Autora Independente do Cosmos 𓂃🖊
Finalizada em: julho.25
A previsão do tempo tinha sido bastante imprecisa sobre isso, mas ela, de fato, estava lá: a neve infame, fina e gelada, caindo aos montes no asfalto e se aglomerando nos cantos da calçada. Uma paisagem que só contribuía para que quisesse ainda mais ficar em casa.
Essa regalia até seria possível, se sua namorada não fosse Close.
— O que está fazendo? — a voz dela surgiu bem na hora. levantou os ombros de susto, voltando-se para a garota rapidamente enquanto escondia uma das mãos nas costas.
— ! Achei que tinha que vigiar os biscoitos de perto.
A garota estreitou os olhos, seguindo o movimento furtivo das mãos dele. Provavelmente ele não a ouvira falar que os biscoitos ainda demorariam mais uns dez minutos, e sua distração silenciosa poderia significar apenas uma coisa.
A noite toda. Ela o incomodou com isso a noite toda quando foi pego em flagrante pela última vez. Então disse:
— Um cigarro mede 78mm, então pelo tempo ele já deve estar com 55mm, estou errada? — uma sobrancelha foi levantada com confiança. baixou os ombros, derrotado. — O fio da fumaça não sairia por inteiro na avenida lá fora, meu bem, os ventos estão fortes, não é como se eu não fosse perceber. Vai, me dá isso.
bufou, revelando as mãos escondidas e o cigarro queimando entre os dedos. Viu se aproximar devagar, com uma carranca de repreensão de quem foi a representante de turma da escola por três anos consecutivos, e pegar a bituca. Porém, em vez de se apressar para jogá-lo no lixo mais próximo, a garota levou o cigarro aos lábios, tragando com força até que os 55mm diminuíssem bruscamente. arregalou brevemente os olhos, soltando uma risada desacreditada.
— Você me enganou!
— Eu não sou uma celebridade. — zombou ela. O rapaz colocou uma das mãos na nuca, olhando ao redor para toda a decoração natalina. Não havia nem sinal de uma melhora no tempo. Tinha fogo na lareira, pisca-piscas nas paredes e agora sua garota estava usando sua camisa grande e larga, com meias vermelhas nos pés e um cigarro na mão, andando entre a sala e a cozinha a espera de duas dúzias de biscoitos de melão ficarem prontos para serem levados até a grande festa de Natal na casa nova de Robin mais tarde.
Mas quem ia querer sair daquele ambiente com esse tipo de aesthetic? A noite perfeita de Natal estava bem ali ao lado de , e nada o convenceria do contrário.
Em contrapartida, a garota preferia o mesmo, lá no fundo. parecia cansado de tantas noites maldormidas, resultado de gravações e compromissos com sua agência, e o acúmulo de trabalho que sempre vinha no final do ano para quem era o rosto de tantas marcas de perfumes, grifes e outdoors da Times Square. odiava vê-lo assim, mesmo que nunca se queixasse, mas nada que ela pensou soava como algo que pudesse realmente lhe dizer. A festa, para todos os efeitos, também era uma extensão do trabalho. Afinal, se tratava de Robin Hill, astro do rock juvenil e amigo de infância de seu namorado. Um cara totalmente descompensado, com muito dinheiro e pouco juízo, mas que sempre tinha e dizia a coisa certa caso você quisesse algo para passar por alguma coisa difícil.
, por mais que quisesse sair correndo, não toleraria negligência com o compromisso. Portanto, era melhor levantar um pouco a cabeça e passar por aquilo com o pensamento nos dias de folga que viriam logo depois.
— Achei que poderíamos procurar aqueles seus brincos perdidos com radiestesia. — disse ele, em um leve tom debochado. — Ou quem sabe as antigas latas de cerveja que ainda não levei pra reciclagem.
olhou por sobre o ombro, franzindo o cenho, mantendo o cigarro preso entre os lábios.
Foi isso que levou Close para a Califórnia em primeiro lugar: meses de radiestesia e pesquisa. Ela era uma paleontóloga formada cedo demais por ser inteligente demais, e isso a tornava primariamente uma pessoa sem muitas experiências sociais. Apesar disso, uma linha bem precisa parece ter sido traçada para que ela chegasse até onde estava, e com quem estava. Ela e se encaixavam nas mesmas coisas, incluindo a grande vontade inata de ficarem sozinhos, o que se transformou em gostar de ficar sozinhos juntos.
