Autora Independente do Cosmos ✨
Finalizada em: 27/11/2025
01
— They don't understand, they think I'm a fool…
— Licença. Você, por acaso, a conhece?
Perder as contas.
Era exatamente isso o que acontecia com Luke só de lembrar de quantas pessoas já havia parado pela avenida, tentando encontrá-la seguindo apenas um retrato falado.
Óbvio que nada daquilo estava sendo fácil e, diante das opiniões alheias, Luke estava sendo... Como poderia dizer?
Estúpido.
Sem noção.
Observou mais um rosto negar sua pergunta, dando as costas para ele. Ignorou alguns olhares em sua direção e ainda mais o fato de que, provavelmente, estava sendo reconhecido.
Aquilo não importava. Não naquele momento.
Respirou fundo, abaixando o olhar.
Devia perder as esperanças. Afinal, já fazia dias que a procurava e, até então, não tinha encontrado sequer alguém parecido.
— Vem, Luke. Vamos embora — Michael analisou o rosto do amigo. Completamente perdido nos próprios pensamentos. — Já tá anoitecendo.
Colocou uma das mãos no ombro de Hemmings, deixando um aperto de leve ali.
Luke só assentiu, mais cabisbaixo do que nunca.
Talvez fosse a hora de esquecer tudo e deixá-la para trás.
i dream about you
heaven only knows i do…
Luke observava todos ao redor da livraria; preenchiam o local assim como as vozes e o alvoroço do lado externo. Pessoas seguravam CDs, pôsteres e camisetas, só esperando para que recebessem seus autógrafos.
Precisava admitir que estava orgulhoso. Nunca imaginaria que algum dia teria um reconhecimento tão grande como aquele. Era sensacional.
Calum, do seu lado, entregava um pôster com um sorriso enorme nos lábios. Ashton e Michael não estavam tão diferentes assim.
Hemmings entregou um dos CDs e aguardou a próxima pessoa se aproximar.
— Você é Luke Hemmings?
A garota perguntou, parecendo ler o nome em um pequeno papel.
Luke estranhou. O que ela fazia ali se ao menos o conhecia?
Fez uma pequena careta ao terminar de ler e ergueu os olhos em direção ao loiro, o vendo concordar brevemente.
— Poderia autografar? — estendeu o CD, rapidamente. — É pra minha irmã, o nome dela é . É louca por vocês.
Olhou para os outros integrantes da banda. E, enquanto autografava, Luke observou de canto que ela não parecia ligar para a presença deles. Estava mais concentrada em seu celular e mal percebeu quando ele estendeu o CD de volta.
— Obrigada.
Sorriu, dando as costas enquanto jogava os cabelos castanhos sobre os ombros.
Aquilo fez o coração de Hemmings aquecer sem que percebesse.
— Ei, espera! — levantou uma das mãos, a chamando.
Ela se virou, com uma das sobrancelhas arqueadas, sem entender o que acontecia. Luke pôde observar as nuances de seu rosto, os pequenos detalhes e até mesmo as bochechas enrubescidas.
— Como você se chama?
O observou, dando de ombros.
— Pode me chamar de…
Ele respirou fundo, abrindo os olhos subitamente. O quarto já estava claro, mostrando que já amanhecia. Hemmings não se deu ao trabalho de ver que horas eram. Sua atenção estava focada no teto branco, onde alguns filetes da luz da janela o estampavam.
O suor escorria nas laterais de sua testa por um motivo que não sabia bem.
Fazia tempos que ele não sonhava com algo relacionado a alguém, muito menos esse alguém sendo uma garota. E, bem, uma garota extremamente bonita. Naturalmente bonita, que lhe dava a leve impressão de que a conhecia de algum lugar.
Os lábios rosados pelo tempo, o rosto delicado, o tom de pele claro. Os cabelos marrons, as sobrancelhas franzidas em questionamento e os olhos castanhos, firmes nele.
Luke não se lembrava de ninguém igual a ela.
Piscou algumas vezes, tentando focar a atenção em outra coisa. Puxou todo o ar ao se sentar na cama e só então percebeu o quão atrasado estava para a pequena reunião no estúdio.
Em um pulo, já estava de pé, se preparando o mais rápido que podia.
Em poucos minutos, ao menos para ele, estava em frente à grande porta de madeira, já podendo ouvir o barulho da conversa do lado de dentro.
— Chegou cedo, Hemmings — Calum comentou, olhando divertido. — E parece que caiu da cama.
— Estranho seria se não tivesse caído — ouviu a voz de Ashton e virou o rosto, observando os demais ali soltarem uma risadinha.
Resolveu ignorar, ainda cismado com a imagem da garota. Talvez não tivesse sido exatamente um sonho. Pode ser que realmente tenha acontecido e ele não se lembrasse.
Olhou para os companheiros de banda que agora afinavam seus instrumentos, concentrados.
— Eu perguntei o nome de alguma garota em uma dessas tardes de autógrafos? — perguntou, quebrando o silêncio. Olharam em sua direção, com a expressão inteiramente confusa. — Conversei com alguma? Chamei alguma em específico?
— Você tá bem, cara? — Michael arqueou a sobrancelha, visivelmente preocupado.
— Altura mediana, cabelos castanhos, pele clara. Nada? — insistiu. Eles negaram com a cabeça. — Sonhei com essa garota. Tenho a impressão de que a conheço de algum lugar.
Luke ainda sentia os olhares queimando sobre si.
Bufou, irritado. Parecia real demais para ser só um sonho.
— Você vê muitos rostos por aí. Já pensou nisso? Pode ter visto algum e simplesmente memorizado ele — Michael deu de ombros e Calum, do seu lado, concordou.
— Tenho essa sensação…
— É pressão demais — Ashton interrompeu. — Deve estar passando por um estresse daqueles. Te entendo.
— Não tive uma noite muito boa. Só isso.
Luke deu de ombros, seguindo em direção ao violão no canto do estúdio.
Os amigos não pareceram se importar muito com o assunto, já que logo focaram em seus afazeres.
E, antes de começar seu trabalho, Luke respirou fundo, achando o que acontecia estranho demais.
☁️🎤❤️
O carro estacionou em frente ao local.
Não estava tão cheio assim, apesar de algumas pessoas já estarem em um pequeno grupo ali, como se esperassem algo ansiosamente. Luke sabia, com certeza, que esperavam por eles.
Calum desceu em um pulo, sorrindo para os flashes e seguiu junto aos outros dois para dentro do lugar, acompanhado pelos seguranças.
— Não tá tão cheio assim. Isso é bom — Ashton olhou em volta, observando o lugar. — Vou escolher uma mesa.
— Luke,pode pegar os cardápios? Eu guardo seu lugar.
Michael deu dois tapinhas nas costas dele e, antes que pudesse responder, já estava se ajeitando em sua cadeira, bem no fundo da cafeteria.
Luke revirou os olhos.
O lugar realmente não estava tão cheio, mas a fila que se formava ocupava boa parte do caminho, impossibilitando que pegasse os benditos cardápios no balcão.
E, enquanto estava ali parado, esperando que a passagem fosse liberada, puxou o celular do bolso e começou a observar algumas notificações no Twitter.
Olhou de relance para trás, onde os amigos estavam sentados e notou Calum andando em sua direção.
— Ei, cara, já que se ofereceu pra pegar os cardápios, podia fazer logo os pedidos, hein? Sorriu, colocando as mãos no bolso.
Luke arqueou uma das sobrancelhas.
— Tá falando sério?
— Qual o problema? Você já tá esperando mesmo — Calum deu de ombros, olhando brevemente as pessoas à frente. — E já sabe o que queremos. Te vejo na mesa!
— Folgado — Luke resmungou.
Passou os olhos por todo o ambiente, percebendo o quão pequeno e confortável era. Não era chique ou cheio de protocolos, como os demais lugares que estava acostumado a frequentar.
Era simples e ali Luke poderia agir como uma pessoa normal, até mesmo na questão de estar em uma fila fazendo o próprio pedido.
Assim que chegou sua vez, se aproximou, esticando as mãos até o montinho de cardápio.
— Boa tarde! Já foi atendido?
Ouviu uma voz conhecida e levantou o rosto para ver quem era.
A mesma garota que havia encontrado na tarde de autógrafos.
— Ahn, não. Quer dizer, só vim pegar os cardápios... — balançou a cabeça, apontando para o menu que tinha em mãos.
Luke a observou por mais alguns instantes, esperando que ela o reconhecesse, mas parecia que a garota sequer se lembrava do cantor.
— O que vai pedir?
Luke encarou o cardápio mais uma vez, incomodado com o que acontecia. Será que ela não se lembrava dele mesmo?
Parecia não saber da sua existência.
Fez os pedidos e, ao vê-la anotar tudo, resolveu tentar puxar assunto.
— Me lembro de você. Na tarde de autógrafos.
Ela pareceu pensar bastante e, no último instante, deixou um pequeno sorriso escapar dos lábios.
— Claro — abaixou o olhar rapidamente, passando o bloco de notas para a outra mão. — Como ia esquecer? Minha irmã é louca por vocês. Você tem uma banda, né?
Pareceu um pouco incerta ao dizer a última frase e colocou a caneta na boca, deixando evidente certo nervosismo.
Luke achou aquilo um tanto sexy.
— Sim. Eu e meus amigos — respondeu, se virando para a mesa ao fundo, onde os três conversavam animados. — Sua irmã se chama ? Lembro que você comentou algo relacionado.
Ela balançou a cabeça rapidamente, concordando.
— No dia ela não conseguiu entrar na livraria. Os seguranças só tinham permitido poucas pessoas, mas eu já estava lá dentro. Cheguei minutos antes de vocês e tinha ficado do lado de fora. Ela estava em crise — soltou uma risadinha, parecendo se lembrar. — Então resolvi fazer algo pra ajudar, já que estava lá dentro.
— Isso foi legal da sua parte — o cantor comentou, depositando os cardápios no balcão, genuinamente interessado na conversa. — E o que ela achou?
— Bom, demorou um pouco pra eu sair. Realmente estava muito cheio, mas quando consegui, pulou em cima de mim arrancando o CD das minhas mãos. Foi engraçado. Só conseguia rir enquanto ela abraçava o objeto várias vezes — estreitou os olhos, deixando uma risada escapar.
No mesmo segundo, Luke parecia ter sido contagiado pela risada dela.
— Sempre vejo coisas assim, mas você falando parece bem mais engraçado — comentou.
Ela mordiscou os lábios, assentindo.
— Acho que, se o favorito dela tivesse autografado, ela desmaiaria. Tenho certeza disso.
— O favorito dela? — Luke perguntou, curioso.
— Não que ela não goste de você ou dos outros meninos, mas minha irmã é completamente apaixonada pelo garoto de cabelo colorido. Não consigo gravar o nome dele de jeito nenhum. E olha que ela vive falando dele o tempo inteiro — fez uma careta, sorrindo em seguida e mostrando as entradinhas ao lado da boca.
Aquilo fez com que Luke a observasse por um segundo a mais antes de responder.
Os cabelos da garota agora presos em uma trança de lado, evidenciando ainda mais seu rosto.
— Michael. O de cabelo vermelho — comentou, virando o rosto e apontando discretamente para o amigo que amassava um guardanapo entre os dedos. — Talvez algum dia eu possa apresentá-lo a ela.
Ela abriu a boca para responder, mas a fechou em seguida, sem acreditar no que ele havia dito.
— Que foi?
— Realmente faria isso? Quer dizer, ela não vai acreditar — os olhos dela brilhavam. E, para ser sincero, o brilho nos olhos da garota fez Luke querer chamar Michael na mesma hora e já marcar um encontro com a irmã dela.
— Seria uma surpresa e tanto. O que acha? — sorriu de canto, ainda olhando para a garota.
— Ela vai enlouquecer — riu, passando uma das mãos pelo cabelo. O olhar ficou vago, como se a mente estivesse na irmã. Então, olhou para o lado, arregalando os olhos. — Céus! Esqueci do seu pedido. Eu levo pra vocês, tudo bem?
Passou as mãos pelo avental, sorrindo enquanto se preparava para ir em direção ao balcão oposto.
— Vou precisar do seu número — Luke disse, um pouco mais alto, fazendo ela se virar rapidamente. — Vou precisar falar com você pra marcarmos.
— É, verdade.
Deixou um sorrisinho escapar, tirando o bloco de notas do bolso do avental.
Anotou os números e entregou, mordiscando os lábios.
Luke achou aquilo uma graça.
— Eu ligo pra você.
Hemmings levantou o papel branco, sorrindo.
Observou a garota se afastar e abaixou o olhar, encarando o papel que tinha nas mãos antes de guardá-lo no bolso da calça.
I dream about you…
Luke piscou os olhos vagarosamente, como se a luz que atravessava as persianas fosse cegá-lo.
Olhou para o lado, reconhecendo perfeitamente onde estava deitado; no estúdio.
Isso o fez soltar um enorme urro de frustração.
Encarou os instrumentos espalhados pelo lugar, sem avistar os meninos ali, como estavam antes. Impulsionou o corpo com as mãos e se sentou no sofá, pensando no sonho que havia acabado de ter.
E saber que tinha sido apenas um sonho o irritava.
Quem era aquela garota? Por que estava invadindo seus sonhos toda vez que simplesmente dormia?
E o que mais o intrigava; não a conhecia.
