Independente do Cosmos🪐
Finalizada! Principalmente quando marcava algo com alguém e esse alguém se atrasava.
Ela odiava.
Era uma pessoa tão pontual e achava isso o mínimo para qualquer que fosse o compromisso. Até porque demonstrava interesse, certo?
Bom, era o que a mulher pensava.
Já havia perdido as contas de quantas vezes olhou em seu pequeno relógio de pulso verificando a hora mais uma vez.
Meia hora de atraso. Até então era normal. Era?
Passou uma das mãos no rosto e olhou para baixo, focando no balde de pipoca que segurava nos braços. Não conseguia disfarçar seu descontentamento com a situação e, como uma criança, enfiou uma das mãos dentro do balde pegando um bocado de pipoca, comendo em seguida.
Droga. Aquilo era horrível.
Primeiro que ela nem queria ir naquele encontro; não era tão fã de basquete, mas tinha cogitado a ideia de que talvez fosse interessante conhecer mais sobre o esporte e também, conhecer alguém diferente. Já tinha tanto tempo que não tinha um encontro. Estava tão acomodada, mas quando viu a insistência brilhar nos olhos de sua melhor amiga, não teve outra escapatória.
Acabou se dando por vencida. Talvez não fosse tão ruim...
Rolou os olhos.
Ruim não. Péssimo!
Murmurou consigo mesma e balançou o corpo levemente, tentando se aquecer. A noite estava gelada e ela conseguia sentir seu corpo estremecer a cada vento gelado que passava ali.
Se não fosse por estar se lamentando pelo atraso do seu até então, date, até poderia admirar a beleza que Seul trazia em todas as noites estreladas e o que mais ajudava ali era a iluminação do lado externo do estádio.
ouvia a voz animada dos torcedores passando por ali entrando no local e, por alguns segundos, quase sorriu sendo contagiada pela animação deles.
Ela não podia estar animada também?
Ergueu o pulso pela milésima vez e fechou os olhos brevemente, se dando por vencida ao ver que a pessoa que iria encontrar agora, estava mais de uma hora atrasada.
Será que era pedir demais ela simplesmente pegar seu carro e ir embora? Droga, se sentia tão idiota.
E, antes que pudesse reclamar ainda mais, sentiu o celular vibrar no bolso do jeans e o pegou com certa dificuldade, já que segurava o balde de pipoca nos braços.
Assim que pegou o aparelho, a pouca animação que a mulher tinha sumiu ao ler a curta frase que estava acesa no visor.
Até uma próxima.”
Até a próxima? Que droga de mensagem era aquela?
Ela tentou respirar fundo por alguns segundos e soltou uma risadinha incrédula, olhando ao redor. Não estava acreditando. Tinham furado com ela? Tinha ficado na mão? Na porcaria de um encontro às cegas?
Claro que queria sair dali o mais rápido possível para poder xingar sua amiga de todos os palavrões possíveis, mas não conseguia nem pensar direito naquela hora. Só sentia... Não sabia nem explicar.
Era tão ruim sair com ela assim? Para a pessoa nem aparecer?
sabia que não era uma das melhores companhias. Era um pouco introvertida, sempre fazia piadinhas sem graça, mas ainda assim se achava uma pessoa interessante.
Olhou em volta sentindo a decepção invadindo seu peito aos pouquinhos e só então percebeu que o jogo estava prestes a começar. Poucas pessoas agora estavam do lado de fora e algumas ainda tentavam comprar algum ingresso, ou até achar um perdido por aí.
Cogitou seriamente no que fazer. Poderia até ganhar uma grana boa vendendo o ingresso de última hora, ainda mais ali na entrada da quadra.
Pensou um pouco mais sobre o que faria até ver algo próximo a si.
Não algo, mas alguém. E bem desesperado, por sinal.
O observou por um tempo antes de tomar alguma decisão. Notou que o rapaz não parecia só desesperado, mas irritado por ter aparentemente chegado atrasado ao local. Ele tinha os cabelos negros escondidos pelo boné preto, mas sua pele clara contrastava com as cores escuras de suas roupas também pretas e azuis. Viu o quanto ele também parecia estar com frio, já que o casaco grosso apertava seu corpo, assim como a leve fumaça que saía da temperatura de sua boca.