Talvez o universo tenha decidido que dariam certo depois de terem dado a volta na cidade com uma varinha de radiestesia e um leitor de frequência eletromagnética, trocando os instrumentos entre os dois na busca por algum sinal de minério e carbono 16. A máquina havia indicado picos estranhos algumas vezes, o que fez os dois rirem e sentirem a varinha vibrar em sincronia, como mais um alerta de destino. inicialmente preferia tratar tudo como uma boa ilusão, porque em hipótese alguma esse cara gostaria dela de verdade.
Mas no fim, cá estava ela, andando pelo apartamento dele seminua, encarando as olheiras de um homem que não sabia diminuir o ritmo e pensando em como gostaria de cuidar de seu bem-estar para sempre.
— Se você se preocupasse consigo mesmo, Culkin, saberia que a neve é uma das minhas maiores inimigas. — ela cerrou os olhos, dando uma última tragada e passando ao lado dele para enfiar a bituca na janela. De repente, braços passaram por trás de sua cintura em um abraço enorme e protetor, assim como a voz dele surgindo em sua orelha:
— A neve é inimiga de todos essa noite, não parece bem melhor não ter que enfrentá-la?
sentiu um breve arrepio na nuca. Ela considerou colocar a questão de modo egoísta: Você não vai ser útil pra mim se for demitido e expulso da agência, nem todo mundo se dá bem em carreira independente, sabia? Quero namorar um gostoso que usa Carolina Herrera. Mas perceberia em um segundo que ela só estava fingindo (ele tinha uma percepção melhor do que os demais).
Em vez disso, disse:
— Culkin, não me provoca…
— Podemos pensar em um bom plano A pra enganar todos os nossos amigos, tipo pegar um atestado falso com aquele cara do sinal, mas acho que vamos ter que pensar em um plano B também, eles não são tão burros quanto eu gostaria.
A garota riu com vontade e tentou se soltar do abraço, mas só conseguiu ter o corpo virado e imprensado no peito dele, que a olhou de cima antes de roubar um beijo preciso e irresistível.
Esse era seu plano A. Ao levantar seu corpo do chão, as pernas dela se prenderam em sua cintura de forma automática. O sofá foi o destino mais próximo, onde deixou seu corpo cair ainda mantendo em seu colo. O plano B poderia consistir em ficar naquilo até que um dos dois chutasse o balde e voltasse ao que estavam fazendo no andar de cima, e tinha certeza que essa pessoa seria ele.
Porém, tinha uma consciência firme demais, que quase sempre era perdida dentro dos braços daquele homem, então tratou logo de afastar suas bocas e respirar fundo, procurando seu fôlego para que obrigasse o cérebro a voltar a funcionar mais depressa e pudesse ser coesa em suas próximas ações. Estar perto dele era um teste de sanidade, e hoje não era um bom dia para testes.
— Você não sabe mais se comportar? — ela trincou os dentes, mas no fundo queria rir. mordeu o lábio inferior e apertou mais sua cintura. Ela afastou suas mãos em uma falsa expressão de tédio. — Preciso tirar sua camisa da lavagem à seco no térreo. E os sapatos, você não os tirou da janela, né? Você podia conseguir uma parceira com aquela loja de móveis pra eles te fazerem uma sapateira. E a sua gravata, acho que tá no banheiro… — se levantou devagar, ajeitando o cabelo enquanto adquiria sua típica expressão pensativa. — Deus, daqui a pouco vou precisar desenhar um mapa dessa casa. Você nem sabia que tinha uma lavanderia no térreo.
— Não precisa desenhar nada, pode só morar aqui.
A proposta chegou aos ouvidos de devagar, e foi pegando-a como um soco à medida que era compreendida. Ela parou por um minuto inteiro antes de começar a rir, mas não durou muito depois que viu que ele não estava rindo. Nem sorrindo. O que já tornava toda a situação minimamente estranha.
Por fim, ela só conseguiu dizer:
— Ah, pára com isso. — e espalmou o ar com as mãos de um jeito desajeitado.
levantou logo em seguida, com a expressão leve e serena. Ele quase nunca ficava sério, e a percepção disso fez engolir em seco.
