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Autora Independente do Cosmos ✨
Concluída ✅


I

— Listen to my heart it's beating like a drum

ERA UM homem bem simples. Consolidado e feliz na profissão que escolheu, ele não tinha muitas ambições para além dela. Nada muito mirabolante ou impossível de realizar, mesmo para alguém em sua posição. Ele teria ficado no time anterior, se assim tivessem decidido, mas não podia negar o sonho de um time maior, o que aconteceu um tempo depois. Não imaginou que fosse ser tão bem recebido pela torcida do Barcelona, muito menos por seus companheiros, que o abraçaram como se ele sempre tivesse feito parte daquela família.
Desde então, seus micros objetivos, como costumava chamar, estavam sendo realizados. Pequenas ambições que iam sendo alcançadas por seu esforço e dedicação, como o destaque como goleiro principal do time, quando pensou ser contratado apenas para ser substituto. Não que ele não tivesse tanto prestígio em seu time anterior, mas era uma sensação… diferente. Um sonho. Porque era isso que o Barcelona era para muitos jogadores: um sonho.
Sua vida profissional estava indo bem, muito bem, não tinha do que reclamar. Se fosse ser sincero, talvez aquela fosse a sua melhor fase profissional, então se dedicava a aproveitar ao máximo, sem ter ideia se viveria uma fase semelhante novamente; o mundo do futebol era uma inconstância de oportunidades e impossível de prever, talvez por isso ele gostasse tanto de estar inserido dentro desse universo. O imprevisível sempre pareceu um pouco mais atraente do que o previsível, mas ele estava começando a mudar de ideia. Porque quando se tratava de imprevisibilidade, ele não gostava disso em relação à ela.
Ela, que estava agora mesmo dentro do seu banheiro do quarto, com a porta aberta, ajeitando o próprio cabelo de frente para o espelho oval pendurado na parede em cima da pia pequena. Usava a camiseta marrom e desgastada dele e só uma calcinha minúscula, os pés descalços contra o piso frio de mármore. Dali da cama, ele tinha uma visão privilegiada dela. Não era muito comum que ela passasse a noite, mas ele passou a gostar quando isso acontecia.
— Quero te fazer um convite — ele disse de repente, quebrando o silêncio, as palavras ecoando até chegar nela.
A mulher prendeu o cabelo do jeito que queria e virou o rosto apenas um pouco, na direção dele, com uma sobrancelha arqueada em uma desconfiança genuína. Quase nunca aceitava os convites dele, exceto o que significava estar na cama dele imediatamente.
— Não faça essa cara, é um convite bom — ele retrucou, ajeitando-se na cama.
Não sei, não, , você anda tendo umas ideias meio…
— Estamos nessa há o quê? Seis meses?
mordeu o próprio lábio depois de passar uma água no rosto e enxugá-lo com uma toalha pequena. Ela saiu do banheiro e encostou-se contra o batente da porta, sem deixar de observá-lo nem mesmo por um segundo. Tinha a impressão que já tiveram essa conversa antes, talvez um mês atrás.
— Por aí. Talvez — respondeu, mesmo que ele tivesse acertado o tempo exato.
Seis meses era muito? Pouco? Razoável para se estar transando com alguém casualmente? Ela nunca teve muitos relacionamentos duradouros e, pela questão de o trabalho não ser fixo, suas relações não duravam. Não muito. Não tanto tempo.
— Isso é metade de um ano, .
suspirou. Pendurando a toalha de rosto de volta no banheiro, disse:
— Faça o convite.
