Tamanho da fonte: |

Codificada por: Saturno 🪐

Última Atualização: 27/07/2025

A casa já estava cheia, e a música alta escapava pelas janelas abertas, misturada com o burburinho das vozes e o cheiro doce de bebida misturada com perfume. saiu do Uber e foi caminhando com o coração inquieto – não sabia se era pela saudade ou pelo nervosismo. Talvez pelos dois. Na entrada, um vulto familiar fez seu peito relaxar.
— Pensei que ia me dar um bolo. — Disse , sorrindo largo, os cabelos soltos balançando com o vento leve da noite. — Achei que a faculdade tinha te engolido de vez.
— Quase, mas a ameaçaria a minha existência caso eu não viesse.
As duas se abraçaram forte, como quem segura o tempo nos braços. lembrava exatamente do dia em que conheceu : as duas estavam sentadas na recepção da secretaria da escola, esperando para serem chamadas pela direção – por ser aluna nova e uma intercambista da Colômbia, que estava lá para resolver algumas papeladas. Bastou um comentário sussurrado em espanhol para que elas se olhassem e rissem juntas.

Latinas unidas no caos americano.

A conexão foi imediata. era o oposto de em muita coisa – mais extrovertida, desbocada, imprevisível –, mas tinha uma lealdade feroz por quem amava. Nos dias difíceis, era ela quem comprava briga, quem fazia piada no meio do choro, quem lembrava de quem ela era. E foi quem as juntou de vez. As três, diferentes em tudo, se equilibravam no que importava. Desde então, se tornaram inseparáveis. Tinham se afastado um pouco nos últimos meses, desde que a faculdade começou, cada uma em um campus diferente, com rotinas novas e horários impossíveis, mas o carinho continuava ali, intacto.
— Você tá linda, amiga. — Elogiou, avaliando o look de com aprovação. — Já tô até com medo de competir com você nessa festa.
— Só se for competição de quem sobrevive mais tempo usando salto. — Ela brincou e as duas riram, atravessando juntas a entrada da casa.
Por dentro, a festa parecia ainda mais cheia. Luzes suaves iluminavam o ambiente, copos coloridos passavam de mão em mão, e rostos conhecidos e desconhecidos iam e vinham entre cômodos e conversas. surgiu perto da escada, deslumbrante como sempre – vestido médio, um salto discreto e olhos delineados com precisão.
— Finalmente vocês chegaram! — Gritou ao ver as amigas, puxando-as com força para um abraço.
Antes que pudesse responder, seus olhos escorregaram para o fundo do corredor, onde uma figura se destacava entre dois grupos. Ele usava uma camisa preta de manga dobrada, cabelos um pouco mais longos do que ela lembrava, e estava rindo de algo que alguém tinha dito. O problema de histórias mal resolvidas era esse: elas não morriam. Só ficavam em pausa, esperando a hora certa para voltar.

FLASHBACK ON

Era tudo muito grande. nunca tinha se sentido tão pequena quanto ao atravessar os corredores da nova escola. O inglês escorria rápido demais pelos ouvidos, mesmo sendo fluente. Os armários pareciam maiores, os olhares mais longos. E ela… deslocada.
— Pode parar de se esconder atrás do casaco. — Disse , ao lado dela, assim que saíram da secretaria. — Você vai amar aqui, só precisa sobreviver à primeira semana e não deitar para os “sem noção” que vão pegar no seu pé.
forçou um sorriso, grata pela nova amiga.
— Avisa se eu começar a andar com um “me dá um green card” estampado na testa, tá?
— Ah, amiga… com esse cabelo e esse sotaque, você não precisa de nada na testa. Já tem metade dos meninos olhando.
E, como se o universo quisesse provar o ponto dela, os olhos de cruzaram com os de um garoto parado ao lado dos armários do segundo andar. Ele era alto, cabelos castanhos e bagunçados, camiseta cinza básica e mochila pendurada em um ombro só. Estava rindo de algo que um amigo dizia… e então a olhou, como se ela fosse parte de um enigma a ser decifrado.

.

Ela só descobriria o nome mais tarde, quando – capitã das líderes de torcida, completamente diferente do estereótipo de vilã de filmes adolescentes – a apresentasse casualmente, sem perceber o efeito que causaria. Os dias foram passando e se enturmou rápido. As aulas eram mais fáceis do que esperava, os professores eram cordiais, e os colegas a integravam nas conversas, mesmo que às vezes houvesse um ar estranho, como se um ou outro falasse sobre ela antes de falarem com ela. Mas era diferente. Ele a tratava sem aquele filtro – às vezes sério, às vezes irônico, mas com uma calma que parecia deslocada da idade que tinham. Eles começaram a se falar entre uma aula e outra, sempre rápido, como quem tem muito pra dizer, mas não quer demonstrar. Até o dia do trabalho de História.
— A professora me colocou em dupla com você. — Ele disse, parando ao lado dela, no intervalo.
franziu a testa.
— Mas eu nem tava na aula ontem.
— Pois é, ela separou as duplas e a gente acabou ficando junto. E, sinceramente, eu acho que vai ser mais fácil do que fazer com o .
— E isso não tem nada a ver com o fato de eu ter tirado 10 na última prova.
— Talvez um pouco. – sorriu de canto.
ergueu uma sobrancelha, desconfiada, mas um sorriso pequeno se formou nos lábios. Havia algo no jeito como ele dizia as coisas, como se sempre deixasse um pedacinho de verdade escapar no meio da provocação. E, por dentro, ela já sentia o estômago dar aquele salto bobo de expectativa.

