Autora Independente do Cosmos 𓂃🖊
Finalizada em: julho.25
Gerald riu alto do outro lado da linha. revirou os olhos, virando a cabeça para vasculhar o apartamento em busca de algum outro post-it com a letra inclinada de Donnie, mas não viu nada. O único papel estava pousado em cima do figurino devidamente dobrado em cor vermelha e branca que pertencia a, bem… ao cachorro.
— Ele pediu pra levá-lo ao pet shop, o acordo não incluía levá-lo para a festa também! O que eu faço?
— Não esquece de colocar a coleira nele. — respondeu Gerald, abafando mais uma crise de riso, fazendo revirar os olhos. — E tome conta para que ele não seja expulso na sala de espera. Ouvi dizer que ele é um pouco temperamental.
— Ah, fala sério. — bufou, abaixando-se e estendendo a mão para acariciar a cabeça do poodle, que Donnie chamava de Goodall. O cachorrinho fez questão de agradecer o carinho com muitas lambidas. — Se fosse em qualquer outro dia, não teria o menor problema. Mas hoje é a festa da empresa. E eu marquei de encontrar a–
parou. Ele não se lembrava de até onde Gerald sabia — ou até onde ele poderia saber. Com uma risadinha gentil, o amigo suspirou.
— É, bem que eu gostaria de ter um encontro hoje também. — ele estalou a língua de forma divertida. — Acha que você e vão conseguir ficar sozinhos?
— Shiu! Se você falou isso alto no meio do estúdio, eu te mato. — rosnou , sentindo o corpo ficar rígido. Ele rapidamente olhou para os lados, mesmo que não houvesse a menor necessidade; só havia ele e Goodall no apartamento de Donnie. — E não é ficar sozinho com ela desse jeito. Só é mais interessante conversar a sós com a pessoa quando se encontram pessoalmente pela primeira vez. Pelo menos foi o que ela também deu a entender.
— Sei, sei, deve ser mesmo chato trocar mensagens por três meses e nunca ter nem sentido nem o cheiro dela. — zombou o outro. Era fácil falar daquele jeito longe de , que vestia ódio como uma cruel segunda pele a cada vez que tratavam daquele assunto sem a devida seriedade.
retrucou:
— De nada vai adiantar sentir o cheiro dela enquanto o meu vai ser… bem, o Goodall vai fazer isso por mim.
— Não pensa nessas merdas, . Donnie ficaria decepcionado com você. — e soltou um longo suspiro, ouvindo um leve latido de Goodall do outro lado. — Olha, você prometeu isso à ele tem pelo menos duas semanas, ele está ocupado com os slides da apresentação de hoje, então quanto mais cedo você fizer isso, melhor. Chegando lá você devolve o Goodall ao seu legítimo dono e pode ir procurar sua garota em paz.
— É, vou me concentrar nisso. — respondeu enquanto apertava as mãos em torno do peito de Goodall quando este tentou pular em cima das roupas organizadas ao lado. — Te vejo mais tarde. Me deseje sorte.
— O que será, será. — Gerald riu e, então, desligou a chamada.
A neve era a pior parte.
Conduzir Goodall em uma linha reta e tentar convencê-lo de que não era o melhor momento para pisar loucamente em poças de gelo derretido parecia ser uma tarefa impossível. Quando estava com Donnie, se recordava de um cachorro manso e obediente. Ali, ele estava se mostrando uma verdadeira criança birrenta. Da forma como puxava por aí, era claro quem estava no controle da situação, e não era o humano com a coleira.
Quando correu pelo asfalto molhado e cheio de lama pela terceira vez, o rapaz já tinha desistido de voltar para casa limpo. Seus tênis estavam arruinados pela areia preta e grudenta, e os dois tropeções aqui e acolá o fizeram chegar à porta do estabelecimento em condições precárias.
O pet shop estava relativamente vazio. Um senhor aguardava o check-out de seu belíssimo husky siberian, que exalava um perfume doce e agradável pelo hall. conseguiu que Goodall se mantivesse em seu colo sem entrar em surto, o que acarretou mais sujeira para sua camisa por causa das patinhas em movimento, mas o que mais ele poderia fazer? Aquela era a situação até que o animal estivesse devidamente seguro nas mãos dos profissionais.