Não sabia seu nome, sua idade e muito menos se ela realmente morava ali, em Sydney. Ou se existia.
Respirou fundo, mas logo em seguida se lembrou do pequeno papel branco que tinha colocado no bolso e, num pulo, enfiou as mãos nos bolsos da calça preta, procurando por ele.
— Não sei, da última vez não tivemos tempo e... — ouviu a voz de Ashton se aproximando, mas resolveu ignorar.
— Droga.
Murmurou tão alto que quase pareceu outro urro saindo de sua boca.
— Luke, tá tudo bem?
— Não. Quer dizer… Sim. Eu acho — deixou o corpo cair no sofá novamente e cruzou os braços, emburrado.
— Você dormiu que nem pedra. E agora tá com essa cara de quem teve um pesadelo — Calum apontou, se sentando no braço do sofá.
— Antes fosse um pesadelo — resmungou. Ainda o observavam, como se esperassem que dissesse algo mais. — Tem essa garota com que tenho sonhado. Falei da última vez e vocês não levaram a sério, mas… Não sei, tem sido tão frequente. Real demais.
— Ok. Realmente acho que você não tá bem — Michael se virou em sua direção, com o cenho franzido.
— Tô falando sério, Michael. Tenho a impressão de que conheço mesmo essa garota, só que os sonhos são limitados. Quando acho que vou descobrir seu nome, eu acordo. O número de telefone que ela tinha me dado e era pra estar no meu bolso, não tá mais. Não sei o que fazer.
Luke passou uma das mãos pelo cabelo, confuso e aborrecido.
— Hemmings, é só um sonho. Não significa nada — Ashton se aproximou, mantendo os olhos fixos no amigo. — Talvez você deva relaxar um pouco. Ou podemos procurar ajuda pra…
— Não quero ajuda nenhuma. Sei que tem alguma coisa. Que saco — se levantou, seguindo rumo à porta do estúdio. — Vocês não entendem.
— Aonde você vai?
Calum questionou, se levantando também.
— Não muito longe. Preciso ir a um lugar.
Luke fechou a porta rapidamente e seguiu rumo à calçada, olhando para os lados.
Não era exatamente confiável estar sozinho pelas ruas de Sydney, onde haviam vários fãs espalhadas, mas sentia que precisava fazer aquilo, mesmo sabendo dos riscos que corria.
O engraçado é que a cafeteria do sonho era familiar de algum jeito.
Caminhou mais um pouco, observando atentamente cada loja por onde passava.
O celular em seu bolso não parava de vibrar. Certeza que eram seus companheiros de banda tentando desvendar o que acontecia na cabeça de Luke Hemmings.
Parou para tomar um pouco de ar, já que praticamente estava correndo e, ao desacelerar, observando todos que passavam ao seu lado, avistou o lugar do outro lado da rua.
Um pouco parecida com o que ele tinha visto nos sonhos.
Não demorou muito para que já estivesse em frente à cafeteria, observando toda a fachada. E a sensação de déjà vu tomou conta de si.
O lugar não estava como no sonho; estava um pouco mais cheio. Pessoas se enfileiravam no caixa, outras ocupavam as mesas e as banquetas. Muitos olhares se voltavam para Luke — provavelmente estava sendo reconhecido pela maior parte das pessoas ali.
Percorreu o ambiente com os olhos, procurando pela garota e, ao avistar uma loira com o mesmo avental do sonho, se aproximou e a chamou de leve.
Talvez conseguisse alguma informação com ela.
Mas, assim que se virou, os olhos da garota se arregalaram.
— Oi. Só queria uma informação — disse. Ela assentiu rapidamente.
Luke engoliu em seco, sem saber ao certo como começar. Não iria mencionar nada sobre o sonho; ela o chamaria de louco. Então, sua única saída era… Mentir.
— Vi uma garota com o mesmo avental que o seu, há algumas quadras. Queria saber se ela realmente trabalha aqui — deu um meio sorriso, olhando em volta discretamente. — Ela é, hm, não é tão alta — tentou mostrar a altura com as mãos, gesticulando rapidamente. — Tem os cabelos castanhos na altura dos seios, os olhos castanhos também. Tem umas entradinhas na boca... Droga, eu tô parecendo um idiota — abaixou o olhar, falando um pouco mais baixo. Luke, você é um péssimo mentiroso, seu consciente gritava. — Talvez conheça alguém com essas características. Conhece?
Tinha quase certeza de que ela havia notado seu tom desesperado. Os olhos da garçonete estavam pousados nele, a expressão levemente preocupada.
Parecia paralisada.
Negou com a cabeça num gesto rápido, olhando em volta.
— Não, não conheço ninguém com essas características — sorriu, visivelmente nervosa. — Você… Você tá bem?
Luke fechou os olhos, soltando todo o ar.
Resmungou, sorrindo sem muito humor em agradecimento e virou as costas, seguindo de volta para a calçada.
Sentiu todo o corpo estremecer e a cabeça girar.
Precisava ir para casa.
Precisava sonhar com ela mais uma vez.
☁️🎤❤️
O teto do quarto nunca havia sido tão atrativo como naquele instante.
O barulho dos carros lá embaixo não o irritava, como de costume.
Luke estava calmo, até demais. Porém, nervoso. Muito nervoso.
O celular em suas mãos tinha o display aceso, com os números já digitados. O que faltava era a coragem de ligar. O botão verde nunca havia sido tão convidativo.
Pressionou as têmporas, como se aquela fosse sua deixa e, sem pensar mais, apertou o botão, sentindo o coração acelerar dentro do peito. Os toques eram insistentes e isso só o deixava mais agoniado.
Hemmings fechou os olhos até que alguém atendesse, mas logo se sentou na cama ao perceber que o barulho havia cessado.
Pôde ouvir a respiração calma do outro lado.
— Alô?
Aquela voz não era dela. Será que ela havia lhe dado o número errado?
— Oi. Quem tá falando?
— Eu que pergunto. Você quem ligou pra cá.
Luke franziu o cenho com o jeito da pessoa. Com toda certeza não era a garota da cafeteria.
— Quem tá falando?
— Luke Hemmings.
Ele engoliu em seco, encostando o corpo no travesseiro.
— Ah, claro. E eu sou a Lady Gaga — a garota riu do outro lado. — Não pode estar falando sério. Por favor.
Luke resolveu arriscar, lembrando da única pessoa de quem recordava o nome.
— Você é a ?
— É, sou sim. Por quê? Quem tá falando?
— Posso falar com sua irmã?
Percebeu a ligação ficar nitidamente em silêncio e, em seguida, o que parecia ser a garota bufando.
Ao fundo, ouviu a mesma voz resmungar.
— Tem um cara dizendo que é o Hemmings. Vê se pode. Toma, deve ser um dos seus amigos de palhaçada com a minha cara.
Luke não pôde deixar de rir com o comentário da garota. Se ela realmente soubesse que era ele ligando, não acreditaria mesmo tão fácil.
Por alguns segundos, não ouviu voz alguma no celular. Escutou algo como uma porta batendo.
— Luke?
Ele fechou os olhos, sentindo um grande alívio ao ouvir a voz dela.
— Se minha irmã descobre que é você, acho que estaria levando ela pra um hospital agora. — Só consegui pensar nisso. Ela faz muitas perguntas — riu fraquinho, encarando uma das paredes. — Você tá bem?
— Sim. Só um pouco entediada — a garota respirou fundo. — E você, tá bem?
— Tô sim — Hemmings balançou a cabeça assentindo, como se ela pudesse vê-lo. — Achei que tinha me dado o número errado.
— Não, não mesmo — respirou fundo. — Mas, pra ser sincera, não levei a sério que realmente iria ligar. Você é o Luke Hemmings.
— Isso não quer dizer que eu não ligaria. Eu disse que ia ligar.
Ela ficou em silêncio, assim como ele.
Luke não sabia ao certo o que dizer.
— Isso chega a ser engraçado. Nunca me imaginaria falando com você — ela comentou, com a voz suave. — É estranho.
— É estranho falar comigo? Uau.
Soltou uma risada baixa, sem deixar de sorrir.
— Não. Claro que não. Só não parece real, sabe? — ele também pôde ouvir a risada dela.
— Você realmente não tá acreditando — Luke comentou, por fim, gargalhando. — Parece até que a fã aqui é você. Talvez sua irmã não seja a louca por nós…
— O que você tá insinuando, Hemmings?
Ele pressionou os lábios, segurando a risadinha ao ouvir o tom de voz exaltado dela.
— Nada. Você me viu pessoalmente, era pra estar menos nervosa por telefone.
— Não tô nervosa — retrucou. — Só não consigo acreditar muito.
— Tudo bem. Vou acreditar em você — comentou, esperando que ela respondesse algo, mas não conseguiu ouvir nada. Nem mesmo sua respiração. — Ei, tá aí?
— Sim, Luke.
— Andei pensando em algo. Sobre o que conversamos.
— O quê?
— O que sua irmã acharia de ver o Michael pessoalmente? Pensei em nos encontrarmos e aí eu poderia levar ele — Luke respirou fundo, mordiscando o lábio inferior. — Queria saber o que você acha. É uma boa ideia?
— Se é uma boa ideia? — indagou, já animada do outro lado. — vai pirar quando souber. Você não tem noção de como essa garota fica olhando pra foto do seu amigo.
— Acho que posso imaginar — riu abafado. — Que bom que gostou. Tenho uma ideia de onde podemos ir.
— E aonde seria?
— Você vai saber — assentiu para si mesmo. — Preciso organizar tudo. E não esqueça que, pra sua irmã, é uma surpresa.
— Tudo bem. Não vou esquecer.
☁️🎤❤️
— Juro que se ele não acordar, esse café vai…
Luke ouviu Calum dizer, provavelmente já irritado. Abriu os olhos claros vagarosamente, avistando os três amigos dentro do carro, todos o encarando.
Ashton tinha o olhar preso nele, observando cada movimento que Hemmings fazia. Michael mantinha o queixo apoiado nas mãos, observando Luke e a expressão preocupada. E Calum estava ocupado demais o praguejando.
— Eu tô acordado — comentou, ainda sonolento.
Sem muita pressa, apoiou as mãos no estofado e ergueu o corpo.
Ashton, que era o que estava mais próximo, arqueou as sobrancelhas como se tentasse entender o que é que acontecia e voltou a prestar atenção em seu celular, chamando Calum enquanto apontava para o aparelho.
Já Michael, que tinha o olhar focado na paisagem que passava pela janela do veículo, conseguiu, com um pouco de dificuldade, se sentar ao lado de Luke, continuando em silêncio.
— Não sei o que tá acontecendo com você, cara. Não sei mesmo. Queria entender, mas você tem andado estranho demais ultimamente — Michael encarava os próprios dedos, que mexiam de um lado para o outro.
Ergueu o olhar para Luke, como se esperasse alguma resposta.
O amigo respirou fundo, pressionando os lábios.
— Tem essa garota, Michael. Vejo ela todas as vezes que durmo. Não consigo sonhar com outra coisa que não seja ela. Eu vejo os olhos castanhos, eu ouço a voz dela. É tão real e me sinto inteiramente perdido, mais ainda por sequer saber da existência dela. Não sei como ela se chama, nem onde mora — abaixou a cabeça, fechando os olhos brevemente. — Me sinto um idiota.
Michael suspirou, se preocupando como antes.
Nenhum deles acreditaria. Não entendiam.
— Sei que isso tem te atormentado, mas tenta pensar em outra coisa. Por você. Isso tá te deixando acabado. Você tem olheiras enormes — apontou para o rosto de Hemmings. — Não consegue dormir direito porque sempre acorda assustado e… Quem é , cara? Você diz esse nome quando dorme.
Luke deixou a mente vagar, à procura de vestígios do que sonhava. Não podia mentir dizendo que os sonhos frequentes não estavam acabando com ele. Não conseguia ter uma noite de sono decente, estava acordando antes do horário devido e tudo isso só para permanecer acordado, com medo de que o rosto delicado da garota caísse no esquecimento.
Passou as mãos pelo rosto, visivelmente irritado e voltou a olhar para o amigo.
— Nós estamos próximos ao seu apartamento. Você pode ficar e descansar direito. Se isso não acontecer… — Michael puxou todo o ar e sorriu de lado. — Nós damos um jeito.
But they don't know you like I know you…
Michael estava calmo, até demais.
Tinha os olhos focados nos brinquedos ao redor e parecia não ligar para o fato de que, dali a alguns minutos, uma fã completamente apaixonada se jogaria em seus braços.
O parque não estava tão cheio de pessoas quanto Luke imaginara. Os brinquedos estavam ocupados, mas nada de filas enormes ou pessoas falando alto. Estava na medida certa para um fim de tarde.
Caminharam mais um pouco, enquanto as irmãs não chegavam. E, à medida que passavam pelas pessoas, recebiam olhares surpresos e, em muitos casos, animados. Não era todo dia que dois cantores famosos andavam calmamente em um parque de diversões assim.
Luke colocou uma das mãos no bolso da calça enquanto olhava as horas pela milésima vez. Tinha certeza de que haviam marcado a hora certa; ou ele estava adiantado demais.
— Você pediu pra ela vir com os olhos vendados, Luke? — Michael perguntou, olhando para um lugar em específico, com a sobrancelha arqueada.
