Revisada por: Aurora Boreal 💫
Finalizada em: Março/2026.
BRUISES
Era verão de um ano que eu simplesmente não me importava com nada. Minha família discutia, como sempre, sobre que tipo de massa preparar para o domingo. Italianos por parte de pai, com a tradição gravada no pulso: o molho que dança na panela, a textura certa da massa que se ergue como uma promessa de conforto. E, no entanto, minha mãe, com aquela voz que parece lembrança de estalos de madeira em uma casa antiga, lutava pelo churrasco perfeito, pela fumaça que desenha memórias no ar quente do meio-dia. Era a mesma discussão de sempre, repetida em loop, sem concessões.
A casa era nova, sim, ou pelo menos, parecia nova aos olhos de alguém que ainda buscava abrigo no acaso do campo. Ficar longe de tudo, longe de todos, tornou-se quase uma oração repetida em voz baixa: um refúgio, ou talvez uma armadilha. Eu sou meio controvérsia, vocês perceberiam. Não há como fingir que não vejo as contradições que me cercam. Amo a casa porque me protege da multidão, odeio-a por me manter isolada do que poderia me puxar para fora, para o barulho do mundo. A distância tem o seu magnetismo: o som suave do lago, o rumor invisível das margens, a areia que parece respirar sob meus passos. E, ao mesmo tempo, odeio o silêncio que o cercava; silêncio que parecia ouvir meus pensamentos com uma paciência enjoada, sem pressa para me libertar.
Eu gosto do lago. Gosto dele porque ele não me entrega respostas, apenas reflexos que dissolvem o meu próprio reflexo em mil pequenas peças. Odeio o silêncio exatamente por me obrigar a ouvir o meu próprio vazio, aquele espaço onde as dúvidas se acumulam como folhas mortas. Amo não ter nada para fazer e odeio ficar entediada, como se a falta de propósito fosse uma sombra que me persegue e, ao mesmo tempo, uma espécie de espelho que não quero encarar.
Sou controversa, repito comigo mesma, quase como um mantra que ainda não aprendi a recitar com naturalidade. Amo e odeio tudo e todos, sem meio-termo. Não tenho muitos amigos; sonho com a popularidade como se fosse uma porta giratória para opções, para noites sem o peso do tédio, para quem sair no final de semana. Mas adoro a solidão que me envolve quando o mundo parece menos real. Adoro criar músicas, compor playlists que nascem fervilhando na minha mente e, no entanto, as apago no fim do dia, cansada de ouvir sempre a mesma batida, esperando que a próxima canção chegue com nova respiração.
Minha irmã adorava deitar-se sob a macieira comigo, e juntas, cantávamos velhas canções, como se estivéssemos vivendo dentro de um musical onde as palavras emergem do nada e os espectadores aparecem apenas quando alguém decide aplaudir o sonho. Ela, tão determinada a encontrar seu músico neste vasto palco chamado mundo, que respira amor pela música de jazz, pela paixão que queima sem pedir permissão. Eu achava aquilo tudo uma tremenda bobagem e, ainda assim, adorava vê-la sonhar acordada, alimentando a crença de que o impossível poderia ter um dançarino escondido entre as nuvens.
Eu costumava não sonhar. O mundo parecia, para mim, menos fábrica de sonhos e mais fábrica de ruídos intermináveis que esvaziavam o peito. Aquelas promessas pareciam pesadas, e eu preferia não carregá-las. Então, não me dava ao trabalho de sonhar de verdade, mantendo os olhos abertos apenas o suficiente para perceber que a vida continuava, mesmo sem uma fantasia para guiar meus passos.
E então chegou o dia 25 de Junho — um dia que prometia apenas o calor sem fim que esmagava a pele, tornando cada respiração uma tarefa árdua. Era um daqueles dias em que o sol parece ferver a memória do mundo, deixando tudo mais claro, mais dolorosamente real. Ninguém suportava o calor infernal; o ar vibrava com a promessa de algo que não se diz em voz alta. Minha irmã, sempre com aquela faísca de otimismo que eu não conseguia acender em mim, sugeriu irmos ao lago. A ideia nasceu simples, quase banal: um alívio para o corpo cansado, talvez uma fuga para a cabeça que insistia em ficar pesada demais.
Nós, que éramos tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão irmãs na forma de ver o mundo, seguimos a trilha de terra batida que levava até a água. O calor não cedia; parecia respirar conosco, uma aliança incômoda entre o fogo do céu e o frio que o lago prometia. Enquanto caminhávamos, eu sentia a dualidade de quem sou: alguém que quer distância e, ainda assim, uma vontade quase imperiosa de me conectar, mesmo que de forma tímida, com aquilo que é simples e imediato — o som da água, o farfalhar das folhas, a presença silenciosa de minha irmã ao meu lado, que carregava consigo um sonho que eu não ousava aceitar para mim.
E ali, naquele instante específico, sob o sol que parecia medir cada respiração, eu percebi que o calor não era apenas do corpo, mas do tempo que passa e nos deixa marcas que não podem ser apagadas. O lago, com seus espelhos turbulentos, devolvia não apenas a nossa imagem, mas a nossa própria incongruência: a minha relutância em sonhar, a coragem reluzente da irmã, a família que discute e se alimenta de rituais, a casa que acolhe e aprisiona, o campo que promete liberdade e, ao mesmo tempo, assusta pelo vazio que deixa à distância.
— Uma péssima ideia — mamãe disse.
— Concordo — falei prontamente.
— Você mesmo já está com roupa de banho, — minha irmã rebateu. Rolei meus olhos.
— Se concorda comigo, por que está pronta para nadar no lago? — mamãe me questionou e eu fiz uma careta.
— Estou? Que roupa de banho? Que lago? — Girei pela sala, ouvindo minha irmã rir e minha mãe me acertar com uma almofada.
— Prometemos não demorar. — Mais uma promessa que não iríamos cumprir.
— Estou de olho em vocês. , leva a toalha — mamãe mandou e eu acatei.
Pegamos as nossas toalhas e atravessamos o jardim, seguindo a trilha que prometia dez minutos de distância entre o que era seguro e o que ainda não soubera nomear. No lago, não éramos os únicos; havia ali uma nova coreografia de vida, um rapaz de cabelo escuro e a pele chegava ser dourada, e duas moças, todos eles nadando como se o ar apenas não existisse para ninguém, como se o mundo pudesse ser dissolvido na água sem consequências.
Foi bonito. Foi exagerado. O exagero, porém, veio na forma do meu próprio ar: ele sumiu como se eu tivesse acabado de ser jogada no fundo do lago, sem fôlego, sem propósito, sem pista de saída. Um arrepio de silêncio que dissolveu tudo ao redor, até que o sorriso do rapaz de cabelos negros abriu um abismo de olhos profundos, encarando-me com uma curiosidade que parecia medir a minha coragem ou a minha falta dela.
Foi ali que tudo mudou sem que eu percebesse. Não era apenas a beleza dele, nem o modo como as ondas pareciam escrever o nosso destino na superfície; era a sensação de que, pela primeira vez, eu podia desejar algo sem sentir vergonha desse desejo. Desde aquele dia, descobri o que é sonhar, não com uma meta distante, mas com a presença atenta de alguém que faz o mundo, por um instante, parecer inteiro. E eu sonhei, noite após noite, com aquele rapaz que eu batizei de , porque em seus traços eu ouvi o eco de uma música que ainda não existia e, ao mesmo tempo, já parecia antiga.
Meu doce encanto. Meu doce sonho. Meu doce .
A casa era nova, sim, ou pelo menos, parecia nova aos olhos de alguém que ainda buscava abrigo no acaso do campo. Ficar longe de tudo, longe de todos, tornou-se quase uma oração repetida em voz baixa: um refúgio, ou talvez uma armadilha. Eu sou meio controvérsia, vocês perceberiam. Não há como fingir que não vejo as contradições que me cercam. Amo a casa porque me protege da multidão, odeio-a por me manter isolada do que poderia me puxar para fora, para o barulho do mundo. A distância tem o seu magnetismo: o som suave do lago, o rumor invisível das margens, a areia que parece respirar sob meus passos. E, ao mesmo tempo, odeio o silêncio que o cercava; silêncio que parecia ouvir meus pensamentos com uma paciência enjoada, sem pressa para me libertar.
Eu gosto do lago. Gosto dele porque ele não me entrega respostas, apenas reflexos que dissolvem o meu próprio reflexo em mil pequenas peças. Odeio o silêncio exatamente por me obrigar a ouvir o meu próprio vazio, aquele espaço onde as dúvidas se acumulam como folhas mortas. Amo não ter nada para fazer e odeio ficar entediada, como se a falta de propósito fosse uma sombra que me persegue e, ao mesmo tempo, uma espécie de espelho que não quero encarar.
