitudes me faziam absorver cada vez mais seus sentimentos profundos por mim.
— Então… — eu me afastei um pouco dele — Vamos mesmo amanhã para Henderson?
— Você quer adiar mais alguns dias? — sugeriu ele em pergunta.
— Não. — respondi — Já liguei para minha mãe confirmando, não podemos mais adiar.
— Tem certeza?
— Sim. — sorri novamente.
Ele se levantou e colocou o roupão que estava aos pés da cama, caminhou até o telefone em cima da mesa lateral, ligando para o serviço de quarto para pedir nosso café da manhã. Havíamos tido uma conversa aleatória na noite anterior sobre meus planos profissionais para o futuro, já que agora estava desempregada. Difícil admitir, mas sim, erroneamente eu havia baseado todos os meus projetos em cima do meu casamento com Cedric. Abandonada na porta da igreja, tudo o que havia imaginado realizar também se desfez. Surreal as voltas que a vida nós dava, porém agora eu deveria me levantar e começar tudo novamente.
Porém, não estava sozinha.
— Vai ficar aí? — perguntou ele assim que dispensou o funcionário que nos trouxe o café.
— Seria manhoso demais pedir café na cama? — tombei a cabeça.
— Depende do que pode acontecer depois. — ele sorriu maliciosamente.
— Pervertido. — eu ri e me levantei depressa — Vamos comer na mesa.
— Por que sempre faz isso? — ele me olhou, indignado.
— Isso o quê? — perguntei rindo dele, caminhando em sua direção.
— Propõe ideias maravilhosas e depois me deixa no deserto. — sua cara estava como de um cachorrinho abandonado.
— Que fofo. — parei em sua frente e envolvi meus braços em seu pescoço — Nada nos impede agora.
— Tem certeza?! — seu olhar malicioso e o sorriso de canto, fizeram meu corpo arrepiar.
— Vamos tomar café. — me afastei dele, rindo.
— Era disso que eu estava falando. — murmurou ele.
Era tudo novo sim, e eu nunca imaginei que me casaria com o melhor amigo do meu irmão. Mesmo sendo meu amor platônico da infância, agora estava vivendo esse sonho, algo que de certa forma me deixava com receio, uma irritante sensação de acordar a qualquer hora e tudo não passar de ilusão. Em seguida, senti suas mãos em minha cintura, completando o movimento com um beijo roubado logo em seguida.
— Não é um sonho. — disse ele, como se soubesse o que eu estava pensando.
— Eu sei. — respirei fundo.
— Então não fuja de mim. — seu olhar sério fez meu coração pulsar mais forte — Nosso casamento é real, estamos aqui e eu prometo que…
Nem mesmo deixei que ele terminasse a frase, o beijei no impulso, aninhando-me em seus braços. Mesmo com tudo de bom que Vegas trazia para mim, lá no fundo havia aquele trauma de ser abandonada no qual eu teria que lutar contra para ser completamente feliz ao lado de . Ele sabia desse ressentimento que se mantinha em meu íntimo, e a forma doce e paciente como me tratava, me transmitia ainda mais segurança.
— Obrigada. — sussurrei.
Um sorriso singelo surgiu em sua face.
Ao segurar minha mão, ele me guiou até a mesa e afastou a cadeira para que eu me sentasse. O lado cavalheiro de vivia me surpreendendo a cada dia, principalmente quando se preocupava com minha saúde ao secar meus cabelos. Após o café da manhã, ele se ausentou por um longo tempo. Coincidentemente, ao jantarmos no restaurante do hotel há duas noites, acabamos encontrando um antigo professor dele, que o convidou para participar de uma roda de conversa com alunos. Aproveitei esse tempo para ir ao Moonlight Coyote novamente ao final da tarde, já que era meu último dia em Vegas, queria me despedir de James e da senhora Brown, a dona do bar.
— Olha só quem está aqui. — disse James ao me ver chegar — A jovem recém-casada.
— Boa tarde para você, James.
— E continua feliz. — notou ele — Você não ia voltar para Henderson?
— Adiamos para amanhã, por isso vim me despedir hoje. — expliquei — A senhora Brown está?
— Não, ele precisou sair, assuntos pessoais. — respondeu.
— Que pena, eu queria muito ver ela antes de ir.
— Volta amanhã.
— Não posso, vamos sair logo cedo.