E ele era bem atraente. Não tinha como não perceber.
Olhou para os ingressos em suas mãos e ergueu seu olhar para ele outra vez.
Será que deveria?
Hesitou por meio segundo e caminhou em direção à ele, que tentava conversar algo em frente à bilheteria.
— Fala sério… Não acredito que isso tá acontecendo.
O desconhecido passou às mãos pelos cabelos, nervoso, antes de se virar e se deparar com a mulher, um pouco mais baixa, perto de si.
Franziu o cenho, se perguntando se ela precisava de algo.
— Oi. Hm... Percebi que você não conseguiu ingresso e bom, eu ten—
— Sério?! Quanto você quer? É um dos meus times preferidos, não sabia que ia chegar atrasado e achei mesmo que conseguiria comprar aqui — ele até parecia aliviado e percebeu a leveza com que falava. O sorriso de canto do rapaz havia chamado toda sua atenção. — Desculpa. Tô um pouco agitado.
— Tudo bem, mas... Eu não tô vendendo.
Percebeu a expressão do rapaz murchar instantaneamente.
E, com isso, até achou fofo ao ver o bico que se formava em seus lábios, mesmo sem querer.
— Ah...
— Eu sei que vai parecer estranho. Não conheço nada sobre basquete, mas queria assistir um jogo pra saber como é — deu de ombros, apontando desajeitada para a entrada atrás de si. — E você parece alguém que conhece bastante. Será que… Se interessaria em ver comigo?
piscou algumas vezes ao ouvir o convite da mulher, pedindo até de forma engraçada. Achou sua reação curiosa ao se aproximar daquele jeito, agora mais ainda ao pedir algo como aquilo.
Ela realmente não parecia alguém que gostava de esporte, ainda mais sendo o basquete, mas pôde notar que, além da mulher querer saber mais sobre o jogo, tinha algo que a incomodava.
Quem em sã consciência teria dois ingressos nas mãos e estaria ali sozinho?
Ele desviou os olhos da mulher para o estádio e conseguiu ouvir o som histérico dos torcedores gritando o nome do seu time.
Sentiu o coração acelerar.
Talvez não fosse tão ruim assim estar acompanhado, certo? E ela não parecia ser uma pessoa que incomodava.
Balançou a cabeça assentindo e, novamente, deixou um sorriso tímido brotar em seus lábios.
E sentiu o coração palpitar diferente.
— Claro. Vai ser interessante.
O enorme ginásio Jangchung parecia pequeno demais e podia concordar muito bem com aquilo. Se sentia espremida com as milhares de pessoas ao redor gritando e gesticulando eufóricas e nem um pouco normais.
Não para ela.
Não conseguia tirar os olhos da multidão e do seu balde de pipoca nos braços. O segurava como se a qualquer momento alguém pudesse tirá-lo da mulher e começava a pensar que a melhor opção antes de entrar ali era mesmo ir para casa.
Aquilo tudo era uma loucura. O que é que tinha passado na sua cabeça, afinal? Respirou fundo, quase sentindo falta de ar e, como em um vulto, observou as costas do rapaz que havia convidado, faltando pouco para estarem coladas em seu rosto.
— Tá tudo bem aí? — virou o rosto e deu um sorrisinho ao ver o desespero no rosto da mulher atrás de si.
— Claro! Tirando o fato de que nem sei seu nome e tô te acompanhando — disse irônica, olhando em volta. — Toda vez é isso?
— Senão pior, com certeza — respondeu um pouco mais alto ao desviarem de algumas pessoas agora entrando na fila em que ficavam seus assentos. Ele, toda vez que andava um pouco, olhava para trás verificando se ela ainda estava perto de si. — , prazer!
— O quê?
perguntou novamente, sem entender muito bem por conta do alvoroço. Ele se virou parando bruscamente ao encontrar as cadeiras dos dois.
A mulher não percebeu a parada do mesmo e trombou seu corpo no dele.
— Meu nome. É . E você, como se chama?