FLASHBACK OFF

piscou, desviando o olhar rápido demais. Era como se o passado estivesse a poucos passos dela, em carne e osso, usando jeans e uma camiseta preta.
— Ele veio? — Perguntou para .
— Bom, ele continua sendo o primo da . Mas relaxa… — a amiga completou ao perceber a tensão. — … se ficar estranho, a gente some pela cozinha e se tranca no banheiro até a festa acabar.
riu, nervosa. Mas antes que pudesse formular um plano de fuga, surgiu entre a multidão, abrindo um sorriso ao reconhecê-la.
! Eu disse que você vinha. — A puxou para um abraço apertado e caloroso. se sentiu mais segura por um momento. Apesar de ser um dos melhores amigos de no colégio, ele nunca tinha participado daquilo. E, por coincidência, ou ironia do destino, acabou indo para a mesma faculdade de . Desde então, haviam se tornado próximos de verdade. — E aí, ? — Cumprimentou também, com o jeito simpático de sempre, apesar do sorriso tímido no rosto.
Só então, se aproximou. Estava ao lado de , como se tivesse vindo por inércia, ou talvez por impulso, e seus olhos encontraram os dela por um segundo longo demais.
? — A voz dele estava igual – o mesmo ritmo, o mesmo jeito de quem fala baixo para observar as reações.
— Oi.
— Quanto tempo.
Ela quis rir. “Quanto tempo” era o tipo de coisa que se dizia para colegas de escola, não para alguém que tinha partido seu coração e silenciado quando mais importava.
— É, bastante… — respondeu, sem emoção.
O silêncio que veio depois foi cheio de tudo o que eles nunca disseram.
— Você tá bem? — Perguntou ele, depois de um tempo. — Tô. Faculdade, estágio… coisas de adulto. — Ela cruzou os braços. — E você? Ainda tem os mesmos amigos idiotas?
— Ei! — protestou, apesar de saber que a amiga não se referia a ele.
franziu o cenho, surpreso com a acidez da pergunta, mas não respondeu de imediato.
— Alguns… outros ficaram no caminho. Crescer tem dessas, né?
não respondeu. Era estranho demais estar ali, conversando com ele como se tudo tivesse ficado para trás, quando, na verdade, nunca foi dito em voz alta. Ela sabia fingir indiferença como poucos, mas estar perto dele trazia tudo de volta. Inclusive o que ela queria esquecer.