O goleiro arrastou o lençol para o lado, batendo contra a cama, chamando-a silenciosamente. abriu um sorriso pequeno, balançou a cabeça e andou até a cama de volta, sentando-se de frente para ele, com as pernas cruzadas. coçou a nuca; em seus lábios havia um sorriso hesitante, sua beleza atenuando de maneira sutil, não tinha nenhuma dúvida de que ele era bonito.
— Venha assistir a final da Supercopa¹ — ele finalmente convidou.
esperava por isso. Era estranho que o conhecesse tão bem aquele ponto, mas não era exatamente um cara misterioso, na verdade, ele até que era um pouquinho transparente. Ela quase podia adivinhar, às vezes, os seus pensamentos.
— Você lembra que eu vou estar trabalhando, certo? — ela lembrou.
Ele lembrava. De alguma maneira, no entanto, quis ser tolo o suficiente para tentar o convite. Desde que começaram a se envolver, ela nunca foi formalmente para os jogos, muito menos os importantes. No começo, ele não se importava, afinal de contas, o que tinham não era nada demais. Uma noite ou outra estavam juntos, mas sempre seguiam os próprios caminhos depois, no entanto, percebeu, em algum momento durante os meses, que as coisas estavam mudando. Ele passou a gostar mais da presença da jornalista, queria tê-la por perto mais vezes e se pegava sempre arranjando alguma oportunidade de fazê-la ir para o seu apartamento ou hotel que estivesse hospedado.
nunca aceitava convites para encontros, nem jantares casuais, nem nada do tipo, sempre alegando que não queria muita exposição em cima dela. Se envolver com jogadores, ainda mais de times grandes, era sempre uma perseguição constante dos fãs.
— Você não pode, não sei, trocar com alguém? — ele tentou.
Naquele momento, não entendia como seu coração estava batendo tão rápido e tão forte em expectativa de uma resposta. Ele não era tão idiota, vinha tentando deixar claro para que aquilo que tinham não estava funcionando muito para ele mais, porque ele queria mais. Buscava trazer conversas sobre relacionamentos, tentando entender o que ela pensava, mas a imprevisibilidade sempre pairava em torno de . Ele entendia os receios dela, obviamente, fazia todo o sentido, mas não podia deixar de se questionar sobre uma tentativa.
Ele gostava dela o suficiente para fazer dar certo.
— Não sei se alguém vai querer trocar a cobertura da final de um el clásico² para cobrir um simples Rayo e Mallorca³ brincou, disfarçando a sua expressão.
Ela usou uma desculpa, claro. Trabalharia em outro jogo no dia do el clásico da Supercopa, mas se quisesse, poderia encontrar com quem trocar. Mesmo sendo um jogo importante e uma rivalidade clássica, havia sempre alguém com quem podia negociar a troca de uma escala em seu ramo de trabalho, mas não sabia se queria.
Estar lá significaria… muita coisa.
percebeu, soltou um suspiro baixo, mas não abandonou o sorriso em seu rosto. Ao contrário disso, ele apenas a puxou um pouco mais para perto, tocando a base do rosto dela em uma carícia. A intimidade do gesto derretia , que não sabia por quanto tempo mais aguentaria agir como uma idiota só porque tinha medo de tentar e não dar certo, colecionando mais um relacionamento fracassado.
— Eu ficaria muito feliz se você estivesse lá, me assistindo, mas eu também entendo, — disse, a voz gentil, o coração se acalmando aos poucos. — Tá tudo bem. Quando você se sentir pronta. Você sabe o que eu sinto.
Ela engoliu a seco, mas forçou um sorriso e retribuiu o beijo dele em seus lábios, enquanto sua mente tornava a ficar um pouco bagunçada no quesito pensamentos, porque mesmo que ele nunca tivesse dito uma palavra sequer diretamente sobre seus sentimentos por ela, ele tinha razão. Ela sabia.
Só fingia que não.