Por alguns segundos, se sentiu um pouco perdida com o olhar espontâneo do rapaz à sua frente e piscou algumas vezes, tentando desviar.
— .
— Bom, , espero que você goste de um barulho. É o que mais vai ter por aqui — piscou, se sentando ao seu lado logo depois.
Ela suspirou sem saber muito bem como responder, mas resolveu esquecer sobre aquilo e tentar focar no jogo que tinha acabado de começar. E, precisava confessar que estava um pouco nervosa, não só por ter tanta gente em volta de si, mas também por estar com um desconhecido do seu lado, a acompanhando. Só não percebeu que toda aquela sensação ia sumindo aos poucos quando começaram a conversar aleatoriamente a partir do primeiro ponto feito pelo time que o rapaz torcia.
A emoção brilhava nos olhos de e começava a achar incrível como ele conseguia demonstrar tamanha alegria só sorrindo e erguendo os braços.
Ele estava animado demais.
Era contagiante, tanto que a mulher já gritava a plenos pulmões junto à ele.
— Vamos, KT SONICBOOM! — colocou as duas mãos ao redor da boca e gritou mais uma vez, ouvindo a gargalhada do rapaz.
estava fascinado. Ela era mais incrível do que havia imaginado. A energia que estava demonstrando era fora do normal e ele só conseguia observar em como sua risada era gostosa, e em como ela gesticulava assim como ele.
— Não acredito que falta tão pouco agora para eles ganharem! — jogou os braços para cima, jogando seu corpo na cadeira ao lado de . Com isso, sorriu. — E acredito muito menos que tô me divertindo em um jogo de basquete.
Ela o olhou e pôde ouvir sua risada nasalada. Só conseguiu sorrir ainda mais.
— O basquete faz milagres. Fico feliz que tenha descoberto isso — piscou, enfiando uma das mãos no restante que tinha no balde de pipoca. Em seguida, colocou na boca. — Oh!
Aquele havia sido o grito agitado de ao ver o capitão do time, Yeong-hwan, marcar mais um ponto na cesta. Os olhos do rapaz estavam arregalados e algumas pipocas haviam voado para qualquer que fosse o lugar.
só conseguia gargalhar ao ver a emoção do rapaz.
— Você viu isso?! — perguntou, apontando.
— Eu vi! — se levantou no mesmo instante em que a plateia começava uma comemoração completamente desnorteada e nem um pouco rítmica. — Yeong-hawn!
Gritou jogando os braços para cima e riu junto a ela. Era nítido o quanto os dois estavam se divertindo na presença um do outro e nenhum deles havia imaginado que, naquela noite, se conheceriam. Ainda mais de forma tão inusitada.
, há momentos atrás, não imaginava que conseguiria um ingresso bem de última hora e não imaginava que se divertiria tanto como estava se divertindo ali.
As coisas eram engraçadas.
— Preciso confessar que essa noite tá sendo muito melhor do que imaginei — comentou, olhando para ele. — E eu jurava que se demorasse um pouco mais, iria pra casa.
— Ainda bem que não foi — disse, sincero, a olhando também. – E eu fico feliz que você tenha me convidado no último segundo, mas admito que fiquei bem curioso.
— Com o que?
— Bom, você tava sozinha e tinha dois ingressos nas mãos — soltou uma risadinha, a empurrando com os ombros. — Alguém te deu o bolo?
— Eu tinha um encontro às cegas. Só não sabia que literalmente iria ser às cegas mesmo — rolou os olhos, tentando não pensar muito naquilo, mas sorriu. — Foi melhor não ter acontecido.
— Concordo. Quem é que desmarca com uma pessoa tão legal como você? — murmurou, fazendo com que olhasse rápido em sua direção.
— O qu—
— Olha! — ele disse, apontando para frente. Ela continuou o olhando por meio segundo antes de virar o rosto para onde ele apontava. — Parece que todos estão nos vendo.
— Não acredito! — colocou as mãos na boca, segurando a risada ao ver sua imagem estampada no enorme telão ao lado de . Ele ria fraquinho ao vê-los sendo apresentados a todos e, principalmente, ao ver a vergonha estampada no rosto dela.