FLASHBACK ON

A biblioteca do colégio era pequena e abafada. Eles estavam sentados num canto afastado, separados por folhas de papel e livros empilhados como uma muralha improvisada. rabiscava o caderno com a ponta da caneta, nervosa, enquanto folheava o próprio livro, apesar de prestar mais atenção nela do que no conteúdo.
— Não vai anotar nada? — perguntou sem tirar os olhos do texto.
— Tô anotando mentalmente. — Ele respondeu, apoiando o queixo na mão. — Além disso, você escreve rápido o suficiente por nós dois.
Ela riu, sem graça, e virou a página com mais força do que precisava.
— Tô começando a achar que você me colocou nessa dupla pra não fazer nada.
— Tô ofendido com essa acusação. — Disse ele, colocando uma mão no peito, dramático. — Eu sou ótimo com trabalhos em grupo. Especialmente quando o grupo sou só eu e você.
revirou os olhos, mas um pequeno sorriso escapou.
— A propósito… — disse depois de alguns segundos. — A história de que a professora formou as duplas…
— O que tem?
— É que… eu vi algumas pessoas que são tipo melhores amigos juntos. Não pareceu muito aleatório.
hesitou por um momento.
— Talvez… nem todas tenham sido tão aleatórias assim.
… — levantou os olhos devagar, desconfiada.
— Tá bom… — ele riu sem graça, levantando as mãos em rendição. — Eu pedi à professora pra fazer dupla com você.
Ela o encarou, sem saber se achava fofo ou patético. Provavelmente os dois.
— Por quê?
— Porque… — ele deu de ombros, olhando pra ela meio desafiador, meio sincero, coçando a nuca antes de continuar. — … eu queria ter uma desculpa pra passar mais tempo com você. E eu sabia que você não ia topar se eu só convidasse pra sair.
tentou manter a expressão séria, mas não conseguiu.
— Você é um idiota.
— Um idiota estrategista… qual é, dá o braço a torcer. — Ela balançou a cabeça, rindo, voltando a olhar pro livro, mas sua mão tremia levemente quando pegou a caneta de novo. O coração, que até então batia em ritmo normal, tinha decidido correr uma maratona. — Você tá distraída. — Ele disse ao perceber que a brasileira não anotava nada há um tempo. — Não, tô pensando. — Pensando no quê?
Ela hesitou. Olhou para ele, os olhos claros demais, notando como ele inclinava o rosto quando queria entender algo.
— Em como você convenceu a professora a me colocar como sua dupla.
sorriu, mas não desmentiu.
— E se eu disser que eu quase implorei de joelhos e pedi para ela me juntar com a garota “mais bonita” da sala? — Não era o tipo de frase que se ouvia de qualquer um – ainda mais de alguém como ele. — Você tem noção do quanto fala com as mãos quando tá nervosa?
— Quê? — ergueu os olhos, desconcertada.
— Sério. É meio… engraçado. Bonito, talvez.
Então, ele se aproximou devagar, como se esperasse um sinal, os olhos claros intensos, fixos nos de , que não recuou. O beijo foi tímido, curto, doce – exatamente como ela fantasiava ser o seu primeiro beijo. Até que, ao lembrar de um dos vários ensinamentos de suas amigas do Brasil, ela mordeu o lábio dele. Não com força, mas o suficiente para estragar tudo.
— Me desculpa, eu… — Se afastou num pulo. — Ai, meu Deus.
— Tá tudo bem… — disse, surpreso, rindo um pouco. — Foi só um…
Mas ela já estava recolhendo as coisas, envergonhada, vermelha, assustada com a própria reação, e fugiu antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. No dia seguinte, entrou na sala de aula com o estômago revirando. Mal dormira. Achava que ele talvez não aparecesse, que fingiria que nada aconteceu, ou pior: que contaria para os outros. E então ela ouviu… risadas. estava no fundo da sala com dois amigos, e um deles – o mais alto, jogador de beisebol – disse, alto demais:
— Ela realmente te mordeu?
Mais gargalhadas. mexia no celular enquanto ria com os amigos, como se estivesse relaxado, leve. Como se aquilo fosse uma piada. sentiu tudo desabar de uma vez. O nó na garganta, a vergonha voltando com força, e o corpo esquentando de raiva. Ela virou os olhos, seguiu até seu lugar, e decidiu ali que não ia dar explicação nenhuma, nem pra ele, nem pra ninguém. Na cabeça dela, tudo fazia sentido: era igual aos outros. Talvez nunca tivesse sido diferente. E a pior parte era não saber se ele riu dela ou se simplesmente não teve coragem de defendê-la – provavelmente os dois.

FLASHBACK OFF

se mexeu, tentando aliviar a rigidez nos ombros. A presença de era como um campo magnético incômodo, difícil de ignorar e impossível de esquecer. , percebendo a tensão no ar, puxou uma conversa qualquer:
— Vocês já viram a mesa de doces da ? Juro que ela contratou uma confeitaria inteira. Tem até brownie com glitter.
— Glitter comestível, por favor. — Respondeu , revirando os olhos. — Gente, é meu aniversário. Deixem eu ser dramática.
riu, mas logo cutucou discretamente com o cotovelo, como se perguntasse em silêncio “tá tudo bem?” e ela assentiu quase imperceptivelmente.
— Querem beber alguma coisa? — Ofereceu , virando-se para o grupo. — A me deu permissão pra saquear o cooler.
— Eu não dei, não. Mas eu vou, porque tenho que… checar umas coisas. — disse, mais por estratégia do que por sede. Conhecia bem aquela dinâmica estranha e tinha aprendido, ao longo dos anos, quando dar espaço. — quer também, né? — Ela nem esperou a amiga falar algo e já a puxou pelo braço.
— Mas… — A colombiana protestou, mas já era tarde demais.
Em questão de segundos, só restaram – que jurou mentalmente matar cada um dos amigos da forma mais dolorosa possível – e ali, frente a frente, cercados por uma música alta e pessoas ocupadas demais com suas próprias bolhas para perceberem o incômodo pairando entre os dois. Ele passou a mão pelos cabelos, meio sem saber onde pôr. Ela conhecia aquele gesto: era o mesmo de quando estava nervoso antes de apresentações na escola, ou quando queria dizer algo importante, mas não sabia por onde começar.
— Você tá diferente.
ergueu uma sobrancelha.
— Faz tempo, as pessoas mudam.
Ele assentiu, os olhos baixos por um instante.
— Não achei que você fosse vir.
— E perder o bolo com glitter da ? Impossível.
soltou uma risada curta, como se não esperasse a ironia. A verdade é que ele esperava uma versão mais amarga dela.
me contou que vocês têm se falado bastante. — Disse, testando terreno.
— A gente estuda na mesma faculdade, então é meio inevitável.
— Imagino que sim.
Ela cruzou os braços, desconfiada. Parte dela queria ir embora dali. A outra parte queria que ele dissesse alguma coisa… qualquer coisa. Algo que explicasse o silêncio, a covardia, a ausência. Mas, antes que qualquer um dos dois pudesse continuar, os outros três voltaram. analisou o clima no ar como se fosse a previsão do tempo: nublado com chances de tempestade emocional.
— Tudo certo por aqui? — Perguntou, sorrindo com uma doçura forçada.
— Tudo sob controle. — forçou o mesmo sorriso.
entregou um copo para ela, que agradeceu com um aceno de cabeça, apesar de seus olhos ainda estarem em , mesmo quando ele desviou os dele. Naquele momento, era como se algo antigo dentro dela ainda se remexesse, como se aquele encontro tivesse aberto uma gaveta que ela tinha trancado há anos – e perdido a chave de propósito.