II

— I don't care what people might think

O CAFÉ ESTAVA INTACTO. O copo permanecia no mesmo lugar que deixou, trinta minutos atrás, frio e intocado. A tela do seu computador estava fixada em algum site que ela não prestou atenção, algo como uma matéria sobre o próximo jogo que precisaria cobrir, mas as palavras simplesmente não estavam fazendo sentido para ela. O escritório não estava cheio naquele dia, a maioria dos jornalistas estavam em campo, o que dava uma certa liberdade da mulher agir como se não estivesse pensando direito.
Sua mente fervilhava com mil e um pensamentos. Em algum momento, bufou e esfregou o rosto com as duas mãos, tentando dispersar os próprios pensamentos, girando o corpo na cadeira giratória. Quase bem perto, do outro lado, Kaylen e Ben, seus dois colegas, trocaram olhares um com o outro. Os dois não precisavam dizer nada para se levantarem ao mesmo tempo e irem direto até .
— Beleza, desembucha — Ben foi dizendo, chegando do lado esquerdo de , encostando-se contra a mesa dela.
Kaylen apenas se juntou do outro lado dela, arrastando sua cadeira giratória para se aproximar. afastou as mãos do rosto e encarou o casal de amigos, olhando confusa de um para outro.
— Desembuchar o quê?
— Desde que você chegou parece distraída — Kaylen respondeu, explicando. — Não bebeu sequer um gole do seu café, não reclamou da última partida que cobriu, e nem está conseguindo se concentrar para escrever uma simples matéria.
— O que rolou? — Ben questionou.
bufou de novo.
— Não rolou nada, é besteira e… — ela ia dizendo, mas parou quando viu a expressão dos dois, que demonstravam não acreditar nas palavras dela. suspirou, dando-se conta muito cedo que seria inútil tentar mentir para os dois, então encostou-se contra sua cadeira, cruzou os braços e disse: — É o cara com quem eu tô ficando.
— O gato misterioso? — Kaylen quis saber.
quase riu.
— Você nem sabe se ele é gato.
— Bom, posso duvidar de tudo, mas não do seu bom gosto — Kaylen respondeu, dando de ombros.
— E o que tem o gato misterioso? — Ben trouxe o assunto de volta.
pensou que não teria como explicar a situação sem revelar a identidade do gato misterioso, então resolveu abrir o jogo com sinceridade. Ben e Kaylen sabiam guardar segredo, mesmo que não quisesse ter contado antes.
— O gato misterioso é o — ela revelou. — E ele quer que eu vá assisti-lo na final da Supercopa da Espanha.
Ben arregalou os olhos.
— Você tá ficando com o gostoso do goleiro do Barcelona?!
Kaylen quase riu da reação do amigo.
começou a explicar o contexto de toda a situação, confirmando que, sim, era o gostoso do goleiro do Barcelona. Eles não precisavam de muitos detalhes, porque apesar de ela não ter dito quem era o cara com quem estava saindo, eles sempre sabiam o que estava rolando.
— Tá, calma, você não aceitou? — Kaylen questionou.
— Eu não disse não diretamente, eu usei a desculpa do trabalho, o que não é exatamente uma desculpa, porque eu vou estar trabalhando no dia — explicou.
— Vai cobrir que jogo? — Ben quis saber.
— Rayo e Mallorca.
— Dá um tempo, , porra, você sabe que eu cubro por você — ele reclamou. — Qual é o verdadeiro motivo de você não querer ir? Exposição? A fama inevitável dos jogadores? Você não gosta dele?
A jornalista respirou fundo, descruzando os braços. Aos olhos alheios, sua decisão era simples e fácil, mas eles não estavam no lugar dela. não podia banalizar os seus receios, tinha cometido esse erro uma vez e tentava não cometer de novo.
Kaylen a encarou por um instante.
Dos três, ela era a mais perceptiva. Entendia os receios da amiga em relação aos relacionamentos, eram todos válidos, mas também percebia que estava muito presa a algo que poderia estar prejudicando-a. Ela merecia a vivência de tudo aquilo, nem sequer percebia que se auto sabotava.
— chamou, girando a cadeira da amiga para ficar de frente para a sua —, eu sei que você se diverte com ele, mas também tá na hora de admitir para si mesma que isso deixou de ser sexo há muito tempo. Você sempre cai fora quando percebe que o casual deixou de ser casual, então o que tornou esse cara diferente?
piscou os olhos e engoliu a seco, buscando o olhar de Ben, que apenas deu de ombros, concordando silenciosamente.
— Não precisa nos responder isso agora, só… talvez valha a pena dar uma chance a ele, mesmo que venha com a exposição e tudo, porque, garota, você gosta desse cara — Kaylen continuou, com um sorriso. — É nítido, e acho que sempre foi inevitável.
— Além do mais — Ben interveio — acho que a exposição dele te assumir vai ser o de menos perto do quanto você seria chamada de burra por deixar um gostoso desse escapar.
e Kaylen riram, a primeira xingando-o baixinho. Ela encarou os dois, o sorriso vacilando.
— E se não der certo? — sussurrou.
Kaylen apertou a mão dela, mas foi Ben quem sorriu e respondeu:
— E se der certo?