— Não precisa ficar tímida. Ei, olha — estendeu suas mãos de encontro às da mulher ao seu lado, tentando tirá-las da frente do seu rosto. aos poucos foi cedendo e de forma tímida, deu um pequeno aceno em direção às câmeras.
— Que casal mais encantador! Tenho certeza que todos vão adorar ver o momento mais esperado dessa noite — o locutor dizia, tirando algumas risadas da torcida que preenchia o ginásio. Com sua fala, o que mais podia se ouvir eram os gritos de incentivo que vinham dos torcedores ao redor.
— Que momento?! — a mulher questionou, desviando o olhar do telão para ao seu lado.
Ele apenas arqueou os ombros e, antes que pudesse responder, ouviram a voz do locutor mais uma vez.
— Vamos lá! Não fiquem tímidos — ao dizer isso, o rapaz começou a sorrir. Era claro que ele sabia o que podia acontecer, mas não era como se dependesse só dele. E não que ele não quisesse. Ele queria. Mas será que queria o mesmo? — Se beijem!
E, com isso, os gritos inundaram o Jangchung misturados com as risadas altas. só conseguia arregalar os olhos com o pedido e, como mágica, havia paralisado.
Como assim queriam que ela e se beijassem? Logo na frente das câmeras e sendo mostrados em um enorme telão? Precisava confessar que a ideia era engraçada e até que estava gostando do que acontecia, mas sua vergonha falava muito mais alto.
era tudo o que ela não imaginava. Educado, engraçado e bem-humorado. Os dois se deram bem logo de cara e ela não havia pensado que aquilo aconteceria tão cedo com outra pessoa.
Lentamente virou o olhar até encontrar o dele, ainda com os gritos vindo das arquibancadas próximas e piscou algumas vezes, sentindo seu coração à mil dentro do peito.
— Será que vai rolar? – ouviu um dos torcedores atrás dos dois gritar, rindo em seguida com o restante e aquele pequeno ato fez sorrir um pouco.
Que mal teria de fazer algo espontâneo assim? Quase não vivia para ela, por que não começar a mudar isso justo naquela noite?
— Só se você quiser — sussurrou.
— Eu quero.
E então ele se aproximou, levando uma de suas mãos até a nuca da mulher, a puxando para perto. Os dois sorriram minimamente com a curta proximidade e como se não houvesse mais espaço, se beijaram.
não soube descrever ao certo o porquê seu coração batia tão acelerado, da mesma forma que se sentia ansiosa pelo que acontecia.
Era possível ouvir a explosão de elogios, gritos e até mesmo vaias engraçadas, tudo pelo beijo dos dois. E eles só tinham certeza de que não queriam parar nem tão cedo.
— Eu sabia que vocês eram um casal. Obrigado por participarem do nosso famoso Kiss Cam!
e se separaram em meio a risadinhas e com pequenos acenos se despedindo da câmera, só então se observando pela primeira vez depois do beijo.
Manteve os olhos na mulher à sua frente, se perguntando como é que nunca haviam se esbarrado antes em qualquer lugar da cidade. Como é que não tinha a conhecido antes?
Havia adorado a companhia de .
E ela pensava exatamente a mesma coisa.
— O jogo tá acabando — comentou, ainda sem tirar os olhos de . Naquele ponto, não queria nem saber se seu time ganharia, contando que ela respondesse bem a sua pergunta. — E sei que vai parecer louco, mas queria muito terminar ou começar novamente o que fizemos agora.
— O que você me propõe? — perguntou, olhando também.
Os dois tinham um pequeno sorriso no rosto.
— Minha casa. E uma pizza. O que me diz?
— Perfeito — piscou, dando um sorrisinho. — Sua casa e uma pizza.
Com isso, se aproximaram mais uma vez. podia jurar que aquele era o melhor beijo da sua vida. não concordaria mais.
E o resultado do jogo? Bom, ficaria para bem depois.
Buzzer Beater - arremesso feito no estouro do cronômetro. O qual ninguém esperava, normalmente dando vitória à equipe.