Sou controversa, repito comigo mesma, quase como um mantra que ainda não aprendi a recitar com naturalidade. Amo e odeio tudo e todos, sem meio-termo. Não tenho muitos amigos; sonho com a popularidade como se fosse uma porta giratória para opções, para noites sem o peso do tédio, para quem sair no final de semana. Mas adoro a solidão que me envolve quando o mundo parece menos real. Adoro criar músicas, compor playlists que nascem fervilhando na minha mente e, no entanto, as apago no fim do dia, cansada de ouvir sempre a mesma batida, esperando que a próxima canção chegue com nova respiração.
Minha irmã adorava deitar-se sob a macieira comigo, e juntas, cantávamos velhas canções, como se estivéssemos vivendo dentro de um musical onde as palavras emergem do nada e os espectadores aparecem apenas quando alguém decide aplaudir o sonho. Ela, tão determinada a encontrar seu músico neste vasto palco chamado mundo, que respira amor pela música de jazz, pela paixão que queima sem pedir permissão. Eu achava aquilo tudo uma tremenda bobagem e, ainda assim, adorava vê-la sonhar acordada, alimentando a crença de que o impossível poderia ter um dançarino escondido entre as nuvens.
Eu costumava não sonhar. O mundo parecia, para mim, menos fábrica de sonhos e mais fábrica de ruídos intermináveis que esvaziavam o peito. Aquelas promessas pareciam pesadas, e eu preferia não carregá-las. Então, não me dava ao trabalho de sonhar de verdade, mantendo os olhos abertos apenas o suficiente para perceber que a vida continuava, mesmo sem uma fantasia para guiar meus passos.
E então chegou o dia 25 de Junho — um dia que prometia apenas o calor sem fim que esmagava a pele, tornando cada respiração uma tarefa árdua. Era um daqueles dias em que o sol parece ferver a memória do mundo, deixando tudo mais claro, mais dolorosamente real. Ninguém suportava o calor infernal; o ar vibrava com a promessa de algo que não se diz em voz alta. Minha irmã, sempre com aquela faísca de otimismo que eu não conseguia acender em mim, sugeriu irmos ao lago. A ideia nasceu simples, quase banal: um alívio para o corpo cansado, talvez uma fuga para a cabeça que insistia em ficar pesada demais.
Nós, que éramos tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão irmãs na forma de ver o mundo, seguimos a trilha de terra batida que levava até a água. O calor não cedia; parecia respirar conosco, uma aliança incômoda entre o fogo do céu e o frio que o lago prometia. Enquanto caminhávamos, eu sentia a dualidade de quem sou: alguém que quer distância e, ainda assim, uma vontade quase imperiosa de me conectar, mesmo que de forma tímida, com aquilo que é simples e imediato — o som da água, o farfalhar das folhas, a presença silenciosa de minha irmã ao meu lado, que carregava consigo um sonho que eu não ousava aceitar para mim.
E ali, naquele instante específico, sob o sol que parecia medir cada respiração, eu percebi que o calor não era apenas do corpo, mas do tempo que passa e nos deixa marcas que não podem ser apagadas. O lago, com seus espelhos turbulentos, devolvia não apenas a nossa imagem, mas a nossa própria incongruência: a minha relutância em sonhar, a coragem reluzente da irmã, a família que discute e se alimenta de rituais, a casa que acolhe e aprisiona, o campo que promete liberdade e, ao mesmo tempo, assusta pelo vazio que deixa à distância.
— Uma péssima ideia — mamãe disse.
— Concordo — falei prontamente.
— Você mesmo já está com roupa de banho, — minha irmã rebateu. Rolei meus olhos.
— Se concorda comigo, por que está pronta para nadar no lago? — mamãe me questionou e eu fiz uma careta.
— Estou? Que roupa de banho? Que lago? — Girei pela sala, ouvindo minha irmã rir e minha mãe me acertar com uma almofada.
— Prometemos não demorar. — Mais uma promessa que não iríamos cumprir.
— Estou de olho em vocês. , leva a toalha — mamãe mandou e eu acatei.
Pegamos as nossas toalhas e atravessamos o jardim, seguindo a trilha que prometia dez minutos de distância entre o que era seguro e o que ainda não soubera nomear. No lago, não éramos os únicos; havia ali uma nova coreografia de vida, um rapaz de cabelo escuro e a pele chegava ser dourada, e duas moças, todos eles nadando como se o ar apenas não existisse para ninguém, como se o mundo pudesse ser dissolvido na água sem consequências.
Foi bonito. Foi exagerado. O exagero, porém, veio na forma do meu próprio ar: ele sumiu como se eu tivesse acabado de ser jogada no fundo do lago, sem fôlego, sem propósito, sem pista de saída. Um arrepio de silêncio que dissolveu tudo ao redor, até que o sorriso do rapaz de cabelos negros abriu um abismo de olhos profundos, encarando-me com uma curiosidade que parecia medir a minha coragem ou a minha falta dela.
Foi ali que tudo mudou sem que eu percebesse. Não era apenas a beleza dele, nem o modo como as ondas pareciam escrever o nosso destino na superfície; era a sensação de que, pela primeira vez, eu podia desejar algo sem sentir vergonha desse desejo. Desde aquele dia, descobri o que é sonhar, não com uma meta distante, mas com a presença atenta de alguém que faz o mundo, por um instante, parecer inteiro. E eu sonhei, noite após noite, com aquele rapaz que eu batizei de , porque em seus traços eu ouvi o eco de uma música que ainda não existia e, ao mesmo tempo, já parecia antiga.
Meu doce encanto. Meu doce sonho. Meu doce .
O PRIMEIRO DIÁLOGO
Minha irmã estava nadando feliz da vida naquele lago como se fosse algo que ela queria fazer por sua vida toda. Achava totalmente exagerado também, mas diriam que eu era apenas mais uma garota amargurada. Talvez eu fosse. Talvez não. Talvez a vida que era amargurada e eu apenas a vivia da minha melhor forma. Quem éramos nós para saber o que é e viver e como fazer isso da forma correta, certo? Não existia forma correta. Existia apenas o viver.
A água estava gelada demais para mim, mas parecia estar tão quente e gostosa na pele dourada daquele rapaz, ele sorria e jogava água nas outras pessoas e então seus olhos vinham até os meus e seu sorriso se estendia para o lado. Era como se ele me contemplasse, mas a verdade era que quem o contemplava era eu. Impossível não quando ele era mesmo a personificação de sonho. Se alguém me perguntasse o que era de fato sonhar, eu diria que era como aquele sorriso que ele tinha em seus lábios, o seu tom de pele que me lembrava o verão, seus olhos que me faziam querer morar dentro deles e nunca mais sair.
Quem ele de fato era?
— A água fica ainda melhor de dentro do lago. — Ouvi sua voz gostosa falar perto de mim, então olhei para cima, vendo o mesmo se secando rapidamente e sorrindo abertamente para mim. — Eu sou o . — Estendeu sua mão para mim.
— Não duvido. Mas daqui onde estou está realmente bom. — Poderia ficar olhando para ele de onde estava mesmo. — — respondi, segurando sua mão e sentindo um arrepio forte quando ele a apertou.
— Por quê? Agora quero que me convença porque está melhor daí — pediu, rindo nasalado e me fazendo soltar um suspiro baixo. — Muito prazer, . — Piscou seus olhos lindos.
— Não consigo convencer nem a mim mesma das coisas, quem dirá outras pessoas. Não se deixe convencer por outra pessoa tão fácil assim, pessoas são manipuladoras. — Estalei a língua no céu da boca. — É mesmo um prazer? — ergui as sobrancelhas, torcendo os lábios.
— Gostei da sua sinceridade — comentou, lambendo seus lábios e se sentando ao meu lado. — E por que não seria um prazer? — Virou seu rosto e deixou seus olhos se aprofundarem nos meus como um lago profundo sem voltas para a superfície.
era um lago sem retorno.
— Ninguém gosta da minha sinceridade — falei, torcendo novamente meus lábios para o lado esquerdo. — Porque não sou uma companhia prazerosa. — Dei de ombros, mas adoraria ser para ele.
— Mas o meu nome é e não ninguém. — Riu baixinho, empurrando meu ombro de leve com o dele, me tirando um sorriso levinho. — Há controvérsias nisso. Aposto.
— Há controvérsias em tudo, — disse, olhando para cima e sentindo a brisa gostosa do lago lamber toda a minha pele.
— Se você pudesse ressuscitar alguém para ter uma conversa, quem seria? — Uni minhas sobrancelhas com aquela pergunta e soltei uma risadinha.
— Ninguém nunca me perguntou isso antes — comentei, ainda rindo baixo.
— Para de me chamar de ninguém — ele brincou, rindo também.
— Você está bem longe de ser ninguém — falei mais sério, engolindo a seco e encarando seus olhos mais de perto agora, vendo ele entreabrir seus lábios e soltar o ar de forma pesada.
— E você não respondeu minha pergunta. — Assisti a ponta de sua língua deslizar por todo seu lábio superior.