A noite continuou com conversas animadas, músicas trocando de ritmo e o barulho das risadas crescendo. girava o gelo no copo já pela terceira vez, distraído, fingindo prestar atenção na conversa dos dois caras do canto, apesar de sua cabeça estar em outro lugar, ou melhor, em outra pessoa: estava a poucos metros, encostada na parede lateral da sala de estar, rindo de algo que acabara de dizer, com a cabeça levemente inclinada, os olhos brilhando daquele jeito que ele lembrava bem e o mesmo sorriso que o fazia perder o foco no meio de uma frase. Era desconcertante o quanto ela parecia igual e, ao mesmo tempo, diferente.
— Você tá encarando tanto que vai hipnotizar. — Disse uma voz ao seu lado.
Ele se virou, surpreso ao perceber a presença de , outro amigo dos tempos de colégio, com um copo de cerveja na mão e aquele mesmo ar debochado de sempre.
— Sempre atrasado, cara… mas eu não tô encarando.
— Qual é, , você sabe que tá. Igual no colegial, quando você ficava fingindo que olhava pro quadro, mas tava olhando pra ela. — O amigo respondeu, dando um gole, e ele soltou um riso baixo e seco.
— Achei que já tivesse passado dessa fase.
— Vai por mim… ninguém aqui passou. — , olhou em volta com uma expressão semi-irônica. — A maioria dessa galera só mudou de roupa, não de cabeça.
Antes que pudesse retrucar, se aproximou deles, puxando uma cadeira. Estava suando levemente, provavelmente de tanto circular pela casa, sendo simpático com todo mundo, como sempre fazia.
— Tudo certo aqui? — Perguntou, já se sentando. — Achei que vocês tinham evaporado.
deu de ombros.
— Só lembrando o aqui de quando ele era emocionalmente inapto e fingia que não gostava da .
revirou os olhos, mas não respondeu. Em vez disso, olhou de volta na direção onde ela estava, sendo acompanhado por , que suspirou.
— Vocês dois deviam conversar.
— Bem, eu tentei, e a gente até conversou. — Respondeu, com uma amargura discreta na voz. — Ela foi cordial. Gélida, mas cordial.
— Ela tá se protegendo. — Respondeu , sem tirar os olhos da amiga. — E você também, né?
— Cara, eu sei que vocês viraram amigos, mas isso não anula o que ela fez comigo.
— Claro, até porque não é toda garota que tem o privilégio de quebrar o coração do pobre . — falou com uma tristeza ensaiada, pondo a mão no peito do amigo.
Ele bufou, desviando o olhar, mas, antes que pudesse formular uma resposta, percebeu olhar discretamente em sua direção. Foi rápido, como se ela mesma não quisesse admitir o gesto, mas ele viu.

FLASHBACK ON

nunca havia sido muito bom com palavras, mas sim ações, ou pequenos gestos, como um comentário no meio da aula, um olhar demorado no corredor, um sorriso quando ninguém mais estava olhando. Com , foi assim desde o início. No começo, ela era só “a nova amiga da ” – a garota brasileira que tinha aparecido de repente, com sotaque suave e um jeito observador demais pra quem mal conhecia a escola. Sua prima falava muito dela e, em uma dessas conversas, ele acabou cruzando com nos corredores.

E, de alguma forma, ela passou a ser a parte favorita do dia.