O que estou fazendo aqui?, pensou ele enquanto se mantinha atrás do cliente.
Goodall se mexeu de uma forma estranha e rápida, e prendeu a respiração. Por favor, não queira usar o banheiro agora. Você, como cão, tem o direito de se esvaziar em qualquer lugar, mas agora não, me entendeu?
Deus, já não bastava a lama e a neve, e agora isso…
Hoje com certeza apontava para não ser um bom dia.
esperava acordar e passar o dia pensando na noite. Ele não podia ser considerado o cara mais vaidoso do mundo, mas aquela festa era diferente, ele precisava se importar com sua imagem. Era a festa em que precisava parecer bem, precisava que ela o notasse de verdade.
Goodall se mexeu novamente, contorcendo-se em latidos frenéticos. trincou os dentes, segurando-o em desespero.
— Goodall, qual é o problema? — o cachorro continuou a latir, olhando para suas costas. não viu alternativa a não ser verificar.
Um outro poodle berrava logo atrás, este com um laço rosa e uma roupinha da mesma cor. Goodall se agitou ainda mais quando viu que sua comunicação era recíproca e se viu sem saída a não ser soltá-lo no chão, sentindo os arranhões de suas unhas por todo o braço. Ele praguejou e viu os dois animais grunhindo e se lambendo, em um estranho cumprimento canino.
— Brandy! — a voz de uma garota surgiu da entrada junto com seus passos apressados. Ela se abaixou imediatamente ao lado da companheira de Goodall, pegando-a no colo. — Minha nossa, me perdoe por isso, eu estava com ela e de repente…
Sua fala se perdeu quando ergueu os olhos para ver o garoto. engoliu em seco. Goodall pulou em suas pernas, latindo em busca de colo. Ele levou quase um minuto inteiro para atender ao pedido do cachorro, puxando-o para o peito.
— Ah… Oi, . — disse , acariciando a cachorra, que olhava atentamente para Goodall.
— O-oi. — foi o que conseguiu responder. Tudo gelava dentro de si. Depois de ficar absorto por um momento na situação, ele se tocou de seu estado e olhou rapidamente para seus pés, envergonhado. — Não esperava te ver aqui. Eu estou… Deus…
soltou uma risada. Fofo, ele é muito fofo.
— Pelo visto viemos fazer a mesma coisa. — ela inclinou a cabeça para Goodall. — Como é o nome dele?
— Nome de quem? — perguntou aéreo. — Ah! O cachorro! Esse é o Goodall, que me trouxe pra passear hoje, como pode ver. — contou. Ela riu novamente. — Mas não sou o dono dele, caso contrário acho que ele teria se comportado melhor. Ele é do Donnie. Donnie Astin, sabe? Chegou a conhecê-lo?
— Oh! Donnie, sim, sim! Ele sempre leva salgadinho de queijo pros estagiários. Trata a gente melhor do que a maioria. — afirmou. assentiu em compreensão. — Mas… Você vai fazer o check-in do Goodall?
levou um tempo até arregalar os olhos e olhar para trás, vendo que a recepção estava agora vazia e pelo menos duas funcionárias os encaravam com seriedade. Ele deu uma risada sem graça e corou.
— É… É, é isso que vim fazer, dá licença.
O rapaz andou até o balcão, praguejando internamente, odiando toda a destrambelhação que se metia e todo o azar depositado nele justo com aquela pessoa. Era para ela vê-lo à noite, arrumado, com um bom perfume francês que ganhou de presente de Gerald, e não atolado em lama e neve, com a face vermelha de frio e de descontentamento. Não era para ser assim.
Ao finalizar o check-in, ele suspirou e fez um carinho em Goodall, que balançou a cabeça com satisfação antes de ir para seu dia de rei nos braços de um funcionário. Voltando-se para trás, viu e seu sorriso tomarem o lugar na recepção. não soube o que fazer por um momento. Deveria ir embora sem se despedir? Ou se despedir e ir embora de qualquer jeito? Pensar o fazia dar passos lentos, bem lentos, olhando para trás na espera de um sinal, de qualquer coisa que o dissesse que não seria estranho se ele a esperasse.