— Hitler — respondi prontamente e seus olhos se arregalaram.
— Para matá-lo de novo, certo? — perguntou, meio horrorizado.
— Talvez. Queria conversar com ele para ver toda a sua manipulação ao vivo, como te disse, as pessoas são manipuladoras. Mas ele era meio que a personificação disso. Por que não conhecer isso pessoalmente? — divaguei, cutucando minha bochecha internamente.
— Faz sentido e ao mesmo tempo é meio doentio. Você sabe, não é? — Riu um pouquinho e eu concordei.
— E você? — devolvi a pergunta.
— Ninguém — respondeu, sorrindo de lado.
— Oras… — Ergui as sobrancelhas e o olhei confusa.
— Acredito que todos que se foram tiveram suas missões cumpridas, por mais que alguns possam ter ido cedo demais. — Mordeu seu lábio inferior e voltou a me encarar.
— Faz sentido e ao mesmo tempo é meio doentio. Você sabe, não é? — repeti o que ele mesmo havia dito o fazendo jogar sua cabeça para trás e rir de um jeito gostoso.
Na verdade, ele riu de um jeito que me fez finalmente acreditar que a vida poderia sim ser realmente bela em todos os níveis de perfeição.
— Hmm… O que você faria se você soubesse que não pode falhar? Tipo nunca! — Abri um pouco mais o sorriso com suas perguntas.
Somente aquele rapaz fazia aqueles tipos de perguntas, nunca tinha conhecido outra pessoa que costumava fazer coisas assim do nada. Isso mostrava o quanto ele era único. O quanto não se importava em ser daquela forma, se iria agradar ou não. Mas ele me agradava. Ele costumava me agradar mais do que qualquer outra coisa.
— Não acredito em perfeição. Acredito que todos nós devemos falhar porque faz parte do nosso próprio amadurecimento. Faz parte da vida. Isso deve ser viver. Errar, corrigir, as consequências, errar de novo e aprender conforme os tropeços. Qual seria a graça se não houvesse falhas? — Seus olhos castanhos estavam absurdamente fixos e presos nos meus conforme eu ia falando, até perdi um pouco o ar pela forma intensa como ele me encarava.
Céus!
— Você não tem falhas — ele disse, extremamente baixo, quase como um sussurro.
— Tenho inúmeras — respondi, engolindo a seco.
— Não aos meus olhos. — Seus olhos desceram por todo meu rosto de forma bem lenta, fazendo o ar entrar cada vez mais devagar, não sabia que era possível respirar em câmera lenta, mas naquele instante foi provado que sim.
— Eles são perfeitos — comentei rapidamente, suspirando baixo e vendo ele sorrir abertamente.
— Nada comigo? — Estendeu a mão para mim.
— Prefiro olhar apenas. — Fiz um biquinho.
— Então olha — sussurrou no meu ouvido e se levantou, voltando para a água.
Poderia olhar para ele pelo resto da minha vida.
A água estava gelada demais para mim, mas parecia estar tão quente e gostosa na pele dourada daquele rapaz, ele sorria e jogava água nas outras pessoas e então seus olhos vinham até os meus e seu sorriso se estendia para o lado. Era como se ele me contemplasse, mas a verdade era que quem o contemplava era eu. Impossível não quando ele era mesmo a personificação de sonho. Se alguém me perguntasse o que era de fato sonhar, eu diria que era como aquele sorriso que ele tinha em seus lábios, o seu tom de pele que me lembrava o verão, seus olhos que me faziam querer morar dentro deles e nunca mais sair.
Quem ele de fato era?
— A água fica ainda melhor de dentro do lago. — Ouvi sua voz gostosa falar perto de mim, então olhei para cima, vendo o mesmo se secando rapidamente e sorrindo abertamente para mim. — Eu sou o . — Estendeu sua mão para mim.
— Não duvido. Mas daqui onde estou está realmente bom. — Poderia ficar olhando para ele de onde estava mesmo. — — respondi, segurando sua mão e sentindo um arrepio forte quando ele a apertou.
— Por quê? Agora quero que me convença porque está melhor daí — pediu, rindo nasalado e me fazendo soltar um suspiro baixo. — Muito prazer, . — Piscou seus olhos lindos.
— Não consigo convencer nem a mim mesma das coisas, quem dirá outras pessoas. Não se deixe convencer por outra pessoa tão fácil assim, pessoas são manipuladoras. — Estalei a língua no céu da boca. — É mesmo um prazer? — ergui as sobrancelhas, torcendo os lábios.
— Gostei da sua sinceridade — comentou, lambendo seus lábios e se sentando ao meu lado. — E por que não seria um prazer? — Virou seu rosto e deixou seus olhos se aprofundarem nos meus como um lago profundo sem voltas para a superfície.
era um lago sem retorno.
— Ninguém gosta da minha sinceridade — falei, torcendo novamente meus lábios para o lado esquerdo. — Porque não sou uma companhia prazerosa. — Dei de ombros, mas adoraria ser para ele.
— Mas o meu nome é e não ninguém. — Riu baixinho, empurrando meu ombro de leve com o dele, me tirando um sorriso levinho. — Há controvérsias nisso. Aposto.
— Há controvérsias em tudo, — disse, olhando para cima e sentindo a brisa gostosa do lago lamber toda a minha pele.
— Se você pudesse ressuscitar alguém para ter uma conversa, quem seria? — Uni minhas sobrancelhas com aquela pergunta e soltei uma risadinha.
— Ninguém nunca me perguntou isso antes — comentei, ainda rindo baixo.
— Para de me chamar de ninguém — ele brincou, rindo também.
— Você está bem longe de ser ninguém — falei mais sério, engolindo a seco e encarando seus olhos mais de perto agora, vendo ele entreabrir seus lábios e soltar o ar de forma pesada.
— E você não respondeu minha pergunta. — Assisti a ponta de sua língua deslizar por todo seu lábio superior.
— Hitler — respondi prontamente e seus olhos se arregalaram.
— Para matá-lo de novo, certo? — perguntou, meio horrorizado.
— Talvez. Queria conversar com ele para ver toda a sua manipulação ao vivo, como te disse, as pessoas são manipuladoras. Mas ele era meio que a personificação disso. Por que não conhecer isso pessoalmente? — divaguei, cutucando minha bochecha internamente.
— Faz sentido e ao mesmo tempo é meio doentio. Você sabe, não é? — Riu um pouquinho e eu concordei.
— E você? — devolvi a pergunta.
— Ninguém — respondeu, sorrindo de lado.
— Oras… — Ergui as sobrancelhas e o olhei confusa.
— Acredito que todos que se foram tiveram suas missões cumpridas, por mais que alguns possam ter ido cedo demais. — Mordeu seu lábio inferior e voltou a me encarar.
— Faz sentido e ao mesmo tempo é meio doentio. Você sabe, não é? — repeti o que ele mesmo havia dito o fazendo jogar sua cabeça para trás e rir de um jeito gostoso.
Na verdade, ele riu de um jeito que me fez finalmente acreditar que a vida poderia sim ser realmente bela em todos os níveis de perfeição.
— Hmm… O que você faria se você soubesse que não pode falhar? Tipo nunca! — Abri um pouco mais o sorriso com suas perguntas.
Somente aquele rapaz fazia aqueles tipos de perguntas, nunca tinha conhecido outra pessoa que costumava fazer coisas assim do nada. Isso mostrava o quanto ele era único. O quanto não se importava em ser daquela forma, se iria agradar ou não. Mas ele me agradava. Ele costumava me agradar mais do que qualquer outra coisa.
— Não acredito em perfeição. Acredito que todos nós devemos falhar porque faz parte do nosso próprio amadurecimento. Faz parte da vida. Isso deve ser viver. Errar, corrigir, as consequências, errar de novo e aprender conforme os tropeços. Qual seria a graça se não houvesse falhas? — Seus olhos castanhos estavam absurdamente fixos e presos nos meus conforme eu ia falando, até perdi um pouco o ar pela forma intensa como ele me encarava.
Céus!
— Você não tem falhas — ele disse, extremamente baixo, quase como um sussurro.
— Tenho inúmeras — respondi, engolindo a seco.
— Não aos meus olhos. — Seus olhos desceram por todo meu rosto de forma bem lenta, fazendo o ar entrar cada vez mais devagar, não sabia que era possível respirar em câmera lenta, mas naquele instante foi provado que sim.
— Eles são perfeitos — comentei rapidamente, suspirando baixo e vendo ele sorrir abertamente.
— Nada comigo? — Estendeu a mão para mim.
— Prefiro olhar apenas. — Fiz um biquinho.
— Então olha — sussurrou no meu ouvido e se levantou, voltando para a água.
Poderia olhar para ele pelo resto da minha vida.