Ele não sabia dizer quando tinha começado a gostar dela, mas sabia que era real. Por isso, quando a professora anunciou o trabalho de História, foi direto à mesa dela no fim da aula e inventou a desculpa mais esfarrapada possível para ser colocado com . A ideia do trabalho era só isso: uma desculpa. Queria passar um tempo com ela, longe do resto do mundo. O beijo foi melhor do que ele esperava – meio nervoso, claro, mas bom. Até o momento em que ela recuou, com olhos arregalados, e saiu correndo sem deixar explicação. ficou parado por alguns segundos, confuso, ainda sentindo o gosto dela na boca, junto com um leve ardor no lábio inferior. Tinha sido só uma mordida… um acidente. Ele achou fofo, na verdade. No dia seguinte, tentou agir com naturalidade. Estava nervoso, mas animado. Achava que talvez tivessem um segundo beijo, ou que pudessem conversar, rir da situação. Então, com alguns boatos espalhados, seus amigos começaram a zoar no fundo da sala.
— Ela realmente te mordeu?
Ele riu junto, porque na sua cabeça aquilo era só uma provocação boba, uma piada sobre o beijo. Algo inevitável, ainda mais naquele grupo. Ele nunca imaginou que pudesse ouvir. Nunca passou pela cabeça dele que ela pudesse entender errado. Muito menos que aquilo fosse afastá-la por completo. Na aula seguinte, ela passou por sem olhar. Não respondeu quando ele tentou comentar algo. E, aos poucos, o silêncio virou distância, depois, frieza, e então, desprezo. Ele tentou perguntar uma ou duas vezes, mas a forma como ela o cortava, como desviava, o fez acreditar que ela simplesmente não estava interessada, ou que se arrependera. Pior, que tinha achado que ele era só mais um. E isso doeu, muito mais do que ele deixou transparecer.

FLASHBACK OFF

não sabia bem o motivo de ter olhado naquela hora. Talvez fosse instinto, curiosidade… ou um desses lapsos de coragem que aparecem do nada, só pra nos lembrar que ainda nos importamos. O que ela não esperava é que ele já estaria olhando de volta, firme, direto – o mesmo de antes, mas mais maduro, mais difícil de decifrar. Ela desviou rápido, como se o movimento pudesse desfazer o momento, e fingiu um sorriso quando puxou sua mão.
— Vamos ali com a ? Quero conhecer os famigerados amigos da faculdade. — Disse para a brasileira, arqueando uma sobrancelha.
— Só se me prometer que nenhum deles vai me obrigar a jogar beer pong.
— Sem promessas. — Respondeu a amiga, rindo, enquanto as duas se aproximavam do grupo perto da varanda dos fundos.
estava no centro, claro, cercada por três caras e duas garotas que pareciam se divertir só de existir. Ela acenou animada assim que viu as duas se aproximarem.
— Finalmente! Vocês demoraram, achei que tinham se perdido na ala norte da mansão. — Brincou.
— Quase… — respondeu . — A decoração me distraiu… e o open bar.
— Gente, essas aqui são as minhas melhores amigas de todo o universo, então cuidado com o que vocês falam perto delas. — Disse , teatral. — e , esses são meus colegas de curso: Tyler, Jay, Maya, Rachel e esse aqui… — apontou para um dos caras, que já sorria com cara de piadista — É o Ryan, que tem mais frases de efeito do que neurônios.
— E mais charme também, vale dizer… — ele completou, piscando diretamente para as duas. — Prazer, já pode me chamar de “seu”.
riu com um ar de quem já tinha visto esse tipo de abordagem antes.
— Oi, “seu”. Eu sou “indisponível”, mas obrigada.
Os outros riram, e deu um soquinho no ombro dele.
— Elas acabaram de chegar, Ryan. Espera pelo menos cinco minutos pra assustar as visitas.
— É o jeito dele de dizer “bem-vindas”, só que em idioma Ryan. — Comentou Tyler, balançando a cabeça com humor.
Maya, uma garota de cabelo ruivo preso num coque malfeito, se aproximou de .
— Vocês é a brasileira, né? fala de você direto.
— Espero que bem. — Disse , rindo.
— Só maravilhas, do tipo “minha amiga linda, inteligente, com um histórico amoroso dramático de dar inveja a qualquer série adolescente”.
lançou um olhar matador para , que apenas deu de ombros com um sorriso culpado.
— Tô construindo sua reputação, só isso.
, à distância, ainda observava, tentando parecer desinteressado, mas o jeito como se inclinava ligeiramente na direção do grupo denunciava. , ao lado, dizia algo para , mas claramente também notava os olhares cruzados. fingia não ver, mas sentia. E, quando arriscou encará-lo, percebeu que ele observava ela e Ryan com atenção demais. Ela deixou o grupo se perder em uma conversa sobre uma apresentação desastrosa da semana passada, enquanto se ocupava em segurar o copo com firmeza, quase como se fosse uma âncora que a puxasse de volta para a realidade.
— Já te disseram que você fala pouco, mas tem cara de quem pensa demais? — Ryan perguntou, já inclinando o corpo em sua direção.
— Já. E normalmente é um alerta pra eu fugir. — Respondeu, sorrindo com ironia.
— Que sorte a minha então. — Disse ele, encostando no encosto do sofá. — Porque eu adoro correr atrás.
revirou os olhos, rindo.
— Não liga, ele tem uma lista de cantadas dignas de cringe absoluto.
— Ei, eu sou carismático. Pelo menos ela sorriu. — sorriu de novo, dessa vez de verdade. Não por estar encantada por Ryan, mas por ser mais fácil rir dele do que pensar em . — Querem ver só? — Ele se virou para , que arqueou a sobrancelha. — Você estuda o quê mesmo?
— Relações internacionais.
— Imagina as relações internacionais que a gente pode construir juntos?
— Nossa… — fingiu um arrepio. — Isso doeu em cinco idiomas diferentes.
A gargalhada geral foi inevitável. Por um momento, se permitiu rir também, mesmo com o coração apertado e com a presença dele queimando em algum lugar no canto de sua visão periférica.