A garota foi mais rápida no processo, terminando com um belo cumprimento de agradecimento e caminhando até .
— Parece que eles se gostaram, não é? — ela brincou, se referindo ao flerte de Brandy e Goodall.
— É, acho que o Goodall não teve muito contato com fêmeas nos últimos anos. — falou e ela riu. Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes.
— Então, o que vai fazer até eles ficarem prontos?
— Bem… Ainda não tenho planos. — e realmente não tinha. só esperava voltar para a casa de Donnie e assistir documentários sobre astronomia até que o telefone tocasse.
— Tá afim de ir tomar um café? — perguntou cautelosa. Suas bochechas automaticamente ficaram vermelhas e ela gesticulou com as mãos. — Quer dizer, eu sei que vai ser chato se alguém da empresa nos pegar, mas a cafeteria é dos meus tios então tenho certeza que consigo pensar em uma desculpa. E você me disse daquela vez que gosta de café gelado em dias frios, e–
— Eu aceito. — respondeu rápido demais. — Quer dizer, eu topo. Não tem problema.
deu um sorriso de canto e assentiu, começando a caminhar para fora enquanto puxava o capuz de seu moletom rosa. a seguiu, mantendo-se um pouco mais atrás, tentando se livrar de todos os pensamentos imediatistas que o deixavam parecendo um robô.
— Está animado com a festa de hoje à noite? — perguntou ela.
Ele deu uma risada fraca.
— Mais ou menos. Vai ser como qualquer outra. No final, os banheiros vão estar cheirando a vômito e cerveja. — deu de ombros. Na verdade, mal consegui dormir no dia anterior pensando em como ia te encontrar e qual o melhor tópico para falar com alguém que você gosta, e ah, por Deus, é claro que não seria como qualquer outra!
— Isso contradiz bastante coisa sobre a organização da Hanks. — ela fez uma careta.
— Bem, juntar um bando de contadores cansados em um lugar repleto de drinks e comida não podia dar em outra. Ano passado fiquei sabendo que alguém usou uma caneta vermelha para escrever “BELZEBU” na parede do banheiro e o número do diretor executivo logo embaixo.
soltou uma gargalhada. andou mais perto. Uma fina neve caía no capuz dos dois. Então, ela apontou para frente na direção de um letreiro pequeno de um lugar estreito e disse:
— É ali. A cafeteria mais quente e confortável da cidade.
Ele sorriu, encarando o lugar com curiosidade. Era difícil imaginar que ele escolheria um lugar daqueles normalmente, com seus outros amigos. Mas algo o dizia que seria quente mesmo — assim como seu coração estava se sentindo.
— Vou confiar em você.
balançou a cabeça e sorriu.
— Vai ser um prazer conhecê-lo no Natal, .
f i m.
NOTA DA AUTORA › Se você chegou até o fim, queria só dizer: obrigada por ter lido!
Eu sempre quis testar minha capacidade em escrever uma história com doguinhos, e esse teste saiu bem curtinho porque ele é exatamente o que eu rotulei: um teste. Porém, no meio disso, comecei a acreditar que esses "serumaninhos" são sempre a desculpa perfeita pra gente, os humanos cabeça-dura de verdade, se conectarem de uma forma mais real (fora de qualquer tela). Portanto, Sam e Murron ainda são só uma divagação da minha cabeça, mas quem sabe me impulsionem a fazer algo mais longo (levando outra versão de Goodall e Brandy, claro).
Até a próxima história ɞ
Eu sempre quis testar minha capacidade em escrever uma história com doguinhos, e esse teste saiu bem curtinho porque ele é exatamente o que eu rotulei: um teste. Porém, no meio disso, comecei a acreditar que esses "serumaninhos" são sempre a desculpa perfeita pra gente, os humanos cabeça-dura de verdade, se conectarem de uma forma mais real (fora de qualquer tela). Portanto, Sam e Murron ainda são só uma divagação da minha cabeça, mas quem sabe me impulsionem a fazer algo mais longo (levando outra versão de Goodall e Brandy, claro).
Até a próxima história ɞ
Se você encontrou algum erro de revisão, entre em contato por aqui.
0%