A DANÇA NA CHUVA
e eu continuamos a nos encontrar todos os dias, mesmo depois daquela primeira vez. A cada visita ao lago, eu mergulhava mais fundo: o céu se tingia de prata enquanto eu caminhava até ele, e nossas conversas viravam o pulsar do dia que morria. Ir até o lago e ficar ali para conversar até a noite cair era quase uma fome que não passa — a fome de presença, de entender quem era aquele homem que me prendia tanto.
Ele era intenso, inacreditavelmente intenso. Também era engraçado, capaz de transformar qualquer assunto em algo que resumia o mundo, ou então fazer parecer que nada importava. Falava de tudo e de nada ao mesmo tempo, como quem desmonta segredos apenas para montá-los de novo. Eu sentia que o conhecia, mas ao mesmo tempo não o reconhecia por completo; havia uma distância sutil que me atraía ainda mais. Era como me viciar nele, a verdade crua aparecendo diante dos meus olhos: eu estava perdidamente viciada em cada detalhe dele — nos lábios que pareciam desenhar promessas, no cheiro que era dele e só dele, no sorriso que me atravessava como uma onda de calor, em todo o mistério que o rodeava.
Percebi que estava totalmente sob o seu encanto quando me peguei olhando para ele enquanto cochilava na minha perna, após ter nadado quase o lago inteiro. Meus olhos não queriam enxergar mais nada além dos traços delicados dele, enquanto ele parecia estar em um estado de paz tão íntimo que quase lutava para não acordar.
Era aquilo amor? Será que era?
Mas o medo me esmagava. Eu só conhecia aquele do lago; e se ele não fosse aquele ? E se, em outro lugar, ele fosse alguém inteiramente diferente? E se ele não quisesse de mim fora daquele lago? As perguntas serravam meu peito, tirando o ar dos meus pulmões e ferindo meu coração. Eu deveria perguntar tudo, buscar respostas, mas algo no interior me dizia que as respostas poderiam me ferir ainda mais. Talvez fosse melhor permanecer na beira do lago, onde o rosto dele era minha única certeza, do que arriscar a verdade que poderia dissolver esse sonho azul que nos prendia ali.
— Para de me olhar — pediu sonolento e eu ergui levemente as sobrancelhas.
— Por quê? — indaguei, sem parar de olhá-lo.
— Porque ninguém é bonito quando acorda — respondeu prontamente, tampando seu rosto com as mãos.
— Você é excepcionalmente lindo — falei logo em seguida sem sombras de dúvidas no meu tom de voz, isso o fez tirar suas mãos de seu rosto e me olhar com aqueles lindos olhos. — O que foi? Estou falando a verdade. Você é lindo. — Abri um sorriso pequeno.
— Acho que você consegue ver mais de mim do que eu mesmo ou qualquer outra pessoa. O que você enxerga quando me vê? — perguntou, me olhando extremamente sério, mantendo seus olhos intensos dentro dos meus olhos.
— Enxergo exatamente tudo que eu nunca tinha entendido antes, mas ainda continuo sem entender. Enxergo o que eu acredito ser beleza e perfeição, tudo que há de bonito para os meus olhos usado em cada parte sua. Não digo somente a beleza externa, mas tudo que você me mostra ser por dentro — respondi com a voz branda e calma, apesar de estar com o coração extremamente acelerado.
— Tem vezes que eu penso que você nem existe, sabia? — comentou, soltando o ar de forma pesada e levantou seu tronco, ficando extremamente próximo de mim, tão perto que sentia seu ar sendo solto e batendo no meu rosto. — Eu também te acho a pessoa mais incrível que já conheci, nunca vou me esquecer dos seus olhos e de tudo que conversamos — disse com a voz baixa e rouca.
— Só dos meus olhos? — Uni levemente as sobrancelhas, sentindo meu olhar me trair e descer até seus lábios que estavam tão perto. Quando os umedeceu soltando seu ar de forma pesada, senti até mesmo minha boca secar.
— Não… Nem só dos seus olhos. — Sua voz saiu mais rouca ainda, mais baixa e eu suspirei fraco. — , você já beijou alguém? — Meus olhos subiram imediatamente para seus olhos com aquela pergunta.
— Nos lábios? — Retraí de leve meus lábios e ele assentiu. — Só um selinho uma vez, um tempo atrás, mas foi horrível — contei, sentindo minhas bochechas corarem.
— Você sente vontade de beijar de novo? — perguntou com a voz mais baixa ainda e senti ele passar seu nariz pela lateral do meu. Aquilo me causou arrepios intensos.
— Não sei se sou boa nisso — disse, de forma tímida, e soltei o ar como um suspiro quando ele alisou meu nariz de novo com o seu. — Isso é bom — comentei com a voz rouca e vi ele sorrir de leve.
— Eu… — Ele se afastou quando nós dois nos assustamos com um trovão e então nos levantamos imediatamente.
— Céus, precisamos voltar! — disse, olhando como o céu tinha ficado escuro e formava uma tempestade forte, mas segurou minha mão.
— Fica comigo — pediu, entrelaçando nossos dedos.
— Aqui? — Olhei novamente para o céu e então a chuva caiu de repente, forte e intensa, nos molhando por inteiro.
— Sim. Fica comigo na chuva? — Sua mão apertou a minha e ele me puxou contra seu corpo, me fazendo prender o ar e segurar seu ombro com a outra mão.
— Fico contigo aonde você quiser. — Deixei meus olhos dizer as mesmas palavras para os dele com toda a sinceridade que existia em mim.
segurou minha mão com mais firmeza e me rodou ali mesmo, me tirando uma risada espontânea. Então me puxou contra seu corpo e começou simplesmente dançar comigo no meio daquele temporal. Os trovões ficando cada vez mais barulhentos e os raios fazendo clarões no céu que estava um cinza escuro. Tudo estava lindo. conseguia deixar tudo excepcionalmente belo.
Ele tinha um sorriso incrivelmente perfeito em seus lábios que eu adoraria sentir nos meus algum dia. Então senti ele soltar minha mão e levou suas duas até minha cintura, onde ele segurou com firmeza ao deixar meu corpo completamente colado ao dele. Encostei minha testa na dele, sentindo o mesmo passar a ponta do seu nariz pela lateral do meu, me causando tantos arrepios que nem aquela chuva gelada conseguiria.
Sua respiração quente batia contra meu rosto e se embolava com a minha. Fechei meus olhos de forma automática apenas para sentir o quanto ele estava perto naquele momento. Minha mão esquerda subiu até sua nuca, meus dedos pegaram seus fios escuros e eu os puxei levemente ouvindo suspirar pesado, conseguindo sentir o quão perto ele estava apenas por sentir seu hálito delicioso vindo contra meus lábios. Ele ainda não parava de nos movimentar, era mesmo uma dança e era como se eu ouvisse a mesma canção que tocava em sua mente porque estávamos em total sintonia.
Tudo estava perfeito. Tudo com ele seria perfeito.
— Quero ter meu primeiro beijo com você — pedi baixinho, abrindo meus olhos e encarando seus lábios.
— Tem certeza? Porque será algo que você irá se lembrar para todo sempre — respondeu com a voz baixa e sussurrante.
— Quero me lembrar de você para sempre, — disse sem delongas, sem hesitar, sem nem pestanejar.
Seus olhos desceram até meus lábios também e assisti ele umedecer os dele que já estavam molhados devido à chuva. Levei meu indicador e dedo médio até o contorno do seu inferior e o desenhei com sutileza, vendo ele abrir um pouco mais de seus lábios e soltar seu ar quente contra meus dedos. Continuei contornando sua boca perfeita com meus dedos, até sentir colocando a ponta de sua língua para fora e lambendo de leve somente as pontas dos meus dedos. Sorri fraco com a sensação inebriante que me deu. Então puxei levemente seu lábio inferior para baixo e me aproximei, deixando meus dentes pegarem com sutileza, o puxando com meus incisivos, fazendo minha cabeça até ir um pouquinho para trás e ouvindo gemer baixinho.
— Já vou me lembrar de você para todo sempre, — sussurrou enquanto olhava em meus olhos.
Então seus lábios apertaram os meus e meus olhos se fecharam automaticamente ao sentir a maciez de seus lábios passando sobre os meus, então os abri levemente e suspirei forte quando a língua dele deslizou no meio da minha boca até entrar por completo, escorregando de forma pressionada pela lateral da minha. Puxei o ar pelo nariz e o prendi, podendo sentir meu coração bater aceleradamente como jamais tinha batido antes. Minha mão subiu de sua nuca e meus dedos pegaram mais seus fios, os enroscando em meus dedos ao passo que ele rodeava minha língua e a chuva nos molhava ainda mais, caindo com fervor sobre nossos corpos.