— Você já tem o contato dela, depois mande uma mensagem — sugeriu ele — Então, vai beber o que hoje? Martini? Gin? Black Suit?
— Suco de laranja, eu sei que vocês servem isso. — disse confiante.
— Nossa, quem vem a um bar e pede suco? — reclamou.
— Minha esposa. — apareceu misteriosamente ao meu lado, colocando sua mão em minha cintura e me dando um selinho — Oi, querida.
— Como sabia que eu estava aqui?
— Apenas presumi que quisesse se despedir de nossos novos amigos. — ele sorriu.
— Que bom que você disse amigos. — comentou James — Porque depois de aguentar vocês dois por duas semanas, eu deveria até ser convidado para ser o padrinho.
— Você já é nosso padrinho. — eu confirmei.
— Assim espero. — consentiu ele.
Nós rimos um pouco, James era sim um bom novo amigo.
Daqueles que ouvia todas as nossas lamúrias e acompanhava cada passo desde o início, quando estávamos bêbados e nos casamos de verdade, até o momento atual, felizes e prestes a viver uma longa vida de casados em New York. Permanecemos mais algum tempo no bar conversando e rindo das histórias de James, até que voltamos para o hotel, parou na recepção para fechar a conta, pois, nossa partida seria logo ao amanhecer. Assim que entrei no quarto, recebi uma ligação da minha mãe, que parecia ansiosa por meu retorno.
— Sim, mãe, eu já disse que estou muito bem, eu precisava desse tempo só para mim e quando chegar aí, explicarei tudo. — repeti novamente.
— Você sabe que é preocupação de mãe. — ela se explicou do outro lado da linha — Nós ainda não devolvemos os presentes como pediu, estão todos no seu quarto.
— Obrigada, mãe.
— Quando voltar amanhã, terá que visitar os pais do Cedric. Acha que consegue?
— Por que não conseguiria? Eles sempre foram legais comigo, não tem culpa nenhuma. — respondi.
Logo a maçaneta da porta se mexeu e entrou no quarto com alguns papéis nas mãos.
— Mãe, tenho que desligar agora, nos vemos amanhã.
— Até amanhã, querida, se cuide.
Encerrei a ligação e voltei novamente meu olhar para ele, que neste momento já mexia no celular. Me espreguicei um pouco e caminhei em sua direção.
— Sua mãe ligou de novo?!
— Sim, ela queria confirmar que não irei adiar novamente. — respondi, mantendo meu olhar nos papéis — O que são?
— São pra você. — disse ele me entregando.
— Para mim?! — eu peguei e comecei a folhear — Do que se trata?!
— Como está disponível para o mercado de trabalho, achei que poderia ajudar minha esposa em sua nova jornada em NY. — explicou ele — Tenho um amigo, que conhece um amigo, que conhece um amigo, que precisa de uma aprendiz para trabalhar diretamente com ele na InH Coffee Dream.
— Sério? — o olhei, surpresa — Não me diga que irei trabalhar com o melhor pâtissier de New York?!
— Só se você quiser. — ele sorriu carinhosamente.
— Copo meio cheio?! Não é?! — disse.
— Copo meio cheio. — reforçou ele, confirmando.
Eu o beijei novamente, com certa empolgação.
— Incrível… Você é o melhor marido do mundo. — continuei.
— E eu só ganho um beijinho como recompensa? — reclamou.
— Eu ainda não estou devidamente empregada, então só vai ganhar isso. — retruquei.
— Mercenária. — resmungou, se voltando para a mala que estava aberta, e caminhou até ela.
Eu ri baixo dele, então fui até o banheiro e tomei uma ducha quente, coloquei sua camisa azul listrada, que havia se transformado no meu pijama.
— Fico admirado de como minhas roupas te deixam ainda mais sexy. — ele sorriu com malícia.
— Agradeço o elogio, senhor meu marido. — ri de leve — Já arrumou tudo?
— Sim, e aproveitei para comprar outras duas para colocar suas roupas. — respondeu — Seu vestido também já foi guardado.
— Verdade, havia me esquecido desse vestido, apesar do azar inicial, ele acabou me dando sorte. — afirmei.
— Não só a você. — ele sorriu, pegou em minha mão, me puxando para mais perto e me aninhou em seus braços.
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— O quê?! — foram as únicas palavras que minha família conseguiu pronunciar após eu e contarmos nossa história.