II

— I'm screaming your name at the top of my lungs

ELE ESTAVA SENDO O destaque da partida.
O estádio não tinha como estar diferente em um dia de el clásico: lotado de torcedores de ambos os times, a cantoria e torcida sendo maior que qualquer outro som ecoando no ambiente. usou de sua posição como jornalista esportiva, que trabalhava em uma empresa renomada que cobria os jogos dos dois times e entrou como parte do elenco, carregando um crachá que a identificava, mas ela não estava trabalhando.
Ben fez questão de cobrir o jogo que seria dela naquele dia e não aceitou que ela fosse como jornalista para o jogo, mas como uma convidada pessoal de um dos jogadores, o que explicava porquê ela estava com uma camisa do Barcelona, com o nome de atrás, algo que não era muito comum, já que ele era o goleiro do time e tinha a própria cor do uniforme.
Isso significava também que ela não estava no meio usual da torcida. Preferiu estar perto da área VIP e não disse para que estava ali. Ele não tinha ideia da presença dela, que optou por se revelar apenas no final do jogo, de preferência, com o time dele levando a taça naquela final acirrada.
Os dois times estavam levando vantagens. O placar estava empatado, apontando para uma possível prorrogação, então o Barcelona e o Real Madrid elevavam a pressão, os dois times tentando virar o jogo para ganhar a vantagem do final, garantindo o título.
Mesmo com o Barcelona com um jogador a menos, os jogadores não se mostraram abalados. Ela foi mais uma das vozes que gritavam o nome de , assistindo-o se destacar no jogo. Quando o Barcelona finalmente virou o placar e desempatou, ganhando a vantagem de garantir o título, o Real começou a pressionar no fim do segundo tempo. O acréscimo foi parte importante do desempenho do goleiro, que continuou defendendo as chances claras de gol por parte de Carreras e Asencio, mantendo o Barcelona à frente do placar. demonstrou o tempo todo estar seguro sob as traves, confiante no próprio trabalho de defesa, seu trabalho sendo crucial para a vitória do seu time por 3x2.
Quando o juiz apitou, garantindo o título para o Barcelona, finalmente respirou fundo, livrando-se daquela tensão. Por um momento, ela realmente pensou que o jogo pudesse ir para a prorrogação ou que talvez eles não levassem a melhor. Ela assistiu a torcida culé⁴ vibrar no estádio e manteve seus olhos nele no campo o tempo todo. Esperou um pouco antes de começar a descer da área, pegando o caminho que a levava até o campo.
Queria encontrar ele antes da entrega do título.
No caminho, ela cumprimentou alguns rostos conhecidos, genuinamente feliz por estar ali, como se há alguns dias não estivesse se remoendo em dúvidas, o que a fazia pensar que estava tomando a decisão certa. Quando um dos seguranças permitiu a sua passagem para o campo, suas mãos suaram um pouco, o pulso acelerando. Ela olhou ao redor; perdeu-o de vista pelo caminho, mas ele sempre era um destaque à parte com aquela cor de uniforme, então seria fácil encontrá-lo.
E foi.
Um pouco mais à frente, ele estava conversando com Pedri e Ferran. Ela andou na direção deles, Ferran a enxergando primeiro, mas ela pediu silêncio, recebendo um aceno positivo vindo dele. não a viu, pois estava de costas para ela, que aproveitou essa vantagem. Chegando perto, ficou na ponta dos pés e esticou as mãos, tampando o rosto do goleiro.
— Cara, isso não…— ele começou a falar, mas parou ao tocar nas mãos dela. Ele sentiu a textura, mas o que a denunciou foi o cheiro do seu perfume, que ele percebeu logo depois, descartando que era apenas um dos meninos tentando zoar com ele. — ?
Pedri exibiu um sorriso para e puxou Ferran para deixá-los sozinhos.
beijou o ombro de e tirou as mãos. Ele se virou para ela, o rosto com uma expressão genuinamente feliz, os olhos surpresos com sua presença.
— Eu achei que você não vinha — disse. — Chegou agora?
— Não, eu te assisti desde o início — ela respondeu, mordendo a bochecha. — Acho que você deveria ganhar o MVP⁵ da partida.
O som da risada dele a fez sorrir ainda mais.
Ele quebrou a distância, tocando a lateral do rosto dela.
— Isso significa mais para mim vindo de você do que de fato eu ser premiado como MVP — confessou.
Eles se encararam por um instante, deixando o silêncio prevalecer entre os dois, ainda que houvesse muito barulho ao redor. sentiu o carinho dele em sua bochecha e segurou-o pela cintura. Tinha plena consciência que estavam bem no meio de toda exposição do mundo, diante de centenas de câmeras, mas não se importou.
Só se importava em estar ali, com ele, sendo o alvo daquele sorriso. subiu uma das mãos e espalmou contra o peito dele, sentindo as batidas do coração do goleiro, que não estavam normais.
— Isso tudo é por mim? — brincou.
Mas levou a sério, engolindo a seco.
— Eu acabei de ganhar o meu primeiro título com o Barcelona e, mesmo assim, estou eufórico por sua causa — confessou, baixinho, só para que ela ouvisse. — Eu vou te beijar, , aqui na frente de todo mundo, posso?
Ao invés de responder, ela o beijou. Ele a segurou com tanta firmeza, como se temesse que fosse um sonho, que quase perdeu o fôlego. Ele a beijou como se ninguém estivesse vendo, como se estivessem sozinhos, como sempre, em seu próprio espaço, sem se importar com olhares ou comentários ao redor.
— O que isso significa? — ele perguntou depois de quebrar o beijo.
umedeceu os lábios e virou as costas só um pouco, apenas o suficiente para ele enxergar o seu número e o seu nome na camisa que ela usava. Sentiu algo diferente, algo que não conseguia explicar, querendo congelar aquele momento ali.
— Significa o que você quiser que signifique — ela respondeu, estendendo a mão para ele.
Sem pensar duas vezes, aceitou a mão estendida dela, porque se era para significar o que ele queria, significaria que, a partir daquele momento, todo mundo saberia que ele era dela.

Just kiss me
In the middle of the streets
To let the whole world see
That there's nobody else for me


Supercopa¹: Torneio oficial de futebol espanhol, que funciona com um sistema de seminal + final.
el clásico²: disputa famosa e clássica do futebol espanhol entre o Barcelona e o Real Madrid.
Rayo e Mallorca³: times espanhóis que disputam a La Liga.
culé⁴ : como os torcedores do Barcelona são chamados.
MVP⁵: prêmio dado ao jogador que mais se destacou na partida.

FIM!

Nota da autora: Sem nota!