No entanto, sentia seu corpo quente e o meu se esquentando cada vez mais, mesmo que a chuva estivesse extremamente congelante. Suas mãos fortes apertavam minha cintura e me puxava contra seu corpo, sentia que o beijo tinha aumentado o ritmo e era algo inexplicável. Nunca havia beijado antes, mas parecia que eu sabia o que fazer exatamente a cada movimento dele, quando sua cabeça tombou para a esquerda, a minha tombou para a direita. Seus lábios se encaixavam nos meus com tamanha perfeição e quanto mais ele me puxava contra seu corpo quente, mais eu conseguia sentir como seu coração também batia muito forte.
E aquele foi o melhor primeiro beijo que eu poderia ter em toda minha vida.
Só não o melhor de todos.
me impressionava todas as vezes que nos beijávamos. Ah, foram tantas!
Ele era intenso, inacreditavelmente intenso. Também era engraçado, capaz de transformar qualquer assunto em algo que resumia o mundo, ou então fazer parecer que nada importava. Falava de tudo e de nada ao mesmo tempo, como quem desmonta segredos apenas para montá-los de novo. Eu sentia que o conhecia, mas ao mesmo tempo não o reconhecia por completo; havia uma distância sutil que me atraía ainda mais. Era como me viciar nele, a verdade crua aparecendo diante dos meus olhos: eu estava perdidamente viciada em cada detalhe dele — nos lábios que pareciam desenhar promessas, no cheiro que era dele e só dele, no sorriso que me atravessava como uma onda de calor, em todo o mistério que o rodeava.
Percebi que estava totalmente sob o seu encanto quando me peguei olhando para ele enquanto cochilava na minha perna, após ter nadado quase o lago inteiro. Meus olhos não queriam enxergar mais nada além dos traços delicados dele, enquanto ele parecia estar em um estado de paz tão íntimo que quase lutava para não acordar.
Era aquilo amor? Será que era?
Mas o medo me esmagava. Eu só conhecia aquele do lago; e se ele não fosse aquele ? E se, em outro lugar, ele fosse alguém inteiramente diferente? E se ele não quisesse de mim fora daquele lago? As perguntas serravam meu peito, tirando o ar dos meus pulmões e ferindo meu coração. Eu deveria perguntar tudo, buscar respostas, mas algo no interior me dizia que as respostas poderiam me ferir ainda mais. Talvez fosse melhor permanecer na beira do lago, onde o rosto dele era minha única certeza, do que arriscar a verdade que poderia dissolver esse sonho azul que nos prendia ali.
— Para de me olhar — pediu sonolento e eu ergui levemente as sobrancelhas.
— Por quê? — indaguei, sem parar de olhá-lo.
— Porque ninguém é bonito quando acorda — respondeu prontamente, tampando seu rosto com as mãos.
— Você é excepcionalmente lindo — falei logo em seguida sem sombras de dúvidas no meu tom de voz, isso o fez tirar suas mãos de seu rosto e me olhar com aqueles lindos olhos. — O que foi? Estou falando a verdade. Você é lindo. — Abri um sorriso pequeno.
— Acho que você consegue ver mais de mim do que eu mesmo ou qualquer outra pessoa. O que você enxerga quando me vê? — perguntou, me olhando extremamente sério, mantendo seus olhos intensos dentro dos meus olhos.
— Enxergo exatamente tudo que eu nunca tinha entendido antes, mas ainda continuo sem entender. Enxergo o que eu acredito ser beleza e perfeição, tudo que há de bonito para os meus olhos usado em cada parte sua. Não digo somente a beleza externa, mas tudo que você me mostra ser por dentro — respondi com a voz branda e calma, apesar de estar com o coração extremamente acelerado.
— Tem vezes que eu penso que você nem existe, sabia? — comentou, soltando o ar de forma pesada e levantou seu tronco, ficando extremamente próximo de mim, tão perto que sentia seu ar sendo solto e batendo no meu rosto. — Eu também te acho a pessoa mais incrível que já conheci, nunca vou me esquecer dos seus olhos e de tudo que conversamos — disse com a voz baixa e rouca.
— Só dos meus olhos? — Uni levemente as sobrancelhas, sentindo meu olhar me trair e descer até seus lábios que estavam tão perto. Quando os umedeceu soltando seu ar de forma pesada, senti até mesmo minha boca secar.
— Não… Nem só dos seus olhos. — Sua voz saiu mais rouca ainda, mais baixa e eu suspirei fraco. — , você já beijou alguém? — Meus olhos subiram imediatamente para seus olhos com aquela pergunta.
— Nos lábios? — Retraí de leve meus lábios e ele assentiu. — Só um selinho uma vez, um tempo atrás, mas foi horrível — contei, sentindo minhas bochechas corarem.
— Você sente vontade de beijar de novo? — perguntou com a voz mais baixa ainda e senti ele passar seu nariz pela lateral do meu. Aquilo me causou arrepios intensos.
— Não sei se sou boa nisso — disse, de forma tímida, e soltei o ar como um suspiro quando ele alisou meu nariz de novo com o seu. — Isso é bom — comentei com a voz rouca e vi ele sorrir de leve.
— Eu… — Ele se afastou quando nós dois nos assustamos com um trovão e então nos levantamos imediatamente.
— Céus, precisamos voltar! — disse, olhando como o céu tinha ficado escuro e formava uma tempestade forte, mas segurou minha mão.
— Fica comigo — pediu, entrelaçando nossos dedos.
— Aqui? — Olhei novamente para o céu e então a chuva caiu de repente, forte e intensa, nos molhando por inteiro.
— Sim. Fica comigo na chuva? — Sua mão apertou a minha e ele me puxou contra seu corpo, me fazendo prender o ar e segurar seu ombro com a outra mão.
— Fico contigo aonde você quiser. — Deixei meus olhos dizer as mesmas palavras para os dele com toda a sinceridade que existia em mim.
segurou minha mão com mais firmeza e me rodou ali mesmo, me tirando uma risada espontânea. Então me puxou contra seu corpo e começou simplesmente dançar comigo no meio daquele temporal. Os trovões ficando cada vez mais barulhentos e os raios fazendo clarões no céu que estava um cinza escuro. Tudo estava lindo. conseguia deixar tudo excepcionalmente belo.
Ele tinha um sorriso incrivelmente perfeito em seus lábios que eu adoraria sentir nos meus algum dia. Então senti ele soltar minha mão e levou suas duas até minha cintura, onde ele segurou com firmeza ao deixar meu corpo completamente colado ao dele. Encostei minha testa na dele, sentindo o mesmo passar a ponta do seu nariz pela lateral do meu, me causando tantos arrepios que nem aquela chuva gelada conseguiria.
Sua respiração quente batia contra meu rosto e se embolava com a minha. Fechei meus olhos de forma automática apenas para sentir o quanto ele estava perto naquele momento. Minha mão esquerda subiu até sua nuca, meus dedos pegaram seus fios escuros e eu os puxei levemente ouvindo suspirar pesado, conseguindo sentir o quão perto ele estava apenas por sentir seu hálito delicioso vindo contra meus lábios. Ele ainda não parava de nos movimentar, era mesmo uma dança e era como se eu ouvisse a mesma canção que tocava em sua mente porque estávamos em total sintonia.
Tudo estava perfeito. Tudo com ele seria perfeito.
— Quero ter meu primeiro beijo com você — pedi baixinho, abrindo meus olhos e encarando seus lábios.
— Tem certeza? Porque será algo que você irá se lembrar para todo sempre — respondeu com a voz baixa e sussurrante.
— Quero me lembrar de você para sempre, — disse sem delongas, sem hesitar, sem nem pestanejar.
Seus olhos desceram até meus lábios também e assisti ele umedecer os dele que já estavam molhados devido à chuva. Levei meu indicador e dedo médio até o contorno do seu inferior e o desenhei com sutileza, vendo ele abrir um pouco mais de seus lábios e soltar seu ar quente contra meus dedos. Continuei contornando sua boca perfeita com meus dedos, até sentir colocando a ponta de sua língua para fora e lambendo de leve somente as pontas dos meus dedos. Sorri fraco com a sensação inebriante que me deu. Então puxei levemente seu lábio inferior para baixo e me aproximei, deixando meus dentes pegarem com sutileza, o puxando com meus incisivos, fazendo minha cabeça até ir um pouquinho para trás e ouvindo gemer baixinho.
— Já vou me lembrar de você para todo sempre, — sussurrou enquanto olhava em meus olhos.
Então seus lábios apertaram os meus e meus olhos se fecharam automaticamente ao sentir a maciez de seus lábios passando sobre os meus, então os abri levemente e suspirei forte quando a língua dele deslizou no meio da minha boca até entrar por completo, escorregando de forma pressionada pela lateral da minha. Puxei o ar pelo nariz e o prendi, podendo sentir meu coração bater aceleradamente como jamais tinha batido antes. Minha mão subiu de sua nuca e meus dedos pegaram mais seus fios, os enroscando em meus dedos ao passo que ele rodeava minha língua e a chuva nos molhava ainda mais, caindo com fervor sobre nossos corpos.