— Eu sei que parece loucura, mas é real. — ergui minha mão esquerda mostrando a aliança de casamento, e ele fez o mesmo.
— Seu babaca. — meu irmão se voltou para cima de , socou seu rosto, o derrubando no chão.
— Matt?! — eu gritei, o empurrando.
— Matt, meu filho. — meu pai o segurou — O que acha que está fazendo?
— Você está louco? — Jenie o olhou com desaprovação.
Então , ainda caído, começou a rir ao limpar o vestígio de sangue que apareceu em sua boca, então Matt começou a rir também, nos deixando estáticos. Meu pai o soltou sem entender nada. Meu irmão, estendeu a mão para ajudar a se levantar, que logo aceitou e ao se erguer abraçou.
— Alguém me explica o que foi isso? — disse Jenie, com seu olhar indignado.
— Nem eu entendi. — assegurei, embasbacada.
— Seu babaca, deveria ter feito isso antes, pouparia minha irmã de ter sido abandonada no altar. — disse Matt ainda rindo.
— Então, você não está bravo? — perguntei.
— Estou bravo por ele não ser meu cunhado há mais tempo. — respondeu meu irmão.
— Então por que bateu nele? — eu o empurrei de leve.
— Pra ele não se esquecer que você é minha irmã. — explicou.
— Agradeço o lembrete. — riu junto.
— Vocês são dois babacas, isso sim. — Jenie cruzou os braços, nervosa.
— Que isso, princesa. — Matt a abraçou — É coisa de amigo.
— Eu concordo com ela.
— Já que está tudo bem, porque não vamos para a cozinhar comer. — sugeriu minha mãe, empolgada — Eu fiz bolo de cenoura com calda de chocolate.
— Meu favorito. — eu me animei.
— Já que não tem bolo de casamento, vai o de cenoura mesmo. — reclamou Jenie, chateada pelo final não ter sido com o planejamento esperado — Ainda estou inconformada, não fui a madrinha.
— Você é nossa madrinha. — intervi.
— Assim como o James. — completou de forma desnecessária.
— Quem é James? — perguntou ela.
— Um amigo que fizemos em Vegas. — respondi — O cara do bar que foi nosso ouvinte e conselheiro.
— Ele me passou o vídeo da gente gritando no bar que íamos nos casar. — comentou .
— Que vergonha. — me encolhi um pouco.
— Eu vou querer ver. — Matt riu.
— Eu também. — disse minha mãe, segurando o riso — Mas vamos logo antes que o bolo esfrie.
Foi surpreendente e engraçado como eles reagiram a nossa história, principalmente meus pais. Eu sabia da grande preocupação que minha mãe teve após o desastre do meu não casamento com Cedric, mas vê-la sorrir ao saber que eu estava com , foi reconfortante para mim. E além do Matt, que me deixou estática ao saber que sempre torceu para que sua irmã ficasse com seu melhor amigo.
— A história de vocês parece até aqueles filmes clichês de comédia romântica, onde o Bradley Cooper seria perfeito no papel do . — comentou Jenie, enquanto saboreava seu pedaço de bolo.
— Verdade, não tinha pensado nesse ângulo. — concordei.
— Acho que vou escrever um roteiro assim e enviar para algum concurso de roteirista. — disse ela, empolgada — Quem sabe não dá certo.
— Ainda com o sonho de ser cineasta?! — riu.
— Quando eu for rica e morar em Malibu, você não vai rir de mim. — ela o olhou atravessado.
— Me levando junto, você pode morar onde quiser. — comentou Matt.
— E por falar em morar. — meu pai nos olhou — Onde pretendem morar? Você estava trabalhando na Califórnia, não é?
— Sim, mas recentemente recebi uma proposta melhor para trabalhar em Manhattan.
— New York. — Jenie quase deu um pulo da cadeira e me olhou de forma instigante.
— Eu sei que o tal Cedric está em NY. — disse — Mas isso não importa, a cidade é grande e agora, é muito bem casada.
— Uauuu…. — Jenie vibrou um pouco.
Enquanto isso, eu fiquei meio envergonhada.
— Não será mesmo um problema. — confirmei — Além do que, conseguiu uma entrevista para mim como aprendiz do pâtissier do InH Coffee Dream.
— Sério? — minha mãe me olhou, admirada — Sempre foi seu sonho conhecer o chefe Han.
— Sim, estou ansiosa para conhecê-lo.