Hemmings acompanhou o olhar do amigo e conseguiu ver a garota guiando a irmã mais nova, que tinha os olhos vendados. tinha os cabelos mais claros que os da irmã e era um pouco mais alta.
Do seu lado, a morena a conduzia com um sorriso enorme no rosto. Luke pôde perceber, nesse pequeno ato, o quanto as duas eram próximas uma à outra.
Michael também observava as duas caminhando vagarosamente pelo parque. A mais baixa olhava para todos os lados, provavelmente procurando pelos dois.
— Foi ideia nossa. Único jeito de não te ver de longe — deu de ombros.
— Você fala como se já fossem um casal — o amigo riu, batendo uma das mãos em suas costas. Luke deixou uma risadinha escapar. — Onde tá o antigo Hemmings, hein?
— Não enche.
Luke revirou os olhos.
Colocou uma das mãos no bolso da calça jeans ao perceber que ela os havia visto e, assim que pousou os olhos nele, sorriu abertamente.
— Ei, cara — Hemmings olhou para o lado ao ouvir Michael. — Tem uma coisa escorrendo aí. Eu acho que é baba.
O loiro não conseguiu conter uma risada sem graça ao ouvir o comentário. O simples fato de olhar para a garota o deixava entorpecido.
Ela estava simples. E linda, muito linda.
não ficava para trás, mas a irmã tinha algo especial, algo diferente.
As duas se aproximaram e Luke percebeu que a mais baixa pediu para que ficasse em silêncio.
Olhou para Michael que observava a garota vendada, como se a estudasse.
— Oi! — a morena disse, animada. Suas bochechas estavam avermelhadas. — Não foi fácil achar vocês.
Michael riu ao notar olhando para os lados, como se realmente conseguisse enxergar algo.
— Quem tá aí? — perguntou, curiosa.
— , qual o nome daquele cara famoso que você vive comentando comigo? O do cabelo arco-íris — a irmã perguntou e levou uma das mãos à boca, segurando a risada ao ver a careta que Michael havia feito.
— Por quê? — perguntou, quase deixando a venda escapar das mãos da outra. — Impossível que você não lembre. Eu vivo…
— Só responde, .
— Michael Clifford — deu de ombros. — Agora vai me responder o por quê?
— Não sei… — a morena disse, se aproximando do ouvido da irmã. — Por que você não vê?
E então tirou a venda.
Por um segundo, Luke achou que não tivesse visto Michael bem à sua frente, mas no instante seguinte, os olhos da garota grudaram nele, completamente arregalados.
— Eu não… Você não… Puta merda, garota! — piscou freneticamente, olhando para Michael. Seus olhos brilhavam. — Como você… Caramba, como você conseguiu fazer isso?! Luke!
Luke observou a garota ir em sua direção, como se tivesse se lembrado dele logo depois. Deixou uma risadinha escapar e a abraçou.
— Ah, eu tive meus contatos — a morena piscou para ele. Luke sorriu outra vez, desta abobado.
se aproximou de Michael, que estava de braços abertos e se jogou nele, recebendo um abraço apertado, recíproco. Em seguida, ele a girou no ar. Os olhos da garota permaneciam fechados, como se não estivesse acreditando no que acontecia.
— Ela não vai soltar ele nem tão cedo.
Luke ouviu a voz ao seu lado e virou o rosto, encarando o par de olhos centrados nele.
— Dá pra ver que não.
— Hemmings, vou levar pra dar um passeio por aí. Ela merece — a morena piscou para a irmã, que sorria abertamente, agarrada ao braço de Michael.
— Vai lá. Nós vamos fazer o mesmo.
Michael assentiu e saiu junto de , que não parava de falar sobre como tudo aquilo era surreal.
O loiro passou as mãos pelos cabelos, os bagunçando e pôde sentir o olhar da garota ao seu lado sobre si. Assim que a encarou, a morena desviou o olhar para um dos brinquedos à frente.
Mesmo agindo daquela forma, era nítido ver suas bochechas queimando pela timidez.
E ele não parecia muito diferente.
— Então... — iniciou, mordiscando o lábio inferior. — Já foi em algum desses brinquedos?
— Ah, não. Ainda não tive oportunidade. Pra falar a verdade, desde que o parque tá aqui, só ouvi falar — seus olhos percorriam todo o local. — É bem bonito.
— Não acha que essa é a oportunidade perfeita? — Luke virou o rosto. — Quer dizer, você tá aqui agora. Por que não?
— É... Por que não?
Ela riu fraco, abraçando a si mesma.
O céu estava num tom de azul que não era nem tão claro, nem tão escuro. Bonito demais para ser verdade.
Os dois caminharam em direção à roda gigante mais a frente.
— Vem — ele segurou a mão da garota repentinamente. O ato foi tão rápido que o pequeno choque entre as mãos quentes fez com que ela desviasse o olhar de seus dedos entrelaçados para o rosto do cantor. — Você não vai se arrepender.
Sorriu de lado, a observando.
— Pra onde pretende me levar?
Perguntou, estreitando os olhos.
— Ahn... — coçou a nuca, um pouco nervoso. — Eu pensei…
Antes de terminar a frase, ouviu gritos animados ao redor e virou o rosto, observando um grupo pequeno se aproximando. Mais animado que o normal.
— Luke! Luke! Oi! — uma loira surgiu com uma câmera e um celular nas mãos.
— Oi!
A cumprimentou com a mesma empolgação, embora se sentisse um pouco incomodado pela interrupção.
— Ei, você pode tirar uma foto nossa?! — a garota se virou para a morena ao lado de Luke, estendendo o celular que tinha em mãos. A irmã de sorriu, assentindo rapidamente e pegou o aparelho, pedindo para que os dois fizessem uma pose para a foto.
— Pronto.
Foi então que a fã olhou da garota para Luke.
— Ela é a sua nova namorada? — perguntou, com os olhos brilhando. — Espero que seja. Você é bem legal. Diferente da outra… — deu de ombros. — Tenho que ir agora. Foi incrível te encontrar!
Se aproximou mais uma vez, dando um beijo estalado no rosto de Luke e se virou, acenando minimamente para a garota ao lado dele, que retribuiu.
— Desculpe por isso. Elas costumam mesmo ser desse jeito.
— Você se desculpa por isso? — apontou para a loira, já longe dos dois. — Não tem que se desculpar. São seus fãs, seu reconhecimento.
Luke piscou algumas vezes, absorvendo o que ela havia dito; era algo bem diferente do que estava acostumado a ouvir.
— Pra ser sincero, achei que você iria se incomodar.
— Nem um pouco.
E foi aí que o cantor deixou seus olhos caírem sobre ela. Tão espontânea e simples.
— O que acha daquele ali? — apontou para a frente, fazendo com que ele “acordasse”.
Luke acompanhou a direção do gesto e avistou uma grande montanha-russa.
Nada extraordinário, mas interessante.
— Por mim, topo qualquer coisa — respondeu. Com você, quis acrescentar, mas preferiu manter apenas em pensamento por enquanto.
Em poucos minutos já havia comprado as entradas já que o parque não estava cheio. Pararam na pequena fila, aguardando a próxima rodada.
— Então quer dizer que você tem uma ex?
Luke olhou para ela assim que ouviu o comentário.
Não sabia ao certo o que responder, ainda mais com os olhos da garota presos nele.
Sorriu no instante seguinte, deixando claro que estava interessada no assunto.
— Ah, não. Foi um passado obscuro. Não vale a pena lembrar.
Ele deu de ombros. Aquilo a fez rir fraquinho.
— Te entendo. Tem coisas que realmente não valem a pena serem lembradas.
O barulho do brinquedo estacionando nos trilhos estreitos ecoou e a trava de segurança foi levantada para que aqueles que estavam sentados pudessem sair. Foram até a pequena escada e logo já estavam acomodados nos assentos, se ajeitando enquanto a trava voltava a ser abaixada.
— Isso vai ser incrível! — a garota comentou, completamente empolgada.
— Espero que não comece a gritar, pedindo para que parem o brinquedo.
Ela o encarou, com os olhos estreitos.
— Não sou igual a você, Hemmings.
Disse de um jeito quase infantil, mas acabou sendo engraçado. Luke não conseguiu conter a gargalhada e ela rolou os olhos, ainda com aquele sorrisinho de canto.
— Sabe que não é uma montanha-russa qualquer, né? — Hemmings arqueou a sobrancelha, parando o olhar no dela.
Os olhos da garota se arregalaram no exato instante em que o carrinho praticamente voou, subindo na primeira curva.
— Não acredito nisso! — ela gritava enquanto ele não se aguentava de tanto rir. — Não sabia que era assim!
— Calma! — respondeu, no mesmo tom. — É só o começo!
Ela soltou mais um grito, mas dessa vez, rindo junto com ele. Colocou os braços para cima ao descerem a curva, com um sorriso enorme nos lábios.
Ao perceber que outra subida vinha, segurou o braço de Luke, apertando o mais forte que podia.
Dava para imaginar o frio na barriga que estava sentindo.
O carrinho parou em um trilho longo, reto, onde ao final havia uma descida, iniciando a última curva.
Luke olhou para a garota do seu lado, com os cabelos voando sobre o rosto devido ao vento na altura, o sorriso lindo nos lábios e os olhos brilhando.
— Acho que vou te beijar.
Disse, mais para si mesmo do que para ela. Respirou fundo; seu coração estava a mil.
— O quê?!
Virou o rosto em sua direção.
A única coisa que Luke conseguia pensar era no gosto dos lábios rosados.
Não podia perder mais tempo.
Então, a beijou.
☁️🎤❤️
Não!
Foi a primeira palavra que ecoou na mente de Luke.
Ele abriu os olhos e, ao encarar o teto branco do quarto, caiu na realidade.
Havia sonhado. Sonhado. Só isso, nada mais.
Não tinha tocado nela de verdade. Não tinha sentido o choque da mão morna da garota com a sua e nem mesmo o seu beijo.
Como tudo tinha sido apenas um sonho? Não era possível. Tinha que ser real.
Engoliu em seco, pousando as mãos sobre os olhos. Precisava fazer alguma coisa.
Deu impulso com os braços no colchão, passando os olhos pelo quarto à procura do celular. Pegou o aparelho em cima do criado-mudo e discou os tão conhecidos números; o da única pessoa em quem confiaria para pedir ajuda.
Michael.
— Luke? O que foi? — ouviu o resmungo do amigo do outro lado da linha. — São nove da manhã. O que aconteceu?
— Preciso da sua ajuda — Luke disse, direto e rápido. — Preciso muito da sua ajuda. E sim, tem a ver com os sonhos. Michael, eu beijei ela. Não é possível que tenha sido só um sonho!
Já estava frustrado naquele ponto.
Sentia o coração pulsar mais rápido toda vez que dizia alguma palavra que o fizesse lembrar de que aquilo era realmente coisa da sua mente.
— Dá pra se acalmar, por favor? — Michael disse, um pouco mais firme. — Posso te ajudar. Eu só… Nós precisamos conversar.
Em poucos minutos, Michael já estava no apartamento de Luke, entrando rapidamente, com o rosto ainda amassado pelo sono interrompido.
— Cara, não queria ter te acordado assim, mas é que eu tô desesperado… — Hemmings iniciou, mas o amigo levantou uma das mãos, o interrompendo.
— Você é meu melhor amigo. Um irmão pra mim, sabe bem disso, mas, Luke, você já se ouviu? Olha bem pro que você tá falando, cara. É muita loucura! Não vai me dizer que você tá apaixonado por essa garota também, né?
O loiro o encarou, sem dizer nada.
Michael franziu o cenho, realmente tentando entender o que acontecia ali.
Respirou algumas vezes, como se debatesse consigo mesmo.
— Tem como parar com isso? Você não tá ajudando — Luke bufou, irritado.
— Certo — Michael fechou os olhos brevemente. — Como ela é?
Hemmings piscou algumas vezes, sem entender onde o amigo queria chegar.
— O quê?
— Você me ouviu. Como ela é? Qual a cor do cabelo dela, cor da pele, se tem alguma, sei lá, mancha de nascença? Qualquer coisa que ajude!
— Não tô entendendo — passou as mãos pelo cabelo, ainda mais nervoso do que antes. — Vai mesmo me ajudar?
— Você é como um irmão pra mim, já disse. Um irmão sem noção, mas ainda continua sendo — deu de ombros. — Vou te ajudar a encontrar essa garota, mas com uma condição. E eu espero que você leve isso a sério.
Luke balançou a cabeça rapidamente, concordando.
— Se não a encontrarmos e esses sonhos continuarem, você vai procurar ajuda. Eu vou procurar ajuda pra você. E você vai tentar esquecê-la de todas as formas possíveis.
— Tudo bem. Por onde nós começamos?
Perguntou, sorrindo minimamente.
— Nós eu não sei, mas você começa pelo chuveiro. Tá fedendo — Michael fez uma careta, se jogando no sofá. — E depois vamos procurar o Ashton. Talvez ele possa fazer algum retrato falado.
If only they could see…
Os últimos dias estavam voltando a ser tão normais quanto antes. No fim das contas, Michael estava certo.
Talvez ela sequer existisse.
Durante uma semana e meia, ainda sonhava com a garota, todas as noites. Sonhos mais vívidos e intensos. Sonhava com os beijos constantes, os abraços e até a troca de olhares. E, toda vez que acordava, a mesma pergunta voltava em sua mente; Como podia ser só um sonho?