No entanto, sentia seu corpo quente e o meu se esquentando cada vez mais, mesmo que a chuva estivesse extremamente congelante. Suas mãos fortes apertavam minha cintura e me puxava contra seu corpo, sentia que o beijo tinha aumentado o ritmo e era algo inexplicável. Nunca havia beijado antes, mas parecia que eu sabia o que fazer exatamente a cada movimento dele, quando sua cabeça tombou para a esquerda, a minha tombou para a direita. Seus lábios se encaixavam nos meus com tamanha perfeição e quanto mais ele me puxava contra seu corpo quente, mais eu conseguia sentir como seu coração também batia muito forte.
E aquele foi o melhor primeiro beijo que eu poderia ter em toda minha vida.
Só não o melhor de todos.
me impressionava todas as vezes que nos beijávamos. Ah, foram tantas!
UM ANO DEPOIS
Já fazia mais de um ano e meio que o conhecia, mais de um ano e meio que o encontrava todos os dias naquele lago. Onde conversávamos sobre tudo e, ao mesmo tempo, sobre nada. Um ano e meio que o conhecia, mas ao mesmo tempo sentia que não conhecia nada sobre ele. E, mesmo assim, um ano e meio sem cicatrizes — nem hematomas para lembrar do passado. Mamãe dizia que eu tinha melhorado. O fato é que encontrei a minha cura no sorriso daquele rapaz de belos olhos que encontrava no lago quase todo santo dia.
Hoje, fazia exatamente um ano do nosso primeiro beijo. Preparei um piquenique para nós dois, um cenário simples que parecia carregar o peso de uma promessa. Nunca o vi sorrir tanto quanto hoje, assim que chegou e me viu toda arrumada, com flores no cabelo. Ele beijou meu rosto inteiro, fazendo perguntas sem palavras, e disse que eu era o melhor presente que a vida poderia ter me dado — mesmo que ele não acreditasse que a vida realmente oferecesse presentes sem nada em troca.
— Eu te amo, — sussurrei enquanto ele passava seus lábios em meu queixo, mas isso o fez se afastar para me encarar nos olhos.
— Ah, … — Vi lágrimas em seus olhos e isso me fez unir as sobrancelhas. — Eu te amei antes mesmo de te conhecer.
Abri um sorriso com aquilo e colei nossos lábios, o beijando de forma intensa e profunda. Senti seu corpo me deitar no pano xadrez e subir em cima de mim, ao passo que sua língua entrava em minha boca com mais avidez, mais afinco. Era como se ele mostrasse o quanto ele me amava naquele beijo, então retribuí o beijo com imenso prazer, demonstrando que era completamente recíproco. Meus dedos alisavam seu belo rosto, sem deixar de deslizar minha língua em seus lábios extremamente macios.
fez meu corpo todo se arrepiar com suas mãos puxando minha blusa e a tirando no instante seguinte, aquilo me fez ficar ofegante e meus olhos encararem os seus com mais intensidade, mas ele me olhava da mesma forma, até que seu olhar caiu por todo meu corpo e mesmo que estivesse com vergonha, seus olhos pareciam brilhar ainda mais por cada centímetro que eles pareciam decorar. Então vi um sorriso lindo se abrir em seus lábios até que ele voltou a encarar meus olhos.
— Nunca vi tamanha perfeição em toda minha vida — sussurrou roucamente.
— Você que é perfeito. Você é perfeito. Extremamente perfeito — disse de forma desesperada até. — , você é perfeito.
Isso fez eu puxá-lo para outro beijo ainda mais rápido e mais profundo que os outros, nossas respirações estavam completamente ofegantes. Nos beijamos sem parar até que tivemos que nos separar apenas por alguns segundos para tirar nossas roupas, sem pensarmos em mais nada a não ser em sentir nossos corpos sem nada para atrapalhar. Apenas nossas peles raspando uma na outra, esquentando aos poucos de forma gradual, somente fazendo nossas respirações ficarem ainda piores.
Seus lábios percorreram por todo meu corpo de forma apaixonada e carinhosa, sons descompassados e ofegantes escapavam de meus lábios conforme beijava cada parte do meu corpo com um prazer intenso e era como se até o mundo tivesse parado para que a gente fizesse amor.
Sim, nós fizemos amor naquela tarde ensolarada em frente ao lago que nos conhecemos.
Fizemos amor no nosso lugar.
Nós nos amamos ainda mais naquele momento.
E para sempre eu o amaria como se todos os dias de minha vida eu fizesse amor com ele em frente aquele lago, no nosso lugarzinho.
Hoje, fazia exatamente um ano do nosso primeiro beijo. Preparei um piquenique para nós dois, um cenário simples que parecia carregar o peso de uma promessa. Nunca o vi sorrir tanto quanto hoje, assim que chegou e me viu toda arrumada, com flores no cabelo. Ele beijou meu rosto inteiro, fazendo perguntas sem palavras, e disse que eu era o melhor presente que a vida poderia ter me dado — mesmo que ele não acreditasse que a vida realmente oferecesse presentes sem nada em troca.
— Eu te amo, — sussurrei enquanto ele passava seus lábios em meu queixo, mas isso o fez se afastar para me encarar nos olhos.
— Ah, … — Vi lágrimas em seus olhos e isso me fez unir as sobrancelhas. — Eu te amei antes mesmo de te conhecer.
Abri um sorriso com aquilo e colei nossos lábios, o beijando de forma intensa e profunda. Senti seu corpo me deitar no pano xadrez e subir em cima de mim, ao passo que sua língua entrava em minha boca com mais avidez, mais afinco. Era como se ele mostrasse o quanto ele me amava naquele beijo, então retribuí o beijo com imenso prazer, demonstrando que era completamente recíproco. Meus dedos alisavam seu belo rosto, sem deixar de deslizar minha língua em seus lábios extremamente macios.
fez meu corpo todo se arrepiar com suas mãos puxando minha blusa e a tirando no instante seguinte, aquilo me fez ficar ofegante e meus olhos encararem os seus com mais intensidade, mas ele me olhava da mesma forma, até que seu olhar caiu por todo meu corpo e mesmo que estivesse com vergonha, seus olhos pareciam brilhar ainda mais por cada centímetro que eles pareciam decorar. Então vi um sorriso lindo se abrir em seus lábios até que ele voltou a encarar meus olhos.
— Nunca vi tamanha perfeição em toda minha vida — sussurrou roucamente.
— Você que é perfeito. Você é perfeito. Extremamente perfeito — disse de forma desesperada até. — , você é perfeito.
Isso fez eu puxá-lo para outro beijo ainda mais rápido e mais profundo que os outros, nossas respirações estavam completamente ofegantes. Nos beijamos sem parar até que tivemos que nos separar apenas por alguns segundos para tirar nossas roupas, sem pensarmos em mais nada a não ser em sentir nossos corpos sem nada para atrapalhar. Apenas nossas peles raspando uma na outra, esquentando aos poucos de forma gradual, somente fazendo nossas respirações ficarem ainda piores.
Seus lábios percorreram por todo meu corpo de forma apaixonada e carinhosa, sons descompassados e ofegantes escapavam de meus lábios conforme beijava cada parte do meu corpo com um prazer intenso e era como se até o mundo tivesse parado para que a gente fizesse amor.
Sim, nós fizemos amor naquela tarde ensolarada em frente ao lago que nos conhecemos.
Fizemos amor no nosso lugar.
Nós nos amamos ainda mais naquele momento.
E para sempre eu o amaria como se todos os dias de minha vida eu fizesse amor com ele em frente aquele lago, no nosso lugarzinho.
A BRIGA
Mais de dois anos e meio que eu pertencia a . O do lago. Mas também dois anos e meio que eu apenas conhecia o do lago. Aquilo me incomodava demais, estava incomodando tanto quanto antes. Era sempre os beijos naquele lugar. O sexo naquele lugar. Palavras que somente o lago e as árvores ouviam. Estava de saco cheio daquilo, essa era a verdade.
— Quero ir ao cinema com você e segurar sua mão enquanto estamos caminhando na frente de todos. Quero te levar para conhecer minha família. Quero namorar você como todos namoram. — Soltei com extrema decepção enquanto ele me encarava assustado.
— Você não está feliz comigo no nosso lugar? , esse é nosso lugar — respondeu parecendo cansado e até mesmo respirou bem fundo.
— Sabe o que acho? Que você é um mentiroso que tem vergonha de mim, isso que eu acho. — Joguei em sua cara, mesmo que ver lágrimas escorrerem de seus olhos tenha me machucado. Soube que tinha o magoado. — Você tem outra pessoa fora daqui, não é mesmo?
— É isso mesmo que você pensa de mim? — perguntou com a voz trêmula, seus dedos trêmulos também secavam seu belo rosto.
— É, sim. Vamos sair daqui, então, prova pra mim. — Cruzei meus braços, sendo bem firme com ele.
— O seu problema sempre foi a falta de confiança em mim mesmo. Você não me merece mesmo — respondeu chorando mais e então me deu as costas.