deu um gole longo na bebida, mas já fazia tempo que o gosto sumira. O copo estava quente na mão e os olhos fixos em , que ria de alguma piada que Ryan fizera, como se tivesse esquecido que ele existia. Ele não conseguia decidir o que incomodava mais: o fato de que ela estava rindo, ou o fato de que ele queria estar no lugar de quem a fazia rir, mesmo depois de tudo. notou, como sempre.
— Você vai furar ela com o olhar se continuar assim. — Disse, se aproximando com um copo novo, e desviou os olhos, sem responder. — Relaxa, cara. O Ryan parece ser inofensivo. Mais palhaço que ameaça.
— Não tô preocupado com esse tal de Ryan.
— Ah, claro. Você só tá roendo o copo por esporte.
— Eu só não entendo. — Ele passou a mão pelo cabelo, frustrado. — Tipo, a gente se beijou, ela fugiu, depois me ignorou por meses como se eu tivesse feito alguma coisa imperdoável e sequer me deu a chance de explicar… agora ela tá aí, rindo, como se nada tivesse acontecido.
— Talvez seja exatamente o contrário, ela tá rindo porque tá tentando esquecer.
olhou pra ele, confuso.
— Profundo demais pra um sábado à noite, não acha?
— A vida emocional de vocês exige filosofia de bar. — disse , dando um tapinha no ombro dele. — Sinceramente, cara, você devia ir atrás dela, antes que o Ryan decida recitar Voltaire.
Ele bufou, mas o pensamento ficou.
— Ela… já falou de mim pra você?
— O suficiente pra eu saber que ela ainda não superou o que aconteceu. — Respondeu, sem rodeios. — Mas não do jeito que você tá pensando… — não respondeu, apenas apertou o copo de plástico nas mãos. — Você podia ter falado com ela antes, sabe? No último ano do colégio, ou quando ela foi embora do último baile do colégio sem se despedir de ninguém.
— Eu achei que ela me odiava.
— Talvez odiasse mesmo, mas isso não muda o que vocês tinham. — Ele respirou fundo. Estava prestes a dizer algo, mas o cortou. — Eu sei o que aconteceu no dia do beijo e sei o que aconteceu no dia seguinte… mas ela desabou, cara. E sabe o que é pior? Parece que ela ainda se importa.
— Eu não sabia que ela viria.
— E se soubesse?
— Teria vindo do mesmo jeito. — Ele respondeu, finalmente. — Mas teria ensaiado alguma coisa antes. Não fui feito pra improvisar com ela… nunca fui.
— Então ensaia. Porque se você errar de novo… acho que não vai ter outra chance.
— E você? Vai continuar só pagando de conselheiro ou vai falar logo com a ?
riu, desviando o olhar como quem tinha sido pego.
— Tô esperando o momento certo.
— Que momento? O casamento?
— Cês dois são iguais… — comentou , que surgia do nada com uma latinha na mão e um ar debochado. — Enrolam tanto que vai acabar todo mundo junto, menos vocês.
— Uau, filosofia de bar nível dois. — rebateu. — Tá bebendo sabedoria em lata, ?
— Tô bebendo coragem. Preciso de uns três goles antes de voltar pra . — E olhou discretamente em direção à prima de , que dançava com Maya perto da caixa de som improvisada.
— Achei que vocês dois tavam ficando. — disse, casual.
— A gente quase ficou… — corrigiu . — Mas aí ela descobriu que eu gosto de banana com ketchup e agora não me leva a sério.
Os outros dois fizeram careta ao mesmo tempo.
— Com razão. — murmurou e riu, erguendo a latinha.
— A verdade é que a não gosta de gente fácil… e eu adoro um desafio.
Enquanto os três conversavam, o olhar de foi puxado de volta até . Ela ainda estava no grupo da prima, agora sentada no braço de um sofá, com o corpo levemente inclinado na direção de , que ria de alguma coisa que tinha certeza que queria ter ouvido. E foi aí que ele viu: olhou de relance pra ele novamente, rápido, como se fosse um reflexo, e voltou a desviar no segundo seguinte, erguendo o copo como desculpa para o movimento.
— Dane-se, eu vou.
— Boa sorte, Romeu. — Disse , antes de virar o resto da cerveja.
— Vai com calma. — acrescentou, sério. — Ela tem motivos, então não força.
assentiu, ele sabia. E, enquanto atravessava a sala, passando pelos grupos e pelas risadas altas, os pensamentos pareciam mais altos que a música, mas ele não ia fugir dessa vez. O quintal estava iluminado com cordões de luz pendurados tremulando nas árvores e velas em potinhos de vidro improvisados, criando sombras suaves no chão. havia se afastado do grupo com a desculpa de “buscar mais bebida”, mas só queria respirar. E então ele apareceu.
… — disse , parando a poucos passos dela.
Ela se virou devagar. Os olhos dele já entregavam que não era uma conversa qualquer.