Mas, poucos dias depois, ela simplesmente deixou de aparecer.
Nem mesmo em um cochilo rápido.
Luke não conseguia mais sonhar com ela. Não conseguia nem lembrar da última vez que tinha visto o rosto delicado, muito menos se recordava de como era sua voz.
Os sonhos tinham se tornado lembranças picadas em sua mente, e aquilo massacrava seu coração.
O massacrava por inteiro.
Era muita loucura ele ter vivido coisas tão incríveis e nenhuma delas ser real. Hemmings se sentia entorpecido, perdido e sem direção.
Talvez até louco.
Continuava procurando pela garota em todos os lugares em que ia, até mesmo em entrevistas e tardes de autógrafos. Era uma loucura enorme e percebia claramente os olhares pesarosos dos amigos sobre si.
Ashton havia o ajudado com o retrato falado, Calum saía à procura da garota do seu lado e Michael parecia não desistir tão fácil. Andavam por horas sempre que tinham algum tempo livre, longe das gravações no estúdio.
Luke ia de lugar em lugar tentando trazê-la de volta, com muita sorte, na realidade.
Observou mais uma vez as cordas do violão dançarem toda vez que as dedilhava.
Aquilo havia se tornado seu passatempo nas últimas semanas.
— Ei, Luke — Michael se aproximou e o sofá ao seu lado afundou. — Não quer sair um pouco? Os meninos estão na outra sala planejando alguma coisa pra esse fim de semana.
O amigo o observou, com os olhos pequenos por não conseguir dormir direito. Michael analisou seu rosto atentamente e, em seguida, sorriu triste.
— Não. Tudo bem. Vocês podem ir sem mim.
— Ok. Já entendi — se levantou rapidamente, tirando o violão dos braços de Luke. — Vamos. Ainda é cedo.
Hemmings fechou os olhos, massageando as têmporas.
— Do que você tá falando?
— Você quer procurar sua garota, não é?
Michael arqueou as sobrancelhas, como se estivesse dizendo o óbvio. Deixou o olhar passear por todo o estúdio, à procura de algo e, assim que viu a poltrona próxima à Luke, se aproximou e puxou o papel escondido ali.
Era o desenho dela.
O observou por algum tempo e ergueu o olhar, sorrindo de lado.
— Já fizemos isso e você constatou que não deu nada certo. Por que insistir mais uma vez?
— Porque odeio ver meu melhor amigo jogado em um canto sofrendo por uma garota que nem fez ele sofrer de verdade. Então, vamos,não vou falar outra vez.
Hemmings respirou fundo, o encarando. Não tinha ânimo algum para rodar, mais uma vez, pelas ruas de Sydney à procura da garota dos seus sonhos. Já tinha começado a se conformar com a ideia de que ela era boa demais para realmente existir.
Desceram em silêncio até o saguão, sendo recebidos por um pequeno grupo de fãs. E, entre elas, algo chamou a atenção de Luke.
Uma fã loira que, em seu sonho, havia parado os dois para uma foto.
— Luke! Luke! Oi! — se aproximou com uma câmera e um celular nas mãos.
— Oi!
Respondeu, tentando manter o mesmo tom de voz que ela, mas o desânimo ainda falava mais alto. A garota franziu o cenho, mas logo voltou a sorrir, estendendo o celular para uma selfie.
Algo estranho tomou conta de seu peito, trazendo uma sensação bem conhecida.
Déjà vu.
Depois de se despedirem, lançou um último olhar para a garota e voltou a seguir caminho ao lado de Michael, que parecia bem mais disposto a continuar a busca; ao contrário dele, que estava mais do que desanimado.
O dia estava quente, um pouco mais do que o de costume, apesar de já conseguir ver o pôr do sol. Luke estava cansado, exausto.
Caminhavam já tinha horas, como se aquilo fosse adiantar alguma coisa.
Luke até perguntava a algumas pessoas no caminho, se animando minimamente ao ouvir um “Eu acho que já vi ela…” ou “Ela não me é estranha”. Mas, era só aquilo. Nem sinal de realmente encontrá-la.
Perder as contas.
Era exatamente isso o que acontecia com Luke só de lembrar de quantas pessoas já havia parado pela avenida, tentando encontrá-la seguindo apenas um retrato falado.
Óbvio que nada daquilo estava sendo fácil e, diante das opiniões alheias, Luke estava sendo... Como poderia dizer?
Estúpido.
Sem noção.
Ignorou alguns olhares em sua direção e ainda mais o fato de que, provavelmente, estava sendo reconhecido.
Aquilo não importava. Não naquele momento.
Respirou fundo, abaixando o olhar.
Devia perder as esperanças. Afinal, já fazia dias que a procurava e, até então, não tinha encontrado sequer alguém parecido.
— Vem, Luke. Vamos embora — Michael analisou o rosto do amigo. Completamente perdido nos próprios pensamentos. — Já tá anoitecendo.
Colocou uma das mãos no ombro de Hemmings, deixando um aperto de leve ali.
Luke só assentiu, mais cabisbaixo do que nunca.
Talvez fosse a hora de esquecer tudo e deixá-la para trás.
Perder as contas.
Era exatamente isso o que acontecia com Luke só de lembrar de quantas pessoas já havia parado pela avenida, tentando encontrá-la seguindo apenas um retrato falado.
Óbvio que nada daquilo estava sendo fácil e, diante das opiniões alheias, Luke estava sendo... Como poderia dizer?
Estúpido.
Sem noção.
Observou mais um rosto negar sua pergunta, dando as costas para ele. Ignorou alguns olhares em sua direção e ainda mais o fato de que, provavelmente, estava sendo reconhecido.
Aquilo não importava. Não naquele momento.
Respirou fundo, abaixando o olhar.
Devia perder as esperanças. Afinal, já fazia dias que a procurava e, até então, não tinha encontrado sequer alguém parecido.
— Vem, Luke. Vamos embora — Michael analisou o rosto do amigo. Completamente perdido nos próprios pensamentos. — Já tá anoitecendo.
Colocou uma das mãos no ombro de Hemmings, deixando um aperto de leve ali.
Luke só assentiu, mais cabisbaixo do que nunca.
Talvez fosse a hora de esquecer tudo e deixá-la para trás.
heaven only knows i do…
Luke observava todos ao redor da livraria; preenchiam o local assim como as vozes e o alvoroço do lado externo. Pessoas seguravam CDs, pôsteres e camisetas, só esperando para que recebessem seus autógrafos.
Precisava admitir que estava orgulhoso. Nunca imaginaria que algum dia teria um reconhecimento tão grande como aquele. Era sensacional.
Calum, do seu lado, entregava um pôster com um sorriso enorme nos lábios. Ashton e Michael não estavam tão diferentes assim.
Hemmings entregou um dos CDs e aguardou a próxima pessoa se aproximar.
— Você é Luke Hemmings?
A garota perguntou, parecendo ler o nome em um pequeno papel.
Luke estranhou. O que ela fazia ali se ao menos o conhecia?
Fez uma pequena careta ao terminar de ler e ergueu os olhos em direção ao loiro, o vendo concordar brevemente.
— Poderia autografar? — estendeu o CD, rapidamente. — É pra minha irmã, o nome dela é . É louca por vocês.
Olhou para os outros integrantes da banda. E, enquanto autografava, Luke observou de canto que ela não parecia ligar para a presença deles. Estava mais concentrada em seu celular e mal percebeu quando ele estendeu o CD de volta.
— Obrigada.
Sorriu, dando as costas enquanto jogava os cabelos castanhos sobre os ombros.
Aquilo fez o coração de Hemmings aquecer sem que percebesse.
— Ei, espera! — levantou uma das mãos, a chamando.
Ela se virou, com uma das sobrancelhas arqueadas, sem entender o que acontecia. Luke pôde observar as nuances de seu rosto, os pequenos detalhes e até mesmo as bochechas enrubescidas.
— Como você se chama?
O observou, dando de ombros.
— Pode me chamar de…
Ele respirou fundo, abrindo os olhos subitamente. O quarto já estava claro, mostrando que já amanhecia. Hemmings não se deu ao trabalho de ver que horas eram. Sua atenção estava focada no teto branco, onde alguns filetes da luz da janela o estampavam.
O suor escorria nas laterais de sua testa por um motivo que não sabia bem.
Fazia tempos que ele não sonhava com algo relacionado a alguém, muito menos esse alguém sendo uma garota. E, bem, uma garota extremamente bonita. Naturalmente bonita, que lhe dava a leve impressão de que a conhecia de algum lugar.
Os lábios rosados pelo tempo, o rosto delicado, o tom de pele claro. Os cabelos marrons, as sobrancelhas franzidas em questionamento e os olhos castanhos, firmes nele.
Luke não se lembrava de ninguém igual a ela.
Piscou algumas vezes, tentando focar a atenção em outra coisa. Puxou todo o ar ao se sentar na cama e só então percebeu o quão atrasado estava para a pequena reunião no estúdio.
Em um pulo, já estava de pé, se preparando o mais rápido que podia.
Em poucos minutos, ao menos para ele, estava em frente à grande porta de madeira, já podendo ouvir o barulho da conversa do lado de dentro.
— Chegou cedo, Hemmings — Calum comentou, olhando divertido. — E parece que caiu da cama.
— Estranho seria se não tivesse caído — ouviu a voz de Ashton e virou o rosto, observando os demais ali soltarem uma risadinha.
Resolveu ignorar, ainda cismado com a imagem da garota. Talvez não tivesse sido exatamente um sonho. Pode ser que realmente tenha acontecido e ele não se lembrasse.
Olhou para os companheiros de banda que agora afinavam seus instrumentos, concentrados.
— Eu perguntei o nome de alguma garota em uma dessas tardes de autógrafos? — perguntou, quebrando o silêncio. Olharam em sua direção, com a expressão inteiramente confusa. — Conversei com alguma? Chamei alguma em específico?
— Você tá bem, cara? — Michael arqueou a sobrancelha, visivelmente preocupado.
— Altura mediana, cabelos castanhos, pele clara. Nada? — insistiu. Eles negaram com a cabeça. — Sonhei com essa garota. Tenho a impressão de que a conheço de algum lugar.
Luke ainda sentia os olhares queimando sobre si.
Bufou, irritado. Parecia real demais para ser só um sonho.
— Você vê muitos rostos por aí. Já pensou nisso? Pode ter visto algum e simplesmente memorizado ele — Michael deu de ombros e Calum, do seu lado, concordou.
— Tenho essa sensação…
— É pressão demais — Ashton interrompeu. — Deve estar passando por um estresse daqueles. Te entendo.
— Não tive uma noite muito boa. Só isso.
Luke deu de ombros, seguindo em direção ao violão no canto do estúdio.
Os amigos não pareceram se importar muito com o assunto, já que logo focaram em seus afazeres.
E, antes de começar seu trabalho, Luke respirou fundo, achando o que acontecia estranho demais.
O carro estacionou em frente ao local.
Não estava tão cheio assim, apesar de algumas pessoas já estarem em um pequeno grupo ali, como se esperassem algo ansiosamente. Luke sabia, com certeza, que esperavam por eles.
Calum desceu em um pulo, sorrindo para os flashes e seguiu junto aos outros dois para dentro do lugar, acompanhado pelos seguranças.
— Não tá tão cheio assim. Isso é bom — Ashton olhou em volta, observando o lugar. — Vou escolher uma mesa.
— Luke,pode pegar os cardápios? Eu guardo seu lugar.
Michael deu dois tapinhas nas costas dele e, antes que pudesse responder, já estava se ajeitando em sua cadeira, bem no fundo da cafeteria.
Luke revirou os olhos.
O lugar realmente não estava tão cheio, mas a fila que se formava ocupava boa parte do caminho, impossibilitando que pegasse os benditos cardápios no balcão.
E, enquanto estava ali parado, esperando que a passagem fosse liberada, puxou o celular do bolso e começou a observar algumas notificações no Twitter.
Olhou de relance para trás, onde os amigos estavam sentados e notou Calum andando em sua direção.
— Ei, cara, já que se ofereceu pra pegar os cardápios, podia fazer logo os pedidos, hein? Sorriu, colocando as mãos no bolso.
Luke arqueou uma das sobrancelhas.
— Tá falando sério?
— Qual o problema? Você já tá esperando mesmo — Calum deu de ombros, olhando brevemente as pessoas à frente. — E já sabe o que queremos. Te vejo na mesa!
— Folgado — Luke resmungou.
Passou os olhos por todo o ambiente, percebendo o quão pequeno e confortável era. Não era chique ou cheio de protocolos, como os demais lugares que estava acostumado a frequentar.
Era simples e ali Luke poderia agir como uma pessoa normal, até mesmo na questão de estar em uma fila fazendo o próprio pedido.
Assim que chegou sua vez, se aproximou, esticando as mãos até o montinho de cardápio.
— Boa tarde! Já foi atendido?
Ouviu uma voz conhecida e levantou o rosto para ver quem era.
A mesma garota que havia encontrado na tarde de autógrafos.
— Ahn, não. Quer dizer, só vim pegar os cardápios... — balançou a cabeça, apontando para o menu que tinha em mãos.
Luke a observou por mais alguns instantes, esperando que ela o reconhecesse, mas parecia que a garota sequer se lembrava do cantor.
— O que vai pedir?