— ! Volta aqui! — berrei, tentando ir atrás dele, mas ele simplesmente tinha ido embora.
Aquilo só me fez desmoronar porque ele tinha comprovado todas as minhas paranoias. Ele não queria sair comigo em público. Era somente naquele lugar escondido de todos, sem ninguém ficar sabendo. O pior de tudo era que eu o amava. Oh, meu Deus, como eu precisava dele ao meu lado!
— Quero ir ao cinema com você e segurar sua mão enquanto estamos caminhando na frente de todos. Quero te levar para conhecer minha família. Quero namorar você como todos namoram. — Soltei com extrema decepção enquanto ele me encarava assustado.
— Você não está feliz comigo no nosso lugar? , esse é nosso lugar — respondeu parecendo cansado e até mesmo respirou bem fundo.
— Sabe o que acho? Que você é um mentiroso que tem vergonha de mim, isso que eu acho. — Joguei em sua cara, mesmo que ver lágrimas escorrerem de seus olhos tenha me machucado. Soube que tinha o magoado. — Você tem outra pessoa fora daqui, não é mesmo?
— É isso mesmo que você pensa de mim? — perguntou com a voz trêmula, seus dedos trêmulos também secavam seu belo rosto.
— É, sim. Vamos sair daqui, então, prova pra mim. — Cruzei meus braços, sendo bem firme com ele.
— O seu problema sempre foi a falta de confiança em mim mesmo. Você não me merece mesmo — respondeu chorando mais e então me deu as costas.
— ! Volta aqui! — berrei, tentando ir atrás dele, mas ele simplesmente tinha ido embora.
Aquilo só me fez desmoronar porque ele tinha comprovado todas as minhas paranoias. Ele não queria sair comigo em público. Era somente naquele lugar escondido de todos, sem ninguém ficar sabendo. O pior de tudo era que eu o amava. Oh, meu Deus, como eu precisava dele ao meu lado!
A DOR
Depois daquela briga, não voltei mais ao lago. Apenas senti as feridas que tinha deixado em meu coração — os hematomas do amor dele, gravados na pele da minha alma. As lágrimas não cessavam; a dor não ia embora. A falta dele parecia aumentar a cada dia. Eu era, de novo, aquela pessoa descrente de tudo: cega para o mundo e aleijada para viver.
Voltei ao lago depois de um tempo, mas ele não estava lá. Contava os dias desde que o vi pela última vez. não ocupava mais o nosso lugar. Tinha feito ele ir embora, e eu fiquei com as feridas que ele deixou para trás. Havia algo na água, parecia cada vez mais gelada. Talvez até a água sentisse falta dele. O lago perdeu a beleza sem ele ali dentro, sorrindo, jogando água para cima, como se fosse o reflexo de um adio que não chega.
A cada dia, a única coisa que me segurava era a esperança seca de que ele voltaria, para que eu pudesse, pelo menos, encontrar uma parcela de paz. Minha mãe dizia para eu tirar da mente, todos os dias, mas não havia como apagar feridas que jamais cicatrizarão. Ainda assim, não queria deixar para trás nem os cortes que ele fez em mim, porque eram as únicas coisas que me aproximavam dele. A dor de me sentir perto dele era o que tornava a saudade suportável, a dor mais forte que o vazio.
Depois veio o dia em que me encontraram perto do lago, sem ninguém por perto. Meu corpo, frio como a água, deixava claro que eu não dizia nada desde há muito. Um médico apareceu — minha mãe dizia que era depressão, e talvez estivesse certa. Talvez eu sempre tenha sido assim: anos bons apenas quando amei e fui amada de volta.
Mas não adiantou. O lago me chamava de volta. Os machucados continuavam cravados em meu corpo. sempre faria parte de mim, e eu ainda precisava encontrá-lo.
Por que ele não voltava para mim?
Eu estava me sentindo completamente perdida sem ele.
Até que minha irmã entrou no quarto com uma caixa na mão.
— O nunca irá voltar — ela disse bem baixinho com pesar na voz e eu a olhei com o cenho franzido no mesmo instante.
— Por que não? — indaguei com certo desespero.
— Você realmente não se lembra, não é? — Suspirou de forma pesada.
— O que eu não lembro? — Um ponto de interrogação apareceu na minha testa.
— Nós não nos mudamos para cá, nós apenas voltamos para cá — contou, aquilo me fez arregalar mais os olhos. — Ficamos um bom tempo sem vir aqui devido ao seu primeiro melhor amigo… . — Torceu de leve seus lábios, aquilo fez meu coração doer.
— Do que você está falando? — Minha voz mal saiu de tão rasgada que estava.
— foi seu melhor amigo e seu primeiro amor. Mas ele morreu afogado naquele lago, você estava junto com ele. Parece que ele foi te salvar, conseguiu salvar sua vida, mas a dele… — Então abaixou a cabeça e eu neguei rapidamente.
— Mentira! Mas eu estava o vendo! Ele estava vivo! — comecei a falar extremamente alto enquanto lágrimas molhavam todo meu rosto e aquela dor parecia rasgar todo meu corpo de dentro para fora.
— Por isso o psiquiatra, . Por isso os remédios, por isso a preocupação de nossa mãe. Você nunca aceitou a morte dele — respondeu com calma, mas chorando também. — Se não quer acreditar em mim, aqui está. Tudo dentro dessa caixa irá responder qualquer dúvida que tiver. — Então apontou para a caixa.
Meus olhos extremamente cheios d’água encararam aquela caixa. Mesmo trêmula, levei minhas mãos até ela, a abrindo e tudo que vi lá me afogou mais uma vez. Minha irmã estava certa. Havia fotos do comigo crianças, ele em todos meus aniversários, viagens juntas. Bilhetinhos fofos que trocávamos na escola. Aquela caixa estava toda minha vida com ele.
“Sempre que precisar de mim estarei no lago. O nosso lugarzinho.”
Aquele bilhetinho arrancou lágrimas grossas e quentes, soluços que me agarraram pela garganta com força demais. Peguei a última foto que tiramos juntos: ele tão bonito, o sorriso perfeito, a língua entre os dentes quando sorria, e eu ali, ao lado dele, com a cara emburrada de quem só quer tirar sarro dele. Mas o meu olhar não mudava: era admiração, paixão, afeto, amor que parecia não caber em nenhum lugar além do nosso mundo feito de água e silêncio.
Os machucados que ele deixou em mim não iriam embora. Assim como meu amor por ele, ele estaria comigo todos os dias da minha vida. Eu o amaria sempre; me sentiria perdida sem o seu afeto. Então, quando a dor se tornou insuportável, eu voltei.
Voltei para o nosso cantinho.
Voltei para o lago, o nosso lugar.
Fechei os olhos e deixei a brisa beijar meu rosto. Era quase como o abraço dele, aquele aperto que eu fingia não querer e, ao mesmo tempo, precisava. Forcei minhas pálpebras, deixei que as lágrimas descessem, dei um passo à frente e senti a água do lago roçar meus pés. Cada dia mais fria. Não parei; segui caminhando, entrando no lago depois de tantos anos. Precisava encontrá-lo de novo. Precisava senti-lo mais uma vez.
Então senti alguém segurar minha mão. Abri os olhos e olhei para trás. Ali, na penumbra da distância, estava ele….
— Você não precisa entrar aí para me ver, — disse com um sorriso lindo em seus lábios.
— Preciso, sim. — Sequei minhas lágrimas e tentei entrar, mas ele não deixou.
— Não precisa. Sempre vou estar com você, em seu coração. Esse será o nosso lugar para sempre, o meu lugar favorito de se estar. No seu coração, assim como você sempre esteve no meu. — Seu sorriso se abriu um pouco mais e senti ele levar minha mão até seus lábios macios.
— Não vou aguentar ficar mais sem você. Não consigo… Não consigo ficar sem seu sorriso, sem seu toque, seu cheiro. — Chorei mais, começando a soluçar.
— Mas você sempre terá tudo que quiser de mim. Sempre serei seu, estarei sempre ao seu lado, meu amor. Não precisa entrar aí para me sentir, apenas feche seus olhos e pensa em mim que estarei ao seu lado. — Sua voz era tão branda e calma, acabei saindo da água e o abraçando com força, chorando sem parar. — Eu te amo tanto.
— Eu te amo demais, . Sempre vou me lembrar de você, nunca vou me esquecer de você. — Solucei mais em seus braços. — Lembra quando você me perguntou se eu pudesse ressuscitar alguém para ter uma conversa, quem seria? Minha resposta mudou, seria você. Queria você de volta. — O apertei ainda mais nos meus braços.
— Não precisa de nada disso. Estou aqui para sempre. Lembra da minha resposta? — Ele se afastou apenas para me olhar e então secou minhas lágrimas. — Acredito que todos que se foram tiveram suas missões cumpridas, por mais que alguns possam ter ido cedo demais — repetiu o que disse naquele diálogo, então solucei mais baixinho, balançando a cabeça em entendimento.