.
— Tá fugindo da festa?
— Talvez… ou talvez eu só esteja fugindo das pessoas.
não se moveu, como se soubesse que cruzar essa linha sem permissão seria invasivo.
— E de mim?
— Seria pretensioso da sua parte achar que tô fugindo só de você.
— Mas você tá? — O silêncio que se seguiu foi resposta suficiente. — A gente precisa conversar.
— Por quê? Porque agora você decidiu?
— Porque agora eu entendi que você passou anos me odiando por algo que eu nem soube que fiz.
— Eu não te odiei, eu me protegi. Tem uma diferença.
— Me cortando completamente? Fingindo que eu era invisível?
— Você se lembra do que aconteceu de forma diferente de mim. — A voz dela saiu baixa, mas firme. — Acha que foi só um mal-entendido bobo, um momento desajeitado…
— E não foi?
— Você riu de mim… com seus amigos. Eu passei a noite inteira me culpando por ter fugido. E, mesmo sabendo dos boatos e de como aquilo me afetava, no dia seguinte… você tava rindo, como se fosse engraçado… como se eu fosse uma piada.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, o rosto mudando.
— Eu achei que eles estavam falando do beijo, não zombando de você. Eu nem percebi que você tinha ouvido.
— Mas ouvi. E foi o suficiente.
deu um passo pra frente, mas ela recuou instintivamente.
— Eu pensei que eles tivessem descoberto que a gente tinha se beijado. Pensei que estavam rindo disso, não de você, . Eu nunca ri de você. E você não me deu chance nenhuma. Sumiu, se fechou, e me tratou como se eu tivesse feito de propósito.
Ela mordeu o lábio, olhos marejando discretamente.
— Talvez porque, pra mim, tudo isso doeu de verdade. Eu confiava em você.
— Eu confiava em você também. E quando você desapareceu da minha vida como se eu não valesse nada, você partiu alguma coisa em mim também. — As palavras ecoaram entre eles com um peso que não sabiam mais como segurar. — Olha, eu não tô aqui pra te forçar a nada, nem pra reviver o passado, se você não quiser… mas eu preciso entender. Preciso saber por que você me arrancou da sua vida sem aviso nenhum.
o encarou e, pela primeira vez, seus olhos estavam menos duros.
— Eu não sabia como lidar com tudo aquilo. E… eu só me sentia sozinha, sufocada, envergonhada. Então fugir parecia mais fácil.
— E agora?
— Agora não é mais tão simples fugir. — Ela desviou o olhar.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu abruptamente e alguém gritou lá de dentro:
— AEEEEE, GENTE! JOGO LÁ FORA EM DEZ MINUTOS! Quem não aparecer, vai ter que pagar prenda. — Pela voz, parecia ser Ryan.
soltou um suspiro, quase aliviada com a interrupção, e pigarreou.
— Parece que tão convocando todo mundo.
Ela assentiu, ainda sem saber o que fazer com tudo o que acabaram de dizer. Mas uma coisa era certa: agora, não dava mais pra fingir que nada aconteceu.
Enquanto isso, dentro da casa, puxava pelo braço até o canto do corredor vazio, os dois afastados da movimentação do grupo que começava a se reunir para um jogo.
— Você não pode simplesmente se meter. — Disse , cruzando os braços.
— Eu não tô me metendo. Eu sou amigo dos dois, . Alguém precisa tentar equilibrar isso.
— Equilibrar? Ela passou anos tentando apagar ele da vida dela. E agora você quer o quê? Que eles sentem e tomem um chá?
— Eu só quero que eles escutem um ao outro. Nem que seja pra brigarem, mas de verdade. Com tudo na mesa.
suspirou, frustrada.
— E se ela se machucar de novo?
— E se ele também estiver ferido esse tempo todo?
Ela hesitou, porque sabia que sempre enxergava mais do que dizia.
— Eu só quero que ela fique bem.
— Eu também. — Disse ele, com sinceridade. — E por isso… talvez você precise parar de protegê-la tanto. Às vezes, a gente protege tanto alguém que acaba impedindo que ela enfrente o que precisa.
abaixou o olhar por um segundo.
— Você é irritantemente sensato, sabia?
— E você é teimosamente leal. — Eles se olharam por um instante mais longo do que deveriam. sorriu de leve. — Você confia em mim?
— Quase sempre. — Respondeu ela, com um meio sorriso. — E isso já é muito. Agora vem logo, que tão querendo jogar alguma coisa lá fora. Jogo de verdade, não esses joguinhos de sedução adolescentes que você e seus amigos tão presos há três anos.
— Eu? Seduzindo?
— É, só que do jeito mais lento do planeta. — Provocou ela.
Do outro lado do jardim, se esgueirava até , que estava de costas, distraída, ajeitando o local onde ia acontecer o jogo. Almofadas, caixas de cerveja e uma mesa com petiscos espalhados indicavam que aquele seria o centro da bagunça da noite.