Luke encarou o cardápio mais uma vez, incomodado com o que acontecia. Será que ela não se lembrava dele mesmo?
Parecia não saber da sua existência.
Fez os pedidos e, ao vê-la anotar tudo, resolveu tentar puxar assunto.
— Me lembro de você. Na tarde de autógrafos.
Ela pareceu pensar bastante e, no último instante, deixou um pequeno sorriso escapar dos lábios.
— Claro — abaixou o olhar rapidamente, passando o bloco de notas para a outra mão. — Como ia esquecer? Minha irmã é louca por vocês. Você tem uma banda, né?
Pareceu um pouco incerta ao dizer a última frase e colocou a caneta na boca, deixando evidente certo nervosismo.
Luke achou aquilo um tanto sexy.
— Sim. Eu e meus amigos — respondeu, se virando para a mesa ao fundo, onde os três conversavam animados. — Sua irmã se chama ? Lembro que você comentou algo relacionado.
Ela balançou a cabeça rapidamente, concordando.
— No dia ela não conseguiu entrar na livraria. Os seguranças só tinham permitido poucas pessoas, mas eu já estava lá dentro. Cheguei minutos antes de vocês e tinha ficado do lado de fora. Ela estava em crise — soltou uma risadinha, parecendo se lembrar. — Então resolvi fazer algo pra ajudar, já que estava lá dentro.
— Isso foi legal da sua parte — o cantor comentou, depositando os cardápios no balcão, genuinamente interessado na conversa. — E o que ela achou?
— Bom, demorou um pouco pra eu sair. Realmente estava muito cheio, mas quando consegui, pulou em cima de mim arrancando o CD das minhas mãos. Foi engraçado. Só conseguia rir enquanto ela abraçava o objeto várias vezes — estreitou os olhos, deixando uma risada escapar.
No mesmo segundo, Luke parecia ter sido contagiado pela risada dela.
— Sempre vejo coisas assim, mas você falando parece bem mais engraçado — comentou.
Ela mordiscou os lábios, assentindo.
— Acho que, se o favorito dela tivesse autografado, ela desmaiaria. Tenho certeza disso.
— O favorito dela? — Luke perguntou, curioso.
— Não que ela não goste de você ou dos outros meninos, mas minha irmã é completamente apaixonada pelo garoto de cabelo colorido. Não consigo gravar o nome dele de jeito nenhum. E olha que ela vive falando dele o tempo inteiro — fez uma careta, sorrindo em seguida e mostrando as entradinhas ao lado da boca.
Aquilo fez com que Luke a observasse por um segundo a mais antes de responder.
Os cabelos da garota agora presos em uma trança de lado, evidenciando ainda mais seu rosto.
— Michael. O de cabelo vermelho — comentou, virando o rosto e apontando discretamente para o amigo que amassava um guardanapo entre os dedos. — Talvez algum dia eu possa apresentá-lo a ela.
Ela abriu a boca para responder, mas a fechou em seguida, sem acreditar no que ele havia dito.
— Que foi?
— Realmente faria isso? Quer dizer, ela não vai acreditar — os olhos dela brilhavam. E, para ser sincero, o brilho nos olhos da garota fez Luke querer chamar Michael na mesma hora e já marcar um encontro com a irmã dela.
— Seria uma surpresa e tanto. O que acha? — sorriu de canto, ainda olhando para a garota.
— Ela vai enlouquecer — riu, passando uma das mãos pelo cabelo. O olhar ficou vago, como se a mente estivesse na irmã. Então, olhou para o lado, arregalando os olhos. — Céus! Esqueci do seu pedido. Eu levo pra vocês, tudo bem?
Passou as mãos pelo avental, sorrindo enquanto se preparava para ir em direção ao balcão oposto.
— Vou precisar do seu número — Luke disse, um pouco mais alto, fazendo ela se virar rapidamente. — Vou precisar falar com você pra marcarmos.
— É, verdade.
Deixou um sorrisinho escapar, tirando o bloco de notas do bolso do avental.
Anotou os números e entregou, mordiscando os lábios.
Luke achou aquilo uma graça.
— Eu ligo pra você.
Hemmings levantou o papel branco, sorrindo.
Observou a garota se afastar e abaixou o olhar, encarando o papel que tinha nas mãos antes de guardá-lo no bolso da calça.
Luke piscou os olhos vagarosamente, como se a luz que atravessava as persianas fosse cegá-lo.
Olhou para o lado, reconhecendo perfeitamente onde estava deitado; no estúdio.
Isso o fez soltar um enorme urro de frustração.
Encarou os instrumentos espalhados pelo lugar, sem avistar os meninos ali, como estavam antes. Impulsionou o corpo com as mãos e se sentou no sofá, pensando no sonho que havia acabado de ter.
E saber que tinha sido apenas um sonho o irritava.
Quem era aquela garota? Por que estava invadindo seus sonhos toda vez que simplesmente dormia?
E o que mais o intrigava; não a conhecia.
Não sabia seu nome, sua idade e muito menos se ela realmente morava ali, em Sydney. Ou se existia.
Respirou fundo, mas logo em seguida se lembrou do pequeno papel branco que tinha colocado no bolso e, num pulo, enfiou as mãos nos bolsos da calça preta, procurando por ele.
— Não sei, da última vez não tivemos tempo e... — ouviu a voz de Ashton se aproximando, mas resolveu ignorar.
— Droga.
Murmurou tão alto que quase pareceu outro urro saindo de sua boca.
— Luke, tá tudo bem?
— Não. Quer dizer… Sim. Eu acho — deixou o corpo cair no sofá novamente e cruzou os braços, emburrado.
— Você dormiu que nem pedra. E agora tá com essa cara de quem teve um pesadelo — Calum apontou, se sentando no braço do sofá.
— Antes fosse um pesadelo — resmungou. Ainda o observavam, como se esperassem que dissesse algo mais. — Tem essa garota com que tenho sonhado. Falei da última vez e vocês não levaram a sério, mas… Não sei, tem sido tão frequente. Real demais.
— Ok. Realmente acho que você não tá bem — Michael se virou em sua direção, com o cenho franzido.
— Tô falando sério, Michael. Tenho a impressão de que conheço mesmo essa garota, só que os sonhos são limitados. Quando acho que vou descobrir seu nome, eu acordo. O número de telefone que ela tinha me dado e era pra estar no meu bolso, não tá mais. Não sei o que fazer.
Luke passou uma das mãos pelo cabelo, confuso e aborrecido.
— Hemmings, é só um sonho. Não significa nada — Ashton se aproximou, mantendo os olhos fixos no amigo. — Talvez você deva relaxar um pouco. Ou podemos procurar ajuda pra…
— Não quero ajuda nenhuma. Sei que tem alguma coisa. Que saco — se levantou, seguindo rumo à porta do estúdio. — Vocês não entendem.
— Aonde você vai?
Calum questionou, se levantando também.
— Não muito longe. Preciso ir a um lugar.
Luke fechou a porta rapidamente e seguiu rumo à calçada, olhando para os lados.
Não era exatamente confiável estar sozinho pelas ruas de Sydney, onde haviam vários fãs espalhadas, mas sentia que precisava fazer aquilo, mesmo sabendo dos riscos que corria.
O engraçado é que a cafeteria do sonho era familiar de algum jeito.
Caminhou mais um pouco, observando atentamente cada loja por onde passava.
O celular em seu bolso não parava de vibrar. Certeza que eram seus companheiros de banda tentando desvendar o que acontecia na cabeça de Luke Hemmings.
Parou para tomar um pouco de ar, já que praticamente estava correndo e, ao desacelerar, observando todos que passavam ao seu lado, avistou o lugar do outro lado da rua.
Um pouco parecida com o que ele tinha visto nos sonhos.
Não demorou muito para que já estivesse em frente à cafeteria, observando toda a fachada. E a sensação de déjà vu tomou conta de si.
O lugar não estava como no sonho; estava um pouco mais cheio. Pessoas se enfileiravam no caixa, outras ocupavam as mesas e as banquetas. Muitos olhares se voltavam para Luke — provavelmente estava sendo reconhecido pela maior parte das pessoas ali.
Percorreu o ambiente com os olhos, procurando pela garota e, ao avistar uma loira com o mesmo avental do sonho, se aproximou e a chamou de leve.
Talvez conseguisse alguma informação com ela.
Mas, assim que se virou, os olhos da garota se arregalaram.
— Oi. Só queria uma informação — disse. Ela assentiu rapidamente.
Luke engoliu em seco, sem saber ao certo como começar. Não iria mencionar nada sobre o sonho; ela o chamaria de louco. Então, sua única saída era… Mentir.
— Vi uma garota com o mesmo avental que o seu, há algumas quadras. Queria saber se ela realmente trabalha aqui — deu um meio sorriso, olhando em volta discretamente. — Ela é, hm, não é tão alta — tentou mostrar a altura com as mãos, gesticulando rapidamente. — Tem os cabelos castanhos na altura dos seios, os olhos castanhos também. Tem umas entradinhas na boca... Droga, eu tô parecendo um idiota — abaixou o olhar, falando um pouco mais baixo. Luke, você é um péssimo mentiroso, seu consciente gritava. — Talvez conheça alguém com essas características. Conhece?
Tinha quase certeza de que ela havia notado seu tom desesperado. Os olhos da garçonete estavam pousados nele, a expressão levemente preocupada.
Parecia paralisada.
Negou com a cabeça num gesto rápido, olhando em volta.
— Não, não conheço ninguém com essas características — sorriu, visivelmente nervosa. — Você… Você tá bem?
Luke fechou os olhos, soltando todo o ar.
Resmungou, sorrindo sem muito humor em agradecimento e virou as costas, seguindo de volta para a calçada.
Sentiu todo o corpo estremecer e a cabeça girar.
Precisava ir para casa.
Precisava sonhar com ela mais uma vez.
O teto do quarto nunca havia sido tão atrativo como naquele instante.
O barulho dos carros lá embaixo não o irritava, como de costume.
Luke estava calmo, até demais. Porém, nervoso. Muito nervoso.
O celular em suas mãos tinha o display aceso, com os números já digitados. O que faltava era a coragem de ligar. O botão verde nunca havia sido tão convidativo.
Pressionou as têmporas, como se aquela fosse sua deixa e, sem pensar mais, apertou o botão, sentindo o coração acelerar dentro do peito. Os toques eram insistentes e isso só o deixava mais agoniado.
Hemmings fechou os olhos até que alguém atendesse, mas logo se sentou na cama ao perceber que o barulho havia cessado.
Pôde ouvir a respiração calma do outro lado.
— Alô?
Aquela voz não era dela. Será que ela havia lhe dado o número errado?
— Oi. Quem tá falando?
— Eu que pergunto. Você quem ligou pra cá.
Luke franziu o cenho com o jeito da pessoa. Com toda certeza não era a garota da cafeteria.
— Quem tá falando?
— Luke Hemmings.
Ele engoliu em seco, encostando o corpo no travesseiro.
— Ah, claro. E eu sou a Lady Gaga — a garota riu do outro lado. — Não pode estar falando sério. Por favor.
Luke resolveu arriscar, lembrando da única pessoa de quem recordava o nome.
— Você é a ?
— É, sou sim. Por quê? Quem tá falando?
— Posso falar com sua irmã?
Percebeu a ligação ficar nitidamente em silêncio e, em seguida, o que parecia ser a garota bufando.
Ao fundo, ouviu a mesma voz resmungar.
— Tem um cara dizendo que é o Hemmings. Vê se pode. Toma, deve ser um dos seus amigos de palhaçada com a minha cara.
Luke não pôde deixar de rir com o comentário da garota. Se ela realmente soubesse que era ele ligando, não acreditaria mesmo tão fácil.
Por alguns segundos, não ouviu voz alguma no celular. Escutou algo como uma porta batendo.
— Luke?
Ele fechou os olhos, sentindo um grande alívio ao ouvir a voz dela.
— Se minha irmã descobre que é você, acho que estaria levando ela pra um hospital agora. — Só consegui pensar nisso. Ela faz muitas perguntas — riu fraquinho, encarando uma das paredes. — Você tá bem?
— Sim. Só um pouco entediada — a garota respirou fundo. — E você, tá bem?
— Tô sim — Hemmings balançou a cabeça assentindo, como se ela pudesse vê-lo. — Achei que tinha me dado o número errado.
— Não, não mesmo — respirou fundo. — Mas, pra ser sincera, não levei a sério que realmente iria ligar. Você é o Luke Hemmings.
— Isso não quer dizer que eu não ligaria. Eu disse que ia ligar.
Ela ficou em silêncio, assim como ele.
Luke não sabia ao certo o que dizer.
— Isso chega a ser engraçado. Nunca me imaginaria falando com você — ela comentou, com a voz suave. — É estranho.
— É estranho falar comigo? Uau.
Soltou uma risada baixa, sem deixar de sorrir.
— Não. Claro que não. Só não parece real, sabe? — ele também pôde ouvir a risada dela.
— Você realmente não tá acreditando — Luke comentou, por fim, gargalhando. — Parece até que a fã aqui é você. Talvez sua irmã não seja a louca por nós…
— O que você tá insinuando, Hemmings?
Ele pressionou os lábios, segurando a risadinha ao ouvir o tom de voz exaltado dela.
— Nada. Você me viu pessoalmente, era pra estar menos nervosa por telefone.