— Lembra quando a gente se conheceu? — perguntou, colocando uma das mãos na nuca da garota. — Em Malibu. Há dois anos. Você estava de calça e botas em um calor de 32º procurando fósseis na costa sozinha. Por causa de uma intuição. — ele frisou a palavra com um tom absurdo, o que fez rir pelo nariz. — Foi a coisa mais adorável que eu já tinha visto, mesmo que você só tivesse encontrado areia e grama morta. Ali eu não percebi, mas quando te encontrei de novo em Los Angeles, eu sabia que essas coisas de fios vermelhos e invisíveis de energia que unem as pessoas não eram tão baboseiras assim. Na verdade, pareceu ser bem óbvio.
Ela abriu a boca para responder, mas nada saiu imediatamente. Ao recuperar a voz, mais uma risada perplexa escapou.
— Vai começar com as declarações baratas a essa hora? — ela riu, mas seu coração martelava tão forte que era difícil se concentrar no que dizia. — Vai dizer também que fui feita especialmente pra você e que só estava esperando te encontrar?
— Mas é claro! Existe uma força superior que nos aproximou e nenhum dos seus papos darwinistas vai me fazer duvidar disso. — quis beijar aquele homem sem parar até o outro dia. Até a próxima semana. — E é por isso que essa coisa de perder tempo não cola mais pra mim. Não quero passar a vida toda conquistando só metade dos meus sonhos. Sou ambicioso, você sabe. Eu quero tudo. E você é a cereja do bolo.
— Não é como se você não me tivesse.
— Eu sei. Mas é algum pecado eu querer dormir e acordar com você todos os dias? — ele se aproximou mais. — É uma referência clara do quanto eu te amo: dividir a vida com você. Eu que nunca quis nada disso, agora quero dividir meu espaço com você, meus sonhos, meu plano de jardinagem, toda essa coisa que faz parte da vida de alguém. É só isso.
mordeu os lábios, baixando os olhos e se sentindo quilômetros menor do que de repente, como se estivesse em frente a um ultimato do tamanho de uma montanha. A tal linha que os unia devia ser fina e traçada a lápis, o que mostrava que quanto mais difícil fosse a jornada, maior seria a recompensa de segui-la. Analisando todas as possibilidades, a forma como encontrou era algo fantástico demais para não se acreditar em algo a mais. Milhares de hectares em uma ilha e um encontro fadado a acontecer.
Mesmo assim, não era como se ela pudesse ignorar a vida real.
— Mas… O seu trabalho… As pessoas mal sabem de nós.
— Todas as pessoas que precisam saber já sabem. — deu de ombros, acariciando a bochecha da garota. — O resto do mundo pode ficar à vontade para teorizar. Eles logo vão saber a verdade quando eu te pedir em casamento daqui a alguns anos.
Ele recebeu um tapa no ombro. Ela o olhou profundamente, como o olhou no meio daquelas árvores há 24 meses e como eles pareceram divinamente como o ponto de chegada ao longo da linha do destino.
E então, ela sentiu um cheiro estranho no ar.
— Os biscoitos!
arfou e correu até a cozinha. soltou uma risada e se virou para o aparelho de som. Ele trocou para Dream On do Aerosmith e se sentaria no sofá de novo quando a garota reapareceu no batente do cômodo, com uma cooking luva laranja em uma das mãos enquanto mordia o lábio inferior.
— Eu me pergunto — refletiu ela em voz alta — se você poderia ter duas ou três gavetas.
sorriu de forma elétrica. Era como se ela tivesse ligado uma bateria de carro a ele com aquele sorriso consentido. Ele queria abraçá-la e jogá-la para o alto, mas só conseguiu responder:
— O que você quiser. A casa é sua.
f i m.
NOTA DA AUTORA › Eu sei... fanfic de Natal em julho? Essa menina enlouqueceu?
Talvez um pouco, mas eu acho esses dois queridos um achado tão fofo que eles merecem apreciação atemporal. E de qualquer forma: no Brasil, é inverno. Vale a licença poética.
Obrigada por estar aqui mais uma vez. Até mais ɞ
Talvez um pouco, mas eu acho esses dois queridos um achado tão fofo que eles merecem apreciação atemporal. E de qualquer forma: no Brasil, é inverno. Vale a licença poética.
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