— Se você parar de me ignorar, prometo nunca mais misturar ketchup com fruta.
Ela nem se virou.
— Promete também parar de usar camisa xadrez em festa?
— Agora já tá exagerando.
— Vamos ver se você aguenta esse desafio, . — Olhou por cima do ombro, divertida, e arqueou uma sobrancelha. Ele sorriu, já satisfeito só com o convite implícito. Então, ergueu uma garrafa vazia no centro da roda, teatral. — Verdade ou consequência! Clássico, cafona e 100% obrigatório.
Ryan já começou a aplaudir, bêbado demais pra ter filtros, Rachel e Maya se sentaram com potes de salgadinhos, e Tyler ocupou lugar estratégico com o celular na mão, pronto pra filmar os momentos mais constrangedores. sentou ao lado de , o joelho quase encostando no dela.
— Só tô aqui porque quero garantir que ninguém ouse desafiar você a beijar o Ryan.
— E quem disse que eu recusaria?
fingiu desmaiar, dramático.
— Você quer me matar, é isso?
— Você é um idiota, . — Ela riu.
— Um idiota que pensa em você até quando vê ketchup. — Respondeu ele, tentando parecer confiante, mas já vermelho até a raiz do cabelo.
Ela o encarou com surpresa por um segundo, desviando os olhos depois, apesar do sorriso permanecer ali. Enquanto a garrafa girava e os gritos começavam, puxou discretamente pelo braço. as viu se afastando e foi atrás, curiosa.
— Onde vocês vão? Tão fugindo do jogo? — Perguntou, rindo.
— Só um minutinho… — disse , sem parar. — Preciso conversar com a antes que ela exploda. — As três pararam num canto mais afastado do jardim, perto de uma cerca coberta de plantas. virou-se de frente pra amiga. — Tá tudo bem?
— Não sei. — passou a mão nos braços, nervosa. — A gente conversou, meio que discutiu, e eu…
Ela hesitou e colocou a mão no ombro dela.
— E você ainda sente…
— Como você…
— Porque eu conheço vocês dois… e eu sei que, assim como ele ainda mexe com você, isso é recíproco.
mordeu o lábio.
— Eu queria odiar ele… eu tentei. Mas quando ele me olha, parece que tudo volta.
— O problema é que nem sempre a gente sente o que é mais fácil. — Disse , com um suspiro.
— E nem sempre o que parece certo é o que a gente consegue controlar. — Completou .
riu, meio sem graça.
— Desde quando vocês ficaram tão sábias?
— Desde que a gente cansou de ver você se machucar. — A colombiana respondeu, firme. — Mas… se for pra você tentar de novo… eu quero que seja pelas razões certas… não pela saudade, muito menos pela culpa.
— Eu não sei se consigo confiar nele de novo. — Disse, por fim.
— Então começa devagar. — Sugeriu . — Você não precisa decidir tudo hoje, mas também não precisa fugir mais.
respirou fundo, tentando absorver tudo. Na roda, a garrafa girava de novo. Todos gritavam, riam e provocavam, mas os olhares falavam mais alto que as palavras. a observava de longe, agora entre as duas amigas, percebendo que ela ainda parecia pensativa e distante, mas não fria. também viu o trio e murmurou algo para si mesmo. , antes de voltar à roda, lançou um último olhar de alerta para ele, como quem diz “ainda tô de olho”. , por sua vez, continuava ao lado de , e em um raro momento de coragem, sussurrou:
— Eu já disse que, se você me der uma chance, eu deixo o ketchup de lado.
mordeu o lábio, prendendo o riso.
— Isso é o mais romântico que você consegue ser?
— No momento, sim.
— Então talvez eu devesse dar uma chance também.
parou – literalmente –, como se não acreditasse.
— Sério?
— Cala a boca antes que eu me arrependa. — Disse ela, encostando de leve o ombro no dele.
E naquela roda, em meio a risos e desafios, tudo estava começando a mudar… ninguém sabia ainda se pro bem ou pro mal.

Mas estava mudando.


Continua...


Nota da autora: Essa foi a primeira fanfic que eu postei. Tem muita coisa diferente, começando pelo nome (Não vá morar nos Estados Unidos se...) kkkkkkkkkk. Eu tentei manter a essência principal da fic, mas acho que finalmente consegui fazer um desenrolar digno pra essa fic que é tão especial para mim. E é claro que eu tinha que postar ela no especial de 1 ano. Espero que vocês tenham gostado, porque esse final pede uma continuação e, sinceramente, eu não poderia estar mais ansiosa para escrevê-la.

🪐

Se você encontrou algum erro de codificação, entre em contato por aqui.
Para saber quando essa fanfic vai atualizar, acompanhe aqui.


Barra de Progresso de Leitura
0%