— Não tô nervosa — retrucou. — Só não consigo acreditar muito.
— Tudo bem. Vou acreditar em você — comentou, esperando que ela respondesse algo, mas não conseguiu ouvir nada. Nem mesmo sua respiração. — Ei, tá aí?
— Sim, Luke.
— Andei pensando em algo. Sobre o que conversamos.
— O quê?
— O que sua irmã acharia de ver o Michael pessoalmente? Pensei em nos encontrarmos e aí eu poderia levar ele — Luke respirou fundo, mordiscando o lábio inferior. — Queria saber o que você acha. É uma boa ideia?
— Se é uma boa ideia? — indagou, já animada do outro lado. — vai pirar quando souber. Você não tem noção de como essa garota fica olhando pra foto do seu amigo.
— Acho que posso imaginar — riu abafado. — Que bom que gostou. Tenho uma ideia de onde podemos ir.
— E aonde seria?
— Você vai saber — assentiu para si mesmo. — Preciso organizar tudo. E não esqueça que, pra sua irmã, é uma surpresa.
— Tudo bem. Não vou esquecer.
— Juro que se ele não acordar, esse café vai…
Luke ouviu Calum dizer, provavelmente já irritado. Abriu os olhos claros vagarosamente, avistando os três amigos dentro do carro, todos o encarando.
Ashton tinha o olhar preso nele, observando cada movimento que Hemmings fazia. Michael mantinha o queixo apoiado nas mãos, observando Luke e a expressão preocupada. E Calum estava ocupado demais o praguejando.
— Eu tô acordado — comentou, ainda sonolento.
Sem muita pressa, apoiou as mãos no estofado e ergueu o corpo.
Ashton, que era o que estava mais próximo, arqueou as sobrancelhas como se tentasse entender o que é que acontecia e voltou a prestar atenção em seu celular, chamando Calum enquanto apontava para o aparelho.
Já Michael, que tinha o olhar focado na paisagem que passava pela janela do veículo, conseguiu, com um pouco de dificuldade, se sentar ao lado de Luke, continuando em silêncio.
— Não sei o que tá acontecendo com você, cara. Não sei mesmo. Queria entender, mas você tem andado estranho demais ultimamente — Michael encarava os próprios dedos, que mexiam de um lado para o outro.
Ergueu o olhar para Luke, como se esperasse alguma resposta.
O amigo respirou fundo, pressionando os lábios.
— Tem essa garota, Michael. Vejo ela todas as vezes que durmo. Não consigo sonhar com outra coisa que não seja ela. Eu vejo os olhos castanhos, eu ouço a voz dela. É tão real e me sinto inteiramente perdido, mais ainda por sequer saber da existência dela. Não sei como ela se chama, nem onde mora — abaixou a cabeça, fechando os olhos brevemente. — Me sinto um idiota.
Michael suspirou, se preocupando como antes.
Nenhum deles acreditaria. Não entendiam.
— Sei que isso tem te atormentado, mas tenta pensar em outra coisa. Por você. Isso tá te deixando acabado. Você tem olheiras enormes — apontou para o rosto de Hemmings. — Não consegue dormir direito porque sempre acorda assustado e… Quem é , cara? Você diz esse nome quando dorme.
Luke deixou a mente vagar, à procura de vestígios do que sonhava. Não podia mentir dizendo que os sonhos frequentes não estavam acabando com ele. Não conseguia ter uma noite de sono decente, estava acordando antes do horário devido e tudo isso só para permanecer acordado, com medo de que o rosto delicado da garota caísse no esquecimento.
Passou as mãos pelo rosto, visivelmente irritado e voltou a olhar para o amigo.
— Nós estamos próximos ao seu apartamento. Você pode ficar e descansar direito. Se isso não acontecer… — Michael puxou todo o ar e sorriu de lado. — Nós damos um jeito.
Michael estava calmo, até demais.
Tinha os olhos focados nos brinquedos ao redor e parecia não ligar para o fato de que, dali a alguns minutos, uma fã completamente apaixonada se jogaria em seus braços.
O parque não estava tão cheio de pessoas quanto Luke imaginara. Os brinquedos estavam ocupados, mas nada de filas enormes ou pessoas falando alto. Estava na medida certa para um fim de tarde.
Caminharam mais um pouco, enquanto as irmãs não chegavam. E, à medida que passavam pelas pessoas, recebiam olhares surpresos e, em muitos casos, animados. Não era todo dia que dois cantores famosos andavam calmamente em um parque de diversões assim.
Luke colocou uma das mãos no bolso da calça enquanto olhava as horas pela milésima vez. Tinha certeza de que haviam marcado a hora certa; ou ele estava adiantado demais.
— Você pediu pra ela vir com os olhos vendados, Luke? — Michael perguntou, olhando para um lugar em específico, com a sobrancelha arqueada.
Hemmings acompanhou o olhar do amigo e conseguiu ver a garota guiando a irmã mais nova, que tinha os olhos vendados. tinha os cabelos mais claros que os da irmã e era um pouco mais alta.
Do seu lado, a morena a conduzia com um sorriso enorme no rosto. Luke pôde perceber, nesse pequeno ato, o quanto as duas eram próximas uma à outra.
Michael também observava as duas caminhando vagarosamente pelo parque. A mais baixa olhava para todos os lados, provavelmente procurando pelos dois.
— Foi ideia nossa. Único jeito de não te ver de longe — deu de ombros.
— Você fala como se já fossem um casal — o amigo riu, batendo uma das mãos em suas costas. Luke deixou uma risadinha escapar. — Onde tá o antigo Hemmings, hein?
— Não enche.
Luke revirou os olhos.
Colocou uma das mãos no bolso da calça jeans ao perceber que ela os havia visto e, assim que pousou os olhos nele, sorriu abertamente.
— Ei, cara — Hemmings olhou para o lado ao ouvir Michael. — Tem uma coisa escorrendo aí. Eu acho que é baba.
O loiro não conseguiu conter uma risada sem graça ao ouvir o comentário. O simples fato de olhar para a garota o deixava entorpecido.
Ela estava simples. E linda, muito linda.
não ficava para trás, mas a irmã tinha algo especial, algo diferente.
As duas se aproximaram e Luke percebeu que a mais baixa pediu para que ficasse em silêncio.
Olhou para Michael que observava a garota vendada, como se a estudasse.
— Oi! — a morena disse, animada. Suas bochechas estavam avermelhadas. — Não foi fácil achar vocês.
Michael riu ao notar olhando para os lados, como se realmente conseguisse enxergar algo.
— Quem tá aí? — perguntou, curiosa.
— , qual o nome daquele cara famoso que você vive comentando comigo? O do cabelo arco-íris — a irmã perguntou e levou uma das mãos à boca, segurando a risada ao ver a careta que Michael havia feito.
— Por quê? — perguntou, quase deixando a venda escapar das mãos da outra. — Impossível que você não lembre. Eu vivo…
— Só responde, .
— Michael Clifford — deu de ombros. — Agora vai me responder o por quê?
— Não sei… — a morena disse, se aproximando do ouvido da irmã. — Por que você não vê?
E então tirou a venda.
Por um segundo, Luke achou que não tivesse visto Michael bem à sua frente, mas no instante seguinte, os olhos da garota grudaram nele, completamente arregalados.
— Eu não… Você não… Puta merda, garota! — piscou freneticamente, olhando para Michael. Seus olhos brilhavam. — Como você… Caramba, como você conseguiu fazer isso?! Luke!
Luke observou a garota ir em sua direção, como se tivesse se lembrado dele logo depois. Deixou uma risadinha escapar e a abraçou.
— Ah, eu tive meus contatos — a morena piscou para ele. Luke sorriu outra vez, desta abobado.
se aproximou de Michael, que estava de braços abertos e se jogou nele, recebendo um abraço apertado, recíproco. Em seguida, ele a girou no ar. Os olhos da garota permaneciam fechados, como se não estivesse acreditando no que acontecia.
— Ela não vai soltar ele nem tão cedo.
Luke ouviu a voz ao seu lado e virou o rosto, encarando o par de olhos centrados nele.
— Dá pra ver que não.
— Hemmings, vou levar pra dar um passeio por aí. Ela merece — a morena piscou para a irmã, que sorria abertamente, agarrada ao braço de Michael.
— Vai lá. Nós vamos fazer o mesmo.
Michael assentiu e saiu junto de , que não parava de falar sobre como tudo aquilo era surreal.
O loiro passou as mãos pelos cabelos, os bagunçando e pôde sentir o olhar da garota ao seu lado sobre si. Assim que a encarou, a morena desviou o olhar para um dos brinquedos à frente.
Mesmo agindo daquela forma, era nítido ver suas bochechas queimando pela timidez.
E ele não parecia muito diferente.
— Então... — iniciou, mordiscando o lábio inferior. — Já foi em algum desses brinquedos?
— Ah, não. Ainda não tive oportunidade. Pra falar a verdade, desde que o parque tá aqui, só ouvi falar — seus olhos percorriam todo o local. — É bem bonito.
— Não acha que essa é a oportunidade perfeita? — Luke virou o rosto. — Quer dizer, você tá aqui agora. Por que não?
— É... Por que não?
Ela riu fraco, abraçando a si mesma.
O céu estava num tom de azul que não era nem tão claro, nem tão escuro. Bonito demais para ser verdade.
Os dois caminharam em direção à roda gigante mais a frente.
— Vem — ele segurou a mão da garota repentinamente. O ato foi tão rápido que o pequeno choque entre as mãos quentes fez com que ela desviasse o olhar de seus dedos entrelaçados para o rosto do cantor. — Você não vai se arrepender.
Sorriu de lado, a observando.
— Pra onde pretende me levar?
Perguntou, estreitando os olhos.
— Ahn... — coçou a nuca, um pouco nervoso. — Eu pensei…
Antes de terminar a frase, ouviu gritos animados ao redor e virou o rosto, observando um grupo pequeno se aproximando. Mais animado que o normal.
— Luke! Luke! Oi! — uma loira surgiu com uma câmera e um celular nas mãos.
— Oi!
A cumprimentou com a mesma empolgação, embora se sentisse um pouco incomodado pela interrupção.
— Ei, você pode tirar uma foto nossa?! — a garota se virou para a morena ao lado de Luke, estendendo o celular que tinha em mãos. A irmã de sorriu, assentindo rapidamente e pegou o aparelho, pedindo para que os dois fizessem uma pose para a foto.
— Pronto.
Foi então que a fã olhou da garota para Luke.
— Ela é a sua nova namorada? — perguntou, com os olhos brilhando. — Espero que seja. Você é bem legal. Diferente da outra… — deu de ombros. — Tenho que ir agora. Foi incrível te encontrar!
Se aproximou mais uma vez, dando um beijo estalado no rosto de Luke e se virou, acenando minimamente para a garota ao lado dele, que retribuiu.
— Desculpe por isso. Elas costumam mesmo ser desse jeito.
— Você se desculpa por isso? — apontou para a loira, já longe dos dois. — Não tem que se desculpar. São seus fãs, seu reconhecimento.
Luke piscou algumas vezes, absorvendo o que ela havia dito; era algo bem diferente do que estava acostumado a ouvir.
— Pra ser sincero, achei que você iria se incomodar.
— Nem um pouco.
E foi aí que o cantor deixou seus olhos caírem sobre ela. Tão espontânea e simples.
— O que acha daquele ali? — apontou para a frente, fazendo com que ele “acordasse”.
Luke acompanhou a direção do gesto e avistou uma grande montanha-russa.
Nada extraordinário, mas interessante.
— Por mim, topo qualquer coisa — respondeu. Com você, quis acrescentar, mas preferiu manter apenas em pensamento por enquanto.
Em poucos minutos já havia comprado as entradas já que o parque não estava cheio. Pararam na pequena fila, aguardando a próxima rodada.
— Então quer dizer que você tem uma ex?
Luke olhou para ela assim que ouviu o comentário.
Não sabia ao certo o que responder, ainda mais com os olhos da garota presos nele.
Sorriu no instante seguinte, deixando claro que estava interessada no assunto.
— Ah, não. Foi um passado obscuro. Não vale a pena lembrar.
Ele deu de ombros. Aquilo a fez rir fraquinho.
— Te entendo. Tem coisas que realmente não valem a pena serem lembradas.
O barulho do brinquedo estacionando nos trilhos estreitos ecoou e a trava de segurança foi levantada para que aqueles que estavam sentados pudessem sair. Foram até a pequena escada e logo já estavam acomodados nos assentos, se ajeitando enquanto a trava voltava a ser abaixada.
— Isso vai ser incrível! — a garota comentou, completamente empolgada.
— Espero que não comece a gritar, pedindo para que parem o brinquedo.
Ela o encarou, com os olhos estreitos.
— Não sou igual a você, Hemmings.
Disse de um jeito quase infantil, mas acabou sendo engraçado. Luke não conseguiu conter a gargalhada e ela rolou os olhos, ainda com aquele sorrisinho de canto.
— Sabe que não é uma montanha-russa qualquer, né? — Hemmings arqueou a sobrancelha, parando o olhar no dela.
Os olhos da garota se arregalaram no exato instante em que o carrinho praticamente voou, subindo na primeira curva.
— Não acredito nisso! — ela gritava enquanto ele não se aguentava de tanto rir. — Não sabia que era assim!
— Calma! — respondeu, no mesmo tom. — É só o começo!