— Você foi cedo demais, te levaram embora de mim — murmurei ainda chorando demais.
— Não me levaram embora. Impossível fazer você se esquecer de mim e enquanto existir alguém que me ame e se lembre de mim, então eu nunca realmente fui. — Sorriu um pouco mais e alisou minha bochecha.
— Jamais vou me esquecer de você — disse com mais firmeza, olhando diretamente em seus olhos.
— Então eu sempre viverei em você. — Sorri fraquinho e senti ele encostar sua testa na minha.
Jamais me esqueceria do garoto do lago. Do nosso lugarzinho. E da pessoa que eu sempre daria tudo para poder abraçar de novo.
Voltei ao lago depois de um tempo, mas ele não estava lá. Contava os dias desde que o vi pela última vez. não ocupava mais o nosso lugar. Tinha feito ele ir embora, e eu fiquei com as feridas que ele deixou para trás. Havia algo na água, parecia cada vez mais gelada. Talvez até a água sentisse falta dele. O lago perdeu a beleza sem ele ali dentro, sorrindo, jogando água para cima, como se fosse o reflexo de um adio que não chega.
A cada dia, a única coisa que me segurava era a esperança seca de que ele voltaria, para que eu pudesse, pelo menos, encontrar uma parcela de paz. Minha mãe dizia para eu tirar da mente, todos os dias, mas não havia como apagar feridas que jamais cicatrizarão. Ainda assim, não queria deixar para trás nem os cortes que ele fez em mim, porque eram as únicas coisas que me aproximavam dele. A dor de me sentir perto dele era o que tornava a saudade suportável, a dor mais forte que o vazio.
Depois veio o dia em que me encontraram perto do lago, sem ninguém por perto. Meu corpo, frio como a água, deixava claro que eu não dizia nada desde há muito. Um médico apareceu — minha mãe dizia que era depressão, e talvez estivesse certa. Talvez eu sempre tenha sido assim: anos bons apenas quando amei e fui amada de volta.
Mas não adiantou. O lago me chamava de volta. Os machucados continuavam cravados em meu corpo. sempre faria parte de mim, e eu ainda precisava encontrá-lo.
Por que ele não voltava para mim?
Eu estava me sentindo completamente perdida sem ele.
Até que minha irmã entrou no quarto com uma caixa na mão.
— O nunca irá voltar — ela disse bem baixinho com pesar na voz e eu a olhei com o cenho franzido no mesmo instante.
— Por que não? — indaguei com certo desespero.
— Você realmente não se lembra, não é? — Suspirou de forma pesada.
— O que eu não lembro? — Um ponto de interrogação apareceu na minha testa.
— Nós não nos mudamos para cá, nós apenas voltamos para cá — contou, aquilo me fez arregalar mais os olhos. — Ficamos um bom tempo sem vir aqui devido ao seu primeiro melhor amigo… . — Torceu de leve seus lábios, aquilo fez meu coração doer.
— Do que você está falando? — Minha voz mal saiu de tão rasgada que estava.
— foi seu melhor amigo e seu primeiro amor. Mas ele morreu afogado naquele lago, você estava junto com ele. Parece que ele foi te salvar, conseguiu salvar sua vida, mas a dele… — Então abaixou a cabeça e eu neguei rapidamente.
— Mentira! Mas eu estava o vendo! Ele estava vivo! — comecei a falar extremamente alto enquanto lágrimas molhavam todo meu rosto e aquela dor parecia rasgar todo meu corpo de dentro para fora.
— Por isso o psiquiatra, . Por isso os remédios, por isso a preocupação de nossa mãe. Você nunca aceitou a morte dele — respondeu com calma, mas chorando também. — Se não quer acreditar em mim, aqui está. Tudo dentro dessa caixa irá responder qualquer dúvida que tiver. — Então apontou para a caixa.
Meus olhos extremamente cheios d’água encararam aquela caixa. Mesmo trêmula, levei minhas mãos até ela, a abrindo e tudo que vi lá me afogou mais uma vez. Minha irmã estava certa. Havia fotos do comigo crianças, ele em todos meus aniversários, viagens juntas. Bilhetinhos fofos que trocávamos na escola. Aquela caixa estava toda minha vida com ele.
“Sempre que precisar de mim estarei no lago. O nosso lugarzinho.”
Aquele bilhetinho arrancou lágrimas grossas e quentes, soluços que me agarraram pela garganta com força demais. Peguei a última foto que tiramos juntos: ele tão bonito, o sorriso perfeito, a língua entre os dentes quando sorria, e eu ali, ao lado dele, com a cara emburrada de quem só quer tirar sarro dele. Mas o meu olhar não mudava: era admiração, paixão, afeto, amor que parecia não caber em nenhum lugar além do nosso mundo feito de água e silêncio.
Os machucados que ele deixou em mim não iriam embora. Assim como meu amor por ele, ele estaria comigo todos os dias da minha vida. Eu o amaria sempre; me sentiria perdida sem o seu afeto. Então, quando a dor se tornou insuportável, eu voltei.
Voltei para o nosso cantinho.
Voltei para o lago, o nosso lugar.
Fechei os olhos e deixei a brisa beijar meu rosto. Era quase como o abraço dele, aquele aperto que eu fingia não querer e, ao mesmo tempo, precisava. Forcei minhas pálpebras, deixei que as lágrimas descessem, dei um passo à frente e senti a água do lago roçar meus pés. Cada dia mais fria. Não parei; segui caminhando, entrando no lago depois de tantos anos. Precisava encontrá-lo de novo. Precisava senti-lo mais uma vez.
Então senti alguém segurar minha mão. Abri os olhos e olhei para trás. Ali, na penumbra da distância, estava ele….
— Você não precisa entrar aí para me ver, — disse com um sorriso lindo em seus lábios.
— Preciso, sim. — Sequei minhas lágrimas e tentei entrar, mas ele não deixou.
— Não precisa. Sempre vou estar com você, em seu coração. Esse será o nosso lugar para sempre, o meu lugar favorito de se estar. No seu coração, assim como você sempre esteve no meu. — Seu sorriso se abriu um pouco mais e senti ele levar minha mão até seus lábios macios.
— Não vou aguentar ficar mais sem você. Não consigo… Não consigo ficar sem seu sorriso, sem seu toque, seu cheiro. — Chorei mais, começando a soluçar.
— Mas você sempre terá tudo que quiser de mim. Sempre serei seu, estarei sempre ao seu lado, meu amor. Não precisa entrar aí para me sentir, apenas feche seus olhos e pensa em mim que estarei ao seu lado. — Sua voz era tão branda e calma, acabei saindo da água e o abraçando com força, chorando sem parar. — Eu te amo tanto.
— Eu te amo demais, . Sempre vou me lembrar de você, nunca vou me esquecer de você. — Solucei mais em seus braços. — Lembra quando você me perguntou se eu pudesse ressuscitar alguém para ter uma conversa, quem seria? Minha resposta mudou, seria você. Queria você de volta. — O apertei ainda mais nos meus braços.
— Não precisa de nada disso. Estou aqui para sempre. Lembra da minha resposta? — Ele se afastou apenas para me olhar e então secou minhas lágrimas. — Acredito que todos que se foram tiveram suas missões cumpridas, por mais que alguns possam ter ido cedo demais — repetiu o que disse naquele diálogo, então solucei mais baixinho, balançando a cabeça em entendimento.
— Você foi cedo demais, te levaram embora de mim — murmurei ainda chorando demais.
— Não me levaram embora. Impossível fazer você se esquecer de mim e enquanto existir alguém que me ame e se lembre de mim, então eu nunca realmente fui. — Sorriu um pouco mais e alisou minha bochecha.
— Jamais vou me esquecer de você — disse com mais firmeza, olhando diretamente em seus olhos.
— Então eu sempre viverei em você. — Sorri fraquinho e senti ele encostar sua testa na minha.
Jamais me esqueceria do garoto do lago. Do nosso lugarzinho. E da pessoa que eu sempre daria tudo para poder abraçar de novo.
Deve haver algo na água
Porque a cada dia, fica mais frio
E se eu pudesse te abraçar
Você impediria que minha cabeça ficasse pior
Bruises - Lewis Capaldi
Porque a cada dia, fica mais frio
E se eu pudesse te abraçar
Você impediria que minha cabeça ficasse pior
Bruises - Lewis Capaldi
FIM!
Nota da autora: Olá, olá! Confesso que desceu umas lágrimas sim no final, mas infelizmente não saiu do jeito que esperava por algo chamado: BLOQUEIO CRIATIVO. Céus, que doença terrível! Queria que tivesse saído melhor pelo meu amor a essa música, mas fico feliz que eu consegui terminar sem desistir também. Espero que tenham gostado, comentem comigo o que acharam. Críticas construtivas serão sempre bem-vindas!