— Hum… — me segurou pela cintura, aproximando seu corpo do meu — Estou começando a ficar com ciúmes.
— Não precisa, dr. Lewis. — eu o beijei de leve.
Alguns barulhos de comemoração soaram pela cozinha acompanhados de risos e piadas.
Mesmo longe, teríamos o apoio de minha família, o que me deixava ainda mais tranquila e segura de que tudo daria certo. Decidimos passar o final de semana em Henderson, e preparar com calma nosso embarque com o destino New York. Eu aproveitei para devolver alguns presentes entregues pelos parentes e amigos de Cedric, quanto aos outros de pessoas próximas a mim, agradeci a todos e expliquei que eu havia sim me casado, porém com outra pessoa. A última coisa que fiz na cidade, foi visitar os pais de Cedric, acompanhada do meu marido é claro, queria que eles vissem que eu estava bem e que não tinham nenhuma culpa pelas ações do seu filho. No final, a senhora Donson parecia um pouco mais conformada, apesar de ter me confessado que seu sonho era que eu realmente tivesse me tornado sua nora.
Contudo, o que passou não voltava mais, e ter me casado em Vegas com , havia sido a melhor decisão da minha vida, mesmo que tenha sido tomada comigo bêbada. Aterrissamos em New York após cinco horas de voo, nossa primeira parada foi o apartamento que um amigo de havia indicado para ele alugar. Próximo ao Central Park, era uma cobertura que pertencia a um prédio de 15 andares, a vista era incrível obviamente, assim como o bom gosto de para a decoração.
— Uau, aqui é lindo. — disse, ao me aproximar da varanda do terraço da cobertura e contemplar o monumental Central Park — Olha essa vista!
— Você gostou?! — perguntou ele, me abraçando por trás — Estou feliz por não ter que viver aqui sozinho agora.
— Posso fazer uma pergunta indiscreta? — virei minha face de leve e o olhei.
— Diga.
— Quanto você recebe para pagar por um apartamento desse? — eu estava curiosa.
— Estou curioso pela pergunta. — ele me olhou, desconfiado.
— Curiosa estou eu, você sempre foi o sem teto que passava semanas dormindo no sofá da sala dos meus pais. — mantive meu olhar sério para ele — Ganhar uma bolsa em Harvard e manter um apartamento assim, é novidade para mim que passei parte da minha vida em Henderson.
Ele sorriu de canto.
— Que alívio. — brincou.
— Alívio?! Não acredito que você pensou que eu iria pedir o divórcio e querer pensão alimentícia. — demonstrei indignação em meu olhar — Não sou tão mercenária assim.
— Minha mercenária. — ele me beijou de leve — Está com fome? Não quis comer nada durante o voo.
— Vai me dizer agora que você cozinha?! — por isso eu não esperava.
— Algum problema nisso?! — retrucou.
— Não, eu acho muito sexy um homem cozinhando. — desta vez, foi minha vez a lançar um olhar malicioso para ele.
— Senhora Lewis, que olhar sugestivo. — brincou, me aninhando ainda mais a ele e dando um leve beijo em meu pescoço — O que acha de pularmos a parte do jantar e ir direto para a sobremesa?
— Não é de todo uma má ideia. — concordei, sem fazer nenhum tipo de resistência.
Sob o conselho da minha mãe eu não iria mais tentar fugir da felicidade que estava em minha frente, nem mesmo deixar meus traumas do passado interferirem no meu futuro com meu marido. Então naquele primeiro dia, eu iria me entregar totalmente a ele, sem medo de ser abandonada, pois em cada gesto de carinho, cada olhar e cada toque de , eu sentia que estava plenamente segura em seus braços.
— Eu te amo. — sussurrou, em meu ouvido assim que misteriosamente chegamos ao quarto, fazendo meu corpo arrepiar.
Aquelas 3 palavras que ele se negava a pronunciar claramente, foram a faísca necessária para que aquele espaço se tornasse menor e mais quente.
E a partir de agora, começamos nossa vida juntos em Manhattan…
“Não perca este momento por nada,
vamos enlouquecer minha dama da sorte
Este dia será lembrado mais uma vez
Mesmo agora eu estou com sede
Ainda há muito para lhe dar
Eu não preciso de nenhum dinheiro, eu só preciso de você
Eu te quero tanto, aposte tudo em mim.”
- Lotto / EXO