Ela soltou mais um grito, mas dessa vez, rindo junto com ele. Colocou os braços para cima ao descerem a curva, com um sorriso enorme nos lábios.
Ao perceber que outra subida vinha, segurou o braço de Luke, apertando o mais forte que podia.
Dava para imaginar o frio na barriga que estava sentindo.
O carrinho parou em um trilho longo, reto, onde ao final havia uma descida, iniciando a última curva.
Luke olhou para a garota do seu lado, com os cabelos voando sobre o rosto devido ao vento na altura, o sorriso lindo nos lábios e os olhos brilhando.
— Acho que vou te beijar.
Disse, mais para si mesmo do que para ela. Respirou fundo; seu coração estava a mil.
— O quê?!
Virou o rosto em sua direção.
A única coisa que Luke conseguia pensar era no gosto dos lábios rosados.
Não podia perder mais tempo.
Então, a beijou.
Não!
Foi a primeira palavra que ecoou na mente de Luke.
Ele abriu os olhos e, ao encarar o teto branco do quarto, caiu na realidade.
Havia sonhado. Sonhado. Só isso, nada mais.
Não tinha tocado nela de verdade. Não tinha sentido o choque da mão morna da garota com a sua e nem mesmo o seu beijo.
Como tudo tinha sido apenas um sonho? Não era possível. Tinha que ser real.
Engoliu em seco, pousando as mãos sobre os olhos. Precisava fazer alguma coisa.
Deu impulso com os braços no colchão, passando os olhos pelo quarto à procura do celular. Pegou o aparelho em cima do criado-mudo e discou os tão conhecidos números; o da única pessoa em quem confiaria para pedir ajuda.
Michael.
— Luke? O que foi? — ouviu o resmungo do amigo do outro lado da linha. — São nove da manhã. O que aconteceu?
— Preciso da sua ajuda — Luke disse, direto e rápido. — Preciso muito da sua ajuda. E sim, tem a ver com os sonhos. Michael, eu beijei ela. Não é possível que tenha sido só um sonho!
Já estava frustrado naquele ponto.
Sentia o coração pulsar mais rápido toda vez que dizia alguma palavra que o fizesse lembrar de que aquilo era realmente coisa da sua mente.
— Dá pra se acalmar, por favor? — Michael disse, um pouco mais firme. — Posso te ajudar. Eu só… Nós precisamos conversar.
Em poucos minutos, Michael já estava no apartamento de Luke, entrando rapidamente, com o rosto ainda amassado pelo sono interrompido.
— Cara, não queria ter te acordado assim, mas é que eu tô desesperado… — Hemmings iniciou, mas o amigo levantou uma das mãos, o interrompendo.
— Você é meu melhor amigo. Um irmão pra mim, sabe bem disso, mas, Luke, você já se ouviu? Olha bem pro que você tá falando, cara. É muita loucura! Não vai me dizer que você tá apaixonado por essa garota também, né?
O loiro o encarou, sem dizer nada.
Michael franziu o cenho, realmente tentando entender o que acontecia ali.
Respirou algumas vezes, como se debatesse consigo mesmo.
— Tem como parar com isso? Você não tá ajudando — Luke bufou, irritado.
— Certo — Michael fechou os olhos brevemente. — Como ela é?
Hemmings piscou algumas vezes, sem entender onde o amigo queria chegar.
— O quê?
— Você me ouviu. Como ela é? Qual a cor do cabelo dela, cor da pele, se tem alguma, sei lá, mancha de nascença? Qualquer coisa que ajude!
— Não tô entendendo — passou as mãos pelo cabelo, ainda mais nervoso do que antes. — Vai mesmo me ajudar?
— Você é como um irmão pra mim, já disse. Um irmão sem noção, mas ainda continua sendo — deu de ombros. — Vou te ajudar a encontrar essa garota, mas com uma condição. E eu espero que você leve isso a sério.
Luke balançou a cabeça rapidamente, concordando.
— Se não a encontrarmos e esses sonhos continuarem, você vai procurar ajuda. Eu vou procurar ajuda pra você. E você vai tentar esquecê-la de todas as formas possíveis.
— Tudo bem. Por onde nós começamos?
Perguntou, sorrindo minimamente.
— Nós eu não sei, mas você começa pelo chuveiro. Tá fedendo — Michael fez uma careta, se jogando no sofá. — E depois vamos procurar o Ashton. Talvez ele possa fazer algum retrato falado.
Um mês depois
Luke passou as mãos pelo rosto, sentindo uma pontada no peito.Os últimos dias estavam voltando a ser tão normais quanto antes. No fim das contas, Michael estava certo.
Talvez ela sequer existisse.
Durante uma semana e meia, ainda sonhava com a garota, todas as noites. Sonhos mais vívidos e intensos. Sonhava com os beijos constantes, os abraços e até a troca de olhares. E, toda vez que acordava, a mesma pergunta voltava em sua mente; Como podia ser só um sonho?
Mas, poucos dias depois, ela simplesmente deixou de aparecer.
Nem mesmo em um cochilo rápido.
Luke não conseguia mais sonhar com ela. Não conseguia nem lembrar da última vez que tinha visto o rosto delicado, muito menos se recordava de como era sua voz.
Os sonhos tinham se tornado lembranças picadas em sua mente, e aquilo massacrava seu coração.
O massacrava por inteiro.
Era muita loucura ele ter vivido coisas tão incríveis e nenhuma delas ser real. Hemmings se sentia entorpecido, perdido e sem direção.
Talvez até louco.
Continuava procurando pela garota em todos os lugares em que ia, até mesmo em entrevistas e tardes de autógrafos. Era uma loucura enorme e percebia claramente os olhares pesarosos dos amigos sobre si.
Ashton havia o ajudado com o retrato falado, Calum saía à procura da garota do seu lado e Michael parecia não desistir tão fácil. Andavam por horas sempre que tinham algum tempo livre, longe das gravações no estúdio.
Luke ia de lugar em lugar tentando trazê-la de volta, com muita sorte, na realidade.
Observou mais uma vez as cordas do violão dançarem toda vez que as dedilhava.
Aquilo havia se tornado seu passatempo nas últimas semanas.
— Ei, Luke — Michael se aproximou e o sofá ao seu lado afundou. — Não quer sair um pouco? Os meninos estão na outra sala planejando alguma coisa pra esse fim de semana.
O amigo o observou, com os olhos pequenos por não conseguir dormir direito. Michael analisou seu rosto atentamente e, em seguida, sorriu triste.
— Não. Tudo bem. Vocês podem ir sem mim.
— Ok. Já entendi — se levantou rapidamente, tirando o violão dos braços de Luke. — Vamos. Ainda é cedo.
Hemmings fechou os olhos, massageando as têmporas.
— Do que você tá falando?
— Você quer procurar sua garota, não é?
Michael arqueou as sobrancelhas, como se estivesse dizendo o óbvio. Deixou o olhar passear por todo o estúdio, à procura de algo e, assim que viu a poltrona próxima à Luke, se aproximou e puxou o papel escondido ali.
Era o desenho dela.
O observou por algum tempo e ergueu o olhar, sorrindo de lado.
— Já fizemos isso e você constatou que não deu nada certo. Por que insistir mais uma vez?
— Porque odeio ver meu melhor amigo jogado em um canto sofrendo por uma garota que nem fez ele sofrer de verdade. Então, vamos,não vou falar outra vez.
Hemmings respirou fundo, o encarando. Não tinha ânimo algum para rodar, mais uma vez, pelas ruas de Sydney à procura da garota dos seus sonhos. Já tinha começado a se conformar com a ideia de que ela era boa demais para realmente existir.
Desceram em silêncio até o saguão, sendo recebidos por um pequeno grupo de fãs. E, entre elas, algo chamou a atenção de Luke.
Uma fã loira que, em seu sonho, havia parado os dois para uma foto.
— Luke! Luke! Oi! — se aproximou com uma câmera e um celular nas mãos.
— Oi!
Respondeu, tentando manter o mesmo tom de voz que ela, mas o desânimo ainda falava mais alto. A garota franziu o cenho, mas logo voltou a sorrir, estendendo o celular para uma selfie.
Algo estranho tomou conta de seu peito, trazendo uma sensação bem conhecida.
Déjà vu.
Depois de se despedirem, lançou um último olhar para a garota e voltou a seguir caminho ao lado de Michael, que parecia bem mais disposto a continuar a busca; ao contrário dele, que estava mais do que desanimado.
O dia estava quente, um pouco mais do que o de costume, apesar de já conseguir ver o pôr do sol. Luke estava cansado, exausto.
Caminhavam já tinha horas, como se aquilo fosse adiantar alguma coisa.
Luke até perguntava a algumas pessoas no caminho, se animando minimamente ao ouvir um “Eu acho que já vi ela…” ou “Ela não me é estranha”. Mas, era só aquilo. Nem sinal de realmente encontrá-la.
Perder as contas.
Era exatamente isso o que acontecia com Luke só de lembrar de quantas pessoas já havia parado pela avenida, tentando encontrá-la seguindo apenas um retrato falado.
Óbvio que nada daquilo estava sendo fácil e, diante das opiniões alheias, Luke estava sendo... Como poderia dizer?
Estúpido.
Sem noção.
Ignorou alguns olhares em sua direção e ainda mais o fato de que, provavelmente, estava sendo reconhecido.
Aquilo não importava. Não naquele momento.
Respirou fundo, abaixando o olhar.
Devia perder as esperanças. Afinal, já fazia dias que a procurava e, até então, não tinha encontrado sequer alguém parecido.
— Vem, Luke. Vamos embora — Michael analisou o rosto do amigo. Completamente perdido nos próprios pensamentos. — Já tá anoitecendo.
Colocou uma das mãos no ombro de Hemmings, deixando um aperto de leve ali.
Luke só assentiu, mais cabisbaixo do que nunca.
Talvez fosse a hora de esquecer tudo e deixá-la para trás.
EPÍLOGO
— No I never want to wake up,
I dream about you…
I dream about you…
O carro parou vagarosamente em frente ao local.
O movimento era constante, apesar de não estar tão cheio. Pessoas passeavam entre os brinquedos, segurando algodões-doces e balões de gás hélio.
Olhar tudo aquilo fez Luke sentir uma sensação diferente e familiar. Uma sensação boa.
Era o novo parque de diversões de Sydney.
O parque em que ele se lembrava de ter estado com ela.
Luke desceu assim que todos já estavam quase dentro do lugar e suspirou, acompanhando os amigos. Haviam se animado para ir desde que souberam da novidade.
Muitas pessoas os paravam para tirar fotos, pedir autógrafos e mais fotos.
Ele, porém, não conseguia prestar atenção em nada do que diziam. Seu olhar estava travado nos brinquedos ao redor, na roda-gigante, na… Montanha-russa.
— Se continuar assim, juro que vou te deixar pra trás — Calum se aproximou, falando mais alto por conta do barulho ao redor.
Hemmings os acompanhou em algumas barracas, ganhando prêmios e até ursos de pelúcia.
Balançou o copo plástico em mãos, ouvindo o refrigerante e os cubos de gelo se agitarem. Os três amigos estavam mais à frente, pulando um em cima do outro, gargalhando e comentando sobre coisas aleatórias.
Nada que pudesse fazer Luke se animar de verdade.
Enquanto se distanciavam, aproveitou para observar a iluminação do local e o quanto tudo estava bonito. E não deixava de observar cada rosto, tentando encontrá-la ou, pelo menos, achar alguém parecido.
— O que tá achando?
Ashton perguntou. Era o que estava mais próximo do amigo.
— Até que tá legal. Gostei das luzes — respondeu, apontando para algumas lâmpadas. — Não vão em nenhum brinquedo?
— Calum tá comprando as entradas. E você também vai.
Luke deu de ombros, sem muita animação. Em pouco tempo já estavam com os ingressos em mãos, em uma das filas que davam acesso a um brinquedo aleatório.
E, bem ao lado dele, estava a montanha-russa, com uma fila ainda maior. Por um segundo, Hemmings sentiu vontade de largar tudo e invadir o brinquedo, procurando pela garota.
— Eles parecem duas crianças — Michael comentou, apontando para Calum e Ashton que riam de praticamente tudo o que viam ao redor. Olhou novamente para Luke. — Você precisa se animar. Não é o fim do mundo.
— Eu tô animado. Não tá vendo?
Forçou um sorriso, fazendo Michael rir.
O amigo gesticulava ainda mais depois que Calum entregou mais alguns ingressos, dizendo coisas que, para ele, talvez fossem animar Luke, mas mal sabia o quanto a mente do amigo vagava em outro lugar.
E em outra pessoa.
Olhou ao redor e respirou fundo, mas antes de entrar no brinquedo, percebeu um vulto familiar passar em uma das filas da montanha-russa.
Uma garota baixa, com os cabelos claros.
Forçou a vista, tentando enxergar melhor quem era.
Mas não deveria ter olhado. Porque, no segundo seguinte, simplesmente paralisou.
— Michael — chamou, mas o outro ainda conversava. — Michael. Você tá vendo ela?
Michael olhou confuso na direção de Luke e virou o rosto para o lugar que ele apontava.
— Ahn, eu tô. Por quê? O que tem… — estreitou os olhos e logo depois, os arregalou. — Ah, não.
Hemmings estava sorrindo mais que o normal. Provavelmente, o sorriso mais largo que já tinha dado durante aqueles dias.
Olhou para o amigo, observando sua expressão mudar drasticamente.
Ele tinha que ir até ela.
— Michael, é ela! A , irmã da minha garota!
— Luke, não. Não é ela…
Mas já não ouvia mais nada do que o amigo dizia.
Seus pés seguiam na direção da garota. Claro que era ; a menina era idêntica a ela.
Luke começou a andar rápido demais, se aproximando. Não estava tão longe quando conseguiu parar a tempo de pensar no que estava fazendo.
Seria loucura demais chegar correndo, ofegante, em cima da garota. Precisava ser cauteloso.
Respirou fundo, colocando uma das mãos sobre o coração, como se aquilo fosse ajudá-lo a se acalmar.
Deixou o olhar cair por cima do ombro, notando Michael ainda o observando de longe, receoso. Deu um meio sorriso e voltou a caminhar até , que conversava animadamente com outra amiga; mas seus olhos estavam atentos ao redor, à procura da irmã dela.
Assim que parou atrás dela, ainda a uma distância considerável, a observou, percebendo o quanto era realmente igual à garota dos seus sonhos.
— , não acredito que você fez isso! — a amiga ria, passando uma das mãos pelos olhos. — E o que falou? Deve ter deixado sua irmã louca.
Ele estreitou os olhos ao ouvir o nome.
? Não podia ser . Se lembrava nitidamente do nome dela.
Era .
Resolveu se aproximar, certo de que havia alguma explicação para aquilo. Mas, no exato momento em que deu um passo à frente, o portão branco se abriu e o funcionário chamou as pessoas. O tumulto na fila fez com que ele fosse empurrado, avançando sem ao menos precisar andar por conta própria.
— Espera! Eu não…
Murmurou, olhando para os lados, tentando sair do meio do pessoal que estava na fila. Recebeu um pequeno empurrão e, ao olhar para trás, viu que não havia mais volta; já estava subindo as pequenas escadas que davam acesso à plataforma onde ficavam os trilhos estreitos.
Deixou o olhar correr por todo o local, procurando por … ou .
Já nem sabia mais ao certo como chamá-la.
Os carrinhos estavam sendo ocupados e começou a se sentir um pouco perdido, já que, além de receber olhares curiosos, tentava encontrar uma pessoa que simplesmente não via.
Se virou, dando passagem para uma das pessoas e também procurando um lugar para se sentar, já que já estava ali, avistou se acomodando em um dos carrinhos mais à frente. Resolveu se aproximar, talvez conseguisse sentar ao lado dela, mas antes mesmo que pudesse dar alguns passos, a amiga que estava com praticamente se jogou no banco ao seu lado, rindo alto.
Bufou, sem saber mais o que fazer.
Aproveitou para se sentar em qualquer carrinho vazio por ali, ainda com os olhos focados em . Não podia perdê-la de vista em momento algum.
Entrou de qualquer forma, sem ao menos notar se havia alguém do seu lado. A única coisa que tinha em mente era que precisava manter os olhos presos em ; a seguiria por todo lugar, se fosse possível. Talvez , sua irmã, estivesse em algum ponto do parque e, no fim, acabasse encontrando as duas.
— Isso vai ser incrível!
Ouviu alguém exclamar, empolgado. Luke tomou um leve susto ao ouvir a animação no tom de voz da pessoa ao seu lado.
Piscou algumas vezes, ainda olhando para por alguns segundos antes de virar o rosto.
O som das risadas ao redor, do falatório e da música que tocava por todo o parque pareceu parar no exato momento.
E o mesmo aconteceu com seu coração.
Hemmings ficou paralisado.
Ela estava ali, bem na sua frente.
E Luke tinha certeza absoluta de que não estava sonhando daquela vez.
A garota o observou de um jeito divertido, como se analisasse cada expressão em seu rosto. E provavelmente estava com uma feição ridícula.
— Você não pode ser real…
Murmurou para si mesmo.
— Oi! — a garota disse, sorrindo abertamente. Dessa vez, seus olhos se fixaram nos dele. — Qual o seu nome?
As mãos da garota apertavam a trava de segurança. Parecia nervosa.
Ele engoliu em seco, parecendo um adolescente falando com seu primeiro amor.
— Luke. Luke Hemmings — sorriu do mesmo jeito, tentando observar cada detalhe da garota. — E o seu?
— — deu de ombros, ainda o olhando. — Eu conheço você…
Inclinou a cabeça para o lado, com os olhos estreitos. Como se realmente estivesse tentando lembrar de onde.
Os carrinhos começaram a andar. Luke olhou para a frente, vendo a queda da primeira curva se aproximar, mas isso não o preocupava.
Só queria olhar para ela e ter certeza de que era tão real quanto parecia.
Observou uma última vez antes do brinquedo despencar pelos trilhos.
— Eu também — sussurrou, fechando os olhos brevemente. Encostou a cabeça no assento e virou o rosto de encontro ao olhar dela. — Dos meus sonhos.
O movimento era constante, apesar de não estar tão cheio. Pessoas passeavam entre os brinquedos, segurando algodões-doces e balões de gás hélio.
Olhar tudo aquilo fez Luke sentir uma sensação diferente e familiar. Uma sensação boa.
Era o novo parque de diversões de Sydney.
O parque em que ele se lembrava de ter estado com ela.
Luke desceu assim que todos já estavam quase dentro do lugar e suspirou, acompanhando os amigos. Haviam se animado para ir desde que souberam da novidade.
Muitas pessoas os paravam para tirar fotos, pedir autógrafos e mais fotos.
Ele, porém, não conseguia prestar atenção em nada do que diziam. Seu olhar estava travado nos brinquedos ao redor, na roda-gigante, na… Montanha-russa.
— Se continuar assim, juro que vou te deixar pra trás — Calum se aproximou, falando mais alto por conta do barulho ao redor.
Hemmings os acompanhou em algumas barracas, ganhando prêmios e até ursos de pelúcia.
Balançou o copo plástico em mãos, ouvindo o refrigerante e os cubos de gelo se agitarem. Os três amigos estavam mais à frente, pulando um em cima do outro, gargalhando e comentando sobre coisas aleatórias.
Nada que pudesse fazer Luke se animar de verdade.
Enquanto se distanciavam, aproveitou para observar a iluminação do local e o quanto tudo estava bonito. E não deixava de observar cada rosto, tentando encontrá-la ou, pelo menos, achar alguém parecido.
— O que tá achando?
Ashton perguntou. Era o que estava mais próximo do amigo.
— Até que tá legal. Gostei das luzes — respondeu, apontando para algumas lâmpadas. — Não vão em nenhum brinquedo?
— Calum tá comprando as entradas. E você também vai.
Luke deu de ombros, sem muita animação. Em pouco tempo já estavam com os ingressos em mãos, em uma das filas que davam acesso a um brinquedo aleatório.
E, bem ao lado dele, estava a montanha-russa, com uma fila ainda maior. Por um segundo, Hemmings sentiu vontade de largar tudo e invadir o brinquedo, procurando pela garota.
— Eles parecem duas crianças — Michael comentou, apontando para Calum e Ashton que riam de praticamente tudo o que viam ao redor. Olhou novamente para Luke. — Você precisa se animar. Não é o fim do mundo.
— Eu tô animado. Não tá vendo?
Forçou um sorriso, fazendo Michael rir.
O amigo gesticulava ainda mais depois que Calum entregou mais alguns ingressos, dizendo coisas que, para ele, talvez fossem animar Luke, mas mal sabia o quanto a mente do amigo vagava em outro lugar.
E em outra pessoa.
Olhou ao redor e respirou fundo, mas antes de entrar no brinquedo, percebeu um vulto familiar passar em uma das filas da montanha-russa.
Uma garota baixa, com os cabelos claros.
Forçou a vista, tentando enxergar melhor quem era.
Mas não deveria ter olhado. Porque, no segundo seguinte, simplesmente paralisou.
— Michael — chamou, mas o outro ainda conversava. — Michael. Você tá vendo ela?
Michael olhou confuso na direção de Luke e virou o rosto para o lugar que ele apontava.
— Ahn, eu tô. Por quê? O que tem… — estreitou os olhos e logo depois, os arregalou. — Ah, não.
Hemmings estava sorrindo mais que o normal. Provavelmente, o sorriso mais largo que já tinha dado durante aqueles dias.
Olhou para o amigo, observando sua expressão mudar drasticamente.
Ele tinha que ir até ela.
— Michael, é ela! A , irmã da minha garota!
— Luke, não. Não é ela…
Mas já não ouvia mais nada do que o amigo dizia.
Seus pés seguiam na direção da garota. Claro que era ; a menina era idêntica a ela.
Luke começou a andar rápido demais, se aproximando. Não estava tão longe quando conseguiu parar a tempo de pensar no que estava fazendo.
Seria loucura demais chegar correndo, ofegante, em cima da garota. Precisava ser cauteloso.
Respirou fundo, colocando uma das mãos sobre o coração, como se aquilo fosse ajudá-lo a se acalmar.
Deixou o olhar cair por cima do ombro, notando Michael ainda o observando de longe, receoso. Deu um meio sorriso e voltou a caminhar até , que conversava animadamente com outra amiga; mas seus olhos estavam atentos ao redor, à procura da irmã dela.
Assim que parou atrás dela, ainda a uma distância considerável, a observou, percebendo o quanto era realmente igual à garota dos seus sonhos.
— , não acredito que você fez isso! — a amiga ria, passando uma das mãos pelos olhos. — E o que falou? Deve ter deixado sua irmã louca.
Ele estreitou os olhos ao ouvir o nome.
? Não podia ser . Se lembrava nitidamente do nome dela.
Era .
Resolveu se aproximar, certo de que havia alguma explicação para aquilo. Mas, no exato momento em que deu um passo à frente, o portão branco se abriu e o funcionário chamou as pessoas. O tumulto na fila fez com que ele fosse empurrado, avançando sem ao menos precisar andar por conta própria.
— Espera! Eu não…
Murmurou, olhando para os lados, tentando sair do meio do pessoal que estava na fila. Recebeu um pequeno empurrão e, ao olhar para trás, viu que não havia mais volta; já estava subindo as pequenas escadas que davam acesso à plataforma onde ficavam os trilhos estreitos.
Deixou o olhar correr por todo o local, procurando por … ou .
Já nem sabia mais ao certo como chamá-la.
Os carrinhos estavam sendo ocupados e começou a se sentir um pouco perdido, já que, além de receber olhares curiosos, tentava encontrar uma pessoa que simplesmente não via.
Se virou, dando passagem para uma das pessoas e também procurando um lugar para se sentar, já que já estava ali, avistou se acomodando em um dos carrinhos mais à frente. Resolveu se aproximar, talvez conseguisse sentar ao lado dela, mas antes mesmo que pudesse dar alguns passos, a amiga que estava com praticamente se jogou no banco ao seu lado, rindo alto.
Bufou, sem saber mais o que fazer.
Aproveitou para se sentar em qualquer carrinho vazio por ali, ainda com os olhos focados em . Não podia perdê-la de vista em momento algum.
Entrou de qualquer forma, sem ao menos notar se havia alguém do seu lado. A única coisa que tinha em mente era que precisava manter os olhos presos em ; a seguiria por todo lugar, se fosse possível. Talvez , sua irmã, estivesse em algum ponto do parque e, no fim, acabasse encontrando as duas.
— Isso vai ser incrível!
Ouviu alguém exclamar, empolgado. Luke tomou um leve susto ao ouvir a animação no tom de voz da pessoa ao seu lado.
Piscou algumas vezes, ainda olhando para por alguns segundos antes de virar o rosto.
O som das risadas ao redor, do falatório e da música que tocava por todo o parque pareceu parar no exato momento.
E o mesmo aconteceu com seu coração.
Hemmings ficou paralisado.
Ela estava ali, bem na sua frente.
E Luke tinha certeza absoluta de que não estava sonhando daquela vez.
A garota o observou de um jeito divertido, como se analisasse cada expressão em seu rosto. E provavelmente estava com uma feição ridícula.
— Você não pode ser real…
Murmurou para si mesmo.
— Oi! — a garota disse, sorrindo abertamente. Dessa vez, seus olhos se fixaram nos dele. — Qual o seu nome?
As mãos da garota apertavam a trava de segurança. Parecia nervosa.
Ele engoliu em seco, parecendo um adolescente falando com seu primeiro amor.
— Luke. Luke Hemmings — sorriu do mesmo jeito, tentando observar cada detalhe da garota. — E o seu?
— — deu de ombros, ainda o olhando. — Eu conheço você…
Inclinou a cabeça para o lado, com os olhos estreitos. Como se realmente estivesse tentando lembrar de onde.
Os carrinhos começaram a andar. Luke olhou para a frente, vendo a queda da primeira curva se aproximar, mas isso não o preocupava.
Só queria olhar para ela e ter certeza de que era tão real quanto parecia.
Observou uma última vez antes do brinquedo despencar pelos trilhos.
— Eu também — sussurrou, fechando os olhos brevemente. Encostou a cabeça no assento e virou o rosto de encontro ao olhar dela. — Dos meus sonhos.
FIM!
Nota da autora: Oie! Resgatei essa fanfic do meu porão e resolvi escrevê-la, já que amo o enredo dessa história. Espero que vocês gostem e não deixem de comentar!